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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - E se...?]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:42:08 +0000</pubDate>
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			<title><![CDATA[Descobertas e Testes [+18][Oliver]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=326</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 19:11:24 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=86">Yure</a>]]></dc:creator>
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			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
E se... o Yure e o Oliver fizessem algumas descobertas juntos?<br />
A vida do ruivinho era uma completa montanha russa, indo do ponto mais alto em conseguir algo memorável tirando o diretor do seu covil no setor administrativo de St. Clavier, ao ponto mais baixo, de esta completamente incomunicável dentro da academia, sem celular, sem computador sem nada. Por causa das aulas e das atividades que tinha de cumprir como castigo pelo feito sobrava pouco tempo para estudar afora o reforço na hora do almoço com o estudante da máscara de ferro. Embora o período de castigo tenha ficado muito mais divertido depois de ter sido encaminhado aos cuidados direto do conselho disciplinar e ter aprendido algumas coisas com o presidente daquele conselho.<br />
<br />
Naquele final de tarde tinha combinado com Oliver e Lui deles levarem o notebook para o quarto do ruivinho e irem estudar lá. Tinha até arrumado a maior parte da bagunça do quarto de peças de skate, livros, e revistas variadas, para comportar os dois amigos no espaço caótico, talvez por esse motivo que ninguém quisesse dividir o quarto com o ruivinho hiperativo.<br />
<br />
Estava distraído terminando de amontoar as coisas e amarra-las pra que não ocupassem muito espaço quando ouviu as batidas na porta, deixando as coisas como estavam, pra dar atenção aos dois amigos, estranhando em só dar de cara com Oliver:<br />
<br />
– Oi cara! O que foi que houve com o Lui? Ele se perdeu no caminho até aqui? Entra ai… – deu espaço para que o amigo entrasse no quarto, fechando a porta logo após ele passar: – ignora a bagunça, não to tendo tempo pra arrumar o quarto..<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Depois do feito de Yure com o diretor da Academia e de ter conseguido uma longa detenção, circulava pouco com o amigo hiperativo que parecia estar sempre fazendo algo como punição pelo feito. Andava pela academia para entregar documentos nos horários livres, ajudava no jardim, fazia mil e uma coisas, exceto o que fazia sempre - conversar muito, andar de patins e skate que tinham sido confiscados também e passar o tempo livre com os amigos.<br />
<br />
Mas ficou feliz de receber o convite do ruivo para irem até o quarto dele, estudarem fora da supervisão rigorosa do estudante da máscara de ferro. Seria até mais relaxante também. Mas pouco depois de voltar ao dormitório e tomar banho, ouviu muito baixo o comentário de Lui através da porta do banheiro dizendo que ia sair para tirar fotos - ou era o que tinha entendido da voz baixa do outro -, e que tentaria voltar no meio da sessão de estudos ao menos, se não encontrasse o que queria fotografar... borboletas, talvez, não tinha entendido tudo. Concordou do outro lado da porta, saindo então para trocar de roupa, colocando uma bermuda básica e uma camisa preta regata, os pés em sandálias, quase esquecendo de pegar o notebook que tinha ganhado da mãe ainda no início das aulas e praticamente nunca usava. Levou apenas aquilo para o quarto de Yure, já que era o que ele tinha pedido, chegando lá e batendo alvoroçado na porta, balançando-se nos pés enquanto o outro não atendia.<br />
<br />
- Yure! Finalmente você está livre! Fica esses dias todos fazendo um monte de coisa na academia e a gente nem tem tempo pra almoçar direito, sem contar que tem que ficar estudando com o secretário metade do horário do almoço também. - entrou no quarto dele, deixando as sandálias na porta mais por costume, dando uma olhada ao redor na bagunça levemente organizada. Não tinha muitas coisas pessoais no quarto, então não tinha como estar bagunçado, na verdade. - Ah, o Lui disse que ia primeiro tirar umas fotos, não ouvi direito do que era, mas ele disse que assim que voltar ele passa aqui pra terminar de estudar com a gente se não chegar tarde. Eu posso ajudar a arrumar o quarto, se quiser, eu sempre arrumava minha casa na China. Ah, onde eu deixo?<br />
<br />
Indicou o notebook debaixo do braço, estendendo-o para Yure como se esperasse que o ruivo usasse ao invés dele, já que não tinha tanto costume de usar.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Pelo menos não tinham perdido Lui novamente, ele tinha ido fazer o que mais gostava, tirar foto de coisas aleatórias, era mais tranquilizador afinal de contas, do que imaginar o amigo sendo levado por uma gangue de marginais imigrantes, ou o mais comum, ser importunado por Bullys aleatórios dentro da Academia: – que bom que o Lui só foi tirar fotos, lembrou de trazer o celular? Talvez ele envie mensagens quando tiver vindo pra cá, ou qualquer coisa fica mais fácil de falar com ele, mas se você esqueceu não tem problema, pelo menos com o notebook posso enviar um e-mail, tá que demora mais pra responder, mas não é como se estivéssemos incomunicáveis! Ahahha – riu divertido, pegando o notebook da mão do amigo e colocando sobre a escrivaninha pra ligar:<br />
<br />
– ah também estou sentindo falta de vocês, é ruim ficar sem conversar com os amigos mais chegados, mas o tempo que estou cumprindo as detenções não é de todo ruim na verdade! Hahah! – coçou a nuca ficando um pouco corado, tinha aprendido muito mais do que burocracia nos últimos dias, e não podia reclamar do tipo de tratamento que tinha recebido, no final das contas além de ficar mais conhecido dentro da Academia por causa do feito, tinha finalmente satisfeito uma de suas curiosidades, embora ainda quisesse explorar o outro lado daquele tipo de relação.<br />
<br />
Se pegou um tempo distraído, até ter a atenção voltada ao notebook pelo som de iniciação do Windows: – dei uma viajada legal nas ideias aqui! Ahahaha! – voltou a atenção para o aparelho, notando que ainda estava com o papel de parede padrão do Windows e não tinha praticamente nada na área de trabalho: – nossa! Você quase não usa o seu notebook não é? Não tem curiosidade de pesquisar nada? Ou de assistir nada pela internet? Ou simplesmente não sabe como usar? – comentou por estar realmente surpreso do amigo ter um computador e não aproveitar, enquanto ele sentia tanta falta do seu que estava confiscado.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Fez uma expressão de surpresa quando ele perguntou do celular, colocando as mãos na altura dos bolsos da bermuda para confirmar que não tinha levado mesmo o aparelho para lá, focado apenas em pegar o notebook.<br />
<br />
- Ahhh! Esqueci! Eu nunca lembro de andar com aquilo!!! Minha mãe reclama também, mas se precisar, eu vou lá buscar depois. Hm, dá pra mandar e-mail pro celular e ele responde? Então não tem problema, ao menos a gente sabe que ele foi mesmo tirar fotos, hahaha. - seguiu pelo quarto do outro até sentar na beira da cama, enquanto Yure pegava o notebook para começar a usá-lo, concordando com um aceno de cabeça quando ele disse que não era tão ruim no fim das contas as detenções. - Bom, se não é tão terrível assim, menos mal. Quando eu tinha detenção na China era muito ruim porque os colegas de classe ficavam me atormentando e eu tinha que fazer um monte de trabalho pesado sozinho e ainda tentar não arrumar mais confusão com o resto dos alunos. Mas eu acabei me acostumando, pegava detenção pelo menos uma vez por mês e os outros que brigavam comigo não pegavam nada. Até me acostumei. Agora é melhor aqui em St. Clavier!<br />
<br />
Notou como ele estava um pouco distraído, mas não foi tempo demais, logo voltando a atenção em sua direção com o rosto levemente avermelhado.<br />
<br />
- Você tá com febre? Tá vermelho. - aproximou-se do outro, colocando a mão na testa dele, mas não sentiu uma temperatura diferente, dando de ombros depois quando ele perguntou sobre usar o computador. - Ah, não, eu não usava muito na China. Meu pai me ajudava a pesquisar as coisas no computador pra trabalhos da escola, mas só. Minha mãe que me deu de presente, ela sempre me dá essas coisas, mas eu to sempre treinando ou estudando então eu acabo não usando muito. Sei como funciona mais ou menos, mas demoro muito pra digitar, então acho mais fácil escrever. E eu estou acostumado a escrever em ideogramas, olha. - apontou as teclas ocidentais com os símbolos orientais no canto em uma cor diferente, em todas as teclas do computador. - Eu não sei como digitar num teclado assim que é configurado com o alfabeto ocidental. O que eu usava com o meu pai era todo em mandarim e não sei como mudar pra esses símbolos serem digitados ao invés das letras.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Tinha viajado por tempo suficiente para o amigo pensar que estava com febre, não tinha como negar que ele era fofo quando se preocupava assim com sua saúde, devia se sentir sortudo por ter pessoas assim por perto: – eu tou legal, só viajei mesmo nas ideias! Hahah – completou apenas pra tranquilizar o amigo, logo escutando o porque dele não usar o computador por estar no formato ocidental e não no oriental: – ah, mas isso não é difícil de mudar, é como mudar idioma de celular, já aconteceu com você de alguém mexer no seu celular e desconfigurar o idioma e colocar em coreano? Aconteceu comigo, uma vez, foi uma loucura pra por de volta na configuração original. – riu, puxando a cadeira pra se sentar e mexendo nas configurações de idioma do notebook.<br />
<br />
– vamos ver… – começou a procurar no painel de controle e logo chegou na parte de periféricos, não demorou para achar onde mudar e ainda achar qual o atalho pelo próprio teclado fazia a conversão:– pronto, mudei! Quer testar aqui agora? – se levantou de onde estava dando espaço para o amigo sentar:<br />
<br />
– aproveita agora e pesquise alguma coisa que você queira na internet! – comentou, esquecendo-se completamente que o intuito do amigo ter ido até o quarto dele tinha sido estudar: – falando em pesquisar, eu lembrei de uma coisa, quando eu peguei o documento na sala do diretor St. Clavier, tá que não era um documento de verdade, mas falava sobre alguma coisa de “relação de dominador e submisso”, eu não entendi direito, perguntei se era um estilo de luta e tals, porque foi a primeira coisa que me veio a mente, não sei você, mas eu penso logo naqueles golpes de submissão de luta livre e tas, dai o diretor me disse pra pesquisar depois, mas ai eu tive meu computador confiscado e nem pude olhar o que era… triste! – cruzou os braços, olhando pra cima, pensando em como tinha esquecido disso até o momento, realmente estava entretido demais com os castigos da detenção.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Ficou mais tranquilo que o outro não estava doente, parecia ter voltado à cor normal de pele também, inclinando-se na direção do computador quando ele disse que não era difícil de mudar o idioma.<br />
<br />
- Ahhh... não, não sei como é que muda isso não. E nem aconteceu com o meu celular. Eu não tinha celular na China, não me servia. Não podia levar pra escola e não saía pra lugar nenhum sem meu pai ou minha mãe, então só tive um quando cheguei aqui em Cerise e mal me acostumei a andar com ele no bolso, pra você ver, hahahaha. - coçou a nuca, sem graça, afinal, tinha esquecido o celular de novo no quarto e seria bom para falarem com Lui, já que Yure não estava com o próprio celular.<br />
<br />
Olhou enquanto ele mexia bem habilmente no computador, impressionado com a habilidade do amigo, olhando do teclado para a tela até ele configurar para digitar em mandarim. Sentou-se no lugar que ele indicou, para digitar algo no endereço da internet, saindo os ideogramas compostos enquanto digitava, embora na metade da velocidade de Yure.<br />
<br />
- Ahhhh!!! Agora tá saindo em mandarim! Você é incrível, Yure, eu ia ficar a vida toda com esse troço sem saber usar direito. Se bem que também não uso muito pra fazer nada, exceto os trabalhos da Academia que eu demoro séculos pra digitar por falta de costume, e eu praticava caligrafia com meu pai então tenho vontade até de escrever ao invés de usar o computador. - disse, virando-se para ele quando pediu para pesquisar algo que tivesse interesse, mas não conseguia pensar em nada no momento até o outro discorrer sobre o tal documento do diretor. - Hmmm... na minha linhagem não tem muito isso, mas eu acho que em jiu-jitsu é assim, que um cara tem que segurar o outro até ele se render? Eu não entendo muito das outras artes marciais, só das linhagens de kung fu. Mas a gente pode procurar sim. Podemos pesquisar...<br />
<br />
Já ia digitar o equivalente da pesquisa em mandarim, mas sabia que Yure teria mais habilidade naquilo.<br />
<br />
- Eu acho melhor você pesquisar. Se eu pesquisar em mandarim, você não vai saber ler o que tem escrito, né? Mas se você pesquisar em francês, nós dois podemos ler. - disse, dando espaço para que ele sentasse de novo, cedendo o computador para o outro.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Então o amigo tinha treinado caligrafia também? Parecia até aqueles filmes de época chineses onde tinha toda uma filosofia por trás de cada ideograma, “treinar a escrita é como treinar a espada” e essas frases de efeito, embora não conseguisse imaginar a relação de um pincel e de uma espada em si: – de qualquer forma é bom gravar como é o atalho pra mudar o idioma caso precise digitar algum trabalho e entregar impresso. – comentou a critério de nota, afinal era triste o amigo ter uma coisa e não conseguir usar direito por causa de uma coisa simples como os ideogramas.<br />
<br />
Concordou com um aceno de cabeça quando o amigo disse que era melhor pesquisar em francês já que os dois poderiam ler. Sentou-se na cadeira e mudou o idioma do teclado para ocidental novamente digitando a frase como lembrava ter lido no contrato de mentira do diretor: – “relação de dominador e submisso” – repetiu em voz alta, e quando deu enter, os primeiros links que apareceram foi sobre um filme: – cinquenta tons de cinza num é aquele livro de sexo? Minha mãe disse que virou febre entre as alunas, confiscou um monte pra elas prestarem atenção nas aulas! – comentou entretido rolando o scroll pra baixo, até achar um link com os dizeres “verdades e mentiras sobre dominador e submisso e BDSM”, clicando no mesmo, foi redirecionado para uma página bastante chamativa com fotos bem indiscretas:<br />
<br />
– wow! Nossa! Eu não sabia que esse negocio de “dominador e submisso” tinha haver com sexo. O que é isso?! – clicou em uma das imagens, ampliando uma cena bem explicita de uma mulher nua completamente amarrada e uma expressão bem intensa de prazer no rosto: – engraçado, a pessoa tá amarrada, mas parece que tá gostando, estranho não é? – se virou para o amigo, para dar de cara com um Oliver da cor de um pimentão maduro: – você tá bem cara?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
- Tá, já sei onde é! - concordou sobre o atalho do teclado, prestando atenção de novo quando Yure o usou para mudar o idioma de novo e poder fazer a pesquisa do tal assunto de dominador e submisso. Apenas uma série de links apareceu na tela e ele não leu muitos deles, Yure sendo bem mais rápido ao comentar sobre um tal livro de alguns tons. - Hm? Sexo? M-Mas não era de luta? Não sei que livro é esse... - engoliu em seco, sentindo o rosto já tomar um tom breve de vermelho.<br />
<br />
Não tinha o menor costume de falar sobre aquele assunto, no fim das contas, não tinha como se acostumar ou reagir tão casualmente. Tinha desviado os olhos por um instante quando ouviu a exclamação do outro, virando o olhar de novo para a tela que tinha se enchido de algumas imagens bem... estranhas e constrangedoras. Abriu a boca para comentar algo, mas ficou com os olhos vidrados nas imagens sem conseguir processar direito o que estava vendo, até Yure fazer questão de ampliar uma imagem que tinha uma mulher nua e amarrada, com uma expressão muito estranha. Quase não ouviu o comentário de Yure para si, o rosto ficando mais vermelho do que os cabelos do colega, até ouvir a pergunta se estava bem, parecendo acordar do transe.<br />
<br />
- AHHHHH!!! P-P-P-Por que é q-q-que apar-r-eceu is-s-so?!?! - levou as duas mãos ao rosto, tentando cobrir o mesmo e os olhos, mas a curiosidade falou só um pouquinho mais alto a ponto de se virar e confirmar que tinha mesmo visto uma mulher toda amarrada e nua. - N-num era uma c-c-c-coisa d-d-e l-luta?! E-ela t-t-tá nua! E-e-e... p-p-porq-ue t-t-tá g-g-gost-ando?! C-C-como você s-s-sab-e que tá gost-t-tand-d-do?!<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Então o amigo desatou a falar, ou quase isso já que todas as palavras saíram entrecortadas, meio gaguejadas como se ele não soubesse o que estava vendo, parecia que nunca nem tinha visto uma garota sem roupa: – como eu sei que ela tá gostando, ué… olha a cara dela, dá pra perceber que ela tá gostando, porque?! Ai eu já não sei dizer. – comentou simplesmente olhando da tela do monitor para o rosto do amigo todo vermelho e constrangido: <br />
<br />
– ou Oliver, você nunca teve curiosidade de ver uma garota sem roupa? Nunca parou pra comprar uma dessas revistas da playboy ou coisas assim? – comentou na maior naturalidade, embora pelas expressões mais exageradas do amigo conseguisse concluir qual seria a resposta: – não vende esse tipo de coisa na China? Pensei que se vendia todo tipo de coisa na China!!! <br />
<br />
Girou na cadeira com rodinhas que usava na escrivaninha encarando agora o amigo que parecia que tinha pifado e surtado por um momento: – ok! Respire se não você vai surtar. – só então, voltando a atenção ao computador e minimizando o navegador para então encarar Oliver novamente: – você precisa relaxar mais Oliver, foi só uma mulher nua, seus pais nunca falaram sobre sexo com você? – comentou aquele ponto, completamente descrente que em pleno 2014 os pais não instruíssem seus filhos sobre sexo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
- E-e-e-eu n-não quero olhar pra cara dela! Ela devia est-t-tar com dor!! E-Esses... essas c-c-c-ordas parecem apertadas!!! - disse, ainda assim olhando entre os dedos entreabertos sobre o rosto para a imagem para confirmar o que estava dizendo, desviando o olhar depois. Sentia o rosto queimar ainda mais, na verdade, o corpo todo queimava e estava vermelho até o último fio de cabelo. Acabou levantando as pernas sobre a cama quando Yure perguntou se tinha curiosidade de ver uma garota sem roupa. Claro que tinha... mas era uma coisa tão surreal que não sabia exatamente o que pensar ou como pensar e só ficou com a cabeça rodando ainda mais. - E-E-eu n-n-num é pra... v-v-er s-só quando c-c-asa, n-né?! E-e-e-e... o q-que é p-p-layb-boy?! F-Fecha isso!!!<br />
<br />
Tentava não prestar muita atenção na imagem, mas não tinha como, já que era algo novo, desconhecido e muito chamativo. Constantemente olhava de Yure para a tela do computador, levado por uma curiosidade e um incômodo diferentes. Acenou positivamente e frenético quando o outro disse para relaxar, respirando fundo e finalmente desviando o olhar do computador quando a imagem foi tirada da tela.<br />
<br />
- N-N-Nã-o... n-nunca p-p-pergunt-t-tei nada pr-pro meu p-p-pai... - respondeu, engolindo em seco, puxando as pernas sobre a cama e escondendo a boca com os joelhos dobrados junto ao corpo, apoiando as mãos neles. O rosto estava ainda mais avermelhado. - E-E-eu n-não sei m-muita c-c-coisa d-disso... - engoliu em seco de novo, tentando respirar fundo e se controlar, embora fosse muito difícil àquela altura. Sentia o corpo todo ainda quente, uma sensação muito estranha com a qual estava pouco acostumado.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
Yure observou pasmo todas as reações adversas que o amigo fazia, então era possível um garoto em seus plenos dezesseis anos nunca ter conversado sobre sexo com ninguém. Suspirou e coçou a cabeça achando a situação estranhamente complicada para algo que era incrivelmente simples: – na verdade não, você não precisa casar pra fazer sexo, a menos que você seja cristão ortodoxo praticante, ai a religião prega que você deve se manter puro até o casamente, mas como não é o seu caso imagino, já que a China não é um pais fortemente cristão, então… não tem problema nenhum fazer sexo antes de casar. – falou tão naturalmente que quem ouvia imaginava que o mais novo tinha algum nível de maturidade ali.<br />
<br />
Yure se levantou de onde estava sentando-se próximo do amigo, levando a mão ao topo da cabeça de Oliver que ainda estava incrivelmente vermelho, e era até fofo como ele conseguia ficar constrangido com uma coisa tão boba: – e outra, tanto não tem problema, como você pode fazer sexo com quem você quiser, seja garotas ou garotos! – comentou aquele ponto, antes que o amigo surtasse de vez, era melhor explicar tudo de uma vez: – por exemplo, eu já sai com garotos também, e é bom, muito bom, é diferente de sair com garotas é claro, mas é gostoso do mesmo jeito. – dessa vez foi o ruivinho que ficou um pouco corado com a recordação recente do que tinha passado.<br />
