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[Drive] It's a Wonderful Cat Life [Monique; Charles; Joshua] - Printable Version

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[Drive] It's a Wonderful Cat Life [Monique; Charles; Joshua] - Lil - 09-12-2021

Monique

Estava mexendo em seu celular enquanto Joshua dirigia na direção do apartamento que dividia com seu pai. Já havia parado de trocar mensagens com outros no celular, mais ocupada nas atualizações dos blogs de estilistas famosas que costumava seguir. A chuva estava pesada lá fora e havia saído com o segurança particular da família para fazer compras no shopping. Joshua, como de costume, estava dirigindo tranquilamente, fazendo perguntas esporádicas sobre seu dia a dia em Limoges Collet. Não se importava em responder as perguntas, principalmente porque havia crescido ouvindo o loiro lhe perguntando sobre seus problemas.

Assim que ele parou em mais um sinal no cruzamento, fez uma pausa em sua busca digital para olhar através do vidro da janela do carro a imagem de um loiro bem familiar. Não havia como não confundir o sujeito, principalmente na cadeira de rodas. Bateu com a palma da mão ao lado do banco do motorista, indicando para Joshua que diminuísse a velocidade até parar próximo ao parapeito da lojinha em que ele estava para, obviamente, se proteger da chuva incessante e imprevisível.

- Quem é? – perguntou o segurança, atento aos arredores pouco antes de Monique guardar o celular no bolso da calça jeans.

- É um amigo do Lukashenko. Destranca a porta. – disse ao loiro que arqueou a sobrancelha, estranhando o comportamento da menina. – Vai deixar o cadeirante na chuva? Quer que as rodas dele enferrujem? – Monique defendeu seu ponto de vista no que estava tentando fazer ali. Em dias normais, passaria direto, mas a chuva não parecia dar sinais de acabar e, se bem se lembrava, o rapaz estava se recuperando de algum problema nas pernas e aquilo era importante para Lukashenko. Por isso, faria aquele pequeno esforço.

- Senhorita Biedermeier!

Ainda conseguiu ouvir o segurança lhe chamar enquanto abria um guarda-chuvas para tentar protege-la da chuva. Não se importava em se molhar, estava indo para casa, afinal de contas. Saiu do veículo e apressou o passo, batendo a porta atrás de si com o carro estacionado próximo da calçada. A morena estava usando uma calça jeans justa, um par de tênis com plataforma cinza e branco, um top croped preto de gola alta e um dos casacos de Yure que havia furtado da última vez que haviam se encontrado.

- Hey! – acenou como se fosse a coisa mais natural do mundo parar um carro desconhecido e descer com seu segurança particular para se aproximar do rapaz loiro na cadeira de rodas. – Quer uma carona até em casa? – ofereceu enquanto Joshua lhe seguia, não muito contente com a conduta que havia tomado ao sequer esperar que ele lhe protegesse da chuva.

Charles

Charles havia acordado cedo naquele dia, afinal era um daqueles que tinha um horário certo para cada coisa. Logo pela manhã tinha de ir para uma das sessões de fisioterapia. Até gostava, acabavam lhe dando uma confiança extra, mas sentia dores bem pontuais quando começava os exercícios diários, era melhor se convencer que era algo bom - estava sentindo algo pelo menos.

Saiu de casa usando um casaco cinza com detalhes em neon de um dos seus jogos favoritos do momento por cima de uma camiseta azul escuro, calça moletom preta para exercícios e um tênis vermelho neon, compra recente.
Durante o caminho no ônibus notou que o tempo aos poucos parecia fechar. Resmungou baixo, era quase como um sinal lhe dizendo para ficar em casa mas apenas esperava que tivesse tempo o suficiente para ir e voltar para casa. Poderia bem aproveitar para afundar na cama e ver alguns filmes.

Felizmente tudo parecia correr bem. Chegou até a fisioterapia, reclamou dos exercícios, sentiu dor pelos exercícios - o que o fez reclamar ainda mais - e assim que se deu conta, a sessão havia terminado e já estava podendo fazer o caminho de volta para casa. Pensou em olhar algumas lojas ao invés de fazer o caminho de volta de ônibus, talvez passar pela padaria antique para comprar alguns doces. Estava na metade do caminho quando sentiu alguns pingos de chuva que engrossaram bem rapidamente, até que se viu preso embaixo de um parapeito de uma lojinha pequena em uma chuva forte: - Bendita hora para começar a chover... - resmungou o loirinho, de braços cruzados e emburrado vendo os carros passarem. A chuva caia tão forte que parecia até mesmo cortar seus pensamentos, e também parecia que não iria parar nem tão cedo.

Os minutos passavam e a chuva realmente parecia não dar trégua, até o movimento de carros da rua estava mais baixo. Estava dando um adeus aos planos futuros, até ouvir conversa - ou melhor, alguém chamando alguém - no meio daquele chiado sem fim. Levantou o olhar para encontrar uma figurinha até conhecida, acompanhada por uma outra pessoa que apenas supôs que era o seu segurança. Apenas a encarou de cima pra baixo, inclusive reconhecendo um certo casaco:

- Não precisa, não gosto de caronas - apesar da cara e expressão emburradas, a resposta foi neutra, realmente não gostava de pedir favores para as outras pessoas. Gostava da independência - É melhor ter cuidado com essa chuva, principalmente com esses sapatos.

Monique

- Eu estou de carro, então não tem problema. - deu de ombros quando ele lhe disse para tomar cuidado com a chuva por estar de plataforma. Tomou logo Joshua se aproximando com o guarda-chuvas que agora já era um tanto inútil visto que já havia sido acertada por algumas gotas da chuva que caía intensa. - Ah, esse é o Joshua, ele é meu segurança particular.

- Muito prazer, senhor… - ouviu o loiro mais alto cumprimentar o amigo de Yure, estendendo-lhe a mão, educado, curvando-se o bastante para que sua mão fosse alcançada, visto que era um homem alto.

- Charles. Ele é um dos amigos do Lukashenko. - Monique disse, apenas pelo prazer de assistir o sorriso educado de Joshua sumir e dar lugar a uma expressão mais neutra. Sorriu divertida com a cena, logo desviando o olhar com o semblante de desaprovação do segurança em sua direção. - Nós vamos aguardar a chuva passar aqui, Joshua. - anunciou, assistindo o maior se voltar em sua direção, intrigado com aquela sentença. Contudo, não foi contestada enquanto o loiro mantinha o guarda-chuvas em mãos.

A morena buscou o próprio celular novamente, enviando prontamente uma mensagem para Yure sobre ter encontrado o amigo dele protegido da chuva. Se ele não iria embora e aceitaria a carona, podia muito bem esperar por ali. Joshua estava lhe acompanhando, então seu pai faria vista grossa, certamente.

