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[Drive] Beauty and the Beat [Magali; Laverne] - Lil - 09-27-2021 Laverne
Em geral, Laverne se sentiria chateada de receber uma ligação de seus pais pedindo como favor alguém para tocar piano em uma festa para os amigos da família. Os dois eram musicistas, poderiam muito bem fazer isso por conta própria ou pedir para alguém fazer. Mas retornaria para casa em breve por um final de semana, e aparentemente eles queriam lhe exibir como a filha pródiga que conquistou uma bolsa em Limoges-Collet, a famosa academia irmã de St. Clavier. Não tinha ideia se gostava ou não disso. A liberdade que tinha era que era a única pessoa no clube de ciências, e podia se dedicar a ele sempre que queria – o que significava sempre –, mas na necessidade de ensaiar algumas músicas para apresentar na festa de seus pais, podia tirar um tempo para tocar no piano da sala de música com uma pilha de partituras que carregava embaixo do braço. E tinha um adicional na sala de música. Aparentemente, a professora de música agora, Magali Florence, era uma moça jovem e com um conhecimento profundo de música. As meninas que estavam no clube de música tinham melhorado bastante. Então talvez ela pudesse lhe ajudar com seu sincero problema de falta de emotividade e delicadeza. Por isso entrou na sala de música no horário da professora Florence, e após um par de batidas na porta, entrou e parou para esperar permissão. - Professora Florence, preciso de permissão para usar sua sala de música para praticar essas partituras. E se tiver tempo, quero ajuda com as partituras também. – Laverne falou, a expressão séria de sempre. - Por favor. Magali
Estava com certa dificuldade em entender como o próprio celular funcionava. Havia baixado um aplicativo por sugestão de Hanna para poder criar suas próprias playlists e ainda encontrar playlists de outras pessoas. Spotify era o nome do programa, mas estava com problemas de entender como ajustar seu perfil e entender como os gêneros e playlists poderiam ser organizados. Aparentemente, seguir a sugestão de Jackie para tentar usar músicas da cultura pop havia começado a empolgar as alunas para aprenderem sobre teoria musical de forma mais prática. Organizava algumas das partituras escritas pelas alunas enquanto ensaiava as notas no piano. Corrigia com uma caneta vermelha, apontando os tons que precisavam ser ajustados para harmonizar a música. Parou para verificar o próprio celular, procurando pela música original de Britney Spears, Criminal, no Spotify. Era uma letra curiosa para uma de suas alunas escolher para tocar. E foi no momento que ouviu as batidas na porta e esta foi aberta e acabou perdendo a atenção do próprio celular que começava a tocar a letra da música pop em alto e bom som. - Ahhh! - exasperou-se, tentando pausar a música, demorando mais do que o esperado para pausar a música por perder tempo ainda ao bloquear e desbloquear a tela principal. - Ah… oi? Permissão? Claro, mademoiselle, claro que pode sim. - observou o semblante sério da garota antes de colocar o celular de lado. - Alguma coisa errada? - perguntou ao ajustar o próprio par de óculos, genuinamente preocupada com a seriedade da mais nova. Laverne
Foi impossível não ouvir de dentro da sala a música ficando cada vez mais alta, e o gritinho desesperado da professora lhe deu um susto momentâneo, mas acabou espiando pela porta o que ela estava fazendo quando recebeu permissão para usar a sala de música. Não tinha nem ideia do porquê do pânico repentino quando a música começou a tocar, mas franziu de leve a testa enquanto entrava na sala e fechava a porta atrás de si, encarando a mulher mais velha. Curioso que se fosse tão claro que pudesse usar a sala, certamente não teria permitido permissão. Mas sabia que havia algumas normas de conduta na escola. E algo no comportamento da professora denunciavam que ela estava se comportando como uma criminosa com aquele celular, o que ficou bem na sua cabeça. - Tem sim. Por que desligou o som do celular? Não é proibido tocar música na sala de música. – Laverne falou muito diretamente, com o semblante fechado. Mas não perdeu tempo esperando a resposta, e apenas caminhou silenciosamente até o piano, colocando as partituras no suporte, à altura dos seus olhos. – Você está ocupada agora? Como eu disse, preciso de ajuda para praticar com as partituras. – então Laverne deu uma longa pausa, e olhou para a professora. – Por favor. Magali
