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[Drive] Conversa de Senhorinhas [Yure; Charles] - Lil - 08-29-2021

Charles

Fazia pouco tempo que Charles havia tido o privilégio de conhecer o presidente do conselho disciplinar que Yure tanto falava, Sasha Peyrac. Entre raivas e resmungos, o sujeito era bem como imaginava mas um pouco mais parecido com Yure do que esperaria.

De toda forma, ele havia deixado dois bolinhos com Charles - junto com o seu número de telefone - com alguns comentários engraçadinhos, dizendo que um era para entregar à Yure. Por acaso era garoto de recados?!...

De toda forma, estava bem querendo chamar o ruivo para ir até à sua casa para jogar o novo Deus Ex: Human Revolution que havia saído na semana passada, e ainda não tinha tido tempo de jogar. Gostava de chamar o amigo por que enquanto Charles se concentrava em aproveitar as mecânicas oferecidas pelo jogo, Yure consegui encontrar detalhes ridículos que deixavam até o loiro surpreso.

Sabia que o único dia livre do amigo era sábado, e sábado normalmente era o dia da Monique. Bem, normalmente. Prontamente começou a digitar a mensagem do celular para o amigo:

[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: yure
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: vai fz oque no sábado?
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: tenho um jogo novo, quer passar a noite aqui?
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: o pessoal tá falando dos gráficos mas tenho certeza que você acha algum bug.
[01:14, xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: aliás encontrei o tal peyrac, ele quer que eu te entregue algo, então venha

Sentiu a leve chantagem quando mencionou sobre o que o presidente havia deixado, mas era apenas mais um motivo para o amigo vir passar algum tempo.
Quando finalmente teve a resposta positiva, avisou à mãe sobre a visita do amigo e tratou de fazer as preparações, como preparar seus estoques de doce para a noite inteira.

Chegando o sábado, deixou o quarto minimamente arrumado para receber o amigo, aproveitando também para fazer as atualizações pendentes do jogo, assim não teria o desprazer ter de fazer longas atualizações enquanto Yure estava lá esperando.

Yure

Estava num dia convencional de aula, nada fora do normal, aulas durante a manhã, reforço na hora do almoço com oliver e Lui na companhia de Isaac, ele parecia pensativo, mas ainda não tinha ideia de porque. Passou parte da tarde ajudando Lui que queria tirar fotos dos times treinando para o jogos, e foi o menino de suporte carregando os rebatedores de luz. Ainda passou na sala do conselho disciplinar apenas pra entregar uns memorandos circulares não estava de detenção mas gostava de ajudar, e pegar os macetes de como lidar com burocracia.

O celular apitava durante todo o tempo, mas não podia estar com o aparelho o tempo todo, eram normas da escola, quando foi checar as mensagens naquela tarde se deparou com a proposta de Charles. Seria legal passar o fim de semana na casa do amigo, já fazia algum tempo desde a última vez que tinha ido, ligou para a mãe para pedir autorização e principalmente pra ser autorizado a dormir fora dos dormitórios. Mandou mensagem para Monique na cara dura:

[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Moniqueeeeee!(・∀・)
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Meu anjo!
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Luz da minha existência!(^v^)
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Razão da minha vida!
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:tá aí? (ง ื▿ ื)ว
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: Lá vem….
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: Diz o que tu quer, quem é o amigo dessa vez?
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Charles chamou pra dormir na casa dele no sábado (ง ื▿ ื)ว
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: JUSTO NO SÁBADO!
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: Aquele infeliz com cara de gato!
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: Aposto que fez de propósito
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Eu vou que é lançamento de joguinho! (。’▽’。)
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: tá tá….
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: Não dá pra concorrer com seus amigos mesmo
[xx/xx/2014] Monique (# `Д´)ノ: me mande fotos da gata… u_ú
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Tudo certo! (ง ื▿ ื)ว

Claro que depois de conseguir na cara dura permissão da patroa, só faltava confirmar com o amigo que de fato iria para casa dele:

[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Já falei com a minha mãe e com a Monique!(ง ื▿ ื)ว
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Surpreendentemente a Monique não resistiu muito! Ajahauha
[xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Vou levar oferenda de bolinho com gosto de bolinho (。・ω・。)ノ♡

Avisou aos amigos mais próximos que passaria o fim de semana fora, e depois era só arrumar as tralhas, como Yure era um completo cabeça de vento, ele sempre tinha uma lista pra fazer chekin do que precisava ou não levar pra essas coisas, sua mãe que tinha feito, e ele usava a mesma a alguns anos.

Não demorou muito e o restante da semana passou que o ruivo sequer sentiu passar sobre sua cabeleira desgrenhada. Vestiu uma calça jeans com a barra dobrada do lado da catraca da bicicleta, usava uma camisa branca com estampa divertida e camisa xadrez laranja com preto por cima, os tênis eram neon, porque neon e Charles faziam muito sentido em sua cabeça, pôs um boné pra evitar o sol na cara, pulseiras e colares avulsos presentes acumulados dos amigos e saiu da academia masculina. Foi de Bike para casa do amigo, depois teria de subir a ladeira de St. Clavier de skate seria impossível, então iria e voltaria de bike, era mais confortável. Passou na loja de conveniências no caminho, para comprar sua oferenda de bolinhos, junto com um suco de hortelã, laranja e gengibre que prometia ser bom pela propaganda, catou uns biscoitos integrais pra roer e seguiu feliz para o prédio onde o amigo morava.

O porteiro conhecido nem lhe anunciou, e deixou o mais novo subir, alguns andares de elevador depois, Yure estava apertando a campainha do apartamento de Charles com a cara mais lisa que tinha, e algum suor depois da pedalada em plena manhã de sábado.

Charles

Charles não ficou surpreso quando Yure demorou a responder, afinal ele passava o dia inteiro em St. Clavier fazendo trabalho, ou aprontando algo, ou ajudando alguém, ou todas as alternativas enquanto pagava uma detenção. Mas independentemente do que fazia, não podia ficar mexendo no celular o tempo todo durante as aulas, por isso também o loirinho não se importou de mandar várias mensagens seguidas, o celular ou estaria desligado ou ele não poderia ver e talvez ficasse curioso, seria engraçado.

Quando finalmente recebeu a resposta positiva de volta teve de arquear a sobrancelha em surpresa, Monique havia concordado? Teve de fazer uma nota mental sobre esse acontecimento, a morena estava surpreendendo o cadeirante mais do que ele esperava, e isso não era negativo. Quem sabe da próxima vez chamasse ela também?

Bah, não.

Enquanto ria da própria ideia idiota, aproveitou para responder logo o amigo ruivo enquanto ele estava online naquele momento:

[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ela não reclamou?
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: estou surpreso
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: valor mínimo de bolinhos subiu para 4
[xx/x/2014] Charles ΦωΦ)ノ: a gata que disse ヘ(・_|

No dito sábado, já havia finalmente terminado de fazer as atualizações necessárias para o jogo depois de alguns bons minutos - malditas atualizações de mais de 1 giga - e o seu estoque de bolinhos já estava separado, havia também se atentado a pegar alguns salgadinhos diferentes, em especial aqueles que ou eram sabor queijo ou que não levavam nem sabor artificil de carne ou coisas do tipo, já que o amigo não chegava nem perto de carne há um bom tempo. Havia também colocado a cama da Luma - nome que havia dado para a gatinha graças à coleira de estrela que havia comprado com Monique no pet shop da clínica - estrategicamente perto da cama. Apesar que bem sabia que a gata não iria ficar na cama mas sim enroscada entre Charles ou Yure, mas era mais por desencargo de consciência.

Não demorou muito para escutar a campainha tocando incessantemente. Fez a cara azeda de sempre enquanto ia em direção à porta, antes mandado uma mensagem para sua mãe avisando que a visita havia chegado, guardou o celular no bolso e esperou que ele tocasse mais uma vez antes que abrisse a porta, dando de cara com o amigo ruivo pingando de suor:

-Acho que você já deve ter cara de dono, o porteiro não interfona mais que você tá subindo - comentou de maneira despretenciosa, não que se importasse, afinal o amigo ruivo realmente aparecia lá com bastante frequência, na quinta ou sétima vez o porteiro deve simplesmente ter desistido - E nem pense em me abraçar assim - Deu espaço para o outro entrar, mesmo rejeitando o abraço bem sabia que ele iria fazer do mesmo jeito - Precisa de ajuda pra carregar isso? O que tiver de ir pra geladeira eu posso colocar - escutou os miados finos vindo das almofadas da sala, onde a gatinha havia pegado a mania de reunir as almofadas apenas para se enfiar no meio de todas elas.

Yure

Ficou contando os segundos enquanto o amigo demorava para atender a porta, 10 segundos, ele certamente já teria vindo abrir, se ele estava demorando mais do que isso, era porque estava fazendo birra, porque sabia que odiava esperar. Ele era malvado de um jeito carinhoso, bem sabia, era uma birra engraçada no final das contas. Então, o ruivo de seu jeito carinhoso, apertou a campainha mais algumas vezes, só porque sabia que isso iria irritar o loirinho de volta, cada um com seus tocs.

Assim que o amigo abriu a porta, e encarou aquela cara azeda, Yure largou a mochila no chão, e sacola de compras do lado, e antes mesmo que ele pudesse reclamar mais do suor, abraçou o amigo, e fez questão de esfregar o bochecha na bochecha do outro:

-- bom te ver Charles! E sim! O porteiro já sabe que sou eu, ele até deixou que eu colocasse a bike lá na vaga de vocês, e me ensinou como colocar pra não dar treta com o carro da sua mãe, daí eu trouxe 3 bolinhos dos de sempre, e um quarto que é tipo bolinho de chá de hortelã, parece que é sabor novo, você prova e diz se gosta ou não, eu trouxe um suco também que é uma mistureba estranha e tals. Se quiser eu posso tomar um banho antes de sentar pra gente jogar, mas eu nem ‘tô tão suado assim. -- o ruivo comentou com a animação costumeira se abaixando para pegar a própria mochila e deixando a sacola de compras sobre o colo do amigo.

Adentrou o espaço do apartamento para se aproximar da gatinha afagando a mesma de forma a provoca-la e ganhando algumas mordidas amistosas como respostas, além de umas patadas igualmente amistosas. A gata era igual ao dono, a forma dela de mostrar amor, era justamente sendo arisca, com mordidas e arranhões:

-- Oiiiii Luman! Que gracinha de gatinha! Tão brava no seu forte de almofadas não é! Vou derrubar o seu império acolchoado! Você vai jurar vingança em mordidas felinas, vai? -- Yure largou a mão de dar atenção a gata quando se atentou que estava de tênis e quase tinha pisado no tapete, deu dois passos mais distante da peça e fez questão de chamar atenção do amigo: -- olha só, vim a caráter Charles! -- apontou para o próprio pé com o tênis de cor berrante. O ruivo em seguida, tirou o boné, apenas para se abanar um pouco, e bagunçar a cabeleira ruiva que estava parcialmente amassada debaixo da peça, mas logo colocou a franja para trás e o boné para segurar o cabelo, com a aba virada para trás também.