- Quer ir no meu apartamento? Não fica muito longe e podemos esperar a chuva diminuir. Não sei o que estava fazendo, de qualquer modo. - ofereceu, desviando a atenção do celular para assistir a resposta do loirinho menor. Ele já possuía aquele semblante irritadiço que lhe era muito familiar no próprio espelho. Esperava que Yure ao menos lhe enviasse alguma dica de como lidar com aquele gato arisco sem desejar empurrar a cadeira dele consigo até onde queria ir e acabar sendo grosseira além da conta.

Charles

Bem, se Monique escorregasse e acabasse caindo não é como se fosse esperar que o cadeirante desse uma mão para ajudar, afinal já havia avisado e se ela disse que não tinha problema então não havia problema. Ficou apenas levemente surpreso quando e ela o apresentou o segurança, bem imaginava a situação da morena, mas achava que um segurança era até um pouco demais.

Arqueou a sobrancelha logo que ele parou para o cumprimentar, e precisaria ser também cego para não ver a decepção no rosto do mais alto quando ela terminou de lhe apresentar como um dos amigos de Yure. Se o trabalho dele era tomar conta de Monique enquanto ela sai com Yure... Até podia dizer que teve pena do loiro, mas apenas apertou a mão acenando positivamente.

- Você não precisa esperar aqui se tinha mais alguma coisa pra fazer, a cadeira tem travas, eu não vou ser levado pela água. - respondeu sendo bastante sarcástico. Nessa altura até tinha uma noção um pouco melhor de como a morena funcionava, e se fosse do mesmo jeito que estava para recolher as assinaturas de Yure, com certeza não mudaria de ideia.

Apenas suspirou aceitando a situação, aparentemente teria a companhia forçada de Monique, estava pronto para insistir mais uma vez que poderia ficar esperando quando, em meio ao chiado da chuva, pode ouvir um som bem fino e fora do comum.

- ... Hmn? Ouviu isso? - ouviu novamente, um miado um pouco mais alto dessa vez, aparentemente vinha do beco que se formava entre uma loja e outra. Ajeitou o capuz do casaco sobre a cabeça e fez caminho até o beco, sem muito esperar uma resposta de Monique ou muito menos do segurança dela.

Alguns poucos metros a fundo no beco, quase ia passando reto pela caixa de papelão ensopada quando ouviu um outro miado, mais baixo, e viu a pequena gata cálico enrolada, encharcada e tremendo. Não apenas pelo frio, mas ela parecia estar bem desnutrida, conseguia ver os pequenos ossinhos da coluna saltados para fora.

- Se ela ficar aqui vai acabar pegando uma hipotermia... - Ponderou sobre as possibilidades, afinal Charles não era o tipo de pessoa de ignorar animais de rua, mas não sabia se conseguiria levar a gata para a casa, principalmente por que ela precisava mesmo era se aquecer e ser tratada, e não sabia de grupos de resgate em Cerise, não era alguém que acompanhava as causas animais o tempo todo. Qual seria o melhor meio de ajudar a gatinha?

Monique

Apesar de estar sendo educada com o amigo de Lukashenko, não conseguiu esconder um sorriso com a mera ideia de que a água poderia levá-lo pelas rodas embora dali. Achou que seria uma cena engraçada, no mínimo cômica, mas não comentou nada a respeito, pois estava de fato tentando se manter educada.

- O-O que?! - mal teve tempo de responder sobre a pergunta do barulho, o garoto já estava de capuz levantado e seguindo na direção de um beco esquisito. - Oi! Tá maluco?! - dessa vez não conseguiu evitar a surpresa e a voz mais exasperada ao assistir o rapaz se enfiar debaixo da chuva estando naquela cadeira de rodas.

O segurança não demorou a lhe seguir enquanto também arrumava o capuz do seu casaco sobre a cabeça. O loiro mais alto era rápido o bastante para lhe acompanhar naquela chuva quando não estava preocupado em puxar o freio de mão de um carro para estacionar enquanto fugia. Monique aproximou-se, respirando fundo ao notar o motivo dele ter parado ali. Deu as costas, franzindo o cenho, irritada, mas ainda assim respirou profundamente. Tinha realmente que ser um amigo de Lukashenko para se enfiar debaixo de uma chuva daquelas por conta de um gato magricela.

- Agora você é veterinário desse tipo de animal, por acaso? Quer adoecer nessa chuva? - questionou a morena, cruzando os braços, fazendo com que Joshua arqueasse uma sobrancelha para seu comportamento, afinal de contas, não era todo dia que podia ouvir a garota falando algo que ele mesmo falaria sobre a atitude dela se tivesse oportunidade.

O loiro mais alto apenas posicionou o guarda-chuvas sobre o rapaz de cadeira de rodas, impedindo que o copo dele ficasse encharcado além do que já estava. Monique já ia abrir a boca para reclamar novamente sobre a atitude do loirinho quando a gata retornou a miar, inquietante e Joshua lhe lançou um olhar como se questionasse o que faria.
- Tem que levar ela em um veterinário primeiro. - disse Monique enquanto o segurança suspirava condescendente com a situação, afrouxando a própria gravata antes de remover a parte superior do próprio terno.

- Segure, por favor, senhorita Biedermeier. - a garota obedeceu, segurando o guarda-chuvas sobre Charles para que ele não ficasse mais encharcado. Enquanto isso, o segurança particular agachou-se para pegar o felino mal tratado com a parte interna do tecido caro do terno, mas que estava quente e seca por ter um acabado especial que lhe garantia proteção daquele tipo de clima tempestuoso. Joshua aproximou-se de Charles, mostrando a tal gatinha chorona agora acomodada no amontoado de tecido. - Cuidado. - o homem indicou, deixando a peça com a gata no colo do rapaz para se afastar. - Vamos para o carro.

Charles

Charles gostava de animais, apenas não tinha um por que... Por que não lembrava mais o motivo mas gostava. Achava cachorros estúpidos o suficiente para serem engraçados e gatos acomodados o suficiente para serem uma boa companhia.
Quando ouviu o gato miando naquela chuva, estranhou por que bem sabia que normalmente eles se escondiam em qualquer lugar e ficavam bem quietos...

A não ser quando se machucavam.

Por isso mal deu ouvidos quando Monique perguntou se estava 'maluco'. Nem havia pedido para a morena acompanha-lo, se quisesse bem poderia ficar ali, mas ao menos queria tirar a limpo a situação do animal. E da maneira que imaginava, o gatinho de três cores estava deitado de qualquer jeito em uma caixa de papelão, estava perdido ponderando em como cuidar do gato quando ouviu Monique se aproximar, fazendo Charles girar um pouco a cadeira em sua direção, encarando-a por debaixo do capuz ensopado:

- Desse tipo de animal? Eu não sou feito de açúcar, não é como se fosse desmanchar só por ficar na chuva. É por um bom motivo - resmungou baixo, apesar de dizer que não se importava com a chuva, já estava sentindo o tecido grosso do casaco molhar os seus cabelos. Isso até o segurança colocar o guarda-chuva sobre sua cabeça. Resmungou baixo, mas dada a situação não tinha muito como rejeitar, até se compadecia do segurança que devia correr de um lado para o outro com Monique: - ... Obrigado.

