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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - All Forums]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:12:16 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[Julgando a vida alheia [Diodoro]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=361</link>
			<pubDate>Sun, 22 Jan 2023 17:34:32 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=79">Natalia</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=361</guid>
			<description><![CDATA[Depois de dar a notícia ao amigo sobre sua situação na cidade, suas visitas se tornaram corriqueiras. Geralmente quando largava do plantão ou não estava tão cansada a ponto de ir direto para seu novo apartamento, resolvia passar pela funerária para encontrar o agente fúnebre que havia se tornado sua melhor companhia para lanchinhos noturnos na cidade. Sempre havia algo novo para comentar com o sujeito, fosse sobre o trabalho no hospital ou sobre sua vida pessoal com os encontros e desencontros com os funcionários do mesmo lugar. E Diodoro era um bom ouvinte. Para sua mais recente surpresa, ele até estava começando a falar mais sobre sua própria situação e dores de cabeça, como o problema com a própria família ao empregar o sujeito acidentado no cemitério. <br />
<br />
Quando não convidava o sujeito para sair e jantar, levava algo para comerem, principalmente lanchinhos que bem sabia que a mãe dele faria cara feia se descobrisse que ele estava consumindo. Bem, a comida do hospital era bem sem graça e imaginava que trabalhando naquela funerária, o apetite do homem não buscava alimentos muito distantes daqueles que lhe trouxessem alguma satisfação emocional em contraste com a morbidez dos caixões e corpos para preparar. <br />
<br />
Chegou na entrada no estabelecimento com sua bolsa de lado e duas sacolas de compras do mercadinho onde havia parado no caminho para chegar até ali. Estava com os trajes de tonalidades claras entre o branco, cinza e o beige, a saia de corte reto até os joelhos e a blusinha de tecido leve branca, acompanhada nos brincos dourados e finos que costumava usar. O jaleco estava na bolsa, pois precisava levar a peça para lavar depois do plantão. <br />
<br />
Parou antes de apertar a campainha do lugar, mantendo o semblante mais neutro, pois nunca sabia quando o homem poderia estar atendendo algum cliente ou quando Brigida poderia estar na funerária. Ainda que ficasse animada de encontrar o amigo, mas era saudável para quem procurava o estabelecimento encontrar uma doutora como ela toda sorridente por ali. No mínimo seria tachada como, assim como imaginava que o pai de Diodoro diria, "rude". O agente fúnebre já tinha muito em seu próprio prato para se preocupar com aquele tipo de rumor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Depois de dar a notícia ao amigo sobre sua situação na cidade, suas visitas se tornaram corriqueiras. Geralmente quando largava do plantão ou não estava tão cansada a ponto de ir direto para seu novo apartamento, resolvia passar pela funerária para encontrar o agente fúnebre que havia se tornado sua melhor companhia para lanchinhos noturnos na cidade. Sempre havia algo novo para comentar com o sujeito, fosse sobre o trabalho no hospital ou sobre sua vida pessoal com os encontros e desencontros com os funcionários do mesmo lugar. E Diodoro era um bom ouvinte. Para sua mais recente surpresa, ele até estava começando a falar mais sobre sua própria situação e dores de cabeça, como o problema com a própria família ao empregar o sujeito acidentado no cemitério. <br />
<br />
Quando não convidava o sujeito para sair e jantar, levava algo para comerem, principalmente lanchinhos que bem sabia que a mãe dele faria cara feia se descobrisse que ele estava consumindo. Bem, a comida do hospital era bem sem graça e imaginava que trabalhando naquela funerária, o apetite do homem não buscava alimentos muito distantes daqueles que lhe trouxessem alguma satisfação emocional em contraste com a morbidez dos caixões e corpos para preparar. <br />
<br />
Chegou na entrada no estabelecimento com sua bolsa de lado e duas sacolas de compras do mercadinho onde havia parado no caminho para chegar até ali. Estava com os trajes de tonalidades claras entre o branco, cinza e o beige, a saia de corte reto até os joelhos e a blusinha de tecido leve branca, acompanhada nos brincos dourados e finos que costumava usar. O jaleco estava na bolsa, pois precisava levar a peça para lavar depois do plantão. <br />
<br />
Parou antes de apertar a campainha do lugar, mantendo o semblante mais neutro, pois nunca sabia quando o homem poderia estar atendendo algum cliente ou quando Brigida poderia estar na funerária. Ainda que ficasse animada de encontrar o amigo, mas era saudável para quem procurava o estabelecimento encontrar uma doutora como ela toda sorridente por ali. No mínimo seria tachada como, assim como imaginava que o pai de Diodoro diria, "rude". O agente fúnebre já tinha muito em seu próprio prato para se preocupar com aquele tipo de rumor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Trouble in Paradise [Carbella]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=360</link>
			<pubDate>Sun, 22 Jan 2023 15:31:27 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=79">Natalia</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=360</guid>
			<description><![CDATA[De acordo com o que havia conseguido averiguar da situação na pediatria, a ruivinha cereja havia se tornado um assunto delicado para se falar a respeito. Nem mesmo a supervisora da jovem enfermeira parecia inclinada a falar sobre a situação do desempenho do trabalho da mulher. Contudo, ao conversar com a supervisora de Carbella durante um café casual na copa do hospital, conseguiu descobrir como a mulher também parecia exausta da situação enquanto ela se queixava de estar passando muito tempo longe da própria família. Ouviu dizer no setor que a mulher mais velha havia conseguido uma transferência para algum dos setores administrativos do hospital, com fluxo mais tranquilo de trabalho e um pagamento maior. Porém, diante da sensibilidade da responsabilidade do cargo que ocupava, ela estava tendo crises de enxaqueca constantes pela obrigação de indicar alguém para substituí-la na supervisão. Naturalmente amigável, não hesitou em se oferecer para assumir o plantão da mulher durante sua "folga", considerando que não estava com nenhuma cirurgia marcada para o dia ou precisaria atender clinicamente algum caso mais urgente. <br />
<br />
E foi assim que estava com a melhor expressão de desconforto ao se dar conta de que havia assumido, por aquele curto período de tempo, a supervisão de não qualquer setor, mas do setor do qual mais costumava se manter afastada: a pediatria.  Não foi difícil observar falhas na troca de plantões e horários dos funcionários ou ouvir comentários entre eles sobre combinados de horas para a troca de plantões. Não se importava com os "arrumadinhos" entre eles, até porque costumava fazer muito isso em seu próprio setor quando tinha alguma "emergência" para resolver. Contudo, não se importava desde que a negociação não afetasse o atendimento direto aos pacientes do setor, que deveriam ser a prioridade do hospital. <br />
<br />
Conhecendo o aspecto de viciada em trabalho da ruiva cereja, não achou que ela demoraria tanto a assumir seu lugar na pediatria naquele dia, apesar do estado de nervos em que ela parecia estar no dia anterior. Na pequena sala da supervisão, havia começado a verificar os relatórios mais recentes do plantão da enfermeira. Como era de esperar, nada fora do comum, e a jovem até havia feito correções no prontuário de alguns pacientes a fim de melhorar o quadro de recuperação de muitos. Entretanto, no que constava no relatório do último plantão, havia uma breve observação sobre a troca de prontuários de dois pacientes de nomes parecidos. Ao que pareciam, eram irmãos, logo tinham o mesmo sobrenome, e por isso, deveriam ter confudido a cabeça já cansada da ruiva cereja. <br />
<br />
Estava na sala de supervisão da pediatria, sentada à mesa com os papeis em mãos, aproveitando para verificar a dosagem das medicações mais recentes. Imaginou que não demoraria muito para Carbella retornar ao trabalho, então achou melhor continuar na sala, principalmente para evitar ter de lidar diretamente com qualquer criança no período em que estava ali aguardando a mulher. Ainda estava preocupada com o estado de Clementine, principalmente após a garota falar sobre conseguir dinheiro e começar a trabalhar logo. Talvez devesse alertar também Carbella para buscar o acompanhamento terapêutico psicológico do hospital para si e para a própria irmã.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[De acordo com o que havia conseguido averiguar da situação na pediatria, a ruivinha cereja havia se tornado um assunto delicado para se falar a respeito. Nem mesmo a supervisora da jovem enfermeira parecia inclinada a falar sobre a situação do desempenho do trabalho da mulher. Contudo, ao conversar com a supervisora de Carbella durante um café casual na copa do hospital, conseguiu descobrir como a mulher também parecia exausta da situação enquanto ela se queixava de estar passando muito tempo longe da própria família. Ouviu dizer no setor que a mulher mais velha havia conseguido uma transferência para algum dos setores administrativos do hospital, com fluxo mais tranquilo de trabalho e um pagamento maior. Porém, diante da sensibilidade da responsabilidade do cargo que ocupava, ela estava tendo crises de enxaqueca constantes pela obrigação de indicar alguém para substituí-la na supervisão. Naturalmente amigável, não hesitou em se oferecer para assumir o plantão da mulher durante sua "folga", considerando que não estava com nenhuma cirurgia marcada para o dia ou precisaria atender clinicamente algum caso mais urgente. <br />
<br />
E foi assim que estava com a melhor expressão de desconforto ao se dar conta de que havia assumido, por aquele curto período de tempo, a supervisão de não qualquer setor, mas do setor do qual mais costumava se manter afastada: a pediatria.  Não foi difícil observar falhas na troca de plantões e horários dos funcionários ou ouvir comentários entre eles sobre combinados de horas para a troca de plantões. Não se importava com os "arrumadinhos" entre eles, até porque costumava fazer muito isso em seu próprio setor quando tinha alguma "emergência" para resolver. Contudo, não se importava desde que a negociação não afetasse o atendimento direto aos pacientes do setor, que deveriam ser a prioridade do hospital. <br />
<br />
Conhecendo o aspecto de viciada em trabalho da ruiva cereja, não achou que ela demoraria tanto a assumir seu lugar na pediatria naquele dia, apesar do estado de nervos em que ela parecia estar no dia anterior. Na pequena sala da supervisão, havia começado a verificar os relatórios mais recentes do plantão da enfermeira. Como era de esperar, nada fora do comum, e a jovem até havia feito correções no prontuário de alguns pacientes a fim de melhorar o quadro de recuperação de muitos. Entretanto, no que constava no relatório do último plantão, havia uma breve observação sobre a troca de prontuários de dois pacientes de nomes parecidos. Ao que pareciam, eram irmãos, logo tinham o mesmo sobrenome, e por isso, deveriam ter confudido a cabeça já cansada da ruiva cereja. <br />
<br />
Estava na sala de supervisão da pediatria, sentada à mesa com os papeis em mãos, aproveitando para verificar a dosagem das medicações mais recentes. Imaginou que não demoraria muito para Carbella retornar ao trabalho, então achou melhor continuar na sala, principalmente para evitar ter de lidar diretamente com qualquer criança no período em que estava ali aguardando a mulher. Ainda estava preocupada com o estado de Clementine, principalmente após a garota falar sobre conseguir dinheiro e começar a trabalhar logo. Talvez devesse alertar também Carbella para buscar o acompanhamento terapêutico psicológico do hospital para si e para a própria irmã.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Indigno [Renaud, Didier, Robespierre]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=359</link>
			<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 15:55:03 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=87">Renaud</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=359</guid>
			<description><![CDATA[Borrado. As coisas estavam todas borradas, parecia que não tinha de fato ocorrido, e eram coisas ditas sobre os outros, não que estava vivenciando aquelas experiências. O dia já caia e a noite era úmida e salgada em Cerise, não sabia se pela proximidade com o mar, ou pelo fato das lágrimas terem secado no rosto do moreno. <br />
<br />
Um carro luxuoso tinha ido buscar o jovem Renaud Blanco no internato de St. Clavier, não tinha respondido as mensagens de celular, pois não tinha mais um, tinha estourado o aparelho no chão durante seu surto de raiva, e desde então todas as suas memórias eram um borrão. <br />
<br />
Podia dizer que a única coisa que sustentava sua sanidade era a conversa que tinha tido com o psicólogo e o apoio incondicional de seu frater e de seu namorado. Mas até disso tinha sido privado ao ser levado da Academia para “casa”. <br />
<br />
Queria ter sido acompanhado por Didier até a residência dos Blancos, mas houve resistência do assessor de seu pai, que disse em claro e bom tom que era “assunto de família”, ou seja, não tinha espaço para amigos. Quem em sã consciência e que se importa com o emocional dos outros, afastaria amigos em um momento de luto? Ele mesmo não conhecia tão bem a família Blanco a ponto de saber que a última coisa que se esperaria daquele lugar era “apoio emocional”.<br />
<br />
Mas Renaud talvez estivesse apenas desacostumado à realidade, que a maior preocupação agora não era velar a morte recente de sua mãe, mas sim manter a integridade dos Blanco diante do ocorrido. Evitar fofocas de porque Beatrice estava indo e vindo entre Paris e Cerise fora de sua agenda, omitir os machucados e acidentes recém ocorridos com o filho mais velho de Deodatos. Porque a “saúde da família” era mais importante do que o estado emocional de qualquer indivíduo isoladamente. <br />
<br />
Renaud apenas seguiu, sendo empurrado para o carro, depois para dentro da mansão, pessoas indo e vindo, sequer se deu o trabalho de falar com qualquer um deles. A casa da família Blanco em Cerise, era um símbolo de austeridade, um casarão antigo reformado para ser sede e palco de eventos sociais de grande porte, claro que todos os membros seriam chamados pra se reunir ali. <br />
<br />
Apenas foi guiado pelo fluxo, para se trancar no quarto, no primeiro andar, com pequena varanda, e trepadeiras que careciam de corte. Era um dos cômodos que tinha usado poucas vezes no passado, não era diferente de um quarto de hotel bem arrumado. Limpo, genérico, totalmente superficial, não lhe representava nada, assim como sua própria "família".<br />
<br />
O moreno se jogou sobre a cama, sem tomar banho, sem conversar, sem saber em quantas andava o velório. <br />
<br />
Não queria pensar sobre existir.<br />
<br />
Não queria nada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Borrado. As coisas estavam todas borradas, parecia que não tinha de fato ocorrido, e eram coisas ditas sobre os outros, não que estava vivenciando aquelas experiências. O dia já caia e a noite era úmida e salgada em Cerise, não sabia se pela proximidade com o mar, ou pelo fato das lágrimas terem secado no rosto do moreno. <br />
<br />
Um carro luxuoso tinha ido buscar o jovem Renaud Blanco no internato de St. Clavier, não tinha respondido as mensagens de celular, pois não tinha mais um, tinha estourado o aparelho no chão durante seu surto de raiva, e desde então todas as suas memórias eram um borrão. <br />
<br />
Podia dizer que a única coisa que sustentava sua sanidade era a conversa que tinha tido com o psicólogo e o apoio incondicional de seu frater e de seu namorado. Mas até disso tinha sido privado ao ser levado da Academia para “casa”. <br />
<br />
Queria ter sido acompanhado por Didier até a residência dos Blancos, mas houve resistência do assessor de seu pai, que disse em claro e bom tom que era “assunto de família”, ou seja, não tinha espaço para amigos. Quem em sã consciência e que se importa com o emocional dos outros, afastaria amigos em um momento de luto? Ele mesmo não conhecia tão bem a família Blanco a ponto de saber que a última coisa que se esperaria daquele lugar era “apoio emocional”.<br />
<br />
Mas Renaud talvez estivesse apenas desacostumado à realidade, que a maior preocupação agora não era velar a morte recente de sua mãe, mas sim manter a integridade dos Blanco diante do ocorrido. Evitar fofocas de porque Beatrice estava indo e vindo entre Paris e Cerise fora de sua agenda, omitir os machucados e acidentes recém ocorridos com o filho mais velho de Deodatos. Porque a “saúde da família” era mais importante do que o estado emocional de qualquer indivíduo isoladamente. <br />
<br />
Renaud apenas seguiu, sendo empurrado para o carro, depois para dentro da mansão, pessoas indo e vindo, sequer se deu o trabalho de falar com qualquer um deles. A casa da família Blanco em Cerise, era um símbolo de austeridade, um casarão antigo reformado para ser sede e palco de eventos sociais de grande porte, claro que todos os membros seriam chamados pra se reunir ali. <br />
<br />
Apenas foi guiado pelo fluxo, para se trancar no quarto, no primeiro andar, com pequena varanda, e trepadeiras que careciam de corte. Era um dos cômodos que tinha usado poucas vezes no passado, não era diferente de um quarto de hotel bem arrumado. Limpo, genérico, totalmente superficial, não lhe representava nada, assim como sua própria "família".<br />
<br />
O moreno se jogou sobre a cama, sem tomar banho, sem conversar, sem saber em quantas andava o velório. <br />
<br />
Não queria pensar sobre existir.<br />
<br />
Não queria nada.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[No Limite da Ilegalidade [Lui; Diodoro]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=358</link>
			<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 14:20:15 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=24">Karen</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=358</guid>
			<description><![CDATA[Mesmo depois de ter passado tanto tempo parado na pequena cidade do interior, Karen ainda recebia pedidos para serviços esporádicos no continente. Desde o início da sua estadia em Cerise, ele não tinha deixado a Europa, e a quantidade de trabalhos era cada vez menor, o que não era de todo mal. Até gostava da tranquilidade de ficar muito tempo em um lugar sem se preocupar com algum tipo de retaliação ou pensar em quando deveria desaparecer de novo. Claro, gostava ainda mais da sensação de ter mais do que só um mesmo lugar para onde voltar e com os acontecimentos mais recentes que aquela estranha cidadezinha tinha lhe trazido, podia até se dar ao luxo de ter uma vida além do alerta constante resultado do trabalho.<br />
<br />
Era de certa forma estranho estar encarando o novo aparelho celular descartável para enviar alguma mensagem que não fosse relacionada a algum alvo, ou receber alguma informação também relevante de um cliente importante. Mas a estranheza não superava a sensação que podia talvez definir como confortável em ter, pela primeira vez em uma vida, alguém que lhe responderia sem cobrar a execução de algum serviço específico. Era uma sensação banal, tão banal que chegava a ser uma mudança agradável para o seu cotidiano.<br />
<br />
<span style="color: 778899;" class="mycode_color">"Estou voltando para a cidade. Posso encontrar você pela manhã."</span><br />
<br />
Ainda parecia uma mensagem de trabalho, para todos os efeitos, e tendo em vista o horário avançado na noite, ele não receberia uma resposta tão cedo, mas com certeza era uma das poucas vezes em que tinha se sentido na expectativa de uma resposta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Mesmo depois de ter passado tanto tempo parado na pequena cidade do interior, Karen ainda recebia pedidos para serviços esporádicos no continente. Desde o início da sua estadia em Cerise, ele não tinha deixado a Europa, e a quantidade de trabalhos era cada vez menor, o que não era de todo mal. Até gostava da tranquilidade de ficar muito tempo em um lugar sem se preocupar com algum tipo de retaliação ou pensar em quando deveria desaparecer de novo. Claro, gostava ainda mais da sensação de ter mais do que só um mesmo lugar para onde voltar e com os acontecimentos mais recentes que aquela estranha cidadezinha tinha lhe trazido, podia até se dar ao luxo de ter uma vida além do alerta constante resultado do trabalho.<br />
<br />
Era de certa forma estranho estar encarando o novo aparelho celular descartável para enviar alguma mensagem que não fosse relacionada a algum alvo, ou receber alguma informação também relevante de um cliente importante. Mas a estranheza não superava a sensação que podia talvez definir como confortável em ter, pela primeira vez em uma vida, alguém que lhe responderia sem cobrar a execução de algum serviço específico. Era uma sensação banal, tão banal que chegava a ser uma mudança agradável para o seu cotidiano.<br />
<br />
<span style="color: 778899;" class="mycode_color">"Estou voltando para a cidade. Posso encontrar você pela manhã."</span><br />
<br />
Ainda parecia uma mensagem de trabalho, para todos os efeitos, e tendo em vista o horário avançado na noite, ele não receberia uma resposta tão cedo, mas com certeza era uma das poucas vezes em que tinha se sentido na expectativa de uma resposta.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Run Boy Run [Daniel]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=356</link>
			<pubDate>Thu, 17 Feb 2022 20:19:44 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=109">Qiang</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=356</guid>
			<description><![CDATA[Os dias na Academia St. Clavier estavam sendo bem diferentes, considerado o que estava acostumado a fazer na China. A maioria dos rapazes eram franceses ou de países próximos, o que só ajudava a lhe destoar do meio das cabeças masculinas, além do cabelo obviamente descolorido. Ainda conversava com alguns velhos conhecidos de sua terra natal pelo celular, mas não era a mesma coisa que ter com quem conversar que fosse mais próximo que uma tela de aparelho. Entretanto, não se sentia necessariamente inclinado a buscar conversar com os outros garotos. Havia se esforçado bastante para dominar alguns dos trejeitos da língua francesa para poder aplicar para aquela instituição, mas tinha certo receio de que, pelo seu modo de falar mais seco, fosse algo de piada pelos outros, então preferia ficar quieto ou ouvir músicas em seu celular para se distrair enquanto estava nos intervalos entre as aulas. <br />
<br />
Naquela manhã, havia sido levado, com sua turma, para o exterior do prédio de aulas. Trocaram de roupa, vestiram o uniforme para a aula de Educação Física, e se reuniram com a turma de alunos primeiranistas. Outro problema de ter entrado em uma turma do segundo ano era que boa parte dos alunos ali já se conheciam, enquanto que ele só fazia ideia de quem era Leung. Por falar no garoto, já havia percebido que ele tinha feito amigos ali, até mais de um, na verdade. Não sabia ao certo como lidar com aquela informação, pois observar como ele conseguia agora conversar com outros rapazes lhe deixava irritado e aliviado ao mesmo tempo. No fim, apenas escolhia se focar no treinamento e no objetivo de continuar vencendo as disputas contra o rival. <br />
<br />
- Nós vamos dividir as duas turmas e vocês vão fazer um circuito hoje com uma corrida de passada de bastão, pessoal!<br />
<br />
Ouviu o professor falar à frente da turma enquanto cruzava os braços, imaginando que o professor queria misturar as turmas para fazer com os alunos do primeiro ano se sentissem bem vindos à escola. Começou a prestar atenção em como os alunos secundaristas que já se conheciam começavam a tentar combinar como seria a divisão entre eles para poderem "vencer" naquela brincadeira, como se fosse algum tipo de "competição". Revirou os olhos diante do falatório e se afastou para começar a se alongar, o professor já havia começado a organizar o circuito com os alunos mais dedicados da turma, de todo modo. Por conta de sua altura e cara nova, também era comum que fosse confundido com um primeiranista. <br />
<br />
- Nada de combinar times! Vamos de sorteio, garotos! <br />
<br />
Esperou pelo sorteio que o professor estava fazendo para organizar os times e acompanhou, quieto, como alguns de seus colegas vibraram de alegria ao serem colocados em um time com amigos conhecidos. Esperou ter seu nome sorteado para poder pegar sua fita de cor vermelha com o professor para identificá-lo como fazendo parte de um conjunto. Tentou amarrar a fita sozinho no próprio braço, ignorando como os outros garotos sempre pareciam ter alguém para ajudá-los. No fim, sempre poderia pedir ajuda para seu professor. Ou não... <br />
<br />
<span style="color: #c19e00;" class="mycode_color">- Oi, você. </span>- virou-se para um dos garotos que tinha sido sorteado para sua equipe. Ele era pequeno e tinha olhos verdes, tinha cara de ser novato, então resolveu tentar a sorte. - <span style="color: #c19e00;" class="mycode_color">Amarra aqui a fita.</span> - mostrou a fita vermelha e o próprio braço. Visivelmente, era mais forte que muitos garotos de sua turma. De fato, duvidava que alguém ali conseguisse ser mais forte que sua pessoa, ainda mais depois de ter derrotado seu rival.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Os dias na Academia St. Clavier estavam sendo bem diferentes, considerado o que estava acostumado a fazer na China. A maioria dos rapazes eram franceses ou de países próximos, o que só ajudava a lhe destoar do meio das cabeças masculinas, além do cabelo obviamente descolorido. Ainda conversava com alguns velhos conhecidos de sua terra natal pelo celular, mas não era a mesma coisa que ter com quem conversar que fosse mais próximo que uma tela de aparelho. Entretanto, não se sentia necessariamente inclinado a buscar conversar com os outros garotos. Havia se esforçado bastante para dominar alguns dos trejeitos da língua francesa para poder aplicar para aquela instituição, mas tinha certo receio de que, pelo seu modo de falar mais seco, fosse algo de piada pelos outros, então preferia ficar quieto ou ouvir músicas em seu celular para se distrair enquanto estava nos intervalos entre as aulas. <br />
<br />
Naquela manhã, havia sido levado, com sua turma, para o exterior do prédio de aulas. Trocaram de roupa, vestiram o uniforme para a aula de Educação Física, e se reuniram com a turma de alunos primeiranistas. Outro problema de ter entrado em uma turma do segundo ano era que boa parte dos alunos ali já se conheciam, enquanto que ele só fazia ideia de quem era Leung. Por falar no garoto, já havia percebido que ele tinha feito amigos ali, até mais de um, na verdade. Não sabia ao certo como lidar com aquela informação, pois observar como ele conseguia agora conversar com outros rapazes lhe deixava irritado e aliviado ao mesmo tempo. No fim, apenas escolhia se focar no treinamento e no objetivo de continuar vencendo as disputas contra o rival. <br />
<br />
- Nós vamos dividir as duas turmas e vocês vão fazer um circuito hoje com uma corrida de passada de bastão, pessoal!<br />
<br />
Ouviu o professor falar à frente da turma enquanto cruzava os braços, imaginando que o professor queria misturar as turmas para fazer com os alunos do primeiro ano se sentissem bem vindos à escola. Começou a prestar atenção em como os alunos secundaristas que já se conheciam começavam a tentar combinar como seria a divisão entre eles para poderem "vencer" naquela brincadeira, como se fosse algum tipo de "competição". Revirou os olhos diante do falatório e se afastou para começar a se alongar, o professor já havia começado a organizar o circuito com os alunos mais dedicados da turma, de todo modo. Por conta de sua altura e cara nova, também era comum que fosse confundido com um primeiranista. <br />
<br />
- Nada de combinar times! Vamos de sorteio, garotos! <br />
<br />
Esperou pelo sorteio que o professor estava fazendo para organizar os times e acompanhou, quieto, como alguns de seus colegas vibraram de alegria ao serem colocados em um time com amigos conhecidos. Esperou ter seu nome sorteado para poder pegar sua fita de cor vermelha com o professor para identificá-lo como fazendo parte de um conjunto. Tentou amarrar a fita sozinho no próprio braço, ignorando como os outros garotos sempre pareciam ter alguém para ajudá-los. No fim, sempre poderia pedir ajuda para seu professor. Ou não... <br />
<br />
<span style="color: #c19e00;" class="mycode_color">- Oi, você. </span>- virou-se para um dos garotos que tinha sido sorteado para sua equipe. Ele era pequeno e tinha olhos verdes, tinha cara de ser novato, então resolveu tentar a sorte. - <span style="color: #c19e00;" class="mycode_color">Amarra aqui a fita.</span> - mostrou a fita vermelha e o próprio braço. Visivelmente, era mais forte que muitos garotos de sua turma. De fato, duvidava que alguém ali conseguisse ser mais forte que sua pessoa, ainda mais depois de ter derrotado seu rival.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Dilemas de Amizade [Lui; Yure]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=354</link>
			<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 01:53:49 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=21">Oliver</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=354</guid>
			<description><![CDATA[Os últimos dias tinham sido bem confusos para Oliver. Primeiro ele descobriu que o rival chinês tinha se mudado para Cerise e ia estudar na mesma academia que ele. Depois, tiveram uma disputa e ele ainda percebeu que tinha sido displicente com os treinos a ponto de Qiang lhe derrotar numa pequena disputa. Ainda tinha se resolvido com ele, a ponto dos dois concordarem em treinarem juntos, já que eram os únicos praticantes daquele estilo de Kung Fu naquela cidade pequena. E depois de ter se resolvido naquele quesito com o chinês que tinha lhe feito tanto bullying no passado, até tinha concordado em levá-lo para a cidade para mostrar algumas coisas. Oliver tinha falado com o pai e sabia o pensamento dele sobre Qiang. Ele também tinha pensado mais de uma vez naquela semana que por mais que tivesse péssimas lembranças da China, não ia querer que o rapaz passasse pelo mesmo que ele tinha passado e com toda a coragem que tinha, resolveu deixar o passado na China e oferecer sua amizade sincera ao novo colega de escola... só para ser obviamente negado.<br />
<br />
Havia uma profusão de sentimentos dentro de Oliver quando ele pegou o ônibus de volta para St. Clavier depois de ter sido abandonado por Qiang. Ele pensou mil e um motivos pelo qual o rapaz o odiava, não lembrava de ter feito nada tão grave contra ele, mas ainda assim, ele estava determinado em negar a sua tentativa de amizade. Entre a raiva e a vontade de chorar de frustração, Oliver não conseguiu chegar a nenhuma conclusão do que podia ter acontecido a Qiang, exceto o fato de que provavelmente voltaria a treinar sozinho depois daquela dispensa óbvia do chinês.<br />
<br />
Quando ele chegou ao quarto no dormitório depois do longo trajeto de volta a St. Clavier, nem tinha percebido como o rosto estava vermelho por causa das várias tentativas de conter o choro e a frustração ao esfregar o rosto com as costas da mão. Era uma visão bem deplorável e ele esperava que Lui não estivesse no dormitório para vê-lo naquele estado. Mas a esperança foi por água abaixo quando abriu a porta e deu de cara com Lui mexendo na câmera.<br />
<br />
- <span style="color: rosybrown;" class="mycode_color">Ah... oi, Lui! Eu n-não achei que você tava aqui no dormitório... te atrapalhei?</span> - perguntou Oliver, um tanto sem graça pelo próprio estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Os últimos dias tinham sido bem confusos para Oliver. Primeiro ele descobriu que o rival chinês tinha se mudado para Cerise e ia estudar na mesma academia que ele. Depois, tiveram uma disputa e ele ainda percebeu que tinha sido displicente com os treinos a ponto de Qiang lhe derrotar numa pequena disputa. Ainda tinha se resolvido com ele, a ponto dos dois concordarem em treinarem juntos, já que eram os únicos praticantes daquele estilo de Kung Fu naquela cidade pequena. E depois de ter se resolvido naquele quesito com o chinês que tinha lhe feito tanto bullying no passado, até tinha concordado em levá-lo para a cidade para mostrar algumas coisas. Oliver tinha falado com o pai e sabia o pensamento dele sobre Qiang. Ele também tinha pensado mais de uma vez naquela semana que por mais que tivesse péssimas lembranças da China, não ia querer que o rapaz passasse pelo mesmo que ele tinha passado e com toda a coragem que tinha, resolveu deixar o passado na China e oferecer sua amizade sincera ao novo colega de escola... só para ser obviamente negado.<br />
<br />
Havia uma profusão de sentimentos dentro de Oliver quando ele pegou o ônibus de volta para St. Clavier depois de ter sido abandonado por Qiang. Ele pensou mil e um motivos pelo qual o rapaz o odiava, não lembrava de ter feito nada tão grave contra ele, mas ainda assim, ele estava determinado em negar a sua tentativa de amizade. Entre a raiva e a vontade de chorar de frustração, Oliver não conseguiu chegar a nenhuma conclusão do que podia ter acontecido a Qiang, exceto o fato de que provavelmente voltaria a treinar sozinho depois daquela dispensa óbvia do chinês.<br />
<br />
Quando ele chegou ao quarto no dormitório depois do longo trajeto de volta a St. Clavier, nem tinha percebido como o rosto estava vermelho por causa das várias tentativas de conter o choro e a frustração ao esfregar o rosto com as costas da mão. Era uma visão bem deplorável e ele esperava que Lui não estivesse no dormitório para vê-lo naquele estado. Mas a esperança foi por água abaixo quando abriu a porta e deu de cara com Lui mexendo na câmera.<br />
<br />
- <span style="color: rosybrown;" class="mycode_color">Ah... oi, Lui! Eu n-não achei que você tava aqui no dormitório... te atrapalhei?</span> - perguntou Oliver, um tanto sem graça pelo próprio estado.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Grey's Anatomy [Dominique, Richard]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=351</link>
			<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 23:00:21 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=79">Natalia</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=351</guid>
			<description><![CDATA[Era mais uma daquelas semanas em que nada acontecia além de diversas consultas de rotina, exames de tomografia e eco cardiogramas para senhorinhas e senhores acompanhados de senhorinhas que costumam obrigá-los a cuidar da própria saúde. A última novidade que havia ocorrido na cidade, além do trágico e passado caso do psicopata que preferia não recordar (mas que sua memória guardava, pois era perfeita), era a visita do famoso médico James Dean, o bastardo que até nome de estrela tinha. Em sua saída com o sujeito, teve uma leve confirmação de como os homens naquela cidade pareciam sofrer com um problema constante: a necessidade de serem cuidados por terceiros. Salvo algumas exceções, como seu suposto amigo alto de corpo forte, cara fechada e uma boa mão para cozinha. E o agente fúnebre que conseguia dar conta de si próprio, cuidar dos mortos e ainda de alguns vivos. <br />
<br />
Estava na sala da farmácia com as enfermeiras do setor e alguns funcionários da limpeza, aproveitando que as medicações haviam acabado de ser trocadas para assistirem na televisão de informativos do setor um pouco da série que também ficava disponível nos canais para os pacientes internados na enfermaria. Estavam assistindo um programa com algumas estrelas populares, um tal de Grey´s Anatomy. Estava encostada no arco da porta de entrada da sala enquanto os funcionários comentavam sobre como uma tal de Meredith estava sofrendo por causa do interesse amoroso dela, um tal de um médico bem bonito e galã da novela hospitalar. Estava de braços cruzados, o cabelo preso em um caprichado coque, a pouca maquiagem sendo necessária para o lugar de trabalho onde estava. Estava com o uniforme da enfermaria, sem luvas, enquanto aguardava o próprio ciclo de troca de medicamentos, esperando que algo interessante acontecesse. <br />
<br />
Riu quando uma das enfermeiras comentou sobre como sonhava em ter um namorado como o médico do seriado e a colega de trabalho da mulher comentou sobre o namorado da outra só precisar se formar em medicina, pois já era um verdadeiro "delícia". Aquela ambiente de convívio de cidade de interior era bem mais tranquilo e agradável. Buscou o próprio celular, pensando em enviar uma mensagem para Richard e perguntar se o enfermeiro não queria fumar um cigarro na saída do necrotério quando terminassem o plantão. Aproveitou para perguntar se o sujeito tinha interesse em participar de uma festinha dos funcionários no final do expediente para falarem mal de algumas pessoas do trabalho e comentarem sobre o novo médico da cidade. O enfermeiro e o irmão dele eram pessoas bem legais em um nível diferente da enfermeira ruiva cereja com quem só parecia discutir em toda oportunidade possível. Não admitiria para a mulher, mas até começava a achar divertido as constantes divergentes que tinha com a mesma. Estava de costas para o corredor de acesso, então sequer prestou atenção em quem estava passando no corredor, mais interessada em continuar assistindo a novela com os outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Era mais uma daquelas semanas em que nada acontecia além de diversas consultas de rotina, exames de tomografia e eco cardiogramas para senhorinhas e senhores acompanhados de senhorinhas que costumam obrigá-los a cuidar da própria saúde. A última novidade que havia ocorrido na cidade, além do trágico e passado caso do psicopata que preferia não recordar (mas que sua memória guardava, pois era perfeita), era a visita do famoso médico James Dean, o bastardo que até nome de estrela tinha. Em sua saída com o sujeito, teve uma leve confirmação de como os homens naquela cidade pareciam sofrer com um problema constante: a necessidade de serem cuidados por terceiros. Salvo algumas exceções, como seu suposto amigo alto de corpo forte, cara fechada e uma boa mão para cozinha. E o agente fúnebre que conseguia dar conta de si próprio, cuidar dos mortos e ainda de alguns vivos. <br />
<br />
Estava na sala da farmácia com as enfermeiras do setor e alguns funcionários da limpeza, aproveitando que as medicações haviam acabado de ser trocadas para assistirem na televisão de informativos do setor um pouco da série que também ficava disponível nos canais para os pacientes internados na enfermaria. Estavam assistindo um programa com algumas estrelas populares, um tal de Grey´s Anatomy. Estava encostada no arco da porta de entrada da sala enquanto os funcionários comentavam sobre como uma tal de Meredith estava sofrendo por causa do interesse amoroso dela, um tal de um médico bem bonito e galã da novela hospitalar. Estava de braços cruzados, o cabelo preso em um caprichado coque, a pouca maquiagem sendo necessária para o lugar de trabalho onde estava. Estava com o uniforme da enfermaria, sem luvas, enquanto aguardava o próprio ciclo de troca de medicamentos, esperando que algo interessante acontecesse. <br />
<br />
Riu quando uma das enfermeiras comentou sobre como sonhava em ter um namorado como o médico do seriado e a colega de trabalho da mulher comentou sobre o namorado da outra só precisar se formar em medicina, pois já era um verdadeiro "delícia". Aquela ambiente de convívio de cidade de interior era bem mais tranquilo e agradável. Buscou o próprio celular, pensando em enviar uma mensagem para Richard e perguntar se o enfermeiro não queria fumar um cigarro na saída do necrotério quando terminassem o plantão. Aproveitou para perguntar se o sujeito tinha interesse em participar de uma festinha dos funcionários no final do expediente para falarem mal de algumas pessoas do trabalho e comentarem sobre o novo médico da cidade. O enfermeiro e o irmão dele eram pessoas bem legais em um nível diferente da enfermeira ruiva cereja com quem só parecia discutir em toda oportunidade possível. Não admitiria para a mulher, mas até começava a achar divertido as constantes divergentes que tinha com a mesma. Estava de costas para o corredor de acesso, então sequer prestou atenção em quem estava passando no corredor, mais interessada em continuar assistindo a novela com os outros.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Sinta-se Multado [Isaac]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=350</link>
			<pubDate>Wed, 20 Oct 2021 19:01:22 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=51">Sasha</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=350</guid>
			<description><![CDATA[Sinceramente, Sasha não era o tipo que interferia na vida sexual de ninguém, afinal, era um mundo livre, e mesmo dentro da escola, desde que houvesse consentimento (e que ninguém fosse óbvio demais a ponto de ser pego), qualquer lugar era lugar. Aliás, a escola podia até apimentar o cenário um pouco? Era o que imaginava, se não precisasse de todo um protocolo e preparação mental primeiro. Porém, e colocava um grande porém aí, tudo isso mudava com a remota ideia de que o culpado de uma fornicação casual na escola era Isaac: o secretário do conselho estudantil, o paragono da organização, o cérebro por trás do carisma dos delinquentes, o bibliotecário das assinaturas de travesti, o arquivador de verbas e projetos inarquiváveis, o pai-filho-espírito-santo-amém que colocava o conselho para andar, o homem que colocou Isaac na lista de funções do conselho. Ouviria Renaud ecoar na sua cabeça que Isaac era um delinquente quando estava solteiro se não tivesse apenas lido a informação de um SMS. <br />
<br />
Tinha que tentar tirar provas disso. Não que Renaud fosse mentiroso – nem Yure era, até onde sabia -, mas tipo São Tomé, “não viu, não voga”. <br />
<br />
Foi até a sala do conselho onde certamente o secretário estaria e até deu uma olhada de longe para o caso de conseguir pegar uma cena pouco usual, mas era só Isaac lá dentro mesmo, fazendo seu trabalho. <span style="color: firebrick;" class="mycode_color">“<span style="font-style: italic;" class="mycode_i">E que trabalho chato, amigo</span>”</span>, pensou enquanto entrava devagar na sala, batendo na porta mais por cerimônia por não ser exatamente a pessoa mais silenciosa da face da terra.<br />
<br />
- <span style="color: firebrick;" class="mycode_color">Lemont?</span> – chamou, olhando ao redor para ver se tinha sinal do ruivinho ou se o outro estava à sós. – <span style="color: firebrick;" class="mycode_color">Preciso falar com você. Lhe chamaria para minha sala, mas notei que está trabalhando. Acho que vai ser rápido, então posso só fechar a porta para conversar. Tudo bem por você?</span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Sinceramente, Sasha não era o tipo que interferia na vida sexual de ninguém, afinal, era um mundo livre, e mesmo dentro da escola, desde que houvesse consentimento (e que ninguém fosse óbvio demais a ponto de ser pego), qualquer lugar era lugar. Aliás, a escola podia até apimentar o cenário um pouco? Era o que imaginava, se não precisasse de todo um protocolo e preparação mental primeiro. Porém, e colocava um grande porém aí, tudo isso mudava com a remota ideia de que o culpado de uma fornicação casual na escola era Isaac: o secretário do conselho estudantil, o paragono da organização, o cérebro por trás do carisma dos delinquentes, o bibliotecário das assinaturas de travesti, o arquivador de verbas e projetos inarquiváveis, o pai-filho-espírito-santo-amém que colocava o conselho para andar, o homem que colocou Isaac na lista de funções do conselho. Ouviria Renaud ecoar na sua cabeça que Isaac era um delinquente quando estava solteiro se não tivesse apenas lido a informação de um SMS. <br />
<br />
Tinha que tentar tirar provas disso. Não que Renaud fosse mentiroso – nem Yure era, até onde sabia -, mas tipo São Tomé, “não viu, não voga”. <br />
<br />
Foi até a sala do conselho onde certamente o secretário estaria e até deu uma olhada de longe para o caso de conseguir pegar uma cena pouco usual, mas era só Isaac lá dentro mesmo, fazendo seu trabalho. <span style="color: firebrick;" class="mycode_color">“<span style="font-style: italic;" class="mycode_i">E que trabalho chato, amigo</span>”</span>, pensou enquanto entrava devagar na sala, batendo na porta mais por cerimônia por não ser exatamente a pessoa mais silenciosa da face da terra.<br />
<br />
- <span style="color: firebrick;" class="mycode_color">Lemont?</span> – chamou, olhando ao redor para ver se tinha sinal do ruivinho ou se o outro estava à sós. – <span style="color: firebrick;" class="mycode_color">Preciso falar com você. Lhe chamaria para minha sala, mas notei que está trabalhando. Acho que vai ser rápido, então posso só fechar a porta para conversar. Tudo bem por você?</span>]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[B.P.M. [Yure]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=348</link>
			<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 04:27:58 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=109">Qiang</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=348</guid>
			<description><![CDATA[Estava novamente tentando conhecer melhor a cidade de Cerise, dessa vez sozinho, já que a ideia estúpida de pedir ajuda a seu rival havia sido uma péssima experiência. Estava evitando o garoto, então achou melhor sair logo e confiar em seu senso de direção com a ajuda do aplicativo de localização com uma lista de lugares interessantes que talvez fossem interessantes conhecer. Havia verificado que uma tal de padaria Antique era um lugar bem recomendado da cidade, mas queria conhecer mais do centro da cidade primeiro. <br />
<br />
Saiu com uma calça de um tecido mais confortável de algodão, sandálias, regata e um casaco que estava amarrado em sua cintura devido ao calor pelo esforço no passeio, todas as peças de marca e originais. Havia parado próximo a uma banca de jornais para poder verificar sua playlist de músicas e beber um pouco de água quando se deu conta de que havia um grupo de outros rapazes não muito longe, ouvindo uma batida familiar em um amplificador de som portátil, enquanto alguns tentavam dançar ao ritmo da coreografia que já conhecia por conta do clipe do grupo coreano que também estava constantemente em sua lista musical atual. <br />
<br />
Piscou algumas vezes, aproximando-se devagar ainda com a garrafa de água em mãos, os fones de ouvido abaixados. Prestou atenção no que eles estavam falando, considerando que aqueles europeus costumavam ser bem mais barulhentos que os rapazes que conhecia em sua terra natal. Moveu o pé discretamente ao ritmo da música, julgando distante os passos daqueles que ousavam dançar a tal coreografia como se algum dia um deles tivesse alguma chance de conseguir recriar aquela coreografia de forma eficiente. Achou curioso o grupo, mas não tomou iniciativa de se apresentar. Ao invés disso, escolheu pegar o próprio celular de novo, era hora de procurar o mercado central. Queria ao menos voltar para o dormitório com alguns lanches para passar o fim de semana tedioso de estudar e treinar sozinho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Estava novamente tentando conhecer melhor a cidade de Cerise, dessa vez sozinho, já que a ideia estúpida de pedir ajuda a seu rival havia sido uma péssima experiência. Estava evitando o garoto, então achou melhor sair logo e confiar em seu senso de direção com a ajuda do aplicativo de localização com uma lista de lugares interessantes que talvez fossem interessantes conhecer. Havia verificado que uma tal de padaria Antique era um lugar bem recomendado da cidade, mas queria conhecer mais do centro da cidade primeiro. <br />
<br />
Saiu com uma calça de um tecido mais confortável de algodão, sandálias, regata e um casaco que estava amarrado em sua cintura devido ao calor pelo esforço no passeio, todas as peças de marca e originais. Havia parado próximo a uma banca de jornais para poder verificar sua playlist de músicas e beber um pouco de água quando se deu conta de que havia um grupo de outros rapazes não muito longe, ouvindo uma batida familiar em um amplificador de som portátil, enquanto alguns tentavam dançar ao ritmo da coreografia que já conhecia por conta do clipe do grupo coreano que também estava constantemente em sua lista musical atual. <br />
<br />
Piscou algumas vezes, aproximando-se devagar ainda com a garrafa de água em mãos, os fones de ouvido abaixados. Prestou atenção no que eles estavam falando, considerando que aqueles europeus costumavam ser bem mais barulhentos que os rapazes que conhecia em sua terra natal. Moveu o pé discretamente ao ritmo da música, julgando distante os passos daqueles que ousavam dançar a tal coreografia como se algum dia um deles tivesse alguma chance de conseguir recriar aquela coreografia de forma eficiente. Achou curioso o grupo, mas não tomou iniciativa de se apresentar. Ao invés disso, escolheu pegar o próprio celular de novo, era hora de procurar o mercado central. Queria ao menos voltar para o dormitório com alguns lanches para passar o fim de semana tedioso de estudar e treinar sozinho.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Juntando os Pedaços [Renaud, Didier, Sasha, Isaac]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=347</link>
			<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 15:22:56 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=14">Aleksei</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=347</guid>
