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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - Distrito residencial]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:42:09 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[Indigno [Renaud, Didier, Robespierre]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=359</link>
			<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 15:55:03 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=87">Renaud</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=359</guid>
			<description><![CDATA[Borrado. As coisas estavam todas borradas, parecia que não tinha de fato ocorrido, e eram coisas ditas sobre os outros, não que estava vivenciando aquelas experiências. O dia já caia e a noite era úmida e salgada em Cerise, não sabia se pela proximidade com o mar, ou pelo fato das lágrimas terem secado no rosto do moreno. <br />
<br />
Um carro luxuoso tinha ido buscar o jovem Renaud Blanco no internato de St. Clavier, não tinha respondido as mensagens de celular, pois não tinha mais um, tinha estourado o aparelho no chão durante seu surto de raiva, e desde então todas as suas memórias eram um borrão. <br />
<br />
Podia dizer que a única coisa que sustentava sua sanidade era a conversa que tinha tido com o psicólogo e o apoio incondicional de seu frater e de seu namorado. Mas até disso tinha sido privado ao ser levado da Academia para “casa”. <br />
<br />
Queria ter sido acompanhado por Didier até a residência dos Blancos, mas houve resistência do assessor de seu pai, que disse em claro e bom tom que era “assunto de família”, ou seja, não tinha espaço para amigos. Quem em sã consciência e que se importa com o emocional dos outros, afastaria amigos em um momento de luto? Ele mesmo não conhecia tão bem a família Blanco a ponto de saber que a última coisa que se esperaria daquele lugar era “apoio emocional”.<br />
<br />
Mas Renaud talvez estivesse apenas desacostumado à realidade, que a maior preocupação agora não era velar a morte recente de sua mãe, mas sim manter a integridade dos Blanco diante do ocorrido. Evitar fofocas de porque Beatrice estava indo e vindo entre Paris e Cerise fora de sua agenda, omitir os machucados e acidentes recém ocorridos com o filho mais velho de Deodatos. Porque a “saúde da família” era mais importante do que o estado emocional de qualquer indivíduo isoladamente. <br />
<br />
Renaud apenas seguiu, sendo empurrado para o carro, depois para dentro da mansão, pessoas indo e vindo, sequer se deu o trabalho de falar com qualquer um deles. A casa da família Blanco em Cerise, era um símbolo de austeridade, um casarão antigo reformado para ser sede e palco de eventos sociais de grande porte, claro que todos os membros seriam chamados pra se reunir ali. <br />
<br />
Apenas foi guiado pelo fluxo, para se trancar no quarto, no primeiro andar, com pequena varanda, e trepadeiras que careciam de corte. Era um dos cômodos que tinha usado poucas vezes no passado, não era diferente de um quarto de hotel bem arrumado. Limpo, genérico, totalmente superficial, não lhe representava nada, assim como sua própria "família".<br />
<br />
O moreno se jogou sobre a cama, sem tomar banho, sem conversar, sem saber em quantas andava o velório. <br />
<br />
Não queria pensar sobre existir.<br />
<br />
Não queria nada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Borrado. As coisas estavam todas borradas, parecia que não tinha de fato ocorrido, e eram coisas ditas sobre os outros, não que estava vivenciando aquelas experiências. O dia já caia e a noite era úmida e salgada em Cerise, não sabia se pela proximidade com o mar, ou pelo fato das lágrimas terem secado no rosto do moreno. <br />
<br />
Um carro luxuoso tinha ido buscar o jovem Renaud Blanco no internato de St. Clavier, não tinha respondido as mensagens de celular, pois não tinha mais um, tinha estourado o aparelho no chão durante seu surto de raiva, e desde então todas as suas memórias eram um borrão. <br />
<br />
Podia dizer que a única coisa que sustentava sua sanidade era a conversa que tinha tido com o psicólogo e o apoio incondicional de seu frater e de seu namorado. Mas até disso tinha sido privado ao ser levado da Academia para “casa”. <br />
<br />
Queria ter sido acompanhado por Didier até a residência dos Blancos, mas houve resistência do assessor de seu pai, que disse em claro e bom tom que era “assunto de família”, ou seja, não tinha espaço para amigos. Quem em sã consciência e que se importa com o emocional dos outros, afastaria amigos em um momento de luto? Ele mesmo não conhecia tão bem a família Blanco a ponto de saber que a última coisa que se esperaria daquele lugar era “apoio emocional”.<br />
<br />
Mas Renaud talvez estivesse apenas desacostumado à realidade, que a maior preocupação agora não era velar a morte recente de sua mãe, mas sim manter a integridade dos Blanco diante do ocorrido. Evitar fofocas de porque Beatrice estava indo e vindo entre Paris e Cerise fora de sua agenda, omitir os machucados e acidentes recém ocorridos com o filho mais velho de Deodatos. Porque a “saúde da família” era mais importante do que o estado emocional de qualquer indivíduo isoladamente. <br />
<br />
Renaud apenas seguiu, sendo empurrado para o carro, depois para dentro da mansão, pessoas indo e vindo, sequer se deu o trabalho de falar com qualquer um deles. A casa da família Blanco em Cerise, era um símbolo de austeridade, um casarão antigo reformado para ser sede e palco de eventos sociais de grande porte, claro que todos os membros seriam chamados pra se reunir ali. <br />
<br />
Apenas foi guiado pelo fluxo, para se trancar no quarto, no primeiro andar, com pequena varanda, e trepadeiras que careciam de corte. Era um dos cômodos que tinha usado poucas vezes no passado, não era diferente de um quarto de hotel bem arrumado. Limpo, genérico, totalmente superficial, não lhe representava nada, assim como sua própria "família".<br />
<br />
O moreno se jogou sobre a cama, sem tomar banho, sem conversar, sem saber em quantas andava o velório. <br />
<br />
Não queria pensar sobre existir.<br />
<br />
Não queria nada.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Em Terreno Selvagem [Irina]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=333</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:03:25 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=45">Tamotsu</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=333</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tamotsu</span></div>
<br />
A noite de Tamotsu tinha sido difícil. Já deveria ter aprendido que embora Kanon gostasse bastante de açúcar, não deveria dar doces para ela antes de dormir. Mas a torta que seu padrinho tinha enviado para celebrar o aniversário da pequena era a melhor coisa para comerem depois do jantar horrível que tinha preparado. Como resultado, Kanon tinha ficado elétrica por boa parte da noite, lhe impedindo o sono, e tinham assistido juntos todos os VTs das melhores lutas da All Japan Pro-Wrestling. Naquela manhã, entretanto, ela ainda estava energética, então decidiu levá-la para um passeio no parque como se fosse um cachorro precisando de exercícios. A diferença é que os cachorros não fugiam para tão longe, já que tinham coleira. <br />
<br />
Kanon, por outro lado, correu por todo o parque, se escondendo atrás de árvores, rolando na grama, pegando borboletas e ocasionalmente trombando e conversando com estranhos. E naquele momento, ela estava com um shortinho jeans e uma blusinha completamente manchados de verde, assim como os coques com fiapos de grama pendurados. <br />
<br />
Foi nesse estado que ela parou a frente de uma moça de roupas esportivas, muito distante de Tamotsu para que ele pudesse impedir qualquer interação. <br />
<br />
- Ahá! Achei uma mulher forte no meio da selva! - Kanon falou alto, olhando a moça diretamente. - Você sabe lutar, não sabe!? - a menininha falou em desafio, entonando como os lutadores que viu no vídeo da noite anterior. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Algumas semanas já haviam passado desde do último encontro com Yure, e Irina estava realmente empolgada com a ideia de começar a praticar Parkour com frequência. Naquele dia, como de costume, Irina levantou cedo, e preparou suas roupas esportivas, disposta a tirar parte de seu horário pra fazer uma caminhada na praça, como um aquecimento, para a prática de Parkour.<br />
<br />
Chegando a praça, Irina começa com uma caminhada simples, enquanto assisti alguns vídeos de Parkour para ter ideias, quando do nada uma criança saída do mato, aparece em sua frente a chamando de “Mulher forte no meio da selva”.<br />
<br />
Irina fica sem reação a princípio, e tem um rápido flashback de quando a mesma era pequena, talvez com até a idade daquela criança, onde ela estava jogando Pokémon em um Gameboy Color e de dentro do mato, iniciou uma batalha contra outro Pokémon. Irina tenta entrar no clima daquela criança que aparentemente só queria brincar, rapidamente Irina fala em voz alta: - Quem é esse Pokémon!? Você está me desafiando criança!? Não subestime criança!!! - Irina fica em pose de batalha, abrindo bem o braços e abaixando um pouco<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tamotsu</span></div>
<br />
Kanon tomou um susto com a voz alta da mulher, mas não se deixou intimidar, percebendo que ela realmente era uma lutadora da floresta, afinal, ela não teria lhe desafiado de volta se não fosse. A pequena fez um bico e colocou banca, e ambas as mãozinhas na cintura redondinha.<br />
<br />
- Eu não sou Pokémon! – ela brigou de volta, e então viu uma pedrinha que era suficiente para apoiar a perna, e correu até lá, colocando o pezinho sobre a pedra e se curvando em posição de ataque. – Eu sou Kanon! Eu sou disci- discipl... displa da Kana, e eu gosto de desafiar pessoas fortes!<br />
<br />
A menininha então pulou por cima da pedrinha, que não era mais alta do que metade da canela dela, e pisou no chão com muita vontade para fazer barulho.<br />
<br />
- No lado direito... de Fujioka, Japão... Kanon!! – a menina anunciou, abrindo os braços pra fazer pose. – E do lado esquerdo... de... aqui... moça, qual seu nome, preu te anunciar?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tamotsu</span></div>
<br />
A noite de Tamotsu tinha sido difícil. Já deveria ter aprendido que embora Kanon gostasse bastante de açúcar, não deveria dar doces para ela antes de dormir. Mas a torta que seu padrinho tinha enviado para celebrar o aniversário da pequena era a melhor coisa para comerem depois do jantar horrível que tinha preparado. Como resultado, Kanon tinha ficado elétrica por boa parte da noite, lhe impedindo o sono, e tinham assistido juntos todos os VTs das melhores lutas da All Japan Pro-Wrestling. Naquela manhã, entretanto, ela ainda estava energética, então decidiu levá-la para um passeio no parque como se fosse um cachorro precisando de exercícios. A diferença é que os cachorros não fugiam para tão longe, já que tinham coleira. <br />
<br />
Kanon, por outro lado, correu por todo o parque, se escondendo atrás de árvores, rolando na grama, pegando borboletas e ocasionalmente trombando e conversando com estranhos. E naquele momento, ela estava com um shortinho jeans e uma blusinha completamente manchados de verde, assim como os coques com fiapos de grama pendurados. <br />
<br />
Foi nesse estado que ela parou a frente de uma moça de roupas esportivas, muito distante de Tamotsu para que ele pudesse impedir qualquer interação. <br />
<br />
- Ahá! Achei uma mulher forte no meio da selva! - Kanon falou alto, olhando a moça diretamente. - Você sabe lutar, não sabe!? - a menininha falou em desafio, entonando como os lutadores que viu no vídeo da noite anterior. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Algumas semanas já haviam passado desde do último encontro com Yure, e Irina estava realmente empolgada com a ideia de começar a praticar Parkour com frequência. Naquele dia, como de costume, Irina levantou cedo, e preparou suas roupas esportivas, disposta a tirar parte de seu horário pra fazer uma caminhada na praça, como um aquecimento, para a prática de Parkour.<br />
<br />
Chegando a praça, Irina começa com uma caminhada simples, enquanto assisti alguns vídeos de Parkour para ter ideias, quando do nada uma criança saída do mato, aparece em sua frente a chamando de “Mulher forte no meio da selva”.<br />
<br />
Irina fica sem reação a princípio, e tem um rápido flashback de quando a mesma era pequena, talvez com até a idade daquela criança, onde ela estava jogando Pokémon em um Gameboy Color e de dentro do mato, iniciou uma batalha contra outro Pokémon. Irina tenta entrar no clima daquela criança que aparentemente só queria brincar, rapidamente Irina fala em voz alta: - Quem é esse Pokémon!? Você está me desafiando criança!? Não subestime criança!!! - Irina fica em pose de batalha, abrindo bem o braços e abaixando um pouco<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Tamotsu</span></div>
<br />
Kanon tomou um susto com a voz alta da mulher, mas não se deixou intimidar, percebendo que ela realmente era uma lutadora da floresta, afinal, ela não teria lhe desafiado de volta se não fosse. A pequena fez um bico e colocou banca, e ambas as mãozinhas na cintura redondinha.<br />
<br />
- Eu não sou Pokémon! – ela brigou de volta, e então viu uma pedrinha que era suficiente para apoiar a perna, e correu até lá, colocando o pezinho sobre a pedra e se curvando em posição de ataque. – Eu sou Kanon! Eu sou disci- discipl... displa da Kana, e eu gosto de desafiar pessoas fortes!<br />
<br />
A menininha então pulou por cima da pedrinha, que não era mais alta do que metade da canela dela, e pisou no chão com muita vontade para fazer barulho.<br />
<br />
- No lado direito... de Fujioka, Japão... Kanon!! – a menina anunciou, abrindo os braços pra fazer pose. – E do lado esquerdo... de... aqui... moça, qual seu nome, preu te anunciar?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Imperdoável [Katrina]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=321</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:32:30 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=86">Yure</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=321</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
A vida de bom aluno modelo, deveria ser mais emocionante, era o que o ruivo cabeça de vento pensava, estava conseguindo tudo que tinha batalhado os primeiros meses do ano buscando, fosse fazendo exercícios de química ou reforço de história, andar com o uniforme todo certinho, pentear o cabelo pela manhã, ganhar as eleições de conselho, tudo isso, tinha parecido muito bom no momento que recebeu aquelas notícias, mas agora só estava sendo tomado por um sentimento de estranheza. <br />
<br />
Tinha combinado de naquele fim de semana passar em casa, sua mãe queria comemorar as boas provas, as eleições e tudo resto, e queria um tempo com ele, longe dos amigos de sempre. Bem, depois do término catastrófico com Monique as coisas eram apenas um aborrecimento constante, talvez passar tempo com sua mãe dançando no just dance lhe animasse. O ruivo chegou ao apartamento da mulher, passando pela guarita e cumprimentando o pessoal no caminho, pegou o elevador sem problemas e foi pro apartamento conhecido.<br />
<br />
Entrou em tempo de sentir o cheiro de casa, o lugar tinha em si o perfume comum que sua mãe usava, tinha um cheiro bom de lar, e aquilo lhe encheu com um sentimento mais agradável diferente do que andava morando em seu peito nos últimos dias:<br />
<br />
-- Mãe! Cheguei! Tô com fome! -- o ruivo largou os tênis na entrada, tirou o casaco, e desligou a música do celular, deixando-o em cima da mesa logo ao entrar, largou a mochila pequena e foi buscar no espaço pequeno pela figura da mulher. Normalmente gostaria de um abraço mas estava muito aborrecido até pra isso.<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
Cantarolava. Há tempos não agia como a mãe coruja que era, visto que seu filho estava sempre muito ocupado - e ela também -, mas aquilo felizmente iria mudar: com o sucesso de Yure na academia, agora podiam passar um tempo de qualidade juntos! Sabia que ele estava incomodado com muitas coisas e seu objetivo era deixá-lo bem em casa. Vestida com uma roupa casual e um avental - queria fazer o clichê de "mãe tradicional" apesar de que tradicional não tinha nada -, desligou o celular que usava para ligações de trabalho, decidida a dar toda a sua atenção pro garoto. Fez uma panela de Penne à francesa com uma jarra de suco de acerola, só faltava arrumar a mesa da sala para a chegada do rapaz. Mas o ruivo acabou chegando um pouco antes do esperado, escutando a voz dele e já enchendo-se de alegria.<br />
<br />
- Chegou na hora! - pegou a travessa com a comida, levando-a para a mesa da sala. A cena chegava a ser engraçada pois de nada combinava com Katrina: usava luvas de cozinha, um avental cheio de babados que escondia o vestido de casa sem graça que usava. Talvez estivesse vestida daquele jeito justamente para atiçar o bom-humor do rapaz e render umas boas risadas - Mamãe preparou uma receita nova! Será que está bom? Ou nosso tempo juntos vai se resumir numa tarde no banheiro? - comentou séria, mas obviamente brincando. Antes de pegar os pratos, aproximou-se do filho. Havia crescido consideravelmente nos últimos meses. O abraçou - Saudades...<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Ainda estava amuado do fim de seu relacionamento, mas queria esquecer essas coisas e aproveitar do tempo com sua mãe, tinha tanta coisa pra pensar mas só queria esvaziar a cabeça, abraçou a mulher, e riu do comentário dela sobre eles passarem a tarde no banheiro depois de comerem a comida dela:<br />
<br />
-- Relaxa, a gente leva o celular e fica disputando no joguinho, ou sei lá, inova, faz uma disputa de peidos, é muito popular isso lá nos dormitórios, só nunca achei que faria isso em casa. -- devolveu as brincadeiras, parecendo meio xoxo, mas ainda se esforçando pra ser animado: -- também tava com saudades!<br />
<br />
Se afastou para seguir até a pia da cozinha e lavar as mãos bem, e olhar em volta para ver no que podia ajudar, já que não iria cozinhar: -- quer que eu bote a mesa? -- perguntou já abrindo os armários da cozinha que agora pareciam mais baixos do que da ultima vez que estivera naquele lugar: -- oh mãe, ‘cê reformou a cozinha? os armários tão baixos! -- nem passou pela cabeça do ruivo que ele tinha crescido e por fazer tanto tempo desde a sua última visita ao apartamento da mãe, ele achasse tudo meio diferente. O ruivo organizou a mesa, suportes para panelas, talheres, pegadores, copos, e foi mexer na geladeira pra ver se tinha suco, ou qualquer bebida gelada, senão estaria pronto pra ele mesmo ir fazer.<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
Fez um semblante de nojo com aquele comentário, mas não esperava menos do filho, então riu, embora só de imaginar uma academia só com rapazes a desse calafrios. Se com um se sentia perdida, imagina mais de cem. O beijou na bochecha e enfim se afastou, retirando as luvas e aquele avental ridículo.<br />
<br />
- Quero sim! Nada melhor que colocar o filhote pra trabalhar. - mais um comentário divertido, enquanto deixava o celular sobre a mesa e ia para o quarto, pegar no armário uma caixa pequena embrulhada. Não perdia o costume de mimar o filho, mas aquela ocasião era especial. - Se eu reformei a cozinha? Claro que não! Você que deu uma esticada atroz. Amanhã quando eu sair de casa, o que eu mais vou ouvir são as fofocas das vizinhas, comentando o quanto você cresceu. - voltou para a sala com o presente em mãos, escondendo-o nas costas - Fiz suco, está na geladeira! Quando voltar, quero que sente a mesa e feche os olhos.<br />
<br />
Há tempos que a professora não se animava assim. Estava tão imersa no trabalho e nos problemas que teimaram a aparecer, que uma simples tarde com o filho já lhe dava uma animação a mais. Só queria aproveitá-lo e animá-lo.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo riu do fato de que ele tinha dado uma esticada atroz, se sentia agora um bicho de rpg no modo atroz, e pensar que só estava começando aquela caminhada em esticar de tamanho. Acenou positivamente quando a mãe lhe confirmou que tinha suco na geladeira, foi lá e pegou a bebida e organizou, talheres, pratos, aparadores, copos, lenços e tudo mais, sabia daquela ordem de coisas tudo de cabeça por insistência de sua madrinha.<br />
<br />
Se sentou conforme sua mãe tinha indicado, e fechou os olhos e esperou, já imaginava que era algum presentinho já que tinha conseguido fazer coisas grandiosas pra um estudante mediano como se considerava. Talvez tivesse de repensar a forma como se tratava, tinha ralado o suficiente para não se considerar mais um aluno meramente medíocre, agora não se sentia bem com tudo isso, mas esperava que esse sentimento ruim fosse embora, e finalmente lhe deixasse aproveitar as coisas boas que tinha conseguido conquistar em St. Clavier:<br />
<br />
-- Você sabe que eu não sou o rei da paciência. -- Brincou usando um tom de voz divertido diante da situação e fazendo os gostos da mãe daquela vez, entrando na brincadeira, estava com saudades do jeito peculiar da mulher.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
Esperou ele sentar e fechar os olhos, para entregar o presente. Depositou a caixinha na mesa em frente dele, afastando os pratos. Era uma caixinha minúscula, mas o que tinha dentro, era grandioso.<br />
<br />
- Pode abrir os olhos. - dizia, sentando-se ao lado dele, ansiosa. Quando o ruivo abrisse o presente, veria o que tinha ali: uma chave. A chave de um carro, o qual o modelo ainda era segredo. Quando o filho abriu, antes de qualquer reação do mesmo, falou: - Pode ficar feliz, mas tirando o cavalinho da chuva. Vai ficar guardado até você tirar sua habilitação! E eu ter certeza que não vai quebrar não só o seu braço, como o braço de outras pessoas! - brincou, aguardando uma reação do filho, sorridente.<br />
<br />
Servia o prato dele com a macarronada e logo em seguida o seu, fazendo o mesmo com o suco. Geralmente deixava o celular no silencioso, no sofá. Mas dessa vez estava esperando um telefonema importante, então preferiu deixá-lo consigo, na mesa. Acabou recebendo uma mensagem, ignorando-a prontamente.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava imaginando que ganharia um bolo, mas sua mãe devia saber que era açucar demais até pra ele comer um bolo inteiro, a menos que fosse um bolo vegano, quem sabe? Aceitaria um quindim ou alguma baguete recheada, talvez sua cabeça só pensasse em presentes que fossem comida porque estava com fome, ou talvez porque tivesse expectativas baixas.<br />
<br />
Tal qual a sua surpresa quando deparou-se com uma caixa pequena, espiou da mãe para o objeto e o abriu para depara-se com uma chave, e seu cérebro pensou em vários motivos pra ganhar uma chave, estava um pouco velho pra fazer aquelas caça ao tesouro com enigmas e aquilo só tinha graça na casa de sua madrinha que era enorme com vários lugares para esconder coisas. E nem conseguiu esconder a surpresa depois de longos segundos de delay, quando percebeu que aquilo era a chave de um carro, e sua mãe lhe confirmar que iria tirar uma carteira de habilitação:<br />
<br />
-- Mas mãe, eu, tipo, sei nem o que fazer com um carro, e eu fico no internato o tempo quase todo, a senhora vai se mudar? Pra eu precisar ir te ver em outra cidade? Erh… eu sei lá o que eu devia dizer agora… -- o ruivo coçou a cabeleira ruiva e olhou da chave pra mãe, para se aproximar e dar-lhe um abraço: -- obrigado, mas nem preciso por o cavalinho na chuva, pode guardar, talvez nas férias eu vá tirar uma habilitação, mas sei lá… sou tão acostumado a ser o menino do skate hahaha. <br />
<br />
O ruivo riu meio besta da situação pra depois guardar a chave de volta na caixinha e ir por na estante junto com seu celular e naquele momento percebeu que tinha uma mensagem de número desconhecido:<br />
<br />
“Parabéns Yure por esse momento importante em sua vida. <br />
Concluir o ensino médio e começar a trilhar uma carreira é um passo importante, sabemos que estar em St. Clavier é gozar do melhor que a França tem a oferecer em ensino, esperamos ansiosamente por notícias de seus feitos e suas conquistas. Desejamos de coração e sucesso que Deus abençoe esse novo ano letivo e ilumine suas escolhas. <br />
Grande abraço, sua família.”<br />
<br />
A mensagem soou tão estranha com aquele papo de deus e o escambau que julgou que fosse alguma tiração de sarro de seus amigos que sabiam que ele tinha concluído parte do ensino médio, mas ainda iria para o terceiro ano, então ainda tinha chão pela frente até poder dizer que sabia o que queria da vida. Ignoraria aquela mensagem estranha mas notou que o celular de sua mãe também apitava a chegada de uma mensagem, e não era de fuxicar no aparelho da mulher, mas achou estranho o número ser o mesmo que tinha lhe enviado aquela mensagem “família”: -- Mãe… eu acho que estão passando trote na gente. <br />
<br />
Apontou os dois aparelhos com mensagens vindas do mesmo número, não chegou a ler a mensagem que tinha chegado no telefone da mãe, mas aquilo tudo era estranho, o que alguém ganharia mandado trote para os dois?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
- Claro que você não vai fazer nada com o carro agora! - respondia, como se fosse o óbvio apesar do presente dado - Apenas guarde a chave. Quando a hora chegar, você vai saber. Por enquanto, pode continuar sendo o "o menino do skate". - levou a mão até o topo da cabeça do ruivo, acariciando ali - Você merece o mundo.<br />
<br />
Sentou-se à mesa, pronta para comer. Não havia prestado atenção no celular vibrando, então, só se ateve a situação quando o filho comentou sobre o trote. Arqueou uma sobrancelha, sem entender ao certo o motivo daquilo e antes mesmo de olhar para a tela do aparelho, decidiu perguntar:<br />
<br />
- Por que diz isso? Que tipo de tro--<br />
<br />
As palavras da mulher se perderam no topo da garganta assim que reconheceu o número da mensagem, engolindo em seco. Resignada, respirou fundo, abrindo a mensagem que recebera e lendo silenciosamente.<br />
<br />
"Cansamos de esperar. Entramos em contato com o nosso neto."<br />
<br />
Saiu da tela de leitura prontamente, ativando a de descanso. Mas continuou encarando o aparelho por longos segundos. <br />
<br />
- Yure... o que tem escrito na mensagem? Posso ver? - e depositou o celular sobre a mesa.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
a reação imediata da mãe foi de estranheza igual a sua própria, no entanto, assim que ela viu o próprio celular notou que a expressão dela ficou “diferente”, não tinha certeza, mas tinha a impressão que ela realmente sabia de onde eram aquelas mensagens. O ruivo não era um rapaz curioso naturalmente, mas naquele momento, franziu de leve as sobrancelhas e estranheza e estendeu o celular na direção da mãe, com a mensagem aberta o texto “bla bla bla deus te abençoe”.<br />
<br />
-- eu não li a mensagem, mas pelo que vi é do mesmo número. - fez uma pausa breve, olhando pra mulher com a expressão vidrada no celular e na mensagem de texto: -- Você conhece as pessoas que mandaram? Porque a senhora tá com uma cara… meio sei lá.<br />
<br />
O ruivo coçou a nuca parecendo meio desnorteado sem saber como lidar com aquela situação, tinha algo naquela situação que lhe incomodava, mas não sabia exatamente o que era.<br />
<br />
-- Talvez enviar mensagem de volta?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
A vida de bom aluno modelo, deveria ser mais emocionante, era o que o ruivo cabeça de vento pensava, estava conseguindo tudo que tinha batalhado os primeiros meses do ano buscando, fosse fazendo exercícios de química ou reforço de história, andar com o uniforme todo certinho, pentear o cabelo pela manhã, ganhar as eleições de conselho, tudo isso, tinha parecido muito bom no momento que recebeu aquelas notícias, mas agora só estava sendo tomado por um sentimento de estranheza. <br />
<br />
Tinha combinado de naquele fim de semana passar em casa, sua mãe queria comemorar as boas provas, as eleições e tudo resto, e queria um tempo com ele, longe dos amigos de sempre. Bem, depois do término catastrófico com Monique as coisas eram apenas um aborrecimento constante, talvez passar tempo com sua mãe dançando no just dance lhe animasse. O ruivo chegou ao apartamento da mulher, passando pela guarita e cumprimentando o pessoal no caminho, pegou o elevador sem problemas e foi pro apartamento conhecido.<br />
<br />
Entrou em tempo de sentir o cheiro de casa, o lugar tinha em si o perfume comum que sua mãe usava, tinha um cheiro bom de lar, e aquilo lhe encheu com um sentimento mais agradável diferente do que andava morando em seu peito nos últimos dias:<br />
<br />
-- Mãe! Cheguei! Tô com fome! -- o ruivo largou os tênis na entrada, tirou o casaco, e desligou a música do celular, deixando-o em cima da mesa logo ao entrar, largou a mochila pequena e foi buscar no espaço pequeno pela figura da mulher. Normalmente gostaria de um abraço mas estava muito aborrecido até pra isso.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
Cantarolava. Há tempos não agia como a mãe coruja que era, visto que seu filho estava sempre muito ocupado - e ela também -, mas aquilo felizmente iria mudar: com o sucesso de Yure na academia, agora podiam passar um tempo de qualidade juntos! Sabia que ele estava incomodado com muitas coisas e seu objetivo era deixá-lo bem em casa. Vestida com uma roupa casual e um avental - queria fazer o clichê de "mãe tradicional" apesar de que tradicional não tinha nada -, desligou o celular que usava para ligações de trabalho, decidida a dar toda a sua atenção pro garoto. Fez uma panela de Penne à francesa com uma jarra de suco de acerola, só faltava arrumar a mesa da sala para a chegada do rapaz. Mas o ruivo acabou chegando um pouco antes do esperado, escutando a voz dele e já enchendo-se de alegria.<br />
<br />
- Chegou na hora! - pegou a travessa com a comida, levando-a para a mesa da sala. A cena chegava a ser engraçada pois de nada combinava com Katrina: usava luvas de cozinha, um avental cheio de babados que escondia o vestido de casa sem graça que usava. Talvez estivesse vestida daquele jeito justamente para atiçar o bom-humor do rapaz e render umas boas risadas - Mamãe preparou uma receita nova! Será que está bom? Ou nosso tempo juntos vai se resumir numa tarde no banheiro? - comentou séria, mas obviamente brincando. Antes de pegar os pratos, aproximou-se do filho. Havia crescido consideravelmente nos últimos meses. O abraçou - Saudades...<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Ainda estava amuado do fim de seu relacionamento, mas queria esquecer essas coisas e aproveitar do tempo com sua mãe, tinha tanta coisa pra pensar mas só queria esvaziar a cabeça, abraçou a mulher, e riu do comentário dela sobre eles passarem a tarde no banheiro depois de comerem a comida dela:<br />
<br />
-- Relaxa, a gente leva o celular e fica disputando no joguinho, ou sei lá, inova, faz uma disputa de peidos, é muito popular isso lá nos dormitórios, só nunca achei que faria isso em casa. -- devolveu as brincadeiras, parecendo meio xoxo, mas ainda se esforçando pra ser animado: -- também tava com saudades!<br />
<br />
Se afastou para seguir até a pia da cozinha e lavar as mãos bem, e olhar em volta para ver no que podia ajudar, já que não iria cozinhar: -- quer que eu bote a mesa? -- perguntou já abrindo os armários da cozinha que agora pareciam mais baixos do que da ultima vez que estivera naquele lugar: -- oh mãe, ‘cê reformou a cozinha? os armários tão baixos! -- nem passou pela cabeça do ruivo que ele tinha crescido e por fazer tanto tempo desde a sua última visita ao apartamento da mãe, ele achasse tudo meio diferente. O ruivo organizou a mesa, suportes para panelas, talheres, pegadores, copos, e foi mexer na geladeira pra ver se tinha suco, ou qualquer bebida gelada, senão estaria pronto pra ele mesmo ir fazer.<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
Fez um semblante de nojo com aquele comentário, mas não esperava menos do filho, então riu, embora só de imaginar uma academia só com rapazes a desse calafrios. Se com um se sentia perdida, imagina mais de cem. O beijou na bochecha e enfim se afastou, retirando as luvas e aquele avental ridículo.<br />
<br />
- Quero sim! Nada melhor que colocar o filhote pra trabalhar. - mais um comentário divertido, enquanto deixava o celular sobre a mesa e ia para o quarto, pegar no armário uma caixa pequena embrulhada. Não perdia o costume de mimar o filho, mas aquela ocasião era especial. - Se eu reformei a cozinha? Claro que não! Você que deu uma esticada atroz. Amanhã quando eu sair de casa, o que eu mais vou ouvir são as fofocas das vizinhas, comentando o quanto você cresceu. - voltou para a sala com o presente em mãos, escondendo-o nas costas - Fiz suco, está na geladeira! Quando voltar, quero que sente a mesa e feche os olhos.<br />
<br />
Há tempos que a professora não se animava assim. Estava tão imersa no trabalho e nos problemas que teimaram a aparecer, que uma simples tarde com o filho já lhe dava uma animação a mais. Só queria aproveitá-lo e animá-lo.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo riu do fato de que ele tinha dado uma esticada atroz, se sentia agora um bicho de rpg no modo atroz, e pensar que só estava começando aquela caminhada em esticar de tamanho. Acenou positivamente quando a mãe lhe confirmou que tinha suco na geladeira, foi lá e pegou a bebida e organizou, talheres, pratos, aparadores, copos, lenços e tudo mais, sabia daquela ordem de coisas tudo de cabeça por insistência de sua madrinha.<br />
<br />
Se sentou conforme sua mãe tinha indicado, e fechou os olhos e esperou, já imaginava que era algum presentinho já que tinha conseguido fazer coisas grandiosas pra um estudante mediano como se considerava. Talvez tivesse de repensar a forma como se tratava, tinha ralado o suficiente para não se considerar mais um aluno meramente medíocre, agora não se sentia bem com tudo isso, mas esperava que esse sentimento ruim fosse embora, e finalmente lhe deixasse aproveitar as coisas boas que tinha conseguido conquistar em St. Clavier:<br />
<br />
-- Você sabe que eu não sou o rei da paciência. -- Brincou usando um tom de voz divertido diante da situação e fazendo os gostos da mãe daquela vez, entrando na brincadeira, estava com saudades do jeito peculiar da mulher.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
Esperou ele sentar e fechar os olhos, para entregar o presente. Depositou a caixinha na mesa em frente dele, afastando os pratos. Era uma caixinha minúscula, mas o que tinha dentro, era grandioso.<br />
<br />
- Pode abrir os olhos. - dizia, sentando-se ao lado dele, ansiosa. Quando o ruivo abrisse o presente, veria o que tinha ali: uma chave. A chave de um carro, o qual o modelo ainda era segredo. Quando o filho abriu, antes de qualquer reação do mesmo, falou: - Pode ficar feliz, mas tirando o cavalinho da chuva. Vai ficar guardado até você tirar sua habilitação! E eu ter certeza que não vai quebrar não só o seu braço, como o braço de outras pessoas! - brincou, aguardando uma reação do filho, sorridente.<br />
<br />
Servia o prato dele com a macarronada e logo em seguida o seu, fazendo o mesmo com o suco. Geralmente deixava o celular no silencioso, no sofá. Mas dessa vez estava esperando um telefonema importante, então preferiu deixá-lo consigo, na mesa. Acabou recebendo uma mensagem, ignorando-a prontamente.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava imaginando que ganharia um bolo, mas sua mãe devia saber que era açucar demais até pra ele comer um bolo inteiro, a menos que fosse um bolo vegano, quem sabe? Aceitaria um quindim ou alguma baguete recheada, talvez sua cabeça só pensasse em presentes que fossem comida porque estava com fome, ou talvez porque tivesse expectativas baixas.<br />
<br />
Tal qual a sua surpresa quando deparou-se com uma caixa pequena, espiou da mãe para o objeto e o abriu para depara-se com uma chave, e seu cérebro pensou em vários motivos pra ganhar uma chave, estava um pouco velho pra fazer aquelas caça ao tesouro com enigmas e aquilo só tinha graça na casa de sua madrinha que era enorme com vários lugares para esconder coisas. E nem conseguiu esconder a surpresa depois de longos segundos de delay, quando percebeu que aquilo era a chave de um carro, e sua mãe lhe confirmar que iria tirar uma carteira de habilitação:<br />
<br />
-- Mas mãe, eu, tipo, sei nem o que fazer com um carro, e eu fico no internato o tempo quase todo, a senhora vai se mudar? Pra eu precisar ir te ver em outra cidade? Erh… eu sei lá o que eu devia dizer agora… -- o ruivo coçou a cabeleira ruiva e olhou da chave pra mãe, para se aproximar e dar-lhe um abraço: -- obrigado, mas nem preciso por o cavalinho na chuva, pode guardar, talvez nas férias eu vá tirar uma habilitação, mas sei lá… sou tão acostumado a ser o menino do skate hahaha. <br />
<br />
O ruivo riu meio besta da situação pra depois guardar a chave de volta na caixinha e ir por na estante junto com seu celular e naquele momento percebeu que tinha uma mensagem de número desconhecido:<br />
<br />
“Parabéns Yure por esse momento importante em sua vida. <br />
Concluir o ensino médio e começar a trilhar uma carreira é um passo importante, sabemos que estar em St. Clavier é gozar do melhor que a França tem a oferecer em ensino, esperamos ansiosamente por notícias de seus feitos e suas conquistas. Desejamos de coração e sucesso que Deus abençoe esse novo ano letivo e ilumine suas escolhas. <br />
Grande abraço, sua família.”<br />
<br />
A mensagem soou tão estranha com aquele papo de deus e o escambau que julgou que fosse alguma tiração de sarro de seus amigos que sabiam que ele tinha concluído parte do ensino médio, mas ainda iria para o terceiro ano, então ainda tinha chão pela frente até poder dizer que sabia o que queria da vida. Ignoraria aquela mensagem estranha mas notou que o celular de sua mãe também apitava a chegada de uma mensagem, e não era de fuxicar no aparelho da mulher, mas achou estranho o número ser o mesmo que tinha lhe enviado aquela mensagem “família”: -- Mãe… eu acho que estão passando trote na gente. <br />
<br />
Apontou os dois aparelhos com mensagens vindas do mesmo número, não chegou a ler a mensagem que tinha chegado no telefone da mãe, mas aquilo tudo era estranho, o que alguém ganharia mandado trote para os dois?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Katrina</span></div>
<br />
- Claro que você não vai fazer nada com o carro agora! - respondia, como se fosse o óbvio apesar do presente dado - Apenas guarde a chave. Quando a hora chegar, você vai saber. Por enquanto, pode continuar sendo o "o menino do skate". - levou a mão até o topo da cabeça do ruivo, acariciando ali - Você merece o mundo.<br />
<br />
Sentou-se à mesa, pronta para comer. Não havia prestado atenção no celular vibrando, então, só se ateve a situação quando o filho comentou sobre o trote. Arqueou uma sobrancelha, sem entender ao certo o motivo daquilo e antes mesmo de olhar para a tela do aparelho, decidiu perguntar:<br />
<br />
- Por que diz isso? Que tipo de tro--<br />
<br />
As palavras da mulher se perderam no topo da garganta assim que reconheceu o número da mensagem, engolindo em seco. Resignada, respirou fundo, abrindo a mensagem que recebera e lendo silenciosamente.<br />
<br />
"Cansamos de esperar. Entramos em contato com o nosso neto."<br />
<br />
Saiu da tela de leitura prontamente, ativando a de descanso. Mas continuou encarando o aparelho por longos segundos. <br />
<br />
- Yure... o que tem escrito na mensagem? Posso ver? - e depositou o celular sobre a mesa.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
a reação imediata da mãe foi de estranheza igual a sua própria, no entanto, assim que ela viu o próprio celular notou que a expressão dela ficou “diferente”, não tinha certeza, mas tinha a impressão que ela realmente sabia de onde eram aquelas mensagens. O ruivo não era um rapaz curioso naturalmente, mas naquele momento, franziu de leve as sobrancelhas e estranheza e estendeu o celular na direção da mãe, com a mensagem aberta o texto “bla bla bla deus te abençoe”.<br />
<br />
-- eu não li a mensagem, mas pelo que vi é do mesmo número. - fez uma pausa breve, olhando pra mulher com a expressão vidrada no celular e na mensagem de texto: -- Você conhece as pessoas que mandaram? Porque a senhora tá com uma cara… meio sei lá.<br />
<br />
O ruivo coçou a nuca parecendo meio desnorteado sem saber como lidar com aquela situação, tinha algo naquela situação que lhe incomodava, mas não sabia exatamente o que era.<br />
<br />
-- Talvez enviar mensagem de volta?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Dia de Caça [Annica, Hanna]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=320</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:30:35 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=29">Pietro</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=320</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Já fazia uma semana desde o acidente inesperado na funerária e Pietro estava se sentindo muito melhor até mesmo com as marcas no pescoço que tinham suavizado até sumir. Annica tinha passado aqueles dias com ele em sua casa, lhe ajudando a se cuidar, assim como a cuidar da casa, ele até tinha pensado em vender a casa e continuar num apartamento menor, já que agora estava sozinho, mas a sensação de ficar na casa em que tinha crescido com a companhia de Annica era tão confortável que estava repensando aquela ideia. Claro que havia uma série de implicações, desde o fato de que eles só tinham começado a namorar recentemente, até a ideia de realmente compartilhar uma casa com a mulher que tinha sido tão atenciosa, por isso, quando uma semana se passou e ele já estava bem o suficiente para voltar a ficar sozinho, ficou até animado quando Annica insistiu em passar mais uma semana lá para ter certeza de que ele não iria exagerar.<br />
<br />
Pietro seguiu naquele sábado de manhã até Limoges-Collet, a Academia feminina era aberta para visitação e desse jeito ele poderia ajudar Annica com algumas malas extras de roupas e itens pessoais para levar de volta para a sua casa e passar mais uma semana. Mas estava cada vez mais certo de que queria, pelo menos, sugerir que num futuro, mesmo que distante, os dois pudessem continuar compartilhando a experiência de morar juntos.<br />
<br />
Ele chegou aos terrenos da academia cheia de visitantes - a maioria deles eram mulheres - e não se surpreendeu com os olhares tortos em sua direção por causa da expressão fechada, mas ainda mandou uma mensagem para Annica avisando que estava lá. Não ajudava muito ainda ter algumas marcas levemente vermelhas no pescoço, embora houvesse também um contraste com a camisa básica com uma fileira de patinhos seguindo uma pata mãe. Pietro seguiu até um banco na sombra e resolveu sentar, tentar ser mais discreto e só esperar que Annica visse a sua mensagem.<br />
<br />
Mas mesmo que estivesse se esforçando para não chamar atenção, ele quase se assustou quando uma mulher se sentou bem ao seu lado, cruzando as pernas vestidas numa calça branca justa, os pés em saltos muito altos, e uma camisa preta folgada que deixava um dos ombros a mostra. Ela tinha a pele muito clara, só não tanto quanto Annica, e os cabelos curtos pretos em ondas leves caindo pelos olhos azuis. Pietro quase se sentou um pouco mais para o lado para deixá-la mais à vontade, mas a jovem o encarou de lado e se inclinou de maneira bem insinuosa em sua direção.<br />
<br />
- Por que está se afastando? Eu não mordo, sabia? Só se você quiser. - a jovem falou, com um sorriso nos lábios rosados que só deixou Pietro um tanto desconsertado. - Vi que estava um pouco fora de lugar, por isso resolvi vir lhe fazer companhia, está esperando alguém ou queria fazer um tour pela academia feminina? Se estiver procurando alguém com quem sair, estou disponível, monsieur.<br />
<br />
Pietro quase se inclinou mais para longe, como se estivesse prestes a ser devorado, numa sensação estranha. Todas as jovens da academia agiam daquele jeito?<br />
<br />
- Estou… esperando alguém. - foi o que ele conseguiu responder, notando a mulher se inclinando um pouco mais.<br />
<br />
- Podemos esperar juntos então.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
A última semana tinha começado cheia de emoções fortes com um susto em relação a saúde do namorado devido a um ataque na funerária por um estranho, ou “não tão estranho” segundo o que Pietro estava pensando. Muito se conversou sobre o assunto, e uma semana se passou muito rápido com a albina na casa do namorado, dividindo sua rotina entre seus trabalhos e os cuidados com o moreno mais velho. Era como sua mãe tinha apontado, um “grande avanço” em sua forma de se relacionar, para quem tinha se mantido por muitos anos acreditando que tinha apenas interesse por mulheres, sem se envolver profundamente com ninguém de qualquer sexo. Estar em um relacionamento sério e estável com um homem era um passo enorme em sua vida, e até estava se saindo bem, afinal com a mente ocupada em tomar conta da saúde de Pietro sobrava pouco espaço para alimentar inseguranças e teorias da conspiração.<br />
<br />
No entanto, seu pai já tinha lhe perguntado se tinha tratado sobre todos os detalhes com o novo namorado, e a verdade é que tinham um relacionamento recente, e apesar das emoções fortes, ainda tinham muita coisa que precisavam falar, principalmente da parte da albina. Talvez por isso também, que Annica tivesse decidido estender sua estadia na casa do namorado, para além de ficar de olho no moreno pra ele não exagerar, acreditava que agora com a situação mais calma, podia finalmente entrar no assunto.<br />
<br />
Naquele sábado podia aproveitar que o namorado podia entrar na academia feminina pra lhe ajudar, não que de fato precisasse de alguém carregando suas coisas, mas sabia que ele ficava feliz em se sentir útil e ajudar ela nessas atividades diárias. Naquele dia estava usando um vestido claro estampado de tecido fino, um cinto marcando a cintura fina, meia calça preta, e um cardigã também de tecido fino amarelo, para cobrir os braços e evitar de tomar sol desnecessariamente. Viu a mensagem de Pietro e a respondeu indicando que o encontraria em breve, adicionou que estava de amarelo e ia ser fácil de ver de longe. <br />
<br />
Caminhou pelos corredores cumprimentando outras alunas, puxando uma mala pequena de rodinhas sem muito trabalho, e quando estava já fora dos prédios, não era difícil de achar o namorado, afinal, mesmo que ele quisesse passar despercebido ele não era nem um pouco discreto. Mas qual foi a surpresa da albina quando notou quem estava sentada bem ao lado do moreno, sorriu porque sabendo como Pietro era tímido, uma pessoa como Hanna certamente devia deixá-lo ainda mais sem jeito.<br />
<br />
- Hora, hora Pietro, eu deixo você esperando só uns minutinhos e já está fazendo novas amizades? -  a albina falou num falso tom acusatório, sorrindo em seguida, e encarando a amiga: - Olá Hanna, e então, ele não é exatamente do jeito que eu descrevi? Lindo. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Hanna/Pietro</span></div>
<br />
Pietro franziu mais o cenho com a aproximação da jovem ao seu lado, e aquilo não ficava nada bom para qualquer pessoa que estivesse vendo de fora, porque no mínimo ele pareceria estar sendo agressivo com a jovem, quando só estava muito desconfortável. <br />
<br />
- Não precisa. - Pietro respondeu, e mesmo a expressão fechada não fez com que a jovem se afastasse, na verdade, ela sorriu ainda mais e se aproximou um pouco, o que fez Pietro sentir um calafrio estranho de desconforto.<br />
<br />
- Você tem essa cara assustadora aí, mas na verdade, não faz mal a uma mosca, não é? - ela sorriu largamente, inclinando o ombro até tocar o de Pietro, que engoliu em seco. - Eu não sou boa em ler pessoas em geral, mas de gente ruim, eu entendo bem, hm.<br />
<br />
- Eu não sou ruim. E é a minha cara de sempre... - respondeu Pietro, afastando-se do toque dela e percebeu que o assento do banco estava até acabando.<br />
<br />
- E mesmo com essa cara fechada, você é muito bonito de perto, sabia? - ela sorriu mais largo, e daquela vez, não foi só o desconforto da proximidade, mas Pietro sentiu o corpo todo esquentar, principalmente as maçãs do rosto e as orelhas. - Oh...! Quem diria...! Você fica muito fofo constrangido, sabia?!<br />
<br />
O elogio da jovem intensificou o vermelho do rosto e sumiu com as palavras que ele queria usar para protestar. Mas uma onda de alívio perpassou o corpo quando ouviu a voz conhecida da namorada e ergueu o olhar na direção dela, levantando-se quase de um pulo para ficar ao lado de Annica, um sorriso discreto quase inconsciente surgindo ao observar a namorada nas roupas casuais.<br />
<br />
- Não, eu não estav- - ele nem teve tempo de negar a tal nova amizade, quando Annica falou com a jovem que estivera sentada e reforçou como ele era "lindo". A única reação de Pietro foi baixar o rosto, e se as orelhas já estavam vermelhas, até a nuca esquentou com o elogio direto da namorada.<br />
<br />
- Bem mais quando não está com a expressão fechada. - Hanna concordou com a amiga. - Hm, quem diria, Anni? Eu realmente achei que se fosse arrumar um namorado, ele seria mais... feminino. Não um homem maravilhoso em todos os sentidos. - já tinha ficado bem óbvio que ele não sabia lidar com os elogios, e se fosse possível, Pietro teria tentado se esconder atrás de Annica, ou em algum buraco.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
A albina não podia negar que se divertia em provocar os outros, era um lado seu não muito bonito, mas não devia ser criminoso poder tirar umas expressões divertidas dos outros, principalmente quando tinha um namorado que ao menor sinal de elogio mudava drasticamente da cara de “mafioso” para “fofo envergonhado”. E bem sabia que aquele ponto tinha em comum com a morena mais nova, no entanto, também sabia que nesse jogo de: “quem provoca quem”, Hanna tinha bem mais munição para se divertir que a própria albina. <br />
<br />
Annica sorriu mantendo o ar divertido e virou o rosto na direção de Pietro, encarando-o longamento, e podendo perceber todo o constrangimento do namorado ao ser elogiado tão diretamente. A albina prontamente levou a mão até o rosto do moreno mais alto, passando as pontas dos dedinhos pela lateral da face alheia até o queixo de Pietro, em um gesto delicado e feminino, notoriamente fazendo charminho.<br />
<br />
-- nunca é tarde pra se descobrir Bi, não é mesmo? - Annica sorriu convencida na direção do namorado, claro que aquele não era um ponto que tinham conversado abertamente, porém imaginava que não devia ter qualquer problema. Depois levou a mão até o ombro do mesmo repousando a ali em um carinho suave, e voltou a atenção para Hanna que ainda estava sentada: <br />
<br />
-- Esse mocinho me deu um susto quando nos encontramos pela primeira vez, mas a cara “brava” é tudo propaganda enganosa, ele é um amorzinho completo. Só é teimoso, mas eu também sou, então nem posso reclamar. <br />
<br />
Annica riu descontraída, parecendo muito a vontade de tratar do assunto “relacionamento”. E nem se estendeu demais de como se conheceram, até porque Hanna já conhecia aquela história toda, mas era sempre bom frisar na frente do namorado que ele era um “amorzinho de pessoa” apenas para assistir os 50 tons de vermelho vergonha que ele conseguia chegar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Hanna/Pietro</span></div>
<br />
Pietro queria ter perguntado a Annica se já estava tudo pronto para saírem de Limoges-Collet, mas todas as perguntas sensatas sumiram de sua mente quando os elogios da dona dos cabelos pretos continuaram e foram seguidos ainda dos de Annica, mais ainda quando a namorada se aproximou para tocar-lhe o rosto diretamente com uma declaração que passou completamente batida por um Pietro extremamente constrangido.<br />
<br />
Bom, ao menos ela não tinha reforçado nenhum elogio. E Pietro conseguiu respirar mais aliviado quando ela se virou para falar com a outra jovem. Só não teve tempo de sentir o rosto esfriar, porque as palavras que seguiram de Annica sobre ele ser um "amorzinho" só pioraram o estado do calor no seu rosto e no resto do corpo, numa reação quase automática, ele virou o rosto para o lado, cobrindo a boca com uma das mãos, que também estava começando a ficar vermelha.<br />
<br />
- Ora, ora, eu adoro ser surpreendida, especialmente por propagandas enganosas, hm? - Hanna fez questão de se colocar de pé, levando a mão até a altura do peito de Pietro. Mas não tocou no outro, só insinuou a proximidade do toque e trouxe a mão de volta ao rosto, tocando os lábios sorridentes com a ponta dos dedos ao desviar o olhar da expressão vermelha de Pietro para a descontraída de Annica. - Mas se ele foi capaz de fazer com que você se descobrisse bi, Anni... imagino todas as coisas das quais ele é capaz na cama.<br />
<br />
Ela alargou ainda mais o sorriso ao encarar Annica, afinal, as duas tinham se aproximado através de um contato físico muito íntimo. Embora Annica tivesse receio com homens, se ela tinha decidido namorar o rapaz de expressão constrangida, talvez ele tivesse mostrado muitas novidades na cama. Quando Hanna voltou a atenção para Pietro, entretanto, os olhos levemente arregalados do outro denunciavam que ele estava, no mínimo, prestes a desmaiar.<br />
<br />
- Você é tão bom assim, Pietro?<br />
<br />
Pietro definitivamente iria desmaiar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Annica sabia o que viria depois de Hanna se levantar, seria bom se fosse apenas as duas brincando de deixar seu namorado mais e mais constrangido, porém, sabia que logo a própria albina seria atingida no fogo cruzado. E antes mesmo que pudesse se preparar para o que vinha, Hanna já estava perguntando diretamente se ele era bom de cama. Mesmo que sexo fosse um assunto incrivelmente casual para as duas tratarem, aquilo era um universo paralelo em se tratando de Pietro, nem tinham chegado perto de abordar o assunto. E por ser uma pessoa de pele muito branca, qualquer mínima alteração de humor ficava facilmente evidente, num rubor que não lhe era natural alcançando as maçãs do rosto pálido.<br />
<br />
- Eu imagino que muitos tipos de coisas também. - Brincou, delatando que nem ela sabia a extensão das habilidades do namorado naquele quesito em específico: - Sendo bem sincera a gente nem teve tempo de se aventurar ainda, aconteceu um monte de coisas seguidas, e ele ainda está se recuperando de uma saída recente do hospital. - Claro que sabia que aquela explicação não ajudaria em nada, e seria zoada do mesmo jeito por ser “lenta” e bem, pra o seu padrão de abordagem até que estava indo devagar, mas tinha seus motivos e travas pessoais pra lidar:<br />
<br />
- Mas ainda temos um fim de semana inteiro e o restante da semana de folga pra aproveitar, não é Pietro? - sabia que isso deixaria o namorado perplecto, porque nem ele deveria ter aquelas pretensões, mas já que tinham entrado no assunto, não tinha pra onde fugir, era entrar no meio das provocações e dançar junto. <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