Charles

Na verdade, havia sido idiota do próprio Charles tentar dizer para Yure não agarra-lo desse jeito, por que no mesmo momento que abriu a porta, sentiu a bochecha suada do amigo ruivo grudar na sua enquanto ele não calava a matraca para falar dos bolinhos, do porteiro, da vaga do carro, isso tudo enquanto o agarrava pingando de suor, o que fazia a cara de limão azedo de Charles ficar mais forte, não que isso fosse estranho para Yure, bem sabia que parte da diversão dele era deixa-lo irritado.

-Tá suado o suficiente pra deixar minha bochecha grudando - resmungou de maneira costumeira, ele realmente não estava tão suado assim, mas se podia reclamar faria, por que o que importa no final era que o outro estava suado e fim - Você já se jogou na minha cama em estados piores, fique à vontade - Segurou a saco de compras em seu colo enquanto fechava a porta, nesse meio tempo o amigo ruivo já havia corrido para atormentar a pequena gata. Deixou que o fizesse, aproveitando para por o tal suco mistureba na geladeira e separar os bolinhos para irem ao resto do amontoado de bolinhos. Enquanto o fazia, conseguiu escutar os miados resmungões da gata e as brincadeiras que Yure fazia com a gata e seu pequeno forte de almofadas. Não podia negar que a gata era bem resmungona, e que era sim um pouco divertido vê-la irritada.

Quando voltou para sala, escutou o amigo falar como estava “à carater”, e não conseguiu não fazer a expressão de curioso franzindo o cenho enquanto encarava Yure de cima para baixo até notar os sapatos neon, bem parecido com os que tinha: - Bom gosto para sapatos, a pessoa que te deu a ideia tem um gosto muito bom também - comentou numa mistura do tom mimado que sempre tinha e de brincadeira - Já atazanou a Luma o suficiente? Não se preocupe que ela vai subir na cama assim que a gente se sentar.

Se virou em direção aos quartos, e no momento que o fez a gata em disparada passar por debaixo das pernas de Yure e acompanha-los até o quarto, fazendo muita questão de ir na frente: - Ah, o que o Peyrac deixou tá no quarto também.

Finalmente chegando no quarto, pegou o controle que estava no criado mudo e tirou o console do modo de descanso, em seguida pegando a dita sacola - que ainda estava com o numero do presidente do conselho escrito - que havia deixado em cima da cama e estendeu para o amigo: - ele escreveu umas coisas nos bolinhos e disse que “quando adivinhasse falar com ele”, mas que era pra entregar um pra você. - resmungou um pouco emburrado de se lembrar de toda a situação - Me pergunto como é que você atura ele.

Yure

Claro que era uma diversão a parte provocar Charles, porque ele tinha aquele tipo de humor ácido, que ou você ama e se acostuma ou se acha insuportável. No caso de Yure, estava acostumado a lidar com pessoas de personalidades fortes como a do loirinho, e sabia bem como se divertir entre aqueles comentários que mais lhe pareciam facadas, ou quando era apenas pra ser a chatice costumeira do amigo.

Mas foi pego de surpresa quando ele desatou a falar de Sasha, será que o moreno mais velho tinha conseguido chamar a atenção do loirinho a esse ponto? Yure sabia, porque conhecia metade dos cacuetes do amigo, e a outra metade podia supor, baseado na parte que conhecia, e por isso, tinha plena consciência que se Charles tivesse achado o outro insuportável ao ponto de não ser tolerável, sequer estaria tocando no nome do mais velho. Prontamente o ruivo alargou mais o sorriso, caminhando rápido para o quarto, só não mais ligeiro que a Luma que tinha 4 patas e estava notoriamente na vantagem se fossem apostar uma corrida. O ruivo se jogou sobre a cama mesmo estando suado, deixou apenas os pés pra fora da cama, deitado daquele jeito, dava pra notar bem como Yure estava esticando, alguns meses atrás ele pareceria bem menor na cama. O ruivo pegou o saco com os bolinhos, morto de curiosidade a ponto de ficar calado por mais de cinco segundos, isso claro, até ler o que tinha escrito no seu pacote e começar a rir e ficar corado:

-- Sasha é muito besta mesmo, olha o que ele escreveu! Até parece que eu sou do jeito que eu sou por causa de açúcar, eu já sou assim naturalmente, se eu começar a comer um monte de doce, fico ligado uns dois dias. Huahahuahuah! -- o ruivo se sentou na cama, largando o tênis usando os próprios pés para tirar, ficando apenas com as meias de estampa ridícula de peixinhos listrados: -- meias à caráter também! Huahauhauh! -- o ruivo falou da forma animada de sempre, então lançou o bolinho que era de Charles na direção do mesmo, sabia que ele tinha reflexos de um gato nos braços: -- Pensa rápido! -- alertou.

-- olha o que ele escreveu pra você, com certeza ele também foi com a sua cara, depois a gente pode marcar de sair junto, mas eu chamo algum dos meus outros amigos, pra você não ter de aturar as minhas piadas ruins e as dele ao mesmo tempo. Sei que é mais socialização do que você gostaria em uma tarde. -- Esperou que Charles lesse o que estava escrito no pacote de seu bolinho, para abrir o seu próprio e propor um “brinde” de bolinhos, que sabia que era idiota o suficiente pra Charles lhe olhar feio, mas era também idiota o suficiente para que ele fizesse junto consigo.

Eram dois bobos, mas eram bons amigos também, Yure tinha plena confiança disso.

Charles

Viu a pequena Luma passar correndo entre as rodas da sua cadeira, se enfurnando debaixo das cobertas. Charles apostava que ela estava se escondendo de Yure, esperando ver o que o garoto iria fazer para então entrar no seu plano de ataque.

Estava realmente curioso com o que as mensagens escritas no bolinho, já suspeitava qual seria a sua, mas Sasha havia pedido que entregasse para o ruivinho e “descobrissem”. Não era um jogador ruim, então o faria. Assim que descobrisse, pensaria bem sobre enviar uma mensagem ao cadeirante avisando da descoberta, muito provavelmente perguntaria para Yure o que ele achava. Apesar que com certeza a resposta do amigo ruivo seria mais que positiva.

Não demorou que Yure se largasse em cima da cama, se jogando de qualquer jeito sobre as cobertas e travesseiros. Achou engraçado mas apenas encarou enquanto ele o fazia, vendo a pequena cauda embaixo da cama se mexer com curiosidade, esperando o momento certo para atacar a ameaça vermelha que estava em seus domínios. Enquanto entregava a sacola de bolinhos para Yure - que sem muitas surpresas ficou calado durante o tempo - percebeu como o amigo ruivo havia crescido. Provavelmente Charles também tinha crescido um pouco, mas era mais fácil perceber o crescimento de Yure por ele sempre estar em pé, dificilmente se percebe o crescimento de uma pessoa que está sempre sentada. Eram pequenos detalhes, mas o ruivo já estava bem diferente do que quando o conheceu em 2012, era engraçado pensar que o conhecia há tanto tempo assim.

Charles se sentia feliz por perceber esses detalhes, apesar que nunca iria admitir ao amigo.

Observou o silêncio do amigo enquanto lia a mensagem nos bolinhos, viu o rosto dele ficar tão vermelho, que se subisse mais alguns tons ficaria da cor dos cabelos e começar a rir tão abertamente: - Se você comesse mais doce do que um único bolinho eu te jogaria pela janela. - admitiu, talvez nem precisasse fazer isso por que ele mesmo acabaria caindo na eletricidade toda que ele tinha. Aliás, dificilmente Yure iria se machucar com todas as coisas que fazia do Parkour. - A pessoa à quem você se inspirou hoje tem um gosto para roupas muito bom - brincou em relação a meia de estampas ridículas, tinha sua própria coleção que gostava de usar sempre que saia - Você e açúcar seria algo de-- Antes de terminar, pegou o bolinho que foi jogado rapidamente. Tinha reflexos muito bons nas mãos.

Quando leu o que o cadeirante tinha escrito, sentiu o rosto ficar um pouco corado - ou julgava ser apenas um pouco. Franziu o cenho, sendo azedo, ajustou a cadeira ao lado da cama e se sentou perto de Yure: - Ele foi com a minha cara o suficiente pra me fazer cair naquele dia. Aliás, ele pediu que a gente ligasse pra ele quando descobrisse. - resmungou emburrado, olhando a mensagem do bolinho nas mãos - Mas ele ajudou a arrumar a bagunça que causou menos mal. - abriu o pacote do bolinho, e vendo a ideia do “brinde de bolinhos”, brindou - Só aceito se ele acabar caindo. Ele conhece o time de basquete? - Propôs antes de morder o primeiro pedaço do bolinho, tinha um pouco de maldade na proposta? Tinha. Mas não sabia do que o outro cadeirante gostava, mas se fosse sair com o Yure provavelmente ele iria querer propor algo envolvendo o outro grupo de cadeirantes, então só aceitou.

Não havia percebido como já conseguia adivinhar algumas ideias do amigo Ruivo.

Yure

O ruivo estava bem relaxado jogado sobre a cama grande e espaçosa do loirinho, nem tinha visto que Luma estava debaixo da cama lhe espreitando, e antes que pudesse fazer qualquer comentário sobre o rosto de Charles ter ficado completamente vermelho diante do que tinha escrito no pacote do bolinho sabor bolinho. Sentiu as canelas serem atacadas por garras finas e afiadas, e se sobresaltou soltando um grito fino: -- AI! AI! AI! AI! AI! AI!!!! - puxou a perna ligeiro, as garras de Luma ficando presas no tecido da meia, e a gata não desistiu se agarrando ao pé do ruivo e mordendo com vontade, o desespero de Yure durou apenas alguns segundos, antes que pudesse levar a mão livre até a gata a mesma disparou correndo para fora do quarto, logo o pequeno diabrete voltaria para o retorno e conclusão de sua vingança.