			<description><![CDATA[Fazia muitos anos que Aleksei não se sentia verdadeiramente exausto por uma sessão ou um caso com um paciente. Aquela manhã tinha prometido uma sessão mais tranquila com um Renaud aparentemente de muito bom humor, se comparado com as sessões mais recentes deles e com o fato de que ele ainda estava se ajustando às medicações, mas tudo tinha ido por água abaixo com uma notícia que ninguém tinha previsto. Como consequência da morte da mãe de Renaud, o rapaz tinha se rendido a uma crise dissociativa intensa e talvez devesse agradecer mentalmente que a medicação que ele tomava, somada às mãos machucadas, tinha reduzido e muito o ímpeto dele em tentar retaliar aquela perda de alguma forma. A crise que Aleksei tinha presenciado na enfermaria era algo de maior complexidade do que esperava presenciar numa academia com alunos adolescentes e jovens adultos, mas embora tivesse lhe exaurido mentalmente, tinha também lhe dado as pistas para dar prosseguimento ao tratamento de Renaud com mais eficácia. A conversa com <span style="font-style: italic;" class="mycode_i">Duncan</span> era algo que precisava estudar com cuidado antes de pensar nas próximas abordagens.<br />
<br />
De todo modo, depois que Renaud tinha retornado aos sentidos e estava tentando assimilar o sentimento de perda que iria acompanhá-lo por um longo tempo dali em diante, ele precisava do suporte dos amigos e de pessoas próximas que poderiam lhe consolar mais do que com um par de afagos na cabeça, que era além até do que Aleksei teria se dado a liberdade com seus pacientes anteriores a St. Clavier. Depois de receber a confirmação dele de que queria ver os amigos e que poderia ir buscá-los, Aleksei saiu da enfermaria, sabendo que Isaac estava de volta a sala do Conselho Estudantil, mas certamente Didier e Sasha não teriam se afastado mais do que no final do corredor. Não foi surpresa abrir a porta e encontrá-los esperando por notícias no corredor amplo e pouco movimentado do Anexo Administrativo.<br />
<br />
- <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">Imaginei que estariam esperando por aqui.</span> - Aleksei deu um passo para o lado, saindo do caminho da porta aberta, finalmente dando espaço para que os dois entrassem na sala. - <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">Ele está acordado, gostaria de falar com vocês. Eu vou deixá-los a sós, mas estarei na sala de aconselhamento, caso precisem, é só ligar do telefone da enfermaria e eu volto o quanto antes. Eu avisarei ao Sr. Lemont também que o Renaud já pode receber visitas.</span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Fazia muitos anos que Aleksei não se sentia verdadeiramente exausto por uma sessão ou um caso com um paciente. Aquela manhã tinha prometido uma sessão mais tranquila com um Renaud aparentemente de muito bom humor, se comparado com as sessões mais recentes deles e com o fato de que ele ainda estava se ajustando às medicações, mas tudo tinha ido por água abaixo com uma notícia que ninguém tinha previsto. Como consequência da morte da mãe de Renaud, o rapaz tinha se rendido a uma crise dissociativa intensa e talvez devesse agradecer mentalmente que a medicação que ele tomava, somada às mãos machucadas, tinha reduzido e muito o ímpeto dele em tentar retaliar aquela perda de alguma forma. A crise que Aleksei tinha presenciado na enfermaria era algo de maior complexidade do que esperava presenciar numa academia com alunos adolescentes e jovens adultos, mas embora tivesse lhe exaurido mentalmente, tinha também lhe dado as pistas para dar prosseguimento ao tratamento de Renaud com mais eficácia. A conversa com <span style="font-style: italic;" class="mycode_i">Duncan</span> era algo que precisava estudar com cuidado antes de pensar nas próximas abordagens.<br />
<br />
De todo modo, depois que Renaud tinha retornado aos sentidos e estava tentando assimilar o sentimento de perda que iria acompanhá-lo por um longo tempo dali em diante, ele precisava do suporte dos amigos e de pessoas próximas que poderiam lhe consolar mais do que com um par de afagos na cabeça, que era além até do que Aleksei teria se dado a liberdade com seus pacientes anteriores a St. Clavier. Depois de receber a confirmação dele de que queria ver os amigos e que poderia ir buscá-los, Aleksei saiu da enfermaria, sabendo que Isaac estava de volta a sala do Conselho Estudantil, mas certamente Didier e Sasha não teriam se afastado mais do que no final do corredor. Não foi surpresa abrir a porta e encontrá-los esperando por notícias no corredor amplo e pouco movimentado do Anexo Administrativo.<br />
<br />
- <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">Imaginei que estariam esperando por aqui.</span> - Aleksei deu um passo para o lado, saindo do caminho da porta aberta, finalmente dando espaço para que os dois entrassem na sala. - <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">Ele está acordado, gostaria de falar com vocês. Eu vou deixá-los a sós, mas estarei na sala de aconselhamento, caso precisem, é só ligar do telefone da enfermaria e eu volto o quanto antes. Eu avisarei ao Sr. Lemont também que o Renaud já pode receber visitas.</span>]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Babylon [Lucius]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=346</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:46:28 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=55">Marion</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=346</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Naquela manhã tinha encontrado com Lucius para acompanhá-lo em uma aventura no tatuador. Tinha sido interessante ver que ele era um sujeito muito mais alternativo do que esperava, e claro, era bom estender o convite da manhã para sair com ele mais uma vez, dessa vez em um ambiente mais familiar a Marion: um clube. Como tinha dito pela manhã, passaria a noite no The Capitol com uns amigos, e se precisasse, poderia dormir na casa dos seus pais ou quem sabe desse sorte com Lucius. <br />
<br />
Enviou uma mensagem para ele enquanto estava encostado em um muro próximo da boate muito conhecida em Cerise. A música era alta o suficiente para que o som vazasse um pouco para o lado de fora, e Marion já tinha cumprimentado alguns conhecidos do clube, e certamente não passava despercebido usando uma camiseta e calça jogger beges com detalhes pequenos em verde, e um tênis branco blocudo. Queria poder dançar a noite toda.<br />
<br />
“Estou na frente do The Capitol. Olha aí a localização <img src="http://academiastclavier.com.br/images/smilies/wink.png" alt="Wink" title="Wink" class="smilie smilie_2" />”, deixou na mensagem, enviando junto a localização do clube. “Ah, e não se preocupa pra entrar. É por minha conta que eu que chamei. Mas venha de sapatos confortáveis, a gente vai dançar muito!”<br />
<br />
Acabou rindo sozinho, o que chamou a atenção de um par de meninas da fila, que ele graciosamente dispensou muito rápido. Podiam ser dois garotos bonitos, não reclamaria. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Depois de voltar para St. Clavier, tomar um banho e trocar de roupa, passou o resto da tarde organizando seu orçamento e cronograma de estudo, trocando mensagens em alguns momentos com sua psicóloga online. Havia prometido a Marion que sairia com ele durante a noite para um clube e ainda que a oferta lhe deixasse um tanto quanto desconfortável por ser uma experiência nova, acabou concordando em aceitar o convite em gratidão pela companhia do sujeito em lhe acompanhar pela tarde e, principalmente, por ser uma oportunidade de conseguir socializar novamente. Caso se sentisse muito desconfortável, poderia chamar um uber e voltar para o dormitório dos alunos. <br />
<br />
Se arrumou com uma opção de roupa que fosse despojada. Não levou bolsa dessa vez, guardou o celular e a carteira com os documentos dentro de sua jaqueta, tomando o cuidado em deixar pelo menos sua psicóloga ciente de onde iria naquela noite. Apesar de saber da mulher não ter a função de ser sua responsável, gostava de pensar nela como uma amiga, ainda que soubesse que, no fundo, ela não era exatamente aquilo. Enviou mensagem para sua mãe em Paris, certificando-a de que já havia conhecido um sujeito agradável que tinha lhe convidado para sair. Não se preocupava em fazer as coisas sozinho, mas era confortável a ideia de dar satisfação a alguém que se importava consigo sobre o que estava acontecendo. <br />
<br />
Como ainda não sabia exatamente como chegar no devido lugar através do meio de transporte local, demorou alguns minutos até que conseguiu chegar na frente do tal The Capitol. Durante o trajeto, tomou o cuidado de informar ao amigo sobre o motivo de seu atraso. Avistou Marion não muito distante após atravessar a rua, o traje do sujeito ajudando-o a se destacar facilmente na multidão. Acenou ao se aproximar, sibilando um pedido de desculpas enquanto gesticulava com as mãos. <br />
<br />
Desculpe. Seus amigos esperaram muito? Resolveu perguntar, notando a quantidade de pessoas que já se formavam na fila. Pelo menos havia se certificado de usar um bom desodorante, sempre estava com um perfume agradável de fragrância amadeirada, não lhe agradava a ideia de estar sem um bom odor. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Quando Marion viu Lucius ao longe, acenou de forma animada e amigável para o moreno, notando como ele estava arrumado, e certamente não deixando de notar o perfume gostoso quando ele se aproximou, ao que teve o descaramento de se curvar na direção dele e dar uma tragada breve ainda de uma distância e abrir um sorriso largo.<br />
<br />
- Não se preocupa com meus amigos, não. Eles estão bem acompanhados. Quer dizer, eu também, agora né? – Marion comentou com um ar confiante, dando um par de tapinhas amigáveis em Lucius. – Olha como você é bonito! – riu, chamando-o com a mão e um maneio de cabeça para que fossem até a fila. – Meus amigos já entraram. Mas eu só saio com eles para dançar então... não é como se fossem sentir minha falta.<br />
<br />
Deixou bem explicado que Lucius era provavelmente a única pessoa que ele esperaria naquela situação, deixando a fila andar para que pudesse finalmente chegar a vez dos dois de receber pulseiras e entrar no clube aquela noite.<br />
<br />
- O que quer pra beber? – perguntou a Lucius antes que entrassem, porque a música dentro do Capitol era mesmo muito alta. Bastou que abrissem a porta para que ficasse claro que o lugar era feito apenas para festejar, pois havia pontos muito escuros, um bar muito iluminado e dançarinos fazendo bonito sobre plataformas. – Só pra avisar, nada de bala. A galera que vende aqui é muito suspeita!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Ficou surpreso por um instante com a aproximação do amigo, ainda mais quando ele fez questão de lhe cheirar. Encarou o sorriso do outro ao ser elogiado quanto a sua própria aparência, fazendo um breve sinal em agradecimento pelas palavras dele. Achou estranho por um momento ele tratar outros como amigos apenas para dança, mas não era como se tivesse muitos amigos para fins de comparação. Entrou com Marion ao receber a pulseira, contente pelo outro saber o suficiente sobre linguagem de sinais para se comunicarem no meio daquela música alta. Aproximou-se do amigo para ouvir o conselho dele sobre bala e concordou brevemente. Definitivamente não queria fazer uso de nenhuma droga. <br />
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Água. - sinalizou. Não fazia ideia de quanto custava a bebida ali e também não queria gastar muito. Gostava de opções de diversão que fossem mais baratas e havia seguido até ali para dançar e, principalmente, assistir o amigo dançando ao vivo. Não estava mentindo quando disse ao sujeito que ele tinha habilidade com a performance corporal. Já havia assistido alguns vídeos dele online e, de fato, era um bom entretenimento assistir o outro dançar. Não que não soubesse sobre ritmo e musicalidade, mas era algo distinto tocar uma música no piano ou no violão e interpretá-la com seu próprio corpo. <br />
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Observou as pessoas ao redor, o olhar de um brilho mais âmbar em meio a iluminação mais forte do bar destacando seu rosto de pele morena em meio aos fios escuros do cabelo com alguns fios fora do lugar pela correria que havia sido até chegar ali. Moveu os dedos longos sobre a mesa do bar como se facilmente acompanhasse a batida do ritmo da música mais animada, ignorando os olhares estranhos em sua direção. Certamente que, sendo alguém novo na cidade, poderia ser uma atração diferente, mas preferia muito mais uma única companhia a ser o centro das atenções. <br />
<br />
O que vai beber? É muito caro? - perguntou ao amigo ao lado, sinalizando-o de forma discreta, movendo os lábios para que ele pudesse entender de forma mais clara e para não demonstrar a estranhos que era mudo ali. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Marion abriu um sorriso satisfeito com a resposta de Lucius sobre o que queria beber e fez o pedido no bar, sendo atendido rapidamente. Imaginou que ele era o tipo bem comportado, mas depois de ver a tatuagem, talvez tivesse um lado mais solto dele. Mas considerando que mal se conheciam, talvez ele se reservasse o direito e permanecer sóbrio. Quem sabe com o passar da noite ele não se sentia mais confortável?<br />
<br />
De todo modo, era bom ser acompanhado de um homem bonito como Lucius. Se a beleza dele já tinha lhe chamado atenção na casualidade do dia a dia, vê-lo arrumado e iluminado pelas diferentes luzes do clube eram quase um presente. Não demorou quase nada para notar que ele atraía bastante a atenção ao redor, e até podia ver as moças que tinha dispensado antes passando e olhando para ele.<br />
<br />
Retomou a atenção para Lucius quando ele perguntou o que iria beber, e aproximou-se dele, ficando perto o suficiente para que trocassem sinais sem se atrapalharem.<br />
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- Nada ainda. – respondeu, sinalizando também para não ter que levantar a voz. – Na verdade eu quase não bebo quando saio. Às vezes vodka. Mas prefiro dançar muito. E aí na saída tomo alguma coisa ou fumo... depende do DJ. – riu, ouvindo a batida ficar mais agitada em uma música conhecida que estava tocando na rádio por aqueles dias. Não resistiu mexer ombros e pescoço, apreciando o ritmo. – Você vai dançar comigo, não-<br />
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- Marion! – Um rapaz alto de moletom e barbicha deu um tapa no ombro do moreno. – Achei que não ia vir! Deixa de flerte barato e vamos lá pra frente! O Kir vai tocar! – ele falou animado, praticamente puxando Marion pela roupa.<br />
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- Espera, espera, Henri! Esse aqui é um amigo meu, não vou deixar ele sozinho! – Marion protestou. – Lucius, Henri. Henri, Lucius.<br />
<br />
- Ele dança? – Henri questionou, e então olhou pra Lucius com a sobrancelha arqueada. – Você dança?<br />
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- Ah, Henri! O Lucius não fala, entã-<br />
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- Eu não quero saber se o seu casinho não fala, eu quero saber se ele dança! – Henri mostrou ambas as mãos como se estivesse falando o óbvio. – E aí, Lucius? Shuffling? Locking? Poppin’? Macarena?<br />
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O recém-chegado citou cada estilo, fazendo um breve freestyle no trechinho da música alta que estava tocando, até mesmo sensualizando Macarena no ritmo da batida, e embora Marion estivesse um tanto confuso, foi impossível não abrir um sorriso para o conhecido e se juntar na Macarena, o que animou Henri, que seguiu sozinho na dança. Então Marion olhou pro amigo novo de St. Clavier e coçou a nuca com um riso desconcertado.<br />
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- [Desculpa]. – sinalizou para que o outro não ouvisse.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Ouviu a resposta de Marion e aproveitou a aproximação do atendente do bar para pedir uma garrafa de água, movendo os lábios e contando com o entendimento do outro ao apontar para a garrafa de água mais próxima do balcão. Não deu atenção para os olhares curiosos em sua figura, apesar de não deixar de notar cada um deles. Estava ali para se divertir a convite de um amigo. Observou os movimentos de Marion e não deixou de esboçar um sorriso com o canto dos lábios, divertindo-se com a desenvoltura dele, a personalidade mais leve e alegre lhe fazia pensar naquele momento como um encontro mais simples, afastando seus pensamentos dos problemas do dia a dia. <br />
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Acabou sendo pego de surpresa pela presença de um estranho, alto de barbicha, que parecia em um estado de urgência para levar Marion para um lugar onde aparentemente um tal de Kir estava tocando. Poderia não escutar com muita clareza em meio a todo aquele burburinho de pessoas e música agitada, mas tinha uma ótima capacidade visual em ler lábios. Gesticulou brevemente para Henri, cumprimentando-o com um sorriso educado. Ignorou a parte sobre ser um “casinho” de Marion e passou a prestar atenção nas sugestões de ritmos específicos que já havia visto em algumas descrições de vídeos que já havia assistido do recente amigo. Riu discreto com a tentativa de sensualização com a clássica macarena e acabou concordando, afirmando com a cabeça positivamente sobre saber dançar. Pegou e pagou pela garrafa de água, aproximando-se de Henri para poder segui-lo. Fez uma menção com a cabeça, chamando por Marion. <br />
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Não precisa se desculpar. Eu sei dançar. Só não danço tão bem quanto você. - respondeu ao outro, sinalizando rapidamente, esperando que ele pudesse compreender o que estava dizendo. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Apesar do momento levemente desconfortável que imaginava ter feito Lucius passar com Henri, no momento em que ele respondeu finalmente o questionamento de seu amigo de festa, a resposta lhe deixou de orelhas em pé e muito mais animado. Então ele dançava! Abriu um sorriso largo quando o moreno explicou que ele sabia dançar, mas não era tão bom quanto Marion. O seguiu animado enquanto iam na direção do barulho do meio da boate, onde a música ficava ainda mais alta.<br />
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- Bom, não importa quem dança melhor. Importa se você dança comigo! E então? – Marion perguntou, ajudando com os gestos enquanto seguiam pela boate, afinal, a música podia ser insuportável de vez em quando.<br />
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Henri estava junto com outros dois rapazes quando chegaram. Um deles parecia ser apenas um pouco mais novo que o grupo, parecia muito devagar e relaxado, o que era um imenso contraste com a energia do segundo sujeito, um rapaz com o cabelo quase todo raspado e incontáveis tatuagens nas mãos e braços e que dançava freneticamente sem parar um único instante.<br />
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- Marioooooon! Maaaariiii! Mamaaaaaa! – o rapaz que estava dançando freneticamente correu para dar um abraço no moreno, e então olhou para Lucius com um sorriso de orelha a orelha. – Você é muito lindo, está solteiro?? Vamos dançar! – ele voltou a dançar ao redor de todo mundo, mudando entre shuffling e uma imitação fajuta de galinha. – Ó o drop!!<br />
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- Quem é seu amigo? – o sujeito mais relaxado perguntou, tão na paz que nem parecia que tinha tanto barulho ao redor. – Oi, tudo bem? Hugo. E aquele maluco é o Bil. O Henri você já conheceu, né? – perguntou, estendendo a mão para Lucius.<br />
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- Que foi que ele tomou? – Marion perguntou com uma sobrancelha arqueada.<br />
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- Nem pergunte. – Hugo olhou para trás um instante para ver se Bil estava vivo no meio da multidão. Mas ele estava mais vivo que a pequena multidão toda.<br />
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- Ah, Lucius, Kir é um amigo do Bil e do Henri, ele é Dj. Aquele cara que está subindo no palco e conectando o equipamento. – Lucius apontou, ouvindo enquanto a música mudava quase que imperceptível para outro remix e a iluminação acompanhava o ritmo, e o outro Dj tomava o lugar. Bil tinha ido assobiar e aplaudir quase na frente do palco enquanto um remix de 7/11 começava a tocar. – Me mostra o que você sabe, Lucius?<br />
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Marion começou a bater palmas devagar no ritmo da música, e então começou a acompanhar o ritmo devagar com os ombros e o corpo. Os amigos dele não foram tão devagar, e não levaram mais que a introdução da música para começar a dançar também, empolgados no mundo deles, tanto quanto Marion estava ficando gradualmente mais empolgado com a ideia de dançar com Lucius.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Apenas lançou um olhar interessado para o amigo que lhe convidada para dançar, permanecendo quieto enquanto seguiam o amigo dele para que conhecesse o restante de rapazes daquele grupo. Gostou de conhecer o tal de Hugo. Ele lhe passava uma tranquilidade e uma atmosfera mais amistosa ao seu gosto que o sujeito, com o que imaginava ser um apelido, Bil. Sorriu com o canto dos lábios ao ser elogiado pelo tal de Bil, mas escolheu ignorar a pergunta dele sobre estar “solteiro”. Estendeu a mão de volta para Hugo, cumprimentando-o em silêncio antes de sinalizar para ele, passando suas mãos uma sobre a outra, aproximando os indicadores e apontando para o mais tranquilo na linguagem de sinais. <br />
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Prazer em conhecer você. - ergueu o olhar para observar o local onde o tal Kir, amigo DJ do grupo, deveria começar a tocar. Sorriu mais abertamente ao notar como aquelas pessoas estavam mais relaxadas no espaço da boate, dançando em meio a outras pessoas sem se preocuparem em serem julgados. Aos seus olhos, eles nem precisavam se preocupar, até mesmo o engraçado Bil imitador de galinhas possuía uma boa desenvoltura com o próprio corpo. <br />
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Voltou novamente sua atenção para Marion, o amigo parecia ainda estar entrando em um ritmo confortável. Lembrou dos vídeos dele e como ele parecia livre e empolgado com a apresentação dos próprios movimentos ao ritmo da música mais popular, ainda que nem todos os ritmos que ele fosse capaz de usar fossem frenéticos. A batida que tomava o The Capitol não era estranha aos seus ouvidos, já havia escutado aquela música em outro ritmo no celular, em vídeos e em playlists aleatórias enquanto buscava distração após passar do seu horário estudando música. Podia ser do tipo reservado, não isso não significava que não se sentisse mais confortável na companhia de um amigo como Marion, que até o presente momento havia se mostrado um sujeito divertido e leve. <br />
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Suspirou, relaxando os ombros para começar a seguir os movimentos do outro. Como estavam em uma boate, não era estranho estar dançando, ainda que não fosse nenhum profissional naquilo como o sujeito parecia ser. Lembrava que alguns passos dele nos vídeos e, para sua sorte, possuía um bom jogo de cintura e flexibilidade para se mover ao ritmo da batida do DJ. Baixou o olhar para acompanhar os passos do moreno, ficando a frente dele. Passou a mão pelos fios escuros do próprio cabelo ao erguer a cabeça para encarar Marion, esboçando um sorriso mais confiante por estar ali.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Apesar de Marion achar que Lucius demoraria mais tempo para se sentir à vontade para dançar com eles, considerando que havia uma boa parte dos visitantes que estava ali só para beber, ele foi bem rápido em se jogar, o que lhe animou ainda mais. Hugo e Henri, que ainda dançavam perto dos dois, também se animaram com o novo companheiro de dança, enquanto Bil parecia dar voltas no lugar inteiro, parecendo mais uma pipoca saindo da panela que um dançarino como os amigos.<br />
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- Fiuuu! Ele dança! – Henri gritou animado, sacudindo os braços para o alto enquanto começava outra música.<br />
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- Mesmo se não dançasse, o importante é se divertir, não? – Hugo respondeu, dando um tapinha no amigo e fazendo shuffling ao redor dele com a calma de um monge budista.<br />
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- Isso aí, Hugo! – Marion e Hugo bateram as mãos, e como se fosse um sinal idiota, Marion começou a fazer shuffling e Hugo mudou o estilo de dança. O aluno de St. Clavier virou novamente para Lucius, aproveitando que tinha sido ele mesmo quem tinha decidido dançar ao seu redor. Tinha que admitir, claro, Lucius era muito bonito, ele tinha ciência disso, e cada movimento que ele fazia lhe mandava sinais mistos se ele tinha interesse ou não em algo além de amizade. Marion até pegou a mão de Lucius para dançarem juntos, brincando com o amigo sem invadir demais o espaço dele. – Sabe dançar o suficiente pra essa jogada de cabelo me dar um nervoso, ein! – riu, soltando o outro em seguida.<br />
<br />
A playlist do DJ Kir era super animada, e pelo jeito que o grupo dançava, eles não parariam até a madrugada ou o clube fechar. Cada um até parou para mostrar habilidades individuais, com todos abrindo espaço para Bil fazer break, Henri mostrar que era excelente de Locking e Hugo surpreender com as caras e bocas enquanto fazia twerking ao som de “Get Low”. Também não deixaram de incluir Lucius sempre, silenciosamente ensinando a ele como dançar o refrão de “Lean On” com todos eles, e algumas pessoas no Capitol que acharam o grupo agitado no mínimo chamativo.<br />
<br />
Quando o DJ encerrou a setlist e outra pessoa entrou no lugar dele com um som menos agitado, Marion estava pingando de suor e rezando para não aparecer demais na roupa bege.<br />
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- Wheeeew! Estou morto! – fingiu um desmaio, jogando quase o corpo todo pra trás antes de voltar. – Isso foi muito bom! – deu um tapinha amigável em Lucius. – Água? Pra dois? Tipo, água pra dois pra cada um de nós, que acha? – riu, parecendo um ser humano muito animado com o rosto vermelho de fazer exercícios. E Bil seguia dançando. – O que achou??<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Não se incomodou com a aproximação dos amigos de Marion ao seu redor. Eles pareciam leves e divertidos, mas em nenhum momento invadiram seu espaço ou lhe deixaram desconfortável. Contudo, não conseguiu ignorar o toque alheio em sua mão, ainda que por um período curto de tempo. Talvez fosse pelo fato de usar muito de suas mãos para tocar piano ou para sinalizar, mas o gesto lhe fez prestar um pouco mais de atenção no semblante do amigo que havia lhe convidado até ali. O jeito engraçado do sujeito, misturado à aproximação “inocente” do mesmo lhe deixavam mais na defensiva, por não estar habituado àquele tipo de sinais incertos. No final das contas, ele poderia muito bem estar levando tudo na brincadeira e não queria ser o amigo que estragava tudo ao raciocinar demais naquela situação. <br />
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Esboçou um sorriso comercial e educado, compartilhando do momento de brincadeiras e de passinhos ridículos, aceitando a oferta de aprender com os amigos de Marion, não se importando de tentar imitar o passo deles. <br />
Concordou com um aceno positivo sobre a água, removendo a jaqueta que estava usando no processo, revelando os braços e a tatuagem que Marion já tinha conhecimento. Amarrou a peça na cintura e passou as duas mãos pelo próprio pescoço, sentindo como também estava suado, os fios escuros mais compridos colados na pele de sua nuca. Aproximou-se de Marion, tocando-lhe o ombro para lhe chamar a atenção antes de sinalizar: Onde fica o banheiro? Encarou o amigo, esperando que ele pudesse lhe dar indicações de qual direção seguir, a água lhe faria muito bem depois que pudesse se livrar um pouco daquele suor. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Lucius lhe passava uma imagem bem fechada. Talvez fosse porque era um extrovertido natural, e completamente “aparecido” comparado com ele (era até bem mais agitado que o resto do grupo, até mesmo Bil, que certamente estava sob influência de alguma coisa). Ao menos ele se sentia confortável com seus amigos, talvez por eles serem mais respeitosos sobre o espaço alheio.<br />
<br />
Quando finalmente pararam de dançar, o fato de Lucius parecer só cansado e ainda se manter distante, e pior, sequer lhe responder se tinha gostado lhe deu bem a entender que diferente dos menininhos fáceis que encontrava em St. Clavier, o moreno não tinha interesse nenhum em sair dali “acompanhado”. Bom, ao menos ele era interessante e parecia ser boa gente. Bem queria liberdade para tocar na nuca suada dele, mas podia se contentar em dividir uma água e dançar mais um pouco. Até Marion sabia quando parar.<br />
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Ergueu as sobrancelhas quando ele disse que queria ir ao banheiro. O Capitol não era como muitos bares esquisitos nos quais já tinha se metido, mas se perguntou se estaria tudo bem deixar ele ir sozinho.<br />
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- Naquela direção, logo depois do bar à esquerda. – Marion indicou, sinalizando também por conta da música alta. Arqueou a sobrancelha. – Quer que eu vá com você até a porta? – não deveria ter mal em perguntar. Ainda mais sem nenhum tom de malícia. – Não que seja esquisito por aqui, geralmente. Mas sei lá, por segurança.  <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Observou melhor a localização da indicação do banheiro e já estava pronto para seguir após agradecer, quando se deu conta da oferta de companhia do outro para lhe acompanhar. Não costumava ter companhia alguma ao ir ao banheiro e até gostava bastante da privacidade, mas diante do comportamento alheio e do local ser desconhecido, acreditou que a decisão mais sensata era aceitar a companhia do então amigo. <br />
<br />
Concordou com um aceno positivo de sua cabeça, deixando que ele mostrasse então o caminho para chegar ao tal banheiro. Assim que parou na porta, imaginou que deveria entrar sozinho, contudo, parou para observar melhor a situação do amigo, imaginando se ele também não estaria suado após dançar de uma forma tão animada, enérgica. Concluiu que ele não deveria se incomodar tanto com o próprio suor como ele, mas ainda assim ofereceu: <br />
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[Você pode entrar. Se quiser. Eu não me incomodo.] - disse para Marion antes de adentrar o banheiro, seguindo diretamente para a pia a fim de lavar as próprias mãos. <br />
<br />
Suspirou ao se dar conta da sensação agradável da água fresca em suas mãos antes de lavar o próprio rosto. Ao erguer a face e se encarar no espelho, procurou com o olhar a presença de Marion no recinto. Fez uma pequena pausa antes de molhar as mãos novamente, passando os dedos então pela própria nuca como se quisesse se livrar do suor e da ideia de ter algum odor desagradável. Moveu a gola da camisa para que pudesse cheirar o tecido, a barra da peça subindo a ponto de seu abdômen ficar exposto. Terminou por largar o tecido da camisa, lavando as mãos mais uma vez antes de passar os dedos molhados pelo cabelo escuro, jogando-os para trás em uma tentativa de aliviar o calor pelo exercício realizado. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Guiou Lucius até o banheiro. Estava acostumado a esperar na porta pelos amigos ou entrar no banheiro para fins diversos, mas ser “convidado” a entrar foi uma novidade engraçada. Quase não resistiu arquear a sobrancelha para o moreno, afinal, não tinha sido uma ou duas vezes apenas que havia dado em cima dele. Porém, pelo visto, ou ele gostava de atiçar sua imaginação, ou era muito tonto.<br />
<br />
De todo modo, Marion aproveitou para lavar o rosto também. Jogou um pouco de água, tirando o excesso com a mão para garantir que estava sóbrio (apesar de não ter bebido ou usado nada), porque cada gesto de Lucius parecia desenhado para lhe provocar gratuitamente, do jeito como ele molhava o cabelo para tirar o excesso de suor, até o jeito como ele levantava de leve a camisa no intuito de cheirá-la, deixando um pedacinho do abdômen exposto. Era um pouco respeitoso, mas amém, não era cego.<br />
<br />
Pegou a manga do próprio moletom e aproveitou para enxugar o rosto, sabendo por experiência que o papel fino de enxugar as mãos era uma péssima opção.<br />
<br />
- Bom, já vi que aqui está seguro. Então vou aproveitar pra sair, que se eu ficar olhando demais pra você, vai ficar perigoso pra mim aqui dentro. – Marion riu, movendo a mão como se banisse as ideias da cabeça. Ainda fingiu que iria sair e virou o rosto para Lucius, mexendo os dedinhos de forma esquisita. – E não fique sensualizando demais na frente do espelho. Reza a lenda que homem bonito no banheiro do Capitol pode ser encoxado pelo “Galegão do banheiro”, ein?? – ergueu as sobrancelhas de modo assustado, e depois saiu, fechando a porta atrás de si. Só não foi embora. Seria indelicado levar Lucius até lá e sair sem esperar por ele.  <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Estava mais aliviado com a sensação refrescante da água em sua pele antes suada. Marion ainda havia feito a gentileza de lhe acompanhar até ali, o que era agradável por estar em um lugar novo e desconhecido. Olhou para o amigo pelo espelho quando ele brincou sobre ali ser perigoso para ele. Observou o moreno por sobre o ombro, surpreso com as palavras dele sobre estar “sensualizando demais”. Acompanhou o sujeito com o olhar pelo reflexo do espelho, sentindo o rosto ruborizar com a ideia de que esteja sendo vulgar de alguma forma. <br />
<br />
Não queria causar uma impressão errada em Marion ou nos amigos dele, então achou melhor desamarrar o casaco da própria cintura, vestindo de novo a peça para se sentir mais coberto. Demorou alguns minutos para sair do banheiro, mexendo no próprio celular. Verificou as mensagens trocadas anteriormente com a psicóloga sobre o próprio receio com aquele encontro até decidir sair do banheiro finalmente. <br />
<br />
Ficou surpreso de novo ao encontrar o amigo lhe aguardando do lado de fora, mas acabou por esboçar um sorriso, mais calmo com a presença do outro. <br />
<br />
Desculpe. Demorei muito? - perguntou, parando para observar melhor os arredores e se dar conta que a música voltava a ter uma batida mais animada. - Seus amigos devem estar esperando. Vamos encontrar com eles? - completou, dando espaço para que outros entrassem no banheiro. Queria poder ainda se divertir com Marion naquela noite e voltar para o dormitório quando ele quisesse também ir embora. Ou talvez o amigo fosse embora dali com outra pessoa. Entre as opções, não queria ser um empecilho para o recente amigo que lhe parecia ser uma boa pessoa, apesar dos comentários insinuantes. Julgava que tudo deveria ser uma brincadeira da parte do outro. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Quando Lucius finalmente saiu, novamente vestido com o casaco, arqueou de leve a sobrancelha. Será que ele estava com frio depois de ter molhado a nuca, ou será que seus comentários tinham incomodado? Deveria parar de investir, afinal, ele parecia não ter interesse em nada além de sua amizade e uma boa companhia para balada. Achava isso um desperdício, aliás, pois era um excelente partido para um coração partido.<br />
<br />
- Não demorou, não. Vamos voltar. – no caminho, bebeu a água para dar uma esfriada no corpo, voltando para o grupo de amigos que estava entre dançar e já beber alguns drinks, ou ao menos Hugo estava tentando, com Bil agarrado em seu pescoço tentando roubar um gole do copo. – Ei, Bil! Você não pode beber!<br />
<br />
- Ei, Mariiii...! Só um golinho, vai, deixa! – Bil berrou quando Marion ralhou com ele, soltando do pescoço do outro amigo para se agarrar em Marion. Ele olhou para Lucius em seguida. – Você parece um cara muuuito legal, compra vodka pra mim? Só uma batidinha? Eu te dou dinheiro, vai? – o rapaz puxou então a carteira do bolso e estendeu a Lucius, mas Marion rapidamente colocou a mão e a carteira de volta no bolso do dono.<br />
<br />
- Já vai começar com as ceninhas. Nem dê bola pra ele, que senão ele fica todo derretido em cima de você. – Henri riu, aproximando-se de Lucius e dando uma leve cotovelada de lado. – Um drink, Lucius? – ofereceu, mostrando uma garrafa de vodka barata.<br />
<br />
- Eu queroooo! -Bil falou, agarrado ainda em Marion, esfregando o rosto nele. – Mama, me leva pra casa hoje~ Ninguém me deu uma dose, tô carente~<br />
<br />
- Hoje eu tô acompanhado, Bil. Vai com o Henri e o Kir, quando ele pegar o dinheiro da noite. – Marion então afagou a cabeça quase raspada do outro que se tremeu inteiro de propósito, e Marion não resistiu acariciar o outro abaixo do queixo, já rindo. – Na próxima venha sóbrio e aí te faço carinho até você ronronar, gatinho~<br />
<br />
- Miau! – Bil berrou, e Marion agarrou ele e encheu de beijos pelo rosto, para entretenimento de Henri e Hugo, que caíram aos risos.<br />
<br />
- Ah! Lucius! Você vai voltar pro dormitório daqui? Sabe que tem toque de recolher né? – Marion falou, ainda fazendo cócegas em um Bil muito rendido. – Se quiser dormir comigo, fique a vontade. – piscou. – Quando digo comigo, digo na casa dos meus pais, que é pra onde eu vou daqui.  <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Aproveitou que o amigo estava bebendo água para pedir um pouco e beber também. Observou a aproximação mais íntima do amigo dele, pendurando-se no pescoço de Marion. Cerrou os lábios, desviando o olhar assim que o sujeito se dirigiu para sua pessoa, pedindo para que comprasse vodka para ele. Sorriu para Henri de forma discreta, acenando em negativa com a oferta da bebida. De fato, até gostaria de experimentar o que lhe era oferecido, mas sabia que devido a sua condição de saúde, não era possível. <br />
<br />
Sorriu um pouco constrangido, encarando Marion pelo fato dele parecer ocupado em lhe manter companhia, enquanto os outros amigos dele queriam se divertir com o rapaz. Desviou o olhar por um momento, achando, no mínimo, curioso como o mais novo, Bil, parecia tão à vontade ao ponto de esfregar o próprio rosto contra o de Marion, sendo correspondido com aquelas carícias casuais. Se ocupou em beber um pouco mais de água, batendo o pé de leve ao ritmo da música do ambiente, entretido com a batida mais animada e empolgante. <br />
<br />
Quase se engasgou quando Marion lhe perguntou se iria voltar para o dormitório ou se dormiria com ele. Encarou o amigo pouco depois de verificar o horário da noite em seu celular, recordando do tal toque de recolher. Observou o tal de Bil nos braços do moreno e sorriu um pouco sem graça, sinalizando para Marion apenas com uma das mãos enquanto segurava a garrafa com água. <br />
<br />
Se não é problema para você. Eu agradeço. - respondeu, acenando novamente antes que percebesse a atenção do sujeito. - Mas você não quer sair com ele? - resolveu perguntar, incomodado com a ideia de estar atrapalhando a noite do moreno com os amigos de longa data do outro. - Eu posso chamar um carro e voltar. - avisou, ponderando que se saísse em tempo, conseguiria chegar em St. Clavier para dormir. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Acabou rindo descaradamente do engasgo de Lucius quando questionou se dormiriam juntos. Ao menos uma vez naquela noite tinha conseguido dar um direto de direita no moreno. Não era possível que nesse ponto das interações dos dois, ele não notasse seu interesse. Embora ele não parecesse igualmente interessado. Hugo e Henri pareciam notar que suas tentativas falhas não tinham surtido nenhum efeito, e os amigos até ergueram os copos para Marion em simpatia. Estar agarrado com Bil não estava ajudando sua conta.<br />
<br />
Arregalou os olhos quando Lucius perguntou se não preferia sair com o outro.<br />
<br />
- Eu? Não, não! Com certeza prefiro ir com você! – Marion respondeu, deixando Bil com uma carinha tristonha. – Você tem o Kir no seu coraçãozinho, eu só lhe encho de carinho porque você está um grude.<br />
<br />
- Mas ele não me dá bolaaaa~~ - Bil esperneou, sendo tirado de perto de Marion por Henri, puxado pela gola da camisa.<br />
<br />
- Vamos, vamos, você tá atrapalhando a chance do Marion... vamos dançar? Olha a batida! Tuts, tuts!<br />
<br />
E sem nem pensar duas vezes, o humor de Bil mudou da água pro vinho, e ele começou a dançar animado perto do grupo, sem preocupação alguma no mundo.<br />
<br />
- Não liga pra ele não, que quando o efeito passar, ele vai ficar todo deprê e com a cabeça toda bagunçada. A gente já conhece e dá conta do Bil. Não dispense a saída com o Marion só por causa dele. – Hugo aconselhou com paciência, dando um sorriso e uma cutucada amiga em Lucius.<br />
<br />
- Então dorme lá em casa! A gente pode dançar mais hoje a noite, e aí prometo que te dou uma toalha pra tomar um banho quente e te enrolo como um bom menino antes de dormir. Dou até um beijinho pra bons sonhos! – Marion riu, estendendo as duas mãos a frente e chamando Lucius para dançar já se mexendo no ritmo das músicas ainda mais animadas que o novo dj tocava.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Observou as reações do grupo de onde estava, acompanhou como, ao que tudo indicava, o tal de Bil tinha sentimentos pelo músico que se chamava Kir. Não tinha certeza se ele era músico de fato, mas entendia que ele era o responsável pelo que estava tocando enquanto dançavam. Aparentemente, o tal de Bil era muito carente de contato físico e, por isso, estava inclinado a ficar nos braços de Marion. Na verdade, depois que ele foi removido da companhia de Marion por Henri, imaginou se o rapaz não se importava qual fosse o amigo que o abraçasse. <br />
<br />
Concordou com um aceno positivo para Henri quando ele lhe recomendou não dispensar a saída com Marion. Olhou na direção de Marion, ouvindo as palavras dele e processando que o interesse dele parecia estar além de uma amizade convencional. Concluiu mentalmente que ele deveria gostar de garotos, recordando, então, dos comentários insinuantes dos amigos dele que agora conhecia pessoalmente nos vídeos do dançarino. <br />
<br />
Ficou na sua, aceitando a oferta da dança, segurando as mãos de Marion. Porém, prestou atenção na reação do outro ao, propositalmente, deslizar o indicador e o médio pelos pulsos dele ao aceitar o convite. Manteve um olhar mais atento sobre as reações do então amigo, tentando acompanhá-lo nos passos da dança, inutilmente, a julgar que ele era bem melhor que sua pessoa naquele quesito. Não era do tipo que tinha muita energia social para manter a mesma empolgação que Marion e seus amigos, contudo, estava contente por estar ali e poder observar, de forma presencial, os corpos que se moviam ao ritmo animado. Tentou recordar da energia na quadra de basquete e em como a adrenalina da competição fazia com que se concentrasse e melhorasse seus reflexos. <br />
<br />
Você vai me beijar? - sinalizou, encarando o outro, mais sério, considerando a “brincadeira” dele com o comentário sobre lhe colocar para dormir. Preferia ser direto, principalmente por ter confiado no outro a ponto de aceitar estar ali com ele e os amigos que até então não conhecia. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Sabia que seus amigos tinham um ritmo diferente da maioria das pessoas, até o próprio Marion. Treinavam muito dança, e aquelas noites eram a chance de eles dançarem por mais hobby, socializarem, saírem com outras pessoas ou entre eles mesmos, mas Lucius parecia estar aguentando bem o tranco que era estar naquele grupo. Por isso queria dançar mais com ele, afinal, era seu convidado. Se o abandonasse para dançar com os outros não faria sentido.<br />
<br />
Sentiu um toque diferente no seu pulso quando Lucius tomou suas mãos, e então olhou para o gesto do rapaz e abriu um sorriso. Não sabia se ele tinha feito de propósito ou se tinha percebido o próprio gesto singelo. Mas já tinha sido rejeitado de tantas formas diferentes que ignorou o toque, apenas puxando o amigo para mais uma maratona de dança, com todos os movimentos que podia ensinar a ele, do shuffling a dança da minhoca tonta. Não importava muito se estavam bonitos dançando. O que fazia diferença para Marion era se ele estava se divertindo.<br />
<br />
Virou para Lucius, notando que ele estava já “perdendo a bateria” do começo da noite, e observou os gestos dele para si, até parando de mexer os pés por um breve segundo. Apesar de ficar inicialmente confuso, Marion abriu um sorriso amplo, e então estendeu as mãos para as de Lucius, trazendo-o mais para perto. Encarou-o direto, um pouco mais quieto e então arqueou uma das sobrancelhas.<br />
<br />
- Se você quiser. Quando você quiser. – deixou bem claro, para ter certeza que Lucius não estava aceitando só pela sua insistência e pela dos seus amigos. Então riu, sinalizando para ajudar a compreensão com o volume da música ficando subitamente mais alto. – Eu até diria “onde” você quiser, mas eu te beijaria inteiro, sabe?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Esperava apenas uma resposta, mas foi pego de surpresa pela atitude do mais alto ao lhe trazer para perto. Encarou o outro de volta, sem dificuldade de ler os lábios dele pela proximidade. Estava habituado a uma intimidade mais agressiva e menos educada que a de Marion, por isso ficou um tanto sem reação quando ele ainda sinalizou, indicando que poderia lhe beijar “inteiro”. Cerrou os lábios, sentindo um calafrio lhe descer até a barriga. <br />
<br />
Estendeu uma das mãos até o próprio rosto, permanecendo parado em meio a todas aquelas outras pessoas dançantes. Não prestou mais atenção nas pessoas e deslizou os dedos para a mão dele, segurando-a sem pressão. Virou o corpo, sinalizando para que ele viesse junto e saísse do meio daquelas pessoas, ainda que a música alta não lhe incomodasse.<br />
<br />
Olhou por cima do ombro, questionando-se um tanto incerto se o outro aceitaria se afastar dali com ele. Não era do tipo indiscreto. Na verdade, o tipo de intimidade que era acostumado a ter era sempre mais reservada. Respirou fundo, esperando que o outro não percebesse o tremor leve em seus dedos pela ansiedade de estar tomando aquele passo. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
A surpresa de Lucius com a sua resposta lhe deixou com um leve quê de incerteza. Achava que ele tinha finalmente respondido aos seus avanços, mas tinha mesmo? Talvez fosse mesmo um acidente, ou talvez ele quisesse chamar sua atenção para comunicar algo. Quanto mais Lucius demorava para reagir, mais ficava com a impressão de que tinha ido longe demais com a abordagem direta. Nem todo mundo era saído como ele e seus amigos e tudo bem se Lucius não fosse, mas também não era sua intenção assustar demais.<br />
<br />
Porém o toque delicado em sua mão e o sinal de que deveriam sair dali pôs um sorriso em seu rosto. Acenou discretamente para os rapazes na pista de dança e seguiu Lucius sem hesitar, notando como ele parava para ter certeza se estava seguindo para longe do barulho, para algum lugar mais discreto. Havia um leve tremor na mão dele, o que não achava animador. Começou a tecer mil teorias: será que na verdade Lucius era um cara hetero de mente aberta que agora queria experimentar, mas tinha medo do olhar dos outros? Será que na verdade ele estava no armário ainda? Achava o jeito dele lhe tirar dali um pouco inocente, considerando o quão direto tinha sido na abordagem. Ele estaria mais seguro de não ser devorado perto da luz.<br />
<br />
- Ei, Lucius! Lucius! – chamou o outro, notando que o lugar onde tinham ido estava bem mais vazio, quieto e escuro que o resto dos lugares. Pegou a mão do moreno, segurando os dedos levemente trêmulos, com a pose confiante e o sorriso bem humorado no rosto. – Você está tremendo. Respira... expira... – falou rindo, fazendo gesto com a mão livre. – Agora... se te ofendi com a cantada e você quer me dar um murro, não era a intenção não. Mas olha... – soltou a mão de Lucius e ficou parado frente a ele, as palmas da mão do lado do corpo em uma postura toda aberta. – É com você. Entre bater ou beijar, você não ia machucar um partido como eu, né? – o tom de Marion era leve, afinal, não queria que Lucius se sentisse pressionado ou achasse que era um sujeito super sério. Até machucaria um pouco o orgulho se ele risse, mas assim não perdia a amizade.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Ainda podia ouvir os próprios batimentos acelerados pela ansiedade do momento. O amigo sequer deveria fazer ideia do que aquilo significava para ele - e também não o culpava pelo desconhecimento. Relaxou com o toque mais gentil em sua mão, incerto de como reagir quando Marion percebeu o tremor em seus dedos. Ouviu as palavras dele, soando aos seus ouvidos como uma ordem familiar que, de uma forma estranha e peculiar, conseguia lhe fazer relaxar. Estava mais acostumado a obedecer ordens do que realizar apenas a própria vontade. <br />
<br />
Concordou com um aceno positivo enquanto a voz do amigo lhe passava segurança sobre o respeito a sua vontade. Ergueu o olhar, encarando o rosto do maior com aquele sorriso mais confiante e o ar de graça. Permanecer mais sóbrio, o brilho âmbar de sua íris denunciando sua atenção ao rosto de Marion em meio aquela penumbra. <br />
<br />
Não respondeu a pergunta do rapaz, erguendo as mãos com os dedos ainda trêmulos para o rosto do amigo. Sua pele era naturalmente mais quente e relaxou ao contato com o pescoço do mais alto, apreciando a sensação tátil ao passar com a ponta dos dedos nos pêlos curtos do cabelo raspado de Marion. Esperou por alguma reação do outro antes de cortar a distância entre ambos, juntando seus lábios aos do outro rapaz, os olhos semicerrados. <br />
<br />
A sensação não era ruim, sentia-se estranho por iniciar aquele contato físico mais íntimo. Conhecia Marion há pouco tempo, o sujeito de personalidade mais leve, divertida e amistosa não lhe passava nenhuma sensação de ameaça. Contudo, não gostava de se expor demais, ainda mais ao se sentir admitindo que estava confiando no amigo ao ponto de beijá-lo. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Lucius era adorável, mas era muito sério. Talvez fizessem bem para Marion conversar com ele depois sobre relaxar um pouco, ou quem sabe ele não fizesse mesmo o tipo que gostava de relacionamentos casuais. Mas isso era para outro momento. Já bastava Lucius se preocupando. Mas pelo menos ele tinha decidido tomar uma atitude.<br />
