<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">
	<channel>
		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - Dormitório dos alunos]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:42:10 +0000</pubDate>
		<generator>MyBB</generator>
		<item>
			<title><![CDATA[Unhas, Segredos e Chuva [Evelyn]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=332</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:00:15 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=89">Berthold</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=332</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Já ia completar um mês que estava em St. Clavier e estava descrente como os dias estavam passando rápido, a despeito de que tinha odiado a França assim que chegou por todos lhe julgarem - com motivo - por seu francês mal falado. Estava finalmente se acostumando a viver no internato, tinha feito amigos, estava praticando esporte de novo, e pintando com bastante disposição, a única coisa da qual ainda não tinha se acostumado era com o calor, quando começava o inverno naquele país?<br />
<br />
Era domingo e tinha combinado de sair pra tirar fotos, mas depois do calor infernal da semana, estava chovendo como se o mundo fosse acabar, e não dava pra levar equipamento caro e arriscar perder, não tinha perspectiva de quando venderia algum quadro, então estava sem noção de quando teria dinheiro. Acordou cedo e como não tinha como correr, se alongou no quarto mesmo, tomou um banho e saiu sem camisa mesmo do banheiro com a toalha enrolando os fios claros, só quando ia sair do quarto que colocava uma blusa de manga comprida. <br />
<br />
Comeu, conversou um pouco na cozinha e na sala de convivência com os outros rapazes, apenas quando a chuva ficou mais forte, decidiu voltar para o quarto, não gostava de dias com chuva forte, então preferia ficar escondido no próprio quarto. Chegou no cômodo e depois de entrar, tirou a camisa de manga comprida:<br />
<br />
-- Como pode, está chovendo tanto e ainda está tão abafado! -- o loiro se acomodou na própria cama, puxando um caderno de rascunhos, mas ainda sem ideia do que fazer, já estava trabalhando nos projetos das aulas, e com esse clima úmido nada que pintasse iria ficar bom, então restava rascunhar qualquer coisa apenas pra distrair a cabeça da chuva torrencial que caía lá fora.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Evelyn cresceu na capital da Alemanha, então tinha uma certa familiaridade com o frio. Isso não queria dizer que gostasse.  Havia escutado a chuva começar bem cedo, mas o corpo todo reclamava de levantar naquele horário por contra do frio que estava sentindo, mesmo tendo dormido com uma camisa de manga longa.<br />
<br />
Ouviu o companheiro de quarto se levantar, mas se manteve enrolando nas suas cobertas. Resmungou baixo enquanto ele estava no banheiro tentando criar coragem de levantar, mas apenas esticou a mão até a mesa de cabeceira para pegar o celular e tirar do carregador, puxando para debaixo das cobertas para checar as mensagens. Ironicamente quase parecendo um amontoado de roupas.<br />
<br />
Escutou o barulho do outro saindo do banheiro e do cômodo, e apenas alguns minutos depois criou coragem de levantar, se sentando na cama e se alongando um pouco, tentando ver se amenizava o frio. Fez caminho direto para o banheiro, onde tomou um banho e trocou de roupa ali mesmo: Uma camisa de manga longa de frio mais folgada e um short confortável. Saindo do banheiro depois de ter certeza de ter deixado arrumado e foi direto para o computador - poderia comer depois. Apenas se atentou a tomar os remédios com horário marcado e que pediam jejum. Colocou o cobertor sobre as pernas e começou o trabalho matinal.<br />
<br />
Digitou alguns e-mails, em sua maioria com investidores e planos de negócios, e um e-mail perdido de sua mãe que perguntava sobre o andamento do clube e os projetos. Assim que terminou, ouviu a porta se abrir e Berthold entrou, reclamando do calor.<br />
<br />
— Abafado?! - se virou de lado na cadeira, muito bem agasalhado que era quase cômico, resmungando — Tem certeza que não está doente? Tá péssimo de frio!<br />
<br />
Manteve a coberta bem junto ao corpo e fez caminho até o armário tirando uma pequena caixa com esmaltes e outras coisas. Precisava de algo para se distrair do frio, talvez fosse um bom dia para retocar as unhas que estavam precisando de atenção, valia a pena se sentar no chão frio se fosse para fazer as unhas, talvez até tentar algumas coisas novas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Realmente, o loiro não estava acostumado com as temperaturas da França, considerando que mesmo quando chovia e deveria ficar fresco, parecia que o calor da construção fortemente castigado pelo sol a semana toda, tinha apenas passando pra dentro da construção tornando-a um forno em potencial. Mas o contraste maior era olhar para Evelyn plenamente enrolado nas cobertas como se não tivesse tirado a cama das costas. Berthold desenhou um sorriso no rosto de traços bonitos, achando a cena bem peculiar e engraçada, abriu o caderno de rascunho que estava na última folha para registrar aquele momento, pôs o par de lentes de grau já que estava sem as lentes, era mais confortável quando estava no quarto usar óculos do que lentes de contato.<br />
<br />
Com a caneta fez os blocos das dobras dos tecidos, e seguiu hachurando os espaços para dar o contraste de luz e sombra, era sempre bom fazer cenas escuras em contraste com uma mancha branca como rosto. Os traços joviais de Evelyn puxavam do traço mais suave que o jovem alemão conseguiu retratar, em contraponto, preenchia os espaços ao redor pesava com manchas gráficas pesadas e escuras, servindo de moldura. Era como mistura o mais suave com o mais pesado de seu traço em um rascunho. O tempo de fazer o rascunho e usar da grafite vermelha para marcar rubor nas bochechas e nariz de seu desenho, foi o tempo que o seu colega de quarto tinha decidido sentar no chão com o que parecia esmaltes. <br />
<br />
O maior assinou o caderno e colocou uma breve dedicatória no verso da última folha, então deixou o material, de desenho de lado para sentar-se no chão, um braço - seu -  de distância de Evelyn: -- Você não disse que estava com frio? O chão tá até mais fresquinho, que deve signi-... dizer pra você, que está gelado. -- O loiro coçou os fios loiros na região da nuca, e estava esse tempo todo falando francês, mesmo que estivessem combinando de falar em alemão no quarto, arrumou o par de lentes de grau: --[Eu te disse que os outros meninos do dormitório chama o nosso quarto de consulado alemão?] -- Berthold comentou com um ar de risinho, achando aquele ponto engraçado, e supondo que como Evelyn não seguia conversando com mais ninguém, ou pelo menos não o via caminhando com muitos outros alunos.: -- [Antes que você comece a pintar as unhas, esse aqui é pra você!] -- Estendeu o caderno de rascunho que na dedicatória tinha escrito “Registros do consulado alemão”:<br />
<br />
--[Esse é o caderno que eu venho desenhando desde que eu cheguei, tem um monte de rascunhos seus, e eu peço desculpas se isso te chatiar, mas é só natural pra mim que eu desenhe tudo que eu vejo, e assim… eu achava que estudar na França ia ser horrível, e que eu não ia fazer nenhum amigo, e eu me enganei bastante, e… obrigada por ser um bom colega de quarto. Eu não tenho dinheiro, então nem posso comprar nada pra você, espere que aceite como agradecimento.] <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Sabia que para Berthold muito provavelmente a sua imagem enrolada naquelas cobertas ia parecer bem engraçada, e ficou feliz quando não ouviu nenhum comentário engraçadinho sobre o assunto. O loiro não parecia ser bem o tipo de fazer isso, mas com o mal humor que sentia por conta do frio, esperava qualquer coisa.<br />
<br />
Girou nos calcanhares com a caixa em mãos e percebeu Berthold bem compenetrado naquele caderno de rascunhos dele. Havia percebido que ele o carregava para todos os cantos. Coisa de artistas, como já havia ouvido falar de tantos outros artistas que desenhavam diariamente para não perder a prática, mesmo que no final das contas o desenho feito não servisse para muita coisa. Teve a pequena curiosidade de olhar o que ele estava desenhando, mas respeitaria o seu espaço. Sentou-se no chão com cuidado, sentindo mais do chão frio em contato com a pele. Colocou a caixa de lado e puxou primeiramente um pouco de acetona e algodão, para remover o esmalte da outra semana que usava. Virou o rosto em direção à Berthold quando percebeu a aproximação, inicialmente com uma expressão levemente irritadiça pelo comentário do chão frio, mas em seguida uma genuinamente confusa pelo apelido que o quarto estava levando:<br />
<br />
- [Consulado alemão?] - repetiu, como se tentasse entender - [Nem mesmo tem um Consulado alemão em Cerise, qual o embasamento para isso?] - Evelyn não conversava tanto com os outros alunos, então o comentário realmente o pegou de surpresa. Só não realmente contava com a segunda surpresa, que foi quando Berthold estender o mesmo caderno de rascunhos de antes, com o apelido que havia mencionado - [... O que?!]<br />
<br />
Evelyn aceitou o caderno em mãos, dando uma folheada breve apenas para ver na parte de dedicatória o mesmo apelido que ele havia mencionado instantes antes. A expressão no pequeno ruivo era de surpresa, e quando mais folheava as páginas - que mostravam parte da rotina dentro daquele quarto, muitos rascunhos sendo do próprio Evelyn - mais era difícil conter o sorriso pequeno que se formava no seu rosto. E as desculpas de Berthold não o incomodaram tanto dessa vez, e deixaram até Evelyn um pouco perdido em como responder. Especialmente depois de ganhar um presente desses.<br />
<br />
- [Eu...] - ponderou um pouco, segurando o caderno em mãos, mas em seguida o deixando sobre as pernas - [Primeiro, sem desculpas. Eu não iria me incomodar com algo assim, eu já disse que aprecio o seu trabalho mais do que você imagina. É uma honra ganhar algo assim... E isso é o seu trabalho no final das contas, mesmo que seja um rascunho! Eu posso pagar de alguma forma se quiser. Afinal, ainda não agradeci pelo rascunho do primeiro dia.] - lembrou, havia passado as semanas tão corriqueiro que não havia parado nem para perguntar ao outro o que ele gostaria de ganhar em troca. Independentemente, faria o possível para demonstrar a sua gratidão à ele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
O loiro até sorriu do fato de Evelyn não ter entendido porque tinham chamado o quarto dos dois de “consulado alemão” afinal se os dois só falavam naquele idioma todo o tempo dentro do quarto em algum momento, algum estudante da porta iria achar estranho o idioma e ia acabar curiando. Berthold abraçou as próprias pernas e tentou ficar o mais compacto possível para o seu tamanho em comparação com Evelyn, mas não esperava a reação do mais novo ao seus rascunhos, que sim, eram seu trabalho, mas ainda assim não estava acostumado a pessoas mais novas darem essa atenção toda, sempre imaginava que quem gostaria de sua arte seria os velhos barbudos ricos de galeria:<br />
<br />
-- [Quando você fala em pagar pelos meus rascunhos eu sinto você envelhecendo 60 anos Evelyn.] -- Berthold riu de um jeito mais suave, depois arrumou os óculos no próprio rosto: -- [Mas se quer me compensar, eu sempre quis aprender a pintar as unhas, se eu puder olhar você pintando, eu acho que já funciona como pagamento, serve pra você essa troca?]<br />
<br />
O loiro comentou esticando a mão grande a frente, olhando as unhas curtas e sempre cerradas, já tinha por hábito de mantê-las daquele jeito por causa da prática de esporte, depois posteriormente porque era mais fácil tirar os restos de tinta: <br />
<br />
-- [Eu jamais pintaria as unhas em casa, mas agora que estou aqui no dormitório eu tenho vontade de testar…] -- o alemão olhou pras mãos um tempo e o sorriso que era mais espontâneo virou um sorriso mais tristinho, porque não tinha boas recordações de quando seu pai reclamou do fato dele ter pintado as unhas, teve de tirar na base de choro, e ouvindo um monte de bobagens.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Evelyn não era uma pessoa muito expressiva, principalmente quando se tratava em demonstrar isso fisicamente, ou de uma maneira que as pessoas pudessem ver. Então tentava agir da maneira que havia sido ensinado: nem tudo é de graça. Por isso, propôs pagar à Berthold o valor que ele achasse justo sobre os próprios rascunhos. Mas acabou tendo mais uma pessoa questionar a sua idade:<br />
<br />
—[... Realmente soa tão mal assim? Achei que seria a maneira mais apropriada.] - respondeu, ponderando um pouco como poderia melhorar a sua fala para ‘adequar mais à sua idade’. Aparentemente, a conversa com o outro ruivo havia levantado pontos plausíveis. O alemão menor só não esperava que Berthold pedisse aula sobre pintar as unhas como um pagamento adequado — [... Você tem certeza? Eu posso, mas tenho certeza que a sua arte vale muito mais que uma aula minha.]<br />
<br />
Não que seus conhecimentos não valessem dinheiro, tinha certeza que pelo menos na parte matemática eles valiam bastante. Mas em pintar as unhas? Realmente não era algo que conseguisse por uma marca de preço já que não tinha tipo um treinamento adequado, apenas conhecimento empírico - e alguns tutoriais da internet.<br />
<br />