A expressão só de Pietro já tinha denunciado bastante para Hanna que os dois não tinham avançado muito, mas foi uma novidade muito interessante ver como o rosto pálido de Annica se iluminou em muitos tons de vermelho quando ela foi bem direta sobre como Pietro devia ser bom de cama. Era engraçado como a albina ainda estava tentando se manter firme mesmo que estivesse muito constrangida, e daquela vez, Hanna se aproximou de Annica, com quem tinha mais liberdade de se aproximar e tocar também.<br />
<br />
- Que pena, espero que tenha se recuperado totalmente então, acho um desperdício que não tenham avançado até esse ponto. - Hanna se aproximou, deslizando a mão pelo braço de Annica até os dedos tocarem na palma da mão da albina e entrelaçar os dedos aos dela, levantando a mão na altura do seu rosto para tocar os nós dos dedos de Annica com os lábios, dessa vez, desviando o olhar de modo insinuante para Pietro. - Se não passarem dessa parte, como é que vou poder me convidar para uma sessão a três? Vai ser divertido.<br />
<br />
Pietro podia estar vermelho em muitos níveis, mas o vermelho de constrangimento tomou uma forma diferente quando a tal Hanna insinuou muito mais intimidade com Annica e com ele mesmo do que estava esperando. Mais ainda porque descobriu não gostar muito daquela invasão, menos ainda do rosto embaraçado de Annica que demonstrava pelo menos um pequeno nível de desconforto - pelo menos não gostava do fato de que Hanna tinha provocado aquilo.<br />
<br />
Sem pensar muito, ele estendeu a mão na direção de Annica e segurou a mão livre dela com a sua, puxando-a de modo cuidadoso, mas ainda assim, firme, para se colocar entre as duas mulheres e encarar Hanna com a mesma expressão costumeiramente fechada de antes.<br />
<br />
- Acho que é hora de ir embora. - ele anunciou para Annica, esperando alguma confirmação só para poder se livrar da amiga muito insinuante que ainda lhe lançou um sorriso muito largo e aparentemente entretido com toda a situação.<br />
<br />
- Hm, não quer perder mais tempo, não é? Gostei muito dele, Anni.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
E claro que sua tentativa de se manter na troca de provocações não foi totalmente convincente para Hanna, que logo tinha se aproximado e tocado em sua mão, jogando charme como a morena bem sabia fazer. Obviamente apenas o jeito insinuante da mais nova já era o suficiente para lhe tirar um par de reações, quem dirá quando tinha dado munição para que ela usasse a situação ao seu favor. Não podia nem julgar Hanna porque tinha o mesmo tipo de pensamento e acabaria fazendo algo parecido no lugar dela.<br />
<br />
Annica não era uma pessoa de ciúmes intensos, em verdade não tinha problema em experimentar coisas que envolvessem outras mulheres, suas travas pessoais estavam todas em lidar e se relacionar com homens. Porém, mesmo que tivesse uma mente bem aberta, a ideia de fazer uma aventura a três com Pietro lhe arrancou um arquear de sobrancelhas, com ares de surpresa - embora houvesse surpresa zero em ser justo Hanna a propor aquilo -  a albina sorriu tentando manter a compostura, mas era fácil de notar que ela tinha ficado levemente constrangida com a ideia. Não que fosse uma proposta ruim, mas era meio “rápido demais” pra quem ainda estava se acostumando a própria atração por corpos masculinos.<br />
<br />
A albina abriu a boca pra responder a provocação e manter o joguete, mas foi em tempo de Pietro tomar-lhe a mão livre e se por entre elas duas, Annica encarou o namorado demonstrando leve surpresa com aquele lado protetor e “enciumado” (?). E ainda piscou um par de vezes com a forma como ele disse que era hora de ir embora:<br />
<br />
-- Não tem como não gostar dele! - a albina sorriu descontraída e encarou a amiga, aproveitando que estavam todos próximos e se inclinou levemente, puxando dessa vez a mão de Hanna para depositar um beijo amigável no topo da mesma, já que ela não tinha largado sua mão: -- Depois vamos ter muito o que conversar, mas hoje e o resto da semana meu tempo é do Pietro.<br />
<br />
Depois apertou suavemente a mão de Pietro na sua, chamando-lhe a atenção encarando o mais alto com um sorriso radiante de animação: - Podemos ir sim! <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Hanna não teve muita alternativa senão dar espaço para os dois, não que a expressão supostamente ameaçadora de Pietro fosse eficaz em lhe distanciar, mas ela aceitou o beijo de Annica e deixou que ela se livrasse de suas investidas - por enquanto.<br />
<br />
- Me lembre de marcarmos algo para sair um dia desses, Anni. - Hanna indicou, antes que a albina de fato se afastasse. Pietro tinha se colocado entre as duas com mais veemência daquela vez. - Não precisa ficar com a guarda tão alta, Pietro. Eu não mordo. Só se pedir.<br />
<br />
Se possível, a testa de Pietro ficou ainda mais franzida em desagrado com a insinuação de Hanna, e com os dedos entrelaçados aos de Annica, eles finalmente seguiram para fora dos terrenos de Limoges-Collet para pegar um táxi e voltar até a sua casa. Ele ajudou a namorada com as poucas malas que ela tinha para passar aquela semana a mais em sua casa e em pouco mais de dez minutos, já estavam parando diante da entrada da sua casa.<br />
<br />
- Desculpe por interromper… a conversa com a sua amiga. - Pietro pediu, quando entraram em casa, embora ele não tivesse a menor intenção de realmente se desculpar em querer afastar a namorada daquelas insinuações inapropriadas. Bom, pelo menos enquanto eles não tinham nem metade daquela intimidade, que ficou bem evidente pelas palavras e gestos entre as duas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Os comentários de Hanna deixavam bem claro para albina que teriam mais daquela dinâmica, e que com certeza Pietro ficaria mais enciumado, o que era engraçado de se lidar, porque não tinha nem competição ali pra se ter ciúmes. Mas conseguia entender parte do sentimento do namorado, afinal ainda tinham muitas coisas pra conversar e outras para se aventurar, e agora que finalmente pareciam ter uns 20 centavos de paz e tranquilidade, sem alguma emergência acontecendo no meio do caminho. <br />
<br />
Ao chegarem na casa do moreno mais alto, ouviu o pedido de desculpas, que não parecia de fato um sinal de arrependimento, e apenas esperou que o mais velho fechasse a porta para de fato estarem a sós naquela casa. Annica se aproximou do mais alto e reduzindo a distância levando as duas mãos até os ombros do namorado, deslizando a ponta dos dedos ali em um carinho: -- pra se desculpar você precisa pelo menos parecer arrependido, pelo menos um pouquinho. -- a albina comentou com um sorriso no rosto, sem parecer brava com a situação, e desenhou caminho pelos ombros até o pescoço de Pietro, seguido para o rosto, fazendo um carinho com os polegares enquanto o observava longamente:<br />
<br />
 -- Você não precisa ficar chateado Pietro, é você que é meu namorado, e agora eu sou toda sua e sem ninguém pra atrapalhar. <br />
<br />
Annica encostou a ponta do nariz em uma carícia suave mantendo o sorriso divertido de quem se entretinha tirando reações do namorado, em seguida beijou-lhe os lábios de forma igualmente carinhosa, sorrindo contra os lábios dele. Afinal apreciava aquela dinâmica de ter um namorado e poder encher ele de carinhos, beijos e abraços: -- vai dizer que não está feliz deu estar aqui por mais uns dias? -  a albina sussurrou num tom confidente para o mais alto.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Depois de fechar a porta, Annica cortou a distância entre os dois e foi fácil para a albina notar que ele não estava realmente com a intenção de se desculpar. Mas como uma criança que tinha sido devidamente repreendida, ele baixou um pouco a cabeça, daquela vez, bem mais sincero em repetir o pedido de desculpas.<br />
<br />
- Desculpe. - não pelo que tinha feito com Hanna, mas pela tentativa de se desculpar sem estar arrependido. Ele não ficou com a cabeça baixa muito tempo, logo sentiu o toque em seus ombros, pescoço e até o rosto, os polegares frios da namorada delineando seu rosto, e a definição dela de que era toda dele e não tinha ninguém para atrapalhar lhe causou um novo calor no rosto, as maçãs ficando vermelhas de novo. - Hm.<br />
<br />
Ele só se rendeu às carícias da namorada e sentiu o beijo suave e gentil, o corpo todo relaxando ao mesmo tempo que ansiava e aproveitava o toque, e à medida que as carícias permaneceram suaves e ela ainda lhe sussurrou uma pergunta muito pontual sobre estar feliz ou não com a companhia, a resposta deixou os lábios de Pietro sem que ele ao menos percebesse.<br />
<br />
- Vou ficar mais feliz quando ficar o resto da vida. - a resposta foi sincera, mas talvez sincera demais até para Pietro, que percebeu as próprias palavras e voltou aos sentidos, arregalando um pouco os olhos e o rosto ficando ainda mais vermelho. Ele desviou a atenção para as malas de Annica, engolindo em seco por um instante. - Eu… vou levar as suas coisas para o quarto.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Era sempre uma satisfação ver como o namorado a despeito da expressão fechada, ficava terrivelmente envergonhado com as carícias mais suaves que trocavam, a albina sentia o corpo bem leve e já estava suficientemente relaxada na companhia do namorado. E parecia que Pietro também estava bastante à vontade, a ponto das palavras fugirem em confissões que ele talvez não quisesse expor ainda. A albina encarou o outro na curta distância, notando o tom vermelho mais acentuado do que o costumeiro, os olhos arregalados como se ele tivesse tomado ciência das próprias palavras apenas depois de dizer. Annica não teve uma reação imediata além de surpresa porque estavam namorando a pouco tempo, para ouvir uma declaração tão séria, afinal não eram adolescentes apaixonados, eram dois adultos, e aquela confissão certamente lhe pegou desprevenida. <br />
<br />
Tanto que a albina não ofereceu nenhuma resistência a ele se afastar e pegar sua mala para levar ao primeiro andar. A declaração do moreno, não somente era um deslize “fofo” dos sentimentos honestos dele, como também lembrava a Annica que ela mesma devia a ele um pouco mais de sinceridade sobre si mesma. Será que ele manteria esse mesmo pensamento depois de lhe conhecer mais profundamente? <br />
<br />
Annica caminhou até a cozinha, para tomar um copo de água e acalmar os pensamentos, e organizá-los, afinal, se queria que Pietro lhe aceitasse completamente, era porque gostava dele com mais intensidade do que outras namoradas com quem já tinha se aventurado na academia feminina:<br />
<br />
-- Vamos cozinhar o almoço ou vamos pedir comida? -- a albina comentou num tom mais alto, para que o namorado pudesse ouvir de qualquer ponto da casa, enquanto permanecia na cozinha, olhando para o próprio copo de água. Talvez fosse o momento de entrar nas miudezas de sua vida? Não tinha nada de errado em ser quem era, e imaginava que dada a personalidade do outro, não haveria qualquer problema, porém, um vermezinho de insegurança ainda morava no seu pensamento quando se tratava de sua transexualidade.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
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Pietro fugiu da entrada da casa antes de ter qualquer oportunidade de ouvir alguma resposta de Annica, se é que ela tinha tentado. Ainda respirou fundo algumas vezes para retomar o controle dos próprios pensamentos, especialmente porque ele realmente tinha deixado escapar um comentário tão sério. Só podia ser algum efeito colateral de estar muito apaixonado pela namorada e agir como um idiota sem filtros, mesmo que não lembrasse daquilo ter acontecido outras vezes.<br />
<br />
Depois de guardar as malas de Annica, ele retornou para a cozinha, num estado de espírito bem mais recomposto. Demorou alguns minutos a mais, mas foi muito mais fácil agir normal quando ela perguntou o que fariam para o almoço.<br />
<br />
- Eu posso fazer o almoço, eu não fiz muita coisa enquanto estava me recuperando, então… eu posso fazer isso. - Pietro respondeu, com um sorriso discreto, já se movendo pela cozinha para pegar os ingredientes nos armários e pensar no que preparar. - Você tem alguma preferência? Desculpe, não sei fazer nada muito complicado.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
A albina não ficou tanto tempo sozinha com seus pensamentos na cozinha, logo o outro apareceu no portal com um rosto mais recomposto depois da declaração que tinha dito. Será que deveria lembrá-lo das próprias palavras ou apenas seguir como se não tivesse ouvido? Guardaria aquela declaração honesta pelo menos por agora, queria ter aquela honestidade pra deixar as palavras simplesmente deslizarem pra fora, mas era tão mais difícil para si. <br />
<br />
Annica colocou o copo de água na pia e observou o moreno andando pela cozinha, indo até os armários altos e se desculpando por não saber fazer algo “complicado”. A albina sorriu se aproximando do mais velho pelas costas e passando as mãos pela cintura do mesmo e beijando-lhe sobre o ombro de forma carinhosa: -- eu não sei qual seria seu conceito de comida complicada, o que você fizer pra mim está bom. -- e Annica não se afastou aproveitando o pescoço e nuca livres do moreno mais alto, para soprar ali e encostar a ponta do nariz gelado, fazendo graça: -- Você empenhado em cozinhar tudo arrumadinho, e meu único empenho é ficar aqui, pertinho, acho que vou atrapalhar você um pouquinho. <br />
<br />
A albina sorriu com ar de quem estava se divertindo com aquela proximidade, e estava buscando ficar mais perto dele do que costumeiramente ficava.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro deu de ombros quando parou nos armários para tirar a comida e as panelas, procurando alguma massa que seria mais fácil e rápida de fazer, quando a albina falou que não sabia exatamente o que ele queria dizer com comida complicada. Mas antes de racionalizar a resposta, ele sentiu o toque pela cintura e o beijo breve e agradável sobre o ombro, que lhe fizeram sorrir de modo discreto.<br />
<br />
- Eu não faço nada elegante como aquelas comidas de televisão ou de restaurante. Só o que meus avós me ensinaram. Minha mãe também não era muito boa na cozinha e ela e meu pai nunca tiveram muito tempo para preparar comida. - ele respondeu, separando os ingredientes antes de ir até a geladeira, o que foi bem dificultado com os toques de Annica que só fizeram com que um calafrio agradável perpassasse o corpo do pescoço até os pés. - Eu… você gosta de cebolas e cogumelos? Vou fazer uma massa que minha avó fazia… <br />
<br />
Ele engoliu em seco, perdendo-se completamente nos itens que precisava para começar a fazer a comida, aproveitando a proximidade de Annica antes de fazer sentido dos itens a sua frente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Ouvir um pouco mais de Pietro falando sobre seus pais e sua família que não estavam mais ali lhe deixava com uma sensação indistinta, porque ele falava com carinho dos pais, e dos avós, e da convivência, mas agora morava naquele lugar sozinho. Talvez por isso ele quisesse tanto companhia pra preencher aquela sensação deixava por uma família grande. Annica sempre teve uma convivência muito focada apenas nos pais, e sem nenhum contato com outros parentes, então aqueles sentimentos eram algo diferente para a albina absorver.<br />
<br />
-- Gosto de comida temperada com cogumelos, principalmente apimentada, embora eu fique muito vermelha fácil comendo. -- brincou sem largar a cintura do namorado, o acompanhando pela cozinha, apoiou o queixo no ombro do mais velho, afinal apesar dele ser mais alto, as alturas eram próximas: -- Será que seu espiar daqui eu aprendo? -- comentou sem nenhuma seriedade na fala: -- ou será que eu vou ficar com fome mais cedo, vou acabar lhe mordendo no processo. -- o tom foi falsamente ameaçador e Annica mordiscou na linha da mandíbula de Pietro, seguido de uma sequência de beijinhos, sem deixá-lo muito livre pra de fato cozinhar em paz.<br />
<br />
-- Eu não tenho nenhuma receita secreta dos meus avós pra trocar pela sua, mas sei fazer uma Karjalanpiirakka que fica bem boa. -- comentou despretensiosa, mas era bem atípico que Annica falasse de sua família, além de um comentário ou outro falando que tinha avisado aos pais que passaria os dias na casa do namorado. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro concordou com um aceno de cabeça quando ela disse que ficava fácil com comida apimentada, mas sorriu um pouco mais descontraído, agradado da proximidade da namorada e dando uma risada breve com a pergunta dela se aprenderia só observando dali.<br />
<br />
- Eu não faço nada muito apimentado, talvez costume de preparar muita comida para crianças. - ele explicou, olhando brevemente por cima do ombro para o rosto da namorada quando ela ameaçou lhe morder no processo. Até podia ter tirado alguma conotação mais insinuante daquelas palavras e da atitude, mas foi impossível não lembrar como as crianças gostavam de se agarrar nele quando estava fazendo literalmente qualquer coisa na escola e na creche. - Eu acho que sua mordida não pode ser pior do que as crianças que eu cuido na creche. Pode me acompanhar daí, estou acostumado a fazer quase tudo com um bebê no colo ou uma criança agarrada na perna.<br />
<br />
Ele começou a lavar as verduras para preparar o molho e só então, percebeu como o comentário podia ter soado de modo insultante para uma mulher como Annica, e quase se virou completamente na direção dela, ainda olhando-a por cima do ombro, entretanto.<br />
<br />
- Ah, n-não estou dizendo que você é uma criança, eu… prefiro que seja você agarrada em mim e… - de novo, sentiu como se as palavras estivessem completamente erradas, e ficou um pouco mais vermelho para consertar. - Digo, não que eu prefira crianças… agarradas em mim. - ele fechou os olhos, franzindo o cenho e quase batendo a mão na testa, não fosse a cebola molhada ali. A expressão fechada parecia, de novo, de alguém muito mal-encarado. Mas ele torceu os lábios num bico discreto. - Mas… você disse que faz o quê? Lembro do dia que se apresentou com o seu sobrenome e eu não soube pronunciar. É alguma receita do seu país? Aprendeu com seus pais?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Ser comparada a uma criança não era algo necessariamente ruim, ao menos não no contexto de quem tinha a “pior mordida”, afinal, não era um documentário do discovery channel onde animais selvagens tinham suas mandíbulas postas a prova. Estava pronta pra dizer que se ele não se importava iria ficar grudada nele sem direito a folga, e que ele descobriria da pior maneira que era diferente de uma criança porque tinha um arsenal diferente para provocar, porém o próprio Pietro começou a se embolar com as comparações;<br />
<br />
E quanto mais ele tentava explicar, mais ele se enrolava com as palavras, e era engraçado que ele ficava entre lhe tratar de forma infantil e comentários que podiam ser compreendidos de outras formas mais sugestivas. E quando ele fechou os olhos tentando por tudo no lugar foi que ficou mais vermelho, ele era realmente um homem adorável, e aquilo lhe dava um pouco mais de paz, que poderia conversar com ele sem ser tão julgada. Sorriu divertida diante daquele conjunto de reações envergonhadas do namorado, e foi em tempo dele lhe perguntar sobre o que sabia preparar, porque afinal, não era francesa, não tinha um sobrenome francês e com certeza “Karjalanpiirakka” não era francês; <br />
<br />
-- Karjalanpiirakka é um prato finlandês, é como uma tortinha feita com grão de centeio onde você deixa o recheio por cima, é servido pra acompanhar café em lanches da tarde, você encontra em qualquer padaria.-- Annica permaneceu com os braços em torno do corpo de Pietro mas mostrou com as mãos o tamanho do que seria a tortinha mais ou menos do tamanho da palma da mão dela: -- Meus pais são psiquiatras, minha mãe dá aula em faculdade e é pesquisadora, meu pai trabalhou em Hospital e na clínica por vários anos, hoje em dia ele atende só alguns casos especiais, então eles nunca foram necessariamente “caseiros”, como essa receita é simples, eu aprendi olhando na internet. <br />
<br />
A albina sorriu e depositou um beijo amistoso no rosto do namorado, afundando o rosto na curva do pescoço do mesmo em um abraço longo quase sem deixar que ele continuasse cozinhando. Se afastou um pouco apenas para seguir conversando:<br />
<br />
 -- Eu ainda não tinha lhe chamado pra ir conhecer meus pais pelas coisas todas que ocorreram recentemente, mas nós temos tempo, ainda tem muita coisa sobre mim que você precisa conhecer além da minha família, e nos meus planos mirabolantes pessoais eu quero ficar bastante tempo com você senhor Pietro Étienne. -- Sorriu confidente, o rosto corado e fácil de notar aquela curta distância que estavam.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro não se preocupou em continuar o preparo do almoço com Annica abraçada à sua cintura, já estava bem treinado das crianças como ele mesmo tinha dito antes. Ela explicou o que era a comida, mostrando o tamanho do bolinho com as mãos.<br />
<br />
- Parece bom. Pode fazer pra gente comer depois. - Pietro sugeriu, colocando a massa no fogão enquanto seguia o preparo do molho.<br />
<br />
Prestou atenção no que ela tinha dito sobre os pais, sabia muito pouco da família de Annica e os dois ainda estavam se conhecendo melhor a despeito de todos os problemas no caminho. Até se distraiu no preparo da comida quando ela falou mais da família e de que pretendia lhe levar para conhecer os pais. A ideia até teria lhe deixado mais nervoso, mas o beijo suave no rosto e o conforto dela com o rosto apoiado em seu ombro lhe deixaram mais relaxado, e gostava muito da novidade de ver Annica vermelha de perto. Ele aproveitou a proximidade para devolver o beijo, mas nos lábios dela, suave, sentindo o próprio rosto corar por causa da declaração muito direta de que ela queria ficar muito tempo com ele.<br />
<br />
- Eu acho que nossos planos são parecidos então. - ele admitiu, com um sorriso sem graça, àquela altura, tendo ignorado completamente o preparo do molho pela metade. - Se seus pais trabalhavam tanto e você viu a receita na internet, não teve muito contato com eles crescendo? - ele perguntou, recuperando um pouco da compostura depois de admitir que tinha planos de ficar com a albina por muito tempo. - Meus pais me adotaram quando eu tinha cinco ou seis anos, eu não lembrava. Mas eles também sempre trabalharam muito em missões solidárias e ongs em países pobres e em guerra, por isso eu cresci mais com os meus avós aqui em Cerise. Eles me ensinaram muitas coisas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Era bom ficar na companhia do namorado e trocando carícias despretensiosas, era uma boa mudança de rumo considerando todas as atribulações que tinham passado até então, chegar naquele momento de tranquilidade de um relacionamento completamente “normal” era algo que a albina às vezes até duvidava estar acontecendo de verdade. Em contrapartida, lá no fundo da sua mente, tinha uma vozinha que dizia que talvez aquela paz acabasse quando Pietro lhe conhecesse mais a fundo. Mas não deixou que o pensamento pessimista tomasse conta de sua mente, quando o namorado sugeriu que fizesse a comida finlandesa depois para um lanche. Acenou em concordância, e aceitou de bom grado o beijo singelo nos lábios, era bom poder espiar de perto o namorado desconcertado e com as bochechas tomadas pelo rubor.<br />
<br />
E ouvindo o relato do mais velho sobre também ter crescido razoavelmente distante dos pais, pensava que eles até tinham mais coisas em comum do que podia supor em uma primeira olhada: -- Diferente de você, eu não tinha avós próximos pra fazer esses cuidados, era tutelada pelo meu irmão mais velho. O que era o mesmo que nada. -- a albina fez uma careta leve, demonstrando claramente que não gostava do irmão:<br />
<br />
-- E bem, eu era muito tímida quando criança, o fato de ser albina trazia um quê de exótico que as crianças sempre foram bem malvadas em destacar, então eu sempre fui bem reclusa, até a adolescência. Só ganhei confiança depois de vir pro internato feminino aqui em Cerise. Então, podemos dizer, que a minha vida, assim como a sua, caminhou melhor nessa cidadezinha do interior. Obrigada Cerise. -- Annica tomou um ar mais brincalhão em sua frase, mas se afastou do mais alto mesmo que fosse muito divertido ficar grudada nele atrapalhando mais que ajudando, ainda queria que aquele almoço saísse hoje: -- eu vou lhe dar uma folga dos meus abraços, mas apenas o tempo suficiente deu fazer um suco e você terminar nossa comida. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro tentou voltar a concentração ao preparo do molho para terminar o almoço, mas era fácil se perder com a proximidade de Annica. Podia ignorar mais fácil outras crianças, mas não a namorada estando tão perto dele e com os toques tão carinhosos. E era uma sensação que gostava de apreciar. Foi uma novidade interessante que ela tinha um irmão mais velho e que parecia não gostar muito, mas ele ficou bem mais concentrado imaginando como tinha sido uma Annica criança albina, devia pedir algumas fotos depois, quem sabe?<br />
<br />
- Eu queria ver você como criança. Me deixou curioso. - Pietro respondeu, concordando então com um aceno de cabeça sobre como Cerise tinha encaminhado melhor a vida dela. E a sua também, a despeito dos estranhos acontecimentos recentes. - Cerise me trouxe algumas surpresas estranhas… mas acho que tenho saldo positivo.<br />
<br />
Ele só concordou com um aceno de cabeça quando ela se afastou para fazer o suco, e daí em diante, o preparo da comida foi bem mais rápido, para terem o almoço pronto em pouco menos de meia hora.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Estar na companhia do namorado era tão bom que parecia surreal, e sempre tinha aquela sensação quando estava com suas namoradas de paixonite dentro do dormitório, tinha aquele zumbido em sua cabeça dizendo que talvez não merecesse fazer parte daquela felicidade. E mesmo agora, e sabendo que aquilo era apenas o seu medo natural de rejeição e que era algo natural de se ter, pensava que os anos tinham lhe deixado mais segura sobre isso. O que não era tão verdade no fim das contas, ou talvez fosse justamente por estar namorando um homem e tudo sobre essa relação era algo “novo” pra explorar. <br />
<br />
E sabia que falar sobre família lhe levaria para o tópico de como deveria ser enquanto “criança”, não podia negar aquele pensamento, considerando que Pietro trabalhava com crianças era algo que ele com certeza deveria achar apenas “natural” de se perguntar e falar. No entanto, lembrar da sua infância não era exatamente “confortável”, mas não podia falar sobre esses desconfortos sem passar pelo tópico de ser uma criança trans, e como todo esse processo foi tortuoso. E pensar demais sobre o assunto acabou lhe deixando mais calada, embora ainda mantivesse o sorriso no rosto que bem tinha aprendido a sustentar, não conseguia engatar assuntos pra conversar, apenas comentários aqui e ali sobre a comida estar boa, sobre o clima e coisas mais superficiais. Depois de terminar a refeição a própria Annica se levantou da mesa e recolheu os pratos pra lavar a pouca louça:<br />
<br />
-- Quem cozinha não lava louça. -- a tentativa de fazer uma graça, saiu mais como um comentário genérico. E junto a pia já de costas para Pietro cuidando da pouca louça, Annica nem tinha ideia do que poderiam fazer do resto do dia, era como se não tivesse mais cabeça pra fazer nada, e mesmo que tivesse muitos anos de terapia, era notório até pra própria albina que o assunto sugava suas energias:<br />
<br />
 -- Se quiser podemos ver um filme ou começar uma série, ou  mesmo só descansar, estou sem ideias admito, aceito sugestões…<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Não demorou muito para terminar de fazer o almoço e logo os dois se sentaram à mesa da cozinha para comer, do mesmo modo, não demorou muito para que Pietro percebesse que havia algo de diferente nas respostas mais breves de Annica e nas reações da albina, embora ele não entendesse inteiramente onde na conversa dos dois ou na refeição, ela tinha ficado daquele jeito. Também podia ser só impressão, afinal, Pietro estava mais acostumado a ler reações bem sinceras de crianças e Annica estava bem longe de ser uma.<br />
<br />
Quando eles encerraram o almoço e ela recolheu os pratos para deixar claro que iria lavar a louça, foi mais fácil para Pietro notar que não havia o tom de graça pretendido, o que lhe deixou um pouco mais incomodado a ponto dele nem negar que ela fosse arrumar a casa dele, afinal, independente de ter ou não feito a comida, ele certamente não a deixaria lavar os pratos. Enquanto começava a arrumação, ela ainda sugeriu que fizessem alguma coisa no resto do dia e Pietro pegou os outros pratos para parar ao lado dela diante da pia.<br />
<br />
- Podemos assistir um filme. - ele sugeriu, observando-a de lado com uma curiosidade crescente. - Você está bem? Eu fiz alguma coisa que não gostou?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Já fazia uma semana desde o acidente inesperado na funerária e Pietro estava se sentindo muito melhor até mesmo com as marcas no pescoço que tinham suavizado até sumir. Annica tinha passado aqueles dias com ele em sua casa, lhe ajudando a se cuidar, assim como a cuidar da casa, ele até tinha pensado em vender a casa e continuar num apartamento menor, já que agora estava sozinho, mas a sensação de ficar na casa em que tinha crescido com a companhia de Annica era tão confortável que estava repensando aquela ideia. Claro que havia uma série de implicações, desde o fato de que eles só tinham começado a namorar recentemente, até a ideia de realmente compartilhar uma casa com a mulher que tinha sido tão atenciosa, por isso, quando uma semana se passou e ele já estava bem o suficiente para voltar a ficar sozinho, ficou até animado quando Annica insistiu em passar mais uma semana lá para ter certeza de que ele não iria exagerar.<br />
<br />
Pietro seguiu naquele sábado de manhã até Limoges-Collet, a Academia feminina era aberta para visitação e desse jeito ele poderia ajudar Annica com algumas malas extras de roupas e itens pessoais para levar de volta para a sua casa e passar mais uma semana. Mas estava cada vez mais certo de que queria, pelo menos, sugerir que num futuro, mesmo que distante, os dois pudessem continuar compartilhando a experiência de morar juntos.<br />
<br />
Ele chegou aos terrenos da academia cheia de visitantes - a maioria deles eram mulheres - e não se surpreendeu com os olhares tortos em sua direção por causa da expressão fechada, mas ainda mandou uma mensagem para Annica avisando que estava lá. Não ajudava muito ainda ter algumas marcas levemente vermelhas no pescoço, embora houvesse também um contraste com a camisa básica com uma fileira de patinhos seguindo uma pata mãe. Pietro seguiu até um banco na sombra e resolveu sentar, tentar ser mais discreto e só esperar que Annica visse a sua mensagem.<br />
<br />
Mas mesmo que estivesse se esforçando para não chamar atenção, ele quase se assustou quando uma mulher se sentou bem ao seu lado, cruzando as pernas vestidas numa calça branca justa, os pés em saltos muito altos, e uma camisa preta folgada que deixava um dos ombros a mostra. Ela tinha a pele muito clara, só não tanto quanto Annica, e os cabelos curtos pretos em ondas leves caindo pelos olhos azuis. Pietro quase se sentou um pouco mais para o lado para deixá-la mais à vontade, mas a jovem o encarou de lado e se inclinou de maneira bem insinuosa em sua direção.<br />
<br />
- Por que está se afastando? Eu não mordo, sabia? Só se você quiser. - a jovem falou, com um sorriso nos lábios rosados que só deixou Pietro um tanto desconsertado. - Vi que estava um pouco fora de lugar, por isso resolvi vir lhe fazer companhia, está esperando alguém ou queria fazer um tour pela academia feminina? Se estiver procurando alguém com quem sair, estou disponível, monsieur.<br />
<br />
Pietro quase se inclinou mais para longe, como se estivesse prestes a ser devorado, numa sensação estranha. Todas as jovens da academia agiam daquele jeito?<br />
<br />
- Estou… esperando alguém. - foi o que ele conseguiu responder, notando a mulher se inclinando um pouco mais.<br />
<br />
- Podemos esperar juntos então.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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A última semana tinha começado cheia de emoções fortes com um susto em relação a saúde do namorado devido a um ataque na funerária por um estranho, ou “não tão estranho” segundo o que Pietro estava pensando. Muito se conversou sobre o assunto, e uma semana se passou muito rápido com a albina na casa do namorado, dividindo sua rotina entre seus trabalhos e os cuidados com o moreno mais velho. Era como sua mãe tinha apontado, um “grande avanço” em sua forma de se relacionar, para quem tinha se mantido por muitos anos acreditando que tinha apenas interesse por mulheres, sem se envolver profundamente com ninguém de qualquer sexo. Estar em um relacionamento sério e estável com um homem era um passo enorme em sua vida, e até estava se saindo bem, afinal com a mente ocupada em tomar conta da saúde de Pietro sobrava pouco espaço para alimentar inseguranças e teorias da conspiração.<br />
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No entanto, seu pai já tinha lhe perguntado se tinha tratado sobre todos os detalhes com o novo namorado, e a verdade é que tinham um relacionamento recente, e apesar das emoções fortes, ainda tinham muita coisa que precisavam falar, principalmente da parte da albina. Talvez por isso também, que Annica tivesse decidido estender sua estadia na casa do namorado, para além de ficar de olho no moreno pra ele não exagerar, acreditava que agora com a situação mais calma, podia finalmente entrar no assunto.<br />
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Naquele sábado podia aproveitar que o namorado podia entrar na academia feminina pra lhe ajudar, não que de fato precisasse de alguém carregando suas coisas, mas sabia que ele ficava feliz em se sentir útil e ajudar ela nessas atividades diárias. Naquele dia estava usando um vestido claro estampado de tecido fino, um cinto marcando a cintura fina, meia calça preta, e um cardigã também de tecido fino amarelo, para cobrir os braços e evitar de tomar sol desnecessariamente. Viu a mensagem de Pietro e a respondeu indicando que o encontraria em breve, adicionou que estava de amarelo e ia ser fácil de ver de longe. <br />
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Caminhou pelos corredores cumprimentando outras alunas, puxando uma mala pequena de rodinhas sem muito trabalho, e quando estava já fora dos prédios, não era difícil de achar o namorado, afinal, mesmo que ele quisesse passar despercebido ele não era nem um pouco discreto. Mas qual foi a surpresa da albina quando notou quem estava sentada bem ao lado do moreno, sorriu porque sabendo como Pietro era tímido, uma pessoa como Hanna certamente devia deixá-lo ainda mais sem jeito.<br />
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- Hora, hora Pietro, eu deixo você esperando só uns minutinhos e já está fazendo novas amizades? -  a albina falou num falso tom acusatório, sorrindo em seguida, e encarando a amiga: - Olá Hanna, e então, ele não é exatamente do jeito que eu descrevi? Lindo. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Hanna/Pietro</span></div>
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Pietro franziu mais o cenho com a aproximação da jovem ao seu lado, e aquilo não ficava nada bom para qualquer pessoa que estivesse vendo de fora, porque no mínimo ele pareceria estar sendo agressivo com a jovem, quando só estava muito desconfortável. <br />
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- Não precisa. - Pietro respondeu, e mesmo a expressão fechada não fez com que a jovem se afastasse, na verdade, ela sorriu ainda mais e se aproximou um pouco, o que fez Pietro sentir um calafrio estranho de desconforto.<br />
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- Você tem essa cara assustadora aí, mas na verdade, não faz mal a uma mosca, não é? - ela sorriu largamente, inclinando o ombro até tocar o de Pietro, que engoliu em seco. - Eu não sou boa em ler pessoas em geral, mas de gente ruim, eu entendo bem, hm.<br />
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- Eu não sou ruim. E é a minha cara de sempre... - respondeu Pietro, afastando-se do toque dela e percebeu que o assento do banco estava até acabando.<br />
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- E mesmo com essa cara fechada, você é muito bonito de perto, sabia? - ela sorriu mais largo, e daquela vez, não foi só o desconforto da proximidade, mas Pietro sentiu o corpo todo esquentar, principalmente as maçãs do rosto e as orelhas. - Oh...! Quem diria...! Você fica muito fofo constrangido, sabia?!<br />
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O elogio da jovem intensificou o vermelho do rosto e sumiu com as palavras que ele queria usar para protestar. Mas uma onda de alívio perpassou o corpo quando ouviu a voz conhecida da namorada e ergueu o olhar na direção dela, levantando-se quase de um pulo para ficar ao lado de Annica, um sorriso discreto quase inconsciente surgindo ao observar a namorada nas roupas casuais.<br />
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- Não, eu não estav- - ele nem teve tempo de negar a tal nova amizade, quando Annica falou com a jovem que estivera sentada e reforçou como ele era "lindo". A única reação de Pietro foi baixar o rosto, e se as orelhas já estavam vermelhas, até a nuca esquentou com o elogio direto da namorada.<br />
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- Bem mais quando não está com a expressão fechada. - Hanna concordou com a amiga. - Hm, quem diria, Anni? Eu realmente achei que se fosse arrumar um namorado, ele seria mais... feminino. Não um homem maravilhoso em todos os sentidos. - já tinha ficado bem óbvio que ele não sabia lidar com os elogios, e se fosse possível, Pietro teria tentado se esconder atrás de Annica, ou em algum buraco.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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A albina não podia negar que se divertia em provocar os outros, era um lado seu não muito bonito, mas não devia ser criminoso poder tirar umas expressões divertidas dos outros, principalmente quando tinha um namorado que ao menor sinal de elogio mudava drasticamente da cara de “mafioso” para “fofo envergonhado”. E bem sabia que aquele ponto tinha em comum com a morena mais nova, no entanto, também sabia que nesse jogo de: “quem provoca quem”, Hanna tinha bem mais munição para se divertir que a própria albina. <br />
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Annica sorriu mantendo o ar divertido e virou o rosto na direção de Pietro, encarando-o longamento, e podendo perceber todo o constrangimento do namorado ao ser elogiado tão diretamente. A albina prontamente levou a mão até o rosto do moreno mais alto, passando as pontas dos dedinhos pela lateral da face alheia até o queixo de Pietro, em um gesto delicado e feminino, notoriamente fazendo charminho.<br />
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-- nunca é tarde pra se descobrir Bi, não é mesmo? - Annica sorriu convencida na direção do namorado, claro que aquele não era um ponto que tinham conversado abertamente, porém imaginava que não devia ter qualquer problema. Depois levou a mão até o ombro do mesmo repousando a ali em um carinho suave, e voltou a atenção para Hanna que ainda estava sentada: <br />
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-- Esse mocinho me deu um susto quando nos encontramos pela primeira vez, mas a cara “brava” é tudo propaganda enganosa, ele é um amorzinho completo. Só é teimoso, mas eu também sou, então nem posso reclamar. <br />
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Annica riu descontraída, parecendo muito a vontade de tratar do assunto “relacionamento”. E nem se estendeu demais de como se conheceram, até porque Hanna já conhecia aquela história toda, mas era sempre bom frisar na frente do namorado que ele era um “amorzinho de pessoa” apenas para assistir os 50 tons de vermelho vergonha que ele conseguia chegar.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Hanna/Pietro</span></div>
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Pietro queria ter perguntado a Annica se já estava tudo pronto para saírem de Limoges-Collet, mas todas as perguntas sensatas sumiram de sua mente quando os elogios da dona dos cabelos pretos continuaram e foram seguidos ainda dos de Annica, mais ainda quando a namorada se aproximou para tocar-lhe o rosto diretamente com uma declaração que passou completamente batida por um Pietro extremamente constrangido.<br />
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Bom, ao menos ela não tinha reforçado nenhum elogio. E Pietro conseguiu respirar mais aliviado quando ela se virou para falar com a outra jovem. Só não teve tempo de sentir o rosto esfriar, porque as palavras que seguiram de Annica sobre ele ser um "amorzinho" só pioraram o estado do calor no seu rosto e no resto do corpo, numa reação quase automática, ele virou o rosto para o lado, cobrindo a boca com uma das mãos, que também estava começando a ficar vermelha.<br />
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- Ora, ora, eu adoro ser surpreendida, especialmente por propagandas enganosas, hm? - Hanna fez questão de se colocar de pé, levando a mão até a altura do peito de Pietro. Mas não tocou no outro, só insinuou a proximidade do toque e trouxe a mão de volta ao rosto, tocando os lábios sorridentes com a ponta dos dedos ao desviar o olhar da expressão vermelha de Pietro para a descontraída de Annica. - Mas se ele foi capaz de fazer com que você se descobrisse bi, Anni... imagino todas as coisas das quais ele é capaz na cama.<br />
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Ela alargou ainda mais o sorriso ao encarar Annica, afinal, as duas tinham se aproximado através de um contato físico muito íntimo. Embora Annica tivesse receio com homens, se ela tinha decidido namorar o rapaz de expressão constrangida, talvez ele tivesse mostrado muitas novidades na cama. Quando Hanna voltou a atenção para Pietro, entretanto, os olhos levemente arregalados do outro denunciavam que ele estava, no mínimo, prestes a desmaiar.<br />
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- Você é tão bom assim, Pietro?<br />
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Pietro definitivamente iria desmaiar.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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Annica sabia o que viria depois de Hanna se levantar, seria bom se fosse apenas as duas brincando de deixar seu namorado mais e mais constrangido, porém, sabia que logo a própria albina seria atingida no fogo cruzado. E antes mesmo que pudesse se preparar para o que vinha, Hanna já estava perguntando diretamente se ele era bom de cama. Mesmo que sexo fosse um assunto incrivelmente casual para as duas tratarem, aquilo era um universo paralelo em se tratando de Pietro, nem tinham chegado perto de abordar o assunto. E por ser uma pessoa de pele muito branca, qualquer mínima alteração de humor ficava facilmente evidente, num rubor que não lhe era natural alcançando as maçãs do rosto pálido.<br />
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- Eu imagino que muitos tipos de coisas também. - Brincou, delatando que nem ela sabia a extensão das habilidades do namorado naquele quesito em específico: - Sendo bem sincera a gente nem teve tempo de se aventurar ainda, aconteceu um monte de coisas seguidas, e ele ainda está se recuperando de uma saída recente do hospital. - Claro que sabia que aquela explicação não ajudaria em nada, e seria zoada do mesmo jeito por ser “lenta” e bem, pra o seu padrão de abordagem até que estava indo devagar, mas tinha seus motivos e travas pessoais pra lidar:<br />
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- Mas ainda temos um fim de semana inteiro e o restante da semana de folga pra aproveitar, não é Pietro? - sabia que isso deixaria o namorado perplecto, porque nem ele deveria ter aquelas pretensões, mas já que tinham entrado no assunto, não tinha pra onde fugir, era entrar no meio das provocações e dançar junto. <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
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A expressão só de Pietro já tinha denunciado bastante para Hanna que os dois não tinham avançado muito, mas foi uma novidade muito interessante ver como o rosto pálido de Annica se iluminou em muitos tons de vermelho quando ela foi bem direta sobre como Pietro devia ser bom de cama. Era engraçado como a albina ainda estava tentando se manter firme mesmo que estivesse muito constrangida, e daquela vez, Hanna se aproximou de Annica, com quem tinha mais liberdade de se aproximar e tocar também.<br />
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- Que pena, espero que tenha se recuperado totalmente então, acho um desperdício que não tenham avançado até esse ponto. - Hanna se aproximou, deslizando a mão pelo braço de Annica até os dedos tocarem na palma da mão da albina e entrelaçar os dedos aos dela, levantando a mão na altura do seu rosto para tocar os nós dos dedos de Annica com os lábios, dessa vez, desviando o olhar de modo insinuante para Pietro. - Se não passarem dessa parte, como é que vou poder me convidar para uma sessão a três? Vai ser divertido.<br />
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Pietro podia estar vermelho em muitos níveis, mas o vermelho de constrangimento tomou uma forma diferente quando a tal Hanna insinuou muito mais intimidade com Annica e com ele mesmo do que estava esperando. Mais ainda porque descobriu não gostar muito daquela invasão, menos ainda do rosto embaraçado de Annica que demonstrava pelo menos um pequeno nível de desconforto - pelo menos não gostava do fato de que Hanna tinha provocado aquilo.<br />
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Sem pensar muito, ele estendeu a mão na direção de Annica e segurou a mão livre dela com a sua, puxando-a de modo cuidadoso, mas ainda assim, firme, para se colocar entre as duas mulheres e encarar Hanna com a mesma expressão costumeiramente fechada de antes.<br />
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- Acho que é hora de ir embora. - ele anunciou para Annica, esperando alguma confirmação só para poder se livrar da amiga muito insinuante que ainda lhe lançou um sorriso muito largo e aparentemente entretido com toda a situação.<br />
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- Hm, não quer perder mais tempo, não é? Gostei muito dele, Anni.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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E claro que sua tentativa de se manter na troca de provocações não foi totalmente convincente para Hanna, que logo tinha se aproximado e tocado em sua mão, jogando charme como a morena bem sabia fazer. Obviamente apenas o jeito insinuante da mais nova já era o suficiente para lhe tirar um par de reações, quem dirá quando tinha dado munição para que ela usasse a situação ao seu favor. Não podia nem julgar Hanna porque tinha o mesmo tipo de pensamento e acabaria fazendo algo parecido no lugar dela.<br />
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Annica não era uma pessoa de ciúmes intensos, em verdade não tinha problema em experimentar coisas que envolvessem outras mulheres, suas travas pessoais estavam todas em lidar e se relacionar com homens. Porém, mesmo que tivesse uma mente bem aberta, a ideia de fazer uma aventura a três com Pietro lhe arrancou um arquear de sobrancelhas, com ares de surpresa - embora houvesse surpresa zero em ser justo Hanna a propor aquilo -  a albina sorriu tentando manter a compostura, mas era fácil de notar que ela tinha ficado levemente constrangida com a ideia. Não que fosse uma proposta ruim, mas era meio “rápido demais” pra quem ainda estava se acostumando a própria atração por corpos masculinos.<br />
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A albina abriu a boca pra responder a provocação e manter o joguete, mas foi em tempo de Pietro tomar-lhe a mão livre e se por entre elas duas, Annica encarou o namorado demonstrando leve surpresa com aquele lado protetor e “enciumado” (?). E ainda piscou um par de vezes com a forma como ele disse que era hora de ir embora:<br />
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-- Não tem como não gostar dele! - a albina sorriu descontraída e encarou a amiga, aproveitando que estavam todos próximos e se inclinou levemente, puxando dessa vez a mão de Hanna para depositar um beijo amigável no topo da mesma, já que ela não tinha largado sua mão: -- Depois vamos ter muito o que conversar, mas hoje e o resto da semana meu tempo é do Pietro.<br />
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Depois apertou suavemente a mão de Pietro na sua, chamando-lhe a atenção encarando o mais alto com um sorriso radiante de animação: - Podemos ir sim! <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
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Hanna não teve muita alternativa senão dar espaço para os dois, não que a expressão supostamente ameaçadora de Pietro fosse eficaz em lhe distanciar, mas ela aceitou o beijo de Annica e deixou que ela se livrasse de suas investidas - por enquanto.<br />
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- Me lembre de marcarmos algo para sair um dia desses, Anni. - Hanna indicou, antes que a albina de fato se afastasse. Pietro tinha se colocado entre as duas com mais veemência daquela vez. - Não precisa ficar com a guarda tão alta, Pietro. Eu não mordo. Só se pedir.<br />
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Se possível, a testa de Pietro ficou ainda mais franzida em desagrado com a insinuação de Hanna, e com os dedos entrelaçados aos de Annica, eles finalmente seguiram para fora dos terrenos de Limoges-Collet para pegar um táxi e voltar até a sua casa. Ele ajudou a namorada com as poucas malas que ela tinha para passar aquela semana a mais em sua casa e em pouco mais de dez minutos, já estavam parando diante da entrada da sua casa.<br />
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- Desculpe por interromper… a conversa com a sua amiga. - Pietro pediu, quando entraram em casa, embora ele não tivesse a menor intenção de realmente se desculpar em querer afastar a namorada daquelas insinuações inapropriadas. Bom, pelo menos enquanto eles não tinham nem metade daquela intimidade, que ficou bem evidente pelas palavras e gestos entre as duas.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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Os comentários de Hanna deixavam bem claro para albina que teriam mais daquela dinâmica, e que com certeza Pietro ficaria mais enciumado, o que era engraçado de se lidar, porque não tinha nem competição ali pra se ter ciúmes. Mas conseguia entender parte do sentimento do namorado, afinal ainda tinham muitas coisas pra conversar e outras para se aventurar, e agora que finalmente pareciam ter uns 20 centavos de paz e tranquilidade, sem alguma emergência acontecendo no meio do caminho. <br />
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Ao chegarem na casa do moreno mais alto, ouviu o pedido de desculpas, que não parecia de fato um sinal de arrependimento, e apenas esperou que o mais velho fechasse a porta para de fato estarem a sós naquela casa. Annica se aproximou do mais alto e reduzindo a distância levando as duas mãos até os ombros do namorado, deslizando a ponta dos dedos ali em um carinho: -- pra se desculpar você precisa pelo menos parecer arrependido, pelo menos um pouquinho. -- a albina comentou com um sorriso no rosto, sem parecer brava com a situação, e desenhou caminho pelos ombros até o pescoço de Pietro, seguido para o rosto, fazendo um carinho com os polegares enquanto o observava longamente:<br />
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 -- Você não precisa ficar chateado Pietro, é você que é meu namorado, e agora eu sou toda sua e sem ninguém pra atrapalhar. <br />
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Annica encostou a ponta do nariz em uma carícia suave mantendo o sorriso divertido de quem se entretinha tirando reações do namorado, em seguida beijou-lhe os lábios de forma igualmente carinhosa, sorrindo contra os lábios dele. Afinal apreciava aquela dinâmica de ter um namorado e poder encher ele de carinhos, beijos e abraços: -- vai dizer que não está feliz deu estar aqui por mais uns dias? -  a albina sussurrou num tom confidente para o mais alto.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
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Depois de fechar a porta, Annica cortou a distância entre os dois e foi fácil para a albina notar que ele não estava realmente com a intenção de se desculpar. Mas como uma criança que tinha sido devidamente repreendida, ele baixou um pouco a cabeça, daquela vez, bem mais sincero em repetir o pedido de desculpas.<br />
<br />
- Desculpe. - não pelo que tinha feito com Hanna, mas pela tentativa de se desculpar sem estar arrependido. Ele não ficou com a cabeça baixa muito tempo, logo sentiu o toque em seus ombros, pescoço e até o rosto, os polegares frios da namorada delineando seu rosto, e a definição dela de que era toda dele e não tinha ninguém para atrapalhar lhe causou um novo calor no rosto, as maçãs ficando vermelhas de novo. - Hm.<br />
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Ele só se rendeu às carícias da namorada e sentiu o beijo suave e gentil, o corpo todo relaxando ao mesmo tempo que ansiava e aproveitava o toque, e à medida que as carícias permaneceram suaves e ela ainda lhe sussurrou uma pergunta muito pontual sobre estar feliz ou não com a companhia, a resposta deixou os lábios de Pietro sem que ele ao menos percebesse.<br />
<br />
- Vou ficar mais feliz quando ficar o resto da vida. - a resposta foi sincera, mas talvez sincera demais até para Pietro, que percebeu as próprias palavras e voltou aos sentidos, arregalando um pouco os olhos e o rosto ficando ainda mais vermelho. Ele desviou a atenção para as malas de Annica, engolindo em seco por um instante. - Eu… vou levar as suas coisas para o quarto.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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Era sempre uma satisfação ver como o namorado a despeito da expressão fechada, ficava terrivelmente envergonhado com as carícias mais suaves que trocavam, a albina sentia o corpo bem leve e já estava suficientemente relaxada na companhia do namorado. E parecia que Pietro também estava bastante à vontade, a ponto das palavras fugirem em confissões que ele talvez não quisesse expor ainda. A albina encarou o outro na curta distância, notando o tom vermelho mais acentuado do que o costumeiro, os olhos arregalados como se ele tivesse tomado ciência das próprias palavras apenas depois de dizer. Annica não teve uma reação imediata além de surpresa porque estavam namorando a pouco tempo, para ouvir uma declaração tão séria, afinal não eram adolescentes apaixonados, eram dois adultos, e aquela confissão certamente lhe pegou desprevenida. <br />
<br />