<br />
Sentiu as mãos em seu rosto e nos cabelos curtos da nuca e esperou satisfeito que Lucius se aproximasse. Sorriu brevemente, deixando que ele tomasse toda a atitude, lhe dando apenas o benefício da dúvida de fechar os olhos e ficar com a cara mais ridícula enquanto esperava um beijo. Pelo menos nesse ponto, não foi decepcionado.<br />
<br />
Estendeu uma das mãos até o braço de Lucius, tocando-o com cuidado, e então moveu os lábios sobre os dele, devolvendo o beijo hesitoso e inocente.<br />
<br />
- Viu? Não foi tão ruim, foi...? – perguntou sem sair daquela postura, embora o barulho do clube não permitisse que falasse tão baixo. Beijou Lucius mais uma vez, indo suave a princípio, aproveitando o gesto mais próximo para dar um pequeno passo mais a frente e puxar de leve os braços dele para que ficassem em volta do seu pescoço, tentando deixar o espaço entre os dois ainda menor. Estava tentando não ser muito afobado, mas considerando que Lucius era muito bonito, ninguém podia lhe culpar por querer mais, deixando o beijo mais firme e intenso.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Tensionou com o toque em seu braço, mas não se afastou enquanto o beijo iniciado era correspondido. Não estava habituado aquele tipo de gentileza, então apenas entreabriu os lábios quando se deu conta de que o amigo estava intensificando o gesto. Seguiu as orientações de Marion, mantendo os olhos ainda semicerrados ao envolvê-lo pelo pescoço. Sentiu o contato com o corpo masculino do mais alto ainda que por sobre as camadas de tecido e tensionou novamente com a proximidade. <br />
<br />
Respirou pelo nariz, inclinando a cabeça de lado para que o encaixe com a boca do outro ficasse mais confortável. Felizmente (ou não), tinha experiência o bastante para não perder o fôlego de forma breve. Misturou sua língua com a de Marion, as mãos livres chegando a tocar o cabelo do outro, entretendo-se novamente com os pelos mais curtos da nuca do moreno. Finalmente fechou os olhos por um instante, ouvindo a música animada e mais distante. <br />
<br />
Continuou beijando o amigo sem ressalvas de quando interromper o contato. Poderia manter os lábios nos dele pelo resto da noite se Marion assim desejasse. Não se sentia coagido ou intimidado pelo rapaz. Na verdade, tinha uma inusitada e calorosa sensação de cumplicidade que nunca imaginou sentir por alguém de uma forma íntima como aquela. Era novo e assustador, ao mesmo tempo, mas não era como se estivesse preso ao outro. A liberdade, de certo modo, lhe deixava inseguro. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
O contato iniciou de um jeito inusitado, mas ao menos, à medida que avançava, com receio ou não, Lucius devolvia as carícias com a mesma intensidade. Sentiu os dedos dele passarem por sua nuca meio raspada, lhe dando um arrepio agradável quando somada a sensação das línguas se enroscando. Suas mãos, vendo Lucius parecendo mais confortável com o contato, desceram dos braços até as costas, e das costas até a cintura, trazendo-o um pouco mais para perto, parando um breve instante para retomar o fôlego, sem tirar um centímetro da proximidade que tinha conseguido conquistar, antes de retomar o beijo.<br />
<br />
- Mas eita, que bitoca gostosa!! Eu quero alguém pra me pegar assim também, ô, tô muito solteiro pra ficar olhando vocês! – a voz de Bil soou bem do lado dos dois, mas bastou ele começar para Marion subitamente abrir os olhos e parar o beijo, olhando de esguelha para o amigo. – Que foi??<br />
<br />
Marion soltou um longo, longo suspiro e virou Lucius de costas para Bil, para que ele não tivesse que passar essa vergonha, já que imaginava que ele não gostava de ser visto. Mas não soltou o moreno, abraçando-o e segurando-o contra o próprio corpo.<br />
<br />
- Você não precisa ficar olhando, sabe? – Marion falou com um tom que claramente parecia uma bronca. – Vá pedir água pro Henri, você está suado. Aproveita e avisa a eles que eu já vou.<br />
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-  M-mas mãe...! Tá, tá... eu vou, eu vou. – Bil respondeu, saindo a passos pouco confiantes, como se metade da energia que ele tinha no começo da noite já tivesse ido embora.<br />
<br />
Só então Marion soltou mais o abraço de Lucius, procurando o rosto dele com uma expressão que era ao mesmo tempo divertida, mas aceitava que aquilo tinha sido bem esquisito.<br />
<br />
- Desculpa por ele. – Marion pediu, então abrindo um sorriso. – Eu acho que já tive agitação o suficiente por hoje. A proposta se mantém: quer dormir lá em casa? Se não quiser, eu te levo de volta pro dormitório.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Sentiu os ombros relaxarem e a cabeça ficar mais leve com as mãos do amigo que agora lhe tocavam a cintura. Encarou o moreno quando ele se afastou um pouco para recuperar o fôlego. Apreciou o momento para buscar oxigênio também, os lábios ainda entreabertos esperando o instante em que se conectaria com o rapaz de novo. Entretanto, foi pego de surpresa pela voz do amigo de Marion, o tal de Bil. Pensou em virar o rosto para o lado e evitar encontrar o olhar de Bil, mas ao que parecia Marion havia sido mais rápido. <br />
<br />
Não ousou se mexer de onde o amigo havia lhe colocado, de costas para o amigo dele. Estranhou o abraço naquela situação, mas não relutou, descendo os braços até conseguir apoiar as mãos nos ombros dele. Ouviu a voz de Bil se distanciar e o pedido de desculpas de Marion. Encarou o sorriso no rosto do outro e ficou um tanto quanto confuso. Ele havia se arrependido, por acaso? <br />
<br />
Deu um passo para trás depois de ouvir ele repetir aquela pergunta sobre voltar para dormir nos dormitórios ao invés de dormir na casa do rapaz. Ele havia acabado de lhe beijar, ou melhor, havia correspondido ao seu beijo, isso queria dizer que ele gostava da sua companhia, não era? Não entendia porque ele continuava a questionar se não queria que ele o levasse de volta para o dormitório em St. Clavier. Primeiro, duvidava que naquele horário, eles lhe deixariam entrar sem nenhuma advertência. Segundo, ele estava chateado com o que havia acontecido? Mas até que parte? Será que com “agitação”, ele estava falando do beijo também? Ele parecia bastante preocupado em lhe deixar confortável naquela situação, mas não sabia até que ponto ele só estava sendo condescendente. Um sujeito como ele não precisava se dar ao trabalho. <br />
<br />
Eu fiz algo errado? - resolveu sinalizar, perguntando diretamente a Marion, incerto sobre ele ser o tipo de pessoa que talvez mascarasse o próprio desconforto com aquele sorriso divertido. Ele, com certeza, parecia o tipo social mais preocupado em deixar seus amigos confortáveis que agir de forma inconsequente. Encarou o maior, o semblante sério de costume. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Quando mais lidava com Lucius, menos entendia de fato o novo amigo. Primeiro ele pareceu ignorar seus avanços, até imaginou que ele estava pensando naquilo tudo como uma forma de amizade francesa. Depois ele passou a aceitar seus convites, mas tinha parecido meio relutante em fazer isso na frente de outras pessoas. Agora, estava dando a chance dele fugir, mas a primeira coisa que ele lhe perguntou foi se tinha feito algo de errado. Marion ergueu de leve as sobrancelhas. Talvez fosse melhor deixar tudo claro?<br />
<br />
- De jeito nenhum, inclusive, beija bem, obrigado. – Marion falou com um tom educado bem humorado, sinalizando também dado o espaço entre os dois e o volume da música ao redor, tudo para reforçar o que dizia, ainda que não soubesse expressar tudo aquilo com toda a certeza do mundo em sinais. – Eu que não tenho sido claro. – ponderou um instante. – Talvez isso te surpreenda... mas eu sou gay. – Marion riu, e então respirou fundo para não seguir fazendo piada, afinal, estava tentando se explicar pra Lucius. – E eu te acho um gostoso. E eu estou te chamando para dormir na casa dos meus pais, que é meio arriscado, mas dá para pelo menos para dar uns amassos e dormir de conchinha, ou mais, se eles não estiverem em casa.<br />
<br />
Claro que teve que parar para pensar bastante antes de ter qualquer vaga ideia de como seria explicar aquilo em língua de sinais, afinal, nunca tinha usado isso para flertar com ninguém. O resultado foi uma série de sinais muito desconjuntados, embora a fala fosse bem completa.<br />
<br />
- Só não quero que ache que é obrigado, sabe? Você não parece o tipo que transa num primeiro encontro, e longe de mim te pressionar a isso só porque somos amigos. Estou fazendo suas rotas de fuga e lhe dando escolhas. – explicou, pensando que provavelmente estava satisfeito com sua explicação. Então aproximou-se um pouco de Lucius, roubando-lhe um beijo breve. – E aí? Me conte seus limites e eu te digo quão rápido eu consigo chamar um táxi.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Apreciou o esforço de Marion ao tentar manter a comunicação através dos sinais ainda que ficasse atrapalhado com as palavras. Continuou encarando o outro ao ser elogiado e permaneceu sério diante da afirmação do outro sobre ser gay, aquela risada dele não fazendo sentido para sua pessoa, enquanto ouvia o amigo falar sobre um assunto que julgava ser mais pessoal. <br />
<br />
Ficou levemente surpreso quando ele revelou os próprios planos, expectativas, de poder lhe dar uns “amassos” e dormir de conchinha. Apesar do nervosismo do outro, ainda conseguia ler os lábios dele com facilidade. Ouviu todo o discurso sobre suas “rotas de fuga” e opções, a declaração do amigo de que não queria lhe obrigar a nada lhe deixando com um calafrio esquisito no estômago, um do tipo agradável. <br />
<br />
Não rejeitou o beijo breve e, ao ouvir a pergunta sobre seus limites, baixou o olhar por um instante. Era estranho ouvir aquelas palavras na voz de alguém que parecia se preocupar com seu bem estar. Sorriu discretamente com o canto dos lábios antes de voltar a encarar o rapaz, sinalizando: Você e eu… podemos tomar um banho antes? <br />
<br />
Perguntou de forma sugestiva como se aquela condição fosse um de seus limites. E de fato era. Detestava pensar na ideia de ter o amigo lhe tocando sobre a pele suada de toda aquela saída para dançarem. O outro também já havia visto boa parte de seu corpo na visita à tatuadora, mas não julgava estar quite com ele, pois apesar de já ter visto muitos vídeos do dançarino nas redes sociais, não tinha uma ideia clara do físico alheio. - E você… - cutucou o outro em sinal para que ele prestasse atenção. - … não pode usar o celular. <br />
<br />
Achou melhor deixar aquela questão clara, como Marion estava sendo claro com ele. Sabia que o moreno era socialmente ativo virtualmente, mas não tinha segurança em conseguir se expor nas mídias sociais, mesmo que fosse uma única foto com o outro. Imaginava que se tirassem alguma foto juntos, mesmo que não fosse em uma situação mais íntima, e o amigo postasse em suas mídias sociais, teria que lidar com um tipo de atenção indesejada. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Esperou uma reação de Lucius. Ele de fato era muito sério, nem para rir da sua piada sobre sair do armário. Mas o fato dele ser sério apenas ressaltou o pequeno sorriso quando terminou de questionar os interesses dele, lhe enchendo de uma breve esperança que ele iria aceitar seu convite. Não que duvidasse necessariamente que era um bom convite. Só não sabia se Lucius tinha interesse em ir tão longe.<br />
<br />
A resposta de Lucius – na verdade a proposta – era que tomassem banho primeiro. Abriu um sorriso largo, afirmando com a cabeça prontamente. Estava suado, e o amigo também. Embora não ligasse muito para essas coisas, desde que ninguém estivesse mal cheiroso de fato, podia respeitar um homem que gostava de limpeza.<br />
<br />
A outra condição era que não usasse o celular. Ergueu as sobrancelhas com a ideia de que usaria o celular em um momento íntimo, mas imaginou que se ele não era muito fã da ideia de se expor, talvez o celular aumentasse o pavor dele da saída casual. Isso ou Lucius tinha tido uma péssima experiência com uma sex tape.<br />
<br />
- Eu posso te garantir um banho longo, atenção total sem nem pensar nas notificações do celular, meu corpo todo pra você e um lençol quentinho. – garantiu com um sorriso leve no rosto, e um ar de um pouco mais de seriedade enquanto sinalizava também para reforçar o que estava dizendo a Lucius. – E o que surgir no meio do caminho a gente negocia.<br />
<br />
Puxou o moreno mais uma vez em sua direção, roubando um beijo longo dele, e então, pegando-o pela mão para que fossem arrumar o prometido táxi muito rápido como tinha dito. E Marion não demorou a cumprir a promessa, pagando o táxi no caminho para a casa dos seus pais.<br />
<br />
Seus pais moravam numa área rica. Apesar da casa não ser uma mansão, era grande o suficiente para ter piscina, uma bela cerca viva e janelas grandes. Deu uma olhada na entrada da garagem para ver se o carro estava lá, o que era certo, considerando a hora e a ausência de peças interessantes no teatro. Nem perdeu tempo fazendo um sinal de silêncio para Lucius, tirando a chave do bolso e segurando no moletom para que não fizesse muito barulho. Olhou para dentro como um ladrão tentando roubar uma galeria de arte, e entrou a passos delicados, fechando a porta atrás de si. Chamou Lucius pela sala, conseguindo ouvir o ronco distante do seu pai no silêncio aquela hora, e então passou para longe das escadas, atravessando duas salas até chegar em um quarto grande e arrumado que era suíte.<br />
<br />
- É o quarto de visitas. Mas eu troquei pelo quarto lá de cima porque é mais fácil pular a janela desse. – riu, cochichando enquanto abria a porta, trancando quando Lucius passou por ela, para garantir que não seria atrapalhado. Então tirou o moletom, largando no cesto de roupas perto da porta, abrindo a porta do banheiro enquanto tirava a calça. – Me acompanha?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Duvidava que o amigo fosse capaz de fazer algo que pudesse lhe assustar, justamente por considerar que Marion era uma boa pessoa, de humor bem mais leve que o seu. Não era exatamente com as notificações do celular com o que estava preocupado, mas acreditava que Marion tinha captado o sentido de sua preocupação. Terminou correspondendo o gesto do outro, beijando-o de volta, sempre com os olhos semicerrados, acompanhando o processo que antecedeu a viagem pelo táxi para a residência do amigo. <br />
<br />
Assim que foram se aproximando da casa de Marion, fez algumas notas mentais sobre o espaço onde ele vivia. O lugar parecia ter sido retirado de um daqueles sets de filmagem de filmes adolescentes com protagonistas de famílias com dinheiro. Verificou o modelo do veículo parado na viagem e adicionou novos cifrões a sua conta mental. Só para cuidar daquele lugar, deveriam trabalhar com alguns empregados, alguém para ajudar com a faxina e alguém para limpar a piscina. Perguntou-se mentalmente se não conseguiria alguns trocados se oferecendo para aquele tipo de serviço. <br />
<br />
Arqueou a sobrancelha com o sinal de silêncio de Marion, como se fosse algum tipo de piada de mau gosto consigo. Estava acostumado a se mover sem fazer nenhum ruído para não incomodar terceiros. E, de longe, percebeu que havia outras pessoas na residência. Estranhou a falta de preocupação dos moradores e, provavelmente, os pais de Marion, com a chegada do filho naquele horário da noite sem aviso. Eles poderiam ser facilmente roubados. <br />
<br />
Ao chegarem no quarto, observou o ambiente em meio a penumbra e ficou incrédulo quanto aquele ser o quarto de visitas. Era grande o bastante para só o amigo morar ali. Concluiu, previamente, que toda aquela vida facilitava o bom humor de Marion e o fato dele parecer tão despreocupado com o que estavam prestes a fazer. Observou o rapaz já na porta do banheiro, sem parecer impressionado com o convite, e começou a se despir, removendo as peças e dobrando-as com cuidado, deixando todas separadas com seu celular e carteira. <br />
<br />
O corpo moreno era bem delineado pelos músculos do abdômen, coxas e braços, o porte atlético de quem gostava de praticar esportes era evidente, ainda que na pouca luz. Como ele tinha trancado a porta, não se preocupou com a nudez, apesar de ainda estar usando a boxer preta, esperando ser apresentado ao banheiro do amigo. Imaginava que o lugar era proporcional ao resto da casa e era grande o bastante para ambos. Estava curioso para saber quais eram os produtos que Marion gostava de usar também. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
O bom de Lucius era que pelo visto sua timidez era mais ligada ao fato de se expor. No Capitol, ele parecia infinitamente preocupado com toda a situação de estar “nos pegas” com outro cara, e pareceu desconfortável com a ideia de ser visto por Bil (embora se pensasse bem, também ficaria constrangido considerando o quão intrometido Bil era). Agora, em seu quarto, ele tinha feito apenas um passar rápido de chave e Lucius já se prontificou a tirar as roupas, deixando-as de modo organizado no quarto.<br />
<br />
Fez questão de observá-lo por cima do ombro. Ele era um pouco mais baixo, mas nada gritante, porém tinha o porte de quem praticava esportes e a tatuagem lhe deixava com uma impressão diferente, mesmo incompleta. Ele parecia sério – na verdade, ele ERA sério –, mas naquela situação não hesitou em pontuar na sua mente “sério E gostoso”. Nem percebeu quando levou o indicador ao lábio, admirando indiscretamente.<br />
<br />
Marion não estava longe do mesmo porte atlético, dançava desde que se entendia por gente, então tinha o corpo todo forte, embora não fosse um monte de músculos. As divisões do abdômen apareciam fácil com o movimento, e bem sabia que o piercing em seu umbigo chamava a atenção justo para eles. Mas a pequena tatuagem delicada no ombro certamente contrastava sua imagem e de Lucius ainda mais.<br />
<br />
- Ah, esqueci de perguntar. – falou, se desfazendo da roupa de baixo e jogando no cesto também. Tinha orgulho do bumbum pequeno e durinho, Lucius podia olhar à vontade. – Banho completo primeiro ou posso te ajudar a se lavar? O box tem espaço o suficiente para dois. – falou, indicando o banheiro com um gesto convidativo. O lugar era grande o suficiente e estava bem limpo. Não tinha nenhuma banheira, mas tinha prateleiras organizadas, gabinete para banheiro com um espelho imenso e um box de vidro com espaço para caber duas pessoas tranquilamente. Toalhas estavam enroladas cuidadosamente sobre o gabinete. Claramente Marion não voltava para casa com frequência, porque tudo estava arrumado pronto para receber uma visita.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Naquela manhã tinha encontrado com Lucius para acompanhá-lo em uma aventura no tatuador. Tinha sido interessante ver que ele era um sujeito muito mais alternativo do que esperava, e claro, era bom estender o convite da manhã para sair com ele mais uma vez, dessa vez em um ambiente mais familiar a Marion: um clube. Como tinha dito pela manhã, passaria a noite no The Capitol com uns amigos, e se precisasse, poderia dormir na casa dos seus pais ou quem sabe desse sorte com Lucius. <br />
<br />
Enviou uma mensagem para ele enquanto estava encostado em um muro próximo da boate muito conhecida em Cerise. A música era alta o suficiente para que o som vazasse um pouco para o lado de fora, e Marion já tinha cumprimentado alguns conhecidos do clube, e certamente não passava despercebido usando uma camiseta e calça jogger beges com detalhes pequenos em verde, e um tênis branco blocudo. Queria poder dançar a noite toda.<br />
<br />
“Estou na frente do The Capitol. Olha aí a localização <img src="http://academiastclavier.com.br/images/smilies/wink.png" alt="Wink" title="Wink" class="smilie smilie_2" />”, deixou na mensagem, enviando junto a localização do clube. “Ah, e não se preocupa pra entrar. É por minha conta que eu que chamei. Mas venha de sapatos confortáveis, a gente vai dançar muito!”<br />
<br />
Acabou rindo sozinho, o que chamou a atenção de um par de meninas da fila, que ele graciosamente dispensou muito rápido. Podiam ser dois garotos bonitos, não reclamaria. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Depois de voltar para St. Clavier, tomar um banho e trocar de roupa, passou o resto da tarde organizando seu orçamento e cronograma de estudo, trocando mensagens em alguns momentos com sua psicóloga online. Havia prometido a Marion que sairia com ele durante a noite para um clube e ainda que a oferta lhe deixasse um tanto quanto desconfortável por ser uma experiência nova, acabou concordando em aceitar o convite em gratidão pela companhia do sujeito em lhe acompanhar pela tarde e, principalmente, por ser uma oportunidade de conseguir socializar novamente. Caso se sentisse muito desconfortável, poderia chamar um uber e voltar para o dormitório dos alunos. <br />
<br />
Se arrumou com uma opção de roupa que fosse despojada. Não levou bolsa dessa vez, guardou o celular e a carteira com os documentos dentro de sua jaqueta, tomando o cuidado em deixar pelo menos sua psicóloga ciente de onde iria naquela noite. Apesar de saber da mulher não ter a função de ser sua responsável, gostava de pensar nela como uma amiga, ainda que soubesse que, no fundo, ela não era exatamente aquilo. Enviou mensagem para sua mãe em Paris, certificando-a de que já havia conhecido um sujeito agradável que tinha lhe convidado para sair. Não se preocupava em fazer as coisas sozinho, mas era confortável a ideia de dar satisfação a alguém que se importava consigo sobre o que estava acontecendo. <br />
<br />
Como ainda não sabia exatamente como chegar no devido lugar através do meio de transporte local, demorou alguns minutos até que conseguiu chegar na frente do tal The Capitol. Durante o trajeto, tomou o cuidado de informar ao amigo sobre o motivo de seu atraso. Avistou Marion não muito distante após atravessar a rua, o traje do sujeito ajudando-o a se destacar facilmente na multidão. Acenou ao se aproximar, sibilando um pedido de desculpas enquanto gesticulava com as mãos. <br />
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Desculpe. Seus amigos esperaram muito? Resolveu perguntar, notando a quantidade de pessoas que já se formavam na fila. Pelo menos havia se certificado de usar um bom desodorante, sempre estava com um perfume agradável de fragrância amadeirada, não lhe agradava a ideia de estar sem um bom odor. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Quando Marion viu Lucius ao longe, acenou de forma animada e amigável para o moreno, notando como ele estava arrumado, e certamente não deixando de notar o perfume gostoso quando ele se aproximou, ao que teve o descaramento de se curvar na direção dele e dar uma tragada breve ainda de uma distância e abrir um sorriso largo.<br />
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- Não se preocupa com meus amigos, não. Eles estão bem acompanhados. Quer dizer, eu também, agora né? – Marion comentou com um ar confiante, dando um par de tapinhas amigáveis em Lucius. – Olha como você é bonito! – riu, chamando-o com a mão e um maneio de cabeça para que fossem até a fila. – Meus amigos já entraram. Mas eu só saio com eles para dançar então... não é como se fossem sentir minha falta.<br />
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Deixou bem explicado que Lucius era provavelmente a única pessoa que ele esperaria naquela situação, deixando a fila andar para que pudesse finalmente chegar a vez dos dois de receber pulseiras e entrar no clube aquela noite.<br />
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- O que quer pra beber? – perguntou a Lucius antes que entrassem, porque a música dentro do Capitol era mesmo muito alta. Bastou que abrissem a porta para que ficasse claro que o lugar era feito apenas para festejar, pois havia pontos muito escuros, um bar muito iluminado e dançarinos fazendo bonito sobre plataformas. – Só pra avisar, nada de bala. A galera que vende aqui é muito suspeita!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Ficou surpreso por um instante com a aproximação do amigo, ainda mais quando ele fez questão de lhe cheirar. Encarou o sorriso do outro ao ser elogiado quanto a sua própria aparência, fazendo um breve sinal em agradecimento pelas palavras dele. Achou estranho por um momento ele tratar outros como amigos apenas para dança, mas não era como se tivesse muitos amigos para fins de comparação. Entrou com Marion ao receber a pulseira, contente pelo outro saber o suficiente sobre linguagem de sinais para se comunicarem no meio daquela música alta. Aproximou-se do amigo para ouvir o conselho dele sobre bala e concordou brevemente. Definitivamente não queria fazer uso de nenhuma droga. <br />
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Água. - sinalizou. Não fazia ideia de quanto custava a bebida ali e também não queria gastar muito. Gostava de opções de diversão que fossem mais baratas e havia seguido até ali para dançar e, principalmente, assistir o amigo dançando ao vivo. Não estava mentindo quando disse ao sujeito que ele tinha habilidade com a performance corporal. Já havia assistido alguns vídeos dele online e, de fato, era um bom entretenimento assistir o outro dançar. Não que não soubesse sobre ritmo e musicalidade, mas era algo distinto tocar uma música no piano ou no violão e interpretá-la com seu próprio corpo. <br />
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Observou as pessoas ao redor, o olhar de um brilho mais âmbar em meio a iluminação mais forte do bar destacando seu rosto de pele morena em meio aos fios escuros do cabelo com alguns fios fora do lugar pela correria que havia sido até chegar ali. Moveu os dedos longos sobre a mesa do bar como se facilmente acompanhasse a batida do ritmo da música mais animada, ignorando os olhares estranhos em sua direção. Certamente que, sendo alguém novo na cidade, poderia ser uma atração diferente, mas preferia muito mais uma única companhia a ser o centro das atenções. <br />
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O que vai beber? É muito caro? - perguntou ao amigo ao lado, sinalizando-o de forma discreta, movendo os lábios para que ele pudesse entender de forma mais clara e para não demonstrar a estranhos que era mudo ali. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Marion abriu um sorriso satisfeito com a resposta de Lucius sobre o que queria beber e fez o pedido no bar, sendo atendido rapidamente. Imaginou que ele era o tipo bem comportado, mas depois de ver a tatuagem, talvez tivesse um lado mais solto dele. Mas considerando que mal se conheciam, talvez ele se reservasse o direito e permanecer sóbrio. Quem sabe com o passar da noite ele não se sentia mais confortável?<br />
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De todo modo, era bom ser acompanhado de um homem bonito como Lucius. Se a beleza dele já tinha lhe chamado atenção na casualidade do dia a dia, vê-lo arrumado e iluminado pelas diferentes luzes do clube eram quase um presente. Não demorou quase nada para notar que ele atraía bastante a atenção ao redor, e até podia ver as moças que tinha dispensado antes passando e olhando para ele.<br />
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Retomou a atenção para Lucius quando ele perguntou o que iria beber, e aproximou-se dele, ficando perto o suficiente para que trocassem sinais sem se atrapalharem.<br />
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- Nada ainda. – respondeu, sinalizando também para não ter que levantar a voz. – Na verdade eu quase não bebo quando saio. Às vezes vodka. Mas prefiro dançar muito. E aí na saída tomo alguma coisa ou fumo... depende do DJ. – riu, ouvindo a batida ficar mais agitada em uma música conhecida que estava tocando na rádio por aqueles dias. Não resistiu mexer ombros e pescoço, apreciando o ritmo. – Você vai dançar comigo, não-<br />
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- Marion! – Um rapaz alto de moletom e barbicha deu um tapa no ombro do moreno. – Achei que não ia vir! Deixa de flerte barato e vamos lá pra frente! O Kir vai tocar! – ele falou animado, praticamente puxando Marion pela roupa.<br />
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- Espera, espera, Henri! Esse aqui é um amigo meu, não vou deixar ele sozinho! – Marion protestou. – Lucius, Henri. Henri, Lucius.<br />
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- Ele dança? – Henri questionou, e então olhou pra Lucius com a sobrancelha arqueada. – Você dança?<br />
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- Ah, Henri! O Lucius não fala, entã-<br />
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- Eu não quero saber se o seu casinho não fala, eu quero saber se ele dança! – Henri mostrou ambas as mãos como se estivesse falando o óbvio. – E aí, Lucius? Shuffling? Locking? Poppin’? Macarena?<br />
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O recém-chegado citou cada estilo, fazendo um breve freestyle no trechinho da música alta que estava tocando, até mesmo sensualizando Macarena no ritmo da batida, e embora Marion estivesse um tanto confuso, foi impossível não abrir um sorriso para o conhecido e se juntar na Macarena, o que animou Henri, que seguiu sozinho na dança. Então Marion olhou pro amigo novo de St. Clavier e coçou a nuca com um riso desconcertado.<br />
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- [Desculpa]. – sinalizou para que o outro não ouvisse.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Ouviu a resposta de Marion e aproveitou a aproximação do atendente do bar para pedir uma garrafa de água, movendo os lábios e contando com o entendimento do outro ao apontar para a garrafa de água mais próxima do balcão. Não deu atenção para os olhares curiosos em sua figura, apesar de não deixar de notar cada um deles. Estava ali para se divertir a convite de um amigo. Observou os movimentos de Marion e não deixou de esboçar um sorriso com o canto dos lábios, divertindo-se com a desenvoltura dele, a personalidade mais leve e alegre lhe fazia pensar naquele momento como um encontro mais simples, afastando seus pensamentos dos problemas do dia a dia. <br />
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Acabou sendo pego de surpresa pela presença de um estranho, alto de barbicha, que parecia em um estado de urgência para levar Marion para um lugar onde aparentemente um tal de Kir estava tocando. Poderia não escutar com muita clareza em meio a todo aquele burburinho de pessoas e música agitada, mas tinha uma ótima capacidade visual em ler lábios. Gesticulou brevemente para Henri, cumprimentando-o com um sorriso educado. Ignorou a parte sobre ser um “casinho” de Marion e passou a prestar atenção nas sugestões de ritmos específicos que já havia visto em algumas descrições de vídeos que já havia assistido do recente amigo. Riu discreto com a tentativa de sensualização com a clássica macarena e acabou concordando, afirmando com a cabeça positivamente sobre saber dançar. Pegou e pagou pela garrafa de água, aproximando-se de Henri para poder segui-lo. Fez uma menção com a cabeça, chamando por Marion. <br />
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Não precisa se desculpar. Eu sei dançar. Só não danço tão bem quanto você. - respondeu ao outro, sinalizando rapidamente, esperando que ele pudesse compreender o que estava dizendo. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Apesar do momento levemente desconfortável que imaginava ter feito Lucius passar com Henri, no momento em que ele respondeu finalmente o questionamento de seu amigo de festa, a resposta lhe deixou de orelhas em pé e muito mais animado. Então ele dançava! Abriu um sorriso largo quando o moreno explicou que ele sabia dançar, mas não era tão bom quanto Marion. O seguiu animado enquanto iam na direção do barulho do meio da boate, onde a música ficava ainda mais alta.<br />
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- Bom, não importa quem dança melhor. Importa se você dança comigo! E então? – Marion perguntou, ajudando com os gestos enquanto seguiam pela boate, afinal, a música podia ser insuportável de vez em quando.<br />
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Henri estava junto com outros dois rapazes quando chegaram. Um deles parecia ser apenas um pouco mais novo que o grupo, parecia muito devagar e relaxado, o que era um imenso contraste com a energia do segundo sujeito, um rapaz com o cabelo quase todo raspado e incontáveis tatuagens nas mãos e braços e que dançava freneticamente sem parar um único instante.<br />
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- Marioooooon! Maaaariiii! Mamaaaaaa! – o rapaz que estava dançando freneticamente correu para dar um abraço no moreno, e então olhou para Lucius com um sorriso de orelha a orelha. – Você é muito lindo, está solteiro?? Vamos dançar! – ele voltou a dançar ao redor de todo mundo, mudando entre shuffling e uma imitação fajuta de galinha. – Ó o drop!!<br />
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- Quem é seu amigo? – o sujeito mais relaxado perguntou, tão na paz que nem parecia que tinha tanto barulho ao redor. – Oi, tudo bem? Hugo. E aquele maluco é o Bil. O Henri você já conheceu, né? – perguntou, estendendo a mão para Lucius.<br />
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- Que foi que ele tomou? – Marion perguntou com uma sobrancelha arqueada.<br />
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- Nem pergunte. – Hugo olhou para trás um instante para ver se Bil estava vivo no meio da multidão. Mas ele estava mais vivo que a pequena multidão toda.<br />
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- Ah, Lucius, Kir é um amigo do Bil e do Henri, ele é Dj. Aquele cara que está subindo no palco e conectando o equipamento. – Lucius apontou, ouvindo enquanto a música mudava quase que imperceptível para outro remix e a iluminação acompanhava o ritmo, e o outro Dj tomava o lugar. Bil tinha ido assobiar e aplaudir quase na frente do palco enquanto um remix de 7/11 começava a tocar. – Me mostra o que você sabe, Lucius?<br />
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Marion começou a bater palmas devagar no ritmo da música, e então começou a acompanhar o ritmo devagar com os ombros e o corpo. Os amigos dele não foram tão devagar, e não levaram mais que a introdução da música para começar a dançar também, empolgados no mundo deles, tanto quanto Marion estava ficando gradualmente mais empolgado com a ideia de dançar com Lucius.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Apenas lançou um olhar interessado para o amigo que lhe convidada para dançar, permanecendo quieto enquanto seguiam o amigo dele para que conhecesse o restante de rapazes daquele grupo. Gostou de conhecer o tal de Hugo. Ele lhe passava uma tranquilidade e uma atmosfera mais amistosa ao seu gosto que o sujeito, com o que imaginava ser um apelido, Bil. Sorriu com o canto dos lábios ao ser elogiado pelo tal de Bil, mas escolheu ignorar a pergunta dele sobre estar “solteiro”. Estendeu a mão de volta para Hugo, cumprimentando-o em silêncio antes de sinalizar para ele, passando suas mãos uma sobre a outra, aproximando os indicadores e apontando para o mais tranquilo na linguagem de sinais. <br />
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Prazer em conhecer você. - ergueu o olhar para observar o local onde o tal Kir, amigo DJ do grupo, deveria começar a tocar. Sorriu mais abertamente ao notar como aquelas pessoas estavam mais relaxadas no espaço da boate, dançando em meio a outras pessoas sem se preocuparem em serem julgados. Aos seus olhos, eles nem precisavam se preocupar, até mesmo o engraçado Bil imitador de galinhas possuía uma boa desenvoltura com o próprio corpo. <br />
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Voltou novamente sua atenção para Marion, o amigo parecia ainda estar entrando em um ritmo confortável. Lembrou dos vídeos dele e como ele parecia livre e empolgado com a apresentação dos próprios movimentos ao ritmo da música mais popular, ainda que nem todos os ritmos que ele fosse capaz de usar fossem frenéticos. A batida que tomava o The Capitol não era estranha aos seus ouvidos, já havia escutado aquela música em outro ritmo no celular, em vídeos e em playlists aleatórias enquanto buscava distração após passar do seu horário estudando música. Podia ser do tipo reservado, não isso não significava que não se sentisse mais confortável na companhia de um amigo como Marion, que até o presente momento havia se mostrado um sujeito divertido e leve. <br />
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Suspirou, relaxando os ombros para começar a seguir os movimentos do outro. Como estavam em uma boate, não era estranho estar dançando, ainda que não fosse nenhum profissional naquilo como o sujeito parecia ser. Lembrava que alguns passos dele nos vídeos e, para sua sorte, possuía um bom jogo de cintura e flexibilidade para se mover ao ritmo da batida do DJ. Baixou o olhar para acompanhar os passos do moreno, ficando a frente dele. Passou a mão pelos fios escuros do próprio cabelo ao erguer a cabeça para encarar Marion, esboçando um sorriso mais confiante por estar ali.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Apesar de Marion achar que Lucius demoraria mais tempo para se sentir à vontade para dançar com eles, considerando que havia uma boa parte dos visitantes que estava ali só para beber, ele foi bem rápido em se jogar, o que lhe animou ainda mais. Hugo e Henri, que ainda dançavam perto dos dois, também se animaram com o novo companheiro de dança, enquanto Bil parecia dar voltas no lugar inteiro, parecendo mais uma pipoca saindo da panela que um dançarino como os amigos.<br />
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- Fiuuu! Ele dança! – Henri gritou animado, sacudindo os braços para o alto enquanto começava outra música.<br />
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- Mesmo se não dançasse, o importante é se divertir, não? – Hugo respondeu, dando um tapinha no amigo e fazendo shuffling ao redor dele com a calma de um monge budista.<br />
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- Isso aí, Hugo! – Marion e Hugo bateram as mãos, e como se fosse um sinal idiota, Marion começou a fazer shuffling e Hugo mudou o estilo de dança. O aluno de St. Clavier virou novamente para Lucius, aproveitando que tinha sido ele mesmo quem tinha decidido dançar ao seu redor. Tinha que admitir, claro, Lucius era muito bonito, ele tinha ciência disso, e cada movimento que ele fazia lhe mandava sinais mistos se ele tinha interesse ou não em algo além de amizade. Marion até pegou a mão de Lucius para dançarem juntos, brincando com o amigo sem invadir demais o espaço dele. – Sabe dançar o suficiente pra essa jogada de cabelo me dar um nervoso, ein! – riu, soltando o outro em seguida.<br />
<br />
A playlist do DJ Kir era super animada, e pelo jeito que o grupo dançava, eles não parariam até a madrugada ou o clube fechar. Cada um até parou para mostrar habilidades individuais, com todos abrindo espaço para Bil fazer break, Henri mostrar que era excelente de Locking e Hugo surpreender com as caras e bocas enquanto fazia twerking ao som de “Get Low”. Também não deixaram de incluir Lucius sempre, silenciosamente ensinando a ele como dançar o refrão de “Lean On” com todos eles, e algumas pessoas no Capitol que acharam o grupo agitado no mínimo chamativo.<br />
<br />
Quando o DJ encerrou a setlist e outra pessoa entrou no lugar dele com um som menos agitado, Marion estava pingando de suor e rezando para não aparecer demais na roupa bege.<br />
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- Wheeeew! Estou morto! – fingiu um desmaio, jogando quase o corpo todo pra trás antes de voltar. – Isso foi muito bom! – deu um tapinha amigável em Lucius. – Água? Pra dois? Tipo, água pra dois pra cada um de nós, que acha? – riu, parecendo um ser humano muito animado com o rosto vermelho de fazer exercícios. E Bil seguia dançando. – O que achou??<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Não se incomodou com a aproximação dos amigos de Marion ao seu redor. Eles pareciam leves e divertidos, mas em nenhum momento invadiram seu espaço ou lhe deixaram desconfortável. Contudo, não conseguiu ignorar o toque alheio em sua mão, ainda que por um período curto de tempo. Talvez fosse pelo fato de usar muito de suas mãos para tocar piano ou para sinalizar, mas o gesto lhe fez prestar um pouco mais de atenção no semblante do amigo que havia lhe convidado até ali. O jeito engraçado do sujeito, misturado à aproximação “inocente” do mesmo lhe deixavam mais na defensiva, por não estar habituado àquele tipo de sinais incertos. No final das contas, ele poderia muito bem estar levando tudo na brincadeira e não queria ser o amigo que estragava tudo ao raciocinar demais naquela situação. <br />
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Esboçou um sorriso comercial e educado, compartilhando do momento de brincadeiras e de passinhos ridículos, aceitando a oferta de aprender com os amigos de Marion, não se importando de tentar imitar o passo deles. <br />
Concordou com um aceno positivo sobre a água, removendo a jaqueta que estava usando no processo, revelando os braços e a tatuagem que Marion já tinha conhecimento. Amarrou a peça na cintura e passou as duas mãos pelo próprio pescoço, sentindo como também estava suado, os fios escuros mais compridos colados na pele de sua nuca. Aproximou-se de Marion, tocando-lhe o ombro para lhe chamar a atenção antes de sinalizar: Onde fica o banheiro? Encarou o amigo, esperando que ele pudesse lhe dar indicações de qual direção seguir, a água lhe faria muito bem depois que pudesse se livrar um pouco daquele suor. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
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Lucius lhe passava uma imagem bem fechada. Talvez fosse porque era um extrovertido natural, e completamente “aparecido” comparado com ele (era até bem mais agitado que o resto do grupo, até mesmo Bil, que certamente estava sob influência de alguma coisa). Ao menos ele se sentia confortável com seus amigos, talvez por eles serem mais respeitosos sobre o espaço alheio.<br />
<br />
Quando finalmente pararam de dançar, o fato de Lucius parecer só cansado e ainda se manter distante, e pior, sequer lhe responder se tinha gostado lhe deu bem a entender que diferente dos menininhos fáceis que encontrava em St. Clavier, o moreno não tinha interesse nenhum em sair dali “acompanhado”. Bom, ao menos ele era interessante e parecia ser boa gente. Bem queria liberdade para tocar na nuca suada dele, mas podia se contentar em dividir uma água e dançar mais um pouco. Até Marion sabia quando parar.<br />
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Ergueu as sobrancelhas quando ele disse que queria ir ao banheiro. O Capitol não era como muitos bares esquisitos nos quais já tinha se metido, mas se perguntou se estaria tudo bem deixar ele ir sozinho.<br />
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- Naquela direção, logo depois do bar à esquerda. – Marion indicou, sinalizando também por conta da música alta. Arqueou a sobrancelha. – Quer que eu vá com você até a porta? – não deveria ter mal em perguntar. Ainda mais sem nenhum tom de malícia. – Não que seja esquisito por aqui, geralmente. Mas sei lá, por segurança.  <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Observou melhor a localização da indicação do banheiro e já estava pronto para seguir após agradecer, quando se deu conta da oferta de companhia do outro para lhe acompanhar. Não costumava ter companhia alguma ao ir ao banheiro e até gostava bastante da privacidade, mas diante do comportamento alheio e do local ser desconhecido, acreditou que a decisão mais sensata era aceitar a companhia do então amigo. <br />
<br />
Concordou com um aceno positivo de sua cabeça, deixando que ele mostrasse então o caminho para chegar ao tal banheiro. Assim que parou na porta, imaginou que deveria entrar sozinho, contudo, parou para observar melhor a situação do amigo, imaginando se ele também não estaria suado após dançar de uma forma tão animada, enérgica. Concluiu que ele não deveria se incomodar tanto com o próprio suor como ele, mas ainda assim ofereceu: <br />
<br />
[Você pode entrar. Se quiser. Eu não me incomodo.] - disse para Marion antes de adentrar o banheiro, seguindo diretamente para a pia a fim de lavar as próprias mãos. <br />
<br />
Suspirou ao se dar conta da sensação agradável da água fresca em suas mãos antes de lavar o próprio rosto. Ao erguer a face e se encarar no espelho, procurou com o olhar a presença de Marion no recinto. Fez uma pequena pausa antes de molhar as mãos novamente, passando os dedos então pela própria nuca como se quisesse se livrar do suor e da ideia de ter algum odor desagradável. Moveu a gola da camisa para que pudesse cheirar o tecido, a barra da peça subindo a ponto de seu abdômen ficar exposto. Terminou por largar o tecido da camisa, lavando as mãos mais uma vez antes de passar os dedos molhados pelo cabelo escuro, jogando-os para trás em uma tentativa de aliviar o calor pelo exercício realizado. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Guiou Lucius até o banheiro. Estava acostumado a esperar na porta pelos amigos ou entrar no banheiro para fins diversos, mas ser “convidado” a entrar foi uma novidade engraçada. Quase não resistiu arquear a sobrancelha para o moreno, afinal, não tinha sido uma ou duas vezes apenas que havia dado em cima dele. Porém, pelo visto, ou ele gostava de atiçar sua imaginação, ou era muito tonto.<br />
<br />
De todo modo, Marion aproveitou para lavar o rosto também. Jogou um pouco de água, tirando o excesso com a mão para garantir que estava sóbrio (apesar de não ter bebido ou usado nada), porque cada gesto de Lucius parecia desenhado para lhe provocar gratuitamente, do jeito como ele molhava o cabelo para tirar o excesso de suor, até o jeito como ele levantava de leve a camisa no intuito de cheirá-la, deixando um pedacinho do abdômen exposto. Era um pouco respeitoso, mas amém, não era cego.<br />
<br />
Pegou a manga do próprio moletom e aproveitou para enxugar o rosto, sabendo por experiência que o papel fino de enxugar as mãos era uma péssima opção.<br />
<br />
- Bom, já vi que aqui está seguro. Então vou aproveitar pra sair, que se eu ficar olhando demais pra você, vai ficar perigoso pra mim aqui dentro. – Marion riu, movendo a mão como se banisse as ideias da cabeça. Ainda fingiu que iria sair e virou o rosto para Lucius, mexendo os dedinhos de forma esquisita. – E não fique sensualizando demais na frente do espelho. Reza a lenda que homem bonito no banheiro do Capitol pode ser encoxado pelo “Galegão do banheiro”, ein?? – ergueu as sobrancelhas de modo assustado, e depois saiu, fechando a porta atrás de si. Só não foi embora. Seria indelicado levar Lucius até lá e sair sem esperar por ele.  <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Estava mais aliviado com a sensação refrescante da água em sua pele antes suada. Marion ainda havia feito a gentileza de lhe acompanhar até ali, o que era agradável por estar em um lugar novo e desconhecido. Olhou para o amigo pelo espelho quando ele brincou sobre ali ser perigoso para ele. Observou o moreno por sobre o ombro, surpreso com as palavras dele sobre estar “sensualizando demais”. Acompanhou o sujeito com o olhar pelo reflexo do espelho, sentindo o rosto ruborizar com a ideia de que esteja sendo vulgar de alguma forma. <br />
<br />
Não queria causar uma impressão errada em Marion ou nos amigos dele, então achou melhor desamarrar o casaco da própria cintura, vestindo de novo a peça para se sentir mais coberto. Demorou alguns minutos para sair do banheiro, mexendo no próprio celular. Verificou as mensagens trocadas anteriormente com a psicóloga sobre o próprio receio com aquele encontro até decidir sair do banheiro finalmente. <br />
<br />
Ficou surpreso de novo ao encontrar o amigo lhe aguardando do lado de fora, mas acabou por esboçar um sorriso, mais calmo com a presença do outro. <br />
<br />
Desculpe. Demorei muito? - perguntou, parando para observar melhor os arredores e se dar conta que a música voltava a ter uma batida mais animada. - Seus amigos devem estar esperando. Vamos encontrar com eles? - completou, dando espaço para que outros entrassem no banheiro. Queria poder ainda se divertir com Marion naquela noite e voltar para o dormitório quando ele quisesse também ir embora. Ou talvez o amigo fosse embora dali com outra pessoa. Entre as opções, não queria ser um empecilho para o recente amigo que lhe parecia ser uma boa pessoa, apesar dos comentários insinuantes. Julgava que tudo deveria ser uma brincadeira da parte do outro. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Quando Lucius finalmente saiu, novamente vestido com o casaco, arqueou de leve a sobrancelha. Será que ele estava com frio depois de ter molhado a nuca, ou será que seus comentários tinham incomodado? Deveria parar de investir, afinal, ele parecia não ter interesse em nada além de sua amizade e uma boa companhia para balada. Achava isso um desperdício, aliás, pois era um excelente partido para um coração partido.<br />
<br />
- Não demorou, não. Vamos voltar. – no caminho, bebeu a água para dar uma esfriada no corpo, voltando para o grupo de amigos que estava entre dançar e já beber alguns drinks, ou ao menos Hugo estava tentando, com Bil agarrado em seu pescoço tentando roubar um gole do copo. – Ei, Bil! Você não pode beber!<br />
<br />
- Ei, Mariiii...! Só um golinho, vai, deixa! – Bil berrou quando Marion ralhou com ele, soltando do pescoço do outro amigo para se agarrar em Marion. Ele olhou para Lucius em seguida. – Você parece um cara muuuito legal, compra vodka pra mim? Só uma batidinha? Eu te dou dinheiro, vai? – o rapaz puxou então a carteira do bolso e estendeu a Lucius, mas Marion rapidamente colocou a mão e a carteira de volta no bolso do dono.<br />
<br />
- Já vai começar com as ceninhas. Nem dê bola pra ele, que senão ele fica todo derretido em cima de você. – Henri riu, aproximando-se de Lucius e dando uma leve cotovelada de lado. – Um drink, Lucius? – ofereceu, mostrando uma garrafa de vodka barata.<br />
<br />