<br />
Então bateu a mão sobre a outra como se tivesse tido uma ideia brilhante, virando-se para Oliver e falando bem perto: – se você quiser, a gente pode ver um filme pornô, pra você perder a sua vergonha com sexo, o que acha? Pode ser um pornô convencional homem e mulher, ai quem sabe vendo não passa um pouco da sua vergonha, ein?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Piscou várias vezes, sem conseguir seguir exatamente a linha de explicação do outro sobre poder fazer sexo se não fosse cristão-sabe-se-lá-o-que. Não fazia ideia se havia problema ou não, mas estava tão acostumado com a vida na China em que as coisas eram daquele jeito... mas também não tinha como esquecer que não tinha um pai porque sua mãe não tinha casado com ele, por isso tinha um pai adotivo. Ainda assim, parecia informação demais para o rapaz que apenas abraçou as pernas mais nervoso, respirando fundo enquanto a cor avermelhada no rosto apenas se intensificava, até ouvir Yure explicar que podia fazer aquilo com homens e mulheres.<br />
<br />
- Ahhhh!!! Ahhhh!!! Ah! - não conseguiu falar outra coisa para responder, quase gritando só como se não quisesse ouvir aquilo. Ficou com o rosto ainda mais quente quando lembrou da cena no dojô e como tinha ficado curioso com aquilo também, será que tinha alguma coisa de errada com ele?! Não era pra descobrir aquelas coisas só quando fosse mais velho?! E como assim Yure tinha saído com garotos e garotas e era... gostoso. - C-C-Como assim?! Vo-você já fez sexo com homens?! E mulheres?! SÉRIO?! C-Como ass-sim é g-g-gost-t-toso?! - o rosto ficou ainda mais vermelho, se era possível aquilo, arregalando os olhos ao encarar o outro com estranheza e curiosidade.<br />
<br />
Engoliu em seco, estremecendo e quase se defendendo quando sentiu o ato tão natural de Yure colocando a mão no topo da sua cabeça, o corpo quente por conta da conversa constrangedora que só piorou quando Yure propôs que vissem um filme pornô.<br />
<br />
- P-p-por que ia... perder a v-v-ergonha?! E-E-eu n-não qu-quero ver dois estranhos f-f-fazendo iss-s-so!!! - falou, a respiração ficando ainda mais intensa quando sentiu o rosto queimar com a possibilidade.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Então assistir o filme não era uma boa ideia? No final das contas se não fossem assistir pessoas fazendo qualquer coisa do gênero, só restava fazer mais diretamente, não que ignorasse o fato de Oliver ser fofo e isso até era atraente, mas não sabia se isso seria o melhor ou não para o amigo: – primeiro, respire fundo e tente se acalmar, pelo menos um pouco. – começou, apoiando-se sobre os braços atrás de si e olhando o amigo todo encolhido abraçado aos próprios joelhos de cima a baixo, imaginando porque ele estava se mantendo naquela posição: – ok, você não quer ver dois estranhos se pegando… hmmm… – ficou pensativo por um momento olhando para o teto do quarto.<br />
<br />
Mas logo voltou a olhar para o amigo a expressão claramente curiosa, encarou o rosto e depois as pernas dobradas, franzindo o cenho de leve e só então voltando a encara-lo mais diretamente: – sério mesmo! já fiz sim! e é bom, tão bom quanto ficar com garotas, na verdade fazer sexo é gostoso de forma geral! – comentou despretensioso, agora fazendo uma expressão mais curiosa: – ou Oliver, você já ficou excitado alguma vez na sua vida? Sabe como é se sentir excitado? – e naquele momento o encarou novamente baixando o olhar como se tivesse caído a ficha: – você ficou excitado agora? Com aquela imagem e a conversa? – perguntou descrente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Ouviu a recomendação do outro e tentou seguir o que ele tinha pedido, respirando fundo várias e várias vezes, o corpo quente e estremecendo diante de todas as possibilidades que surgiam. Não fazia ideia de porque estava reagindo daquele jeito, mas era muito estranho e incômodo. Ainda não conseguia acreditar ou entender quando ele dizia que fazer sexo era gostoso. Não usava aquilo pra falar de comida?! Por que pra falar de sexo?! O tom avermelhado tomou conta de novo do rosto quando ele perguntou se tinha ficado excitado alguma vez na vida. No mesmo instante, deu pra trás na cama, quase caindo da mesma.<br />
<br />
- AHHHH! P-por qu-que quer s-s-saber is-s-so?! C-C-Claro q-q-que n-n-não! C-C-Como as-s-sim?! - apertou mais os braços em volta das pernas, nem sabia do que ele estava falando exatamente. Ficava excitado de ter amigos, de treinar, mas não era aquilo que ele estava perguntando, não era? Os pés estava até ficando frios, a respiração levemente descompassada e um calafrio estranho descendo pelo pescoço até os dedos dos pés quando ele lhe lançava aquele olhar de cima abaixo, sabe-se lá porque, perguntando ainda se tinha ficado excitado com a conversa. - N-Não!!! P-Por q-q-que eu ia f-f-f-ficar e-excita-tado c-c-com is-so?! E-E-eu... é-- c-c-constrang-e-dor!<br />
<br />
Engoliu em seco, não era empolgante conversar daquilo, não sabia porque Yure estava perguntando se estava excitado. Estava na verdade incomodado e o calor subia pelo corpo de um modo muito peculiar que tinha experimentado poucas vezes, e era ainda mais constrangedor. Principalmente no meio daquela conversa com Yure.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
E é claro que aquela reação excessivamente exagerada e com o rosto totalmente vermelho apenas lhe denunciavam que o outro além de constrangido tinha sim ficado excitado, porque outro motivo ele segurava as pernas com tanto afinco? Voltou a encara-lo olhando de cima a baixo: – porque eu quero saber? Porque você parece excitado, você esta ai abraçado com as pernas, até parece que esta se escondendo. – gesticulou com uma das mãos, levando próximo do próprio baixo ventre, com o indicador para cima: – ficar excitado é sentir calores e arrepios, e isso responder diretamente em baixo, é fácil de perceber principalmente em caras, porque fica bem evidente. – falou na lata.<br />
<br />
Depois caminhou sobre a cama se aproximando de Oliver, sentando-se do lado dele, levando a mão ao todo da cabeça do amigo novamente: – não precisa ficar com vergonha, nos somos amigos, eu não vou rir de você ou achar que você tá errado se você estiver excitado. Eu também fico assim se tiver um estimulo direto. – agindo daquela forma, só conseguia achar Oliver ainda mais fofo, na verdade aquela timidez toda era incrivelmente atraente, se o amigo fosse mais aberto, podia até tentar uma investida, ou talvez, fosse esse tipo de coisa que ele precisasse, quem sabe?<br />
<br />
Se aproximou de Oliver como se fosse lhe cochichar alguma coisa no ouvido, comentando baixinho num tom cúmplice: – por exemplo…– lambeu o pescoço perto da orelha do amigo, do jeito que ele estava, se já estivesse excitado, com certeza aquilo seria estimulante de alguma forma.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Apenas apertou mais os braços em volta das pernas como se aquilo fosse impedir Yure de deduzir alguma coisa a mais quando disse que ele parecia excitado. Estava era incomodado com o modo como o próprio corpo tinha reagido à conversa, à imagem. Arregalou os olhos exageradamente quando ele ainda exemplificou com os dedos o que exatamente tinha acontecido, o rosto queimando tanto que sentiu que ia desmaiar a qualquer instante.<br />
<br />
- M-M-Mas... m-m-mas...! - nem conseguiu pensar numa resposta, lógica ou ilógica para dizer ao ruivo, a respiração travando no topo da garganta por descobrir apenas naquele instante o verdadeiro significado da palavra. - Ahhh! - encolheu os ombros quando ele se sentou mais perto, estranhando as reações do próprio corpo, vai que piorava?! Precisava era se levantar e sair dali, sabe-se lá como. - E-Eu e-e-eu... t-t-tenho que... arhhh!!!<br />
<br />
Aquilo era tão estranho que não tinha como encontrar uma reação positiva. Não tinha como reagir, na verdade. Até a mão no topo da sua cabeça quase passou despercebida, o corpo estremecendo de leve com a proximidade mais intensa de Yure ao seu lado. Não era pra ele ficar mais perto, era pra ficar mais longe. Na verdade, naquela situação, queria estar sozinho e se enterrar num buraco - ou ao menos no banheiro.<br />
<br />
- E-eu pr-preciso ir n-- AHHHHHHHHHHHH!!! - o calafrio percorreu o seu corpo intensamente quando sentiu o toque úmido na sua orelha, quase levantando a mão para socá-lo, mas conseguiu conter o movimento e ao invés de acertá-lo, acabou por empurrá-lo pelo ombro enquanto a outra mão ia até a boca para cobrir o máximo do rosto que conseguia, o baixo ventre reagindo mais do que teria imaginado, mantendo a distância entre os dois de um braço ao tê-lo empurrado. - P-p-por-por-por-p-p-por-q-q-q-quef-f-ez-is-s-so--!!!<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
E para sua surpresa ou não, o amigo tinha gritado, como se tivesse arrancado um pedaço dele, isso porque tinha sido uma simples e singela lambida, tinha de agradecer por ele ter apenas lhe empurrado e não dado um golpe ninja de kung fuu que lhe partiria no meio. Olhou do rosto corado do amigo, que parecia muito mais atraente envergonhado e constrangido para o baixo ventre, agora mais visível já que ele tinha soltado as próprias pernas:<br />
<br />
– eu não tinha errado você ficou mesmo excitado! – apontou com a mão livre e depois ergueu novamente o olhar: – eu que devia perguntar porque você gritou. Foi ruim por acaso? <br />
<br />
Suspirou encarando o amigo e pondo uma reação compreensiva no rosto, no final das contas Oliver estava em pânico porque não entendi ao que se passava com o próprio corpo. No final das contas se tinha deixado o amigo naquele estado tinha de pelo menos ajuda-lo a se resolver: – hey Oliver, o que você acha deu te mostrar algumas coisas hum? No final das contas somos amigos, não sou um estranho pra você, e é melhor você aprender com alguém que você confie, a menos que você não confie em mim pra te ajudar. – comentou muito sinceramente, afinal, não era como se fosse um esforço se sentir atraído pelo amigo, ele era bonito, fofo, e tímido e envergonhado daquele jeito ficava ainda mais atraente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Mantinha uma das mãos sobre a boca e a outra mantendo a distância entre ele e Yure, como se ao abaixar a mão, as coisas fossem piorar de algum jeito que não podia imaginar. Não tinha como ficar mais vermelho do que já estava, se mais sangue circulasse pela sua cabeça, começaria a sangrar pelo nariz e pelas orelhas, especialmente quando ele reforçou que tinha ficado excitado, agora com o entendimento melhor do termo naquela situação. Logo ele perguntou se tinha sido ruim e queria poder falar um milhão de coisas, mas a única reação foi pressionar mais a mão nos lábios - como se aquilo fosse impedi-lo de gritar de novo e chamar atenção de mais alunos - e menear a cabeça num aceno negativo. Não é que tivesse sido ruim, tinha sido estranho. Mas não conseguiu explicar aquilo para Yure também, sentindo-se consciente demais do próprio corpo agora que Yure apontava tudo com tanta facilidade e sem se importar em comentar aquilo. Como é que ele podia estar tão calmo?!<br />
<br />
- Q-Q-Que?! M-m-most-trar o q-q-q-que?!?! - perguntou, alarmado, a situação com o corpo começando a se tornar bastante incômoda na verdade, pressionando as pernas uma contra a outra, os dedos folgando um pouco desavisados sobre a camisa de Yure. - A-a-ap-p-prend-d-der?! E-euueu-e-eu... t-t-t-enh-hho q-que ap-prender?! C-Claro que eu c-c-onfio!<br />
<br />
Piscou algumas vezes, sem conseguir entender ainda diretamente o que estava acontecendo e o que Yure queria lhe ensinar. Ele queria ensinar alguma coisa sobre sexo? Ia lhe mostrar mais imagens?! A cabeça estava girando tanto que não tinha como pensar nas possibilidades além da situação estranha em que já estavam.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Não sabia se o amigo tinha entendido sua proposta, pois quase nada do que ele dizia parecia inteiro para formar uma frase, gaguejava mais do que falava, e se contorcia tentando em vão esconder o óbvio, ele realmente precisava de ajuda. Pelo menos sentiu o aperto na camisa folgar e uma resposta quase positiva vir dos lábios encobertos do amigo: – que bom que confia em mim! – sorriu compreensivo, segurando a mão de Oliver que ainda estava em sua camisa:– Vou lhe mostrar algumas coisas, que você provavelmente vai gostar…<br />
<br />
Então começaria devagar, provavelmente com alguma coisa que fosse menos agressiva pra ele, o beijaria, mas ele provavelmente entraria em pânico, talvez engasgasse com saliva ou prendesse a respiração até desmaiar, vai saber. Então beijou o topo da mão de Oliver, deslizando os lábios pelos dedos, respirando quente ali: – isso é uma carícia… – murmurou brevemente, não tinha como ele reagir negativamente a um beijo na mão? Pelo menos esperava que não.<br />
<br />
Seguiu deslizando os lábios pela extensão dos dedos, beijando a ponta dos mesmos, mordiscou de leve, depois beijou-lhe a palma da mão, respirando quente ali, deixando que mantivesse próxima ao rosto do ruivinho: – isso é ruim? – encarou Oliver mais diretamente, esperando alguma reação dele que não fosse outro grito de pânico.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Engoliu em seco quando ele disse que ia mostrar alguma coisa que gostaria. Pelo rumo que as coisas tinham seguido, não esperava nada bom... bom, ao menos nada que já estivesse acostumado. Ainda estava morrendo de vergonha por estar naquela situação perto de um amigo. Por que é que tinha que reagir daquele jeito?! Tá que Yure não parecia se incomodar com aquilo tanto quanto ele... será que era mesmo normal para que amigos ajudassem os outros naquele tipo de situação? Afinal, com quem mais ia falar sobre sexo e aquelas coisas? Só não seria com o seu pai.<br />
<br />
Perdeu a chance de perguntara o que exatamente ele ia fazer, baixando a mão dos lábios mas ainda sentindo o coração acelerado. Ia soltar a camisa dele, a mão que escondia o rosto seguiu até a barra da camisa, puxando-a para baixo como se pudesse esconder algo ou evitar que o outro notasse o que já era óbvio demais. Mas foi pego desprevenido quando Yure lhe segurou a mão e beijou-a rapidamente, dizendo que era uma carícia. Bom, não podia ver nada de errado com um beijo na mão, não era? Não era nada para se desesperar totalmente e o corpo não ia reagir aquilo. Ao menos era o que achava, até que ele continuou roçando os lábios em seus dedos, mordendo-os de leve e beijando a sua palma, um arrepio ainda mais intenso passando pelo seu corpo da ponta dos dedos que ele tinha mordido até o último fio de cabelo. Sentiu os pelos do corpo eriçarem, os músculos se retesando no mesmo instante como se estivesse prestes a reagir em alguma técnica, mas acabou não fazendo nada além de mover as pernas sobre a cama, um suspiro involuntário escapando dos lábios a ponto de ficar ainda mais avermelhado.<br />
<br />
Não conseguiu responder nada, a mão trêmula perto demais do rosto dele. Estava tão consciente do outro e do próprio corpo que foi o suficiente para não fechá-la num soco naquela posição tão propensa. A única coisa que conseguiu fazer em resposta foi balançar a cabeça num aceno negativo. Não tinha sido ruim... tinha ficado mais quente. Estranhamente mais quente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Muito bem, pelo menos ele tinha admitido que não tinha sido ruim, já era um começo muito bom, sorriu gentil para o amigo: – viu só como é bom?! – comentou num tom confidente para o amigo, beijando a palma da mão dele novamente em uma carícia gentil. E em seguida beijou o topo da mesma novamente, olhando rapidamente para Oliver como se pedisse permissão – vou continuar ok?<br />
<br />
Dito isto, lambeu a extensão dos dedos e entre eles, agora em um gesto muito mais sugestivo do que qualquer outra coisa, mesmo que Oliver não entendesse o significado daquilo, o calor da língua úmida deslizando sobre a pele com certeza era uma sensação estimulante. Seguiu com as carícias fazendo uma trilha de beijos sobre o braço de Oliver, entrelaçando os dedos da mão com os dele, se aproximando do corpo do amigo a medida que prosseguida, hora deslizando os lábios, hora beijando, parando apenas quando já estava na altura do ombro, depositando um beijo ali.<br />
<br />
Manteve os dedos entrelaçados, o polegar fazendo uma carícia no centro da palma da mão de Oliver, aproveitando que já tinha feito caminho até o ombro aproveitou para seguir com os beijos até a altura do pescoço, se afastando apenas para beija-lhe a face, murmurando com os lábios próximos ao rosto do amigo: – posso te beijar?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Definitivamente as palavras tinham fugido fosse em francês ou em mandarim. Ficou ainda mais constrangido quando ele ressaltou como aquilo devia ser bom e que iria continuar. A mão ainda estremecia segurada pela dele e arregalou mais os olhos quando dessa vez, ele começou a lamber-lhe os dedos. Sentiu o incômodo aumentar ainda mais no baixo ventre, pressionando de novo as pernas e puxando a camisa mais para baixo. Antes que pudesse perceber, os olhos estavam apenas entreabertos, a respiração descompassada, os dedos se movendo em resposta aos toques e beijos do outro naquela área antes de subirem pelas costas da mão pelo braço.<br />
<br />
- Hahh... - o suspiro saiu dos lábios entreabertos, o peito subindo e descendo enquanto sentia uma necessidade crescente de baixar a mão especificamente pelo ventre até o meio das pernas, embora não tivesse a menor coragem de fazer aquilo com Yure bem ali do seu lado. A cada beijo, o corpo estremecia, o coração acelerando mais intensamente e os olhos fechando em resposta aos estímulos como se pudesse senti-los melhor daquele jeito, mergulhando num mundo de sensações tão novas que se perdeu totalmente a ponto de não perceber como Yure estava perigosamente próximo.<br />
<br />
Claro, até ouvir a voz dele próximo demais do seu rosto, ignorando até o detalhe de que tinha sentido a trilha de beijos até ali, a mente desconectando aleatoriamente o fato de que se sentia os toques naquela altura, era porque o ruivo estava perigosamente perto. Não sabia o que teria sido pior: ouvi-lo pedindo para lhe beijar, ou ter sentido os lábios dele nos seus. O fato foi que abriu os olhos de uma vez, assustado com a proximidade, reagindo antes mesmo de pensar.<br />
<br />
- Ahhhh!!!! - levantou a mão que ele mesmo tinha beijado antes, acertando-o no peito com a palma aberta, virada de lado, empurrando-o com força a ponto do outro se afastar um metro e cair sentado na cama, felizmente, tinha sido com a palma aberta e a posição não era lá ideal para machucar demais o outro. O rosto ficou ainda mais avermelhado, as pernas trêmulas, os olhos arregalados ao se curvar na direção do outro. - AimeuDeus!!! Yure! Você está bem?! D-D-Desculpe!!! Desculpe, desculpe, desculpe!!! Eu te machuquei muito?! Eu sinto muito!!! MUITO MESMO! - ajoelhou-se na cama, curvando o corpo para se curvar com a testa tocando no colchão, os olhos lacrimejantes fosse por conta do excesso de estímulos, fosse pela preocupação de ter machucado o ruivo de verdade. O pior de tudo era que ainda estava incomodado e aquela posição só lhe deixava mais ciente das condições do seu corpo. - Eu sou um péssimo amigo! D-D-Desculpe!!! E-E-E-eu... arhh!!<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
As coisas estavam caminhando até bem, exceto pelo fato que no momento que pediu um beijo parecia que tinha ligado o botão de auto defesa do amigo, sendo acertado e arremessado longe, quase caindo fora do colchão da cama. Sentia uma dor incomoda no meio do peitoral, e pensar que mesmo naquelas condições ele conseguia lhe golpear assim: – ui! Sem problema! Eu acho que não quebrei nada! Hahah! Não se preocupe! – sentou na cama, massageando a área atingida vendo o amigo naquelas condições, e bem se ele reagia assim a um beijo imagine se fossem pra outras instâncias:<br />
<br />
– eu não imaginava que você fosse tão travado pra contato físico! Foi só um beijinho, tipo selinho e tals! – suspirou encarando o amigo, queria ajuda-lo mas não tinha muitas ideias do que podia fazer, sem levar um golpe kung fuu ninja de volta: – e agora? Não tenho como lhe ajudar se você reagir no automático pra me afastar. – olhou em volta como se buscasse alguma solução milagrosa que pudesse lhe ajudar com aquela situação: – do jeito que você é forte, acho que nem amarrando dá pra segurar! – comentou em tom de piada, como se não estivesse levando a sério o próprio comentário, até parar e ponderar:<br />
<br />