Não demorou para que a gata continuasse a miar sem parar, como um último pedido de ajuda: - Conhece algum bom veterinário? Um que não vá só querer tirar dinheiro, claro. - se fosse cuidar do gato, queria passar longe de veterinários trambiqueiros, que passavam listas e listas de exames e remédios apenas para lucrarem encima. Estranhou o segurança entregar o guarda chuva para Monique continuar proteger Charles da chuva - o que, novamente, não era necessário - mas apenas agradeceu acenando positivamente.

Observou o segurança segurar o pequeno gato com cuidado e leva-lo até Charles colocando em seu colo, o que o loirinho não reclamou. Encostou a mão no animal gelado e encolhido no meio do tecido quente, acariciando devagar. Não tinha planos de aceitar a carona de Monique, mas dada a nova situação...

- Tudo bem, obrigado. - respondeu o segurança, depois se virando para Monique e a saída do beco - Vou aceitar a carona. Tem espaço na mala para a cadeira? - comentou enquanto acompanhava o ritmo de Monique para a saída do beco, e em direção ao carro.

Assim que voltaram para a rua principal e chegaram até o carro esperou que Monique abrisse a porta para, com cuidado, levantar o gatinho: - Consegue segurar? É só até eu conseguir me sentar no carro - esse era um dos motivos de por que não gostava de caronas. Entrar no carro e sair era um problema, especialmente quando achavam que nem isso conseguia fazer sozinho. Como já estava acostumado, tomou apoio com as duas mãos no banco do passageiro e se projetou para frente com sucesso indo mais para o lado, dando espaço para monique e ajeitando as pernas em seguida para que não começassem a formigar: - Pronto, eu posso cuidar do gato agora se quiser. - virou a palma das mãos, caso a morena fosse entrega-lo. Também fez questão de agradecer ao segurança assim que ele pegou sua cadeira para guardar no porta-malas.

Monique

Arqueou a sobrancelha diante da reação do loiro. Ele parecia de fato incomodado com a ideia de deixar o felino ali. Era mesmo um amigo de Lukashenko para se importar tanto com uma bola de belos daquela. Não era que não se importasse também, mas achava esquisita a disposição do sujeito quase sempre mal humorado em querer finalmente cuidar de um bichinho tão pequeno. Não foi nenhuma surpresa quando Joshua resolveu ajudar. Sabia que o mais velho gostava de animais, mas sempre imaginou que ele era o tipo de pessoa que gostava mais de cães que de gatos.

A priori, ignorou a pergunta sobre o tal veterinário que não fosse custar tanto assim, dinheiro nunca era um problema para a morena. Estava mais preocupada com o estado do loiro que começava a ficar ensopado, na verdade. Agradeceu ao segurança pelo guarda-chuvas e arrumou novamente seu próprio capuz, mais interessada em impedir que o cadeirante tomasse um banho ali pelo tempo ruim.

Protegeu o cadeirante e o gatinho no colo dele da chuva, segurando o guarda-chuvas, atenta ao fato de que ele já havia se molhado pelas gotas que não paravam de cair. Acompanhou Charles até o veículo e abriu a boca, pensando em negar segurar o felino ensopado até o momento em que se deu conta que o loiro precisava de mais esforço para entrar do banco de trás do carro com as pernas fracas. Franziu o cenho de leve, segurando o felino com cuidado nos braços, chegando a estranhar aquela criaturinha pequena ali, tremendo da ponta do rabo até o nariz.

- Claro que tem espaço. - respondeu de sobressalto para o loiro, mantendo o felino em seus braços enquanto tentava equilibrar o guarda-chuvas, o que não deu muito mais que alguns instantes, pois logo Joshua apareceu para lhe ajudar com o guarda-chuvas enquanto ela e Charles entravam no veículo. Esperou que o loiro fechasse a porta, cutucando-o com o cotovelo para que fizesse enquanto Joshua terminava de desarmar a cadeira de rodas dele para colocá-la na mala. - Aqui. Você e o Lukashenko são mesmo amigos.

A morena comentou, entregando o felino com cuidado nos braços do loirinho, notando como o animal ainda parecia assustado demais para se espreguiçar do frio. Franziu o cenho, projetando-se para a frente a se esticando entre os bancos para desligar o ar condicionado do veículo. Assim que o segurança particular entrou no veículo, voltou para trás, pegando o próprio celular antes de se voltar para o amigo de Yure.

- Ele precisa de um veterinário, Joshua. - relatou o óbvio, mas ciente de que o segurança precisava de sua confirmação sobre o que faria naquele cenário. - Pode ir na clínica que leva a Maskota. - informou, abrindo o aplicativo de mensagens do celular para adiantar o serviço, avisando ao atendimento do lugar que estava levando um aparentemente filhote de gato abandonado que estava tremendo de frio.

- Coloquem o cinto de segurança, por favor. - disse o loiro ao dar a partida no veículo. Monique, por sua vez, adiantou-se, reclinando-se sobre a figura do amigo de seu amigo para auxiliar com o cinto de segurança para que ele não tivesse que largar o felino trêmulo. Não demorou nem dois minutos para colocar seu próprio cinto de segurança, baixando o capuz para voltar a digitar, lendo a breve resposta do atendimento da clínica.

- O lugar é bem comum, mas o atendimento é bom. - tentou acalmá-lo, notando a atenção maior para o animal. - E o terno do Joshua é quente, ele vai sobreviver. - suas tentativas de ser amigável eram sempre frustradas. No fundo, estava impaciente com a situação, pois não sabia de fato se o animal seria salvo. Ele poderia estar mesmo doente e o loirinho poderia ficar irritado com suas ações. Talvez devesse apenas ter ignorado que ele estava esperando a chuva passar.

Charles

Por mais que achasse Monique tão chata quanto o próprio, Charles estava bastante surpreso com a "condescência" da outra. Afinal ela aparentava ser tão cabeça dura quanto o loiro mas estava ali, oferecendo uma carona - apesar de ser o segurança que iria dirigir - com um guarda-chuva para evitar que se molhasse mais e segurando o pequeno gato para que Charles pudesse se ajeitar no banco do carro.

Estava realmente surpreso.

Logo depois que ela entrou, lhe passou o gato ainda enrolado no terno do segurança. Segurou o bichano com cuidado, um pouco tenso, pois podia sentir como o ele se tremia em suas mãos. Aproveitou que Monique estava passando instruções para o seu motorista e tentou ao máximo deixar o pequeno cálico confortável em seu colo, o deixando mais próximo do casaco de tecido grosso. Acariciava devagar o pequeno corpo do animal durante a conversa.