Enquanto travava aquela batalha hercúlea contra a gata, Charles tinha se transferido para a cama e estava divagando se deveria ligar ou não para Sasha, se vê-lo cair seria engraçado, e se o mais velho conhecia o time de basquete de cadeira de rodas de Cerise. Yure recolheu as pernas compridas sentando sobre o colchão com elas em borboleta para evitar que suas canelas fossem novamente alvejadas pelas presas da gata psicótica de Charles: -- Bem, eu lembro de ter comentado e ele não falou nada, acho que ele conhece o Rick do Parkour, eles falam muito parecido, e tem mais ou menos a mesma idade. Acho que seria uma boa chamar todo mundo pra jogar, dava pra fazer dois times com três pessoas cada. E finalmente o Teodor ia parar de reclamar que você não treina passes o suficiente. -- Yure abocanhou o bolinho de uma vez só, ficando com as bochechas cheias como se fosse um Hamster. Depois de engolir o ruivo lambeu os lábios tentando dar conta da maior parte dos farelos para não começar a bagunçar o quarto do amigo tão cedo:

-- A gente pode marcar pra um domingo aí, que fica mais fácil pra todo mundo ir, só não posso negociar outro sábado, senão eu sou um homem morto com a Monique.-- o Ruivo fez um sinal com o polegar passando pela garganta como se fosse ter a cabeça arrancada pela namorada se furasse com ela outro fim de semana pra sair com os amigos: -- E oficialmente no domingo a gente não tem atividade nem de aula e nem de clubes, quer dizer, os clubes de esporte tão tendo por causa dos jogos internos que vai ter em breve e tals e tals, mas o Sasha tá só no Conselho Disciplinar, então se ele não tiver nenhuma atividade do Conselho eu acho que ele tá livre. Vejaí, manda mensagem no grupo do time de basquete, vê se eles vão marcar treino algum dia desses, e se pode ser no domingo, diz que vai levar um amigo ou melhor, não diz não, o povo vai ficar te enchendo, deixa que eu faço isso. -- o Ruivo puxou o celular de dentro do bolso da bermuda os penduricalhos em chaveiros fofos, barulhentos e de séries de animação japonesa balançando, até parecia um celular de menina pelo nível de extravagância. O ruivo começou a digitar furiosamente, perguntando se podiam marcar um treino no domingo já que levaria um amigo, pra apresentar o esporte e o time, no que o líder do time Teodor já estava digitando resposta e parecia empolgado com a ideia: -- aproveita e manda mensagem pro Sasha, pergunta se ele vai tá livre, ah, e lembra de enviar por sms, ele não tem smarthphone, logo não usa o Vhatszapp! -- o ruivo continuou digitando e respondendo mensagens rapidamente, aproveitando para mandar fotos da canela arranhada para Monique falando da tentativa de assassinato feita pela gata, rindo entretido como de costume.

Nem ia comentar da saída de domingo com a Morena ainda, deixaria pra ela saber quando estivesse mais próximo de fato.

Charles

Havia sido engraçado assistir a gata realizar seu plano maligno contra Yure e ver que ele funcionou, tinha sido num timing perfeito para evitar que Yure comentasse algo da sua cara enquanto lia a mensagem do bolinho. Teria de dar algum petisco para Luma depois desse ataque bem sucedido. Estava com as pernas na parte de cima da cama, afinal também não queria ser vítima de Luma, bem sabia que ela poderia pegar seu interesse no outro par de meias coloridas.

Escutou a sugestão de Yure e como talvez Sasha já conhecesse alguns membros, ele realmente era um Yure moreno? Conhecendo todo mundo da cidade? Aproveitou enquanto ele explicava para terminar de comer o bolinho: - Você e ele são bem parecidos mesmo hein - resmungou, amassando o pacote do doce - Acho que o Teodor vai reclamar de qualquer jeito, ele que joga mais basquete vai acabar achando algo errado que tou fazendo - não estava mentindo, Teodor realmente era obviamente o melhor jogador do time, e era o que levava o esporte mais a sério - mas pelo menos vai ser menos uma coisa pra ele parar de pegar no meu pé. - concluiu, aliás Sasha estaria alí também, seria engraçado do mesmo jeito, até poderia mostrar pra ele como é que se faz uma cesta de verdade.

- Eu ainda fico surpreso como ela aceitou de boas dessa vez - Charles não havia visto Monique desde o dia que tinha se despedido dela na clínica veterinária, havia apenas trocado mensagem com ela quando a felina chegou em sua casa depois do período de internação. Ainda precisavam marcar um dia para que ela fosse lá visita-la. Já ia reclamar sobre ter que mandar uma mensagem para o time de basqueete, afinal sempre que o fazia recebia dezenas de floods vindo dos outros membros que inquietos marcavam Charles em todas as mensagens.

Bem por isso que o grupo estava no silêncioso por tempo indeterminado.

Felizmente Yure se ofereceu sozinho para mandar a mensagem para o grupo, mas pediu que Charles falasse com Sasha. Não pode evitar de soltar um resmungo baixo quando o disse: - ele nem usa Vhatszapp? Até a minha mãe usa isso, Yure. Em que ano ele vive?! - cruzou os braços reclamando, mas no fim das contas puxou o celular e abriu o aplicativo de mensagens, que só tinha propagandas que recebia por SMS, e já foi abrindo uma conversa com o outro cadeirante:

[Charles]: Ei charles aqui
[Charles]: primeiro devia arrumar um celular novo p usar vhatszapp
[Charles]: só quem usa sms é propaganda
[Charles]: segundo entreguei o bolinho
[Charles]: não pergunte nada
[Charles]: terceiro, tem um domingo livre?

- Não é pra ele saber que vai ter algo no domingo né? - perguntou, escostando de leve no ombro do amigo ruivo com o próprio ombro enquanto não tirava os olhos da tela - Enfim, não avisei nada, vai que ele não gosta e se avisar que é basquete ele inventa de rejeitar. - terminou de enviar a última pergunta, talvez tenha ficado mais aberta do que gostaria, mas enfim, não teria como colocar de outra maneira.

Yure

O ruivo estava na digitação furiosa jogando conversa fora no grupo do time de basquete, respondendo perguntas sobre o amigo que levaria, até chegar na pergunta se o amigo novo do ruivo já tinha uma cadeira adaptada para atividades esportivas. Quando o amigo lhe questionou porque Sasha não sabia usar Vhatssapp, o ruivo apenas deu de ombros rindo, não tinha uma explicação de verdade para aquilo, além do mais velho não ter grana pra comprar um smartphone. Nem podia julgar, tinha ganho o que usava de Monique.

Ouviu sobre o que Charles tinha comentado e lembrava bem da vez que tinha ido ao quarto de Sasha no começo do ano que o mais velho disse que queria praticar esportes:

-- Eu acho que ele não tem nada contra em jogar e praticar esportes, mas acho também que ele passa muito tempo dentro de St. Clavier, afinal ele nem sabia que em Cerise tinha um time de basquete de cadeiras de rodas, quem dirá que um atleta olímpico mora na cidade. -- o ruivo ponderou por um momento, pensando que tipo de coisa podia de fato incomodar o moreno mais velho, até o celular apitar destacando a pergunta de Teodor sobre a cadeira adaptada para que ele possa jogar de fato, ao invés de só ficar olhando: -- O que pode incomodar mesmo ele é o fato dele não ter uma cadeira adaptada pra jogar de fato, lembro quando eu fui no quarto dele no começo do ano, ele disse que só tinha a cadeira de uso diário, que ele zanza na academia.

Yure baixou as pernas de novo e começou a sacudir as pernas e meio que se deitou por cima de Charles quando ele encostou no seu ombro, apenas para atazanar o amigo: -- acho que ele ia ficar deboas se fosse uma surpresa também, mas a gente ainda tem de arrumar uma cadeira adaptada pra ele.

Claro que os pezinhos balançando foram um chamariz necessário para trazer a gata de volta a ação que deu um ataque de oportunidades nas pernas do ruivo enquanto ele se movia em sua zona de ameaça. O ruivo tomou um susto tão grande que saltou da cama e caiu no chão, o barulho foi tão alto, que a própria Luma também tomou um susto e se enfiou debaixo do criado mudo ao lado da cama, entalando de pronto.

Agora estava Yure gemendo no chão e a gata estava miando em desespero instalada. Muita coisa para Charles registrar e deixar guardado para posteridade e futuras chantagens.

Charles

Tinha que admitir que era bastante coragem do ruivinho se propor à mandar mensagem para o grupo do time de basquete. Das poucas vezes que soltou um comentário ou dois rendeu mais de horas de conversa, tags e os mais velhos tentando tirar o loiro do sério, o que nem era tão difícil. Ficou curioso quando ele se absteve de comentar o porque de Sasha não ter um telefone melhor, pelo silêncio podia julgar que ele ou não precisava ou não teria como comprar. Claro, nem todo estudante de St. Clavier se afogava em dinheiro, especialmente se ele fosse um bolsista.

- Se você não tivesse me apresentado ao Teodor, eu também não saberia. Não é algo que se espera encontrar em uma cidade pequena. - novamente as habilidades de socialização do ruivo haviam feito com que ele encontrasse as pessoas mais curiosas nos locais mais… curiosos também - Huh, bem, se ele tinha a intenção de continuar escondido dentro da academia, isso certamente vai contra os planos dele, mas provavelmente ele vai gostar. - concluiu enquanto ainda digitava no celular a mensagem para Sasha. Tinha um pouco de receio de o quão rápido o presidente do conselho se daria bem com os outros membros do time, tinha um senso de humor até parecido, bem previa que o tal domingo escolhido fosse ser um inferno para Charles. Afinal, por que raios estava fazendo isso mesmo?! Enquanto pensava sobre essas possibilidades parecia encarar o celular como se estivesse pronto para reclamar para o pobre coitado no mesmo instante.

Se assustou um pouco quando ele se jogou sobre o seu colo, até mesmo parando de digitar para encará-lo de um lado ao outro, esperando uma resposta do porquê da invasão de privacidade. Apenas desistiu de reclamar e o deixou ali mesmo quando ele disse que o outro não se importaria da surpresa, o que apenas deu mais certeza para Charles de enviar a mensagem: - Arrumar a cadeira vai ser a parte mais fácil disso tudo, difícil vai ser fazer ele acertar uma cesta. É tão ruim quanto as piadas dele. - encostou de leve um dos lados do celular na testa do ruivinho, enquanto comentava com um ar mais sarcástico sobre as habilidades do outro cadeirante.

Não demorou muito para que mais uma vez o caos acontecesse. Por um deslize de Yure, a gata novamente deu o seu bote infalível novamente, pegando o amigo ruivo tão desprevenido que ele acabou até caindo no chão. E no mesmo instante, bem como Charles esperava, escutou apenas o barulho seguinte da gata ficando entalada em algum lugar - provavelmente o criado mudo. Desde que havia trazido a gata para casa tinha percebido o medo da felina com barulhos muito altos.

- Eu acabei de me sentar e vocês já vão me fazer levantar de novo? - resmungou, aproveitando para tirar uma foto da cena do caos. Teve que se esticar um pouco para captar a gata entalada, que tentava desesperadamente sair se empurrando com as patinhas traseiras - Já vai, já vai. Ela machucou muito, Yure? - perguntou enquanto também ‘consolava’ a gata. Se ajeitando para poder ir para a cadeira quando sentiu o celular vibrando com novas mensagens. SMSs.

[Sasha]: Sasha aqui! Eu teria um celular novo, mas não tenho dinheiro haha mas
[Sasha]: Se quiser me bancar, domingo pode ser meu cafetão. Mas tô livre pra vc
[Sasha]: Mesmo de graça! Que horas e onde no domingo nosso encontro, Garoto Milagre? ;D

A cara de azedo foi mais que instantânea. Deixou o celular jogado de lado e terminou de se transferir para a cadeira, dando a volta na cama até a situação instaurada do acidente: - Ele respondeu. Disse que no domingo tá livre, mas é melhor decidir qual, quanto tempo o pessoal disse pra arrumar uma outra cadeira adaptada? - resmungou enquanto tinha que se inclinar bastante para conseguir alcançar a “cintura” da gata e conseguir livra-la da parte de baixo do criado mudo. Sentiu as pernas incomodarem pelo movimento mas já tinha tido dores piores: - Se precisar tem álcool pra limpar e alguns band-aids se tiver machucado muito. - não que esperasse o pior machucado do mundo, mas os dentinhos de Luma já haviam se provado muito bem amolados.