– hey Oliver, você não quer bater em mim não é? É tipo, seu modo automático certo? Se eu te amarrasse só pra você não bater em mim, você não ficaria bravo, ficaria? – por mais louca que a ideia parecesse, era ainda mais louco imaginar que um garoto não conseguisse controlar os próprios impulsos e socasse tudo que se aproxima dele.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Sentia o corpo todo tremer e os braços principalmente, esperando qualquer resposta de Yure, o calor no corpo lhe deixando sem saber o que fazer. Não tinha como Yure lhe ajudar daquele jeito, era meio óbvio, não queria machucar o amigo, mas também não podia continuar naquele estado e já estava começando a incomodar de verdade.<br />
<br />
- Desculpe! E-e-e-eu n-num to acostumado! T-t-todo mundo que chegava perto... queria me b-b-bater...! - levantou apenas a cabeça, mantendo o corpo curvado, talvez aquela posição fosse melhor apenas pra se esconder de Yure no estado em que estava.<br />
<br />
Levou as duas mãos até a cabeça, tentando se esconder, bagunçando os cabelos e sentindo a respiração ainda mais descompassada com as reações que tomavam conta do seu corpo. Como é que tinham chegado naquele nível?! Quase saltou, levantando o corpo mas ainda ficando na posição de seiza quando ele ainda perguntou se não queria mesmo bater nele.<br />
<br />
- Claro que eu não quero bater em você! Você é meu amigo, por que é que eu ia querer?! F-F-Foi só um acidente!!! - respondeu, quase choramingando, o movimento tinha deixado o corpo ainda mais sensível com o forçar das pernas e simplesmente puxou a camisa mais para baixo, quase rasgando o tecido, tentando cobrir o corpo. Levantou o olhar pra ele, piscando algumas vezes, os olhos cintilantes quando ele falou sobre lhe amarrar, lembrando-se logo de como a mulher estava amarrada na imagem. - A-A-Amarrar?! C-C-como aquela mulher?!?! N-não p-p-parece b-b-bom!! - respirou fundo, remexendo as mãos segurando a barra da camisa, baixando a cabeça. Não era como se fosse uma péssima ideia, embora não lhe agradasse aquele monte de nós e cordas, do jeito que estava, ia começar a se sentir dolorido... aquilo já tinha acontecido e não era legal. - Yure... - mordeu os lábios, levantando o olhar pra o amigo, segurando a roupa ainda com mais força e vergonha que antes. - E-E-E-Eu... estou e-e-est-t-tranho...!!! N-N-Não é-é b-b-bom!!!<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Ok, tinha de admitir pra si mesmo, que Oliver conseguia superar Lui em fofura, como o amigo conseguia ser tão incrivelmente fofo e irresistivelmente charmoso, tinha vontade de abraça-lo e encher de beijos, mordidas e carícias e vê-lo ficar ainda mais vermelho, é claro, se isso não significasse ter muitos ossos quebrados: – você não tá estranho, só precisa de alívio. – comentou aquele ponto bem sabendo como era agoniante estar naquele grau de excitação e precisar se aliviar, e do jeito que ele estava não tinha muita certeza se um banho frio resolveria, talvez antes, mas não tinha pensado nisso primeiro, e a essa altura do campeonato não é como se fosse funcionar: – não precisa ficar tão amarrado como aquela mulher, posso amarrar suas mãos juntas, e suas pernas pra você não me chutar, não vou lhe fazer mal nenhum. – sorriu em resposta.<br />
<br />
Se levantou de onde estava voltando a atenção ao notebook e procurando rapidamente no site algum tipo de nó fácil de fazer, e bem tinham muitas formas de se amarrar uma pessoa, mas tinha alguns nós mais básicos que podia usar, só precisava restringir os braços e pernas do amigo: – pronto, achei um fácil, só mãos e pés. – apontou para o monitor mostrando outra mulher com os seios amostra pela blusa aberta, as mãos juntas amarradas acima da cabeça, e as pernas afastadas amarradas também:<br />
<br />
– me deixa cuidar disso Oliver! Você não disse que confia em mim? – rodou na cadeira, olhando novamente para o amigo, com um ar confiante de quem tinha achado uma resposta plausível e possível para aquele problema.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Queria mesmo que um buraco se abrisse debaixo dele, principalmente ao ouvir Yure falar tão naturalmente que ele só precisava se aliviar. Sabia daquilo, embora na situação que estivesse fosse muito difícil pensar numa solução ou conseguir se levantar sem se sentir ainda mais estranho. Confiava plenamente no amigo que ele não ia lhe fazer mal, nunca tinha feito aquilo, por que é que ia começar agora? Apenas concordou com um aceno de cabeça quase inconsciente, observando-o seguir até o computador para lhe mostrar alguma coisa, fazendo questão de mostrar uma mulher nua de novo, mas amarrada só com as pernas e braços.<br />
<br />
Engoliu em seco e teve a impressão fortíssima de que sentiu o baixo ventre pulsando, pressionando ainda mais as pernas fechadas, arregalando os olhos e quase rasgando realmente a barra da camisa de tanto puxar.<br />
<br />
- N-n-não me m-m-mostre isso!!! - falou, prendendo a respiração, desviando o olhar de novo quando ele insistiu em lhe ajudar, reforçando sobre confiar nele ou não. - Eu j-j-já d-d-dis-se que confio!!!<br />
<br />
Baixou o olhar de novo, não tinha como não se deixar levar pelo espírito animado e positivo de Yure, mesmo depois de quase tê-lo acertado em cheio com os avanços nas carícias. E precisava mesmo de alívio, então, por que não confiar no amigo? Sabia também que as possibilidades de atingi-lo eram altas, então... talvez não fosse tao ruim?<br />
<br />
- P-p-pode am-mar-r-rar. - concordou finalmente com um aceno de cabeça, as mãos ainda estremecendo com os dedos esbranquiçados de tanto pressionar as mãos fechadas.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Se levantou num pulo quando o amigo admitiu que confiava nele e que podia então amarra-lo pra não ter nenhum osso quebrado pelo estilo ninja matador dele: – certo! Vamos lá então! – Olhou em volta se aproximando do amontoado de tralhas, peças e caixas que tinha amarrado mais cedo quando tentava em vão arrumar o quarto, era uma corda sintética pelo menos não tinha fiapos o que certamente iria machucar caso fosse uma corda convencional.<br />
<br />
Se aproximou de Oliver notando como ele estava quase arrebentando o tecido da própria camisa de tanto puxa-la para baixo, sorriu compreensivo: – feche os olhos e respire fundo, talvez você fique menos constrangido se não estiver vendo. – tocou de leve as mãos do amigo, pra que ele soltasse a própria camisa, e em seguida segurou a barra da camisa: – levante os braços! – comentou em tom normal, aproveitando que ele ergueria os braços pra lhe tirar a peça de roupa, afinal ficaria complicado tirar a peça depois de amarra-lo. Olhou para o monitor, guiado pelo tutorial que tinha no site e fez o amarrado nos pulsos do amigo, tomando cuidado apenas para não prender a circulação, não sabia se estava muito apertado ou muito folgado, saberia se no meio do processo Oliver se soltasse e lhe golpeasse:<br />
<br />
– agora deite, vou te amarrar na base da cama. – comentou naturalmente, como se fosse tipo, super normal você dizer pra uma amigo, “vou te amarrar na cama”, mas para o ruivo a maior preocupação era aliviar o amigo, não estava pensando se aquilo fazia muito sentido ou não. Aproveitou da folga da corda para fazer a amarração das pernas uma em cada perna da cama, embora já na segunda perna tivesse sobrado quase nada de corda para manter uma boa estabilidade: – e ai? Acha que consegue se soltar? – comentou olhando o corpo do amigo de cima a baixo, e vendo como ele estava notoriamente excitado e precisando de alívio, mas bem, tendo a confirmação do outro de que não estava fácil de soltar, poderia começar a resolver aquele problema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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E se... o Yure e o Oliver fizessem algumas descobertas juntos?<br />
A vida do ruivinho era uma completa montanha russa, indo do ponto mais alto em conseguir algo memorável tirando o diretor do seu covil no setor administrativo de St. Clavier, ao ponto mais baixo, de esta completamente incomunicável dentro da academia, sem celular, sem computador sem nada. Por causa das aulas e das atividades que tinha de cumprir como castigo pelo feito sobrava pouco tempo para estudar afora o reforço na hora do almoço com o estudante da máscara de ferro. Embora o período de castigo tenha ficado muito mais divertido depois de ter sido encaminhado aos cuidados direto do conselho disciplinar e ter aprendido algumas coisas com o presidente daquele conselho.<br />
<br />
Naquele final de tarde tinha combinado com Oliver e Lui deles levarem o notebook para o quarto do ruivinho e irem estudar lá. Tinha até arrumado a maior parte da bagunça do quarto de peças de skate, livros, e revistas variadas, para comportar os dois amigos no espaço caótico, talvez por esse motivo que ninguém quisesse dividir o quarto com o ruivinho hiperativo.<br />
<br />
Estava distraído terminando de amontoar as coisas e amarra-las pra que não ocupassem muito espaço quando ouviu as batidas na porta, deixando as coisas como estavam, pra dar atenção aos dois amigos, estranhando em só dar de cara com Oliver:<br />
<br />
– Oi cara! O que foi que houve com o Lui? Ele se perdeu no caminho até aqui? Entra ai… – deu espaço para que o amigo entrasse no quarto, fechando a porta logo após ele passar: – ignora a bagunça, não to tendo tempo pra arrumar o quarto..<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Depois do feito de Yure com o diretor da Academia e de ter conseguido uma longa detenção, circulava pouco com o amigo hiperativo que parecia estar sempre fazendo algo como punição pelo feito. Andava pela academia para entregar documentos nos horários livres, ajudava no jardim, fazia mil e uma coisas, exceto o que fazia sempre - conversar muito, andar de patins e skate que tinham sido confiscados também e passar o tempo livre com os amigos.<br />
<br />
Mas ficou feliz de receber o convite do ruivo para irem até o quarto dele, estudarem fora da supervisão rigorosa do estudante da máscara de ferro. Seria até mais relaxante também. Mas pouco depois de voltar ao dormitório e tomar banho, ouviu muito baixo o comentário de Lui através da porta do banheiro dizendo que ia sair para tirar fotos - ou era o que tinha entendido da voz baixa do outro -, e que tentaria voltar no meio da sessão de estudos ao menos, se não encontrasse o que queria fotografar... borboletas, talvez, não tinha entendido tudo. Concordou do outro lado da porta, saindo então para trocar de roupa, colocando uma bermuda básica e uma camisa preta regata, os pés em sandálias, quase esquecendo de pegar o notebook que tinha ganhado da mãe ainda no início das aulas e praticamente nunca usava. Levou apenas aquilo para o quarto de Yure, já que era o que ele tinha pedido, chegando lá e batendo alvoroçado na porta, balançando-se nos pés enquanto o outro não atendia.<br />
<br />
- Yure! Finalmente você está livre! Fica esses dias todos fazendo um monte de coisa na academia e a gente nem tem tempo pra almoçar direito, sem contar que tem que ficar estudando com o secretário metade do horário do almoço também. - entrou no quarto dele, deixando as sandálias na porta mais por costume, dando uma olhada ao redor na bagunça levemente organizada. Não tinha muitas coisas pessoais no quarto, então não tinha como estar bagunçado, na verdade. - Ah, o Lui disse que ia primeiro tirar umas fotos, não ouvi direito do que era, mas ele disse que assim que voltar ele passa aqui pra terminar de estudar com a gente se não chegar tarde. Eu posso ajudar a arrumar o quarto, se quiser, eu sempre arrumava minha casa na China. Ah, onde eu deixo?<br />
<br />
Indicou o notebook debaixo do braço, estendendo-o para Yure como se esperasse que o ruivo usasse ao invés dele, já que não tinha tanto costume de usar.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Pelo menos não tinham perdido Lui novamente, ele tinha ido fazer o que mais gostava, tirar foto de coisas aleatórias, era mais tranquilizador afinal de contas, do que imaginar o amigo sendo levado por uma gangue de marginais imigrantes, ou o mais comum, ser importunado por Bullys aleatórios dentro da Academia: – que bom que o Lui só foi tirar fotos, lembrou de trazer o celular? Talvez ele envie mensagens quando tiver vindo pra cá, ou qualquer coisa fica mais fácil de falar com ele, mas se você esqueceu não tem problema, pelo menos com o notebook posso enviar um e-mail, tá que demora mais pra responder, mas não é como se estivéssemos incomunicáveis! Ahahha – riu divertido, pegando o notebook da mão do amigo e colocando sobre a escrivaninha pra ligar:<br />
<br />
– ah também estou sentindo falta de vocês, é ruim ficar sem conversar com os amigos mais chegados, mas o tempo que estou cumprindo as detenções não é de todo ruim na verdade! Hahah! – coçou a nuca ficando um pouco corado, tinha aprendido muito mais do que burocracia nos últimos dias, e não podia reclamar do tipo de tratamento que tinha recebido, no final das contas além de ficar mais conhecido dentro da Academia por causa do feito, tinha finalmente satisfeito uma de suas curiosidades, embora ainda quisesse explorar o outro lado daquele tipo de relação.<br />
<br />
Se pegou um tempo distraído, até ter a atenção voltada ao notebook pelo som de iniciação do Windows: – dei uma viajada legal nas ideias aqui! Ahahaha! – voltou a atenção para o aparelho, notando que ainda estava com o papel de parede padrão do Windows e não tinha praticamente nada na área de trabalho: – nossa! Você quase não usa o seu notebook não é? Não tem curiosidade de pesquisar nada? Ou de assistir nada pela internet? Ou simplesmente não sabe como usar? – comentou por estar realmente surpreso do amigo ter um computador e não aproveitar, enquanto ele sentia tanta falta do seu que estava confiscado.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Fez uma expressão de surpresa quando ele perguntou do celular, colocando as mãos na altura dos bolsos da bermuda para confirmar que não tinha levado mesmo o aparelho para lá, focado apenas em pegar o notebook.<br />
<br />
- Ahhh! Esqueci! Eu nunca lembro de andar com aquilo!!! Minha mãe reclama também, mas se precisar, eu vou lá buscar depois. Hm, dá pra mandar e-mail pro celular e ele responde? Então não tem problema, ao menos a gente sabe que ele foi mesmo tirar fotos, hahaha. - seguiu pelo quarto do outro até sentar na beira da cama, enquanto Yure pegava o notebook para começar a usá-lo, concordando com um aceno de cabeça quando ele disse que não era tão ruim no fim das contas as detenções. - Bom, se não é tão terrível assim, menos mal. Quando eu tinha detenção na China era muito ruim porque os colegas de classe ficavam me atormentando e eu tinha que fazer um monte de trabalho pesado sozinho e ainda tentar não arrumar mais confusão com o resto dos alunos. Mas eu acabei me acostumando, pegava detenção pelo menos uma vez por mês e os outros que brigavam comigo não pegavam nada. Até me acostumei. Agora é melhor aqui em St. Clavier!<br />
<br />
Notou como ele estava um pouco distraído, mas não foi tempo demais, logo voltando a atenção em sua direção com o rosto levemente avermelhado.<br />
<br />
- Você tá com febre? Tá vermelho. - aproximou-se do outro, colocando a mão na testa dele, mas não sentiu uma temperatura diferente, dando de ombros depois quando ele perguntou sobre usar o computador. - Ah, não, eu não usava muito na China. Meu pai me ajudava a pesquisar as coisas no computador pra trabalhos da escola, mas só. Minha mãe que me deu de presente, ela sempre me dá essas coisas, mas eu to sempre treinando ou estudando então eu acabo não usando muito. Sei como funciona mais ou menos, mas demoro muito pra digitar, então acho mais fácil escrever. E eu estou acostumado a escrever em ideogramas, olha. - apontou as teclas ocidentais com os símbolos orientais no canto em uma cor diferente, em todas as teclas do computador. - Eu não sei como digitar num teclado assim que é configurado com o alfabeto ocidental. O que eu usava com o meu pai era todo em mandarim e não sei como mudar pra esses símbolos serem digitados ao invés das letras.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Tinha viajado por tempo suficiente para o amigo pensar que estava com febre, não tinha como negar que ele era fofo quando se preocupava assim com sua saúde, devia se sentir sortudo por ter pessoas assim por perto: – eu tou legal, só viajei mesmo nas ideias! Hahah – completou apenas pra tranquilizar o amigo, logo escutando o porque dele não usar o computador por estar no formato ocidental e não no oriental: – ah, mas isso não é difícil de mudar, é como mudar idioma de celular, já aconteceu com você de alguém mexer no seu celular e desconfigurar o idioma e colocar em coreano? Aconteceu comigo, uma vez, foi uma loucura pra por de volta na configuração original. – riu, puxando a cadeira pra se sentar e mexendo nas configurações de idioma do notebook.<br />
<br />
– vamos ver… – começou a procurar no painel de controle e logo chegou na parte de periféricos, não demorou para achar onde mudar e ainda achar qual o atalho pelo próprio teclado fazia a conversão:– pronto, mudei! Quer testar aqui agora? – se levantou de onde estava dando espaço para o amigo sentar:<br />
<br />
– aproveita agora e pesquise alguma coisa que você queira na internet! – comentou, esquecendo-se completamente que o intuito do amigo ter ido até o quarto dele tinha sido estudar: – falando em pesquisar, eu lembrei de uma coisa, quando eu peguei o documento na sala do diretor St. Clavier, tá que não era um documento de verdade, mas falava sobre alguma coisa de “relação de dominador e submisso”, eu não entendi direito, perguntei se era um estilo de luta e tals, porque foi a primeira coisa que me veio a mente, não sei você, mas eu penso logo naqueles golpes de submissão de luta livre e tas, dai o diretor me disse pra pesquisar depois, mas ai eu tive meu computador confiscado e nem pude olhar o que era… triste! – cruzou os braços, olhando pra cima, pensando em como tinha esquecido disso até o momento, realmente estava entretido demais com os castigos da detenção.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
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Ficou mais tranquilo que o outro não estava doente, parecia ter voltado à cor normal de pele também, inclinando-se na direção do computador quando ele disse que não era difícil de mudar o idioma.<br />
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- Ahhh... não, não sei como é que muda isso não. E nem aconteceu com o meu celular. Eu não tinha celular na China, não me servia. Não podia levar pra escola e não saía pra lugar nenhum sem meu pai ou minha mãe, então só tive um quando cheguei aqui em Cerise e mal me acostumei a andar com ele no bolso, pra você ver, hahahaha. - coçou a nuca, sem graça, afinal, tinha esquecido o celular de novo no quarto e seria bom para falarem com Lui, já que Yure não estava com o próprio celular.<br />
<br />
Olhou enquanto ele mexia bem habilmente no computador, impressionado com a habilidade do amigo, olhando do teclado para a tela até ele configurar para digitar em mandarim. Sentou-se no lugar que ele indicou, para digitar algo no endereço da internet, saindo os ideogramas compostos enquanto digitava, embora na metade da velocidade de Yure.<br />
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- Ahhhh!!! Agora tá saindo em mandarim! Você é incrível, Yure, eu ia ficar a vida toda com esse troço sem saber usar direito. Se bem que também não uso muito pra fazer nada, exceto os trabalhos da Academia que eu demoro séculos pra digitar por falta de costume, e eu praticava caligrafia com meu pai então tenho vontade até de escrever ao invés de usar o computador. - disse, virando-se para ele quando pediu para pesquisar algo que tivesse interesse, mas não conseguia pensar em nada no momento até o outro discorrer sobre o tal documento do diretor. - Hmmm... na minha linhagem não tem muito isso, mas eu acho que em jiu-jitsu é assim, que um cara tem que segurar o outro até ele se render? Eu não entendo muito das outras artes marciais, só das linhagens de kung fu. Mas a gente pode procurar sim. Podemos pesquisar...<br />
<br />
Já ia digitar o equivalente da pesquisa em mandarim, mas sabia que Yure teria mais habilidade naquilo.<br />
<br />
- Eu acho melhor você pesquisar. Se eu pesquisar em mandarim, você não vai saber ler o que tem escrito, né? Mas se você pesquisar em francês, nós dois podemos ler. - disse, dando espaço para que ele sentasse de novo, cedendo o computador para o outro.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Então o amigo tinha treinado caligrafia também? Parecia até aqueles filmes de época chineses onde tinha toda uma filosofia por trás de cada ideograma, “treinar a escrita é como treinar a espada” e essas frases de efeito, embora não conseguisse imaginar a relação de um pincel e de uma espada em si: – de qualquer forma é bom gravar como é o atalho pra mudar o idioma caso precise digitar algum trabalho e entregar impresso. – comentou a critério de nota, afinal era triste o amigo ter uma coisa e não conseguir usar direito por causa de uma coisa simples como os ideogramas.<br />
<br />