Ficou um tanto surpresa com a pergunta da mais nova, ainda mais pelo semblante fechado da mesma, mas não deixou de esboçar um sorriso amigável quando ela voltou a perguntar se estava ocupada. De fato, estava ocupada, mas jamais negaria ajuda a alguma de suas alunas. O sorriso ficou um pouco sem graça e o olhar se tornou mais compreensivo quando ela levou algum tempo até lhe pedir “por favor”. - Claro, posso ajudar sim. - respondeu, animada. Separou o próprio celular, bloqueando a tela e deixando o aparelho de lado enquanto se voltava mais uma vez para a aluna. - Ah, e sobre o celular, eu estava tentando montar uma partitura com uma música mais moderna de uma cantora de pop chamada Britney. Suas colegas parecem gostar, então achei que seria interessante para treinar os ouvidos. - explicou-se ainda que ela não tivesse insistido em alguma explicação que precisaria dar. Aproximou-se do piano onde a garota havia deixado as partituras e ajustou o próprio par de óculos, curiosa com o arranjo. Observou a aluna que era mais alta que sua figura, os cabelos dela eram um dos tons mais bonitos de ruivo que já havia visto em sua vida, tinham um bom contraste com a expressão mais séria dela. - Qual é a sua questão, mademoiselle… Laverne… - arriscou, certa de que não esqueceria o nome de uma aluna alta e de traços tão marcantes como ela. Ergueu o indicador ao próprio queixo, esperando uma confirmação. - Acertei? - sorriu, amistosa. Laverne
Ficou satisfeita ao ouvir que a professora poderia lhe ajudar a praticar as partituras, porém, a explicação seguinte sobre estar preparando material para as outras meninas fez com que franzisse a testa de leve. Afinal, ela estava ocupada ou não estava ocupada? Estava atrapalhando ou não estava? Pelo menos ela já tinha parado o celular e lhe dado o aval para praticar, o que provavelmente queria dizer que estava tudo bem ali. - Interessante. Acho que seus métodos devem funcionar. Notei uma melhora no clube de música depois que você veio trabalhar aqui. - falou com o mesmo semblante, encarando a mais velha. - Mas eu perguntei porque precisou desligar, não o que estava fazendo. - Laverne adicionou com um leve franzido da testa, e então abriu as partituras, procurando a que queria praticar. - De todo modo, se você não está mais fazendo isso e se dispôs a me ajudar, acho que não importa. A garota sentou-se ao piano, notando a professora muito próxima, curvando-se para olhar as partituras. Ela parecia ser o tipo bastante sociável e paciente, o que era bom, considerando que sabia que pecava bastante nesse aspecto. - Acertou. Laverne Salomé. Magali Florence, certo? - confirmou, pois talvez fosse o caso de estar chamando a outra pelo nome errado. Mas tinha verificado antes de ir até a sala de música. Apontou a partitura aberta. - Eu preciso tocar algumas peças à pedido dos meus pais e uma festa em breve. Mas dentre os pedidos deles, está Rhapsody in Blue do Gershwin. Eles disseram que seria meu desafio. - ela comentou, observando todas as anotações que tinha feito na partitura, todas as idas e vindas, correções, acidentes e dinâmicas. - As outras peças são rápidas, posso disfarçar, mas Gershwin tem uma influência de jazz, é mais emocional e repentino. Eu sei que estou tocando certo, mas meus pais dizem que “certo” não necessariamente quer dizer “bem”. Acho melhor deixar você ouvir. Laverne então rapidamente moveu os pulsos e os dedos, aquecendo brevemente, então começou a tocar a peça, seguindo inteiramente a métrica anotada na partitura. Ela tocou apenas a parte inicial, que era mais lenta, o que já era impressionante porque certamente aquela partitura era bastante difícil. Mas se havia uma coisa curiosa era que a ruiva tocava absolutamente tudo de acordo com a partitura, inclusive as pausas e tempos, com a precisão de um metrônomo. Apesar de relaxada, a expressão corporal também não mudava, assim como a expressão séria, como se ela estivesse lendo um livro técnico. Suas mãos eram bem treinadas e ágeis, mas certamente faltava alguma coisa. Ela parou depois de alguns minutos. - O que acha? Magali
Ficou contente com o comentário da aluna sobre a melhora nas aulas de música com a sua presença. Era muito satisfatório para sua figura que as alunas se sentissem satisfeitas com seu método de ensino. Contudo, logo após o comentário, ela lhe corrigiu sobre o objetivo de sua explicação ser desnecessário. Consentiu apenas com a cabeça, deixando que a garota falasse, concordando mais uma vez com ela quando mencionou seu nome de forma correta. Uniu as mãos a frente do próprio corpo, erguendo o olhar por um instante, puxando da memória a melodia da partitura da qual ela falava. Sorriu animada, era uma partitura bem divertida, mas um tanto “difícil” para alguém que ainda estava estudando música pela variação constante de ritmos e arranjos. Ao menos a garota tinha uma boa noção de onde vinha a origem daquela escolha musical, sinal de que ela deveria ter pesquisado sobre a partitura antes de meramente executá-la. - Certo, mademoiselle. - concordou com ela, dando um passo para trás e cruzando os braços à frente do próprio corpo, mantendo sempre a boa postura enquanto assistia a mais nova tocar a partitura da qual os pais dela pareciam preocupados não estar “certa”. Manteve o dedo indicador como um velho hábito, para cima e para baixo, acompanhando mentalmente o tempo e as notas da música que conforme eram tocadas por Laverne, a memória lhe retornava com a partitura que originalmente já havia se deparado. Assistiu a moça no piano tocar de forma