Yure

O ruivo ainda estava atordoado da queda, tinha caído de qualquer jeito no chão, e olha que era acostumado a cair, mas tinha evitado pisar por cima da gata, e isso tinha feito com o que o corpo do ruivo girasse pra o lado e caísse de costas no chão. Ficou ali deitado entre “ai, ui” baixos, até Charles começar a resmungar sobre ter de se levantar: -- relaxe, eu me viro aqui, ajuda a Luma, ela parece tá na pior…! -- comentou num resto de tom de brincadeira, rindo e choramingando ao mesmo tempo.

Se sentou depois de alguns instantes, observando a cara de Charles fechar e ficar no nível azedo 2. Bem conhecia todas as variações daqueles olhos estreitos de fato e daquelas sobrancelhas finas se curvando. Puxou o celular que tinha caído mais distante, e por sorte não tinha trincado nada e olhou as mensagens enquanto ficava deitado no chão: -- aparentemente o pessoal precisa de duas semanas, o Felicien tem maratona de fisioterapia e RPG essa semana e vai estar muito dolorido pra jogar. Então geral concordou em jogar pra esse domingo o outro. Acho que dá tempo de sobra pra gente juntar as peças extras e montar uma cadeira inteira pro Sasha né? -- comentou esperando a confirmação de Charles sobre seu comentário, aproveitando para mandar foto para Monique e relatar que Luma tinha um plano de extermínio para ruivos.

Esticou a perna para cima para mostrar a área com finos arranhões vermelhos de onde Luma o tinha atacado, e pelo que dava pra ver não era nada demais: -- nah! Nem precisa, já fiz estrago maior sozinho, Luma ainda tem de ganhar uns 2 kg e 20 cm de garras para me fazer um estrago de verdade. -- o ruivo riu, tomando impulso para se levantar e voltar a se jogar sobre a cama, fazendo questão de puxar as pernas e esconder debaixo de um dos travesseiros de Charles. Já tinha tido sua dose de arranhões por toda a tarde, e queria uma folga, e imaginava que depois de ficar entalada a gata também quisesse uma folga.

Charles

Aparentemente o ataque surpresa de Luma não havia sido um ataque mortal, se ele conseguia dizer que estava tudo bem, então ainda poderia ser salvo. Observou o desespero da gata presa embaixo do móvel e poderia dizer que pelo movimento frenético das patinhas dianteiras tentando sair daquela situação, parecia ser mais um caso de vida ou morte. A gata poderia ser bem endiabrada, mas também sabia ser dramática.

Tirar a gata não foi difícil, um pouco dolorido por conta de todo o movimento que teve de fazer para se inclinar para alcançar a felina, mas conseguiu. Por um lado isso dava para Charles uma nova sensação de responsabilidade, desde que a gatinha havia chegado em casa os dias estavam sendo bem mais curiosos. Colocou a gata no colo para evitar qualquer outro ataque maligno vindo dela, mas ela parecia estar mais cansada de toda a maldade e se deitou no colo do cadeirante: - Acho que dá sim. Eu nem disse pra ele qual domingo e ele já achou que era esse. Dá pra inventar alguma desculpa, compromisso com a Luma, algo assim. - concordou, mas antes que pudesse alcançar o celular Yure aproveitou para mostrar as provas do crime de Luma. Bem poderia mandar uma foto para Monique depois para dizer que a gata estava sendo bem treinada.

- Os 20cm de garra não dá pra acontecer, mas garanto que os 2kgs ela vai ganhar em pouco tempo - respondeu, cutucando de leve a pequena barriga do animal, por sinal estava bem estufada, sinal que a ração estava fazendo bem seu trabalho. - Já que ela está muito entretida em pensar como te atacar, vou por ela um pouco pra fora, dá tempo de bolar mais alguma ideia e pelo menos começamos o jogo - brincou, indo até a porta do quarto e colocando a gata no chão, que bem como se tivesse escutado a conversa, correu para sala para causar mais alguma maldade dentro do seu reino de almofadas. Fez o caminho de volta e finalmente pode pegar o telefone para avisar ao presidente do conselho que teria que adiar para o outro domingo. Seria engraçado ver a cara dele com a surpresa.

- Já que estamos falando de St. Clavier, mais algum acontecimento fantástico por lá? - perguntou, se colocando de novo na cama e inicializando o jogo - A Luma já foi a minha dose de “acontecimento fantástico” por um mês.
Yure

Yure estava largado sobre a cama tomado por uma preguiça momentânea enquanto Charles se ocupava de ajudar Luma o pequeno satanás peludo de quatro patas da casa, apenas quando a gata estava fora que o ruivo tornou a se sentar. Coçou a nuca pensativo em como o amigo já aparentava estar completamente habituado a cuidar do pequeno animal:

-- Fantástico? Hmmm! Depende, se você considerar que tem um monte de gente estranha em St. Clavier, que não são alunos e nem professores, que tá rolando altas fofocas e teorias da conspiração que vai desde seriado americano de polícia até papo sobre iluminattis e aliens, tá tudo meio na mesma. -- comentou o que lhe vinha na cabeça, batucando com os dedos sobre as pernas dobradas, tinha muita coisa acontecendo mas preferia nem entrar nos detalhes: -- tipo, no geral sabe as minhas notas tão na média, então como eu sou razoável em exatas eu passo, to no reforço de história com o testa de ferro e isso já apareceu nas minhas notas, só em química que eu tô meio pendurado, mas to estudando com o Peyrac -- fez uma pausa breve, rindo meio nervoso : -- não é nada pra se orgulhar, mas passar de ano é passar, e vai ser um feito histórico se eu não ficar pra recuperação de alguma matéria.

Yure esperou que o amigo ligasse finalmente o console para que pudessem de fato jogar alguma coisa, nem sabia o que era, mas esperava que Charles fosse lhe explicar, não era do tipo expert em joguinhos para acompanhar os lançamentos, e os trailers, e os vídeos de gente jogando pra antes mesmo de pegar no jogo já ter noção de como se joga. Enquanto esperava foi falando tudo que lembrava que podia ser do interesse, ou fosse de alguém conhecido de Charles:

-- Ah sim, afora isso teve um monte de tretas romanticas, tipo o testa de ferro brigou com o Ethan de novo, mas eles já tão de boas de novo, parece que Mama tá com algum problema porque os meninos do primeiro ano tão tudo como umas baratas tontas. O Sasha parece bolado, e o Mucha Lucha ainda tá naquela meia cara dele depois da treta com os meninos do time de basquete e o Oliver, eu cheguei a te contar? Não lembro. Mano, muitas tretas.


RE: [Drive] Conversa de Senhorinhas [Yure; Charles] - Lil - 08-29-2021

Charles

Enviou a resposta para o outro cadeirante avisando que só poderia no outro domingo, ignorando toda a brincadeira sobre ser o seu “cafetão”. Ouviu atentamente ao que o amigo ruivo falava sobre as teorias da conspiração e luta para passar de ano. Não se preocupava muito com a última parte, apesar dos pesares sabia que o amigo conseguiria e já haviam bem conversado sobre isso da última vez: - Eu me pergunto como um lugar só consegue reunir tantas pessoas estranhas, logo em uma cidade como Cerise.

O jogo iniciou e enquanto ajustava algumas configurações, legendas, volume de audio e etc, continuou a comentar sobre as situações, apesar de ser um tópico que não entendia muito, as “tretas românticas”.

- Do tanto que você fala que o Isaac e o Ethan brigam, eu me pergunto porquê eles continuam juntos. Não faz sentido se vão discutir por qualquer coisa. - comentou, afinal, se não estava funcionando não precisavam simplesmente terminar? Facilitaria bastante para ambos os lados - E eu fico surpreso com a gralha estar incomodado com algo, de tudo o que você falou isso é o que me surpreende mais - não que não se preocupasse com Oliver, mas do que ouvia de Yure, sabia que o amigo de seu amigo conseguia se defender bem - Mas o Oliver está bem, certo? E como raios tudo isso acontece em poucos dias?!

Por fim colocou o jogo para iniciar e começou uma série de cutscenes e alguns breves tutoriais sobre o mundo cyberpunk onde o jogo se passava.

Yure

O loirinho tinha um ponto, se o Ethan e o testa de ferro brigavam tanto, porque eles ainda namoravam? Certo que Yure e Monique tinham os seus desentendimentos de vez em quando, mais porque os dois viviam em internatos, e o pouco tempo que tinham, o ruivo estragava fazendo badernagem e ficando de detenção - entendia o ponto de Monique de verdade -. Pegou o controle e prestou atenção nas explicações do jogo, no que dava pra entender, porque só ia entender quando começasse a jogar de fato, perdesse um monte de itens, vidas, ou muitas outras coisas valiosas, mas para o bem, ou para o mal, o amigo era paciente em lhe explicar as coisas.

Ficou calado por um tempo, mas porque estava fazendo movimentações básicas e tentando testar os comandos, tornou a prestar atenção quando Charles falou do acontecido com Oliver:

-- Ah, ele ficou bem mal viu, porque ele nunca tinha passado por algo assim, os merdas do time de basquete tem histórico do pior tipo: bullying, destruição de patrimônio, só as queixas de abuso que são abafadas, porque eles são filhos de gente rica e tals… -- o ruivo franziu a testa, porque lembrar da situação lhe irritava: -- então, a merda foi que passaram a mão no Oliver, eu encontrei com ele choroso no corredor, ai o que eu fiz? Disse pra ele ir na sala do conselho falar com o Peyrac, porque ele que resolve essas coisas, e fui atrás dos babacas do time de basquete. Sendo que a merda ficou pior, porque o Mucha-Luta, por algum motivo, ficou muito bravo porque o Oliver não revidou nos merdas lá, sendo que o Oliver já tinha levado bronca antes por revidar nos garotos, ai eu acho que o estresse bateu, e eles começaram a brigar no meio do corredor. Teve de vir o Vice-presidente do Conselho Estudantil, que tem uma fama de ex-membro de gangue e tals e tals, pra separar os dois, os meninos disseram que ele deu um mata-leão no Mucha-Luta e botou ele pra dormir, digno de UFC a coisa toda. O Mucha-Luta foi pra enfermaria apagadaço, e eu, Oliver, e os merdas do time de basquete fomos tomar bronca do Sasha. Claro, que ele botou quente nos merdas lá, mas não tem como expulsar os meninos pq eles são ricos, mas ele fechou o clube de basquete como punição. Foi tenso. Ainda me dar dor de cabeça essa situação toda. Oliver tá todo “coisado” depois disso, não deixa a gente dar abraço, não deixa a gente chegar muito perto, eu fico puto, que ele tenha de passar por isso, e uns merdinhas com pais ricos, tem a situação passada pano.

Respirou fundo, enquanto fazia coisas aleatórias no joguinho, mais seguindo o que o Charles estava fazendo do que pensando propriamente nas ações:

-- enfim, muitas tretas.

Charles

Sempre que o amigo ruivo ficava em silêncio, Charles sabia que ele estava prestando atenção e pensando, as vezes pensando até demais. Não sabia exatamente sobre o que, mas talvez tivesse a oportunidade de perguntar depois. Também estava se acostumando com os controles e com a visão em primeira pessoa, sempre se perdia um pouco com o tanto de informação que esses jogos colocavam na tela.

