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[Drive] Cuidados Excessivos [Pietro; Annica] - Lil - 08-29-2021 Pietro
Os últimos dias tinham sido estressantes para Pietro num nível que ele não saberia descrever. A morte do seu avô já tinha lhe deixado em um estado de tristeza que foi apaziguado só ao retornar a Cerise e ter a companhia da namorada. Mas aquela breve sensação de alívio foi interrompida drasticamente por um acidente dentro da funerária e de um (re)encontro que lhe causou dor e pesadelos numa noite de internação muito inconveniente. Ainda assim, diante de todos os problemas, Annica tinha ido lhe visitar, ficou ao seu lado e decidiu que lhe faria companhia até mesmo em casa. Ainda estava com medo de sair do hospital, de voltar para casa e de repente encontrar com aquele homem assustador. Mais medo ainda por ter Annica ao seu lado e ele tentar fazer algo contra ela. Mas já tinha dito aquilo à namorada também, e enquanto tinha um calafrio de medo com a suposição, tinha também uma sensação de tranquilidade e calma, mesmo que breves, por ter a albina ao seu lado. Aquela sensação provavelmente foi um pouco transmitida para Annica no caminho para a casa de seu avô, enquanto estavam no banco de trás do táxi e apertava a mão dela algumas vezes para ter certeza de que ela estava ali. O caminho do hospital até sua casa não foi tão demorado, mas se pegou olhando para fora da janela mais de uma vez, com medo de avistar aquele mesmo homem em plena luz do dia. Ele não apareceu, e logo tinham pagado a corrida no táxi para descer e atravessar o pequeno jardim da casa e abrir a porta para que Annica entrasse na casa grande e silenciosa. - Está um pouco bagunçada… eu não vim muito aqui… não tive tempo de arrumar… fique à vontade. - Pietro fechou a porta atrás de si depois que Annica passou. A casa era antiga e bem iluminada pelas janelas, tinha um ar de família com várias fotos e decorações e souvenires de muitos lugares do mundo. Annica
A albina estava acostumada a ser uma pessoa cuidadosa com quem lhe era próximo, mas desde que tinha começado a namorar com Pietro, tinha sido uma sequência de novidades sobre como podia se sentir em relação a outra pessoa. Com certeza, tinha um mundo de coisas para dividir com seu psicólogo na próxima sessão de terapia. Depois de um susto enorme com a internação do moreno mais velho no hospital, principalmente pelo motivo da internação, a ida ao hospital, e todo o cenário que encontrou, a história que se seguiu da possibilidade de um irmão vindo do além para tentar “matá-lo?”, era tudo tão confuso, que dava dor de cabeça só de pensar sobre. Depois de uma noite mal dormida no hospital, lá estava Annica na casa do namorado para tomar conta dele, teria de dar várias justificativas no trabalho, já tinha dado avisos a academia feminina e ao trabalho, mas sabia que precisaria ligar, além dos avisos presenciais. Mas deixaria aquilo pra depois, naquele momento tinha de focar em tomar conta de Pietro, que mal estava conseguindo falar ainda com a garganta danificada após o estrangulamento que tinha passado. E apesar de todos os pesares, aquela era a primeira vez que estava de fato na casa do moreno, e não queria que fosse naquelas circunstâncias, mas já que estava lá, tinha de fazer valer o zelo e cuidado que queria demonstrar e efetivar com o outro: -- Eu certamente não vim para julgar sua bagunça Pietro, relaxe. -- A albina destacou em tom suave, deixou a bolsa e demais objetos em uma das mesas próximas, e apenas esperou que o mais velho se livrasse da própria bagagem para reduzir a distância entre os dois, e levar uma das mãos ao rosto de Pietro e lhe deixar com um beijo singelo e carinhoso sobre os lábios: -- Eu vim aqui cuidar de você, então apenas relaxe, e me deixe fazer isso, pode ser? -- não se afastou do mesmo, esperando que ele lhe desse uma resposta positiva. Pietro
Pietro engoliu em seco com o desconforto na garganta e só concordou com um aceno de cabeça breve quando ela disse para relaxar. Antecipou a aproximação dela até sentir o toque breve no rosto e o beijo suave nos lábios. Naqueles breves momentos, até dava para esquecer os problemas principais que estava lidando e nem o pescoço imobilizado lhe tirou a satisfação da companhia e dos toques da namorada. - Desculpe. - pediu, porque sabia que era muito natural cuidar dos outros e não se deixar cuidar. Deu espaço para que ela passasse, estendeu a mão sorrateira até a dela e enlaçou os dedos, guiando-a pela casa grande para poder mostrar alguns dos cômodos, começando pela sala de estar, cozinha, área de serviço, um quarto no andar de baixo e banheiro. Não falou sobre cada um dos cômodos para não piorar o estado da própria voz, e só quando subiram as escadas foi que mostrou outros dois quartos, uma sala pequena de estar com vista para o jardim e outro banheiro social. - É uma casa grande... e vazia. Obrigado por... me fazer companhia. Nem estava mais acostumado àquela casa. Gostava de morar num apartamento pequeno, a casa dos avós lhe trazia boas lembranças, mas agora estava vazia e cheia de fotos de família que lhe lembraram inconvenientemente do responsável pelo seu machucado. Acabou levando uma mão ao pescoço de forma inconsciente. Annica
Era fácil de perceber que apesar daquela ser a casa de Pietro, ele não se sentia necessariamente a vontade ali, mas não podia culpá-lo, a ideia de ter perdido um familiar a pouquíssimo tempo, de ter sido atacado por supostamente um familiar, fazia toda aquela dinâmica soar incômoda e estranha. Acompanhou o namorado no pequeno tour pela casa, reparando nos espaços, e como aquele lugar comportaria facilmente uma família enorme, e como tudo parecia grande e distante apenas para duas pessoas, quando ele lhe agradeceu por estar fazendo companhia a ele, a albina sorriu em resposta, mantendo os dedos entrelaçados e fazendo um aperto breve: -- Sim, é uma casa grande, mas não está mais vazia, afinal estamos aqui, não é? -- manteve-se próxima estendendo a mão até a outra de Pietro, para agora segurar as duas: -- Mas eu não vim só lhe fazer companhia, eu vim cuidar de você, isso quer dizer que eu não vou ficar só olhando enquanto perambula pela casa, entende? Você, Senhor Pietro Étienne, vai me deixar tomar conta das coisas, não vai? E vai se comportar direitinho não é? Ou eu vou ter de usar medidas drásticas? -- a albina se aproximou a ponto de encostar a ponta do nariz na do namorado, usando um tom de voz levemente maldoso, então não dava pra saber se era brincadeira, se era sério, ou apenas charme. Mas era fato, que aquele tipo de proximidade agradava Annica, primeiro, porque gostava de ficar perto de Pietro e segundo, porque ele era incrivelmente fofo quando estava desconsertado. Pietro
O pescoço imobilizado era bem inconveniente e ainda dolorido, mas o dano tinha sido muito recente, então não podia reclamar da recuperação lenta. Só depois de apresentar a casa toda a Annica foi que parou para dar uma olhada no quarto que era seu e no quarto que era dos seus avós no andar superior, e por um breve milésimo de segundo, se pegou pensando se deveria apresentar um quarto para Annica se instalar enquanto ficava ali, e o que ela iria preferir, de um jeito ou de outro, teria que organizar os quartos para que ela ficasse confortável, e isso incluía trocar a roupa de cama, varrer, abrir as janelas… Os pensamentos foram interrompidos só quando sentiu Annica lhe segurar as duas mãos, virando-se na direção dela com o reforço constante da namorada de que tinha ido ali para cuidar dele e não só lhe fazer companhia. A determinação expressiva já teria sido constrangedora, mas foi bem reforçada pela proximidade dela, a ponto de encostar o nariz no seu e lhe fazer uma ameaça bem pontual que fez com que as orelhas queimassem de constrangimento. Ele preferiu não responder em palavras, para não continuar forçando a voz. Devolveu o aperto nas mãos dela e concordou com um aceno de cabeça, aproveitando o par de alturas muito semelhantes para estender aquele toque leve entre os narizes até um selinho breve, sem invadir mais do espaço alheio. - Quer almoçar? - ele sugeriu, e com certeza não estava pensando em deixá-la fazer o almoço, a despeito de concordar em ser cuidado. Ele só estava com o pescoço dolorido, podia preparar comida, não era? Annica