perfeitamente técnica, mas comparada a outros músicos que já assistira, ela parecia um tanto mecânica demais. Era notório o conhecimento que ela possuía na música, mas ainda assim ela não transparecia “aproveitar” da melodia e do próprio sucesso em executar a partitura de forma correta. Esperou até ela terminar e lhe perguntar sua opinião. - É a sua respiração. - respondeu como se fosse algo simples de se notar. Ao menos era uma boa forma de tentar fazer com alguém aparentemente objetiva como aquela ruivinha enxergasse a falta de “performance” na própria apresentação. - Músicas que são mais “emocionais” e repentinas são melhor executadas quando usamos um reflexo mais orgânico do nosso próprio corpo. Aproximou-se, pedindo licença antes de sentar ao lado da moça no banco, ajustando o par de óculos antes de ajustar também a própria postura. - É um pouco difícil de se acostumar na primeira vez, mas… os seus olhos estão aqui. - indicou, erguendo a mão e sinalizando o olhar da moça para a partitura no piano. - Suas mãos aqui. - sinalizou novamente, sem tocar na garota, colocando sua própria mão no piano e começando a tocar algumas notas da partitura sem olhar para o piano. - Você já consegue fazer o processo de leitura sem precisar do contato visual com o instrumento. - fez uma pequena pausa, levando a mão que antes sinalizava para o espaço abaixo do próprio peito. - Inspirar e expirar é um processo mais natural… - demonstrou, o gesto fazendo seus ombros relaxarem e sua linguagem corporal mudar por apenas um mero momento. - ... e se usar isto para marcar o seu ritmo, sua performance vai melhorar. - explicou, esboçando um sorriso mais compreensivo antes de se levantar, dando espaço para a mais nova. - Quer tentar? - ofereceu, sem tirar os olhos da moça. Laverne
Laverne não esperava uma resposta tão pronta sobre o problema do jeito que tocava, mas franziu a testa quando ouviu qual era. - Eu não vou conseguir segurar a respiração por seis minutos, mademoiselle. – respondeu, olhando de esguelha para a professora, logo depois ouvindo a explicação sobre ter que usar reflexos mais “orgânicos” do corpo. Laverne encarou a mulher, pois não achava que precisava explicar para ela que certamente não era composta de matéria inorgânica. Deu espaço para a professora, e então seguiu as mãos dela, ainda com o cenho franzido. Afirmou que sim, que já conseguia seguir a partitura sem olhar para as teclas do piano, mas estava se perguntando se a professora achava que seu nível de piano era baixo. Mas não reclamou disso. Se ela tinha conseguido fazer as meninas do clube de música tocarem melhor, então deveria saber o que estava fazendo. - Marcar o ritmo da performance com a respiração...? – Laverne estranhou a sugestão, porque se bem lembrava, a música pedia um metrônomo relativamente rápido. – Eu vou fazer do seu modo. – Laverne ainda parecia ter algo a dizer sobre isso, mas já tinha tentado de tudo, não lhe custava tentar mais isso. Então marcou o ritmo com a mão, movendo-a em 1, 2, e 3, antes de começar a tocar e respirar simultaneamente. Mas Laverne não respirou como lhe era natural. Ao invés disso, inspirou e expirou curtinho pela boca no ritmo rápido de um metrônomo, o que lhe fez mais parecer uma grávida em fim de trabalho de parto. Só que tocar daquele jeito não parecia certo. Menos ainda quando sentiu a cabeça ficar leve demais. - Professora, acho que assim eu vou desmaiar antes do fim da performance. – ela falou, arregalando os olhos e parando subitamente de tocar com uma espalmada para se segurar no piano. Magali
Ficou impressionada em como a aluna não conseguia manter um ritmo de respiração mais orgânico e menos mecânico como a maioria de suas alunas faziam. Talvez ela estivesse pensando demais em como tocar e não no que a música poderia significar como ritmo? Tinha a suspeita de que a capacidade dela de abstração não era assim tão fluída quanto a maioria de suas alunas. Contudo, não havia como negar a habilidade dela para entender a técnica musical. Sorriu um tanto sem jeito diante da performance da aluna, entendendo a mão para lhe fazer um breve afago nas costas em um gesto mais amistoso. - Tudo bem, Samolé. Vamos tentar de outro jeito então. - avisou e se levantou para pegar um lápis e uma borracha em meio aos papéis que carregava anteriormente na chegada da garota naquela sala. Aproximou-se do piano mais uma vez e observou a partitura a sua frente. - A mademoiselle já criou alguma partitura? Estendeu a mão para a partitura a frente das duas, tomando-a de seu local para lê-la rapidamente. - Quando nós tocamos piano, nós usamos dois tipos de escalas, certo? O que você pode criar é uma escala complementar para sua respiração. Ela não precisa ter a mesma composição musical que as outras duas, mas você precisa ter uma equivalência do que o seu corpo pode produzir sem que desmaie. - ofereceu a ideia, estendendo o lápis para a garota. - O que acha? Quer tentar? - sorriu gentil como de costume. Laverne