Tanto que a albina não ofereceu nenhuma resistência a ele se afastar e pegar sua mala para levar ao primeiro andar. A declaração do moreno, não somente era um deslize “fofo” dos sentimentos honestos dele, como também lembrava a Annica que ela mesma devia a ele um pouco mais de sinceridade sobre si mesma. Será que ele manteria esse mesmo pensamento depois de lhe conhecer mais profundamente? <br />
<br />
Annica caminhou até a cozinha, para tomar um copo de água e acalmar os pensamentos, e organizá-los, afinal, se queria que Pietro lhe aceitasse completamente, era porque gostava dele com mais intensidade do que outras namoradas com quem já tinha se aventurado na academia feminina:<br />
<br />
-- Vamos cozinhar o almoço ou vamos pedir comida? -- a albina comentou num tom mais alto, para que o namorado pudesse ouvir de qualquer ponto da casa, enquanto permanecia na cozinha, olhando para o próprio copo de água. Talvez fosse o momento de entrar nas miudezas de sua vida? Não tinha nada de errado em ser quem era, e imaginava que dada a personalidade do outro, não haveria qualquer problema, porém, um vermezinho de insegurança ainda morava no seu pensamento quando se tratava de sua transexualidade.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
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Pietro fugiu da entrada da casa antes de ter qualquer oportunidade de ouvir alguma resposta de Annica, se é que ela tinha tentado. Ainda respirou fundo algumas vezes para retomar o controle dos próprios pensamentos, especialmente porque ele realmente tinha deixado escapar um comentário tão sério. Só podia ser algum efeito colateral de estar muito apaixonado pela namorada e agir como um idiota sem filtros, mesmo que não lembrasse daquilo ter acontecido outras vezes.<br />
<br />
Depois de guardar as malas de Annica, ele retornou para a cozinha, num estado de espírito bem mais recomposto. Demorou alguns minutos a mais, mas foi muito mais fácil agir normal quando ela perguntou o que fariam para o almoço.<br />
<br />
- Eu posso fazer o almoço, eu não fiz muita coisa enquanto estava me recuperando, então… eu posso fazer isso. - Pietro respondeu, com um sorriso discreto, já se movendo pela cozinha para pegar os ingredientes nos armários e pensar no que preparar. - Você tem alguma preferência? Desculpe, não sei fazer nada muito complicado.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
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A albina não ficou tanto tempo sozinha com seus pensamentos na cozinha, logo o outro apareceu no portal com um rosto mais recomposto depois da declaração que tinha dito. Será que deveria lembrá-lo das próprias palavras ou apenas seguir como se não tivesse ouvido? Guardaria aquela declaração honesta pelo menos por agora, queria ter aquela honestidade pra deixar as palavras simplesmente deslizarem pra fora, mas era tão mais difícil para si. <br />
<br />
Annica colocou o copo de água na pia e observou o moreno andando pela cozinha, indo até os armários altos e se desculpando por não saber fazer algo “complicado”. A albina sorriu se aproximando do mais velho pelas costas e passando as mãos pela cintura do mesmo e beijando-lhe sobre o ombro de forma carinhosa: -- eu não sei qual seria seu conceito de comida complicada, o que você fizer pra mim está bom. -- e Annica não se afastou aproveitando o pescoço e nuca livres do moreno mais alto, para soprar ali e encostar a ponta do nariz gelado, fazendo graça: -- Você empenhado em cozinhar tudo arrumadinho, e meu único empenho é ficar aqui, pertinho, acho que vou atrapalhar você um pouquinho. <br />
<br />
A albina sorriu com ar de quem estava se divertindo com aquela proximidade, e estava buscando ficar mais perto dele do que costumeiramente ficava.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro deu de ombros quando parou nos armários para tirar a comida e as panelas, procurando alguma massa que seria mais fácil e rápida de fazer, quando a albina falou que não sabia exatamente o que ele queria dizer com comida complicada. Mas antes de racionalizar a resposta, ele sentiu o toque pela cintura e o beijo breve e agradável sobre o ombro, que lhe fizeram sorrir de modo discreto.<br />
<br />
- Eu não faço nada elegante como aquelas comidas de televisão ou de restaurante. Só o que meus avós me ensinaram. Minha mãe também não era muito boa na cozinha e ela e meu pai nunca tiveram muito tempo para preparar comida. - ele respondeu, separando os ingredientes antes de ir até a geladeira, o que foi bem dificultado com os toques de Annica que só fizeram com que um calafrio agradável perpassasse o corpo do pescoço até os pés. - Eu… você gosta de cebolas e cogumelos? Vou fazer uma massa que minha avó fazia… <br />
<br />
Ele engoliu em seco, perdendo-se completamente nos itens que precisava para começar a fazer a comida, aproveitando a proximidade de Annica antes de fazer sentido dos itens a sua frente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Ouvir um pouco mais de Pietro falando sobre seus pais e sua família que não estavam mais ali lhe deixava com uma sensação indistinta, porque ele falava com carinho dos pais, e dos avós, e da convivência, mas agora morava naquele lugar sozinho. Talvez por isso ele quisesse tanto companhia pra preencher aquela sensação deixava por uma família grande. Annica sempre teve uma convivência muito focada apenas nos pais, e sem nenhum contato com outros parentes, então aqueles sentimentos eram algo diferente para a albina absorver.<br />
<br />
-- Gosto de comida temperada com cogumelos, principalmente apimentada, embora eu fique muito vermelha fácil comendo. -- brincou sem largar a cintura do namorado, o acompanhando pela cozinha, apoiou o queixo no ombro do mais velho, afinal apesar dele ser mais alto, as alturas eram próximas: -- Será que seu espiar daqui eu aprendo? -- comentou sem nenhuma seriedade na fala: -- ou será que eu vou ficar com fome mais cedo, vou acabar lhe mordendo no processo. -- o tom foi falsamente ameaçador e Annica mordiscou na linha da mandíbula de Pietro, seguido de uma sequência de beijinhos, sem deixá-lo muito livre pra de fato cozinhar em paz.<br />
<br />
-- Eu não tenho nenhuma receita secreta dos meus avós pra trocar pela sua, mas sei fazer uma Karjalanpiirakka que fica bem boa. -- comentou despretensiosa, mas era bem atípico que Annica falasse de sua família, além de um comentário ou outro falando que tinha avisado aos pais que passaria os dias na casa do namorado. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro concordou com um aceno de cabeça quando ela disse que ficava fácil com comida apimentada, mas sorriu um pouco mais descontraído, agradado da proximidade da namorada e dando uma risada breve com a pergunta dela se aprenderia só observando dali.<br />
<br />
- Eu não faço nada muito apimentado, talvez costume de preparar muita comida para crianças. - ele explicou, olhando brevemente por cima do ombro para o rosto da namorada quando ela ameaçou lhe morder no processo. Até podia ter tirado alguma conotação mais insinuante daquelas palavras e da atitude, mas foi impossível não lembrar como as crianças gostavam de se agarrar nele quando estava fazendo literalmente qualquer coisa na escola e na creche. - Eu acho que sua mordida não pode ser pior do que as crianças que eu cuido na creche. Pode me acompanhar daí, estou acostumado a fazer quase tudo com um bebê no colo ou uma criança agarrada na perna.<br />
<br />
Ele começou a lavar as verduras para preparar o molho e só então, percebeu como o comentário podia ter soado de modo insultante para uma mulher como Annica, e quase se virou completamente na direção dela, ainda olhando-a por cima do ombro, entretanto.<br />
<br />
- Ah, n-não estou dizendo que você é uma criança, eu… prefiro que seja você agarrada em mim e… - de novo, sentiu como se as palavras estivessem completamente erradas, e ficou um pouco mais vermelho para consertar. - Digo, não que eu prefira crianças… agarradas em mim. - ele fechou os olhos, franzindo o cenho e quase batendo a mão na testa, não fosse a cebola molhada ali. A expressão fechada parecia, de novo, de alguém muito mal-encarado. Mas ele torceu os lábios num bico discreto. - Mas… você disse que faz o quê? Lembro do dia que se apresentou com o seu sobrenome e eu não soube pronunciar. É alguma receita do seu país? Aprendeu com seus pais?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Ser comparada a uma criança não era algo necessariamente ruim, ao menos não no contexto de quem tinha a “pior mordida”, afinal, não era um documentário do discovery channel onde animais selvagens tinham suas mandíbulas postas a prova. Estava pronta pra dizer que se ele não se importava iria ficar grudada nele sem direito a folga, e que ele descobriria da pior maneira que era diferente de uma criança porque tinha um arsenal diferente para provocar, porém o próprio Pietro começou a se embolar com as comparações;<br />
<br />
E quanto mais ele tentava explicar, mais ele se enrolava com as palavras, e era engraçado que ele ficava entre lhe tratar de forma infantil e comentários que podiam ser compreendidos de outras formas mais sugestivas. E quando ele fechou os olhos tentando por tudo no lugar foi que ficou mais vermelho, ele era realmente um homem adorável, e aquilo lhe dava um pouco mais de paz, que poderia conversar com ele sem ser tão julgada. Sorriu divertida diante daquele conjunto de reações envergonhadas do namorado, e foi em tempo dele lhe perguntar sobre o que sabia preparar, porque afinal, não era francesa, não tinha um sobrenome francês e com certeza “Karjalanpiirakka” não era francês; <br />
<br />
-- Karjalanpiirakka é um prato finlandês, é como uma tortinha feita com grão de centeio onde você deixa o recheio por cima, é servido pra acompanhar café em lanches da tarde, você encontra em qualquer padaria.-- Annica permaneceu com os braços em torno do corpo de Pietro mas mostrou com as mãos o tamanho do que seria a tortinha mais ou menos do tamanho da palma da mão dela: -- Meus pais são psiquiatras, minha mãe dá aula em faculdade e é pesquisadora, meu pai trabalhou em Hospital e na clínica por vários anos, hoje em dia ele atende só alguns casos especiais, então eles nunca foram necessariamente “caseiros”, como essa receita é simples, eu aprendi olhando na internet. <br />
<br />
A albina sorriu e depositou um beijo amistoso no rosto do namorado, afundando o rosto na curva do pescoço do mesmo em um abraço longo quase sem deixar que ele continuasse cozinhando. Se afastou um pouco apenas para seguir conversando:<br />
<br />
 -- Eu ainda não tinha lhe chamado pra ir conhecer meus pais pelas coisas todas que ocorreram recentemente, mas nós temos tempo, ainda tem muita coisa sobre mim que você precisa conhecer além da minha família, e nos meus planos mirabolantes pessoais eu quero ficar bastante tempo com você senhor Pietro Étienne. -- Sorriu confidente, o rosto corado e fácil de notar aquela curta distância que estavam.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro não se preocupou em continuar o preparo do almoço com Annica abraçada à sua cintura, já estava bem treinado das crianças como ele mesmo tinha dito antes. Ela explicou o que era a comida, mostrando o tamanho do bolinho com as mãos.<br />
<br />
- Parece bom. Pode fazer pra gente comer depois. - Pietro sugeriu, colocando a massa no fogão enquanto seguia o preparo do molho.<br />
<br />
Prestou atenção no que ela tinha dito sobre os pais, sabia muito pouco da família de Annica e os dois ainda estavam se conhecendo melhor a despeito de todos os problemas no caminho. Até se distraiu no preparo da comida quando ela falou mais da família e de que pretendia lhe levar para conhecer os pais. A ideia até teria lhe deixado mais nervoso, mas o beijo suave no rosto e o conforto dela com o rosto apoiado em seu ombro lhe deixaram mais relaxado, e gostava muito da novidade de ver Annica vermelha de perto. Ele aproveitou a proximidade para devolver o beijo, mas nos lábios dela, suave, sentindo o próprio rosto corar por causa da declaração muito direta de que ela queria ficar muito tempo com ele.<br />
<br />
- Eu acho que nossos planos são parecidos então. - ele admitiu, com um sorriso sem graça, àquela altura, tendo ignorado completamente o preparo do molho pela metade. - Se seus pais trabalhavam tanto e você viu a receita na internet, não teve muito contato com eles crescendo? - ele perguntou, recuperando um pouco da compostura depois de admitir que tinha planos de ficar com a albina por muito tempo. - Meus pais me adotaram quando eu tinha cinco ou seis anos, eu não lembrava. Mas eles também sempre trabalharam muito em missões solidárias e ongs em países pobres e em guerra, por isso eu cresci mais com os meus avós aqui em Cerise. Eles me ensinaram muitas coisas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Era bom ficar na companhia do namorado e trocando carícias despretensiosas, era uma boa mudança de rumo considerando todas as atribulações que tinham passado até então, chegar naquele momento de tranquilidade de um relacionamento completamente “normal” era algo que a albina às vezes até duvidava estar acontecendo de verdade. Em contrapartida, lá no fundo da sua mente, tinha uma vozinha que dizia que talvez aquela paz acabasse quando Pietro lhe conhecesse mais a fundo. Mas não deixou que o pensamento pessimista tomasse conta de sua mente, quando o namorado sugeriu que fizesse a comida finlandesa depois para um lanche. Acenou em concordância, e aceitou de bom grado o beijo singelo nos lábios, era bom poder espiar de perto o namorado desconcertado e com as bochechas tomadas pelo rubor.<br />
<br />
E ouvindo o relato do mais velho sobre também ter crescido razoavelmente distante dos pais, pensava que eles até tinham mais coisas em comum do que podia supor em uma primeira olhada: -- Diferente de você, eu não tinha avós próximos pra fazer esses cuidados, era tutelada pelo meu irmão mais velho. O que era o mesmo que nada. -- a albina fez uma careta leve, demonstrando claramente que não gostava do irmão:<br />
<br />
-- E bem, eu era muito tímida quando criança, o fato de ser albina trazia um quê de exótico que as crianças sempre foram bem malvadas em destacar, então eu sempre fui bem reclusa, até a adolescência. Só ganhei confiança depois de vir pro internato feminino aqui em Cerise. Então, podemos dizer, que a minha vida, assim como a sua, caminhou melhor nessa cidadezinha do interior. Obrigada Cerise. -- Annica tomou um ar mais brincalhão em sua frase, mas se afastou do mais alto mesmo que fosse muito divertido ficar grudada nele atrapalhando mais que ajudando, ainda queria que aquele almoço saísse hoje: -- eu vou lhe dar uma folga dos meus abraços, mas apenas o tempo suficiente deu fazer um suco e você terminar nossa comida. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Pietro tentou voltar a concentração ao preparo do molho para terminar o almoço, mas era fácil se perder com a proximidade de Annica. Podia ignorar mais fácil outras crianças, mas não a namorada estando tão perto dele e com os toques tão carinhosos. E era uma sensação que gostava de apreciar. Foi uma novidade interessante que ela tinha um irmão mais velho e que parecia não gostar muito, mas ele ficou bem mais concentrado imaginando como tinha sido uma Annica criança albina, devia pedir algumas fotos depois, quem sabe?<br />
<br />
- Eu queria ver você como criança. Me deixou curioso. - Pietro respondeu, concordando então com um aceno de cabeça sobre como Cerise tinha encaminhado melhor a vida dela. E a sua também, a despeito dos estranhos acontecimentos recentes. - Cerise me trouxe algumas surpresas estranhas… mas acho que tenho saldo positivo.<br />
<br />
Ele só concordou com um aceno de cabeça quando ela se afastou para fazer o suco, e daí em diante, o preparo da comida foi bem mais rápido, para terem o almoço pronto em pouco menos de meia hora.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Annica</span></div>
<br />
Estar na companhia do namorado era tão bom que parecia surreal, e sempre tinha aquela sensação quando estava com suas namoradas de paixonite dentro do dormitório, tinha aquele zumbido em sua cabeça dizendo que talvez não merecesse fazer parte daquela felicidade. E mesmo agora, e sabendo que aquilo era apenas o seu medo natural de rejeição e que era algo natural de se ter, pensava que os anos tinham lhe deixado mais segura sobre isso. O que não era tão verdade no fim das contas, ou talvez fosse justamente por estar namorando um homem e tudo sobre essa relação era algo “novo” pra explorar. <br />
<br />
E sabia que falar sobre família lhe levaria para o tópico de como deveria ser enquanto “criança”, não podia negar aquele pensamento, considerando que Pietro trabalhava com crianças era algo que ele com certeza deveria achar apenas “natural” de se perguntar e falar. No entanto, lembrar da sua infância não era exatamente “confortável”, mas não podia falar sobre esses desconfortos sem passar pelo tópico de ser uma criança trans, e como todo esse processo foi tortuoso. E pensar demais sobre o assunto acabou lhe deixando mais calada, embora ainda mantivesse o sorriso no rosto que bem tinha aprendido a sustentar, não conseguia engatar assuntos pra conversar, apenas comentários aqui e ali sobre a comida estar boa, sobre o clima e coisas mais superficiais. Depois de terminar a refeição a própria Annica se levantou da mesa e recolheu os pratos pra lavar a pouca louça:<br />
<br />
-- Quem cozinha não lava louça. -- a tentativa de fazer uma graça, saiu mais como um comentário genérico. E junto a pia já de costas para Pietro cuidando da pouca louça, Annica nem tinha ideia do que poderiam fazer do resto do dia, era como se não tivesse mais cabeça pra fazer nada, e mesmo que tivesse muitos anos de terapia, era notório até pra própria albina que o assunto sugava suas energias:<br />
<br />
 -- Se quiser podemos ver um filme ou começar uma série, ou  mesmo só descansar, estou sem ideias admito, aceito sugestões…<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Pietro</span></div>
<br />
Não demorou muito para terminar de fazer o almoço e logo os dois se sentaram à mesa da cozinha para comer, do mesmo modo, não demorou muito para que Pietro percebesse que havia algo de diferente nas respostas mais breves de Annica e nas reações da albina, embora ele não entendesse inteiramente onde na conversa dos dois ou na refeição, ela tinha ficado daquele jeito. Também podia ser só impressão, afinal, Pietro estava mais acostumado a ler reações bem sinceras de crianças e Annica estava bem longe de ser uma.<br />
<br />
Quando eles encerraram o almoço e ela recolheu os pratos para deixar claro que iria lavar a louça, foi mais fácil para Pietro notar que não havia o tom de graça pretendido, o que lhe deixou um pouco mais incomodado a ponto dele nem negar que ela fosse arrumar a casa dele, afinal, independente de ter ou não feito a comida, ele certamente não a deixaria lavar os pratos. Enquanto começava a arrumação, ela ainda sugeriu que fizessem alguma coisa no resto do dia e Pietro pegou os outros pratos para parar ao lado dela diante da pia.<br />
<br />
- Podemos assistir um filme. - ele sugeriu, observando-a de lado com uma curiosidade crescente. - Você está bem? Eu fiz alguma coisa que não gostou?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Eat the Rich [Daniele]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=316</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:17:18 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=87">Renaud</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=316</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
Final do ano sempre era um período cheio de trabalho, fosse da academia masculina de St. Clavier, ou fosse do seu trabalho em Paris junto ao projeto de extensão. Naquele ano não era diferente, exceto talvez que houvesse mais eventos sociais em sua agenda, antes de Dezembro do que gostaria de comparecer. Queria ter feito algo mais interessante de seu aniversário do que passar fazendo sala para um punhado de madames da alta sociedade, e uma semana depois, lá estava o jovem Blanco arrumando as coisas para mais uma festa, pelo menos dessa vez não teria de encarar 2hs de direção pra capital. <br />
<br />
Quase podia sentir que todas aquelas atividades das quais nunca tinha sido convidado compulsoriamente a participar, tinham alguma intenção de sua mãe por trás. Mas teve a confirmação de que a mulher estava tramando algo quando viu na mensagem no celular que deveria ir acompanhado. Enquanto lia aquela palavra, lhe veio o flashback da quantidade de outras mulheres a qual tinha sido apresentado nos últimos quinze dias. O jovem Blanco riu, não era possível que sua mãe realmente acreditasse que não era capaz de arrumar uma namorada sozinho, a realidade era que não estava pensando minimamente em se relacionar com nenhuma mulher, muito menos uma mademoiselle da alta sociedade.<br />
<br />
Mas precisava pensar em algo para frear esse sentimento de urgência que sua mãe carregava de querer ser sua casamenteira particular, e enquanto caminhava de um lado a outro do quarto, uma ideia lhe veio a mente. Era uma péssima ideia, com certeza, mas aquilo certamente faria as coisas mudarem a seu favor. Com algumas ligações depois, e dada a fama da garota, era uma boa oportunidade de somar as más famas, conseguiu o número e logo ligou para uma loira curiosa que tinha encontrado uns dias atrás:<br />
<br />
-- Daniele Arianne, achei que ia ser mais difícil conseguir o seu número de telefone. -- o moreno mais velho brincou do outro lado da linha, esperando que a mais nova bem lembrasse de seu jeito debochado de falar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
Daniele, tava um pouco tediosa, como não tinha muito o que fazer, a não ser as atividades com clube e aulas, só para terminar as atividades. E esta semana e que esta estremamente dificil de suportar a Monique dava saindo com o pai em festas, Silvia aproveitou para viajar para a padaria do seu pai. Ou seja estava tudo fora do interesse da loira.<br />
<br />
Porém o telefone tocou. A garota não sabia quem era, o número não era conhecido, isso atiçou a sua curiosidade da loira - Alo! - Respondeu com uma voz calma e doce, demorou um pouco para tentar identificar quem era. - Monsieur Blanco, faz um tempo, hellhound?! - Dando a entender que a garota estava ciente de algumas coisa do mais velho. - Mas me diga Monsieur, em que posso ajudar? - a garota olhava para as unhas que precisava de um retoque.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
O fato da loira ter descoberto mais sobre seu apelido antigo em um período tão curto de tempo apenas provava seu ponto de que a garota tinha bastante potencial para o mal. Riu do outro lado da linha, notoriamente confortável em conversar com a garota: -- Como você está disposta, já quer me ajudar sem que eu mesmo não tenha pedido. -- Jogou seu tom charmoso sem esconder que tinhas boas segundas intenções ali: -- Quero lhe fazer uma proposta, se aceitar, lhe garanto uma noite de diversão regada a novos alvos para observar, além de causar forte desconforto em outros tantos. Se negar, vou ter de buscar na minha agenda alguma outra pessoa que seja tão sem noção quanto eu. <br />
<br />
Comentou sem dar muito mais detalhes adicionais, sabia como funcionava a moeda de troca entre os dois, a questão era, o quanto aquilo poderia ser possivelmente interessante para a mais nova. Mesmo que fosse arriscado, tinha de garantir que ela teria material para se divertir, afinal, quando dissesse o que era, ela provavelmente não veria a mesma diversão. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A loira se levanta da cama para sentar na mesma. Escutava o mais velho na outra linha, a situação não tava tão bem para a Daniele, parecia que o tédio tava vindo de uma forma que nunca tinha visto até o momento, a garota, nesse momento, percebeu o peso da palavra interior, e mesmo sabendo que isso era uma grande manipulação do rapaz sabia que isso ia ser extremamente divertido, porém não podia transparecer isso para o mais velho.<br />
<br />
- o fato do Monsieur está me a ligar, sem termos trocado número, implica que tem uma coisa que sou a sua única saída, pelo menos a mais “sem noção” - a garota, tentava dar as cartas do jogo, mesmo sendo um pouco imatura, mas sabia que podia brincar no mesmo nível - o que vamos fazer? O que ganho? - A mais nova queria passar a curiosidade normal ao invés do tédio da situação!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
E mesmo sem saber exatamente onde estava se metendo a mais nova tinha um ou dois truques no jeito de falar, era encantador como ela negociava, e bem sabia que era sua melhor escolha naquele evento em específico:<br />
<br />
-- Você me pegou! -- Falou em um tom de falsa surpresa, sendo propositalmente charmoso no jeito de falar: -- Certamente, você é a pessoa mais apropriada para este evento em específico. -- Brincou já deixando claro que era alguma reunião ou evento mais formal, mas isso deixava a coisas em cheque, porque justamente chamar a garota mais mal falada da alta sociedade.<br />
<br />
Fez uma pausa dando um ar de mistério, mas riu de forma descontraída do outro lado da linha: -- Eu fui chamado para um baile formal, e preciso ir acompanhado, a maior parte da alta sociedade de Cerise, e mais alguns convidados de cidades vizinhas estarão lá, a questão é, eu quero ser convidado a me retirar da festa o mais rápido possível, por isso preciso ir bem acompanhado. Apenas imagine a reação de todas as pessoas diante da sua presença, alguns com certeza já lhe conhecem, e outros tantos não, vamos ser como um rastro de pólvora prestes a explodir. No mais, se sairmos cedo, posso te dar aquela resposta sobre o que provavelmente nem Jhon e nem Law quiseram comentar. -- Brincou, sabendo que sua proposta era suficientemente tentadora: -- o baile é as 19hs, que horas posso ir lhe pegar?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
Daniele ouvia atentamente o mais velho, olhou a hora para saber se tinha tempo. A loira levantou da cama e se olho no espelho como um todo. Ainda tava ouvido o rapaz do outro lado da linha, fazia muito tempo que não ia para uma festa de gala, mas a estudante tinha muitos vestidos, porém tinha que pedir ajuda com as cores mas não tinha suas amigas para ajudar. <br />
<br />
- Monsieur Blanco pode vir às 18 se achar importante está nessa festa onde Monsieur Blanco é o astro principal, porém preciso da sua ajuda já que não tenho amigas para esse servisso… - uma pequena pausa para sentir como ele reage. - Vou mandar fotos.<br />
<br />
A loira manda fotos dos vestido e acessórios de cores diferentes até do esmaltes da mesma. A mais nova manda uma mensagem “Não consigo ver as cores”<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
A afirmativa de Daniele lhe deixou animado com a perspectiva de fazer raiva durante toda a festa, e tão brevemente fossem expulsos da festa poderia fornecer um pouco de divertimento decente a garota. Embora ela tivesse uma má fama que a precedia, não podia negar que o próprio Blanco tinha uma extensa má fama. Além de que, a garota era linda, e divertida, então com certeza seria uma boa companhia:<br />
<br />
- Eu sou pontual, não tenha dúvidas disso, e também não vai se arrepender, eu sou uma fonte inesgotável de divertimento. Vai descobrir mais cedo ou mais tarde. Ás 18hs em ponto estarei aí - brincou com o fato da mais nova ser curiosa novamente. E logo recebeu a sequência de imagens no celular, selecionando um conjunto que além de bonito combinaria com a roupa que iria a festa.<br />
<br />
E como tinha avisado, na hora exata, estava no portão de Limoges de carro, plenamente arrumado à caráter, e enviou uma mensagem avisando que já tinha chegado: “estou aqui!”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A garota sabia que o Monsieur Blanco era um pequeno mistério, e essa era uma ótimo oportunidade que Daniele não iria perder de forma alguma. A mais nova já tinha um pequeno arquivo sobre o rapaz, porém, ela achava que faltava mais, a garota iria testar essa “fonte inesgotável de diversão” Daniele fez um breve comentário sobre isso e foi se arrumar para não atrasar o seu parceiro da noite. A loira assim que receber a mensagem sai pelo portão, com a roupa que o moreno indicou unhas feitas cabelos soltos e com um bom perfume.<br />
<br />
- Boa tarde Monsieur Blanco muito obrigada pela sua escolha de roupa - A loira aproximava se elegantemente até o moreno. A garota observa o rapaz - sei que a festa é chata, mas a ponto de ser um velório acho que é um pouco demais, não? - sório em um tom sarcástico - Mas sim, Renaud você está lindo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
Ser elogiado era uma parte boa, porque o Blanco sabia como ressaltar cada um de seus atributos, mas foi inegável a vontade de rir diante do comentário de ser um velório a festa para qual estavam indo. Saiu do carro e deu a volta para abrir a porta para Daniele, sendo o homem educado que foi, para só então voltar ao banco de motorista e seguirem para o hotel onde seria o evento. Um dos muitos que ocorriam a finalidade? Quem sabia, alguma causa supostamente beneficiente, se era verdade ou não, não lhe cabia julgar.<br />
<br />
- Agora começa o velório dessa festa, a partir do momento que a gente pisar naquela recepção  e colocarem o seu nome como minha acompanhante. - Deixou que o manobrista tomasse conta do seu carro e estendeu a mão na direção de Daniele, para que entrassem com os braços dados. E assim como tinha previsto, o recepcionista só precisou saber o sobrenome de Daniele para torcer a expressão e tentar tapiar, e não demoraria muito para o rastro de fogo se espalhar em pólvora.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A loira agradeceu a gentileza do mais velho. não parecia forçado como muitos que Daniele já havia encontrado, era estranho, se fosse outro já teria passado a mão ou pelo menos tentado. A garota fez uma nota mental sobre essa reação do moreno. Chegou no local Daniele cruzou os braços com o Renaud, dirigindo se para a recepção, a loira sorriu alegremente para com a expressão da atendente, fazia bastante tempo que a mais nova não se sentia tão bem assim afinal o pensamento da estudante era “quem não deve não teme, e se deve ela saberia, mais rápido do que um flash da sua máquina fotográfica” seguindo o corredor para salão da festa bem decorada bonito com os adornos bem chiques o mínimo que poderia esperar para uma festa, a mais nova puxou um pouco o seu acompanhante para falar em seu ouvido, tentando provocar o mais velho também.<br />
<br />
- Monsieur essa festa vai ser curta para a gente, mas extremamente divertida. e para afastar possíveis pretendentes? - sussurrou para deixar desconfortável a pessoa que está nos guiando para o salão.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
O moreno mais novo logo notou que a reação do recepcionista não foi nada positiva, e aquilo queria dizer, que muito provavelmente mais da metade da festa saberia que tinha a jovem Arianne ali para importunar a paz dos outros. Acompanhou a mais nova para o salão principal mantendo a distância socialmente aceita entre pessoas que estavam numa festa da alta sociedade. Reclinou a cabeça na direção de Daniele para ouvir o que ela tinha a dizer, e alargou o sorriso, apenas colaborando para a imagem de que a loira estava fofocando algo interessante para Blanco.<br />
<br />
- Perspicaz, exatamente por isso, basta olhar em volta, tantas moças com a mesma idade que eu sendo acompanhada pelos pais, tios, avós e irmãos mais velhos, que mais parece um abatedouro. - o moreno brincou, sendo logo abordado por um garçom e o Blanco se serviu de água com gás, tanto para si, quanto para Daniele - nada alcóolico naquele momento.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A loira olhava em volta passava rapidamente pelas meninas, e logo voltava o olhar para e seu acompanhante, Daniele sabia o que aquelas pessoas poderosas tinha feito, tudo o que ela já tinha pesquisado sobre cada uma delas, vinha na mente da mais nova como se o próprio arquivo estivesse lá. Daniele demorou um pouco para responder o Blanco, pegou a taça com água. E logo em seguida a loira e olhava para umas poucas pessoas que não sabia quem era.<br />
<br />
- Monsieur quer que diga qual das carnes a sua disposição seria mais digesta? - a mais nova sorriu, fazendo o comentário em um tom pouco audível e mudando a posição do rosto enquanto fala. Daniele estava muito alerta, seu coração estava bem frenético, fazia bastante tempo que não se sentia assim, mas ainda mantendo a compostura como uma perfeita dama da alta sociedade - sei que tem carnes que não provei mas são poucas. espero que seja bem amargo o sabor, o que acha Monsieur tem alguma preferência de comida?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
A comparação com abatedouro certamente puxaria para o assunto de carnes, e parecia que tal como o próprio Blanco parecia animado em provocar os demais, a mais nova parecia igualmente animada. E não podia negar aquele tipo de sentimento, afinal tinha prometido uma noite emocionante para a loira:<br />
<br />
- Gastronomia é meu Hobby já provei muitos tipos de carnes, hoje em dia posso dizer que sou exigente? E por isso eu escolho cuidadosamente que tipo de alimento vai me nutrir por refeição. - O moreno mais velho sorriu galante para a mais nova, e tomou tempo para apresentar Daniele as pessoas que ela não conhecia na festa, sendo um verdadeiro rapaz de alta sociedade. E claro que era fácil de notar quem das pessoas apresentadas tinha rabo preso ao ficar desconfortável de conhecer Daniele pessoalmente e quem não tinha qualquer reação adicional, o que podia significar que não havia nada constrangedor o suficiente para se envergonhar ou que não havia conhecimento de causa o suficiente para saber com quem estava lidando.<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A mais nova, só queria saber das figurinhas que não tinha, as pessoas onde Daniele não tinha conhecimento se estava envolvida em alguma coisa ilegal, para a estudante só tinha uma certeza, alguma coisa tinha, a dúvida era se a família escondia bem ou não, e está em uma festa da alta sociedades era a melhor oportunidade pois ninguém iria ser grosseiro com a loira.<br />
<br />
Daniele retribui o comentário com o sorriso e um brilho no olhar que não pode ser mensurado, não só pela leitura que fez de seu acompanhante, mas também por esta na festa. respondendo em um tom audível só para o mais alto. - Quero provar essa gastronomia se possível passa a receita. - A garota acompanhava o Renaud enquanto ele a apresentava as familias, poucos a ralmente comprimentavam, menos ainda continuavam a conversar com a loira. Daniele não se surpreendia mais com isso, a garota na verdade ficava surpresa com as pessoas que continuava a conversa mesmo sabendo seu sobrenome. A loira após a festa tinha muito dever de cada, com as figuras da alta sosiedade.<br />
<br />
- Hummm. O pessoal aqui é bem mais acanhado que em paris, ainda estou aqui, ja deveria ter sido expulsa eles sabem que eu sou - a mas nova estava surpresa, ja deveria esta fora da festa a umas 3 pessoas atras. - quer dançar? - <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
O fato de algumas pessoas demonstrarem desconhecimento sobre quem era Daniele Arianne, apenas ressaltava o fator “interior”, mesmo que a cidade tivesse todo um histórico de boas famílias, e bons nomes, era inegável que o local estava cheio de pessoas que jamais tinham se metido nos meios mais interessantes. Ainda não tinha encontrado com sua mãe, mas tinha chegado naturalmente cedo, quem sabe ela fosse avisada de com quem estava antes mesmo de chegar no local? Ouviu o comentário da mais nova lhe pedindo uma “receita” de como funcionava sua “alta gastronomia” e apenas sorriu em resposta, respondendo num tom comedido apenas para que a menor ouvisse: - Não se preocupe, mais que lhe passar, eu lhe mostro como se faz alta gastronomia.<br />
<br />
Deixou a promessa, afinal ainda tinham todo o restante da noite, e bastava saber quanto tempo ainda teriam de ficar ali, e acenou em concordância de que as pessoas em Cerise eram mais “acanhadas”, e guiou a loira até o salão onde pudesse dançar: - Não somos tímidos, diria que mentimos bem, talvez a fachada de sermos inofensivos caipiras do interior seja uma pele de cordeiro para evitar confrontos desnecessários. - brincou, enquanto guiava Daniele em paços precisos pelo salão.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A loira seguiu o moreno para o salão para a dança, deu uma mordiscada no lábios bem sutil quando o rapaz comentou que ia demonstra sua gastronomia, a garota estava aproveitando a noite bem.<br />
<br />
- entendi, aqui é uma floresta, e em paris e um oceano, lá eles se consideram como tubarões - Daniele estava pontuado como a diferença de tratamento o mundo dos negócios, a garota sábia alguns termos ou outros pela sua linha de pesquisa. - Mas bem imagino que você saiba mais que eu sobre isso - deu uma pequena pausa para mudar um pouco de assunto. - Gostaria de saber quem são os Bresson e Machecoul? Eles são os mais indiferentes. - a loira certamente sabia de muitos poder de muitas famílias e queria saber de mais algumas entre todos para a garota essas pessoas parecia mais intrigantes.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
O jovem Blanco sabia que tinha chamado a companhia adequada para lhe acompanhar naquela noite, as observações de Daniele eram bem pontuais e até precisas sobre quem seria o quê. Mas em ambas cidades é necessário tomar cuidado, porque nunca dá pra saber o que vem por aí, a maior prova era o próprio Blanco ali, vestido com aquele sorriso amigável e tranquilo, escondia tudo que o moreno podia fazer. Mas não estava ali pra fazer mal a ninguém, em verdade queria apenas ir embora e aproveitar o restante da noite de um jeito bem mais interessante. <br />
<br />
Ouviu em tempo as perguntas sobre as pessoas que a mais nova não conhecia naquele salão: - Bem, eles são de Cassis, estão em Cerise provavelmente pelo teatro, acredito que nessa temporada estão responsáveis pelas peças em exibição, são amigos dos Cappucine, vieram provavelmente por convite da minha mãe. - O moreno sorriu tranquilo, e foi em tempo de visualizar a figura distinta de longos cabelos negros e olhos acizentados, entrando no salão, e repousando um olhar inquisitor em sua direção: - Bem em tempo, posso lhe apresentar uma Cappucine diretamente. - Comentou em tom suave, guiando a loira até a direção onde Beatrice estava. <br />
<br />
- Boa noite Madame - Fez um aceno cumprimentando a própria mãe de forma tão respeitosa que sequer pareciam parentes de sangue: - Essa é minha amiga e acompanhante Daniele Arianne.<br />
<br />
- Boa noite Renaud. - a mulher pontuou observando os mais jovens de forma séria, porém a mulher não parecia irritada, apenas estóica: - É uma satisfação finalmente conhecê-la pessoalmente senhorita Arianne, conheço sua família, é bom tê-la conosco essa noite. -  a cordialidade era impecável.<br />
<br />
- Os Bresson estão na cidade com algum novo trabalho? eu não vi a nova programação do Teatro ainda. - Renaud puxou o assunto, no que sua mãe apenas puxou uma taça de água servida por um dos funcionários, antes de responder:<br />
- Vai ser anunciado ainda, é um trabalho colaborativo entre nós e os Machecoul, em breve sairá a público. - a mulher bebericou acenando brevemente para uma conhecida e cumprimentando com igual cordialidade, enquanto seguiam com assuntos sobre as próximas peças e companhias que chegariam da Espanha para Cerise. Renaud buscou situar Daniele dentro do contexto, e em nenhum momento Beatrice pareceu querer esconder alguma informação, no entanto a mulher não sorriu nenhuma vez.<br />
<br />
- Bem Renaud eu tenho assuntos a tratar ainda essa noite, espero que tenha conseguido se divertir um pouco fora da sua rotina de estudos, tente tirar tempo para descansar. -  a mulher comentou de forma muito pontual, e em seguida encarou a loira menor: - Senhorita Arianne, espero que possamos nos encontrar em outro momento mais oportuno, talvez nos teatros parisienses quando estiver visitando sua família. <br />
<br />
Dito isto a mulher se afastou dos jovens, por outro lado o jovem Blanco apenas esperou que a mulher se afastasse para encarar a mais nova com o mesmo olhar cordial que tinha sustentado durante toda a noite: - Temos nossa carta de alforria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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Final do ano sempre era um período cheio de trabalho, fosse da academia masculina de St. Clavier, ou fosse do seu trabalho em Paris junto ao projeto de extensão. Naquele ano não era diferente, exceto talvez que houvesse mais eventos sociais em sua agenda, antes de Dezembro do que gostaria de comparecer. Queria ter feito algo mais interessante de seu aniversário do que passar fazendo sala para um punhado de madames da alta sociedade, e uma semana depois, lá estava o jovem Blanco arrumando as coisas para mais uma festa, pelo menos dessa vez não teria de encarar 2hs de direção pra capital. <br />
<br />
Quase podia sentir que todas aquelas atividades das quais nunca tinha sido convidado compulsoriamente a participar, tinham alguma intenção de sua mãe por trás. Mas teve a confirmação de que a mulher estava tramando algo quando viu na mensagem no celular que deveria ir acompanhado. Enquanto lia aquela palavra, lhe veio o flashback da quantidade de outras mulheres a qual tinha sido apresentado nos últimos quinze dias. O jovem Blanco riu, não era possível que sua mãe realmente acreditasse que não era capaz de arrumar uma namorada sozinho, a realidade era que não estava pensando minimamente em se relacionar com nenhuma mulher, muito menos uma mademoiselle da alta sociedade.<br />
<br />
Mas precisava pensar em algo para frear esse sentimento de urgência que sua mãe carregava de querer ser sua casamenteira particular, e enquanto caminhava de um lado a outro do quarto, uma ideia lhe veio a mente. Era uma péssima ideia, com certeza, mas aquilo certamente faria as coisas mudarem a seu favor. Com algumas ligações depois, e dada a fama da garota, era uma boa oportunidade de somar as más famas, conseguiu o número e logo ligou para uma loira curiosa que tinha encontrado uns dias atrás:<br />
<br />
-- Daniele Arianne, achei que ia ser mais difícil conseguir o seu número de telefone. -- o moreno mais velho brincou do outro lado da linha, esperando que a mais nova bem lembrasse de seu jeito debochado de falar.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
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Daniele, tava um pouco tediosa, como não tinha muito o que fazer, a não ser as atividades com clube e aulas, só para terminar as atividades. E esta semana e que esta estremamente dificil de suportar a Monique dava saindo com o pai em festas, Silvia aproveitou para viajar para a padaria do seu pai. Ou seja estava tudo fora do interesse da loira.<br />
<br />
Porém o telefone tocou. A garota não sabia quem era, o número não era conhecido, isso atiçou a sua curiosidade da loira - Alo! - Respondeu com uma voz calma e doce, demorou um pouco para tentar identificar quem era. - Monsieur Blanco, faz um tempo, hellhound?! - Dando a entender que a garota estava ciente de algumas coisa do mais velho. - Mas me diga Monsieur, em que posso ajudar? - a garota olhava para as unhas que precisava de um retoque.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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O fato da loira ter descoberto mais sobre seu apelido antigo em um período tão curto de tempo apenas provava seu ponto de que a garota tinha bastante potencial para o mal. Riu do outro lado da linha, notoriamente confortável em conversar com a garota: -- Como você está disposta, já quer me ajudar sem que eu mesmo não tenha pedido. -- Jogou seu tom charmoso sem esconder que tinhas boas segundas intenções ali: -- Quero lhe fazer uma proposta, se aceitar, lhe garanto uma noite de diversão regada a novos alvos para observar, além de causar forte desconforto em outros tantos. Se negar, vou ter de buscar na minha agenda alguma outra pessoa que seja tão sem noção quanto eu. <br />
<br />
Comentou sem dar muito mais detalhes adicionais, sabia como funcionava a moeda de troca entre os dois, a questão era, o quanto aquilo poderia ser possivelmente interessante para a mais nova. Mesmo que fosse arriscado, tinha de garantir que ela teria material para se divertir, afinal, quando dissesse o que era, ela provavelmente não veria a mesma diversão. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
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A loira se levanta da cama para sentar na mesma. Escutava o mais velho na outra linha, a situação não tava tão bem para a Daniele, parecia que o tédio tava vindo de uma forma que nunca tinha visto até o momento, a garota, nesse momento, percebeu o peso da palavra interior, e mesmo sabendo que isso era uma grande manipulação do rapaz sabia que isso ia ser extremamente divertido, porém não podia transparecer isso para o mais velho.<br />
<br />
- o fato do Monsieur está me a ligar, sem termos trocado número, implica que tem uma coisa que sou a sua única saída, pelo menos a mais “sem noção” - a garota, tentava dar as cartas do jogo, mesmo sendo um pouco imatura, mas sabia que podia brincar no mesmo nível - o que vamos fazer? O que ganho? - A mais nova queria passar a curiosidade normal ao invés do tédio da situação!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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E mesmo sem saber exatamente onde estava se metendo a mais nova tinha um ou dois truques no jeito de falar, era encantador como ela negociava, e bem sabia que era sua melhor escolha naquele evento em específico:<br />
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-- Você me pegou! -- Falou em um tom de falsa surpresa, sendo propositalmente charmoso no jeito de falar: -- Certamente, você é a pessoa mais apropriada para este evento em específico. -- Brincou já deixando claro que era alguma reunião ou evento mais formal, mas isso deixava a coisas em cheque, porque justamente chamar a garota mais mal falada da alta sociedade.<br />
<br />
Fez uma pausa dando um ar de mistério, mas riu de forma descontraída do outro lado da linha: -- Eu fui chamado para um baile formal, e preciso ir acompanhado, a maior parte da alta sociedade de Cerise, e mais alguns convidados de cidades vizinhas estarão lá, a questão é, eu quero ser convidado a me retirar da festa o mais rápido possível, por isso preciso ir bem acompanhado. Apenas imagine a reação de todas as pessoas diante da sua presença, alguns com certeza já lhe conhecem, e outros tantos não, vamos ser como um rastro de pólvora prestes a explodir. No mais, se sairmos cedo, posso te dar aquela resposta sobre o que provavelmente nem Jhon e nem Law quiseram comentar. -- Brincou, sabendo que sua proposta era suficientemente tentadora: -- o baile é as 19hs, que horas posso ir lhe pegar?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
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Daniele ouvia atentamente o mais velho, olhou a hora para saber se tinha tempo. A loira levantou da cama e se olho no espelho como um todo. Ainda tava ouvido o rapaz do outro lado da linha, fazia muito tempo que não ia para uma festa de gala, mas a estudante tinha muitos vestidos, porém tinha que pedir ajuda com as cores mas não tinha suas amigas para ajudar. <br />
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- Monsieur Blanco pode vir às 18 se achar importante está nessa festa onde Monsieur Blanco é o astro principal, porém preciso da sua ajuda já que não tenho amigas para esse servisso… - uma pequena pausa para sentir como ele reage. - Vou mandar fotos.<br />
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A loira manda fotos dos vestido e acessórios de cores diferentes até do esmaltes da mesma. A mais nova manda uma mensagem “Não consigo ver as cores”<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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A afirmativa de Daniele lhe deixou animado com a perspectiva de fazer raiva durante toda a festa, e tão brevemente fossem expulsos da festa poderia fornecer um pouco de divertimento decente a garota. Embora ela tivesse uma má fama que a precedia, não podia negar que o próprio Blanco tinha uma extensa má fama. Além de que, a garota era linda, e divertida, então com certeza seria uma boa companhia:<br />
<br />
- Eu sou pontual, não tenha dúvidas disso, e também não vai se arrepender, eu sou uma fonte inesgotável de divertimento. Vai descobrir mais cedo ou mais tarde. Ás 18hs em ponto estarei aí - brincou com o fato da mais nova ser curiosa novamente. E logo recebeu a sequência de imagens no celular, selecionando um conjunto que além de bonito combinaria com a roupa que iria a festa.<br />
<br />
E como tinha avisado, na hora exata, estava no portão de Limoges de carro, plenamente arrumado à caráter, e enviou uma mensagem avisando que já tinha chegado: “estou aqui!”.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A garota sabia que o Monsieur Blanco era um pequeno mistério, e essa era uma ótimo oportunidade que Daniele não iria perder de forma alguma. A mais nova já tinha um pequeno arquivo sobre o rapaz, porém, ela achava que faltava mais, a garota iria testar essa “fonte inesgotável de diversão” Daniele fez um breve comentário sobre isso e foi se arrumar para não atrasar o seu parceiro da noite. A loira assim que receber a mensagem sai pelo portão, com a roupa que o moreno indicou unhas feitas cabelos soltos e com um bom perfume.<br />
<br />
- Boa tarde Monsieur Blanco muito obrigada pela sua escolha de roupa - A loira aproximava se elegantemente até o moreno. A garota observa o rapaz - sei que a festa é chata, mas a ponto de ser um velório acho que é um pouco demais, não? - sório em um tom sarcástico - Mas sim, Renaud você está lindo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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Ser elogiado era uma parte boa, porque o Blanco sabia como ressaltar cada um de seus atributos, mas foi inegável a vontade de rir diante do comentário de ser um velório a festa para qual estavam indo. Saiu do carro e deu a volta para abrir a porta para Daniele, sendo o homem educado que foi, para só então voltar ao banco de motorista e seguirem para o hotel onde seria o evento. Um dos muitos que ocorriam a finalidade? Quem sabia, alguma causa supostamente beneficiente, se era verdade ou não, não lhe cabia julgar.<br />
<br />
- Agora começa o velório dessa festa, a partir do momento que a gente pisar naquela recepção  e colocarem o seu nome como minha acompanhante. - Deixou que o manobrista tomasse conta do seu carro e estendeu a mão na direção de Daniele, para que entrassem com os braços dados. E assim como tinha previsto, o recepcionista só precisou saber o sobrenome de Daniele para torcer a expressão e tentar tapiar, e não demoraria muito para o rastro de fogo se espalhar em pólvora.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
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A loira agradeceu a gentileza do mais velho. não parecia forçado como muitos que Daniele já havia encontrado, era estranho, se fosse outro já teria passado a mão ou pelo menos tentado. A garota fez uma nota mental sobre essa reação do moreno. Chegou no local Daniele cruzou os braços com o Renaud, dirigindo se para a recepção, a loira sorriu alegremente para com a expressão da atendente, fazia bastante tempo que a mais nova não se sentia tão bem assim afinal o pensamento da estudante era “quem não deve não teme, e se deve ela saberia, mais rápido do que um flash da sua máquina fotográfica” seguindo o corredor para salão da festa bem decorada bonito com os adornos bem chiques o mínimo que poderia esperar para uma festa, a mais nova puxou um pouco o seu acompanhante para falar em seu ouvido, tentando provocar o mais velho também.<br />
<br />
- Monsieur essa festa vai ser curta para a gente, mas extremamente divertida. e para afastar possíveis pretendentes? - sussurrou para deixar desconfortável a pessoa que está nos guiando para o salão.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
<br />
O moreno mais novo logo notou que a reação do recepcionista não foi nada positiva, e aquilo queria dizer, que muito provavelmente mais da metade da festa saberia que tinha a jovem Arianne ali para importunar a paz dos outros. Acompanhou a mais nova para o salão principal mantendo a distância socialmente aceita entre pessoas que estavam numa festa da alta sociedade. Reclinou a cabeça na direção de Daniele para ouvir o que ela tinha a dizer, e alargou o sorriso, apenas colaborando para a imagem de que a loira estava fofocando algo interessante para Blanco.<br />
<br />
- Perspicaz, exatamente por isso, basta olhar em volta, tantas moças com a mesma idade que eu sendo acompanhada pelos pais, tios, avós e irmãos mais velhos, que mais parece um abatedouro. - o moreno brincou, sendo logo abordado por um garçom e o Blanco se serviu de água com gás, tanto para si, quanto para Daniele - nada alcóolico naquele momento.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A loira olhava em volta passava rapidamente pelas meninas, e logo voltava o olhar para e seu acompanhante, Daniele sabia o que aquelas pessoas poderosas tinha feito, tudo o que ela já tinha pesquisado sobre cada uma delas, vinha na mente da mais nova como se o próprio arquivo estivesse lá. Daniele demorou um pouco para responder o Blanco, pegou a taça com água. E logo em seguida a loira e olhava para umas poucas pessoas que não sabia quem era.<br />
<br />
- Monsieur quer que diga qual das carnes a sua disposição seria mais digesta? - a mais nova sorriu, fazendo o comentário em um tom pouco audível e mudando a posição do rosto enquanto fala. Daniele estava muito alerta, seu coração estava bem frenético, fazia bastante tempo que não se sentia assim, mas ainda mantendo a compostura como uma perfeita dama da alta sociedade - sei que tem carnes que não provei mas são poucas. espero que seja bem amargo o sabor, o que acha Monsieur tem alguma preferência de comida?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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A comparação com abatedouro certamente puxaria para o assunto de carnes, e parecia que tal como o próprio Blanco parecia animado em provocar os demais, a mais nova parecia igualmente animada. E não podia negar aquele tipo de sentimento, afinal tinha prometido uma noite emocionante para a loira:<br />
<br />
- Gastronomia é meu Hobby já provei muitos tipos de carnes, hoje em dia posso dizer que sou exigente? E por isso eu escolho cuidadosamente que tipo de alimento vai me nutrir por refeição. - O moreno mais velho sorriu galante para a mais nova, e tomou tempo para apresentar Daniele as pessoas que ela não conhecia na festa, sendo um verdadeiro rapaz de alta sociedade. E claro que era fácil de notar quem das pessoas apresentadas tinha rabo preso ao ficar desconfortável de conhecer Daniele pessoalmente e quem não tinha qualquer reação adicional, o que podia significar que não havia nada constrangedor o suficiente para se envergonhar ou que não havia conhecimento de causa o suficiente para saber com quem estava lidando.<br />
<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
<br />