Era fato que a albina se divertia com as reações exageradas do namorado diante de seus avanços, e gostava principalmente dos beijos carinhosos que o outro lhe devolvia quando queria se defender de suas investidas. Gostava daquela dinâmica, e estava feliz que ao menos momentaneamente conseguia afastar pensamentos ruins da cabeça do outro, com seus comentários pontuais. Quando o moreno mais velho sugeriu que fossem almoçar Annica acenou positivamente concordando: -- Podemos pedir comida hoje, e nos dar uma folga de cozinhar, porque ninguém merece sair do hospital e ir direto pegar no serviço doméstico. -- Comentou se afastando do namorado apenas o espaço suficiente para usar o aparelho celular: -- E falando de hospital, o senhor precisa tomar um banho, e tirar as roupas com ar de hospital, sendo que você provavelmente vai ter dificuldade de tomar banho sozinho por causa do pescoço… hmm e eu também dormir no hospital, vou precisar de um banho também. A albina comentou despretenciosa abrindo a lista de números de telefone de pedidos de delivery, até se dar conta que na frase que tinha acabado de falar tinha indicador que talvez pudesse dar banho no namorado, ou tomar banho com ele, e aquilo lhe deixou nervosa, o sangue subindo para as bochechas, ergueu o olhar para o namorado um pouco afobada: -- Ah, mas isso não quer dizer que a gente precise tomar banho junto… tipo, eu posso lhe ajudar com muitas coisas, mas não sei se seria certo, já ir direto para um banho, mas não sei se você iria precisar de tanta ajuda assim, talvez um banco já ajudasse… Ah! Desculpe! A albina ficou completamente desconcertada daquela vez e levou a mão para cobrir os lábios enquanto desviava o olhar, tinha de definitivamente tomar cuidado com as coisas que estava falando, ou aqueles dias tomando conta de Pietro virariam um campo minado de situações constrangedoras. Pietro
Pietro só concordou com um "okay" baixo quando ela sugeriu que pedissem a comida, mas qualquer tentativa de responder sumiu no topo da garganta quando ela apontou que ele precisava tomar um banho agora que tinha voltado do hospital. Bom, estava em seus planos, mas antes de concordar, ouviu as pontuações específicas sobre ele ter dificuldade de tomar banho sozinho e o comentário muito oportuno de que ela também precisava de um banho. A reação de Pietro foi só arquear as sobrancelhas ao sentir, de novo, o rosto todo queimar, assim como as orelhas. E nem se quisesse conseguiria abaixar a cabeça e desviar o olhar com o colar cervical no pescoço, mas o que não esperava era que Annica tivesse a mesma reação que ele - um pouco tardia -, com o rosto muito mais vermelho por conta da pele branca, o que só reforçou o nervosismo dela ao tentar explicar a sentença anterior. Annica tinha sido tão assertiva até então que vê-la naquele estado de nervosismo lhe deixou mais tranquilo e aliviado também. Ele acabou sorrindo do jeito afobado dela de tentar explicar que não iam tomar banho juntos. - Bom saber... que você também fica com vergonha. - Pietro comentou, o sorriso feliz com a reação da namorada, e levantou a mão até o rosto dela, aproximando-se para dar um beijo na face esquerda. - Eu vou ficar bem... você pede o almoço enquanto isso? Só preciso de ajuda pra tirar isso... e depois do banho colocar de volta, tudo bem? Annica
A albina tinha seus momentos para se enrolar, não era frequente, colocaria certamente na conta do cansaço da noite mal dormida, mas valia a pena por ver Pietro sorrindo, não imaginava que ele fosse ficar sorridente tão logo depois de sair do hospital, que bom que seu afobamento de palavras despertava um sentimento positivo no namorado. Recebeu o beijo no rosto, sentindo-o quente ainda do sangue que tinha circulado rápido ali por causa do constrangimento recente: -- Bem, você não deveria tirar o colar cervical, mas eu acredito que tomar banho com isso seja ainda mais trabalhoso e estressante. -- Ajudou o namorado a se livrar da peça, desabotoando com cuidado, e apoiando o rosto do moreno mais alto com carinho. Deixou o colar em uma mesa próxima, para que o mesmo não tivesse que se deslocar muito para chegar no mesmo: -- Você têm problemas com comida apimentada? Responda com um “hum” para positivo e “hum-hun” para negativo. Comentou de brincadeira, sabendo que o outro podia falar desde que fosse baixo, mas acharia fofo escutar o namorado falando “hum ou hum-hun”, buscou no aplicativo, procurando comidas nutritivas, e pastosas, evitando carne vermelha ou qualquer comida inflamatória, embora não houvesse qualquer restrição alimentar dada pelos médicos, estava acostumada demais a processos de recuperação, que estava buscando no automático. Sentou-se na cama do quarto, enquanto fazia o pedido, sem pensar que talvez Pietro precisasse do quarto livre para poder se trocar depois de sair do banho. Pietro
Pietro deixou que Annica tirasse o colar cervical, imaginando que se fosse meter as mãos no suporte, ia acabar fazendo algo errado e se machucando mais. Mas ela foi mais rápida em se livrar da peça e até sentiu um pouco mais de conforto com o pescoço livre - embora ainda houvesse dor desconfortável dos hematomas óbvios que tinham ficado na garganta com formato de dedos e mãos. Já ia abrir a boca para responder sobre a comida apimentada, mas ela lhe instruiu antes para limitar a sua voz. Só respondeu com "hm-hum", quase negando com a cabeça também e lembrando da dor no pescoço para evitar fazer aquilo. Ele seguiu até o banheiro enquanto Annica ia pedir a comida para o almoço dos dois. Mas só depois de entrar no chuveiro e terminar o banho foi que percebeu que tinha deixado as roupas no quarto e só tinha as toalhas que já estavam no armário do banheiro. Bom, Annica devia ter voltado para a sala para pedir a comida e esperar que chegasse, então seguiu direto para o quarto um pouco mais a frente no corredor, a toalha apenas enrolada na cintura como era costume. O que Pietro não esperava era entrar no quarto e dar de cara com a albina sentada na sua cama, olhando alguma coisa no celular. Se as orelhas e a nuca ficavam vermelhas com constrangimento, até os ombros estavam levemente avermelhados com a presença da albina ali. Mas não tinha muito o que fazer se as peças de roupa estavam lá. Ficou parado na porta, imaginando que não seria difícil chamar a atenção da namorada. - Hm... Annica? Eu preciso… trocar de roupa. Annica
A albina ficava facilmente entretida com qualquer reação do namorado, porque tinha aprendido a prestar atenção nos pormenores, afinal, muitas das reações de Pietro ficavam escondidas por trás da expressão supostamente “ameaçadora”, ouviu o “hm-hum” indicando que o maior não queria ter de lidar com ardor de comida apimentada, e se viu entretida buscando alguma massa ou comida mais fácil de mastigar e engolir. Tinha atualizado o endereço no aplicativo para a localidade onde estava antes de fato de confirmar o pedido, a última coisa que queria era que sua comida fosse enviada para o internato feminino. Estava distraída que sequer se deu conta que naquele meio tempo, era o suficiente para que Pietro tomasse seu banho e retornasse para o quarto. Ouviu a voz conhecida e ergueu o rosto em reação automática, para dar de cara com a imagem do namorado, recém saído do banho, de toalha, parcialmente molhado, plenamente envergonhado. Se fosse possível, todo o sangue tinha no corpo teria subido para seu rosto que assumiu um tom vermelho exagerado, devido a tez naturalmente pálida, abriu a boca para responder qualquer coisa mas a voz não saiu. Estava num misto de deslumbramento e constrangimento, que sequer conseguiu arrumar alguma frase imediatamente para responder Pietro, apenas após alguns segundos que se levantou de solavanco, desviando o olhar, levando a mão com celular ao peito: -- erh… Desculpe por isso, já vou sair. -- A Albina deu espaço para que o maior pudesse transitar no próprio quarto, em outros momentos jamais ficaria assim com alguma outra aluna de Limoges pega saindo do banho, mas a situação e o sentimento eram completamente diferentes em se tratando de Peitro: -- Assim que terminar de se vestir me chame para por o colar de volta. -- comentou antes de fato, de sair do quarto e finalmente deixar Pietro sozinho, e ter tempo para respirar e entender o que tinha acontecido. Era uma mulher adulta de 21 anos, e embora já tivesse tido vários tipos de experiências sensuais e sexuais, fazia um bom tempo desde a última vez que tinha se sentido tão constrangida e agitada. Estava tão certa que precisava ajudar Pietro no seu dia a dia dentro de cada que jamais teria previsto que passaria por esse tipo de situações, e que isso mexeria tanto consigo. Seriam longos dias naquela casa, disso já podia vislumbrar. Pietro