- Eu queroooo! -Bil falou, agarrado ainda em Marion, esfregando o rosto nele. – Mama, me leva pra casa hoje~ Ninguém me deu uma dose, tô carente~<br />
<br />
- Hoje eu tô acompanhado, Bil. Vai com o Henri e o Kir, quando ele pegar o dinheiro da noite. – Marion então afagou a cabeça quase raspada do outro que se tremeu inteiro de propósito, e Marion não resistiu acariciar o outro abaixo do queixo, já rindo. – Na próxima venha sóbrio e aí te faço carinho até você ronronar, gatinho~<br />
<br />
- Miau! – Bil berrou, e Marion agarrou ele e encheu de beijos pelo rosto, para entretenimento de Henri e Hugo, que caíram aos risos.<br />
<br />
- Ah! Lucius! Você vai voltar pro dormitório daqui? Sabe que tem toque de recolher né? – Marion falou, ainda fazendo cócegas em um Bil muito rendido. – Se quiser dormir comigo, fique a vontade. – piscou. – Quando digo comigo, digo na casa dos meus pais, que é pra onde eu vou daqui.  <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Aproveitou que o amigo estava bebendo água para pedir um pouco e beber também. Observou a aproximação mais íntima do amigo dele, pendurando-se no pescoço de Marion. Cerrou os lábios, desviando o olhar assim que o sujeito se dirigiu para sua pessoa, pedindo para que comprasse vodka para ele. Sorriu para Henri de forma discreta, acenando em negativa com a oferta da bebida. De fato, até gostaria de experimentar o que lhe era oferecido, mas sabia que devido a sua condição de saúde, não era possível. <br />
<br />
Sorriu um pouco constrangido, encarando Marion pelo fato dele parecer ocupado em lhe manter companhia, enquanto os outros amigos dele queriam se divertir com o rapaz. Desviou o olhar por um momento, achando, no mínimo, curioso como o mais novo, Bil, parecia tão à vontade ao ponto de esfregar o próprio rosto contra o de Marion, sendo correspondido com aquelas carícias casuais. Se ocupou em beber um pouco mais de água, batendo o pé de leve ao ritmo da música do ambiente, entretido com a batida mais animada e empolgante. <br />
<br />
Quase se engasgou quando Marion lhe perguntou se iria voltar para o dormitório ou se dormiria com ele. Encarou o amigo pouco depois de verificar o horário da noite em seu celular, recordando do tal toque de recolher. Observou o tal de Bil nos braços do moreno e sorriu um pouco sem graça, sinalizando para Marion apenas com uma das mãos enquanto segurava a garrafa com água. <br />
<br />
Se não é problema para você. Eu agradeço. - respondeu, acenando novamente antes que percebesse a atenção do sujeito. - Mas você não quer sair com ele? - resolveu perguntar, incomodado com a ideia de estar atrapalhando a noite do moreno com os amigos de longa data do outro. - Eu posso chamar um carro e voltar. - avisou, ponderando que se saísse em tempo, conseguiria chegar em St. Clavier para dormir. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Acabou rindo descaradamente do engasgo de Lucius quando questionou se dormiriam juntos. Ao menos uma vez naquela noite tinha conseguido dar um direto de direita no moreno. Não era possível que nesse ponto das interações dos dois, ele não notasse seu interesse. Embora ele não parecesse igualmente interessado. Hugo e Henri pareciam notar que suas tentativas falhas não tinham surtido nenhum efeito, e os amigos até ergueram os copos para Marion em simpatia. Estar agarrado com Bil não estava ajudando sua conta.<br />
<br />
Arregalou os olhos quando Lucius perguntou se não preferia sair com o outro.<br />
<br />
- Eu? Não, não! Com certeza prefiro ir com você! – Marion respondeu, deixando Bil com uma carinha tristonha. – Você tem o Kir no seu coraçãozinho, eu só lhe encho de carinho porque você está um grude.<br />
<br />
- Mas ele não me dá bolaaaa~~ - Bil esperneou, sendo tirado de perto de Marion por Henri, puxado pela gola da camisa.<br />
<br />
- Vamos, vamos, você tá atrapalhando a chance do Marion... vamos dançar? Olha a batida! Tuts, tuts!<br />
<br />
E sem nem pensar duas vezes, o humor de Bil mudou da água pro vinho, e ele começou a dançar animado perto do grupo, sem preocupação alguma no mundo.<br />
<br />
- Não liga pra ele não, que quando o efeito passar, ele vai ficar todo deprê e com a cabeça toda bagunçada. A gente já conhece e dá conta do Bil. Não dispense a saída com o Marion só por causa dele. – Hugo aconselhou com paciência, dando um sorriso e uma cutucada amiga em Lucius.<br />
<br />
- Então dorme lá em casa! A gente pode dançar mais hoje a noite, e aí prometo que te dou uma toalha pra tomar um banho quente e te enrolo como um bom menino antes de dormir. Dou até um beijinho pra bons sonhos! – Marion riu, estendendo as duas mãos a frente e chamando Lucius para dançar já se mexendo no ritmo das músicas ainda mais animadas que o novo dj tocava.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Observou as reações do grupo de onde estava, acompanhou como, ao que tudo indicava, o tal de Bil tinha sentimentos pelo músico que se chamava Kir. Não tinha certeza se ele era músico de fato, mas entendia que ele era o responsável pelo que estava tocando enquanto dançavam. Aparentemente, o tal de Bil era muito carente de contato físico e, por isso, estava inclinado a ficar nos braços de Marion. Na verdade, depois que ele foi removido da companhia de Marion por Henri, imaginou se o rapaz não se importava qual fosse o amigo que o abraçasse. <br />
<br />
Concordou com um aceno positivo para Henri quando ele lhe recomendou não dispensar a saída com Marion. Olhou na direção de Marion, ouvindo as palavras dele e processando que o interesse dele parecia estar além de uma amizade convencional. Concluiu mentalmente que ele deveria gostar de garotos, recordando, então, dos comentários insinuantes dos amigos dele que agora conhecia pessoalmente nos vídeos do dançarino. <br />
<br />
Ficou na sua, aceitando a oferta da dança, segurando as mãos de Marion. Porém, prestou atenção na reação do outro ao, propositalmente, deslizar o indicador e o médio pelos pulsos dele ao aceitar o convite. Manteve um olhar mais atento sobre as reações do então amigo, tentando acompanhá-lo nos passos da dança, inutilmente, a julgar que ele era bem melhor que sua pessoa naquele quesito. Não era do tipo que tinha muita energia social para manter a mesma empolgação que Marion e seus amigos, contudo, estava contente por estar ali e poder observar, de forma presencial, os corpos que se moviam ao ritmo animado. Tentou recordar da energia na quadra de basquete e em como a adrenalina da competição fazia com que se concentrasse e melhorasse seus reflexos. <br />
<br />
Você vai me beijar? - sinalizou, encarando o outro, mais sério, considerando a “brincadeira” dele com o comentário sobre lhe colocar para dormir. Preferia ser direto, principalmente por ter confiado no outro a ponto de aceitar estar ali com ele e os amigos que até então não conhecia. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Sabia que seus amigos tinham um ritmo diferente da maioria das pessoas, até o próprio Marion. Treinavam muito dança, e aquelas noites eram a chance de eles dançarem por mais hobby, socializarem, saírem com outras pessoas ou entre eles mesmos, mas Lucius parecia estar aguentando bem o tranco que era estar naquele grupo. Por isso queria dançar mais com ele, afinal, era seu convidado. Se o abandonasse para dançar com os outros não faria sentido.<br />
<br />
Sentiu um toque diferente no seu pulso quando Lucius tomou suas mãos, e então olhou para o gesto do rapaz e abriu um sorriso. Não sabia se ele tinha feito de propósito ou se tinha percebido o próprio gesto singelo. Mas já tinha sido rejeitado de tantas formas diferentes que ignorou o toque, apenas puxando o amigo para mais uma maratona de dança, com todos os movimentos que podia ensinar a ele, do shuffling a dança da minhoca tonta. Não importava muito se estavam bonitos dançando. O que fazia diferença para Marion era se ele estava se divertindo.<br />
<br />
Virou para Lucius, notando que ele estava já “perdendo a bateria” do começo da noite, e observou os gestos dele para si, até parando de mexer os pés por um breve segundo. Apesar de ficar inicialmente confuso, Marion abriu um sorriso amplo, e então estendeu as mãos para as de Lucius, trazendo-o mais para perto. Encarou-o direto, um pouco mais quieto e então arqueou uma das sobrancelhas.<br />
<br />
- Se você quiser. Quando você quiser. – deixou bem claro, para ter certeza que Lucius não estava aceitando só pela sua insistência e pela dos seus amigos. Então riu, sinalizando para ajudar a compreensão com o volume da música ficando subitamente mais alto. – Eu até diria “onde” você quiser, mas eu te beijaria inteiro, sabe?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Esperava apenas uma resposta, mas foi pego de surpresa pela atitude do mais alto ao lhe trazer para perto. Encarou o outro de volta, sem dificuldade de ler os lábios dele pela proximidade. Estava habituado a uma intimidade mais agressiva e menos educada que a de Marion, por isso ficou um tanto sem reação quando ele ainda sinalizou, indicando que poderia lhe beijar “inteiro”. Cerrou os lábios, sentindo um calafrio lhe descer até a barriga. <br />
<br />
Estendeu uma das mãos até o próprio rosto, permanecendo parado em meio a todas aquelas outras pessoas dançantes. Não prestou mais atenção nas pessoas e deslizou os dedos para a mão dele, segurando-a sem pressão. Virou o corpo, sinalizando para que ele viesse junto e saísse do meio daquelas pessoas, ainda que a música alta não lhe incomodasse.<br />
<br />
Olhou por cima do ombro, questionando-se um tanto incerto se o outro aceitaria se afastar dali com ele. Não era do tipo indiscreto. Na verdade, o tipo de intimidade que era acostumado a ter era sempre mais reservada. Respirou fundo, esperando que o outro não percebesse o tremor leve em seus dedos pela ansiedade de estar tomando aquele passo. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
A surpresa de Lucius com a sua resposta lhe deixou com um leve quê de incerteza. Achava que ele tinha finalmente respondido aos seus avanços, mas tinha mesmo? Talvez fosse mesmo um acidente, ou talvez ele quisesse chamar sua atenção para comunicar algo. Quanto mais Lucius demorava para reagir, mais ficava com a impressão de que tinha ido longe demais com a abordagem direta. Nem todo mundo era saído como ele e seus amigos e tudo bem se Lucius não fosse, mas também não era sua intenção assustar demais.<br />
<br />
Porém o toque delicado em sua mão e o sinal de que deveriam sair dali pôs um sorriso em seu rosto. Acenou discretamente para os rapazes na pista de dança e seguiu Lucius sem hesitar, notando como ele parava para ter certeza se estava seguindo para longe do barulho, para algum lugar mais discreto. Havia um leve tremor na mão dele, o que não achava animador. Começou a tecer mil teorias: será que na verdade Lucius era um cara hetero de mente aberta que agora queria experimentar, mas tinha medo do olhar dos outros? Será que na verdade ele estava no armário ainda? Achava o jeito dele lhe tirar dali um pouco inocente, considerando o quão direto tinha sido na abordagem. Ele estaria mais seguro de não ser devorado perto da luz.<br />
<br />
- Ei, Lucius! Lucius! – chamou o outro, notando que o lugar onde tinham ido estava bem mais vazio, quieto e escuro que o resto dos lugares. Pegou a mão do moreno, segurando os dedos levemente trêmulos, com a pose confiante e o sorriso bem humorado no rosto. – Você está tremendo. Respira... expira... – falou rindo, fazendo gesto com a mão livre. – Agora... se te ofendi com a cantada e você quer me dar um murro, não era a intenção não. Mas olha... – soltou a mão de Lucius e ficou parado frente a ele, as palmas da mão do lado do corpo em uma postura toda aberta. – É com você. Entre bater ou beijar, você não ia machucar um partido como eu, né? – o tom de Marion era leve, afinal, não queria que Lucius se sentisse pressionado ou achasse que era um sujeito super sério. Até machucaria um pouco o orgulho se ele risse, mas assim não perdia a amizade.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Ainda podia ouvir os próprios batimentos acelerados pela ansiedade do momento. O amigo sequer deveria fazer ideia do que aquilo significava para ele - e também não o culpava pelo desconhecimento. Relaxou com o toque mais gentil em sua mão, incerto de como reagir quando Marion percebeu o tremor em seus dedos. Ouviu as palavras dele, soando aos seus ouvidos como uma ordem familiar que, de uma forma estranha e peculiar, conseguia lhe fazer relaxar. Estava mais acostumado a obedecer ordens do que realizar apenas a própria vontade. <br />
<br />
Concordou com um aceno positivo enquanto a voz do amigo lhe passava segurança sobre o respeito a sua vontade. Ergueu o olhar, encarando o rosto do maior com aquele sorriso mais confiante e o ar de graça. Permanecer mais sóbrio, o brilho âmbar de sua íris denunciando sua atenção ao rosto de Marion em meio aquela penumbra. <br />
<br />
Não respondeu a pergunta do rapaz, erguendo as mãos com os dedos ainda trêmulos para o rosto do amigo. Sua pele era naturalmente mais quente e relaxou ao contato com o pescoço do mais alto, apreciando a sensação tátil ao passar com a ponta dos dedos nos pêlos curtos do cabelo raspado de Marion. Esperou por alguma reação do outro antes de cortar a distância entre ambos, juntando seus lábios aos do outro rapaz, os olhos semicerrados. <br />
<br />
A sensação não era ruim, sentia-se estranho por iniciar aquele contato físico mais íntimo. Conhecia Marion há pouco tempo, o sujeito de personalidade mais leve, divertida e amistosa não lhe passava nenhuma sensação de ameaça. Contudo, não gostava de se expor demais, ainda mais ao se sentir admitindo que estava confiando no amigo ao ponto de beijá-lo. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Lucius era adorável, mas era muito sério. Talvez fizessem bem para Marion conversar com ele depois sobre relaxar um pouco, ou quem sabe ele não fizesse mesmo o tipo que gostava de relacionamentos casuais. Mas isso era para outro momento. Já bastava Lucius se preocupando. Mas pelo menos ele tinha decidido tomar uma atitude.<br />
<br />
Sentiu as mãos em seu rosto e nos cabelos curtos da nuca e esperou satisfeito que Lucius se aproximasse. Sorriu brevemente, deixando que ele tomasse toda a atitude, lhe dando apenas o benefício da dúvida de fechar os olhos e ficar com a cara mais ridícula enquanto esperava um beijo. Pelo menos nesse ponto, não foi decepcionado.<br />
<br />
Estendeu uma das mãos até o braço de Lucius, tocando-o com cuidado, e então moveu os lábios sobre os dele, devolvendo o beijo hesitoso e inocente.<br />
<br />
- Viu? Não foi tão ruim, foi...? – perguntou sem sair daquela postura, embora o barulho do clube não permitisse que falasse tão baixo. Beijou Lucius mais uma vez, indo suave a princípio, aproveitando o gesto mais próximo para dar um pequeno passo mais a frente e puxar de leve os braços dele para que ficassem em volta do seu pescoço, tentando deixar o espaço entre os dois ainda menor. Estava tentando não ser muito afobado, mas considerando que Lucius era muito bonito, ninguém podia lhe culpar por querer mais, deixando o beijo mais firme e intenso.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
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Tensionou com o toque em seu braço, mas não se afastou enquanto o beijo iniciado era correspondido. Não estava habituado aquele tipo de gentileza, então apenas entreabriu os lábios quando se deu conta de que o amigo estava intensificando o gesto. Seguiu as orientações de Marion, mantendo os olhos ainda semicerrados ao envolvê-lo pelo pescoço. Sentiu o contato com o corpo masculino do mais alto ainda que por sobre as camadas de tecido e tensionou novamente com a proximidade. <br />
<br />
Respirou pelo nariz, inclinando a cabeça de lado para que o encaixe com a boca do outro ficasse mais confortável. Felizmente (ou não), tinha experiência o bastante para não perder o fôlego de forma breve. Misturou sua língua com a de Marion, as mãos livres chegando a tocar o cabelo do outro, entretendo-se novamente com os pelos mais curtos da nuca do moreno. Finalmente fechou os olhos por um instante, ouvindo a música animada e mais distante. <br />
<br />
Continuou beijando o amigo sem ressalvas de quando interromper o contato. Poderia manter os lábios nos dele pelo resto da noite se Marion assim desejasse. Não se sentia coagido ou intimidado pelo rapaz. Na verdade, tinha uma inusitada e calorosa sensação de cumplicidade que nunca imaginou sentir por alguém de uma forma íntima como aquela. Era novo e assustador, ao mesmo tempo, mas não era como se estivesse preso ao outro. A liberdade, de certo modo, lhe deixava inseguro. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
O contato iniciou de um jeito inusitado, mas ao menos, à medida que avançava, com receio ou não, Lucius devolvia as carícias com a mesma intensidade. Sentiu os dedos dele passarem por sua nuca meio raspada, lhe dando um arrepio agradável quando somada a sensação das línguas se enroscando. Suas mãos, vendo Lucius parecendo mais confortável com o contato, desceram dos braços até as costas, e das costas até a cintura, trazendo-o um pouco mais para perto, parando um breve instante para retomar o fôlego, sem tirar um centímetro da proximidade que tinha conseguido conquistar, antes de retomar o beijo.<br />
<br />
- Mas eita, que bitoca gostosa!! Eu quero alguém pra me pegar assim também, ô, tô muito solteiro pra ficar olhando vocês! – a voz de Bil soou bem do lado dos dois, mas bastou ele começar para Marion subitamente abrir os olhos e parar o beijo, olhando de esguelha para o amigo. – Que foi??<br />
<br />
Marion soltou um longo, longo suspiro e virou Lucius de costas para Bil, para que ele não tivesse que passar essa vergonha, já que imaginava que ele não gostava de ser visto. Mas não soltou o moreno, abraçando-o e segurando-o contra o próprio corpo.<br />
<br />
- Você não precisa ficar olhando, sabe? – Marion falou com um tom que claramente parecia uma bronca. – Vá pedir água pro Henri, você está suado. Aproveita e avisa a eles que eu já vou.<br />
<br />
-  M-mas mãe...! Tá, tá... eu vou, eu vou. – Bil respondeu, saindo a passos pouco confiantes, como se metade da energia que ele tinha no começo da noite já tivesse ido embora.<br />
<br />
Só então Marion soltou mais o abraço de Lucius, procurando o rosto dele com uma expressão que era ao mesmo tempo divertida, mas aceitava que aquilo tinha sido bem esquisito.<br />
<br />
- Desculpa por ele. – Marion pediu, então abrindo um sorriso. – Eu acho que já tive agitação o suficiente por hoje. A proposta se mantém: quer dormir lá em casa? Se não quiser, eu te levo de volta pro dormitório.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Sentiu os ombros relaxarem e a cabeça ficar mais leve com as mãos do amigo que agora lhe tocavam a cintura. Encarou o moreno quando ele se afastou um pouco para recuperar o fôlego. Apreciou o momento para buscar oxigênio também, os lábios ainda entreabertos esperando o instante em que se conectaria com o rapaz de novo. Entretanto, foi pego de surpresa pela voz do amigo de Marion, o tal de Bil. Pensou em virar o rosto para o lado e evitar encontrar o olhar de Bil, mas ao que parecia Marion havia sido mais rápido. <br />
<br />
Não ousou se mexer de onde o amigo havia lhe colocado, de costas para o amigo dele. Estranhou o abraço naquela situação, mas não relutou, descendo os braços até conseguir apoiar as mãos nos ombros dele. Ouviu a voz de Bil se distanciar e o pedido de desculpas de Marion. Encarou o sorriso no rosto do outro e ficou um tanto quanto confuso. Ele havia se arrependido, por acaso? <br />
<br />
Deu um passo para trás depois de ouvir ele repetir aquela pergunta sobre voltar para dormir nos dormitórios ao invés de dormir na casa do rapaz. Ele havia acabado de lhe beijar, ou melhor, havia correspondido ao seu beijo, isso queria dizer que ele gostava da sua companhia, não era? Não entendia porque ele continuava a questionar se não queria que ele o levasse de volta para o dormitório em St. Clavier. Primeiro, duvidava que naquele horário, eles lhe deixariam entrar sem nenhuma advertência. Segundo, ele estava chateado com o que havia acontecido? Mas até que parte? Será que com “agitação”, ele estava falando do beijo também? Ele parecia bastante preocupado em lhe deixar confortável naquela situação, mas não sabia até que ponto ele só estava sendo condescendente. Um sujeito como ele não precisava se dar ao trabalho. <br />
<br />
Eu fiz algo errado? - resolveu sinalizar, perguntando diretamente a Marion, incerto sobre ele ser o tipo de pessoa que talvez mascarasse o próprio desconforto com aquele sorriso divertido. Ele, com certeza, parecia o tipo social mais preocupado em deixar seus amigos confortáveis que agir de forma inconsequente. Encarou o maior, o semblante sério de costume. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Quando mais lidava com Lucius, menos entendia de fato o novo amigo. Primeiro ele pareceu ignorar seus avanços, até imaginou que ele estava pensando naquilo tudo como uma forma de amizade francesa. Depois ele passou a aceitar seus convites, mas tinha parecido meio relutante em fazer isso na frente de outras pessoas. Agora, estava dando a chance dele fugir, mas a primeira coisa que ele lhe perguntou foi se tinha feito algo de errado. Marion ergueu de leve as sobrancelhas. Talvez fosse melhor deixar tudo claro?<br />
<br />
- De jeito nenhum, inclusive, beija bem, obrigado. – Marion falou com um tom educado bem humorado, sinalizando também dado o espaço entre os dois e o volume da música ao redor, tudo para reforçar o que dizia, ainda que não soubesse expressar tudo aquilo com toda a certeza do mundo em sinais. – Eu que não tenho sido claro. – ponderou um instante. – Talvez isso te surpreenda... mas eu sou gay. – Marion riu, e então respirou fundo para não seguir fazendo piada, afinal, estava tentando se explicar pra Lucius. – E eu te acho um gostoso. E eu estou te chamando para dormir na casa dos meus pais, que é meio arriscado, mas dá para pelo menos para dar uns amassos e dormir de conchinha, ou mais, se eles não estiverem em casa.<br />
<br />
Claro que teve que parar para pensar bastante antes de ter qualquer vaga ideia de como seria explicar aquilo em língua de sinais, afinal, nunca tinha usado isso para flertar com ninguém. O resultado foi uma série de sinais muito desconjuntados, embora a fala fosse bem completa.<br />
<br />
- Só não quero que ache que é obrigado, sabe? Você não parece o tipo que transa num primeiro encontro, e longe de mim te pressionar a isso só porque somos amigos. Estou fazendo suas rotas de fuga e lhe dando escolhas. – explicou, pensando que provavelmente estava satisfeito com sua explicação. Então aproximou-se um pouco de Lucius, roubando-lhe um beijo breve. – E aí? Me conte seus limites e eu te digo quão rápido eu consigo chamar um táxi.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Apreciou o esforço de Marion ao tentar manter a comunicação através dos sinais ainda que ficasse atrapalhado com as palavras. Continuou encarando o outro ao ser elogiado e permaneceu sério diante da afirmação do outro sobre ser gay, aquela risada dele não fazendo sentido para sua pessoa, enquanto ouvia o amigo falar sobre um assunto que julgava ser mais pessoal. <br />
<br />
Ficou levemente surpreso quando ele revelou os próprios planos, expectativas, de poder lhe dar uns “amassos” e dormir de conchinha. Apesar do nervosismo do outro, ainda conseguia ler os lábios dele com facilidade. Ouviu todo o discurso sobre suas “rotas de fuga” e opções, a declaração do amigo de que não queria lhe obrigar a nada lhe deixando com um calafrio esquisito no estômago, um do tipo agradável. <br />
<br />
Não rejeitou o beijo breve e, ao ouvir a pergunta sobre seus limites, baixou o olhar por um instante. Era estranho ouvir aquelas palavras na voz de alguém que parecia se preocupar com seu bem estar. Sorriu discretamente com o canto dos lábios antes de voltar a encarar o rapaz, sinalizando: Você e eu… podemos tomar um banho antes? <br />
<br />
Perguntou de forma sugestiva como se aquela condição fosse um de seus limites. E de fato era. Detestava pensar na ideia de ter o amigo lhe tocando sobre a pele suada de toda aquela saída para dançarem. O outro também já havia visto boa parte de seu corpo na visita à tatuadora, mas não julgava estar quite com ele, pois apesar de já ter visto muitos vídeos do dançarino nas redes sociais, não tinha uma ideia clara do físico alheio. - E você… - cutucou o outro em sinal para que ele prestasse atenção. - … não pode usar o celular. <br />
<br />
Achou melhor deixar aquela questão clara, como Marion estava sendo claro com ele. Sabia que o moreno era socialmente ativo virtualmente, mas não tinha segurança em conseguir se expor nas mídias sociais, mesmo que fosse uma única foto com o outro. Imaginava que se tirassem alguma foto juntos, mesmo que não fosse em uma situação mais íntima, e o amigo postasse em suas mídias sociais, teria que lidar com um tipo de atenção indesejada. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
Esperou uma reação de Lucius. Ele de fato era muito sério, nem para rir da sua piada sobre sair do armário. Mas o fato dele ser sério apenas ressaltou o pequeno sorriso quando terminou de questionar os interesses dele, lhe enchendo de uma breve esperança que ele iria aceitar seu convite. Não que duvidasse necessariamente que era um bom convite. Só não sabia se Lucius tinha interesse em ir tão longe.<br />
<br />
A resposta de Lucius – na verdade a proposta – era que tomassem banho primeiro. Abriu um sorriso largo, afirmando com a cabeça prontamente. Estava suado, e o amigo também. Embora não ligasse muito para essas coisas, desde que ninguém estivesse mal cheiroso de fato, podia respeitar um homem que gostava de limpeza.<br />
<br />
A outra condição era que não usasse o celular. Ergueu as sobrancelhas com a ideia de que usaria o celular em um momento íntimo, mas imaginou que se ele não era muito fã da ideia de se expor, talvez o celular aumentasse o pavor dele da saída casual. Isso ou Lucius tinha tido uma péssima experiência com uma sex tape.<br />
<br />
- Eu posso te garantir um banho longo, atenção total sem nem pensar nas notificações do celular, meu corpo todo pra você e um lençol quentinho. – garantiu com um sorriso leve no rosto, e um ar de um pouco mais de seriedade enquanto sinalizava também para reforçar o que estava dizendo a Lucius. – E o que surgir no meio do caminho a gente negocia.<br />
<br />
Puxou o moreno mais uma vez em sua direção, roubando um beijo longo dele, e então, pegando-o pela mão para que fossem arrumar o prometido táxi muito rápido como tinha dito. E Marion não demorou a cumprir a promessa, pagando o táxi no caminho para a casa dos seus pais.<br />
<br />
Seus pais moravam numa área rica. Apesar da casa não ser uma mansão, era grande o suficiente para ter piscina, uma bela cerca viva e janelas grandes. Deu uma olhada na entrada da garagem para ver se o carro estava lá, o que era certo, considerando a hora e a ausência de peças interessantes no teatro. Nem perdeu tempo fazendo um sinal de silêncio para Lucius, tirando a chave do bolso e segurando no moletom para que não fizesse muito barulho. Olhou para dentro como um ladrão tentando roubar uma galeria de arte, e entrou a passos delicados, fechando a porta atrás de si. Chamou Lucius pela sala, conseguindo ouvir o ronco distante do seu pai no silêncio aquela hora, e então passou para longe das escadas, atravessando duas salas até chegar em um quarto grande e arrumado que era suíte.<br />
<br />
- É o quarto de visitas. Mas eu troquei pelo quarto lá de cima porque é mais fácil pular a janela desse. – riu, cochichando enquanto abria a porta, trancando quando Lucius passou por ela, para garantir que não seria atrapalhado. Então tirou o moletom, largando no cesto de roupas perto da porta, abrindo a porta do banheiro enquanto tirava a calça. – Me acompanha?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lucius</span></div>
<br />
Duvidava que o amigo fosse capaz de fazer algo que pudesse lhe assustar, justamente por considerar que Marion era uma boa pessoa, de humor bem mais leve que o seu. Não era exatamente com as notificações do celular com o que estava preocupado, mas acreditava que Marion tinha captado o sentido de sua preocupação. Terminou correspondendo o gesto do outro, beijando-o de volta, sempre com os olhos semicerrados, acompanhando o processo que antecedeu a viagem pelo táxi para a residência do amigo. <br />
<br />
Assim que foram se aproximando da casa de Marion, fez algumas notas mentais sobre o espaço onde ele vivia. O lugar parecia ter sido retirado de um daqueles sets de filmagem de filmes adolescentes com protagonistas de famílias com dinheiro. Verificou o modelo do veículo parado na viagem e adicionou novos cifrões a sua conta mental. Só para cuidar daquele lugar, deveriam trabalhar com alguns empregados, alguém para ajudar com a faxina e alguém para limpar a piscina. Perguntou-se mentalmente se não conseguiria alguns trocados se oferecendo para aquele tipo de serviço. <br />
<br />
Arqueou a sobrancelha com o sinal de silêncio de Marion, como se fosse algum tipo de piada de mau gosto consigo. Estava acostumado a se mover sem fazer nenhum ruído para não incomodar terceiros. E, de longe, percebeu que havia outras pessoas na residência. Estranhou a falta de preocupação dos moradores e, provavelmente, os pais de Marion, com a chegada do filho naquele horário da noite sem aviso. Eles poderiam ser facilmente roubados. <br />
<br />
Ao chegarem no quarto, observou o ambiente em meio a penumbra e ficou incrédulo quanto aquele ser o quarto de visitas. Era grande o bastante para só o amigo morar ali. Concluiu, previamente, que toda aquela vida facilitava o bom humor de Marion e o fato dele parecer tão despreocupado com o que estavam prestes a fazer. Observou o rapaz já na porta do banheiro, sem parecer impressionado com o convite, e começou a se despir, removendo as peças e dobrando-as com cuidado, deixando todas separadas com seu celular e carteira. <br />
<br />
O corpo moreno era bem delineado pelos músculos do abdômen, coxas e braços, o porte atlético de quem gostava de praticar esportes era evidente, ainda que na pouca luz. Como ele tinha trancado a porta, não se preocupou com a nudez, apesar de ainda estar usando a boxer preta, esperando ser apresentado ao banheiro do amigo. Imaginava que o lugar era proporcional ao resto da casa e era grande o bastante para ambos. Estava curioso para saber quais eram os produtos que Marion gostava de usar também. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marion</span></div>
<br />
O bom de Lucius era que pelo visto sua timidez era mais ligada ao fato de se expor. No Capitol, ele parecia infinitamente preocupado com toda a situação de estar “nos pegas” com outro cara, e pareceu desconfortável com a ideia de ser visto por Bil (embora se pensasse bem, também ficaria constrangido considerando o quão intrometido Bil era). Agora, em seu quarto, ele tinha feito apenas um passar rápido de chave e Lucius já se prontificou a tirar as roupas, deixando-as de modo organizado no quarto.<br />
<br />
Fez questão de observá-lo por cima do ombro. Ele era um pouco mais baixo, mas nada gritante, porém tinha o porte de quem praticava esportes e a tatuagem lhe deixava com uma impressão diferente, mesmo incompleta. Ele parecia sério – na verdade, ele ERA sério –, mas naquela situação não hesitou em pontuar na sua mente “sério E gostoso”. Nem percebeu quando levou o indicador ao lábio, admirando indiscretamente.<br />
<br />
Marion não estava longe do mesmo porte atlético, dançava desde que se entendia por gente, então tinha o corpo todo forte, embora não fosse um monte de músculos. As divisões do abdômen apareciam fácil com o movimento, e bem sabia que o piercing em seu umbigo chamava a atenção justo para eles. Mas a pequena tatuagem delicada no ombro certamente contrastava sua imagem e de Lucius ainda mais.<br />
<br />
- Ah, esqueci de perguntar. – falou, se desfazendo da roupa de baixo e jogando no cesto também. Tinha orgulho do bumbum pequeno e durinho, Lucius podia olhar à vontade. – Banho completo primeiro ou posso te ajudar a se lavar? O box tem espaço o suficiente para dois. – falou, indicando o banheiro com um gesto convidativo. O lugar era grande o suficiente e estava bem limpo. Não tinha nenhuma banheira, mas tinha prateleiras organizadas, gabinete para banheiro com um espelho imenso e um box de vidro com espaço para caber duas pessoas tranquilamente. Toalhas estavam enroladas cuidadosamente sobre o gabinete. Claramente Marion não voltava para casa com frequência, porque tudo estava arrumado pronto para receber uma visita.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Rolezinho [Zoe]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=345</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:43:14 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=86">Yure</a>]]></dc:creator>
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			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo ferrugem estava no seu fim de semana, e a última coisa que precisava era ficar em St. Clavier, trabalhava de segunda até sábado de 12hs, a partir de 12:01, aí era hora de folgar, e depois de tirar o uniforme da academia masculina pra por uma roupa confortável, calça folgada, barra dobrada, tênis coloridos, camisa estampada, uma xadrez por cima, pulseiras, colares, um boné com bottons, tirou a poeira da bike e rumou para o centro, onde costumava encontrar os outros amigos dos esportes radicais. A última coisa que queria era ficar de bobeira nos lugares onde poderia encontrar com Monique ou as meninas de Limoges que eram amigas dela, ainda estava de cabeça cheia, e as férias de verão tinham sido uma encheção de saco. Queria ter descansado, mas parecia que estudar era pra descansar e férias era pra passar raiva.<br />
<br />
Quando chegou as praças da parte antiga do centro, já conseguia ouvir o som do contato das pranchas de skate com o chão, e era um som gostoso que estava com saudades de ouvir. Se aproximou em tempo de ver Fred terminando uma manobra que sabia que ele estava treinando a algum tempo e vê-lo conseguindo executar era uma maravilha:<br />
<br />
-- Wow, vejam quem conseguiu finalmente fazer aquela manobra.-- Riu de forma divertida, sentado na bike, um pé plantado no chão enquanto as pessoas conhecidas, lhe reconheciam depois de um meses sem ver sua cara.<br />
<br />
-- Wow digo eu! Você tá vivo? Yure!! Onde você se meteu? -- Jan perguntou seco, largando a bike dele para se aproximar do amigo, que trocou cumprimentos e sorrisos. <br />
<br />
-- Eu faço a manobra, e quem chama a atenção é você? Exibido…! - Fred comentou carrancudo.<br />
<br />
-- Eu também tava com saudades de você Fred. -- Yure jogou um gracejo rindo divertido, o que fez Fred corar e fazer uma cara de irritação imediata.<br />
<br />
O ruivo fingiu que não viu, e desviou o olhar, tirando o boné, e fazendo um aceno para Marcelo que estava longe de fone, e o amigo cumprimentou de volta em silêncio. <br />
<br />
-- E aí, voltou pra ficar? ou vai sumir de novo? Melhorou do pé? -- Jan disparou perguntas na direção do ruivo, no que ele apenas acenou positivo, negativo, e positivo de novo.<br />
<br />
-- Tô novo, fiz uma mini cirurgia no início de Junho, repousei até agora, mas tô indo no médico fazer fisioterapia, mas tô novo. -- Brincou, e fez Fred e Jan se entreolharam e depois sorrirem mais animados com a boa notícia.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
<br />
Cerise era um lugar muito interessante, a primeira semana de aulas passou muito rápido e logo era sábado novamente, depois de ter as aulas do dia, almoçar como um ser humano decente e tomar um ótimo banho, a garota platinada decidiu queimar toda a sua energia acumulada com seus patins e aproveitar para conhecer um pouco mais dos novos lugares. Colocou seu short de ginástica preto preferido e uma camisa clara com ampla abertura das mangas, mostrando um pouco do seu top esportivo, um colar simples com a letra Z em um pingente, deixou os cabelos soltos para que os fios pudessem respirar, porém sempre com um elástico de cabelo no pulso, sabia que seu cabelo ia parecer um pouco maluco mas não se importava. Colocou seus patins vermelhos, fones de ouvido e se aventurou nas ruas pouco conhecidas.<br />
<br />
Como esperado, as casas e ruas se tornaram estranhas, e o aspecto de história conservada do local estava mudando à medida que se aprofundava, não que fosse algo que preocupe a garota, ainda estava muito cedo e podia pedir informação para qualquer pessoa, embora seu francês ainda tivesse um pouco do seu sotaque britânico, Zoe tinha orgulho dele. Guiada pelo ritmo das músicas seus passos mudavam e a mesma cantarolava à batida, sentar a manhã inteira e escutar várias pessoas dando aula não era seu ponto forte.<br />
<br />
Considerando suas opções, a adolescente decidiu se aproximar do garoto mais chamativo do grupo, ele parecia ser o centro das atenções no momento, se não ele, quem seria melhor? A passos curtos, acenou para o garoto ruivo e iniciou a conversa em francês.<br />
<br />
-Ei ei, Ruivinho! Desculpa atrapalhar a sua conversa com seus amigos fofos, só preciso de informação, haha! Eu sou meio nova aqui e inventei de perambular pela cidade e agora sei nem onde eu tô hahah! 'Cê sabe me dizer o caminho de volta pra Limoges? - Parou perto do garoto, passando a mão nos cabelos bagunçados do vento enquanto ria, o sorriso amigável não saindo um segundo de seu semblante animado -  Se você não souber é tranquilo! mas me diz que sabe pelo menos onde eu acho o metrô, porque se for depender da minha internet eu vou ter que dormir por aqui. Por um problema com a reprodução aleatória das músicas, a adolescente parou e se viu forçada a se perguntar onde tinha se metido, parecia uma parte totalmente diferente da cidade, não tinha nem certeza se o metrô sequer passava por lá. <br />
<br />
Guardando o fone no bolso do short, patinou um pouco mais pelas ruas em busca de alguém para pedir informação, o sinal de vida foi encontrado pelo som de skatistas, o que trouxe um sorriso imediato no rosto de Zoe, se aproximou e olhou com atenção a praça em que os garotos tinham se reunido, era o lugar perfeito para aquecer as manobras que ainda lembrava, depois de perguntar sobre a localização do lugar, claro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava jogando conversa fora com Jan e Fred, que já tinha lhe perguntando duas vezes se iria mesmo manter o cabelo mais curto e como o cabelo mais comprido parecia legal, ele estava quase lhe paquerando e achava aquilo fofo, considerando que não sabia de nada do amigo ter saído do armário, mas estava solteiro, então, quem sabe, desse bola pras conversa, ou não? Estavam falando sobre a possibilidade de salsichas causarem mutação e se com uma perna a mais seria mais fácil fazer manobras ou mais difícil. Quando uma voz diferente chegou aos seus ouvidos lhe chamando de ruivinho, estava sentado ainda sobre a bike, e virou o rosto na direção da voz para encarar um rosto completamente novo, a voz carregada de sotaque britânico, bem fácil de reconhecer por estudar em St. Clavier e lá ser cheio de gente gringa.<br />
<br />
-- Quem é você garota? -- Fred se adiantou, porque ele tinha essa mania de ser adiantado pra falar as coisas. Yure sorriu na direção da jovem, que parecia mais nova que o próprio ruivo:<br />
<br />
-- Espera um pouco Fred, você é o amigo fofo, ela falou com o ruivinho aqui. -- brincou com o amigo de longa data, fazendo-o ficar vermelho de raiva, diante dos gracejos de Yure.<br />
<br />
-- Eu sou o Jan e sou com certeza o amigo fofo, o Frederic, é meio carrancudo, mas é fofo, e o ruivinho é o Lukashenko.<br />
<br />
-- Tu me apresenta com meu pior sobrenome, cara, que é isso! -- o ruivo reclamou, sem de fato estar com raiva.<br />
<br />
-- Podia te chamar de “Clarque” o que acha? -- Jan rebate.<br />
<br />
-- Você pode me chamar de Yure, e você tá em Pourpre, tipo, ‘cê acabou de sair de L’Encre, ou seja, acabou de sair do centro bonito, pro centro velho, aqui ainda é suave, eu e os meus “amigos fofos” costumamos andar por aqui sempre, mas se realmente precisar de uma carona pra voltar, eu posso te ajudar.<br />
<br />
-- Já se escalou de novo pra dar carona pras gurias, pelo amor de deus Yure. <br />
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-- Hey Fred, ela pediu ajuda, tô de bike, coisa mais fácil do mundo é dar uma carona, custa nada.<br />
<br />
-- Pensei que ‘cê não ia mais querer chegar perto de Limoges. -- o amigo disparou a indireta, pra ver se o ruivo desistia da ideia, mas ele nem se abalou, manteve o sorriso no rosto, embora tivesse ficado internamente chateado.<br />
<br />
-- Que nada, relaxa, tô tranquilo. Qual teu nome figura? -- o ruivo perguntou diretamente para a garota nova na cena.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
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Foi recebida com uma pergunta sobre quem era de um dos garotos, não estranhou, no fim tinha invadido uma área que nem conhecia, achou a voz cativante e não cortou contato visual com ele, embora sua expressão mostrasse irritação de certa forma.<br />
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- Eu? então né, se for na Questão filosófica eu não sou ninguém! haha, brincadeira brincadeira eu não lembro de sequer um assunto de filosofia  para parecer inteligente agora, mas achei os seus olhos muito bonitos, combinam bastante com o seu rosto - sorriu contra a carranca do outro, o ruivinho que queria conversar logo tinha interrompido o amigo, reafirmando o apelido dado. Outro dos amigos se apresentou, trazendo uma risada da garota, o mesmo dando o ar da graça à situação - Lukashenko né? Queria só ver você tentando escrever isso quando era mais novo! Vocês podem me chamar de Zoe, é um prazer conhecer vocês Jan, Yure e Freddy, posso te chamar de Freddy?? Aliás, ALGUÉM já te chama de Freddy? Desculpa eu gosto de conversar - botou os dedos à frente da boca num formato de X, para que Yure pudesse dar as direções.<br />
<br />
As direções foram diretas e claras, mesmo que tivesse escutado tudo com cuidado, os nomes não estavam passando ideia alguma de lugar, sabia que eles representavam algo, aquela informação aguardando na ponta da língua que sempre insistia em fugir dela. Fez uma expressão pensativa enquanto tentava lembrar os nomes, entrou no seu pequeno mundo confuso apenas para escutar o mesmo oferecer uma carona, essa palavra ela já lembrava.<br />
<br />
- Eu não quero ser intrometida, mas me conhecendo e vendo que já atrapalhei a conversa de vocês, não vejo mal algum eu pegar uma carona com você, já que 'cê parece ser famoso por aqui Yure - pegou o elástico do pulso e prendeu os cabelos bagunçados, já se sentindo em casa.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo com certeza achou o sotaque da garota uma gracinha, principalmente porque ela parecia do tipo tagarela, mas não esperava que ela jogasse um gracejo diretamente para Fred que nem soube como reagir diretamente aquilo, e como se não bastasse ela ainda tinha lhe arrumado um apelido carinhoso. No mesmo momento o garoto de pele bronzeada e cabelos escuros ficou vermelho até as orelhas, e sabia pelo menos que ele devia ser no mínimo Bi, porque tanto garotas quanto garotos tiravam o fôlego do amigo:<br />
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-- Erh… bem, eu… não, ninguém nunca me chamou de Freddy, e… obrigado? -- Fred tirou o boné que usava amassando a peça entre as mãos, o cabelo escuro desgrenhado, e desviou o olhar para não ter de encarar a nova garota.<br />
<br />
-- Olha só, Zoe tem o poder de fazer o Freddy perder as palavras, você têm de andar mais com a gente, assim ele reclama menos e fica mais amigável! -- Tanto Jan quanto Yure riram, e Fred se afogou ainda mais no rubor que agora tinha certeza que tinha chegado no pescoço do rapaz: -- Então suave Zoe, já foi carregada em bicicleta? Então, essa bike é feita pra manobras então o quadro dela é baixo, o jeito deu te dar carona é você ou sentando no guidão da bicicleta ou indo em pé usando esses suportes das rodas, que a gente usa pra fazer manobras paralelas, o que for mais confortável pra ti.<br />
<br />
Antes que seguisse com as explicações, Fred que tinha ficado calado por alguns instantes, tinha arrumado um papel e caneta sabe-se lá de onde, e anotou o número de telefone dele pra entregar para a menina nova: -- Me manda mensagem, e aí a gente pega pra andar de patins por aí. Bem vinda a Cerise.<br />
<br />
Depois de entregar o número o rapaz se afastou e Jan apenas riu do jeito tímido com que o amigo tentava fazer novas amizades: -- Falou Zoe, apareça mais vezes, juízo aí Lukashenko.  -- o rapaz mais novo se afastou para não deixar Freddy sozinho, e para tirar mais um pouco com a cara dele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
As reações do garoto eram muito divertidas, com apenas um pequeno elogio o garoto ficou todo vermelho e sem jeito, retirando até mesmo o boné, uma gracinha que deixou a garota com vontade de morder, mas como devia se comportar como uma pessoa com o mínimo de juízo deixou o pensamento para lá.<br />
Os amigos não perderam tempo para brincarem com a situação, soltando um leve convite para aparecer mais vezes. Com a promessa da carona, Zoe olhou para os próprios patins pensando numa melhor alternativa de ir na bicicleta no ruivinho. – Hm... Eu acho que com esses patins eu não me confio nos suportes, está na hora de testar suas habilidades de carteira de direção com um obstáculo na sua frente, Yure – brincou enquanto fazia um coque no cabelo, não queria mais um acidente por conta dela tão recentemente.<br />
 Antes de sequer pensar como sentaria na bicicleta, o novo ‘’tomatinho’’ voltou para entregar o número de telefone, deixando aberto um futuro convite de patinação antes de se afastar novamente. – Own, mal cheguei e já consegui um número? Tô com sorte então, pode deixar! Espero que goste de mensagens de bom dia e boa noite – terminou com um sorriso brincalhão, adicionando o contato com o nome ‘’Freddy’’ seguido de um emoticon acanhado, facilitando a identificação dentre os outros nomes na agenda. <br />
– Adeus Jan, Freddy! Encontro vocês por aí novamente, foi ótimo conhecê-los! Boa sorte tendo juízo comigo do lado – se despediu e virou a atenção para Yure, esperou ele subir para tomar seu lugar na frente da bicicleta e se apoiar, oferecendo um fone de ouvido para ele – Se quiser ouvir alguma coisa no caminho enquanto conversamos, minha playlist é toda sua como forma de agradecimento, e se quiser me passar teu contato quando a gente chegar pra quem sabe um rolezinho, não tenha vergonha – riu antes de colocar um dos fones e colocar novamente as músicas no aleatório com o volume mais baixo para poder escutar o que o outro tinha a dizer.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo observou toda aquela troca de gracejos, Freddy era definitivamente fofo, e a garota nova bem conseguia desestabilizar o ânimo do amigo, seria uma boa companhia pelo visto. Yure ficou surpreso pela escolha da garota de ir bem sentada justamente no guidão, o que fazia com que eles tivessem de ficar mais próximos: -- Tranquilo, pode por no aleatório, só vou te encher depois se eu gostar de alguma banda nova, e vou lhe culpar veemente se eu ficar fissurado. -- brincou, já começando a carregar a mais nova, apenas se atentou de posicionar as mãos no ponto mais distante de onde ela estava sentada para não ocorrer nenhum acidente desconfortável, e pedalou com força mantendo apenas a proximidade necessária para tornar o passeio confortável, sem se aproveitar daquilo para ficar encostando desnecessariamente na garota:<br />
-- Assim, se você não tiver com pressa o rolezinho pode ser agora, se não fosse seu aparecimento, eu ia seguir falando que salsichas causam mutação, tipo braços nas costas por mais uns 30 minutos com Freddy e Jan, depois ter de pedalar de volta pra St. Clavier,-- comentou em um tom bem carismático e agradável, falando mais devagar do que o costumeiro, por não saber o quanto de francês a guria conseguia absorver: -- temos tempo pra conversar, diga, já sei que pelo sotaque você é inglesa, mas veio fazer o quê em Cerise?<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Riu com o comentário do ruivo caso gostasse das músicas.- Se você acha que isso é ruim imagina eu te mandando mensagens de madrugada para te contar um fato aleatório ou informação inútil que eu lembrei sobre as bandas, espero que tenha sono pesado ou que esteja preparado para ser meu coleguinha noturno.<br />
O vento no rosto era confortante e a companhia agradável, depois de semanas de confusão, incerteza e perda, um momento de descontração veio como um gole de ar fresco. Não era como se quisesse esquecer de toda a situação, pelo contrário, lembrava claramente dos discursos dos médicos e das consequências não só em si, mas na vida de sua mãe, só queria mais momentos como esse em que podia relembrar de se preocupar em ser uma adolescente com preocupações bobas e grandes sonhos.<br />
Sorriu ao ouvir as teorias das salsichas mutantes e convite para estender o passeio, o garoto se preocupava até se ela o estava entendendo. Virou o rosto para ele e respondeu num tom animado- Já que você falou e eu não tenho motivo para negar não vejo porque não! Não que a gente também não possa teorizar sobre as salsichas, claro. Eu fiquei curiosa.<br />
 O garoto acertou de primeira de onde era e perguntou o que fazia em Cerise, sentindo um pequeno calafrio nas costas levou uma das mãos à uma das cicatrizes na nuca, nunca perdendo a energia alegre- Hm... Vamos fazer assim, que tal você adivinhar? Se você acertar eu te pago um refri já que você está pedalando, eu vou te dar uma dica, ta bom? hm... deixa eu ver...Ah, Sua dica é; Esses bracinhos não são assim para ficar de enfeite hahah! eles vem de anos de treino.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
Enquanto o ruivo pedalava, já pensava mentalmente onde poderia levar a garota, pelo gosto por refrigerante e salsichas ela seria muito do povão e gostaria daqueles dogões lixoso, conhecia vários, só tinha de escolher um onde pudesse comer também. O ruivo riu abertamente de ser chamado para conversar no meio da noite sem aviso, e realmente parecia que tinha achado uma companhia agradável para dividir tempo. Virou uma esquina enquanto pedalava, já entrando numa das ruas que tinha fachada de prédios mais antigos que tinham sido restaurados e dava a cidade de Cerise o ar bucólico que a tornava turística.<br />