A mais nova, só queria saber das figurinhas que não tinha, as pessoas onde Daniele não tinha conhecimento se estava envolvida em alguma coisa ilegal, para a estudante só tinha uma certeza, alguma coisa tinha, a dúvida era se a família escondia bem ou não, e está em uma festa da alta sociedades era a melhor oportunidade pois ninguém iria ser grosseiro com a loira.<br />
<br />
Daniele retribui o comentário com o sorriso e um brilho no olhar que não pode ser mensurado, não só pela leitura que fez de seu acompanhante, mas também por esta na festa. respondendo em um tom audível só para o mais alto. - Quero provar essa gastronomia se possível passa a receita. - A garota acompanhava o Renaud enquanto ele a apresentava as familias, poucos a ralmente comprimentavam, menos ainda continuavam a conversar com a loira. Daniele não se surpreendia mais com isso, a garota na verdade ficava surpresa com as pessoas que continuava a conversa mesmo sabendo seu sobrenome. A loira após a festa tinha muito dever de cada, com as figuras da alta sosiedade.<br />
<br />
- Hummm. O pessoal aqui é bem mais acanhado que em paris, ainda estou aqui, ja deveria ter sido expulsa eles sabem que eu sou - a mas nova estava surpresa, ja deveria esta fora da festa a umas 3 pessoas atras. - quer dançar? - <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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O fato de algumas pessoas demonstrarem desconhecimento sobre quem era Daniele Arianne, apenas ressaltava o fator “interior”, mesmo que a cidade tivesse todo um histórico de boas famílias, e bons nomes, era inegável que o local estava cheio de pessoas que jamais tinham se metido nos meios mais interessantes. Ainda não tinha encontrado com sua mãe, mas tinha chegado naturalmente cedo, quem sabe ela fosse avisada de com quem estava antes mesmo de chegar no local? Ouviu o comentário da mais nova lhe pedindo uma “receita” de como funcionava sua “alta gastronomia” e apenas sorriu em resposta, respondendo num tom comedido apenas para que a menor ouvisse: - Não se preocupe, mais que lhe passar, eu lhe mostro como se faz alta gastronomia.<br />
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Deixou a promessa, afinal ainda tinham todo o restante da noite, e bastava saber quanto tempo ainda teriam de ficar ali, e acenou em concordância de que as pessoas em Cerise eram mais “acanhadas”, e guiou a loira até o salão onde pudesse dançar: - Não somos tímidos, diria que mentimos bem, talvez a fachada de sermos inofensivos caipiras do interior seja uma pele de cordeiro para evitar confrontos desnecessários. - brincou, enquanto guiava Daniele em paços precisos pelo salão.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Daniele</span></div>
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A loira seguiu o moreno para o salão para a dança, deu uma mordiscada no lábios bem sutil quando o rapaz comentou que ia demonstra sua gastronomia, a garota estava aproveitando a noite bem.<br />
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- entendi, aqui é uma floresta, e em paris e um oceano, lá eles se consideram como tubarões - Daniele estava pontuado como a diferença de tratamento o mundo dos negócios, a garota sábia alguns termos ou outros pela sua linha de pesquisa. - Mas bem imagino que você saiba mais que eu sobre isso - deu uma pequena pausa para mudar um pouco de assunto. - Gostaria de saber quem são os Bresson e Machecoul? Eles são os mais indiferentes. - a loira certamente sabia de muitos poder de muitas famílias e queria saber de mais algumas entre todos para a garota essas pessoas parecia mais intrigantes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Renaud</span></div>
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O jovem Blanco sabia que tinha chamado a companhia adequada para lhe acompanhar naquela noite, as observações de Daniele eram bem pontuais e até precisas sobre quem seria o quê. Mas em ambas cidades é necessário tomar cuidado, porque nunca dá pra saber o que vem por aí, a maior prova era o próprio Blanco ali, vestido com aquele sorriso amigável e tranquilo, escondia tudo que o moreno podia fazer. Mas não estava ali pra fazer mal a ninguém, em verdade queria apenas ir embora e aproveitar o restante da noite de um jeito bem mais interessante. <br />
<br />
Ouviu em tempo as perguntas sobre as pessoas que a mais nova não conhecia naquele salão: - Bem, eles são de Cassis, estão em Cerise provavelmente pelo teatro, acredito que nessa temporada estão responsáveis pelas peças em exibição, são amigos dos Cappucine, vieram provavelmente por convite da minha mãe. - O moreno sorriu tranquilo, e foi em tempo de visualizar a figura distinta de longos cabelos negros e olhos acizentados, entrando no salão, e repousando um olhar inquisitor em sua direção: - Bem em tempo, posso lhe apresentar uma Cappucine diretamente. - Comentou em tom suave, guiando a loira até a direção onde Beatrice estava. <br />
<br />
- Boa noite Madame - Fez um aceno cumprimentando a própria mãe de forma tão respeitosa que sequer pareciam parentes de sangue: - Essa é minha amiga e acompanhante Daniele Arianne.<br />
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- Boa noite Renaud. - a mulher pontuou observando os mais jovens de forma séria, porém a mulher não parecia irritada, apenas estóica: - É uma satisfação finalmente conhecê-la pessoalmente senhorita Arianne, conheço sua família, é bom tê-la conosco essa noite. -  a cordialidade era impecável.<br />
<br />
- Os Bresson estão na cidade com algum novo trabalho? eu não vi a nova programação do Teatro ainda. - Renaud puxou o assunto, no que sua mãe apenas puxou uma taça de água servida por um dos funcionários, antes de responder:<br />
- Vai ser anunciado ainda, é um trabalho colaborativo entre nós e os Machecoul, em breve sairá a público. - a mulher bebericou acenando brevemente para uma conhecida e cumprimentando com igual cordialidade, enquanto seguiam com assuntos sobre as próximas peças e companhias que chegariam da Espanha para Cerise. Renaud buscou situar Daniele dentro do contexto, e em nenhum momento Beatrice pareceu querer esconder alguma informação, no entanto a mulher não sorriu nenhuma vez.<br />
<br />
- Bem Renaud eu tenho assuntos a tratar ainda essa noite, espero que tenha conseguido se divertir um pouco fora da sua rotina de estudos, tente tirar tempo para descansar. -  a mulher comentou de forma muito pontual, e em seguida encarou a loira menor: - Senhorita Arianne, espero que possamos nos encontrar em outro momento mais oportuno, talvez nos teatros parisienses quando estiver visitando sua família. <br />
<br />
Dito isto a mulher se afastou dos jovens, por outro lado o jovem Blanco apenas esperou que a mulher se afastasse para encarar a mais nova com o mesmo olhar cordial que tinha sustentado durante toda a noite: - Temos nossa carta de alforria.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Senhora Paciência [Arman, Max]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=314</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:09:38 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=85">Carbella</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=314</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
O tempo estava miserável, essa era a única palavra que cabia a situação e mesmo com um vocabulário vasto, Carbella repetia aquela palavra insistentemente, estava tendo uma vida miserável. Não deveria reclamar, afinal tinha dois bons empregos e ganhava o suficiente para custear a sua vida e a de sua irmã, e estava estudando para poder prestar o seu vestibular dos sonhos. Mas as palavras ditas pela médica do outro setor, não saiam de sua cabeça, de como era constantemente feita de trouxa, se estava realmente fazendo as coisas para cumprir seu sonho ou apenas se desgastando no meio da rotina. <br />
<br />
Naquele dia no hospital tinha não somente brigado com colegas de setor como tinha cometido um erro, um pequeno deslize nas anotações de pranchetas e na ordem de acompanhar os pacientes, nada que um ajuste no quadro branco não resolvesse. E Richard até fez gracinha com o fato de que tinha errado a ordem de leitos naquele dia, sentiu tanta dor de cabeça que precisou descer dois lances de escada e ir até a copa tomar um gole de água, sua pressão tinha caído e estava com falta de ar, era claramente estresse. Trabalhou o restante do dia plenamente estressada, com a expressão fechada, sequer conseguia sorrir como costumeiramente faria, até o sempre calado Paul disse que iria criar umas rugas se continuasse com aquela cara, lhe oferecendo uma massagem pra relaxar os nervos. Será que estava num dia tão miserável que estava incapaz de lidar com a própria raiva, será que seria o dia que iria estourar de vez? A imagem da doutora Arlovskaya lhe veio a mente, e terminou o dia de serviço com a força do ódio. <br />
<br />
Ao sair do hospital, depois de trocar suas vestes, passou no mercado para comprar alguns alimentos que faria para o jantar, sequer conseguiu decidir ou escolher o que faria, certamente jogaria tudo nas panelas e o que resultasse dali e fosse comestível seria o jantar. Desceu alguns pontos depois no distrito residencial, ignorando o cumprimento de vizinhos do quarteirão, estava tão absorta no próprio cansaço mental que o mundo a volta lhe passava despercebido. Apenas lembrou que tinha deixado comida na geladeira de Fleur, o que seria mais fácil do que cozinhar do zero, aquela hora sabia que a mulher ainda estava na padaria, então seria recepcionada por Arman, que muito provavelmente estaria pintando ou cochilando:<br />
<br />
-- Arman! vim pegar comida na geladeira. -- a ruiva cereja anunciou com o tom de voz irritadiço sem sequer perceber que estava falando daquela forma.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Era o último ano de Arman em St. Clavier, mas ele tinha achado coisas para se preocupar logo com a matéria que tinha decidido pagar pelos créditos lecionada pelo professor Dieter. Do período todo em que estivera estudando em St. Clavier, o biólogo era a pessoa que mais lhe deixava irritado com os requisitos e trabalhos e aquilo era uma coisa difícil de conseguir. Mas a coisa mais satisfatória de terminar as pesquisas chatas era poder voltar para os quadros e para as fotografias.<br />
<br />
Naquele dia, nem foi para St. Clavier, sem aulas para assistir, e só se dedicou a um dia muito tranquilo acordando um pouco mais tarde do que o normal, dispensando a caminhada matinal e passando uma boa parte do dia só trabalhando num quadro novo e numa das maiores telas que ainda tinha em branco no seu ateliê.<br />
<br />
Não tinha tomado nem metade da tela com a base da pintura, mas já tinha passado certamente muitas horas ali no quarto só fazendo aquilo, por isso, saiu do cômodo com o forte cheiro de tinta a óleo e desceu até a cozinha para beber alguma coisa e descansar na sala. Mais um par de minutos passou até ele ouvir a porta se abrindo e logo em seguida, a voz de Carbella anunciando que ia pegar comida na geladeira. Não seria nada fora do comum, não fosse o tom um tanto mais firme da ruiva.<br />
<br />
Ele saiu do sofá até o portal da cozinha, dando uma olhada na amiga de infância que tirava as coisas da geladeira com mais energia do que o necessário. Mas não falou nada, deixou que ela pegasse a comida e notou facilmente que Carbella não estava lá nos melhore dias.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
A ruiva cereja estava resmungando enquanto tirava as coisas congeladas da geladeira, reclamando que aquilo iria demorar pra ficar pronto de todo jeito, que devia ter ligado pra avisar que deixasse fora da geladeira já pra descongelar, largou o depósito em cima da bancada com mais força do que deveria rachando a tampa do mesmo. A ruiva ficou vermelha de ódio e sentia a cabeça latejar novamente. Foi bem em tempo de ouvir os passos de Arman e ele parando bem na entrada da cozinha lhe encarando com aquela cara de quem lhe perguntava as coisas sem por uma palavra pra fora:<br />
<br />
-- Estou bem sim! não aconteceu nada demais eu só estraguei a porcaria da minha tupperware! -- bufou abrindo a torneira e deixando sobre o mesmo pra tentar tirar o que queria, e encarou o moreno alto de novo:<br />
<br />
-- Não estou com raiva, mas vou ficar se você ficar me perguntando do porque eu estar com raiva!  -- a ruiva pontuou aquilo com uma voz bem mais irritadiça do que qualquer outro dia. <br />
<br />
-- Desisto! vou fazer sopa vegetariana! Não estou com paciência de esperar isso descongelar não!!! -- A ruiva desligou a água e pegou o depósito molhado para colocá-lo dentro da geladeira novamente: -- Arhhh!!!<br />
<br />
Depois de resmungar contra a geladeira encarou o moreno mais alto lendo claramente no olhar dele o que ele queria lhe falar: -- Eu já disse que eu não estou com raiva! ou melhor eu estou sim ficando aborrecida das suas perguntas! -- isso tudo sem que de fato o moreno não tivesse aberto a boca para perguntar absolutamente nada.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Já dava para perceber pelos gestos bruscos de Carbella que ela não estava só irritada, estava com raiva de alguma coisa. Arman ficou apenas observando a ruiva enquanto ela procurava comida e ainda bagunçava algumas coisas no ímpeto causado pela raiva. Ele deu alguns passos na direção da mesa, como se fosse pelo menos tentar ajudar a ruiva, e claro que estava interessado em saber se ela estava bem ou o que tinha acontecido para estar com raiva, mas a ruiva foi mais pontual em dizer que não estava irritada nem com raiva - o que era uma mentira bem óbvia.<br />
<br />
E Arman nem precisou fazer perguntas diretamente, porque Carbella era mais rápida em saber o que estava pensando e responder antes mesmo que abrir a boca, o que era extremamente conveniente. Ele passou pela ruiva depois dela desistir da comida congelada e foi até a geladeira, abrindo a parte de baixo e tirando alguns outros depósitos com salada e massa que tinha sobrado do seu almoço, deixando-o sobre a mesa enquanto Carbella continuava esbravejando. Mas ele não pegou talheres ou pratos, só se encostou à bancada da pia e encarou a ruiva de volta, em silêncio, como se ainda esperasse que ela explicasse o motivo de todo o ódio nos depósitos de comida.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
Notou que Arman começou a transitar na cozinha , muito provavelmente na intenção de lhe ajudar, embora ele não soubesse o motivo da sua raiva, e nem tivesse culpa sobre ela, e aquela altura só não queria alguém lhe lembrando que não estava sequer conseguindo esconder o fato de que estava furiosa. Olhou para os recipientes retirados por Arman da geladeira que resolvem seu problema de janta:<br />
<br />
-- Obrigada por resolver meu problema de janta e mostrar como eu estou sendo incompetente até pra arrumar minha própria comida. -- a ruiva cereja levou os dedos ao encontro dos olhos por baixo das lentes de grau e nem precisou encarar Arman pra saber que ele estava lhe encarando de volta: -- Eu sei que você não disse que eu sou uma incompetente, e sim eu estou com raiva, tá satisfeito? -- a ruiva ergueu um pouco o tom de voz e depois respirou fundo tentando se recompor:<br />
<br />
-- Tá eu sei, que você não vai ficar satisfeito só com isso, tá bom, eu sei, do começo, deus… você é impossível! -- A ruiva se encostou no móvel mais próximo do lado oposto ao moreno mais alto, apenas porque não queria ficar perto do outro ou estapearia o outro:<br />
<br />
-- Eu cometi um erro hoje no hospital, não custou a vida de ninguém obviamente senão eu estaria presa, e nem atrapalhou o serviço de outras pessoas, e nenhum supervisor meu notou, só outros dois enfermeiros que viram e acharam graça, pode uma coisa dessas? Eu estou furiosa, não bastasse ter de cobrir serviço desses infelizes, na única vez que eu cometo um deslize eu tenho de ser motivo de piada? -- A ruiva encarou o outro, como se buscasse alguma iluminação divina, mas sabia que só teria mais dor de cabeça: -- Afora o fato que todo mundo hoje resolveu jogar na minha cara como eu estava “cansada” ou aparentemente “irritada” ou com jeito de “poucos amigos” me poupem! UM DIA! UM DIA  QUE EU NÃO ESTOU BEM, todo mundo quer jogar na minha cara! -- A ruiva cereja sequer reparou que estava praticamente vociferando a última frase, até se sentir sem fôlego e com muita dor de cabeça.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Arman nem se importou com as indiretas e insistências de Carbella sobre o próprio estado e depois de um olhar firme sem qualquer pergunta, ela finalmente admitiu que estava com raiva e logo prosseguiu com a explicação do motivo por todo o estresse daquele fim de dia. Ele não tinha dúvidas que a rotina de Carbella era estressante e que ela precisaria mesmo descarregar cedo ou tarde. Descruzou os braços e apoiou na bancada atrás de si, enquanto ela falava sobre o erro que tinha cometido no hospital.<br />
<br />
Claro que ainda parecia um motivo muito irrelevante para a ruiva ter tido todo um surto de raiva, então Arman ainda arqueou as sobrancelhas para o fato de que mesmo antes de cometer o tal erro pequeno, ela estivera aparentemente "num dia ruim" e "irritada". Então provavelmente alguma outra coisa estava incomodando a ruiva e tinha causado aquele surto por causa de um erro pequeno no hospital.<br />
<br />
Arman não se importou com o fato de que ela estava praticamente gritando, afinal, Carbella não costumava ter aquele tipo de atitude. Mas ainda a encarou esperando a explicação do porque ela estava tão mal naquele dia em particular.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
A ruiva cereja respirou fundo, sentindo o peito queimar de raiva, os dedos com tremores leves, e o rosto plenamente vermelho, estava tão furiosa, que nem tinha se percebido como aquele estado mental estava se pronlongando, que não seria apenas um dia ruim para lhe deixar naquele estado crítico de estresse. Então foi apenas quando Arman arqueou a sobrancelha daquela forma bem pontual:<br />
<br />
-- Não sei… -- Carbella desviou o olhar e levou as duas mãos ao rosto, afastando as lentes de grau do rosto e as deixando de lado, e esfregando o rosto por fim deixando-o mais vermelho do que já estava, levou as mãos aos fios e franziu as sobrancelhas e fechou ainda mais a expressão: -- Na verdade eu sei sim!<br />
<br />
Respirou fundo, ficando cada vez mais irritada e caminhando de um lado pro outro, o que lhe deixava com aspecto ainda mais irritadiça: -- Tudo isso começou depois que a Arlovskaya veio falar comigo com aquela história mansa de que eu estava me esforçando demais que eu estava me desgastando, tudo conversa, ela só queria um motivo pra falar o que bem queria e como queria. Depois veio me oferecer bolo com cerejas pra fazer parecer que se arrependia, mas eu sei que não, todo mundo fica me tratando como se eu fosse uma coitadinha, uma idiota que não sabe perceber as coisas, eu percebo, eu sei das intenções ruins dos outros, mas eu sigo fazendo o meu trabalho! Eu não faço as coisas esperando a porcaria da aprovação de uma médica que veio sabe-se lá de onde pra dizer que eu tou acabando comigo mesma e nunca vou chegar onde eu quero!<br />
<br />
Falou tudo num fôlego só, sentindo que tinha esvaziado tudo da sua cabeça muito rápido e o mundo parecia turvo, sequer percebeu que estava sem as lentes de grau.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Carbella demorou um pouco para decidir o que é que estava lhe deixando tão incomodada a ponto de descontar a raiva nos potes da geladeira, mas logo ela pareceu lembrar de um detalhe importante e começou a andar de um lado para outro, descarregando as informações de uma vez sobre uma das médicas com quem trabalhava. Arman apenas a acompanhou com o olhar enquanto ela esbravejava irritada sobre tudo o que a médica tinha dito, e no fim das contas, ela ainda parecia decidida a descarregar mais uns punhados de frustração e raiva antes de conseguir se acalmar. Não que pudesse fazer alguma coisa, e se abrisse a boca para dizer para ela se acalmar ou que tudo ia ficar bem, só pioraria o estado da ruiva.<br />
<br />
Só ao fim do longo relato estressado da ruiva vou que Arman franziu o cenho, os braços cruzados numa expressão que perguntava claramente porque é que ela estava tão preocupada com a opinião da médica, afinal, se a opinião da outra não fizesse diferença, pra que tanta irritação? E no meio da onda de raiva, ele ainda apontou para a comida que tinha tirado da geladeira.<br />
<br />
- Coma.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
A mente estava em polvorosa, parecia que tinha explodido e agora sofria o atordoamento do impacto, mas ainda se sentia furiosa, não era como se tivesse reclamado tudo que queria. A tontura que sentia podia ser a falta das lentes de grau, a raiva profunda que amargava sua mente, ou apenas fome. Em todo caso, ouviu o comentário de Arman dito na voz dele, dita para fora e o encarou para se deparar com o borrão que devia ser ele, e tornou a pegar o par de lentes de grau para por no rosto, nem se preocupou em limpar os mesmos, estava com o rosto vermelho e a cara emburrada. <br />
<br />
Pegou os depositos de comida e pos num prato sem arrumar muito o mesmo e pos pra esquentar no microondas, o tempo da comida esquentar, apenas ficou em silêncio, embora na sua cabeça estivesse passando vários relances de conversa com a médica, relance de conversa com os colegas de trabalho, e todos sempre batendo na mesma tecla, que era uma pessoa boazinha demais. Nem percebeu que tinha franzido mais as sobrancelhas e estava soprando o ar pelo nariz com raiva. Quando o microondas fez o beep de que o tempo tinha acabado, saiu dos pensamento pra dar atenção a comida:<br />
<br />
-- Não precisa me olhar assim, eu vou ficar bem, só não hoje, e não agora. -- respondeu de forma curta e grossa, talvez Arman nem quisesse perguntar aquilo, apenas respondeu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
O tempo estava miserável, essa era a única palavra que cabia a situação e mesmo com um vocabulário vasto, Carbella repetia aquela palavra insistentemente, estava tendo uma vida miserável. Não deveria reclamar, afinal tinha dois bons empregos e ganhava o suficiente para custear a sua vida e a de sua irmã, e estava estudando para poder prestar o seu vestibular dos sonhos. Mas as palavras ditas pela médica do outro setor, não saiam de sua cabeça, de como era constantemente feita de trouxa, se estava realmente fazendo as coisas para cumprir seu sonho ou apenas se desgastando no meio da rotina. <br />
<br />
Naquele dia no hospital tinha não somente brigado com colegas de setor como tinha cometido um erro, um pequeno deslize nas anotações de pranchetas e na ordem de acompanhar os pacientes, nada que um ajuste no quadro branco não resolvesse. E Richard até fez gracinha com o fato de que tinha errado a ordem de leitos naquele dia, sentiu tanta dor de cabeça que precisou descer dois lances de escada e ir até a copa tomar um gole de água, sua pressão tinha caído e estava com falta de ar, era claramente estresse. Trabalhou o restante do dia plenamente estressada, com a expressão fechada, sequer conseguia sorrir como costumeiramente faria, até o sempre calado Paul disse que iria criar umas rugas se continuasse com aquela cara, lhe oferecendo uma massagem pra relaxar os nervos. Será que estava num dia tão miserável que estava incapaz de lidar com a própria raiva, será que seria o dia que iria estourar de vez? A imagem da doutora Arlovskaya lhe veio a mente, e terminou o dia de serviço com a força do ódio. <br />
<br />
Ao sair do hospital, depois de trocar suas vestes, passou no mercado para comprar alguns alimentos que faria para o jantar, sequer conseguiu decidir ou escolher o que faria, certamente jogaria tudo nas panelas e o que resultasse dali e fosse comestível seria o jantar. Desceu alguns pontos depois no distrito residencial, ignorando o cumprimento de vizinhos do quarteirão, estava tão absorta no próprio cansaço mental que o mundo a volta lhe passava despercebido. Apenas lembrou que tinha deixado comida na geladeira de Fleur, o que seria mais fácil do que cozinhar do zero, aquela hora sabia que a mulher ainda estava na padaria, então seria recepcionada por Arman, que muito provavelmente estaria pintando ou cochilando:<br />
<br />
-- Arman! vim pegar comida na geladeira. -- a ruiva cereja anunciou com o tom de voz irritadiço sem sequer perceber que estava falando daquela forma.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Era o último ano de Arman em St. Clavier, mas ele tinha achado coisas para se preocupar logo com a matéria que tinha decidido pagar pelos créditos lecionada pelo professor Dieter. Do período todo em que estivera estudando em St. Clavier, o biólogo era a pessoa que mais lhe deixava irritado com os requisitos e trabalhos e aquilo era uma coisa difícil de conseguir. Mas a coisa mais satisfatória de terminar as pesquisas chatas era poder voltar para os quadros e para as fotografias.<br />
<br />
Naquele dia, nem foi para St. Clavier, sem aulas para assistir, e só se dedicou a um dia muito tranquilo acordando um pouco mais tarde do que o normal, dispensando a caminhada matinal e passando uma boa parte do dia só trabalhando num quadro novo e numa das maiores telas que ainda tinha em branco no seu ateliê.<br />
<br />
Não tinha tomado nem metade da tela com a base da pintura, mas já tinha passado certamente muitas horas ali no quarto só fazendo aquilo, por isso, saiu do cômodo com o forte cheiro de tinta a óleo e desceu até a cozinha para beber alguma coisa e descansar na sala. Mais um par de minutos passou até ele ouvir a porta se abrindo e logo em seguida, a voz de Carbella anunciando que ia pegar comida na geladeira. Não seria nada fora do comum, não fosse o tom um tanto mais firme da ruiva.<br />
<br />
Ele saiu do sofá até o portal da cozinha, dando uma olhada na amiga de infância que tirava as coisas da geladeira com mais energia do que o necessário. Mas não falou nada, deixou que ela pegasse a comida e notou facilmente que Carbella não estava lá nos melhore dias.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
A ruiva cereja estava resmungando enquanto tirava as coisas congeladas da geladeira, reclamando que aquilo iria demorar pra ficar pronto de todo jeito, que devia ter ligado pra avisar que deixasse fora da geladeira já pra descongelar, largou o depósito em cima da bancada com mais força do que deveria rachando a tampa do mesmo. A ruiva ficou vermelha de ódio e sentia a cabeça latejar novamente. Foi bem em tempo de ouvir os passos de Arman e ele parando bem na entrada da cozinha lhe encarando com aquela cara de quem lhe perguntava as coisas sem por uma palavra pra fora:<br />
<br />
-- Estou bem sim! não aconteceu nada demais eu só estraguei a porcaria da minha tupperware! -- bufou abrindo a torneira e deixando sobre o mesmo pra tentar tirar o que queria, e encarou o moreno alto de novo:<br />
<br />
-- Não estou com raiva, mas vou ficar se você ficar me perguntando do porque eu estar com raiva!  -- a ruiva pontuou aquilo com uma voz bem mais irritadiça do que qualquer outro dia. <br />
<br />
-- Desisto! vou fazer sopa vegetariana! Não estou com paciência de esperar isso descongelar não!!! -- A ruiva desligou a água e pegou o depósito molhado para colocá-lo dentro da geladeira novamente: -- Arhhh!!!<br />
<br />
Depois de resmungar contra a geladeira encarou o moreno mais alto lendo claramente no olhar dele o que ele queria lhe falar: -- Eu já disse que eu não estou com raiva! ou melhor eu estou sim ficando aborrecida das suas perguntas! -- isso tudo sem que de fato o moreno não tivesse aberto a boca para perguntar absolutamente nada.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Já dava para perceber pelos gestos bruscos de Carbella que ela não estava só irritada, estava com raiva de alguma coisa. Arman ficou apenas observando a ruiva enquanto ela procurava comida e ainda bagunçava algumas coisas no ímpeto causado pela raiva. Ele deu alguns passos na direção da mesa, como se fosse pelo menos tentar ajudar a ruiva, e claro que estava interessado em saber se ela estava bem ou o que tinha acontecido para estar com raiva, mas a ruiva foi mais pontual em dizer que não estava irritada nem com raiva - o que era uma mentira bem óbvia.<br />
<br />
E Arman nem precisou fazer perguntas diretamente, porque Carbella era mais rápida em saber o que estava pensando e responder antes mesmo que abrir a boca, o que era extremamente conveniente. Ele passou pela ruiva depois dela desistir da comida congelada e foi até a geladeira, abrindo a parte de baixo e tirando alguns outros depósitos com salada e massa que tinha sobrado do seu almoço, deixando-o sobre a mesa enquanto Carbella continuava esbravejando. Mas ele não pegou talheres ou pratos, só se encostou à bancada da pia e encarou a ruiva de volta, em silêncio, como se ainda esperasse que ela explicasse o motivo de todo o ódio nos depósitos de comida.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
Notou que Arman começou a transitar na cozinha , muito provavelmente na intenção de lhe ajudar, embora ele não soubesse o motivo da sua raiva, e nem tivesse culpa sobre ela, e aquela altura só não queria alguém lhe lembrando que não estava sequer conseguindo esconder o fato de que estava furiosa. Olhou para os recipientes retirados por Arman da geladeira que resolvem seu problema de janta:<br />
<br />
-- Obrigada por resolver meu problema de janta e mostrar como eu estou sendo incompetente até pra arrumar minha própria comida. -- a ruiva cereja levou os dedos ao encontro dos olhos por baixo das lentes de grau e nem precisou encarar Arman pra saber que ele estava lhe encarando de volta: -- Eu sei que você não disse que eu sou uma incompetente, e sim eu estou com raiva, tá satisfeito? -- a ruiva ergueu um pouco o tom de voz e depois respirou fundo tentando se recompor:<br />
<br />
-- Tá eu sei, que você não vai ficar satisfeito só com isso, tá bom, eu sei, do começo, deus… você é impossível! -- A ruiva se encostou no móvel mais próximo do lado oposto ao moreno mais alto, apenas porque não queria ficar perto do outro ou estapearia o outro:<br />
<br />
-- Eu cometi um erro hoje no hospital, não custou a vida de ninguém obviamente senão eu estaria presa, e nem atrapalhou o serviço de outras pessoas, e nenhum supervisor meu notou, só outros dois enfermeiros que viram e acharam graça, pode uma coisa dessas? Eu estou furiosa, não bastasse ter de cobrir serviço desses infelizes, na única vez que eu cometo um deslize eu tenho de ser motivo de piada? -- A ruiva encarou o outro, como se buscasse alguma iluminação divina, mas sabia que só teria mais dor de cabeça: -- Afora o fato que todo mundo hoje resolveu jogar na minha cara como eu estava “cansada” ou aparentemente “irritada” ou com jeito de “poucos amigos” me poupem! UM DIA! UM DIA  QUE EU NÃO ESTOU BEM, todo mundo quer jogar na minha cara! -- A ruiva cereja sequer reparou que estava praticamente vociferando a última frase, até se sentir sem fôlego e com muita dor de cabeça.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
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Arman nem se importou com as indiretas e insistências de Carbella sobre o próprio estado e depois de um olhar firme sem qualquer pergunta, ela finalmente admitiu que estava com raiva e logo prosseguiu com a explicação do motivo por todo o estresse daquele fim de dia. Ele não tinha dúvidas que a rotina de Carbella era estressante e que ela precisaria mesmo descarregar cedo ou tarde. Descruzou os braços e apoiou na bancada atrás de si, enquanto ela falava sobre o erro que tinha cometido no hospital.<br />
<br />
Claro que ainda parecia um motivo muito irrelevante para a ruiva ter tido todo um surto de raiva, então Arman ainda arqueou as sobrancelhas para o fato de que mesmo antes de cometer o tal erro pequeno, ela estivera aparentemente "num dia ruim" e "irritada". Então provavelmente alguma outra coisa estava incomodando a ruiva e tinha causado aquele surto por causa de um erro pequeno no hospital.<br />
<br />
Arman não se importou com o fato de que ela estava praticamente gritando, afinal, Carbella não costumava ter aquele tipo de atitude. Mas ainda a encarou esperando a explicação do porque ela estava tão mal naquele dia em particular.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
A ruiva cereja respirou fundo, sentindo o peito queimar de raiva, os dedos com tremores leves, e o rosto plenamente vermelho, estava tão furiosa, que nem tinha se percebido como aquele estado mental estava se pronlongando, que não seria apenas um dia ruim para lhe deixar naquele estado crítico de estresse. Então foi apenas quando Arman arqueou a sobrancelha daquela forma bem pontual:<br />
<br />
-- Não sei… -- Carbella desviou o olhar e levou as duas mãos ao rosto, afastando as lentes de grau do rosto e as deixando de lado, e esfregando o rosto por fim deixando-o mais vermelho do que já estava, levou as mãos aos fios e franziu as sobrancelhas e fechou ainda mais a expressão: -- Na verdade eu sei sim!<br />
<br />
Respirou fundo, ficando cada vez mais irritada e caminhando de um lado pro outro, o que lhe deixava com aspecto ainda mais irritadiça: -- Tudo isso começou depois que a Arlovskaya veio falar comigo com aquela história mansa de que eu estava me esforçando demais que eu estava me desgastando, tudo conversa, ela só queria um motivo pra falar o que bem queria e como queria. Depois veio me oferecer bolo com cerejas pra fazer parecer que se arrependia, mas eu sei que não, todo mundo fica me tratando como se eu fosse uma coitadinha, uma idiota que não sabe perceber as coisas, eu percebo, eu sei das intenções ruins dos outros, mas eu sigo fazendo o meu trabalho! Eu não faço as coisas esperando a porcaria da aprovação de uma médica que veio sabe-se lá de onde pra dizer que eu tou acabando comigo mesma e nunca vou chegar onde eu quero!<br />
<br />
Falou tudo num fôlego só, sentindo que tinha esvaziado tudo da sua cabeça muito rápido e o mundo parecia turvo, sequer percebeu que estava sem as lentes de grau.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Carbella demorou um pouco para decidir o que é que estava lhe deixando tão incomodada a ponto de descontar a raiva nos potes da geladeira, mas logo ela pareceu lembrar de um detalhe importante e começou a andar de um lado para outro, descarregando as informações de uma vez sobre uma das médicas com quem trabalhava. Arman apenas a acompanhou com o olhar enquanto ela esbravejava irritada sobre tudo o que a médica tinha dito, e no fim das contas, ela ainda parecia decidida a descarregar mais uns punhados de frustração e raiva antes de conseguir se acalmar. Não que pudesse fazer alguma coisa, e se abrisse a boca para dizer para ela se acalmar ou que tudo ia ficar bem, só pioraria o estado da ruiva.<br />
<br />
Só ao fim do longo relato estressado da ruiva vou que Arman franziu o cenho, os braços cruzados numa expressão que perguntava claramente porque é que ela estava tão preocupada com a opinião da médica, afinal, se a opinião da outra não fizesse diferença, pra que tanta irritação? E no meio da onda de raiva, ele ainda apontou para a comida que tinha tirado da geladeira.<br />
<br />
- Coma.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carbella</span></div>
<br />
A mente estava em polvorosa, parecia que tinha explodido e agora sofria o atordoamento do impacto, mas ainda se sentia furiosa, não era como se tivesse reclamado tudo que queria. A tontura que sentia podia ser a falta das lentes de grau, a raiva profunda que amargava sua mente, ou apenas fome. Em todo caso, ouviu o comentário de Arman dito na voz dele, dita para fora e o encarou para se deparar com o borrão que devia ser ele, e tornou a pegar o par de lentes de grau para por no rosto, nem se preocupou em limpar os mesmos, estava com o rosto vermelho e a cara emburrada. <br />
<br />
Pegou os depositos de comida e pos num prato sem arrumar muito o mesmo e pos pra esquentar no microondas, o tempo da comida esquentar, apenas ficou em silêncio, embora na sua cabeça estivesse passando vários relances de conversa com a médica, relance de conversa com os colegas de trabalho, e todos sempre batendo na mesma tecla, que era uma pessoa boazinha demais. Nem percebeu que tinha franzido mais as sobrancelhas e estava soprando o ar pelo nariz com raiva. Quando o microondas fez o beep de que o tempo tinha acabado, saiu dos pensamento pra dar atenção a comida:<br />
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-- Não precisa me olhar assim, eu vou ficar bem, só não hoje, e não agora. -- respondeu de forma curta e grossa, talvez Arman nem quisesse perguntar aquilo, apenas respondeu.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Sem Rumo [Irina]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=313</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:07:19 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=86">Yure</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=313</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Era fato que o seu final de ano letivo em St. Clavier estava saindo muito confuso, embora as ferias estivessem bem aí, não conseguia se sentir empolgado, embora a chapa do conselho estudantil tivesse vencido as eleições, não estava feliz como achava que ia se manter, e mesmo depois de ter feito as provas finais muito bem, a perspectiva de que ia para o terceiro ano não lhe dava nada além do sentimento de que tinha cumprido nada mais que sua obrigação. Estava aborrecido, e não era uma companhia boa quando estava chateado, não era bom em esconder como se sentia, e quando estava com uma expressão séria todos logo vinham lhe perguntar o que tinha de errado consigo. Então buscando evitar todos esses confrontamentos e não querendo ser chato desnecessariamente com nenhuma amigo seu, o ruivo decidiu sair da academia masculina e ir bater perna na cidade. <br />
<br />
Foi para os limites de Pourpre, onde as construções antigas e novas se misturavam no centro da cidade, tinha descido de ônibus pra não ter de subir o morro depois, e foi praticar Parkour, queria sentir o corpo cansado o suficiente para só chegar nos dormitórios e se jogar na cama e dormir como se não houvesse amanhã. Estava num dos pontos próximo a um muro pixado, fazendo os exercícios básicos de aquecimento antes de começar a prática em si.<br />
<br />
E em seguida seguiu fazendo aquecimento de Wall run junto com a pegada específica para manter a força, e estava corrigindo maus hábitos de sua prática de parkour, primeiramente pra conseguir subir mais, tinha de ficar fazendo contagem de passos antes de chegar na parede que queria subir, e seguiu repetindo o movimento várias vezes inclusive a aterrissagem. Estava com fone de ouvido com música tocando alta e insanamente rápida, o ruivo usava uma regata, munhequeiras para manter o pulso estável, tênis confortável e bermuda.<br />
<br />
Quem conhecia o ruivo, sabia que se ele estava praticando sozinho, muito provavelmente ele não queria conversar, mas não podia negar que era um adolescente chamativo o suficiente para as pessoas passarem olhando o que ele estava fazendo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
O humor de Irina estava um pouco abalado, devido a visita repentina de seu Irmão mais velho Illya. Durante a visita, com todo seu detalhismo desnecessário para situação, Illya fez questão de criticar a organização da casa e outros assuntos pessoas envolvendo o estilo de vida atual de Irina. Para Irina era mais um daqueles dias, onde a mesma acordou antes mesmo do Sol nascer, como de costume, para realizar alguns afazeres, como organizar sua bolsa e preparar seu almoço, antes de sair para as aulas em Limoges-Collet.<br />
<br />
Já pronta para sair de casa, Irina percebe que há um potsticker com um recado deixado por Illya. Imaginando ser mais um reclamação desnecessária, pela força do ódio, Irina pega aquele potsticker e sem ler, o amassa e o lança pelo ombro. Irina segue sua rotina escolar, mas com o humor ainda abalado, procura ficar um pouco mais reservada, com medo de descarregar algo em alguém sem querer.<br />
<br />
Após o horário de aula, enquanto arrumava seus materiais para ir para casa, Irina é abordada por uma de suas colegas de classe, que a viu não muito bem, e resolve convidá-la para passear por Pourpre, mas Irina acaba inventando uma desculpa qualquer para não ir.<br />
<br />
Chegando em casa, Irina se depara com o potsticker amassado no chão. Ainda impulsionada pela raiva, Irina simplesmente passar por cima do papel como se fizesse parte do chão da casa, e vai em direção ao seu quarto, onde simplesmente joga a bolsa pro lado e se deita na cama virada para cima, observando o teto do seu quarto.<br />
<br />
Alguns minutos se passam, e Irina fica impaciente por estar naquele estado de espírito, pega o celular para ligar para sua amiga que tinha ido à Pourpre, marcando assim um lugar para se encontrar. Irina se arruma e coloca seu clássico casaco verde. Já prestes a sair de casa, o potsticker amassado e pisado, ainda está no mesmo lugar. então Irina resolve desamassar o papel, ainda sem ler o coloca no bolso interno do casaco.<br />
<br />
Já em Pourpre, para a surpresa de Irina, sua amiga não estava no local combinado e a mesma por algum motivo não estava atendendo o celular. Irina começa a andar pelo bairro onde já tinha andado algumas vezes. Enquanto andava, Irina percebe um pouco mais afrente, um jovem aleatório que estava aparentemente fazendo parkour. Aquilo encheu os olhos de Irina de brilho, visto que, a mesma só tinha visto vídeos de pessoas praticando parkour, nunca tinha visto algo ao vivo. Pela empolgação, Irina começa a acompanhar o rapaz ruivo, mas em uma das aterrissagem do rapaz, Irina acaba por não prestar muito a atenção no ângulo aterrissagem e esbarra no rapaz. Irina cai e embola no chão.<br />
<br />
-- Ai ai ai ai! Isso vai deixa algo roxo! MOÇO ME DESCULPA NÃO ERA ESSA MINHA INTENÇÃO!! - Irina rápidamente se levanta pra tentar ajudar o rapaz ruivo. -  MAS ISSO FOI INCRÍVEL CARA! VOCÊ É DE MAIS!!! VOCÊ FEZ ZUMMM! DEPOIS FEZ ZAAAAP! E DEU UNS PULOS MUITO LEGAIS!! QUAL TEU NOME!!?? VOCÊ É ALGUM TIPO DE PRO PARKOUR!!???<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava definitivamente com a cabeça cheia e estava difícil não pensar na quantidade de palavras trocadas entre ele e a nam- “ex-namorada”, tinha de começar a pensar nela como ex- e por mais que fosse por pouco tempo, aquele sentimento de que tinham brigado por algo daquela forma deixava o ruivo cheio de sentimentos divididos. Yure pegou impulso e a três passos de distância do muro que ia escalar começou a impulsionar com os pés, plantou o pé levemente na diagonal, e jogou o peso pra cima, alcançando o topo do muro sem problemas, praticou a pegada específica para aquela manobra, e sustentou o peso, flexionando os braços, contou até dez e saltou para aterrissagem e qual sua surpresa quando uma garota se posicionou perto demais de onde iria cair, e teve apenas um instante pra dar um tapa na parede e desviar de leve da garota, colocando mais pressão sobre os tornozelos do que gostaria e ainda assim trombando na garota. <br />
<br />
Nem teve tempo de fazer um rolamento decente apenas embolando para trás e protegendo a região da coluna do impacto direto com solo, tal qual a sua surpresa quando a garota estava de pé primeiro ainda que ele, isso indicava que ela não estava machucada, e teve de afastar os fones para finalmente ouvir o que ela estava dizendo: -- Nossa! Calma! Devagar! -- o ruivo ergueu as mãos  pedindo que a maior, ela parecia mais velha que o ruivinho certamente, depois de bater a poeira e se levantar: -- Primeiro de tudo, você está bem? Não parece que se machucou. Segundo, o que você tinha na cabeça pra ficar de baixo de alguém praticando Parkour? Isso é perigoso, não pra mim, que sei cair, mas pra você no caso. Terceiro, eu não escutei nada do que você disse antes, porque eu estava de fones… e, você chegou a me chamar? -- O ruivo se atentou ao fato de que talvez a moça o tivesse chamado e ele não ouviu.<br />
<br />
Quase tinha se acidentado por estar com a cabeça cheia por causa de mulher, será que não tinha aprendido nada com acidente de Skate do ano passado? Oh desgraça de cabeça de homem. O ruivo se lamentava mentalmente.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Irina dá conta de que ficou tão empolgado com o fato de ver alguém praticando algo tão legal pra ela como Parkour, que não se deu conta do percurso que o rapaz ruivo iria fazer. Irina dá uns pulinhos de empolgação. - DESCULPA, EU NÃO CALCULEI A ROTA!! ME DESCULPA!! ME DESCULPA!! - Irina para, respira fundo pra controlar os ânimos. - Eu estou bem obrigado por se preocupar! Mas eu fiquei tão empolgada com seus movimentos, que não prestei a atenção na rota que você ia fazer, por isso acabei esbarrando em ti. Eu sempre vi muitos vídeos de pessoas fazendo Parkour e sempre achei legal! E o que você fez FOI INCRÍVEL!!! - Enquanto Irina fala sobre o quanto gosta de Parkour, ela começa a gesticular bastante e a fazer poses de como se realmente soubesse fazer algo em relação a prática de Parkour. - Eu vim até aqui pra me encontrar com minha amiga, mas ela não atende o telefone e não tenho mais nada pra fazer por aqui… Será que você poderia me ensina essas coisas incríveis de PARKOUR!! Inclusive! Prazer! Meu nome é Irina!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Aparentemente a garota falava com a mesma velocidade que o próprio ruivo, pela primeira vez na vida tinha encontrado alguém tão o mais empolgado que ele mesmo, e se estivesse num dia bom, até ficaria mais empolgado, mas agora tinha mais noção de como as pessoas deviam se sentir conversando com o próprio ruivo:<br />
<br />
-- Yure Clarque Lukashenko, prazer. -- o ruivo estendeu a mão na direção da outra garota, rebobinando o que a menina tinha falado: -- Bem essa sua amiga que te deixou na mão, é mó vacilona viu. -- o ruivo completou mexendo no celular pra pausar a música que ouvia:<br />
<br />
-- Não vou dizer que é fácil, mas também não é essa dificuldade toda não, e eu posso até mostrar alguns exercícios básicos, a gente tem um canal do byoutube, pra ensinar iniciantes no esporte. -- o ruivo mostrou no celular o nome do canal, para que a mais velha desse uma olhada, pra só então guardar o aparelho no bolso: -- o que eu estava fazendo é um Wallrun, que é um movimento cujo o objetivo é impulsionar o corpo pra cima pra você ser capaz de subir em um muro. Mas como você é iniciante, esse movimento não é adequado. -- o rapaz suspirou, coçando os cabelos ruivos, não era como mostrar ou praticar com uma guria estranha fosse fazer o seu dia ser pior, não era? E ela parecia está tão feliz de ver, e já tinha levado um furo da amiga dela, não ia deixar o dia dela pior:<br />
<br />
-- mas se você quiser, a gente pode fazer um circuito simplezinho… o que me diz?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
O rapaz de cabelos ruivos pareceu ser uma pessoa bem simpática para Irina. Ao rapaz estender a mão a ela para cumprimentar, como de costume Irina balança a mão do rapaz de maneira bem frenética. - Prazer em lhe conhecer Yure!! Ah!! Não duvido minha amiga esteja tão bem acompanhada, a ponto de esquecer o telefone no silenciosos… se é que você me entende… - Irina não se mostra abalado com o fato de ter sido esquecida por sua "amiga", devido ao fato de está muito empolgada por ter conhecido Yure. <br />
<br />
Ao ver um canal no YouTube com as primeiras dicas de Parkuor, Irina rápido adiciona ele a lista de favoritos. - Seus movimentos são realmente muito incríveis! Imagino que tenha levado muitas quedas até chegar nesse nível atual!! Isso é algo muito avançado pra uma iniciante igual a mim… Eu entendo… mais ainda assim é INCRÍVEL!! - Ao ouvir a proposta de Yure para fazer um percurso mais simples, Irina fica ainda mais empolga, a ponto de pegar Yure pelos ombros e o balançar. - É SÉRIO!! VOCÊ FARIA ISSO POR MIM MESMO!? UMA GAROTA ALEATÓRIA FÃ DE UM ESPORTE MAGNÍFICO COMO ESSE!?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo ficou surpreso com o nível de empolgação da mais nova, ela realmente tinha MUITA energia, então nada mais justo que gastar essa energia. Yure explicou um circuito simples que envolve pular os bancos de praça em sequência, seguido de pular no corrimão de acesso a rampa de cadeirantes, e depois pular entre as muretas dos canteiros da praça. um circuito simples de mais ou menos 200m, repetido várias veze já é o bastante para adquirir confiança:<br />
<br />
-- Eu quero que você preste atenção principalmente em como eu dobro os joelhos pra amortecer a queda, e que a medida que eu faço os saltos o corpo se mantém reto e a posição dos braços, parece bastante informação, mas a medida que você for repetindo fica mais tranquilo. -- Dito isto, o ruivo sorriu e fez um aceno para que a mais velha observasse, fez todo o caminho saltando e com bastante equilíbrio sem a menor dificuldade, voltou fazendo o caminho reverso, e foi tempo apenas de transpirar um pouco:<br />
<br />
-- Tá vendo, facinho.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Irina observa com atenção os movimentos feitos pelo garoto Yure e a rota a ser seguida, e segue tentando replicar os mesmo movimentos. Ao pular a mureta dos canteiros, Irina sente um incômodo nos joelhos o que a fez perder um pouco de equilíbrio por um tempo, mas não ao ponto de cair, ainda assim, seguiu o caminho até voltar até onde Yure estava. “Parada” em frente a Yure, Irina começa a movimentar como se estivesse fazendo aquecimento, algo que a mesma esqueceu de fazer antes de começar a correr. Enquanto faz seu aquecimento atrasado ela fala com Yure. - Isso foi muito fácil! Mas foi divertido!! Eu quero EMOÇ O e AVENTURA! Como pular de um prédio para outro!! - Irina tenta disfarçar de Yure que perdeu o equilíbrio no percurso. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo notou como a garota parecia uma pilha de alta qualidade, cheia de energia e animada, não tinha como se manter aborrecido, seria injusto com a animação da outra, então Yure fechou o punho e pôs um sorriso amplo no rosto: -- Nem pensar! você vai morrer se for pular de um prédio depois de apenas uma aula.  -- Ele riu mais abertamente, porque tinha falado algo que ia completamente o oposto de sua postura confiante:<br />
<br />
-- Parkour é sobre equilíbrio, superar os próprios limites, territorializar a cidade e principalmente disciplina. -- O ruivo se sentia o próprio Rick explicando aquelas conceitos do esporte: -- Veja bem, se você perde o equilíbrio ou não tem confiança de pular de uma mureta pra outra, quando chegar na hora de pular de um prédio pro outro, ao invés de sentir a emoção e liberdade do esporte, você vai sentir medo, e o medo vai lhe paralisar, enrijecer seus músculos e lhe travar. Dito isto, podemos fazer algumas escaladas verticais em muros e saltos, aí quando você menos esperar em algumas semanas você vai tá sendo praticamente a mulher aranha escalando prédios. Hahahaha!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
As explicações de Yure sobre Parkour cativam Irina a cada palavra. Enquanto mantém o foco nas explicações vindas de Yure, Irina começa fazer poses que testam seu equilíbrio. <br />
A empolgação de Irina estava muito evidente, a garota não parava de fazer poses. <br />
<br />
- Entendi!! Entendi!! Então vamos lá!! Me ensina todos os macetes de equilíbrio!!! Se a gente apostar uma corrida isso ajuda? Ei! Aquele negócio de usar parede de escada então é tudo equilíbrio e força nas pernas!!?? - Irina não parava de bombardear Yure com várias perguntas. Parecia que todas as peças se encaixavam na cabeça da garota, quando o assunto era envolvendo algo que lhe désse muito combustível.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Mesmo que quisesse o ruivo não tinha como se manter irritado diante daquela situação, afinal, olhar toda a empolgação que a garota transbordava devia ser o tipo de energia que passava quando estava em seus dias bons. Então, como não pretendia desperdiçar toda aquela força de vontade era bom canalizá-la de forma útil, os deuses do Parkour tinham de lhe agradecer, agora estava orquestrando a entrada de uma nova incauta no culto de subir paredes:<br />
<br />
-- Não é exatamente um macete, mas um conjunto de fatores que vão de condicionamento físico, disposição para tentar, controle do próprio corpo, percepção de espaço, saber lidar com seu medo, e técnica aplicada. -- O ruivo sorriu carismático parecendo cada vez mais contagiado pela energia animada: -- E apostar uma corrida seria legal, mas seria injusto considerando que eu tenho muitos meses de prática, mas eu aceito a gente marcar um desafio daqui três meses, nesse mesmo lugar. <br />
<br />
Puxou o celular cheio de penduricalhos e chaveiros coloridos, a capa de cor laranja neon com adesivos aleatórios de animes, e marcou na agenda o dia e o horário e em seguida mostrou para a garota: -- Seu prazo pra ficar boa no Parkour é de três meses, se praticar direitinho, vai pegar o jeito num instante, aconselho a seguir esse canal aqui, é onde o grupo da gente posta vários vídeos de prática e coisas de iniciante, pra você treinar sem a minha ajuda quando estiver afim. -- mostrou no próprio celular, o endereço do canal, sem nenhum pudor: -- Se quiser salvar meu número, eu posso te colocar no grupo que a gente marca de praticar todo mundo junto. -- O ruivo anunciou, guardando o celular em seguida, pra só então caminhar na praça até uma murada que separava o jardim alto do jardim baixo:<br />
<br />
-- Você perguntou sobre subir em paredes, é tudo uma relação de velocidade e força, diria que diferente de um movimento uniformemente variável, ele se trata de uma aceleração com impulso no momento certo. A força aplicada contra o chão, te dá uma normal que transforma seu joelho num trampolim. Então você consegue se impulsionar pra cima uns 40% a mais do que normalmente você conseguiria. Então, você precisa tomar distância da parede, e correr, ao chegar numa distância média, que varia a depender do comprimento das suas pernas, no meu caso é cerca de 1,70m, você não para de correr, e já inicia o salto com uma das pernas. O segundo momento é quando seu outro pé faz contato com a parede, para te ajudar a subir e pular pra cima e chegar no topo do muro. A inclinação do pé vai determinar se a energia aplicada vai tangenciar a superfície da parede causando um efeito de deslizamento pra baixo, ou se você vai conseguir atingi-la em cerca de 45° de inclinação, e da mesma forma que o chão, a força normal vinda da parede vai lhe impulsionar ainda mais pra cima. Fazendo você ganhar mais uns 35~50% de altura. Fazendo as contas, um muro de 2m de altura é bobagem pra ser escalado. E a medida que você absorve esses fundamentos, a escalada se torna mais natural, você desperdiça menos energia na corrida, e consegue acumular mais força pro momento do efeito trampolim, e a subida se torna tão leve que sequer você faz força pra escalar. Entendeu?<br />
<br />
Sabia que aquelas explicações técnicas pareciam confusas, mas tudo ficava mais fácil quando mostrava na prática, mas ainda assim precisava explicar a base da coisa toda, sem isso, o parkour não seria o que é.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Mesmo com toda explicação dada por Yure, Irina percebe que realmente precisará de ainda muito treinamento até conseguir fazer algo que lhe dê muita adrenalina no Parkour. - Tem razão, tem razão… mas o momento de nossa corrida chegará com a benção dos deuses do Parkour - Ao falar dos deuses do Parkour, Irina faz um pose estranha, inclinando seu corpo um pouco para trás e levantando os braços para o alto. Irina retoma a sua postura e segue falando - Mas não me subestime novinho! Hahahahahah!!! Vou seguir seus conselhos e sim gostaria de seu número pra podermos trocar ideias e marcar de sair para praticar sempre que possível!! Estou muito empolgada!!! AAAAA!!! - Irina balança Yure pelos ombros.<br />