Observou a mão do outro, reparando os detalhes e o formato das unhas, pensando o que seria mais apropriado de repassar à ele com o conhecimento que tinha. Ouviu o restante da explicação, deixando um sonoro “hmm” escapar, e prontamente começou a separar os utensílios que iria utilizar, assim como alguns esmaltes de cores diferentes que guardava em um bolso menor, separado de todo o resto:<br />
<br />
— [Eu não sei por que você não tentou antes, mas vamos fazer assim:] — Começou, estendendo a palma da mão para o maior, pedindo permissão para segurar a mão dele — [Se eu apenas fizesse as minhas e você observasse, até poderia pegar algo, mas para ser mais… Instrutivo, posso pintar as suas unhas, e depois você pode tentar sozinho, o que acha? Você pode escolher a cor.]<br />
<br />
As cores que Evelyn possuía eram bem variadas. Tinham bases qual mal dava para se notar a cor, e outras mais chamativas. Num geral, haviam cores suficientes para ocasiões diversas. Esperava que alguma delas fosse do agrado do artista.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Berthold era uma pessoa facilmente influenciável por seus próprios pensamentos, principalmente quando eles eram negativos, era um mau hábito que custava a superar, porque mesmo uma situação boa e confortável, podia facilmente se tornar algo ruim, devido ao pessimismo natural que o alemão carregava. e não foi diferente naquela situação, considerando que tinha toda uma pressão de recordações sobre si do processo de descobrir quem era, do que gostava, e das tentativas frustradas de melhor se expressar em casa. Embora não pudesse reclamar do apoio financeiro e médico de seus pais, sabia que especificamente seu pai era muito fechado a ideia de ter um filho gay. E muito embora, isso não mudasse o fato de que Berthold era assim, seu pai invariavelmente gostava de agir fingindo que não sabia, e quando o loiro tentava expressar qualquer trejeito que ressaltasse sua homossexualidade, era diretamente reprimido. Ao ponto que algo simplório como pintar as unhas era visto como algo proibido, era triste de lembrar.<br />
<br />
Porém, sua linha de pensamentos negativos foi cortada pelo comentário de Evelyn indicando que iria pintar ele mesmo suas unhas, e como o loiro mais alto não esperava aquele tipo de hospitalidade, foi fácil notar que o mais velho ficou levemente corado com a proposta: -- [Eu pedi pra ver, pra não lhe dar trabalho, mas se não for lhe incomodar, eu estaria mentindo se dissesse que não quero testar].<br />
<br />
E era engraçado que o menor tivesse pedido para estender a própria mão, porque como a altura dos dois era muito discrepante, por consequência as mãos também eram. Os anos de prática de basquete tinham rendido várias pequenas cicatrizes, a palma da mão ampla e lisa, o fato de ser um pintor a pouco mais de um ano, tinha lhe rendido cortes novos com estilete nos dedos, calos principalmente nos que empunhava o pincel, mas suas unhas eram curtas e bem cerradas para impedir que ficasse com resquícios de tinta.<br />
<br />
Porém, apenas quando estendeu a mão na direção do menor, se atentou ao fato de que tinha o corpo mutilado de suas crises anteriores, principalmente na região no pulso e em toda a extensão da parte inferior do braço. até próximo do cotovelo. As pessoas se perguntavam se tinha como esquecer das marcas, em verdade não, havia um ponto onde você realmente se esquecia de se incomodar com elas, porque já assumia que todos sentiam vergonha ou repulsa de você por aquilo. No entanto, o fato de estar na França, decididamente determinado a fazer as coisas melhor, e de querer sinceramente fazer novos amigos, lhe encheu com um misto de sentimentos de vergonha, que não soube exatamente como eles ficaram expressos no seu rosto. Tanto que o loiro levou a mão ao topo da cabeça do ruivo e deu dois tapinhas de leve: <br />
<br />
-- [pensando agora eu nunca tinha reparado como as minhas mãos são grandes e como o seu cabelo lembra uma bola de basquete, tem quase a mesma cor. Eu tenho as mãos grandes não só porque eu sou alto, mas porque eu fui atleta antes de ser pintor, agora meus calos são de passar horas e horas pintando.] -- A tentativa de descontração de Berthold não foi lá das melhores, mas não tinha muito como fugir do fato de que o outro veria suas marcas, só queria que ele não sentisse nojo de sua pessoa e nem o achasse uma pessoa horrível por isso, queria focar em escolher cores de esmalte: --[pode por a cor do seu cabelo, se tiver, eu acho bonito].]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Já ia completar um mês que estava em St. Clavier e estava descrente como os dias estavam passando rápido, a despeito de que tinha odiado a França assim que chegou por todos lhe julgarem - com motivo - por seu francês mal falado. Estava finalmente se acostumando a viver no internato, tinha feito amigos, estava praticando esporte de novo, e pintando com bastante disposição, a única coisa da qual ainda não tinha se acostumado era com o calor, quando começava o inverno naquele país?<br />
<br />
Era domingo e tinha combinado de sair pra tirar fotos, mas depois do calor infernal da semana, estava chovendo como se o mundo fosse acabar, e não dava pra levar equipamento caro e arriscar perder, não tinha perspectiva de quando venderia algum quadro, então estava sem noção de quando teria dinheiro. Acordou cedo e como não tinha como correr, se alongou no quarto mesmo, tomou um banho e saiu sem camisa mesmo do banheiro com a toalha enrolando os fios claros, só quando ia sair do quarto que colocava uma blusa de manga comprida. <br />
<br />
Comeu, conversou um pouco na cozinha e na sala de convivência com os outros rapazes, apenas quando a chuva ficou mais forte, decidiu voltar para o quarto, não gostava de dias com chuva forte, então preferia ficar escondido no próprio quarto. Chegou no cômodo e depois de entrar, tirou a camisa de manga comprida:<br />
<br />
-- Como pode, está chovendo tanto e ainda está tão abafado! -- o loiro se acomodou na própria cama, puxando um caderno de rascunhos, mas ainda sem ideia do que fazer, já estava trabalhando nos projetos das aulas, e com esse clima úmido nada que pintasse iria ficar bom, então restava rascunhar qualquer coisa apenas pra distrair a cabeça da chuva torrencial que caía lá fora.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Evelyn cresceu na capital da Alemanha, então tinha uma certa familiaridade com o frio. Isso não queria dizer que gostasse.  Havia escutado a chuva começar bem cedo, mas o corpo todo reclamava de levantar naquele horário por contra do frio que estava sentindo, mesmo tendo dormido com uma camisa de manga longa.<br />
<br />
Ouviu o companheiro de quarto se levantar, mas se manteve enrolando nas suas cobertas. Resmungou baixo enquanto ele estava no banheiro tentando criar coragem de levantar, mas apenas esticou a mão até a mesa de cabeceira para pegar o celular e tirar do carregador, puxando para debaixo das cobertas para checar as mensagens. Ironicamente quase parecendo um amontoado de roupas.<br />
<br />
Escutou o barulho do outro saindo do banheiro e do cômodo, e apenas alguns minutos depois criou coragem de levantar, se sentando na cama e se alongando um pouco, tentando ver se amenizava o frio. Fez caminho direto para o banheiro, onde tomou um banho e trocou de roupa ali mesmo: Uma camisa de manga longa de frio mais folgada e um short confortável. Saindo do banheiro depois de ter certeza de ter deixado arrumado e foi direto para o computador - poderia comer depois. Apenas se atentou a tomar os remédios com horário marcado e que pediam jejum. Colocou o cobertor sobre as pernas e começou o trabalho matinal.<br />
<br />
Digitou alguns e-mails, em sua maioria com investidores e planos de negócios, e um e-mail perdido de sua mãe que perguntava sobre o andamento do clube e os projetos. Assim que terminou, ouviu a porta se abrir e Berthold entrou, reclamando do calor.<br />
<br />
— Abafado?! - se virou de lado na cadeira, muito bem agasalhado que era quase cômico, resmungando — Tem certeza que não está doente? Tá péssimo de frio!<br />
<br />
Manteve a coberta bem junto ao corpo e fez caminho até o armário tirando uma pequena caixa com esmaltes e outras coisas. Precisava de algo para se distrair do frio, talvez fosse um bom dia para retocar as unhas que estavam precisando de atenção, valia a pena se sentar no chão frio se fosse para fazer as unhas, talvez até tentar algumas coisas novas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Realmente, o loiro não estava acostumado com as temperaturas da França, considerando que mesmo quando chovia e deveria ficar fresco, parecia que o calor da construção fortemente castigado pelo sol a semana toda, tinha apenas passando pra dentro da construção tornando-a um forno em potencial. Mas o contraste maior era olhar para Evelyn plenamente enrolado nas cobertas como se não tivesse tirado a cama das costas. Berthold desenhou um sorriso no rosto de traços bonitos, achando a cena bem peculiar e engraçada, abriu o caderno de rascunho que estava na última folha para registrar aquele momento, pôs o par de lentes de grau já que estava sem as lentes, era mais confortável quando estava no quarto usar óculos do que lentes de contato.<br />
<br />
Com a caneta fez os blocos das dobras dos tecidos, e seguiu hachurando os espaços para dar o contraste de luz e sombra, era sempre bom fazer cenas escuras em contraste com uma mancha branca como rosto. Os traços joviais de Evelyn puxavam do traço mais suave que o jovem alemão conseguiu retratar, em contraponto, preenchia os espaços ao redor pesava com manchas gráficas pesadas e escuras, servindo de moldura. Era como mistura o mais suave com o mais pesado de seu traço em um rascunho. O tempo de fazer o rascunho e usar da grafite vermelha para marcar rubor nas bochechas e nariz de seu desenho, foi o tempo que o seu colega de quarto tinha decidido sentar no chão com o que parecia esmaltes. <br />
<br />
O maior assinou o caderno e colocou uma breve dedicatória no verso da última folha, então deixou o material, de desenho de lado para sentar-se no chão, um braço - seu -  de distância de Evelyn: -- Você não disse que estava com frio? O chão tá até mais fresquinho, que deve signi-... dizer pra você, que está gelado. -- O loiro coçou os fios loiros na região da nuca, e estava esse tempo todo falando francês, mesmo que estivessem combinando de falar em alemão no quarto, arrumou o par de lentes de grau: --[Eu te disse que os outros meninos do dormitório chama o nosso quarto de consulado alemão?] -- Berthold comentou com um ar de risinho, achando aquele ponto engraçado, e supondo que como Evelyn não seguia conversando com mais ninguém, ou pelo menos não o via caminhando com muitos outros alunos.: -- [Antes que você comece a pintar as unhas, esse aqui é pra você!] -- Estendeu o caderno de rascunho que na dedicatória tinha escrito “Registros do consulado alemão”:<br />
<br />
--[Esse é o caderno que eu venho desenhando desde que eu cheguei, tem um monte de rascunhos seus, e eu peço desculpas se isso te chatiar, mas é só natural pra mim que eu desenhe tudo que eu vejo, e assim… eu achava que estudar na França ia ser horrível, e que eu não ia fazer nenhum amigo, e eu me enganei bastante, e… obrigada por ser um bom colega de quarto. Eu não tenho dinheiro, então nem posso comprar nada pra você, espere que aceite como agradecimento.] <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Sabia que para Berthold muito provavelmente a sua imagem enrolada naquelas cobertas ia parecer bem engraçada, e ficou feliz quando não ouviu nenhum comentário engraçadinho sobre o assunto. O loiro não parecia ser bem o tipo de fazer isso, mas com o mal humor que sentia por conta do frio, esperava qualquer coisa.<br />
<br />
Girou nos calcanhares com a caixa em mãos e percebeu Berthold bem compenetrado naquele caderno de rascunhos dele. Havia percebido que ele o carregava para todos os cantos. Coisa de artistas, como já havia ouvido falar de tantos outros artistas que desenhavam diariamente para não perder a prática, mesmo que no final das contas o desenho feito não servisse para muita coisa. Teve a pequena curiosidade de olhar o que ele estava desenhando, mas respeitaria o seu espaço. Sentou-se no chão com cuidado, sentindo mais do chão frio em contato com a pele. Colocou a caixa de lado e puxou primeiramente um pouco de acetona e algodão, para remover o esmalte da outra semana que usava. Virou o rosto em direção à Berthold quando percebeu a aproximação, inicialmente com uma expressão levemente irritadiça pelo comentário do chão frio, mas em seguida uma genuinamente confusa pelo apelido que o quarto estava levando:<br />
<br />
- [Consulado alemão?] - repetiu, como se tentasse entender - [Nem mesmo tem um Consulado alemão em Cerise, qual o embasamento para isso?] - Evelyn não conversava tanto com os outros alunos, então o comentário realmente o pegou de surpresa. Só não realmente contava com a segunda surpresa, que foi quando Berthold estender o mesmo caderno de rascunhos de antes, com o apelido que havia mencionado - [... O que?!]<br />
<br />
Evelyn aceitou o caderno em mãos, dando uma folheada breve apenas para ver na parte de dedicatória o mesmo apelido que ele havia mencionado instantes antes. A expressão no pequeno ruivo era de surpresa, e quando mais folheava as páginas - que mostravam parte da rotina dentro daquele quarto, muitos rascunhos sendo do próprio Evelyn - mais era difícil conter o sorriso pequeno que se formava no seu rosto. E as desculpas de Berthold não o incomodaram tanto dessa vez, e deixaram até Evelyn um pouco perdido em como responder. Especialmente depois de ganhar um presente desses.<br />