Concordou com um aceno de cabeça quando o amigo disse que era melhor pesquisar em francês já que os dois poderiam ler. Sentou-se na cadeira e mudou o idioma do teclado para ocidental novamente digitando a frase como lembrava ter lido no contrato de mentira do diretor: – “relação de dominador e submisso” – repetiu em voz alta, e quando deu enter, os primeiros links que apareceram foi sobre um filme: – cinquenta tons de cinza num é aquele livro de sexo? Minha mãe disse que virou febre entre as alunas, confiscou um monte pra elas prestarem atenção nas aulas! – comentou entretido rolando o scroll pra baixo, até achar um link com os dizeres “verdades e mentiras sobre dominador e submisso e BDSM”, clicando no mesmo, foi redirecionado para uma página bastante chamativa com fotos bem indiscretas:<br />
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– wow! Nossa! Eu não sabia que esse negocio de “dominador e submisso” tinha haver com sexo. O que é isso?! – clicou em uma das imagens, ampliando uma cena bem explicita de uma mulher nua completamente amarrada e uma expressão bem intensa de prazer no rosto: – engraçado, a pessoa tá amarrada, mas parece que tá gostando, estranho não é? – se virou para o amigo, para dar de cara com um Oliver da cor de um pimentão maduro: – você tá bem cara?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
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- Tá, já sei onde é! - concordou sobre o atalho do teclado, prestando atenção de novo quando Yure o usou para mudar o idioma de novo e poder fazer a pesquisa do tal assunto de dominador e submisso. Apenas uma série de links apareceu na tela e ele não leu muitos deles, Yure sendo bem mais rápido ao comentar sobre um tal livro de alguns tons. - Hm? Sexo? M-Mas não era de luta? Não sei que livro é esse... - engoliu em seco, sentindo o rosto já tomar um tom breve de vermelho.<br />
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Não tinha o menor costume de falar sobre aquele assunto, no fim das contas, não tinha como se acostumar ou reagir tão casualmente. Tinha desviado os olhos por um instante quando ouviu a exclamação do outro, virando o olhar de novo para a tela que tinha se enchido de algumas imagens bem... estranhas e constrangedoras. Abriu a boca para comentar algo, mas ficou com os olhos vidrados nas imagens sem conseguir processar direito o que estava vendo, até Yure fazer questão de ampliar uma imagem que tinha uma mulher nua e amarrada, com uma expressão muito estranha. Quase não ouviu o comentário de Yure para si, o rosto ficando mais vermelho do que os cabelos do colega, até ouvir a pergunta se estava bem, parecendo acordar do transe.<br />
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- AHHHHH!!! P-P-P-Por que é q-q-que apar-r-eceu is-s-so?!?! - levou as duas mãos ao rosto, tentando cobrir o mesmo e os olhos, mas a curiosidade falou só um pouquinho mais alto a ponto de se virar e confirmar que tinha mesmo visto uma mulher toda amarrada e nua. - N-num era uma c-c-c-coisa d-d-e l-luta?! E-ela t-t-tá nua! E-e-e... p-p-porq-ue t-t-tá g-g-gost-ando?! C-C-como você s-s-sab-e que tá gost-t-tand-d-do?!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Então o amigo desatou a falar, ou quase isso já que todas as palavras saíram entrecortadas, meio gaguejadas como se ele não soubesse o que estava vendo, parecia que nunca nem tinha visto uma garota sem roupa: – como eu sei que ela tá gostando, ué… olha a cara dela, dá pra perceber que ela tá gostando, porque?! Ai eu já não sei dizer. – comentou simplesmente olhando da tela do monitor para o rosto do amigo todo vermelho e constrangido: <br />
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– ou Oliver, você nunca teve curiosidade de ver uma garota sem roupa? Nunca parou pra comprar uma dessas revistas da playboy ou coisas assim? – comentou na maior naturalidade, embora pelas expressões mais exageradas do amigo conseguisse concluir qual seria a resposta: – não vende esse tipo de coisa na China? Pensei que se vendia todo tipo de coisa na China!!! <br />
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Girou na cadeira com rodinhas que usava na escrivaninha encarando agora o amigo que parecia que tinha pifado e surtado por um momento: – ok! Respire se não você vai surtar. – só então, voltando a atenção ao computador e minimizando o navegador para então encarar Oliver novamente: – você precisa relaxar mais Oliver, foi só uma mulher nua, seus pais nunca falaram sobre sexo com você? – comentou aquele ponto, completamente descrente que em pleno 2014 os pais não instruíssem seus filhos sobre sexo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
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- E-e-e-eu n-não quero olhar pra cara dela! Ela devia est-t-tar com dor!! E-Esses... essas c-c-c-ordas parecem apertadas!!! - disse, ainda assim olhando entre os dedos entreabertos sobre o rosto para a imagem para confirmar o que estava dizendo, desviando o olhar depois. Sentia o rosto queimar ainda mais, na verdade, o corpo todo queimava e estava vermelho até o último fio de cabelo. Acabou levantando as pernas sobre a cama quando Yure perguntou se tinha curiosidade de ver uma garota sem roupa. Claro que tinha... mas era uma coisa tão surreal que não sabia exatamente o que pensar ou como pensar e só ficou com a cabeça rodando ainda mais. - E-E-eu n-n-num é pra... v-v-er s-só quando c-c-asa, n-né?! E-e-e-e... o q-que é p-p-layb-boy?! F-Fecha isso!!!<br />
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Tentava não prestar muita atenção na imagem, mas não tinha como, já que era algo novo, desconhecido e muito chamativo. Constantemente olhava de Yure para a tela do computador, levado por uma curiosidade e um incômodo diferentes. Acenou positivamente e frenético quando o outro disse para relaxar, respirando fundo e finalmente desviando o olhar do computador quando a imagem foi tirada da tela.<br />
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- N-N-Nã-o... n-nunca p-p-pergunt-t-tei nada pr-pro meu p-p-pai... - respondeu, engolindo em seco, puxando as pernas sobre a cama e escondendo a boca com os joelhos dobrados junto ao corpo, apoiando as mãos neles. O rosto estava ainda mais avermelhado. - E-E-eu n-não sei m-muita c-c-coisa d-disso... - engoliu em seco de novo, tentando respirar fundo e se controlar, embora fosse muito difícil àquela altura. Sentia o corpo todo ainda quente, uma sensação muito estranha com a qual estava pouco acostumado.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
Yure observou pasmo todas as reações adversas que o amigo fazia, então era possível um garoto em seus plenos dezesseis anos nunca ter conversado sobre sexo com ninguém. Suspirou e coçou a cabeça achando a situação estranhamente complicada para algo que era incrivelmente simples: – na verdade não, você não precisa casar pra fazer sexo, a menos que você seja cristão ortodoxo praticante, ai a religião prega que você deve se manter puro até o casamente, mas como não é o seu caso imagino, já que a China não é um pais fortemente cristão, então… não tem problema nenhum fazer sexo antes de casar. – falou tão naturalmente que quem ouvia imaginava que o mais novo tinha algum nível de maturidade ali.<br />
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Yure se levantou de onde estava sentando-se próximo do amigo, levando a mão ao topo da cabeça de Oliver que ainda estava incrivelmente vermelho, e era até fofo como ele conseguia ficar constrangido com uma coisa tão boba: – e outra, tanto não tem problema, como você pode fazer sexo com quem você quiser, seja garotas ou garotos! – comentou aquele ponto, antes que o amigo surtasse de vez, era melhor explicar tudo de uma vez: – por exemplo, eu já sai com garotos também, e é bom, muito bom, é diferente de sair com garotas é claro, mas é gostoso do mesmo jeito. – dessa vez foi o ruivinho que ficou um pouco corado com a recordação recente do que tinha passado.<br />
<br />
Então bateu a mão sobre a outra como se tivesse tido uma ideia brilhante, virando-se para Oliver e falando bem perto: – se você quiser, a gente pode ver um filme pornô, pra você perder a sua vergonha com sexo, o que acha? Pode ser um pornô convencional homem e mulher, ai quem sabe vendo não passa um pouco da sua vergonha, ein?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
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Piscou várias vezes, sem conseguir seguir exatamente a linha de explicação do outro sobre poder fazer sexo se não fosse cristão-sabe-se-lá-o-que. Não fazia ideia se havia problema ou não, mas estava tão acostumado com a vida na China em que as coisas eram daquele jeito... mas também não tinha como esquecer que não tinha um pai porque sua mãe não tinha casado com ele, por isso tinha um pai adotivo. Ainda assim, parecia informação demais para o rapaz que apenas abraçou as pernas mais nervoso, respirando fundo enquanto a cor avermelhada no rosto apenas se intensificava, até ouvir Yure explicar que podia fazer aquilo com homens e mulheres.<br />
<br />
- Ahhhh!!! Ahhhh!!! Ah! - não conseguiu falar outra coisa para responder, quase gritando só como se não quisesse ouvir aquilo. Ficou com o rosto ainda mais quente quando lembrou da cena no dojô e como tinha ficado curioso com aquilo também, será que tinha alguma coisa de errada com ele?! Não era pra descobrir aquelas coisas só quando fosse mais velho?! E como assim Yure tinha saído com garotos e garotas e era... gostoso. - C-C-Como assim?! Vo-você já fez sexo com homens?! E mulheres?! SÉRIO?! C-Como ass-sim é g-g-gost-t-toso?! - o rosto ficou ainda mais vermelho, se era possível aquilo, arregalando os olhos ao encarar o outro com estranheza e curiosidade.<br />
<br />
Engoliu em seco, estremecendo e quase se defendendo quando sentiu o ato tão natural de Yure colocando a mão no topo da sua cabeça, o corpo quente por conta da conversa constrangedora que só piorou quando Yure propôs que vissem um filme pornô.<br />
<br />
- P-p-por que ia... perder a v-v-ergonha?! E-E-eu n-não qu-quero ver dois estranhos f-f-fazendo iss-s-so!!! - falou, a respiração ficando ainda mais intensa quando sentiu o rosto queimar com a possibilidade.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Então assistir o filme não era uma boa ideia? No final das contas se não fossem assistir pessoas fazendo qualquer coisa do gênero, só restava fazer mais diretamente, não que ignorasse o fato de Oliver ser fofo e isso até era atraente, mas não sabia se isso seria o melhor ou não para o amigo: – primeiro, respire fundo e tente se acalmar, pelo menos um pouco. – começou, apoiando-se sobre os braços atrás de si e olhando o amigo todo encolhido abraçado aos próprios joelhos de cima a baixo, imaginando porque ele estava se mantendo naquela posição: – ok, você não quer ver dois estranhos se pegando… hmmm… – ficou pensativo por um momento olhando para o teto do quarto.<br />
<br />
Mas logo voltou a olhar para o amigo a expressão claramente curiosa, encarou o rosto e depois as pernas dobradas, franzindo o cenho de leve e só então voltando a encara-lo mais diretamente: – sério mesmo! já fiz sim! e é bom, tão bom quanto ficar com garotas, na verdade fazer sexo é gostoso de forma geral! – comentou despretensioso, agora fazendo uma expressão mais curiosa: – ou Oliver, você já ficou excitado alguma vez na sua vida? Sabe como é se sentir excitado? – e naquele momento o encarou novamente baixando o olhar como se tivesse caído a ficha: – você ficou excitado agora? Com aquela imagem e a conversa? – perguntou descrente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
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Ouviu a recomendação do outro e tentou seguir o que ele tinha pedido, respirando fundo várias e várias vezes, o corpo quente e estremecendo diante de todas as possibilidades que surgiam. Não fazia ideia de porque estava reagindo daquele jeito, mas era muito estranho e incômodo. Ainda não conseguia acreditar ou entender quando ele dizia que fazer sexo era gostoso. Não usava aquilo pra falar de comida?! Por que pra falar de sexo?! O tom avermelhado tomou conta de novo do rosto quando ele perguntou se tinha ficado excitado alguma vez na vida. No mesmo instante, deu pra trás na cama, quase caindo da mesma.<br />
<br />
- AHHHH! P-por qu-que quer s-s-saber is-s-so?! C-C-Claro q-q-que n-n-não! C-C-Como as-s-sim?! - apertou mais os braços em volta das pernas, nem sabia do que ele estava falando exatamente. Ficava excitado de ter amigos, de treinar, mas não era aquilo que ele estava perguntando, não era? Os pés estava até ficando frios, a respiração levemente descompassada e um calafrio estranho descendo pelo pescoço até os dedos dos pés quando ele lhe lançava aquele olhar de cima abaixo, sabe-se lá porque, perguntando ainda se tinha ficado excitado com a conversa. - N-Não!!! P-Por q-q-que eu ia f-f-f-ficar e-excita-tado c-c-com is-so?! E-E-eu... é-- c-c-constrang-e-dor!<br />
<br />
Engoliu em seco, não era empolgante conversar daquilo, não sabia porque Yure estava perguntando se estava excitado. Estava na verdade incomodado e o calor subia pelo corpo de um modo muito peculiar que tinha experimentado poucas vezes, e era ainda mais constrangedor. Principalmente no meio daquela conversa com Yure.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
E é claro que aquela reação excessivamente exagerada e com o rosto totalmente vermelho apenas lhe denunciavam que o outro além de constrangido tinha sim ficado excitado, porque outro motivo ele segurava as pernas com tanto afinco? Voltou a encara-lo olhando de cima a baixo: – porque eu quero saber? Porque você parece excitado, você esta ai abraçado com as pernas, até parece que esta se escondendo. – gesticulou com uma das mãos, levando próximo do próprio baixo ventre, com o indicador para cima: – ficar excitado é sentir calores e arrepios, e isso responder diretamente em baixo, é fácil de perceber principalmente em caras, porque fica bem evidente. – falou na lata.<br />
<br />
Depois caminhou sobre a cama se aproximando de Oliver, sentando-se do lado dele, levando a mão ao todo da cabeça do amigo novamente: – não precisa ficar com vergonha, nos somos amigos, eu não vou rir de você ou achar que você tá errado se você estiver excitado. Eu também fico assim se tiver um estimulo direto. – agindo daquela forma, só conseguia achar Oliver ainda mais fofo, na verdade aquela timidez toda era incrivelmente atraente, se o amigo fosse mais aberto, podia até tentar uma investida, ou talvez, fosse esse tipo de coisa que ele precisasse, quem sabe?<br />
<br />
Se aproximou de Oliver como se fosse lhe cochichar alguma coisa no ouvido, comentando baixinho num tom cúmplice: – por exemplo…– lambeu o pescoço perto da orelha do amigo, do jeito que ele estava, se já estivesse excitado, com certeza aquilo seria estimulante de alguma forma.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Apenas apertou mais os braços em volta das pernas como se aquilo fosse impedir Yure de deduzir alguma coisa a mais quando disse que ele parecia excitado. Estava era incomodado com o modo como o próprio corpo tinha reagido à conversa, à imagem. Arregalou os olhos exageradamente quando ele ainda exemplificou com os dedos o que exatamente tinha acontecido, o rosto queimando tanto que sentiu que ia desmaiar a qualquer instante.<br />
<br />
- M-M-Mas... m-m-mas...! - nem conseguiu pensar numa resposta, lógica ou ilógica para dizer ao ruivo, a respiração travando no topo da garganta por descobrir apenas naquele instante o verdadeiro significado da palavra. - Ahhh! - encolheu os ombros quando ele se sentou mais perto, estranhando as reações do próprio corpo, vai que piorava?! Precisava era se levantar e sair dali, sabe-se lá como. - E-Eu e-e-eu... t-t-tenho que... arhhh!!!<br />
<br />
Aquilo era tão estranho que não tinha como encontrar uma reação positiva. Não tinha como reagir, na verdade. Até a mão no topo da sua cabeça quase passou despercebida, o corpo estremecendo de leve com a proximidade mais intensa de Yure ao seu lado. Não era pra ele ficar mais perto, era pra ficar mais longe. Na verdade, naquela situação, queria estar sozinho e se enterrar num buraco - ou ao menos no banheiro.<br />
<br />
- E-eu pr-preciso ir n-- AHHHHHHHHHHHH!!! - o calafrio percorreu o seu corpo intensamente quando sentiu o toque úmido na sua orelha, quase levantando a mão para socá-lo, mas conseguiu conter o movimento e ao invés de acertá-lo, acabou por empurrá-lo pelo ombro enquanto a outra mão ia até a boca para cobrir o máximo do rosto que conseguia, o baixo ventre reagindo mais do que teria imaginado, mantendo a distância entre os dois de um braço ao tê-lo empurrado. - P-p-por-por-por-p-p-por-q-q-q-quef-f-ez-is-s-so--!!!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
E para sua surpresa ou não, o amigo tinha gritado, como se tivesse arrancado um pedaço dele, isso porque tinha sido uma simples e singela lambida, tinha de agradecer por ele ter apenas lhe empurrado e não dado um golpe ninja de kung fuu que lhe partiria no meio. Olhou do rosto corado do amigo, que parecia muito mais atraente envergonhado e constrangido para o baixo ventre, agora mais visível já que ele tinha soltado as próprias pernas:<br />
<br />
– eu não tinha errado você ficou mesmo excitado! – apontou com a mão livre e depois ergueu novamente o olhar: – eu que devia perguntar porque você gritou. Foi ruim por acaso? <br />
<br />
Suspirou encarando o amigo e pondo uma reação compreensiva no rosto, no final das contas Oliver estava em pânico porque não entendi ao que se passava com o próprio corpo. No final das contas se tinha deixado o amigo naquele estado tinha de pelo menos ajuda-lo a se resolver: – hey Oliver, o que você acha deu te mostrar algumas coisas hum? No final das contas somos amigos, não sou um estranho pra você, e é melhor você aprender com alguém que você confie, a menos que você não confie em mim pra te ajudar. – comentou muito sinceramente, afinal, não era como se fosse um esforço se sentir atraído pelo amigo, ele era bonito, fofo, e tímido e envergonhado daquele jeito ficava ainda mais atraente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Mantinha uma das mãos sobre a boca e a outra mantendo a distância entre ele e Yure, como se ao abaixar a mão, as coisas fossem piorar de algum jeito que não podia imaginar. Não tinha como ficar mais vermelho do que já estava, se mais sangue circulasse pela sua cabeça, começaria a sangrar pelo nariz e pelas orelhas, especialmente quando ele reforçou que tinha ficado excitado, agora com o entendimento melhor do termo naquela situação. Logo ele perguntou se tinha sido ruim e queria poder falar um milhão de coisas, mas a única reação foi pressionar mais a mão nos lábios - como se aquilo fosse impedi-lo de gritar de novo e chamar atenção de mais alunos - e menear a cabeça num aceno negativo. Não é que tivesse sido ruim, tinha sido estranho. Mas não conseguiu explicar aquilo para Yure também, sentindo-se consciente demais do próprio corpo agora que Yure apontava tudo com tanta facilidade e sem se importar em comentar aquilo. Como é que ele podia estar tão calmo?!<br />
<br />
- Q-Q-Que?! M-m-most-trar o q-q-q-que?!?! - perguntou, alarmado, a situação com o corpo começando a se tornar bastante incômoda na verdade, pressionando as pernas uma contra a outra, os dedos folgando um pouco desavisados sobre a camisa de Yure. - A-a-ap-p-prend-d-der?! E-euueu-e-eu... t-t-t-enh-hho q-que ap-prender?! C-Claro que eu c-c-onfio!<br />
<br />
Piscou algumas vezes, sem conseguir entender ainda diretamente o que estava acontecendo e o que Yure queria lhe ensinar. Ele queria ensinar alguma coisa sobre sexo? Ia lhe mostrar mais imagens?! A cabeça estava girando tanto que não tinha como pensar nas possibilidades além da situação estranha em que já estavam.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Não sabia se o amigo tinha entendido sua proposta, pois quase nada do que ele dizia parecia inteiro para formar uma frase, gaguejava mais do que falava, e se contorcia tentando em vão esconder o óbvio, ele realmente precisava de ajuda. Pelo menos sentiu o aperto na camisa folgar e uma resposta quase positiva vir dos lábios encobertos do amigo: – que bom que confia em mim! – sorriu compreensivo, segurando a mão de Oliver que ainda estava em sua camisa:– Vou lhe mostrar algumas coisas, que você provavelmente vai gostar…<br />
<br />
Então começaria devagar, provavelmente com alguma coisa que fosse menos agressiva pra ele, o beijaria, mas ele provavelmente entraria em pânico, talvez engasgasse com saliva ou prendesse a respiração até desmaiar, vai saber. Então beijou o topo da mão de Oliver, deslizando os lábios pelos dedos, respirando quente ali: – isso é uma carícia… – murmurou brevemente, não tinha como ele reagir negativamente a um beijo na mão? Pelo menos esperava que não.<br />
<br />