<br />
Ao ser bombardeado com várias explicações de como a físicas é aplicada no Parkour, a expressão de Irina naquele momento foi como se sua alma tivesse saído de seu corpo por alguns instantes. Irina retoma sua expressão de empolgação e comenta: - Acho que é muito técnico pra mim por hora… mas espero chegar nesse mesmo nível que o seu logo logo!! HAHAHAHAHAHAHAH! Mas acredito que na prática isso é bem mais fácil de explicar, igual aquelas formas físicas que funcionam nos carros de corrida! - Irina balança a cabeça positivamente.<br />
<br />
Irina aperta a mão de Yure e a balança freneticamente - Foi um prazer lhe conhecer Yure, vamos nos falando sempre que possível!!! Você me até esquecer o mal humor que Eu tava por culpa do meu irmão!!! Hahaha Aquele babaca… *murmuro*!!<br />
<br />
Ao se afastar de Yuri o telefone de Irina toca e ao longe é possível ouvir a mesma gritando “COMO ASSIM EU PERDI A HORA DE LHE ENCONTRAR!!!!” <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O fato de Irina ser uma pessoa tão cheia de energia era algo que lhe animava profundamente e até lhe fazia esquecer momentaneamente das raivas que tinha passado recentemente com sua família e alguns amigos próximos. Em verdade precisava mesmo interagir com pessoas mais despreocupadas, principalmente quando ela lhe sacudiu pelos ombros com tanta força, ela tinha MUITA ENERGIA. Riu abertamente junto com a mais velha, porque sabia que suas explicações eram muito técnicas às vezes, mas o fato dela não ter se amedrontado já mostrava que ela tinha fibra e gostava disso nas pessoas.<br />
<br />
-- Eu que agradeço! Vamos sim nos falar, marcar uma saída aí, pra subir umas paredes mais altas ou pular umas pontes! Hahahah! Antes do nosso desafio a gente tem de praticar bastante, não se esqueça é com a prática que vem a perfeição, ou quase isso, né? Até mais! Se cuida! Juízo na vida! - O ruivo brincou, imaginando que se ela fosse tão desatenta quanto tinha de energética aquilo era uma combinação meio ruim pra ensinar justamente como subir e pular paredes.<br />
<br />
O ruivo estava pronto para seguir com a prática de exercícios interrompida, quando quase foi atropelado por um par de crianças, correndo com um balão como se fosse uma brincadeira de “pega-pega”; Acompanhou com o olhar para onde os mais novos estavam seguindo e viu que eles corriam para passarela, menos mal. Claro se o garoto mais velho não tivesse soltado a corda do balão, fazendo o mesmo escapar e ser levado pelo vento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Era fato que o seu final de ano letivo em St. Clavier estava saindo muito confuso, embora as ferias estivessem bem aí, não conseguia se sentir empolgado, embora a chapa do conselho estudantil tivesse vencido as eleições, não estava feliz como achava que ia se manter, e mesmo depois de ter feito as provas finais muito bem, a perspectiva de que ia para o terceiro ano não lhe dava nada além do sentimento de que tinha cumprido nada mais que sua obrigação. Estava aborrecido, e não era uma companhia boa quando estava chateado, não era bom em esconder como se sentia, e quando estava com uma expressão séria todos logo vinham lhe perguntar o que tinha de errado consigo. Então buscando evitar todos esses confrontamentos e não querendo ser chato desnecessariamente com nenhuma amigo seu, o ruivo decidiu sair da academia masculina e ir bater perna na cidade. <br />
<br />
Foi para os limites de Pourpre, onde as construções antigas e novas se misturavam no centro da cidade, tinha descido de ônibus pra não ter de subir o morro depois, e foi praticar Parkour, queria sentir o corpo cansado o suficiente para só chegar nos dormitórios e se jogar na cama e dormir como se não houvesse amanhã. Estava num dos pontos próximo a um muro pixado, fazendo os exercícios básicos de aquecimento antes de começar a prática em si.<br />
<br />
E em seguida seguiu fazendo aquecimento de Wall run junto com a pegada específica para manter a força, e estava corrigindo maus hábitos de sua prática de parkour, primeiramente pra conseguir subir mais, tinha de ficar fazendo contagem de passos antes de chegar na parede que queria subir, e seguiu repetindo o movimento várias vezes inclusive a aterrissagem. Estava com fone de ouvido com música tocando alta e insanamente rápida, o ruivo usava uma regata, munhequeiras para manter o pulso estável, tênis confortável e bermuda.<br />
<br />
Quem conhecia o ruivo, sabia que se ele estava praticando sozinho, muito provavelmente ele não queria conversar, mas não podia negar que era um adolescente chamativo o suficiente para as pessoas passarem olhando o que ele estava fazendo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
O humor de Irina estava um pouco abalado, devido a visita repentina de seu Irmão mais velho Illya. Durante a visita, com todo seu detalhismo desnecessário para situação, Illya fez questão de criticar a organização da casa e outros assuntos pessoas envolvendo o estilo de vida atual de Irina. Para Irina era mais um daqueles dias, onde a mesma acordou antes mesmo do Sol nascer, como de costume, para realizar alguns afazeres, como organizar sua bolsa e preparar seu almoço, antes de sair para as aulas em Limoges-Collet.<br />
<br />
Já pronta para sair de casa, Irina percebe que há um potsticker com um recado deixado por Illya. Imaginando ser mais um reclamação desnecessária, pela força do ódio, Irina pega aquele potsticker e sem ler, o amassa e o lança pelo ombro. Irina segue sua rotina escolar, mas com o humor ainda abalado, procura ficar um pouco mais reservada, com medo de descarregar algo em alguém sem querer.<br />
<br />
Após o horário de aula, enquanto arrumava seus materiais para ir para casa, Irina é abordada por uma de suas colegas de classe, que a viu não muito bem, e resolve convidá-la para passear por Pourpre, mas Irina acaba inventando uma desculpa qualquer para não ir.<br />
<br />
Chegando em casa, Irina se depara com o potsticker amassado no chão. Ainda impulsionada pela raiva, Irina simplesmente passar por cima do papel como se fizesse parte do chão da casa, e vai em direção ao seu quarto, onde simplesmente joga a bolsa pro lado e se deita na cama virada para cima, observando o teto do seu quarto.<br />
<br />
Alguns minutos se passam, e Irina fica impaciente por estar naquele estado de espírito, pega o celular para ligar para sua amiga que tinha ido à Pourpre, marcando assim um lugar para se encontrar. Irina se arruma e coloca seu clássico casaco verde. Já prestes a sair de casa, o potsticker amassado e pisado, ainda está no mesmo lugar. então Irina resolve desamassar o papel, ainda sem ler o coloca no bolso interno do casaco.<br />
<br />
Já em Pourpre, para a surpresa de Irina, sua amiga não estava no local combinado e a mesma por algum motivo não estava atendendo o celular. Irina começa a andar pelo bairro onde já tinha andado algumas vezes. Enquanto andava, Irina percebe um pouco mais afrente, um jovem aleatório que estava aparentemente fazendo parkour. Aquilo encheu os olhos de Irina de brilho, visto que, a mesma só tinha visto vídeos de pessoas praticando parkour, nunca tinha visto algo ao vivo. Pela empolgação, Irina começa a acompanhar o rapaz ruivo, mas em uma das aterrissagem do rapaz, Irina acaba por não prestar muito a atenção no ângulo aterrissagem e esbarra no rapaz. Irina cai e embola no chão.<br />
<br />
-- Ai ai ai ai! Isso vai deixa algo roxo! MOÇO ME DESCULPA NÃO ERA ESSA MINHA INTENÇÃO!! - Irina rápidamente se levanta pra tentar ajudar o rapaz ruivo. -  MAS ISSO FOI INCRÍVEL CARA! VOCÊ É DE MAIS!!! VOCÊ FEZ ZUMMM! DEPOIS FEZ ZAAAAP! E DEU UNS PULOS MUITO LEGAIS!! QUAL TEU NOME!!?? VOCÊ É ALGUM TIPO DE PRO PARKOUR!!???<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava definitivamente com a cabeça cheia e estava difícil não pensar na quantidade de palavras trocadas entre ele e a nam- “ex-namorada”, tinha de começar a pensar nela como ex- e por mais que fosse por pouco tempo, aquele sentimento de que tinham brigado por algo daquela forma deixava o ruivo cheio de sentimentos divididos. Yure pegou impulso e a três passos de distância do muro que ia escalar começou a impulsionar com os pés, plantou o pé levemente na diagonal, e jogou o peso pra cima, alcançando o topo do muro sem problemas, praticou a pegada específica para aquela manobra, e sustentou o peso, flexionando os braços, contou até dez e saltou para aterrissagem e qual sua surpresa quando uma garota se posicionou perto demais de onde iria cair, e teve apenas um instante pra dar um tapa na parede e desviar de leve da garota, colocando mais pressão sobre os tornozelos do que gostaria e ainda assim trombando na garota. <br />
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Nem teve tempo de fazer um rolamento decente apenas embolando para trás e protegendo a região da coluna do impacto direto com solo, tal qual a sua surpresa quando a garota estava de pé primeiro ainda que ele, isso indicava que ela não estava machucada, e teve de afastar os fones para finalmente ouvir o que ela estava dizendo: -- Nossa! Calma! Devagar! -- o ruivo ergueu as mãos  pedindo que a maior, ela parecia mais velha que o ruivinho certamente, depois de bater a poeira e se levantar: -- Primeiro de tudo, você está bem? Não parece que se machucou. Segundo, o que você tinha na cabeça pra ficar de baixo de alguém praticando Parkour? Isso é perigoso, não pra mim, que sei cair, mas pra você no caso. Terceiro, eu não escutei nada do que você disse antes, porque eu estava de fones… e, você chegou a me chamar? -- O ruivo se atentou ao fato de que talvez a moça o tivesse chamado e ele não ouviu.<br />
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Quase tinha se acidentado por estar com a cabeça cheia por causa de mulher, será que não tinha aprendido nada com acidente de Skate do ano passado? Oh desgraça de cabeça de homem. O ruivo se lamentava mentalmente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
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Irina dá conta de que ficou tão empolgado com o fato de ver alguém praticando algo tão legal pra ela como Parkour, que não se deu conta do percurso que o rapaz ruivo iria fazer. Irina dá uns pulinhos de empolgação. - DESCULPA, EU NÃO CALCULEI A ROTA!! ME DESCULPA!! ME DESCULPA!! - Irina para, respira fundo pra controlar os ânimos. - Eu estou bem obrigado por se preocupar! Mas eu fiquei tão empolgada com seus movimentos, que não prestei a atenção na rota que você ia fazer, por isso acabei esbarrando em ti. Eu sempre vi muitos vídeos de pessoas fazendo Parkour e sempre achei legal! E o que você fez FOI INCRÍVEL!!! - Enquanto Irina fala sobre o quanto gosta de Parkour, ela começa a gesticular bastante e a fazer poses de como se realmente soubesse fazer algo em relação a prática de Parkour. - Eu vim até aqui pra me encontrar com minha amiga, mas ela não atende o telefone e não tenho mais nada pra fazer por aqui… Será que você poderia me ensina essas coisas incríveis de PARKOUR!! Inclusive! Prazer! Meu nome é Irina!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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Aparentemente a garota falava com a mesma velocidade que o próprio ruivo, pela primeira vez na vida tinha encontrado alguém tão o mais empolgado que ele mesmo, e se estivesse num dia bom, até ficaria mais empolgado, mas agora tinha mais noção de como as pessoas deviam se sentir conversando com o próprio ruivo:<br />
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-- Yure Clarque Lukashenko, prazer. -- o ruivo estendeu a mão na direção da outra garota, rebobinando o que a menina tinha falado: -- Bem essa sua amiga que te deixou na mão, é mó vacilona viu. -- o ruivo completou mexendo no celular pra pausar a música que ouvia:<br />
<br />
-- Não vou dizer que é fácil, mas também não é essa dificuldade toda não, e eu posso até mostrar alguns exercícios básicos, a gente tem um canal do byoutube, pra ensinar iniciantes no esporte. -- o ruivo mostrou no celular o nome do canal, para que a mais velha desse uma olhada, pra só então guardar o aparelho no bolso: -- o que eu estava fazendo é um Wallrun, que é um movimento cujo o objetivo é impulsionar o corpo pra cima pra você ser capaz de subir em um muro. Mas como você é iniciante, esse movimento não é adequado. -- o rapaz suspirou, coçando os cabelos ruivos, não era como mostrar ou praticar com uma guria estranha fosse fazer o seu dia ser pior, não era? E ela parecia está tão feliz de ver, e já tinha levado um furo da amiga dela, não ia deixar o dia dela pior:<br />
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-- mas se você quiser, a gente pode fazer um circuito simplezinho… o que me diz?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
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O rapaz de cabelos ruivos pareceu ser uma pessoa bem simpática para Irina. Ao rapaz estender a mão a ela para cumprimentar, como de costume Irina balança a mão do rapaz de maneira bem frenética. - Prazer em lhe conhecer Yure!! Ah!! Não duvido minha amiga esteja tão bem acompanhada, a ponto de esquecer o telefone no silenciosos… se é que você me entende… - Irina não se mostra abalado com o fato de ter sido esquecida por sua "amiga", devido ao fato de está muito empolgada por ter conhecido Yure. <br />
<br />
Ao ver um canal no YouTube com as primeiras dicas de Parkuor, Irina rápido adiciona ele a lista de favoritos. - Seus movimentos são realmente muito incríveis! Imagino que tenha levado muitas quedas até chegar nesse nível atual!! Isso é algo muito avançado pra uma iniciante igual a mim… Eu entendo… mais ainda assim é INCRÍVEL!! - Ao ouvir a proposta de Yure para fazer um percurso mais simples, Irina fica ainda mais empolga, a ponto de pegar Yure pelos ombros e o balançar. - É SÉRIO!! VOCÊ FARIA ISSO POR MIM MESMO!? UMA GAROTA ALEATÓRIA FÃ DE UM ESPORTE MAGNÍFICO COMO ESSE!?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O ruivo ficou surpreso com o nível de empolgação da mais nova, ela realmente tinha MUITA energia, então nada mais justo que gastar essa energia. Yure explicou um circuito simples que envolve pular os bancos de praça em sequência, seguido de pular no corrimão de acesso a rampa de cadeirantes, e depois pular entre as muretas dos canteiros da praça. um circuito simples de mais ou menos 200m, repetido várias veze já é o bastante para adquirir confiança:<br />
<br />
-- Eu quero que você preste atenção principalmente em como eu dobro os joelhos pra amortecer a queda, e que a medida que eu faço os saltos o corpo se mantém reto e a posição dos braços, parece bastante informação, mas a medida que você for repetindo fica mais tranquilo. -- Dito isto, o ruivo sorriu e fez um aceno para que a mais velha observasse, fez todo o caminho saltando e com bastante equilíbrio sem a menor dificuldade, voltou fazendo o caminho reverso, e foi tempo apenas de transpirar um pouco:<br />
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-- Tá vendo, facinho.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
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Irina observa com atenção os movimentos feitos pelo garoto Yure e a rota a ser seguida, e segue tentando replicar os mesmo movimentos. Ao pular a mureta dos canteiros, Irina sente um incômodo nos joelhos o que a fez perder um pouco de equilíbrio por um tempo, mas não ao ponto de cair, ainda assim, seguiu o caminho até voltar até onde Yure estava. “Parada” em frente a Yure, Irina começa a movimentar como se estivesse fazendo aquecimento, algo que a mesma esqueceu de fazer antes de começar a correr. Enquanto faz seu aquecimento atrasado ela fala com Yure. - Isso foi muito fácil! Mas foi divertido!! Eu quero EMOÇ O e AVENTURA! Como pular de um prédio para outro!! - Irina tenta disfarçar de Yure que perdeu o equilíbrio no percurso. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
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O ruivo notou como a garota parecia uma pilha de alta qualidade, cheia de energia e animada, não tinha como se manter aborrecido, seria injusto com a animação da outra, então Yure fechou o punho e pôs um sorriso amplo no rosto: -- Nem pensar! você vai morrer se for pular de um prédio depois de apenas uma aula.  -- Ele riu mais abertamente, porque tinha falado algo que ia completamente o oposto de sua postura confiante:<br />
<br />
-- Parkour é sobre equilíbrio, superar os próprios limites, territorializar a cidade e principalmente disciplina. -- O ruivo se sentia o próprio Rick explicando aquelas conceitos do esporte: -- Veja bem, se você perde o equilíbrio ou não tem confiança de pular de uma mureta pra outra, quando chegar na hora de pular de um prédio pro outro, ao invés de sentir a emoção e liberdade do esporte, você vai sentir medo, e o medo vai lhe paralisar, enrijecer seus músculos e lhe travar. Dito isto, podemos fazer algumas escaladas verticais em muros e saltos, aí quando você menos esperar em algumas semanas você vai tá sendo praticamente a mulher aranha escalando prédios. Hahahaha!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
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As explicações de Yure sobre Parkour cativam Irina a cada palavra. Enquanto mantém o foco nas explicações vindas de Yure, Irina começa fazer poses que testam seu equilíbrio. <br />
A empolgação de Irina estava muito evidente, a garota não parava de fazer poses. <br />
<br />
- Entendi!! Entendi!! Então vamos lá!! Me ensina todos os macetes de equilíbrio!!! Se a gente apostar uma corrida isso ajuda? Ei! Aquele negócio de usar parede de escada então é tudo equilíbrio e força nas pernas!!?? - Irina não parava de bombardear Yure com várias perguntas. Parecia que todas as peças se encaixavam na cabeça da garota, quando o assunto era envolvendo algo que lhe désse muito combustível.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
Mesmo que quisesse o ruivo não tinha como se manter irritado diante daquela situação, afinal, olhar toda a empolgação que a garota transbordava devia ser o tipo de energia que passava quando estava em seus dias bons. Então, como não pretendia desperdiçar toda aquela força de vontade era bom canalizá-la de forma útil, os deuses do Parkour tinham de lhe agradecer, agora estava orquestrando a entrada de uma nova incauta no culto de subir paredes:<br />
<br />
-- Não é exatamente um macete, mas um conjunto de fatores que vão de condicionamento físico, disposição para tentar, controle do próprio corpo, percepção de espaço, saber lidar com seu medo, e técnica aplicada. -- O ruivo sorriu carismático parecendo cada vez mais contagiado pela energia animada: -- E apostar uma corrida seria legal, mas seria injusto considerando que eu tenho muitos meses de prática, mas eu aceito a gente marcar um desafio daqui três meses, nesse mesmo lugar. <br />
<br />
Puxou o celular cheio de penduricalhos e chaveiros coloridos, a capa de cor laranja neon com adesivos aleatórios de animes, e marcou na agenda o dia e o horário e em seguida mostrou para a garota: -- Seu prazo pra ficar boa no Parkour é de três meses, se praticar direitinho, vai pegar o jeito num instante, aconselho a seguir esse canal aqui, é onde o grupo da gente posta vários vídeos de prática e coisas de iniciante, pra você treinar sem a minha ajuda quando estiver afim. -- mostrou no próprio celular, o endereço do canal, sem nenhum pudor: -- Se quiser salvar meu número, eu posso te colocar no grupo que a gente marca de praticar todo mundo junto. -- O ruivo anunciou, guardando o celular em seguida, pra só então caminhar na praça até uma murada que separava o jardim alto do jardim baixo:<br />
<br />
-- Você perguntou sobre subir em paredes, é tudo uma relação de velocidade e força, diria que diferente de um movimento uniformemente variável, ele se trata de uma aceleração com impulso no momento certo. A força aplicada contra o chão, te dá uma normal que transforma seu joelho num trampolim. Então você consegue se impulsionar pra cima uns 40% a mais do que normalmente você conseguiria. Então, você precisa tomar distância da parede, e correr, ao chegar numa distância média, que varia a depender do comprimento das suas pernas, no meu caso é cerca de 1,70m, você não para de correr, e já inicia o salto com uma das pernas. O segundo momento é quando seu outro pé faz contato com a parede, para te ajudar a subir e pular pra cima e chegar no topo do muro. A inclinação do pé vai determinar se a energia aplicada vai tangenciar a superfície da parede causando um efeito de deslizamento pra baixo, ou se você vai conseguir atingi-la em cerca de 45° de inclinação, e da mesma forma que o chão, a força normal vinda da parede vai lhe impulsionar ainda mais pra cima. Fazendo você ganhar mais uns 35~50% de altura. Fazendo as contas, um muro de 2m de altura é bobagem pra ser escalado. E a medida que você absorve esses fundamentos, a escalada se torna mais natural, você desperdiça menos energia na corrida, e consegue acumular mais força pro momento do efeito trampolim, e a subida se torna tão leve que sequer você faz força pra escalar. Entendeu?<br />
<br />
Sabia que aquelas explicações técnicas pareciam confusas, mas tudo ficava mais fácil quando mostrava na prática, mas ainda assim precisava explicar a base da coisa toda, sem isso, o parkour não seria o que é.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Mesmo com toda explicação dada por Yure, Irina percebe que realmente precisará de ainda muito treinamento até conseguir fazer algo que lhe dê muita adrenalina no Parkour. - Tem razão, tem razão… mas o momento de nossa corrida chegará com a benção dos deuses do Parkour - Ao falar dos deuses do Parkour, Irina faz um pose estranha, inclinando seu corpo um pouco para trás e levantando os braços para o alto. Irina retoma a sua postura e segue falando - Mas não me subestime novinho! Hahahahahah!!! Vou seguir seus conselhos e sim gostaria de seu número pra podermos trocar ideias e marcar de sair para praticar sempre que possível!! Estou muito empolgada!!! AAAAA!!! - Irina balança Yure pelos ombros.<br />
<br />
Ao ser bombardeado com várias explicações de como a físicas é aplicada no Parkour, a expressão de Irina naquele momento foi como se sua alma tivesse saído de seu corpo por alguns instantes. Irina retoma sua expressão de empolgação e comenta: - Acho que é muito técnico pra mim por hora… mas espero chegar nesse mesmo nível que o seu logo logo!! HAHAHAHAHAHAHAH! Mas acredito que na prática isso é bem mais fácil de explicar, igual aquelas formas físicas que funcionam nos carros de corrida! - Irina balança a cabeça positivamente.<br />
<br />
Irina aperta a mão de Yure e a balança freneticamente - Foi um prazer lhe conhecer Yure, vamos nos falando sempre que possível!!! Você me até esquecer o mal humor que Eu tava por culpa do meu irmão!!! Hahaha Aquele babaca… *murmuro*!!<br />
<br />
Ao se afastar de Yuri o telefone de Irina toca e ao longe é possível ouvir a mesma gritando “COMO ASSIM EU PERDI A HORA DE LHE ENCONTRAR!!!!” <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O fato de Irina ser uma pessoa tão cheia de energia era algo que lhe animava profundamente e até lhe fazia esquecer momentaneamente das raivas que tinha passado recentemente com sua família e alguns amigos próximos. Em verdade precisava mesmo interagir com pessoas mais despreocupadas, principalmente quando ela lhe sacudiu pelos ombros com tanta força, ela tinha MUITA ENERGIA. Riu abertamente junto com a mais velha, porque sabia que suas explicações eram muito técnicas às vezes, mas o fato dela não ter se amedrontado já mostrava que ela tinha fibra e gostava disso nas pessoas.<br />
<br />
-- Eu que agradeço! Vamos sim nos falar, marcar uma saída aí, pra subir umas paredes mais altas ou pular umas pontes! Hahahah! Antes do nosso desafio a gente tem de praticar bastante, não se esqueça é com a prática que vem a perfeição, ou quase isso, né? Até mais! Se cuida! Juízo na vida! - O ruivo brincou, imaginando que se ela fosse tão desatenta quanto tinha de energética aquilo era uma combinação meio ruim pra ensinar justamente como subir e pular paredes.<br />
<br />
O ruivo estava pronto para seguir com a prática de exercícios interrompida, quando quase foi atropelado por um par de crianças, correndo com um balão como se fosse uma brincadeira de “pega-pega”; Acompanhou com o olhar para onde os mais novos estavam seguindo e viu que eles corriam para passarela, menos mal. Claro se o garoto mais velho não tivesse soltado a corda do balão, fazendo o mesmo escapar e ser levado pelo vento.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Fuxicando [Natalia]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=303</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 16:29:16 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=85">Carbella</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=303</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Normalmente depois de chegar da escola, Clementine ficava ou na Padaria Antique, ou ficava com suas amiguinhas, Adelaide depois de se mudar para casa dos Dupont tinha ficado mais difícil de visitar com frequência por ser um distrito longe. Mas quando não tinha nada na rua, ficava em casa, cuidava da janta, dividia os serviços de casa e fazia suas tarefas de casa pra ter tempo de assistir TV antes de dormir, ou testar receitas novas. <br />
<br />
A pequena ruiva estava tendo uma noite bem diferente das costumeiras, afinal, estava em casa depois do horário na Antique, mas a sua irmã não estava lá, pelo calendário em lousa preso na parede da cozinha, não era dia de trabalho no Hospital, de noite ela não trabalhava no laboratório e estava muito cedo pra ela ter ido no cursinho. Também não tinha visto Arman, mas ele não tinha horários e era normal ele sumir e depois reaparecer do nada. Depois de jantar, e testar um tutorial de bolo que tinha visto na internet, a massa estava assando no forno, e a menina recebeu o aviso do vizinho e irmão que sua irmã estava de “castigo” e que ia demorar pra voltar pra casa. A menor não entendeu, como sua irmã que era adulta poderia estar de castigo?<br />
<br />
Curiosa a pequena ruiva buscou pensar, porque pessoas ficam de castigo, geralmente é quando fazem algo de errado. Será que a mana tinha feito algo errado e por isso estava recebendo castigo na casa da tia Fleur? A pequena sentou na cadeira e puxou o celular com capa colorida, e buscou o número conhecido na agenda<br />
<br />
[20:12, 17/02/2014] Clementine: Doutora fofinha? pde conversar? ç_ç?<br />
[20:12, 17/02/2014] Clementine: Eu ñ sei se vc tem 1 tabelinha como a mana d dias e horas então ñ sei qndo vc tá d plantão ou ñ ç_ç<br />
[20:13, 17/02/2014] Clementine: Eu tô com 1as dúvidas e acho q vc pd me ajudar ú_ù~<br />
[20:14, 17/02/2014] Clementine: Se ñ pdr conversar td bem ._.<br />
<br />
A menor tinha usado seus emojis de chantagem emocional, geralmente o “._.” era suficiente pra fazer qualquer pessoa ficar preocupada com o que a menor tinha a dizer. Esperava que funcionasse do mesmo jeito para a amiga de sua irmã, a doutora Arlovskaya.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Estava terminando de atender seus pacientes no centro clínico quando fez uma pequena pausa para verificar as mensagens em seu celular antes de arrumar o jaleco antes de passar a mão no próprio pescoço em uma auto massagem após as longas horas de ouvir as crônicas das vidas de seus preciosos pacientes. <br />
<br />
Encarou o aparelho e arqueou uma sobrancelha diante da mensagem com o contato registrado da garotinha que havia encontrado na padaria de docinhos deliciosos. Apoiou os quadris contra sua própria mesa e leu as mensagens, rindo baixo com a ideia de que a pequenina estava com dúvidas que apenas ela poderia ajudar a sanar. <br />
<br />
[20:25, 17/02/2014] Natalia: Parei de trabalhar agora. <br />
[20:25, 17/02/2014] Natalia: Tá tudo bem com você? <br />
<br />
Fez uma pausa, considerando que a garotinha poderia estar com algum problema de saúde, com dúvida sobre que tipo de remédio usar ou ainda poderia ser algum problema com a irmã dela e ela estivesse precisando de ajuda médica. Ponderou sobre as probabilidades, concluindo que a garotinha era esperta o bastante para chamar uma ambulância de o problema fosse de fato de saúde e grave. <br />
<br />
Enquanto esperava a resposta da garotinha, guardou seus itens em sua bolsa, desligou o computador e o ar condicionado e saiu para a ala de troca de roupas a fim de poder se arrumar para dar início ao seu turno de plantão de fato. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Olhou o bolo no forno, notando que ele estava aumentando de tamanho gradativamente, dessa vez não tinha errado a quantidade de fermento, as dicas de sua Tia Fleur realmente “arrumavam” as receitas tortas do youtube.<br />
<br />
Viu o visor do celular brilhar e o sinal claro de que tinha recebido mensagem, se afastou do forno e tornou a se sentar na cadeira junto a mesa, onde tinha os ingredientes que iria usar para confeitar o bolo quando estivesse pronto:<br />
<br />
[20:26, 17/02/2014] Clementine: Comigo sim! ^w^<br />
[20:27, 17/02/2014] Clementine: Eu melhorei da gripe! tds os meus colegas d classe tão doentes agora! oxo!<br />
[20:27, 17/02/2014] Clementine: At a prof ficou doente t tendo aula na otra sala ouo<br />
[20:28, 17/02/2014] Clementine: Mas eu queria flar d otra coisa o^o!<br />
[20:28, 17/02/2014] Clementine: Pode conversar 1 poqnho? ou vai dirigir? o-o?<br />
[20:29, 17/02/2014] Clementine: Eu t testando fazer 1 bolo c/ recheio dpois qer provar? o0o!?<br />
<br />
A menina olhou em volta pensando se a mulher era do tipo que respondia rápido, se fosse não iria conseguir confeitar e rechear, mas se ela digitasse como sua irmã, teria tempo de fazer tudo e no final comer bolo antes de dormir. Parecia um bom plano em sua cabeça.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Estava terminando de prender o cabelo em um coque quando notou as novas mensagens em seu aparelho. Sentou-se no banquinho da sala de troca de roupa e arrumou a alça do sutiã enquanto cruzava as pernas para responder. <br />
<br />
[20:31, 17/02/2014] Natalia: Eu estou com fome mesmo. <br />
[20:31, 17/02/2014] Natalia: Mas eu não sei onde você mora. <br />
[20:32, 17/02/2014] Natalia: Sua irmã não iria ficar irritada se eu aparecesse?<br />
[20:32, 17/02/2014] Natalia: Eu posso conversar. <br />
[20:33, 17/02/2014] Natalia: A sua irmã ainda não chegou em casa? <br />
<br />
Arqueou uma sobrancelha para a tela do celular, considerando que naquele horário e naquele dia, era mais que plausível que a ruiva cereja já tivesse chegado em casa. Talvez a pequena estivesse apenas entediada a julgar pela atenção que a irmã deveria dividir entre ela, os estudos e o próprio trabalho. <br />
<br />
Não se sentiu compelida a se apressar para o atendimento do plantão. Tudo era muito tranquilo naquela unidade e o máximo que fazia era prescrever novos remédios e dar continuidade à observação dos poucos pacientes internados na ala amarela. Nada realmente digno de preocupação exacerbada. Duvidava que seus colegas de trabalho fossem tão estúpidos que não conseguiam fazer aquilo sem a sua presença. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva ficou feliz da doutora fofinha ter interesse em suas receitas de teste, mas tinha de manter a atenção, tinha entrado em contato com o objetivo de perguntar coisas sobre o dia a dia de sua irmã, pra tentar entender porque é que ela tinha ficado de castigo.<br />
<br />
[20:34, 17/02/2014] Clementine: Eu ñ posso t da o endereço! u-u<br />
[20:34, 17/02/2014] Clementine: + vo pensar num jeito d entregar! &gt;n&gt;!<br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: Eu qero flar da mana… <br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: &lt;.&lt;<br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: &gt;.&gt;<br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: É q ela chegou muito brava hj ñ e brigou com td mundo em casa e no vizinho, e na rua, e tá lá na casa do Arman, trancada no quarto d castigo!<br />
[20:36, 17/02/2014] Clementine: Daí qeria saber se vc brigo c ela d novo, ou se tem alguen xateando a mana no trabalho? o-o?<br />
<br />
Perguntou de uma vez, porque imaginava que era melhor falar logo, talvez ela ficasse ocupada no trabalho e depois não pudesse continuar conversando, e não queria ficar na curiosidade de uma conversa pela metade. Esperava que não fosse alguém chateando sua irmã, senão teria de pensar num jeito de dar uma bronca nessas pessoas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Encarou a mensagem e respirou fundo, levando o telefone aos lápis para pensar no que responder para aquela criança. Ela estava preocupada com a própria irmã com quem ela, a médica que era superior da ruiva cereja, havia discutido anteriormente. Pegou o aparelho com as duas mãos novamente antes de voltar a digitar para responder a criança.<br />
<br />
[20:36, 17/02/2014] Natalia: Eu briguei com ela. <br />
[20:36, 17/02/2014] Natalia: Ela ficou muito brava? <br />
[20:36, 17/02/2014] Natalia: Você ficou sozinha? <br />
[20:37, 17/02/2014] Natalia: E que história é essa de castigo? <br />
<br />
Ficou confusa com a ideia de que uma mulher adulta como era a enfermeira da pediatria estava de castigo. A irmã dela teria colocado ela de castigo? Aquilo era engraçado. Certamente levaria algum tapa da mulher se ela conseguisse ouvir sua risada naquele momento ao imaginar uma mulher adulta de castigo enquanto a irmã mais nova dela ligava preocupada para o trabalho dela. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
O protótipo de ruiva cereja analisou bem a tela do celular, quase se esquecendo por um momento que tinha um bolo no forno, tornou a olhar para o mesmo, se aproximando e deixando o aparelho de lado alguns momentos para checar o mesmo, espetou e conferiu que ele estava no ponto de retirar para deixar esfriar. Pegou as luvas apropriadas para manusear a forma quente e deixou o bolo esfriando sobre o fogão.<br />
<br />
Tornou a mexer no aparelho alguns minutos depois:<br />
<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: Brigaram d novo?<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: A mana não fala muito do trabalho, mas d vez em qand ela fala szinha e eu ñ entendia q ela tava falando, pensava que “arlovisvik” era um oto idioma.<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: E eu sempre fico sozinha essa hra.<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: A mana vai pro cursinho…<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: E ela tá de castigo na casa do Arman, meu vizinho, filho da tia Fleur da Padaria.<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: pq vcs brigaram?<br />
<br />
A menor perguntou na inocência, não sabia porque pessoas adultas brigavam, não era como os meninos da escola que escondiam estojos ou zombavam dos seus desenhos, devia ser coisa séria, ou talvez gente chateando? Era difícil de entender os adultos as vezes.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Enquanto esperava a resposta da criança, guardou o celular no bolso do jaleco, levantando para ir até a área de prontuários para pegar um copo com água. Sentiu o telefone vibrando com as mensagens e ponderou, parando por um momento para responder a ruiva cereja. Riu com a tentativa da garotinha de digitar algo em uma língua que não era a dela. Arqueou uma sobrancelha, pensando que a garotinha tinha o hábito de ficar sozinha em casa. <br />
<br />
[21:01, 17/02/2014] Natalia: Eu briguei com ela porque ela trabalha demais. <br />
[21:03, 17/02/2014] Natalia: E algumas pessoas se aproveitam que ela é muito boazinha. <br />
[21:03, 17/02/2014] Natalia: Falei que não era para fazer o trabalho dos outros. <br />
[21:04, 17/02/2014] Natalia: Dá para notar que ela trabalha muito.<br />
[21:04, 17/02/2014] Natalia: E eu disse<br />
[21:05, 17/02/2014] Natalia: talvez<br />
[21:06, 17/02/2014] Natalia: alguma coisa sobre não conseguir ser médica <br />
 [21:07, 17/02/2014] Natalia: Eu fiz mal? <br />
<br />
Suspirou, não acreditando que estava de fato pedindo a opinião de uma menininha sobre suas escolhas em uma discussão de trabalho. Talvez fosse o fato da garotinha parecer se comportar de uma forma mais madura do que estava acostumada a ver em crianças da idade dela; ou poderia ser sua ligeira preocupação com o cárcere privado da enfermeira ruiva cereja que se irritava com sua voz. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
a pequena ruiva observou o bolo fumegante e ponderou se iria começar a fazer a cobertura do mesmo, porém, a conversa com a doutora fofinha parecia mais urgente, talvez se soubesse o porquê da briga das duas. A pequena, estava com os olhinhos vidrados na tela do aparelho esperando o “natália está digitando uma mensagem…” lhe desse uma luz:<br />
<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: Bem… conhecendo a mana… né legal não :&lt;<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: Mas assim...<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: A mana é coração mole… &gt;0&lt;<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: Se vc pedir desculpa ela te perdoa...<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: a mana é sensível com o assunto do sonho dela… :/<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: mas acho que todo mundo é, não?<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: vc tem sonho doutora?<br />
<br />
A menina perguntou genuinamente curiosa da resposta que a doutora fofinha poderia dar, que tipo de sonho uma pessoa adulta como ela teria.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Crispou os lábios com a resposta da garotinha e se recostou na parede da sala de prontuários, fazendo uma pequena pausa para avaliar a medicação de uma das senhoras paciente do hospital. Segurou a prancheta com o prontuário da senhora e assinalou para a enfermeira mais próxima que faria uma visita naquele momento a paciente em especial. <br />
<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: nunca pensei muito sobre isso, Clementine<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: sonho tipo algo que eu quero muito? <br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: no momento, eu queria muito saber se a sua irmã está bem<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: e vc? tem um sonho?<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: o que vc quer muito fazer?<br />
<br />
Fez uma pequena pausa no celular para poder atender a idosa e confortá-la sobre o estado atual do tratamento pelo qual a mulher estava passando. Nesse curto período de tempo, jogou um pouco de conversa fora com a mais velha sobre o restante da equipe médica, terminando por comentar inclusive sobre seu plantão e estadia naquela noite no hospital. <br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva sabia que quando os adultos respondiam suas perguntas com outras perguntas, eles estavam tentando lhe tapiar. Respirou fundo, e cutucou o bolo que esfriava percebendo que ele tinha ficado na maciez que queria, viu a resposta da doutora fofinha e ponderou no que poderia responder:<br />
<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Eu quero ser a maior confeiteira de Cerise, depois de Paris, da França, circuito Europeu, e depois do mundo…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Nada demais…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Engraçado a senhora sonhar com a mana<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela vai ficar bem…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela demora pra ficar com raiva…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: ou melhor… pra mostrar raiva…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela guarda muito!<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Vc não guarda muita coisa pra vc?<br />
<br />
A pequena se levanta e começa a esquentar água pra poder fazer o banho maria e começar a derreter o chocolate que usaria na cobertura do bolo, pelo menos quando sua irmã saísse do castigo ela teria um bolo bonito e gostoso pra comer.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Demorou um pouco para conseguir responder novamente, mas acabou parando para rir com o comentário da garotinha sobre ela “sonhar” com a ruiva cereja. Respirou fundo, levando o celular até o próprio queixo, pensativa. Certo que a ruiva cereja era bem bonita e sonhar com ela não deveria ser ruim, mas duvidava que em seu sonho Carbella fosse diferente da enfermeira irritadinha com quem discutiu. De certo que ela aparecia em seus sonhos para lhe dar alguma bronca sobre qualquer atividade ilegal que estivesse realizando. <br />
 <br />
[21:23, 17/02/2014] Natalia: se eu contasse, teria que ir aí roubar seu bolo. <br />
[21:23, 17/02/2014] Natalia: mas falando sério<br />
[21:24, 17/02/2014] Natalia: tô preocupada com ela <br />
[21:24, 17/02/2014] Natalia: ela não tem um namorado?<br />
[21:25, 17/02/2014] Natalia: um amigo pra sair não? <br />
[21:25, 17/02/2014] Natalia: viver no hospital é um caminho sem volta, garota<br />
<br />
Fez uma pequena pausa no corredor, verificando mais um prontuário antes de seguir para o próximo grupo de pacientes daquele seu plantão. Não estava mentindo para a garotinha quando dizia que estava preocupada com Carbella. Não queria dizer na frente da enfermeira e na verdade nem sabia como fazer isso, mas após a discussão com a outra mulher, sentiu que havia sido um tanto dura com ela. Não fazia ideia que a garotinha era irmã mais nova dela e que a vida da outra era tão conturbada. Não se arrependia de ter chamado a atenção de Carbella, mas sempre se pegava pensando que era muito boa em escolher a pior tática de aproximação para dar notícias e por isso que nunca era escalada para informar familiares de pacientes sobre nada - não quando não eram seus próprios pacientes. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Começou a raspar a barra de chocolate em pedaços pequenos ´para tornar mais fácil de derreter, fazia isso com calma, afinal não queria se cortar já que estava sozinha em casa, e também porque a médica fofinha não estava respondendo tão rápido, devia está muito ocupada. Colocou as raspas na panela, mexeu suavemente com a colher de pau, para só então dar atenção de novo ao celular:<br />
<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Hmmm… A mana têm amigas sim uu<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: A tia Carissa que é policial, a Tia Dia que é professora a Tia Belle lá do Sauté… &gt;_&gt;<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Tem a tia Max tbn, mas acho q elas tão brigadas<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: E namorados depois do Isaac eu ñ lembro de nenhum…<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: A mana não é muito namoradeira ñ… ela até tenta… mas as pessoas traem a confiança dela<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Que nem o gordinho de St. Clavier<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Nem te conto Tia Nat! ùú<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Vc acredita que ele passou semanas saíndo com a mana, jantar, parque, trocando livro, sascoisas<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: E aí quando a mana se declara pra ele<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ele gosta de meninos, mas isso nem é a parte q deu problema<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: ELE TINHA UM NAMORADO E NUNCA FALOU DELE PRA MANA<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ela ficou bem triste, ela não queria se livrar do bixinho de pelúcia que o enfermeiro deu pra ela, e eu levei pra escola e deixei lá<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ingrato uu<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Se eu encontrar com ele, chamo ele de bocó uu<br />
<br />
A pequena inflou as bochechas e largou o celular de lado pra dar atenção ao chocolate já derretido, tinha de quebrar uns biscoitos pra fazer uma cobertura tipo “cookie”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Enquanto aguardava resposta, assinou e corrigiu alguns prontuários, alterando a medicação de alguns pacientes que já haviam sido transferidos de outros alas. Quando menos esperava, o celular já estava cheio de mensagens da irmãzinha da ruiva cereja. Piscou algumas vezes para dar continuidade a sua leitura rápida. <br />
<br />
Estreitou o olhar diante da informação que Carbella tinha uma amiga que era policial. Precisava tomar cuidado com aquilo. Não tinha um histórico amigável de relações com a polícia. E ela tinha um ex-namorado chamado Isaac e recentemente teve interesse em um gordinho? Bem, pelo menos gordura não era um problema pra ela. Porém, pelo histórico, ela era hétero. <br />
<br />
Um sorriso acabou surgindo no rosto da médica com as letras maiúsculas da garotinha sobre o gordinho ter um namorado. Segurou o riso, imaginando que levaria um olhar repreensivo de Carbella por estar achando graça de todo aquele filme romântico frustrado. <br />
<br />
 [21:34, 17/02/2014] Natalia: Se ela tem amigas, ela vai ficar bem <br />
 [21:34, 17/02/2014] Natalia: Preciso encontrar essa tal de Max então<br />
 [21:34, 17/02/2014] Natalia: Se ela descobrir como fazer as pazes com a tua irmã, eu quero saber <br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: eu gosto da sua irmã, Clementine<br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: por isso eu briguei com ela<br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: mas eu não tenho muito jeito <br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: falando com as pessoas, sabe? <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: e eu acho que só piorei a situação <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: eu vou tentar dar um jeito nisso<br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: por isso não se preocupe <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: eu não quero brigar com ela de propósito <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: mas as vezes ela é cabeça dura demais <br />
 [21:37, 17/02/2014] Natalia: tem alguma coisa que deixe ela mais calma? <br />
<br />
Resolveu questionar, afinal de contas não custava nada. Sentia que de muitas crianças que já havia encontrado em seu trabalho, Clementine era diferente e bem especial. Não se sentia desconfortável conversando com a criança. Na verdade, só sentia um pouco de receio daquela sua conversa ser descoberta e acabar tendo de responder na polícia porque conversava com uma criança em particular sobre assuntos da vida adulta. Definitivamente, o embrulho no estômago que tinha ao pensar nessa chance não era por acaso, sabia de seus riscos. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva ficou entretida quebrando biscoitos se atentando a deixar pedaços pequenos e grandes, porque a graça era deixar pedaços para mastigar, senão, não seria um bolo de “cookie” e sim um bolo de “farelo”. O bolo já estava frio, e aproveitou para colocá-lo em um suporte apropriado, desenformando com cuidado, para não quebrar e depois cobrindo-o com uma gloriosa camada de chocolate e depois com os pedaços de biscoito. Tirou foto e enviou para a conversa com a doutora:<br />
<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: *Clem enviou uma imagem*<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Terminei! \^^/<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana é cabeça dura mesmo, ela disse que acabou puxando isso da Tia Fleur<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Eu acho a mana legal por ser assim<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas é como vc disse as vezes isso deixa ela cansada<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Eu acho que se você gosta da mana devia dizer isso a ela<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Talvez ela só ache que você tá sendo inxerida<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Como os vizinhos que as vezes são inxeridos na nossa vida, dando pitaco em como ela devia fazer as coisas em casa ou cuidar de mim<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana não tem paciencia com isso como tem pra outras coisas<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas se você gosta dela, chame ela pra comer<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana recusa sair pra filme, dançar, passear, essas coisas<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas ela gosta de sair pra lanchar, tomar suco, conhecer cafés, tomar vinho, comer macarrão, bolos confeitados, qualquer coisa de cerejas, até beber mesmo, lembro que a Tia Dia chamava a mana pra ir em bares tomar cerveja, convencia ela falando dos tira-gosto.<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana não é uma pessoa ruim, ela só tem o jeito dela.<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Seja uma boa amiga pra mana, por favor. :3<br />
<br />
A pequena ficou mais contente com aquela conversa, se uma pessoa gostava de sua irmã, então seria outra amiga para ela, era bom ter amigas no trabalho, apesar de estar no hospital a muito tempo, a pequena ruiva sabia que sua irmã não tinha amigas por lá, só os amigos que eram de sua falecida mãe.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Demorou alguns novos minutos até conseguir uma folga em seu processo de check in de prontuários, alterando a medicação de alguns pacientes e dando boas notícias para a transferência de alguns para outras alas, tal como a alta concedida para pacientes que já poderiam voltar para suas famílias e residências. <br />
<br />
Leu as mensagens da irmã de Carbella e sorriu abobada com a conversa inocente da criancinha que estava pedindo para ser amiga da ruiva cereja. Tinha algumas amigas, mas a maioria delas não fazia ideia com o que realmente ela trabalhava e pelo menos já haviam saído intimamente com sua pessoa alguma vez. Contudo, a sensação que tinha com a enfermeira irritadiça era diferente. Sabia que a mulher tinha potencial para conseguir ser reconhecida como uma excelente pediatra, e até queria ajudá-la, mas ainda enxergava a obsessão com o próprio trabalho tão reconhecível como a sua própria ao acordar todos os dias para viver naquele hospital tal como estava fazendo naquele exato momento. <br />
<br />
Suspirou resignada com a imagem do doce sendo preparado pela criança, pensando o quão delicioso deveria estar a massa e o chocolate. Bem, pelo menos tinha algo bastante em comum com a enfermeira que era o gosto pela boa comida. E ela tinha uma irmãzinha que poderia muito bem se encaixar no espectro de crianças que conseguia aturar e se esforçar para não correr o risco de ser enquadrada pela polícia pelo aliciamento de menores.<br />
<br />
[21:51, 17/02/2014] Natalia: Primeiro<br />
[21:51, 17/02/2014] Natalia: Esse bolo tá muito lindo<br />
[21:51, 17/02/2014] Natalia: Quero<br />
[21:52, 17/02/2014] Natalia: Tô trabalhando<br />
[21:52, 17/02/2014] Natalia: Mas tenho fome<br />
[21:52, 17/02/2014] Natalia: Segundo<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Não se preocupe. Eu não vou deixar de tentar cuidar da sua irmã.<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Mesmo ela sendo uma cabeça dura teimosa<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: E brigando comigo<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Eu sei que ela só está preocupada em fazer um bom trabalho<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Ela tá bem agora? Esse bolo você fez para ela ficar mais feliz? <br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Eu iria ficar bem feliz se eu ganhasse um bolo assim<br />
[21:54, 17/02/2014] Natalia: Então eu acho que ela vai ficar bem<br />
[21:54, 17/02/2014] Natalia: mas se não ficar, pode me dizer<br />
[21:54, 17/02/2014] Natalia: eu arrumo lanchinhos para ela ficar menos irritada comigo<br />
<br />
Riu enquanto trocava as mensagens, parando para mostrar a foto do doce preparado e aparentemente delicioso para alguns de seus colegas enfermeiros, destacando que conseguia ser comprada facilmente por uma oferta daquelas. Riu mais ainda com a conversa com os enfermeiros sobre fatias do bolo e suborno a base de guloseimas. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Agora que tinha terminado de cozinhar e confeitar podia ficar só respondendo as mensagens de telefone, já tinha se passado bastante tempo desde que sua irmã tinha ficado de castigo na casa de sua tia Fleur. Em verdade, fazia tempo desde a última vez que sua irmã tinha ficado tanto tempo de castigo assim, ela talvez tivesse aprontado algo muito ruim pra ficar tanto tempo lá ouvindo bronca.<br />
<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: A sim os lanches vão funcionar com ctz<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: E sim tbn fiz o bolo pra ela<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: Ela ainda tá de castigo na casa da tia Fleur<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: Faz tempo que ela não fica tanto tempo levando bronca…<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: Ela deve ter aprontado feio dessa vez…<br />
<br />
Estava pronta pra digitar a próxima frase, quando ouviu o barulho de algo quebrando, a ponto de se sobressaltar, olhou em volta pra conferir se nada tinha caído na própria cozinha, e então caminhou até a janela da cozinha que dava acesso ao jardim, puxou a cortina pra ver as luzes do primeiro andar da casa de sua vizinha acesas. Outro barulho alto, e parecia que mais algo tinha caído, não escutou gritos, e nem vozes alteradas, devia ter sido um acidente. Mas aquilo lhe deixou preocupada.<br />
<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Hmm<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Eu acho que quebrou alguma coisa na casa da Tia Fleur<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Ou a Mana tá muito brava e tá descontando nas coisas…<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Da última vez eu vi ela jogando gelo no box do chuveiro<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Ela parecia bem brava…<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Acho que ela vai demorar pra voltar pra casa.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Verificou o horário das mensagens no celular e pressionou os lábios com as costas da mão esquerda, pensativa sobre como uma criança estava cozinhando sozinha em casa, preparando um bolo para irmã porque estava preocupada com ele enquanto ouvia barulhos na casa dos vizinhos. Respirou fundo, trocando algumas mensagens com seus colegas de trabalho para poder trocar de roupa e encerrar seu plantão um pouco mais cedo. <br />
<br />
Pegou as chaves de seu carro e soltou o cabelo, sentando-se no banco do motorista para poder enviar novas mensagens para a criança, ainda que no fundo de sua consciência soubesse que ir até a casa da enfermeira naquela hora da noite não era uma boa ideia. <br />