O dia estava sendo bem inédito, Annica lhe encarou de volta e enquanto esperava que ela tivesse a mesma atitude mais direta de antes, que já conhecia, a albina lhe surpreendeu ficando muito mais vermelha do que tinha ficado com as palavras trocadas ao falar de tomarem banho juntos. Ficou surpreso com o constrangimento e acabou sorrindo compreensivo, levando uma mão para cobrir os lábios e o rosto parcialmente, dando um passo para o lado para deixar que a namorada saísse do quarto sem ter que lhe ver mais diretamente ou passar muito perto. Até sentia o rosto queimar, mas a novidade das reações de Annica lhe deixavam mais agradado, senão ainda mais atraído pela jovem. Ia fechar a porta depois dela passar, mas ainda ouviu a indicação para que a chamasse para ajudar com o colar cervical e respondeu com um “Hm” positivo, já que era o que ela tinha lhe instruído. Quando ela deixou o quarto, foi procurar uma roupa e inconscientemente, escolheu uma camisa de mangas compridas com uma estampa de elefante, calça de moletom e sandálias, peças que podiam ser um pouco quentes, mas que pelo menos esconderia seu corpo todo. Deixou a toalha em volta do pescoço, os gestos para vestir a roupa já tinham incomodado o lugar, mas ao menos a toalha escondia um pouco das marcas roxas na área. Desceu as escadas para encontrar Annica na sala de estar daquela vez. - Desculpe… eu tinha esquecido as roupas no quarto… não tinha… intenção… - ele apontou para o quarto como se tentasse justificar aparecer lá só de toalha. Só precisava colocar o colar cervical de volta e esperarem pelo almoço. Annica
Tinha muita coisa nova acontecendo ali, e precisou descer as escadas para retornar até a sala e tomar um fôlego, nem se reconhecia naquele misto de nervosismos, era tão natural viver em um dormitório onde eventualmente você entrava no quarto e alguém e pegava a pessoa de toalha pronta pra se vestir, que não estava mais acostumada a dinâmica de uma casa convencional. Sentiu o celular vibrar na mão com a mensagem de aviso do aplicativo indicando que a comida tinha saído para entrega e suspirou guardando o aparelho no bolso da saia; levou a mão livre ao peito, ainda sentindo o coração acelerado, imaginava que o rosto ainda deveria estar corado, e se pegou olhando em volta ao ver sua imagem refletida no vidro de um dos quadros da casa. Naquele momento que tinha percebido como aquela casa era bem tradicional, vários quadros espalhados por todo o lugar. Era estranho pensar que aquilo era comum, mas que era tão estranho para si, já que a disforia corporal não lhe deixava encarar fotos suas antigas, por isso era praticamente impossível achar alguma imagem sua de quando era menor. A albina levou a mão de dedos longos até um dos porta retratos da casa, trazendo a imagem para mais perto de si, e era notório como a expressão fechada acompanhava Pietro desde a infância, mas isso não o tornava uma criança feia, muito pelo contrário, imaginava que ele deveria ser tão fácil de deixar constrangido como atualmente, ou até mais. Pensar sobre a família de Pietro, seus pais que não estavam ali, o avô que tinha falecido recentemente, e o suposto irmão vindo do além, apenas tornavam olhar todos aqueles quadros um conjunto de recortes felizes porém melancólicos. Era uma casa muito grande para os dois, quem dirá para apenas Pietro, sozinho, não devia ser nada agradável ficar ali por muito tempo. Enquanto estava perdida em pensamentos, os sons de passos descendo as escadas chamaram sua atenção e Annica virou-se em direção ao namorado que vinha agora, bem vestido em sua ilustra estampa de elefantes. Ouviu as explicações e sorriu, em um misto de compreensão e leve constrangimento diante do que tinha acontecido minutos atrás, devolveu o porta-retrato a posição em que estava: -- Eu é que tenho de me desculpar, se pensar, eu moro nos dormitórios de Limoges-Collet desde os dezesseis anos, e nós moramos nos nossos quartos, então pra mim, era apenas natural esperar sentada na cama, não quis ser invasiva e lhe deixar sem privacidade para se trocar pos banho. -- Comentou em seu tom mais confiante, embora o rosto ainda avermelhado não mentisse o constrangimento. Se adiantou para próximo de Pietro, porque tinha prometido que colocaria o colar cervical de volta, guiou ambas as mãos até o rosto do namorado acariciando a área, e afastou a toalha do pescoço do outro apenas o suficiente para espiar o estrago, e então o encarou com seus olhos lilases: -- vai ter de ficar um tempinho ainda com o colar cervical, mas lhe dou folga pra comer antes de recolocar a peça. Não demorou tanto, para que a campainha da porta soou, e o Annica se adiantou em checar no celular o aviso do aplicativo, e só então se direcionar até a porta, tinha pedido massa italiana, porque acreditava ser fácil o suficiente para o namorado comer, e era totalmente diferente de comida de hospital. Não se importou de dividir o valor da compra, não se importaria de pagar o valor todo, mas preferia evitar conflitos por detalhes pequenos. Pietro
Pietro fez um "hm" em concordância quando Annica explicou a situação e como ela estava acostumada a convivência em quartos bem limitados nos dormitórios. Até notou que ela estivera olhando um dos porta-retratos da casa e queria ter a oportunidade de falar um pouco dos pais, mas não tinha como entrar em longas conversas no estado em que estava. Ainda sentia a dor no pescoço e sabia que ia demorar a melhorar, mas ficou mais satisfeito quando ela disse que esperaria até depois do almoço para colocar o colar cervical de novo. Logo a comida chegou, ele dividiu o valor com Annica e ainda foi automaticamente colocar a mesa, pegar os pratos e talheres nos armários que já estava acostumado a usar, o movimento de erguer e baixar a cabeça sempre lhe alertando para o pescoço sem suporte. Claro que ainda recebeu algumas notas de reprovação de Annica pela disposição em fazer tudo dentro de casa, mas eventualmente deixou que a namorada tomasse conta das coisas. Foi mais fácil comer a massa, ao menos tinha mais sabor do que a comida do hospital, mas ainda sentia a garganta arranhar em cada movimento simples de engolir. Lentamente, conseguiu terminar o almoço e embora não pudesse falar muita coisa, gostava de ouvir Annica falando sobre o trabalho ou os estudos, e respondia no limite do que sua voz permitia. Seu vocabulário de "hums" estava ficando mais amplo à medida que o tempo passava. Assim que o almoço terminou, tentou lavar os pratos também, no que recebeu uma bela repreensão da albina para que fosse descansar. Quando ela terminou de arrumar a cozinha - a seu contragosto -, os dois resolveram parar na sala e assistir alguma coisa na TV. Logo, o pescoço paralisado pelo colar cervical era a menor das preocupações de Pietro, só o fato de estar a tarde toda na companhia da namorada lhe enchia de uma sensação de felicidade e alívio que o fez até esquecer da possibilidade de serem atacados por aquele maluco que se dizia seu irmão. Com o cair da noite, jantaram sopa, o que foi muito mais agradável para Pietro e a garganta que não arranhava tanto com o líquido morno, e só depois do jantar foi que ele subiu as escadas na companhia de Annica para indicar onde havia roupa de cama e travesseiros no quarto que costumava ser seu e onde a albina tinha lhe visto acidentalmente só de toalha mais cedo naquele dia. - Você pode dormir aqui, era o meu quarto quando eu morava com os meus avós, não mudou muita coisa... se... não se importar. - ele explicou a Annica, depois de pegar uns cobertores novos no guarda-roupa. - Eu vou dormir no quarto do meu avô, fica logo no final do corredor... A possibilidade de dormir no mesmo quarto que Annica até perpassou sua cabeça por um segundo, mas logo a cena de mais cedo voltou à memória também e além do fato de que estavam namorando há muito pouco tempo, aquela devia ser a melhor escolha. Annica