<br />
- [Eu...] - ponderou um pouco, segurando o caderno em mãos, mas em seguida o deixando sobre as pernas - [Primeiro, sem desculpas. Eu não iria me incomodar com algo assim, eu já disse que aprecio o seu trabalho mais do que você imagina. É uma honra ganhar algo assim... E isso é o seu trabalho no final das contas, mesmo que seja um rascunho! Eu posso pagar de alguma forma se quiser. Afinal, ainda não agradeci pelo rascunho do primeiro dia.] - lembrou, havia passado as semanas tão corriqueiro que não havia parado nem para perguntar ao outro o que ele gostaria de ganhar em troca. Independentemente, faria o possível para demonstrar a sua gratidão à ele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
O loiro até sorriu do fato de Evelyn não ter entendido porque tinham chamado o quarto dos dois de “consulado alemão” afinal se os dois só falavam naquele idioma todo o tempo dentro do quarto em algum momento, algum estudante da porta iria achar estranho o idioma e ia acabar curiando. Berthold abraçou as próprias pernas e tentou ficar o mais compacto possível para o seu tamanho em comparação com Evelyn, mas não esperava a reação do mais novo ao seus rascunhos, que sim, eram seu trabalho, mas ainda assim não estava acostumado a pessoas mais novas darem essa atenção toda, sempre imaginava que quem gostaria de sua arte seria os velhos barbudos ricos de galeria:<br />
<br />
-- [Quando você fala em pagar pelos meus rascunhos eu sinto você envelhecendo 60 anos Evelyn.] -- Berthold riu de um jeito mais suave, depois arrumou os óculos no próprio rosto: -- [Mas se quer me compensar, eu sempre quis aprender a pintar as unhas, se eu puder olhar você pintando, eu acho que já funciona como pagamento, serve pra você essa troca?]<br />
<br />
O loiro comentou esticando a mão grande a frente, olhando as unhas curtas e sempre cerradas, já tinha por hábito de mantê-las daquele jeito por causa da prática de esporte, depois posteriormente porque era mais fácil tirar os restos de tinta: <br />
<br />
-- [Eu jamais pintaria as unhas em casa, mas agora que estou aqui no dormitório eu tenho vontade de testar…] -- o alemão olhou pras mãos um tempo e o sorriso que era mais espontâneo virou um sorriso mais tristinho, porque não tinha boas recordações de quando seu pai reclamou do fato dele ter pintado as unhas, teve de tirar na base de choro, e ouvindo um monte de bobagens.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Evelyn não era uma pessoa muito expressiva, principalmente quando se tratava em demonstrar isso fisicamente, ou de uma maneira que as pessoas pudessem ver. Então tentava agir da maneira que havia sido ensinado: nem tudo é de graça. Por isso, propôs pagar à Berthold o valor que ele achasse justo sobre os próprios rascunhos. Mas acabou tendo mais uma pessoa questionar a sua idade:<br />
<br />
—[... Realmente soa tão mal assim? Achei que seria a maneira mais apropriada.] - respondeu, ponderando um pouco como poderia melhorar a sua fala para ‘adequar mais à sua idade’. Aparentemente, a conversa com o outro ruivo havia levantado pontos plausíveis. O alemão menor só não esperava que Berthold pedisse aula sobre pintar as unhas como um pagamento adequado — [... Você tem certeza? Eu posso, mas tenho certeza que a sua arte vale muito mais que uma aula minha.]<br />
<br />
Não que seus conhecimentos não valessem dinheiro, tinha certeza que pelo menos na parte matemática eles valiam bastante. Mas em pintar as unhas? Realmente não era algo que conseguisse por uma marca de preço já que não tinha tipo um treinamento adequado, apenas conhecimento empírico - e alguns tutoriais da internet.<br />
<br />
Observou a mão do outro, reparando os detalhes e o formato das unhas, pensando o que seria mais apropriado de repassar à ele com o conhecimento que tinha. Ouviu o restante da explicação, deixando um sonoro “hmm” escapar, e prontamente começou a separar os utensílios que iria utilizar, assim como alguns esmaltes de cores diferentes que guardava em um bolso menor, separado de todo o resto:<br />
<br />
— [Eu não sei por que você não tentou antes, mas vamos fazer assim:] — Começou, estendendo a palma da mão para o maior, pedindo permissão para segurar a mão dele — [Se eu apenas fizesse as minhas e você observasse, até poderia pegar algo, mas para ser mais… Instrutivo, posso pintar as suas unhas, e depois você pode tentar sozinho, o que acha? Você pode escolher a cor.]<br />
<br />
As cores que Evelyn possuía eram bem variadas. Tinham bases qual mal dava para se notar a cor, e outras mais chamativas. Num geral, haviam cores suficientes para ocasiões diversas. Esperava que alguma delas fosse do agrado do artista.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Berthold era uma pessoa facilmente influenciável por seus próprios pensamentos, principalmente quando eles eram negativos, era um mau hábito que custava a superar, porque mesmo uma situação boa e confortável, podia facilmente se tornar algo ruim, devido ao pessimismo natural que o alemão carregava. e não foi diferente naquela situação, considerando que tinha toda uma pressão de recordações sobre si do processo de descobrir quem era, do que gostava, e das tentativas frustradas de melhor se expressar em casa. Embora não pudesse reclamar do apoio financeiro e médico de seus pais, sabia que especificamente seu pai era muito fechado a ideia de ter um filho gay. E muito embora, isso não mudasse o fato de que Berthold era assim, seu pai invariavelmente gostava de agir fingindo que não sabia, e quando o loiro tentava expressar qualquer trejeito que ressaltasse sua homossexualidade, era diretamente reprimido. Ao ponto que algo simplório como pintar as unhas era visto como algo proibido, era triste de lembrar.<br />
<br />
Porém, sua linha de pensamentos negativos foi cortada pelo comentário de Evelyn indicando que iria pintar ele mesmo suas unhas, e como o loiro mais alto não esperava aquele tipo de hospitalidade, foi fácil notar que o mais velho ficou levemente corado com a proposta: -- [Eu pedi pra ver, pra não lhe dar trabalho, mas se não for lhe incomodar, eu estaria mentindo se dissesse que não quero testar].<br />
<br />
E era engraçado que o menor tivesse pedido para estender a própria mão, porque como a altura dos dois era muito discrepante, por consequência as mãos também eram. Os anos de prática de basquete tinham rendido várias pequenas cicatrizes, a palma da mão ampla e lisa, o fato de ser um pintor a pouco mais de um ano, tinha lhe rendido cortes novos com estilete nos dedos, calos principalmente nos que empunhava o pincel, mas suas unhas eram curtas e bem cerradas para impedir que ficasse com resquícios de tinta.<br />
<br />
Porém, apenas quando estendeu a mão na direção do menor, se atentou ao fato de que tinha o corpo mutilado de suas crises anteriores, principalmente na região no pulso e em toda a extensão da parte inferior do braço. até próximo do cotovelo. As pessoas se perguntavam se tinha como esquecer das marcas, em verdade não, havia um ponto onde você realmente se esquecia de se incomodar com elas, porque já assumia que todos sentiam vergonha ou repulsa de você por aquilo. No entanto, o fato de estar na França, decididamente determinado a fazer as coisas melhor, e de querer sinceramente fazer novos amigos, lhe encheu com um misto de sentimentos de vergonha, que não soube exatamente como eles ficaram expressos no seu rosto. Tanto que o loiro levou a mão ao topo da cabeça do ruivo e deu dois tapinhas de leve: <br />
<br />
-- [pensando agora eu nunca tinha reparado como as minhas mãos são grandes e como o seu cabelo lembra uma bola de basquete, tem quase a mesma cor. Eu tenho as mãos grandes não só porque eu sou alto, mas porque eu fui atleta antes de ser pintor, agora meus calos são de passar horas e horas pintando.] -- A tentativa de descontração de Berthold não foi lá das melhores, mas não tinha muito como fugir do fato de que o outro veria suas marcas, só queria que ele não sentisse nojo de sua pessoa e nem o achasse uma pessoa horrível por isso, queria focar em escolher cores de esmalte: --[pode por a cor do seu cabelo, se tiver, eu acho bonito].]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Videogame Night 2.0 [Oliver, Yure]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=315</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:12:26 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=62">Ethan</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=315</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Estava solteiro. Solteiro já há alguns dias… semanas? Meses? Enfim, o próprio loiro havia perdido a noção do tempo. Apesar de ter decidido seguir em frente ao falar com os pais, o “em frente” dele era demorado e muitas vezes se pegava suspirando nos corredores da escola. Ainda se escondia ao ver o esgrimista e havia se afastado consideravelmente dos amigos que fizera. Naquela noite não iria trabalhar, então teve uma ideia.<br />
<br />
- A-alô? Oliver..? Você não quer vir aqui não? Sim, hoje a noite. Eu comprei uns jogos novos pela steam. Vamos poder jogar o novo Tekken! Sim, vou chamar os outros. Até mais!<br />
<br />
Desligou o celular e em seguida ligou para o ruivo.<br />
<br />
- Yure! S-sim, estou bem. Não precisa se preocupar comigo. Olha, eu… comprei uns jogos novos na Steam. Quer vir mais tarde jogar?<br />
<br />
E os convites pareciam ficar cada vez mais fáceis. Chamou o Lui por mensagem, mas infelizmente ele não podia ir por ter algumas atividades atrasadas. Chamou também um colega do clube de quadrinhos que também tinha seus compromissos. Enfim, seriam só os três: Ethan, Yure e Oliver. Agora, precisava enfrentar outro obstáculo: arrumar o próprio quarto. Não o arrumava desde que Isaac parou de ir lá.<br />
<br />
- Tch. E lá vamos nós… - arrumou o óculos no rosto e começou a “dar um truque” no ambiente. Provavelmente ainda estaria dando esse truque a noite.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Os dias em St. Clavier estavam bons, e então estavam complicados de novo por causa do que tinha acontecido com Nataniel algum tempo atrás. Não que fosse ruim, afinal de contas, ainda era um cenário completamente diferente da China e tinha amigos que se importavam com o seu bem estar. Era ruim não conseguir ficar de novo com a guarda baixa em volta deles, mas estava voltando a se acostumar com a proximidade. E o acontecimento não tinha lhe deixado suficientemente assustado. Mais alguns dias e estaria tudo bem de novo.<br />
<br />
Tanto que ficou até animado quando recebeu uma ligação de Ethan chamando para jogar alguma coisa que ele não entendeu, mas pelo menos estava animado para os programas fora da academia.<br />
<br />
Continuou sua rotina normalmente, com treino matinal e as aulas em seguida, para ainda ter reforço na hora do almoço com o estudante da máscara de ferro e voltar para os dormitórios. Ainda treinou mais um pouco, falou com seu pai e sua mãe por telefone, encontrou com Lui que estava ocupado fazendo alguma coisa e não podia ir para a noite de jogos. Se arrumou no início da noite e foi até o quarto de Ethan, numa roupa muito básica com bermuda de elástico e camisa branca, sandálias nos pés para bater na porta do quarto no quarto andar.<br />
<br />
- Ethan? É o Oliver! Posso entrar?! - ele perguntou, ainda esperando resposta antes de abrir a porta.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava avoado, depois de conversar com seu melhor amigo sobre muitas coisas que lhe incomodavam e depois de todo o caos que tinha rolado em St. Clavier, nem parecia que iria ter uns dias tranquilos. Tinha até esquecido que o Ethan gostava de joguinhos e chamava para jogar no quarto dele. Naquele dia, pôs uma calça de moletom preta com listras laranja, uma camiseta sem mangas branca, o casaco do moletom amarrado na cintura, sandálias nos pés, pulseiras no braço, estava digitando alguma mensagem nos muitos grupos quando topou com Oliver na porta de Ethan.<br />
<br />
Antes de se aproximar, cumprimentou o amigo a uma distância segura: -- Ah, chegou cedo cara! Cadê o Lui? -- comentou em tom audível, guardando o celular no bolso da calça deixando apenas as tranqueiras de chaveiros para o lado de fora. O ruivo estava com a cara amassada e o cabelo desgrenhado de quem tinha tirado um cochilo antes de ir ali:<br />
<br />
-- Faz tempo que a gente não joga com o Ethan ne? Na verdade faz mó tempo que a gente não tromba com o Ethan, sei nem como ele tá.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Estava completamente absorto nos próprios pensamentos. Talvez por já estar no final da arrumação, fazendo tudo no automático. Colocava os jogos em ordem alfabética, arrumava a cama. Não deixava uma dobra sequer se sobressair, como se um pseudo-toc fizesse presente. Talvez fosse melhor pensar na arrumação que nos próprios sentimentos, estes ainda confusos. Enfim. Ao menos estava orgulhoso: o “truque” se transformara numa limpeza séria! E pela primeira vez em meses, seu quarto estava até cheirando bem.<br />
<br />
Foi tomar um banho, e nesse tempo Oliver chegou. Depois Yure. Saiu do banheiro rapidamente, secando-se e vestindo a primeira roupa confortável que seu armário sugeriu - uma blusa preta folgada da Horda de World of Warcraft e uma bermuda de moletom cinza. O tempo que usou para se arrumar talvez fosse o tempo para os dois  rapazes conversarem lá fora, mas não demorou para atendê-los. Sorriu e não foi um sorriso forçado, estava verdadeiramente feliz em vê-los. <br />