<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Eu acabei de sair do trabalho<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Quero comer bolo tbm<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Posso ir aí?<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: <img src="http://academiastclavier.com.br/images/smilies/sad.png" alt="Sad" title="Sad" class="smilie smilie_8" /><br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Tô preocupada contigo<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: E com fome<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Tá tudo bem?<br />
<br />
Suspirou pesado, reclinando a cabeça para trás no banco do motorista antes de colocar o cinto de segurança e ligar o veículo, saindo do estacionamento para poder passar em uma loja de conveniência 24 horas para comprar alguma bebida, como um suco ou iogurte que poderia levar para a criança só para não chegar de mãos vazias. Ou, se ela não lhe respondesse, podia comprar seu jantar e ir para casa tomar um banho. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Estava acostumada a se virar sozinha em casa, era seu reduto, seu lugar seguro, e qualquer coisa que desse errado tinha Fleur como sua vizinha para onde fugir e se refugiar, mesmo tendo apenas oito anos. Muito embora, fizesse algum tempo desde a última vez que teve de encarar uma noite inteira sem estar na companhia nem de Arman, e estava um pouco preocupada com o estresse da irmã com todos esses problemas que ela estava tentando lidar sozinha. Queria que ela seguisse seus próprios conselhos sobre trabalhar em equipe e dividir o trabalho com seus outros coleguinhas, será que era tão difícil para adultos trabalharem juntos?<br />
<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Eu acho q não tem problema<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Você é amiga da mana e eu acho q ela vai demorar aind<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: A tia Fleur ainda não chegou em casa<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Tá só o Arman e a Mana lá…<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Você gosta de chá? Posso esquentar água enquant vc chega<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: <img src="http://academiastclavier.com.br/images/smilies/smile.png" alt="Smile" title="Smile" class="smilie smilie_1" /><br />
<br />
A menor se levantou, deixando o celular de lado para ir esquentar água e buscar os sachês de chá no armário da cozinha, tirar algumas xícaras decoradas que usavam bem de vez em quando, mas era legal de usar quando recebiam visitas. Não era legal deixar adultos entrarem em casa sem que nenhum outro adulto estivesse ali, mas era uma amiga de trabalho de sua irmã, talvez se ela percebesse que pode contar com os colegas de trabalho isso deixe ela mais relaxada? Poderia tentar ao menos.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Assim que o celular vibrou anunciando novas mensagens, pegou o aparelho, pagando pelo suco no caixa e comprando também uma cartela de adesivos com pôneis e unicórnios da conveniência. Garotinhas como Clementine deveriam gostar daquele tipo de cartela de adesivos barata, não é? Lembrava que algumas das enfermeiras na pediatria costumavam decorar as paredes do lugar com adesivos dos temas favoritos das crianças para que elas não ficassem tão desanimadas em estar em um lugar como um hospital. <br />
<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: Eu AMO chá<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: na verdade, eu não curto café<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: eu tomo porque é o que pode me deixar acordada<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: não beba café, Clementine<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: é ruim pra você<br />
<br />
Informou, anexando à mensagem a foto de uma cartela de adesivos que estava comprando como oferenda de paz em retorno à oferta de um bom doce na quase madrugada. Pegou o veículo ao sair da lojinha de conveniência, dirigindo até onde deveria ser a residência da enfermeira com quem havia discutido não fazia muito tempo. Pediu apenas para Clementine confirmar o endereço, estacionando o veículo na rua adjacente, terminando por caminhar pela calçada até chegar na entrada da residência da família de Carbella. <br />
<br />
[22:42, 17/02/2014] Natalia: cheguei <br />
[22:42, 17/02/2014] Natalia: to na porta <br />
<br />
Observou o movimento na vizinhança, as luzes de algumas casas ainda acesas. Estranhou o que deveria ser o movimento na residência de um dos vizinhos e coçou a própria nuca, considerando que sequer deveria estar ali. Não imaginava que Carbella lhe considerasse uma amiga, ainda que se preocupasse com o trabalho da enfermeira e como ela conciliava a profissão com a própria ambição de se tornar uma médica. Talvez, só talvez, tivesse se precipitado em seu julgamento. Porém, naquele instante, estava mais preocupada com a irmãzinha dela sozinha em casa tendo que lidar com todo aquele drama por conta própria.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Não demorou tanto tempo assim para ouvir as batidas na porta, a chaleira tinha acabado de apitar, os sachês de chá estavam nas xícaras de porcelana decorada e tinha arrumado a mesa de jantar com o bolo, biscoitos, leite, mel e açúcar. A menor seguiu pelo corredor, e apenas buscou no celular a confirmação de que era de fato a amiga de sua irmã a porta. Clementine não alcançava o olho mágico, mesmo que ficasse de ponta de pé, por isso ao chegar a porta, perguntou quem era ainda de dentro da casa e sem destrancar a mesma:<br />
<br />
— Tia Nat? — a voz saiu levemente abafada por causa da madeira da porta, mas depois da confirmação e algumas trancas de chave sendo liberadas, a pequena ruiva pode se deparar com a imagem da doutora a quem tinha encontrada em Antique no outro dia, e vinha conversando por mensagens: — Está com fome, não é? Preparei chá, têm biscoitos, como não deu tempo de perguntar, eu separei leite e mel, não sei o que você gosta.<br />
<br />
Esperou que a mulher entrasse para tornar a trancar a porta, a sala permanecia com um abajur ligado lançando uma luz amarela singela, que revelava so móveis antigos de madeira que decoravam o lugar, a casa tinha um aspecto de residência antiga e tradicional, e não parecia ter sofrido muitas alterações na decoração com exceção de algum brinquedo que poderia ser encontrado destoando em algum dos sofás. O corredor era curto e logo estavam na sala de jantar, que estava amplamente iluminada, as janelas quadradas com cortinas creme, dava visão para o jardim, a cerca baixa e as luzes na casa do seu vizinho, ao menos não tinham ouvido o som de mais nada quebrando:<br />
<br />
— Agora tudo parece calmo Tia Nat, relaxe. Coma bolinho, a mana não vai ligar de você comer primeiro. — a menor serviu a água quente no chá, jogando aroma de flor de hibiscus pela sala, parecia até que estava brincando de chazinho versão gente grande, a ideia até lhe distraia do pensamento que sua irmã estava de castigo já a algumas horas na casa de Fleur.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Aguardou enquanto a menina não atendia a porta, permanecendo um tanto inquieta com a ideia de que estava mesmo em frente à residência da enfermeira com quem havia tido uma discussão nada amistosa na última semana. Ouviu a voz infantil meio abafada pela porta e sorriu, pensando em como a criança deveria ser esperta por conseguir tomar conta de si mesma sozinha. Contudo, ficou intrigada com a quantidade de travas que haviam naquela porta. <br />
<br />
- Boa noite, Clementine. Ah, eu gosto dos dois. O que servem no hospital não tem muito sabor, parece água suja. - respondeu, considerando sua opinião sobre o que conseguia consumir de alimento no Hospital Geral de Cerise. <br />
<br />
Observou todo o ambiente ao entrar, segurando a bolsa em mãos enquanto a criança voltava a trancar a porta. Caminhou pela sala, dando atenção aos móveis de modo geral, aos detalhes da decoração, tudo até ser guiada pela criança até a sala de jantar onde tudo parecia bem montado para uma refeição. <br />
<br />
- Wow. - assobiou em surpresa, realmente intrigada em como aquela menina tão jovem havia preparado tudo aquilo sozinha. Chegou a sentir o rosto mais quente com o perfume de hibiscus no ar, a bebida assumindo um tom rubro bastante peculiar. - Você fez mesmo tudo isso sozinha? Com licença. - pediu ao se sentar, colocando a própria bolsa na cadeira do lado, inclinando-se para respirar fundo o aroma do chá e do bolinho que lhe era servido. Estendeu a mão até o bolinho, fazendo uma pausa antes para poder se levantar e procurar a cozinha, correndo para lavar as mãos antes de voltar para a sala de jantar, novamente avançando no bolinho que lhe era servido, voltando a se sentar adequadamente à mesa. - Ele tá muito bonit-! Hmmmmm! Ghostoshooo! - exclamou ao provar o doce, impressionada com o que a menininha conseguia fazer sem supervisão de um adulto. - Como foi que-hmm-fshez isho? Sozshinha? <br />
<br />
Encarou a criança, considerando que ao menos ela parecia melhor de saúde desde a primeira vez que a tinha encontrado. A irmã de Carbella era uma criança bem educada e aparentemente responsável. Começou a refletir se a própria Carbella não seria um pouco como aquela menina quando era só uma menina. A ideia lhe fez sorrir, apesar de também considerar que apesar de toda a responsabilidade, Clementine ainda era só uma criança. Pelo menos já estava ali, tinha certeza que a garotinha estava bem e que ela não precisava ficar sozinha esperando a irmã mais velha voltar do que deveria ser o tal “castigo”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Era estranho receber gente em casa quando sua irmã estava fora, principalmente de noite, mesmo sendo uma amiga de sua mana, não devia ser tão errado não era? Esperava que tia Fleur não lhe desse um par de broncas por causa disso. Como tinha imaginado a doutora fofinha tinha uma queda por doces, e não fez nenhuma cerimônia em mostrar o quanto não tinha saudades da comida de hospital. Sua irmã não reclamava do trabalho, embora chegasse com aquela cara de defunto nos últimos dias, mas devia ser pelo tanto de coisa que tinha pra fazer e não pela comida ser ruim:<br />
<br />
-- Ah, eu tenho 8 anos já, quase 9, eu já sei fazer muita coisa. -- a menina ruiva respondeu dando de ombros como se não achasse tão extraordinário fazer um bolo, tinha tantos programas de TV que mostravam crianças superdotadas que tocavam instrumentos difíceis, ou mesmo que faziam contas com números grandes, ela sabia fazer tortinhas, não era nada lá muito genial.<br />
<br />
A pequena ruiva olhou pela janela na direção do vizinho, e viu que o quarto de Arman seguia com a luz acesa, assim como a sala, então quem sabe tivesse acabado?<br />
<br />
-- Agora as luzes da casa da tia Fleur tão acesas, eu acho que ela ainda não tá em casa, de certeza o Arman está lá, junto com a mana. -- A menina pequena suspirou: -- Ela ainda deve está muito brava, quando ela fica com raiva, demora tanto pra passar. <br />
<br />
A menina puxou uma cadeira e serviu um pedaço de bolo pra si mesma, imaginando que se iria continuar esperando que ao menos fosse com algum docinho pra lhe distrair.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Levantou-se ainda com o prato com o docinho e o garfo para comer, aproximando-se da garotinha na janela, observando a capacidade de dedução da ruivinha. Respirou fundo após engolir um novo pedaço do doce, o garfo ainda repousando sobre os lábios enquanto refletia sobre Carbella Benedict não ter um pavio de temperamento que fosse recuperável assim tão rápido. <br />
<br />
- Eu consigo fazer uma cirurgia de mais de doze horas tranquilamente, mas isso aqui não está no meu arsenal de habilidades, sabia? - apontou para o prato já vazio após devorar o docinho que havia lhe sido oferecido. - Não se preocupe tanto assim com a sua irmã, ela vai ficar bem. Os seus vizinhos estão cuidando dela, não é? Aquela senhora bonita lá da padaria também? <br />
<br />
Levou a louça para a cozinha como se morasse naquela casa, dando-se ao trabalho de lavar a louça enquanto continuava conversando: <br />
<br />
- Você que me convidou, Clementine. Vamos fazer alguma coisa. Quer brincar? Ou… argh… você tem que fazer alguma tarefa da escola? - perguntou, recordando de quando era criança e sempre era obrigada pelo pai a adiantar as atividades da escola para manter as boas notas. - Vamos fazer alguma coisa juntas. Você já me alimentou com comida gostosa. - sorriu, amistosa, secando as mãos para acompanhar a menor. - Você já jantou, não? - perguntou mais educada, imaginando que uma criança na idade dela já deveria ter jantado. <br />
<br />
Estava preocupada com a enfermeira também, mas não adiantaria nada alimentar a preocupação da criança também. E a menina estava sozinha. Crescer sozinha, sendo auxiliada pelos vizinhos e pela irmã mais velha deveria configurar uma família bem peculiar. Naquele momento, até conseguia compreender o motivo da enfermeira parecer sempre sobrecarregada de trabalho. Deveria ser complicado trabalhar e cuidar da própria irmãzinha. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva apenas observou a sequência de palavras da maior, ela era engraçada, era como se nunca tivesse conversado com nenhuma outra criança, ou talvez ela já tivesse nascido grande? Fosse que nem aquele filme da pessoa que nasce velha e vai ficando mais jovem conforme vai passando o tempo? A pequena sorriu e assentiu positivamente, sem responder verbalmente nenhuma das três perguntas da maior: Sobre sua tia Fleur da padaria, se tinha jantado, ou se tinha dever de casa pra fazer. <br />
<br />
A menina de oito anos caminhou pela casa conhecida, indo até sua mochila da escola, que tinha sido plenamente largada na sala de estar, ao lado do sofá quando a menor chegou acompanhada de sua irmã. Já sabia que a mais velha estava furiosa pelo simples fato dela não ter lhe advertido pra por suas coisas no seu quarto. Voltou com a mochila em formato de joaninha até a mesa de jantar, afastou talheres e outras coisas que pudessem sujar seu caderno:<br />
<br />
-- sim, tia Fleur cuida muito bem de mim, da mana e do Arman, é quase como se fosse nossa segunda mãe, ou primeira, já que eu nem conheci a minha mãe de verdade mesmo.-- A menina comentou mais baixo a segunda sentença, sem esboçar nenhuma reação além da atenção que dava em tirar os cadernos, em sequência de tamanhos, finos, cada um com uma cor, com o nome da matéria escrito na frente, empilhou os mesmos por ordem de importância e ainda ajustou eles juntinhos. Tirou o estojo da bolsa e o colocou paralelo aos cadernos: -- Normalmente eu faço o dever de casa junto com a mana na hora do jantar, ou com a tia Fleur quando a mana tá de plantão e não vem pra casa. Depois eu posso assistir televisão até as 21hs, depois disso, eu tenho de subir, escovar os dentes, entrançar o cabelo e ir dormir. <br />
<br />
A menina falou sua rotina da noite sem muitas voltas, parecendo achar aquilo nada mais que natural de fazer: -- mas como a mana não está aqui hoje, e a senhora está aqui, então eu tenho de ficar acordada até ela voltar? isso é algo fora da rotina, normalmente eu iria pra casa da tia Fleur dormir lá, talvez mais tarde eu feche tudo e vá pra lá. <br />
<br />
Ponderou a menor, puxando o caderno de história francesa e estendendo na direção da maior: -- eu tenho tarefa pra fazer, preciso responder perguntas e preparar um cartaz pra apresentar amanhã. A senhora pode me ajudar? Pode né tia Nat?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Normalmente depois de chegar da escola, Clementine ficava ou na Padaria Antique, ou ficava com suas amiguinhas, Adelaide depois de se mudar para casa dos Dupont tinha ficado mais difícil de visitar com frequência por ser um distrito longe. Mas quando não tinha nada na rua, ficava em casa, cuidava da janta, dividia os serviços de casa e fazia suas tarefas de casa pra ter tempo de assistir TV antes de dormir, ou testar receitas novas. <br />
<br />
A pequena ruiva estava tendo uma noite bem diferente das costumeiras, afinal, estava em casa depois do horário na Antique, mas a sua irmã não estava lá, pelo calendário em lousa preso na parede da cozinha, não era dia de trabalho no Hospital, de noite ela não trabalhava no laboratório e estava muito cedo pra ela ter ido no cursinho. Também não tinha visto Arman, mas ele não tinha horários e era normal ele sumir e depois reaparecer do nada. Depois de jantar, e testar um tutorial de bolo que tinha visto na internet, a massa estava assando no forno, e a menina recebeu o aviso do vizinho e irmão que sua irmã estava de “castigo” e que ia demorar pra voltar pra casa. A menor não entendeu, como sua irmã que era adulta poderia estar de castigo?<br />
<br />
Curiosa a pequena ruiva buscou pensar, porque pessoas ficam de castigo, geralmente é quando fazem algo de errado. Será que a mana tinha feito algo errado e por isso estava recebendo castigo na casa da tia Fleur? A pequena sentou na cadeira e puxou o celular com capa colorida, e buscou o número conhecido na agenda<br />
<br />
[20:12, 17/02/2014] Clementine: Doutora fofinha? pde conversar? ç_ç?<br />
[20:12, 17/02/2014] Clementine: Eu ñ sei se vc tem 1 tabelinha como a mana d dias e horas então ñ sei qndo vc tá d plantão ou ñ ç_ç<br />
[20:13, 17/02/2014] Clementine: Eu tô com 1as dúvidas e acho q vc pd me ajudar ú_ù~<br />
[20:14, 17/02/2014] Clementine: Se ñ pdr conversar td bem ._.<br />
<br />
A menor tinha usado seus emojis de chantagem emocional, geralmente o “._.” era suficiente pra fazer qualquer pessoa ficar preocupada com o que a menor tinha a dizer. Esperava que funcionasse do mesmo jeito para a amiga de sua irmã, a doutora Arlovskaya.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Estava terminando de atender seus pacientes no centro clínico quando fez uma pequena pausa para verificar as mensagens em seu celular antes de arrumar o jaleco antes de passar a mão no próprio pescoço em uma auto massagem após as longas horas de ouvir as crônicas das vidas de seus preciosos pacientes. <br />
<br />
Encarou o aparelho e arqueou uma sobrancelha diante da mensagem com o contato registrado da garotinha que havia encontrado na padaria de docinhos deliciosos. Apoiou os quadris contra sua própria mesa e leu as mensagens, rindo baixo com a ideia de que a pequenina estava com dúvidas que apenas ela poderia ajudar a sanar. <br />
<br />
[20:25, 17/02/2014] Natalia: Parei de trabalhar agora. <br />
[20:25, 17/02/2014] Natalia: Tá tudo bem com você? <br />
<br />
Fez uma pausa, considerando que a garotinha poderia estar com algum problema de saúde, com dúvida sobre que tipo de remédio usar ou ainda poderia ser algum problema com a irmã dela e ela estivesse precisando de ajuda médica. Ponderou sobre as probabilidades, concluindo que a garotinha era esperta o bastante para chamar uma ambulância de o problema fosse de fato de saúde e grave. <br />
<br />
Enquanto esperava a resposta da garotinha, guardou seus itens em sua bolsa, desligou o computador e o ar condicionado e saiu para a ala de troca de roupas a fim de poder se arrumar para dar início ao seu turno de plantão de fato. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Olhou o bolo no forno, notando que ele estava aumentando de tamanho gradativamente, dessa vez não tinha errado a quantidade de fermento, as dicas de sua Tia Fleur realmente “arrumavam” as receitas tortas do youtube.<br />
<br />
Viu o visor do celular brilhar e o sinal claro de que tinha recebido mensagem, se afastou do forno e tornou a se sentar na cadeira junto a mesa, onde tinha os ingredientes que iria usar para confeitar o bolo quando estivesse pronto:<br />
<br />
[20:26, 17/02/2014] Clementine: Comigo sim! ^w^<br />
[20:27, 17/02/2014] Clementine: Eu melhorei da gripe! tds os meus colegas d classe tão doentes agora! oxo!<br />
[20:27, 17/02/2014] Clementine: At a prof ficou doente t tendo aula na otra sala ouo<br />
[20:28, 17/02/2014] Clementine: Mas eu queria flar d otra coisa o^o!<br />
[20:28, 17/02/2014] Clementine: Pode conversar 1 poqnho? ou vai dirigir? o-o?<br />
[20:29, 17/02/2014] Clementine: Eu t testando fazer 1 bolo c/ recheio dpois qer provar? o0o!?<br />
<br />
A menina olhou em volta pensando se a mulher era do tipo que respondia rápido, se fosse não iria conseguir confeitar e rechear, mas se ela digitasse como sua irmã, teria tempo de fazer tudo e no final comer bolo antes de dormir. Parecia um bom plano em sua cabeça.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Estava terminando de prender o cabelo em um coque quando notou as novas mensagens em seu aparelho. Sentou-se no banquinho da sala de troca de roupa e arrumou a alça do sutiã enquanto cruzava as pernas para responder. <br />
<br />
[20:31, 17/02/2014] Natalia: Eu estou com fome mesmo. <br />
[20:31, 17/02/2014] Natalia: Mas eu não sei onde você mora. <br />
[20:32, 17/02/2014] Natalia: Sua irmã não iria ficar irritada se eu aparecesse?<br />
[20:32, 17/02/2014] Natalia: Eu posso conversar. <br />
[20:33, 17/02/2014] Natalia: A sua irmã ainda não chegou em casa? <br />
<br />
Arqueou uma sobrancelha para a tela do celular, considerando que naquele horário e naquele dia, era mais que plausível que a ruiva cereja já tivesse chegado em casa. Talvez a pequena estivesse apenas entediada a julgar pela atenção que a irmã deveria dividir entre ela, os estudos e o próprio trabalho. <br />
<br />
Não se sentiu compelida a se apressar para o atendimento do plantão. Tudo era muito tranquilo naquela unidade e o máximo que fazia era prescrever novos remédios e dar continuidade à observação dos poucos pacientes internados na ala amarela. Nada realmente digno de preocupação exacerbada. Duvidava que seus colegas de trabalho fossem tão estúpidos que não conseguiam fazer aquilo sem a sua presença. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva ficou feliz da doutora fofinha ter interesse em suas receitas de teste, mas tinha de manter a atenção, tinha entrado em contato com o objetivo de perguntar coisas sobre o dia a dia de sua irmã, pra tentar entender porque é que ela tinha ficado de castigo.<br />
<br />
[20:34, 17/02/2014] Clementine: Eu ñ posso t da o endereço! u-u<br />
[20:34, 17/02/2014] Clementine: + vo pensar num jeito d entregar! &gt;n&gt;!<br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: Eu qero flar da mana… <br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: &lt;.&lt;<br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: &gt;.&gt;<br />
[20:35, 17/02/2014] Clementine: É q ela chegou muito brava hj ñ e brigou com td mundo em casa e no vizinho, e na rua, e tá lá na casa do Arman, trancada no quarto d castigo!<br />
[20:36, 17/02/2014] Clementine: Daí qeria saber se vc brigo c ela d novo, ou se tem alguen xateando a mana no trabalho? o-o?<br />
<br />
Perguntou de uma vez, porque imaginava que era melhor falar logo, talvez ela ficasse ocupada no trabalho e depois não pudesse continuar conversando, e não queria ficar na curiosidade de uma conversa pela metade. Esperava que não fosse alguém chateando sua irmã, senão teria de pensar num jeito de dar uma bronca nessas pessoas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Encarou a mensagem e respirou fundo, levando o telefone aos lápis para pensar no que responder para aquela criança. Ela estava preocupada com a própria irmã com quem ela, a médica que era superior da ruiva cereja, havia discutido anteriormente. Pegou o aparelho com as duas mãos novamente antes de voltar a digitar para responder a criança.<br />
<br />
[20:36, 17/02/2014] Natalia: Eu briguei com ela. <br />
[20:36, 17/02/2014] Natalia: Ela ficou muito brava? <br />
[20:36, 17/02/2014] Natalia: Você ficou sozinha? <br />
[20:37, 17/02/2014] Natalia: E que história é essa de castigo? <br />
<br />
Ficou confusa com a ideia de que uma mulher adulta como era a enfermeira da pediatria estava de castigo. A irmã dela teria colocado ela de castigo? Aquilo era engraçado. Certamente levaria algum tapa da mulher se ela conseguisse ouvir sua risada naquele momento ao imaginar uma mulher adulta de castigo enquanto a irmã mais nova dela ligava preocupada para o trabalho dela. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
O protótipo de ruiva cereja analisou bem a tela do celular, quase se esquecendo por um momento que tinha um bolo no forno, tornou a olhar para o mesmo, se aproximando e deixando o aparelho de lado alguns momentos para checar o mesmo, espetou e conferiu que ele estava no ponto de retirar para deixar esfriar. Pegou as luvas apropriadas para manusear a forma quente e deixou o bolo esfriando sobre o fogão.<br />
<br />
Tornou a mexer no aparelho alguns minutos depois:<br />
<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: Brigaram d novo?<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: A mana não fala muito do trabalho, mas d vez em qand ela fala szinha e eu ñ entendia q ela tava falando, pensava que “arlovisvik” era um oto idioma.<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: E eu sempre fico sozinha essa hra.<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: A mana vai pro cursinho…<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: E ela tá de castigo na casa do Arman, meu vizinho, filho da tia Fleur da Padaria.<br />
[20:45, 17/02/2014] Clementine: pq vcs brigaram?<br />
<br />
A menor perguntou na inocência, não sabia porque pessoas adultas brigavam, não era como os meninos da escola que escondiam estojos ou zombavam dos seus desenhos, devia ser coisa séria, ou talvez gente chateando? Era difícil de entender os adultos as vezes.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Enquanto esperava a resposta da criança, guardou o celular no bolso do jaleco, levantando para ir até a área de prontuários para pegar um copo com água. Sentiu o telefone vibrando com as mensagens e ponderou, parando por um momento para responder a ruiva cereja. Riu com a tentativa da garotinha de digitar algo em uma língua que não era a dela. Arqueou uma sobrancelha, pensando que a garotinha tinha o hábito de ficar sozinha em casa. <br />
<br />
[21:01, 17/02/2014] Natalia: Eu briguei com ela porque ela trabalha demais. <br />
[21:03, 17/02/2014] Natalia: E algumas pessoas se aproveitam que ela é muito boazinha. <br />
[21:03, 17/02/2014] Natalia: Falei que não era para fazer o trabalho dos outros. <br />
[21:04, 17/02/2014] Natalia: Dá para notar que ela trabalha muito.<br />
[21:04, 17/02/2014] Natalia: E eu disse<br />
[21:05, 17/02/2014] Natalia: talvez<br />
[21:06, 17/02/2014] Natalia: alguma coisa sobre não conseguir ser médica <br />
 [21:07, 17/02/2014] Natalia: Eu fiz mal? <br />
<br />
Suspirou, não acreditando que estava de fato pedindo a opinião de uma menininha sobre suas escolhas em uma discussão de trabalho. Talvez fosse o fato da garotinha parecer se comportar de uma forma mais madura do que estava acostumada a ver em crianças da idade dela; ou poderia ser sua ligeira preocupação com o cárcere privado da enfermeira ruiva cereja que se irritava com sua voz. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
a pequena ruiva observou o bolo fumegante e ponderou se iria começar a fazer a cobertura do mesmo, porém, a conversa com a doutora fofinha parecia mais urgente, talvez se soubesse o porquê da briga das duas. A pequena, estava com os olhinhos vidrados na tela do aparelho esperando o “natália está digitando uma mensagem…” lhe desse uma luz:<br />
<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: Bem… conhecendo a mana… né legal não :&lt;<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: Mas assim...<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: A mana é coração mole… &gt;0&lt;<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: Se vc pedir desculpa ela te perdoa...<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: a mana é sensível com o assunto do sonho dela… :/<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: mas acho que todo mundo é, não?<br />
 [21:09, 17/02/2014] Clementine: vc tem sonho doutora?<br />
<br />
A menina perguntou genuinamente curiosa da resposta que a doutora fofinha poderia dar, que tipo de sonho uma pessoa adulta como ela teria.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Crispou os lábios com a resposta da garotinha e se recostou na parede da sala de prontuários, fazendo uma pequena pausa para avaliar a medicação de uma das senhoras paciente do hospital. Segurou a prancheta com o prontuário da senhora e assinalou para a enfermeira mais próxima que faria uma visita naquele momento a paciente em especial. <br />
<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: nunca pensei muito sobre isso, Clementine<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: sonho tipo algo que eu quero muito? <br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: no momento, eu queria muito saber se a sua irmã está bem<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: e vc? tem um sonho?<br />
 [21:15, 17/02/2014] Natalia: o que vc quer muito fazer?<br />
<br />
Fez uma pequena pausa no celular para poder atender a idosa e confortá-la sobre o estado atual do tratamento pelo qual a mulher estava passando. Nesse curto período de tempo, jogou um pouco de conversa fora com a mais velha sobre o restante da equipe médica, terminando por comentar inclusive sobre seu plantão e estadia naquela noite no hospital. <br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva sabia que quando os adultos respondiam suas perguntas com outras perguntas, eles estavam tentando lhe tapiar. Respirou fundo, e cutucou o bolo que esfriava percebendo que ele tinha ficado na maciez que queria, viu a resposta da doutora fofinha e ponderou no que poderia responder:<br />
<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Eu quero ser a maior confeiteira de Cerise, depois de Paris, da França, circuito Europeu, e depois do mundo…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Nada demais…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Engraçado a senhora sonhar com a mana<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela vai ficar bem…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela demora pra ficar com raiva…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: ou melhor… pra mostrar raiva…<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela guarda muito!<br />
 [21:18, 17/02/2014] Clementine: Vc não guarda muita coisa pra vc?<br />
<br />
A pequena se levanta e começa a esquentar água pra poder fazer o banho maria e começar a derreter o chocolate que usaria na cobertura do bolo, pelo menos quando sua irmã saísse do castigo ela teria um bolo bonito e gostoso pra comer.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Demorou um pouco para conseguir responder novamente, mas acabou parando para rir com o comentário da garotinha sobre ela “sonhar” com a ruiva cereja. Respirou fundo, levando o celular até o próprio queixo, pensativa. Certo que a ruiva cereja era bem bonita e sonhar com ela não deveria ser ruim, mas duvidava que em seu sonho Carbella fosse diferente da enfermeira irritadinha com quem discutiu. De certo que ela aparecia em seus sonhos para lhe dar alguma bronca sobre qualquer atividade ilegal que estivesse realizando. <br />
 <br />
[21:23, 17/02/2014] Natalia: se eu contasse, teria que ir aí roubar seu bolo. <br />
[21:23, 17/02/2014] Natalia: mas falando sério<br />
[21:24, 17/02/2014] Natalia: tô preocupada com ela <br />
[21:24, 17/02/2014] Natalia: ela não tem um namorado?<br />
[21:25, 17/02/2014] Natalia: um amigo pra sair não? <br />
[21:25, 17/02/2014] Natalia: viver no hospital é um caminho sem volta, garota<br />
<br />
Fez uma pequena pausa no corredor, verificando mais um prontuário antes de seguir para o próximo grupo de pacientes daquele seu plantão. Não estava mentindo para a garotinha quando dizia que estava preocupada com Carbella. Não queria dizer na frente da enfermeira e na verdade nem sabia como fazer isso, mas após a discussão com a outra mulher, sentiu que havia sido um tanto dura com ela. Não fazia ideia que a garotinha era irmã mais nova dela e que a vida da outra era tão conturbada. Não se arrependia de ter chamado a atenção de Carbella, mas sempre se pegava pensando que era muito boa em escolher a pior tática de aproximação para dar notícias e por isso que nunca era escalada para informar familiares de pacientes sobre nada - não quando não eram seus próprios pacientes. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Começou a raspar a barra de chocolate em pedaços pequenos ´para tornar mais fácil de derreter, fazia isso com calma, afinal não queria se cortar já que estava sozinha em casa, e também porque a médica fofinha não estava respondendo tão rápido, devia está muito ocupada. Colocou as raspas na panela, mexeu suavemente com a colher de pau, para só então dar atenção de novo ao celular:<br />
<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Hmmm… A mana têm amigas sim uu<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: A tia Carissa que é policial, a Tia Dia que é professora a Tia Belle lá do Sauté… &gt;_&gt;<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Tem a tia Max tbn, mas acho q elas tão brigadas<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: E namorados depois do Isaac eu ñ lembro de nenhum…<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: A mana não é muito namoradeira ñ… ela até tenta… mas as pessoas traem a confiança dela<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Que nem o gordinho de St. Clavier<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Nem te conto Tia Nat! ùú<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Vc acredita que ele passou semanas saíndo com a mana, jantar, parque, trocando livro, sascoisas<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: E aí quando a mana se declara pra ele<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ele gosta de meninos, mas isso nem é a parte q deu problema<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: ELE TINHA UM NAMORADO E NUNCA FALOU DELE PRA MANA<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ela ficou bem triste, ela não queria se livrar do bixinho de pelúcia que o enfermeiro deu pra ela, e eu levei pra escola e deixei lá<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ingrato uu<br />
 [21:30, 17/02/2014] Clementine: Se eu encontrar com ele, chamo ele de bocó uu<br />
<br />
A pequena inflou as bochechas e largou o celular de lado pra dar atenção ao chocolate já derretido, tinha de quebrar uns biscoitos pra fazer uma cobertura tipo “cookie”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Enquanto aguardava resposta, assinou e corrigiu alguns prontuários, alterando a medicação de alguns pacientes que já haviam sido transferidos de outros alas. Quando menos esperava, o celular já estava cheio de mensagens da irmãzinha da ruiva cereja. Piscou algumas vezes para dar continuidade a sua leitura rápida. <br />
<br />
Estreitou o olhar diante da informação que Carbella tinha uma amiga que era policial. Precisava tomar cuidado com aquilo. Não tinha um histórico amigável de relações com a polícia. E ela tinha um ex-namorado chamado Isaac e recentemente teve interesse em um gordinho? Bem, pelo menos gordura não era um problema pra ela. Porém, pelo histórico, ela era hétero. <br />
<br />
Um sorriso acabou surgindo no rosto da médica com as letras maiúsculas da garotinha sobre o gordinho ter um namorado. Segurou o riso, imaginando que levaria um olhar repreensivo de Carbella por estar achando graça de todo aquele filme romântico frustrado. <br />
<br />
 [21:34, 17/02/2014] Natalia: Se ela tem amigas, ela vai ficar bem <br />
 [21:34, 17/02/2014] Natalia: Preciso encontrar essa tal de Max então<br />
 [21:34, 17/02/2014] Natalia: Se ela descobrir como fazer as pazes com a tua irmã, eu quero saber <br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: eu gosto da sua irmã, Clementine<br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: por isso eu briguei com ela<br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: mas eu não tenho muito jeito <br />
 [21:35, 17/02/2014] Natalia: falando com as pessoas, sabe? <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: e eu acho que só piorei a situação <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: eu vou tentar dar um jeito nisso<br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: por isso não se preocupe <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: eu não quero brigar com ela de propósito <br />
 [21:36, 17/02/2014] Natalia: mas as vezes ela é cabeça dura demais <br />
 [21:37, 17/02/2014] Natalia: tem alguma coisa que deixe ela mais calma? <br />
<br />
Resolveu questionar, afinal de contas não custava nada. Sentia que de muitas crianças que já havia encontrado em seu trabalho, Clementine era diferente e bem especial. Não se sentia desconfortável conversando com a criança. Na verdade, só sentia um pouco de receio daquela sua conversa ser descoberta e acabar tendo de responder na polícia porque conversava com uma criança em particular sobre assuntos da vida adulta. Definitivamente, o embrulho no estômago que tinha ao pensar nessa chance não era por acaso, sabia de seus riscos. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva ficou entretida quebrando biscoitos se atentando a deixar pedaços pequenos e grandes, porque a graça era deixar pedaços para mastigar, senão, não seria um bolo de “cookie” e sim um bolo de “farelo”. O bolo já estava frio, e aproveitou para colocá-lo em um suporte apropriado, desenformando com cuidado, para não quebrar e depois cobrindo-o com uma gloriosa camada de chocolate e depois com os pedaços de biscoito. Tirou foto e enviou para a conversa com a doutora:<br />
<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: *Clem enviou uma imagem*<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Terminei! \^^/<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana é cabeça dura mesmo, ela disse que acabou puxando isso da Tia Fleur<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Eu acho a mana legal por ser assim<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas é como vc disse as vezes isso deixa ela cansada<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Eu acho que se você gosta da mana devia dizer isso a ela<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Talvez ela só ache que você tá sendo inxerida<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Como os vizinhos que as vezes são inxeridos na nossa vida, dando pitaco em como ela devia fazer as coisas em casa ou cuidar de mim<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana não tem paciencia com isso como tem pra outras coisas<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas se você gosta dela, chame ela pra comer<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana recusa sair pra filme, dançar, passear, essas coisas<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas ela gosta de sair pra lanchar, tomar suco, conhecer cafés, tomar vinho, comer macarrão, bolos confeitados, qualquer coisa de cerejas, até beber mesmo, lembro que a Tia Dia chamava a mana pra ir em bares tomar cerveja, convencia ela falando dos tira-gosto.<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana não é uma pessoa ruim, ela só tem o jeito dela.<br />
[21:42, 17/02/2014] Clementine: Seja uma boa amiga pra mana, por favor. :3<br />
<br />
A pequena ficou mais contente com aquela conversa, se uma pessoa gostava de sua irmã, então seria outra amiga para ela, era bom ter amigas no trabalho, apesar de estar no hospital a muito tempo, a pequena ruiva sabia que sua irmã não tinha amigas por lá, só os amigos que eram de sua falecida mãe.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Demorou alguns novos minutos até conseguir uma folga em seu processo de check in de prontuários, alterando a medicação de alguns pacientes e dando boas notícias para a transferência de alguns para outras alas, tal como a alta concedida para pacientes que já poderiam voltar para suas famílias e residências. <br />
<br />
Leu as mensagens da irmã de Carbella e sorriu abobada com a conversa inocente da criancinha que estava pedindo para ser amiga da ruiva cereja. Tinha algumas amigas, mas a maioria delas não fazia ideia com o que realmente ela trabalhava e pelo menos já haviam saído intimamente com sua pessoa alguma vez. Contudo, a sensação que tinha com a enfermeira irritadiça era diferente. Sabia que a mulher tinha potencial para conseguir ser reconhecida como uma excelente pediatra, e até queria ajudá-la, mas ainda enxergava a obsessão com o próprio trabalho tão reconhecível como a sua própria ao acordar todos os dias para viver naquele hospital tal como estava fazendo naquele exato momento. <br />
<br />
Suspirou resignada com a imagem do doce sendo preparado pela criança, pensando o quão delicioso deveria estar a massa e o chocolate. Bem, pelo menos tinha algo bastante em comum com a enfermeira que era o gosto pela boa comida. E ela tinha uma irmãzinha que poderia muito bem se encaixar no espectro de crianças que conseguia aturar e se esforçar para não correr o risco de ser enquadrada pela polícia pelo aliciamento de menores.<br />
<br />
[21:51, 17/02/2014] Natalia: Primeiro<br />
[21:51, 17/02/2014] Natalia: Esse bolo tá muito lindo<br />
[21:51, 17/02/2014] Natalia: Quero<br />
[21:52, 17/02/2014] Natalia: Tô trabalhando<br />
[21:52, 17/02/2014] Natalia: Mas tenho fome<br />
[21:52, 17/02/2014] Natalia: Segundo<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Não se preocupe. Eu não vou deixar de tentar cuidar da sua irmã.<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Mesmo ela sendo uma cabeça dura teimosa<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: E brigando comigo<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Eu sei que ela só está preocupada em fazer um bom trabalho<br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Ela tá bem agora? Esse bolo você fez para ela ficar mais feliz? <br />
[21:53, 17/02/2014] Natalia: Eu iria ficar bem feliz se eu ganhasse um bolo assim<br />
[21:54, 17/02/2014] Natalia: Então eu acho que ela vai ficar bem<br />
[21:54, 17/02/2014] Natalia: mas se não ficar, pode me dizer<br />
[21:54, 17/02/2014] Natalia: eu arrumo lanchinhos para ela ficar menos irritada comigo<br />
<br />
Riu enquanto trocava as mensagens, parando para mostrar a foto do doce preparado e aparentemente delicioso para alguns de seus colegas enfermeiros, destacando que conseguia ser comprada facilmente por uma oferta daquelas. Riu mais ainda com a conversa com os enfermeiros sobre fatias do bolo e suborno a base de guloseimas. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Agora que tinha terminado de cozinhar e confeitar podia ficar só respondendo as mensagens de telefone, já tinha se passado bastante tempo desde que sua irmã tinha ficado de castigo na casa de sua tia Fleur. Em verdade, fazia tempo desde a última vez que sua irmã tinha ficado tanto tempo de castigo assim, ela talvez tivesse aprontado algo muito ruim pra ficar tanto tempo lá ouvindo bronca.<br />
<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: A sim os lanches vão funcionar com ctz<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: E sim tbn fiz o bolo pra ela<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: Ela ainda tá de castigo na casa da tia Fleur<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: Faz tempo que ela não fica tanto tempo levando bronca…<br />
[21:55, 17/02/2014] Clementine: Ela deve ter aprontado feio dessa vez…<br />
<br />
Estava pronta pra digitar a próxima frase, quando ouviu o barulho de algo quebrando, a ponto de se sobressaltar, olhou em volta pra conferir se nada tinha caído na própria cozinha, e então caminhou até a janela da cozinha que dava acesso ao jardim, puxou a cortina pra ver as luzes do primeiro andar da casa de sua vizinha acesas. Outro barulho alto, e parecia que mais algo tinha caído, não escutou gritos, e nem vozes alteradas, devia ter sido um acidente. Mas aquilo lhe deixou preocupada.<br />
<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Hmm<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Eu acho que quebrou alguma coisa na casa da Tia Fleur<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Ou a Mana tá muito brava e tá descontando nas coisas…<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Da última vez eu vi ela jogando gelo no box do chuveiro<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Ela parecia bem brava…<br />
[22:00, 17/02/2014] Clementine: Acho que ela vai demorar pra voltar pra casa.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Verificou o horário das mensagens no celular e pressionou os lábios com as costas da mão esquerda, pensativa sobre como uma criança estava cozinhando sozinha em casa, preparando um bolo para irmã porque estava preocupada com ele enquanto ouvia barulhos na casa dos vizinhos. Respirou fundo, trocando algumas mensagens com seus colegas de trabalho para poder trocar de roupa e encerrar seu plantão um pouco mais cedo. <br />
<br />
Pegou as chaves de seu carro e soltou o cabelo, sentando-se no banco do motorista para poder enviar novas mensagens para a criança, ainda que no fundo de sua consciência soubesse que ir até a casa da enfermeira naquela hora da noite não era uma boa ideia. <br />
<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Eu acabei de sair do trabalho<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Quero comer bolo tbm<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Posso ir aí?<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: <img src="http://academiastclavier.com.br/images/smilies/sad.png" alt="Sad" title="Sad" class="smilie smilie_8" /><br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Tô preocupada contigo<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: E com fome<br />
[22:19, 17/02/2014] Natalia: Tá tudo bem?<br />
<br />
Suspirou pesado, reclinando a cabeça para trás no banco do motorista antes de colocar o cinto de segurança e ligar o veículo, saindo do estacionamento para poder passar em uma loja de conveniência 24 horas para comprar alguma bebida, como um suco ou iogurte que poderia levar para a criança só para não chegar de mãos vazias. Ou, se ela não lhe respondesse, podia comprar seu jantar e ir para casa tomar um banho. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Estava acostumada a se virar sozinha em casa, era seu reduto, seu lugar seguro, e qualquer coisa que desse errado tinha Fleur como sua vizinha para onde fugir e se refugiar, mesmo tendo apenas oito anos. Muito embora, fizesse algum tempo desde a última vez que teve de encarar uma noite inteira sem estar na companhia nem de Arman, e estava um pouco preocupada com o estresse da irmã com todos esses problemas que ela estava tentando lidar sozinha. Queria que ela seguisse seus próprios conselhos sobre trabalhar em equipe e dividir o trabalho com seus outros coleguinhas, será que era tão difícil para adultos trabalharem juntos?<br />
<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Eu acho q não tem problema<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Você é amiga da mana e eu acho q ela vai demorar aind<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: A tia Fleur ainda não chegou em casa<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Tá só o Arman e a Mana lá…<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: Você gosta de chá? Posso esquentar água enquant vc chega<br />
[22:25, 17/02/2014] Clementine: <img src="http://academiastclavier.com.br/images/smilies/smile.png" alt="Smile" title="Smile" class="smilie smilie_1" /><br />
<br />
A menor se levantou, deixando o celular de lado para ir esquentar água e buscar os sachês de chá no armário da cozinha, tirar algumas xícaras decoradas que usavam bem de vez em quando, mas era legal de usar quando recebiam visitas. Não era legal deixar adultos entrarem em casa sem que nenhum outro adulto estivesse ali, mas era uma amiga de trabalho de sua irmã, talvez se ela percebesse que pode contar com os colegas de trabalho isso deixe ela mais relaxada? Poderia tentar ao menos.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Assim que o celular vibrou anunciando novas mensagens, pegou o aparelho, pagando pelo suco no caixa e comprando também uma cartela de adesivos com pôneis e unicórnios da conveniência. Garotinhas como Clementine deveriam gostar daquele tipo de cartela de adesivos barata, não é? Lembrava que algumas das enfermeiras na pediatria costumavam decorar as paredes do lugar com adesivos dos temas favoritos das crianças para que elas não ficassem tão desanimadas em estar em um lugar como um hospital. <br />
<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: Eu AMO chá<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: na verdade, eu não curto café<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: eu tomo porque é o que pode me deixar acordada<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: não beba café, Clementine<br />
[22:27, 17/02/2014] Natalia: é ruim pra você<br />
<br />
Informou, anexando à mensagem a foto de uma cartela de adesivos que estava comprando como oferenda de paz em retorno à oferta de um bom doce na quase madrugada. Pegou o veículo ao sair da lojinha de conveniência, dirigindo até onde deveria ser a residência da enfermeira com quem havia discutido não fazia muito tempo. Pediu apenas para Clementine confirmar o endereço, estacionando o veículo na rua adjacente, terminando por caminhar pela calçada até chegar na entrada da residência da família de Carbella. <br />
<br />
[22:42, 17/02/2014] Natalia: cheguei <br />
[22:42, 17/02/2014] Natalia: to na porta <br />
<br />
Observou o movimento na vizinhança, as luzes de algumas casas ainda acesas. Estranhou o que deveria ser o movimento na residência de um dos vizinhos e coçou a própria nuca, considerando que sequer deveria estar ali. Não imaginava que Carbella lhe considerasse uma amiga, ainda que se preocupasse com o trabalho da enfermeira e como ela conciliava a profissão com a própria ambição de se tornar uma médica. Talvez, só talvez, tivesse se precipitado em seu julgamento. Porém, naquele instante, estava mais preocupada com a irmãzinha dela sozinha em casa tendo que lidar com todo aquele drama por conta própria.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Não demorou tanto tempo assim para ouvir as batidas na porta, a chaleira tinha acabado de apitar, os sachês de chá estavam nas xícaras de porcelana decorada e tinha arrumado a mesa de jantar com o bolo, biscoitos, leite, mel e açúcar. A menor seguiu pelo corredor, e apenas buscou no celular a confirmação de que era de fato a amiga de sua irmã a porta. Clementine não alcançava o olho mágico, mesmo que ficasse de ponta de pé, por isso ao chegar a porta, perguntou quem era ainda de dentro da casa e sem destrancar a mesma:<br />
<br />
— Tia Nat? — a voz saiu levemente abafada por causa da madeira da porta, mas depois da confirmação e algumas trancas de chave sendo liberadas, a pequena ruiva pode se deparar com a imagem da doutora a quem tinha encontrada em Antique no outro dia, e vinha conversando por mensagens: — Está com fome, não é? Preparei chá, têm biscoitos, como não deu tempo de perguntar, eu separei leite e mel, não sei o que você gosta.<br />
<br />
Esperou que a mulher entrasse para tornar a trancar a porta, a sala permanecia com um abajur ligado lançando uma luz amarela singela, que revelava so móveis antigos de madeira que decoravam o lugar, a casa tinha um aspecto de residência antiga e tradicional, e não parecia ter sofrido muitas alterações na decoração com exceção de algum brinquedo que poderia ser encontrado destoando em algum dos sofás. O corredor era curto e logo estavam na sala de jantar, que estava amplamente iluminada, as janelas quadradas com cortinas creme, dava visão para o jardim, a cerca baixa e as luzes na casa do seu vizinho, ao menos não tinham ouvido o som de mais nada quebrando:<br />
<br />
— Agora tudo parece calmo Tia Nat, relaxe. Coma bolinho, a mana não vai ligar de você comer primeiro. — a menor serviu a água quente no chá, jogando aroma de flor de hibiscus pela sala, parecia até que estava brincando de chazinho versão gente grande, a ideia até lhe distraia do pensamento que sua irmã estava de castigo já a algumas horas na casa de Fleur.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Aguardou enquanto a menina não atendia a porta, permanecendo um tanto inquieta com a ideia de que estava mesmo em frente à residência da enfermeira com quem havia tido uma discussão nada amistosa na última semana. Ouviu a voz infantil meio abafada pela porta e sorriu, pensando em como a criança deveria ser esperta por conseguir tomar conta de si mesma sozinha. Contudo, ficou intrigada com a quantidade de travas que haviam naquela porta. <br />
<br />
- Boa noite, Clementine. Ah, eu gosto dos dois. O que servem no hospital não tem muito sabor, parece água suja. - respondeu, considerando sua opinião sobre o que conseguia consumir de alimento no Hospital Geral de Cerise. <br />
<br />
Observou todo o ambiente ao entrar, segurando a bolsa em mãos enquanto a criança voltava a trancar a porta. Caminhou pela sala, dando atenção aos móveis de modo geral, aos detalhes da decoração, tudo até ser guiada pela criança até a sala de jantar onde tudo parecia bem montado para uma refeição. <br />
<br />
- Wow. - assobiou em surpresa, realmente intrigada em como aquela menina tão jovem havia preparado tudo aquilo sozinha. Chegou a sentir o rosto mais quente com o perfume de hibiscus no ar, a bebida assumindo um tom rubro bastante peculiar. - Você fez mesmo tudo isso sozinha? Com licença. - pediu ao se sentar, colocando a própria bolsa na cadeira do lado, inclinando-se para respirar fundo o aroma do chá e do bolinho que lhe era servido. Estendeu a mão até o bolinho, fazendo uma pausa antes para poder se levantar e procurar a cozinha, correndo para lavar as mãos antes de voltar para a sala de jantar, novamente avançando no bolinho que lhe era servido, voltando a se sentar adequadamente à mesa. - Ele tá muito bonit-! Hmmmmm! Ghostoshooo! - exclamou ao provar o doce, impressionada com o que a menininha conseguia fazer sem supervisão de um adulto. - Como foi que-hmm-fshez isho? Sozshinha? <br />
<br />
Encarou a criança, considerando que ao menos ela parecia melhor de saúde desde a primeira vez que a tinha encontrado. A irmã de Carbella era uma criança bem educada e aparentemente responsável. Começou a refletir se a própria Carbella não seria um pouco como aquela menina quando era só uma menina. A ideia lhe fez sorrir, apesar de também considerar que apesar de toda a responsabilidade, Clementine ainda era só uma criança. Pelo menos já estava ali, tinha certeza que a garotinha estava bem e que ela não precisava ficar sozinha esperando a irmã mais velha voltar do que deveria ser o tal “castigo”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
Era estranho receber gente em casa quando sua irmã estava fora, principalmente de noite, mesmo sendo uma amiga de sua mana, não devia ser tão errado não era? Esperava que tia Fleur não lhe desse um par de broncas por causa disso. Como tinha imaginado a doutora fofinha tinha uma queda por doces, e não fez nenhuma cerimônia em mostrar o quanto não tinha saudades da comida de hospital. Sua irmã não reclamava do trabalho, embora chegasse com aquela cara de defunto nos últimos dias, mas devia ser pelo tanto de coisa que tinha pra fazer e não pela comida ser ruim:<br />
<br />
