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[Drive] Marijuana [Dieter; Tamotsu; Ciel] - Lil - 08-29-2021 Dieter
O professor de Biologia estava em mais um de seus dias de trabalho e pesquisa dentro do novo ambiente de trabalho, com o clima ficando mais quente, era o momento ideal para usar o amplo espaço de jardim e estufas de St. Clavier para usar nas atividades. Como tinha estudado em um ambiente muito diferente e muito aberto, com disponibilidade de idas a recifes de coral, e reservas, tinha certa limitação do que podia oferecer aos jovens em um internato fechado. Por isso, para além de aulas com vídeos e fotografias, precisava usar o que tinha ao seu dispor na instituição para instigá-los em trabalhos mais dinâmicos. Tinha feito uma oferta bastante tentadora aos alunos da disciplina de Paisagismo com proposições de jardins temáticos dentro da instituição, e intervenções que não causariam tanto trabalho aos funcionários do local. Dieter estava com botas altas, do tipo EPI, calça de tecido mais grosso, a camisa de botões com a manga dobrada até o cotovelo, usava chapéu, e luvas enquanto caminhava, usando seu celular para gravar ideias e tirar fotos de lugares pouco frequentados no jardim. Poderia fazer o recorte de alguma daquelas áreas e deixá-las aos cuidados de um grupo de alunos, indicar que observassem processo de crescimento de alguma espécie em específico. Com a onda de calor só aumentando, era um momento propício para o desabrochar de várias espécies. Já tinha dado a volta na estufa e estava caminhando por áreas onde a grama verde se misturava a ervas daninhas, pela grama amassada apenas em algumas áreas era fácil de julgar que pouca gente caminhava por ali, não tinha os típicos caminhos em terra, que demonstravam por onde os alunos geralmente seguiam. Muito embora encontrar preservativos usados em meio ao mato mais alto, não fosse uma surpresa para o australiano. No entanto, em meio ao montante de espécies, ficou surpreso com uma área que parecia ter sido limpa de alguma forma. Não haviam tantas ervas daninhas, e a grama comum estava amassada como se houvesse certa frequência de passos ali. O local bem abaixo de uma frondosa árvore, oferecia sombra e cobertura. Dieter estava pronto para dar meia volta, não queria encontrar com vestígios de uma “festa adolescente naturalista”, mas para a surpresa do biólogo algo muito mais surpreendente lhe chamou a atenção. A folha era inconfundível, o tamanho era esperado de uma muda recém trazida que estava se adaptando bem ao solo, mesmo com cuidados porcos, como o excesso de água em torno da mesma e a escolha do lugar com pouca exposição de luz. Mas com certeza aquilo era um problema muito maior do que sexo em lugar público, afinal, maconha era proibida na França. E pela quantidade de mudas, podia dizer que ou a pessoa estava pensando em estoques para o inverno, ou estava pensando em expandir os negócios. Sem alarde fotografou o local, pensando sobre aquilo, se tinha encontrado teria de chamar a polícia, mas isso traria problemas a instituição, e não poderia usar os jardins para suas aulas, aquilo com certeza atrasaria seu cronograma, então teria de arrumar de outra forma um jeito de lidar com a situação. Fez o caminho de volta em busca de avistar algum dos jardineiros conhecidos, não deveria ser a primeira muda de maconha na instituição, então devia ter algum plano do que fazer com elas. Tamotsu
Agora que trabalhava meio período na instituição, achou que seus problemas seriam cortados pela metade. Entretanto, tinha notado que seu serviço era muito mais importante que dos outros zeladores. Parecia que seu trabalho tinha dobrado. Pelo visto o único que cumpria os dois horários como deveria era ele mesmo e quem sabe o jardineiro com cara de menina que tinha encontrado uns tempos atrás. Conhecia na fuça dos outros zeladores que eram preguiçosos acomodados. Passou pelo jardim para limpar a saída de um dos prédios, varrendo um monte de areia para fora do piso, deixando-o lustroso em seguida com uma passada breve de esfregão com os produtos fortes. O cheiro de limpeza já lhe deixava melhor humorado. Porém, assim que deu meia volta para guardar o carrinho, viu o time de Rugby chegando suado do treino, e como se fossem íntimos, sentiu os tapinhas nas costas e a sequência de “Valeu, Touro verde!” das diferentes vozes dos garotos. - Touro verde é um caralho! Kono kuso gaki, ora!! - rosnou para todos, recebendo um monte de risadas debochadas de volta. Sabia que não podia esganar cada um deles, e eles também tinha notado isso. Fora que por culpa de Lukashenko, aquele apelido tinha pegado de verdade. Bufou pelo caminho, esperando que seu final de expediente fosse bem tranquilo. Só que no caminho avistou um professor que até gostava. Ele parecia um tanto sem fôlego. Quem sabe estava caminhando pelo terreno? Ou talvez ele parecesse... preocupado? - Ah...! Precisando de alguma coisa, ô, sensei? – chamou o outro, Rupert, um sujeito que também concordava com suas ideias de que alguns alunos deveriam ser surrados com réguas para aprender o que era disciplina. – Cê tá com cara de problema. – o zelador comentou, travando o carrinho depois de deixá-lo no cantinho da passagem para não atrapalhar. Ciel
Gostava bastante da área de St. Clavier, o espaço era amplo, as plantas estavam bem distribuídas mas claro não dava pra ser perfeito. Algumas coisas aqui e ali deixavam o jardineiro de cabelos castanhos incomodado, adolescentes que causavam baderna, adolescentes que causavam baderna não propositalmente como o aluno ruivo, e também tinham os alunos que estranhamente passavam cantadas, como o que havia acontecido com o time de Rugby que cruzava a área aberta depois de algum treino. Bem que esperava uma situação ou outra, mas ficar ouvindo ser chamado de "gracinha" por uns garotos mais novos que ele - mesmo que fossem mais largos e bem maiores que o próprio - era curioso. Incômodo, mas curioso. Nada que Ciel não pudesse abstrair, como boa parte dos inconvenientes que tinha. Usava o seu bom e velho chapéu de palha, prendendo algumas mechas mais longas do cabelo com presilhas roxas, para evitar que atrapalhassem mais. Estava tratando de cuidar e se livrar de algumas ervas daninhas que aproveitavam o período quente para crescer aos montes, então estava se livrando daquelas que ficavam nas partes principais dos jardins logo na primeira chance que teve, já que precisaria de outros detalhes para cuidar do resto do jardins. Primeiro teria de procurar o professor de biologia, Ru... alguma coisa, para ter a permissão de remexer nas partes mais aos fundos do jardins. Bem queria evitar acabar mexendo em algum experimento que ele costumava fazer por aquelas partes. Depois teria que ter força para carregar os sacos de ervas daninhas, por que afinal, fazia algum tempo que aquela área precisava de cuidados. Se conseguisse alguém para ajudar seria bem mais que uma mão na roda, mas bem sabia que não podia contar 100% com essa possível ajuda. Ou talvez, sim. Enquanto fazia o caminho até aquela área do jardins, avistou a figura do professor junto à um familiar zelador resmungão. Não sabia bem o que conversavam, mas certamente o professor parecia... pensativo? Preocupado? Diria perdido, mas sabia que talvez a única pessoa que se perdesse dentro do próprio ambiente de trabalho seria o próprio Ciel. De qualquer maneira, se aproximou dos dois fazendo um breve aceno. - Ah! Monsieur Tamotsu e Monsieur... - ponderou um pouco, procurando lembrar o sobrenome do sujeito, realmente era ruim com essa parte - Eu estava exatamente procurando vocês! Dieter