<br />
- Oliver, Yure! Queria que o Lui estivesse com tempo para vir também. - dava espaço enfim para que os dois entrassem - A steam estava na promoção e comprei uns jogos novos! Queria mostrar pra vocês. Como vocês dois estão?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Antes de ouvir uma resposta do outro lado da porta vindo de Ethan, Oliver ouviu a voz conhecida de Yure vinda do corredor e se virou na direção do amigo. Embora estivesse mais alerta nos últimos tempos, seus amigos tinham sido compreensivos o suficiente para lhe dar avisos bem sonoros antes de se aproximar - embora Lui ainda estivesse trabalhando um pouco naquilo.<br />
<br />
- Eu não sei o que ele tá fazendo, mas ele não vai poder vir, eu até encontrei com ele antes de vir pra cá. Mas eu tava treinando depois da aula e só fui no dormitório pra tomar um banho e trocar de roupa e recebi a ligação do Ethan, ainda bem que eu tava no dormitório porque eu geralmente não vejo o celular e... por falar nisso... - tateou os bolsos na bermuda que usava, sorrindo sem graça depois para coçar a nuca. - Acho que esqueci no quarto de novo, hahaha... faz tempo mesmo que a gente não vem jogar, era pra trazer alguma coisa? Comida? Jogos? Eu tô sem nada.<br />
<br />
Ele tirou os bolsos do avesso na bermuda para mostrar que não havia nada ali, sorrindo um tanto sem graça. Foi bem em tempo de Ethan abrir a porta.<br />
<br />
- Licença! - pediu logo antes de entrar no quarto do outro, levemente familiarizado depois do tempo em que tinha passado sem ir lá. - O que é "steam"? Tem jogos de luta pra gente lutar? Ah, eu to bem! Falei com meu pai e minha mãe hoje! Minha mãe volta pra cidade na semana que vem e eu vou ficar um fim de semana com ela! E você?!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo e o amigo oriental mal tiveram tempo de trocar conversa quando o próprio Ethan abriu a porta do quarto, alargou o sorriso carismático de sempre, embora fosse fácil de notar que ele não estava “bem”, ou pelo menos não estava como de costume, que era sumido.<br />
<br />
Entrou no quarto ouvindo o relato de Oliver, e sorriu feliz quando ele disse que passaria um fim de semana com a mãe, acenando positivamente: -- Ah que bom, vai poder aproveitar bem a companhia da sua mãe! hahah! E sobre “Steam”, é como se fosse um site pra comprar jogos, ao inves de comprar o CD todo bonitinho, tu compra o jogo “virtual” e ele vai pro seu computador ou console. Essas coisas ai de nerd tipo o Ethan.<br />
<br />
Comentou em tom de brincadeira, despretensioso como de costume também, sentou meio largado sobre a cama, mas deixando espaço para os outros, o quarto parecia ter sido recém arrumado, se jogou de costas no colchão parecendo bem a vontade no espaço: -- comigo nada demais, menos detenções, provas medianas, issoaê…! E você Ethan? Faz tempo que não chama a gente pra jogar, além dos joguinhos de promoção, tá rolando alguma coisa a mais?<br />
<br />
Comentou com real interesse pra saber se o amigo estava bem ou não.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
- Nem preciso falar para se sentirem à vontade, né? - comentou simpático, tentando forçar um sorriso. Não precisou explicar para Oliver o que significava “steam” já que o ruivo já havia feito aquilo, fechando a porta do quarto em seguida - É exatamente o que o Yure disse, Oliver! Comprei vários jogos de luta por conta dessa promoção, então podem se acomodar que a noite vai ser longa.<br />
<br />
Estava sendo evidente que se esforçava para ficar bem, não queria falar sobre a razão de ter sumido. Mas a pergunta do ruivo enérgico serviu como uma flecha para que o loirinho voltasse para a realidade triste que se encontrava. Enquanto ia até o controle, o sorriso antes formado se desfazia, engolindo em seco, como se tentasse prender um possível choro. Respirou bem fundo, resignado, virando-se para ambos. Seus olhos estavam marejados e estava claro que não queria se conter para para os dois, mas tentava. Não queria estragar aquele reencontro.<br />
<br />
- É, eu já estive melhor… mas estou tentando ficar. Heh. - estendeu o controle para Yure, refazendo o sorriso fraco porém agora determinado - Vocês vão me ajudar a ficar bem, não vão?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver entrou no quarto e procurou lugar para se sentar no chão, encostado à cama e perto de onde Yure tinha ficado também. Estava acostumado a ter muito mais limitações por conta da criação na China, mas tinha até aprendido a ser mais relaxado ali em Cerise na companhia dos amigos.<br />
<br />
- Eu quero aprender a jogar! Minha mãe comprou videogames pra mim em casa, mas eu não sei usar. Vocês deviam ir lá no apartamento qualquer dia, podemos passar um fim de semana lá e você me ensina mais coisas também, Ethan! - Oliver sugeriu, segurando uma almofada sobre as pernas.<br />
<br />
Foi bem em tempo de Ethan responder sobre como estava se sentindo nos últimos dias e embora Oliver não tivesse muita experiência entendendo o que se passava pela cabeça dos amigos, conseguiu perceber logo que a expressão de Ethan tinha ficado mais triste. Claro que aquilo só ficou mais óbvio quando ele mesmo disse que estava tentando melhorar.<br />
<br />
- Ehhh? O que aconteceu, Ethan?! Por que você não está bem? Alguém brigou com você? Se alguém brigou, a gente pode dar um jeito! E falar com o Conselho Disciplinar! Eles são legais, podem ajudar! A gente vai te ajudar sim! Qual foi o problema?!?! - certamente Oliver não tinha muita ideia do que tinha acontecido com o garoto como Yure sabia.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo não era nem um pouco idiota, estava ajudando a tempo demais nos dois conselhos e estudava com o Isaac na hora do almoço, não dava para ignorar as reações adversas do mais velho. Primeiro triste e distante, depois feliz, depois notoriamente chateado, e um monte de mudanças em um período muito pequeno de tempo, e como não estava encontrando com Ethan, não teve como fazer a leitura, mas imaginava que se no próprio secretário, era possível ler todas aquelas mudanças de expressão, deve ter sido muito pior para o amigo menor:<br />
 <br />
-- Eu imaginei que você e o Lemont tinham terminado, dá pra notar que ele tá diferente, eu fiquei surpreso, não vou mentir, mas agora não tô curioso pra saber o porquê. Quero saber como é que você tá agora. -- o ruivinho se sentou, ainda relaxado, mas a expressão era mais focada nas expressões que o loirinho iria lhe mostrar.<br />
<br />
Fez questão de destacar sobre o término do outro para adiantar a informação para Oliver, que já como ele estava focado em outras atividades não tinha como ele notar aquele tipo de diferença em Isaac. Pelo menos a gente pulava um pouco essa parte de explicações do porquê do término, a menos é claro, que o próprio Ethan, quisesse entrar nesses méritos, mas pela cara de quase choro do mais baixo, achava difícil que ele quisesse rememorar isso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
- Eu te ensino a jogar o que você quiser, Oliver! - falava, com um sorriso discreto - Eu ia adorar jogar no seu apartamento…<br />
<br />
Logo, a razão por estar mal veio à tona. Era normal seus amigos se preocuparem sem entender o que estava passando. Mas Yure era diferente. Assim que o ruivo citou Isaac e o término, se surpreendeu por um segundo, mas deixou para lá logo em seguida. Afinal, tratava-se do ruivo, ele era sagaz demais. E sempre estava metido em encrenca com o conselho estudantil, interagir com seu ex namorado não seria difícil. Resignado, assentiu com a cabeça.<br />
<br />
- Sim, terminamos… por isso sumi. Eu fiquei muito mal… a culpa foi toda minha. - suspirou mais uma vez, sentando-se cabisbaixo na cama. Mas se forçou a sorrir de novo, afinal, estava determinado a ficar bem - Agora eu quero mudar. Pensei demais em mudar pra conseguir a atenção dele, só que dessa vez é diferente. Eu quero mudar por mim. Porque… viver nas sombras não é é muito triste.<br />
<br />
Admitir aquilo foi complicado. Falar sobre o assunto era complicado. Obviamente queria que Isaac notasse sua mudança, mas o conhecia suficientemente para saber que se fosse algo superficial demais, de nada adiantaria. A mudança precisava partir de dentro e era o que faria. Ou tentaria fazer.<br />
<br />
- Bom, eu gostaria de não falar mais disso, por favor. Quero jogar com vocês… conversar. Oliver, como estão seus treinamentos? E Yure, tem feito novos amigos? Você é especialista nisso, afinal. - o sorriso do loirinho agora estava mais aberto, enquanto levantava-se da cama para conectar os controles - Me falem novidades, coisas interessantes!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver nem teve tempo de pensar mais no que poderia indicar para ajudar o amigo quando Yure foi mais rápido dizendo o motivo pelo qual o loirinho estava mal. Então era porque ele tinha terminado o namoro. A expressão no rosto de Oliver foi de uma surpresa, com os lábios entreabertos e o rosto bem avermelhado de estar ouvindo aquela conversa que não era nada acostumado a ouvir na China, especialmente porque só reforçava como eram dois homens namorando e se já não era normal um rapaz e uma menina juntos na China, menos ainda dois rapazes juntos.<br />
<br />
- Ahhh... e-eu... sinto muito...? - nem sabia o que responder sobre aquilo, e não entendia muito bem o que Ethan queria dizer com a culpa ter sido dele e com "viver nas sombras". - Eu não sei o que dizer, essas coisas de relacionamentos são difíceis... eu ainda... não entendo muita coisa.<br />
<br />
O garoto coçou os cabelos da nuca, mas foi o próprio Ethan que se adiantou para dizer que não gostaria de falar mais daquilo, perguntando sobre seus treinamentos, o que logo lhe colocou um sorriso no rosto.<br />
<br />
- Ahhh! Estão bons! Eu treino com o professor de karatê às vezes e... eu não posso treinar muito porque eu to tentando me adaptar a rotina e... depois do que... aconteceu, eu... - ele engoliu em seco lembrando da situação constrangedora que levou a uma briga com Nataniel. - Eu só to tentando não bater em ninguém por acidente de novo, hahaha. Mas eu tô melhorando nisso, eu acho.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava bem ciente de que entrar naquele âmbito de término de relacionamentos era um saco, estava no processo de lidar com seu, então realmente seguiria a onda do amigo, de simplesmente não falar no assunto. Embora todo aquele lance filosófico de andar as sombras estivesse muito longe da sua área de entendimento, o que podia dizer? Não tinha essa experiência toda não, então não era como se tivesse algum bom conselho para oferecer para o loirinho:<br />
<br />
-- Bem vindo de volta ao lado dos homens solteiros Ethan, o lado de cá não é tão legal, mas é o que temos pra hoje. No final das contas o Oliver, não têm muito que entender não, quando você acha que tá certo tá errado, e quando você tá errado, você tá MUITO ERRADO, no fim das contas, você é o único livre de ser atingido por esse tipo de problema romântico, ainda bem. -- apoiou o queixo na mão, fazendo uma cara entre distração e uma leve careta:<br />
<br />
-- Eu, o Oliver, o Lui, mais uma galera formamos chapa pra disputar as eleições do conselho estudantil, e se pensar que isso é a melhor coisa que tá acontecendo comigo, a possibilidade do próximo ano estar cuidando de burocracia e papelada você tire por onde vai meu ânimo. -- Suspirou, e então de forma bem evidente e dentro do campo de visão do amigo, levou a mão a cabeça do Oliver dando dois tapinhas de leve, como um afago: <br />
<br />
-- E não se preocupe, sobre os seus reflexos ninjas, a gente sabe, compreende e tá tudo bem, logo mais passa e você volta a ficar mais relaxado. Você está fazendo um bom trabalho.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Suspirou aliviado. Aparentemente, os dois amigos entenderam e desistiram de insistir sobre o assunto. Oliver ainda era o mais ingênuo dos dois, então, levou uma mão até o ombro dele, com um sorriso amigável.<br />
<br />
- Tudo bem, Oliver. Não precisa entender essas coisas ainda. - se afastou, prestando atenção no relato do amigo sobre treinar e estar bem, muito embora ainda esteja receoso após o último incidente. Ficou sabendo do ocorrido e por estar mal, sequer foi dar apoio para o mais novo. Sentia-se um péssimo amigo - Você não é uma pessoa violenta, Oliver. Se lembre que eu já passei por coisas terríveis com bullys, antes de conhecer... o Isaac. - engoliu em seco, voltando-se para o ruivo.<br />
<br />
Já Yure, como sempre, conseguia alegrar o ambiente. Riu com o "clube dos solteiros", Yure sabia mesmo como deixar o clima mais leve. Mas o que o surpreendeu mesmo foi a revelação que se seguiu.<br />
<br />
- Vão participar das eleições do conselho estudantil?? - o óculos até deslizou para a pontinha do nariz, fazendo o loiro arrumar - Nossa, como eu queria estar aqui ano que vem para ver isso... e ajudar, obviamente. Meu voto seria de vocês! - falava sério, mas a verdade é que queria ver a reação de Isaac caso os três vencessem. Riu um pouco sozinho pensando - Você pretende se candidatar a presidente, Yure?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Se já era confuso entender relacionamentos, Oliver ficou mais ainda quando Yure apontou aquele comentário sobre "quando se está certo, está errado, quando está errado, está mais errado ainda", o que fez o garoto franzir o cenho tentando entender aquilo por mais tempo do que o necessário. Mas o comentário de Yure sobre ele ser o único longe de ser atingido por aqueles problemas lhe colocou com uma expressão bem mais vermelha do que o comentário pedia, principalmente porque naqueles breves comentários sobre relacionamentos, acabou se colocando naquela situação também. Mas afastou o pensamento daquilo quando Yure falou sobre seu bom trabalho em não sair batendo nas pessoas por acidente.<br />