-- Já que o assunto é salsichas radioativas e você provavelmente vai me dever um refrigerante, eu conheço um dogão com opção vegetariana que é um supra sumo de comida radioativa desse lado da cidade. Mas pelo menos tem versão de sanduba com uns cogumelos duvidosos. - O ruivo riu entretido, enquanto seguia pedalando sem pressa num ritmo confortável para que pudesse ouvir a música da playlist da mais nova amiga, e pudessem conversar amigavelmente. <br />
-- Jogo de adivinhações é um ponto que eu até manjo viu. - brincou, observando a forma como a mais nova levou a mão a nuca imediatamente como se estivesse protegendo aquela área: -- Eu já tinha notado pelo seu porte físico que você é atleta, pelo fato de você conversar tão bem mesmo com gente estranha, deve ser um esporte que requer exposição à público. -- O ruivo reduziu mais o ritmo da pedalada olhando para o caminho agora sem encarar Zoe: -- Você tá sorrindo, mas parece meio nervosa, talvez seja um esporte que você tenha que sorrir mesmo que seja algo dolorido... Hmmm… Chutaria balé, mas nenhuma academia tradicional teria uma bailarina com cabelo de duas cores, então vou chutar o mais próximo que é ginástica artística. Se você tivesse mais coxas que braço, meu chute seria patinação artística. <br />
O ruivo brincou parando em uma praça cheia de pequenos carros de lanches, com mesinhas pequenas para duas pessoas, local arborizado e bem ventilado devido ao ar marítimo vindo da praia: -- Ah, e eu prefiro suco à refrigerante, eu não consumo açúcar. E vamos  lá, sua vez de adivinhar alguma coisa sobre mim, você já sabe que eu pratico bike, mas eu faço outro esporte de rua.  E essa é a minha dica.  - O ruivo alargou ainda mais o sorriso, esperando que a garota descesse da bicicleta pra poder prender a mesma no local apropriado para bikes.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Ficou calada enquanto escutava o ruivo facilmente adivinhar o que fazia da vida, um bico se formou no instante que ele citou a comparação entre suas coxas e braços, que aparentemente deram na cara. <br />
- Ei você deve ter lido em algum lugar né? Injusto isso aí, nem errou! Se eu não tivesse montada numa bike eu ia cutucar você hein, mas trato é trato, te devo um sucão maroto.<br />
Riu abertamente enquanto encarava o garoto, imaginava que ele deveria ter um rosto bem bonito se a voz e a atitude dele fosse um belo referencial, a capacidade de reconhecer rostos fazia bastante falta nesses momentos.<br />
Ao chegar na praça, esperou que o seu novo ''guia turístico'' parasse e desceu com cuidado da bicicleta, patinando para a calçada, a sua vez de adivinhar o que ele fazia foi respondida com um sorriso malandro.<br />
- Hmmmm eu não sou tão observadora quanto você, mas vamos ver... Vindo do fato que você tem essa bela confortável bicicleta e preferiu um boné do que capacete e aqueles coisinhas que você pode colocar nos joelhos e cotovelos, já deve fazer esportes a um tempinho, você não tá usando nenhuma roupa esportiva então imagino que não precise, seus amigos parecem se vestir parecido e tem aquela vibe de skatistas também. Que eu lembre não deve ter muitos esportes de rua, então deve ser um bem conhecido, né? hm, eu vou chutar...hmmm... deixa eu ver, qual o nome daquele esporte dos pulinhos? que você corre e pula na parede e essas coisas, que são tipo obstáculos mas do lado de fora, me ajuda com o nome!! -Começou a rir por não lembrar o nome do esporte, olhando para o garoto pedindo ajuda.<br />
- Você já acertou, mereço pelo menos uma ajudinha! E quero ver se esses dogs são tão radioativos como você diz, quero sair daqui com mais dois braços e barriga cheia de cogumelos duvidosos.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo nem escondeu a risada alta quando a garota começou a descrever seus amigos daquele jeito, realmente todos tinham aquela vibe de “maloqueiros skatistas”, certeza que era o mais burguês dado a escola que estudava sem bolsa, com o suado salário de sua mãe. Mas ficou ainda mais animado quando ela acertou o esporte embora não lembrasse o nome, sorriu de mostrar os dentes, mantendo a animação, enquanto erguia a mão pra acenar negativamente:<br />
<br />
-- E eu já não dei dica? magina dizer o nome assim na lata, quero ver você tostar os neurônios. - brincou, se aproximando de uma barraquinha de cachorro quente, que tinha o cardápio inspirado em super heróis e o sanduíche vegetariano era de um verde digno do Hulk: -- Mas ‘cê tá certa, é o esporte de pulinhos mesmo, mas você vai se surpreender aqui em Cerise tem muitos grupos de atletas de rua, desde skate, BMX, patins para além de parkour, você também acha o povo jogando futebol, vôlei e basquete nas quadras da praça ou na praia -- o ruivo se aproximou pedindo o seu sanduíche verde radioativo, e puxou um dos cardápios pra mais nova amiga fazer seu pedido, deixou pago e indicou a mesa em que iria sentar:<br />
<br />
-- Mas me diz Zoe, você tem mo jeitão de ser super competitiva com esporte e essas coisas, mas tirando seu perfil atleta dominadora dos pódio e das medalhas, porque ‘cê veio parar em Cerise? Ou eu vou ter de marcar na sua agenda de entrevistas da semana pra saber esse tipo de informação? -- o ruivo brincou, mantendo o ar animado, puxou o celular brevemente do bolso conferindo se não tinha nenhuma mensagem urgente, pra logo devolver o mesmo ao bolso e dar atenção total a sua nova companhia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O ruivo ferrugem estava no seu fim de semana, e a última coisa que precisava era ficar em St. Clavier, trabalhava de segunda até sábado de 12hs, a partir de 12:01, aí era hora de folgar, e depois de tirar o uniforme da academia masculina pra por uma roupa confortável, calça folgada, barra dobrada, tênis coloridos, camisa estampada, uma xadrez por cima, pulseiras, colares, um boné com bottons, tirou a poeira da bike e rumou para o centro, onde costumava encontrar os outros amigos dos esportes radicais. A última coisa que queria era ficar de bobeira nos lugares onde poderia encontrar com Monique ou as meninas de Limoges que eram amigas dela, ainda estava de cabeça cheia, e as férias de verão tinham sido uma encheção de saco. Queria ter descansado, mas parecia que estudar era pra descansar e férias era pra passar raiva.<br />
<br />
Quando chegou as praças da parte antiga do centro, já conseguia ouvir o som do contato das pranchas de skate com o chão, e era um som gostoso que estava com saudades de ouvir. Se aproximou em tempo de ver Fred terminando uma manobra que sabia que ele estava treinando a algum tempo e vê-lo conseguindo executar era uma maravilha:<br />
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-- Wow, vejam quem conseguiu finalmente fazer aquela manobra.-- Riu de forma divertida, sentado na bike, um pé plantado no chão enquanto as pessoas conhecidas, lhe reconheciam depois de um meses sem ver sua cara.<br />
<br />
-- Wow digo eu! Você tá vivo? Yure!! Onde você se meteu? -- Jan perguntou seco, largando a bike dele para se aproximar do amigo, que trocou cumprimentos e sorrisos. <br />
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-- Eu faço a manobra, e quem chama a atenção é você? Exibido…! - Fred comentou carrancudo.<br />
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-- Eu também tava com saudades de você Fred. -- Yure jogou um gracejo rindo divertido, o que fez Fred corar e fazer uma cara de irritação imediata.<br />
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O ruivo fingiu que não viu, e desviou o olhar, tirando o boné, e fazendo um aceno para Marcelo que estava longe de fone, e o amigo cumprimentou de volta em silêncio. <br />
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-- E aí, voltou pra ficar? ou vai sumir de novo? Melhorou do pé? -- Jan disparou perguntas na direção do ruivo, no que ele apenas acenou positivo, negativo, e positivo de novo.<br />
<br />
-- Tô novo, fiz uma mini cirurgia no início de Junho, repousei até agora, mas tô indo no médico fazer fisioterapia, mas tô novo. -- Brincou, e fez Fred e Jan se entreolharam e depois sorrirem mais animados com a boa notícia.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
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Cerise era um lugar muito interessante, a primeira semana de aulas passou muito rápido e logo era sábado novamente, depois de ter as aulas do dia, almoçar como um ser humano decente e tomar um ótimo banho, a garota platinada decidiu queimar toda a sua energia acumulada com seus patins e aproveitar para conhecer um pouco mais dos novos lugares. Colocou seu short de ginástica preto preferido e uma camisa clara com ampla abertura das mangas, mostrando um pouco do seu top esportivo, um colar simples com a letra Z em um pingente, deixou os cabelos soltos para que os fios pudessem respirar, porém sempre com um elástico de cabelo no pulso, sabia que seu cabelo ia parecer um pouco maluco mas não se importava. Colocou seus patins vermelhos, fones de ouvido e se aventurou nas ruas pouco conhecidas.<br />
<br />
Como esperado, as casas e ruas se tornaram estranhas, e o aspecto de história conservada do local estava mudando à medida que se aprofundava, não que fosse algo que preocupe a garota, ainda estava muito cedo e podia pedir informação para qualquer pessoa, embora seu francês ainda tivesse um pouco do seu sotaque britânico, Zoe tinha orgulho dele. Guiada pelo ritmo das músicas seus passos mudavam e a mesma cantarolava à batida, sentar a manhã inteira e escutar várias pessoas dando aula não era seu ponto forte.<br />
<br />
Considerando suas opções, a adolescente decidiu se aproximar do garoto mais chamativo do grupo, ele parecia ser o centro das atenções no momento, se não ele, quem seria melhor? A passos curtos, acenou para o garoto ruivo e iniciou a conversa em francês.<br />
<br />
-Ei ei, Ruivinho! Desculpa atrapalhar a sua conversa com seus amigos fofos, só preciso de informação, haha! Eu sou meio nova aqui e inventei de perambular pela cidade e agora sei nem onde eu tô hahah! 'Cê sabe me dizer o caminho de volta pra Limoges? - Parou perto do garoto, passando a mão nos cabelos bagunçados do vento enquanto ria, o sorriso amigável não saindo um segundo de seu semblante animado -  Se você não souber é tranquilo! mas me diz que sabe pelo menos onde eu acho o metrô, porque se for depender da minha internet eu vou ter que dormir por aqui. Por um problema com a reprodução aleatória das músicas, a adolescente parou e se viu forçada a se perguntar onde tinha se metido, parecia uma parte totalmente diferente da cidade, não tinha nem certeza se o metrô sequer passava por lá. <br />
<br />
Guardando o fone no bolso do short, patinou um pouco mais pelas ruas em busca de alguém para pedir informação, o sinal de vida foi encontrado pelo som de skatistas, o que trouxe um sorriso imediato no rosto de Zoe, se aproximou e olhou com atenção a praça em que os garotos tinham se reunido, era o lugar perfeito para aquecer as manobras que ainda lembrava, depois de perguntar sobre a localização do lugar, claro.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O ruivo estava jogando conversa fora com Jan e Fred, que já tinha lhe perguntando duas vezes se iria mesmo manter o cabelo mais curto e como o cabelo mais comprido parecia legal, ele estava quase lhe paquerando e achava aquilo fofo, considerando que não sabia de nada do amigo ter saído do armário, mas estava solteiro, então, quem sabe, desse bola pras conversa, ou não? Estavam falando sobre a possibilidade de salsichas causarem mutação e se com uma perna a mais seria mais fácil fazer manobras ou mais difícil. Quando uma voz diferente chegou aos seus ouvidos lhe chamando de ruivinho, estava sentado ainda sobre a bike, e virou o rosto na direção da voz para encarar um rosto completamente novo, a voz carregada de sotaque britânico, bem fácil de reconhecer por estudar em St. Clavier e lá ser cheio de gente gringa.<br />
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-- Quem é você garota? -- Fred se adiantou, porque ele tinha essa mania de ser adiantado pra falar as coisas. Yure sorriu na direção da jovem, que parecia mais nova que o próprio ruivo:<br />
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-- Espera um pouco Fred, você é o amigo fofo, ela falou com o ruivinho aqui. -- brincou com o amigo de longa data, fazendo-o ficar vermelho de raiva, diante dos gracejos de Yure.<br />
<br />
-- Eu sou o Jan e sou com certeza o amigo fofo, o Frederic, é meio carrancudo, mas é fofo, e o ruivinho é o Lukashenko.<br />
<br />
-- Tu me apresenta com meu pior sobrenome, cara, que é isso! -- o ruivo reclamou, sem de fato estar com raiva.<br />
<br />
-- Podia te chamar de “Clarque” o que acha? -- Jan rebate.<br />
<br />
-- Você pode me chamar de Yure, e você tá em Pourpre, tipo, ‘cê acabou de sair de L’Encre, ou seja, acabou de sair do centro bonito, pro centro velho, aqui ainda é suave, eu e os meus “amigos fofos” costumamos andar por aqui sempre, mas se realmente precisar de uma carona pra voltar, eu posso te ajudar.<br />
<br />
-- Já se escalou de novo pra dar carona pras gurias, pelo amor de deus Yure. <br />
<br />
-- Hey Fred, ela pediu ajuda, tô de bike, coisa mais fácil do mundo é dar uma carona, custa nada.<br />
<br />
-- Pensei que ‘cê não ia mais querer chegar perto de Limoges. -- o amigo disparou a indireta, pra ver se o ruivo desistia da ideia, mas ele nem se abalou, manteve o sorriso no rosto, embora tivesse ficado internamente chateado.<br />
<br />
-- Que nada, relaxa, tô tranquilo. Qual teu nome figura? -- o ruivo perguntou diretamente para a garota nova na cena.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
<br />
Foi recebida com uma pergunta sobre quem era de um dos garotos, não estranhou, no fim tinha invadido uma área que nem conhecia, achou a voz cativante e não cortou contato visual com ele, embora sua expressão mostrasse irritação de certa forma.<br />
<br />
- Eu? então né, se for na Questão filosófica eu não sou ninguém! haha, brincadeira brincadeira eu não lembro de sequer um assunto de filosofia  para parecer inteligente agora, mas achei os seus olhos muito bonitos, combinam bastante com o seu rosto - sorriu contra a carranca do outro, o ruivinho que queria conversar logo tinha interrompido o amigo, reafirmando o apelido dado. Outro dos amigos se apresentou, trazendo uma risada da garota, o mesmo dando o ar da graça à situação - Lukashenko né? Queria só ver você tentando escrever isso quando era mais novo! Vocês podem me chamar de Zoe, é um prazer conhecer vocês Jan, Yure e Freddy, posso te chamar de Freddy?? Aliás, ALGUÉM já te chama de Freddy? Desculpa eu gosto de conversar - botou os dedos à frente da boca num formato de X, para que Yure pudesse dar as direções.<br />
<br />
As direções foram diretas e claras, mesmo que tivesse escutado tudo com cuidado, os nomes não estavam passando ideia alguma de lugar, sabia que eles representavam algo, aquela informação aguardando na ponta da língua que sempre insistia em fugir dela. Fez uma expressão pensativa enquanto tentava lembrar os nomes, entrou no seu pequeno mundo confuso apenas para escutar o mesmo oferecer uma carona, essa palavra ela já lembrava.<br />
<br />
- Eu não quero ser intrometida, mas me conhecendo e vendo que já atrapalhei a conversa de vocês, não vejo mal algum eu pegar uma carona com você, já que 'cê parece ser famoso por aqui Yure - pegou o elástico do pulso e prendeu os cabelos bagunçados, já se sentindo em casa.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo com certeza achou o sotaque da garota uma gracinha, principalmente porque ela parecia do tipo tagarela, mas não esperava que ela jogasse um gracejo diretamente para Fred que nem soube como reagir diretamente aquilo, e como se não bastasse ela ainda tinha lhe arrumado um apelido carinhoso. No mesmo momento o garoto de pele bronzeada e cabelos escuros ficou vermelho até as orelhas, e sabia pelo menos que ele devia ser no mínimo Bi, porque tanto garotas quanto garotos tiravam o fôlego do amigo:<br />
<br />
-- Erh… bem, eu… não, ninguém nunca me chamou de Freddy, e… obrigado? -- Fred tirou o boné que usava amassando a peça entre as mãos, o cabelo escuro desgrenhado, e desviou o olhar para não ter de encarar a nova garota.<br />
<br />
-- Olha só, Zoe tem o poder de fazer o Freddy perder as palavras, você têm de andar mais com a gente, assim ele reclama menos e fica mais amigável! -- Tanto Jan quanto Yure riram, e Fred se afogou ainda mais no rubor que agora tinha certeza que tinha chegado no pescoço do rapaz: -- Então suave Zoe, já foi carregada em bicicleta? Então, essa bike é feita pra manobras então o quadro dela é baixo, o jeito deu te dar carona é você ou sentando no guidão da bicicleta ou indo em pé usando esses suportes das rodas, que a gente usa pra fazer manobras paralelas, o que for mais confortável pra ti.<br />
<br />
Antes que seguisse com as explicações, Fred que tinha ficado calado por alguns instantes, tinha arrumado um papel e caneta sabe-se lá de onde, e anotou o número de telefone dele pra entregar para a menina nova: -- Me manda mensagem, e aí a gente pega pra andar de patins por aí. Bem vinda a Cerise.<br />
<br />
Depois de entregar o número o rapaz se afastou e Jan apenas riu do jeito tímido com que o amigo tentava fazer novas amizades: -- Falou Zoe, apareça mais vezes, juízo aí Lukashenko.  -- o rapaz mais novo se afastou para não deixar Freddy sozinho, e para tirar mais um pouco com a cara dele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
As reações do garoto eram muito divertidas, com apenas um pequeno elogio o garoto ficou todo vermelho e sem jeito, retirando até mesmo o boné, uma gracinha que deixou a garota com vontade de morder, mas como devia se comportar como uma pessoa com o mínimo de juízo deixou o pensamento para lá.<br />
Os amigos não perderam tempo para brincarem com a situação, soltando um leve convite para aparecer mais vezes. Com a promessa da carona, Zoe olhou para os próprios patins pensando numa melhor alternativa de ir na bicicleta no ruivinho. – Hm... Eu acho que com esses patins eu não me confio nos suportes, está na hora de testar suas habilidades de carteira de direção com um obstáculo na sua frente, Yure – brincou enquanto fazia um coque no cabelo, não queria mais um acidente por conta dela tão recentemente.<br />
 Antes de sequer pensar como sentaria na bicicleta, o novo ‘’tomatinho’’ voltou para entregar o número de telefone, deixando aberto um futuro convite de patinação antes de se afastar novamente. – Own, mal cheguei e já consegui um número? Tô com sorte então, pode deixar! Espero que goste de mensagens de bom dia e boa noite – terminou com um sorriso brincalhão, adicionando o contato com o nome ‘’Freddy’’ seguido de um emoticon acanhado, facilitando a identificação dentre os outros nomes na agenda. <br />
– Adeus Jan, Freddy! Encontro vocês por aí novamente, foi ótimo conhecê-los! Boa sorte tendo juízo comigo do lado – se despediu e virou a atenção para Yure, esperou ele subir para tomar seu lugar na frente da bicicleta e se apoiar, oferecendo um fone de ouvido para ele – Se quiser ouvir alguma coisa no caminho enquanto conversamos, minha playlist é toda sua como forma de agradecimento, e se quiser me passar teu contato quando a gente chegar pra quem sabe um rolezinho, não tenha vergonha – riu antes de colocar um dos fones e colocar novamente as músicas no aleatório com o volume mais baixo para poder escutar o que o outro tinha a dizer.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo observou toda aquela troca de gracejos, Freddy era definitivamente fofo, e a garota nova bem conseguia desestabilizar o ânimo do amigo, seria uma boa companhia pelo visto. Yure ficou surpreso pela escolha da garota de ir bem sentada justamente no guidão, o que fazia com que eles tivessem de ficar mais próximos: -- Tranquilo, pode por no aleatório, só vou te encher depois se eu gostar de alguma banda nova, e vou lhe culpar veemente se eu ficar fissurado. -- brincou, já começando a carregar a mais nova, apenas se atentou de posicionar as mãos no ponto mais distante de onde ela estava sentada para não ocorrer nenhum acidente desconfortável, e pedalou com força mantendo apenas a proximidade necessária para tornar o passeio confortável, sem se aproveitar daquilo para ficar encostando desnecessariamente na garota:<br />
-- Assim, se você não tiver com pressa o rolezinho pode ser agora, se não fosse seu aparecimento, eu ia seguir falando que salsichas causam mutação, tipo braços nas costas por mais uns 30 minutos com Freddy e Jan, depois ter de pedalar de volta pra St. Clavier,-- comentou em um tom bem carismático e agradável, falando mais devagar do que o costumeiro, por não saber o quanto de francês a guria conseguia absorver: -- temos tempo pra conversar, diga, já sei que pelo sotaque você é inglesa, mas veio fazer o quê em Cerise?<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Riu com o comentário do ruivo caso gostasse das músicas.- Se você acha que isso é ruim imagina eu te mandando mensagens de madrugada para te contar um fato aleatório ou informação inútil que eu lembrei sobre as bandas, espero que tenha sono pesado ou que esteja preparado para ser meu coleguinha noturno.<br />
O vento no rosto era confortante e a companhia agradável, depois de semanas de confusão, incerteza e perda, um momento de descontração veio como um gole de ar fresco. Não era como se quisesse esquecer de toda a situação, pelo contrário, lembrava claramente dos discursos dos médicos e das consequências não só em si, mas na vida de sua mãe, só queria mais momentos como esse em que podia relembrar de se preocupar em ser uma adolescente com preocupações bobas e grandes sonhos.<br />
Sorriu ao ouvir as teorias das salsichas mutantes e convite para estender o passeio, o garoto se preocupava até se ela o estava entendendo. Virou o rosto para ele e respondeu num tom animado- Já que você falou e eu não tenho motivo para negar não vejo porque não! Não que a gente também não possa teorizar sobre as salsichas, claro. Eu fiquei curiosa.<br />
 O garoto acertou de primeira de onde era e perguntou o que fazia em Cerise, sentindo um pequeno calafrio nas costas levou uma das mãos à uma das cicatrizes na nuca, nunca perdendo a energia alegre- Hm... Vamos fazer assim, que tal você adivinhar? Se você acertar eu te pago um refri já que você está pedalando, eu vou te dar uma dica, ta bom? hm... deixa eu ver...Ah, Sua dica é; Esses bracinhos não são assim para ficar de enfeite hahah! eles vem de anos de treino.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
Enquanto o ruivo pedalava, já pensava mentalmente onde poderia levar a garota, pelo gosto por refrigerante e salsichas ela seria muito do povão e gostaria daqueles dogões lixoso, conhecia vários, só tinha de escolher um onde pudesse comer também. O ruivo riu abertamente de ser chamado para conversar no meio da noite sem aviso, e realmente parecia que tinha achado uma companhia agradável para dividir tempo. Virou uma esquina enquanto pedalava, já entrando numa das ruas que tinha fachada de prédios mais antigos que tinham sido restaurados e dava a cidade de Cerise o ar bucólico que a tornava turística.<br />
-- Já que o assunto é salsichas radioativas e você provavelmente vai me dever um refrigerante, eu conheço um dogão com opção vegetariana que é um supra sumo de comida radioativa desse lado da cidade. Mas pelo menos tem versão de sanduba com uns cogumelos duvidosos. - O ruivo riu entretido, enquanto seguia pedalando sem pressa num ritmo confortável para que pudesse ouvir a música da playlist da mais nova amiga, e pudessem conversar amigavelmente. <br />
-- Jogo de adivinhações é um ponto que eu até manjo viu. - brincou, observando a forma como a mais nova levou a mão a nuca imediatamente como se estivesse protegendo aquela área: -- Eu já tinha notado pelo seu porte físico que você é atleta, pelo fato de você conversar tão bem mesmo com gente estranha, deve ser um esporte que requer exposição à público. -- O ruivo reduziu mais o ritmo da pedalada olhando para o caminho agora sem encarar Zoe: -- Você tá sorrindo, mas parece meio nervosa, talvez seja um esporte que você tenha que sorrir mesmo que seja algo dolorido... Hmmm… Chutaria balé, mas nenhuma academia tradicional teria uma bailarina com cabelo de duas cores, então vou chutar o mais próximo que é ginástica artística. Se você tivesse mais coxas que braço, meu chute seria patinação artística. <br />
O ruivo brincou parando em uma praça cheia de pequenos carros de lanches, com mesinhas pequenas para duas pessoas, local arborizado e bem ventilado devido ao ar marítimo vindo da praia: -- Ah, e eu prefiro suco à refrigerante, eu não consumo açúcar. E vamos  lá, sua vez de adivinhar alguma coisa sobre mim, você já sabe que eu pratico bike, mas eu faço outro esporte de rua.  E essa é a minha dica.  - O ruivo alargou ainda mais o sorriso, esperando que a garota descesse da bicicleta pra poder prender a mesma no local apropriado para bikes.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Ficou calada enquanto escutava o ruivo facilmente adivinhar o que fazia da vida, um bico se formou no instante que ele citou a comparação entre suas coxas e braços, que aparentemente deram na cara. <br />
- Ei você deve ter lido em algum lugar né? Injusto isso aí, nem errou! Se eu não tivesse montada numa bike eu ia cutucar você hein, mas trato é trato, te devo um sucão maroto.<br />
Riu abertamente enquanto encarava o garoto, imaginava que ele deveria ter um rosto bem bonito se a voz e a atitude dele fosse um belo referencial, a capacidade de reconhecer rostos fazia bastante falta nesses momentos.<br />
Ao chegar na praça, esperou que o seu novo ''guia turístico'' parasse e desceu com cuidado da bicicleta, patinando para a calçada, a sua vez de adivinhar o que ele fazia foi respondida com um sorriso malandro.<br />
- Hmmmm eu não sou tão observadora quanto você, mas vamos ver... Vindo do fato que você tem essa bela confortável bicicleta e preferiu um boné do que capacete e aqueles coisinhas que você pode colocar nos joelhos e cotovelos, já deve fazer esportes a um tempinho, você não tá usando nenhuma roupa esportiva então imagino que não precise, seus amigos parecem se vestir parecido e tem aquela vibe de skatistas também. Que eu lembre não deve ter muitos esportes de rua, então deve ser um bem conhecido, né? hm, eu vou chutar...hmmm... deixa eu ver, qual o nome daquele esporte dos pulinhos? que você corre e pula na parede e essas coisas, que são tipo obstáculos mas do lado de fora, me ajuda com o nome!! -Começou a rir por não lembrar o nome do esporte, olhando para o garoto pedindo ajuda.<br />
- Você já acertou, mereço pelo menos uma ajudinha! E quero ver se esses dogs são tão radioativos como você diz, quero sair daqui com mais dois braços e barriga cheia de cogumelos duvidosos.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo nem escondeu a risada alta quando a garota começou a descrever seus amigos daquele jeito, realmente todos tinham aquela vibe de “maloqueiros skatistas”, certeza que era o mais burguês dado a escola que estudava sem bolsa, com o suado salário de sua mãe. Mas ficou ainda mais animado quando ela acertou o esporte embora não lembrasse o nome, sorriu de mostrar os dentes, mantendo a animação, enquanto erguia a mão pra acenar negativamente:<br />
<br />
-- E eu já não dei dica? magina dizer o nome assim na lata, quero ver você tostar os neurônios. - brincou, se aproximando de uma barraquinha de cachorro quente, que tinha o cardápio inspirado em super heróis e o sanduíche vegetariano era de um verde digno do Hulk: -- Mas ‘cê tá certa, é o esporte de pulinhos mesmo, mas você vai se surpreender aqui em Cerise tem muitos grupos de atletas de rua, desde skate, BMX, patins para além de parkour, você também acha o povo jogando futebol, vôlei e basquete nas quadras da praça ou na praia -- o ruivo se aproximou pedindo o seu sanduíche verde radioativo, e puxou um dos cardápios pra mais nova amiga fazer seu pedido, deixou pago e indicou a mesa em que iria sentar:<br />
<br />
-- Mas me diz Zoe, você tem mo jeitão de ser super competitiva com esporte e essas coisas, mas tirando seu perfil atleta dominadora dos pódio e das medalhas, porque ‘cê veio parar em Cerise? Ou eu vou ter de marcar na sua agenda de entrevistas da semana pra saber esse tipo de informação? -- o ruivo brincou, mantendo o ar animado, puxou o celular brevemente do bolso conferindo se não tinha nenhuma mensagem urgente, pra logo devolver o mesmo ao bolso e dar atenção total a sua nova companhia.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Encontro de Ruivos [Yure]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=344</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:40:56 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=99">Evelyn</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=344</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
O período de se estabelecer na academia havia passado, e agora as aulas haviam finalmente começado e Evelyn não teve nenhum problema de se adaptar com o horário das aulas e o novo ambiente. Até mesmo o seu companheiro de quarto era uma figura interessante - quando não estava se lamentando e pedindo desculpas.<br />
<br />
Junto com o início das aulas, também houve o início das atividades dos clubes. Evelyn não poderia participar daqueles de atividade física, e eles também não eram do seu mínimo interesse. Bem sabia que podia fazer mais do seu tempo além de praticar esportes, e isso ficava à prova com os e-mails que recebia com propostas de projetos de fora. Então, entrando no clube de ciências, poderiam receber verbas e estaria fazendo parte de um clube.<br />
<br />
Procurou informação sobre o clube durante as aulas, e ficou sabendo por um dos professores que este estava inativo por falta de membros. Não sabia como funcionava o sistema de verbas nessa instituição, mas tinha quase certeza que precisaria do clube funcionando. O menor pediu indicações ao professor sobre como poderia fazer a reabertura do clube, e foi indicado a ir até o conselho estudantil. Pois bem, no final do horário de aula, fez caminho até a sala do conselho, que não foi muito difícil de encontrar. Também não tinha certeza de como era composto o conselho, mas pelas conversas de corredor que ouviu, “tranquilo” e “legal” eram elogios que se repetiam bastante.<br />
Bateu a porta antes de entrar e esperou uma resposta para entrar:<br />
<br />
— Boa hora. — o menor entrou, fechando a porta em seguida, sorrindo de maneira bastante automática e comercial. Usava o uniforme da instituição bastante alinhado, com os cabelos ruivos presos em um pequeno rabo de cavalo frouxo, apenas para que o calor não incomodasse tanto — Meu nome é Evelyn Newell, gostaria de saber algumas informações sobre um clube que se encontra inativo no momento, poderia me ajudar?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ano letivo recém tinha começado e em verdade estava bastante ansioso por esse momento, as férias de verão foram um limbo de preocupações com família e saúde, e queria desesperadamente voltar para aquele momento da formatura dos alunos do semestre passado, e segurar aquele sentimento deixado pelo secretário testa de ferro. Se sentia impelido a dar seu melhor para fazer o conselho funcionar da melhor forma possível.<br />
<br />
Tinha feito reunião com os membros ou a maior parte deles já que Adam não tinha dados as caras, mas já tinham acertado o orçamento do primeiro semestre, e estavam avaliando todos os gerentes que ficaram e quais tinham se formado, que precisavam ser substituídos, e antes de começar a botar todos os clubes para recrutar novos membros tinha de se certificar de que todos estavam com a papelada em dia.<br />
<br />
Yure tinha ido com o uniforme completo, já estava acostumado com o clima de Cerise então nem sofria tanto no verão, o blazer, gravata no lugar, tinha até se acostumado com os sapatos sociais, e o cabelo ruivo curto, recém cortado deixava-o sentir o vento na nuca. Estava sentado na mesa de presidente, achando ainda estranho estar na sala do conselho, sentado naquela cadeira, e esperando que o secretário entraria a qualquer momento na sala. Naquele mesmo instante a porta se abriu a voltou sua atenção pra a mesma, a expressão de leve surpresa, até se dar conta que era um aluno buscando por sua ajuda.<br />
<br />
Se levantou de onde estava, abrindo um sorriso amplo e amigável, de pé, o rapaz realmente parecia um calouro do primeiro ano, por ser pequeno, estava desacostumado q olhar as pessoas de cima, mas quando ouviu o nome não lhe soou estranho, talvez já tivesse passado o olho na ficha dele naquela semana:<br />
<br />
-- Eu sou Yure Clarke Lukashenko, você pode me chamar apenas por Lukashenko.-- estendeu a mão para cumprimentar o menor e ofereceu espaço junto a sua mesa para que o menor sentasse, mas ao invés de se tarde do outro lado da mesa, sentou na poltrona do lado par que não houvesse uma mesa entre os dois: -- Nós temos muitos clubes inativos e por vários motivos, a depender da situação do clube que quer reativar, posso lhe instruir melhor em como proceder Newell.<br />
<br />
O ruivo cruzou a pernas de forma masculina, mantendo o sorriso no rosto, e estava num misto de felicidade e estranhamento por estar do outro lado agora, de quem prestava ajuda, e não de quem ia pedir socorro ou levar detenções.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Abriu a porta para dar de cara com a primeira parte de uma sala grande e bastante ampla. Tinham mesas separadas que Evelyn pode apenas supor que deveria ser de cada membro do conselho, e em uma delas estava um rapaz ruivo ferrugem, que se levantou assim que Evelyn entrou, sorrindo e lhe estendendo a mão.<br />
<br />
— É um prazer conhecê-lo, Lukashenko — aceitou o cumprimento, agora que ele havia ficado de pé, a diferença de altura era evidente. Se continuassem conversando em pé por muito tempo, provavelmente ficaria com torcicolo.<br />
<br />
O acompanhou quando ele ofereceu que Evelyn se sentasse em uma das duas cadeiras que ficavam opostas a mesa, o que o menor aceitou, e o próprio ruivo ferrugem se sentou na outra, cortando significantemente a distância. Evelyn achava curioso a proximidade que ele oferecia, não irritava o menor, mas o fazia ligar os pontos por que as pessoas o definiam como “legal”.<br />
<br />
Julgou o outro rapidamente enquanto Yure terminava sua explicação, assentido positivamente quando ele terminou. Estava sentado bem confortável na cadeira, a postura reta e as pernas cruzadas.<br />
<br />
— Entendo, o clube que me interessando caso é o clube de ciências, Lukashenko — explicou, gesticulando brevemente enquanto falava — Primeiramente, no antigo internato onde estudava já participei de alguns projetos por fora que ofereciam verba para que fosse concluído, mas para isso era necessário que fizesse parte de um clube. Suponho que aqui seja da mesma maneira? — sorriu simpático, esperando que o outro acompanhasse a sua linha de raciocínio — Eu ainda estou recebendo novas propostas, mas sem um clube não vai ser possível. Como também não posso participar dos clubes de atividade física, certamente o de ciências seria o ideal na minha situação.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo observou com atenção o aluno a sua frente, pela forma com que ele falava, polido demais pra ser um aluno do primeiro ano, não era tímido, e parecia muito a vontade em falar sobre burocracia, principalmente se tratando de verba e investimento. Poderia chutar que ele era um aluno do segundo ano? Quem sabe algum outro geniozinho como seu amigo Nan-li? Não divagou demais pra não deixar fugir as informações dadas pelo outro, mas mudou de expressão quando ele lhe informou que não poderia participar de clubes de atividades físicas e apenas os de ciências seriam os ideais. Ficou claro nas expressões do ruivo que algo na segunda sentença tinha lhe chamado atenção, mas logo voltou ao sorriso amigável, descruzou as pernas e estendeu a mão até a mesa puxando alguns dos papéis do escaninho, passou as fichas e logo achou a do rapaz:<br />
<br />
-- Ah, por isso eu estava com a impressão de já ter ouvido seu sobrenome, a sua ficha já chegou aqui, junto com as demais, com requisição de dispensa dos clubes de educação física. -- Separou a ficha do rapaz, e recolocou as demais de volta ao seu lugar, pós a ficha no colo e abriu, e logo de cara viu que o jovem a sua frente era do terceiro ano, e mais, estava um ano na sua frente, a expressão de surpresa retornou a face do ruivo mais velho, mas abriu um sorriso mais de canto de boca:<br />
<br />
-- Bem, o procedimento na Academia St. Clavier, para reabertura de um clube não é tão complicado, que eu me lembre, o clube de Ciências não foi punido, logo, ele estava fora de atividade provavelmente por falta de membros ativos. Embora nós tenhamos alunos com destaque na área de ciência, é quase tragicômico. -- manteve o ar leve, e fechou a ficha do rapaz a sua frente, para poder observa-lo diretamente: -- Você vai assinar um documento, fazendo um pedido formal de busca pelo Clube, o que vai indicar seu interesse a instituição, logo, nós do conselho, faremos uma busca pra saber o motivo que foi registrado para a descontinuidade do clube, isso leva um ou dois dias de processo interno, em seguida, ele é colocado na lista de clubes para possível reabertura, porque a verba para clubes é limitada, e o orçamento é aprovado, e deixamos apenas uma pequena porcentagem destinada para que grupos que estão inativos possam retornar. Na reunião semanal, o Conselho discute quais clubes são mais promissores para o ano, baseado nas justificativas de reabertura e no número de pedidos para o retorno. A dessa semana já ocorreu, logo, isso vai entrar na pauta da semana que vem. Após isso, é feita a chamada para gerentes, que nunca pode ser um aluno do primeiro ano, e têm de ter o tipo de perfil de estudante para gerente, é feita uma avaliação dos pedidos na semana seguinte, e então na primeira semana de Outubro, todos os clubes ativos, estão livres para chamar novos membros para as atividades do ano.<br />
<br />
Acabou sorrindo de um jeito levemente mais descontraído, depois de perceber que tinha falado demais, não tinha como conter seu jeito falastrão: -- Se eu estiver explicando ou falando muito rápido é só avisar, que eu diminuo o ritmo. Todas essas informações que eu falei, estão disponíveis no portal do estudante de St. Clavier, e no guia impresso que todos os alunos recebem assim que se instalam nos dormitórios. Alguma dúvida?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
O menor estava sentado na cadeira bastante confiante, na verdade sua postura e maneira de falar passavam bastante uma ideia de confiança. Não tinha receio de perguntar e falava com bastante segurança até mesmo sobre as dúvidas que tinha. Enquanto explicava seu ponto, observava as reações do outro para tentar ter uma ideia se estava falando algo que deixaria ele confuso ou não. Conseguiu perceber quando o outro estranhou algo em sua fala - também, difícil seria se não percebesse. O outro ruivo era bastante expressivo, o que era bom. Gostava de falar com pessoas que era expressivas ou diretas.<br />
<br />
- Ah, que bom. Foi bem rápido então. Ficou feliz que não houve maiores problemas - respondeu despretensioso, porém um pouco aliviado. Já tinha tido problemas com requisição de dispensa em outras situações. Aparentemente todo o processo burocrático também era bom em fazer documentos sumirem, ou chegarem com dois meses de atraso. Achou curioso a cara de surpreso do ruivinho quando passou o olho em sua ficha, mas conteve a graça da situação e manteve a postura educada.<br />
<br />
Escutou a explicação do ruivo ferrugem, ele falava bastante rápido, mas felizmente seu francês era bom o suficiente para conseguir acompanhar. Apesar de bastante educado, Lukashenko era bastante descontraído na fala, até comentando sobre a infelicidade do clube de ciência como “tragicômico”. Prestou atenção no passo-a-passo que foi instruído, dando breves “ahams” como garantia que estava prestando atenção no que ele falava. Aparentemente, o processo ainda demoraria mais algumas semanas até que finalmente o clube fosse ficar ativo novamente. Levou a mão até o rosto, batendo o indicador na ponta do queixo enquanto pensava sobre as possibilidades. Será que teria como adiantar esse processo?<br />
<br />
- Não, eu consegui entender perfeitamente. Agradeço pela explicação - respondeu, bastante educado. Afinal, se havia no portal e no manual, não havia a necessidade dele ter explicado todos os pontos - Mas se me permite, já que possuo possíveis patrocinadores, isso não iria auxiliar sobre a questão da verba do clube, ou isso é uma situação à parte?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
A falta de movimentações vinda do outro, lhe dava alguns indicativos de como o outro era, ele devia ter tido uma educação bem regrada, a ponto de manter-se durante tanto tempo parado, a forma como ele falava, ele parecia mais velho a cada sentença falada. Agora podia confirmar que ele era mais velho do que aparentava e bem mais inteligente do que podia checar só olhando na ficha. Yure manteve o sorriso fácil no rosto, agora balançando de leve a perna, apenas porque estava ficando parado na mesma posição a muito tempo, e diferente do outro, tinha TDAH, então precisava se mover, puxou uma caneta de um dos porta objetos para movê-la na mão entre os dedos de forma discreta, apenas para descarregar um pouco de energia. Sorriu diante da colocação do mais novo, ele devia ser mais novo que Yure, não era? E cessou o movimento da perna:<br />
<br />
-- É uma boa colocação a sua, e era justamente onde eu iria chegar. -- alternou as pernas que estavam cruzadas, mudando de posição e encarando o rapaz a sua frente, mantendo o sorriso fácil no rosto, e a postura confiante que tinha: -- No seu caso, há um interesse externo, porém, essa verba só pode ser captada por clubes ativos, é impossível receber dinheiro para um clube inativo, porém, se no seu documento de justificativa constar que o interesse desses patrocinadores é urgente, isso muda o cenário todo.<br />
<br />
O ruivo esticou a mão até a mesa dessa vez para virar o monitor na direção do rapaz que estava a sua frente, puxou o teclado e o mouse para que pudesse usar na posição que estava, e então digitou na busca para o modelo de memorando padrão que era usado no conselho estudantil: -- Aqui, justamente nesse campo, e nesse tópico, você informa os dados principais da empresa patrocinadora, pode anexar uma cópia dos e-mails que eles tenham lhe enviado para endossar seu pedido, assim, quando recebermos esse material, nós já colocamos no sistema como urgência. <br />
<br />
O ruivo, mostrou o sistema interno apontado a área e os caminhos de para que outros setores esse memorando iria, e como ele seria recebido, de forma a fazê-lo circular mais rápido para retornar ao conselho e a reabertura do clube fosse aprovada: -- Resumindo, se não houver contestação de nenhum setor, o que é uma possibilidade remota se você preencher tudo adequadamente, ainda essa semana seria feita uma reunião emergencial para decidir o caso, e colocaríamos um gerente provisório, indicado pelo próprio conselho estudantil, que pode até ser um membro do mesmo, para garantir que haja celeridade no processo de documentação, e então semana que vem, você teria seu clube ativo e operante para receber patrocínio.<br />
<br />
Sorriu agora mais convencido, de estar fazendo um bom trabalho ali, e tornou a mover a caneta entre os dedos: -- É do interesse da instituição que os alunos ganhem expressão para além das paredes dessa escola, então muito provavelmente não haverá qualquer objeção sobre o seu pedido. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Estava acostumado com dois tipos de pessoas quando o assunto era problemas burocráticos: a primeira, alguém extremamente competente porém extremamente chato ao mesmo tempo, que não tinha paciência para contestações; e a segunda, pessoas que só estavam lá por serem boas em falar com as outras, não exatamente de resolver problemas. O que estava à sua frente, Lukashenko, parecia ser um misto dos dois tipos. Não que fosse único, mas certamente era difícil de encontrar. Além de tudo, ele tinha um ar convidativo. Se perguntava que tipo de cargo ele estava ocupando, apesar de já ter algumas suposições.<br />
<br />
Sorriu quando ele disse que a situação mudava completamente quando havia a presença de um patrocínio. Isso certamente colocava um sorriso suave no rosto do ruivo menor, um destaque na expressão séria e o sorriso comercial que estava usando antes. Seguiu novamente as instruções, anotando mentalmente o que teria de fazer quando pegasse o dito memorando. A última coisa que iria querer é puxar o celular e fazer anotações enquanto o outro falava, achava um tanto desrespeitoso, mesmo que fosse para não se esquecer dos detalhes.<br />
<br />
Ao fim da explicação e uma previsão que até a próxima semana teria o clube ativo e poderia por os projetos em andamento, ficou clara a felicidade nos olhos do ruivo menor, mesmo que ainda estivesse mantendo a mesma compostura, apenas trocou a perna que estava cruzada, já que estava assim há algum tempo:<br />
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- Não vai haver problemas com o preenchimento do documento, Lukashenko. - o tom de voz não estava mais tão sério, um pouco mais amigável - Acredito que consigo trazer os documentos preenchidos pra você amanhã, ou no máximo no outro dia, mas farei o possível para não demorar na entrega - sorriu, se sentindo mais a vontade com a conversa sabendo que agora não teria problemas para conseguir o clube de volta - Desculpe se esta pergunta for muito óbvia, Lukashenko, mas qual o seu cargo no conselho? Fiquei surpreso com o domínio que você tem sobre os processos burocráticos, fico realmente agradecido pela ajuda.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Não foi difícil de perceber a satisfação no rosto do mais novo, e era fato, se ele tinha ido ali com toda aquela polidez, era porque esperava ser recepcionado por um monte de burocracia pouco funcional. Mas Yure estava muito determinado a fazer o melhor trabalho possível, claro, que nunca seria o Isaac, mas não deixaria o Conselho Estudantil deixar de ser funcional, disso tinha convicção. Acenou positivamente, quando o jovem lhe afirmou que arrumaria tudo em no máximo dois dias, não duvidaria se ele lhe entregasse isso hoje mesmo. Mas teve de arquear a sobrancelha quando o menor se desculpou por perguntar qual era seu cargo no conselho, aquilo foi engraçado, ele podia ser do terceiro ano, mas ainda era um Calouro em St. Clavier, alargou o sorriso, mantendo o mesmo carisma que tinha sustentado durante toda a conversa ali, até um pouco mais divertido do que os risos anteriores:<br />
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-- Não precisa se desculpar por isso Newell. Atualmente, eu sou o presidente do Conselho, acabei de assumir a gestão, sou aluno do terceiro ano. Embora, nós não estejamos na mesma turma, você está um ano na minha frente. -- Manteve o ar suave, colocando o modelo de memorando pra imprimir, junto com uma lista breve de documentos requeridos para o processo, e se levantando em seguida, para ir buscar o documento impresso para que fosse preenchido pelo rapaz : -- Eu estou apenas mantendo o nível de eficiência da gestão anterior, não precisa me agradecer por isso. Eu gosto de estar aqui e ser útil pros outros alunos.<br />
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Pegou os papéis, colocando um clipe, e passou marca texto, nos links que eram importantes, caso ele ainda mantivesse qualquer dúvida sobre o processo, e estendeu na direção do menor: -- Se me permite retribuir a pergunta, que pode soar um pouco óbvia, mas você já fez algum amigo desde que chegou em St. Clavier?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Esperava que ele não se sentisse ofendido pela pergunta que fez, o que felizmente aconteceu, e ele apenas pareceu um pouco surpreso pelas palavras do ruivo menor. O sorriso que ele devolveu para Evelyn davam mais a certeza que ele havia sido um candidato bastante popular.<br />
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-... Presidente? Nossa, se o restante da sua chapa for similar, devem ser pessoas bem curiosas. E é uma pena que não estejamos na mesma turma, gostaria que estivéssemos na mesma sala - admitiu, talvez a companhia de Lukashenko fosse boa de se ter por perto. Ele falava diretamente sobre os assuntos, sem muitos rodeios, e isso deixava Evelyn bastante tranquilo.<br />
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Observou o presidente do conselho organizar os papéis, colocar um clipe e marcar as partes importantes, estendendo para o menor e fazendo uma pergunta que pegou o terceiranista de surpresa:<br />
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-Amigo? Hm… - realmente parou para pensar, pegando os papéis e colocando sobre as pernas, demorou alguns segundos até dizer um breve “ah.” - Durante as aulas eu não tenho muito tempo para conversar, e eu prefiro estudar depois das aulas tambem. Mas eu tenho um companheiro de quarto, o francês dele é péssimo, mas conseguimos conversar em alemão.<br />
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A definição de “amigos” era um pouco perdida para Evelyn, por isso acabou se prolongando um pouco na resposta. A única pessoa que diria que é sua amiga seria Lettice por que, bem, era Lettice.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Não fazia tanto tempo que tinha assumido aquela sala como parte do conselho estudantil, mas o ruivo tinha adquirido o hábito de observar os alunos que iam lá buscar por ajuda. E diferente de Isaac que era muito denso pra entender as pessoas, Yure tinha um jeito empático natural, tinha aprendido um ou dois truques com um gringo uns meses atrás, mas estava convicto que conseguia observar os trejeitos das pessoas com mais atenção que antes.<br />