O professor de biologia não estava suficientemente atento ao seu entorno, senão teria notado a aproximação do zelador um pouco antes, até porque ele era uma figura muito caricata pra passar despercebida. Alargou mais o sorriso ao receber a sequência de comentários do oriental, ele realmente tinha um bom faro para esse tipo de situação, ou talvez estar tão distraído, estivesse deixando muito claro que estava lidando com algum problema. Sua reação imediata foi erguer as mãos um pouco, como se estivesse admitindo que estava com cara de problema: -- Não dá nem pra esconder…! -- continuaria os comentários engraçados, mas logo outra voz notável alcançou seus ouvidos, sabia quem era porque tinha memorizado o quadro de funcionários que lidavam com a estufa: -- olá jovem Elsworth, não fomos apresentados adequadamente, mas eu sou o professor de biologia Dieter Rupert. Dieter tirou o chapéu de palha por um momento breve, como se estivesse cumprimentando o jovem jardineiro, que visto de perto, era mais incrivelmente bonito do que a foto de currículo mostrava. Admitia que as presilhas eram um exagero, mas quem era o australiano para falar de exageros? –- E bem, que bom que encontrei justamente com os dois, estamos com uma situação problema. -- começou se adiantando na conversa sem dar muito espaço para o que o jardineiro realmente iria precisar dos dois, com certeza o que ele estivesse precisando poderia esperar um pouco: -- eu acredito que já deva ter acontecido aqui antes da minha chegada, mas como é a primeira vez que me deparo com isso aqui na instituição, e os senhores estão aqui a mais tempo que eu, quero saber se já lidaram com esse tipo de problema. -- o professor sacou o celular e procurou as fotos recentes que tinha tirado das mudas de maconha e mostrou aos dois, esperando para saber qual seria a reação deles em relação aquilo. Tamotsu
Tamotsu tinha certa facilidade para perceber o comportamento das pessoas. Era muito por conta dessa sua capacidade que seus antigos colegas lhe diziam que ele era “muito bonzinho” para a profissão. Estava atento a Dieter, mas também notou a aproximação do jardineiro que tinha conhecido em outra ocasião, novamente com as presilhas, e com a cara de quem estava perdido no mundo. Só que pelo menos ele sabia seu nome, apesar de não terem se apresentado. Elsworth era o dele? Que nome complicado. - E aí? – Tamotsu cumprimentou, para não deixar o cumprimento do outro se perder também. Ele estava procurando os dois? Que coincidência então. Perguntaria assim que pudesse o que ele queria, mas pela situação do professor Rupert, ele parecia estar precisando de mais ajuda que o mais jovem. Dieter se adiantou em falar tudo de modo muito vago, mas assim que ele sacou o celular, as palavras dele se esclareceram na cabeça de Tamotsu. Estreitou os olhos para confirmar que aquelas fotos eram de uma muda de maconha mesmo, e o rosto já mal humorado naturalmente ficou ainda mais puto. O zelador aperto o punho trêmulo de raiva. - Esses moleques filhas da puta...! - rosnou gutural, batendo o punho na palma da mão para se acalmar, fazendo um barulho muito maior do que previsto. – Eu nunca vi uma merda dessas na porra da escola, mas já lidei com essas bostas antes sim. Mas de onde eu vim, se alguém pegasse uma dessas na zona do oyabun, o dono levava uma surra, se não perdesse uns ded- - Tamotsu disparou, e então, notando as próprias palavras, apertou os lábios, levando a mão para coçar os cabelos curtos. – Se mais gente vir essa merda, vai pegar mal pro chefe. Tem que arrancar. Essa pode, né, jardineiro? Ciel
Havia topado com as duas pessoas que precisava, ainda logo cedo no trabalho, e isso era uma boa sorte. O Touro Verde parecia estar com a mesma cara de sempre - um pouco emburrado mas nada demais, sorriu do canto da boca quando ele o cumprimentou de volta, e o professor surpreendentemente o conhecia! Até se sentiria mal por não lembrar do nome do sujeito depois de ter ouvido o nome dele diretamente do psicólogo da academia, mas ele parecia não se importar muito com isso: - É um prazer finalmente conhecê-lo, professor Rupert - o cumprimentou de volta com a mesma cordialidade, achando engraçado por ele ter lhe tirado o chapéu para cumprimentar, realmente parecia ser uma figura caricata. Ficou levemente curioso quando ele disse precisar dos dois, deixando de lado o próprio problema - que provavelmente esqueceria no final desse mesmo dia, ou dessa mesma manhã. Olhou para o zelador, esperando que ele soubesse de algo, mas pela expressão ele parecia bem perdido no assunto também, então voltou a prestar atenção ao professor quando ele desengatou a falar sobre a situação. Quando ele finalmente puxou o celular e mostrou a foto, fez bem mais sentido. Antes que pudesse dizer qualquer coisa Tamotsu foi o primeiro a estourar, até tomou um susto quando ele bateu na própria mão no meio da reação exagerada-porém-comum do touro verde. -Olha, pode arrancar sim mas tem alguns problemas - ponderou bem como colocar as palavras, poderiam sair mal para o próprio Ciel. Era um pouco a contragosto comentar sobre mas no final de contas era melhor falar do que deixar as coisas acontecerem - Primeiro, mesmo se a gente jogar isso fora qualquer cachorro acha fácil o cheiro, e pra rasgar isso vai ser bem rápido… E aí a situação fica bem pior. Segundo… - contava nos dedos os problemas enquanto explicava - Se essa foto é de agora, então a muda é recente por que normalmente elas ficam se amontoado sabe? Aí ela ainda tá beeeem pequena, o que é bom! Por que mais difícil dos garotos terem visto... Mas o terceiro problema é que provavelmente a mesma pessoa plantou mais de uma muda. E se tiver mais espalhados pelos jardins? Dieter