"Será que ele vai ficar bem?"
"Ele está tão frio"
"E se ele tiver algum outro problema?"

Pensar nos possíveis diagnósticos do animalzinho deixavam Charles apreensivo, quase não ouviu quando o segurança pediu para colocar o cintos, era um pouco difícil com o gato em seu colo mas não queria ter de pedir ajuda. Na verdade, acabou que nem precisou. Monique prontamente se aproximou - muito além da zona de conforto de Charles - e fez o favor de ajudá-lo a colocar o cinto. Estava com a reclamação na ponta da língua, mas o pequeno gato em seu colo o fez pensar duas vezes. Apenas engoliu a rabugisse e suspirou: - Obrigado, de novo. - repousou a mão com cuidado no corpo do gato, acariciando devagar esporadicamente.

Escutou Monique falar do tal lugar que já conhecia, pelo menos ela conhecia o lugar. Já era melhor do que tentar a sorte com a primeira clínica que aparecesse: - Eu espero que ele fique bem. Mas se é onde você leva a Maskota, imagino que sim. - ponderou um pouco antes de continuar, poderia não ser a mesma cadela destruidora e muito empolgada - É a mesma Maskota que o Yure fala tanto, não é?

Juntou as duas mãos, aconchegando o gatinho com cuidado entre as duas. Ele ainda estava bem frio, mas com o ar desligado, talvez começasse a melhorar aos poucos.

Monique

Ficou surpresa com o comentário de Charles sobre a cadelinha que havia ajudado Yure a resgatar. Baixou o olhar para o gatinho e deixou o celular um pouco de lado, concordando brevemente com ele sobre ser a tal Maskota que Yure falava tanto.

- Ele que resgatou ela faz um tempo. Eu disse que iria cuidar dela também já que ele não pode ter animais no apartamento direito. - explicou, voltando sua atenção para Joshua logo depois. - Mas quem também ajuda a cuidar dela é o Joshua. Ela não é de raça, então não estou acostumada a ver esse tipo de animal em casa. A maioria das pessoas que conheço não pega animais de rua. - explicou, sendo direta quanto a própria realidade. - Mas ela é bem diferente do que eu imaginava.

Não era costume seu admitir, mas havia desenvolvido um carinho especial pela cadelinha. Não sabia se era por ela ter sido resgatada junto com Yure, mas gostava de como ela conseguia lhe lembrar do namorado, sempre aprontando e lhe causando problemas, mas nunca lhe deixando entediada.

- Não se preocupe. Ele vai ficar bem. O veterinário da clínica é muito competente. Só cobra caro, mas dinheiro não é problema. - declarou de forma casual, afinal dinheiro de fato nunca lhe havia sido um problema.

Não demorou muito até que Joshua estacionasse o carro perto da marquise do estabelecimento veterinário para descer do veículo e abrir a porta para ambos, abrindo a cadeira de rodas do suposto amigo da senhorita Biedermeier para que ele pudesse se acomodar enquanto Monique segurava o casaco com o felino acomodado nele.

- Vamos. - Monique deixou o felino novamente no colo do loirinho enquanto Joshua trancava o veículo. Ao adentrarem, o espaço era bem arejado e possuía muitos produtos de pedigree, brinquedos e até algumas promoções próximas da vitrine. A frente havia uma bancada com uma moça com algumas pranchetas. A morena logo se adiantou a informar a situação de urgência com o felino e a mulher não tardou em verificar o registro da garota como cliente da clínica veterinária.

- Nós vamos avaliar a situação do seu anjinho, tudo bem? Enquanto isso, podem ficar na sala de espera. - a atendente ofereceu, saindo de trás do balcão para se aproximar e observar o felino no colo do cadeirante. - Ou preferem acompanhar ele? Vou precisar de um responsável pelo gatinho, querida. - a mulher informou, educada, passando sua atenção entre os três, com a prancheta de preenchimento de informações em mãos.

Charles

Fez um leve aceno, acompanhando a fala de Monique sobre a cadelinha resgatado. Ainda se perguntava como ature havia convencido a morena a cuidar da cadela, especialmente por ela não parecer o tipo de mantém bichinhos de estimação.

Estranhou um pouco - e tentou não demonstrar isso na expressão - quando ela completou sobre "não ter animais como aquele", já imaginou que provavelmente a morena tinha mais contato com aqueles cachorros de madame enjoados. Não que Charles fosse defensor de alguma causa animal, mas já achava a história de preferir animais de raça estupido. Mas pelo menos ela parecia um pouco inclinada ao animal.

- Bom, se você convive com ela é de se esperar que se apegue. Principalmente sendo uma filhote. Se bem que o Yure também é bom convencer os outros, acho que isso ajuda também. - completou, acariciando o pequeno animal em seu colo com os polegares com cuidado. Apenas concordou quando ela informou sobre o preço, preferia pagar caro - ou acabar devendo caro para Monique - e ter certeza que o animal ficaria bem.

- Tudo bem. Contanto que ele receba os tratamentos, não tem problema. - Não tinha bem como agradecer a morena, então apenas concordava com as ideias. Não costumava aceitar ajuda, mas como havia feito essa exceção, não podia discordar de quem estava ajudando.

Em alguns minutos chegaram até a tal clínica, parando logo na frente. O segurança de Monique foi o primeiro a descer do carro, indo diretamente para a mala para tirar a cadeira de rodas. Agradeceu mentalmente, enquanto deixava o gato enrolado no casaco com a morena para conseguir se acomodar na cadeira, logo em seguida colocando o pequeno animal em seu colo e acompanhando Monique dentro da clínica.

Era um lugar aberto, até se sentia um pouco perdido por não ter familiaridade com o espaço. Fizeram caminho até o balcão, onde Monique tomou a frente para explicar a situação indo falar com uma das atendentes que prontamente depois de trocar algumas palavras com Monique. Apesar de falar como se fosse um bebê, ela parecia ser bastante atenciosa.

- Eu prefiro acompanhar, se não importar. - respondeu prontamente à enfermeira e de certa forma se direcionando para Monique. Talvez ela quisesse acompanhar o felino. Sempre andava com seus documentos nos bolsos do casaco, então não teria problema nenhum em repassar informações para a atendente.

Monique

A garota apenas concordou quando o loiro fez questão de citar Yure novamente. Sim, o ruivo tinha uma capacidade incrível de persuadir as pessoas, mas não de uma maneira ruim, poderia dizer. Não se sentia exatamente forçada a cuidar do animal, era mais como se ele lhe fizesse lembrar de algum senso comum e empatia social que já não exercitava mais desde a infância.