Quando a albina tinha se proposto em tomar conta do namorado, não tinha pensado nem em metade das situações que passariam juntos ali, estava cheia de preocupação com o moreno e queria ajudá-lo de todas as formas. Mas era uma novidade atrás da outra, jamais teria imaginado que Pietro era uma pessoa tão difícil de manter sentada descansando, ele estava tão acostumado a vida de solteiro sozinho, que simplesmente ia fazendo as coisas no modo quase automático, e tinha de ir repreendendo ele para que fosse descansar ao invés de ficar se desgastando com serviço doméstico trivial. Mas com certeza, a melhor parte de dividir a casa apenas com Pietro, era poder passar tempo na companhia do namorado, e vê-lo então descansar e parecer mais relaxado. Ter aquela percepção do outro, até deixava a albina mais tranquila também, e se certificou de encher o moreno mais velho de mimos, beijinhos, afagos e muito carinho que toda pessoa doente em recuperação precisa receber. Finalmente de noite, depois de jantar, e de conversar bastante, já que tinha bastante espaço pra falar, afinal, reduzido a “hns” como resposta, Pietro não tinha muita coisa pra acrescentar, mas com certeza era um ouvinte dedicado. Finalmente depois de arrumar a cozinha, a albina sentia o cansaço da noite mal dormida no hospital lhe abater. Ouviu as instruções do namorado, e em verdade, queria se sentir mais confortável pra dormir ao lado do outro, se o cenário fosse outro, podiam estar conversando sobre algumas coisas mais íntimas e importantes e então chegar naquele momento de dormirem junto de forma mais confortável. Mas por agora, tinha de focar em dormir bem, descansar, para encarar a rotina do outro dia: -- Não se preocupe comigo Pietro, eu vou dormir no seu antigo quarto, e deixa-lo dormir sozinho, assim você se preocupa menos com os movimentos do próprio corpo, e pode descansar melhor acredito. Foi uma noite longa no hospital. -- a albina levou a mão ao rosto do moreno mais alto, e se aproximou para depositar um beijo carinhoso no rosto do outro, seguido de um selinho: -- tente descansar, e qualquer coisa me chame. Boa noite amor. Claro que não queria que ele gritasse, ele poderia mandar uma mensagem por telefone, e isso seria o suficiente para acordar a albina, por ser um lugar estranho o sono com certeza seria leve. Se despediu do moreno mais velho, para enfim, poder tomar um banho, tomar seus remédios da noite que nem tinha se atentado a tomar na noite passada, muito provavelmente a fadiga física excessiva era por isso também. A albina entrançou o cabelo longo para facilitar o cuidado com ele no outro dia, tomou os devidos cuidados com a pele alva, e guardou as lentes de contato, foi dormir com um conjunto de short e camisa longa de mangas confortável. Se certificou que o celular estava carregado e não estava no silencioso para receber mensagens de Pietro. Ainda tomou tempo trocando mensagens com amigas de Limoges explicando como estava, com os próprios pais que estavam curiosos sobre o andamento das coisas, gastou algum tempo, mas logo o cansaço lhe venceu, e deixou o aparelho de lado para poder dormir. Embora o quarto não fosse o seu, e fizesse muito tempo que Pietro o tinha usado, tinha plena certeza que podia sentir o cheiro dele nas cobertas, e em outros tempos a ideia de dividir cama com outro homem lhe assustava, agora a ideia de dividir espaço com seu atual namorado lhe deixava em misto de vergonha e expectativa. Com certeza teria muitas coisas novas para conversar com seu terapeuta, eram muitas novidades sobre si mesma que estava vivenciando em um espaço curto de tempo, tudo isso devido a relação com Pietro. Pietro
De novo, Pietro retornou a responder a Annica com alguns "hm" de concordância sobre os locais em que iam dormir. Fechou os olhos ao sentir o beijo no rosto e no selinho ao mesmo tempo, mas ficou ainda mais surpreso com o jeito carinhoso que ela lhe chamou e agradeceu que já estava suficientemente escuro para que ela não visse o rosto absolutamente vermelho com aquela declaração. Seguiu até o quarto no final do corredor e embora não estivesse exatamente com sono, precisava descansar, só a manhã no hospital tinha sido exaustiva e a dor constante no pescoço deveria ser amenizada com uma boa noite de sono. Pietro não se importou de fechar a porta ao passar, a casa toda já estava fechada e as luzes apagadas, apenas com a luz do corredor no primeiro andar caso Annica precisasse de algo na casa que ela desconhecia. Arrumou uma pilha de travesseiros na cabeceira da cama porque era a recomendação que tinha recebido para dormir com o colar cervical, ou aquilo numa cama, ou numa poltrona - o que não tinha de muito confortável na casa para passar uma noite de sono. Mas a noite que ele esperava que fosse tranquila depois de toda a tarde feliz com Annica não foi tão boa quanto esperava. O sono leve só anunciou o cansaço e não soube quantas horas se passaram até ser tomado pela mesma sensação de medo da noite anterior, as cenas muito vívidas de pesadelos que envolviam sangue, violência e mortes e nem eram do homem que mais recentemente tinha lhe atacado. O corpo reagiu naturalmente, a resposta em meio ao desespero foi a tensão que se espalhou por todos os músculos do corpo, a dor intensificada no pescoço já machucado e a necessidade de gritar como se só aquilo fosse capaz de lhe tirar do estado de paralisia em que estava entre o sono e a consciência. Mesmo com os olhos abertos, Pietro não parecia capaz de enxergar o teto do próprio quarto, a respiração estava descompassada e os gritos de medo saíram falhos pela voz já danificada. Era como se estivesse preso e mais vulnerável do que quando sentiu a mão daquele homem lhe enforcando até tirar o ar. Annica
A albina não demorou para cair num sono profundo, normalmente não sonhava com nada, mas o fato de estar dormindo em um lugar estranho, lhe fazia prestar mais atenção nos sons estranhos, fosse o vento chacoalhando, ou um tic tac de relógio de parede que invadia seu sono. No entanto, um grito lhe jogou de volta ao mundo dos despertos, o susto foi tão forte que Annica acordou quase de um pulo na própria cama. Os gritos não cessaram imediatamente, e então a realização de que Pietro pudesse estar sendo atacado fez com que a albina disparasse na direção do quarto do moreno, embora não fosse do tipo de pessoa atlética ou que oferecesse alguma proteção física, o impulso imediato foi de correr através do corredor parcamente iluminado da casa grande, até o quarto onde o namorado estava. Os olhos lilases logo buscaram a figura de Pietro que estava só, no próprio quarto, mas ainda em completo pânico, não sabia o que estava acontecendo ou o que tinha dado gatilho para aquele ataque. Logo a albina buscou o interruptor do abaju junto a cama para tirar o quarto das sombras escuras e revelar sua presença naquele espaço, inclinou-se para ficar no campo de visão de Pietro e guiou a mão até o ombro do mais alto.: — Pietro! sou eu…! A Anni, calma! Foi um pesadelo…! está tudo bem… estamos só eu e você aqui. Annica levou a outra mão até o rosto do namorado, para que ele a encarasse, e saísse do estado de pânico. Já tinha lidado com calouras sonâmbulas e assustadas, mas nunca com uma crise de pânico noturno como aquela, a albina estava nervosa e apreensiva, mas engoliu todos os sentimentos de dúvida sobre o que fazer e agiu ali,sua prioridade ali, naquele momento era acalmar o moreno mais velho. Depois, com tempo ligaria para seus pais pra perguntar como proceder com esse tipo de situação. RE: [Drive] Cuidados Excessivos [Pietro; Annica] - Lil - 08-29-2021 Pietro
A sensação de invalidez pareceu tomar conta do corpo todo de Pietro. Mesmo que tivesse consciência que podia se mover, que seus pés e braços funcionavam muito bem, não consegui fazê-lo ainda preso ao estado de terror que o pesadelo tinha lhe trazido, numa sensação muito mais intensa do que se tivesse sido só fruto da sua mente. Em algum lugar, sabia que era mais do que apenas um sonho e aquilo lhe deixava aterrorizado. Mesmo quando Annica se aproximou, e acendeu a luz ao seu lado, ele não viu a iluminação no quarto e a voz preocupada de Annica parecia sumir em meio aos gritos de suas lembranças. A tentativa de gritar só fez com que sua garganta machucada doesse mais e as lágrimas se formaram no canto dos olhos com a dor intensa, o ar começando a faltar. Ele sentiu o toque no ombro e depois no rosto, mas os poucos segundos até conseguir se mover e levar uma mão até a da albina pareceram minutos e até horas. Quando alcançou a mão de Annica no ombro, colocou um pouco mais de força do que pretendia e por um instante foi como se precisasse da segurança de uma mão amiga para lhe puxar de volta para a realidade. Num movimento súbito, como se tivesse empregado a força de cada um dos seus músculos, Pietro sentou-se na cama, os olhos conseguindo finalmente focar o ambiente ao seu redor mesmo que de forma muito embaçada, tirando-o do cenário assustador do pesadelo em que estava que pareceu se dissipar tão rápido quanto surgiu em sua memória. O corpo inteiro estava trêmulo, o suor escorria pelo rosto e se misturava às lágrimas de dor, o coração acelerado só não parecia ainda mais rápido do que a respiração falha e descompassada. Ele soltou a mão de Annica sem ao menos perceber o gesto e levou ambas as mãos até o colar cervical, quase desesperado para tirar o objeto que impedia seus movimentos. Annica