A mão nas costas de apoio foi até positivo, porque sabia que tinha falhado miseravelmente naquele teste. Mas a professora deveria ter outros métodos, porque logo ela voltou com um lápis e borracha, e claro que deu espaço para que ela se acomodasse do seu lado se quisesse. Só estranhou a pergunta sobre criar partituras. - Já escrevi partituras, mas nunca criei nada autoral. Até os arranjos, eu costumo pegar de outros intérpretes. Meus pais nunca ficam satisfeitos quando tento criar algo do zero. – ela comentou, mas não de modo triste ou frustrado. Era apenas óbvio que uma pessoa que tinha imensa dificuldade de colocar seus sentimentos no instrumento não conseguiria escrever um arranjo emotivo para ser tocado, e embora fosse capaz de criar música a partir de escalas e usando sequências lógicas, sua música não seria nada além de matemática aplicada. A ideia de Magali, entretanto, fez com que Laverne encarasse a mulher por um instante, atenta. Fazer uma partitura para a respiração, como um complemento para a música. A ruiva entreabriu os lábios, interessada, mas os olhos estavam distantes, como se ela estivesse pensando nas possibilidades daquela sugestão. Então, abriu um sorriso, tão animada que virou prontamente para o piano e a partitura, olhando o papel atentamente. Laverne pegou o lápis sem sequer olhar para a professora. - Posso criar uma partitura de ritmo, como se fosse para uma bateria, mas uso para respiração. Posso aproveitar algumas dessas pausas e ralentandos, e depois intensificar com o ritmo da música. É uma ideia brilhante, professor Florence. Não é que você é mesmo esperta? – a garota comentou, enquanto usava o lápis para adicionar um ou dois x que indicavam a respiração em cima das linhas já prontas da mão esquerda. – O tempo de uma respiração longa... o tempo de uma respiração curta... – ela falou, respirando fundo e contando com estalos nos dedos, rapidamente anotando os tempos e colocando respirações longas e curtas como se de fato fosse uma partitura de ritmo, e a garota estivesse experimentando com padrões conhecidos. – O que acha? As respirações devem ser silenciosas, claro. Não acho que nenhum dos convidados dos meus pais vá querer ouvir meu nariz como instrumento de ritmo. Devo testar? Magali
Ficou um pouco preocupada quando a garota falou sobre os pais dela ficarem insatisfeitos quando ela tentava criar algo. Contudo, ficou contente com a animação repentina da garota ao parecer mais confortável com a solução proposta. Sorriu para a ruiva ao ser elogiada pela mesma. Estava ali para auxilia-la no final das contas. Era satisfatório conseguir diminuir a frustração de suas alunas, pelo menos com a música. Ainda ficou surpresa com a velocidade do pensamento de Laverne ao conseguir criar uma adaptação à partitura de forma rápida ainda que improvisada. - Claro. Vá em frente. - encorajou a garota, atenta aos sons que ela produzia através da respiração dela. Sabia que havia algumas canções que utilizavam de sons mais nasais, o que não seria o caso dela. Porém, se a ideia de uma terceira partitura desse certo, certamente ela pareceria tocar o instrumento de uma forma mais orgânica que mecânica. Observou a ruiva em silêncio, ajustando os óculos por um instante ao se atentar para a postura e o mover das mãos dela. Pelo exercício musical, ela parecia ter bastante prática com o instrumento. Ouviu a música, notando as nuances das notas, tocadas em um ritmo como se fosse gravado. Ao menos esperava que o auxílio da respiração dessa vez pudesse ajudar a garota com a própria “interpretação” musical. Estava contente de estar ali ajudando Laverne. Não era todos os dias que uma de suas alunas lhe procurava, muito menos alguém já experiente como a ruiva era. Laverne
Com a permissão da professora, deu uma olhada na partitura. Diferente do que provavelmente muita gente fazia de forma lógica, que era respirar fundo antes de tocar, Laverne nem tinha pensado na parte de respirar antes como parte da interpretação, começando apenas a dedilhar, dessa vez olhando a partitura mais atentamente para ver onde deveria respirar. Enquanto a música ainda ia mais lenta, a garota pareceu conseguir tocar seguindo ritmo da respiração como tinha planejado, e por um instante talvez, apesar da postura fica que variava apenas pela mecânica do movimento necessário para que ela tocasse e a falta de expressão no rosto, pelo menos com a respiração, ela parecia mais relaxada ao piano que antes, e ao invés de um robô, ela desceu a escala de um tipo de maníaco leitor de partituras, o que era uma interpretação, por assim dizer. Porém, ao chegar na parte mais rápida da música, foi difícil para Laverne manter a respiração como deveria, afinal, tinha partes muito difíceis para tocar ao piano e ainda estava tentando ler uma terceira linha de ritmo. Chegou em parte da música, sem concluir, e quando viu que não estava acertando completamente a partitura, decidiu fazer uma pausa. - Hm. Pelo visto vou ter que fazer ajustes ainda. É difícil tocar Gershwin com duas mãos e ainda manter o ritmo da respiração. Agora entendo porque meus pais dizem que interpretar a música é tão difícil. São três instrumentos para comandar ao mesmo tempo. – a garota ponderou, o cenho levemente franzido enquanto observava o papel. Então voltou-se devagar para a professora. – Mas o que acha, professora Florence? Eu acho que foi bem melhor, e que talvez precise pegar o ritmo com o tempo, mas já notei diferenças antes e depois. Magali