- Eu posso ir preenchendo os dados enquanto você acompanha o gatinho. - avisou Monique ao loiro, não se incomodando que ele ficasse com o animal no processo, já que ele é que havia sido o salvador do animal no final das contas.

- Então me acompanhe, por favor, senhor. - a atendente informou, dando espaço para que o garoto lhe acompanhasse com o gatinho até um corredor que levava até algumas salas naquela pequena clínica. Pequena sim, se comparada a outras que costumava visitar com seu pai na época em que ele ainda precisava usar um cão guia com frequência em Paris.

O ambiente era limpo e com vários cartazes sobre campanhas de adoção de animais ou sobre doações para instituições que trabalhavam com aquele tipo de causa. Na sala para a qual a atendente estava levando Charles e o felino, havia uma bancada metálica alta, uma mesinha ao canto com duas poltronas, uma a frente da outra e um armário ao canto. O ambiente parecia discreto e simples, além de possuir uma grande janela que permitia a visão de um belo jardim de inverno.

Assim que o veterinário chegou, o homem informou sobre os cuidados que precisariam ter antes de fazer qualquer procedimento com o felino. Alertou para o estado de desidratação notória do animal e para a fragilidade do mesmo por ser um filhote. Em seguida, o médico colocou o animal no soro com o auxílio da atendente e tirou uma pequena amostra de sangue para fazer algumas análises. O animal não parecia ter quebrado nada ou estar com dificuldades para respirar, então apenas foi encaminhado para o repouso no soro com alguma vitaminas, observação com acompanhamento e logo depois ele seria liberado com uma cartela de vacinas e um registro no banco de dados da clínica.

O atendimento parecia levar horas e Monique apenas começava a ficar cada minuto mais nervosa. Não de fato pelo animal, pois sabia que as pessoas ali eram bem competentes, mas pelo formulário de informações da clínica lhe obrigar a ter informações acerca de perguntas que não fazia ideia de como responder. Anotou o nome do garoto na folha de cadastro como “Charles”, mas sequer se recordava do sobrenome dele, ou da idade do garoto. Marcou que ele morava com em um apartamento, mas não se lembrava de ter visto os pais dele. Não se lembrava se ele estudava em St. Clavier. Pegou o celular e pensou em ligar para Yure para descobrir as informações, mas se acabasse falando de novo do gatinho encontrado, tinha certeza que ele aparecia brotando ali mesmo para resgatar o amigo. Pressionou os lábios emburrada e resolveu esperar o loiro voltar da sala de espera enquanto pegava uma cestinha de compras e passava a juntar alguns itens que achava serem necessários para a criação a domicílio de um felino: caminha acolchoada, arranhador, rato de borracha de brinquedo, ração molhada para filhote, ração seca para filhote, uma caixa de areia, areia da caixa de areia. Quando estava com a caixa de compras lotada é que finalmente parou, a prancheta com o formulário embaixo do braço e a prateleira a sua frente repleta de modelos de coleirinhas para animais. Contudo, uma lhe chamou a atenção por parecer ter algum tema que lembrava as estrelinhas do video game que o amigo de Yure tanto gostava. Segurou a coleirinha em mãos, notando que ela estava em branco no registro. Ainda não sabia qual seria o nome do felino, afinal.

Charles

Charles ficou feliz por Monique concordar que ele poderia acompanhar o gatinho, afinal se ela decidisse que iria querer acompanha-lo, o loirinho nem iria discordar. Era ela quem estava pagando afinal.
Com as duas partes em acordo, apenas assentiu para Monique com um breve gesto com a cabeça e seguiu acompanhando a atendente que carregava o pequeno animal nos braços.
Bem no meio do caminho se lembrou que Monique provavelmente não sabia de nada em como preencher os dados, a não ser que ela tivesse uma memória muito boa ou lembrasse de vários detalhes da vida pessoal de Charles que o próprio nem havia dado a ousadia de mencionar.

De qualquer maneira se surpreendeu com a clínica, ela não era tão grande como as que costumava ver em vídeos ou programas de TV, mas parecia ser muito bem organizada. Se não fosse pelas cores mais divertidas nos rodapés e portas e os vários cartazes de adoção, nem diria que era uma clínica para animais, tinha até o mesmo cheiro de hospital contagiante, se não fosse pelo cheiro de cachorro misturado de uma maneira bem característica. Alguns passos adentro do corredor finalmente entraram em uma das salas onde a porta tinha adesivos coloridos indicando a parte de consultório, ela uma sala relativamente simples com uma mesa de metal alta para examinar os animais, uma mesa para que ele pudesse fazer algumas anotações e por fim - não era um mobiliário mas chamava atenção o bastante - uma grande janela que mostrava o jardim de inverno do local.

“Se metade dos hospitais de gente fizessem o mesmo o ambiente seria menos massante” foi a primeira coisa que o loirinho conseguiu pensar. Ficou mais próximo da mesa de metal, ocasionalmente acariciando o pequeno felino até o momento que tal veterinário chegou, o que não demorou muito.

Charles se afastou um pouco da mesa de examinação quando o homem se aproximou para ver o estado do pequeno felino. Após algumas observações e seja-mais-lá o que o médico fez, ele passou a instruir Charles a explicar como estava a situação de saúde da gata - aparentemente era uma fêmea - e quais seriam os procedimentos apartir daquele ponto. O cadeirante escutou atentamente ao diagnóstico e ficou um pouco aliviado em saber que a situação não era tão grave quanto poderia verdadeiramente ser. A desidratação era obviamente um problema grande mas comparado a ossos quebrados e possíveis infecções, não era quase nada. Concordou quando o homem disse sobre a necessidade do animal ficar no soro para que melhorasse antes de começar qualquer outro exame mais delicado, e esperou enquanto ele transcrevia os remédios que o animal precisaria tomar depois que fosse liberado da clínica, Charles fez questão de perguntar para que servia cada um dos remédios que foram passados, o que os fez passar mais alguns minutos na sala antes que o loirinho agradecesse e se retirasse da sala, dando uma última olhada de esguelha no animal que estava deitado, um pouco mais seco, mas claramente frágil.

Apenas queria que ele ficasse bem.

Passou pelo corredor observando a receita, maior parte dos remédios poderia comparar diretamente no pet shop da própria clínica - e ainda teriam algum desconto -, então seria mais prático que realmente comprassem ali ao invés de esperar que a gata fosse liberada. Poderia também convencer sua mãe nesse meio tempo a ficarem com o animal, precisaria cuidar desse caso.

Voltou a recepção e demorou um pouco a encontrar Monique, que não estava mais no balcão mas sim na área do pet shop. Pensou em chamar pela morena, mas ela parecia bem imersa nas compras que estava fazendo ou no que estava procurando. Resolveu se aproximar devagar, até conseguir ver melhor o conteúdo da cesta, onde tinham várias necessidades básicas para o felino como ração, caminha e etc, e ela parecia intrigada em achar uma coleira.