-- Ah, eu tenho 8 anos já, quase 9, eu já sei fazer muita coisa. -- a menina ruiva respondeu dando de ombros como se não achasse tão extraordinário fazer um bolo, tinha tantos programas de TV que mostravam crianças superdotadas que tocavam instrumentos difíceis, ou mesmo que faziam contas com números grandes, ela sabia fazer tortinhas, não era nada lá muito genial.<br />
<br />
A pequena ruiva olhou pela janela na direção do vizinho, e viu que o quarto de Arman seguia com a luz acesa, assim como a sala, então quem sabe tivesse acabado?<br />
<br />
-- Agora as luzes da casa da tia Fleur tão acesas, eu acho que ela ainda não tá em casa, de certeza o Arman está lá, junto com a mana. -- A menina pequena suspirou: -- Ela ainda deve está muito brava, quando ela fica com raiva, demora tanto pra passar. <br />
<br />
A menina puxou uma cadeira e serviu um pedaço de bolo pra si mesma, imaginando que se iria continuar esperando que ao menos fosse com algum docinho pra lhe distrair.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Natalia</span></div>
<br />
Levantou-se ainda com o prato com o docinho e o garfo para comer, aproximando-se da garotinha na janela, observando a capacidade de dedução da ruivinha. Respirou fundo após engolir um novo pedaço do doce, o garfo ainda repousando sobre os lábios enquanto refletia sobre Carbella Benedict não ter um pavio de temperamento que fosse recuperável assim tão rápido. <br />
<br />
- Eu consigo fazer uma cirurgia de mais de doze horas tranquilamente, mas isso aqui não está no meu arsenal de habilidades, sabia? - apontou para o prato já vazio após devorar o docinho que havia lhe sido oferecido. - Não se preocupe tanto assim com a sua irmã, ela vai ficar bem. Os seus vizinhos estão cuidando dela, não é? Aquela senhora bonita lá da padaria também? <br />
<br />
Levou a louça para a cozinha como se morasse naquela casa, dando-se ao trabalho de lavar a louça enquanto continuava conversando: <br />
<br />
- Você que me convidou, Clementine. Vamos fazer alguma coisa. Quer brincar? Ou… argh… você tem que fazer alguma tarefa da escola? - perguntou, recordando de quando era criança e sempre era obrigada pelo pai a adiantar as atividades da escola para manter as boas notas. - Vamos fazer alguma coisa juntas. Você já me alimentou com comida gostosa. - sorriu, amistosa, secando as mãos para acompanhar a menor. - Você já jantou, não? - perguntou mais educada, imaginando que uma criança na idade dela já deveria ter jantado. <br />
<br />
Estava preocupada com a enfermeira também, mas não adiantaria nada alimentar a preocupação da criança também. E a menina estava sozinha. Crescer sozinha, sendo auxiliada pelos vizinhos e pela irmã mais velha deveria configurar uma família bem peculiar. Naquele momento, até conseguia compreender o motivo da enfermeira parecer sempre sobrecarregada de trabalho. Deveria ser complicado trabalhar e cuidar da própria irmãzinha. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Clementine</span></div>
<br />
A pequena ruiva apenas observou a sequência de palavras da maior, ela era engraçada, era como se nunca tivesse conversado com nenhuma outra criança, ou talvez ela já tivesse nascido grande? Fosse que nem aquele filme da pessoa que nasce velha e vai ficando mais jovem conforme vai passando o tempo? A pequena sorriu e assentiu positivamente, sem responder verbalmente nenhuma das três perguntas da maior: Sobre sua tia Fleur da padaria, se tinha jantado, ou se tinha dever de casa pra fazer. <br />
<br />
A menina de oito anos caminhou pela casa conhecida, indo até sua mochila da escola, que tinha sido plenamente largada na sala de estar, ao lado do sofá quando a menor chegou acompanhada de sua irmã. Já sabia que a mais velha estava furiosa pelo simples fato dela não ter lhe advertido pra por suas coisas no seu quarto. Voltou com a mochila em formato de joaninha até a mesa de jantar, afastou talheres e outras coisas que pudessem sujar seu caderno:<br />
<br />
-- sim, tia Fleur cuida muito bem de mim, da mana e do Arman, é quase como se fosse nossa segunda mãe, ou primeira, já que eu nem conheci a minha mãe de verdade mesmo.-- A menina comentou mais baixo a segunda sentença, sem esboçar nenhuma reação além da atenção que dava em tirar os cadernos, em sequência de tamanhos, finos, cada um com uma cor, com o nome da matéria escrito na frente, empilhou os mesmos por ordem de importância e ainda ajustou eles juntinhos. Tirou o estojo da bolsa e o colocou paralelo aos cadernos: -- Normalmente eu faço o dever de casa junto com a mana na hora do jantar, ou com a tia Fleur quando a mana tá de plantão e não vem pra casa. Depois eu posso assistir televisão até as 21hs, depois disso, eu tenho de subir, escovar os dentes, entrançar o cabelo e ir dormir. <br />
<br />
A menina falou sua rotina da noite sem muitas voltas, parecendo achar aquilo nada mais que natural de fazer: -- mas como a mana não está aqui hoje, e a senhora está aqui, então eu tenho de ficar acordada até ela voltar? isso é algo fora da rotina, normalmente eu iria pra casa da tia Fleur dormir lá, talvez mais tarde eu feche tudo e vá pra lá. <br />
<br />
Ponderou a menor, puxando o caderno de história francesa e estendendo na direção da maior: -- eu tenho tarefa pra fazer, preciso responder perguntas e preparar um cartaz pra apresentar amanhã. A senhora pode me ajudar? Pode né tia Nat?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Falando Sobre Flores [Ciel]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=301</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 16:19:51 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=67">Gwen</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=301</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Cerise era uma cidade aparentemente pacata, poucas pessoas iam se tatuar. Tá certo que Gwen possuía uma clientela fixa que ia para o estúdio independente de onde se instalasse, mas existem dias que o moreno não faz absolutamente nada, ficando apenas no celular. Decidiu então naquela tarde ensolarada fechar mais cedo e dar uma caminhada sem compromisso. Como era de se esperar: pôs um óculos escuro para não assustar ninguém, um chapéu preto, uma blusa preta fina de manga comprida, uma calça jeans slim da mesma cor e um par de coturnos nos pés. Não assustaria ninguém, mas definitivamente chamaria atenção.<br />
<br />
Decidiu olhar algumas vitrines, parar para comprar um sorvete. Até que algo chamou sua atenção. Um belo jardim com flores amarelas - não sabia como se chamavam - estava sendo cuidadosamente bem tratado por um rapaz que nunca havia visto pela cidade. Achou curioso e bem mais interessante do que caminhar sozinho e como ele estava distraído, se aproximou sorrateiro do estranho, tomando bastante cuidado para não pisar em nada que comprometesse o bem-estar das plantas.<br />
<br />
- Você parece realmente gostar do que faz. - falou num tom baixo que assustaria qualquer pessoa. Mas sorriu, independente da reação alheia, simpático - Devo estar atrapalhando sua concentração… mas não pude deixar de vir para comentar: que belas flores! Esse jardim é seu?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Nos dias onde não ia cuidar dos jardins de St. Clavier, sempre era bom conseguir outros bicos para juntar dinheiro, e um desses era de cuidar dos jardins de outras pessoas que não tinham tempo para cuidar ou condições, no caso de algumas senhorinhas. Essa em questão já havia pedido para ajudar no jardim algumas semanas atrás, e como esperava havia pedido de novo uma breve manutenção para seus crisântemos.<br />
<br />
Chegou cedo na casa da senhorinha, e acabou recebendo adiantado, pois a própria teria de resolver alguns assuntos. Ciel agradeceu pela confiança e começou seu trabalho com as flores. Estava usando uma camisa listrada de mangas longas, calças jeans roxas, seu fiel chapéu de palha para proteger do sol, um par de botas amarelas e luvas, além de carregar as ferramentas que precisaria em uma bolsa.<br />
<br />
A situação das flores não era ruim, realmente só precisavam de uma manutenção. Algumas folhas secas, outras murchas. Anotou mentalmente que deveria avisar à cliente que talvez na próxima visita fosse bom aplicar um pouco de adubo para reforçar o solo. Começou a retirada das folhas secas com cuidado, prestando atenção para ver qualquer sinal de praga, quando depois de algum tempo sozinho, escutou uma voz baixa falar logo atrás do moreno, o que o quase fez cair por cima das flores com o susto. Olhou desconfiado de onde a voz veio e deu de cara com um rapaz um pouco mais baixo que o jardineiro e praticamente coberto da cabeça aos pés, sorrindo bastante satisfeito: <br />
<br />
- … AH! - Demorou um pouco para responder, ainda abaixado próximo as flores, mas ajeitou o chapéu sobre a cabeça antes de sorrir um pouco sem jeito - Você me assustou um pouco, na verdade ahaha… - bateu as luvas antes de retirá-las e deixar ambas de lado, e então se levantou - Não, não, a dona da casa apenas pediu que viesse cuidar do jardim! Ela gosta bastante desses crisântemos, e acredito que gostou também dos cuidados que eu fiz da última vez, então ela me chamou de novo - sorriu, satisfeito com o próprio trabalho. Até achava estranho a aparência um pouco suspeita do rapaz, mas aparentemente cuidar dos jardins alheios rendia encontros bem peculiares para o jardineiro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Riu baixinho ao ver que acabou assustando o rapaz, ficando feliz também por não ter sido nenhuma reação exagerada. Ao menos era alguém simpático, aparentava saber manter uma conversa. Deu um passo a frente, pondo-se ao lado dele para melhor espiar as flores, sem desfazer aquele sorriso satisfeito. Podia não entender de plantas, mas aquelas flores estavam lhe trazendo um sentimento bastante agradável, estava verdadeiramente interessado naquele jardim.<br />
<br />
- Desculpa assustá-lo. Gosto de entradas triunfais! - brincou, enquanto punha as mãos nos bolsos. Arregalou os olhos por trás dos óculos escuros, ao ouvir que o jardim não era dele - Oh, eu realmente pensei que fosse seu. Não sabia que estava apenas trabalhando nele. A dona do jardim deve confiar bastante em você, então! Chamando pela segunda vez! Uau. <br />
<br />
Apreciava os crisântemos - agora sabia o nome - com alegria, o que contrastava com aquela aparência. Não parecia ser um rapaz "sombrio", muito pelo contrário. Era alguém disposto a conversar com estranhos e curioso o suficiente para aprender coisas novas. gostava de sair da sua zona de conforto.<br />
<br />
- Crisântemos, hm? Anotado. Sempre gostei de flores, mas nunca aprendi nada sobre elas. No meu trabalho, tenho poucas plantas de estimação, mas as rego todos os dias. - comentava, finalmente se virando para o rapaz e estendendo a mão. As costas de sua mão era tatuada, e a tatuagem não parecia findar ali. Suas unhas também eram pintadas de preto e isso não fazia questão de esconder - Muito prazer, me chamo Gwen. Seu nome é?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
A maneira como ele se vestia era bem contrastante com a personalidade, enquanto havia achado suspeito ter sido aproximado do nada por um sujeito completamente coberto, a maneira que ele falava era até engraçada. Achou engraçado ele gostar de “entradas triunfais”, certamente havia conseguido fazer isso muito bem, inclusive até demais.<br />
<br />
- Eu gostaria de ter uma casa com espaço para ter de fato um jardim, quem dera fosse minha! - brincou, pensando no apartamento pequeno que tinha aonde só conseguia criar algumas mudinhas de flores em alguns vasos - Pelo menos assim tenho certeza que ela está satisfeita com o trabalho, preciso garantir alguns clientes “fixos” hahah! - afinal não podia se garantir apenas com o trabalho de St. Clavier, precisava juntar mais um pouco de dinheiro.<br />
<br />
Sorria enquanto ele observava o seu trabalho nas flores, não que os mínimos detalhes fossem ser percebidos, mas o resultado num geral eram de plantas muito bem cuidadas e mantidas. Tinha bastante orgulho do que havia conseguido fazer com esses crisântemos. Quando o outro deu uma brecha para falar sobre plantas, acabou se desatando a falar.<br />
<br />
- Ah, é algo que leva um pouco de tempo, acaba sendo bastante tentativa e erro sabe? Você pode ler bastante sobre, mas cada planta acaba sendo bem diferente até mesmo entre elas! Inclusive eu diria para você ver como está o solo delas, pode estar precisando de nutrientes - compartilhou bastante empolgado sobre o assunto, o que deixava o sotaque britânico bastante aparente. Notou as tatuagens na mão e as unhas pretas quando o outro lhe estendeu a mão, mas não foi algo que exatamente o pegou de surpresa. Apenas apertou a mão do outro de volta, com a mão suave e muito bem cuidada que tinha, que era muitas vezes o oposto do que esperavam de um jardineiro.<br />
<br />
- Ciel Ellsworth, é um prazer conhecê-lo, Gwen! - sorriu simpático para o mais novo conhecido - Se tiver alguma dúvida como cuidar das suas plantas de estimação, podemos conversar sobre, quem sabe posso acabar ajudado?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Prestava uma atenção absurda em cada palavra proferida pelo loiro. Estava verdadeiramente interessado e se não estivesse, era educado o suficiente para ser uma boa companhia. O aperto de mão suave o fez notar que apesar de trabalhar com plantas e terra, Ciel possuía mãos delicadas. Estava acostumado com o jardineiro que tomava conta do seu quintal antes de vir morar em Cerise, rindo internamente com o contraste entre ambos. Talvez Jávier não depositasse tanto amor pelo que fazia como Ciel. Voltou a colocar a mão no bolso assim que o cumprimento havia acabado, mostrando-se bastante interessado com a sugestão.<br />
<br />
- Eu adoraria dicas! Tenho plantas que são presentes de clientes, nenhuma fui eu quem escolheu. As cuido sem conhecê-las, o que é um pouco frustrante. - sorria sem graça, voltando a atenção para as plantas - Se quiser vê-las depois daqui. Meu estúdio, que é onde moro, é aqui perto. Hoje estou sem clientes, por isso decidi dar uma passeada. Imagino que todos os meus amigos estejam no trabalho ou ocupados, por isso gostei de conhecê-lo, Ciel. Confesso que já estava morrendo de tédio. - comentou em um tom divertido, afastando-se um pouco do rapaz para que ele pudesse realizar seu trabalho em paz. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
A aparência do outro era o ponto que mais chamava a atenção de Ciel. Não que achasse ruim, muito pelo contrário, era o detalhe mais curioso. Como vinha de uma cidade pequena, o número de pessoas com tatuagens e aparências mais chamativas eram bem menores.<br />
Mas bem, estava mais que acostumado a conversar com pessoas desajustadas desde… Sempre?<br />
<br />
Afastou a mão após o cumprimento, tinha algumas coisas ainda a fazer, mas não deixaria o outro falando sozinho.<br />
<br />
— Basta saber o tipo de planta. Se forem suculentas é muito mais fácil de se cuidar. — ponderou um pouco sobre o convite. Deveria aceitar o convite? Não teria muito mais oque fazer assim que terminasse esse trabalho, mas também havia acabado de conhecer — Hmmm, acho que não teria problema, assim posso dizer pessoalmente como cuidar das suas plantas — Bom, caso achasse o lugar estranho, poderia só dar meia volta e inventar alguma desculpa —Se não se importa, eu vou ir adiantando o trabalho!<br />
<br />
Deu as costas depois de avisar, pegando suas ferramentas. Aproveitou para continuar a conversa:<br />
<br />
— Mas então, o movimento é baixo em Cerise? Digo, não vejo tantas pessoas com tatuagens pela Cidade, então fico um pouco curioso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
- Ótimo! Mas… antes de me seguir, não é sensato avisar a senhorinha que você está indo embora? - questionou, embora já desse de ombros e começasse a andar ao lado do rapaz - São poucas plantas, para deixar o ambiente mais !vivo”. Não quero assustar meus clientes mais do que já os assusto. - brincou, uma brincadeira desnecessaria que de fato poderia vir a assustar alguém.<br />
<br />
Pôs-se a andar despreocupado ao lado de seu mais novo “amigo”. Colega, talvez. Enfim. O encarou de soslaio, discretamente, analisando-o dos pés à cabeça. Era um rapaz muito bonito, mas também o considerava”sem graça”. Teve enfim uma ideia.<br />
<br />
- Não sei como posso agradecer as dicas que vai me dar sobre como cuidar das minhas plantas… não guardo dinheiro no estúdio também. O que me diz de uma tatuagem gratuita? Pequena. Não vai se arrepender!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Não havia muito mais o que adiantar do serviço, apenas juntou o material e guardou dentro da bolsa que utilizava para carregar. Apenas riu com a pergunta do outro, fazendo um aceno negativo com a cabeça:<br />
<br />
- Ela não está em casa, ela pagou adiantado antes de sair. Como não tem muito mais o que resolver e era só uma manutenção, não tem problema! - Andou ao lado do rapaz tatuado, deixando que ele guiasse o caminho até o estúdio, acabou rindo do comentário dele sobre a própria aparência - Não vou mentir e dizer que não me assustei, especialmente por que você apareceu do nada! Foi mais um susto de ser pego desprevenido do que pela sua aparência. - Foi bastante sincero com as palavras. Conhecia várias pessoas que gostavam de tatuagens e outros tipos de coisa, mas as modificações do outro era bem mais extremas.<br />
<br />
Não eram exatamente do gosto de Ciel tatuagens, ou piercings, mas não podia dizer que não combinava com todo o visual do rapaz ao seu lado. Se viu perdido nos próprios pensamentos até que o outro lhe chamou a atenção, oferecendo uma troca pelas dicas que daria:<br />
<br />
- Não, não precisa de verdade! Acho tatuagens muito bonitas, porém certamente é algo que não me vejo tendo nem tão cedo ahaha… - riu um pouco sem graça. Não desconsiderou que quando era mais novo gostaria de ter uma tatuagem. Parecia uma ideia genial para o Ciel mais novo. Ficou feliz de ter repensado, pelo menos evitou de fazer uma que se envergonhasse pelo resto da vida - Eu fico feliz apenas em poder ajudar você, conte como uma cortesia por ter feito companhia enquanto eu terminava de cuidar daquele jardim!<br />
<br />
Sorriu, dando de ombros para a situação. Esperava que ele não se sentisse ofendido por ter recusado a oferta, mas sentia que tatuagens eram um comprometimento a longo prazo que preferia não ter, pelo menos por hora. Quem sabe no futuro?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Imaginou que o rapaz se assustaria com sua aparência, mas só por ele ter ficado e mostrado disposto a ensiná-lo, sentiu que aquele tedioso dia não havia sido em vão. estava verdadeiramente feliz por ter encontrado Ciel, contrastando completamente a aparência sombria do tatuador.<br />
<br />
- Ótimo! Então, na próxima vez que nos encontrarmos, lhe pago com uma mudinha muito bem cuidada por mim. O que me diz? - brincou, desferindo dois amigáveis tapinhas no ombro do florista, tendo subitamente uma ideia - Ei, Ciel… e se você cuidar das minhas plantas enquanto eu eu não estiver aqui? Costumo viajar bastante por conta do meu trabalho. Podia fazer como essa senhora e pagar adiantado. O que acha?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Cerise era uma cidade aparentemente pacata, poucas pessoas iam se tatuar. Tá certo que Gwen possuía uma clientela fixa que ia para o estúdio independente de onde se instalasse, mas existem dias que o moreno não faz absolutamente nada, ficando apenas no celular. Decidiu então naquela tarde ensolarada fechar mais cedo e dar uma caminhada sem compromisso. Como era de se esperar: pôs um óculos escuro para não assustar ninguém, um chapéu preto, uma blusa preta fina de manga comprida, uma calça jeans slim da mesma cor e um par de coturnos nos pés. Não assustaria ninguém, mas definitivamente chamaria atenção.<br />
<br />
Decidiu olhar algumas vitrines, parar para comprar um sorvete. Até que algo chamou sua atenção. Um belo jardim com flores amarelas - não sabia como se chamavam - estava sendo cuidadosamente bem tratado por um rapaz que nunca havia visto pela cidade. Achou curioso e bem mais interessante do que caminhar sozinho e como ele estava distraído, se aproximou sorrateiro do estranho, tomando bastante cuidado para não pisar em nada que comprometesse o bem-estar das plantas.<br />
<br />
- Você parece realmente gostar do que faz. - falou num tom baixo que assustaria qualquer pessoa. Mas sorriu, independente da reação alheia, simpático - Devo estar atrapalhando sua concentração… mas não pude deixar de vir para comentar: que belas flores! Esse jardim é seu?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Nos dias onde não ia cuidar dos jardins de St. Clavier, sempre era bom conseguir outros bicos para juntar dinheiro, e um desses era de cuidar dos jardins de outras pessoas que não tinham tempo para cuidar ou condições, no caso de algumas senhorinhas. Essa em questão já havia pedido para ajudar no jardim algumas semanas atrás, e como esperava havia pedido de novo uma breve manutenção para seus crisântemos.<br />
<br />
Chegou cedo na casa da senhorinha, e acabou recebendo adiantado, pois a própria teria de resolver alguns assuntos. Ciel agradeceu pela confiança e começou seu trabalho com as flores. Estava usando uma camisa listrada de mangas longas, calças jeans roxas, seu fiel chapéu de palha para proteger do sol, um par de botas amarelas e luvas, além de carregar as ferramentas que precisaria em uma bolsa.<br />
<br />
A situação das flores não era ruim, realmente só precisavam de uma manutenção. Algumas folhas secas, outras murchas. Anotou mentalmente que deveria avisar à cliente que talvez na próxima visita fosse bom aplicar um pouco de adubo para reforçar o solo. Começou a retirada das folhas secas com cuidado, prestando atenção para ver qualquer sinal de praga, quando depois de algum tempo sozinho, escutou uma voz baixa falar logo atrás do moreno, o que o quase fez cair por cima das flores com o susto. Olhou desconfiado de onde a voz veio e deu de cara com um rapaz um pouco mais baixo que o jardineiro e praticamente coberto da cabeça aos pés, sorrindo bastante satisfeito: <br />
<br />
- … AH! - Demorou um pouco para responder, ainda abaixado próximo as flores, mas ajeitou o chapéu sobre a cabeça antes de sorrir um pouco sem jeito - Você me assustou um pouco, na verdade ahaha… - bateu as luvas antes de retirá-las e deixar ambas de lado, e então se levantou - Não, não, a dona da casa apenas pediu que viesse cuidar do jardim! Ela gosta bastante desses crisântemos, e acredito que gostou também dos cuidados que eu fiz da última vez, então ela me chamou de novo - sorriu, satisfeito com o próprio trabalho. Até achava estranho a aparência um pouco suspeita do rapaz, mas aparentemente cuidar dos jardins alheios rendia encontros bem peculiares para o jardineiro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Riu baixinho ao ver que acabou assustando o rapaz, ficando feliz também por não ter sido nenhuma reação exagerada. Ao menos era alguém simpático, aparentava saber manter uma conversa. Deu um passo a frente, pondo-se ao lado dele para melhor espiar as flores, sem desfazer aquele sorriso satisfeito. Podia não entender de plantas, mas aquelas flores estavam lhe trazendo um sentimento bastante agradável, estava verdadeiramente interessado naquele jardim.<br />
<br />
- Desculpa assustá-lo. Gosto de entradas triunfais! - brincou, enquanto punha as mãos nos bolsos. Arregalou os olhos por trás dos óculos escuros, ao ouvir que o jardim não era dele - Oh, eu realmente pensei que fosse seu. Não sabia que estava apenas trabalhando nele. A dona do jardim deve confiar bastante em você, então! Chamando pela segunda vez! Uau. <br />
<br />
Apreciava os crisântemos - agora sabia o nome - com alegria, o que contrastava com aquela aparência. Não parecia ser um rapaz "sombrio", muito pelo contrário. Era alguém disposto a conversar com estranhos e curioso o suficiente para aprender coisas novas. gostava de sair da sua zona de conforto.<br />
<br />
- Crisântemos, hm? Anotado. Sempre gostei de flores, mas nunca aprendi nada sobre elas. No meu trabalho, tenho poucas plantas de estimação, mas as rego todos os dias. - comentava, finalmente se virando para o rapaz e estendendo a mão. As costas de sua mão era tatuada, e a tatuagem não parecia findar ali. Suas unhas também eram pintadas de preto e isso não fazia questão de esconder - Muito prazer, me chamo Gwen. Seu nome é?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
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A maneira como ele se vestia era bem contrastante com a personalidade, enquanto havia achado suspeito ter sido aproximado do nada por um sujeito completamente coberto, a maneira que ele falava era até engraçada. Achou engraçado ele gostar de “entradas triunfais”, certamente havia conseguido fazer isso muito bem, inclusive até demais.<br />
<br />
- Eu gostaria de ter uma casa com espaço para ter de fato um jardim, quem dera fosse minha! - brincou, pensando no apartamento pequeno que tinha aonde só conseguia criar algumas mudinhas de flores em alguns vasos - Pelo menos assim tenho certeza que ela está satisfeita com o trabalho, preciso garantir alguns clientes “fixos” hahah! - afinal não podia se garantir apenas com o trabalho de St. Clavier, precisava juntar mais um pouco de dinheiro.<br />
<br />
Sorria enquanto ele observava o seu trabalho nas flores, não que os mínimos detalhes fossem ser percebidos, mas o resultado num geral eram de plantas muito bem cuidadas e mantidas. Tinha bastante orgulho do que havia conseguido fazer com esses crisântemos. Quando o outro deu uma brecha para falar sobre plantas, acabou se desatando a falar.<br />
<br />
- Ah, é algo que leva um pouco de tempo, acaba sendo bastante tentativa e erro sabe? Você pode ler bastante sobre, mas cada planta acaba sendo bem diferente até mesmo entre elas! Inclusive eu diria para você ver como está o solo delas, pode estar precisando de nutrientes - compartilhou bastante empolgado sobre o assunto, o que deixava o sotaque britânico bastante aparente. Notou as tatuagens na mão e as unhas pretas quando o outro lhe estendeu a mão, mas não foi algo que exatamente o pegou de surpresa. Apenas apertou a mão do outro de volta, com a mão suave e muito bem cuidada que tinha, que era muitas vezes o oposto do que esperavam de um jardineiro.<br />
<br />
- Ciel Ellsworth, é um prazer conhecê-lo, Gwen! - sorriu simpático para o mais novo conhecido - Se tiver alguma dúvida como cuidar das suas plantas de estimação, podemos conversar sobre, quem sabe posso acabar ajudado?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Prestava uma atenção absurda em cada palavra proferida pelo loiro. Estava verdadeiramente interessado e se não estivesse, era educado o suficiente para ser uma boa companhia. O aperto de mão suave o fez notar que apesar de trabalhar com plantas e terra, Ciel possuía mãos delicadas. Estava acostumado com o jardineiro que tomava conta do seu quintal antes de vir morar em Cerise, rindo internamente com o contraste entre ambos. Talvez Jávier não depositasse tanto amor pelo que fazia como Ciel. Voltou a colocar a mão no bolso assim que o cumprimento havia acabado, mostrando-se bastante interessado com a sugestão.<br />
<br />
- Eu adoraria dicas! Tenho plantas que são presentes de clientes, nenhuma fui eu quem escolheu. As cuido sem conhecê-las, o que é um pouco frustrante. - sorria sem graça, voltando a atenção para as plantas - Se quiser vê-las depois daqui. Meu estúdio, que é onde moro, é aqui perto. Hoje estou sem clientes, por isso decidi dar uma passeada. Imagino que todos os meus amigos estejam no trabalho ou ocupados, por isso gostei de conhecê-lo, Ciel. Confesso que já estava morrendo de tédio. - comentou em um tom divertido, afastando-se um pouco do rapaz para que ele pudesse realizar seu trabalho em paz. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
A aparência do outro era o ponto que mais chamava a atenção de Ciel. Não que achasse ruim, muito pelo contrário, era o detalhe mais curioso. Como vinha de uma cidade pequena, o número de pessoas com tatuagens e aparências mais chamativas eram bem menores.<br />
Mas bem, estava mais que acostumado a conversar com pessoas desajustadas desde… Sempre?<br />
<br />
Afastou a mão após o cumprimento, tinha algumas coisas ainda a fazer, mas não deixaria o outro falando sozinho.<br />
<br />
— Basta saber o tipo de planta. Se forem suculentas é muito mais fácil de se cuidar. — ponderou um pouco sobre o convite. Deveria aceitar o convite? Não teria muito mais oque fazer assim que terminasse esse trabalho, mas também havia acabado de conhecer — Hmmm, acho que não teria problema, assim posso dizer pessoalmente como cuidar das suas plantas — Bom, caso achasse o lugar estranho, poderia só dar meia volta e inventar alguma desculpa —Se não se importa, eu vou ir adiantando o trabalho!<br />
<br />
Deu as costas depois de avisar, pegando suas ferramentas. Aproveitou para continuar a conversa:<br />
<br />
— Mas então, o movimento é baixo em Cerise? Digo, não vejo tantas pessoas com tatuagens pela Cidade, então fico um pouco curioso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
- Ótimo! Mas… antes de me seguir, não é sensato avisar a senhorinha que você está indo embora? - questionou, embora já desse de ombros e começasse a andar ao lado do rapaz - São poucas plantas, para deixar o ambiente mais !vivo”. Não quero assustar meus clientes mais do que já os assusto. - brincou, uma brincadeira desnecessaria que de fato poderia vir a assustar alguém.<br />
<br />
Pôs-se a andar despreocupado ao lado de seu mais novo “amigo”. Colega, talvez. Enfim. O encarou de soslaio, discretamente, analisando-o dos pés à cabeça. Era um rapaz muito bonito, mas também o considerava”sem graça”. Teve enfim uma ideia.<br />
<br />
- Não sei como posso agradecer as dicas que vai me dar sobre como cuidar das minhas plantas… não guardo dinheiro no estúdio também. O que me diz de uma tatuagem gratuita? Pequena. Não vai se arrepender!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Ciel</span></div>
<br />
Não havia muito mais o que adiantar do serviço, apenas juntou o material e guardou dentro da bolsa que utilizava para carregar. Apenas riu com a pergunta do outro, fazendo um aceno negativo com a cabeça:<br />
<br />
- Ela não está em casa, ela pagou adiantado antes de sair. Como não tem muito mais o que resolver e era só uma manutenção, não tem problema! - Andou ao lado do rapaz tatuado, deixando que ele guiasse o caminho até o estúdio, acabou rindo do comentário dele sobre a própria aparência - Não vou mentir e dizer que não me assustei, especialmente por que você apareceu do nada! Foi mais um susto de ser pego desprevenido do que pela sua aparência. - Foi bastante sincero com as palavras. Conhecia várias pessoas que gostavam de tatuagens e outros tipos de coisa, mas as modificações do outro era bem mais extremas.<br />
<br />
Não eram exatamente do gosto de Ciel tatuagens, ou piercings, mas não podia dizer que não combinava com todo o visual do rapaz ao seu lado. Se viu perdido nos próprios pensamentos até que o outro lhe chamou a atenção, oferecendo uma troca pelas dicas que daria:<br />
<br />
- Não, não precisa de verdade! Acho tatuagens muito bonitas, porém certamente é algo que não me vejo tendo nem tão cedo ahaha… - riu um pouco sem graça. Não desconsiderou que quando era mais novo gostaria de ter uma tatuagem. Parecia uma ideia genial para o Ciel mais novo. Ficou feliz de ter repensado, pelo menos evitou de fazer uma que se envergonhasse pelo resto da vida - Eu fico feliz apenas em poder ajudar você, conte como uma cortesia por ter feito companhia enquanto eu terminava de cuidar daquele jardim!<br />
<br />
Sorriu, dando de ombros para a situação. Esperava que ele não se sentisse ofendido por ter recusado a oferta, mas sentia que tatuagens eram um comprometimento a longo prazo que preferia não ter, pelo menos por hora. Quem sabe no futuro?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gwen</span></div>
<br />
Imaginou que o rapaz se assustaria com sua aparência, mas só por ele ter ficado e mostrado disposto a ensiná-lo, sentiu que aquele tedioso dia não havia sido em vão. estava verdadeiramente feliz por ter encontrado Ciel, contrastando completamente a aparência sombria do tatuador.<br />
<br />
- Ótimo! Então, na próxima vez que nos encontrarmos, lhe pago com uma mudinha muito bem cuidada por mim. O que me diz? - brincou, desferindo dois amigáveis tapinhas no ombro do florista, tendo subitamente uma ideia - Ei, Ciel… e se você cuidar das minhas plantas enquanto eu eu não estiver aqui? Costumo viajar bastante por conta do meu trabalho. Podia fazer como essa senhora e pagar adiantado. O que acha?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Let's (finally) be friends [Leona]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=290</link>
			<pubDate>Sun, 26 Sep 2021 02:14:08 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=65">Eveline</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=290</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Fazia já um certo tempo que estava na cidade aproveitando a amiga, mas a policial sentia também que algo não estava certo. Não conhecia bem aquela que dividia o apartamento com Carissa, sabia que deveria tê-lo feito a mais tempo. Não era muito entendida do tal "traquejo social", mas entendia que havia uma certa hostilidade por parte da loira e que deveria se aproximar da mesma de alguma forma. Naquela tarde comum, ao final do expediente, não esperou a amiga e sim foi até a mesa daquela conhecida como "lioness", pousando a destra ali, observando Leona dando conta da papelada. Seu olhar como sempre era frio, inexpressivo. Mas naquele instante, pareceu se esforçar.<br />
<br />
- Mais tarde. No seu apartamento. Vamos assistir um filme. Juntas. - e um sorriso mínimo, quase imperceptível se fez presente. Talvez aquilo fosse o suficiente, talvez não. Mas estava tentando e sabia que aquilo daria bons frutos. Ao menos Carissa ficaria feliz ao saber que Eveline queria se dar bem com outras pessoas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A loira estava se acostumando com a rotina de Cerise, e era algo que a preocupava, tinha receio de ficar “enferrujada” ou mesmo “mole” em uma cidade onde pouca coisa acontecia. Então tinha dedicado seus dias para buscar rastros de investigações e coisas para se ocupar. Não tinha feito amigos na delegacia, porque a maioria dos oficiais gostava do ritmo calmo e tranquilo, e achavam na loira um problema a “tara por trabalho” como gostavam de falar nos corredores. Tinha Carissa com quem dividia o apartamento, contas e etc, era uma companhia as vezes irritante, mas na maior parte das vezes bem mais agradável que todo o resto da cidade. Mas claro, tinha se esquecido completamente que ela tinha uma amiga que agora morava e trabalhava ali, ou melhor, talvez fosse da natureza da oficial ter aquele perfil tão “apagado”.<br />
<br />
Ouviu o comentário, direcionado a si, e estranhou, a primeira reação foi franzir as sobrancelhas o que lhe deixava com uma expressão mais irritadiça do que a costumeira. Olhou para a mesa onde Carissa trabalhava para se certificar de que não era pra ela, e só então voltou a atenção para a mais nova: -- O apartamento não é meu, é da Carissa. -- Pontuou aquilo, porque de fato, não podia ficar convidando gente pra dentro de casa, assim do nada, porque não era sua casa, e sim de Carissa: -- Mas não acho que ela vá se importar se você for, pode ser. Mas eu ainda vou demorar aqui, antes de sair.<br />
<br />
Explicou seu ponto, voltando ao trabalho que estava resolvendo. Nem perguntou o filme, porque já imaginava que ia ser alguma coisa de ação policial, do tipo que não fazia o menor sentido. Suspirou sem perceber.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Piscou algumas vezes, arqueando ambas as sobrancelhas - mas ainda com aquela falta de expressão típica -, verdadeiramente surpresa com a resposta. Havia conseguido uma resposta positiva tão rápido?? Talvez a convivência com Carissa e a pouca que tivera com Jack tivessem feito a policial ganhar um pouco do tal "traquejo social" que a acusavam de não ter. Assentiu enfim com a cabeça, puxando a cadeira e sentando-se ali sem pensar duas vezes.<br />
<br />
- Sei bem que a casa é da Carissa, mas vocês vivem juntas, como um casal. - falava aquilo casualmente, sem ver maiores problemas com a afirmativa. Continuou - A casa acaba sendo tão sua quanto dela. - olhou rapidamente para a papelada que a loira mexia, antes de voltar a encará-la - Eu espero.<br />
<br />
E ali ficou, parada. Pensativa. Levou o indicador até o queixo, pondo-se a pensar nos títulos que poderiam apresentar a mais velha. Só assistia filmes com Carissa e sempre eram policiais. Achava meio óbvio Leona conhecer a maioria. Mas se arriscaria no último que estava para ver, dessa vez sozinha.<br />
<br />
- Como moramos no mesmo prédio, vou passar em casa para pegar o filme. Esse filme nem Carissa viu ainda. Vou deixar com você, para quem sabe você assistir depois com ela. - dizia, tentando ser o mais simpática possível com aquele olhar de peixe morto. Estava orgulhosa de si mesma por estar mantendo um assunto com outra pessoa, conversando tanto. Carissa também ficaria orgulhosa. Depois da experiência, definitivamente compartilharia com a outra policial.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Imaginava que depois do seu comentário a mais nova fosse sair, ir para o apartamento dela, fazer qualquer coisa e não ficar exatamente sentada do seu lado, esperando que terminasse seu horário de trabalho. Revirou os olhos, ciente de que teria de aturar a outra, já que tinha acabado seu horário, ela não tinha qualquer obrigação de ajudar. Respirou fundo, juntando a pilha de papéis, e guardando em uma das gavetas de sua mesa. fez anotações de números de telefones que precisavam ser confirmados e pessoas serem contactadas:<br />
<br />
-- Não precisa esperar, eu faço o resto amanhã. -- comentou  a contragosto, e lançou um olhar de reprovação quando ela comentou como se as duas fossem um casal: -- Mesmo que fossemos, o que não é o caso, isso não seria algo pra ser conversado em local de trabalho. -- Desviou do assunto, porque a última coisa que queria eram fofocas sobre si no departamento de polícia sobre seus relacionamentos amorosos. Além de ser norma, que policiais não devem se relacionar, para não causar problemas em investigações policiais.<br />
<br />
-- Em casa, pedimos janta, eu não cozinho. E aproveitamos pra deixar pra Carissa, que vai pegar o turno noturno e vai chegar tarde em casa. -- apenas lembrou de mandar mensagem pra Carissa avisando do ocorrido, até porque apenas avisava quando ia assistir algum jogo de algum dos seus times, e não costumava assistir filmes ou seriados, então, a morena mais nova provavelmente estranharia.<br />
<br />
Foi para o seu próprio apartamento, deixando que Eveline seguisse para o seu, e apenas atentou-se de tomar um banho e tirar a roupa de trabalho, e colocar algo mais confortável. Como era verão, optou por um short de babydoll e uma blusa dos NYCs, que era sua companheira para assistir TV. Esperaria Eveline para saber que tipo de comida pedir, enquanto isso, lembrou de por ração e água para a bola de pêlo que dividia o apartamento com as duas oficiais, pegou o bichano no colo, avisando-o: -- Olhe, vamos assistir um filme hoje, novidades na minha vida Kit, não na sua é claro, porque você sempre assiste com a Carissa.  -- devolveu o gato para o chão em seguida, sacudindo a cabeça negativamente: “devia está trabalhando”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Como era péssima lendo outras pessoas, não entendeu o porquê de Leona ter ficado irritada. Ela estava de fato irritada? Não via problema algum em esperar, afinal, já havia adiantado o serviço. E falar sobre Carissa a incomodava? Estava ciente que existiam certas restrições sobre conversas no trabalho. Sabia identificar bem um assédio, mas… desde quando falar sobre o relacionamento das duas era proibido? Bom, deu de ombros. Não falaria mais nada a respeito enquanto estivessem ali. Por não ter o menor tato com outras pessoas, preferia evitar conflito para não irritá-las ainda mais.<br />
<br />
- Certo. Estou ansiosa. - e de fato estava, muito embora seu semblante dissesse o contrário. Após aquela conversa, arrumou suas coisas e seguiu para seu próprio apartamento.<br />
<br />
Tomou um banho e trocou de roupa. Vestiu um short jeans e uma camiseta regata branca. Nos pés, sandálias de casa. Não tinha pra quê se arrumar para ir até a casa ao lado, mas ainda passou alguns minutos frente ao espelho se perguntando se deveria. Não sabia as “regras” que deveria seguir, lidar com pessoas era difícil. Suspirou, resignada, desistindo enfim de tentar tão duramente e seguiu até onde a loira estaria. Aquela pequena reflexão frente ao espelho ocasionou um atraso de poucos minutos, mas nada muito exorbitante. E lá estava Eveline, apertando a campainha do apartamento de Carissa para assistir filme com Leona. Estava apenas com o DVD em mãos.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Não restava muita coisa para a loira fazer além de esperar, não podia começar nenhum trabalho, e nem tinha nenhum jogo passando na TV, nem a reprise pra poder se entreter, ainda assim, ligou na ESPN e ficou assistindo homens velhos falando sobre futebol de 30 anos atrás enquanto Eveline não chegava. Quando escutou as batidas na porta, abriu a mesma dando passagem para a mais nova:<br />
<br />
-- Você demorou, quase pensei que tinha desistido. -- comentou apenas a critério de reclamação porque era de sua natureza: -- foram 7 minutos de atraso. <br />
<br />
Fechou a porta depois que a mais nova adentrou no espaço, deixando-a livre para escolher onde ela se acomodaria, mas pouco antes da morena com pouca expressão de fato se mover dentro do apartamento, kitty se moveu de forma ágil dando um bote na perna da mais nova, com arranhões pouco impactantes e depois correndo para trás do sofá novamente, como se esperasse que a nova visitante fosse brincar com ele:<br />
<br />
-- Kitty! Se comporte! -- a loira reclamou com o gato respirando fundo e pondo as mãos na cintura: -- Vamos pedir comida antes de assistir porque é o tempo da comida chegar, se esperarmos o filme acabar, vamos acabar é com fome.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Assim que a loira a atendeu, se surpreendeu com o sermão, erguendo os ombros mas como sempre, não esboçando nenhuma expressão muito evidente. Apenas assentiu com a cabeça, aceitando o próprio erro enquanto entrava no apartamento alheio, estendendo o dvd para mostrar que não havia esquecido do mesmo.<br />
<br />
- Eu acho que você vai gostar do filme porq-- - fora interrompida com aquele bote súbito em sua perna. Virou-se para o bichano e sua reação acabou sendo bastante explícita devido as bochechas rosadas. - Kitty…<br />
<br />
Se agachou, vendo onde o gatinho havia se escondido. Sorriu quase que imperceptivelmente, gostando da presença do animal ali. Sim, Eveline era uma amante de gatos - talvez por se comportar como uma.<br />
<br />
- Gosto de gatos, não precisa se preocupar. Posso brincar com ela enquanto esperamos a comida. - sorriu uma última vez pra felina, levantando-se para se dirigir enfim até o sofá. - Pensei em pedirmos uma pizza… tudo bem para você?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Encarou as reações novas que jamais tinha visto no rosto da amiga de Carissa, e era verdade o que diziam sobre pessoas introvertidas, elas eram como animais, se davam bem com outros animais. Observou quando a menor se levantou e seguiu até o sofá indicando para pedirem uma pizza. Como toda boa novaiorquina, Leona era expert em pedir comida, então puxou o aparelho e buscou na lista de locais de comida confiáveis para pedir:<br />
<br />
-- Quais sabores você come? Você não é do tipo vegetariana, “não vou comer bixinhos porque gosto de gatos e cachorros” não é? -- a loira falou em seu usual tom ranzinza, mas sem de fato estar chateada ou irritada era apenas seu jeito amistoso de ser.<br />
<br />
Kitty fez charminho sem sair de debaixo do sofá inicialmente e apenas quando a visitante ousou ir até seu sofá o gato deu outro bote nas pernas da convidada para logo após voltar para seu esconderijo debaixo do móvel. Ficou de lá acertando mortalmente com suas patinhas felpudas a fim de expulsar a intrusa de seus domínios.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Balançou a cabeça negativamente quando ouviu a pergunta da outra:<br />
- Não, não… eu gosto de animais e me dou bem com alguns. Mas não sou vegetariana. Acho que não conseguiria viver sem carne. - soltou a observação por último, surpreendentemente bem-humorada. Ainda que praticamente imperceptível, para quem convivia com Eveline no trabalho seria relativamente fácil notar as discretas expressões no semblante da jovem - Gosto de pizza de atum e carne-seca. Mas não tenho frescura quanto a sabores diferentes.<br />
<br />
Se assustou ao receber o bote na perna, mas não saiu do lugar. Curvou o torso, ainda sentada, para observar o bichano estressado. Brincava com ele dedilhando o pé do sofá, como se o chamasse para oferecer carinho. Enquanto Leona estava no telefone, algo lhe passou pela cabeça.<br />
<br />
- Leona, acho que nunca perguntei para você… - voltou a sentar com a postura normal - ...você gosta de morar com a Carissa?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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Estava ao telefone ouvindo o atendente repetir a lista de sabores que já conhecia desde a primeira vez que tinha ligado, mas que o mesmo repetia por “ordens da empresa” e pediu a mesma coisa que pedia sempre para si e Carissa, algo com carne, queijo, presunto, bem servido, e olhou de esguelha, pensando que a carne seca da França conseguia ser bem ruim pro seu paladar desfuncional. Estava prestes a resolver a forma de pagamento quando ouviu a pergunta nada convencional, mas extremamente comum da outra:<br />
<br />
-- Quê? Ah… não, certo, mande a maquininha, sim, o endereço que tá cadastrado… -- desligou o aparelho, e encarou a mais nova com um olhar desconfiado pela pergunta lançada sem qualquer preparação:<br />
<br />
-- gostar não é bem a palavra, é cômodo, confortável, não posso dizer que eu desgosto, eu morava num apartamento pequeno em NY, só a casa do meu pai que é grande, mas no geral, eu me adapto fácil a rotinas, e apesar de tudo indicar o contrário, Carissa é muito organizada com a própria rotina. -- Comentou jogando os fios longos soltos atrás dos ombros e buscando algo na geladeira pra beber: -- você bebe cerveja? se não, têm suco e água. -- comentou tentando continuar conversando.<br />
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Kitty depois de vinte centavos de insistência e depois de cheirar de forma arisca na direção dos dedos da invasora, resolveu dar a oportunidade da mesma provar seu valor e tocar seu belíssimo pêlo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Prestou atenção em tudo minuciosamente, desde a desligada do telefone até - principalmente - a resposta para sua pergunta. Parecia um felino curioso. Lembrou de outro loiro conhecido, Jack, sabendo que Leona também o conhecia. Imaginou por um segundo a dinâmica dos dois considerando a personalidade do loiro e sabendo que a leoa não deixaria passar um comentário sequer do outro. A cena em sua cabeça acabou sendo hilária, o que a fez sorrir, mais uma vez, quase que imperceptivelmente.<br />
<br />
- Entendi… então você gosta dela… - não especificou o gostar mas para a policial, já estava implícito que o gostar era de amizade, de estar com ela.  Assentiu com a cabeça em resposta a segunda pergunta - Sim, bebo cerveja. Só sou um pouco fraca para álcool.<br />
<br />
Quando a gata se fez presente, não hesitou em acariciá-la enfim, divertindo-se bastante em poucos minutos ainda que não expusesse aquilo em seu semblante. Enquanto fazia carinho no bichano metido, sentiu curiosidade e quis fazer mais perguntas.<br />
<br />
- Leona… você já criou laços com pessoas que já trabalharam com você, laços estes tão fortes a ponto de não querer se separar…? - a pergunta saiu com um quê de melancolia, mas novamente, nada mudou no rosto da jovem. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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Não sabia exatamente onde toda aquela conversa iria chegar, em verdade preferia quando as pessoas eram diretas consigo, porque não gostava de ficar lendo elas, além do necessário fora do trabalho, além de ser desgastante pra cabeça da policial, ainda era invasivo com o espaço pessoal do outro. Respirou fundo quando a mais nova chegou a conclusão que a loira gostava de Carissa, nunca disse que desgostava dela, em verdade  convivência era mais agradável do que a ideia parecia no começo daquele arranjo todo. <br />
<br />
Se surpreendeu com as respostas de Kitty a morena mais nova, e torceu a expressão numa mal humorada: “gata traíra”, resmungou para si mesma, indo até a geladeira para buscar um par de latas de cerveja, bem em tempo de escutar aquele comentário sobre criar laços, fechou a porta do congelador num sonoro paft, e espiou com mais atenção as expressões de Eveline, conseguindo ler claramente que aquela pergunta tinha uma roupagem bem diferente das demais:<br />
<br />
-- Não sei, “laços” é bem vago, que tipo de laço? Forte como? E qual o motivo da separação? Mudança de emprego, mudança de moradia? -- fez uma breve pausa para estender a lata de cerveja na direção da outra bem em tempo de completar o próprio comentário: -- … morte?! <br />
<br />
Esperou que a mais nova pegasse a lata em mãos, para sentar na poltrona na diagonal da mais nova, em local que poderia observá-la melhor e dar-lhe espaço necessário, não sabia de quê, mas estava com um pressentimento estranho do rumo daquela conversa, então era melhor se manter atenta. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Brincava com a gata que finalmente havia lhe dado espaço para fazê-lo, acarinhando-a dos pés à pontinha do rabo, dando a atenção que o animal provavelmente queria. Parou apenas para voltar a sentar devidamente no sofá, aguardando o retorno da loira. Eram muitas perguntas, mas responderia todas. Pegou uma lata de cerveja e a abriu sem muita dificuldade, dando o primeiro gole.<br />
<br />
- Eu nunca criei laços com ninguém. Nunca tive bom traquejo social. Sempre fui apelidada por várias coisas, justamente por não saber lidar. E bem, nunca entendi que eram coisas ruins. A Carissa… é minha primeira, única... e preciosa amiga. Quero que sinta orgulho de mim e veja que estou dando meu melhor. Me esforçando. Não por ela… mas por mim.<br />
<br />
Falar demais era uma visível tortura para a policial de cabelos curtos, dando uma larga golada na bebida antes da pizza chegar. Estendeu o braço para pegar o filme, deixando-o sobre a mesa de centro, indicando que talvez já fosse a hora de assistí-lo.<br />
<br />
- Depois que vim para Cerise me reencontrar com Carissa, vi que ela estava bem… com você. Tinha conseguido uma outra amiga, que a protegia. Não só você, sabe? Tem todos do trabalho, o vizinho grisalho, o seu amigo alto, Jack. Tem também a tal Talulah, que eu só vi uma vez. Enfim…<br />
<br />
Respirou fundo mais uma vez. Parecia nervosa.<br />
<br />
- Carissa não precisa mais de mim. Não vigiando-a vinte quatro horas. Ela tem pessoas que cuidam e gostam dela. Por isso, tomei uma decisão… - retirou do bolso do short um papel amassado, estendendo-o para a loira. Estava com um olhar determinado - Fui mais uma vez convidada para participar do UCLAT, Leona. E dessa vez… vou aceitar. Quero falar isso para a Carissa, mas antes… precisava ter certeza. Que vocês… eram amigas.<br />
<br />
Falar tanto assim como não era acostumada, cansou a mais baixa. Foi alisar a gata mais uma vez, para depois tomar uma golada da cerveja - cerveja esta que estava definitivamente ajudando-a a colocar tudo o que precisava para fora. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Ouviu a fala completa da mais jovem, até parecia que o ato de abrir a latinha, Eveline tinha aberto a própria boca, estava cansada do trabalho e não queria ficar avaliando demais o perfil da mais nova. Afinal, fazer seu trabalho fora do trabalho, não era nada saudável, então ia se dar ao luxo de dar a própria opinião de forma despretensiosa, se isso for ter um impacto negativo ou não na mais nova, não era a terapeuta dela pra poder medir o estrago daquilo:<br />
<br />
-- O engraçado é que você fala como se a Carissa fosse uma completa incompetente e não conseguisse fazer absolutamente nada sem ajuda de qualquer outra pessoa. O que você, sendo amiga dela, deveria saber melhor que ninguém que ela não é. -- Abriu a própria lata de cerveja, tomando um generoso gole, sentindo mais o álcool do que o gosto da mesma descer garganta abaixo: -- O fato é, a Carissa veio pra Cerise, só, arrumou esse apartamento, trabalhou duro, e se virou muito bem, sem você e muito bem antes da minha chegada, e faz o trabalho melhor que qualquer outra pessoa na delegacia, e isso é mérito só dela, não é da ajuda de qualquer terceiro não. <br />
Pontuou aquilo, olhando o filme estendido em sua direção, e deixando a lata de lado para pegar a caixa de DVD e e ligar a televisão e o aparelho, para ao menos deixar o mesmo no menu de iniciar antes de fato de começar a assistir a pizza nem tinha chegado ainda:<br />
<br />
-- Agora sobre a sua decisão de ir pra UCLAT, eu me pergunto o que isso têm haver com a Carissa, afinal, porque a sua vida, teria de ser dependente da dela? Olha, eu não sou sua amiga, e nem lhe conheço a muito tempo, mas pra mim, essa justificativa é “bullshit” -- Voltou a pegar a lata de cerveja tomando outro gole generoso, e sentindo-se mais relaxada até: -- Você acha mesmo que indo pra UCLAT você vai está fazendo algum benefício pra Carissa? ela vai lhe desejar boa sorte, vai ficar um pouco triste com a sua partida, mas a vida dela continua, e você? Vai aceitar um trabalho super exigente do seu estado mental e emocional com essa mentalidade infantil, digna de uma aluna de colegial? Eu nunca trabalhei lá, mas dizem que é o equivalente ao nosso FBI, e eu posso dizer por experiência própria que não é um trabalho leviano, que você possa ir lá, achando que vai fazer menos do que você faz em uma delegacia de uma cidade de interior. Se for tomar alguma decisão importante sobre sua vida, justifique isso em cima de você mesma, e não em cima dos outros, e esteja ciente do impacto disso, senão é apenas bobagem melodramática.<br />
<br />
Girou a mão fazendo um gesto breve, até ouvir a campainha tocar, era o entregador de pizza, puxou a carteira e se levantou para pagar, deixando sua latinha de cerveja pela metade em cima da mesa de centro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Não se sentiu ofendida com nada que Leona lhe dissera, pelo contrário. Aquilo foi um tapa na cara completamente necessário que acabou fazendo a policial abrir os olhos. Obviamente ficou envergonhada, mas nada falou, apenas a escutou até o fim, acompanhando a loira com o olhar. Carissa ainda era um tabu, falar da amiga ainda a fazia se perguntar muitas coisas, perguntas estas que foram parcialmente respondidas com todas aquelas verdades doloridas proferidas pela mais velha. Embora não se considerasse tão ingênua e infantil como a outra dissera, concordou que estava subestimando Carissa. Concordou também que não tinha mentalidade para aceitar um trabalho que exigia tanto como na UCLAT se a justificativa fosse a Carissa e não a própria Eveline. Cerrou um punho, mas o interessante foi: continuou encarando Leona, não desviou o olhar um segundo sequer. Era possível notar pequenas reações, tão imperceptíveis que uma pessoa que não a conhecia sequer notaria: frustração, reflexão, irritação. Mas no final, relaxou os punhos e respirou fundo, resignada. Apenas quando Leona parou de falar que desviou o olhar. Ignorou o filme que passava e pensou em respondê-la de imediato, ao ouvir a campainha tocar. Esperou que a mulher atendesse a porta, levantando-se e enfiando a mão no bolso do short, retirando dinheiro dali. Pagaria a sua metade. Se aproximou de Leona para ajudá-la com a pizza e entregar o dinheiro. Parecia pensativa, mas não demorou para entreabrir os lábios e enfim se pronunciar ante tudo aquilo:<br />