Seguiu deslizando os lábios pela extensão dos dedos, beijando a ponta dos mesmos, mordiscou de leve, depois beijou-lhe a palma da mão, respirando quente ali, deixando que mantivesse próxima ao rosto do ruivinho: – isso é ruim? – encarou Oliver mais diretamente, esperando alguma reação dele que não fosse outro grito de pânico.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Engoliu em seco quando ele disse que ia mostrar alguma coisa que gostaria. Pelo rumo que as coisas tinham seguido, não esperava nada bom... bom, ao menos nada que já estivesse acostumado. Ainda estava morrendo de vergonha por estar naquela situação perto de um amigo. Por que é que tinha que reagir daquele jeito?! Tá que Yure não parecia se incomodar com aquilo tanto quanto ele... será que era mesmo normal para que amigos ajudassem os outros naquele tipo de situação? Afinal, com quem mais ia falar sobre sexo e aquelas coisas? Só não seria com o seu pai.<br />
<br />
Perdeu a chance de perguntara o que exatamente ele ia fazer, baixando a mão dos lábios mas ainda sentindo o coração acelerado. Ia soltar a camisa dele, a mão que escondia o rosto seguiu até a barra da camisa, puxando-a para baixo como se pudesse esconder algo ou evitar que o outro notasse o que já era óbvio demais. Mas foi pego desprevenido quando Yure lhe segurou a mão e beijou-a rapidamente, dizendo que era uma carícia. Bom, não podia ver nada de errado com um beijo na mão, não era? Não era nada para se desesperar totalmente e o corpo não ia reagir aquilo. Ao menos era o que achava, até que ele continuou roçando os lábios em seus dedos, mordendo-os de leve e beijando a sua palma, um arrepio ainda mais intenso passando pelo seu corpo da ponta dos dedos que ele tinha mordido até o último fio de cabelo. Sentiu os pelos do corpo eriçarem, os músculos se retesando no mesmo instante como se estivesse prestes a reagir em alguma técnica, mas acabou não fazendo nada além de mover as pernas sobre a cama, um suspiro involuntário escapando dos lábios a ponto de ficar ainda mais avermelhado.<br />
<br />
Não conseguiu responder nada, a mão trêmula perto demais do rosto dele. Estava tão consciente do outro e do próprio corpo que foi o suficiente para não fechá-la num soco naquela posição tão propensa. A única coisa que conseguiu fazer em resposta foi balançar a cabeça num aceno negativo. Não tinha sido ruim... tinha ficado mais quente. Estranhamente mais quente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Muito bem, pelo menos ele tinha admitido que não tinha sido ruim, já era um começo muito bom, sorriu gentil para o amigo: – viu só como é bom?! – comentou num tom confidente para o amigo, beijando a palma da mão dele novamente em uma carícia gentil. E em seguida beijou o topo da mesma novamente, olhando rapidamente para Oliver como se pedisse permissão – vou continuar ok?<br />
<br />
Dito isto, lambeu a extensão dos dedos e entre eles, agora em um gesto muito mais sugestivo do que qualquer outra coisa, mesmo que Oliver não entendesse o significado daquilo, o calor da língua úmida deslizando sobre a pele com certeza era uma sensação estimulante. Seguiu com as carícias fazendo uma trilha de beijos sobre o braço de Oliver, entrelaçando os dedos da mão com os dele, se aproximando do corpo do amigo a medida que prosseguida, hora deslizando os lábios, hora beijando, parando apenas quando já estava na altura do ombro, depositando um beijo ali.<br />
<br />
Manteve os dedos entrelaçados, o polegar fazendo uma carícia no centro da palma da mão de Oliver, aproveitando que já tinha feito caminho até o ombro aproveitou para seguir com os beijos até a altura do pescoço, se afastando apenas para beija-lhe a face, murmurando com os lábios próximos ao rosto do amigo: – posso te beijar?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Definitivamente as palavras tinham fugido fosse em francês ou em mandarim. Ficou ainda mais constrangido quando ele ressaltou como aquilo devia ser bom e que iria continuar. A mão ainda estremecia segurada pela dele e arregalou mais os olhos quando dessa vez, ele começou a lamber-lhe os dedos. Sentiu o incômodo aumentar ainda mais no baixo ventre, pressionando de novo as pernas e puxando a camisa mais para baixo. Antes que pudesse perceber, os olhos estavam apenas entreabertos, a respiração descompassada, os dedos se movendo em resposta aos toques e beijos do outro naquela área antes de subirem pelas costas da mão pelo braço.<br />
<br />
- Hahh... - o suspiro saiu dos lábios entreabertos, o peito subindo e descendo enquanto sentia uma necessidade crescente de baixar a mão especificamente pelo ventre até o meio das pernas, embora não tivesse a menor coragem de fazer aquilo com Yure bem ali do seu lado. A cada beijo, o corpo estremecia, o coração acelerando mais intensamente e os olhos fechando em resposta aos estímulos como se pudesse senti-los melhor daquele jeito, mergulhando num mundo de sensações tão novas que se perdeu totalmente a ponto de não perceber como Yure estava perigosamente próximo.<br />
<br />
Claro, até ouvir a voz dele próximo demais do seu rosto, ignorando até o detalhe de que tinha sentido a trilha de beijos até ali, a mente desconectando aleatoriamente o fato de que se sentia os toques naquela altura, era porque o ruivo estava perigosamente perto. Não sabia o que teria sido pior: ouvi-lo pedindo para lhe beijar, ou ter sentido os lábios dele nos seus. O fato foi que abriu os olhos de uma vez, assustado com a proximidade, reagindo antes mesmo de pensar.<br />
<br />
- Ahhhh!!!! - levantou a mão que ele mesmo tinha beijado antes, acertando-o no peito com a palma aberta, virada de lado, empurrando-o com força a ponto do outro se afastar um metro e cair sentado na cama, felizmente, tinha sido com a palma aberta e a posição não era lá ideal para machucar demais o outro. O rosto ficou ainda mais avermelhado, as pernas trêmulas, os olhos arregalados ao se curvar na direção do outro. - AimeuDeus!!! Yure! Você está bem?! D-D-Desculpe!!! Desculpe, desculpe, desculpe!!! Eu te machuquei muito?! Eu sinto muito!!! MUITO MESMO! - ajoelhou-se na cama, curvando o corpo para se curvar com a testa tocando no colchão, os olhos lacrimejantes fosse por conta do excesso de estímulos, fosse pela preocupação de ter machucado o ruivo de verdade. O pior de tudo era que ainda estava incomodado e aquela posição só lhe deixava mais ciente das condições do seu corpo. - Eu sou um péssimo amigo! D-D-Desculpe!!! E-E-E-eu... arhh!!<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
As coisas estavam caminhando até bem, exceto pelo fato que no momento que pediu um beijo parecia que tinha ligado o botão de auto defesa do amigo, sendo acertado e arremessado longe, quase caindo fora do colchão da cama. Sentia uma dor incomoda no meio do peitoral, e pensar que mesmo naquelas condições ele conseguia lhe golpear assim: – ui! Sem problema! Eu acho que não quebrei nada! Hahah! Não se preocupe! – sentou na cama, massageando a área atingida vendo o amigo naquelas condições, e bem se ele reagia assim a um beijo imagine se fossem pra outras instâncias:<br />
<br />
– eu não imaginava que você fosse tão travado pra contato físico! Foi só um beijinho, tipo selinho e tals! – suspirou encarando o amigo, queria ajuda-lo mas não tinha muitas ideias do que podia fazer, sem levar um golpe kung fuu ninja de volta: – e agora? Não tenho como lhe ajudar se você reagir no automático pra me afastar. – olhou em volta como se buscasse alguma solução milagrosa que pudesse lhe ajudar com aquela situação: – do jeito que você é forte, acho que nem amarrando dá pra segurar! – comentou em tom de piada, como se não estivesse levando a sério o próprio comentário, até parar e ponderar:<br />
<br />
– hey Oliver, você não quer bater em mim não é? É tipo, seu modo automático certo? Se eu te amarrasse só pra você não bater em mim, você não ficaria bravo, ficaria? – por mais louca que a ideia parecesse, era ainda mais louco imaginar que um garoto não conseguisse controlar os próprios impulsos e socasse tudo que se aproxima dele.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Sentia o corpo todo tremer e os braços principalmente, esperando qualquer resposta de Yure, o calor no corpo lhe deixando sem saber o que fazer. Não tinha como Yure lhe ajudar daquele jeito, era meio óbvio, não queria machucar o amigo, mas também não podia continuar naquele estado e já estava começando a incomodar de verdade.<br />
<br />
- Desculpe! E-e-e-eu n-num to acostumado! T-t-todo mundo que chegava perto... queria me b-b-bater...! - levantou apenas a cabeça, mantendo o corpo curvado, talvez aquela posição fosse melhor apenas pra se esconder de Yure no estado em que estava.<br />
<br />
Levou as duas mãos até a cabeça, tentando se esconder, bagunçando os cabelos e sentindo a respiração ainda mais descompassada com as reações que tomavam conta do seu corpo. Como é que tinham chegado naquele nível?! Quase saltou, levantando o corpo mas ainda ficando na posição de seiza quando ele ainda perguntou se não queria mesmo bater nele.<br />
<br />
- Claro que eu não quero bater em você! Você é meu amigo, por que é que eu ia querer?! F-F-Foi só um acidente!!! - respondeu, quase choramingando, o movimento tinha deixado o corpo ainda mais sensível com o forçar das pernas e simplesmente puxou a camisa mais para baixo, quase rasgando o tecido, tentando cobrir o corpo. Levantou o olhar pra ele, piscando algumas vezes, os olhos cintilantes quando ele falou sobre lhe amarrar, lembrando-se logo de como a mulher estava amarrada na imagem. - A-A-Amarrar?! C-C-como aquela mulher?!?! N-não p-p-parece b-b-bom!! - respirou fundo, remexendo as mãos segurando a barra da camisa, baixando a cabeça. Não era como se fosse uma péssima ideia, embora não lhe agradasse aquele monte de nós e cordas, do jeito que estava, ia começar a se sentir dolorido... aquilo já tinha acontecido e não era legal. - Yure... - mordeu os lábios, levantando o olhar pra o amigo, segurando a roupa ainda com mais força e vergonha que antes. - E-E-E-Eu... estou e-e-est-t-tranho...!!! N-N-Não é-é b-b-bom!!!<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Ok, tinha de admitir pra si mesmo, que Oliver conseguia superar Lui em fofura, como o amigo conseguia ser tão incrivelmente fofo e irresistivelmente charmoso, tinha vontade de abraça-lo e encher de beijos, mordidas e carícias e vê-lo ficar ainda mais vermelho, é claro, se isso não significasse ter muitos ossos quebrados: – você não tá estranho, só precisa de alívio. – comentou aquele ponto bem sabendo como era agoniante estar naquele grau de excitação e precisar se aliviar, e do jeito que ele estava não tinha muita certeza se um banho frio resolveria, talvez antes, mas não tinha pensado nisso primeiro, e a essa altura do campeonato não é como se fosse funcionar: – não precisa ficar tão amarrado como aquela mulher, posso amarrar suas mãos juntas, e suas pernas pra você não me chutar, não vou lhe fazer mal nenhum. – sorriu em resposta.<br />
<br />
Se levantou de onde estava voltando a atenção ao notebook e procurando rapidamente no site algum tipo de nó fácil de fazer, e bem tinham muitas formas de se amarrar uma pessoa, mas tinha alguns nós mais básicos que podia usar, só precisava restringir os braços e pernas do amigo: – pronto, achei um fácil, só mãos e pés. – apontou para o monitor mostrando outra mulher com os seios amostra pela blusa aberta, as mãos juntas amarradas acima da cabeça, e as pernas afastadas amarradas também:<br />
<br />
– me deixa cuidar disso Oliver! Você não disse que confia em mim? – rodou na cadeira, olhando novamente para o amigo, com um ar confiante de quem tinha achado uma resposta plausível e possível para aquele problema.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
 <br />
Queria mesmo que um buraco se abrisse debaixo dele, principalmente ao ouvir Yure falar tão naturalmente que ele só precisava se aliviar. Sabia daquilo, embora na situação que estivesse fosse muito difícil pensar numa solução ou conseguir se levantar sem se sentir ainda mais estranho. Confiava plenamente no amigo que ele não ia lhe fazer mal, nunca tinha feito aquilo, por que é que ia começar agora? Apenas concordou com um aceno de cabeça quase inconsciente, observando-o seguir até o computador para lhe mostrar alguma coisa, fazendo questão de mostrar uma mulher nua de novo, mas amarrada só com as pernas e braços.<br />
<br />
Engoliu em seco e teve a impressão fortíssima de que sentiu o baixo ventre pulsando, pressionando ainda mais as pernas fechadas, arregalando os olhos e quase rasgando realmente a barra da camisa de tanto puxar.<br />
<br />
- N-n-não me m-m-mostre isso!!! - falou, prendendo a respiração, desviando o olhar de novo quando ele insistiu em lhe ajudar, reforçando sobre confiar nele ou não. - Eu j-j-já d-d-dis-se que confio!!!<br />
<br />
Baixou o olhar de novo, não tinha como não se deixar levar pelo espírito animado e positivo de Yure, mesmo depois de quase tê-lo acertado em cheio com os avanços nas carícias. E precisava mesmo de alívio, então, por que não confiar no amigo? Sabia também que as possibilidades de atingi-lo eram altas, então... talvez não fosse tao ruim?<br />
<br />
- P-p-pode am-mar-r-rar. - concordou finalmente com um aceno de cabeça, as mãos ainda estremecendo com os dedos esbranquiçados de tanto pressionar as mãos fechadas.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
 <br />
Se levantou num pulo quando o amigo admitiu que confiava nele e que podia então amarra-lo pra não ter nenhum osso quebrado pelo estilo ninja matador dele: – certo! Vamos lá então! – Olhou em volta se aproximando do amontoado de tralhas, peças e caixas que tinha amarrado mais cedo quando tentava em vão arrumar o quarto, era uma corda sintética pelo menos não tinha fiapos o que certamente iria machucar caso fosse uma corda convencional.<br />
<br />
Se aproximou de Oliver notando como ele estava quase arrebentando o tecido da própria camisa de tanto puxa-la para baixo, sorriu compreensivo: – feche os olhos e respire fundo, talvez você fique menos constrangido se não estiver vendo. – tocou de leve as mãos do amigo, pra que ele soltasse a própria camisa, e em seguida segurou a barra da camisa: – levante os braços! – comentou em tom normal, aproveitando que ele ergueria os braços pra lhe tirar a peça de roupa, afinal ficaria complicado tirar a peça depois de amarra-lo. Olhou para o monitor, guiado pelo tutorial que tinha no site e fez o amarrado nos pulsos do amigo, tomando cuidado apenas para não prender a circulação, não sabia se estava muito apertado ou muito folgado, saberia se no meio do processo Oliver se soltasse e lhe golpeasse:<br />
<br />
– agora deite, vou te amarrar na base da cama. – comentou naturalmente, como se fosse tipo, super normal você dizer pra uma amigo, “vou te amarrar na cama”, mas para o ruivo a maior preocupação era aliviar o amigo, não estava pensando se aquilo fazia muito sentido ou não. Aproveitou da folga da corda para fazer a amarração das pernas uma em cada perna da cama, embora já na segunda perna tivesse sobrado quase nada de corda para manter uma boa estabilidade: – e ai? Acha que consegue se soltar? – comentou olhando o corpo do amigo de cima a baixo, e vendo como ele estava notoriamente excitado e precisando de alívio, mas bem, tendo a confirmação do outro de que não estava fácil de soltar, poderia começar a resolver aquele problema.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Uma Dose de Anti-Bad [Corpo Docente St. Clavier]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=325</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:59:35 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=2">Skurai</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=325</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Skurai</span></div>
O festival escolar de St. Clavier se aproximava cada vez mais. Todos os anos, as turmas do primeiro ao quarto ano uniam-se para fazer as mais diversas atividades culturais, movimentando a escola mais do que a usual correria das aulas e atividades dos clubes. Aqueles que pertenciam aos clubes esportivos uniam-se para competições e demonstrações no ginásio, demonstrando a proeza física dos bolsistas e esportistas dedicados; os com talento artístico faziam exposições, espalhadas por todos os ateliês e salas da escola, convidando os habitantes de Cerise, pais e amigos para contemplar a beleza (e a estranheza) de criações originais dos pretensos artistas da escola. Os acadêmicos uniam-se para fazer o que sabiam melhor: expor a cultura de seus países, elaborar atividades engraçadas e criativas que distraíssem visitantes cansados de verem o reluzir de jovens talentos quase inalcançáveis. <br />
<br />
E tinha o resto, claro. Em todo lugar, havia o resto. <br />
<br />
E enquanto todos ansiosamente aguardavam o dia do festival, aqueles que não tinham interesse em se juntar a grupo nenhum, que não tinham amigos, não tinham boas notas ou eram simplesmente sem conserto pareciam que iriam ficar sem fazer nada. Porém não foi bem assim: o Conselho Estudantil, comandado pelo filho do diretor de St. Clavier, o igualmente pomposo Cesar St. Clavier, mandou através de seu secretário, René, um memorando para muitos alunos. Estava escrito: <br />
<br />
<br />
À Monsieur ___________,<br />
Em sua ausência nas inscrições iniciais às atividades do Festival Escolar de St. Clavier ou na não-aceitação de sua proposta para o festival, o Conselho Estudantil informa que, visando a manutenção do espírito coletivo, você foi designado para realizar uma atividade junto ao grupo de teatro de St. Clavier. Compareça ao auditório principal após as aulas para as reuniões do grupo. Caso decida não comparecer, alternativamente, deverá participar do curso integral de férias, que tomará os turnos matutino, vespertino e noturno em todos os dias do recesso e cujas notas serão pesadas junto com seu boletim. <br />
Atenciosamente,<br />
Cesar St. Clavier, presidente do Conselho Estudantil.<br />
Entre participar de alguma atividade e ter as férias tomadas por cursos que iriam de cozinha básica e corte e costura até álgebra avançada, era apenas natural que o teatro parecesse interessante. <br />
<br />
E foi assim, após as aulas, que as portas do teatro foram abertas para um grupo singular de alunos, na proposta de apresentarem uma versão alternativa de Branca de Neve e os sete anões. <br />
<br />
[Convidando todos os professores na tenra idade de 16 aninhos. Podem postar sem ordem mesmo, como fizemos na thread de natal. E também não precisa fazer post longo. Ações curtas vão acelerar a thread já que tem muita gente x3 Divirtam-se]<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mathew</span></div>
 <br />
Chegou cedo no teatro para as atividades escolares. Tinha ótimas notas e uma péssima vida social. Impulsionado pelos pais a se localizar melhor com os outros garotos da instituição, o loiro asmático resolveu que seria uma boa oportunidade de tentar conhecer novas pessoas com a atividade proposta pela administração do lugar aos alunos. Se inscreveu também para poder ganhar alguns pontos extras em seu currículo. <br />
<br />
- Olá! Bom tarde! - cumprimentou os presentes de maneira educada, carregando sua mochila nas costa, os óculos de armação grossa no rosto enquanto seus cabelos loiros não conseguiam se comportar, alinhados. <br />
<br />
Procurou por alguém que já deveria ter chegado, pegando sua mochila para beber um pouco de água por ter andado rápido demais para chegar ali na hora certa. Não queria chegar atrasado e acabar sendo repreendido por ser incompetente com horário. Ainda não fazia ideia de quem estaria naquele trabalho escolar também. Havia visto alguns garotos falando sobre o assunto no corredor, mas ainda não tinha certeza de nada.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
Vivien não sabia porque tinha recebido aquele bilhete do Conselho Estudantil. Estava inserido no clube de Rugby e tinham demonstrações e partidas marcadas para o Festival Escolar. Mas se parasse bem para pensar, só havia mesmo um motivo pelo qual estava ali: Cesar, seu primo, não ia muito com a sua cara. Suspirou e se resignou a atender aquela ordem. Quem sabe, com tantas peças estranhas que apareceriam por ali, o lugar talvez precisasse de um pouco de ordem.<br />
<br />
Foi depois das aulas como dito no bilhete, e não fez muita cerimônia de entrar no auditório, dando de cara com um gordinho que parecia ser o tipo nerd e não fazia muito seu tipo. Não seria mal educado por causa disso. <br />
<br />
- Boa tarde. - respondeu, prontificando seu sorriso comercial. - Monsieur Morrisson, não é? Certamente não esperaria ver você aqui. Parece o tipo estudioso. - aproximou-se, estendendo a mão para um cumprimento amigável. - Não sei se sabe meu nome mas por via das dúvidas, Hector St. Clavier. - riu, agradado. - Branca de neve e os sete anões, hmm? - suspirou longamente, então rindo da sorte do grupo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Benjamin</span></div>
 <br />