Se surpreendeu com o tanto de informação que veio em seguida sobre St. Clavier. Se perguntou por um momento se realmente estavam falando da academia ou de algum tipo de filme de luta. Mas não pode evitar de fazer uma cara de desgosto quando o assunto com o bullying ficou mais sério, principalmente pela situação com Oliver e a situação no final disso tudo: - Primeiro, eu tenho medo desse vice-presidente, por que das coisas que você já me falou do “Mucha Lucha”, para ele fazer ele apagar… Bem. - decidiu não pausar o joguinho enquanto falava, talvez deixasse a situação um pouco tensa.

- Tretas até demais. E o gralha é irritante, mas ele tomou a decisão certa, me irrita mais é esses infelizes ainda estarem por lá. - resmungou, não se considerava próximo de Oliver, mas a ideia de pessoas se aproveitando das outras o deixava bastante irritado. Ponderou por um tempo sobre o que fazer. Pensou em sugerir a Yure que convidasse o outro amigo para o treino, mas muito provavelmente a última coisa que ele iria querer fazer seria algo relacionado a basquete.

- Vai dar um tempo para o Oliver, ou vai tentar fazer alguma coisa? - perguntou enquanto atirava contra alguns monstrinhos dentro do jogo, achava a voz do robô que os seguia um pouco irritante.

Yure

Lembrar da situação que tinha acontecido com Oliver de fato deixava o ruivo muito desgostoso, tanto que por alguns instantes, se não fosse o jogo lhe puxando a atenção, teria saído de sua expressão mais distraída, para uma bem irritada. Apesar de ser bem expressivo e bem aberto sobre o que sentia, não costumava fazer expressões irritadiças de verdade, no máximo abuso momentâneo por alguma situação errada. Mas “raiva de verdade” era algo que poucos de seus amigos podiam dizer que já tinham presenciado, mas conseguiu abstrair com o joguinho:

-- vou, tô dando espaço na verdade, porque tipo, a gente sai, estuda, mas eu mantenho distância dele, aviso de longe que to chegando perto, pra ele não se assustar, pergunto se ele quer um abraço, ao invés de só abraçar ele. Essas coisas, não sei quanto tempo vai demorar pra ele se acostumar de novo, mas tô fazendo a minha parte. -- O ruivo mudou de posição cruzando as pernas e ajustando a postura, quando jogava tinha a tendência de ficar todo tronxo daí dava pouco tempo, sentia que ia ficar dolorido:

--Já do vice-´presidente do conselho estudantil, o pessoal lá em St. Clavier, chama ele de: “cão”, porque parece pelo que o pessoal do quarto ano falou, uns quatro anos atrás ele e a Mama o presidente do conselho estudantil eram membro de gangues e tals. E meio que eles se elegeram pros cargos no conselho porque as outras chapas tinham medo deles, e porque o pessoal geral na escola ou era apaixonado pelo Didier, ou tinham medo do “cão”. -- Falou aquilo com ares de quem não estava muito impressionado, porque de fato nunca tinha visto nada daquilo, só ouvido falar, então não tinha ideia do quanto daquilo era real: -- Mas pelo que eu já falei com ele, não acho ele assustador, ele também não é bonito, mas é bonito, não sei explicar. Ele é educado comigo, me explica as coisas na sala do conselho, faz brincadeiras com o testa de ferro, rir, e faz os trabalhos dele, acho ele bem normal até, sabe. Diria que é só história e tals, mas se ele apagou o Mucha-Luta que tem até uns prêmios de Karatê, então ele é forte mesmo. Mas assim, o Oliver não parece forte, mas é, além de ser legal. Então as pessoas podem ser fortes e serem legais, e ao mesmo tempo causarem medo nas outras pessoas com a força que elas tem, ou algo assim.

Seguiu imitando as coisas que Charles fazia, já pegando um ou outro esquema do ritmo de jogo, e ficando mais entretido com o que estavam fazendo: -- E ah, ele o Blanco, vice-presidente do conselho estudantil, é amigo do Peyrac, o presidente do disciplinar, eu já vi eles conversando pelos corredores do prédio de exatas. -- comentou a cargo de nota, já que Charles já tinha conhecido Sasha, no fim, Cerise era como uma cidade de interior, todo mundo se conhecia um pouco.

Charles

Sabia que havia poucos momentos em que o amigo ruivo ficava de cabeça quente, e um desses era quando mexiam com seus amigos. Era fácil para Charles de perceber que o amigo estava se controlando ao máximo para não parecer irritado - mais do que realmente estava:

- Eu acho que você está fazendo o que pode. Só do fato de você estar com ele já é o que muita gente não faria - admitiu enquanto fazia alguns comando rápidos no controle para desviar dos inimigos do jogo - Com certeza vai levar algum tempo, quando ele se sentir confortável para falar sobre, provavelmente ele vai.
Não se achava a melhor pessoa para dar apoio para as pessoas, mesmo Yure tendo dito da última vez que era um bom amigo nessas horas, não confiava tanto assim nas suas próprias palavras. Deixou as pernas em outra posição depois que viu o amigo se ajeitar na cama, afinal a ultima coisa que iria querer é as pernas formigando e doloridas, e então continuou a jogar.

Ouvir a história do dito “cão”. Membros de gangue em St. Clavier? Quanto mais o ruivinho falava sobre o passado dos dois, mais Charles tinha certeza que tudo isso parecia situação de filme, ou até de um jogo: - Ele parece aqueles personagens que você acha que não faz nada, mas que aí tem algum ataque muito especial que pega todo mundo desprevenido. - comentou com as sobrancelhas levemente franzidas mas concentrado no jogo. Quando Yure mencionou sobre Sasha e o “cão” se conhecerem, Charles até deixou com que o personagem levasse dano dos inimigos:

- Não me surpreende que o Sasha seja amigo dele - resmungou, imaginando o tipo de amizade que os dois deveriam ter. Se não tivesse receio do Blanco, certamente sentiria pena por ter que aturar o outro cadeirante - Ele não tem noção do perigo, mas me surpreende a paciência do vice-presidente. Me pergunto como os dois se conheceram? - perguntou mais para si mesmo do que para o ruivinho, mas como não tinha nenhuma intimidade com Sasha, não fazia nenhuma ideia qual seria o passatempo dele além de irritar outras pessoas no supermercado.

Yure

O ruivo se distraiu por um momento tentando lembrar se já tinha ouvido alguma conversa sobre Sasha e o vice-presidente do conselho estudantil, mas não vinha nada em mente, só que eles faziam química, logo estudavam na mesma turma. E pareciam sempre, muito íntimos conversando como se fossem amigos de longa data:

-- Assim, se eu disser que eu sei como eles ficaram amigos eu tô mentindo. Sei que eles parecem muito chegados, ouvir do ruivo do primeiro ano, o Adam, que o Blanco as vezes dorme com o Peyrac, mas eles não tem cara de quem se “pegam” sabe. Mas o Adam comentou que isso deu uma treta com a Mama, porque na real, mesmo que ninguém diga, o Blanco e a Mama parecem namorados, real oficial. Mas pelo que o povo fala, nem são, e tão brigados, ou estavam… não sei dizer porque não tô acompanhando de perto.

Yure apontou pra tela notando que quando ele passava por uma determinada área o campo parecia “bugar” a cor da roupa do personagem, era o primeiro bug pra lista. Aí naquele momento lembrou de outra situação tosca que tinha rolado recentemente em St. Clavier:

-- ah sim, essa treta dos dois rendeu a ponto que sobrou pros meninos do primeiro ano. -- o ruivo deu um risinho, porque lembrar da história sendo contada em tom dramático pelo amigo lhe fazia mais achar graça do que ficar com pena: -- então, a Mama como eu já lhe disse antes provavelmente, tem hábito de ajudar calouros e tals, daí quando ele some, os meninos parecem umas baratas tontas. Ai lá estavam os meninos do primeiro ano, sem ajuda da Mama porque ele não tava afim, e os meninos tem a brilhante ideia de ir bater na porta do “cão” pra pedir explicações, eu preciso dizer que foi uma péssima ideia?

O ruivo se arrumou na cama e então encarou o amigo loiro de seu lado: -- pelo que o Adam disse, o Blanco, pegou o Emil, e arremessou ele nos outros meninos do primeiro ano no corredor dos dormitórios. O Adam só não levou uns sopapos porque o Testa de ferro chegou e falou com o Blanco e ele parou. O Adam me contou isso chorando, mas eu nem consegui levar a sério, porque ele é tão exagerado, nem deve ter sido isso tudo. Hahahah.

Charles

— Huh. Bem, eles não precisam “se pegar” para dormir no mesmo quarto. Talvez seja só, sei lá, companhia? - Charles se sentia uma senhorinha teorizando sobre a vida alheia do cão de St. Clavier e a Mama. — Então é meio que um triângulo amoroso? Bom, pelo menos na cabeça da Mama… Mas o gralha só causa problemas hein?!

Resmungou enquanto fazia alguns comandos dentro do joguinho, tentando replicar o bug que Yure havia causado. Ele realmente tinha um bom tato para encontrar falhas em programação. O loirinho com certeza chamaria o amigo ruivo para ser um beta tester caso fizesse algum joguinho ou aplicativo no futuro

Ficou curioso com o amigo rindo, ao menos ele estava se distraindo da raiva que estava pelo acontecimento com Oliver. Charles escutou com atenção o desastre que estava para ocorrer com os primeiranistas, Yure mal começou e o cadeirante já tinha certeza que a desgraça era certa.

— Mas eles são idiotas?! Se todo mundo sabe que o vice-presidente bota esse medo todo, eles foram perguntar logo pra ele?!

Charles inclusive pausou o jogo quando Yure deu mais atenção a lhe contar a história, aproveitando para massagear as pernas com cuidado enquanto o ruivo contava sobre a desventura que ia de mal a pior. Inclusive ouviu um nome familiar ali, Emil. Só pode sentir pena do garoto gordinho.

— Se ele tava chorando eu daria pelo menos a dúvida. Aliás, como ficou o Emil? Ele disse a mesma coisa sobre o que aconteceu? - parou para pensar, então atento Isaac estava envolvido nessa coisa toda? — O Isaac também tá no meio desse burburinho da Mama e do Cão?