Notar as reações dos dois funcionários era no mínimo interessante, já tinha traçado bastante do perfil do zelador, ele era um sujeito de palavras diretas, mas tinha uma boa percepção das pessoas, podia não falar exatamente o que as pessoas queriam ouvir, mas tinha disposição para ajuda-las. Já o jardineiro era uma pessoa no mínimo pitoresca, a única coisa que sabia além do forte sotaque britânico, era que o melhor café daquela instituição era feito por aquelas mãos. As reações de Tamotsu foram dentro do esperado, com mais algumas notas mentais que confirmavam que ele era um ex-yakuza e que sim, ele via o diretor St.Clavier como novo chefe dele, seria Vivien um líder Yakuza? Não o tinha visto despido o suficiente para tirar essas conclusões, guardaria as teorias para dividir com Aleksei em qualquer outro almoço. Por outro lado, o jovem jardineiro era uma surpresa, a precisão com que ele descrevia a planta, dava margem para que o próprio prof. de biologia julgasse que Ciel tinha alguma experiência com a planta. Fato reforçado pelas descrições subsequentes que denotavam o tipo de problema gerado por infortúnios gerados por cães. Imaginava que apenas cães treinados farejavam a erva, mas pelo visto, qualquer animal com olfato apurado, poderia captar o odor característico da planta e sentir impelido a vasculhar sobre a mesma. Mas o que realmente surpreendeu o professor foi o fato do jardineiro levantar a hipótese que poderiam haver outras mudas espalhadas pelas partes mais inóspitas do jardim da instituição. Sendo um colégio interno daquele tamanho, era fácil imaginar que espalhar mudas por lugares chamaria menos atenção, do que plantá-las todas no mesmo lugar. Era genial, tinha de admitir: -- é uma hipótese interessante jovem Elsworth, e tenho de admitir que faz muito sentido dada a situação atual. Eu pessoalmente não gostaria de importunar o Diretor St.Clavier com essa situação, afinal, isso geraria complicações maiores, que poderiam até envolver a polícia, no entanto, não podemos simplesmente ignorar. -- Fez uma breve pausa, arrumando os óculos no rosto e mexendo no celular para pegar uma foto da planta da academia que usava para planejar suas aulas de paisagismo: -- esta é a visão de cima de toda a academia, nós estamos aqui. -- apontou uma determinada área no mapa para que os dois se situassem: -- Se houver outras mudas, podemos excluir alguns lugares que são muito expostos ou com muito movimento de alunos, a exemplo disso os jardins laterais junto a fonte de entrada, ou mesmo os jardins próximos a cafeteria, eu poderia dizer que o trajeto até os ginásios esportivos pode ser excluído, mas a parte de trás dos mesmos já não é tão frequentada, o trajeto até o dojo do prof. Hinomura pode ser excluído, porque sabemos que ele treina naquelas imediações e se tivesse visto algo, já saberíamos, as partes laterais da estufa estão livres porque é amplamente usado pelo clube de jardinagem, mas os cantos, e a área próxima do prédio antigo não são vistas, logo isso nos deixa com: -- o australiano fez uma pausa e usou uma ferramenta de edição para pintar pontinhos coloridos nos lugares: -- atrás dos ginásios, os cantos extremos dos muros como esse onde estamos, e próximo ao prédio antigo. Podemos nos separar, recolher as mudas em sacos pretos de lixo, e depois nos reunir na sala de ferramentas, e então decidimos o que fazer com as plantas. Dieter fez questão de ser bastante didático na sua forma de explicar, porque sabia que lidava com duas pessoas que conheciam muito bem o espaço onde estavam, mas que talvez lidar com crises não fosse suas especialidades: -- De toda forma, fiquem tranquilos, se houver qualquer repercussão negativa eu assumo toda a responsabilidade, afinal, fui eu que os chamei aqui. Vamos torcer para resolver tudo sem que haja de fato repercussões ruins. E então, posso contar com a ajuda dos senhores nessa situação? O prof. de biologia perguntou apenas para reafirmar a ajuda dos dois, visto que agora que estavam cientes da situação eles poderiam simplesmente se recusar a ajudar. Entenderia se fosse o caso, mas preferiria não ter de adiar suas aulas e atrasar seu cronograma. Tamotsu
Estalou a língua com a resposta do Zelador sobre o caso de arrancar as ervas. Pelo menos podiam arrancar, o problema era como se livrariam dela depois. Não estava em posição de andar negociando a planta. O jardineiro pareceu saber muito sobre o que estava falando, e não teve certeza se era por ele conhecer de plantas ou por ele conhecer de drogas, mas foi convincente o suficiente para que achasse que era uma boa ideia dar uma olhada ao redor para ver se tinham mais plantas, e arrumar outra alternativa que não jogá-las no lixo. - Huh. Se der, não precisa chamar o oyabun. Ele já tem muito adolescente complicado pra lidar, e aqueles babacas que vem aqui de vez em quando. Se puder resolver isso sem envolver os tiras, acho que vai ser melhor. – Tamotsu incentivou Dieter naquela ideia de que não precisavam chamar o diretor. Não precisava nem que ele soubesse. O mais velho não iria arrancar seu dedo, mas no que pudesse aliviar pra ele, se sentiria bem. Ouviu sobre a ideia de Dieter, achando-o bem eficiente no quesito de delegar tarefas, e até que o raciocínio era bom também. Ele teria dado um bom funcionário em outras organizações. – Eu posso pegar o prédio antigo. Faço a limpeza de lá com frequência, então devo saber o que está fora de lugar. Fora que sei lidar com os delinquentes. Sensei, você pode ir olhar os muros. A caminhada é mais curta se for por dentro da escola, mas ninguém vai estranhar se você ficar passando de um lado a outro por lá. E o jardineiro pode ir atrás do ginásio. Ah, mas se os animais do clube de basquete estiverem lá, pode trocar comigo. Odeio aqueles pivetes. Tamotsu não saberia lidar com toda a situação mas também podia dar sugestões. Estava mais acostumado a seguir ordens, se parasse para pensar. Porém se sentia confiante para indicar quais os melhores lugares para não levantarem suspeitas. O professor Rupert parecia alguém de confiança, e parecia também disposto a resolver aquilo. - Não precisa se preocupar, sensei. Vamos resolver esse problema. E todos nós vamos segurar nossos empregos. – o zelador afirmou para tentar passar confiança para Dieter, puxando do bolso um cigarro e acendendo. Parecia determinado a cumprir aquela tarefa. Ciel