<br />
- E-Eu tô me esforçando, de verdade! - ele riu, um pouco mais forçado do que queria no rosto que estava voltando à tonalidade normal. - E bullies são ruins! Eu não devo bater neles porque meu pai disse que eu não posso bater nas outras pessoas, mas agora eu sei que posso falar pro presidente do Conselho Disciplinar resolver! Ele é legal.<br />
<br />
Oliver finalmente sentiu que o rosto ficou mais alvo e o assunto tinha se tornado logo o Conselho Estudantil. Ele concordou com um aceno de cabeça veemente sobre eles se candidatarem.<br />
<br />
- Eu não sei o que fazer direito, mas eu tô com o Yure! E eu posso me esforçar também pra aprender o trabalho.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo era um cabeça de vento, isso era fato, juramentado entre seus amigos, e não precisava de um documento em duas vias que comprovasse isso, porém, era avoado até certo ponto, e durante a conversa notou que Oliver tinha ficado desconcertado com o assunto sobre término de relacionamentos. Aquilo lhe deixou levemente encucado, quando estavam na outra saída, umas boas semanas atrás, a menção de relacionamentos não tinha deixado o amigo envergonhado, no máximo curioso? O que teria acontecido pra mudar as reações dele? Seria efeito colateral do bullying? provavelmente não.<br />
<br />
Antes que pudesse divagar demais no que estava vendo, a conversa seguiu sobre a candidatura pro conselho estudantil, em como Oliver iria se esforçar e como Ethan estava curioso se iria pra o cargo principal de presidente:<br />
<br />
-- Bem, considerando que Mama é presidente e quase nunca tá lá, ser presidente é moleza, mas como o isaac não vai estar aqui no ano que vem, vai ser dureza. Eu penso que dentre a gente, in ou felizmente eu sou a pessoa com mais experiência nos corres do Conselho Estudantil, então vou levar a cruz nas costas e ser o presidente. Mas isso nem me preocupa sabe, acho que vou conseguir dar alguma ajuda pros alunos estando lá, o Sasha ainda vai estar por aqui, vamos fazer uma boa dupla de conselhos e tentar dar trabalho aos bullys. <br />
<br />
Acenou positivamente, fazendo pose de vitorioso, como se tivesse plena convicção no que estava dizendo, e afinal esse era o objetivo: Trabalhar duro no conselho, pra fazer um trabalho bom pros estudantes, digno do Isaac se orgulhar disso:<br />
<br />
-- Não vamos ficar falando de eleição a noite toda, que a gente tem menos de 40 anos, não da pra se divertir com política sendo adolescente, por favor. -- o ruivo riu, fazendo piada de si mesmo, já que tinha sido o próprio a puxar o assunto: -- Mas digaí Oliver, tirando os treinos com o professor de Karatê, e estudar, como todo bom estudante de St. Clavier, tem rolado mais alguma coisa? -- perguntou, no intuito de voltar a sua própria dúvida, não era do tipo de ficar curiando na vida dos amigos, não demais, apenas quando ficava preocupado, e dado o incidente recente com Oliver, estava mais de olho nele do que no costumeiro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver até concordou com Yure que ele não sabia muita coisa do Conselho, mas o ruivo estava preparado para aquilo. Ele estava sempre no Conselho com Isaac e aprendendo as coisas que Oliver nem sabia por onde ia. Enquanto o ruivo explicava mais do processo, Oliver deu uma olhada nos jogos e concordou sobre dar trabalho aos bullies, eles precisavam.<br />
<br />
Mas o garoto foi pego de surpresa quando a pergunta foi direcionada a ele também, sobre o que mais estava "rolando" em sua vida além dos treinos e estudos, e aquilo quase fez o garoto derrubar os jogos que estavam nas mãos.<br />
<br />
- Ehhh? N-não tá acontecendo nada. Eu faço a mesma coisa que todo mundo todo dia e estudo e treino e estudo e eu vou pras aulas e faço as tarefas e... e eu converso com meus amigos e saio e é isso! E isso é a coisa mais diferente da C-China p-porque eu não tinha ninguém pra conversar lá nem sair pra os lugares nem ninguém com quem competir nem nada! - Oliver explicou, mais exasperado do que deveria, com o rosto avermelhado de novo. E eles nem estavam falando nada de relacionamento.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Conversar com os amigos  de forma tão natural depois de tudo que aconteceu o fazia muito bem. Não devia ter se isolado por tanto tempo… mesmo com Yure mencionando Isaac de forma tão natural, apesar daquele aperto no peito que insistia em aparecer, não tinha o que reclamar.<br />
<br />
- Vocês são queridos por todos. Se precisarem da minha ajuda, mesmo eu estando longe da academia, eu ajudo. Posso criar um website ou um banner que ajude na eleição de vocês! Seria divertido. - sugeriu, até um pouco empolgado. Mas o assunto logo mudou. -  Sim, tem razão. Não somos idosos. - sorriu sem graça.<br />
<br />
Ethan terminava de arrumar o jogo de luta que jogariam - o TEKKEN mais recente - pois imaginou que Oliver se empolgaria. Arqueou uma sobrancelha com a reação do mais novo, exibindo curiosidade.<br />
<br />
- Hmm… parece que está nos escondendo alguma coisa, Oliver! Está tão vermelho quanto eu quando descobri meus sentimentos por Isaac. - talvez se começasse a agir como o ruivo, usando a própria dor de forma bem humorada, superasse com facilidade. Talvez…<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
E tinha jogado um belo verde para colher maduro, era o que provavelmente sua mãe lhe diria naquela ocasião, e lá estava Oliver plenamente ruivo diante de uma simples conversa que não tinha menção nenhuma a relacionamento. Então, se só de perguntar algo vago ele já tinha ficado transtornado, quem dirá se perguntassem diretamente se ele estava apaixonado por alguém:<br />
<br />
-- Ah sim, esse negócio de ficar todo encabulado, sem jeito, sem saber onde enfiar a cabeça, quando eu recebi uma cantada do Sasha foi do mesmo jeito, eu fiquei completamente sem saber o que responder. -- O ruivo comentou num tom falsamente envergonhado, afinal as aulas de teatro deveriam estar servindo pra alguma coisa: -- Meio que quando você está gostando de alguém, a pessoa fica sem ter uma reação, principalmente se alguém perguntar diretamente.<br />
<br />
Yure encarou Oliver, dando ao menos alguns poucos segundos para que ele absorvesse a linha de raciocínio que tinha acabado de falar, antes de jogar a bomba: -- Você tá gostando de alguém Oliver?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver quase suspirou mais aliviado quando Ethan falou sobre como eles eram carismáticos e como poderia ajudá-los até mesmo a distância. Pensou até em perguntar mais de como é que Ethan podia fazer aquilo, já que não entendia muito de tecnologia, e assim podiam mudar de assunto, mas antes de abrir a boca pra falar alguma coisa, perdeu completamente a linha de raciocínio quando Ethan disse que ele parecia estar escondendo alguma coisa. A resposta de Oliver foi eufórica e denunciando completamente o seu nervosismo com o assunto quando ele balançou as mãos na frente do corpo numa negativa exagerada.<br />
<br />
- N-n-não! Eu n-num to escondendo nada!!! A gente n-num tava falando das eleições e do site e-e-e-e d-dos jogos, a gente ia jogar, né! - Oliver insistiu, mas o assunto não mudou e no mesmo instante, Yure fez uma pergunta muito pontual que só fez com que o garoto quase tivesse um infarto na hora, com a quantidade de sangue que circulou no rosto. Nem tinha no que se agarrar e onde se esconder, e as mãos continuaram sacudindo intensas na frente do corpo. - E-e-e-e-eu p-p-p-porqq-q-que v-v-oc-cê t-t-tá p-p-p-pergunt-t-tando i-s-s-so?! E-e-eu- eueu-e-eu n-n-ão- eu-sei e-e-eu nã-o s-s-ei!<br />
<br />
E a única salvação dele naquele momento, foi esconder o rosto nas duas mãos, e o rosto estava tão vermelho que provavelmente até as mãos estavam vermelhas também com a pergunta muito direta.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Arqueou uma sobrancelha com aquela atuação de Yure, incerto se de fato aquilo havia acontecido ou era mais uma artimanha do ruivo para obter respostas. Verdade ou não, fato é que os dois haviam deixado Oliver ainda mais envergonhado, o que preocupou o mais velho. Embora estivesse se divertindo com aquilo - não queria admitir, mas estava -, queria que Oliver ficasse confortável ali depois de tanto tempo que passou isolado dos amigos.<br />
<br />
- Oliver... - carinhosamente pousou a destra no ombro dele, entregando o controle remoto do videogame com a outra mão - ...você não engana ninguém. Então pra evitar uma insistência maior, por que não põe logo tudo pra fora? Eu desabafei, não desabafei? Agora é a sua vez.<br />
<br />
A influência positiva de Isaac em sua vida estava criando bons frutos. Conseguia lidar com o sentimento alheio de forma madura, da mesma forma que aprendeu a conversar com outras pessoas. Não sabia se tal maturidade surtiria efeito em meio ao pânico do amigo lutador, mas permaneceu com o sorriso leve, esperando uma resposta. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Se havia uma boa explicação para aquela situação em que Oliver se encontrava era encurralado. Como se estivesse treinando com um dos alunos mais experientes do seu pai e não soubesse mais como se defender ou desviar dos golpes e estava prestes a perder a disputa. Mas diferente dos alunos experientes que estavam tentando lhe bater, estava ali com dois amigos - de verdade, do tipo que não tinha na China - e que pareciam realmente preocupados com o seu estado. E com a insistência dos dois, não tinha nem mais como achar um lugar para se esconder, além de Ethan já ter deixado bem claro que não dava pra enganar ninguém com aquela atitude, pior ainda com Yure sendo muito pontual perguntando se ele estava gostando de alguém.<br />
<br />
- E-e-eu-eu-n e-u n-não-eu… - ele engoliu em seco, tentando organizar as palavras e quase esquecendo como se falava francês, a voz ainda abafada pelas duas mãos que cobriam o rosto que nunca tinha queimado tanto na vida. - E-e-eu… e-eu a-ach-q-que… s-s-im. - respondeu quase num fio de voz, sobre estar gostando de alguém.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo esperava continuar ouvindo negações envergonhadas vindas de Oliver por mais alguns minutos, mas tal qual foi a surpresa quando em poucos comentários o amigo tinha admito que talvez estivesse gostando de alguém. Aquilo jogou toda a interpretação do ruivo pra o lado, e ele fez uma expressão de genuína surpresa e se perguntou mentalmente com quantas pessoas estavam saindo pra ele talvez se apaixonar:<br />
<br />
-- Nossa! Que bom Oliver! Se apaixonar não é uma coisa ruim! hahah! -- o ruivo sorriu mantendo o ar divertido, mas estava plenamente curioso pra saber quem é que tinha conseguido fisgar o coração puro de seu amigo chinês: -- E aí? A sua pessoa amada é algum garoto da academia? Ou é alguma amiga?<br />
<br />
Foi bem na lata, não sabia das preferências do amigo, se ele era gay, hetero, ou bi, mas era o momento de saber, e quem sabe dar uma ajuda pra ele conseguir se declarar, porque se já era tão difícil entrar no assunto sem que ele enfiasse a cabeça no assoalho, imagina só falar com a pessoa que ele gosta.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Imaginava que assim como ele demorou, Oliver demoraria mais para admitir que estava gostando de alguém. Imediatamente deixou o controle de lado, voltando-se completamente para o amigo mais novo. Parecia que estava se vendo no espelho, mas sinceramente não se via tão fofo quanto o outro. Admitia que estava se divertindo, mas não conseguia ser sádico. Queria que Oliver se abrisse sem tanto nervosismo assim.<br />
<br />
- Não precisa ficar nervoso, Oliver. Se apaixonar... é bom. - suspirou, mas sabia que o foco não era ele. Continuou, levando uma mão até o ombro do amigo - A gente pode te ajudar! Com conselhos, quem sabe. Por que não nos fala um pouco sobre essa pessoa? - perguntava, sem reforçar a pergunta sobre o gênero do sortudo ou sortuda. Estava curioso, mas sabia que para conversar com ele, teria que ser uma coisa por vez - Nós conhecemos quem você está gostando?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Já não tinha mais volta, agora que tinha admitido para Yure e Ethan que gostava de alguém, sabia que as coisas só iam piorar, ainda mais do que o seu rosto já estava vermelho, a ponto de sentir as orelhas, nuca e ombros também quentes. E não melhorou nada a situação do sangue circulando em seu rosto quando Yure ainda perguntou se era um garoto da academia.<br />
<br />
- N-n-não é um g-g-g-garoto!!! Q-q-quer dizer, n-não tem nada errado em g-g-gostar de um g-g-garoto m-m-mas n-num é... e n-n-num e-e-era as-s-sim n-n-na C-Chin-na e-e-e... - ele quase engasgou na tentativa de explicar que não era exatamente um garoto de quem estava gostando, e até tentou respirar fundo para se recuperar quando Ethan sugeriu que poderiam ajudá-lo.<br />
<br />