A albina assistiu todas as reações de terror nos gesto do moreno mais velho, e por mais que quisesse imaginar que aquilo tudo fosse apenas o susto de ter sido atacado por alguém recentemente, as expressões de Pietro, o choro, o som da garganta arranhando, tudo aquilo lhe parecia tão injusto de estar acontecendo, justo com Pietro, que não fazia mal a absolutamente ninguém. Segurou a mão do namorado em retorno a urgência que ele lhe segurava, e o ajudou a se sentar quando ele mesmo fez menção do esforço: -- Pietro! Você me escuta? Annica falou em tom pausado, olhando nos olhos do namorado, tão logo, ele começou a se mover no intuito de tirar o colar cervical, a albina o ajudou a tirar o objeto, que certamente estava incomodando mais que ajudando. Aproveitou que estava com as mãos próximas, e depois de afastar o objeto de Pietro, o acariciou na região do pescoço com a ponta dos dedos, de forma delicada e gentil, fazendo caminho até a base do maxilar, segurando o rosto do mais velho com a palma das mãos, guiando o olhar do mesmo para que lhe encarasse: -- Estamos a sós aqui, ninguém vai te machucar! Você está seguro, entende? Seguro! A albina reafirmou que estava tudo bem, e esperava que suas palavras tirassem Pietro do estado de pânico e alerta que se encontrava. Tinha vontade de chorar, mas não o fez, tentou manter a expressão o mais calma possível, para não reforçar a sensação de medo que o outro já carregava após o pesadelo. Não sabia quem era a pessoa que tinha machucado Pietro daquela forma, mas certamente não a perdoaria, jamais por jogar o moreno mais velho em noites de pânico e medo como aquela que estava vivenciando. Pietro
A primeira coisa da qual Pietro teve consciência depois de despertar muito forçadamente do seu estado de pânico foi o toque de Annica diretamente no seu pescoço, a ponta dos dedos frios que contrastava com o calor do próprio corpo diante daquela experiência mentalmente exaustiva. Do momento em que ele soltou a mão da namorada, até se livrar do colar cervical, todos os gestos e palavras de Annica ainda pareciam coisas bem indistintas ao seu redor, onde ele era incapaz de distinguir a presença dela. Mas o toque cuidadoso e a carícia leve o trouxe rapidamente de volta ao próprio quarto, o olhar se voltando na direção da namorada para encará-la com mais nitidez agora, a ponto de notar finalmente a expressão de preocupação e o tom intenso das palavras dela para tentar lhe garantir que estava seguro e que ninguém lhe machucaria. As respostas de Pietro ainda foram um tanto lentas. Primeiro ele encarou a namorada de volta e processou as palavras dela aos poucos, sentiu a própria respiração e os batimentos cardíacos voltando ao normal e os tremores diminuindo, enquanto o corpo ainda parecia muito quente e o suor escorria pela testa. Levantou uma mão para pousar sobre a da albina que estava em seu rosto, colocando um aperto muito fraco ali. - Annica... - a voz dele saiu num sussurro. - Você... está aqui... - Pietro soltou um longo suspiro entre os lábios, e deixou o corpo todo relaxar de uma vez. A mão que estava sobre a dela, ele estendeu para buscar a cintura da namorada, envolvendo-a com os dois braços e curvando o rosto até apoiá-lo na curva do ombro de Annica. - Desculpe… - ele sequer sabia pelo que estava se desculpando, mas sentiu a necessidade, mantendo os braços firmes em volta da albina como se fosse o seu porto seguro. Annica
O corpo todo da albina estava mais frio do que o costumeiro, o susto de encontrar o namorado em pânico, somado ao fato de que não podia expor o seu próprio nervosismo roubou a temperatura de seu corpo. E talvez por isso, que sentisse Pietro febril em suas mãos, como se todo o corpo dele estivesse quente em reação ao estado de urgência que se encontrava. A demora para que ele processasse que estava acordado em um lugar seguro era entendível, e no lado racional de sua mente, Annica entendia, mas por outro lado, seu aspecto passional ficava ansioso, para que o moreno de fato voltasse ao normal, e percebesse sua presença ali. Tão logo ouviu dos lábios de Pietro o som baixo da voz arranhada dizendo seu nome, sentiu os braços do mais velho envolverem sua cintura, e a respiração pesada em contraste com seu corpo. A albina suspirou de alívio por ele ter lhe reconhecido e retribuiu o abraço, beijando os fios escuros de Pietro e roçando o rosto ali num gesto de carinho: -- Sou eu, sua Annica, estou aqui, sim! -- reafirmou todas as informações, em tom baixo e pausado: -- E não precisa se desculpar, eu vim aqui pra cuidar de você, e é isso que estou fazendo agora. -- as mãos de dedos longos deslizaram pelas costa de Pietro, acariciando para que ele se acalmasse e percebesse que estava de fato, recebendo carinho, atenção, e que principalmente, se sentisse seguro ali, entre seus braços: -- Eu não vou sair do seu lado, vou ficar bem aqui, o tempo que você precisar. -- A albina afastou-se apenas o suficiente para poder encarar Pietro naquela curta distância e afastar os fios úmidos de suor, do rosto do namorado, beijando-lhe na testa demoradamente: -- Eu te amo Pietro, e eu vou cuidar de você, não vou deixar ninguém lhe fazer mal. Pode ter certeza disso. Pietro
Com o corpo mais relaxado depois do momento de susto, Pietro sentiu a mente pesar também. Talvez fosse o pouco descanso, toda a tensão no corpo naquele momento de pavor, ou o estresse dos últimos dias, mas se sentia completamente exausto. Mal conseguia manter os olhos abertos e provavelmente era uma coisa boa que ainda estava cansado para voltar a dormir, porque com o corpo quente, não foi capaz de sentir a dor que já estava começando a se espalhar pelos músculos e principalmente pelo pescoço depois dos movimentos súbitos. Agora conseguia ouvir a voz de Annica com muito mais clareza, e o corpo dela junto ao seu, as batidas aceleradas - que ele já não sabia distinguir se eram suas ou da albina - a pele fria em contraste com o calor da sua… tudo parecia lhe acalmar ainda mais, porque tinha a certeza de que não estava sozinho e que era alguém com quem queria estar. Ele sorriu fracamente ao ouvir a resposta dela, e mal assimilou o que veio a seguir, comentando em voz baixa, ainda com a cabeça apoiada na curva do ombro dela. - Você disse… “sua” Annica. - ele repetiu, como se precisasse confirmar que não era um sonho, e apertou um pouco mais os braços em volta dela, com uma satisfação renovada em contraste com o susto de instantes atrás. As mãos dela acariciando suas costas fizeram com que o corpo cedesse ainda mais a sensação de alívio. - Isso é bom… minha Anni… Mais um par de minutos, e Pietro teria conseguido voltar a dormir ali mesmo, apoiado no ombro da namorada. Mas foi ela que lhe afastou e a encarou de volta, a visão ainda um pouco turva no quarto pouco iluminado, mas plenamente capaz de distinguir as feições alheias. Ele deixou outro sorriso fraco escapar quando ela lhe beijou a testa, de novo, a sensação de relaxamento em contraste com o susto e a tensão anterior. - Eu também te amo, Annica… - ele devolveu, piscando os olhos longamente. - Hmmm, dorme comigo hoje? Annica
Em outros momentos até sentiria vergonha das palavras que tinha dito, mas não agora, naquele ponto, onde sentia em seus braços Pietro ainda se recobrando do susto, e lhe falando em tom baixo, tinha plena certeza que o amava e que queria ele bem, urgentemente. Nem em seus devaneios mais ambiciosos, teria se imaginado em um relacionamento com um homem, e que ainda por cima estaria cuidando dele daquela forma. Mas não tinha dúvidas, sabia que queria estar ali, e sabia que queria estar com Pietro. A albina sorriu em resposta a declaração do namorado, e principalmente pelo pedido que veio a seguir, para que dormissem juntos, esse era seu desejo inicial, mas seus limites pessoais não tinham permitido que cedesse a essa vontade intrínseca que tinha, foi necessário passar por um susto para que todas as dúvidas fossem lavadas e ficasse apenas o sentimento de que queria ficar perto dele o quanto de tempo pudesse: -- Claro, durmo sim, de manhã eu quero ser a primeira pessoa que você vai ver, pra você ter certeza que eu vou sempre vou estar aqui por você. -- Annica, passou os dedos pelos fios escuros de Pietro acariciando-o e depositou um beijo singelo sobre os lábios de Pietro, como se aquilo selar a promessa que tinha feito; Em seguida, ajudou o mais velho a se ajustar na cama, tomando cuidado de por os travesseiros em uma posição que ele conseguisse ficar mesmo sem o colar cervical. Feito isto, se acomodou debaixo das cobertas que pareciam tão febris quanto o próprio Pietro, mas estava começando a entender aquele calor todo como algo positivo, jamais estivera dividindo a cama com outro homem. Tinha vagas lembranças do seu pai próximo de si, ou de seu irmão mais velho, mas nada que sequer fosse digno de nota, e que nem poderia ser comparado a forma como se sentia naquele momento. Annica se aninhou bem ao lado de Pietro, um pouco receosa do abraço incomodar o namorado ao invés de ajudá-lo a descansar, mas sabia que tanto ela, quanto principalmente ele, precisavam daquela proximidade. A albina pra saber que podia dormir e que Pietro estava bem ao alcance de sua mão, e por isso não precisava imaginar cenários de alguém vindo atacá-los durante a noite. Da mesma forma, supunha, que Pietro necessitava daquela proximidade e afeto: -- Boa noite Pietro. Pietro