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Não foi difícil perceber a confirmação para suas palavras, sendo daquele jeito excessivamente polido e muito focado em estudar, duvidava muito que o jovem a sua frente já tivesse feito algum amigo. Ainda bem que estava lá para mudar aquele aspecto também. Estendeu a mão na direção do outro, como se tivesse acabado a conversa, o sorriso no rosto, e esperou que ele lhe retribuísse o gesto antes de falar qualquer coisa, apertou a mão do mais novo e um aceno, mas não largou tão logo:<br />
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-- Não seja por isso, agora você tem um amigo Evelyn Newell. Eu. -- sorriu mais feliz que antes, e finalmente deu espaço para o menor, soltando-lhe a mão: -- e sobre estudarmos na mesma sala, não se preocupe, o tesoureiro do Conselho Estudantil, está na mesma turma, vocês têm a mesma idade, por sinal. E os outros membros você vai ter tempo para conhecer, não se preocupe.<br />
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Brincou voltando-se ao seu computador para desliga-lo, em seguida, parou em pé, colocando a mão no bolso da calça, demonstrando uma linguagem corporal mais tranquila e menos formal: -- eu já terminei meu horário de serviço aqui, e temos tempo até o toque de recolher, quer sair e procurar algum lugar pra jantarmos? Aproveitamos e eu te mostro alguns lugares da cidade, eu sempre  faço isso com meus amigos.<br />
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Destacou o último ponto para reforçar que estava chamando o outro para sair não por mera formalidade, mas porque agora que eram amigos, ia chama-lo pra sair e passear para além da convivência em St. Clavier.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Não havia entendido muito bem a pergunta de Yure sobre amigos. Qual era o sentido naquilo? Ou melhor colocando, quem tinha tempo para fazer amizades com tantos estudos e investimentos para fazer? Claro, não era impossível, mas Evelyn preferia não se arriscar com isso, além do mais, tinha Letty ao seu lado, então estava tudo bem em não ter amigos.<br />
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Quando ele lhe estendeu a mão, entendeu a formalidade do final da conversa e o cumprimentou em um aperto. Porém, quando tentou se afastar, percebeu que ele não soltou sua mão, o que fez o ruivo menor olhar para o presidente do conselho com uma expressão confusa, até ele oferecer sua própria amizade, soltando sua mão. A surpresa do menor com o gesto foi tão aparente que levou alguns momentos para retrair a mão, porém ainda claramente com uma expressão confusa, tentou continuar a conversa:<br />
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- Eu… Agradeço? - começou, tentando ajeitar sua compostura sobre a situação - Fico feliz, tenho certeza que se são pessoas da sua confiança, posso igualmente confiar nelas. Estou ansioso para conhecer o seu tesoureiro. - Tentou manter a cordialidade diante da situação. Não sabia por que ele havia oferecido sua amizade tão repentinamente, mas a oferta certamente deixou Evelyn confuso e percebeu que suas respostas estavam também um pouco incertas.<br />
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Se levantou assim que ele fez o mesmo, e o presidente ruivo novamente foi rápido em fazer propostas inusitadas para o outro, tudo isso enquanto se mantinha bastante casual.<br />
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- Amigos. - reforçou, apenas procurando uma confirmação na fala dele - Normalmente depois de uma conversa burocrática, chamar alguém para jantar fora significa tratar de negócios extras. Mas no caso, quer sair como amigos? - cruzou os braços, perguntando diretamente pois precisava de uma resposta igualmente direta. O que ele ganharia com sua amizade? - Eu não tenho compromissos à noite, iria enviar alguns e-mails, talvez estudar um pouco, mas eles não precisam ser respondidos agora e posso aproveitar o horário comercial de amanhã de manhã. - Concordou, mesmo que um pouco relutante, com a proposta do outro. Conhecer novos lugares parecia uma boa ideia, quem sabe pudesse encontrar lugares para ir com Letty depois de se encontrarem? <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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As reações confusas de Newell eram um divertimento a parte, ele era realmente mais novo que o próprio ruivo ferrugem, e o fato dele ter tanto tato para falar com adultos, mas nenhum tato e desenvoltura para interações sociais mais casuais lhe divertia, talvez essa amizade fosse render? Provavelmente iria se divertir bastante isso era fato comprovado pelo que podia supor. Confirmou com a cabeça quando o mais novo repetiu a palavra “amigos” e depois acenou novamente quando ele precisou reafirmar todo o diálogo que acabaram de ter sobre a saída ser casual e não formal:<br />
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-- É um jantar casual, pra gente conversar trivialidades, se tiver qualquer coisa de trabalho que precisar tratar comigo, você provavelmente só vai se dar conta amanhã, quando for preencher a papelada, então só vim aqui e eu vou te ajudar. -- Comentou bastante tranquilo, passando o olho na sala, pra checar se precisava desligar ou fechar mais alguma coisa, puxou o celular de capa laranja, com adesivos metálicos, que tinha chaveiros bem divertidos e coloridos que contrastavam bem com a aparência de bom aluno que tinha; Se atentou de enviar uma mensagem no grupo que tinha criado pra o conselho, avisando que estava de saída e ia fechar a sala, indicando que tinha encerrado o expediente ali, para logo após tornar o aparelho ao bolso da calça: <br />
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-- Todos nós temos coisas da Academia pra fazer, eu tenho texto pra estudar do Clube de teatro, além dos exercícios de revisão que os professores sempre passam no começo do ano pra gente já pegar o ritmo de estudo, mas nada urgente do lado de cá também.<br />
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Pegou a bolsa de alça longa preta com alguns chaveiros barulhentos incluindo um guizo de gatinho e jogou sob o ombro, indicando para o menor lhe acompanhar e sair da sala para que pudesse desligar as luzes e fechar a mesma na chave:<br />
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-- E bem, se você ainda não têm amigos daqui da cidade, não deve fazer ideia de onde é bom ou ruim ir, lugares úteis, essas coisas, no geral, você pode ter todas essas informações por um catálogo turístico, mas venhamos e convenhamos, que conversar com outra pessoa é muito mais interessante que andar a esmo por aí. -- sorriu bastante confiante de que era uma ótima companhia para qualquer pessoa, principalmente em se tratando de bater perna por Cerise. <br />
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Antes de seguir de volta aos dormitórios, passou na sala do Conselho Disciplinar, deixando alguns documentos lá para Peyrac e parou para cumprimentar o amigo e trocar algumas brincadeiras sutis, antes de voltar toda a sua atenção ao seu novo amigo:<br />
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-- Bem, eu vou passar nos dormitórios para tirar o terno e por uma roupa mais confortável, a gente pode se encontrar na sala de convivência em 30 minutos, é tempo suficiente pra você? -- comentou bastante direto e sucinto já começando a entender que essa era a melhor forma de falar com o mais novo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Yure parecia bastante direto, até diria sincero, quando mencionou amigos. A ideia ainda era bastante alienígena para o ruivo menor, mas não sabia exatamente onde ele queria chegar com essa amizade. O que em Evelyn havia chamado a atenção dele?<br />
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- Trivialidades, certo. - repetiu, o que deveria ser muito engraçado para o outro, já que ele parecia entretido com o que o aluno respondia. Mas que tipo de trivialidades seria? As únicas que pensava eram coisas a ver com a academia em si - Sim, eu acredito que só terei duvidas na hora de preencher, de fato…<br />
<br />
Acompanhou o que o outro fazia enquanto falava, vendo ele puxar o celular que seria impossível não ver com a quantidade de coisas que tinha presas à ele, e só pode se perguntar se aquilo não daria algum tipo de problema no aparelho. Era o que tinha ouvido falar. Concordou quando ele comentou que todos tinham algo para fazer, ficou um pouco curioso sobre o tipo de texto que ele estudaria no clube de teatro, mas não perguntou no mesmo instante. Poderia conversar sobre isso no “Jantar de Trivialidades”, pelo menos teria um assunto para discutir. Apenas assentiu positivamente com a fala do outro, para garantir que estava prestando atenção no que ele dizia.<br />
<br />
O seguiu quando ele sinalizou que deveria, e esperou que ele desligasse as luzes da sala:<br />
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- Eu sei pelo o que os panfletos turísticos falaram, realmente, não tive oportunidade de conhecer melhor a cidade - concordou, não admitindo que em primeira instância não estava tão curioso a conhecer o espaço da cidade turística em si. Pensava mais em passar seu tempo dentro da academia estudando, como sempre - Eu acredito que deva ser. Especialmente se a dita pessoa já morar na cidade há algum tempo. - não sabia de onde o ruivinho era, se era mais um dos muitos alunos que vieram de fora, como o próprio Evelyn, ou se era nativo da cidade. De todo modo, morando lá há mais tempo, poderia apresentar os pontos melhor que andar perdido.<br />
<br />
Yure era bastante expansivo, era a primeira palavra que vinha para Evelyn descrever o outro ruivo, ele acabava sendo um tipo de pessoa que o alemão não tinha exatamente muito contato, então acabava ficando um pouco perdido em como reagir com uma pessoa tão solícita. Continuou o acompanhado pelos corredores, até ele ir para outra sala que seria a do Conselho Disciplinar. Preferiu esperar do lado de fora, dando espaço para que ele conversasse com o membro do outro conselho, que viu de relance ser um cadeirante. Quando ele saiu e voltou a sua atenção para o ruivo menor, assentiu positivamente à pergunta.<br />
<br />
- Sim, é tempo o suficiente, acredito que consigo ficar apresentável. - respondeu, já pensando em que combinação de roupas faria para andar sem muitos problemas por Cerise e sem sofrer com o calor - Sala de convivência? Certo. Não irei me atrasar, até daqui a pouco. - se despediu do outro e fez caminho até seu quarto, onde encontrou com o outro alemão e explicou por cima por onde iria.<br />
<br />
Trocou de roupa, já pensando em uma boa roupa casual para andar por Cerise e ainda poder andar por algum lugar. Optou então por um shorts preto, junto à uma camisa branca mais folgada e uma jaqueta jeans mais simples por cima, terminando o conjunto com um tênis preto. Como não estava mais usando o terno, preferiu então arrumar e deixar os cabelos ruivos soltos. Parecia ser uma boa combinação de roupas, ressaltava bastante a androginia que possuía, e assim não pareceria nem formal demais ou despojado demais. Se despediu do companheiro de quarto, e fez então seu caminho até a sala de convivência.<br />
<br />
Chegou na sala de convivência e esperou pela presença do outro, aproveitando para mexer no próprio celular, que tinha uma capa branca e nada preso ou colado como a do ruivo, e trocar algumas mensagens com sua amiga. No final, não se importava se os outros alunos olhassem ou não, estava muito entretido no próprio aparelho.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O ruivo mais velho se despediu do seu mais novo amigo, e foi em tempo ao seu dormitório, tomou um banho breve depois de se livrar do uniforme de St. Clavier., para por roupas mais confortáveis, calça jeans preta, camisa branca com mangas compridas preta, jogou por cima um casaco xadrez vermelho com capuz e mangas compridas, um tênis vermelho bem chamativo, pos os fones apenas pelo hábito. Algumas pulseiras pretas num dos braços e lembrou de sair bem perfumado -  afinal ser adolescente era uma droga em alguns aspectos-.<br />
<br />
Chegou a sala de convivência para se deparar com um Evelyn em um visual casual completamente diferente, e nem tentou esconder a surpresa na expressão ao encontrar o ruivo mais jovem: -- Nossa! Você está fantástico! Sério. -- Yure se aproximou do outro rapaz, mas ainda deixando uns bons 50 cm de distância entre os dois, e sorriu amplo para o mais baixo: -- Você fica bem de terno e de roupa casual, nossa. Se bem que eu nem devia ficar surpreso, você é muito bonito. Ah, é… eu não perguntei antes, mas eu devo te chamar de “o Evelyn” ou “a Evelyn” ou apenas de “Evelyn”? Tipo, neutro?<br />
<br />
O ruivo perguntou bem direto, pra facilitar a convivência ali, já tinha notado que o rapaz mais novo era bem andrógino, mas pelo gosto por vestir roupas mais femininas, ele podia querer ser chamado de outra forma não era? E era até curioso porque aquele tipo de combinação de short curto com uma sobreposição soltinha era o tipo de coisa que uma outra pessoa gostava de usar, e o pensamento lhe fez puxar o celular pra distrair a cabeça. Checou os horários dos ônibus que passavam do lado de fora da Academia masculina:<br />
<br />
-- Seguinte, como Cerise é uma cidade, e não dá pra gente andar por toda ela antes de bater o toque de recolher, vamos pegar um distrito pra olhar por vez, hoje vou te levar pra conhecer Bleu. O itinerário que eu montei enquanto me arrumava é pegar um ônibus aqui, saltar na orla, mostrar os principais pontos e de lá, a gente acha um restaurante que seja legal pra nós dois, afinal eu sou vegetariano, mas como em quase qualquer lugar. Alguma objeção?<br />
<br />
Esperou apenas algum apontamento do mais novo para seguirem até a entrada principal de St. Clavier e pegarem ônibus, bonito do jeito que estavam, até pareciam um casal saíndo para algum encontro, mas no meio do caminho o ruivo apenas cumprimentou alguns alunos de outros anos, mas não recebeu nenhuma pergunta indesejada no meio do caminho, embora imaginasse que fosse surgir alguma fofoca. Não demorou para que o ônibus passasse tendo o horário certo para o mesmo, e os dois pegaram condução rumo a orla, naquele horário de final de tarde ainda pegavam algum trânsito, então os ruivos tinham tempo dentro do coletivo antes de chegarem de fato no ponto onde iriam descer. Yure alternava a atenção entre o seu novo amigo, e as respostas aos grupos do celular, e em determinado momento, gesticulou como se fosse tirar uma self mas parou no meio do caminho, virando-se na direção de Evelyn:<br />
<br />
-- Se importa de tirar foto? Se for problema eu tiro sozinho, pessoal do grupo de Parkour perguntando o que eu tô fazendo da vida agora. -- comentou de forma muito natural e despreocupada.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Nas mensagens que trocava no celular com a amiga, falava que iria sair para conhecer a cidade com o presidente do Conselho Estudantil. Não entrou muito em detalhes por que também não sabia ainda exatamente para onde iriam, imaginava que como o outro ruivo seria seu guia, el já teria algum tipo de ideia de o que gostaria de mostrar.<br />
<br />
Como não prestava atenção nos arredores, estava apenas atento se escutava alguém o chamando, foi pego um pouco de surpresa ao ser chamado de fantástico, prontamente levantando o olhar e reparando no outro ruivo em trajes muito mais casuais que antes, mas que também caíam muito bem nele. Ser chamado de fantástico na sua aparência era algo estranho, especialmente vindo de alguém que só queria a sua amizade para conversar trivialidades, não havia necessidade de elogiar o outro assim. Se levantou de onde estava sentado, agora que o outro havia se aproximado, e sorriu educado ao elogio:<br />
<br />
- Eu agradeço o elogio. Como não sabia exatamente para onde iríamos, não sabia se estava vestido roupas certas para o caso. - admitiu, apesar do ruivo maior continuar regando elogios sobre Evelyn, ainda era estranho. Especialmente quando ele perguntou como queria ser tratado, isso era um problema? Já havia sido confundido com uma mulher em certas ocasiões, mas isso nunca o incomodava. Na verdade, nunca havia parado para pensar no caso - Acredito que “o Evelyn” seja melhor, mas eu não me importo muito. Sei que as pessoas acabam confundindo e isso não me incomoda.<br />
<br />
Verdadeiramente achava até engraçado quando acontecia, mas não podia culpar as pessoas. O tempo de guardar o celular de volta foi o tempo do outro puxar o próprio aparelho. Talvez tivesse recebido uma mensagem, mas depois recebeu as informações sobre o itinerário que fariam. Havia ouvido falar sobre Bleu, a parte mais nobre da cidade turística, com restaurantes caros, teatros, e inclusive alguns bares que funcionavam à noite. Concordou com o itinerário assentido positivamente, e até deu um riso baixo sobre o outro ser vegetariano. Não teriam problemas sobre comida:<br />
<br />
- Está tudo bem, não possuo nenhum tipo de objeção à sua proposta. Eu estava curioso sobre conhecer a orla, na verdade… - não costumava ter tempo de lazer para visitar praias, e as “praias” que existiam em Berlin eram artificiais e estavam mais para rios do que praias de verdade. Verdadeiramente estava curioso com o aquário que havia ouvido falar que existia, mas isso poderia ficar para outro momento - Eu também sou vegetariano, então acho que você também pode indicar um restaurante sem se preocupar muito. - não sabia os motivos do outro de não comer carne, mas no seu caso, possuía uma dieta tão restrita que no final era mais fácil se livrar de qualquer tipo de carne, o que não foi difícil. - Vai ajudar bastante caso algum dia eu precise sair sozinho.<br />
<br />
Não era exatamente a melhor pessoa para desenvolver conversas casuais, mas estava se esforçando, e assim seguiu Lukashenko - que cumprimentava diversos alunos no caminho - pelos corredores da instituição. Chegarem no ponto de ônibus e no horário estipulado, o transporte chegou e puderam dar caminho até o distrito de Bleu. Sentou-se ao lado da pessoa que o acompanhava e deixou o celular sobre as pernas, mas não mexendo nele diretamente, apenas atento caso recebesse alguma mensagem. Fez algumas conversas com o outro ruivo, já que o trânsito do horário ainda faria com que levassem mais algum tempo, era novo, estranho, mas não necessariamente ruim.<br />
<br />
Percebeu a menção do outro em tirar uma foto e de maneira automática se afastou um pouco, imaginando que ele queria tirar uma foto dele mesmo, e então fazendo uma expressão confusa quando ele perguntou se poderia tirar uma foto com o próprio Evelyn.<br />
<br />
- Hm… Comigo? - trocava fotos com Letty, mas eram mais das coisas que via, não necessariamente do próprio ruivinho. Imaginava que devia ser algo comum de amigos, ou desse grupo específico dele - Claro, sem problema. - Não costumava tirar selfies com outras pessoas, mas se esforçou para sorrir para a foto, em seguida fazendo uma pergunta - Desculpe se eu estiver sendo indiscreto, mas você mencionou um grupo de Parkour, certo? Eles também são de St. Clavier ou...? - deixou em aberto, imaginando que Lukashenko deveria conhecer pessoas fora de St. Clavier, diferente do próprio Evelyn.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Não sabia dizer se era o fato de ter lembrado de um certo alguém e isso ter lhe deixado meio avoado, ou talvez, um pouco perdido no limite de pedir pra tirar foto com seu mais novo amigo, que ainda estava se acostumando ao fato de que tinha um novo amigo. Clicou o celular numa foto sorrindo e depois fez uma careta engraçada, e depois de enviar apenas se atentou ao fato de que o outro era realmente um rapazinho muito elegante, mas o jeitão de criança arrumada fazia o ruivo mais velho apenas encara-lo como muito bonito e nada mais. Encarou o outro quando foi perguntado diretamente sobre o grupo de parkour e acenou negativamente com a mão livre: <br />
<br />
— Ah, não, eles não são de St. Clavier, dois deles são formados já, e os outros dois tão meio que postergando pra entrar na faculdade, mas eles são bem legais, eu sou o mais novo do grupo. — pausou o comentário quando lembrou que tinham uma “mascota”, e foi em tempo do aparelho vibrar com spam de mensagens dos amigos perguntando quem era a “fofura” ou a “beldade”: — Pra variar eles te confundiram com uma menina, suave, eles são meio cabeça de vento mesmo. Faz uns meses que a gente não se encontra, porque eu tive de passar as férias na casa dos meus avós, longa história. —  acenou com a mão indicando que aquilo iria demorar: — Aqui, vamos descer.<br />
<br />
Apontou pra janela, onde já era possível ver o oceano, a praia, e o sol da tarde banhando toda a região de laranja, dito isto o ruivo se levantou de onde estava puxando a cordinha e dando sinal de parada do transporte coletivo:<br />
<br />
— Ah! eu queria descer aqui mesmo porque eu gosto do cheiro salgado, quando o vento sopra se o seu dormitório ficar virado pra cá, você consegue sentir esse cheiro bom. Eu gosto demais, já andei muito de bicicleta por aqui com a Katrina quando eu era pequeno. — O ruivo puxou o celular tirou umas duas fotos, depois pôs ele no silencioso e guardou no bolso: — pronto, livre dos meus outros amigos, agora eu estou todo a sua disposição. — Falou em tom teatral fazendo uma reverência exagerada, sorrindo bobo em seguida:<br />
<br />
— Bleu é o distrito turístico, o pessoal da política quer vender esse bairro como a cara da cidade, e se você gosta de hotéis desconstrutivistas aqui é um prato cheio, apesar da cidade ser histórica, o fato dela ficar próxima de Paris mas ainda assim entre outras cidades do interior de alta produção de vinho e alimentos, tornou esse lugar um ponto central, pense como uma encruzilhada: Se você sai do interior rumo a Paris para aqui, toma uns vinhos e segue, e o contrário também, se você está fugindo da agitação da cidade luz pra buscar sossego nas fazendas do interior, ainda é parada garantida em Cerise. — O ruivo caminhou até um dos muitos mirantes que tinha uma placa informativa da região, típica para turistas: — Geralmente se você for largado por um ônibus turístico eles vão começar o itinerário por aqui, por volta das 7hs da manhã aqui tá cheio de vendedor de tranqueiras, esperando os turistas chegarem, eles costumam descer fazendo o contorno da orla  e então são levados pros hotéis, a maioria tem restaurante próprio, mas se você seguir pro meio do distrito chega nas boates como o The Capitol que é a mais antiga.<br />
<br />
O ruivo fez o caminho inverso, do itinerário turístico, subindo em um dos bancos longos e ficando uns 60cm mais alto do que já era em relação a Evelyn: — Mas nós vamos pegar caminho contrário, nem tudo em Bleu é caro, e nos limites desse distrito com Griss é onde tem uns lugares legais, como o aquário, nós vamos dar uma passada perto pra você saber chegar só, sem a minha ajuda — o ruivo alargou mais o sorriso enquanto apontava pra si mesmo: — afinal, daqui pra frente, você vai fazer mais um monte de amigos e vai precisar ter lugares legais pra levá-los, só precisa se atentar de não andar de noite e acabar se perdendo e ir parar em Griss, mas eu te ensino a andar por lá depois, de preferência de manhã.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Aparentemente, o outro ruivo havia ficado satisfeito com as fotos que foram tiradas, o que deixou Evelyn bastante aliviado. Realmente, não estava acostumado com esse tipo de interação, era quase alienígena. Ficou feliz que a sua pergunta sobre o tal grupo de Parkour não foi completamente errada, mas riu de maneira contida quando ele mencionou sobre os amigos terem confundido o garoto com uma garota. Novidades:<br />
<br />
- Tudo bem, como eu disse, eu sei que a minha aparência causa esse tipo de confusão. - ficou um pouco curioso, mas não muito, sobre ele ter mencionado ter ficado na casa dos avós, porém não teve chance de continuar a conversa por ser avisado que estavam próximos da parada.<br />
<br />
Olhou para a janela que foi indicada e a vista do mar era extremamente bonita. Certamente entendia por que a ideia de ir à praia atraia tantas pessoas. Acompanhou o ruivo para descer do transporte e foi impossível não ser recebido pelo cheiro forte da maresia.<br />
<br />
- Dá pra sentir isso lá da academia? Nossa. - comentou, verdadeiramente surpreso. Seu dormitório com Berthold não tinha esse tipo de luxo de poder sentir o vento vindo do mar, mas pelo menos sabia que não teria tanto problema de ir de ônibus até a orla se quisesse aproveitar um pouco da vista. Arqueou a sobrancelha quando ele mencionou o nome de uma mulher, mas rapidamente associou que deveria ser a mãe do outro. Achou engraçado e até um pouco teatral a maneira que ele disse que agora estava à disposição de Evelyn, que notoriamente sorriu um pouco mais relaxado. Não estava sendo uma experiência de toda ruim.<br />
<br />
- Hmn, se não se importa, como você sabe tanto sobre a parte de arquitetura? - decidiu perguntar quando teve uma brecha, estava verdadeiramente curioso sobre onde ele havia lido ou pesquisado sobre.<br />
<br />
Acompanhou o caminho que o ruivo fazia, mantendo uma postura correta e segurava uma mão atrás das costas, enquanto explicava sobre o bairro, inclusive falando sobre a arquitetura de alguns hotéis. Ele aparentava saber bastante sobre o assunto, mais do que alguém que apenas cresceu e foi criado na cidade, mas as informações do ponto de vista de uma pessoal local era realmente muito mais informativo do que os folhetos e cartilhas que havia lido antes de ir. Pelo menos saberia que aparecer naquela região muito cedo, teria de enfrentar contato com os vendedores, pelo menos poderia tentar evitar isso.<br />
<br />
Parou os próprios passos quando Lukashenko subiu em um banco, criando uma diferença ainda maior de altura entre ele e Evelyn, o que fez o ruivo menor ter que dar alguns passos para trás para não precisar inclinar tanto o rosto para observa-lo. Era engraçado e curioso como o ruivo maior era tão expressivo, e realmente genuíno nas coisas que estava fazendo e falando. Não estava acostumado com esse tipo de interação, então ainda tinha um certo grau de desconfiança, mas aos pouco estava ficando mais à vontade na presença do outro.<br />
<br />
Sentiu uma pequena empolgação surgiu quando ele mencionou sobre o tal aquário, mas conteve a empolgação, porém não pode conter a expressão confusa quando ele falou que em breve Evelyn faria novos amigos:<br />
<br />
- Novos amigos?... - perguntou com a voz um pouco mais baixa, ainda incerto no que ele queria dizer com aquilo, nem se preocupou tanto sobre a parte de ter cuidado em andar por Griss de noite - Eu, hmn…. Como posso dizer. - ponderou, cruzando os braços e inclinando um pouco a cabeça - Eu não tenho a sua desenvoltura para fazer amigos, então não acho que eu vá ter “novos amigos” para trazê-los aqui.<br />
<br />
Foi bastante objetivo nas palavras, como sempre era, e esperava que o outro entendesse. Havia também o fato que não tinha exatamente tempo para fazer amigos, apesar de Lukashenko ter já se “apresentado” na segunda vez como seu mais novo amigo, Evelyn ainda tinha em mente que amizades não eram o primeiro objetivo, muito menos o segundo. Logo, não eram sua prioridade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo se divertia falando sobre a cidade de Cerise, era um local que tinha apreço, era onde tinha crescido e conhecido a maioria das pessoas importantes de sua vida, era onde sua mãe estava enterrada, e um lugar que a despeito das ocorrências recentes negativas, não podia negar que amava. Riu mais abertamente quando o mais novo lhe perguntou como sabia tanto de arquitetura, mas não respondeu imediatamente se dando tempo em explicar mais coisas sem perder a linha de raciocínio do que estava narrando. Mas não deixou passar batido o comentário do outro sobre não ter novos amigos pra levar naquele lugar, era curioso como as pessoas se colocam na situação de serem isoladas, como umas ilhas de cárcere, onde elas mesmas eram as prisioneiras, curioso, entendia, mas não queria colaborar para que o mais novo amigo mantivesse aquele hábito em particular.<br />
<br />
-- Bem, sobre entender de arquitetura, uma das minhas mães é professora de história na academia feminina de Limoges-Collet, ela tem especialidade em História da arte, e eu desde pequeno acompanhei ela em congressos, feiras, e vi de perto ela montar apresentações, e já fui até pra algumas aulas dela, quando era menor. -- Embora não estivesse no melhor ânimo com a mãe, não podia negar as coisas que tinha aprendido com a mulher: -- História da arte está pra mim, como provavelmente ciência e finanças está pra você. -- O ruivo brincou e finalmente desceu do banco, se aproximando de uma das barracas pra pedir duas garrafas de água, estendendo uma na direção de Evelyn, antes de continuarem com a caminhada de fim de tarde:<br />
<br />
-- Agora sobre o fato de você supostamente não ter amigos pra trazer pra cá, aí eu já não concordo sabe. -- ele comentou de forma despretensiosa, abrindo a garrafa de água e tomando um gole, apenas pra dar tempo de Evelyn pensar sobre o que tinha dito, e criar uma sensação de expectativa sobre o que o próprio Lukashenko completaria na frase: -- Você foi hoje a sala do conselho atrás de reativar o clube de ciências, um clube não pode existir sozinho, ele precisa de pessoas, você obviamente pode encarar as pessoas que vão fazer parte do clube apenas como colegas de trabalho, mas isso não impede que as pessoas desenvolvam afeto, carisma e atenção por você Evelyn, e assim por ventura quererem ser seus amigos.<br />
<br />
Apontou a garrafa de leve na direção do ruivo ao seu lado, e depois apontou a frente, no que já era possível vislumbrar a construção em vidro, com reflexos azuis vinda do aquário da cidade: -- é mais fácil conversar com você e gostar da sua companhia do que você pode estar julgando Evelyn.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Esperava algum tipo de reação negativa do outro quando explicou sobre as poucas chances com novas amizades, mas ele não parecia ter se importado muito com o que foi dito, até mesmo rindo mais abertamente e voltando ao assunto sobre arquitetura.<br />
<br />
Percebeu sobre o outro ter "duas mães", e apesar de não ser algo que ouvisse todo dia, estava verdadeiramente mais interessado sobre onde o outro havia aprendido tanto sobre a arquitetura local. O único detalhe que foi um pouco amargo foi a comparação feita no final, mas não demonstrou.<br />
<br />
— Ah. Sim, entendo. Realmente são similares. Ela realmente parece ser uma mulher incrível, especialmente por ter tanto conhecimento. — respondeu enquanto aguardava o outro descer do banco, e seguir o acompanhando até as barracas, onde ele pediu e entregou uma delas ao pequeno ruivo. <br />
<br />
Com uma das mãos ocupadas, procurou algum dinheiro que tivesse no bolso com a outra, afinal não deixaria que pagassem por algo que era completamente capaz de comprar. Fazia isso enquanto continuavam a caminhada, e teve a atenção chamada exatamente pelo tópico que estava receoso. Deixou um audível "Hm?" escapar dos lábios fechados, enquanto o outro parecia muito confortável tomando seu gole de água. Não poderia dizer de uma vez?!<br />
<br />
Depois do pequeno suspenso, Lukashenko explicou seu raciocínio durante a caminhada dos dois. Fazia sentido, afinal era bastante comum ver coisas assim acontecerem, de pessoas que trabalham juntas desenvolverem um cuidado com as outras. Mas sinceramente, nunca havia sido sorteado para passar por uma experiência como essa.<br />
<br />
Teve a garrafa apontada para si e então para frente, guiando seu olhar até a construção do aquário. Era bonito como imaginava, e imaginar o que havia lá era uma empolgação à parte. E ainda assim, Lukashenko deixou a breve deixa sobre Evelyn ter uma imagem errada de si mesmo.<br />
<br />
— ... Eu não quero dizer que está errado, Lukashenko, porque você não está. Realmente, colegas de trabalho podem muito provavelmente construir uma relação amigável com o passar do tempo. Porém devo dizer que com o que já trabalhei, não passei por algo assim — explicou, segurando a garrafa em uma mão e o dinheiro em outra — Mas, não é problemático para o trabalho? Relações assim não podem acabar atrapalhando a produtividade, ou até mesmo, os interessantes de ambas as partes? — concluiu o pensamento, então estendendo o dinheiro para o outro — Eu não sei como minha companhia seria benéfica para a outra parte. Ah, e aqui. Pela garrafa de água.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
O período de se estabelecer na academia havia passado, e agora as aulas haviam finalmente começado e Evelyn não teve nenhum problema de se adaptar com o horário das aulas e o novo ambiente. Até mesmo o seu companheiro de quarto era uma figura interessante - quando não estava se lamentando e pedindo desculpas.<br />
<br />
Junto com o início das aulas, também houve o início das atividades dos clubes. Evelyn não poderia participar daqueles de atividade física, e eles também não eram do seu mínimo interesse. Bem sabia que podia fazer mais do seu tempo além de praticar esportes, e isso ficava à prova com os e-mails que recebia com propostas de projetos de fora. Então, entrando no clube de ciências, poderiam receber verbas e estaria fazendo parte de um clube.<br />
<br />
Procurou informação sobre o clube durante as aulas, e ficou sabendo por um dos professores que este estava inativo por falta de membros. Não sabia como funcionava o sistema de verbas nessa instituição, mas tinha quase certeza que precisaria do clube funcionando. O menor pediu indicações ao professor sobre como poderia fazer a reabertura do clube, e foi indicado a ir até o conselho estudantil. Pois bem, no final do horário de aula, fez caminho até a sala do conselho, que não foi muito difícil de encontrar. Também não tinha certeza de como era composto o conselho, mas pelas conversas de corredor que ouviu, “tranquilo” e “legal” eram elogios que se repetiam bastante.<br />
Bateu a porta antes de entrar e esperou uma resposta para entrar:<br />
<br />
— Boa hora. — o menor entrou, fechando a porta em seguida, sorrindo de maneira bastante automática e comercial. Usava o uniforme da instituição bastante alinhado, com os cabelos ruivos presos em um pequeno rabo de cavalo frouxo, apenas para que o calor não incomodasse tanto — Meu nome é Evelyn Newell, gostaria de saber algumas informações sobre um clube que se encontra inativo no momento, poderia me ajudar?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ano letivo recém tinha começado e em verdade estava bastante ansioso por esse momento, as férias de verão foram um limbo de preocupações com família e saúde, e queria desesperadamente voltar para aquele momento da formatura dos alunos do semestre passado, e segurar aquele sentimento deixado pelo secretário testa de ferro. Se sentia impelido a dar seu melhor para fazer o conselho funcionar da melhor forma possível.<br />
<br />
Tinha feito reunião com os membros ou a maior parte deles já que Adam não tinha dados as caras, mas já tinham acertado o orçamento do primeiro semestre, e estavam avaliando todos os gerentes que ficaram e quais tinham se formado, que precisavam ser substituídos, e antes de começar a botar todos os clubes para recrutar novos membros tinha de se certificar de que todos estavam com a papelada em dia.<br />
<br />
Yure tinha ido com o uniforme completo, já estava acostumado com o clima de Cerise então nem sofria tanto no verão, o blazer, gravata no lugar, tinha até se acostumado com os sapatos sociais, e o cabelo ruivo curto, recém cortado deixava-o sentir o vento na nuca. Estava sentado na mesa de presidente, achando ainda estranho estar na sala do conselho, sentado naquela cadeira, e esperando que o secretário entraria a qualquer momento na sala. Naquele mesmo instante a porta se abriu a voltou sua atenção pra a mesma, a expressão de leve surpresa, até se dar conta que era um aluno buscando por sua ajuda.<br />
<br />
Se levantou de onde estava, abrindo um sorriso amplo e amigável, de pé, o rapaz realmente parecia um calouro do primeiro ano, por ser pequeno, estava desacostumado q olhar as pessoas de cima, mas quando ouviu o nome não lhe soou estranho, talvez já tivesse passado o olho na ficha dele naquela semana:<br />
<br />
-- Eu sou Yure Clarke Lukashenko, você pode me chamar apenas por Lukashenko.-- estendeu a mão para cumprimentar o menor e ofereceu espaço junto a sua mesa para que o menor sentasse, mas ao invés de se tarde do outro lado da mesa, sentou na poltrona do lado par que não houvesse uma mesa entre os dois: -- Nós temos muitos clubes inativos e por vários motivos, a depender da situação do clube que quer reativar, posso lhe instruir melhor em como proceder Newell.<br />
<br />
O ruivo cruzou a pernas de forma masculina, mantendo o sorriso no rosto, e estava num misto de felicidade e estranhamento por estar do outro lado agora, de quem prestava ajuda, e não de quem ia pedir socorro ou levar detenções.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Abriu a porta para dar de cara com a primeira parte de uma sala grande e bastante ampla. Tinham mesas separadas que Evelyn pode apenas supor que deveria ser de cada membro do conselho, e em uma delas estava um rapaz ruivo ferrugem, que se levantou assim que Evelyn entrou, sorrindo e lhe estendendo a mão.<br />
<br />
— É um prazer conhecê-lo, Lukashenko — aceitou o cumprimento, agora que ele havia ficado de pé, a diferença de altura era evidente. Se continuassem conversando em pé por muito tempo, provavelmente ficaria com torcicolo.<br />
<br />
O acompanhou quando ele ofereceu que Evelyn se sentasse em uma das duas cadeiras que ficavam opostas a mesa, o que o menor aceitou, e o próprio ruivo ferrugem se sentou na outra, cortando significantemente a distância. Evelyn achava curioso a proximidade que ele oferecia, não irritava o menor, mas o fazia ligar os pontos por que as pessoas o definiam como “legal”.<br />
<br />
Julgou o outro rapidamente enquanto Yure terminava sua explicação, assentido positivamente quando ele terminou. Estava sentado bem confortável na cadeira, a postura reta e as pernas cruzadas.<br />
<br />
— Entendo, o clube que me interessando caso é o clube de ciências, Lukashenko — explicou, gesticulando brevemente enquanto falava — Primeiramente, no antigo internato onde estudava já participei de alguns projetos por fora que ofereciam verba para que fosse concluído, mas para isso era necessário que fizesse parte de um clube. Suponho que aqui seja da mesma maneira? — sorriu simpático, esperando que o outro acompanhasse a sua linha de raciocínio — Eu ainda estou recebendo novas propostas, mas sem um clube não vai ser possível. Como também não posso participar dos clubes de atividade física, certamente o de ciências seria o ideal na minha situação.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo observou com atenção o aluno a sua frente, pela forma com que ele falava, polido demais pra ser um aluno do primeiro ano, não era tímido, e parecia muito a vontade em falar sobre burocracia, principalmente se tratando de verba e investimento. Poderia chutar que ele era um aluno do segundo ano? Quem sabe algum outro geniozinho como seu amigo Nan-li? Não divagou demais pra não deixar fugir as informações dadas pelo outro, mas mudou de expressão quando ele lhe informou que não poderia participar de clubes de atividades físicas e apenas os de ciências seriam os ideais. Ficou claro nas expressões do ruivo que algo na segunda sentença tinha lhe chamado atenção, mas logo voltou ao sorriso amigável, descruzou as pernas e estendeu a mão até a mesa puxando alguns dos papéis do escaninho, passou as fichas e logo achou a do rapaz:<br />
<br />
-- Ah, por isso eu estava com a impressão de já ter ouvido seu sobrenome, a sua ficha já chegou aqui, junto com as demais, com requisição de dispensa dos clubes de educação física. -- Separou a ficha do rapaz, e recolocou as demais de volta ao seu lugar, pós a ficha no colo e abriu, e logo de cara viu que o jovem a sua frente era do terceiro ano, e mais, estava um ano na sua frente, a expressão de surpresa retornou a face do ruivo mais velho, mas abriu um sorriso mais de canto de boca:<br />
<br />
-- Bem, o procedimento na Academia St. Clavier, para reabertura de um clube não é tão complicado, que eu me lembre, o clube de Ciências não foi punido, logo, ele estava fora de atividade provavelmente por falta de membros ativos. Embora nós tenhamos alunos com destaque na área de ciência, é quase tragicômico. -- manteve o ar leve, e fechou a ficha do rapaz a sua frente, para poder observa-lo diretamente: -- Você vai assinar um documento, fazendo um pedido formal de busca pelo Clube, o que vai indicar seu interesse a instituição, logo, nós do conselho, faremos uma busca pra saber o motivo que foi registrado para a descontinuidade do clube, isso leva um ou dois dias de processo interno, em seguida, ele é colocado na lista de clubes para possível reabertura, porque a verba para clubes é limitada, e o orçamento é aprovado, e deixamos apenas uma pequena porcentagem destinada para que grupos que estão inativos possam retornar. Na reunião semanal, o Conselho discute quais clubes são mais promissores para o ano, baseado nas justificativas de reabertura e no número de pedidos para o retorno. A dessa semana já ocorreu, logo, isso vai entrar na pauta da semana que vem. Após isso, é feita a chamada para gerentes, que nunca pode ser um aluno do primeiro ano, e têm de ter o tipo de perfil de estudante para gerente, é feita uma avaliação dos pedidos na semana seguinte, e então na primeira semana de Outubro, todos os clubes ativos, estão livres para chamar novos membros para as atividades do ano.<br />
<br />
Acabou sorrindo de um jeito levemente mais descontraído, depois de perceber que tinha falado demais, não tinha como conter seu jeito falastrão: -- Se eu estiver explicando ou falando muito rápido é só avisar, que eu diminuo o ritmo. Todas essas informações que eu falei, estão disponíveis no portal do estudante de St. Clavier, e no guia impresso que todos os alunos recebem assim que se instalam nos dormitórios. Alguma dúvida?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
O menor estava sentado na cadeira bastante confiante, na verdade sua postura e maneira de falar passavam bastante uma ideia de confiança. Não tinha receio de perguntar e falava com bastante segurança até mesmo sobre as dúvidas que tinha. Enquanto explicava seu ponto, observava as reações do outro para tentar ter uma ideia se estava falando algo que deixaria ele confuso ou não. Conseguiu perceber quando o outro estranhou algo em sua fala - também, difícil seria se não percebesse. O outro ruivo era bastante expressivo, o que era bom. Gostava de falar com pessoas que era expressivas ou diretas.<br />
<br />
- Ah, que bom. Foi bem rápido então. Ficou feliz que não houve maiores problemas - respondeu despretensioso, porém um pouco aliviado. Já tinha tido problemas com requisição de dispensa em outras situações. Aparentemente todo o processo burocrático também era bom em fazer documentos sumirem, ou chegarem com dois meses de atraso. Achou curioso a cara de surpreso do ruivinho quando passou o olho em sua ficha, mas conteve a graça da situação e manteve a postura educada.<br />
<br />
Escutou a explicação do ruivo ferrugem, ele falava bastante rápido, mas felizmente seu francês era bom o suficiente para conseguir acompanhar. Apesar de bastante educado, Lukashenko era bastante descontraído na fala, até comentando sobre a infelicidade do clube de ciência como “tragicômico”. Prestou atenção no passo-a-passo que foi instruído, dando breves “ahams” como garantia que estava prestando atenção no que ele falava. Aparentemente, o processo ainda demoraria mais algumas semanas até que finalmente o clube fosse ficar ativo novamente. Levou a mão até o rosto, batendo o indicador na ponta do queixo enquanto pensava sobre as possibilidades. Será que teria como adiantar esse processo?<br />
<br />
- Não, eu consegui entender perfeitamente. Agradeço pela explicação - respondeu, bastante educado. Afinal, se havia no portal e no manual, não havia a necessidade dele ter explicado todos os pontos - Mas se me permite, já que possuo possíveis patrocinadores, isso não iria auxiliar sobre a questão da verba do clube, ou isso é uma situação à parte?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
A falta de movimentações vinda do outro, lhe dava alguns indicativos de como o outro era, ele devia ter tido uma educação bem regrada, a ponto de manter-se durante tanto tempo parado, a forma como ele falava, ele parecia mais velho a cada sentença falada. Agora podia confirmar que ele era mais velho do que aparentava e bem mais inteligente do que podia checar só olhando na ficha. Yure manteve o sorriso fácil no rosto, agora balançando de leve a perna, apenas porque estava ficando parado na mesma posição a muito tempo, e diferente do outro, tinha TDAH, então precisava se mover, puxou uma caneta de um dos porta objetos para movê-la na mão entre os dedos de forma discreta, apenas para descarregar um pouco de energia. Sorriu diante da colocação do mais novo, ele devia ser mais novo que Yure, não era? E cessou o movimento da perna:<br />
<br />
-- É uma boa colocação a sua, e era justamente onde eu iria chegar. -- alternou as pernas que estavam cruzadas, mudando de posição e encarando o rapaz a sua frente, mantendo o sorriso fácil no rosto, e a postura confiante que tinha: -- No seu caso, há um interesse externo, porém, essa verba só pode ser captada por clubes ativos, é impossível receber dinheiro para um clube inativo, porém, se no seu documento de justificativa constar que o interesse desses patrocinadores é urgente, isso muda o cenário todo.<br />
<br />
O ruivo esticou a mão até a mesa dessa vez para virar o monitor na direção do rapaz que estava a sua frente, puxou o teclado e o mouse para que pudesse usar na posição que estava, e então digitou na busca para o modelo de memorando padrão que era usado no conselho estudantil: -- Aqui, justamente nesse campo, e nesse tópico, você informa os dados principais da empresa patrocinadora, pode anexar uma cópia dos e-mails que eles tenham lhe enviado para endossar seu pedido, assim, quando recebermos esse material, nós já colocamos no sistema como urgência. <br />
<br />
O ruivo, mostrou o sistema interno apontado a área e os caminhos de para que outros setores esse memorando iria, e como ele seria recebido, de forma a fazê-lo circular mais rápido para retornar ao conselho e a reabertura do clube fosse aprovada: -- Resumindo, se não houver contestação de nenhum setor, o que é uma possibilidade remota se você preencher tudo adequadamente, ainda essa semana seria feita uma reunião emergencial para decidir o caso, e colocaríamos um gerente provisório, indicado pelo próprio conselho estudantil, que pode até ser um membro do mesmo, para garantir que haja celeridade no processo de documentação, e então semana que vem, você teria seu clube ativo e operante para receber patrocínio.<br />
<br />
Sorriu agora mais convencido, de estar fazendo um bom trabalho ali, e tornou a mover a caneta entre os dedos: -- É do interesse da instituição que os alunos ganhem expressão para além das paredes dessa escola, então muito provavelmente não haverá qualquer objeção sobre o seu pedido. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Estava acostumado com dois tipos de pessoas quando o assunto era problemas burocráticos: a primeira, alguém extremamente competente porém extremamente chato ao mesmo tempo, que não tinha paciência para contestações; e a segunda, pessoas que só estavam lá por serem boas em falar com as outras, não exatamente de resolver problemas. O que estava à sua frente, Lukashenko, parecia ser um misto dos dois tipos. Não que fosse único, mas certamente era difícil de encontrar. Além de tudo, ele tinha um ar convidativo. Se perguntava que tipo de cargo ele estava ocupando, apesar de já ter algumas suposições.<br />
<br />
Sorriu quando ele disse que a situação mudava completamente quando havia a presença de um patrocínio. Isso certamente colocava um sorriso suave no rosto do ruivo menor, um destaque na expressão séria e o sorriso comercial que estava usando antes. Seguiu novamente as instruções, anotando mentalmente o que teria de fazer quando pegasse o dito memorando. A última coisa que iria querer é puxar o celular e fazer anotações enquanto o outro falava, achava um tanto desrespeitoso, mesmo que fosse para não se esquecer dos detalhes.<br />
<br />
Ao fim da explicação e uma previsão que até a próxima semana teria o clube ativo e poderia por os projetos em andamento, ficou clara a felicidade nos olhos do ruivo menor, mesmo que ainda estivesse mantendo a mesma compostura, apenas trocou a perna que estava cruzada, já que estava assim há algum tempo:<br />
<br />
- Não vai haver problemas com o preenchimento do documento, Lukashenko. - o tom de voz não estava mais tão sério, um pouco mais amigável - Acredito que consigo trazer os documentos preenchidos pra você amanhã, ou no máximo no outro dia, mas farei o possível para não demorar na entrega - sorriu, se sentindo mais a vontade com a conversa sabendo que agora não teria problemas para conseguir o clube de volta - Desculpe se esta pergunta for muito óbvia, Lukashenko, mas qual o seu cargo no conselho? Fiquei surpreso com o domínio que você tem sobre os processos burocráticos, fico realmente agradecido pela ajuda.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Não foi difícil de perceber a satisfação no rosto do mais novo, e era fato, se ele tinha ido ali com toda aquela polidez, era porque esperava ser recepcionado por um monte de burocracia pouco funcional. Mas Yure estava muito determinado a fazer o melhor trabalho possível, claro, que nunca seria o Isaac, mas não deixaria o Conselho Estudantil deixar de ser funcional, disso tinha convicção. Acenou positivamente, quando o jovem lhe afirmou que arrumaria tudo em no máximo dois dias, não duvidaria se ele lhe entregasse isso hoje mesmo. Mas teve de arquear a sobrancelha quando o menor se desculpou por perguntar qual era seu cargo no conselho, aquilo foi engraçado, ele podia ser do terceiro ano, mas ainda era um Calouro em St. Clavier, alargou o sorriso, mantendo o mesmo carisma que tinha sustentado durante toda a conversa ali, até um pouco mais divertido do que os risos anteriores:<br />
<br />