Yure

O ruivo pensou sobre um possível triângulo amoroso entre o Sasha o Blanco e a Mama, e acenou negativamente, achando aquilo muita loucura, primeiro porque o Blanco era muito normal, e o Sasha muito safado, e a Mama, muito mãe, então aquilo parecia tudo errado. Se distraiu a ponto de perder tempo no joguinho em uma das ações que estava fazendo. O ruivo gesticulou com a finalidade de pausar o jogo, e se esticou:

-- Eu vou pegar algo pra lanchar, essa conversa toda de triângulos amorosos, faz quadradinho do amor, tá me deixando com fome. Há! -- Não demorou na cozinha, roubando suco, e lanchinhos, trouxe a tigela na boca com os salgadinhos dentro, numa mão dois copos, e na outra a caixa de suco. Posicionou tudo em seu devido lugar, antes de voltar a sua posição de jogo:

-- Assim, eu não sei dizer se o povo todo se pega lá nos conselhos, eu passei algumas semanas no Disciplinar, o Sasha ele tem de companhia de aluno só o Mucha Luta, e no geral, eles são muito tranquilos trabalhando, resolvem tudo rápido e depois cada vai fazer seus trabalhos. Eles tiravam tempo pra me ensinar como funcionava a papelada e eu cumpria minhas detenções suave. Aprendi um monte sobre planilhas, formatação de documentos e outras firulas. -- O ruivo encheu a boca de salgadinho de cereais e grãos, feliz pelo sabor de tomate seco que era seu preferido agora que era vegetariano: -- Já do conselho estudantil a dinâmica é um pouco diferente, o Blanco e o Isaac são amigos, eles fazem os trabalhos bem ligeiro, e depois ficam conversando sobre coisas deles, já vi falarem de eventos, livros, emprego, comida, montes de coisa. Nunca vi a Mama no Conselho trabalhando, então nem sei como é com os três juntos.

O ruivo seguiu jogando e bateu em algo invisível, porque tinha se distraído e ido demais em uma direção errada, acabou rindo, e ficou repetindo pra mostrar ao amigo o outro bug: -- Mas assim, eu já ouvi do Adam que a Mama não se dá bem com o Sasha, e que eles meio que brigaram na frente da enfermaria um tempo desse, agora o que os dois estavam fazendo na frente da enfermaria aí eu já não sei. E é, tem um boato que os calouros acham que o Isaac tem uma câmara de tortura no quarto dele, porque o pessoal já escutou gritos altos vindos de lá. Mas assim, a considerar que o Isaac namora caras, ele devia só tá namorando alguém e os calouros confundiram os barulhos. Mas pensa na criatividade de pensar numa câmara de tortura medieval num quarto.

O ruivo desatou a rir bem menos estressado que antes, já que tinham mudado drasticamente de assunto, tinha até esquecido que estava amuado quando chegou: -- E sim, antes que eu esqueça, o Emil e os outros meninos do primeiro ano estão bem, por isso eu acho que foi exagero do Adam, não tinha ninguém com nada quebrado.

Charles

O amigo ruivo havia negado a possibilidade de um triângulo amoroso entre as três figurinhas de St. Clavier, mas era bastante suspeita esse tipo de interação entre eles. Obviamente, não era da conta de Charles e o cadeirante também pouco se importava com o que eles faziam ou deixavam de fazer, mas caso ouvisse alguma reviravolta sobre todo esse caso, não ficaria surpreso nem um pouco.

- Ah, fica à vontade, se sinta em casa - respondeu irônico ao anúncio do furto de lanchinhos. Felizmente havia se abastecido bem com os tipos que agradavam bem Yure - Avise se precisar de algo - avisou enquanto o amigo saia da vista que tinha da cama do quarto. Aproveitou a pequena pausa para olhar no celular se havia alguma mensagem que precisasse de sua atenção imediata.

Viu o ruivo voltar fazendo malabarismo com todas as tralhas que estava trazendo, deu o espaço necessário para ele colocar tudo em seu devido lugar e tirou o jogo da tela de pause para que pudessem voltar à caça-aos-bugs que estavam fazendo.

- Uhm… - resmungou enquanto fazia comandos dentro do joguinho, felizmente tinha facilidade o suficiente de ouvir o amigo falar com a boca cheia de salgadinhos. - Olha, não falo nada do Sasha e do Mucha Lucha. Tipo, se eu fosse reclamar do Sasha seria que ele não presta, mas isso não é nada novo - prestou atenção no bug que o amigo fez, murmurando um ‘como você fez isso?!’ enquanto tentava repetir o que ele havia feito - Sei que você gosta da Mama, mas ela parece ser bem encostada no Vice e no Isaac. Tipo aqueles trabalhos de grupo, que de grupo só tem o nome mesmo e só uma pessoa faz o trabalho? Tá parecendo isso. E sério, as fofocas aí correm soltas ou é impressão minha? Não faz nenhum sentido alguém ter uma câmera de tortura dentro dormitório

Charles se sentiu aliviado por Yure parecer mais descontraído do que antes. Apesar de ter se assustado com a ideia da câmara de tortura do secretário, pensando como confundiram os barulhos. Pra toda mentira tinha um fundo de verdade, não é?

- Pelo menos o Emil está bem, é o que importa. Esse Adam é aquele do grupo de teatro que quer ser uma diva pop não é? Ele já deve estar indo bem com essas histórias malucas. Parece bem coisa inventada mesmo. - comentou, não gostava muito de pessoas que queriam muita atenção. E de ruivo-bagunça, já tinha atingido seu limite de vagas. Esperava que depois de algum susto desses, Emil tentasse tomar mais cuidado, pelo o que tinha visto do garoto no dia do cinema, ele não era muito bom em lidar com situações tensas.

Yure

O ruivo estava distraindo, entre pensar em coisas novas para falar ao amigo sobre St. Clavier e prestar atenção nas coisas do jogo, ficava encantado com o tanto de tempo que as pessoas levavam pra fazer as coisas toda do jogo. Charles que gostava de lhe explicar que tinha muita gente envolvida no trabalho de cada textura, luz, música, e mais um monte de termo difícil, e ainda assim, lá estava o ruivo achando problemas e bugs na iluminação que não refletia em todos os objetos:

-- Ah, o Adam, ele é uma diva, não é Pop ainda só porque não estreou nenhuma peça ainda do clube de teatro, mas só falta estourar nas mídias sociais mesmo. Na real, o nome dele é Adamastor, o tipo de nome que você espera em uma pessoa de 40 anos, mas ele tem 15, e por isso ele é chamado só de Adam. No clube de teatro ele se dá bem com as atividades todas, mas se diverte mais maquiando e preparando o povo pros exercícios e tals. Apesar de ser exageradamente chamativo, ele é bem confiável. -- Comentou enquanto jogava com uma mão só e pegava o copo de suco com a mão livre, tomando um gole breve pra molhar a garganta: -- Eu vou chamar ele pra fechar a chapa pra concorrer nas eleições do Conselho Estudantil, precisa ter: presidente, vice, secretário, tesoureiro e relações públicas: Eu, Oliver, Lui, Nan-li e Adam, não necessariamente nessa ordem de cargos, mas é isso aí.

Comentou voltando o copo de volta a mesinha de cabeceira e tomando uma posição mais confortável, balançando uma das pernas na beirada da cama: -- Eu tava falando com o Vice Blanco, e ele disse que o Isaac tava meio chateado porque não tinha nenhuma chapa pra concorrer as eleições que vai ter depois das provas finais, daí eu pensei que eu podia me candidatar, tipo, eu aprendi um monte de lá de como funciona, conheço um monte de gente, sou bem popular até certo ponto, e se isso deixar o Isaac mais feliz, já serve de agradecimento por ele me aturar nas aulas extras de história, vou passar de ano por causa dele.

Sorriu mais tranquilo pensando que era uma boa ideia, esquecendo completamente da parte de que o volume de trabalho no conselho estudantil é insano e talvez não tivesse se munido das pessoas mais aptas e acostumadas a esse tipo de serviço, com exceção é claro do Nan-li, ele seria um bom tesoureiro, números é a cara dele:

-- Ah, Charles! Eu queria que você já estivesse em St. Clavier, eu iria te convencer a entrar nessa maluquice comigo, com certeza você ia fazer o conselho funcionar. -- Encarou o amigo com um sorriso besta no rosto, tempo o suficiente de se distrair do joguinho e fazer alguma bobagem.

Charles

Charles sabia que o amigo ruivo era cheio de talentos escondidos, e acabava se divertindo bastante com a sua habilidade de encontrar defeitos em jogos. Certamente ele poderia ganhar dinheiro extra se oferecendo como beta tester em alguma empresa, pelo menos ia garantir que boa parte desses erros nem iria existir.

- Hmn. Realmente, eu não pensaria numa diva pop com o nome de Adamastor. - comentou despretensioso. Tendo sua atenção mais cativada com o grupo de pessoas com quem ele iria montar uma chapa - Eu entendo o Oliver, Lui e Nam-li, mas dá pra confiar nesse Adam? Eu não confiaria muito em alguém tão estrela assim. - até iria comentar mais sobre o tal do Adam, mas não queria agourar completamente a ideia de chapa do amigo. - Aliás, de onde veio a ideia de montar chapa?

Aproveitou para se esticar e por um pouco de suco no copo. Estava falando mais do que o normal, e um pouco de suco de laranja lhe cairia bem. Tomou alguns goles enquanto escutava a explicação do ruivo. Achava estranho imaginar Isaac abalado com algo, principalmente da imagem que tinha desde o encontro com ele em St. Clavier. O secretário não parecia ser o tipo que se incomodaria com algo assim.

Fez uma careta quando Yure comentou sobre inserir Charles dentro dessa maluquice toda: - Eu preferiria que não. Essa ideia de estar numa chapa parece ser algo muito interessante, mas pela a quantidade de dor de cabeça que isso iria me dar, acho melhor não. E nem me venha insistir. - resmungou sobre a possibilidade. Apesar de tudo, sabia que se o amigo insistisse apenas um pouco acabaria cedendo. Bendito ruivo-problema.

Yure

O ruivo riu besta com cara de culpado quando o amigo lhe falou na lata que não queria ser incluído naquela ideia maluca de fazer parte do conselho estudantil, e ele tinha toda razão, aquilo era com certeza de todas as maluquices que já tinha feito, a mais fora da zona de conforto era aquela:

-- Ah, eu não sei se dá pra confiar total, o Adam é dedicado nas aulas de teatro, sempre vai, chega cedo, nunca falta, agora que ele falta aula, dorme demais, fura rolê com os amigos, essas coisas, acho ele meio monofunção, mas foi o único que topou fechar a chapa comigo. -- Falou com uma voz leve de desapontamento, depois de voltar a posição mais correta de sentar-se fazendo sandices no joguinho:

-- Na real, eu acho que ninguém tá levando a candidatura da gente muito a sério, porque né, tirando o Nam-li, não tem ninguém competente na chapa, digo, do tipo nerdão, boas notas, bom atleta, bonito, popular, desenrolado, cheio dos contatos. Tipo o Oliver é um ótimo atleta, é fofo, mas passa mais arrastado que dança da cobra, o Lui é o Lui, um anjo puro demais para esse mundo onde vivemos, acredito que ele têm o necessário para conversar com outros alunos introvertidos e que se sentem meio acuados, mas bem… todo o resto não dá muito pra contar com ele, até porque ele some de vez em quando, ele se perde da gente e demora umas horas pra se achar. O Nam-li vai fazer as planilhas de gastos na velocidade da luz, mas ele tem um total de 0 desenvoltura pra lidar com outras pessoas, conseguir patrocínios e essas coisas, além do povo ter um rancor por ele ter 14 anos e tá terminando o ensino médio.