"Alguém precisa ir lá e dar conta desse grupo". Foi aquela frase do presidente do Conselho Estudantil que fez com que os demais integrantes contorcessem as expressões em desgosto. Ninguém queria lidar com os estudantes delinquentes e deslocados só porque eles não tinham o que fazer durante o festival. Bom, exceto por Benjamin. Como secretário, nunca tinha muito o que fazer no Conselho, todos os outros integrantes estavam muito ocupados... e não negaria um pedido de César. Por isso, não demorou a comparecer no Teatro supostamente na hora marcada, mas obviamente mais atrasado do que alguns poucos alunos.<br />
<br />
- Boa tarde, vocês estão aqui para a peça da Branca de Neve, não é? - perguntou, aproximando-se das únicas duas pessoas que sabia quem eram: o nerd gordinho excluído e o primo do presidente do Conselho. Não teve muito tempo de ouvir as respostas, quando outra voz conhecida foi bem audível na entrada do teatro.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aleksei</span></div>
 <br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Quem é que eu tenho que fuder pra me livrar disso?</span><br />
<br />
Aleksei estava de mau humor. Por isso não se importou em pegar um cigarro da sua cartela de reservas e acendê-lo sem receio na entrada do teatro. O uniforme estava desarrumado, como alguém que tinha vestido as roupas muito apressadamente. Apenas depois de guardar a cartela de cigarros e o isqueiro que se importou de terminar de abotoar a camisa até quase o colarinho. Tivera um cliente bem inconveniente naquela manhã - que tinha lhe deixado marcas exageradas -, e o maior problema era que não tinha recebido tudo. Bom, tinha que dar um jeito naquilo e usou de outros contatos para garantir que aquele cliente em particular receberia ainda mais dor do que tinha lhe causado. Mas queria estar lá para assistir... e aquela porcaria de teatro lhe atrasaria.<br />
<br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Tenho um compromisso inadiável em dez minutos. -</span> adicionou, soprando a fumaça do cigarro para cima.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Soren</span></div>
 <br />
A presença de Soren foi silenciosa o suficiente para conseguir ainda observar um pouco da interação do Secretário do Conselho Estudantil ao chegar no teatro e passar despercebido, até que aquele aluno bem difamado chegasse com a ousadia de acender um cigarro. Pronunciou um breve "tsc" em desgosto para as palavras e a postura dele e aproveitou que ele passou direto pelo corredor principal para acompanhá-lo, sorrateiro e discreto, até alcançar o cigarro na boca dele e tirá-lo com uma expressão de irritação em resposta.<br />
<br />
<span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- É proibido fumar nos limites da Academia, Sr. Vlahos. E garanto que não tem nada que possa fazer que o livre da atividade para o festival. -</span> disse, um pouco perdido do que faria com o cigarro, até se renegar a apagá-lo no chão de uma vez. Voltou a atenção para os demais. <span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Acredito que exceto pelo Sr. Morrison, os demais me conhecem. Eu sou Soren Halstein, presidente do Conselho Disciplinar, e estarei supervisionando essa atração do festival em particular.</span><br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
As pessoas começaram a chegar aos montes quando menos esperava. Mal teve tempo de se apresentar para o gordinho, viu o secretário do Conselho Estudantil. Logo atrás dele, um tipo vulgar surgiu com a boca já cheia da revolta. O conhecia por rumores, mas nunca tinha tido a sorte de contatá-lo. Até onde sabia, se ele estava em St. Clavier, era porque seu tio quem sabe tivesse uma queda por adolescentes. <br />
<br />
E não podia negar. Ele era excepcionalmente bonito. Ainda que muito, muito vulgar. <br />
<br />
Logo que Soren, a víbora do Conselho Disciplinar entrou, já colocando moral em todos ali presentes, sentiu que não teria vontade alguma de conversar com o gordinho que já tinha esquecido o nome. Até folgou levemente a gravata do uniforme perfeitamente alinhado. Abençoada fosse aquela escola, com tantos rapazes aprazíveis. <br />
<br />
- Calma, monsieur Halstein. Ainda nem começamos as atividades, não nos desanime tão prontamente. Estamos apenas conversando casualmente - comentou, enfiando as mãos nos bolsos, olhando de leve para o prostituto com interesse. - Além do que, fomos todos colocados aqui pelo Conselho Estudantil. Não seria errado dizer que, mediante uma conversa informal com a administração, há a chance de se livrar dessa atividade. - sorriu, como se não tivesse acabado de implicar que o prostituto poderia bem dormir com Cesar. - Ah, mas se for esse o caso, monsieur, me leve. Eu ainda não sei porque estou aqui.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Dieter Rupert</span></div>
Dieter estava numa semana daquelas, cheia de trabalhos e experimentos, queria ter terminando de escrever o trabalho que queria antes do festival começar, mas era perdido, sempre lhe arrastavam para alguma atividade que não queria. Mas aquele ano estava se saindo excepcional com um bilhete vindo do próprio conselho estudantil. <br />
<br />
Seguiu para o auditório e pegou o meio de uma conversa, ou melhor de uma bronca direcionada a um dos alunos:<br />
<br />
- Também é proibido ser chato, mas taí você todos os dias, e a gente te perdoa, então 'cê devia atender a parte de ser legal com os colegunhas Sosó! - Dieter interrompeu todo o discurso pomposo do aluno engomadinho número um da sala.<br />
<br />
-Olá, Boa tarde a todos! Estamos todos cheio de animação para essa atividade excepcional! - o moreno de óculos ergueu os braços em um gesto amplo cheio de energia quase teatral: - só que não. - completou mudando de postura, e sentando em qualquer lugar, largado, com o uniforme todo desalinhado: - Mas aproveitando que tem gente dos dois conselhos aqui, 'cês bem que podiam dizer porque do bilhetinho de trote, nem sou calouro mais pra passar por isso.- sacudiu o pedaço de papel com toda a relevância que dava aquela atividade.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mathew</span></div>
<br />
Sorriu para o sujeito educado e sorridente que se aproximava, cumprimentando-o de volta. Não teve muito tempo em respondê-lo, sendo prontamente seguido de outras pessoas que logo adentraram o espaço. Podia não ser conhecido por elas, mas bem sabia como se chamavam. Tinha que saber o nome dos caras para que quando passassem no corredor e as pessoas falassem seus nomes, soubesse que era a hora de seguir seu caminho ou ficar atento ao que estava fazendo. <br />
<br />
- Vou te chamar de Hector hoje, porque monsieur St. Clavier é muito esquisito. Pode me chamar de Mathew. - respondeu ao tal Hector, reconhecendo de quem ele deveria ser aparentado. <br />
<br />
Não demorou muito o seu entusiasmo momentâneo quando aquele garoto entrou no teatro fumando. Mais que imediatamente, levou a gola da camisa até o nariz, segurando a respiração pouco antes de sentir, conforme ele se aproximava, o fedor do tabaco. Já ia reclamar que ele não deveria fumar ali quando o tal Soren apareceu. <br />
<br />
- Atchum! - não segurou o primeiro espirro, fungando com força o nariz antes de virar a própria mochila de novo, buscando sua caixinha de lencinhos para poder segurar o início do que poderia ser uma sequência de espirros. - Trote? - perguntou sem entender o descaso da maioria ali com aquela oportunidade. Não pareciam muito inclinados a socializar. Simpatizava mais com Hector e o tal garoto inglês, mas não com o sujeito vulgar. E já conhecia Dieter, ao menos sabia do que ele era capaz. O sujeito era bem inteligente e desenrolado. Queria poder trocar metade de seus problemas respiratórios por um pouco de descaramento do outro.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Stephen</span></div>
 <br />
Estava chapado demais para entender o que aquela mulher - seria uma mulher? - alta havia dito. Era uma professora? Coordenadora? Sua tia? Um professor afeminado? Ah, só queria comer um sanduíche e dormir. A larica havia batido, mas decidiu pegar o tal papel que aquela pessoa havia lhe dado. Leu o chamado a muito contragosto. Então lembrou do formato das nádegas de alguns colegas que possivelmente apareceriam por lá, ainda que cobertas pela calça da academia.<br />
<br />
- É.... não pode ser tão chato assim. - coçou os fios de cabelos que já estavam ficando grisalhos, e seguiu para o tal auditório.<br />
<br />
Havia esquecido a mochila e só estava com uma caneta no bolso. No outro, um maço de cigarros. Foi entrando na sala devagar, inicialmente com um ar de poucos amigos, encarando um por um. Até que um largo sorriso despreocupado se formou, erguendo a mão.<br />
<br />
- Boa tarde meus colegas! E então? O que temos pra hoje? - e não demorou para se sentar no chão, encostando-se na parede ignorando quaisquer cadeira que estivesse presente. Além de atrasado, estava visivelmente em outro mundo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Benjamin</span></div>
 <br />
A quantidade de pessoas aumentava exponencialmente. Não tinha como fazer muita coisa, além de sorrir e cumprimentar o outros que estavam ao redor e guardar os nomes deles mentalmente para repassar para César depois. Tinha o rapaz de má fama, o presidente do Conselho disciplinar, o estudante de ciências com prêmios, o drogado de cabelos grisalhos... agora entendia porque César queria mesmo alguém de olho no grupo. Mas mal teve tempo de falar com Soren - com quem estava mais acostumado, quando o grego fez uma expressão irritadiça para ele.<br />
<br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Pra tocar é mais caro, Sr. Presidente. -</span> ele disse, lambendo os lábios com um sorriso convencido e olhando por cima do ombro para Hector. <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Contanto que me pague, eu levo pra qualquer lugar.</span><br />
<br />
Ele se sentou numa das cadeiras da platéia, jogando os cabelos para trás e parecendo bem relaxado. Só então Benjamin conseguiu retomar o fio da conversa.<br />
<br />
- Stephen e Dieter, não é? Não é trote, é uma atividade do Conselho Estudantil para os alunos que não estão diretamente ligados com o festival da escola. - tentou explicar um pouco melhor o quadro. Ao menos superficialmente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Dieter Rupert</span></div>
 <br />
Dieter mal tinha sentado se levantou novamente como um gato ao ter um pepino posto em suas costas ao ouvir o som do espirro, a ultima coisa que queria era ficar doente, com algum germe de sabe-se lá onde. Até sabia que o Mathew era alérgico, asmático, com todo um quadro de problemas respiratórios que só faria dele um tipo melhor para estudar se fosse um rato e não uma pessoa.<br />
<br />
Sentou-se algumas boas cadeiras de distância do gordinho a tempo de ver um aluno certamente drogado chegar, podia jurar que alguns alunos estavam trocados experimentos botânicos por uma plantação ilegal de marihuana, mas não seria ele a dizer aquilo. Voltou atenção ao secretário quando ele tentou explicar a situação em que estavam:<br />
<br />
- Certo Benjin, até agora você disse o mesmo que tinha no bilhetinho, mas é como um trote, ou no mínimo uma piada bem ruim, como "pavê ou pra comer". - o australiano completou com seu sotaque mais forte o que realmente fazia parecer que ele não estava levando a situação com muita seriedade: - porque nem de longe nos somos atores, talvez o senhor propaganda de pasta de dente ali talvez - Dieter apontou para Vivien descaradamente com as duas mãos: - mas assim, a maioria aqui não é o que podemos chamar de "ator", então independente do que a gente tiver de fazer nessa peça, vai parecer uma piada ou trote, ou no mínimo um filme de classe D.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
Quando a vida parecia que tinha lhe agraciado com muita gente bonita para observar, veio Dieter Rupert. Não que fosse chegado dele, mas ele era bem notório no campo das ciências. Nem queria mexer com aquilo, apenas aceitando que Dieter existia ali. E logo atrás dele, outro que poderia ignorar completamente. Nem sabia o nome do outro aluno, e provavelmente ele também não. Pelo menos ele era menos alergênico para Morrisson que o cigarro de nicotina. <br />
<br />
Arqueou a sobrancelha quando o prostituto loiro lhe respondeu com uma provocação, até divertindo-se com aquilo.<br />
<br />
- Pena que estou economizando. Mas estou disponível para falar de investimentos. – respondeu, entretido com a Benjamin então, que parecia disposto a explicar tudo com mais paciência que Soren. Acabou rindo mais ao ser chamado de propaganda de pasta de dente, especialmente porque estava sendo acusado de ser um ator. Definitivamente não ia com a cara de Dieter. – Não adianta se aborrecer com o “Benjin”, monsieur Rupert. Ele não pode revogar a decisão do Cesar. Pense que se atuarmos bem, ano que vem não teremos o mesmo castigo. Se atuarmos mal, então fizemos um protesto pacífico. O detestável é só a perda de tempo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tamotsu</span></div>
 <br />
Tamotsu estava abusado. Mas também sempre estava abusado. Queria só arrumar briga com quem passasse para reclamar que estava fumando nos fundos da escola, mas o rapaz que lhe trouxe o bilhete parecia não ter medo de levar um sopapo. O que tinha escrito... bom, mais aulas. Isso não queria de jeito nenhum. Já se ferrava constantemente por ser um lixo no francês... e em todas as outras matérias. Podia atuar numa peça de teatro, não parecia tão mal. <br />
<br />
Foi até lá depois das aulas, mas só depois de fumar mais um cigarro. Encontrou outro japonês de sua turma no corredor, e ele apenas lhe seguiu sem dizer uma palavra. Acabou resmungando gravemente enquanto entrava no auditório, o uniforme todo desleixado no corpo rechonchudo. Na verdade, resmungou ainda mais quando percebeu que ele baixinho e gordo e o outro, alto e magro, pareciam uma dupla de comediantes japoneses da década de oitenta.<br />
<br />
- Sai daqui se não te dou um sopapo, seu puto! – rosnou pro outro japonês, então se jogando numa cadeira de modo preguiçoso.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lei</span></div>
 <br />
Lei sabia porque tinha recebido o bilhete. Tinha conseguido não se entrosar com ninguém de sua turma. Era quieto, não tirava notas excelentes e não tinha projetos. Era o único também que praticava karatê tradicional, e era a única coisa de que entendia 100%. Foi até o auditório sem opções, e encontrou outro japonês no caminho. Não disse nada. Não parecia certo.<br />
<br />
Já no auditório, foi expulso da companhia do mesmo e apenas cumprimentou-o com uma reverência antes de caminhar até o canto do auditório, observando todos ao redor com atenção, notando que tinham até mais alunos problema do que esperava. Queria que seu irmão estivesse ali também.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Abel</span></div>
 <br />
O pedido de César não lhe foi estranho. As pessoas do clube de teatro de St. Clavier eram no todo muito elitistas. A única pessoa de classe média naquela escola com bolsa para teatro era ele, então os pedidos mais absurdos vinham para ele. Abel correu após as aulas para alcançar o teatro, afinal, teria muitas pessoas que instruir naquela arte milenar, e isso lhe deixava feliz.<br />
<br />
Levou um carrinho cheio de cópias do roteiro e abriu a porta do auditório, o rosto ficando prontamente vermelho após ver que haviam tantos garotos ali, e logo ele, logo ele que precisava ser responsável, estava atrasado.<br />
<br />
- Benjamin, desculpe o atraso, fui tirar cópias do script. – Abel falou, exasperado, levando o carrinho na direção do grupo. – Olá a todos, sou Abel do Clube de Teatro. Estou aqui para supervisionar os ensaios e ajuda-los no que precisarem, oui? – estava até animado, mesmo que os outros não parecessem assim – Podem pegar o roteiro da peça comigo. Acho que adiantaram para vocês que faremos “Branca de Neve e os sete anões”. Discutiram algo sobre a peça?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ulrik</span></div>
 <br />
Ulrik abriu sua agendinha onde guardava os compromissos do dia. Como uma pessoa com proeminência acadêmica, supôs que ter recebido o bilhete do Conselho Estudantil só poderia significar que não era muito sociável. Bom, apenas a realidade. Ainda que o problema fosse o nome de sua família, não ele em si.<br />
<br />
Fechou a agenda quando chegou no lugar de compromisso, dando dois toquinhos na porta antes de entrar, sorrindo levemente quando viu que estavam quase todos ali. <br />
<br />
- Ah. Desculpem o atraso. Já começamos? – perguntou, entrando e fechando a porta, um olhar rápido para ver quem estava presente naquele lugar. O sorriso se desfez momentaneamente ao ver Soren do Conselho Disciplinar. Lambeu rapidamente o lábio, os olhos castanhos relaxados mostrando o branco abaixo dos mesmos. Então voltou a sorrir rapidamente. – O Conselho Disciplinar também está aqui? Estamos encrencados? – riu, discreto.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Soren</span></div>
 <br />
Seria um inferno organizar todos aqueles alunos. Mas até valia a punição para cada um deles - mais de um já tinha passado pela sua sala e pelas detenções mais de uma vez. Ignorou prontamente os comentários do aluno de ciências e fora a presença espalhafatosa dele, apenas Vivien se destacava por motivos óbvios - o sobrenome. Os outros alunos foram chegando e finalmente o responsável pela atividade de teatro resolveu dar as caras. Mas ele mal separou os scripts com a ajuda de Benjamin, parecendo as únicas pessoas dispostas ali, para que outro aluno problemático de família perigosa aparecesse. Estreitou o olhar discretamente para ele também, tentando não dar tanta atenção para o aluno.<br />
<br />
<span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Estou aqui apenas para anotar os nomes daqueles não colaborativos, afinal, a detenção será em horário integral durante as férias. -</span> avisou, andando cuidadosamente até Aleksei, puxando da mão dele o cigarro que já tinha tirado da caixa, sem prestar atenção nos arredores. <span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Já disse, nada de cigarros, Aleksei.</span><br />
<br />
De novo, a resposta do loiro foi um breve "tsc", jogando a cabeça para trás enquanto esperava algo mais acontecer ali.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Abel</span></div>
 <br />
Abel mal sabia por onde começar com aquele grupo tão extremamente variado. Distribuiu os scripts com Benjamin a todos dispostos a pegar. Até para o par de japoneses.<br />
- ‘Tá olhando o que? – Tamotsu rosnou para o rapaz do clube de teatro, que apenas jogou o roteiro na cadeira ao lado dele e deu uma pirueta de meia volta. <br />
<br />
Com todos os roteiros distribuídos, poderiam começar o trabalho.<br />
- Acho que o mais lógico é começar distribuindo os papéis. Pelo espírito do teatro, que é a capacidade de interpretar diferentes personas, acho que o mais certo seria fazer isso com um sorteio. – comentou. – Então podemos nos reunir sentados em um círculo no palco e discutir o que sabemos sobre nossos personagens.<br />
<br />
Ulrik se prontificou.<br />
- Vou fazer papéis de sorteio com os nomes dos personagens. – gostava de organização, então não era estranho que se dispusesse a isso. Anotou o nome de cada um dos personagens escritos na peça em uma folha de papel de sua agenda e picotou os papeizinhos. Passou de um em um para que pegassem um filete de papel rasgado. - Aqui estão. <br />
<br />
[Os papéis, o sorteador &gt;D<br />
Caçador <br />
Rainha Má<br />
Branca de Neve<br />
Espelho<br />
Príncipe Encantado<br />
Mestre<br />
Dengoso<br />
Atchim<br />
Feliz<br />
Zangado<br />
Dunga<br />
Soneca<br />
<a href="https://www.sorteiospt.com/list" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.sorteiospt.com/list</a>]<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
Pegou o script e sorriu para o rapaz do clube de teatro com educação. Ele não era muito chamativo, mas era surpreendentemente bonito. Um tipo de beleza clássica francesa. E certamente era afeminado, o que queria dizer que daqui para o final daquela peça pelo menos não teria perdido tempo o suficiente sem nenhuma recompensa. E uma recompensa delicada.<br />
<br />
- Bom, não existem papéis melhores ou piores nessa situação. - sorriu para Ulrik, pegando um papelzinho. Então seu rosto sorridente se desfez, pois o karma de sua sorte ficou óbvio. - Espero que os vestidos pretos do teatro sejam bonitos. Peguei a rainha má. - comentou, entretido.<br />
<br />
- Ah! Eu deveria pegar um também. - Ulrik comentou, puxando um dos papéis. - Dengoso. - o rapaz acabou sorrindo mais amplamente. Não poderia ser mais diferente de si mesmo. <br />
<br />
Vivien foi se retirar para sentar no palco como tinha sido instruído por Abel. Até era colaborativo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Stephen</span></div>
 <br />
Por um instante cochilou encostado na parede. Abriu os olhos num susto, sentindo uma súbita vontade de gargalhar ao notar que a sala já havia enchido. Seu estômago estava vazio, só queria comer um sanduíche de mortadela. Levantou-se do chão ao ouvir a palavra "sorteio", e ignorando todos os outros, caminhou até Ulrik onde aceitou de bom grado o papelzinho. Deu uma encarada descarada na bunda do colega enquanto abria o papel sorteado, finalmente deparando-se com o resultado. Não aguentou e gargalhou, principalmente com a resposta de Vivien, que conformado - ou colaborativo - aceitou ser a rainha má de bom grado.<br />