Pietro sorriu de novo, mais satisfeito com a resposta da namorada que queria ser a primeira pessoa que ele visse ao acordar. Aproveitou o beijo breve nos lábios, mas acabou sem responder, voltando a deitar na cama com os travesseiros agora bem arrumados por Annica. Queria ter dormido voltado na direção de Annica, mas o incômodo no pescoço só lhe permitia dormir de barriga para cima. Mas ele ficou muito mais satisfeito quando ela se aproximou, apoiando-se perto do seu braço e procurou a mão dela sob as cobertas para entrelaçar os dedos. Fechou os olhos e se deixou levar pelo sono, respondendo o "boa noite" dela num fio de voz. Ele voltou a dormir enquanto o corpo ainda não tinha processado as informações do que acabara de acontecer. Mas ao menos o sono foi um pouco mais tranquilo, sem as crises de pânico, embora ainda ficasse inquieto na cama vez ou outra por ter alguns pesadelos indistintos. Nada foi suficiente para lhe acordar, mas a dor que acabou se tornando mais pontual à medida que as horas passavam, deixou o sono muito mais desconfortável. Ele nem considerou tomar alguma medicação para relaxar os músculos, e todas as vezes que abriu os olhos no meio da noite, só encarou uma Annica adormecida ao seu lado, se esforçando para não perturbar o sono dela. No fim da madrugada, Pietro ainda conseguiu uma boa hora de sono, mas quando acordou, até antes do sol ter nascido, só sentiu a dor no corpo todo mais intensa, assim como no pescoço, com o esforço da noite. A despeito da dor que estava sentindo, a primeira reação que teve foi de sorrir ao virar o rosto para o lado e encarar uma Annica dormindo tranquila. Ele tentou não acordá-la, e tentou sentar na cama, fazendo uma careta de dor no processo. Precisava de medicação, um banho, colocar o colar cervical de novo e preparar o café da manhã. Talvez pudesse fazer aquilo antes de Annica acordar. Annica
Embora quisesse dizer que o sono foi tranquilo e profundo, não foi exatamente como ocorreu, estava sim, satisfeita de poder dividir uma cama com seu namorado, e poder dar-lhe apoio em um momento de fragilidade. No entanto, a medida que a noite transcorria qualquer mínimo movimento de Pietro, chamava a atenção de Annica, tirando-a do estado de sono profundo. Apenas quando já era claro do dia, foi quando conseguiu dormir um pouco mais profundamente, porém, tão logo sentiu o cansaço lhe acometer, notou a movimentação na cama, inicialmente como uma coisa mais distante, mas logo se despertou ao fato que Pietro poderia está tendo outro pesadelo ou incomodado. Ergueu o rosto, e estreitou a visão, para se deparar com um Pietro recém acordado, com um rosto tão amassado quanto o seu próprio estaria. Envolveu o moreno mais velho em um abraço, chamando a atenção para o fato de que tinha acordado, mas ao invés de se levantar imediatamente, a albina ainda tomou tempo, para repousar o rosto contra o peito de Pietro, e bocejar ali, de quem estava com preguiça de levantar imediatamente: -- Bom dia…! -- comentou num sopro baixo. Imaginou que o outro tinha levantado também pelo incômodo de estar dormindo sem o colar cervical, se bem lembrava ele tinha medicação para tomar de manhã ainda, então de todo jeito teria de levantar. Ainda assim a albina aproveitou da pouca distância entre os dois, para manter aquele abraço carinhoso: -- conseguiu descansar alguma coisa? Pietro
Pietro esqueceu o que pretendia fazer ao sentir o abraço de Annica e observar a namorada pousar o rosto em seu peito. Passou a mão pelos cabelos claros, curvando-se brevemente para beijar o topo da cabeça dela e a despeito do incômodo no pescoço, aproveitou o toque e a proximidade. - Bom dia... - respondeu, num tom mais rouco do que no dia anterior, a garganta arranhando mais também, provavelmente pelos gritos forçados da noite anterior e os movimentos bruscos. - Um pouco... melhor com você aqui. E você? Desculpe atrapalhar seu sono... Pietro voltou a se deitar, sentindo a dor se espalhar pelo corpo de novo. Mas não soltou o abraço de Annica, ao contrário, aproveitando a posição mais confortável para mantê-la próxima a si, com a cabeça apoiada em seu peito e os braços em volta dela também, com os dedos acariciando os cabelos dela. - Eu vou preparar o café da manhã... por que não dorme um pouco mais? - ele ofereceu, imaginando que dormindo ao seu lado, no estado em que estava, Annica devia ter tido uma péssima noite de sono também. - Do que você gosta de comer no café? Annica
A albina permaneceu bem deitada junto ao namorado com a cabeça apoiada ali, aceitando o carinho nos fios compridos, quando ouviu o outro pedir desculpas sem a necessidade delas, acenou negativamente, como se não houvesse a necessidade das mesmas. Em seguida ergueu parcialmente o corpo para ficar na mesma linha de visão que Pietro, sabia que se dependesse do moreno, seria apenas mimada, enquanto ele tomava conta das coisas, já tinha observado esse lado dele proativo com crianças. Mas tinha ido até ali para muito mais do que fazer companhia, tinha ido ali para cuidar do outro, aproximou os rostos para encostar a ponta do nariz na do namorado fazendo um carinho singelo: -- eu dormir o suficiente, não dormiria muito mais mesmo que eu quisesse, por causa dos horários do internato, eu sempre levanto muito cedo. -- atestou aquele ponto, para que o moreno mais velho não insistisse para que dormisse mais: -- e eu gosto de muitas coisas no café da manhã, mas acima de tudo isso, eu gosto mais de você Pietro, por isso, antes de ir fazer qualquer outra coisa, tome seus remédios e coloque o colar de volta, por favor. -- tentou aliviar seu tom mandão costumeiro, para um mais carinhoso, e adicionou o pedido para que quem sabe convencer ele a cuidar de si primeiro antes de descer e começar a cuidar da casa. Apoiou as duas mãos em torno do rosto do namorado, que ainda estava despenteado e com a cara amassada da noite mal dormida, mas para a albina ele parecia plenamente maravilhoso, como o amor era engraçado nessas horas. Sorriu amistosa e depositou um beijo na testa do namorado, depois descendo para o rosto, e depois o nariz e por último sobre os lábios, tudo com muito carinho e zelo, e por fim acrescentou novamente ao seu pedido: -- por favorzinho...!? Pietro
Pietro quase sorriu quando ela disse que tinha dormido o suficiente, considerando que a noite dos dois tinha sido bem conturbada. Mas pelo visto, tanto ela quanto ele estavam acostumados a uma manhã muito cedo por conta tanto da academia quanto do trabalho. Daquela vez, não teve como evitar ficar com o rosto extremamente vermelho quando a namorada disse que gostava mais dele do que das coisas no café da manhã, embora não tivesse onde se esconder. Nem conseguiu responder de imediato com o constrangimento da resposta dela, mas logo Annica se aproximou, segurando-lhe o rosto com cuidado e beijando a testa, o rosto, o nariz e os lábios, o que trouxe uma sensação inteira de relaxamento e alívio com a companhia. Passou os braços em volta da cintura da namorada, devolvendo o beijo leve nos lábios. - Certo, vou fazer isso primeiro. - ele concordou, mas não fez o menor esforço para sair da cama e da companhia de Annica. - Talvez em alguns minutos... Ele sorriu, deixando o corpo escorregar um pouco na cama numa posição mais confortável, mantendo Annica próxima a si e fechando os olhos para descansar mais uns minutos. E só depois de alguns longos minutos a mais de descanso foi que ele decidiu levantar, para ir tomar um banho rápido, tomar os remédios e recolocar o colar cervical antes de sequer pensar em preparar alguma coisa para o café da manhã. Annica