<br />
- Obrigada Leona pela sinceridade. - continuou - Me fez perceber que… a única pessoa presa aqui sou eu. Carissa é uma ótima amiga, com um ótimo potencial. Mas não posso tomar uma decisão tão importante me baseando nela… todas as minhas decisões desde que a conheci, foram baseadas nela. Até vir para Cerise. E isso… isso não é algo que eu possa me orgulhar. Não é maduro e estou colocando uma responsabilidade inexistente nos ombros dela. Preciso começar a agir mais por mim e menos pelos outros. O problema nunca foi a Carissa, podia ser qualquer pessoa… que estivesse comigo naquela época. O problema de fato, sou eu. - falava aquilo com certa melancolia. Mas permanecia firme - Você é uma boa pessoa, Leona. Mais uma vez, obrigada por me fazer ver. - sabia onde ficava os pratos, retirando dois do móvel - Então… vamos comer essa pizza enquanto assistimos ao filme?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Nem precisava usar dos seus conhecimentos de perfiladora pra saber que as palavras que tinha dito, iriam atingir em algum lugar da mais nova, mas não conseguiu ver nada no rosto dela que indicasse isso, mas por experiência, sabia que tinham pessoas que escondiam muito bem seus sentimentos por trás de um rosto impassível. Pagou a pizza, e recebeu o dinheiro da mais nova, não que precisasse, mas aceitava pra evitar um pequeno desentendimento por culpa de comida, deixou uma das pizzas no forno do fogão, para quando Carissa chegasse do trabalho, e levou a caixa para a sala, nada de pratos ou garfos, quem é que comia pizza de garfo e faca? Pegou apenas alguns guardanapos para ajudar a lidar com a gordura da comida. Ouviu o relato da menor sobre como estava sendo infantil, e acenou positivamente concordando com o que ela estava dizendo, e concordou novamente quando ela disse que o problema era ela, e não Carissa ou qualquer outra pessoa, arqueou a sobrancelha pelo agradecimento da mais nova. Já tinha pego uma fatia de pizza e estava mastigando enquanto ouvia o relato todo, sentia que estava acontecendo um drama maior do que o necessário sobre a situação, mas aceitou o agradecimento da morena menor, no entanto, se sentia em posição de devolver aquela conversa, ao menos pra encerrar o assunto, e oferecer um ponto de vista um pouco diferente, já que tinha uma vivência completamente diferente da de Eveline:<br />
<br />
-- Talvez seja só a forma como você encara suas relações próximas de amizade. Não sei se você consegue perceber isso ou se é algo que passa despercebido.-- pegou a lata de cerveja que tinha deixado de lado, para molhar a garganta, antes de continuar o seu relato:<br />
-- Por exemplo, você conheceu o Jack, sabe que eu e ele somos amigos atualmente, mas já fomos namorados no passado, quando eu tinha 17 anos e ele tinha 20. -- Lembrar daquela época lhe trazia a mente várias recordações de como era tola pra lidar com todas essas relações pessoais: -- Não ficamos juntos por muito tempo, até porque o Jack sempre foi do tipo que corria de qualquer compromisso ou relacionamento sério, e bem, eu tinha dezessete anos, estava terminando um mestrado em direito enquanto fazia minha graduação em psicologia forense, e não tinha qualquer maturidade pra lidar com o nosso término. <br />
<br />
Encarou Eveline bem ciente, de que aquela conversa parecia sem sentido, mas se deu tempo de pegar outra fatia de pizza para mastigar, apreciar  e engolir, antes de continuar: -- Apesar de ter ficado com raiva, eu lidei com isso, e continuamos amigos, mudamos, com certeza, ele passou um tempo distante, mas no final das contas, a confiança entre nós, atualmente é muito maior do que quando éramos namorados. Apesar dele ter o jeito esquivo dele, se eu pedir ajuda com qualquer coisa, ele vai sair do fim do mundo pra tentar ajudar, e o contrário também é válido, se ele bater na minha porta 4 horas da manhã, eu vou reclamar mas vou tentar ajudar, e é assim que funciona. -- Terminou de comer outra fatia de pizza, falando mais tranquila do que já estivera em muito tempo, ou que poderia já ter mostrado para a morena mais nova: -- As pessoas mudam, a relação entre as pessoas muda também, e você precisa ir se acostumando que isso faz parte do processo de ser um adulto. Você não precisa estar sempre sendo útil ao seus amigos, ou eles a você, as vezes vocês podem só tá existindo cada um no seu canto e tá tudo bem, sem alarde.<br />
<br />
Não sabia se a menor tinha compreendido seu ponto, mas já tinha feito sua parte de tentar por alguma ideia diferente pra ela pensar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Quando viu que não precisaria de pratos, guardou-os prontamente e seguiu com a loira para a sala. Pegou um dos guardanapos e já foi escolhendo sua fatia, levando-a a boca e dando uma generosa mordida. Enquanto comia, Eveline não ficava inexpressiva; suas bochechas coravam e um sorriso mais evidente se formava. Era fato que Leona havia aberto seus olhos, mas não esperava que ela lhe compartilharia um fato de sua vida. Após uma golada na cerveja, fez menção em pegar o controle remoto para dar play, mas não o fez. Preferiu ouvir do começo ao fim.<br />
<br />
Como já se sentia mais à vontade com Leona, a revelação de que a mesma namorou Jack a fez arquear ambas as sobrancelhas. Mas permaneceu calada até o fim, pois sabia que chegariam a um objetivo - e de fato, chegaram. Leona por trás daquele jeito marrento, era uma pessoa gentil. Assentiu com a cabeça, concordando com a "moral" daquele desfecho. Mudanças não são para ser encaradas como o fim do mundo. Carissa continuará sua amiga, independente de como tratá-la. E precisava começar a tratá-la com menos preocupação envolvida, afinal, nunca foi Carissa que precisava dela e sim o contrário. Respirou fundo, resignada. E ante tudo aquilo, só conseguiu responder uma coisa:<br />
<br />
- Ainda bem que você e o Jack não são mais um casal. Não seria saudável para nenhum dos dois... ou de nós. - sim, isso foi Eveline tentando ser engraçada, com seu inexpressivo e típico semblante. Mas no final, alargou só um pouco o sorriso - Vamos enfim assistir o filme?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Fazia já um certo tempo que estava na cidade aproveitando a amiga, mas a policial sentia também que algo não estava certo. Não conhecia bem aquela que dividia o apartamento com Carissa, sabia que deveria tê-lo feito a mais tempo. Não era muito entendida do tal "traquejo social", mas entendia que havia uma certa hostilidade por parte da loira e que deveria se aproximar da mesma de alguma forma. Naquela tarde comum, ao final do expediente, não esperou a amiga e sim foi até a mesa daquela conhecida como "lioness", pousando a destra ali, observando Leona dando conta da papelada. Seu olhar como sempre era frio, inexpressivo. Mas naquele instante, pareceu se esforçar.<br />
<br />
- Mais tarde. No seu apartamento. Vamos assistir um filme. Juntas. - e um sorriso mínimo, quase imperceptível se fez presente. Talvez aquilo fosse o suficiente, talvez não. Mas estava tentando e sabia que aquilo daria bons frutos. Ao menos Carissa ficaria feliz ao saber que Eveline queria se dar bem com outras pessoas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A loira estava se acostumando com a rotina de Cerise, e era algo que a preocupava, tinha receio de ficar “enferrujada” ou mesmo “mole” em uma cidade onde pouca coisa acontecia. Então tinha dedicado seus dias para buscar rastros de investigações e coisas para se ocupar. Não tinha feito amigos na delegacia, porque a maioria dos oficiais gostava do ritmo calmo e tranquilo, e achavam na loira um problema a “tara por trabalho” como gostavam de falar nos corredores. Tinha Carissa com quem dividia o apartamento, contas e etc, era uma companhia as vezes irritante, mas na maior parte das vezes bem mais agradável que todo o resto da cidade. Mas claro, tinha se esquecido completamente que ela tinha uma amiga que agora morava e trabalhava ali, ou melhor, talvez fosse da natureza da oficial ter aquele perfil tão “apagado”.<br />
<br />
Ouviu o comentário, direcionado a si, e estranhou, a primeira reação foi franzir as sobrancelhas o que lhe deixava com uma expressão mais irritadiça do que a costumeira. Olhou para a mesa onde Carissa trabalhava para se certificar de que não era pra ela, e só então voltou a atenção para a mais nova: -- O apartamento não é meu, é da Carissa. -- Pontuou aquilo, porque de fato, não podia ficar convidando gente pra dentro de casa, assim do nada, porque não era sua casa, e sim de Carissa: -- Mas não acho que ela vá se importar se você for, pode ser. Mas eu ainda vou demorar aqui, antes de sair.<br />
<br />
Explicou seu ponto, voltando ao trabalho que estava resolvendo. Nem perguntou o filme, porque já imaginava que ia ser alguma coisa de ação policial, do tipo que não fazia o menor sentido. Suspirou sem perceber.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Piscou algumas vezes, arqueando ambas as sobrancelhas - mas ainda com aquela falta de expressão típica -, verdadeiramente surpresa com a resposta. Havia conseguido uma resposta positiva tão rápido?? Talvez a convivência com Carissa e a pouca que tivera com Jack tivessem feito a policial ganhar um pouco do tal "traquejo social" que a acusavam de não ter. Assentiu enfim com a cabeça, puxando a cadeira e sentando-se ali sem pensar duas vezes.<br />
<br />
- Sei bem que a casa é da Carissa, mas vocês vivem juntas, como um casal. - falava aquilo casualmente, sem ver maiores problemas com a afirmativa. Continuou - A casa acaba sendo tão sua quanto dela. - olhou rapidamente para a papelada que a loira mexia, antes de voltar a encará-la - Eu espero.<br />
<br />
E ali ficou, parada. Pensativa. Levou o indicador até o queixo, pondo-se a pensar nos títulos que poderiam apresentar a mais velha. Só assistia filmes com Carissa e sempre eram policiais. Achava meio óbvio Leona conhecer a maioria. Mas se arriscaria no último que estava para ver, dessa vez sozinha.<br />
<br />
- Como moramos no mesmo prédio, vou passar em casa para pegar o filme. Esse filme nem Carissa viu ainda. Vou deixar com você, para quem sabe você assistir depois com ela. - dizia, tentando ser o mais simpática possível com aquele olhar de peixe morto. Estava orgulhosa de si mesma por estar mantendo um assunto com outra pessoa, conversando tanto. Carissa também ficaria orgulhosa. Depois da experiência, definitivamente compartilharia com a outra policial.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Imaginava que depois do seu comentário a mais nova fosse sair, ir para o apartamento dela, fazer qualquer coisa e não ficar exatamente sentada do seu lado, esperando que terminasse seu horário de trabalho. Revirou os olhos, ciente de que teria de aturar a outra, já que tinha acabado seu horário, ela não tinha qualquer obrigação de ajudar. Respirou fundo, juntando a pilha de papéis, e guardando em uma das gavetas de sua mesa. fez anotações de números de telefones que precisavam ser confirmados e pessoas serem contactadas:<br />
<br />
-- Não precisa esperar, eu faço o resto amanhã. -- comentou  a contragosto, e lançou um olhar de reprovação quando ela comentou como se as duas fossem um casal: -- Mesmo que fossemos, o que não é o caso, isso não seria algo pra ser conversado em local de trabalho. -- Desviou do assunto, porque a última coisa que queria eram fofocas sobre si no departamento de polícia sobre seus relacionamentos amorosos. Além de ser norma, que policiais não devem se relacionar, para não causar problemas em investigações policiais.<br />
<br />
-- Em casa, pedimos janta, eu não cozinho. E aproveitamos pra deixar pra Carissa, que vai pegar o turno noturno e vai chegar tarde em casa. -- apenas lembrou de mandar mensagem pra Carissa avisando do ocorrido, até porque apenas avisava quando ia assistir algum jogo de algum dos seus times, e não costumava assistir filmes ou seriados, então, a morena mais nova provavelmente estranharia.<br />
<br />
Foi para o seu próprio apartamento, deixando que Eveline seguisse para o seu, e apenas atentou-se de tomar um banho e tirar a roupa de trabalho, e colocar algo mais confortável. Como era verão, optou por um short de babydoll e uma blusa dos NYCs, que era sua companheira para assistir TV. Esperaria Eveline para saber que tipo de comida pedir, enquanto isso, lembrou de por ração e água para a bola de pêlo que dividia o apartamento com as duas oficiais, pegou o bichano no colo, avisando-o: -- Olhe, vamos assistir um filme hoje, novidades na minha vida Kit, não na sua é claro, porque você sempre assiste com a Carissa.  -- devolveu o gato para o chão em seguida, sacudindo a cabeça negativamente: “devia está trabalhando”.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Como era péssima lendo outras pessoas, não entendeu o porquê de Leona ter ficado irritada. Ela estava de fato irritada? Não via problema algum em esperar, afinal, já havia adiantado o serviço. E falar sobre Carissa a incomodava? Estava ciente que existiam certas restrições sobre conversas no trabalho. Sabia identificar bem um assédio, mas… desde quando falar sobre o relacionamento das duas era proibido? Bom, deu de ombros. Não falaria mais nada a respeito enquanto estivessem ali. Por não ter o menor tato com outras pessoas, preferia evitar conflito para não irritá-las ainda mais.<br />
<br />
- Certo. Estou ansiosa. - e de fato estava, muito embora seu semblante dissesse o contrário. Após aquela conversa, arrumou suas coisas e seguiu para seu próprio apartamento.<br />
<br />
Tomou um banho e trocou de roupa. Vestiu um short jeans e uma camiseta regata branca. Nos pés, sandálias de casa. Não tinha pra quê se arrumar para ir até a casa ao lado, mas ainda passou alguns minutos frente ao espelho se perguntando se deveria. Não sabia as “regras” que deveria seguir, lidar com pessoas era difícil. Suspirou, resignada, desistindo enfim de tentar tão duramente e seguiu até onde a loira estaria. Aquela pequena reflexão frente ao espelho ocasionou um atraso de poucos minutos, mas nada muito exorbitante. E lá estava Eveline, apertando a campainha do apartamento de Carissa para assistir filme com Leona. Estava apenas com o DVD em mãos.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Não restava muita coisa para a loira fazer além de esperar, não podia começar nenhum trabalho, e nem tinha nenhum jogo passando na TV, nem a reprise pra poder se entreter, ainda assim, ligou na ESPN e ficou assistindo homens velhos falando sobre futebol de 30 anos atrás enquanto Eveline não chegava. Quando escutou as batidas na porta, abriu a mesma dando passagem para a mais nova:<br />
<br />
-- Você demorou, quase pensei que tinha desistido. -- comentou apenas a critério de reclamação porque era de sua natureza: -- foram 7 minutos de atraso. <br />
<br />
Fechou a porta depois que a mais nova adentrou no espaço, deixando-a livre para escolher onde ela se acomodaria, mas pouco antes da morena com pouca expressão de fato se mover dentro do apartamento, kitty se moveu de forma ágil dando um bote na perna da mais nova, com arranhões pouco impactantes e depois correndo para trás do sofá novamente, como se esperasse que a nova visitante fosse brincar com ele:<br />
<br />
-- Kitty! Se comporte! -- a loira reclamou com o gato respirando fundo e pondo as mãos na cintura: -- Vamos pedir comida antes de assistir porque é o tempo da comida chegar, se esperarmos o filme acabar, vamos acabar é com fome.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Assim que a loira a atendeu, se surpreendeu com o sermão, erguendo os ombros mas como sempre, não esboçando nenhuma expressão muito evidente. Apenas assentiu com a cabeça, aceitando o próprio erro enquanto entrava no apartamento alheio, estendendo o dvd para mostrar que não havia esquecido do mesmo.<br />
<br />
- Eu acho que você vai gostar do filme porq-- - fora interrompida com aquele bote súbito em sua perna. Virou-se para o bichano e sua reação acabou sendo bastante explícita devido as bochechas rosadas. - Kitty…<br />
<br />
Se agachou, vendo onde o gatinho havia se escondido. Sorriu quase que imperceptivelmente, gostando da presença do animal ali. Sim, Eveline era uma amante de gatos - talvez por se comportar como uma.<br />
<br />
- Gosto de gatos, não precisa se preocupar. Posso brincar com ela enquanto esperamos a comida. - sorriu uma última vez pra felina, levantando-se para se dirigir enfim até o sofá. - Pensei em pedirmos uma pizza… tudo bem para você?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Encarou as reações novas que jamais tinha visto no rosto da amiga de Carissa, e era verdade o que diziam sobre pessoas introvertidas, elas eram como animais, se davam bem com outros animais. Observou quando a menor se levantou e seguiu até o sofá indicando para pedirem uma pizza. Como toda boa novaiorquina, Leona era expert em pedir comida, então puxou o aparelho e buscou na lista de locais de comida confiáveis para pedir:<br />
<br />
-- Quais sabores você come? Você não é do tipo vegetariana, “não vou comer bixinhos porque gosto de gatos e cachorros” não é? -- a loira falou em seu usual tom ranzinza, mas sem de fato estar chateada ou irritada era apenas seu jeito amistoso de ser.<br />
<br />
Kitty fez charminho sem sair de debaixo do sofá inicialmente e apenas quando a visitante ousou ir até seu sofá o gato deu outro bote nas pernas da convidada para logo após voltar para seu esconderijo debaixo do móvel. Ficou de lá acertando mortalmente com suas patinhas felpudas a fim de expulsar a intrusa de seus domínios.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Balançou a cabeça negativamente quando ouviu a pergunta da outra:<br />
- Não, não… eu gosto de animais e me dou bem com alguns. Mas não sou vegetariana. Acho que não conseguiria viver sem carne. - soltou a observação por último, surpreendentemente bem-humorada. Ainda que praticamente imperceptível, para quem convivia com Eveline no trabalho seria relativamente fácil notar as discretas expressões no semblante da jovem - Gosto de pizza de atum e carne-seca. Mas não tenho frescura quanto a sabores diferentes.<br />
<br />
Se assustou ao receber o bote na perna, mas não saiu do lugar. Curvou o torso, ainda sentada, para observar o bichano estressado. Brincava com ele dedilhando o pé do sofá, como se o chamasse para oferecer carinho. Enquanto Leona estava no telefone, algo lhe passou pela cabeça.<br />
<br />
- Leona, acho que nunca perguntei para você… - voltou a sentar com a postura normal - ...você gosta de morar com a Carissa?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Estava ao telefone ouvindo o atendente repetir a lista de sabores que já conhecia desde a primeira vez que tinha ligado, mas que o mesmo repetia por “ordens da empresa” e pediu a mesma coisa que pedia sempre para si e Carissa, algo com carne, queijo, presunto, bem servido, e olhou de esguelha, pensando que a carne seca da França conseguia ser bem ruim pro seu paladar desfuncional. Estava prestes a resolver a forma de pagamento quando ouviu a pergunta nada convencional, mas extremamente comum da outra:<br />
<br />
-- Quê? Ah… não, certo, mande a maquininha, sim, o endereço que tá cadastrado… -- desligou o aparelho, e encarou a mais nova com um olhar desconfiado pela pergunta lançada sem qualquer preparação:<br />
<br />
-- gostar não é bem a palavra, é cômodo, confortável, não posso dizer que eu desgosto, eu morava num apartamento pequeno em NY, só a casa do meu pai que é grande, mas no geral, eu me adapto fácil a rotinas, e apesar de tudo indicar o contrário, Carissa é muito organizada com a própria rotina. -- Comentou jogando os fios longos soltos atrás dos ombros e buscando algo na geladeira pra beber: -- você bebe cerveja? se não, têm suco e água. -- comentou tentando continuar conversando.<br />
<br />
Kitty depois de vinte centavos de insistência e depois de cheirar de forma arisca na direção dos dedos da invasora, resolveu dar a oportunidade da mesma provar seu valor e tocar seu belíssimo pêlo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Prestou atenção em tudo minuciosamente, desde a desligada do telefone até - principalmente - a resposta para sua pergunta. Parecia um felino curioso. Lembrou de outro loiro conhecido, Jack, sabendo que Leona também o conhecia. Imaginou por um segundo a dinâmica dos dois considerando a personalidade do loiro e sabendo que a leoa não deixaria passar um comentário sequer do outro. A cena em sua cabeça acabou sendo hilária, o que a fez sorrir, mais uma vez, quase que imperceptivelmente.<br />
<br />
- Entendi… então você gosta dela… - não especificou o gostar mas para a policial, já estava implícito que o gostar era de amizade, de estar com ela.  Assentiu com a cabeça em resposta a segunda pergunta - Sim, bebo cerveja. Só sou um pouco fraca para álcool.<br />
<br />
Quando a gata se fez presente, não hesitou em acariciá-la enfim, divertindo-se bastante em poucos minutos ainda que não expusesse aquilo em seu semblante. Enquanto fazia carinho no bichano metido, sentiu curiosidade e quis fazer mais perguntas.<br />
<br />
- Leona… você já criou laços com pessoas que já trabalharam com você, laços estes tão fortes a ponto de não querer se separar…? - a pergunta saiu com um quê de melancolia, mas novamente, nada mudou no rosto da jovem. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Não sabia exatamente onde toda aquela conversa iria chegar, em verdade preferia quando as pessoas eram diretas consigo, porque não gostava de ficar lendo elas, além do necessário fora do trabalho, além de ser desgastante pra cabeça da policial, ainda era invasivo com o espaço pessoal do outro. Respirou fundo quando a mais nova chegou a conclusão que a loira gostava de Carissa, nunca disse que desgostava dela, em verdade  convivência era mais agradável do que a ideia parecia no começo daquele arranjo todo. <br />
<br />
Se surpreendeu com as respostas de Kitty a morena mais nova, e torceu a expressão numa mal humorada: “gata traíra”, resmungou para si mesma, indo até a geladeira para buscar um par de latas de cerveja, bem em tempo de escutar aquele comentário sobre criar laços, fechou a porta do congelador num sonoro paft, e espiou com mais atenção as expressões de Eveline, conseguindo ler claramente que aquela pergunta tinha uma roupagem bem diferente das demais:<br />
<br />
-- Não sei, “laços” é bem vago, que tipo de laço? Forte como? E qual o motivo da separação? Mudança de emprego, mudança de moradia? -- fez uma breve pausa para estender a lata de cerveja na direção da outra bem em tempo de completar o próprio comentário: -- … morte?! <br />
<br />
Esperou que a mais nova pegasse a lata em mãos, para sentar na poltrona na diagonal da mais nova, em local que poderia observá-la melhor e dar-lhe espaço necessário, não sabia de quê, mas estava com um pressentimento estranho do rumo daquela conversa, então era melhor se manter atenta. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Brincava com a gata que finalmente havia lhe dado espaço para fazê-lo, acarinhando-a dos pés à pontinha do rabo, dando a atenção que o animal provavelmente queria. Parou apenas para voltar a sentar devidamente no sofá, aguardando o retorno da loira. Eram muitas perguntas, mas responderia todas. Pegou uma lata de cerveja e a abriu sem muita dificuldade, dando o primeiro gole.<br />
<br />
- Eu nunca criei laços com ninguém. Nunca tive bom traquejo social. Sempre fui apelidada por várias coisas, justamente por não saber lidar. E bem, nunca entendi que eram coisas ruins. A Carissa… é minha primeira, única... e preciosa amiga. Quero que sinta orgulho de mim e veja que estou dando meu melhor. Me esforçando. Não por ela… mas por mim.<br />
<br />
Falar demais era uma visível tortura para a policial de cabelos curtos, dando uma larga golada na bebida antes da pizza chegar. Estendeu o braço para pegar o filme, deixando-o sobre a mesa de centro, indicando que talvez já fosse a hora de assistí-lo.<br />
<br />
- Depois que vim para Cerise me reencontrar com Carissa, vi que ela estava bem… com você. Tinha conseguido uma outra amiga, que a protegia. Não só você, sabe? Tem todos do trabalho, o vizinho grisalho, o seu amigo alto, Jack. Tem também a tal Talulah, que eu só vi uma vez. Enfim…<br />
<br />
Respirou fundo mais uma vez. Parecia nervosa.<br />
<br />
- Carissa não precisa mais de mim. Não vigiando-a vinte quatro horas. Ela tem pessoas que cuidam e gostam dela. Por isso, tomei uma decisão… - retirou do bolso do short um papel amassado, estendendo-o para a loira. Estava com um olhar determinado - Fui mais uma vez convidada para participar do UCLAT, Leona. E dessa vez… vou aceitar. Quero falar isso para a Carissa, mas antes… precisava ter certeza. Que vocês… eram amigas.<br />
<br />
Falar tanto assim como não era acostumada, cansou a mais baixa. Foi alisar a gata mais uma vez, para depois tomar uma golada da cerveja - cerveja esta que estava definitivamente ajudando-a a colocar tudo o que precisava para fora. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Ouviu a fala completa da mais jovem, até parecia que o ato de abrir a latinha, Eveline tinha aberto a própria boca, estava cansada do trabalho e não queria ficar avaliando demais o perfil da mais nova. Afinal, fazer seu trabalho fora do trabalho, não era nada saudável, então ia se dar ao luxo de dar a própria opinião de forma despretensiosa, se isso for ter um impacto negativo ou não na mais nova, não era a terapeuta dela pra poder medir o estrago daquilo:<br />
<br />
-- O engraçado é que você fala como se a Carissa fosse uma completa incompetente e não conseguisse fazer absolutamente nada sem ajuda de qualquer outra pessoa. O que você, sendo amiga dela, deveria saber melhor que ninguém que ela não é. -- Abriu a própria lata de cerveja, tomando um generoso gole, sentindo mais o álcool do que o gosto da mesma descer garganta abaixo: -- O fato é, a Carissa veio pra Cerise, só, arrumou esse apartamento, trabalhou duro, e se virou muito bem, sem você e muito bem antes da minha chegada, e faz o trabalho melhor que qualquer outra pessoa na delegacia, e isso é mérito só dela, não é da ajuda de qualquer terceiro não. <br />
Pontuou aquilo, olhando o filme estendido em sua direção, e deixando a lata de lado para pegar a caixa de DVD e e ligar a televisão e o aparelho, para ao menos deixar o mesmo no menu de iniciar antes de fato de começar a assistir a pizza nem tinha chegado ainda:<br />
<br />
-- Agora sobre a sua decisão de ir pra UCLAT, eu me pergunto o que isso têm haver com a Carissa, afinal, porque a sua vida, teria de ser dependente da dela? Olha, eu não sou sua amiga, e nem lhe conheço a muito tempo, mas pra mim, essa justificativa é “bullshit” -- Voltou a pegar a lata de cerveja tomando outro gole generoso, e sentindo-se mais relaxada até: -- Você acha mesmo que indo pra UCLAT você vai está fazendo algum benefício pra Carissa? ela vai lhe desejar boa sorte, vai ficar um pouco triste com a sua partida, mas a vida dela continua, e você? Vai aceitar um trabalho super exigente do seu estado mental e emocional com essa mentalidade infantil, digna de uma aluna de colegial? Eu nunca trabalhei lá, mas dizem que é o equivalente ao nosso FBI, e eu posso dizer por experiência própria que não é um trabalho leviano, que você possa ir lá, achando que vai fazer menos do que você faz em uma delegacia de uma cidade de interior. Se for tomar alguma decisão importante sobre sua vida, justifique isso em cima de você mesma, e não em cima dos outros, e esteja ciente do impacto disso, senão é apenas bobagem melodramática.<br />
<br />
Girou a mão fazendo um gesto breve, até ouvir a campainha tocar, era o entregador de pizza, puxou a carteira e se levantou para pagar, deixando sua latinha de cerveja pela metade em cima da mesa de centro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Não se sentiu ofendida com nada que Leona lhe dissera, pelo contrário. Aquilo foi um tapa na cara completamente necessário que acabou fazendo a policial abrir os olhos. Obviamente ficou envergonhada, mas nada falou, apenas a escutou até o fim, acompanhando a loira com o olhar. Carissa ainda era um tabu, falar da amiga ainda a fazia se perguntar muitas coisas, perguntas estas que foram parcialmente respondidas com todas aquelas verdades doloridas proferidas pela mais velha. Embora não se considerasse tão ingênua e infantil como a outra dissera, concordou que estava subestimando Carissa. Concordou também que não tinha mentalidade para aceitar um trabalho que exigia tanto como na UCLAT se a justificativa fosse a Carissa e não a própria Eveline. Cerrou um punho, mas o interessante foi: continuou encarando Leona, não desviou o olhar um segundo sequer. Era possível notar pequenas reações, tão imperceptíveis que uma pessoa que não a conhecia sequer notaria: frustração, reflexão, irritação. Mas no final, relaxou os punhos e respirou fundo, resignada. Apenas quando Leona parou de falar que desviou o olhar. Ignorou o filme que passava e pensou em respondê-la de imediato, ao ouvir a campainha tocar. Esperou que a mulher atendesse a porta, levantando-se e enfiando a mão no bolso do short, retirando dinheiro dali. Pagaria a sua metade. Se aproximou de Leona para ajudá-la com a pizza e entregar o dinheiro. Parecia pensativa, mas não demorou para entreabrir os lábios e enfim se pronunciar ante tudo aquilo:<br />
<br />
- Obrigada Leona pela sinceridade. - continuou - Me fez perceber que… a única pessoa presa aqui sou eu. Carissa é uma ótima amiga, com um ótimo potencial. Mas não posso tomar uma decisão tão importante me baseando nela… todas as minhas decisões desde que a conheci, foram baseadas nela. Até vir para Cerise. E isso… isso não é algo que eu possa me orgulhar. Não é maduro e estou colocando uma responsabilidade inexistente nos ombros dela. Preciso começar a agir mais por mim e menos pelos outros. O problema nunca foi a Carissa, podia ser qualquer pessoa… que estivesse comigo naquela época. O problema de fato, sou eu. - falava aquilo com certa melancolia. Mas permanecia firme - Você é uma boa pessoa, Leona. Mais uma vez, obrigada por me fazer ver. - sabia onde ficava os pratos, retirando dois do móvel - Então… vamos comer essa pizza enquanto assistimos ao filme?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Nem precisava usar dos seus conhecimentos de perfiladora pra saber que as palavras que tinha dito, iriam atingir em algum lugar da mais nova, mas não conseguiu ver nada no rosto dela que indicasse isso, mas por experiência, sabia que tinham pessoas que escondiam muito bem seus sentimentos por trás de um rosto impassível. Pagou a pizza, e recebeu o dinheiro da mais nova, não que precisasse, mas aceitava pra evitar um pequeno desentendimento por culpa de comida, deixou uma das pizzas no forno do fogão, para quando Carissa chegasse do trabalho, e levou a caixa para a sala, nada de pratos ou garfos, quem é que comia pizza de garfo e faca? Pegou apenas alguns guardanapos para ajudar a lidar com a gordura da comida. Ouviu o relato da menor sobre como estava sendo infantil, e acenou positivamente concordando com o que ela estava dizendo, e concordou novamente quando ela disse que o problema era ela, e não Carissa ou qualquer outra pessoa, arqueou a sobrancelha pelo agradecimento da mais nova. Já tinha pego uma fatia de pizza e estava mastigando enquanto ouvia o relato todo, sentia que estava acontecendo um drama maior do que o necessário sobre a situação, mas aceitou o agradecimento da morena menor, no entanto, se sentia em posição de devolver aquela conversa, ao menos pra encerrar o assunto, e oferecer um ponto de vista um pouco diferente, já que tinha uma vivência completamente diferente da de Eveline:<br />
<br />
-- Talvez seja só a forma como você encara suas relações próximas de amizade. Não sei se você consegue perceber isso ou se é algo que passa despercebido.-- pegou a lata de cerveja que tinha deixado de lado, para molhar a garganta, antes de continuar o seu relato:<br />
-- Por exemplo, você conheceu o Jack, sabe que eu e ele somos amigos atualmente, mas já fomos namorados no passado, quando eu tinha 17 anos e ele tinha 20. -- Lembrar daquela época lhe trazia a mente várias recordações de como era tola pra lidar com todas essas relações pessoais: -- Não ficamos juntos por muito tempo, até porque o Jack sempre foi do tipo que corria de qualquer compromisso ou relacionamento sério, e bem, eu tinha dezessete anos, estava terminando um mestrado em direito enquanto fazia minha graduação em psicologia forense, e não tinha qualquer maturidade pra lidar com o nosso término. <br />
<br />
Encarou Eveline bem ciente, de que aquela conversa parecia sem sentido, mas se deu tempo de pegar outra fatia de pizza para mastigar, apreciar  e engolir, antes de continuar: -- Apesar de ter ficado com raiva, eu lidei com isso, e continuamos amigos, mudamos, com certeza, ele passou um tempo distante, mas no final das contas, a confiança entre nós, atualmente é muito maior do que quando éramos namorados. Apesar dele ter o jeito esquivo dele, se eu pedir ajuda com qualquer coisa, ele vai sair do fim do mundo pra tentar ajudar, e o contrário também é válido, se ele bater na minha porta 4 horas da manhã, eu vou reclamar mas vou tentar ajudar, e é assim que funciona. -- Terminou de comer outra fatia de pizza, falando mais tranquila do que já estivera em muito tempo, ou que poderia já ter mostrado para a morena mais nova: -- As pessoas mudam, a relação entre as pessoas muda também, e você precisa ir se acostumando que isso faz parte do processo de ser um adulto. Você não precisa estar sempre sendo útil ao seus amigos, ou eles a você, as vezes vocês podem só tá existindo cada um no seu canto e tá tudo bem, sem alarde.<br />
<br />
Não sabia se a menor tinha compreendido seu ponto, mas já tinha feito sua parte de tentar por alguma ideia diferente pra ela pensar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Eveline</span></div>
<br />
Quando viu que não precisaria de pratos, guardou-os prontamente e seguiu com a loira para a sala. Pegou um dos guardanapos e já foi escolhendo sua fatia, levando-a a boca e dando uma generosa mordida. Enquanto comia, Eveline não ficava inexpressiva; suas bochechas coravam e um sorriso mais evidente se formava. Era fato que Leona havia aberto seus olhos, mas não esperava que ela lhe compartilharia um fato de sua vida. Após uma golada na cerveja, fez menção em pegar o controle remoto para dar play, mas não o fez. Preferiu ouvir do começo ao fim.<br />
<br />
Como já se sentia mais à vontade com Leona, a revelação de que a mesma namorou Jack a fez arquear ambas as sobrancelhas. Mas permaneceu calada até o fim, pois sabia que chegariam a um objetivo - e de fato, chegaram. Leona por trás daquele jeito marrento, era uma pessoa gentil. Assentiu com a cabeça, concordando com a "moral" daquele desfecho. Mudanças não são para ser encaradas como o fim do mundo. Carissa continuará sua amiga, independente de como tratá-la. E precisava começar a tratá-la com menos preocupação envolvida, afinal, nunca foi Carissa que precisava dela e sim o contrário. Respirou fundo, resignada. E ante tudo aquilo, só conseguiu responder uma coisa:<br />
<br />
- Ainda bem que você e o Jack não são mais um casal. Não seria saudável para nenhum dos dois... ou de nós. - sim, isso foi Eveline tentando ser engraçada, com seu inexpressivo e típico semblante. Mas no final, alargou só um pouco o sorriso - Vamos enfim assistir o filme?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Game on [Nam-li]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=288</link>
			<pubDate>Sun, 26 Sep 2021 02:03:24 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=101">Raylan</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=288</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blaise</span></div>
 <br />
Havia combinado com Reylan por telefone para que se encontrassem na casa de sua família, a mesma em que residia. Já havia deixado sua mãe informada sobre a visita de seu rival mais antigo. Sua irmã mais nova, por sua vez, parecia curiosamente contente em rever o sujeito que era seu rival. <br />
<br />
Por hora, aguardava o movimento do velho rival. Estava vestido com sua camisa de treino e a calça maleável que não limitava seus movimentos, mas que também não imitava aquele estilo desleixado de alguns esportistas que mais pareciam desejar jogar só de cueca enquanto a calça escorregava por suas pernas. Esperava mudar o local combinado para a disputa que tinham para próximo de sua casa.<br />
<br />
Diante das sequências de disputas que já possuíam, na contagem de pontos, Raylan avançava por dois pontos e precisava quebrar essa vantagem. Se preparou para poder desafiá-lo de uma forma nova, ou através de um jogo, vídeo game, ou por meio de alguma partida um a um.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
 <br />
Era sempre uma comédia como o Nam-li achava esse negócio de rival uma coisa séria, era tipo um duelo até a morte por tudo, só conseguia pensar que quando ele crescesse ia dar um trabalho danado para os pais. O maior desafio ao ir na casa dele eram os rituais e as coisas que a galera de lá tem e, principalmente, acertar os nomes com sílabas curtas e que as vezes se repetem. Sempre que ia rolando um ensaio de como tratar o pessoal, não dava outra, dava um nó na cabeça e só saía Nam-li, Nam-la ou guria ou Feman-li (a irmã), Tia, Tio, cara, em resumo, coisas totalmente genéricas.<br />
<br />
Provavelmente íamos jogar basquete, o que sempre dava um torcicolo já que ele joga tão baixo que parece futebol, mas as vezes rolava alguma coisa diferente, e o mais importante, o lanchinho que na larica é tudo de bom.<br />
<br />
Dirigia-se à casa dele, com seu uniforme de guerra, calça apropriada para esporte, tênis, e uma camiseta personalizada dos Spurs, onde tinha o número 23 e no lugar do seu nome na parte traseira da camisa tinha escrito 2-2-0 (second to none), uma pequena amostra da sua humildade com relação ao basquete. Digitou uma mensagem no telefone “Nam-li chego já aí desu”, enviou, sabia como ele era meio ansioso e pontual, duas coisas que nem sempre faziam parte de sua personalidade.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blaise</span></div>
 <br />
Parecia que estava de fato se preparando para algum tipo de disputa de campeonato. Levava com seriedade todos os seus desafios, pois esperava o mesmo de seus rivais. Se havia algo que odiava mais que tudo era ser subestimado por sua aparência física – o que não era difícil de acontecer, já que muitos julgavam que sua característica étnica o colocava apenas no papel de um gênio matemático (o que não deixava de ser, claro), mas isso também não queria dizer que podia ser extraordinário nos esportes. <br />
<br />
Sentiu o celular apitar, indicando a recepção de uma mensagem. Levou o aparelho a frente de seus olhos e leu com atenção a mensagem que seu rival havia deixado. O cestinha não poderia escapar de jeito nenhum daquele “desafio”. Ansioso, mandou uma mensagem a fim de instigar Raylan a chegar um pouco mais rápido: “Se não chegar rápido vai perder por W.O. E acho que isso vai ser a pior derrota que vai ter até hoje. “ – enviou, realmente ansiando pela chegada do garoto. <br />
<br />
Sua irmã também queria brincar com ele, parecendo entusiasmada com a presença de um novo rosto naquele ambiente, divertindo-se com o irmão mais velho enquanto esperava Raylan chegar. Sua mãe preparava alguns lanches, a mulher parecia contente que o filho receberia a visita de algum dos colegas da instituição em que estudava. Nam-li nunca tivera amigos de fato e o mínimo de aproximação que ele pudesse ter de algo parecido com tal já deixava a mãe dele contente. <br />
<br />
Acabou por encarar o relógio, deixando que sua irmã saboreasse de um dos sanduíches feitos por sua mãe para a visita de seu rival. A pequena entretinha-se tão facilmente com os programas televisivos. Encarou a passagem dos minutos no celular, passando de ansioso para inquieto diante da falta de pontualidade alheia. Teria se confundido com o fuso horário? Foi conferir em suas fontes no celular só para garantir e recalcular a situação para se certificar de que não havia cometido nenhum erro. <br />
<br />
[Se quiser chegar, pode colocar que a mãe do Nam-li foi atender a porta]<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Finalmente tinha chegado, no final não tinha pressa de muitas coisas na vida. Toda sua vida passava por uma série de mudanças, ainda não tinha se acostumado com o país, a cultura, mas principalmente a falta de dinheiro sobrando. Sua mãe o deixava com o mínimo existencial, o resto tinha que trampar para conseguir. A indicação dada pela policial o ajudou, mas não durou o suficiente para juntar um troco. Por fim, os lanchinhos da mãe de Nam-li sempre o ajudavam a esquecer dos problemas.<br />
 <br />
Tocando a campainha, esperou que Nam-li abrisse a porta, reclamando do seu atraso mas a mãe do amigo foi quem abriu, saudando com satisfação a chegada de Raylan. Os costumes deles eram diferentes, mas infelizmente o reflexo é maior, adentrando oferecendo um abraço a mãe do amigo, que por educação ou por realmente gostar do convívio com seu filho retribuiu.<br />
 <br />
- Oi tia, tudo joia? Cadê Nam-li já tá dando volta em círculos porque tô atrasado? – Falou enquanto tirava seu Air Jordan.<br />
 <br />
Não era o rei da etiqueta, mas se achava íntimo o suficiente para perambular após o convite carinhoso da mãe de Nam-li. Entrava na residência pensando no “super desafio” que teria hoje. Pensava numa partida de twister, a falta de estatura do amigo daria uma vantagem para Raylan, maior e mais flexível. Caso a irmã dele participe, só precisava não cair em cima dos dois, para evitar um duplo homicídio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blaise</span></div>
<br />
A Mãe do mais novo, abria a porta, cabelos castanhos médio, abaixo do ombro uns quatro dedos, usando uma camisa branca gola alta e um casaco fino por cima em uma tonalidade de verde, com o grande sorriso no rosto, fez um sutil reverência para o já conhecido rosto.<br />
 <br />
– Bom dia, Thompson, há quanto tempo…! Você conhece bem o meu filho! – uma sutil risada – tá na sala de jogos...<br />
 <br />
Nesse momento pés pequenos ia em direção ao mais alto, tentando passar despercebida, tenta fazer o menor barulho possível! uma voz baixinha.<br />
 <br />
– Dessa vez pego ele! – apressa o passo para surpreender o gigante.<br />
 <br />
– Bem acho que ela pode te levar até o impaciente. vou preparar mais lanches!<br />
 <br />
– O mãeeee eu ia assustar o Luan<br />
 <br />
A garota tinha a carinha redonda e o corte de cabelo também colabora com o formato redondo da mais nova. Ela leva o moreno até a sala dos jogos onde o Nam-li estava.<br />
 <br />
– Está atrasado. Mas escolha seu jogo! Só tem uma novidade e minha irmã vai jogar. – ainda ansioso para a disputa em trio.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
- Ah, foi mal, foi mal. Deixei esse tempo extra pra saber se você não me mandaria uma mensagem desistindo, sabe como é, né?! -  Entrou saudando seu amigo enquanto fazia os alongamentos necessários. – Vamos jogar twister, então. Agora se perder pra tua irmã, não vem reclamar. – Começava sempre com uma provocação ao estilo competitivo do seu companheiro.<br />
 <br />
Exatamente como previa, era o início da guerra que sempre acontecia. Para sorte de Raylan, ele poderia escolher, então seria twister mesmo. Direcionou-se para a estante onde ficavam os jogos, já tinha passado por isso tantas vezes que já sabia onde pegar as coisas. Sempre que passava pela escolha, ficava impressionado com a quantidade de jogos eletrônicos que Nam-li possuía. Ficavam organizados por data que ele “platinou” ou algo assim. Geralmente muito próximo da data de lançamento, era impressionante como ele tinha facilidade pra essas coisas. Quando outras pessoas precisavam tirar dúvidas sobre como passar de alguma parte de jogos, olhavam gameplays no youtube ou coisas assim. Os vídeos costumam ser longos, então uma vez ou outra é mais prático ligar para o colega. Após uns 20 minutos, todos se gabando de como isso era simples, a resposta para a pergunta vinha. Raylan costumava aproveitar esses 20 minutos para fazer um sanduba enquanto o telefone estava no viva voz.<br />
 <br />
- Ei, vamos mostrar pra ele quem é que vence as coisas de verdade nessa casa, ein, que tal? – Falou baixo para a pequena, mas em tom perfeitamente audível para adicionar um pouco de calor à disputa futura. Na verdade, o pensamento de Nam-li explodindo de raiva por perder pra irmã mais nova, afora os dias que ela faria da mesma forma que ele, se gabando, realmente divertiram o negão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blaise</span></div>
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Havia combinado com Reylan por telefone para que se encontrassem na casa de sua família, a mesma em que residia. Já havia deixado sua mãe informada sobre a visita de seu rival mais antigo. Sua irmã mais nova, por sua vez, parecia curiosamente contente em rever o sujeito que era seu rival. <br />
<br />
Por hora, aguardava o movimento do velho rival. Estava vestido com sua camisa de treino e a calça maleável que não limitava seus movimentos, mas que também não imitava aquele estilo desleixado de alguns esportistas que mais pareciam desejar jogar só de cueca enquanto a calça escorregava por suas pernas. Esperava mudar o local combinado para a disputa que tinham para próximo de sua casa.<br />
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Diante das sequências de disputas que já possuíam, na contagem de pontos, Raylan avançava por dois pontos e precisava quebrar essa vantagem. Se preparou para poder desafiá-lo de uma forma nova, ou através de um jogo, vídeo game, ou por meio de alguma partida um a um.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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Era sempre uma comédia como o Nam-li achava esse negócio de rival uma coisa séria, era tipo um duelo até a morte por tudo, só conseguia pensar que quando ele crescesse ia dar um trabalho danado para os pais. O maior desafio ao ir na casa dele eram os rituais e as coisas que a galera de lá tem e, principalmente, acertar os nomes com sílabas curtas e que as vezes se repetem. Sempre que ia rolando um ensaio de como tratar o pessoal, não dava outra, dava um nó na cabeça e só saía Nam-li, Nam-la ou guria ou Feman-li (a irmã), Tia, Tio, cara, em resumo, coisas totalmente genéricas.<br />
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Provavelmente íamos jogar basquete, o que sempre dava um torcicolo já que ele joga tão baixo que parece futebol, mas as vezes rolava alguma coisa diferente, e o mais importante, o lanchinho que na larica é tudo de bom.<br />
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Dirigia-se à casa dele, com seu uniforme de guerra, calça apropriada para esporte, tênis, e uma camiseta personalizada dos Spurs, onde tinha o número 23 e no lugar do seu nome na parte traseira da camisa tinha escrito 2-2-0 (second to none), uma pequena amostra da sua humildade com relação ao basquete. Digitou uma mensagem no telefone “Nam-li chego já aí desu”, enviou, sabia como ele era meio ansioso e pontual, duas coisas que nem sempre faziam parte de sua personalidade.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blaise</span></div>
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Parecia que estava de fato se preparando para algum tipo de disputa de campeonato. Levava com seriedade todos os seus desafios, pois esperava o mesmo de seus rivais. Se havia algo que odiava mais que tudo era ser subestimado por sua aparência física – o que não era difícil de acontecer, já que muitos julgavam que sua característica étnica o colocava apenas no papel de um gênio matemático (o que não deixava de ser, claro), mas isso também não queria dizer que podia ser extraordinário nos esportes. <br />
<br />
Sentiu o celular apitar, indicando a recepção de uma mensagem. Levou o aparelho a frente de seus olhos e leu com atenção a mensagem que seu rival havia deixado. O cestinha não poderia escapar de jeito nenhum daquele “desafio”. Ansioso, mandou uma mensagem a fim de instigar Raylan a chegar um pouco mais rápido: “Se não chegar rápido vai perder por W.O. E acho que isso vai ser a pior derrota que vai ter até hoje. “ – enviou, realmente ansiando pela chegada do garoto. <br />
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Sua irmã também queria brincar com ele, parecendo entusiasmada com a presença de um novo rosto naquele ambiente, divertindo-se com o irmão mais velho enquanto esperava Raylan chegar. Sua mãe preparava alguns lanches, a mulher parecia contente que o filho receberia a visita de algum dos colegas da instituição em que estudava. Nam-li nunca tivera amigos de fato e o mínimo de aproximação que ele pudesse ter de algo parecido com tal já deixava a mãe dele contente. <br />
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Acabou por encarar o relógio, deixando que sua irmã saboreasse de um dos sanduíches feitos por sua mãe para a visita de seu rival. A pequena entretinha-se tão facilmente com os programas televisivos. Encarou a passagem dos minutos no celular, passando de ansioso para inquieto diante da falta de pontualidade alheia. Teria se confundido com o fuso horário? Foi conferir em suas fontes no celular só para garantir e recalcular a situação para se certificar de que não havia cometido nenhum erro. <br />
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[Se quiser chegar, pode colocar que a mãe do Nam-li foi atender a porta]<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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Finalmente tinha chegado, no final não tinha pressa de muitas coisas na vida. Toda sua vida passava por uma série de mudanças, ainda não tinha se acostumado com o país, a cultura, mas principalmente a falta de dinheiro sobrando. Sua mãe o deixava com o mínimo existencial, o resto tinha que trampar para conseguir. A indicação dada pela policial o ajudou, mas não durou o suficiente para juntar um troco. Por fim, os lanchinhos da mãe de Nam-li sempre o ajudavam a esquecer dos problemas.<br />
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Tocando a campainha, esperou que Nam-li abrisse a porta, reclamando do seu atraso mas a mãe do amigo foi quem abriu, saudando com satisfação a chegada de Raylan. Os costumes deles eram diferentes, mas infelizmente o reflexo é maior, adentrando oferecendo um abraço a mãe do amigo, que por educação ou por realmente gostar do convívio com seu filho retribuiu.<br />
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- Oi tia, tudo joia? Cadê Nam-li já tá dando volta em círculos porque tô atrasado? – Falou enquanto tirava seu Air Jordan.<br />
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Não era o rei da etiqueta, mas se achava íntimo o suficiente para perambular após o convite carinhoso da mãe de Nam-li. Entrava na residência pensando no “super desafio” que teria hoje. Pensava numa partida de twister, a falta de estatura do amigo daria uma vantagem para Raylan, maior e mais flexível. Caso a irmã dele participe, só precisava não cair em cima dos dois, para evitar um duplo homicídio.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blaise</span></div>
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A Mãe do mais novo, abria a porta, cabelos castanhos médio, abaixo do ombro uns quatro dedos, usando uma camisa branca gola alta e um casaco fino por cima em uma tonalidade de verde, com o grande sorriso no rosto, fez um sutil reverência para o já conhecido rosto.<br />
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– Bom dia, Thompson, há quanto tempo…! Você conhece bem o meu filho! – uma sutil risada – tá na sala de jogos...<br />
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Nesse momento pés pequenos ia em direção ao mais alto, tentando passar despercebida, tenta fazer o menor barulho possível! uma voz baixinha.<br />
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– Dessa vez pego ele! – apressa o passo para surpreender o gigante.<br />
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– Bem acho que ela pode te levar até o impaciente. vou preparar mais lanches!<br />
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– O mãeeee eu ia assustar o Luan<br />
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A garota tinha a carinha redonda e o corte de cabelo também colabora com o formato redondo da mais nova. Ela leva o moreno até a sala dos jogos onde o Nam-li estava.<br />
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– Está atrasado. Mas escolha seu jogo! Só tem uma novidade e minha irmã vai jogar. – ainda ansioso para a disputa em trio.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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- Ah, foi mal, foi mal. Deixei esse tempo extra pra saber se você não me mandaria uma mensagem desistindo, sabe como é, né?! -  Entrou saudando seu amigo enquanto fazia os alongamentos necessários. – Vamos jogar twister, então. Agora se perder pra tua irmã, não vem reclamar. – Começava sempre com uma provocação ao estilo competitivo do seu companheiro.<br />
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Exatamente como previa, era o início da guerra que sempre acontecia. Para sorte de Raylan, ele poderia escolher, então seria twister mesmo. Direcionou-se para a estante onde ficavam os jogos, já tinha passado por isso tantas vezes que já sabia onde pegar as coisas. Sempre que passava pela escolha, ficava impressionado com a quantidade de jogos eletrônicos que Nam-li possuía. Ficavam organizados por data que ele “platinou” ou algo assim. Geralmente muito próximo da data de lançamento, era impressionante como ele tinha facilidade pra essas coisas. Quando outras pessoas precisavam tirar dúvidas sobre como passar de alguma parte de jogos, olhavam gameplays no youtube ou coisas assim. Os vídeos costumam ser longos, então uma vez ou outra é mais prático ligar para o colega. Após uns 20 minutos, todos se gabando de como isso era simples, a resposta para a pergunta vinha. Raylan costumava aproveitar esses 20 minutos para fazer um sanduba enquanto o telefone estava no viva voz.<br />
 <br />
- Ei, vamos mostrar pra ele quem é que vence as coisas de verdade nessa casa, ein, que tal? – Falou baixo para a pequena, mas em tom perfeitamente audível para adicionar um pouco de calor à disputa futura. Na verdade, o pensamento de Nam-li explodindo de raiva por perder pra irmã mais nova, afora os dias que ela faria da mesma forma que ele, se gabando, realmente divertiram o negão.]]></content:encoded>
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