<br />
- HAHAHAHAHA! Rainha má?? Sou um anão. Sou o Feliz. - mostrou o papel - Sério que vamos interpretar Branca de Neve? Pffff! - escondeu a boca com a destra. Havia ignorado as instruções iniciais, logo aquilo tudo era novo - E quem será o felizardo que vai ser a princesa? - perguntou, enquanto caminhava na direção das cadeiras que Abel havia indicado.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aleksei</span></div>
 <br />
Estava irritado e nervoso, queria sair dali e descontar em algumas pessoas aquelas marcas que tinham ficado em seu corpo. Suspirou pesadamente com o presidente do Conselho Disciplinar lhe marcando mais do que fazia nos corredores. Sequer prestou atenção nos outros, apoiando a cabeça no banco da frente entediado enquanto aquele outro filhinho de papai se aproximava com uma caixa. Olhou para ele com uma sobrancelha levemente arqueada e estreitou o olhar para Soren que lhe vigiava mais do que os outros - era algum tipo de marcação cerrada. Puxou um dos papeis, olhando o nome sem interesse.<br />
<br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Branca de Neve. -</span> falou, jogando o papel de lado. <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Já terminou?</span><br />
<br />
<span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Não. -</span> Soren interveio e Aleksei manteve a pouca paciência que ainda lhe restava.<br />
<br />
Benjamin aproximou-se para pegar o seu papel também, sem tanto receio quanto o grego.<br />
<br />
- Soneca. Temos três anões então. - comentou, com um sorriso discreto tentando amenizar um pouco o clima de carcereiro e prisioneiro entre Aleksei e Soren... que pelo histórico, não duraria tanto até que Aleksei conseguisse escapar.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Dieter Rupert</span></div>
 <br />
Dieter ainda prestou atenção no que Vivien comentou, e certamente apesar da aparência de plástico típica de garoto rico, ele falava bem e era convincente: - ok, ok, eu compro a pasta de dente. - brincou, apenas afirmando que ele de fato era convincente nas coisas que falava. <br />
<br />
Não comentou nada dos asiáticos, realmente se perguntava que tipo de resultado iria sair dali, e só não podia ser bom. Se aproximou do aluno do teatro, para puxar uma cópia do roteiro e repousar a mão sobre o ombro do mesmo: - desculpe, sei que vou ser terrível, mas não nasci ator. - comentou despreocupado. E apesar da má vontade geral, todos pareciam colaborativos, uns picotando papeis, outro já sentando em rodinha, até parecia um bando de bichinhos treinados, como circo de pulgas.<br />
<br />
Puxou seu papel no meio da pilha restante, e ajustando os óculos no rosto para concluir: - serei o príncipe encantado, de óculos, porque não tenho lentes pra bancar o galã de novela.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lei</span></div>
 <br />
Lei ainda estava se sentindo decididamente por fora daquela confusão toda, e nem sabia como agir, estando perto de um grupo tão grande. Algumas pessoas ali eram muito escandalosas. Pegou um papel quando lhe foi passado, e sentou no centro do palco como foi pedido porque estava acostumado a acatar ordens. <br />
<br />
- Espelho. - falou para ninguém, aceitando seu destino facilmente. Pelo menos não teria que aparecer muito, imaginava. <br />
<br />
Enquanto isso, Abel riu com a colocação de Dieter, entretido.<br />
- Com óculos ainda é muito bonito, monsieur. - respondeu ao moreno, simpático. - Além do que, mais do que ser bonito de fato, a platéia tem que acreditar que você é um príncipe. - deu um tapinha no ombro dele, de incentivo. Pegou também um papel para si. - Assim como as pessoas tem que acreditar que eu conseguiria machucar a bela Branca de Neve, como um caçador cruel. - riu.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mathew</span></div>
 <br />
Ainda não entendia o que estava fazendo ali. A maioria dos alunos que adentravam o teatro eram alunos problemáticos, com alguns vícios ou má conduta. Alguém deveria ter confundido seu nome e lhe colocado ali no meio. Não fazia ideia do que havia feito de errado para estar ali. Contudo, seguiu com o protocolo, seguindo o sorteio de papeis. <br />
<br />
- Zangado. - disse abafado ainda pela gola da camisa para não ter que respirar o fedor de tabaco. - Zangado?! - finalmente se deu conta do papel que havia recebido, abaixando a gola da camisa, descrente que de fato teria de fazer um dos anões e justamente o tal do anão irritadiço. - Como é que eu vou fazer isso? A Branca de Neve é o Vlahos! Como é que eu vou ser zangado com ela, ele, num sei! Vou ter uma crise alérgica só de chegar perto dele! <br />
<br />
Reclamou, certo de que aquele papel era horrível para que o fizesse. Seria um Zangado com uma bombinha para asma constantemente acionada. Fez uma pausa ao se exaltar, usando de sua garrafa de água para tomar mais alguns goles, hidratando a própria garganta. Odiava ser afetado pelo tabaco e odiava ainda mais quando as pessoas não tinham consideração nenhuma com os outros da maneira com a qual o outro garoto havia entrado fumando no recinto.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Wilbert</span></div>
 <br />
Atrasado devido aos seus usuais problemas de temperamento, havia chegado apenas a tempo o bastante para pegar a conversa pela metade e assistir o sorteio de papeis. Aquilo só poderia ser algum tipo de piada bem de mal gosto da direção que deveria achar que não havia nada de mais útil que pudessem fazer com suas vidas. Talvez não fosse o melhor aluno devido ao seu temperamento inadequado, mas não havia necessidade para ter de receber aquele tipo de punição.<br />
<br />
Não cumprimentou ninguém, não havia necessidade em ser educado com um bando de delinquentes com problemas tão parecidos ou piores que os seus. Desejava o mesmo que a maioria ali, que tudo acabasse e que pudesse voltar a suas ocupações. Aproximou-se para pegar seu papel, encarando o sorteio com uma forma mascara de tornar tudo aleatório e divertido aos que desejavam puni-los, porque aquilo não poderia ser chamada de reunião entre amigos. <br />
<br />
- Mestre. - avisou antes de voltar ao seu lugar e cruzar os braços novamente, entediado com tudo o que estava acontecendo por ali.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
 <br />
Havia recebido o recado por outro aluno num pedaço de papel enquanto falava ao telefone com o namorado, tentando dar uma explicação novamente pela sua ausência, sempre acabava gerando dor de cabeça. Acabou levando mais tempo do que imaginava e apenas se lembrou de ler o conteúdo do papel um bom par de minutos depois, e se já não possuía tempo livre normalmente, com certeza não teria nenhum se acabasse no meio de alguma atividade de férias. Se arrependia amargamente de não ter aceitado participar de nenhuma atividade do dito festival, se soubesse que lhe traria um problema assim! Não precisava que o seu boletim caísse mais do que o normal;<br />
<br />
- Olá, olá! Desculpe o atraso! - abriu as portas do auditório dando de cara com o grupo diverso, alguns já conhecia como Matthew e a figura caricata de Dieter que era impossível não notar. Agora alguns dos outros tinha receio de não se lembrar nem mesmo do rosto. Depois de se inteirar com a situação, fazer cumprimentos rápidos e receber um script, foi puxar o seu papel do sorteio - Dunga! - avisou antes de dar espaço para que o próximo, e aparentemente último sorteado pudesse pegar o seu papel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Skurai</span></div>
O festival escolar de St. Clavier se aproximava cada vez mais. Todos os anos, as turmas do primeiro ao quarto ano uniam-se para fazer as mais diversas atividades culturais, movimentando a escola mais do que a usual correria das aulas e atividades dos clubes. Aqueles que pertenciam aos clubes esportivos uniam-se para competições e demonstrações no ginásio, demonstrando a proeza física dos bolsistas e esportistas dedicados; os com talento artístico faziam exposições, espalhadas por todos os ateliês e salas da escola, convidando os habitantes de Cerise, pais e amigos para contemplar a beleza (e a estranheza) de criações originais dos pretensos artistas da escola. Os acadêmicos uniam-se para fazer o que sabiam melhor: expor a cultura de seus países, elaborar atividades engraçadas e criativas que distraíssem visitantes cansados de verem o reluzir de jovens talentos quase inalcançáveis. <br />
<br />
E tinha o resto, claro. Em todo lugar, havia o resto. <br />
<br />
E enquanto todos ansiosamente aguardavam o dia do festival, aqueles que não tinham interesse em se juntar a grupo nenhum, que não tinham amigos, não tinham boas notas ou eram simplesmente sem conserto pareciam que iriam ficar sem fazer nada. Porém não foi bem assim: o Conselho Estudantil, comandado pelo filho do diretor de St. Clavier, o igualmente pomposo Cesar St. Clavier, mandou através de seu secretário, René, um memorando para muitos alunos. Estava escrito: <br />
<br />
<br />
À Monsieur ___________,<br />
Em sua ausência nas inscrições iniciais às atividades do Festival Escolar de St. Clavier ou na não-aceitação de sua proposta para o festival, o Conselho Estudantil informa que, visando a manutenção do espírito coletivo, você foi designado para realizar uma atividade junto ao grupo de teatro de St. Clavier. Compareça ao auditório principal após as aulas para as reuniões do grupo. Caso decida não comparecer, alternativamente, deverá participar do curso integral de férias, que tomará os turnos matutino, vespertino e noturno em todos os dias do recesso e cujas notas serão pesadas junto com seu boletim. <br />
Atenciosamente,<br />
Cesar St. Clavier, presidente do Conselho Estudantil.<br />
Entre participar de alguma atividade e ter as férias tomadas por cursos que iriam de cozinha básica e corte e costura até álgebra avançada, era apenas natural que o teatro parecesse interessante. <br />
<br />
E foi assim, após as aulas, que as portas do teatro foram abertas para um grupo singular de alunos, na proposta de apresentarem uma versão alternativa de Branca de Neve e os sete anões. <br />
<br />
[Convidando todos os professores na tenra idade de 16 aninhos. Podem postar sem ordem mesmo, como fizemos na thread de natal. E também não precisa fazer post longo. Ações curtas vão acelerar a thread já que tem muita gente x3 Divirtam-se]<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mathew</span></div>
 <br />
Chegou cedo no teatro para as atividades escolares. Tinha ótimas notas e uma péssima vida social. Impulsionado pelos pais a se localizar melhor com os outros garotos da instituição, o loiro asmático resolveu que seria uma boa oportunidade de tentar conhecer novas pessoas com a atividade proposta pela administração do lugar aos alunos. Se inscreveu também para poder ganhar alguns pontos extras em seu currículo. <br />
<br />
- Olá! Bom tarde! - cumprimentou os presentes de maneira educada, carregando sua mochila nas costa, os óculos de armação grossa no rosto enquanto seus cabelos loiros não conseguiam se comportar, alinhados. <br />
<br />
Procurou por alguém que já deveria ter chegado, pegando sua mochila para beber um pouco de água por ter andado rápido demais para chegar ali na hora certa. Não queria chegar atrasado e acabar sendo repreendido por ser incompetente com horário. Ainda não fazia ideia de quem estaria naquele trabalho escolar também. Havia visto alguns garotos falando sobre o assunto no corredor, mas ainda não tinha certeza de nada.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
Vivien não sabia porque tinha recebido aquele bilhete do Conselho Estudantil. Estava inserido no clube de Rugby e tinham demonstrações e partidas marcadas para o Festival Escolar. Mas se parasse bem para pensar, só havia mesmo um motivo pelo qual estava ali: Cesar, seu primo, não ia muito com a sua cara. Suspirou e se resignou a atender aquela ordem. Quem sabe, com tantas peças estranhas que apareceriam por ali, o lugar talvez precisasse de um pouco de ordem.<br />
<br />
Foi depois das aulas como dito no bilhete, e não fez muita cerimônia de entrar no auditório, dando de cara com um gordinho que parecia ser o tipo nerd e não fazia muito seu tipo. Não seria mal educado por causa disso. <br />
<br />
- Boa tarde. - respondeu, prontificando seu sorriso comercial. - Monsieur Morrisson, não é? Certamente não esperaria ver você aqui. Parece o tipo estudioso. - aproximou-se, estendendo a mão para um cumprimento amigável. - Não sei se sabe meu nome mas por via das dúvidas, Hector St. Clavier. - riu, agradado. - Branca de neve e os sete anões, hmm? - suspirou longamente, então rindo da sorte do grupo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Benjamin</span></div>
 <br />
"Alguém precisa ir lá e dar conta desse grupo". Foi aquela frase do presidente do Conselho Estudantil que fez com que os demais integrantes contorcessem as expressões em desgosto. Ninguém queria lidar com os estudantes delinquentes e deslocados só porque eles não tinham o que fazer durante o festival. Bom, exceto por Benjamin. Como secretário, nunca tinha muito o que fazer no Conselho, todos os outros integrantes estavam muito ocupados... e não negaria um pedido de César. Por isso, não demorou a comparecer no Teatro supostamente na hora marcada, mas obviamente mais atrasado do que alguns poucos alunos.<br />
<br />
- Boa tarde, vocês estão aqui para a peça da Branca de Neve, não é? - perguntou, aproximando-se das únicas duas pessoas que sabia quem eram: o nerd gordinho excluído e o primo do presidente do Conselho. Não teve muito tempo de ouvir as respostas, quando outra voz conhecida foi bem audível na entrada do teatro.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aleksei</span></div>
 <br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Quem é que eu tenho que fuder pra me livrar disso?</span><br />
<br />
Aleksei estava de mau humor. Por isso não se importou em pegar um cigarro da sua cartela de reservas e acendê-lo sem receio na entrada do teatro. O uniforme estava desarrumado, como alguém que tinha vestido as roupas muito apressadamente. Apenas depois de guardar a cartela de cigarros e o isqueiro que se importou de terminar de abotoar a camisa até quase o colarinho. Tivera um cliente bem inconveniente naquela manhã - que tinha lhe deixado marcas exageradas -, e o maior problema era que não tinha recebido tudo. Bom, tinha que dar um jeito naquilo e usou de outros contatos para garantir que aquele cliente em particular receberia ainda mais dor do que tinha lhe causado. Mas queria estar lá para assistir... e aquela porcaria de teatro lhe atrasaria.<br />
<br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Tenho um compromisso inadiável em dez minutos. -</span> adicionou, soprando a fumaça do cigarro para cima.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Soren</span></div>
 <br />
A presença de Soren foi silenciosa o suficiente para conseguir ainda observar um pouco da interação do Secretário do Conselho Estudantil ao chegar no teatro e passar despercebido, até que aquele aluno bem difamado chegasse com a ousadia de acender um cigarro. Pronunciou um breve "tsc" em desgosto para as palavras e a postura dele e aproveitou que ele passou direto pelo corredor principal para acompanhá-lo, sorrateiro e discreto, até alcançar o cigarro na boca dele e tirá-lo com uma expressão de irritação em resposta.<br />
<br />
<span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- É proibido fumar nos limites da Academia, Sr. Vlahos. E garanto que não tem nada que possa fazer que o livre da atividade para o festival. -</span> disse, um pouco perdido do que faria com o cigarro, até se renegar a apagá-lo no chão de uma vez. Voltou a atenção para os demais. <span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Acredito que exceto pelo Sr. Morrison, os demais me conhecem. Eu sou Soren Halstein, presidente do Conselho Disciplinar, e estarei supervisionando essa atração do festival em particular.</span><br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
As pessoas começaram a chegar aos montes quando menos esperava. Mal teve tempo de se apresentar para o gordinho, viu o secretário do Conselho Estudantil. Logo atrás dele, um tipo vulgar surgiu com a boca já cheia da revolta. O conhecia por rumores, mas nunca tinha tido a sorte de contatá-lo. Até onde sabia, se ele estava em St. Clavier, era porque seu tio quem sabe tivesse uma queda por adolescentes. <br />
<br />
E não podia negar. Ele era excepcionalmente bonito. Ainda que muito, muito vulgar. <br />
<br />
Logo que Soren, a víbora do Conselho Disciplinar entrou, já colocando moral em todos ali presentes, sentiu que não teria vontade alguma de conversar com o gordinho que já tinha esquecido o nome. Até folgou levemente a gravata do uniforme perfeitamente alinhado. Abençoada fosse aquela escola, com tantos rapazes aprazíveis. <br />
<br />
- Calma, monsieur Halstein. Ainda nem começamos as atividades, não nos desanime tão prontamente. Estamos apenas conversando casualmente - comentou, enfiando as mãos nos bolsos, olhando de leve para o prostituto com interesse. - Além do que, fomos todos colocados aqui pelo Conselho Estudantil. Não seria errado dizer que, mediante uma conversa informal com a administração, há a chance de se livrar dessa atividade. - sorriu, como se não tivesse acabado de implicar que o prostituto poderia bem dormir com Cesar. - Ah, mas se for esse o caso, monsieur, me leve. Eu ainda não sei porque estou aqui.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Dieter Rupert</span></div>
Dieter estava numa semana daquelas, cheia de trabalhos e experimentos, queria ter terminando de escrever o trabalho que queria antes do festival começar, mas era perdido, sempre lhe arrastavam para alguma atividade que não queria. Mas aquele ano estava se saindo excepcional com um bilhete vindo do próprio conselho estudantil. <br />
<br />
Seguiu para o auditório e pegou o meio de uma conversa, ou melhor de uma bronca direcionada a um dos alunos:<br />
<br />
- Também é proibido ser chato, mas taí você todos os dias, e a gente te perdoa, então 'cê devia atender a parte de ser legal com os colegunhas Sosó! - Dieter interrompeu todo o discurso pomposo do aluno engomadinho número um da sala.<br />
<br />
-Olá, Boa tarde a todos! Estamos todos cheio de animação para essa atividade excepcional! - o moreno de óculos ergueu os braços em um gesto amplo cheio de energia quase teatral: - só que não. - completou mudando de postura, e sentando em qualquer lugar, largado, com o uniforme todo desalinhado: - Mas aproveitando que tem gente dos dois conselhos aqui, 'cês bem que podiam dizer porque do bilhetinho de trote, nem sou calouro mais pra passar por isso.- sacudiu o pedaço de papel com toda a relevância que dava aquela atividade.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mathew</span></div>
<br />
Sorriu para o sujeito educado e sorridente que se aproximava, cumprimentando-o de volta. Não teve muito tempo em respondê-lo, sendo prontamente seguido de outras pessoas que logo adentraram o espaço. Podia não ser conhecido por elas, mas bem sabia como se chamavam. Tinha que saber o nome dos caras para que quando passassem no corredor e as pessoas falassem seus nomes, soubesse que era a hora de seguir seu caminho ou ficar atento ao que estava fazendo. <br />
<br />
- Vou te chamar de Hector hoje, porque monsieur St. Clavier é muito esquisito. Pode me chamar de Mathew. - respondeu ao tal Hector, reconhecendo de quem ele deveria ser aparentado. <br />
<br />
Não demorou muito o seu entusiasmo momentâneo quando aquele garoto entrou no teatro fumando. Mais que imediatamente, levou a gola da camisa até o nariz, segurando a respiração pouco antes de sentir, conforme ele se aproximava, o fedor do tabaco. Já ia reclamar que ele não deveria fumar ali quando o tal Soren apareceu. <br />
<br />
- Atchum! - não segurou o primeiro espirro, fungando com força o nariz antes de virar a própria mochila de novo, buscando sua caixinha de lencinhos para poder segurar o início do que poderia ser uma sequência de espirros. - Trote? - perguntou sem entender o descaso da maioria ali com aquela oportunidade. Não pareciam muito inclinados a socializar. Simpatizava mais com Hector e o tal garoto inglês, mas não com o sujeito vulgar. E já conhecia Dieter, ao menos sabia do que ele era capaz. O sujeito era bem inteligente e desenrolado. Queria poder trocar metade de seus problemas respiratórios por um pouco de descaramento do outro.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Stephen</span></div>
 <br />
Estava chapado demais para entender o que aquela mulher - seria uma mulher? - alta havia dito. Era uma professora? Coordenadora? Sua tia? Um professor afeminado? Ah, só queria comer um sanduíche e dormir. A larica havia batido, mas decidiu pegar o tal papel que aquela pessoa havia lhe dado. Leu o chamado a muito contragosto. Então lembrou do formato das nádegas de alguns colegas que possivelmente apareceriam por lá, ainda que cobertas pela calça da academia.<br />