Para Annica aquele era o melhor cenário, seu namorado sorrindo para si, daquele jeito confortável de quem sabia que era amado, e esse era o ponto que queria chegar, para afastar a sombra dos acontecimentos ruins dos últimos dias. Apreciou da companhia de Pietro, mantendo o abraço em torno do corpo masculino do outro, e se pegou pensando em como aquilo tudo seria surreal para o seu eu de meses atrás. Era bom saber que tinha conseguido fazer alguma mudança na vida do homem que abraçava, mas era ainda mais interessante perceber as mudanças que tinham ocorrido em si mesma depois de começar a se relacionar com ele. Ainda tinha tanta coisa pra falar e contar e dividir, e agora se sentia menos medrosa em fazer aquelas coisas. Saiu do seu momento de contemplação quando o namorado finalmente se levantou para ir tomar banho e finalmente descer pra ir arrumar o café da manhã. Fez o mesmo, indo até o quarto onde estavam suas coisas e organizando suas roupas, respondendo mensagens no telefone até finalmente ir tomar banho, e buscou uma roupa confortável, em um vestido florido, em tom de rosa pastel que ia até pouco acima dos joelhos, pôs uma meia calça preta, e arrumou os longos fios claros em um rabo de cavalo, deixando. Área da nuca, pescoço e colo mais evidente. Lembrou apenas de pegar seus remédios para tomar, após comer algo, não podia tomá-los em jejum. Desceu as escadas ainda em tempo de chegar a cozinha antes de Pietro, e deixou o estojo igualmente florido com os medicamentos sobre a mesa do balcão, não deveria sair vasculhando a casa alheia, mas se pegou curiosa com o espaço e com as coisas, se pegou pensando que logo aprenderia onde estava cada coisa e quem sabe também, logo sentiria como se o espaço também fosse sua casa. Era algo inédito de pensar com certeza. Pietro
As dores no corpo só iriam diminuir com o efeito dos analgésicos, ainda mais depois da noite conturbada. Mas Pietro seguiu com a rotina como tinha dito a Annica: tomou banho e colocou o colar cervical depois de vestir uma calça de moletom confortável e uma camisa de mangas compridas com um desenho de uma linha de patinhos seguindo um pato maior. Ele pegou os remédios que precisava tomar depois de comer algo, e o corpo cansado da noite tensa de sono estava pedindo principalmente pelos analgésicos para amenizar a sensação incômoda. Quando chegou à cozinha, Annica já estava se fazendo confortável procurando coisas para preparar o café da manhã, e não conseguiu evitar um sorriso discreto nos lábios pela imagem da jovem fazendo parte da sua vida e do seu lar. Ainda pousou os olhos sobre as poucas áreas de pele alva à mostra, no pescoço e na curva dos ombros, além da nuca, por conta do cabelo preso num rabo de cavalo, e se pegou admirando a namorada por mais longos segundos do que pretendia. - As xícaras e pratos são nos armários de cima. - ele deixou os remédios sobre o balcão no caminho e andou até Annica, chamando a atenção da namorada. - No de baixo, tem alguns pães, mas acho que estão velhos. Posso preparar croissants no forno também, tenho alguns na geladeira, e queijos. Você prefere café? Chá? Suco? Pietro foi circulando na cozinha e pegando as coisas à medida que falava, tirando algumas coisas da geladeira também para poder preparar, mas deixou os armários superiores para Annica, já que era muito inconveniente levantar os braços com o colar cervical. - Eu preciso comer algo antes de tomar os remédios. - ele disse, voltando para pegar as cartelas com os comprimidos, parando para notar que havia outra bolsa ali com vários remédios. Aquela com certeza não era dele. - São seus, Annica? Você está doente? Precisa de alguma coisa? - a reação automática de Pietro, a despeito da própria situação, foi prestar qualquer ajuda à namorada caso ela estivesse, de fato, doente, o que lhe deixaria incomodado pelo fato de que ela estava cuidando dele quando precisava de cuidados também. Annica
Antes que pudesse perceber Pietro já tinha chegado no ambiente da cozinha, lhe indicando onde estavam as coisas que não tinha como saber por não morar ali, sorriu em resposta para o namorado, observando enquanto ele andava pelo espaço em busca das outras coisas que precisavam pra tomar café da manhã. Fez como indicado pelo moreno mais velho, pegando as coisas dos armários mais altos e pondo na bancada antes de levar para mesa propriamente dita: -- Eu prefiro chá, e aprovo o que for mais rápido de preparar. -- comentou de forma despreocupada, não deixando que o moreno fizesse tudo, e ajudando na medida do que era possível: -- Eu entendo, no que eu puder ajudar, só me conduzir. -- acrescentou enquanto organizava os itens sobre a mesa, e só então se atentando para as perguntas mais preocupadas de Pietro sobre sua saúde, ele não tinha como saber de sua rotina de medicamentos, em verdade, desde que tinham começado a namorar tinha evitado sumariamente alguns assuntos, nem tinha antecipado aquela reação, e muito provavelmente não era a hora pra falar sobre aquilo. -- Eu não estou doente, mas tenho medicamentos e vitaminas pra tomar todos os dias, já faz algum tempo, então pra todos os efeitos, você não precisa se preocupar com isso. -- A albina buscou parecer o mais tranquila possível diante daquele ponto: -- Podemos conversar sobre isso depois, claro, e posso lhe explicar o que são se for do seu interesse também, mas é apenas parte da minha rotina. Meu foco é cuidar de você, que sim está numa situação que requer mais cuidados. Annica desenhou um sorriso singelo no rosto, e se aproximou do namorado, para depositar um beijo carinhoso no rosto e depois nos lábios. Apesar de querer tratar com Pietro sobre o todo de sua vida, queria focar especialmente em tomar conta do moreno mais velho, embora ele fosse muito difícil de se deixar cuidar. Pietro
Pietro ficou mais aliviado pelo fato de que eram remédios que ela tomava constantemente, e até imaginava algumas situações - incluindo coisas estritamente femininas - que exigiam aquilo. Ele até abriu a boca para perguntar mais detalhes, mas ficou levemente vermelho de pensar nas possibilidades do motivo pelo qual ela tomava remédios, então só concordou com um aceno muito leve de cabeça. - Eu estou bem, não precisa se preocupar tanto. - Pietro disse, sem muito sucesso já que ele tinha passado uma péssima noite e ainda estava dolorido. - Mas eu quero saber sim... quero saber tudo sobre você. Fechou os olhos ao sentir os beijos no rosto e nos lábios, e logo Annica tinha se afastado para ajudá-lo a preparar o café da manhã. Ele pegou os croissants na geladeira para levar ao forno, e deixou a água na chaleira para fazer o chá. Annica ainda pegou as folhas de ervas para colocar na água quente, e tudo o que Pietro não conseguia alcançar. Ele ainda se pegou observando a namorada indo e vindo e percebeu, mais consciente do que tinha esperado, que o olhar desviava mais vezes para o pescoço exposto dela, os ombros e o colo. Queria desviar o olhar e baixar o rosto, mas era bem difícil com o colar cervical, o que só lhe deixou mais vermelho inconscientemente enquanto terminavam o preparo da comida. Foi mais rápido e fácil terminar de preparar o café da manhã simples, e logo o cheiro da comida fresca estava invadindo o local, o que deixou Pietro um pouco mais satisfeito com o ambiente que era mais vívido do que tinha experimentado nos últimos dias, morando ali sozinho e só lembrando do que já tinha passado com seus avós. - É bom... não fazer essas coisas sozinho. Annica
Concordou com a cabeça quando o namorado adicionou que queria saber tudo sobre ela, inclusive sua condição de saúde, o que considerava justo, visto que, se fosse o contrário também gostaria de saber tudo sobre ele. Tão logo tinham entrado em acordo com o moreno mais velho seguiram no preparo do café da manhã, e um pouco depois estava sentada a mesa, aproveitando dos aromas de comida recém feita, do chá morno e da companhia de Pietro. Espiou a própria xícara e o líquido translúcido enquanto os pensamentos iam e viam tanto em como tratar sobre suas próprias questões de saúde, também como todo aquele cenário se mostrava até confortável, e foi bem em tempo de ouvir do outro que era bom não estar sozinho. A albina cruzou as pernas, de forma feminina e sorriu contente, soprando de leve a xícara, a fim de esfriar a bebida: -- eu com certeza poderia me acostumar com essa vida a dois. -- Annica comentou tranquilamente, tomando um gole da bebida morna, e só então pensando em como aquela frase tinha sentidos muito mais profundos, e ficou levemente corada, mas aquilo passava facilmente despercebido já que com o contato com a bebida quente, seu rosto naturalmente ruborizava. Devolveu a xícara ao pires, e encarou o namorado, ainda com o rosto levemente ruborizado: -- Não que eu possa vir morar aqui ainda, mas com certeza vou por na minha agenda semanal passar aqui, nem que seja de sábado pra domingo, ou até de sexta a depender da demanda de trabalho. Isso é claro, se você não se importar de ter a minha presença aqui com mais frequência. Imaginava que Pietro não reclamaria de ter a companhia de Annica mais vezes em sua residência até porque o lugar era grande demais pra uma pessoa viver sozinha, mas ainda assim, precisava de confirmação do outro, para ter certeza de que estava tudo bem e tudo bem claro entre os dois. Pietro