Ficou satisfeita com a resposta de Laverne a sua sugestão, observando-a em silêncio enquanto ela tocava. A garota com certeza tinha um raciocínio bem eficiente para música, principalmente ao improvisar partituras. Levou uma das mãos até o próprio queixo e ponderou por um momento, considerando que ela havia parado justamente quando começou a errar algumas notas da partitura. Esperou até que a garota terminasse de falar e pedisse sua opinião. Sorriu novamente amistosa para a garota antes de responder: - A mademoiselle tem ótimos reflexos e raciocínio, com certeza. - começou, fazendo uma pausa antes de abrir a boca para falar novamente. - Já pensou em tocar mais a frente de um espelho? - gesticulou, indicando que havia um espelho grande no meio da sala que havia requisitado para a diretora para seus próprios ensaios. - Ou pode filmar seu treinamento? - sugeriu, imaginando o que seria mais fácil para ela. - Quando estamos nos apresentando para os outros, não temos uma visão apropriada de nossa própria imagem, isso dificulta para que possamos corrigir alguns maus hábitos como má postura ou expressão corporal e da face que são muito “monótonas”. - encarou a garota ainda com um sorriso no rosto, porém com um ar um pouco mais sério. - E eu sugiro não interromper a partitura até terminá-la. Com o tempo, isso cria um mal hábito de parar de tocar quando não estamos satisfeitos com alguns pequenos resultados. Em uma apresentação, isso não pode acontecer. Portanto, para evitar esse tipo de reflexo, eu sugiro evitar de parar de tocar a partitura completa, mesmo quando estiver ensaiando. Levantou-se devagar, caminhando até o espelho para poder afastar a cortina fina que o cobria. Gesticulou para que a garota de sardinhas se aproximasse e fez uma nova pausa para ajustar seus próprios óculos. - Já fez algum ensaio de expressão? - perguntou de antemão para a mais nova, esperando que ela não estivesse desconfortável com seu comentário anterior. Laverne
A professora Florence lhe elogiou de uma forma um tanto óbvia. Sabia que era habilidosa, isso não necessitava confirmação. Porém, em seguida, ela prosseguiu em dar outra dica para que melhorasse a interpretação: tocar frente ao espelho. Franziu a testa, entendendo que ao ver a própria imagem, talvez pudesse ficar mais atenta ao que estava com as costas ou com o rosto, mas não necessariamente entendia o que ela queria dizer com uma expressão “monótona”. - Acho filmar mais plausível, professora Florence. Pelo que estou entendendo, quer que eu toque a partitura e preste atenção na minha imagem ao mesmo tempo, isso enquanto aperto das teclas certas sem errar e tento me adaptar a uma partitura de respiração. – Laverne ponderou, depois de ouvir todas as sugestões. - Sei que sou muito boa, mas meu par de olhos tem apenas 20% de visão periférica, e uma dependência de foco no objeto caso precise prestar atenção. Eu não sou capaz de olhar duas partituras e eu mesma simultaneamente, não agora. Talvez quando eu decorar a partitura. – então ponderou mais um pouco, ainda com a mesma expressão de leve desagrado com o cenho franzido. – E eu não sei o que quer dizer com expressões “monótonas”. Ela não parecia ofendida com aquela colocação, só intrigada pelas sugestões da professora. Então levantou do piano com o chamado dela para que se aproximasse do espelho, observando sua figura no uniforme, mas não dando muita atenção geral se sua aparência estava boa ou não. - Nunca fiz nenhum ensaio de expressão. Do que se trata? Magali
Acompanhou o raciocínio da aluna de que tudo aquilo parecia muito para a coordenação humana. Compreendia o que ela queria dizer, principalmente pela forma mais direta da mais nova lhe dirigir a palavra e o ar mais seguro e confiante dela ao falar sobre si própria. Sorriu compreensiva, considerando que ela apenas estava considerando a própria visão no processo de percepção. - Aqui. - segurou a mão da aluna em um gesto mais delicado, apontando para o espelho para que ela prestasse atenção no próprio reflexo. Soltou-lhe a mão e observou o reflexo dela, a mocinha era alta e bonita ao seu modo. Gostava das sardas no rosto de Larvene, lhe faziam lembrar dos vários sinais que tinha. - Nesse momento, o que pode dizer sobre sua própria linguagem corporal? O que está se passando pela sua cabeça agora? - perguntou, aguardando a resposta de forma educada, não esperando se ofender com nenhuma palavra da garota. Após a breve pausa para ouvir a resposta dela, foi até a partitura que ela havia deixado no piano e retornou a passos rápidos. - Um ensaio de expressão