Deu um resumo bem por cima dos amigos da chapa, e só sobrava falar de si mesmo, isso fez o ruivo murchar os ombros e levantar um sorriso nervoso que usava apenas quando ficava na defensiva:

-- Eu sei que eu dou conta de fazer, sabe, porque eu tô lá alguns dias da semana, e sei como os dois conselhos funcionam bem por cima, mas sei… Sendo que geral não bota fé, que o aluno bobão que tira notas medianas sirva pra botar moral em alguma coisa. Eu sou tipo aqueles vídeos de ratos brigando no Xwitter, todo mundo fala, mas ninguém leva a sério. Se eu ganhar essa eleição vai ser justamente porque o povo vai achar uma piada pronta um aluno baderneiro no conselho de manutenção das regras. Fazer o quê?

Charles

Charles estava bem desconfiado se Adam iria ajudar, mas o voto de confiança do amigo ruivo, apesar de todos os pontos negativos da “diva”, fez com que Charles desse um quarto de voto de confiança no garoto.

- Sabe que se ele não cumprir você vai ter que avisar à ele não é? Apesar que se ele fizer isso tudo ele deve ter bastante consciência de quando não está fazendo seus deveres. - alertou. Sabia que o amigo ruivo não era besta, muito pelo contrário, perceptivo até demais, mas sempre gostava de reforçar algumas coisas. Um dos problemas de Yure era ser bom demais.

Escutou ainda a lamúria sobre a sua chapa não ser levada à sério, não ter apoio dos outros alunos, mas na visão de Charles, eles tinham muitos pontos positivos. Principalmente por que Yure estava bem acostumado com os serviços de ambos os conselhos. O que as outras chapas poderiam oferecer? Um rostinho bonito? Era exatamente o que a chapa atual tinha e aparentemente só uma pessoa fazia o trabalho todo.

- Bom, pode até ser que eles não estejam levando à sério, mas você acabou de dizer vários pontos que vocês conseguem complementar. Contanto que tenha uma pessoa para fazer o “social”, isso já é positivo, e você consegue fazer social e entender como funciona o trabalho interno. Duvido muito que qualquer outra chapa formada consiga isso. Vocês devem conseguir ganhar por conseguir atingir vários grupos de pessoas diferentes. - comentou, quase imaginando toda a situação como uma estratégia de conquista de Age of Empires - Mas, se eles cometerem a estupidez de colocar vocês no conselho como uma “brincadeira”, torna tudo simples de provar eles ao contrário. Ainda assim é uma vitória, não da maneira que você imagina, mas uma vitória. Além de quê, se você pedir apoio pra chapa atual, duvido muito que o Sasha vá lhe negar isso. Seria bom também conversar com o Isaac e pedir apoio.

Sabia que Sasha era uma gralha irritante, mas ele tinha uma boa cabeça por todas as informações que Yure compartilhava. Então, ter o apoio da chapa atual do conselho disciplinar seria um bônus positivo. Não tinha certeza sobre Isaac, mas se Yure usasse as palavras certas, talvez tivesse sucesso.

Charles mal percebia que estava levando isso um pouco a sério demais, à despeito de alguém que havia dito minutos atrás que não queria nenhum envolvimento.

Yure

O ruivo estava contaminado por aquele sentimento de não pertencimento de não conseguir ser o suficiente para fazer um serviço que tinha em sua mente que conseguiria fazer, podia até ser um garoto hiperativo com problemas para lidar com algumas matérias, mas estava se esforçando tanto e a tanto tempo que queria que alguém lhe dissesse ao menos que estava fazendo um bom trabalho. Iria continuar o jogo, mas pediu um time para tomar mais suco, estava a aura da derrota, e nem o sabor frutado e refrescante conseguia reacender seu ânimo. Yure podia ser dificil de compreender pra algumas coisas, mas para outras era incrivelmente transparente, era muito fácil ler através de seus sentimentos quando nem o próprio ruivo estava fazendo muita questão de esconder. Talvez também, porque fosse com Charles, e mesmo que quisesse colocar a banca que estava animado, ele certamente iria perceber que tinha alguma coisa errada.

Estava em verdade cansado de parecer que estava feliz e animado todo tempo, quando estava era cansado de estar sempre estudando, e sempre tentando ser responsável, e mesmo que estivesse melhor de fato, ainda era tratado como um idiota descerebrado, e olha que burro o ruivo nunca tinha sido, preguiçoso e distraído até vai, mas burro não.

Então quando Charles lhe falou o óbvio, que podia pedir ajuda aos outros membros do conselho estudantil e disciplinar como Sasha e Isaac, o ruivo parou, sem assimilar aquela informação imediatamente, os olhos observando fixamente o amigo, como se estivesse numa tela de carregamento para alguma reação. Ok, para além de um pouco preguiçoso e distraído, as vezes era lento para assimilar situações que poderiam ser consideradas óbvias. E quando finalmente teve a realização de que de fato poderia pedir ajuda aos membros mais antigos, toda a energia de Yure voltou, e ele se aproximou do loirinho, levando as duas mãos até o ombro do rapaz, até assustando Luma que estava no décimo sétimo sono. Sacudio o rapaz um pouco, a energia voltando para seu ser, os olhos brilhantes o sorriso radiante:

-- você acha mesmo que eles iriam me ajudar? Acredita mesmo que o Isaac ou mesmo o Sasha iriam falar por mim tentando me indicar? Se bem que das pessoas que eu já vi cumprindo as detenções todos pareciam super desinteressados em aprender só eu que parecia estar mais animado com a coisa toda que era mostrada e apesar dos pesares até o Isaac tem um pouco de paciência de me ensinar as coisas será que se eu pedir eles realmente vão me ajudar? Isso seria tão bom!!!!!

Charles

Charles estava empolgado tanto no jogo quanto na ideia que estava bolando mentalmente. Aceitou o pedido do amigo de dar um tempo no jogo, e era tão claro quanto o dia é dia e a noite é noite que Yure estava bastante incomodado com toda a questão da chapa do conselho estudantil. Por isso, planejou com ainda mais cuidado como poderia ser o “plano de ataque” para as eleições.

Comentou tudo bastante despretensioso, olhando no celular enquanto falava, mais com o intuito de não encarar o amigo e jogar mais pressão do que ele precisava. Na cabeça de Charles, havia sido um plano de ataque excelente, e se Yure conseguisse os reforços esperados com Isaac e Sasha, não haveria do que reclamar.

Percebeu o silêncio do amigo, o que o fez tirar os olhos do celular para espiar o que se passava na cabeça dele, aproveitando para pegar um pacote de bolinho também, já era hora de repor sua taxa de açucar. Apenas não esperava que o amigo segurasse seus seus ombros tão empolgado com toda a ideia, praticamente fazendo Charles jogar o bolinho do outro lado da cama, e Luma voltar dos sonhos.

- Por que não iriam? - respondeu, ainda sendo chacoalhado - você mesmo faz serviço pra eles, o Sasha gosta de você, o Isaac deve ver você se esforçando já que até reforço você está tendo com ele, e bem, acredito que isso que vai comprar ele. Então por que não? Só vai saber se for lá falar com ele. Mas as chances disso dar certo são bem altas.

Apesar de estar com a mesma cara indiferente de sempre, um pouco surpreso pelo susto que havia tomado, ver o amigo mais animado deixava Charles menos preocupado. Não tinha muita confiança para conselhos, se considerava péssimo para isso, mas se havia ajudado Yure, já era um saldo positivo.

Yure

O ruivo estava mais contente agora, e podia tirar tempo para comer, pegou bolinho e parte do salgadinho de batata doce chips, pra poder degustar, precisava repor as energias depois de tanto trabalho que tinha tido pra fazer a cabeça funcionar. Luma como vingança de ter sido acordada de seu sono magistral, avançou sobre as pernas de Yure dando patadas e mordidas de advertência que da próxima vez, vai ser a morte do rapaz:

-- Calma minha senhora!!! -- o ruivo reclamou com a gata mas fez questão de recolher as pernas para não ser pego de surpresa de novo, fez o gesto em v com os dedos e apontou para os próprios olhos e depois para a gata. Numa sugestão óbvia de que iria ficar de olho nela. Depois de terminar o pacote de lanchinhos, fez questão de catar todos os farelos para jogar no lixo e só então, ir lavar as mãos, enxugar antes de voltar a se sentar e pegar no controle do jogo:

-- Hey Charles, antes da gente voltar a jogar de fato, eu queria um conselho seu, tu pode me ouvir com mais atenção que o normal pelos próximos, tipo 10 minutos? Ou eu to exigindo demais?

Comentou com bastante sinceridade, não estava com o ar abatido de antes, mas estava falando mais pausadamente do que de costume, o que indicava no mínimo que o ruivo iria entrar em algum assunto mais sério, para querer opinião de terceiros de forma tão clara.

Charles

Pela cara do amigo ruivo, Yure estava satisfeito com a ideia. Não sabia como ele iria pôr em prática, mas tinha confiança que ele faria dar certo de alguma maneira. Viu a gata dar um de seus ataques na perna do amigo ruivo, seguindo por Luma sibilar algo que deveria ser muito ameaçador na língua dos gatos.

- Ele não vai mais te assustar, tá tudo bem - estendeu a mão para a gata, que rapidamente cheirou e deu as costas para o dono, se sentindo traída demais para aceitar carinho do próprio dono, fazendo com que Charles apenas aceitasse o desgosto temporário da gata - Você vai precisar convencer ela a te aceitar de novo.

Comeu algum dos lanchinhos junto a Yure e esperou que ele voltasse do banheiro para poder lavar as mãos também, não iria arriscar de sujar e engordurar os controles de seu video game. Estava pronto para se transferir para a cadeira quando o amigo chamou sua atenção, fazendo com que Charles prestasse mais atenção. Yure pedir diretamente para ouvir sobre um problema era algo novo, então o mais novo teve de se posicionar melhor:

- … Não, não está exigindo demais - Charles se ajustou sobre a cama, poderia passar ali o tempo que precisasse - Quando você quiser começar a falar, fique à vontade. - a última coisa que iria querer é apressar o amigo a falar.

Yure

Apesar de ser um completo cabeça de vento em maior parte do tempo, o ruivo as vezes colocava as ideias em ordem, ou ao menos tentava né? Não podia dizer que tudo que estava pensando fazia completo sentido, e por isso precisava de uma segunda opinião. E lá estava Charles todo atento, nem reclamou, o que era uma novidade para Yure, mas pudera, ele era um de seus melhores amigos, não podia subestimar a capacidade dele de perceber quando precisava de ajuda, como naquela tarde em específico.