<br />
- É.... não pode ser tão chato assim. - coçou os fios de cabelos que já estavam ficando grisalhos, e seguiu para o tal auditório.<br />
<br />
Havia esquecido a mochila e só estava com uma caneta no bolso. No outro, um maço de cigarros. Foi entrando na sala devagar, inicialmente com um ar de poucos amigos, encarando um por um. Até que um largo sorriso despreocupado se formou, erguendo a mão.<br />
<br />
- Boa tarde meus colegas! E então? O que temos pra hoje? - e não demorou para se sentar no chão, encostando-se na parede ignorando quaisquer cadeira que estivesse presente. Além de atrasado, estava visivelmente em outro mundo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Benjamin</span></div>
 <br />
A quantidade de pessoas aumentava exponencialmente. Não tinha como fazer muita coisa, além de sorrir e cumprimentar o outros que estavam ao redor e guardar os nomes deles mentalmente para repassar para César depois. Tinha o rapaz de má fama, o presidente do Conselho disciplinar, o estudante de ciências com prêmios, o drogado de cabelos grisalhos... agora entendia porque César queria mesmo alguém de olho no grupo. Mas mal teve tempo de falar com Soren - com quem estava mais acostumado, quando o grego fez uma expressão irritadiça para ele.<br />
<br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Pra tocar é mais caro, Sr. Presidente. -</span> ele disse, lambendo os lábios com um sorriso convencido e olhando por cima do ombro para Hector. <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Contanto que me pague, eu levo pra qualquer lugar.</span><br />
<br />
Ele se sentou numa das cadeiras da platéia, jogando os cabelos para trás e parecendo bem relaxado. Só então Benjamin conseguiu retomar o fio da conversa.<br />
<br />
- Stephen e Dieter, não é? Não é trote, é uma atividade do Conselho Estudantil para os alunos que não estão diretamente ligados com o festival da escola. - tentou explicar um pouco melhor o quadro. Ao menos superficialmente.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Dieter Rupert</span></div>
 <br />
Dieter mal tinha sentado se levantou novamente como um gato ao ter um pepino posto em suas costas ao ouvir o som do espirro, a ultima coisa que queria era ficar doente, com algum germe de sabe-se lá onde. Até sabia que o Mathew era alérgico, asmático, com todo um quadro de problemas respiratórios que só faria dele um tipo melhor para estudar se fosse um rato e não uma pessoa.<br />
<br />
Sentou-se algumas boas cadeiras de distância do gordinho a tempo de ver um aluno certamente drogado chegar, podia jurar que alguns alunos estavam trocados experimentos botânicos por uma plantação ilegal de marihuana, mas não seria ele a dizer aquilo. Voltou atenção ao secretário quando ele tentou explicar a situação em que estavam:<br />
<br />
- Certo Benjin, até agora você disse o mesmo que tinha no bilhetinho, mas é como um trote, ou no mínimo uma piada bem ruim, como "pavê ou pra comer". - o australiano completou com seu sotaque mais forte o que realmente fazia parecer que ele não estava levando a situação com muita seriedade: - porque nem de longe nos somos atores, talvez o senhor propaganda de pasta de dente ali talvez - Dieter apontou para Vivien descaradamente com as duas mãos: - mas assim, a maioria aqui não é o que podemos chamar de "ator", então independente do que a gente tiver de fazer nessa peça, vai parecer uma piada ou trote, ou no mínimo um filme de classe D.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
Quando a vida parecia que tinha lhe agraciado com muita gente bonita para observar, veio Dieter Rupert. Não que fosse chegado dele, mas ele era bem notório no campo das ciências. Nem queria mexer com aquilo, apenas aceitando que Dieter existia ali. E logo atrás dele, outro que poderia ignorar completamente. Nem sabia o nome do outro aluno, e provavelmente ele também não. Pelo menos ele era menos alergênico para Morrisson que o cigarro de nicotina. <br />
<br />
Arqueou a sobrancelha quando o prostituto loiro lhe respondeu com uma provocação, até divertindo-se com aquilo.<br />
<br />
- Pena que estou economizando. Mas estou disponível para falar de investimentos. – respondeu, entretido com a Benjamin então, que parecia disposto a explicar tudo com mais paciência que Soren. Acabou rindo mais ao ser chamado de propaganda de pasta de dente, especialmente porque estava sendo acusado de ser um ator. Definitivamente não ia com a cara de Dieter. – Não adianta se aborrecer com o “Benjin”, monsieur Rupert. Ele não pode revogar a decisão do Cesar. Pense que se atuarmos bem, ano que vem não teremos o mesmo castigo. Se atuarmos mal, então fizemos um protesto pacífico. O detestável é só a perda de tempo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tamotsu</span></div>
 <br />
Tamotsu estava abusado. Mas também sempre estava abusado. Queria só arrumar briga com quem passasse para reclamar que estava fumando nos fundos da escola, mas o rapaz que lhe trouxe o bilhete parecia não ter medo de levar um sopapo. O que tinha escrito... bom, mais aulas. Isso não queria de jeito nenhum. Já se ferrava constantemente por ser um lixo no francês... e em todas as outras matérias. Podia atuar numa peça de teatro, não parecia tão mal. <br />
<br />
Foi até lá depois das aulas, mas só depois de fumar mais um cigarro. Encontrou outro japonês de sua turma no corredor, e ele apenas lhe seguiu sem dizer uma palavra. Acabou resmungando gravemente enquanto entrava no auditório, o uniforme todo desleixado no corpo rechonchudo. Na verdade, resmungou ainda mais quando percebeu que ele baixinho e gordo e o outro, alto e magro, pareciam uma dupla de comediantes japoneses da década de oitenta.<br />
<br />
- Sai daqui se não te dou um sopapo, seu puto! – rosnou pro outro japonês, então se jogando numa cadeira de modo preguiçoso.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lei</span></div>
 <br />
Lei sabia porque tinha recebido o bilhete. Tinha conseguido não se entrosar com ninguém de sua turma. Era quieto, não tirava notas excelentes e não tinha projetos. Era o único também que praticava karatê tradicional, e era a única coisa de que entendia 100%. Foi até o auditório sem opções, e encontrou outro japonês no caminho. Não disse nada. Não parecia certo.<br />
<br />
Já no auditório, foi expulso da companhia do mesmo e apenas cumprimentou-o com uma reverência antes de caminhar até o canto do auditório, observando todos ao redor com atenção, notando que tinham até mais alunos problema do que esperava. Queria que seu irmão estivesse ali também.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Abel</span></div>
 <br />
O pedido de César não lhe foi estranho. As pessoas do clube de teatro de St. Clavier eram no todo muito elitistas. A única pessoa de classe média naquela escola com bolsa para teatro era ele, então os pedidos mais absurdos vinham para ele. Abel correu após as aulas para alcançar o teatro, afinal, teria muitas pessoas que instruir naquela arte milenar, e isso lhe deixava feliz.<br />
<br />
Levou um carrinho cheio de cópias do roteiro e abriu a porta do auditório, o rosto ficando prontamente vermelho após ver que haviam tantos garotos ali, e logo ele, logo ele que precisava ser responsável, estava atrasado.<br />
<br />
- Benjamin, desculpe o atraso, fui tirar cópias do script. – Abel falou, exasperado, levando o carrinho na direção do grupo. – Olá a todos, sou Abel do Clube de Teatro. Estou aqui para supervisionar os ensaios e ajuda-los no que precisarem, oui? – estava até animado, mesmo que os outros não parecessem assim – Podem pegar o roteiro da peça comigo. Acho que adiantaram para vocês que faremos “Branca de Neve e os sete anões”. Discutiram algo sobre a peça?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ulrik</span></div>
 <br />
Ulrik abriu sua agendinha onde guardava os compromissos do dia. Como uma pessoa com proeminência acadêmica, supôs que ter recebido o bilhete do Conselho Estudantil só poderia significar que não era muito sociável. Bom, apenas a realidade. Ainda que o problema fosse o nome de sua família, não ele em si.<br />
<br />
Fechou a agenda quando chegou no lugar de compromisso, dando dois toquinhos na porta antes de entrar, sorrindo levemente quando viu que estavam quase todos ali. <br />
<br />
- Ah. Desculpem o atraso. Já começamos? – perguntou, entrando e fechando a porta, um olhar rápido para ver quem estava presente naquele lugar. O sorriso se desfez momentaneamente ao ver Soren do Conselho Disciplinar. Lambeu rapidamente o lábio, os olhos castanhos relaxados mostrando o branco abaixo dos mesmos. Então voltou a sorrir rapidamente. – O Conselho Disciplinar também está aqui? Estamos encrencados? – riu, discreto.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Soren</span></div>
 <br />
Seria um inferno organizar todos aqueles alunos. Mas até valia a punição para cada um deles - mais de um já tinha passado pela sua sala e pelas detenções mais de uma vez. Ignorou prontamente os comentários do aluno de ciências e fora a presença espalhafatosa dele, apenas Vivien se destacava por motivos óbvios - o sobrenome. Os outros alunos foram chegando e finalmente o responsável pela atividade de teatro resolveu dar as caras. Mas ele mal separou os scripts com a ajuda de Benjamin, parecendo as únicas pessoas dispostas ali, para que outro aluno problemático de família perigosa aparecesse. Estreitou o olhar discretamente para ele também, tentando não dar tanta atenção para o aluno.<br />
<br />
<span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Estou aqui apenas para anotar os nomes daqueles não colaborativos, afinal, a detenção será em horário integral durante as férias. -</span> avisou, andando cuidadosamente até Aleksei, puxando da mão dele o cigarro que já tinha tirado da caixa, sem prestar atenção nos arredores. <span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Já disse, nada de cigarros, Aleksei.</span><br />
<br />
De novo, a resposta do loiro foi um breve "tsc", jogando a cabeça para trás enquanto esperava algo mais acontecer ali.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Abel</span></div>
 <br />
Abel mal sabia por onde começar com aquele grupo tão extremamente variado. Distribuiu os scripts com Benjamin a todos dispostos a pegar. Até para o par de japoneses.<br />
- ‘Tá olhando o que? – Tamotsu rosnou para o rapaz do clube de teatro, que apenas jogou o roteiro na cadeira ao lado dele e deu uma pirueta de meia volta. <br />
<br />
Com todos os roteiros distribuídos, poderiam começar o trabalho.<br />
- Acho que o mais lógico é começar distribuindo os papéis. Pelo espírito do teatro, que é a capacidade de interpretar diferentes personas, acho que o mais certo seria fazer isso com um sorteio. – comentou. – Então podemos nos reunir sentados em um círculo no palco e discutir o que sabemos sobre nossos personagens.<br />
<br />
Ulrik se prontificou.<br />
- Vou fazer papéis de sorteio com os nomes dos personagens. – gostava de organização, então não era estranho que se dispusesse a isso. Anotou o nome de cada um dos personagens escritos na peça em uma folha de papel de sua agenda e picotou os papeizinhos. Passou de um em um para que pegassem um filete de papel rasgado. - Aqui estão. <br />
<br />
[Os papéis, o sorteador &gt;D<br />
Caçador <br />
Rainha Má<br />
Branca de Neve<br />
Espelho<br />
Príncipe Encantado<br />
Mestre<br />
Dengoso<br />
Atchim<br />
Feliz<br />
Zangado<br />
Dunga<br />
Soneca<br />
<a href="https://www.sorteiospt.com/list" target="_blank" rel="noopener" class="mycode_url">https://www.sorteiospt.com/list</a>]<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Vivien</span></div>
 <br />
Pegou o script e sorriu para o rapaz do clube de teatro com educação. Ele não era muito chamativo, mas era surpreendentemente bonito. Um tipo de beleza clássica francesa. E certamente era afeminado, o que queria dizer que daqui para o final daquela peça pelo menos não teria perdido tempo o suficiente sem nenhuma recompensa. E uma recompensa delicada.<br />
<br />
- Bom, não existem papéis melhores ou piores nessa situação. - sorriu para Ulrik, pegando um papelzinho. Então seu rosto sorridente se desfez, pois o karma de sua sorte ficou óbvio. - Espero que os vestidos pretos do teatro sejam bonitos. Peguei a rainha má. - comentou, entretido.<br />
<br />
- Ah! Eu deveria pegar um também. - Ulrik comentou, puxando um dos papéis. - Dengoso. - o rapaz acabou sorrindo mais amplamente. Não poderia ser mais diferente de si mesmo. <br />
<br />
Vivien foi se retirar para sentar no palco como tinha sido instruído por Abel. Até era colaborativo.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Stephen</span></div>
 <br />
Por um instante cochilou encostado na parede. Abriu os olhos num susto, sentindo uma súbita vontade de gargalhar ao notar que a sala já havia enchido. Seu estômago estava vazio, só queria comer um sanduíche de mortadela. Levantou-se do chão ao ouvir a palavra "sorteio", e ignorando todos os outros, caminhou até Ulrik onde aceitou de bom grado o papelzinho. Deu uma encarada descarada na bunda do colega enquanto abria o papel sorteado, finalmente deparando-se com o resultado. Não aguentou e gargalhou, principalmente com a resposta de Vivien, que conformado - ou colaborativo - aceitou ser a rainha má de bom grado.<br />
<br />
- HAHAHAHAHA! Rainha má?? Sou um anão. Sou o Feliz. - mostrou o papel - Sério que vamos interpretar Branca de Neve? Pffff! - escondeu a boca com a destra. Havia ignorado as instruções iniciais, logo aquilo tudo era novo - E quem será o felizardo que vai ser a princesa? - perguntou, enquanto caminhava na direção das cadeiras que Abel havia indicado.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aleksei</span></div>
 <br />
Estava irritado e nervoso, queria sair dali e descontar em algumas pessoas aquelas marcas que tinham ficado em seu corpo. Suspirou pesadamente com o presidente do Conselho Disciplinar lhe marcando mais do que fazia nos corredores. Sequer prestou atenção nos outros, apoiando a cabeça no banco da frente entediado enquanto aquele outro filhinho de papai se aproximava com uma caixa. Olhou para ele com uma sobrancelha levemente arqueada e estreitou o olhar para Soren que lhe vigiava mais do que os outros - era algum tipo de marcação cerrada. Puxou um dos papeis, olhando o nome sem interesse.<br />
<br />
<span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Branca de Neve. -</span> falou, jogando o papel de lado. <span style="color: #8b0000;" class="mycode_color">- Já terminou?</span><br />
<br />
<span style="color: #CC6600;" class="mycode_color">- Não. -</span> Soren interveio e Aleksei manteve a pouca paciência que ainda lhe restava.<br />
<br />
Benjamin aproximou-se para pegar o seu papel também, sem tanto receio quanto o grego.<br />
<br />
- Soneca. Temos três anões então. - comentou, com um sorriso discreto tentando amenizar um pouco o clima de carcereiro e prisioneiro entre Aleksei e Soren... que pelo histórico, não duraria tanto até que Aleksei conseguisse escapar.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Dieter Rupert</span></div>
 <br />
Dieter ainda prestou atenção no que Vivien comentou, e certamente apesar da aparência de plástico típica de garoto rico, ele falava bem e era convincente: - ok, ok, eu compro a pasta de dente. - brincou, apenas afirmando que ele de fato era convincente nas coisas que falava. <br />
<br />
Não comentou nada dos asiáticos, realmente se perguntava que tipo de resultado iria sair dali, e só não podia ser bom. Se aproximou do aluno do teatro, para puxar uma cópia do roteiro e repousar a mão sobre o ombro do mesmo: - desculpe, sei que vou ser terrível, mas não nasci ator. - comentou despreocupado. E apesar da má vontade geral, todos pareciam colaborativos, uns picotando papeis, outro já sentando em rodinha, até parecia um bando de bichinhos treinados, como circo de pulgas.<br />
<br />
Puxou seu papel no meio da pilha restante, e ajustando os óculos no rosto para concluir: - serei o príncipe encantado, de óculos, porque não tenho lentes pra bancar o galã de novela.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lei</span></div>
 <br />
Lei ainda estava se sentindo decididamente por fora daquela confusão toda, e nem sabia como agir, estando perto de um grupo tão grande. Algumas pessoas ali eram muito escandalosas. Pegou um papel quando lhe foi passado, e sentou no centro do palco como foi pedido porque estava acostumado a acatar ordens. <br />
<br />
- Espelho. - falou para ninguém, aceitando seu destino facilmente. Pelo menos não teria que aparecer muito, imaginava. <br />
<br />
Enquanto isso, Abel riu com a colocação de Dieter, entretido.<br />
- Com óculos ainda é muito bonito, monsieur. - respondeu ao moreno, simpático. - Além do que, mais do que ser bonito de fato, a platéia tem que acreditar que você é um príncipe. - deu um tapinha no ombro dele, de incentivo. Pegou também um papel para si. - Assim como as pessoas tem que acreditar que eu conseguiria machucar a bela Branca de Neve, como um caçador cruel. - riu.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Mathew</span></div>
 <br />
Ainda não entendia o que estava fazendo ali. A maioria dos alunos que adentravam o teatro eram alunos problemáticos, com alguns vícios ou má conduta. Alguém deveria ter confundido seu nome e lhe colocado ali no meio. Não fazia ideia do que havia feito de errado para estar ali. Contudo, seguiu com o protocolo, seguindo o sorteio de papeis. <br />
<br />
- Zangado. - disse abafado ainda pela gola da camisa para não ter que respirar o fedor de tabaco. - Zangado?! - finalmente se deu conta do papel que havia recebido, abaixando a gola da camisa, descrente que de fato teria de fazer um dos anões e justamente o tal do anão irritadiço. - Como é que eu vou fazer isso? A Branca de Neve é o Vlahos! Como é que eu vou ser zangado com ela, ele, num sei! Vou ter uma crise alérgica só de chegar perto dele! <br />
<br />
Reclamou, certo de que aquele papel era horrível para que o fizesse. Seria um Zangado com uma bombinha para asma constantemente acionada. Fez uma pausa ao se exaltar, usando de sua garrafa de água para tomar mais alguns goles, hidratando a própria garganta. Odiava ser afetado pelo tabaco e odiava ainda mais quando as pessoas não tinham consideração nenhuma com os outros da maneira com a qual o outro garoto havia entrado fumando no recinto.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Wilbert</span></div>
 <br />
Atrasado devido aos seus usuais problemas de temperamento, havia chegado apenas a tempo o bastante para pegar a conversa pela metade e assistir o sorteio de papeis. Aquilo só poderia ser algum tipo de piada bem de mal gosto da direção que deveria achar que não havia nada de mais útil que pudessem fazer com suas vidas. Talvez não fosse o melhor aluno devido ao seu temperamento inadequado, mas não havia necessidade para ter de receber aquele tipo de punição.<br />
<br />
Não cumprimentou ninguém, não havia necessidade em ser educado com um bando de delinquentes com problemas tão parecidos ou piores que os seus. Desejava o mesmo que a maioria ali, que tudo acabasse e que pudesse voltar a suas ocupações. Aproximou-se para pegar seu papel, encarando o sorteio com uma forma mascara de tornar tudo aleatório e divertido aos que desejavam puni-los, porque aquilo não poderia ser chamada de reunião entre amigos. <br />
<br />
- Mestre. - avisou antes de voltar ao seu lugar e cruzar os braços novamente, entediado com tudo o que estava acontecendo por ali.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
 <br />
Havia recebido o recado por outro aluno num pedaço de papel enquanto falava ao telefone com o namorado, tentando dar uma explicação novamente pela sua ausência, sempre acabava gerando dor de cabeça. Acabou levando mais tempo do que imaginava e apenas se lembrou de ler o conteúdo do papel um bom par de minutos depois, e se já não possuía tempo livre normalmente, com certeza não teria nenhum se acabasse no meio de alguma atividade de férias. Se arrependia amargamente de não ter aceitado participar de nenhuma atividade do dito festival, se soubesse que lhe traria um problema assim! Não precisava que o seu boletim caísse mais do que o normal;<br />
<br />
- Olá, olá! Desculpe o atraso! - abriu as portas do auditório dando de cara com o grupo diverso, alguns já conhecia como Matthew e a figura caricata de Dieter que era impossível não notar. Agora alguns dos outros tinha receio de não se lembrar nem mesmo do rosto. Depois de se inteirar com a situação, fazer cumprimentos rápidos e receber um script, foi puxar o seu papel do sorteio - Dunga! - avisou antes de dar espaço para que o próximo, e aparentemente último sorteado pudesse pegar o seu papel.]]></content:encoded>
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