Pietro se sentou à mesa com Annica e começaram a se servir, o que deixava a situação ainda mais caseira e aconchegante para o rapaz. Ele foi se servindo das coisas aos poucos, considerando as limitações do colar cervical, só queria se livrar daquilo o quanto antes e sentir menos dor. Pegou uma xícara de chá para levar aos lábios também e, quase cronometrado, foi bem em tempo de ouvir Annica dizendo como poderia se acostumar com a vida a dois. A reação automática dele foi engasgar, e precisou deixar a xícara de volta na mesa, levantando uma mão para cobrir os lábios e sentindo o rosto queimar, além de contorcer a expressão numa de desconforto por conta do esforço na garganta. - Desculpe, só fiquei… surpreso. - ele respondeu, num fio de voz, e se pegou levemente decepcionado com a sentença que a namorada proferiu a seguir, sobre não ir morar ali ainda, mas passar alguns dias. Até queria que ela passasse todos os dias ali, mas ficou bem mais satisfeito com o “ainda” no fim da frase. - Eu não me importaria… com a sua presença… pelo resto da vida, Annica. A sentença saiu tão naturalmente que ele nem se sentiu constrangido pelo comentário, e não era como se fosse mentira, a despeito do curto tempo que os dois tinham passado juntos, o que fez uma risada breve surgir na expressão que era comumente fechada. - Pode parecer mentira… porque estamos juntos há… pouco tempo. - ele adicionou, segurando a xícara quente entre as mãos. - Mas… espero que continue assim… por mais tempo. Annica
As reações de Pietro eram sempre um divertimento a parte, mas não esperava que suas palavras fizessem o mais velho acabar se engasgando daquela forma, sabia que devia ter sido doloroso, mas não tinha como negar que aquelas reações exageradas, eram parte das coisas que achava “fofa” no namorado. No entanto, tão logo ele teve tempo de digerir suas palavras, ele mesmo falou coisas que afetaram a albina, fazendo-a quase cuspir o chá de volta na xícara, puxando um guardanapo imediatamente, para cobrir os lábios e conter a bagunça. Depois do engasgo breve Annica se pegou rindo em como os dois eram bobos apaixonados:– A gente fica tão acostumado com a rotina de trabalho e estudo para tocar a vida, que quando a gente começa a trocar palavras apaixonadas não tem uma reação ensaiada que não seja se engasgar. Temos de melhorar isso, viu? – A albina comentou com um tom suave na voz, terminando de se servir do café da manhã: – ah, não sei, essas coisas de tempo são tão relativas, pode parecer pouco tempo de forma geral, mas a gente viveu esse pouco tempo intensamente, não é? Então quem pode julgar se é muito ou pouco, o que importa é que estamos aqui um para o outro. Annica estendeu a mão na direção na de Pietro para acariciar os dedos do namorado, e lhe sorrir de forma amistosa, as maçãs do rosto corada, e aproveitou da pouca distância para depositar um beijinho singelo sobre as costas da mão do namorado, sabendo que para ele seria difícil ficar se inclinando para lhe beijar. Após terminar de comer, a própria albina se levantou para pegar água tanto para Pietro quanto para si mesma, e buscou sua cartela de remédios: – Bem, você perguntou, então, eu não tomo sol bem por motivos de saúde, por isso tomo reposição de vitamina D, além de outras vitaminas pra manter o sistema imunológico em dia. E eu tomo reposição de algumas outras coisas, para outras condições. – a albina levou a mão até a garganta na altura da tireoide, mas logo voltou atenção ao moreno mais alto, mantendo o semblante calmo: – as vitaminas eu tomo desde sempre, as outras reposições eu comecei a tomar na adolescência pouco antes de entrar em Limoges, e vou a cada quarenta e cinco dias fazer revisão destes medicamentos, essa é minha rotina dos últimos sete anos, como meus pais são da área de saúde, seu sempre tive um acompanhamento bem rigoroso desde a infância, por isso disse que não precisava se preocupar especificamente com isso. Mais tranquilo agora? Obviamente Annica não entrou em detalhes de remédios hormonais, ainda estava ensaiando como falaria que não tinha nascido como uma mulher, mas que era uma agora, e tinha receio de que ele desgostasse de si, embora uma parte de si soubesse pelo acompanhamento da terapia que muito provavelmente isso não aconteceria. Mas era sempre uma situação delicada lidar com esse assunto, o fato de ter se tornado “passável” deixou a albina em uma zona de conforto de não entrar no assunto, que acaba lhe deixando com mais receios do que gostaria, mas gostava de Pietro de verdade, e queria falar com ele sobre, só não sabia se era o melhor momento. Mas em algum ponto da trajetória dos dois esse momento tinha de chegar. Pietro
Pietro até se surpreendeu que Annica também tinha engasgado no chá, mas a albina logo se recuperou e voltou a falar sobre o relacionamento muito recente e intenso dos dois e foi obrigado a apenas concordar com um sorriso discreto. Fechou a mão em volta da dela com o pouco de força que tinha e sorriu para o beijo suave que ela depositou ali, voltando a refeição para que ele mesmo pudesse se medicar e amenizar as dores no corpo. Além do que, ainda era melhor não falar tanto, considerando que estava com a garganta naquele estado complicado. Quando ele mesmo tomou o remédio depois que Annica lhe trouxe um copo de água, foi ela que parou para lhe explicar sobre as medicações que tomava. Ele observou atentamente, especialmente porque estava muito acostumado aos mais diversos tipos de medicação já que tinha acompanhado bastante da carreira dos pais em hospitais e pediatrias. Esperava que ela precisasse tomar as vitaminas por causa da condição de albinismo, mas havia algumas medicações que ela tinha começado a tomar especificamente desde a adolescência, e pela narrativa dela, especificamente há sete anos. A explicação lhe deixou mais aliviado, mas também um pouco mais curioso. Mas até para Pietro, era possível notar que aquilo era tudo que Annica queria lhe dizer naquele momento, e estava bem com aquilo. - Sim. Obrigado por explicar. Mas não deixe de me dizer... se for algo grave. - ele respondeu, finalmente, na voz rouca de antes, para ficar de pé e começar a arrumar a cozinha de um modo quase instintivo. - Eu vou arrumar a- - ele parou de falar no mesmo instante, lembrando do próprio estado e do fato de que Annica estava ali para lhe ajudar também. - Me ajuda a arrumar a louça? E aquela foi a perspectiva da convivência de Pietro com Annica pelo resto do dia, e os dias que se seguiram, enquanto ainda precisasse de ajuda também, e ele logo percebeu que seria realmente muito bom que ela estivesse ali mesmo quando ele não precisasse. Annica
Existia uma leve tensão diante de falar de seus medicamentos, embora isso não ficasse exposto em sua expressão, conseguia sentir o coração acelerado, mas logo sentiu um alívio enorme por que Pietro não lhe adicionou nenhuma pergunta extra sobre sua saúde, apenas pedindo para que lhe avisasse caso algo grave estivesse acontecendo. Concordou com um aceno de cabeça, mantendo um sorriso simples nos lábios. Depois de se medicar adequadamente e organizar tudo de volta ao seu lugar, logo Pietro estava de pé para arrumar a cozinha após o café da manhã e se surpreendeu de forma positiva como ele requisitou sua ajuda para as tarefas. Se levantou de onde estava para depositar um beijo carinhoso sobre os lábios e Pietro: -- Sim, claro, eu não vou desgrudar de você, vim com uma missão aqui, que é tomar conta de você Pietro! -- a albina comentou de forma leve, fazendo graça. Não foi difícil ajudar nas tarefas de casa, estava acostumada a tomar conta de si mesma no internato feminino e isso significava gerenciar seu tempo entre aulas, atividades de cuidados pessoais e trabalho externo, para além de suas atividades como membro do conselho disciplinar. Todos os seus medos e receios sobre conviver em uma mesma casa com um homem foram se diluindo a medida que passava tempo com Pietro, era curioso como tinha imaginado tantos cenários negativos ao longo da adolescência e agora de forma natural ia desconstruindo eles, de forma que aquele tempo junto ao namorado lhe parecia certo. E conseguia muito bem se imaginar indo ali mais vezes para aproveitar da companhia do moreno mais velho, para trocar carinhos, cuidados e conversar trivialidades. [thread encerrada] |