consiste em utilizar de sua expressão corporal e visual para traduzir algum conceito ou emoção, evocando este e tornando-o perceptível para terceiros. É um tipo de reflexo que usamos quando queremos transmitir o que sentimos para o público mesmo quando não podemos usar palavras. É um tipo de mecanismo muito natural que aprendemos a desenvolver desde crianças, quando nossa mãe nos sorri e sorrimos de volta. Ou quando alguém espirra e nosso nariz começa a coçar. - explicou, fazendo pequenas pausas enquanto revisava rapidamente com o olhar a partitura. - Esta partitura é uma das obras mais famosas de Gershwin, um pianista que influenciou também o cinema em Hollywood. Infelizmente, ele veio a falecer por conta de uma doença, mas em sua biografia, esta música é usada como trilha sonora. Imagine que quando a mademoiselle está tocando Rhapsody In Blue não está apenas comunicando notas, mas a história da vida de um pianista. Respirou fundo, fazendo uma nova pausa para poder ficar ao lado do espelho e de frente para a mocinha, observando-a ainda com um sorriso gentil no rosto. - Então? Podemos ensaiar algumas expressões? Seu corpo precisa se conectar ao seu cérebro para que a história dessa partitura seja contada, mesmo que não use nenhuma palavra. - ofereceu, amistosa. Laverne
Laverne quase se assustou quando a professora decidiu pegar sua mão daquele jeito delicado, franzindo a testa e encarando a mais velha, vendo como ela calmamente lhe pedia para prestar atenção na própria expressão. Os ombros estavam tensos e as costas eretas como deveriam estar, e sua cara certamente ainda demonstrava sua indignação com o toque em sua mão. - Posso dizer que estou confusa, professora Florence. Não sei o que minha mão tem haver com o espelho. Eu acredito que bastava ser instruída, minha visão é perfeita, não preciso de guia. - Laverne comentou, então apontando para o espelho com a outra mão. - Eu acho que isso é perfeitamente comunicado na minha expressão, mas agora também está comunicado na fala. Laverne acompanhou a professora com a partitura explicando todo o conceito do ensaio de expressão. Era um conceito mais realizável do que os ensaios com seus pais que costumavam só esperar que soubesse transmitir as emoções na música. Por toda uma vida havia considerado que era só uma questão de dinâmicas bem ensaiadas, mas agora começava a entender que era algo de expressão corporal também. Mas como isso funcionava numa gravação, bom, seria uma lição para outra aula. - Isso é como atuação, professora Florence? Não sou boa atriz. - admitiu, apertando os lábios. - Posso tentar, mas vai ter que me instruir no que fazer. Não pesquisei a fundo a vida de Gershwin. Não sei porque compôs essa música. Só sei que é a fusão de música clássica com jazz, e que jazz é mais sentimental, usualmente. Mas imaginei que era a dinâmica, e os vocais, e letras. - se explicou. Então parou como se não estivesse acreditando na mais velha, piscou um par de vezes e franziu a testa. - Perdão, professora, mas onde acha que meu cérebro está? - Laverne perguntou, erguendo as sobrancelhas. Então apontou para o próprio rosto. - Descrença. Magali
Piscou algumas vezes com o comentário da aluna sobre o gesto de ter segurado-lhe a mão. Ajustou os óculos novamente, terminando de escutar as palavras dela. Sorriu um pouco sem graça ao observar a expressão de indignação dela, concordando com um aceno positivo para o fato dela conseguir comunicar o próprio desgosto bem com a expressão facial. Segurou a partitura contra o próprio corpo, observando a mais nova com um ar mais compreensivo quando ela admitiu que não era uma boa atriz. Teve ainda que segurar o riso com a resposta dela sobre onde o cérebro estava. Achou cômica a ideia de que era óbvio que o cérebro dela estava na cabeça, mas ainda assim as expressões faciais da mocinha não pareciam relaxar. - Perdão, Salomé. - baixou a partitura, observando melhor as notas antes de continuar. - Bem, isso não é exatamente atuação, mas é uma base para expressão corporal. Mas não se preocupe, minha intenção não é deixá-la desconfortável. Desculpe pelo… - ergueu a mão, apontando para ela em um breve gesto. - … não quis ser invasiva. - fez uma breve pausa, ajustando os óculos como um hábito. - Primeiro, eu vou pedir para que respire fundo algumas vezes, sua postura está um pouco tensa, Salomé. - gesticulou para os próprios ombros, indicando para que a mais alta relaxasse. - Vamos lá? Respirou fundo juntamente com a aluna, movendo os ombros em seguida como se estivesse se livrando de qualquer tensão que existisse sobre eles. Relaxou e, de novo, ajustou os óculos, terminando um ciclo de cinco respirações profundas antes de voltar a sorrir para a ruiva. - Já que vai estar tocando na presença dos seus pais, eu imagino, pode me contar o motivo porquê Rhapsody in Blue do Gershwin é um desafio? A mademoiselle parece ter uma boa coordenação motora e percepção musical. Esta partitura é complexa, mas não compreendo por que seria um “desafio”. Poderia explicar melhor para que eu possa ajudá-la? - pediu educadamente, buscando compreender melhor qual era o objetivo da aluna ali e se estava assumindo corretamente que o problema da outra era com a própria linguagem corporal e a expressão facial ao transmitir as próprias emoções com a música. Laverne