O jardineiro ficou razoavelmente surpreso diante da reação das outras pessoas logo após o seu comentário muito específico sobre o tipo de planta que estavam tratando. Normalmente, nesse tipo de situação, Ciel esperaria no mínimo uma careta, uma expressão torta quem sabe? Mas não, mais estranho que o fato de um simples jardineiro de um internato masculino saber sobre crescimento de maconha, é dois funcionários acharem isso uma coisa completamente normal. Talvez isso tivesse haver com o fato de todos eles demonstrarem querer evitar a polícia no local, isso queria dizer quem sabe, que eles também tiveram problemas com a polícia. Isso fazia Ciel se sentir melhor, afinal não parecia que ele era o único que já tivera problemas com a polícia no passado. E tinha de destacar o fato, que o professor alto barbado dizer que iria se responsabilizar caso tudo desse errado, fez com que o jardineiro olhasse para o maior como se ele estivesse sendo envolvido por uma luz angelical. Um anjo com certeza. E já sabia que o outro zelador que ajudava com os jardins era uma pessoa legal a despeito de ter um jeito bem particular de falar, mas isso não o tornava mal, afinal todos sempre diziam que o próprio Ciel falava de um jeito estranho: -- Eu não tenho problemas de lidar com o time de basquete, sei tantas coisas sobre eles, que eles até ficariam surpresos. -- no fundo Ciel até achava curioso o jeito amável agressivo que o outro zelador tinha, mas admitia que ele tinha um jeito protetor: -- Além de que, o único time que eu vi seguindo para a quadra de esportes foi o time de Rugby, e bem, sendo bem sincero, eles só tem tamanho. O jardineiro pensou que talvez antes de se separarem fossem conveniente ir buscar os sacos e as demais ferramentas, afinal não fazia sentindo na cabeça do moreno mais novo fazer duas viagens, uma para buscar as plantas e outra pra ir buscar as ferramentas necessárias para recolher as plantas: -- É melhor pegar os sacos antes de nos separarmos, pegarmos os sacos pretos que podem ir dobrados no bolso sem chamar atenção. Como as plantas estão recém-mudadas, basta arrancar pegando na base do caule e puxar com força, que a raiz vai sair sem maiores problemas. -- Ciel sorriu carismático, se sentindo um esquisito no meio de seus iguais. Dieter
Era sempre muito curioso para o professor de biologia que pessoas tão notoriamente diferentes conseguissem se entender com tamanha facilidade, mesmo em uma situação completamente atípica. Mas isso apenas reforçava ao australiano que ainda tinha muito mais para estudar de interações sociais e comportamentais entre indivíduos. Dieter acenou positivamente sobre as constatações de espaço feitas por Tamotsu, achando curiosamente gentil da parte dele se oferecer para trocar de lugar junto ao jardineiro, dado o histórico do time de basquete. Ou talvez o maior quisesse apenas dar aos adolescentes folgados o tipo de tratamento corretivo que bem mereciam. Mas as surpresas não pararam ali, o jovem Elsworth, não tinha somente a voz contrastante com sua aparência, mas como suas atitudes que poderia pontuar como “ardilosas”? Já tinha ouvido rumores sobre o “passarinho verde” que largava fofocas na instituição masculina. Agora estava junto do touro verde e do passarinho verde, que animal seria o professor de biologia naquele cenário? Concordou com o jovem Elsworth, sobre irem todos buscar os materiais necessários para arrancar as mudas: -- Com ajuda dos senhores, vamos todos conseguir manter nossos empregos, sem incomodar o senhor St. Clavier. -- O australiano deu um toque sobre o ombro de seus cúmplices naquela situação, e então seguiu para a área junto as ferramentas, para pegar sua sacola preta, a qual dobrou com cuidado e pôs no bolso, de forma que ninguém suspeitaria que o maior de fato carregava a peça: -- Nós reencontramos aqui em uma hora. Acredito ser tempo suficiente para recolher tudo, e retornar de forma discreta. -- Esperou apenas que os dois concordassem e depois seguiu para a área junto aos muros, e depois de uma breve caminhada, passando os pontos de namoro dos jardins com resquícios de adolescentes deixados para se decomporem em alguns milhares de anos por serem detritos de látex. O professor avistou mais mudas, ainda jovens, outras com clara expressão de que tinham sido mudadas a poucos dias e ainda estavam se acostumando com o solo. Notou o cuidado de por gravetos para escorar a planta, e deixar uma garrafa pet para manter o solo sempre úmido, alguém estava muito dedicado aqueles cuidados. Era um grande desperdício que uma pessoa assim não estivesse no clube de jardinagem gastando seu tempo com plantas dentro da lei. O australiano pediu desculpas antes de arrancar as mudas de maconha e as ensacou com cuidado, garantido que nenhuma folha ficaria para trás, ou mesmo evidente dentro da sacola plástica. E um pouco antes do horário marcado o professor de biologia já estava retornando para a área junto às ferramentas. Agora teria de pensar, o que fazer com as plantas? Tamotsu
O jardineiro tinha cara de menina, mas pelo visto, com aquela certeza toda que tinha uns podres do time de basquete e com a informação que só os grandões abobalhados do rugby estavam lá, supôs que ele saberia lidar bem. Já tinha visto pessoas em sua organização que eram simplesmente melhores lidando com informações que com punhos. Pelo visto Ciel deveria ser um desses. E Dieter Rupert era um homem com um jeito otimista que lhe ajudava bastante a pensar que aquele plano daria certo e o Sr. St. Clavier não seria envolvido. Acabou optando pelo prédio antigo já que o jardineiro dava conta da quadra. Concordou em buscarem os sacos primeiro, dobrando-os no bolso. Mas além do saco, levou uma vassoura consigo, e o cigarro que tinha acendido e estava terminando de fumar. - Uma hora então. Até lá. – Tamotsu então saiu com a vassoura em cima do ombro em direção ao prédio antigo, sabendo que tinha uma tarefa, que era catar o mato e uma possibilidade: encher um maconheiro safado de vassourada. Infelizmente, ou felizmente para quem não estava lá, o prédio estava quase todo vazio. Ninguém tinha decidido matar aula naquele dia, usando o prédio antigo como refúgio. Deu uma volta ao redor do prédio em si para procurar rostos conhecidos, mas logo que terminou, foi cumprir com a tarefa olhada no jardim ao redor, que tornava muito facil esconder coisas ilícitas, considerando o quanto o mato andava crescendo. Para sua surpresa, ou não, as plantas em questão não foram tão difíceis de achar. Arqueou a sobrancelha para todo o trabalho de jardinagem que os delinquentes que tinham plantado fizeram. Certamente não eram iniciantes, e sabendo que tinham mudas na escola inteira, muito menos só consumidores. Se aquele pouco de mato não servia pra suprir a cidade, pelo menos já dava jeito nos pivetes curiosos que tinham acabado de entrar na escola. Sem dó, assim como o jardineiro ensinou, arrancou pelo talo, puxando com as raízes todas. Saiu jogando cada planta dentro do saco, e o resto do lixo daquele esquema de irrigação rudimentar, destruiu com a vassoura grosseira e varreu até a lixeira mais próxima, que deitou no chão por um instante na ausência de pá. Retornou com menos de uma hora depois, a vassoura e o saco de lixo em uma mão, embora as duas tivessem cheias de terra. Bateu as mãos na calça, deixando a marca de sujeira no uniforme. – Ah, sensei. E aí? Achou muita coisa? – questionou, então olhando para o saco. – Esses moleques não tão pra brincadeira. Que é que a gente faz com tanto bagulho? Ciel