Queria bastante resmungar nesse momento mas apenas respirou fundo - ela estava pagando o tratamento da gata, mas ela não precisa pagar por tudo. O loirinho pensava em como organizar as palavras quando se aproximou mais da morena até ela perceber sua presença: - Está olhando as coleiras? - perguntou o óbvio, mas queria dar espaço para que ela explicasse o por quê - Felizmente ela não está no pior dos casos, por hora. Ela vai ter que ficar no soro e em observação. - Vendo a coleira mais de perto, bem lembrava uma estrela de Mario, aquelas gordinhas do Galaxy - Eu posso pagar pela coleira, ração e afins, sem problema Monique. Você já está pagando pela consulta. - falou prontamente, normalmente esperaria o momento certo para falar algumas coisas, mas na situação atual, teriam de logo pagar pelas compras, e com certeza o caixa não seria o melhor lugar para começar uma conversa sobre quem paga o que como as pessoas imbecis que começam a decidir o que querem comprar para lanche apenas quando estão no caixa.

Monique

Fez uma pausa com as observações sobre os itens de compra e a prancheta que tinha em mãos para anotar as informações sobre o responsável pelo gatinho. Voltou-se para Charles assim que ele se aproximou, abrindo um sorriso de alívio por ele estar ali então poderia preencher as informações do formulário sem precisar questionar mais a própria memória sobre algo que sequer poderia saber. Contudo, ele lhe dirigiu a palavra, perguntando sobre a coleira e se prontificando a pagar pelos itens. Baixou o olhar para o rapaz, desfazendo o sorriso devagar, processando o que ele queria dizer com aquilo.

Bem, não era como se fossem amigos de fato e era normal que ele pensasse daquela forma e quisesse pagar pelos itens do gatinho. Pagar pelas coisas sempre havia sido seu jeito de mostrar como se importava com as pessoas ao seu redor, mas aquilo nunca funcionou para fazer amigos, essa era a verdade.

- Bem, eu não achei que fosse jogar o gato de volta na rua depois de trazer ele aqui. Por isso, é bom comprar logo uma coleira. Eles gravam o nome no verso, se você quiser. - explicou, estendendo a prancheta com a caneta para o loirinho, o nome dele já escrito no topo como responsável pelo animal. Havia escrito apenas “Charles” no topo e nada mais, mas também não resolveu comentar sobre o assunto. - É melhor preencher os dados primeiro. Eles sempre mandam promoções para o e-mail e número de telefone das pessoas cadastradas.

Apesar do garoto negar sua ajuda financeira, que considerava ser a única ajuda pela qual valia a pena estar ali, continuou segurando a cesta de compras para que ele pudesse preencher os dados pessoais na prancheta sem ser atrapalhado por aquele amontoado de coisas.

- Ah… como é que o gato está? - perguntou, observando de relance das informações que ele colocava ali no formulário. Não sabia muita coisa do rapaz, era verdade, mas não dava para mentir para si mesma que não tinha o mínimo de curiosidade sobre o assunto.

Charles

Ser recebido pela morena de uma maneira sorridente era uma surpresa para Charles. Não que tivesse apenas ficado com a imagem de uma Monique reclamona - tanto quanto o próprio - em mente, mas que era estranho pensar como havia chegado nessa situação, talvez estivesse sendo “menos chato” o suficiente para conversar com as pessoas? Nunca.
Mas foi notório como o sorriso da outra diminuiu assim que informou que poderia pagar pela coleira, não deveria ser ao contrário?

Se bem que, lembrando do outro encontro que teve com a garota no shopping, no fim das contas ela havia lhe comprado um presente do mesmo jeito, aliás sempre que rejeitava ajuda - maior parte das vezes financeira - a morena parecia ficar perdida no que fazer. Talvez essa fosse a maneira dela de “agradar”? Estranho, mas de longe que seria a pessoa a alimentar isso em Monique.

- A ideia realmente era ficar com ele, talvez peça para gravarem um nome assim que for liberado - concordou, não seria uma dessas pessoas irresponsáveis que cuidam de um animal por um curto período de tempo apenas pra satisfazer o ego e depois joga-los de volta na rua. Pegou a prancheta que lhe foi estendida, que de todos os dados que poderiam ter sido preenchidos, apenas seu primeiro nome estava lá, o que não era uma surpresa, não tinha como Monique saber o que nunca havia lhe falado: - Sem problemas, não tinha como você saber.- respondeu da maneira mais direta possível, dando de ombros.

Começou a escrever os dados, começando por completar o seu sobrenome, e então passando pelas informações mais específicas como o prédio onde morava, CEP e etc. Era informações que escrevia de maneira tão rotineira por fazer tantas encomendas online que conseguia facilmente continuar a conversa com Monique.

- Felizmente ele só está muito desidratado, aparentemente. - começou, dando uma pequena pausa para se lembrar da maneira mais precisa o que o veterinário havia dito, encostando a ponta da caneta algumas vezes no papel enquanto ajeitava as ideias, mas logo voltando a escrever em seguida - Mas ele não tem nada quebrado, vai precisar tomar algumas vitaminas e ficar no soro e em observação, mas vai ficar bem. Só vai poder tomar vacinas depois que estiver recuperada… Ah, sim, é uma fêmea. - terminou de preencher o último campo do formulário e devolveu a prancheta para Monique - Pelo menos o tempo que ela ficar internada vai ser o suficiente para convencer a minha mãe a ficar com ela, provavelmente vai estranhar um pouco, mas vai concordar no final, espero. - olhou novamente para a coleira, finalmente com um possível nome vindo a cabeça - O que acha do nome Luma? Também é de Mario, então combina.

Monique

Concordou brevemente com a ideia dele nomear o animal e gravar o nome de fato na coleira. Era uma boa ideia, considerando que o bichano poderia fugir ou se perder. Aceitou a prancheta de volta com as informações, verificando alguns dos dados com certa curiosidade. Arqueou uma sobrancelha com o nome da mãe dele, voltando a atenção para o cadeirante quando ele lhe explicou melhor sobre o estado da então revelada fêmea. Estranhou quando ele perguntou sua opinião sobre o nome da gatinha, considerando que ele estava fazendo referência aquele jogo popular de cogumelos.

- Eu acho que essa coleira de estrelinha vai combinar mais com ela, então. - sugeriu, segurando a prancheta abaixo do braço para poder tirar a coleira de dentro do cesto de compras para mostrar melhor ao loirinho. Retirou a prancheta debaixo do braço para observar as informações de novo e o nome da então gatinha. - Então ela vai ficar internada algum tempo aqui. Hm.

Colocou a cesta de compras no chão, procurando o próprio celular para poder pesquisar no navegador de buscas sobre quem era a tal Luma no joguinho, porque realmente não tinha memória fotográfica da personagem. Encarou o loirinho durante alguns instantes, recordando que ele havia falado sobre pedir permissão à mãe e não ao pai.