Na verdade, Oliver nem tinha pensado na possibilidade de ter ajuda de alguém naquele tipo de assunto, não era como se conversasse muita intimidade com as pessoas na China, nem seu pai, e sua mãe raramente estava em casa, foi uma coisa que lhe deixou um pouco curioso.<br />
<br />
- P-pode mesmo...? - Oliver agarrou as próprias pernas e apoiou o queixo nos joelhos, já que não tinha muito com o que se esconder, olhando de Ethan para Yure. - E-e-u... n-ão sei o q-que fazer... eu acho... ela é muito... legal… e diferente d-d-das meninas n-na C-China… <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo ficou empolgado ao saber que o amigo estava naquela fase de bobo apaixonado, devia ser uma menina bem legal pra deixa-lo todo deslumbrado. O ruivo não era do tipo mais curioso, mas começou a pensar mentalmente nas garotas que conhecia que podiam ser diferentes das meninas chinesas, até se dar conta que não tinha nenhum parâmetro de comportamento da China além das pessoas serem muito regradas e xenofóbicas:<br />
<br />
-- Claro que a gente pode te ajudar, assim para o bem ou para o mal, eu já sai com algumas pessoas, encontros, ganhei presentes, dei presentes, essas coisas, e mesmo meu último relacionamento tendo terminado meio merda, não quer dizer que não foi bom nos outros dias. --  O ruivo se sentou mais próximo de Oliver, mas ainda deixando pelo menos um braço de distância, cruzou as pernas e sorriu amplamente do jeito animado que costumava carregar:<br />
<br />
-- Você disse que ela é legal e diferente das outras garotas que você já conheceu na China, sendo que nem eu e nem o Ethan sabemos como era essas outras garotas, então se você tiver afim de conversar sobre, como ela é, quem ela é, e quiser umas dicas de como se chegar, estamos aqui pra você, é isso que amigos fazem! <br />
<br />
Deu um toquinho com o cotovelo em Ethan, incluindo ele claramente naquela equação de que eram todos bons amigos, mesmo ele sendo o mais distante do grupinho de adolescentes, o ruivo não o excluía de ser uma pessoa próxima. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
O loiro se via naquela confusão fofa de Oliver. A vontade que sentia era a de apertá-lo, mas sabia também que odiaria se alguém fizesse aquilo consigo. "Que hipócrita que eu sou...", pensava, divertindo-se com as lembranças. Também estava empolgado, da mesma forma que Yure estava disposto a ajudar o mais novo.<br />
<br />
- Yure tem razão. Não sei como são as garotas chinesas... na realidade, não tenho experiência nenhuma com garotas como o Yure tem. - sorria sem graça, coçando a nuca, aproximando-se ainda mais de Oliver, acomodado ao lado dele - Mas você não está sozinho. Se ela é uma boa pessoa, tem todo o nosso apoio! Por que não nos fala quem ela é? Nós a conhecemos?<br />
<br />
Enquanto fazia as perguntas, aproveitava para sair do jogo. Aparentemente a noite seria bem mais divertida conversando sobre relacionamento com os dois mais jovens. Assim, esqueceria Isaac com maior facilidade (pelo menos era o que acreditava).<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver engoliu em seco com as respostas de Yure e de Ethan. Obviamente os dois tinham muito mais experiência do que ele em qualquer tipo de relacionamento, fosse de romance ou de amizade. Aquilo não lhe deixou menos nervoso, claro, mas pelo menos estava menos apreensivo que tinha alguém com quem compartilhar aquelas coisas, que era muito diferente do que já tinha passado na China.<br />
<br />
- Hmm… as meninas lá são… quietas e não falam comigo, se bem que n-ninguém falava comigo na verdade… - Oliver deu de ombros, engolindo em seco de novo e procurando qualquer lugar pra olhar que não fosse na cara dos amigos. - E-elas são assim… c-como o Lui! Q-quer dizer, n-não é q-que o Lui s-s-seja uma menina e-e-e e-e-le é quiet-tinho! M-mas ele é bonzinho! N-não é como elas! E… e… <br />
<br />
O garoto respirou fundo de novo, sentindo as mãos geladas de pensar na menina que gostava e de ter que falar para os amigos tão diretamente sobre aquilo, mas as coisas ali eram melhores do que na China, no fim das contas.<br />
<br />
- E… e-ela é m-muito legal. E n-não tem medo de nada e nem de competir comigo nem nada. E… eu não sei se todas as meninas são assim aqui, m-mas… mas… e-eu gosto de f-falar c-com ela e até de todos os desafios… é l-legal. S-Será que e-e-eu gosto d-de verdade d-dela?!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Estava solteiro. Solteiro já há alguns dias… semanas? Meses? Enfim, o próprio loiro havia perdido a noção do tempo. Apesar de ter decidido seguir em frente ao falar com os pais, o “em frente” dele era demorado e muitas vezes se pegava suspirando nos corredores da escola. Ainda se escondia ao ver o esgrimista e havia se afastado consideravelmente dos amigos que fizera. Naquela noite não iria trabalhar, então teve uma ideia.<br />
<br />
- A-alô? Oliver..? Você não quer vir aqui não? Sim, hoje a noite. Eu comprei uns jogos novos pela steam. Vamos poder jogar o novo Tekken! Sim, vou chamar os outros. Até mais!<br />
<br />
Desligou o celular e em seguida ligou para o ruivo.<br />
<br />
- Yure! S-sim, estou bem. Não precisa se preocupar comigo. Olha, eu… comprei uns jogos novos na Steam. Quer vir mais tarde jogar?<br />
<br />
E os convites pareciam ficar cada vez mais fáceis. Chamou o Lui por mensagem, mas infelizmente ele não podia ir por ter algumas atividades atrasadas. Chamou também um colega do clube de quadrinhos que também tinha seus compromissos. Enfim, seriam só os três: Ethan, Yure e Oliver. Agora, precisava enfrentar outro obstáculo: arrumar o próprio quarto. Não o arrumava desde que Isaac parou de ir lá.<br />
<br />
- Tch. E lá vamos nós… - arrumou o óculos no rosto e começou a “dar um truque” no ambiente. Provavelmente ainda estaria dando esse truque a noite.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Os dias em St. Clavier estavam bons, e então estavam complicados de novo por causa do que tinha acontecido com Nataniel algum tempo atrás. Não que fosse ruim, afinal de contas, ainda era um cenário completamente diferente da China e tinha amigos que se importavam com o seu bem estar. Era ruim não conseguir ficar de novo com a guarda baixa em volta deles, mas estava voltando a se acostumar com a proximidade. E o acontecimento não tinha lhe deixado suficientemente assustado. Mais alguns dias e estaria tudo bem de novo.<br />
<br />
Tanto que ficou até animado quando recebeu uma ligação de Ethan chamando para jogar alguma coisa que ele não entendeu, mas pelo menos estava animado para os programas fora da academia.<br />
<br />
Continuou sua rotina normalmente, com treino matinal e as aulas em seguida, para ainda ter reforço na hora do almoço com o estudante da máscara de ferro e voltar para os dormitórios. Ainda treinou mais um pouco, falou com seu pai e sua mãe por telefone, encontrou com Lui que estava ocupado fazendo alguma coisa e não podia ir para a noite de jogos. Se arrumou no início da noite e foi até o quarto de Ethan, numa roupa muito básica com bermuda de elástico e camisa branca, sandálias nos pés para bater na porta do quarto no quarto andar.<br />
<br />
- Ethan? É o Oliver! Posso entrar?! - ele perguntou, ainda esperando resposta antes de abrir a porta.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava avoado, depois de conversar com seu melhor amigo sobre muitas coisas que lhe incomodavam e depois de todo o caos que tinha rolado em St. Clavier, nem parecia que iria ter uns dias tranquilos. Tinha até esquecido que o Ethan gostava de joguinhos e chamava para jogar no quarto dele. Naquele dia, pôs uma calça de moletom preta com listras laranja, uma camiseta sem mangas branca, o casaco do moletom amarrado na cintura, sandálias nos pés, pulseiras no braço, estava digitando alguma mensagem nos muitos grupos quando topou com Oliver na porta de Ethan.<br />
<br />
Antes de se aproximar, cumprimentou o amigo a uma distância segura: -- Ah, chegou cedo cara! Cadê o Lui? -- comentou em tom audível, guardando o celular no bolso da calça deixando apenas as tranqueiras de chaveiros para o lado de fora. O ruivo estava com a cara amassada e o cabelo desgrenhado de quem tinha tirado um cochilo antes de ir ali:<br />
<br />
-- Faz tempo que a gente não joga com o Ethan ne? Na verdade faz mó tempo que a gente não tromba com o Ethan, sei nem como ele tá.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Estava completamente absorto nos próprios pensamentos. Talvez por já estar no final da arrumação, fazendo tudo no automático. Colocava os jogos em ordem alfabética, arrumava a cama. Não deixava uma dobra sequer se sobressair, como se um pseudo-toc fizesse presente. Talvez fosse melhor pensar na arrumação que nos próprios sentimentos, estes ainda confusos. Enfim. Ao menos estava orgulhoso: o “truque” se transformara numa limpeza séria! E pela primeira vez em meses, seu quarto estava até cheirando bem.<br />
<br />
Foi tomar um banho, e nesse tempo Oliver chegou. Depois Yure. Saiu do banheiro rapidamente, secando-se e vestindo a primeira roupa confortável que seu armário sugeriu - uma blusa preta folgada da Horda de World of Warcraft e uma bermuda de moletom cinza. O tempo que usou para se arrumar talvez fosse o tempo para os dois  rapazes conversarem lá fora, mas não demorou para atendê-los. Sorriu e não foi um sorriso forçado, estava verdadeiramente feliz em vê-los. <br />
<br />
- Oliver, Yure! Queria que o Lui estivesse com tempo para vir também. - dava espaço enfim para que os dois entrassem - A steam estava na promoção e comprei uns jogos novos! Queria mostrar pra vocês. Como vocês dois estão?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Antes de ouvir uma resposta do outro lado da porta vindo de Ethan, Oliver ouviu a voz conhecida de Yure vinda do corredor e se virou na direção do amigo. Embora estivesse mais alerta nos últimos tempos, seus amigos tinham sido compreensivos o suficiente para lhe dar avisos bem sonoros antes de se aproximar - embora Lui ainda estivesse trabalhando um pouco naquilo.<br />
<br />
- Eu não sei o que ele tá fazendo, mas ele não vai poder vir, eu até encontrei com ele antes de vir pra cá. Mas eu tava treinando depois da aula e só fui no dormitório pra tomar um banho e trocar de roupa e recebi a ligação do Ethan, ainda bem que eu tava no dormitório porque eu geralmente não vejo o celular e... por falar nisso... - tateou os bolsos na bermuda que usava, sorrindo sem graça depois para coçar a nuca. - Acho que esqueci no quarto de novo, hahaha... faz tempo mesmo que a gente não vem jogar, era pra trazer alguma coisa? Comida? Jogos? Eu tô sem nada.<br />
<br />
Ele tirou os bolsos do avesso na bermuda para mostrar que não havia nada ali, sorrindo um tanto sem graça. Foi bem em tempo de Ethan abrir a porta.<br />
<br />
- Licença! - pediu logo antes de entrar no quarto do outro, levemente familiarizado depois do tempo em que tinha passado sem ir lá. - O que é "steam"? Tem jogos de luta pra gente lutar? Ah, eu to bem! Falei com meu pai e minha mãe hoje! Minha mãe volta pra cidade na semana que vem e eu vou ficar um fim de semana com ela! E você?!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo e o amigo oriental mal tiveram tempo de trocar conversa quando o próprio Ethan abriu a porta do quarto, alargou o sorriso carismático de sempre, embora fosse fácil de notar que ele não estava “bem”, ou pelo menos não estava como de costume, que era sumido.<br />
<br />
Entrou no quarto ouvindo o relato de Oliver, e sorriu feliz quando ele disse que passaria um fim de semana com a mãe, acenando positivamente: -- Ah que bom, vai poder aproveitar bem a companhia da sua mãe! hahah! E sobre “Steam”, é como se fosse um site pra comprar jogos, ao inves de comprar o CD todo bonitinho, tu compra o jogo “virtual” e ele vai pro seu computador ou console. Essas coisas ai de nerd tipo o Ethan.<br />
<br />
Comentou em tom de brincadeira, despretensioso como de costume também, sentou meio largado sobre a cama, mas deixando espaço para os outros, o quarto parecia ter sido recém arrumado, se jogou de costas no colchão parecendo bem a vontade no espaço: -- comigo nada demais, menos detenções, provas medianas, issoaê…! E você Ethan? Faz tempo que não chama a gente pra jogar, além dos joguinhos de promoção, tá rolando alguma coisa a mais?<br />
<br />
Comentou com real interesse pra saber se o amigo estava bem ou não.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
- Nem preciso falar para se sentirem à vontade, né? - comentou simpático, tentando forçar um sorriso. Não precisou explicar para Oliver o que significava “steam” já que o ruivo já havia feito aquilo, fechando a porta do quarto em seguida - É exatamente o que o Yure disse, Oliver! Comprei vários jogos de luta por conta dessa promoção, então podem se acomodar que a noite vai ser longa.<br />
<br />
Estava sendo evidente que se esforçava para ficar bem, não queria falar sobre a razão de ter sumido. Mas a pergunta do ruivo enérgico serviu como uma flecha para que o loirinho voltasse para a realidade triste que se encontrava. Enquanto ia até o controle, o sorriso antes formado se desfazia, engolindo em seco, como se tentasse prender um possível choro. Respirou bem fundo, resignado, virando-se para ambos. Seus olhos estavam marejados e estava claro que não queria se conter para para os dois, mas tentava. Não queria estragar aquele reencontro.<br />
<br />