Guardou o saco para recolher as mudas bem dobrado dentro do bolso, como havia instruido aos outros fazerem. Não esperava que demorasse muito para sair recolhendo todas as ervas plantadas, principalmente por terem algum entendimento sobre a planta. O maior dos problemas para o jardineiro seria não chamar a atenção do time de rugby enquanto fazia a sua parte atrás do ginásio. Esperava bastante que estivessem bastante focados no treino ou nas outras atividades que gostavam de praticar entre eles. - Certo, um bom trabalho pra vocês - complementou, concordando em encontrá-los no lugar marcado em uma hora. Esperava que não demorassem tanto, mas era tempo suficiente. E com o'que precisava em mãos, fez caminho até o bendito ginásio. E bem como imaginava, o time de Rugby estava ocupando não só dentro do ginásio mas também fora dele, fazendo algumas corridas ao redor do prédio. Ciel tentou passar despretensioso pelos adolescentes, querendo apenas retirar as mudas da parte de trás, quando alguns dos jogadores fizeram o favor de ficar no meio do caminho: - Opa seu jardineiro, que visita agradável - começou um dos maiores, na verdade todos eram grandes - Por que a pressa? A vontade de revirar os olhos era forte, mas manteve a sua cordialidade e sorriso costumeiro - Eu preciso trabalhar, se me derem licença. - Tentou pedir passagem aos jogadores, sem nenhum sucesso pois não fizeram a mínima questão de se mexerem. Prontamente o jardineiro cruzou os braços, já ficando impaciente. - Ah, relaxa, fica por aqui, não precisa trabalhar o dia inteiro não - começou outro, dando uma leve cutucada no que estava ao seu lado, que continuou - AH, mas se tu tá tão afim de trabalhar tem umas mangueiras pra você mexer heim - os risinhos logo se instauraram e pode ouvir outros comentários sobre mostrar "pepinos", deflorar, subir uns pilares e outras cantadas com rugby que fazia Ciel questionar quantos neurônios aqueles adolescentes tinham para achar que essas coisas realmente estavam funcionando. Enquanto ficavam entre risinhos e realmente achando que estavam sendo minimamente convincentes, o moreno apenas sorriu de leve e se aproximou do que havia falado primeiro, dando dois toques de leve com a ponta dos dedos no peito do jogador, falando em um tom bastante satisfeito: - Eu agradeço o convite para mais uma das festinhas que vocês vão dá no banheiro do ginásio, mas não é do meu gosto, sabe? - a indicação foi o suficiente para que eles parassem com os risinhos e se entre olhassem, um pouco surpresos - Aliás, acho que o touro verde vai ficar de bastante mal humor se souber que são vocês que estão sujando o banheiro e deixando toda aquela bagunça para ele arrumar. - Se afastou então, dando um pequeno passo para trás e gesticulando com a mão para abrirem espaço, o que prontamente fizeram, apenas com alguns comentários entre si - Melhorem da próxima vez, ok? Ciel fez então seu caminho feliz, apreciando o silêncio que foi instaurado depois de rejeitar o convite dos jogadores. Chegando aos fundos do ginásio, lá estavam as mudas da planta-problema. Recolheu com cuidado e foi colocando tudo dentro do saco, para ter certeza que não ficaria nada para trás. Acabou realmente levando uma hora para fazer o trabalho graças ao pequeno empecilho, então se apressou à medida do possível para o local do encontro. Apesar de atrasado, estava de bastante bom humor. - Desculpem o atraso, tive alguns problemas, mas consegui recolher tudo. - havia sido o último a chegar, e esperava que não tivesse feito os outros dois esperarem muito. Dieter
Não esperou muito e logo apareceu os seus cúmplices naquele serviço para limpar St. Clavier de um possível esquema de drogas dentro da instituição. Duvidava que fosse algo grande ligado a alguma gangue ou máfia, no máximo algum adolescente esperto querendo ganhar uns trocos em cima de outros adolescer, ou um consumidor muito assíduo da erva. Quando o maior chegou e lhe perguntou diretamente o que fariam com a erva, o autraliano sorriu em resposta: -- olhe, nos meus anos de experiência, eu apenas utilizava da mesma, nunca tive de dar fim em quantidades maiores, no entanto, imagino que talvez o senhor jardineiro possa ter alguma ideia do que fazer. Na pior das hipóteses, podemos queimar as mesmas em algum lugar que não sopre em direção aos dormitórios por exemplo. Não queremos 700 alunos sob efeito de larica mais tarde que a cantina não comporta isso. O maior riu de forma exagerada diante do próprio comentário, e logo mais o jardineiro chegou, comentando sobre sua demora ao lidar com os jovens do time de Rugby: -- Não se preocupe jovem, estávamos justamente esperando sua chegada para decidir como dar fim a erva. Estou aberto a sugestões claro. E deu espaço para que os dois se pronunciassem diante do fato, o mais importante já tinham cumprido que era destruir o esquema de plantio ilegal de Canabis dentro da instituição. Tamotsu
Pelo visto o jardineiro tinha voltado inteiro e ainda estava de bom humor. Ele não era tão mocinha quanto a cara dele dizia, e isso deixava o zelador bem satisfeito. Os problemas com certeza eram os imbecis dos times esportivos, mas se não afetavam o rapaz, eles não precisariam de uma surra. Só quando sujassem o banheiro de novo. Olhou para o doutor e rasgou um sorriso de lado. Não tinha uma alma limpa em St. Clavier, havia? Talvez só aquele rapaz que era padre. E talvez nem ele. - Heh, sensei, quem diria. Mas eu entendo. Não dou um tapa desde que deixei de ser adolescente estúpido. Meu aniki me deu uma surra quando me pegou chapado numa noite de trabalho. Quase perdi um dente. Nunca mais fumei. Mas ainda gosto de cigarro. – o japonês comentou de um jeito saudosista, até com certa curiosidade de experimentar fumar de novo. Só que não o faria na escola, e tampouco podia fazer isso em casa, com Kanon lá. Era melhor esquecer a ideia. A sugestão do cientista era bem peculiar, que queimassem as folhas. Se bem sabia, isso não daria certo. Mesmo se escolhessem ficar contra o vento. - Bem que esses baka gaki da escola mereciam uma larica, mas isso só daria mais trabalho pra os rapazes da cantina. O cheiro ia dar ruim pra gente, a não ser que desse pra queimar com umas cascas de limão... e... ca... canela, cravo... acho que é esse o nome. – resmungou, esquecendo as palavras em francês. Então olhou para o jardineiro. – Cê sabe melhor que eu. Ciel