- É a sua mãe quem decide? Por que não fala com seu pai? Não é mais fácil? Se ela não deixar, pode deixar a gatinha comigo enquanto isso. Não tem problema, o apartamento onde eu moro é bem grande. Qualquer coisa, ela se esconde no meu ateliê. - explicou, tentando ajudar novamente. Sequer imaginava que o cadeirante possuía aquele tipo de preocupação mais profunda sobre bichinhos de estimação, pois não lembrava de ter encontrado nenhum no apartamento dele quando visitou o lugar.

Charles

Monique ainda parecia meio perdida com a situação, mesmo depois de Charles tentar - e se esforçar - para desenvolver uma conversa. Ela não deu uma resposta no mesmo momento sobre a ideia de nome para a gata mas também não esperava que ela reconhecesse a personagem. Aceitou o silêncio dela como um “sim” e terminou de escrever o nome na ficha antes de devolver para a garota.

- Sim, exatamente por isso o nome. A personagem é uma estrela, então acho que combina bem com a coleira. - pensando bem era curioso que das vezes que fazia alguma coisa com Monique sempre terminava com o tema de Mario - Sim, ele não disse por quanto tempo ela vai ficar internada.

Assim que terminou de explicar sobre a situação de convencer sua mãe, arqueou a sobrancelha quando ela perguntou sobre seu pai. A situação entre ele e sua mãe não era algo que o incomodasse tanto atualmente, mas achou estranho a curiosidade de Monique: - Sim, é a minha mãe. Ela e meu pai são separados há algum tempo, meu pai não mora na cidade então não tem muito porquê explicar à ele sobre o gato, só depois mesmo - foi bem direto com a resposta, não tinha por que se sentir ofendido com a pergunta dela, por mais invasiva que fosse. Deu um breve momento antes de voltar a falar - Acho que se explicar toda a situação à ela sobre onde encontramos a gata, provavelmente vai acabar cedendo, ela não é tão autoritária. Eu não quero ter de depender de você nem jogar a responsabilidade do animal com você.

Falou com o tom enjoado de sempre, não que não estivesse sendo chato com Monique, mas se ela estava perguntando depois de ter ajudado, se sentia compelido a explicar. Ficaria longe de agradecer de maneira aberta para ela, então deixava a situação em aberta sendo o Charles chato que sempre foi. Como ela agora estava ocupada com a prancheta, fez questão de pegar a cesta de compras, afinal seria o loirinho quem iria pagar pela coleira e afins: - Você quer entregar o formulário? Eu posso aproveitar e pagar por isso tudo e aí decidimos o que fazer depois, o que acha?

Esperou que ela concordasse - ou discordasse - da sugestão, percebia alguns trejeitos na garota que explicava alguns porquês, mas não tinha posição nenhuma para falar sobre a vida de Monique, nem ela havia dado nenhuma ousadia para tal, então não o faria.

Monique

O esclarecimento sobre o motivo do nome da gatinha lhe deixava animada, tinha que admitir. Todavia, tão logo estava ficando empolgada com a ideia dele associar a gatinha com o jogo do primeiro encontro por acaso que havia topado com ele, logo estava prestando atenção na explicação dele para falar primeiro com a mãe, mas acabou se surpreendendo com a resposta, de uma forma que estava longe de ser positiva. Encarou o loiro a priori, pressionando os lábios e segurando a prancheta que lhe foi entregue com certa pressão ao ouvir a explicação dele sobre os pais serem separados. Não sabia o que responder naquele cenário. Não sabia o que havia ocorrido para que eles tivessem se separado e lhe assustava a ideia de que aquilo poderia ter alguma ligação com o fato de Charles estar em uma cadeira de rodas.

Baixou o olhar, recordando por um breve momento todas as discussões e cenários no qual foi colocada justamente pela separação dos próprios pais. Tinha muitas colegas em Limoges que também eram filhas de casais separados, mas desconfiava que muitas delas não entenderiam o que era ser o real motivo da separação dos pais. Ao menos era como pensava. Despertou de seu devaneio ao ser chamada pelo loirinho, notando que ele estava com a cesta já no próprio colo. Encarou a prancheta em mãos e concordou com um breve aceno.

- Eu vou… levar isso para a atendente. - avisou, afastando-se sem demora, evitando encarar as informações naquela folha novamente. A atendente foi rápida em digitar as informações e enquanto ela o fazia, esperou no balcão, os braços cruzados sobre ele, calada.

Demorou apenas alguns minutos até que lhe fosse entregue uma espécie de cartilha com as datas de vacinações e os dados da gatinha e um espaço vazio para uma fotografia no caso do responsável pelo animal desejar registrá-la ali. A cartilha era verde pastel e tinha umas marcas de patinhas de gato no verso. Encarou os papéis e sorriu mais discreta, imaginando que Charles iria gostar daquilo.

- A ficha de registro da Luma é essa. Você… vai esperar até receber mais informações do quadro dela? - perguntou ao outro, aproximando-se novamente para poder confirmar se continuaria ali ou se iriam embora para esperar um telefonema da clínica

Charles

Bem como Charles esperava, assim que mencionou sobre a situação dos seus pais, Monique - que parecia estar se interessando novamente na conversa - simplesmente se fechou de novo. Era tão fácil de perceber a mudança de humor da morena que mal precisava encarar muito. Não sabia dizer se ela se incomodava com o assunto por acreditar que perguntou o assunto errado ou por que já tinha seus próprios problemas com esse mesmo assunto. O loiro apostava bastante na segunda opção, especialmente pelo o que havia escutado de Yure sobre Monique não falar muito dos pais.

Ela parecia perdida na própria cabeça até o momento que Charles sugeriu que se separassem para terminar de resolver a situação de clínica. O fato dela apenas concordar silenciosamente, depois parecer perdida no que falava e sair de lá o mais rápido possível só levantava mais bandeiras vermelhas para Charles, que observava tudo como um gato curioso. Esperou que ela tomasse mais alguma distância e colocou a coleira de volta na cesta e fez caminho até o caixa, olhou algumas vezes para trás para conferir se a morena havia terminado a sua parte. Aproveitou o tempo ali para organizar os próprios pensamentos.

Detestava, quando as pessoas lhe tratavam com pena, ou como coitadinho por qualquer motivo que fosse. Por estar em uma cadeira de rodas, por só viver com a sua mãe, pela separação dos seus pais, por ser o possível “motivo” da tal separação. Todas as vezes que acabava passando por situações assim, não pensava duas vezes em cortar a linha de pensamento daquelas pessoas, fossem parentes ou até mesmo amigos, não queria carregar o rótulo de uma pessoa “coitadinha”. Mas a situação de Monique era diferente, ela estava mais incomodada com o assunto do que necessariamente com pena de Charles. Então, deveria dizer algo?