- É, eu já estive melhor… mas estou tentando ficar. Heh. - estendeu o controle para Yure, refazendo o sorriso fraco porém agora determinado - Vocês vão me ajudar a ficar bem, não vão?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver entrou no quarto e procurou lugar para se sentar no chão, encostado à cama e perto de onde Yure tinha ficado também. Estava acostumado a ter muito mais limitações por conta da criação na China, mas tinha até aprendido a ser mais relaxado ali em Cerise na companhia dos amigos.<br />
<br />
- Eu quero aprender a jogar! Minha mãe comprou videogames pra mim em casa, mas eu não sei usar. Vocês deviam ir lá no apartamento qualquer dia, podemos passar um fim de semana lá e você me ensina mais coisas também, Ethan! - Oliver sugeriu, segurando uma almofada sobre as pernas.<br />
<br />
Foi bem em tempo de Ethan responder sobre como estava se sentindo nos últimos dias e embora Oliver não tivesse muita experiência entendendo o que se passava pela cabeça dos amigos, conseguiu perceber logo que a expressão de Ethan tinha ficado mais triste. Claro que aquilo só ficou mais óbvio quando ele mesmo disse que estava tentando melhorar.<br />
<br />
- Ehhh? O que aconteceu, Ethan?! Por que você não está bem? Alguém brigou com você? Se alguém brigou, a gente pode dar um jeito! E falar com o Conselho Disciplinar! Eles são legais, podem ajudar! A gente vai te ajudar sim! Qual foi o problema?!?! - certamente Oliver não tinha muita ideia do que tinha acontecido com o garoto como Yure sabia.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo não era nem um pouco idiota, estava ajudando a tempo demais nos dois conselhos e estudava com o Isaac na hora do almoço, não dava para ignorar as reações adversas do mais velho. Primeiro triste e distante, depois feliz, depois notoriamente chateado, e um monte de mudanças em um período muito pequeno de tempo, e como não estava encontrando com Ethan, não teve como fazer a leitura, mas imaginava que se no próprio secretário, era possível ler todas aquelas mudanças de expressão, deve ter sido muito pior para o amigo menor:<br />
 <br />
-- Eu imaginei que você e o Lemont tinham terminado, dá pra notar que ele tá diferente, eu fiquei surpreso, não vou mentir, mas agora não tô curioso pra saber o porquê. Quero saber como é que você tá agora. -- o ruivinho se sentou, ainda relaxado, mas a expressão era mais focada nas expressões que o loirinho iria lhe mostrar.<br />
<br />
Fez questão de destacar sobre o término do outro para adiantar a informação para Oliver, que já como ele estava focado em outras atividades não tinha como ele notar aquele tipo de diferença em Isaac. Pelo menos a gente pulava um pouco essa parte de explicações do porquê do término, a menos é claro, que o próprio Ethan, quisesse entrar nesses méritos, mas pela cara de quase choro do mais baixo, achava difícil que ele quisesse rememorar isso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
- Eu te ensino a jogar o que você quiser, Oliver! - falava, com um sorriso discreto - Eu ia adorar jogar no seu apartamento…<br />
<br />
Logo, a razão por estar mal veio à tona. Era normal seus amigos se preocuparem sem entender o que estava passando. Mas Yure era diferente. Assim que o ruivo citou Isaac e o término, se surpreendeu por um segundo, mas deixou para lá logo em seguida. Afinal, tratava-se do ruivo, ele era sagaz demais. E sempre estava metido em encrenca com o conselho estudantil, interagir com seu ex namorado não seria difícil. Resignado, assentiu com a cabeça.<br />
<br />
- Sim, terminamos… por isso sumi. Eu fiquei muito mal… a culpa foi toda minha. - suspirou mais uma vez, sentando-se cabisbaixo na cama. Mas se forçou a sorrir de novo, afinal, estava determinado a ficar bem - Agora eu quero mudar. Pensei demais em mudar pra conseguir a atenção dele, só que dessa vez é diferente. Eu quero mudar por mim. Porque… viver nas sombras não é é muito triste.<br />
<br />
Admitir aquilo foi complicado. Falar sobre o assunto era complicado. Obviamente queria que Isaac notasse sua mudança, mas o conhecia suficientemente para saber que se fosse algo superficial demais, de nada adiantaria. A mudança precisava partir de dentro e era o que faria. Ou tentaria fazer.<br />
<br />
- Bom, eu gostaria de não falar mais disso, por favor. Quero jogar com vocês… conversar. Oliver, como estão seus treinamentos? E Yure, tem feito novos amigos? Você é especialista nisso, afinal. - o sorriso do loirinho agora estava mais aberto, enquanto levantava-se da cama para conectar os controles - Me falem novidades, coisas interessantes!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver nem teve tempo de pensar mais no que poderia indicar para ajudar o amigo quando Yure foi mais rápido dizendo o motivo pelo qual o loirinho estava mal. Então era porque ele tinha terminado o namoro. A expressão no rosto de Oliver foi de uma surpresa, com os lábios entreabertos e o rosto bem avermelhado de estar ouvindo aquela conversa que não era nada acostumado a ouvir na China, especialmente porque só reforçava como eram dois homens namorando e se já não era normal um rapaz e uma menina juntos na China, menos ainda dois rapazes juntos.<br />
<br />
- Ahhh... e-eu... sinto muito...? - nem sabia o que responder sobre aquilo, e não entendia muito bem o que Ethan queria dizer com a culpa ter sido dele e com "viver nas sombras". - Eu não sei o que dizer, essas coisas de relacionamentos são difíceis... eu ainda... não entendo muita coisa.<br />
<br />
O garoto coçou os cabelos da nuca, mas foi o próprio Ethan que se adiantou para dizer que não gostaria de falar mais daquilo, perguntando sobre seus treinamentos, o que logo lhe colocou um sorriso no rosto.<br />
<br />
- Ahhh! Estão bons! Eu treino com o professor de karatê às vezes e... eu não posso treinar muito porque eu to tentando me adaptar a rotina e... depois do que... aconteceu, eu... - ele engoliu em seco lembrando da situação constrangedora que levou a uma briga com Nataniel. - Eu só to tentando não bater em ninguém por acidente de novo, hahaha. Mas eu tô melhorando nisso, eu acho.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava bem ciente de que entrar naquele âmbito de término de relacionamentos era um saco, estava no processo de lidar com seu, então realmente seguiria a onda do amigo, de simplesmente não falar no assunto. Embora todo aquele lance filosófico de andar as sombras estivesse muito longe da sua área de entendimento, o que podia dizer? Não tinha essa experiência toda não, então não era como se tivesse algum bom conselho para oferecer para o loirinho:<br />
<br />
-- Bem vindo de volta ao lado dos homens solteiros Ethan, o lado de cá não é tão legal, mas é o que temos pra hoje. No final das contas o Oliver, não têm muito que entender não, quando você acha que tá certo tá errado, e quando você tá errado, você tá MUITO ERRADO, no fim das contas, você é o único livre de ser atingido por esse tipo de problema romântico, ainda bem. -- apoiou o queixo na mão, fazendo uma cara entre distração e uma leve careta:<br />
<br />
-- Eu, o Oliver, o Lui, mais uma galera formamos chapa pra disputar as eleições do conselho estudantil, e se pensar que isso é a melhor coisa que tá acontecendo comigo, a possibilidade do próximo ano estar cuidando de burocracia e papelada você tire por onde vai meu ânimo. -- Suspirou, e então de forma bem evidente e dentro do campo de visão do amigo, levou a mão a cabeça do Oliver dando dois tapinhas de leve, como um afago: <br />
<br />
-- E não se preocupe, sobre os seus reflexos ninjas, a gente sabe, compreende e tá tudo bem, logo mais passa e você volta a ficar mais relaxado. Você está fazendo um bom trabalho.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Suspirou aliviado. Aparentemente, os dois amigos entenderam e desistiram de insistir sobre o assunto. Oliver ainda era o mais ingênuo dos dois, então, levou uma mão até o ombro dele, com um sorriso amigável.<br />
<br />
- Tudo bem, Oliver. Não precisa entender essas coisas ainda. - se afastou, prestando atenção no relato do amigo sobre treinar e estar bem, muito embora ainda esteja receoso após o último incidente. Ficou sabendo do ocorrido e por estar mal, sequer foi dar apoio para o mais novo. Sentia-se um péssimo amigo - Você não é uma pessoa violenta, Oliver. Se lembre que eu já passei por coisas terríveis com bullys, antes de conhecer... o Isaac. - engoliu em seco, voltando-se para o ruivo.<br />
<br />
Já Yure, como sempre, conseguia alegrar o ambiente. Riu com o "clube dos solteiros", Yure sabia mesmo como deixar o clima mais leve. Mas o que o surpreendeu mesmo foi a revelação que se seguiu.<br />
<br />
- Vão participar das eleições do conselho estudantil?? - o óculos até deslizou para a pontinha do nariz, fazendo o loiro arrumar - Nossa, como eu queria estar aqui ano que vem para ver isso... e ajudar, obviamente. Meu voto seria de vocês! - falava sério, mas a verdade é que queria ver a reação de Isaac caso os três vencessem. Riu um pouco sozinho pensando - Você pretende se candidatar a presidente, Yure?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Se já era confuso entender relacionamentos, Oliver ficou mais ainda quando Yure apontou aquele comentário sobre "quando se está certo, está errado, quando está errado, está mais errado ainda", o que fez o garoto franzir o cenho tentando entender aquilo por mais tempo do que o necessário. Mas o comentário de Yure sobre ele ser o único longe de ser atingido por aqueles problemas lhe colocou com uma expressão bem mais vermelha do que o comentário pedia, principalmente porque naqueles breves comentários sobre relacionamentos, acabou se colocando naquela situação também. Mas afastou o pensamento daquilo quando Yure falou sobre seu bom trabalho em não sair batendo nas pessoas por acidente.<br />
<br />
- E-Eu tô me esforçando, de verdade! - ele riu, um pouco mais forçado do que queria no rosto que estava voltando à tonalidade normal. - E bullies são ruins! Eu não devo bater neles porque meu pai disse que eu não posso bater nas outras pessoas, mas agora eu sei que posso falar pro presidente do Conselho Disciplinar resolver! Ele é legal.<br />
<br />
Oliver finalmente sentiu que o rosto ficou mais alvo e o assunto tinha se tornado logo o Conselho Estudantil. Ele concordou com um aceno de cabeça veemente sobre eles se candidatarem.<br />
<br />
- Eu não sei o que fazer direito, mas eu tô com o Yure! E eu posso me esforçar também pra aprender o trabalho.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo era um cabeça de vento, isso era fato, juramentado entre seus amigos, e não precisava de um documento em duas vias que comprovasse isso, porém, era avoado até certo ponto, e durante a conversa notou que Oliver tinha ficado desconcertado com o assunto sobre término de relacionamentos. Aquilo lhe deixou levemente encucado, quando estavam na outra saída, umas boas semanas atrás, a menção de relacionamentos não tinha deixado o amigo envergonhado, no máximo curioso? O que teria acontecido pra mudar as reações dele? Seria efeito colateral do bullying? provavelmente não.<br />
<br />
Antes que pudesse divagar demais no que estava vendo, a conversa seguiu sobre a candidatura pro conselho estudantil, em como Oliver iria se esforçar e como Ethan estava curioso se iria pra o cargo principal de presidente:<br />
<br />
-- Bem, considerando que Mama é presidente e quase nunca tá lá, ser presidente é moleza, mas como o isaac não vai estar aqui no ano que vem, vai ser dureza. Eu penso que dentre a gente, in ou felizmente eu sou a pessoa com mais experiência nos corres do Conselho Estudantil, então vou levar a cruz nas costas e ser o presidente. Mas isso nem me preocupa sabe, acho que vou conseguir dar alguma ajuda pros alunos estando lá, o Sasha ainda vai estar por aqui, vamos fazer uma boa dupla de conselhos e tentar dar trabalho aos bullys. <br />
<br />
Acenou positivamente, fazendo pose de vitorioso, como se tivesse plena convicção no que estava dizendo, e afinal esse era o objetivo: Trabalhar duro no conselho, pra fazer um trabalho bom pros estudantes, digno do Isaac se orgulhar disso:<br />
<br />
-- Não vamos ficar falando de eleição a noite toda, que a gente tem menos de 40 anos, não da pra se divertir com política sendo adolescente, por favor. -- o ruivo riu, fazendo piada de si mesmo, já que tinha sido o próprio a puxar o assunto: -- Mas digaí Oliver, tirando os treinos com o professor de Karatê, e estudar, como todo bom estudante de St. Clavier, tem rolado mais alguma coisa? -- perguntou, no intuito de voltar a sua própria dúvida, não era do tipo de ficar curiando na vida dos amigos, não demais, apenas quando ficava preocupado, e dado o incidente recente com Oliver, estava mais de olho nele do que no costumeiro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver até concordou com Yure que ele não sabia muita coisa do Conselho, mas o ruivo estava preparado para aquilo. Ele estava sempre no Conselho com Isaac e aprendendo as coisas que Oliver nem sabia por onde ia. Enquanto o ruivo explicava mais do processo, Oliver deu uma olhada nos jogos e concordou sobre dar trabalho aos bullies, eles precisavam.<br />
<br />
Mas o garoto foi pego de surpresa quando a pergunta foi direcionada a ele também, sobre o que mais estava "rolando" em sua vida além dos treinos e estudos, e aquilo quase fez o garoto derrubar os jogos que estavam nas mãos.<br />
<br />