Felizmente não havia feito os outros dois esperarem, talvez deixasse soltar para Tamotsu sobre as festinhas que iriam acontecer logo logo se eles tivessem feito mais raiva ao jardineiro. Os dois já pareciam estar decidindo como se livrar do problema da erva. Não havia bem pegado o início da conversa, mas riu da maneira que o zelador contou a história. Não sabia bem quem seria ‘aniki’ mas com certeza para ser alguém para bater no muro que era o touro verde, já era uma pessoa assustadora. Diferente dos outros dois gostaria de dizer que estava limpo há alguns anos, na verdade poderia dizer isso até uma semana atrás, quando recebeu um presente junto do celular novo que Gustav havia o entregado. E bem, não iria fazer desfeito do que o novo conhecido havia lhe entregado, já que também jogar fora não seria uma boa ideia. - Eu até tentei me acostumar com o cigarro, mas não teve muito jeito - comentou despretensioso, a fim de evitar ter que comentar sobre a última experiência própria com a erva. Pensou bem na maneira de se livrar da erva quando Dieter deixou aberta a discussão. A maneira mais prática seria realmente queimar, mas o cheiro bem característico da planta iria entregar o que estava sendo feito… a não ser que usassem algo para mascarar o cheiro. Tamotsu aparentemente havia seguido a mesma ideia. - Oh. Bem, eu concordo com a ideia - respondeu, sendo pego um pouco de surpresa por ‘saber mais’. Aparentemente estava sendo o mais experiente dos três ali - Eu tenho inclusive algumas ervas aromáticas na copa, para fazer chá e café. Se pegarmos e fomos para um espaço mais afastado, seja mais seguro. O único problema vai ser o resultado depois com a gente mesmo. Mas acho que todo mundo já sabe lidar, então é de menos. Iria buscar os aromáticos caso os outros dois concordassem com a ideia. Pelo menos poderia deixar o saco com os dois e encontrar com os dois de novo no local da queima. Na melhor situação, não teria problemas com outro time de rugby no caminho. Dieter
O professor australiano ouviu com atenção toda a narrativa do zelador falando sobre seu irmão, por sorte era versado o suficiente em animação japonesa para adolescentes para captar um termo ou outro perdido na fala do companheiro de trabalho. Acenou de forma cúmplice bem ciente de que não era fácil largar o cigarro, lá estava ele mesmo, a um bom tempo tentando largar o vício sem muito êxito. Depois foi a vez de olhar com atenção as soluções propostas pelo jardineiro, gostava de observar o mais novo falando, pois ele tentava fortemente mascarar a experiência que tinha em atividades ilícitas, talvez tivesse vindo de outro país justamente para apaziguar problemas? Um rostinho bonito, uma voz potente, com certeza uma receita peculiar para arrumar problemas. Mas naquela tarde, os dois eram seus parceiros para solucionar aquela situação: -- Eu concordo, com ambos, vamos queimar tudo, mas vamos mascarar o cheiro, podemos dividir em três pequenos fogueiras, para não criar um foco de fumaça muito intenso, mas sim, três focos pequenos. -- Ajustou o par de lentes de grau no rosto, erguendo o sorriso costumeiro: -- Ah, e façamos isso próximo do prédio antigo, porque com certeza vamos ser afetados pela erva, e a última coisa que precisamos, é começar a rir alto e falar bobagens ao alcance do celular de qualquer adolescente. O professor de biologia comentou muito pontual, apenas esperando que os dois concordarem com seus apontamentos para seguir o plano. Seria alguns bons minutos de entretenimento, mas tinha de se lembrar de tomar um banho reforçado, não iria querer chegar na casa de Fleur, além de chapado, cheirando a prova do crime. Tamotsu
Pelo visto os três ali tinham noção do que era tentar se livrar do cigarro. Não que tivesse tentado de fato, já que gostava do sabor do cigarro com café e com cerveja, mas bem gostaria de não cheirar a nicotina. Sua filha ocasionalmente lhe lembrava que fedia. E era uma fumante passiva, se era assim se que se chamava. Dieter e Ciel entraram de acordo com um plano, e Tamotsu concordou silenciosamente com os dois. Era melhor que fossem logo até a sala do jardineiro pegar as tais ervas e se livrarem de tudo aquilo antes que a movimentação de três pessoas que eram raríssimas vezes vistas juntas chamasse qualquer atenção. - Osu! – respondeu simplesmente. – Vamos pegar o que precisa lá na tua sala. – Tamotsu movimentou Ciel para se apressarem. O grupo tornou a se reunir próximo do prédio antigo. Como tinha sido planejado, fizeram três focos para não chamar atenção demais com a fumaça. Em cada um, junto com a erva, também jogou algumas ervas aromáticas, cravo e canela, que tinham um cheiro mais forte e certamente iriam mascarar parte do cheiro das ervas. Tamotsu só fez pegar o álcool e fósforo para acender cada uma das pilhas de queimar. O cheiro que subiu foi imediato. Muito intenso, mas não o cheiro puro de erva. Não eram arranjos bons, mas eram arranjos. - Tô surpreso que não tem cheiro de erva mesmo. – Tamotsu comentou, sentindo que o corpo iria relaxar à medida que cheirava aquela erva. Ciel
Depois da conversa dos cigarros, os outros dois concordaram que seria uma boa ideia queimar as mudinhas junto com outras ervinhas aromáticas. Ficou feliz por ter abastecido a copa com ervinhas aromáticas para preparar café, quem diria que viria a ajudar em uma situação tão específica como essa. - Certo, certo! Nos encontramos depois então! - concordou brevemente com o professor enquanto era apressado por Tamotsu a irem logo para a copa buscar o que era necessário para a dita queima. Não demorou para recolherem as ervas dentro da copa e levarem algumas, felizmente não toparam com ninguém que quisesse puxar conversa ou perguntar qualquer coisa sobre oque estavam fazendo por ali, e graças a isso, não demoraram a chegar até a parte de trás do prédio antigo, onde Dieter já estava esperando por eles com as provas do crime. Ajudou a montar os três pequenos focos e também a separar as ervas aromáticas em cada um deles, para ter certeza que o cheiro não ficaria pelo menos muito perceptível. Bom, isso se dava graças há anos de práticas, não muito gloriosos, mas certamente era prática e veio bem a calhar. - Sim, verdade! Ajuda bastante a disfarçar o cheiro, claro que ainda fica um pouco, mas melhor que nada! - o cheiro peculiar da erva ficava até mais agradável misturado com os aromáticos. Conforme a erva queimava mais e sentia que o efeito ia tomando