Nem sabia oficialmente como entrar no assunto, nem sabia se era um assunto relevante, mas era algo que vinha e voltava e incomodava até o próprio cabeça de vento Yure Clarke Lukashenko, então, talvez fosse um assunto:

-- Sabe, eu não sou bom dando voltas, e nem dando muita introdução no assunto, eu vou falar o que eu to pensando, e ai você me diz se eu to viajando, certo? Certo. -- respirou fundo, e sentiu-se tenso, porque agora que tinha de falar, nada parecia fazer muito sentido, mas daí teria de falar de todo jeito, porque já disse que falaria:

-- Seguinte, eu tô namorando a Monique né? Nem sei mais a quanto tempo, sei lá, uns três meses? A gente se conheceu super por acaso, e eu só queria ajudar ela de uns doidos na rua mal encarados que pareciam uns tarados, levei a menina pra um rolê, cuidei do pé dela e no final do dia eu era namorado postiço. Tipo, de mentira mesmo, lembro que te contei na época, e pra mim parecia de boas, porque, não era sério, e eu não precisava levar a sério, porque era só pra ela poder sair de casa e poder fazer novos amigos, fazia sentido na minha cabeça na época. Por que se for parar pra pensar depois do lance da Hanna tudo que eu menos iria querer, era trocar beijo com alguma guria, porque eu ainda tava balançado na época, tanto que depois quando a gente se encontrou no Shopping e ela tava com o nojento do Nicolas eu fiquei quieto mas tive uma sensação bem chata, tipo raiva e inveja, sei lá, briguei com a Monique e o que era pra ela fazer amigos, deu tudo errado, eu me machuquei, e fiquei de cama, depois no apartamento, e ela veio me visitar, e dançamos juntos, e brincamos, e aí ela ficou mais amiga, e depois eu conheci o Sasha, e eu já não me sentia mais mal com a Hanna, e eu tava curioso com os caras, e eu saí com ele mesmo sendo namorado postiço da Monique. Depois a gente começou a namorar sério, nem lembro porque eu aceitei, mas tipo, eu não tava bem ciente de como ia ser, nunca tinha namorado na vida. Um dia desses falando com o Ethan ele me perguntou porque eu não tinha “tara” na Monique, e eu não sei dizer, só sei que é assim, tipo eu gosto dela, quero cuidar dela, mas ela nem deixa, e esconde coisas de mim que nem o negócio da mãe dela, e eu não sinto as mesmas coisas do mesmo jeito que foi com a Hanna e o Sasha, e eu não sei se to sendo honesto com a Monique, se tô com raiva ou sei lá. Só sei que tá estranho.

O ruivo respirou fundo depois de falar o novo texto da constituição da França, mas estava corado não somente pela falta de ar, mas porque aquele assunto bagunçava sua cabeça.

Charles

O loirinho cruzou as pernas, massageando a área novamente para evitar mais dormência, pela cara que Yure fazia, já conseguia imaginar que ele tinha bastante coisa ali para falar. E Charles havia prometido escutar. Espiou rápido para ver onde estava a gata, como não a viu nos arredores, supôs que ela voltou a dormir debaixo da cama. Felizmente, não teria que enxotar a gatinha do quarto para dar espaço ao ruivo falar sem ser interrompido:

- Se você brisar só um pouco eu vou avisar. - assegurou Yure, estava o encarando bastante atento, tentando perceber os detalhes se ele estaria muito nervoso ou não. E por tudo que estava vendo, ele estava tenso até demais. Charles teve bastante cuidado para não expressar a confusão e a pequena curiosidade que sentia no rosto.

E com isso, o amigo ruivo colocou tudo para fora, e Charles ouviu sem nem pensar em corta-lo. Não faria nem se estivesse pensando demais. Ficou surpreso que toda a fonte de preocupação fosse Monique. Certamente, o próprio cadeirante não havia ido com a cara da morena logo de cara, mas isso era por que o próprio sabia que era chato até demais com pessoas novas, mas esse não era o caso. Fazia breves acenos positivos com a cabeça quando a fala do amigo terminava em algum tipo de pergunta.

Toda a história com Hanna havia sido realmente um problema pra Yure. Bem lembrava como o ruivo havia ficado mal, especialmente com o reencontro no shopping. E no meio disso até o gralha apareceu. Podia reclamar o quanto quisesse do infeliz, mas não poderia desconsiderar que ele fez bem ao outro. No fim de toda a fala de Yure, veio o problema principal, como se sentia com Monique depois de namoros falsos e verdadeiros.

O loirinho cruzou os braços, pensativo sobre a situação. Todo o encontro dos dois, desde o começo, havia sido bastante turbulento, fato. Mas não foram feitos apenas de tensões, tiveram momentos muito bons, momentos que Charles inclusive participou. Não conhecia Monique no começo, mas conseguia perceber que ela era tão ruim quanto ou até pior que o próprio cadeirante quando o assunto era amizades, à maneira dela::

- Minha opinião sobre a situação, primeiro você não viajou - começou, parando de massagear as pernas - Segundo, acho que ela “tomou mais espaço” do que você imaginava? Tipo, você mesmo disse que podia não levar à sério, e você teve um monte de experiência onde você levou a sério e não deu certo, tipo a Hanna. Aí teve o Gralha, e querendo ou não a situação foi de “olhe, você não precisa se apegar” , e logo depois você e a Monique começam a namorar, que é algo que você tem que levar a sério de algum jeito. O problema também fica que você quer cuidar de todo mundo, e ela ter todas as paredes levantadas dificulta uma situação que você já nem sabe como lidar por que tá entre amigo e namorado. - pegou um pouco do suco para beber um pouco. Nunca que estava acostumado a falar tanto assim. Coisas que não fazia pelo cabeça de vento - Talvez você não tenha “tara” porque você não vê ela como a sua namorada, mas como a amiga que você quer cuidar? Eu não sei. - Colocou o copo de volta no criado mudo - Eu não sou a melhor pessoa pra falar dessas coisas, mas pra mim é o que parece.

Yure

Ouviu com atenção o que seu amigo dizia, em outros dias teria ido abusar seu padrinho, mas ele tinha seus próprios corres amorosos, e coisas pra tocar, e sua mãe estava tão ocupada com a academia feminina que não tinha cara de pedir pra ela lhe ouvir mais uma vez com dor de cotovelo. Então, lá estava Charles Eadgar ouvindo seus lamúrios, não era de tudo uma novidade, porque o ruivo apesar da pose de bon vinvant, era um reclamão nato também, nisso eles se davam bem. Mas os pontos levantados pelo loirinho fizeram bastante sentido na cabeça do ruivo, e isso ficou claro em sua expressão.

Sabia que não via Monique exatamente como uma namorada, ou como uma parceira em potencial, mas gostava de ficar perto dela, e se sentia dividido sobre o que exatamente estava sentindo por ela. No fim, ela importava mais que suas outras amigas, mas não era o mesmo tipo de sentimento de desejo de querer explorar outras coisas que a morena poderia compartilhar. Estava inteiramente confuso sobre aquilo, e isso lhe deixava com uma sensação amarga na boca, devia mesmo era conversar com ela:

-- Tipo, eu sei que nesse meio tempo, é meio culpa minha porque topei o lance de namorado postiço e fui aceitando as coisas sem questionar… só pra agradar ela, no fim nem liguei muito pra como eu me sentia, porque né, eu não ligo pra muita coisa quando é comigo. -- suspirou, e murchou os ombros: -- eu gosto de passar tempo com ela, é legal, é divertido, eu certamente trocaria uma festa de fim de semana com possibilidade de ficar com outras pessoas pra estar com a Monique, mas essa falta de desejo nela, me deixa confuso, e faz parecer que eu to sendo desonesto com ela…

O ruivo repousou o controle do videogame sobre o colo, e usou as duas mãos pra jogar os fios ruivos pra trás, e passar a mão no rosto, esfregando o mesmo, deixando com uma expressão mais avermelhada e corada, e por fim repousando as mãos em torno do pescoço: -- Eu sei que tenho de falar sobre isso com ela, mas eu nem tenho ideia de por onde começar, e eu sinto, que independente de como eu falar, eu vou machucar a Monique, mas se continuar assim, eu vou machucar ela de todo jeito…que bela bosta de namorado eu tô me saindo.

Charles

Charles ficou um pouco mais aliviado quando o ruivo pareceu concordar com alguns pontos que havia levantado. Se sentia falando sobre algumas coisas nas cegas, então ver que estava surtindo algum efeito deixava o cadeirante mais tranquilo. Por isso, deixou que ele absorvesse bem o que foi conversado e deu espaço para que ele falasse.

Novamente, continuou acenando de maneira positiva conforme ele falava, para não parecer que estava ignorando ou não pretando atenção no que ele dizia. Teve de concordar que foi desleixo do amigo ruivo não perguntar sobre toda a situação e sair, quase que praticamente, empurrando ela com a barriga. Só não podia concordar com o amigo dizer que ele estava sendo desonesto com Monique. Afinal, só por que não sentia desejo algum, quer dizer que todo o resto seria também invalidado? Segurou a vontade de encara-lo com um olhar de julgamento, pois não ajudaria a situação em nada, mas não concordava que ele estaria sendo um namorado ruim.

- Olha, Yure - começou, esperando que ele voltasse sua atenção para o loiro, e então levantou o dedo indicador - Primeiro, você não está sendo um namorado ruim. Segundo, eu concordo que que você deveria ter se perguntado mais quando todo o envolvimento começou, por que eu também fiquei surpreso quando você mencionou a história de namorado postiço - abaixou o dedo e fez gestos pequenos enquanto falava - Mas você não pode querer carregar a culpa dessa parte apenas para você. Afinal, ela também sugeriu. Os dois tem culpa no cartório, mas não é por terem culpa que de tudo é ruim. Mesmo se não existir esse... Desejo que você fala, não quer dizer que o que você sente por ela não seja algo real. Se gosta de passar tempo com ela, você não está sendo desonesto.

Suspirou depois de falar tanto, e aproveitou que o amigo ruivo havia deixado o controle sobre o colo e o pegou de volta sem muita cerimônia. Não que estivesse negando ele de jogar, apenas para deixar mais avontade já que quanto mais conversavam, mais tenso ele aparentava:

- Bom, você está botando pra fora, isso já é bom. Pior seria se você com tudo isso na cabeça tentasse conversar com ela sem ter pensado melhor, aí as coisas poderiam ser tortas. - comentou, tentando falar de uma maneira mais leve - Mas você não está sendo um "namorado bosta". Você nunca nem namorou pra saber o que fazer, então não pode esperar ter solução pra tudo. Se dê um crédito

Yure

Não esperava definitivamente ouvir do loirinho que essa noção de desejo físico não era essencial para que o relacionamento dos dois fosse honesto e real. Aquilo deu uma renovada significativa no humor do ruivo a ponto que ele até ajustou a própria postura sentando-se mais apropriado, enquanto encarava o amigo de longa data. Riu da constatação óbvia de que nunca tinha namorado, e por isso era natural cometer erros e alguns acertos no meio do processo, acenou positivamente concordando com as palavras ditas por Charles:

-- Você tem razão, talvez eu só esteja complicando demais algo que é mais simples. Mas é como você mesmo falou, eu nunca namorei antes, então não sei até que ponto isso tá certo ou tá errado, mas eu sei que me sinto bem quando estou perto dela, isso não é mentira. -- Sorriu mais feliz e principalmente aliviado, tinha sido uma boa ideia se abrir com Charles, apesar dele não ter tido nenhum relacionamento sério antes, o fato dele ter esse ponto de vista de fora ajudava a ver coisas que o ruivinho sendo o cabeça de vento que era não conseguiria ver naturalmente.

O ruivo se aproximou de Charles e agarrou o mesmo em um abraço apertado, mesmo diante de protestos e grunhidos de reprovação, bagunçou o cabelo dele e depois se afastou: -- Vamos jogar agora, que a gente já teve conversa melodramática pra uma vida toda.

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