-- Não precisa se desculpar por isso Newell. Atualmente, eu sou o presidente do Conselho, acabei de assumir a gestão, sou aluno do terceiro ano. Embora, nós não estejamos na mesma turma, você está um ano na minha frente. -- Manteve o ar suave, colocando o modelo de memorando pra imprimir, junto com uma lista breve de documentos requeridos para o processo, e se levantando em seguida, para ir buscar o documento impresso para que fosse preenchido pelo rapaz : -- Eu estou apenas mantendo o nível de eficiência da gestão anterior, não precisa me agradecer por isso. Eu gosto de estar aqui e ser útil pros outros alunos.<br />
<br />
Pegou os papéis, colocando um clipe, e passou marca texto, nos links que eram importantes, caso ele ainda mantivesse qualquer dúvida sobre o processo, e estendeu na direção do menor: -- Se me permite retribuir a pergunta, que pode soar um pouco óbvia, mas você já fez algum amigo desde que chegou em St. Clavier?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Esperava que ele não se sentisse ofendido pela pergunta que fez, o que felizmente aconteceu, e ele apenas pareceu um pouco surpreso pelas palavras do ruivo menor. O sorriso que ele devolveu para Evelyn davam mais a certeza que ele havia sido um candidato bastante popular.<br />
<br />
-... Presidente? Nossa, se o restante da sua chapa for similar, devem ser pessoas bem curiosas. E é uma pena que não estejamos na mesma turma, gostaria que estivéssemos na mesma sala - admitiu, talvez a companhia de Lukashenko fosse boa de se ter por perto. Ele falava diretamente sobre os assuntos, sem muitos rodeios, e isso deixava Evelyn bastante tranquilo.<br />
<br />
Observou o presidente do conselho organizar os papéis, colocar um clipe e marcar as partes importantes, estendendo para o menor e fazendo uma pergunta que pegou o terceiranista de surpresa:<br />
<br />
-Amigo? Hm… - realmente parou para pensar, pegando os papéis e colocando sobre as pernas, demorou alguns segundos até dizer um breve “ah.” - Durante as aulas eu não tenho muito tempo para conversar, e eu prefiro estudar depois das aulas tambem. Mas eu tenho um companheiro de quarto, o francês dele é péssimo, mas conseguimos conversar em alemão.<br />
<br />
A definição de “amigos” era um pouco perdida para Evelyn, por isso acabou se prolongando um pouco na resposta. A única pessoa que diria que é sua amiga seria Lettice por que, bem, era Lettice.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Não fazia tanto tempo que tinha assumido aquela sala como parte do conselho estudantil, mas o ruivo tinha adquirido o hábito de observar os alunos que iam lá buscar por ajuda. E diferente de Isaac que era muito denso pra entender as pessoas, Yure tinha um jeito empático natural, tinha aprendido um ou dois truques com um gringo uns meses atrás, mas estava convicto que conseguia observar os trejeitos das pessoas com mais atenção que antes.<br />
<br />
Não foi difícil perceber a confirmação para suas palavras, sendo daquele jeito excessivamente polido e muito focado em estudar, duvidava muito que o jovem a sua frente já tivesse feito algum amigo. Ainda bem que estava lá para mudar aquele aspecto também. Estendeu a mão na direção do outro, como se tivesse acabado a conversa, o sorriso no rosto, e esperou que ele lhe retribuísse o gesto antes de falar qualquer coisa, apertou a mão do mais novo e um aceno, mas não largou tão logo:<br />
<br />
-- Não seja por isso, agora você tem um amigo Evelyn Newell. Eu. -- sorriu mais feliz que antes, e finalmente deu espaço para o menor, soltando-lhe a mão: -- e sobre estudarmos na mesma sala, não se preocupe, o tesoureiro do Conselho Estudantil, está na mesma turma, vocês têm a mesma idade, por sinal. E os outros membros você vai ter tempo para conhecer, não se preocupe.<br />
<br />
Brincou voltando-se ao seu computador para desliga-lo, em seguida, parou em pé, colocando a mão no bolso da calça, demonstrando uma linguagem corporal mais tranquila e menos formal: -- eu já terminei meu horário de serviço aqui, e temos tempo até o toque de recolher, quer sair e procurar algum lugar pra jantarmos? Aproveitamos e eu te mostro alguns lugares da cidade, eu sempre  faço isso com meus amigos.<br />
<br />
Destacou o último ponto para reforçar que estava chamando o outro para sair não por mera formalidade, mas porque agora que eram amigos, ia chama-lo pra sair e passear para além da convivência em St. Clavier.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Não havia entendido muito bem a pergunta de Yure sobre amigos. Qual era o sentido naquilo? Ou melhor colocando, quem tinha tempo para fazer amizades com tantos estudos e investimentos para fazer? Claro, não era impossível, mas Evelyn preferia não se arriscar com isso, além do mais, tinha Letty ao seu lado, então estava tudo bem em não ter amigos.<br />
<br />
Quando ele lhe estendeu a mão, entendeu a formalidade do final da conversa e o cumprimentou em um aperto. Porém, quando tentou se afastar, percebeu que ele não soltou sua mão, o que fez o ruivo menor olhar para o presidente do conselho com uma expressão confusa, até ele oferecer sua própria amizade, soltando sua mão. A surpresa do menor com o gesto foi tão aparente que levou alguns momentos para retrair a mão, porém ainda claramente com uma expressão confusa, tentou continuar a conversa:<br />
<br />
- Eu… Agradeço? - começou, tentando ajeitar sua compostura sobre a situação - Fico feliz, tenho certeza que se são pessoas da sua confiança, posso igualmente confiar nelas. Estou ansioso para conhecer o seu tesoureiro. - Tentou manter a cordialidade diante da situação. Não sabia por que ele havia oferecido sua amizade tão repentinamente, mas a oferta certamente deixou Evelyn confuso e percebeu que suas respostas estavam também um pouco incertas.<br />
<br />
Se levantou assim que ele fez o mesmo, e o presidente ruivo novamente foi rápido em fazer propostas inusitadas para o outro, tudo isso enquanto se mantinha bastante casual.<br />
<br />
- Amigos. - reforçou, apenas procurando uma confirmação na fala dele - Normalmente depois de uma conversa burocrática, chamar alguém para jantar fora significa tratar de negócios extras. Mas no caso, quer sair como amigos? - cruzou os braços, perguntando diretamente pois precisava de uma resposta igualmente direta. O que ele ganharia com sua amizade? - Eu não tenho compromissos à noite, iria enviar alguns e-mails, talvez estudar um pouco, mas eles não precisam ser respondidos agora e posso aproveitar o horário comercial de amanhã de manhã. - Concordou, mesmo que um pouco relutante, com a proposta do outro. Conhecer novos lugares parecia uma boa ideia, quem sabe pudesse encontrar lugares para ir com Letty depois de se encontrarem? <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
As reações confusas de Newell eram um divertimento a parte, ele era realmente mais novo que o próprio ruivo ferrugem, e o fato dele ter tanto tato para falar com adultos, mas nenhum tato e desenvoltura para interações sociais mais casuais lhe divertia, talvez essa amizade fosse render? Provavelmente iria se divertir bastante isso era fato comprovado pelo que podia supor. Confirmou com a cabeça quando o mais novo repetiu a palavra “amigos” e depois acenou novamente quando ele precisou reafirmar todo o diálogo que acabaram de ter sobre a saída ser casual e não formal:<br />
<br />
-- É um jantar casual, pra gente conversar trivialidades, se tiver qualquer coisa de trabalho que precisar tratar comigo, você provavelmente só vai se dar conta amanhã, quando for preencher a papelada, então só vim aqui e eu vou te ajudar. -- Comentou bastante tranquilo, passando o olho na sala, pra checar se precisava desligar ou fechar mais alguma coisa, puxou o celular de capa laranja, com adesivos metálicos, que tinha chaveiros bem divertidos e coloridos que contrastavam bem com a aparência de bom aluno que tinha; Se atentou de enviar uma mensagem no grupo que tinha criado pra o conselho, avisando que estava de saída e ia fechar a sala, indicando que tinha encerrado o expediente ali, para logo após tornar o aparelho ao bolso da calça: <br />
<br />
-- Todos nós temos coisas da Academia pra fazer, eu tenho texto pra estudar do Clube de teatro, além dos exercícios de revisão que os professores sempre passam no começo do ano pra gente já pegar o ritmo de estudo, mas nada urgente do lado de cá também.<br />
<br />
Pegou a bolsa de alça longa preta com alguns chaveiros barulhentos incluindo um guizo de gatinho e jogou sob o ombro, indicando para o menor lhe acompanhar e sair da sala para que pudesse desligar as luzes e fechar a mesma na chave:<br />
<br />
-- E bem, se você ainda não têm amigos daqui da cidade, não deve fazer ideia de onde é bom ou ruim ir, lugares úteis, essas coisas, no geral, você pode ter todas essas informações por um catálogo turístico, mas venhamos e convenhamos, que conversar com outra pessoa é muito mais interessante que andar a esmo por aí. -- sorriu bastante confiante de que era uma ótima companhia para qualquer pessoa, principalmente em se tratando de bater perna por Cerise. <br />
<br />
Antes de seguir de volta aos dormitórios, passou na sala do Conselho Disciplinar, deixando alguns documentos lá para Peyrac e parou para cumprimentar o amigo e trocar algumas brincadeiras sutis, antes de voltar toda a sua atenção ao seu novo amigo:<br />
<br />
-- Bem, eu vou passar nos dormitórios para tirar o terno e por uma roupa mais confortável, a gente pode se encontrar na sala de convivência em 30 minutos, é tempo suficiente pra você? -- comentou bastante direto e sucinto já começando a entender que essa era a melhor forma de falar com o mais novo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Yure parecia bastante direto, até diria sincero, quando mencionou amigos. A ideia ainda era bastante alienígena para o ruivo menor, mas não sabia exatamente onde ele queria chegar com essa amizade. O que em Evelyn havia chamado a atenção dele?<br />
<br />
- Trivialidades, certo. - repetiu, o que deveria ser muito engraçado para o outro, já que ele parecia entretido com o que o aluno respondia. Mas que tipo de trivialidades seria? As únicas que pensava eram coisas a ver com a academia em si - Sim, eu acredito que só terei duvidas na hora de preencher, de fato…<br />
<br />
Acompanhou o que o outro fazia enquanto falava, vendo ele puxar o celular que seria impossível não ver com a quantidade de coisas que tinha presas à ele, e só pode se perguntar se aquilo não daria algum tipo de problema no aparelho. Era o que tinha ouvido falar. Concordou quando ele comentou que todos tinham algo para fazer, ficou um pouco curioso sobre o tipo de texto que ele estudaria no clube de teatro, mas não perguntou no mesmo instante. Poderia conversar sobre isso no “Jantar de Trivialidades”, pelo menos teria um assunto para discutir. Apenas assentiu positivamente com a fala do outro, para garantir que estava prestando atenção no que ele dizia.<br />
<br />
O seguiu quando ele sinalizou que deveria, e esperou que ele desligasse as luzes da sala:<br />
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- Eu sei pelo o que os panfletos turísticos falaram, realmente, não tive oportunidade de conhecer melhor a cidade - concordou, não admitindo que em primeira instância não estava tão curioso a conhecer o espaço da cidade turística em si. Pensava mais em passar seu tempo dentro da academia estudando, como sempre - Eu acredito que deva ser. Especialmente se a dita pessoa já morar na cidade há algum tempo. - não sabia de onde o ruivinho era, se era mais um dos muitos alunos que vieram de fora, como o próprio Evelyn, ou se era nativo da cidade. De todo modo, morando lá há mais tempo, poderia apresentar os pontos melhor que andar perdido.<br />
<br />
Yure era bastante expansivo, era a primeira palavra que vinha para Evelyn descrever o outro ruivo, ele acabava sendo um tipo de pessoa que o alemão não tinha exatamente muito contato, então acabava ficando um pouco perdido em como reagir com uma pessoa tão solícita. Continuou o acompanhado pelos corredores, até ele ir para outra sala que seria a do Conselho Disciplinar. Preferiu esperar do lado de fora, dando espaço para que ele conversasse com o membro do outro conselho, que viu de relance ser um cadeirante. Quando ele saiu e voltou a sua atenção para o ruivo menor, assentiu positivamente à pergunta.<br />
<br />
- Sim, é tempo o suficiente, acredito que consigo ficar apresentável. - respondeu, já pensando em que combinação de roupas faria para andar sem muitos problemas por Cerise e sem sofrer com o calor - Sala de convivência? Certo. Não irei me atrasar, até daqui a pouco. - se despediu do outro e fez caminho até seu quarto, onde encontrou com o outro alemão e explicou por cima por onde iria.<br />
<br />
Trocou de roupa, já pensando em uma boa roupa casual para andar por Cerise e ainda poder andar por algum lugar. Optou então por um shorts preto, junto à uma camisa branca mais folgada e uma jaqueta jeans mais simples por cima, terminando o conjunto com um tênis preto. Como não estava mais usando o terno, preferiu então arrumar e deixar os cabelos ruivos soltos. Parecia ser uma boa combinação de roupas, ressaltava bastante a androginia que possuía, e assim não pareceria nem formal demais ou despojado demais. Se despediu do companheiro de quarto, e fez então seu caminho até a sala de convivência.<br />
<br />
Chegou na sala de convivência e esperou pela presença do outro, aproveitando para mexer no próprio celular, que tinha uma capa branca e nada preso ou colado como a do ruivo, e trocar algumas mensagens com sua amiga. No final, não se importava se os outros alunos olhassem ou não, estava muito entretido no próprio aparelho.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O ruivo mais velho se despediu do seu mais novo amigo, e foi em tempo ao seu dormitório, tomou um banho breve depois de se livrar do uniforme de St. Clavier., para por roupas mais confortáveis, calça jeans preta, camisa branca com mangas compridas preta, jogou por cima um casaco xadrez vermelho com capuz e mangas compridas, um tênis vermelho bem chamativo, pos os fones apenas pelo hábito. Algumas pulseiras pretas num dos braços e lembrou de sair bem perfumado -  afinal ser adolescente era uma droga em alguns aspectos-.<br />
<br />
Chegou a sala de convivência para se deparar com um Evelyn em um visual casual completamente diferente, e nem tentou esconder a surpresa na expressão ao encontrar o ruivo mais jovem: -- Nossa! Você está fantástico! Sério. -- Yure se aproximou do outro rapaz, mas ainda deixando uns bons 50 cm de distância entre os dois, e sorriu amplo para o mais baixo: -- Você fica bem de terno e de roupa casual, nossa. Se bem que eu nem devia ficar surpreso, você é muito bonito. Ah, é… eu não perguntei antes, mas eu devo te chamar de “o Evelyn” ou “a Evelyn” ou apenas de “Evelyn”? Tipo, neutro?<br />
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O ruivo perguntou bem direto, pra facilitar a convivência ali, já tinha notado que o rapaz mais novo era bem andrógino, mas pelo gosto por vestir roupas mais femininas, ele podia querer ser chamado de outra forma não era? E era até curioso porque aquele tipo de combinação de short curto com uma sobreposição soltinha era o tipo de coisa que uma outra pessoa gostava de usar, e o pensamento lhe fez puxar o celular pra distrair a cabeça. Checou os horários dos ônibus que passavam do lado de fora da Academia masculina:<br />
<br />
-- Seguinte, como Cerise é uma cidade, e não dá pra gente andar por toda ela antes de bater o toque de recolher, vamos pegar um distrito pra olhar por vez, hoje vou te levar pra conhecer Bleu. O itinerário que eu montei enquanto me arrumava é pegar um ônibus aqui, saltar na orla, mostrar os principais pontos e de lá, a gente acha um restaurante que seja legal pra nós dois, afinal eu sou vegetariano, mas como em quase qualquer lugar. Alguma objeção?<br />
<br />
Esperou apenas algum apontamento do mais novo para seguirem até a entrada principal de St. Clavier e pegarem ônibus, bonito do jeito que estavam, até pareciam um casal saíndo para algum encontro, mas no meio do caminho o ruivo apenas cumprimentou alguns alunos de outros anos, mas não recebeu nenhuma pergunta indesejada no meio do caminho, embora imaginasse que fosse surgir alguma fofoca. Não demorou para que o ônibus passasse tendo o horário certo para o mesmo, e os dois pegaram condução rumo a orla, naquele horário de final de tarde ainda pegavam algum trânsito, então os ruivos tinham tempo dentro do coletivo antes de chegarem de fato no ponto onde iriam descer. Yure alternava a atenção entre o seu novo amigo, e as respostas aos grupos do celular, e em determinado momento, gesticulou como se fosse tirar uma self mas parou no meio do caminho, virando-se na direção de Evelyn:<br />
<br />
-- Se importa de tirar foto? Se for problema eu tiro sozinho, pessoal do grupo de Parkour perguntando o que eu tô fazendo da vida agora. -- comentou de forma muito natural e despreocupada.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Nas mensagens que trocava no celular com a amiga, falava que iria sair para conhecer a cidade com o presidente do Conselho Estudantil. Não entrou muito em detalhes por que também não sabia ainda exatamente para onde iriam, imaginava que como o outro ruivo seria seu guia, el já teria algum tipo de ideia de o que gostaria de mostrar.<br />
<br />
Como não prestava atenção nos arredores, estava apenas atento se escutava alguém o chamando, foi pego um pouco de surpresa ao ser chamado de fantástico, prontamente levantando o olhar e reparando no outro ruivo em trajes muito mais casuais que antes, mas que também caíam muito bem nele. Ser chamado de fantástico na sua aparência era algo estranho, especialmente vindo de alguém que só queria a sua amizade para conversar trivialidades, não havia necessidade de elogiar o outro assim. Se levantou de onde estava sentado, agora que o outro havia se aproximado, e sorriu educado ao elogio:<br />
<br />
- Eu agradeço o elogio. Como não sabia exatamente para onde iríamos, não sabia se estava vestido roupas certas para o caso. - admitiu, apesar do ruivo maior continuar regando elogios sobre Evelyn, ainda era estranho. Especialmente quando ele perguntou como queria ser tratado, isso era um problema? Já havia sido confundido com uma mulher em certas ocasiões, mas isso nunca o incomodava. Na verdade, nunca havia parado para pensar no caso - Acredito que “o Evelyn” seja melhor, mas eu não me importo muito. Sei que as pessoas acabam confundindo e isso não me incomoda.<br />
<br />
Verdadeiramente achava até engraçado quando acontecia, mas não podia culpar as pessoas. O tempo de guardar o celular de volta foi o tempo do outro puxar o próprio aparelho. Talvez tivesse recebido uma mensagem, mas depois recebeu as informações sobre o itinerário que fariam. Havia ouvido falar sobre Bleu, a parte mais nobre da cidade turística, com restaurantes caros, teatros, e inclusive alguns bares que funcionavam à noite. Concordou com o itinerário assentido positivamente, e até deu um riso baixo sobre o outro ser vegetariano. Não teriam problemas sobre comida:<br />
<br />
- Está tudo bem, não possuo nenhum tipo de objeção à sua proposta. Eu estava curioso sobre conhecer a orla, na verdade… - não costumava ter tempo de lazer para visitar praias, e as “praias” que existiam em Berlin eram artificiais e estavam mais para rios do que praias de verdade. Verdadeiramente estava curioso com o aquário que havia ouvido falar que existia, mas isso poderia ficar para outro momento - Eu também sou vegetariano, então acho que você também pode indicar um restaurante sem se preocupar muito. - não sabia os motivos do outro de não comer carne, mas no seu caso, possuía uma dieta tão restrita que no final era mais fácil se livrar de qualquer tipo de carne, o que não foi difícil. - Vai ajudar bastante caso algum dia eu precise sair sozinho.<br />
<br />
Não era exatamente a melhor pessoa para desenvolver conversas casuais, mas estava se esforçando, e assim seguiu Lukashenko - que cumprimentava diversos alunos no caminho - pelos corredores da instituição. Chegarem no ponto de ônibus e no horário estipulado, o transporte chegou e puderam dar caminho até o distrito de Bleu. Sentou-se ao lado da pessoa que o acompanhava e deixou o celular sobre as pernas, mas não mexendo nele diretamente, apenas atento caso recebesse alguma mensagem. Fez algumas conversas com o outro ruivo, já que o trânsito do horário ainda faria com que levassem mais algum tempo, era novo, estranho, mas não necessariamente ruim.<br />
<br />
Percebeu a menção do outro em tirar uma foto e de maneira automática se afastou um pouco, imaginando que ele queria tirar uma foto dele mesmo, e então fazendo uma expressão confusa quando ele perguntou se poderia tirar uma foto com o próprio Evelyn.<br />
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- Hm… Comigo? - trocava fotos com Letty, mas eram mais das coisas que via, não necessariamente do próprio ruivinho. Imaginava que devia ser algo comum de amigos, ou desse grupo específico dele - Claro, sem problema. - Não costumava tirar selfies com outras pessoas, mas se esforçou para sorrir para a foto, em seguida fazendo uma pergunta - Desculpe se eu estiver sendo indiscreto, mas você mencionou um grupo de Parkour, certo? Eles também são de St. Clavier ou...? - deixou em aberto, imaginando que Lukashenko deveria conhecer pessoas fora de St. Clavier, diferente do próprio Evelyn.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Não sabia dizer se era o fato de ter lembrado de um certo alguém e isso ter lhe deixado meio avoado, ou talvez, um pouco perdido no limite de pedir pra tirar foto com seu mais novo amigo, que ainda estava se acostumando ao fato de que tinha um novo amigo. Clicou o celular numa foto sorrindo e depois fez uma careta engraçada, e depois de enviar apenas se atentou ao fato de que o outro era realmente um rapazinho muito elegante, mas o jeitão de criança arrumada fazia o ruivo mais velho apenas encara-lo como muito bonito e nada mais. Encarou o outro quando foi perguntado diretamente sobre o grupo de parkour e acenou negativamente com a mão livre: <br />
<br />
— Ah, não, eles não são de St. Clavier, dois deles são formados já, e os outros dois tão meio que postergando pra entrar na faculdade, mas eles são bem legais, eu sou o mais novo do grupo. — pausou o comentário quando lembrou que tinham uma “mascota”, e foi em tempo do aparelho vibrar com spam de mensagens dos amigos perguntando quem era a “fofura” ou a “beldade”: — Pra variar eles te confundiram com uma menina, suave, eles são meio cabeça de vento mesmo. Faz uns meses que a gente não se encontra, porque eu tive de passar as férias na casa dos meus avós, longa história. —  acenou com a mão indicando que aquilo iria demorar: — Aqui, vamos descer.<br />
<br />
Apontou pra janela, onde já era possível ver o oceano, a praia, e o sol da tarde banhando toda a região de laranja, dito isto o ruivo se levantou de onde estava puxando a cordinha e dando sinal de parada do transporte coletivo:<br />
<br />
— Ah! eu queria descer aqui mesmo porque eu gosto do cheiro salgado, quando o vento sopra se o seu dormitório ficar virado pra cá, você consegue sentir esse cheiro bom. Eu gosto demais, já andei muito de bicicleta por aqui com a Katrina quando eu era pequeno. — O ruivo puxou o celular tirou umas duas fotos, depois pôs ele no silencioso e guardou no bolso: — pronto, livre dos meus outros amigos, agora eu estou todo a sua disposição. — Falou em tom teatral fazendo uma reverência exagerada, sorrindo bobo em seguida:<br />
<br />
— Bleu é o distrito turístico, o pessoal da política quer vender esse bairro como a cara da cidade, e se você gosta de hotéis desconstrutivistas aqui é um prato cheio, apesar da cidade ser histórica, o fato dela ficar próxima de Paris mas ainda assim entre outras cidades do interior de alta produção de vinho e alimentos, tornou esse lugar um ponto central, pense como uma encruzilhada: Se você sai do interior rumo a Paris para aqui, toma uns vinhos e segue, e o contrário também, se você está fugindo da agitação da cidade luz pra buscar sossego nas fazendas do interior, ainda é parada garantida em Cerise. — O ruivo caminhou até um dos muitos mirantes que tinha uma placa informativa da região, típica para turistas: — Geralmente se você for largado por um ônibus turístico eles vão começar o itinerário por aqui, por volta das 7hs da manhã aqui tá cheio de vendedor de tranqueiras, esperando os turistas chegarem, eles costumam descer fazendo o contorno da orla  e então são levados pros hotéis, a maioria tem restaurante próprio, mas se você seguir pro meio do distrito chega nas boates como o The Capitol que é a mais antiga.<br />
<br />
O ruivo fez o caminho inverso, do itinerário turístico, subindo em um dos bancos longos e ficando uns 60cm mais alto do que já era em relação a Evelyn: — Mas nós vamos pegar caminho contrário, nem tudo em Bleu é caro, e nos limites desse distrito com Griss é onde tem uns lugares legais, como o aquário, nós vamos dar uma passada perto pra você saber chegar só, sem a minha ajuda — o ruivo alargou mais o sorriso enquanto apontava pra si mesmo: — afinal, daqui pra frente, você vai fazer mais um monte de amigos e vai precisar ter lugares legais pra levá-los, só precisa se atentar de não andar de noite e acabar se perdendo e ir parar em Griss, mas eu te ensino a andar por lá depois, de preferência de manhã.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Aparentemente, o outro ruivo havia ficado satisfeito com as fotos que foram tiradas, o que deixou Evelyn bastante aliviado. Realmente, não estava acostumado com esse tipo de interação, era quase alienígena. Ficou feliz que a sua pergunta sobre o tal grupo de Parkour não foi completamente errada, mas riu de maneira contida quando ele mencionou sobre os amigos terem confundido o garoto com uma garota. Novidades:<br />
<br />
- Tudo bem, como eu disse, eu sei que a minha aparência causa esse tipo de confusão. - ficou um pouco curioso, mas não muito, sobre ele ter mencionado ter ficado na casa dos avós, porém não teve chance de continuar a conversa por ser avisado que estavam próximos da parada.<br />
<br />
Olhou para a janela que foi indicada e a vista do mar era extremamente bonita. Certamente entendia por que a ideia de ir à praia atraia tantas pessoas. Acompanhou o ruivo para descer do transporte e foi impossível não ser recebido pelo cheiro forte da maresia.<br />
<br />
- Dá pra sentir isso lá da academia? Nossa. - comentou, verdadeiramente surpreso. Seu dormitório com Berthold não tinha esse tipo de luxo de poder sentir o vento vindo do mar, mas pelo menos sabia que não teria tanto problema de ir de ônibus até a orla se quisesse aproveitar um pouco da vista. Arqueou a sobrancelha quando ele mencionou o nome de uma mulher, mas rapidamente associou que deveria ser a mãe do outro. Achou engraçado e até um pouco teatral a maneira que ele disse que agora estava à disposição de Evelyn, que notoriamente sorriu um pouco mais relaxado. Não estava sendo uma experiência de toda ruim.<br />
<br />
- Hmn, se não se importa, como você sabe tanto sobre a parte de arquitetura? - decidiu perguntar quando teve uma brecha, estava verdadeiramente curioso sobre onde ele havia lido ou pesquisado sobre.<br />
<br />
Acompanhou o caminho que o ruivo fazia, mantendo uma postura correta e segurava uma mão atrás das costas, enquanto explicava sobre o bairro, inclusive falando sobre a arquitetura de alguns hotéis. Ele aparentava saber bastante sobre o assunto, mais do que alguém que apenas cresceu e foi criado na cidade, mas as informações do ponto de vista de uma pessoal local era realmente muito mais informativo do que os folhetos e cartilhas que havia lido antes de ir. Pelo menos saberia que aparecer naquela região muito cedo, teria de enfrentar contato com os vendedores, pelo menos poderia tentar evitar isso.<br />
<br />
Parou os próprios passos quando Lukashenko subiu em um banco, criando uma diferença ainda maior de altura entre ele e Evelyn, o que fez o ruivo menor ter que dar alguns passos para trás para não precisar inclinar tanto o rosto para observa-lo. Era engraçado e curioso como o ruivo maior era tão expressivo, e realmente genuíno nas coisas que estava fazendo e falando. Não estava acostumado com esse tipo de interação, então ainda tinha um certo grau de desconfiança, mas aos pouco estava ficando mais à vontade na presença do outro.<br />
<br />
Sentiu uma pequena empolgação surgiu quando ele mencionou sobre o tal aquário, mas conteve a empolgação, porém não pode conter a expressão confusa quando ele falou que em breve Evelyn faria novos amigos:<br />
<br />
- Novos amigos?... - perguntou com a voz um pouco mais baixa, ainda incerto no que ele queria dizer com aquilo, nem se preocupou tanto sobre a parte de ter cuidado em andar por Griss de noite - Eu, hmn…. Como posso dizer. - ponderou, cruzando os braços e inclinando um pouco a cabeça - Eu não tenho a sua desenvoltura para fazer amigos, então não acho que eu vá ter “novos amigos” para trazê-los aqui.<br />
<br />
Foi bastante objetivo nas palavras, como sempre era, e esperava que o outro entendesse. Havia também o fato que não tinha exatamente tempo para fazer amigos, apesar de Lukashenko ter já se “apresentado” na segunda vez como seu mais novo amigo, Evelyn ainda tinha em mente que amizades não eram o primeiro objetivo, muito menos o segundo. Logo, não eram sua prioridade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo se divertia falando sobre a cidade de Cerise, era um local que tinha apreço, era onde tinha crescido e conhecido a maioria das pessoas importantes de sua vida, era onde sua mãe estava enterrada, e um lugar que a despeito das ocorrências recentes negativas, não podia negar que amava. Riu mais abertamente quando o mais novo lhe perguntou como sabia tanto de arquitetura, mas não respondeu imediatamente se dando tempo em explicar mais coisas sem perder a linha de raciocínio do que estava narrando. Mas não deixou passar batido o comentário do outro sobre não ter novos amigos pra levar naquele lugar, era curioso como as pessoas se colocam na situação de serem isoladas, como umas ilhas de cárcere, onde elas mesmas eram as prisioneiras, curioso, entendia, mas não queria colaborar para que o mais novo amigo mantivesse aquele hábito em particular.<br />
<br />
-- Bem, sobre entender de arquitetura, uma das minhas mães é professora de história na academia feminina de Limoges-Collet, ela tem especialidade em História da arte, e eu desde pequeno acompanhei ela em congressos, feiras, e vi de perto ela montar apresentações, e já fui até pra algumas aulas dela, quando era menor. -- Embora não estivesse no melhor ânimo com a mãe, não podia negar as coisas que tinha aprendido com a mulher: -- História da arte está pra mim, como provavelmente ciência e finanças está pra você. -- O ruivo brincou e finalmente desceu do banco, se aproximando de uma das barracas pra pedir duas garrafas de água, estendendo uma na direção de Evelyn, antes de continuarem com a caminhada de fim de tarde:<br />
<br />
-- Agora sobre o fato de você supostamente não ter amigos pra trazer pra cá, aí eu já não concordo sabe. -- ele comentou de forma despretensiosa, abrindo a garrafa de água e tomando um gole, apenas pra dar tempo de Evelyn pensar sobre o que tinha dito, e criar uma sensação de expectativa sobre o que o próprio Lukashenko completaria na frase: -- Você foi hoje a sala do conselho atrás de reativar o clube de ciências, um clube não pode existir sozinho, ele precisa de pessoas, você obviamente pode encarar as pessoas que vão fazer parte do clube apenas como colegas de trabalho, mas isso não impede que as pessoas desenvolvam afeto, carisma e atenção por você Evelyn, e assim por ventura quererem ser seus amigos.<br />
<br />
Apontou a garrafa de leve na direção do ruivo ao seu lado, e depois apontou a frente, no que já era possível vislumbrar a construção em vidro, com reflexos azuis vinda do aquário da cidade: -- é mais fácil conversar com você e gostar da sua companhia do que você pode estar julgando Evelyn.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Esperava algum tipo de reação negativa do outro quando explicou sobre as poucas chances com novas amizades, mas ele não parecia ter se importado muito com o que foi dito, até mesmo rindo mais abertamente e voltando ao assunto sobre arquitetura.<br />
<br />
Percebeu sobre o outro ter "duas mães", e apesar de não ser algo que ouvisse todo dia, estava verdadeiramente mais interessado sobre onde o outro havia aprendido tanto sobre a arquitetura local. O único detalhe que foi um pouco amargo foi a comparação feita no final, mas não demonstrou.<br />
<br />
— Ah. Sim, entendo. Realmente são similares. Ela realmente parece ser uma mulher incrível, especialmente por ter tanto conhecimento. — respondeu enquanto aguardava o outro descer do banco, e seguir o acompanhando até as barracas, onde ele pediu e entregou uma delas ao pequeno ruivo. <br />
<br />
Com uma das mãos ocupadas, procurou algum dinheiro que tivesse no bolso com a outra, afinal não deixaria que pagassem por algo que era completamente capaz de comprar. Fazia isso enquanto continuavam a caminhada, e teve a atenção chamada exatamente pelo tópico que estava receoso. Deixou um audível "Hm?" escapar dos lábios fechados, enquanto o outro parecia muito confortável tomando seu gole de água. Não poderia dizer de uma vez?!<br />
<br />
Depois do pequeno suspenso, Lukashenko explicou seu raciocínio durante a caminhada dos dois. Fazia sentido, afinal era bastante comum ver coisas assim acontecerem, de pessoas que trabalham juntas desenvolverem um cuidado com as outras. Mas sinceramente, nunca havia sido sorteado para passar por uma experiência como essa.<br />
<br />
Teve a garrafa apontada para si e então para frente, guiando seu olhar até a construção do aquário. Era bonito como imaginava, e imaginar o que havia lá era uma empolgação à parte. E ainda assim, Lukashenko deixou a breve deixa sobre Evelyn ter uma imagem errada de si mesmo.<br />
<br />
— ... Eu não quero dizer que está errado, Lukashenko, porque você não está. Realmente, colegas de trabalho podem muito provavelmente construir uma relação amigável com o passar do tempo. Porém devo dizer que com o que já trabalhei, não passei por algo assim — explicou, segurando a garrafa em uma mão e o dinheiro em outra — Mas, não é problemático para o trabalho? Relações assim não podem acabar atrapalhando a produtividade, ou até mesmo, os interessantes de ambas as partes? — concluiu o pensamento, então estendendo o dinheiro para o outro — Eu não sei como minha companhia seria benéfica para a outra parte. Ah, e aqui. Pela garrafa de água.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Botanic Panic [Ciel]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=343</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:38:05 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=103">Emil</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=343</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Uma das melhores coisas que tinha feito foi entrar no clube de jardinagem, Yure foi um anjo em apresentar o gordinho para o pessoal. A estufa era bonita e podia juntar seu amor por plantas com atividades extracurriculares, e sinceramente, como ele podia reclamar? Não tinha que sair correndo para os cantos ou ser ultra inteligente como alguns dos outros cursos, estava feliz de poder ser mais dele mesmo com o pequeno grupo de novos colegas, embora ainda fosse bastante desastrado.<br />
<br />
Como membro noviço, a sua obrigação inicial era de obedecer os seus veteranos e pegar todo o trabalho que estivesse ao seu dispor, nada muito complicado que ficaria estressando sobre. No entanto, nesse dia tinha recebido o trabalho de contabilizar os materiais na sala adjacente à estufa, nunca tinham pedido para ele fazer isso antes, talvez estivesse finalmente ganhando a confiança do pessoal?<br />
<br />
Chegar lá era um processo muito fácil, difícil foi conseguir entrar, a porta estava trancada e nenhum sinal de vida do líder do clube em vista. Fazendo o caminho de volta pensando na sua pose de derrota, o gordinho acabou encontrando Arakawa que sugeriu para que procurasse o jardineiro, já que o mesmo também tem a chave. Confuso sobre quem seria esse jardineiro, apenas recebeu a pista mais vaga que poderia receber num lugar como St.Clavier; É um cara bonito, você vai saber quem é.<br />
<br />
Sem querer se estender por mais tempo, se despediu do colega e foi atrás do “Jardineiro Hemsworth”, pela profissão, imaginou que perambulando pelos jardins uma hora iria encontrá-lo.<br />
 <br />
- Já estou vendo que vai ser difícil… - suspirou o moreno, colocando o telefone no bolso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Era mais um dia de trabalho em St. Clavier, felizmente já havia resolvido o “problema verde” com o professor de biologia e o zelador. O acontecimento tinha rendido muitos pontos positivos e histórias que realmente não imaginaria vindo de um dos dois. No mais, havia sido um encontro bastante produtivo, porém, também descobriu que precisaria ficar mais atento às pessoas que passavam pelo jardim com outras intenções.<br />
<br />
Estava na sua rotina cotidiana, havia ouvido fofocas sobre alguns alunos naquele período, boa parte nem um pouco importante, mas também boatos bem interessantes sobre alguns clubes. Foi guardando as informações enquanto fazia seu trabalho, podando, regando e adubando as plantas que precisavam, passando de um ponto para o outro do jardim.<br />
<br />
Em uma dessas travessias, viu a figura de um garoto gordinho de cabelos encaracolados perambulando por ali. Ciel costumava gostar de lembrar o rosto dos alunos dos clubes, era mais fácil do que lembrar por nome, por isso não foi difícil de reconhecer o pequeno como um dos novos membros do clube de jardinagem. Ainda carregando o seu equipamento de trabalho, usando os trajes de epi, um chapéu de palha para ajudar com o sol de verão da frança sobre a cabeça, e claro, algumas presilhas coloridas no cabelo para evitar que caissem sobre os olhos. Se aproximou do garoto, fazendo um breve aceno com a mão que tinha livre:<br />
<br />
- Boa hora menino! - sorriu simpático, o menor parecia um anjinho de perto com os cabelos encaracolados - Parece meio sem rumo, se perdeu de alguma atividade do seu clube?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Tinha perambulado pela área por um certo tempo, estava realmente confuso sobre quem seria o jardineiro. Deu olhadas periódicas no seu celular, estava se atrasando. Não se preocupou muito pois teve a atenção chamada por alguém, uma voz amigável, para diferenciar.<br />
<br />
Virando-se, se deparou de pura certeza com o jardineiro. ''Não estavam brincando... Ele é bem bonito'', sentiu as bochechas aquecerem em vergonha, o mais velho pareceu bem simpático e aberto à conversar, um tanto diferente de certas pessoas que já conheceu. - O...Olá... Eu estou procurando o Senhor Hemsworth... É o senhor? Disseram que eu ia saber quando o visse... -desviou o olhar, colocando uma das mechas do cabelo atrás da orelha. Se os aparatos específicos de jardim não estivessem mais óbvios, a pergunta seria seu cheque mate.- me pediram para contabilizar os materiais na salinha do lado da estufa, mas tava tudo trancado, me falaram que-que o jardineiro teria a outra chave...<br />
<br />
O jardineiro comentou se o mesmo estaria perdido, o que foi respondido com um leve aceno positivo, tinha começado a notar que ficava cada vez mais tímido com a presença de pessoas bonitas.- O senhor está ocupado agora? eu posso esperar se estiver....<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Tentou lembrar se tinha ouvido falar de alguma atividade do clube de jardinagem, quem sabe assim pudesse guiar o menor para o lugar? Mas quanto mais pensava, não se lembrava de ter escutado nada sobre atividades dos alunos ou do professor de biologia que era responsável pela estufa.<br />
<br />
Mantia o sorriso amigável enquanto esperava a resposta do menor. Achou uma gracinha quando ele o encarou e pareceu ficar um pouco envergonhado, até pela maneira desajeitada que ele perguntou se era o "Senhor Hemsworth", explicando que precisava contabilizar os materiais da sala da estufa. Fez um aceno positivo com a cabeça, mas ainda assim riu pelo sobrenome trocado. Não era o de um ator famoso?<br />
<br />
- Bom, eu sou o jardineiro, mas certamente não sou "Hemsworth". O único australiano é o professor de biologia de vocês - comentou entre risos, tentando manter a compostura - Mas estou com a chave sim. - fez um breve aceno positivo com a mão quando ele perguntou se estava ocupado, apenas abrindo outro sorriso para o outro - Estou trabalhando, mas posso dispor de um tempo para ir até lá sem problema algum. Vamos, eu abro a porta para você.<br />
<br />
Pediu que o garoto o acompanhasse e andou ao seu lado, aproveitando então para perguntar mais sobre ele:<br />
<br />
- Desculpe a pergunta, mas você seria o...? Eu já vi você com o resto do clube de jardinagem, mas sou péssimo em lembrar nomes, peço desculpas. - se adiantou com o aviso, imaginando que talvez trocasse o nome do outro quando se encontrassem uma outra vez - Ah, e é Elsworth, apesar de Hemsworth soar muito bem do mesmo jeito hahaha! Mas pode me chamar só de Ciel, senhor é formal demais.<br />
<br />
Não demorou muito para chegarem até a estufa, onde deixou de lado as ferramentas que carregava para abrir a porta da sala. Deixou que o menor passasse primeiro, para depois entrar em seguida:<br />
<br />
- Eles te explicaram como eles querem contabilizado, ou só pediram que fizesse a contagem?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Sentiu o topo das orelhas aquecerem ao ver que tinha trocado o nome do jardineiro com o de um ator que gostava, mais uma para o livrinho da vergonha- ah! desculpe! Eu devo ter escutado errado.  - acenou positivamente em acompanhar o mais velho até o seu destino, não queria ocupar mais tempo do trabalho dele.<br />
<br />
Brincou com os dedos por uns instantes enquanto caminhava, até ter sua atenção chamada pelo mais velho novamente. Ele não parecia irritado com a gave, pelo contrário, mal tinha parado de rir da situação. - Um... Eu sou Emil, não tem problema esquecer o meu nome - sorriu torto para o mais velho, sem saber como lidar com a situação, tomando nota mental de não chamá-lo de senhor mais.<br />
<br />
Ao entrar na sala, olhou em volta e encarou os materiais, finalmente começaria o seu serviço, se não contar com o fato que não fazia ideia de como fazer.<br />
<br />
-Bom... eles pediram para eu fazer a contabilização dos materiais só, acho eu que tenho que fazer uma...lista? Não sei... Mas não precisa tomar mais do seu tempo senh- Ciel, você já deve estar ocupado - pegou o celular do bolso com esperança de alguém do clube estar online no momento para ajudá-lo ou dar no mínimo direções, só esperava fazer tudo certo e acabar logo com isso.<br />
<br />
-Muito obrigado pela ajuda, eu provavelmente teria ficado sentado esperando algum milagre acontecer.. - sorriu para o mais velho um tanto aliviado, tentando reduzir sua ansiedade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Era engraçado como o menor havia ficado tão desesperado sobre ter confundido seu sobrenome. Apenas riu e pediu que deixasse pra lá, isso não incomodava de maneira alguma. Mas não pode deixar de estranhar ao apontamento que não precisava se lembrar, o que deixou o britânico com uma pulga atrás da orelha:<br />
<br />
- Ora, por que esquecer-- - parou por um instante, levando a mão em frente a boca e rindo baixo - Digo, eu sou péssimo com nomes. Mas agora que você disse que eu posso esquecer, farei questão de não esquecer o seu, Emil. - assegurou o mais novo logo antes de abrir a porta da sala.<br />
<br />
Percebeu como ele parecia se encolher ali, apesar da sala ser bem espaçosa, ele queria ocupar o menor espaço possível. E mesmo quando perguntou como seria o trabalho que ele precisava fazer, ele parecia estar um pouco perdido em por onde exatamente começar. Deixou a bolsa de ferramentas que carregava de lado, em seguida apoiando uma mão na cintura e levando outra até o queixo, pensativo:<br />
<br />
- Bom, querendo ou não saber a quantidade de materiais também ajuda com a minha parte do trabalho. Posso te ajudar então, e aí você resolve das próximas vezes sozinho, o que acha? - sugeriu, apesar de no fundo acreditar que os membros do clube de jardinagem não deveriam ter simplesmente jogado o mais novo para resolver a situação de qualquer jeito. Seria bom ter alguém para ajudá-lo pelo menos nesse tipo de tarefa - Além de que, se você for contabilizar isso tudo, fica livre dos afazeres do clube mais cedo, o que acha?<br />
<br />
Disse, bastante solícito para o mais novo, mas não se aproximou muito dele. A última coisa que queria era deixar o menino desconfortável: - E não foi por nada, não iria querer deixar você ao relento. Então, por onde quer começar? - Deixou que ele escolhesse para assim ter mais controle da situação. Conforme olhassem os materiais, tiraria qualquer dúvida que ele tivesse sobre qual seria a melhor maneira de contabilizar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
O mais velho parecia brincar com as palavras do garoto, o que  de certa forma deixava mais fácil de se descontrair, falando que só porquê não tinha problema esquecer agora iria lembrar seu nome ou se oferecendo a ajudar mesmo que não seja sua obrigação.<br />
<br />
O mais novo riu da ideia de sair mais cedo das atividades do clube, certamente seria ótimo e poderia ir cuidar das suas próprias plantas mais cedo e quem sabe fazer um pouco do dever acumulado de química que tanto estava evitando. - Verdade, se não for incômodo... Eu gostaria de um pouco da sua ajuda - desbloqueou o celular para ver uma lista com nomes de vários materiais.<br />
<br />
 - Eu tenho uma lista com os nomes de algumas coisas,acho que seria melhor a gente começar por ela e daí ver o que falta, o que precisa renovar ou alguma informação a mais .- Mostrou a lista para o jardineiro e com a direção dele começaram a contabilizar, a personalidade de Ciel fez com que aos poucos o gordinho se soltasse.<br />
<br />
Algumas dúvidas e contagens perdidas depois, Emil conferiu seus números novamente e sorriu para o mais velho- Se tudo estiver certo, e eu acho que está, finalmente está feito. Muito obrigado senh-Ciel. Só me resta entregar essas informações mas essa parte eu posso fazer só - colocou o celular novamente no bolso, orgulhoso do trabalho feito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Uma das melhores coisas que tinha feito foi entrar no clube de jardinagem, Yure foi um anjo em apresentar o gordinho para o pessoal. A estufa era bonita e podia juntar seu amor por plantas com atividades extracurriculares, e sinceramente, como ele podia reclamar? Não tinha que sair correndo para os cantos ou ser ultra inteligente como alguns dos outros cursos, estava feliz de poder ser mais dele mesmo com o pequeno grupo de novos colegas, embora ainda fosse bastante desastrado.<br />
<br />
Como membro noviço, a sua obrigação inicial era de obedecer os seus veteranos e pegar todo o trabalho que estivesse ao seu dispor, nada muito complicado que ficaria estressando sobre. No entanto, nesse dia tinha recebido o trabalho de contabilizar os materiais na sala adjacente à estufa, nunca tinham pedido para ele fazer isso antes, talvez estivesse finalmente ganhando a confiança do pessoal?<br />
<br />
Chegar lá era um processo muito fácil, difícil foi conseguir entrar, a porta estava trancada e nenhum sinal de vida do líder do clube em vista. Fazendo o caminho de volta pensando na sua pose de derrota, o gordinho acabou encontrando Arakawa que sugeriu para que procurasse o jardineiro, já que o mesmo também tem a chave. Confuso sobre quem seria esse jardineiro, apenas recebeu a pista mais vaga que poderia receber num lugar como St.Clavier; É um cara bonito, você vai saber quem é.<br />
<br />
Sem querer se estender por mais tempo, se despediu do colega e foi atrás do “Jardineiro Hemsworth”, pela profissão, imaginou que perambulando pelos jardins uma hora iria encontrá-lo.<br />
 <br />
- Já estou vendo que vai ser difícil… - suspirou o moreno, colocando o telefone no bolso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Era mais um dia de trabalho em St. Clavier, felizmente já havia resolvido o “problema verde” com o professor de biologia e o zelador. O acontecimento tinha rendido muitos pontos positivos e histórias que realmente não imaginaria vindo de um dos dois. No mais, havia sido um encontro bastante produtivo, porém, também descobriu que precisaria ficar mais atento às pessoas que passavam pelo jardim com outras intenções.<br />
<br />
Estava na sua rotina cotidiana, havia ouvido fofocas sobre alguns alunos naquele período, boa parte nem um pouco importante, mas também boatos bem interessantes sobre alguns clubes. Foi guardando as informações enquanto fazia seu trabalho, podando, regando e adubando as plantas que precisavam, passando de um ponto para o outro do jardim.<br />
<br />
Em uma dessas travessias, viu a figura de um garoto gordinho de cabelos encaracolados perambulando por ali. Ciel costumava gostar de lembrar o rosto dos alunos dos clubes, era mais fácil do que lembrar por nome, por isso não foi difícil de reconhecer o pequeno como um dos novos membros do clube de jardinagem. Ainda carregando o seu equipamento de trabalho, usando os trajes de epi, um chapéu de palha para ajudar com o sol de verão da frança sobre a cabeça, e claro, algumas presilhas coloridas no cabelo para evitar que caissem sobre os olhos. Se aproximou do garoto, fazendo um breve aceno com a mão que tinha livre:<br />
<br />
- Boa hora menino! - sorriu simpático, o menor parecia um anjinho de perto com os cabelos encaracolados - Parece meio sem rumo, se perdeu de alguma atividade do seu clube?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Tinha perambulado pela área por um certo tempo, estava realmente confuso sobre quem seria o jardineiro. Deu olhadas periódicas no seu celular, estava se atrasando. Não se preocupou muito pois teve a atenção chamada por alguém, uma voz amigável, para diferenciar.<br />
<br />