mais conta, lembrava de uma história bem engraçada de alguns anos atrás. Não falaria em qualquer outra situação, ou sem um “empurrãozinho” extra, como no caso. - Sabe! Esse tipo de situação me lembrou de uma coisa - começou, bastante empolgado - Teve uma vez que eu tinha saído com uns amigos e a gente até tinha fumado um pouco - gesticulava enquanto contava a história, lembrando bem dos detalhes que importava - E aí eu não lembro onde a gente foi, mas apareceu um policial e ele começou a falar um monte de besteira, e meio que queria levar a gente sabe? E é nessas horas que eu sei usar esse rostinho bonito hahaha! - riu, provavelmente um pouco mais alto que o normal - Aíí, eu só precisei cantar o policial por alguns minutos e ele “milagrosamente” deixou a gente ir. Ele até me deu um papel, mas eu nem me liguei. Pensando agora acho que era o número dele... Acho que joguei fora logo que a gente virou a esquina - toda a situação era bastante cômica, mas estava bem parecida com a atual, a diferença é que não tinha nenhum policial, mas sim estudantes. A chance de ser preso continuava a mesma - E vocês? Tipo, tenho certeza que já fizeram algo do tipo ou pior né? Normalmente falava de uma maneira bem mais polida, mas estava começando a soar mais descontraídos aos poucos, apesar de já estar falando bem mais que o normal. Dieter
O australiano estava sentindo por todo o seu corpo o efeito relaxante das substâncias oriundas da erva, aquele misto de adrenalina por estarem fazendo algo pra errado somado ao fato dos próprios efeitos das propriedades da maconha lhe davam uma sensação única. Ou como os jovens bem nomeavam: "barato" Estava divagando ao observar sua pira de erva fumegante jogando uma porção de fumaça esbranquiçada devido a água ainda contida nos caules recém arrancados das mesmas, quando o jardineiro dedicou compartilhar uma narrativa vivida de sua juventude, aliado ao acompanhamento da informação de que ele sabia bem usar o rosto que tinha. E realmente, o professor de biologia tinha de concordar que Ciel era um homem bonito. Gargalhou sem muitas ressalvas e até de forma escandalosa, por sorte estavam afastados o suficiente para mesmo a potente risada do australiano não chegar ao ouvido dos estudantes. Todo o relato foi muito digno, e estava surpreso e não estava: -- Eu imaginava que escondesse muitas verdades por trás do seu rosto bonito jovem Ciel, porém, não tinha como supor jamais que flerte contra polícia estava entre suas habilidades. Muito ardiloso de sua parte, devo admitir. -- o maior continuou com ares de riso, e quando foi questionado, apontou para si mesmo, antes de arrumar o par de lentes de grau no próprio rosto: -- bem, eu sou um biólogo comportamental toda a minha carreira é repleta de histórias absurdas, mas o critério de escolha é alguma que envolva erva? Deixe me pensar um pouco. -- o moreno mais alto voltou a divagar, e certamente o raciocínio lento se devia já aos efeitos colaterais da própria erva: -- a maior parte das vezes que usei foi durante o período de faculdade, foi meu "sempai" que me apresentou a mesma, pra gente relaxar antes das provas de cálculo. -- nem negava que tinha um lado otaku e falou no automático, sem levar em consideração que tamotsu era o japonês ali e entenderia a palavra: -- Foi esse mesmo amigo que me levou para outros hobbys também, meu gosto por látex surgiu nessa mesma época… longa história…!-- seguiu rindo, rememorando as velhas aventuras. Tamotsu
Tamotsu estava distraído com a sensação relaxada do corpo. Fazia muito tempo desde que tinha se permitido sequer usar um analgésico, e a rotina puxada de St. Clavier e de casa lhe deixavam com a tensão de um velho de 60 anos. Até agachou no chão, as pernas dobradas e os braços apoiados nos joelhos, ouvindo Ciel começar a história dele. Franziu a testa e fez uma careta quando o rapaz falou da polícia, mas acabou rindo alto quando o garoto disse que deu uma cantada no policial para fugir de uma detenção. - Heeeh... esses policiais homo... não dão conta de fazer o trabalho direito. – riu pensando na cena, ouvindo Ciel questionar sobre se o grupo tinha feito algo pior. Tamotsu balançou a mão na frente do rosto.- Não... nunca dei em cima de nenhum policial não... no máximo de um garoto... mas ele parecia uma menina... mas o jardineiro é mais bonito... só que tem a voz grossa, não dá pra confundir com uma mulher. – riu. O professor Rupert também decidiu compartilhar uma história, embora só quando ele falou que finalmente percebeu que era sobre fumar erva, não necessariamente qualquer história relacionada. Teria até ficado constrangido, mas seu cérebro se ocupou em tentar processar o que era um biólogo comportamental e o que ele queria dizer com gosto por látex. Riu porque entendeu pouco, talvez só a parte de que tudo isso tinha sido culpa do senpai dele. - Ah. Eu também fumei por causa do meu senpai... quer dizer, aniki, porque na gangue o nome é outro... mas parecido com um senpai mesmo. – Tamotsu tentou reparar seu erro, ainda parado na mesma posição de delinquente japonês como se fosse muito confortável. – Lá não é que nem aqui, não se fala de drogas, e o gokudo raramente se mete com negócios baixos... só criminoso pequeno. Mas o aniki plantava em casa pra consumo próprio... aí um dia a gente tava no apartamento dele fumando... e bateu na porta a velhinha do andar de baixo. Aí eu olhei feio pra ela... e a velha me deu um tapa na testa e entrou pra pedir o baseado dela, que o aniki tava devendo. – Tamotsu riu, sem perceber quase colocando as flexões a língua japonesa no francês, o que fez carregar ainda mais seu sotaque. – Mas aí o waka descobriu, e a gente levou uma surra de outro aniki nosso. Mas o aniki disse que voltou pra casa depois da ronda, fumou o último baseado e dormiu como quem não tinha uma roncha de shinai nas costas, hehehe. Tamotsu sentiu até que estava se divertindo com aqueles sujeitos. Jogou o corpo para trás e sentou encostado em uma árvore, observando os outros dois com a sobrancelha arqueada e um sorriso no rosto. - Ara... só tem peça boa aqui, né? – riu alto. Ciel