- Ehhh? N-não tá acontecendo nada. Eu faço a mesma coisa que todo mundo todo dia e estudo e treino e estudo e eu vou pras aulas e faço as tarefas e... e eu converso com meus amigos e saio e é isso! E isso é a coisa mais diferente da C-China p-porque eu não tinha ninguém pra conversar lá nem sair pra os lugares nem ninguém com quem competir nem nada! - Oliver explicou, mais exasperado do que deveria, com o rosto avermelhado de novo. E eles nem estavam falando nada de relacionamento.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Conversar com os amigos  de forma tão natural depois de tudo que aconteceu o fazia muito bem. Não devia ter se isolado por tanto tempo… mesmo com Yure mencionando Isaac de forma tão natural, apesar daquele aperto no peito que insistia em aparecer, não tinha o que reclamar.<br />
<br />
- Vocês são queridos por todos. Se precisarem da minha ajuda, mesmo eu estando longe da academia, eu ajudo. Posso criar um website ou um banner que ajude na eleição de vocês! Seria divertido. - sugeriu, até um pouco empolgado. Mas o assunto logo mudou. -  Sim, tem razão. Não somos idosos. - sorriu sem graça.<br />
<br />
Ethan terminava de arrumar o jogo de luta que jogariam - o TEKKEN mais recente - pois imaginou que Oliver se empolgaria. Arqueou uma sobrancelha com a reação do mais novo, exibindo curiosidade.<br />
<br />
- Hmm… parece que está nos escondendo alguma coisa, Oliver! Está tão vermelho quanto eu quando descobri meus sentimentos por Isaac. - talvez se começasse a agir como o ruivo, usando a própria dor de forma bem humorada, superasse com facilidade. Talvez…<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
E tinha jogado um belo verde para colher maduro, era o que provavelmente sua mãe lhe diria naquela ocasião, e lá estava Oliver plenamente ruivo diante de uma simples conversa que não tinha menção nenhuma a relacionamento. Então, se só de perguntar algo vago ele já tinha ficado transtornado, quem dirá se perguntassem diretamente se ele estava apaixonado por alguém:<br />
<br />
-- Ah sim, esse negócio de ficar todo encabulado, sem jeito, sem saber onde enfiar a cabeça, quando eu recebi uma cantada do Sasha foi do mesmo jeito, eu fiquei completamente sem saber o que responder. -- O ruivo comentou num tom falsamente envergonhado, afinal as aulas de teatro deveriam estar servindo pra alguma coisa: -- Meio que quando você está gostando de alguém, a pessoa fica sem ter uma reação, principalmente se alguém perguntar diretamente.<br />
<br />
Yure encarou Oliver, dando ao menos alguns poucos segundos para que ele absorvesse a linha de raciocínio que tinha acabado de falar, antes de jogar a bomba: -- Você tá gostando de alguém Oliver?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver quase suspirou mais aliviado quando Ethan falou sobre como eles eram carismáticos e como poderia ajudá-los até mesmo a distância. Pensou até em perguntar mais de como é que Ethan podia fazer aquilo, já que não entendia muito de tecnologia, e assim podiam mudar de assunto, mas antes de abrir a boca pra falar alguma coisa, perdeu completamente a linha de raciocínio quando Ethan disse que ele parecia estar escondendo alguma coisa. A resposta de Oliver foi eufórica e denunciando completamente o seu nervosismo com o assunto quando ele balançou as mãos na frente do corpo numa negativa exagerada.<br />
<br />
- N-n-não! Eu n-num to escondendo nada!!! A gente n-num tava falando das eleições e do site e-e-e-e d-dos jogos, a gente ia jogar, né! - Oliver insistiu, mas o assunto não mudou e no mesmo instante, Yure fez uma pergunta muito pontual que só fez com que o garoto quase tivesse um infarto na hora, com a quantidade de sangue que circulou no rosto. Nem tinha no que se agarrar e onde se esconder, e as mãos continuaram sacudindo intensas na frente do corpo. - E-e-e-e-eu p-p-p-porqq-q-que v-v-oc-cê t-t-tá p-p-p-pergunt-t-tando i-s-s-so?! E-e-eu- eueu-e-eu n-n-ão- eu-sei e-e-eu nã-o s-s-ei!<br />
<br />
E a única salvação dele naquele momento, foi esconder o rosto nas duas mãos, e o rosto estava tão vermelho que provavelmente até as mãos estavam vermelhas também com a pergunta muito direta.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Arqueou uma sobrancelha com aquela atuação de Yure, incerto se de fato aquilo havia acontecido ou era mais uma artimanha do ruivo para obter respostas. Verdade ou não, fato é que os dois haviam deixado Oliver ainda mais envergonhado, o que preocupou o mais velho. Embora estivesse se divertindo com aquilo - não queria admitir, mas estava -, queria que Oliver ficasse confortável ali depois de tanto tempo que passou isolado dos amigos.<br />
<br />
- Oliver... - carinhosamente pousou a destra no ombro dele, entregando o controle remoto do videogame com a outra mão - ...você não engana ninguém. Então pra evitar uma insistência maior, por que não põe logo tudo pra fora? Eu desabafei, não desabafei? Agora é a sua vez.<br />
<br />
A influência positiva de Isaac em sua vida estava criando bons frutos. Conseguia lidar com o sentimento alheio de forma madura, da mesma forma que aprendeu a conversar com outras pessoas. Não sabia se tal maturidade surtiria efeito em meio ao pânico do amigo lutador, mas permaneceu com o sorriso leve, esperando uma resposta. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Se havia uma boa explicação para aquela situação em que Oliver se encontrava era encurralado. Como se estivesse treinando com um dos alunos mais experientes do seu pai e não soubesse mais como se defender ou desviar dos golpes e estava prestes a perder a disputa. Mas diferente dos alunos experientes que estavam tentando lhe bater, estava ali com dois amigos - de verdade, do tipo que não tinha na China - e que pareciam realmente preocupados com o seu estado. E com a insistência dos dois, não tinha nem mais como achar um lugar para se esconder, além de Ethan já ter deixado bem claro que não dava pra enganar ninguém com aquela atitude, pior ainda com Yure sendo muito pontual perguntando se ele estava gostando de alguém.<br />
<br />
- E-e-eu-eu-n e-u n-não-eu… - ele engoliu em seco, tentando organizar as palavras e quase esquecendo como se falava francês, a voz ainda abafada pelas duas mãos que cobriam o rosto que nunca tinha queimado tanto na vida. - E-e-eu… e-eu a-ach-q-que… s-s-im. - respondeu quase num fio de voz, sobre estar gostando de alguém.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo esperava continuar ouvindo negações envergonhadas vindas de Oliver por mais alguns minutos, mas tal qual foi a surpresa quando em poucos comentários o amigo tinha admito que talvez estivesse gostando de alguém. Aquilo jogou toda a interpretação do ruivo pra o lado, e ele fez uma expressão de genuína surpresa e se perguntou mentalmente com quantas pessoas estavam saindo pra ele talvez se apaixonar:<br />
<br />
-- Nossa! Que bom Oliver! Se apaixonar não é uma coisa ruim! hahah! -- o ruivo sorriu mantendo o ar divertido, mas estava plenamente curioso pra saber quem é que tinha conseguido fisgar o coração puro de seu amigo chinês: -- E aí? A sua pessoa amada é algum garoto da academia? Ou é alguma amiga?<br />
<br />
Foi bem na lata, não sabia das preferências do amigo, se ele era gay, hetero, ou bi, mas era o momento de saber, e quem sabe dar uma ajuda pra ele conseguir se declarar, porque se já era tão difícil entrar no assunto sem que ele enfiasse a cabeça no assoalho, imagina só falar com a pessoa que ele gosta.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
Imaginava que assim como ele demorou, Oliver demoraria mais para admitir que estava gostando de alguém. Imediatamente deixou o controle de lado, voltando-se completamente para o amigo mais novo. Parecia que estava se vendo no espelho, mas sinceramente não se via tão fofo quanto o outro. Admitia que estava se divertindo, mas não conseguia ser sádico. Queria que Oliver se abrisse sem tanto nervosismo assim.<br />
<br />
- Não precisa ficar nervoso, Oliver. Se apaixonar... é bom. - suspirou, mas sabia que o foco não era ele. Continuou, levando uma mão até o ombro do amigo - A gente pode te ajudar! Com conselhos, quem sabe. Por que não nos fala um pouco sobre essa pessoa? - perguntava, sem reforçar a pergunta sobre o gênero do sortudo ou sortuda. Estava curioso, mas sabia que para conversar com ele, teria que ser uma coisa por vez - Nós conhecemos quem você está gostando?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Já não tinha mais volta, agora que tinha admitido para Yure e Ethan que gostava de alguém, sabia que as coisas só iam piorar, ainda mais do que o seu rosto já estava vermelho, a ponto de sentir as orelhas, nuca e ombros também quentes. E não melhorou nada a situação do sangue circulando em seu rosto quando Yure ainda perguntou se era um garoto da academia.<br />
<br />
- N-n-não é um g-g-g-garoto!!! Q-q-quer dizer, n-não tem nada errado em g-g-gostar de um g-g-garoto m-m-mas n-num é... e n-n-num e-e-era as-s-sim n-n-na C-Chin-na e-e-e... - ele quase engasgou na tentativa de explicar que não era exatamente um garoto de quem estava gostando, e até tentou respirar fundo para se recuperar quando Ethan sugeriu que poderiam ajudá-lo.<br />
<br />
Na verdade, Oliver nem tinha pensado na possibilidade de ter ajuda de alguém naquele tipo de assunto, não era como se conversasse muita intimidade com as pessoas na China, nem seu pai, e sua mãe raramente estava em casa, foi uma coisa que lhe deixou um pouco curioso.<br />
<br />
- P-pode mesmo...? - Oliver agarrou as próprias pernas e apoiou o queixo nos joelhos, já que não tinha muito com o que se esconder, olhando de Ethan para Yure. - E-e-u... n-ão sei o q-que fazer... eu acho... ela é muito... legal… e diferente d-d-das meninas n-na C-China… <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo ficou empolgado ao saber que o amigo estava naquela fase de bobo apaixonado, devia ser uma menina bem legal pra deixa-lo todo deslumbrado. O ruivo não era do tipo mais curioso, mas começou a pensar mentalmente nas garotas que conhecia que podiam ser diferentes das meninas chinesas, até se dar conta que não tinha nenhum parâmetro de comportamento da China além das pessoas serem muito regradas e xenofóbicas:<br />
<br />
-- Claro que a gente pode te ajudar, assim para o bem ou para o mal, eu já sai com algumas pessoas, encontros, ganhei presentes, dei presentes, essas coisas, e mesmo meu último relacionamento tendo terminado meio merda, não quer dizer que não foi bom nos outros dias. --  O ruivo se sentou mais próximo de Oliver, mas ainda deixando pelo menos um braço de distância, cruzou as pernas e sorriu amplamente do jeito animado que costumava carregar:<br />
<br />
-- Você disse que ela é legal e diferente das outras garotas que você já conheceu na China, sendo que nem eu e nem o Ethan sabemos como era essas outras garotas, então se você tiver afim de conversar sobre, como ela é, quem ela é, e quiser umas dicas de como se chegar, estamos aqui pra você, é isso que amigos fazem! <br />
<br />
Deu um toquinho com o cotovelo em Ethan, incluindo ele claramente naquela equação de que eram todos bons amigos, mesmo ele sendo o mais distante do grupinho de adolescentes, o ruivo não o excluía de ser uma pessoa próxima. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ethan</span></div>
<br />
O loiro se via naquela confusão fofa de Oliver. A vontade que sentia era a de apertá-lo, mas sabia também que odiaria se alguém fizesse aquilo consigo. "Que hipócrita que eu sou...", pensava, divertindo-se com as lembranças. Também estava empolgado, da mesma forma que Yure estava disposto a ajudar o mais novo.<br />
<br />
- Yure tem razão. Não sei como são as garotas chinesas... na realidade, não tenho experiência nenhuma com garotas como o Yure tem. - sorria sem graça, coçando a nuca, aproximando-se ainda mais de Oliver, acomodado ao lado dele - Mas você não está sozinho. Se ela é uma boa pessoa, tem todo o nosso apoio! Por que não nos fala quem ela é? Nós a conhecemos?<br />
<br />
Enquanto fazia as perguntas, aproveitava para sair do jogo. Aparentemente a noite seria bem mais divertida conversando sobre relacionamento com os dois mais jovens. Assim, esqueceria Isaac com maior facilidade (pelo menos era o que acreditava).<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Oliver</span></div>
<br />
Oliver engoliu em seco com as respostas de Yure e de Ethan. Obviamente os dois tinham muito mais experiência do que ele em qualquer tipo de relacionamento, fosse de romance ou de amizade. Aquilo não lhe deixou menos nervoso, claro, mas pelo menos estava menos apreensivo que tinha alguém com quem compartilhar aquelas coisas, que era muito diferente do que já tinha passado na China.<br />
<br />
- Hmm… as meninas lá são… quietas e não falam comigo, se bem que n-ninguém falava comigo na verdade… - Oliver deu de ombros, engolindo em seco de novo e procurando qualquer lugar pra olhar que não fosse na cara dos amigos. - E-elas são assim… c-como o Lui! Q-quer dizer, n-não é q-que o Lui s-s-seja uma menina e-e-e e-e-le é quiet-tinho! M-mas ele é bonzinho! N-não é como elas! E… e… <br />
<br />
O garoto respirou fundo de novo, sentindo as mãos geladas de pensar na menina que gostava e de ter que falar para os amigos tão diretamente sobre aquilo, mas as coisas ali eram melhores do que na China, no fim das contas.<br />
<br />
- E… e-ela é m-muito legal. E n-não tem medo de nada e nem de competir comigo nem nada. E… eu não sei se todas as meninas são assim aqui, m-mas… mas… e-eu gosto de f-falar c-com ela e até de todos os desafios… é l-legal. S-Será que e-e-eu gosto d-de verdade d-dela?!]]></content:encoded>
		</item>
	</channel>
</rss>