Virando-se, se deparou de pura certeza com o jardineiro. ''Não estavam brincando... Ele é bem bonito'', sentiu as bochechas aquecerem em vergonha, o mais velho pareceu bem simpático e aberto à conversar, um tanto diferente de certas pessoas que já conheceu. - O...Olá... Eu estou procurando o Senhor Hemsworth... É o senhor? Disseram que eu ia saber quando o visse... -desviou o olhar, colocando uma das mechas do cabelo atrás da orelha. Se os aparatos específicos de jardim não estivessem mais óbvios, a pergunta seria seu cheque mate.- me pediram para contabilizar os materiais na salinha do lado da estufa, mas tava tudo trancado, me falaram que-que o jardineiro teria a outra chave...<br />
<br />
O jardineiro comentou se o mesmo estaria perdido, o que foi respondido com um leve aceno positivo, tinha começado a notar que ficava cada vez mais tímido com a presença de pessoas bonitas.- O senhor está ocupado agora? eu posso esperar se estiver....<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Tentou lembrar se tinha ouvido falar de alguma atividade do clube de jardinagem, quem sabe assim pudesse guiar o menor para o lugar? Mas quanto mais pensava, não se lembrava de ter escutado nada sobre atividades dos alunos ou do professor de biologia que era responsável pela estufa.<br />
<br />
Mantia o sorriso amigável enquanto esperava a resposta do menor. Achou uma gracinha quando ele o encarou e pareceu ficar um pouco envergonhado, até pela maneira desajeitada que ele perguntou se era o "Senhor Hemsworth", explicando que precisava contabilizar os materiais da sala da estufa. Fez um aceno positivo com a cabeça, mas ainda assim riu pelo sobrenome trocado. Não era o de um ator famoso?<br />
<br />
- Bom, eu sou o jardineiro, mas certamente não sou "Hemsworth". O único australiano é o professor de biologia de vocês - comentou entre risos, tentando manter a compostura - Mas estou com a chave sim. - fez um breve aceno positivo com a mão quando ele perguntou se estava ocupado, apenas abrindo outro sorriso para o outro - Estou trabalhando, mas posso dispor de um tempo para ir até lá sem problema algum. Vamos, eu abro a porta para você.<br />
<br />
Pediu que o garoto o acompanhasse e andou ao seu lado, aproveitando então para perguntar mais sobre ele:<br />
<br />
- Desculpe a pergunta, mas você seria o...? Eu já vi você com o resto do clube de jardinagem, mas sou péssimo em lembrar nomes, peço desculpas. - se adiantou com o aviso, imaginando que talvez trocasse o nome do outro quando se encontrassem uma outra vez - Ah, e é Elsworth, apesar de Hemsworth soar muito bem do mesmo jeito hahaha! Mas pode me chamar só de Ciel, senhor é formal demais.<br />
<br />
Não demorou muito para chegarem até a estufa, onde deixou de lado as ferramentas que carregava para abrir a porta da sala. Deixou que o menor passasse primeiro, para depois entrar em seguida:<br />
<br />
- Eles te explicaram como eles querem contabilizado, ou só pediram que fizesse a contagem?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Sentiu o topo das orelhas aquecerem ao ver que tinha trocado o nome do jardineiro com o de um ator que gostava, mais uma para o livrinho da vergonha- ah! desculpe! Eu devo ter escutado errado.  - acenou positivamente em acompanhar o mais velho até o seu destino, não queria ocupar mais tempo do trabalho dele.<br />
<br />
Brincou com os dedos por uns instantes enquanto caminhava, até ter sua atenção chamada pelo mais velho novamente. Ele não parecia irritado com a gave, pelo contrário, mal tinha parado de rir da situação. - Um... Eu sou Emil, não tem problema esquecer o meu nome - sorriu torto para o mais velho, sem saber como lidar com a situação, tomando nota mental de não chamá-lo de senhor mais.<br />
<br />
Ao entrar na sala, olhou em volta e encarou os materiais, finalmente começaria o seu serviço, se não contar com o fato que não fazia ideia de como fazer.<br />
<br />
-Bom... eles pediram para eu fazer a contabilização dos materiais só, acho eu que tenho que fazer uma...lista? Não sei... Mas não precisa tomar mais do seu tempo senh- Ciel, você já deve estar ocupado - pegou o celular do bolso com esperança de alguém do clube estar online no momento para ajudá-lo ou dar no mínimo direções, só esperava fazer tudo certo e acabar logo com isso.<br />
<br />
-Muito obrigado pela ajuda, eu provavelmente teria ficado sentado esperando algum milagre acontecer.. - sorriu para o mais velho um tanto aliviado, tentando reduzir sua ansiedade.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Era engraçado como o menor havia ficado tão desesperado sobre ter confundido seu sobrenome. Apenas riu e pediu que deixasse pra lá, isso não incomodava de maneira alguma. Mas não pode deixar de estranhar ao apontamento que não precisava se lembrar, o que deixou o britânico com uma pulga atrás da orelha:<br />
<br />
- Ora, por que esquecer-- - parou por um instante, levando a mão em frente a boca e rindo baixo - Digo, eu sou péssimo com nomes. Mas agora que você disse que eu posso esquecer, farei questão de não esquecer o seu, Emil. - assegurou o mais novo logo antes de abrir a porta da sala.<br />
<br />
Percebeu como ele parecia se encolher ali, apesar da sala ser bem espaçosa, ele queria ocupar o menor espaço possível. E mesmo quando perguntou como seria o trabalho que ele precisava fazer, ele parecia estar um pouco perdido em por onde exatamente começar. Deixou a bolsa de ferramentas que carregava de lado, em seguida apoiando uma mão na cintura e levando outra até o queixo, pensativo:<br />
<br />
- Bom, querendo ou não saber a quantidade de materiais também ajuda com a minha parte do trabalho. Posso te ajudar então, e aí você resolve das próximas vezes sozinho, o que acha? - sugeriu, apesar de no fundo acreditar que os membros do clube de jardinagem não deveriam ter simplesmente jogado o mais novo para resolver a situação de qualquer jeito. Seria bom ter alguém para ajudá-lo pelo menos nesse tipo de tarefa - Além de que, se você for contabilizar isso tudo, fica livre dos afazeres do clube mais cedo, o que acha?<br />
<br />
Disse, bastante solícito para o mais novo, mas não se aproximou muito dele. A última coisa que queria era deixar o menino desconfortável: - E não foi por nada, não iria querer deixar você ao relento. Então, por onde quer começar? - Deixou que ele escolhesse para assim ter mais controle da situação. Conforme olhassem os materiais, tiraria qualquer dúvida que ele tivesse sobre qual seria a melhor maneira de contabilizar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
O mais velho parecia brincar com as palavras do garoto, o que  de certa forma deixava mais fácil de se descontrair, falando que só porquê não tinha problema esquecer agora iria lembrar seu nome ou se oferecendo a ajudar mesmo que não seja sua obrigação.<br />
<br />
O mais novo riu da ideia de sair mais cedo das atividades do clube, certamente seria ótimo e poderia ir cuidar das suas próprias plantas mais cedo e quem sabe fazer um pouco do dever acumulado de química que tanto estava evitando. - Verdade, se não for incômodo... Eu gostaria de um pouco da sua ajuda - desbloqueou o celular para ver uma lista com nomes de vários materiais.<br />
<br />
 - Eu tenho uma lista com os nomes de algumas coisas,acho que seria melhor a gente começar por ela e daí ver o que falta, o que precisa renovar ou alguma informação a mais .- Mostrou a lista para o jardineiro e com a direção dele começaram a contabilizar, a personalidade de Ciel fez com que aos poucos o gordinho se soltasse.<br />
<br />
Algumas dúvidas e contagens perdidas depois, Emil conferiu seus números novamente e sorriu para o mais velho- Se tudo estiver certo, e eu acho que está, finalmente está feito. Muito obrigado senh-Ciel. Só me resta entregar essas informações mas essa parte eu posso fazer só - colocou o celular novamente no bolso, orgulhoso do trabalho feito.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Childhood Blues [Lettice]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=342</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:36:05 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=99">Evelyn</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=342</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Chegar em St. Clavier e ter que passar a primeira semana de aula se acostumando com o horário foi bastante enfadonho. Não que estivesse desacostumado com esse tipo de rotina, na verdade era bastante parecida com a rotina diária que tinha no antigo internato, mas o que havia marcado para o domingo da segunda semana foi o que deixava Evelyn Newell bastante empolgado.<br />
<br />
E isso era, a oportunidade de reencontrar sua amiga de infância, Lettice.<br />
<br />
Desde que havia chegado em Cerise, fazia questão de mandar mensagens para a amiga, falando sobre o dia, coisas que havia achado interessante… Se havia uma brecha para falar de algo ou sem nada para fazer, estava conversando com Letty. Já havia deixado a morena à par de tudo que havia feito durante a semana e sobre seu companheiro de quarto. Alguns dias antes de se encontrarem, mandou a mensagem para a melhor amiga:<br />
<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Vamos nos encontrar na praia, já que você nunca teve como ver. Podemos andar lá um pouco e depois no centro, o que acha?<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Passe protetor solar, compramos água quando estivermos lá!<br />
<br />
Chegando no dia, estava claramente empolgado apesar de não demonstrar expressivamente isso para o companheiro de quarto. Apenas avisou a Berthold que sairia e provavelmente voltaria um pouco mais tarde. Pensou que talvez fosse uma boa ideia procurar algum presente para o colega, já que ele havia se oferecido para fazer um rascunho enquanto explicava as técnicas que usava. Na cabeça do ruivinho, era o melhor que poderia fazer. Vestiu um macacão jeans sobre uma blusa listrada, um cinto preto marcando a cintura, e usou um tênis simples branco. No visual andrógino da vez, preferiu deixar os cabelo ruivos soltos. Fez questão de usar hidratantes e protetor solar para evitar que o sol fizesse mal à pele clara.<br />
<br />
Foi até a praia de ônibus, bem poderia pegar um táxi, mas não queria gastar dinheiro extra assim, precisava gerenciar sempre suas economias. Chegou área de praia e sentou em um dos banquinhos ainda fora da areia. Avisou à Letty por celular onde estava e mandou uma foto do mar, estava ansioso para reencontrar a amiga de infância.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Depois de tanto estudar, havia conseguido resolver seus planos para poder estudar na academia irmã à instituição que Evelyn havia ido parar. Havia ficado tão empolgada com a ideia de poder reencontrar o amigo de longa data depois de tanto tempo afastada dele, que passou o dia anterior ao encontro testando receitas saudáveis de opções que sabia que ele poderia experimentar. Biscoitinhos com gergelim, tortinha de abóbora com lentilha assada, testou até mesmo preparar alguns sanduíches decorados com temas florais tal como o jardim que gostava tanto de cuidar na fazenda. <br />
<br />
Ficou surpresa de verdade com a ideia de poder encontrar Evelyn na praia. Nunca havia tido a oportunidade de ir à praia, conhecer o mar. Separou todos os lanches que havia preparado, salvando alguns para sua colega de quarto e outras porções para suas mais recentes colegas de turma. Não se incomodava de oferecer o que preparava para outras garotas, na verdade, era bem orgulhosa em relação ao que conseguia preparar na cozinha como opções saudáveis. Mandou fotos do que preparava para Evelyn e no dia do então encontro, estava tão animada que não conseguiu decidir o que usar para sair com o amigo. Acabou pedindo ajuda para a colega de dormitório e saiu para encontrar com Evelyn usando um de seus vestidos mais leves, um short justinho por baixo para não assar a parte interna das coxas. Colocou as sandálias com girassóis desenhados e não esqueceu do chapéu de palha trançada para lhe proteger do sol. Além do vestidinho, usava uma bolsa lateral, carregando uma segunda bolsa com água fresca em uma garrafa térmica, suco e lanches. <br />
<br />
Contudo, acabou se atrapalhando para chegar à praia depois de se perder em uma linha de ônibus. Avisou ao amigo do atraso, pedindo desculpas e terminando por correr na orla, sequer parando para prestar atenção na foto que lhe era enviada, incerta de que o outro ainda poderia estar lhe esperando. Quando estava prestes a desistir de tentar encontrar Evelyn por conta própria e telefonar para o amigo, deparou-se com a figura conhecida, tal como se ele nunca tivesse ido embora e deixado sua companhia. <br />
<br />
- E-Evelyn…? - apertou as alças das bolsas que trazia consigo, incerta de que o outro ainda lhe reconhecia pessoalmente. Ele ainda continua muito bonito como se recordava da época em que haviam crescido juntos na fazenda, mas ainda havia aquela breve incerta sobre o que ele pensava sobre sua pessoa depois daquele tempo afastados.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Enquanto estava sentado, recebeu a mensagem da amiga avisando sobre o atraso que teria. Enviou uma mensagem para a Letty, apenas para reassegurar que estava tudo bem, e que já a estaria esperando na praia, aproveitando para tirar fotos da vista que estava tendo seguidas por "você finalmente vai poder dizer que viu o mar!". Os dedos se moviam rapidamente pelo teclado, com um sorriso pequeno porém bastante sincero no rosto. Finalmente teria um tempo com a garota de cabelos claros.<br />
<br />
Enquanto ela não chegava, aproveitou para observar o espaço. Tinha um bom movimento, bem como o presidente do conselho estudantil havia explicado à Evelyn no dia que saíram para jantar juntos. Graças aquela saída, tinha bem mais certeza de que poderia divertir Lettice durante aquela manhã. Quem sabe pudessem até conseguir tempo para ir ao aquário antes de fazer caminho até o centro? Ou talvez até a tal padaria Antique, da qual havia ouvido falar?<br />
<br />
Aproveitou e se levantou do banquinho que estava. Havia esquecido de trazer um chapéu, e o sol em sol rosto estava começando a lhe incomodar, apesar de estar usando o protetor solar. Foi até um dos vendedores ambulantes, e olhou alguns bonés que poderia usar, afinal combinaria mais um boné com o tipo de roupa que estava usando. Mesmo sendo chamado de "mademoiselle", fez a compra de um boné branco com algumas listras pretas na lateral, e quando guardou o troco em seus bolsos, ouviu uma voz fraca chamar pelo seu nome. Fraca, mas que conhecia muito bem.<br />
<br />
Prontamente se virou e cruzou os olhos castanhos com os verdes da amiga de infância, que apesar do tempo, poderia dizer com toda certeza que a única coisa que havia mudado era a altura. Mas ela continuava tão bonita como Evelyn se lembrava:<br />
<br />
- Letty! - chamou, em resposta à pergunta fraca, sorrindo abertamente, bastante diferente de como era em St. Clavier, e apressou o passo até a amiga de infância. A envolvendo em um abraço quando finalmente se aproximou dela. O cheiro de jasmim era inclusive o mesmo. Sentia o rosto ficar vermelho. Naquele momento nem parecia que haviam ficado tanto tempo separados - Eu senti tanto a sua falta...! - comentou baixo, ainda no abraço - Jasmins ainda são suas flores favoritas!<br />
<br />
Separou o abraço quando a outra deu a brecha, mas prontamente segurou uma de suas mãos, toda a situação de estarem juntos na praia deixava Evelyn empolgado:<br />
<br />
- Você viu a praia? Não é tão lindo quanto nas fotos?! Precisamos tirar fotos para mostrar para o senhor Charles!!<br />
<br />
Não só Letty era uma figura importante para Evelyn como também os pais da amiga. Não diria em voz alta, mas os tinha como sua segunda família.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Não sabia dizer se era por causa do calor daquele dia ou se pela sensação que transbordava seu peito diante do abraço imediato do amigo de longa data. Prendeu a respiração por alguns segundos, apertando as alças das bolsas que trazia consigo até sentir a pressão do abraço aliviar e o ruivo começar a se afastar. Diminuiu a pressão com as bolsas até se adiantar para poder abraçá-lo de volta, retribuindo o gesto com um sorriso de alívio e felicidade por enfim poder reencontrar Evelyn. Sequer se deu conta de quando o chapéu de palha ficou folgado em sua cabeça, bagunçando os seus cabelos castanhos. <br />
<br />
- Ah… são sim… - respondeu ainda tentando processar a imagem do outro em sua cabeça. Evelyn não parecia ter mudado tanto, mas podia bem observar a alteração da altura e da estrutura óssea nas mãos e ombros. Manteve o sorriso no rosto, ainda mais ao acompanhar a empolgação do outro sobre a praia. Piscou algumas vezes, corada com a ideia de que ele ainda lembrava até do nome de seu pai de uma forma tão espontânea. <br />
<br />
Aproximou-se, segurando as duas sacolas em uma única mão para poder usar a sua mão livre para levar até o rosto do ruivo, afastando as mechas do cabelo dele do rosto, os fios empurrados pelo vento. Riu pela situação, apreciando o contato há muito tempo distante. <br />
<br />
- Você que continua muito bonito, Evelyn. É muito bom ver que está saudável. - respondeu, finalmente dando um pouco de atenção para o cenário da praia ao seu redor. - Ah, a brisa aqui é muito boa. E o cheiro salgado… é muito esquisito, mas eu gosto. Ah. - fez uma pausa, voltando a atenção mais uma vez para Evelyn. - Eu trouxe algumas receitas novas. Achei que você gostaria de experimentar. Você ainda gosta de biscoitos de gergelim? São bem refrescantes para esse clima. Eu não sei o que você ainda gosta… então eu preparei algumas coisas… você pode levar pra você e depois me contar o que achou. - fez uma nova pausa, sorrindo discreta. - Ou dividir com seus amigos. Os garotos estão sendo legais com você em St. Clavier, não é? - perguntou, interessada em saber se Evelyn já havia conseguido fazer amigos na nova instituição. Conversar com ele por carta era muito empolgante, mas pessoalmente era outra experiência, pois podia observar as feições do rosto alheio de perto e saber quando ele estava verdadeiramente animado com algo ou apenas tentando garantir que não ficaria preocupada. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Olhar para Letty era como ver o passado, ao menos, a parte boa. Ela continuava a mesma pessoa, um pouco alta, o rosto um pouco diferente, mas exatamente a mesma pessoa. O Evelyn mais novo conseguiria ver completamente uma Lettice mais velha com essa exata aparência.<br />
<br />
Acabou se adiantando na fala, mal deixando espaço para que a morena desse uma resposta, que veio apenas alguns segundos depois, um pouco deslocada. Sorriu, querendo reassegurar a amiga. Percebeu o rosto dela levemente corado, talvez não tivesse se acostumado com o clima mais quente do verão dessa parte da França.<br />
<br />
Pensou em ajustar o chapéu de Letty, que havia acabado bagunçando os fios  castanhos. Antes que pudesse, percebeu a aproximação e o toque leve no rosto, bastante carinhoso, ajustando os fios vermelhos que haviam caído no rosto. Não pode evitar se não sorrir à fala da amiga. Era difícil perceber que era a pessoa mais bonita ali?<br />
<br />
- Eu não sou o único, Letty. - sorriu, finalmente terminando o gesto de ajustar o chapéu da morena, passando a mão rapidamente entre os fios para evitar que parecessem mais bagunçados - graças a você, tive que mexer muito na minha dieta, mas continuo fazendo muitas das suas receitas em casa! - garantiu, seguindo então o olhar da amiga para o mar.<br />
<br />
Riu de maneira contida ao comentário dela sobre o cheiro do mar ser esquisito. Não podia discordar, Levaria algum tempo para se acostumar.<br />
<br />
- Claro que ainda gosto! - respondeu prontamente quando ela voltou a atenção, oferecendo os biscoitos de gergelim. Era a sobremesa favorita no período que esteve na fazenda - eu até tentei fazer, mas nunca ficam como os seus - reclamou, um pouco derrotado. -  eu nunca me canso das suas receitas, Letty! Tenho certeza que está tudo ótimo, mas não precisava ter feito tanto!<br />
<br />
Estranhou um pouco a pausa da amiga, mas logo veio a pergunta fatídica sobre como estava indo em St. Clavier. Ah. Não era a melhor pessoa para amizades, ou relacionar com outras pessoas. Nunca pensou que precisasse de amigos além de Lettice, mas ela havia perguntado tão esperançosa, que ponderou um pouco antes de responder, levando a mão até o boné sobre a própria cabeça:<br />
<br />
- ah, bem, as aulas começaram a pouco tempo, ainda não deu para conhecer muito... As pessoas. Eu tenho um companheiro de quarto, aliás! Ele inclusive é um artista que gosto muito, posso até te mostrar algumas fotos das exposições dele! - comentou um pouco mais animado, indiretamente mudando de assunto, já puxando o celular com uma mão, a outra segurando o braço da amiga, pronto para andarem pela feirinha - mas e você? As meninas estão te tratando bem?<br />
<br />
Sentia um pouco de ciúme, não iria negar. A ideia de Lettice com outros amigos lhe deixava irritado. Mas bastava ela sorrir e lhe dizer que tudo ficaria bem que, realmente, tudo ficaria bem.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Conseguia respirar mais aliviada com o fato do velho amigo de infância estar conseguindo se dar bem com novas pessoas. Ao menos ele parecia verdadeiramente animado com seu amigo de quarto ser um artista do qual gostava. Ainda carregava muita preocupação desde a despedida dos dois anos atrás. Observou as imagens e a tela do celular alheio, atenta às informações que Evelyn queria lhe mostrar. A ideia dele ter tentado seguir suas receitas também lhe deixava animada. Gostava que o outro apreciasse sua comida, mas a ideia de um Evelyn mais independente e capaz de cuidar de si mesmo sem a ajuda de terceiros lhe deixava mais aliviada. Não que não gostasse da companhia alheia, mas preocupava-se com o bem estar do rapaz caso não pudesse estar perto dele todos os dias. <br />
<br />
- Bem… eu ainda não conheci muito bem as meninas em Limoges. - explicou, sorrindo um tanto sem graça. - Na verdade, eu nunca estivesse no meio de tantas moças, e todo mundo é muito bonito por lá. O Conselho Estudantil tem umas moças muito elegantes, sabe? E elas falam tão bem… <br />
<br />
A morena ergueu o olhar como se pudesse recordar da altura de algumas das mulheres que estavam no corpo docente da instituição também. Caminhou ligada ao braço do amigo, apreciando o contato uma vez perdido. Era difícil de explicar o sentimento que tinha naquele momento, era algo nostálgico, mas não triste. Era como se nunca tivesse deixado de conviver com o rapaz e como se sempre estivessem juntos. <br />
<br />
- Eu estava pensando em procurar por algum laboratório de ciências em Limoges. Comecei a tentar melhorar os produtos para cuidados com o cabelo, com a pele, com os alimentos produzidos lá na fazenda. Tem algumas fórmulas que eu ainda não testei, mas alguns produtos mamãe até já usou. Antes de vir para cá, eu descobri que um dos pesquisadores que eu admiro já estudou aqui. Blanco o nome. Renaud Blanco. Eu mandei um e-mail para ele e ele me pareceu bastante amistoso com as informações. - contou sobre sua última descoberta para o amigo recém encontrado. Talvez ele pudesse descobrir sobre outras pessoas que já se formaram em St. Clavier ou Limoges que pudessem auxiliar o outro a alcançar seus sonhos. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Abriu o site de notícias com as fotos da exposição e mostrou para a melhor amiga. Inclusive passou algumas informações básicas sobre o artista. O nome que usava para assinar os desenhos - não falou diretamente o nome de Berthold, imaginou que seria melhor -, a técnica, as cores, as exposições que havia conseguido ir. Falava com bastante empolgação e evitou se prolongar, afinal não queria tomar todo o momento de fala para si.<br />
<br />
- Mas vai ter tempo suficiente! Tenho certeza que vai conseguir se adaptar sem muitos problemas - assegurou a morena, encostando a bochecha na altura do ombro da amiga, guardando o celular de volta na bolsa. Ficou um pouco pensativo quando ela comentou sobre as moças de St. Clavier serem elegante, ao que apenas deu de ombros - Não estou dizendo que é o caso delas, mas falar bonito não é difícil. Muita gente enche a boca de firulas e no fim não fala nada. Você não precisa disso.<br />
<br />
Sorriu para a morena, apesar dela estar perdida nos próprios pensamentos. Ela não precisava enganar as pessoas com palavras bonitas, ela era inteligente o suficiente para não se garantir apenas nisso. Apreciou o tempo que passavam, observando bem a feirinha e as pessoas que passavam por lá. Era uma vista que não tinha acesso em Berlim.<br />
<br />
Escutou então os planos de Letty sobre o laboratório de ciências, e não pode evitar de sorrir e acenar positivamente à ideia. Ponderou sobre o nome que ela mencionou, não era desconhecido.<br />
<br />
- Eu acho que já ouvi esse nome em algum lugar, não sei dizer exatamente quem era, mas tinha fama na escola - comentou, afinal alguém que ainda era falado mesmo se formando não era alguém que não foi marcante. E pelas palavras da amiga, não era por pouca coisa - Mas acho fantástico! Sabe, eu estava tentando reabrir o clube de ciências de St. Clavier. Tem algumas burocracias para assinar, mas acho que vai dar certo. Você pode tentar entrar, ou montar, o seu clube de ciências!<br />
<br />
Sugeriu, dando total apoio à amiga. Sabia que ela conseguia fazer coisas incríveis já dentro da fazenda. Com os materiais e espaço correto? Não foi por pouco que insistiu que aplicasse para o Limoges. Seria o melhor espaço se ela quisesse se desenvolver na parte acadêmica.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Sentiu as bochechas aquecerem quando Evelyn deitou a cabeça em seu ombro, falando sobre como ela não precisava de palavras bonitas para conseguir o que queria. Sentia-se muito mais confiante com as palavras do melhor amigo, principalmente por estar na instituição por conta de uma bolsa de estudos e precisava dedicar muito de seu tempo a estudar e pesquisar. <br />
<br />
Admirou as imagens no celular da exposição do tal autor que era colega de quarto de seu melhor amigo. O sujeito ainda por cima era bem bonito. Sorriu com a ideia de que Evelyn deveria estar feliz convivendo com pessoas tão talentosas e de boa aparência. Voltou-se rapidamente para Evelyn, segurando as mãos deles, empolgada com a ideia de abrir um clube de ciências em Limoges também. <br />
<br />
- Nossa, Evelyn! Isso é uma ótima ideia! Nós poderíamos trabalhar juntos pesquisando experimentos, fazendo apresentações juntos! Isso seria muito divertido! - sorriu, baixando o olhar para as mãos do amigo de infância. - Será que nós conseguimos o apoio de algum professor? Eu ainda não conheço as professoras direito, mas as moças do conselho estudantil parecem bem amigáveis a ideia de mulheres pesquisando. Elas são mulheres bastante inspiradoras. Os rapazes de St. Clavier te impressionaram? - perguntou, curiosa com convívio estudantil do outro na instituição masculina. Enquanto conversavam, retirou alguns dos seus lanches para poder oferecer ao amigo de longa data para que ele experimentasse dos novos sabores de suas receitas caseiras. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Conseguia ler os pensamentos da amiga como um livro aberto, e não pode deixar de ter um sorriso nos lábios quando percebeu o rosto dela aquecer quando começaram a conversa. Ela era uma pessoa incrível. Claro, as coisas poderiam demorar a acontecer, mas ela era tão esforçada que obviamente o que ela queria naturalmente viria até a morena.<br />
<br />
Ficou feliz ao vê-la interessada na arte de Berthold, mas a felicidade maior veio com a resposta sobre a ideia do clube de ciências. Sorriu, e então segurou as mãos da amiga, com o intuito de passar mais cofiança:<br />
<br />
— Isso! Daria para desenvolvermos bastante coisas juntos. St. Clavier tem bastante espaço, talvez uma parceria fosse possível?! - devolveu o sorriso, empolgado com a ideia de trabalharem juntos, mas logo começou a pensar nos professores que haviam dentro de St. Clavier — Hmn, talvez. Me vem alguns professores em mente com que eu possa conversar. Eu vou conversar com o presidente do conselho estudantil, provavelmente ele tem boas sugestões sobre. Deveria fazer o mesmo no Limoges!<br />
<br />
Se pegou um pouco pensativo com a ultima pergunta da amiga. Haviam outros alunos que o impressionassem? Certamente, havia conhecido algumas figuras interessantes, que definitivamente marcavam presença.<br />
<br />
— Alguns, sim. Não necessariamente por estarem na mesma área que a minha, mas por seus próprios méritos. Mas e você com Limoges? Sei que não deve ter tido muito tempo para conversar com as garotas mas, alguma lhe chamou a atenção?<br />
<br />
Perguntou de maneira inocente. Sabia que haviam pessoas igualmente notáveis em Limoges, e certamente queria que a amiga tivesse as melhores companhias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Chegar em St. Clavier e ter que passar a primeira semana de aula se acostumando com o horário foi bastante enfadonho. Não que estivesse desacostumado com esse tipo de rotina, na verdade era bastante parecida com a rotina diária que tinha no antigo internato, mas o que havia marcado para o domingo da segunda semana foi o que deixava Evelyn Newell bastante empolgado.<br />
<br />
E isso era, a oportunidade de reencontrar sua amiga de infância, Lettice.<br />
<br />
Desde que havia chegado em Cerise, fazia questão de mandar mensagens para a amiga, falando sobre o dia, coisas que havia achado interessante… Se havia uma brecha para falar de algo ou sem nada para fazer, estava conversando com Letty. Já havia deixado a morena à par de tudo que havia feito durante a semana e sobre seu companheiro de quarto. Alguns dias antes de se encontrarem, mandou a mensagem para a melhor amiga:<br />
<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Vamos nos encontrar na praia, já que você nunca teve como ver. Podemos andar lá um pouco e depois no centro, o que acha?<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Passe protetor solar, compramos água quando estivermos lá!<br />
<br />
Chegando no dia, estava claramente empolgado apesar de não demonstrar expressivamente isso para o companheiro de quarto. Apenas avisou a Berthold que sairia e provavelmente voltaria um pouco mais tarde. Pensou que talvez fosse uma boa ideia procurar algum presente para o colega, já que ele havia se oferecido para fazer um rascunho enquanto explicava as técnicas que usava. Na cabeça do ruivinho, era o melhor que poderia fazer. Vestiu um macacão jeans sobre uma blusa listrada, um cinto preto marcando a cintura, e usou um tênis simples branco. No visual andrógino da vez, preferiu deixar os cabelo ruivos soltos. Fez questão de usar hidratantes e protetor solar para evitar que o sol fizesse mal à pele clara.<br />
<br />
Foi até a praia de ônibus, bem poderia pegar um táxi, mas não queria gastar dinheiro extra assim, precisava gerenciar sempre suas economias. Chegou área de praia e sentou em um dos banquinhos ainda fora da areia. Avisou à Letty por celular onde estava e mandou uma foto do mar, estava ansioso para reencontrar a amiga de infância.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Depois de tanto estudar, havia conseguido resolver seus planos para poder estudar na academia irmã à instituição que Evelyn havia ido parar. Havia ficado tão empolgada com a ideia de poder reencontrar o amigo de longa data depois de tanto tempo afastada dele, que passou o dia anterior ao encontro testando receitas saudáveis de opções que sabia que ele poderia experimentar. Biscoitinhos com gergelim, tortinha de abóbora com lentilha assada, testou até mesmo preparar alguns sanduíches decorados com temas florais tal como o jardim que gostava tanto de cuidar na fazenda. <br />
<br />
Ficou surpresa de verdade com a ideia de poder encontrar Evelyn na praia. Nunca havia tido a oportunidade de ir à praia, conhecer o mar. Separou todos os lanches que havia preparado, salvando alguns para sua colega de quarto e outras porções para suas mais recentes colegas de turma. Não se incomodava de oferecer o que preparava para outras garotas, na verdade, era bem orgulhosa em relação ao que conseguia preparar na cozinha como opções saudáveis. Mandou fotos do que preparava para Evelyn e no dia do então encontro, estava tão animada que não conseguiu decidir o que usar para sair com o amigo. Acabou pedindo ajuda para a colega de dormitório e saiu para encontrar com Evelyn usando um de seus vestidos mais leves, um short justinho por baixo para não assar a parte interna das coxas. Colocou as sandálias com girassóis desenhados e não esqueceu do chapéu de palha trançada para lhe proteger do sol. Além do vestidinho, usava uma bolsa lateral, carregando uma segunda bolsa com água fresca em uma garrafa térmica, suco e lanches. <br />
<br />
Contudo, acabou se atrapalhando para chegar à praia depois de se perder em uma linha de ônibus. Avisou ao amigo do atraso, pedindo desculpas e terminando por correr na orla, sequer parando para prestar atenção na foto que lhe era enviada, incerta de que o outro ainda poderia estar lhe esperando. Quando estava prestes a desistir de tentar encontrar Evelyn por conta própria e telefonar para o amigo, deparou-se com a figura conhecida, tal como se ele nunca tivesse ido embora e deixado sua companhia. <br />
<br />
- E-Evelyn…? - apertou as alças das bolsas que trazia consigo, incerta de que o outro ainda lhe reconhecia pessoalmente. Ele ainda continua muito bonito como se recordava da época em que haviam crescido juntos na fazenda, mas ainda havia aquela breve incerta sobre o que ele pensava sobre sua pessoa depois daquele tempo afastados.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Enquanto estava sentado, recebeu a mensagem da amiga avisando sobre o atraso que teria. Enviou uma mensagem para a Letty, apenas para reassegurar que estava tudo bem, e que já a estaria esperando na praia, aproveitando para tirar fotos da vista que estava tendo seguidas por "você finalmente vai poder dizer que viu o mar!". Os dedos se moviam rapidamente pelo teclado, com um sorriso pequeno porém bastante sincero no rosto. Finalmente teria um tempo com a garota de cabelos claros.<br />
<br />
Enquanto ela não chegava, aproveitou para observar o espaço. Tinha um bom movimento, bem como o presidente do conselho estudantil havia explicado à Evelyn no dia que saíram para jantar juntos. Graças aquela saída, tinha bem mais certeza de que poderia divertir Lettice durante aquela manhã. Quem sabe pudessem até conseguir tempo para ir ao aquário antes de fazer caminho até o centro? Ou talvez até a tal padaria Antique, da qual havia ouvido falar?<br />
<br />
Aproveitou e se levantou do banquinho que estava. Havia esquecido de trazer um chapéu, e o sol em sol rosto estava começando a lhe incomodar, apesar de estar usando o protetor solar. Foi até um dos vendedores ambulantes, e olhou alguns bonés que poderia usar, afinal combinaria mais um boné com o tipo de roupa que estava usando. Mesmo sendo chamado de "mademoiselle", fez a compra de um boné branco com algumas listras pretas na lateral, e quando guardou o troco em seus bolsos, ouviu uma voz fraca chamar pelo seu nome. Fraca, mas que conhecia muito bem.<br />
<br />
Prontamente se virou e cruzou os olhos castanhos com os verdes da amiga de infância, que apesar do tempo, poderia dizer com toda certeza que a única coisa que havia mudado era a altura. Mas ela continuava tão bonita como Evelyn se lembrava:<br />
<br />
- Letty! - chamou, em resposta à pergunta fraca, sorrindo abertamente, bastante diferente de como era em St. Clavier, e apressou o passo até a amiga de infância. A envolvendo em um abraço quando finalmente se aproximou dela. O cheiro de jasmim era inclusive o mesmo. Sentia o rosto ficar vermelho. Naquele momento nem parecia que haviam ficado tanto tempo separados - Eu senti tanto a sua falta...! - comentou baixo, ainda no abraço - Jasmins ainda são suas flores favoritas!<br />
<br />
Separou o abraço quando a outra deu a brecha, mas prontamente segurou uma de suas mãos, toda a situação de estarem juntos na praia deixava Evelyn empolgado:<br />
<br />
- Você viu a praia? Não é tão lindo quanto nas fotos?! Precisamos tirar fotos para mostrar para o senhor Charles!!<br />
<br />
Não só Letty era uma figura importante para Evelyn como também os pais da amiga. Não diria em voz alta, mas os tinha como sua segunda família.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Não sabia dizer se era por causa do calor daquele dia ou se pela sensação que transbordava seu peito diante do abraço imediato do amigo de longa data. Prendeu a respiração por alguns segundos, apertando as alças das bolsas que trazia consigo até sentir a pressão do abraço aliviar e o ruivo começar a se afastar. Diminuiu a pressão com as bolsas até se adiantar para poder abraçá-lo de volta, retribuindo o gesto com um sorriso de alívio e felicidade por enfim poder reencontrar Evelyn. Sequer se deu conta de quando o chapéu de palha ficou folgado em sua cabeça, bagunçando os seus cabelos castanhos. <br />
<br />
- Ah… são sim… - respondeu ainda tentando processar a imagem do outro em sua cabeça. Evelyn não parecia ter mudado tanto, mas podia bem observar a alteração da altura e da estrutura óssea nas mãos e ombros. Manteve o sorriso no rosto, ainda mais ao acompanhar a empolgação do outro sobre a praia. Piscou algumas vezes, corada com a ideia de que ele ainda lembrava até do nome de seu pai de uma forma tão espontânea. <br />
<br />
Aproximou-se, segurando as duas sacolas em uma única mão para poder usar a sua mão livre para levar até o rosto do ruivo, afastando as mechas do cabelo dele do rosto, os fios empurrados pelo vento. Riu pela situação, apreciando o contato há muito tempo distante. <br />
<br />
- Você que continua muito bonito, Evelyn. É muito bom ver que está saudável. - respondeu, finalmente dando um pouco de atenção para o cenário da praia ao seu redor. - Ah, a brisa aqui é muito boa. E o cheiro salgado… é muito esquisito, mas eu gosto. Ah. - fez uma pausa, voltando a atenção mais uma vez para Evelyn. - Eu trouxe algumas receitas novas. Achei que você gostaria de experimentar. Você ainda gosta de biscoitos de gergelim? São bem refrescantes para esse clima. Eu não sei o que você ainda gosta… então eu preparei algumas coisas… você pode levar pra você e depois me contar o que achou. - fez uma nova pausa, sorrindo discreta. - Ou dividir com seus amigos. Os garotos estão sendo legais com você em St. Clavier, não é? - perguntou, interessada em saber se Evelyn já havia conseguido fazer amigos na nova instituição. Conversar com ele por carta era muito empolgante, mas pessoalmente era outra experiência, pois podia observar as feições do rosto alheio de perto e saber quando ele estava verdadeiramente animado com algo ou apenas tentando garantir que não ficaria preocupada. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Olhar para Letty era como ver o passado, ao menos, a parte boa. Ela continuava a mesma pessoa, um pouco alta, o rosto um pouco diferente, mas exatamente a mesma pessoa. O Evelyn mais novo conseguiria ver completamente uma Lettice mais velha com essa exata aparência.<br />
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Acabou se adiantando na fala, mal deixando espaço para que a morena desse uma resposta, que veio apenas alguns segundos depois, um pouco deslocada. Sorriu, querendo reassegurar a amiga. Percebeu o rosto dela levemente corado, talvez não tivesse se acostumado com o clima mais quente do verão dessa parte da França.<br />
<br />
Pensou em ajustar o chapéu de Letty, que havia acabado bagunçando os fios  castanhos. Antes que pudesse, percebeu a aproximação e o toque leve no rosto, bastante carinhoso, ajustando os fios vermelhos que haviam caído no rosto. Não pode evitar se não sorrir à fala da amiga. Era difícil perceber que era a pessoa mais bonita ali?<br />
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- Eu não sou o único, Letty. - sorriu, finalmente terminando o gesto de ajustar o chapéu da morena, passando a mão rapidamente entre os fios para evitar que parecessem mais bagunçados - graças a você, tive que mexer muito na minha dieta, mas continuo fazendo muitas das suas receitas em casa! - garantiu, seguindo então o olhar da amiga para o mar.<br />
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Riu de maneira contida ao comentário dela sobre o cheiro do mar ser esquisito. Não podia discordar, Levaria algum tempo para se acostumar.<br />
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- Claro que ainda gosto! - respondeu prontamente quando ela voltou a atenção, oferecendo os biscoitos de gergelim. Era a sobremesa favorita no período que esteve na fazenda - eu até tentei fazer, mas nunca ficam como os seus - reclamou, um pouco derrotado. -  eu nunca me canso das suas receitas, Letty! Tenho certeza que está tudo ótimo, mas não precisava ter feito tanto!<br />
<br />
Estranhou um pouco a pausa da amiga, mas logo veio a pergunta fatídica sobre como estava indo em St. Clavier. Ah. Não era a melhor pessoa para amizades, ou relacionar com outras pessoas. Nunca pensou que precisasse de amigos além de Lettice, mas ela havia perguntado tão esperançosa, que ponderou um pouco antes de responder, levando a mão até o boné sobre a própria cabeça:<br />
<br />
- ah, bem, as aulas começaram a pouco tempo, ainda não deu para conhecer muito... As pessoas. Eu tenho um companheiro de quarto, aliás! Ele inclusive é um artista que gosto muito, posso até te mostrar algumas fotos das exposições dele! - comentou um pouco mais animado, indiretamente mudando de assunto, já puxando o celular com uma mão, a outra segurando o braço da amiga, pronto para andarem pela feirinha - mas e você? As meninas estão te tratando bem?<br />
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Sentia um pouco de ciúme, não iria negar. A ideia de Lettice com outros amigos lhe deixava irritado. Mas bastava ela sorrir e lhe dizer que tudo ficaria bem que, realmente, tudo ficaria bem.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
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Conseguia respirar mais aliviada com o fato do velho amigo de infância estar conseguindo se dar bem com novas pessoas. Ao menos ele parecia verdadeiramente animado com seu amigo de quarto ser um artista do qual gostava. Ainda carregava muita preocupação desde a despedida dos dois anos atrás. Observou as imagens e a tela do celular alheio, atenta às informações que Evelyn queria lhe mostrar. A ideia dele ter tentado seguir suas receitas também lhe deixava animada. Gostava que o outro apreciasse sua comida, mas a ideia de um Evelyn mais independente e capaz de cuidar de si mesmo sem a ajuda de terceiros lhe deixava mais aliviada. Não que não gostasse da companhia alheia, mas preocupava-se com o bem estar do rapaz caso não pudesse estar perto dele todos os dias. <br />
<br />
- Bem… eu ainda não conheci muito bem as meninas em Limoges. - explicou, sorrindo um tanto sem graça. - Na verdade, eu nunca estivesse no meio de tantas moças, e todo mundo é muito bonito por lá. O Conselho Estudantil tem umas moças muito elegantes, sabe? E elas falam tão bem… <br />
<br />
A morena ergueu o olhar como se pudesse recordar da altura de algumas das mulheres que estavam no corpo docente da instituição também. Caminhou ligada ao braço do amigo, apreciando o contato uma vez perdido. Era difícil de explicar o sentimento que tinha naquele momento, era algo nostálgico, mas não triste. Era como se nunca tivesse deixado de conviver com o rapaz e como se sempre estivessem juntos. <br />
<br />
- Eu estava pensando em procurar por algum laboratório de ciências em Limoges. Comecei a tentar melhorar os produtos para cuidados com o cabelo, com a pele, com os alimentos produzidos lá na fazenda. Tem algumas fórmulas que eu ainda não testei, mas alguns produtos mamãe até já usou. Antes de vir para cá, eu descobri que um dos pesquisadores que eu admiro já estudou aqui. Blanco o nome. Renaud Blanco. Eu mandei um e-mail para ele e ele me pareceu bastante amistoso com as informações. - contou sobre sua última descoberta para o amigo recém encontrado. Talvez ele pudesse descobrir sobre outras pessoas que já se formaram em St. Clavier ou Limoges que pudessem auxiliar o outro a alcançar seus sonhos. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Abriu o site de notícias com as fotos da exposição e mostrou para a melhor amiga. Inclusive passou algumas informações básicas sobre o artista. O nome que usava para assinar os desenhos - não falou diretamente o nome de Berthold, imaginou que seria melhor -, a técnica, as cores, as exposições que havia conseguido ir. Falava com bastante empolgação e evitou se prolongar, afinal não queria tomar todo o momento de fala para si.<br />
<br />
- Mas vai ter tempo suficiente! Tenho certeza que vai conseguir se adaptar sem muitos problemas - assegurou a morena, encostando a bochecha na altura do ombro da amiga, guardando o celular de volta na bolsa. Ficou um pouco pensativo quando ela comentou sobre as moças de St. Clavier serem elegante, ao que apenas deu de ombros - Não estou dizendo que é o caso delas, mas falar bonito não é difícil. Muita gente enche a boca de firulas e no fim não fala nada. Você não precisa disso.<br />
<br />
Sorriu para a morena, apesar dela estar perdida nos próprios pensamentos. Ela não precisava enganar as pessoas com palavras bonitas, ela era inteligente o suficiente para não se garantir apenas nisso. Apreciou o tempo que passavam, observando bem a feirinha e as pessoas que passavam por lá. Era uma vista que não tinha acesso em Berlim.<br />
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Escutou então os planos de Letty sobre o laboratório de ciências, e não pode evitar de sorrir e acenar positivamente à ideia. Ponderou sobre o nome que ela mencionou, não era desconhecido.<br />
<br />
- Eu acho que já ouvi esse nome em algum lugar, não sei dizer exatamente quem era, mas tinha fama na escola - comentou, afinal alguém que ainda era falado mesmo se formando não era alguém que não foi marcante. E pelas palavras da amiga, não era por pouca coisa - Mas acho fantástico! Sabe, eu estava tentando reabrir o clube de ciências de St. Clavier. Tem algumas burocracias para assinar, mas acho que vai dar certo. Você pode tentar entrar, ou montar, o seu clube de ciências!<br />
<br />
Sugeriu, dando total apoio à amiga. Sabia que ela conseguia fazer coisas incríveis já dentro da fazenda. Com os materiais e espaço correto? Não foi por pouco que insistiu que aplicasse para o Limoges. Seria o melhor espaço se ela quisesse se desenvolver na parte acadêmica.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
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Sentiu as bochechas aquecerem quando Evelyn deitou a cabeça em seu ombro, falando sobre como ela não precisava de palavras bonitas para conseguir o que queria. Sentia-se muito mais confiante com as palavras do melhor amigo, principalmente por estar na instituição por conta de uma bolsa de estudos e precisava dedicar muito de seu tempo a estudar e pesquisar. <br />
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Admirou as imagens no celular da exposição do tal autor que era colega de quarto de seu melhor amigo. O sujeito ainda por cima era bem bonito. Sorriu com a ideia de que Evelyn deveria estar feliz convivendo com pessoas tão talentosas e de boa aparência. Voltou-se rapidamente para Evelyn, segurando as mãos deles, empolgada com a ideia de abrir um clube de ciências em Limoges também. <br />
<br />
- Nossa, Evelyn! Isso é uma ótima ideia! Nós poderíamos trabalhar juntos pesquisando experimentos, fazendo apresentações juntos! Isso seria muito divertido! - sorriu, baixando o olhar para as mãos do amigo de infância. - Será que nós conseguimos o apoio de algum professor? Eu ainda não conheço as professoras direito, mas as moças do conselho estudantil parecem bem amigáveis a ideia de mulheres pesquisando. Elas são mulheres bastante inspiradoras. Os rapazes de St. Clavier te impressionaram? - perguntou, curiosa com convívio estudantil do outro na instituição masculina. Enquanto conversavam, retirou alguns dos seus lanches para poder oferecer ao amigo de longa data para que ele experimentasse dos novos sabores de suas receitas caseiras. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Conseguia ler os pensamentos da amiga como um livro aberto, e não pode deixar de ter um sorriso nos lábios quando percebeu o rosto dela aquecer quando começaram a conversa. Ela era uma pessoa incrível. Claro, as coisas poderiam demorar a acontecer, mas ela era tão esforçada que obviamente o que ela queria naturalmente viria até a morena.<br />
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Ficou feliz ao vê-la interessada na arte de Berthold, mas a felicidade maior veio com a resposta sobre a ideia do clube de ciências. Sorriu, e então segurou as mãos da amiga, com o intuito de passar mais cofiança:<br />
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— Isso! Daria para desenvolvermos bastante coisas juntos. St. Clavier tem bastante espaço, talvez uma parceria fosse possível?! - devolveu o sorriso, empolgado com a ideia de trabalharem juntos, mas logo começou a pensar nos professores que haviam dentro de St. Clavier — Hmn, talvez. Me vem alguns professores em mente com que eu possa conversar. Eu vou conversar com o presidente do conselho estudantil, provavelmente ele tem boas sugestões sobre. Deveria fazer o mesmo no Limoges!<br />
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Se pegou um pouco pensativo com a ultima pergunta da amiga. Haviam outros alunos que o impressionassem? Certamente, havia conhecido algumas figuras interessantes, que definitivamente marcavam presença.<br />
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— Alguns, sim. Não necessariamente por estarem na mesma área que a minha, mas por seus próprios méritos. Mas e você com Limoges? Sei que não deve ter tido muito tempo para conversar com as garotas mas, alguma lhe chamou a atenção?<br />
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Perguntou de maneira inocente. Sabia que haviam pessoas igualmente notáveis em Limoges, e certamente queria que a amiga tivesse as melhores companhias.]]></content:encoded>
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