Quando a caixa terminou de passar os itens, fez o pagamento e pegou a sacola com todos os itens dentro, apoiando eles em seu colo, e fez o caminho de volta até a morena, que parecia também ter terminado de resolver o que tinha pendente.

- Acho que se esperarmos, você vai precisar sentar, por que vai demorar. - comentou, pegando a ficha verde claro com uma das mãos e examinando rapidamente, era simples porém tinha seu charme. Guardou a ficha com cuidado dentro da sacola, deixando próximo da sacola de ração pois tinha menos risco de amassar do que jogado de qualquer jeito. Respirou fundo antes de continuar - Escute. Eu não estou incomodado quanto à pergunta sobre os meus pais. - admitiu, repousando as mãos com cuidado sobre as rodas. O tom de voz era o resmugão de sempre, porém não tão irritadiço. Não entraria no mérito de por que a garota havia se incomodado, o máximo que poderia fazer é explicar a sua parte - Se eu não quisesse te falar, eu teria deixado bem claro como de outras vezes. - Pensando bem era engraçado, estava até sendo sincero, parecia algo que tinha aprendido com Yure quando começaram a conversar, onde o ruivo falava pelos cotovelos sobre a própria vida, não que fizesse o mesmo, mas era uma troca de informações mútua. - Estamos entendidos? - Terminou por fim, cruzando os braços e encarando-a com os olhos felinos. - Se sim, eu vou pegar um ônibus, já andei a minha cota de carro pelo dia.

Monique

Certo que não estava falando muito desde os primeiros “foras” que havia recebido do loirinho, justamente por ele ter enfatizado pontos com os quais realmente tinha algum problema em lidar como sua capacidade de tentar ser amigável com alguém por meio do dinheiro e seus problemas com os pais. Contudo, não esperava o retorno da aproximação de Charles. Encarou o menor em silêncio, franzindo o cenho por um instante quando ele disse que não havia ficado incomodado com a pergunta - na verdade, quem havia ficado incomodada era ela mesma. Arrependia-se de ter tocado no assunto.

Aliviou a expressão assim que ele informou que se estivesse desconfortável com o assunto, avisaria. Pressionou os lábios, pensando em oferecer uma nova carona para o loirinho, mas acabando por concordar com as decisões dele. Não eram nada além de conhecidos que por coincidência conheciam o mesmo ruivo espevitado. Ele não precisava de sua ajuda para resolver os próprios problemas. Queria ter tido o mesmo tipo de pensamento quando era pequena, assim talvez sua vida não tivesse tomado os mesmos rumos.

- Tudo bem, eu vou pagar a conta pela consulta e pelo resto da internação. - informou antes de se voltar novamente para a atendente, sacando o próprio cartão de crédito do bolso na roupa do uniforme para poder debitar os valores em sua própria conta. Havia ido com o loirinho até ali justamente por encontrá-lo em uma situação desagradável na chuva. Talvez sequer tivesse se importado se não o tivesse encontrado previamente graças ao namorado, mas sempre se via em uma situação complicada lidando com os amigos do garoto, como se eles fossem indivíduos distintos de sua própria realidade. Mas também não era como se estivesse habituada a conviver com tantas pessoas, sequer podia dizer que tinha mais de cinco amigas em toda Limoges.

Como não queria mais falar sobre o assunto relacionado aos próprios pais ou aos pais do loirinho, deixou o assunto de lado e buscou o próprio celular antes de se afastar para procurar a companhia do segurança particular que havia lhe aguardado o tempo todo na sala de espera.

- Eu vou indo, espero que a… Luma melhore logo. - desejou, tentando ser mais amistosa e menos anti social. Queria pedir mais informações sobre a melhora da gatinha, mas achou melhor deixar as coisas como estavam, ele terminaria informando Yure e certamente o ruivo iria falar pelos cotovelos sobre o assunto de qualquer forma. Bem, ao menos ouvir a quantidade de informações que Yure colocava para fora tinha suas vantagens.

Charles

Quando informou a situação à Monique, ficou bem atento as expressões dela, mesmo que por fora estivesse mais com a mesma cara de menino chato e enjoado que sempre tinha estampada naturalmente. Não criava expectativas sobre o que Monique iria pensar sobre ter sido extremamente direto sobre a situação, porque bem sabia por experiência que criar expectativa sobre o pensamento dos outros não valia a pena. Percebeu a expressão de Monique se aliviar um pouco e ela pareceu pelo menos 90% menos tensa com a situação, num geral parecia um bom sinal.

- … Certo. - Concordou quando ela avisou que também pagaria pelo resto da internação. Havia concordado desde o início que ela poderia auxiliar na parte da clínica, mas sentia que acabaria devendo à morena de algum modo, e nesse meio tempo pensava como poderia agradecer. Aproveitou que ela havia se afastado para voltar a falar com a atendente e puxou o celular, mandando uma mensagem para o contato com quem tinha mais conversas - tirando os grupos.

[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: yure.
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: eu acho q tenho uma gata agora (・_・ヾ
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: o nome dela é Luma
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: mando fotos dps
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ainda tenho que falar com a minha mãe
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: mas é quase 70% de certeza (ーーWink
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: SÉRIO!!! POXA VIDA!!!
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Eu quero ver fotos depois! ╰(▔∀▔)╯
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Se ela tiver o pelo amarelo com preto vc vai ter quase um irmão gêmeo ง ื▿ ื)ว
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Pq gatos resmungam e não gostam de agarros
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Huahuauhuahau
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Boa sorte pra convencer a tia Σ(°△°|||)︴
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...σ( ̄、 ̄〃)
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: a monique ta no meio, explico dps

Colocou o celular de volta no bolso quando a morena voltou em sua direção, bem como um gato ela parecia um pouco inquieta para voltar a conversar, para no final apenas desejar que a gata melhorasse logo. Essa era a ideia que Charles precisava.

- Acredito que ela vai melhorar sim. - concordou, puxando o aparelho novamente para garantir que tinha o número da morena em seu celular - Quando ela sair da internação eu aviso, você pode visitar ela lá em casa - ofereceu, guardando o aparelho uma última vez antes de encara-la - Só. Avise. Antes. Não faça que nem da última vez, eu sei que você tem o meu número por conta do Yure.

Concluiu, cruzando os braços mas logo desfazendo a expressão muito mal humorada que usava quando estava reclamando para uma menos mal humorada, afinal, era Charles. Acompanhou Monique e o segurança até a entrada da clínica, onde se despediu prontamente dos dois e fez seu caminho até o ponto de ônibus. Se pegaria olhando o celular mais vezes esperando uma reposta da clínica sobre Luma, mas também precisaria conversar com sua mãe quando chegasse. O dia ainda seria longo.

[thread encerrada]