Não fazia tanto tempo assim que não usava a erva, graças ao presente inesperado de um certo amigo policial, mas o efeito da erva sempre era perfeito para relaxar. Claro, falar algumas bobagens também, quem não falava?! O bom é que todos poderiam só rir da situação. Assim que terminou de falar, aproveitou para se sentar também, com as pernas cruzadas. A última coisa que precisaria é ficar em pé quando poderia estar muito bem relaxando. Gargalhou quando ouviu o comentário do professor, e apenas sacudiu a mão negativamente: - Uma das muitas, posso te garantir isso! - brincou com o professor, certamente flertar policiais em trabalho foi uma das coisas mais simples que fez na sua cidade - Eu não consiguiria nem imaginar você dando encima de um policial, Tamotsu. Mas metade desses policiais só é hétero ao ar livre, já entre quatro paredes... - comentou sobre a experiência do japonês. Achou bastante curioso ele já ter inclusive dado em cima de um garoto. Não se conteve a rir quando ele disse que o jardineiro era mais bonito - Eu sei, eu sei. Ainda bem que pelo menos com a voz não dá pra confundir, já tive experiências ruins demais quando era mais novo, mas rende história pra outra hora. Deu espaço para o professor contar a sua parte, não entendeu bem um dos termos que ele usou, mas certamente ficou curioso sobre a parte do látex. Não tinha muita experiência nessa parte de fetiches tão específicos, mas não iria mentir que ficou curioso. - O psicólogo tinha falado sobre você ser interessante, mas não imaginava nesse ponto! - comentou rindo, bastante entretido na história. Até gostaria de ouvir mais alguma outra hora. Aparentemente Tamotsu e Dieter tinham algo em comum, por que os dois usavam umas palavras que no estado de raciocínio lento de Ciel, faziam muito menos sentido do que fariam em uma situação comum. Aniki? Senpai? Não fazia ideia. Só dava pra entender que era alguém que eles conheciam e fim. Riu sobre o desfecho da velha e deles terem tomado uma surra. - Ow, acabei com mais medo dessa velha, por que se tomar uma surra já era certo... Tomar cobrança da senhorinha então!... Mas se valeu a pena, valeu a pena! - concordou por fim, ainda rindo de qualquer coisa. Achou engraçado o comentário de Tamotsu sobre todos serem "peças boas", apenas levantou as mãos em sinal de defesa: - Bom, eu nunca disse que era inocente no meio dessas histórias todas, hein! - deu meio de ombros, tentando se manter sério mas rindo logo em seguida, abaixando as mãos e apoiando sobre as pernas. Dieter
Para o australiano era uma festa a parte poder interagir com aquelas pessoas com as quais normalmente não destinava seu tempo, mas que agora, percebia que existia um grande potencial para conversas. Se não fosse ateu, diria que providência divina, mas certamente era plano da Base para que pudesse se aliar a novos membros confiáveis. Ouviu o relato de cada um deles, acenando positivamente na medida que ia entendendo os termos em japonês, se lembrava das séries que acompanhava e aquilo fazia o seu otaku interior se revirar em felicidade, era o tipo de plot de delinquência adolescente que mais gostava de ver. -- Eu certamente imaginava que cada um dos senhores tivesse um histórico próprio, particular até peculiar, mas admito que fiquei surpreso. -- o australiano arrumou o par de lentes no rosto: -- de forma positiva é claro, ninguém é santo nessa escola, e eu não colocaria minha mão no fogo por ninguém, colocar erva no fogo não conta como a minha mão, por sinal. O mais alto riu, mas conteve suas gargalhadas sonoras, embora sentisse todo o relaxamento do efeito colateral de aspirar a fumaça opaca das folhas verdes queimando. E estava curioso por mais daquelas histórias peculiares, então como todo bom jogo, ofereceu aos seus companheiro um largo relato de uma de suas viagens a Nova Zelândia enquanto desenvolvia seu mestrado em biologia comportamental, e o fato de se encontrar com pessoas com desejos exóticos, com certeza alguém se vestir de cavalo para ser cavalgado e comer feno era um tipo de realização que não se via todos os dias. Deu espaço para que os outros contassem mais sobre si, para finalmente quando as pilhas de plantas e folhas tinha se reduzido a cinzas e galhos completamente torrados, sabia que aquele momento de descontração tinha chegado ao fim. Ainda tinha um encontro marcado com Fleur e chegaria lá em grande estilo, mas teria de pelo menos tirar o cheiro de fumaça. O professor de biologia se levantou arrumando o par de lentes de grau no rosto: -- O trabalho está feito, e é sempre bom estar na companhia dos senhores, principalmente agora que sei que podemos trocar conversas tão inspiradores, temos que repetir outro dia com certeza. -- fez uma pausa, após avaliar as próprias palavras: -- Dentro de práticas legais ou o mais próximo disso! O mais alto deu uma gargalhada sonora agora pouco se preocupando se o fato atrairia a atenção de outras pessoas, afinal, tinha acabado, mas tinha sido uma tarde certamente produtiva. A base trabalhava de forma misteriosa, mas dessa vez, certamente tinha posto em seu caminho, aliados hábeis para encarar o que estava por vir. Seja lá o que fosse vir. Tamotsu
Acenou positivamente com a cabeça para Dieter quando ele mencionou que não colocaria a mão no fogo por ninguém naquela escola. Se nem o jardineiro com cara de mocinha era inocente ali, certamente poderia dizer que St. Clavier só tinha gente imprestável. Agora justificava o seu chefe lhe trazer para a escola renomada: onde mais colocariam um japonês com ficha criminal para fazer faxina, considerando o ambiente escolar? Riu alto quando Dieter disse que colocar a erva no fogo não contava como colocar a mão no fogo por ninguém. - Podem contar comigo se quiserem colocar uns meliantes no fogo. – respondeu prontamente, abrindo um sorriso largo que certamente indicava que não tinha boas intenções. As conversas que se seguiram a seguir foram engraçadas o suficiente para que o zelador quase rolasse na grama de rir, imaginando as pessoas exóticas que Dieter tinha encontrado em sua vida. Partilhou alguns contos de sua época de delinquente, especialmente das brigas épicas com as gangues rivais a beira dos barrancos (que eram bem como retratada nas novelas japonesas, exceto que todo mundo envolvido era mais feio), e uma situação engraçada de um conhecido do Tamotsu que encontrou o próprio dente quebrado no chão uma semana depois da briga original, depois de levar um sopapo. O delinquente do jardineiro também não ficava atrás. Era bom estabelecer esse tipo de relações com pessoas novas. Não tinha amigos com quem podia compartilhar aquelas histórias em Cerise sem sentir vergonha de ser um pai solteiro fichado. A despeito da situação, foi um alívio estar com os dois. Acabou aproveitando a deixa para ir embora de Dieter, e estendeu a mão para apertar a dele. - Maa, maa... só é da próxima vez chamar pruma cerveja, sensei. – falou, então se ajeitando de pé para ir trabalhar. Andou até Ciel e aproveitou para dar-lhe um par de toques na cabeça, já que ele certamente era o mais novo do grupo. – Foi bom conversar com vocês. Mas eu tenho que trabalhar também, diferente do Jacques. Até a próxima. [Pode encerrar ou só dizer que cabô, Kohai ahsuashaus] |