Laverne encarou a professora enquanto ela pedia desculpas pelo comportamento invasivo que a aluna não estava acostumada, especialmente com professores de música. Estava acostumada a sentar do lado dos professores de piano, mas não que pegassem sua mão e guiassem. - Está desculpada, professora Florence. – Laverne respondeu com a mesma seriedade, e então ouviu sobre o pedido para que respirasse, considerando que estava tensa. Não se via tensa, ou talvez tivesse se acostumado aquele estado, mas como tinha sido ela a ir atrás da professora, o certo seria obedecê-la. Ela até tinha algumas ideias interessantes. Acompanhou na respiração, respirando profundamente, embora seu cérebro não necessariamente parasse de funcionar, pensando em qual o objetivo de relaxar naquele momento, e se deveria voltar em outro momento para pedir dicas. Entendia porque oxigenar o corpo ajudava a relaxar a tensão muscular, mas ainda tinha mais impedimentos de concentração. Admitia, entretanto, que ficou um pouco mais calma. - Meus pais são musicistas, professora. E embora eu seja muito boa no piano, tenho dificuldade de criar interpretações de peças emocionais. Não é que eu não saiba tocá-las. Sei ler as dinâmicas perfeitamente, mas eles nunca ficam satisfeitos com minhas leituras. – ela falou muito claramente, de modo direto e sério. Não tinha nada a esconder ali sobre sua relação com seus pais e música, ou a professora não poderia lhe ajudar. – E não sei se é algo de todos vocês que são músicos, mas as explicações deles são muito abstratas para que eu entenda. Já ouvi todos os “imagine que está numa progressão, subindo escadas”, “você deve derramar os sentimentos que você tem pela música nas teclas”, “a partitura está lida, mas eu não sinto você nela”. No que isso deveria me ajudar? Eu gosto da ler partituras, elas são matemáticas. As dinâmicas foram escritas para serem interpretadas como estão escritas. Por que preciso adicionar ainda mais? E como esse “mais” soa? Laverne franziu de leve a testa, de um jeito que toda a respiração para relaxar já tinha sido irrelevante, pois ela acabou por cruzar os braços e tensionar os ombros de novo. - Já vi diversos músicos tocando a mesma canção. Eu sei que as dinâmicas não são iguais. Mas não quero reinventar a roda. Eu só quero tocar a música bem. – Laverne concluiu a explicação, soando um pouco mais frustrada que a expressão corporal demonstrava. Magali
Observou a aluna, ouvindo com atenção a narrativa sobre os pais dela. Cruzou os braços na frente do próprio corpo, usando a mão livre fechada contra os próprios lábios, pensativa. Tentou puxar pela memória quem seriam os pais da garota, provavelmente já teria ouvido falar sobre eles ou até encontrado com os dois em algum evento ou concerto, mas entendia o que ela queria dizer com músicas “emocionais”. Como havia começado a aprender sobre música em um convento, já havia ouvido muito do que a garota falava sobre a música e os sentimentos que ela poderia evocar. Encarou a mais nova com um ar mais compreensivo quando ela se distanciou dela mesma ao considerá-la e aos próprios pais como “músicos” enquanto ela deveria ser algo diferente. Baixou a mão do rosto para o próprio pescoço, dando mais atenção a comparação da ruiva sobre as partituras serem matemáticas e sobre não encontrar sentido nas frases que foram aconselhadas a ela. - Tudo bem. - respondeu primeiramente, descruzando os braços antes de suspirar aliviada após ouvir todo o relato da moça. - Pois bem, Salomé, primeiro… - gesticulou após arrumar a partitura em mãos em um rolo, apontando-o para a garota. - … obrigada por dividir essa situação sua com seus pais comigo. - começou, arrumando os óculos logo em seguida. - A música parece ser algo em comum entre vocês e é muito bom ver o empenho da mademoiselle com o propósito de melhorar sua performance. Mas… - fez uma nova pausa, buscando melhor as palavras para se dirigir a aluna. - … a música… ela pode ser encarada de diferentes formas pelas pessoas. Nós temos ritmos diferentes ao falar, ao agir, e temos também sensações diferentes ao apreciar uma partitura. Caminhou até a aluna, desenrolando a partitura para mostrá-la novamente para a ruiva, ficando ao lado dela. - Aqui. Quando eu olho para esta partitura, eu recordo da história do compositor e de toda sua jornada e importância para o cinema e o jazz. - olhou para a ruivinha, sorrindo amistosa. - A mademoiselle enxerga a matemática por trás da partitura. - estendeu a partitura para ela, gesticulando para que segurasse a partitura. - Vamos fazer assim… por que, ao invés de buscar “atuar” as emoções que outras pessoas têm ao tocar esta partitura, não transformamos ela em algo que possa fazer sentido para a mademoiselle? Hm? Afastou-se para o quadro da sala de música, buscando o giz para poder anotar o título da partitura no cabeçalho, animada com a ideia que atravessava sua cabeça. - Todo enunciado matemático possui um problema de interpretação, certo? Vamos transformar essa partitura em uma grande equação! Cada nota possui um registro numérico de tempo e alguns registros possuem variações que são divididas pelo compasso da partitura ou as marcações de repetição ou distanciamento de tempos. - começou a escrever a parte mais importante e essencial da partitura do quadro, recordando cada uma das anotações da partitura sem precisar sequer conferir as folhas novamente. Ao terminar, pegou outro giz e estendeu para a ruivinha ainda com um sorriso amigável no rosto delicado. - Acha que consegue transformar isso em uma equação? Laverne
Arqueou a sobrancelha para o agradecimento da professora. - Não precisa agradecer, professora. Estou lhe contando minha frustração, não deveria ser algo pelo qual alguém agradece. Embora seja necessário, afinal, eu que lhe pedi ajuda. – ela respondeu de um modo seco e muito direto. As palavras da professora Florence lhe faziam sentido, entretanto, no ponto de que cada um interpretava a leitura musical, como cada um agia de forma diferente. Talvez porque era uma pessoa muito mais seca e menos dramática que seus pais, e mal tinha sido criada com eles nos teatros, se apegando mais a sua avó e aos livros de ciências, que era incapaz de ver a música da forma que eles viam. E não ajudava que eles não eram claros sobre o que queriam. Podia não ser boa interpretando pessoas em geral, mas podia ver claramente que a professora tinha uma ideia nova, e observou-a com curiosidade, embora a expressão se mantivesse perfeitamente séria. Enquanto isso ela foi falando sobre tempo na partitura, e as marcações de pausa e repetição, pensando aparentemente na partitura que tinha trazido. Laverne começou a se interessar gradualmente, tanto que aos poucos o rosto foi perdendo parte da seriedade, e ela escorregou para a ponta do banco. - “Acha que consegue”? Está me subestimando? Professora Florence, eu lhe pedi ajuda com interpretação porque sou horrível lidando com essas questões abstratas das ciências humanas. – ela então levantou do banco do piano e caminhou até o quadro, cruzando os braços e levando a mão até o queixo. – Mas eu sou a pessoa mais competente do departamento de exatas e ciências, à exceção das bolsistas que precisam ser competentes, porque elas dependem disso para estarem aqui. Talvez eu devesse ter tido isso, e me escapou à mente? – ela complementou sem um pingo de hesitação e humildade, como se aquelas palavras fossem óbvias. – Eu permito que me subestime na sua disciplina, mas lhe digo com certeza que consigo. Laverne sequer olhou para a professora, ao invés disso abrindo a partitura, que era enorme e folheando atenta por uns instantes. - Eu poderia só considerar a matemática básica envolvida na partitura e utilizar as frações equivalentes como elementos das notas, criando equações padronizadas para cada trecho que se repete da partitura. Mas essa peça tem poucos trechos repetitivos, e em pelo menos quatro trechos longos, as fórmulas de compasso mudam, já que as batidas por minuto da música se intensificam. – Laverne começou, disparando sozinha enquanto tirava o giz da mão da professora, começando a escrever o primeiro trecho da música. – Se eu considerar as duas claves do piano e mudanças de frequência causadas por acidentes... é um universo a explorar. Ela tentou transformar as duas primeiras linhas em elementos representativos utilizando a letra n para representar as notas, f para fórmula do compasso, e embora até ficasse uma equação bonita, não parecia funcional. - Vou precisar de tempo. Acho que posso identificar os intervalos e frequências como uma fórmula, mas quero simplificar. Talvez precise de logaritmos para calcular o tamanho dos intervalos, e então refazer a função. As composições são feitas de acordo com o “sentimento” do autor, mas existe um universo matemático por trás da representação escrita desses intervalos. O som se torna agradável porque encontramos o padrão matemático. Quem sabe não encontro Fibonacci nessa música? Eu não pesquisei tão a fundo. – a garota então fechou a partitura de uma vez, e então abriu um sorriso largo pela primeira vez desde que tinha chegado ali naquela sala. – Professora Florence, eu sou um gênio! – então virou para a mulher mais velha. – E mademoiselle até tem boas ideias também. Então deu meia volta, deixando o giz de volta na mão da professora. - Eu devo passar na biblioteca, provavelmente não precisarei de mais do que três dias, se eu cortar o tempo de almoço. Quando fizer progressos, prometo trazer para você os resultados. Obrigada. – ela falou, sequer esperando resposta para sair agitada pela porta, em um humor completamente diferente do que tinha chegado, e uma esperança renovada de que podia tornar aquela música sua. [Pode encerrar Jana!] |