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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - Cordeliers Club]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 19:26:53 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[Carteiras e Drinks [Jade]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=331</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 17:50:37 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=100">Blair</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=331</guid>
			<description><![CDATA[O trabalho diário na defensoria pública de Cerise certamente não estava sendo tão movimentado quanto esperava - e gostaria - que fosse. Claro, imagina que depois de alguns “corres” que houveram na cidade nos últimos meses as coisas por agora estivessem um pouco mais paradas… Mas não era para tanto. No máximo estava ajudando senhorinhas que estavam sendo enroladas pela família. Gostava de ver pessoas de mal caráter quebrarem a cara, mas esperava um tanto mais. Ao menos, o café que dividia com os outros funcionários lá muito bom.<br />
<br />
Foi próximo do início da tarde que recebeu a visita de um sujeito com um francês levemente carregado - um sotaque russo talvez - já bem mal humorado com a vida, e aparentemente para ele, Blair era a pessoa perfeita tanto para resolver seu problema quanto para ouvir sua reclamação.<br />
Aparentemente, ele havia sido enganado em algum bar que havia ido. Dizia ele que estava sendo injustamente acusado de ter abatido algumas carteiras, e que na verdade havia sido ele a vítima. Além disso, havia sido humilhado por terem acusado no meio do salão dos roubos e posto pra fora. Resultado? Processo ao estabelecimento por danos morais.<br />
<br />
Blair ouviu o relato com uma sobrancelha levemente arqueada, seguido por vários “aham”, “hms” e “nossa, que terríveis”, ditos de maneira bastante monótona, como de uma pessoa que não estava comprando muito aquela conversa. Mas ainda assim, garantiu à ele que seria possível a entrada no processo. Apenas recolheu as informações sobre o estabelecimento, do próprio cidadão, e das possíveis testemunha. Em duas horas, havia ouvido toda a reclamação que o homem tinha para dar e dado início no processo que ele queria. O acompanhou até a porta como deveria fazer com todo bom e inocente cliente, apenas para fechar a porta assim que ele passou com a cara mais desacreditada que tinha. Uma das secretárias que tomava conta até deu uma risadinha baixa sobre a situação:<br />
<br />
- A madame não parece acreditar muito no seu cliente - disse a mulher de sardas e cabelo castanhos escuros. Blair apenas riu entre dentes da acusação.<br />
<br />
- Agnés, você conhece uma pessoa enrolona tanto quanto eu. Provavelmente mais nessa cidade do que eu. - respondeu em tom debochado, seguindo de volta para sua mesa.<br />
<br />
Aproveitou o tempo que tinha sem cliente e puxou o celular, pesquisando sobre o tal bar que ele havia falado. Era um lugar bonito, bem falado, e parecia ter uns shows bem curiosos. Não tinha tanto tempo para sair durante a tarde, mas bem que o horário que sairia de noite iria lhe dar folga para dar uma olhada no lugar e de bônus talvez ver o show. Sorriu de canto de boca, estava bem arrumada, uma camisa social de mangas curtas branca porém levemente despojada, com uma calça preta social de cintura alta, finalizando com um cinto para demarcar a região da cintura, por fim, usava um salto alto preto, lhe deixando com pelo menos 1,85cm de altura, assim, não precisaria trocar de roupa antes de ir ao local.<br />
<br />
Passou o dia e o horário de trabalho, e no período da noite estava de frente ao bar que havia sido descrito. O bar em si era bem arrumado, os móveis pareciam ser bem caros - o que Blair imaginava serem falsos, mas se parecia bonito, era tudo que o ambiente precisava. Notou também que o espaço parecia ter vários outros ambientes divididos, mas que não teria acesso agora. Estava bem movimentado, dado a hora e ao fato que em breve um dos espetáculos. Aproveitou e foi até o bar, pedindo um dos drinks do próprio bar e se sentiu em uma das mesas próximo ao palco. Curiosa com o show que viria a seguir.<br />
<br />
Tudo em nome do trabalho, claro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[O trabalho diário na defensoria pública de Cerise certamente não estava sendo tão movimentado quanto esperava - e gostaria - que fosse. Claro, imagina que depois de alguns “corres” que houveram na cidade nos últimos meses as coisas por agora estivessem um pouco mais paradas… Mas não era para tanto. No máximo estava ajudando senhorinhas que estavam sendo enroladas pela família. Gostava de ver pessoas de mal caráter quebrarem a cara, mas esperava um tanto mais. Ao menos, o café que dividia com os outros funcionários lá muito bom.<br />
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Foi próximo do início da tarde que recebeu a visita de um sujeito com um francês levemente carregado - um sotaque russo talvez - já bem mal humorado com a vida, e aparentemente para ele, Blair era a pessoa perfeita tanto para resolver seu problema quanto para ouvir sua reclamação.<br />
Aparentemente, ele havia sido enganado em algum bar que havia ido. Dizia ele que estava sendo injustamente acusado de ter abatido algumas carteiras, e que na verdade havia sido ele a vítima. Além disso, havia sido humilhado por terem acusado no meio do salão dos roubos e posto pra fora. Resultado? Processo ao estabelecimento por danos morais.<br />
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Blair ouviu o relato com uma sobrancelha levemente arqueada, seguido por vários “aham”, “hms” e “nossa, que terríveis”, ditos de maneira bastante monótona, como de uma pessoa que não estava comprando muito aquela conversa. Mas ainda assim, garantiu à ele que seria possível a entrada no processo. Apenas recolheu as informações sobre o estabelecimento, do próprio cidadão, e das possíveis testemunha. Em duas horas, havia ouvido toda a reclamação que o homem tinha para dar e dado início no processo que ele queria. O acompanhou até a porta como deveria fazer com todo bom e inocente cliente, apenas para fechar a porta assim que ele passou com a cara mais desacreditada que tinha. Uma das secretárias que tomava conta até deu uma risadinha baixa sobre a situação:<br />
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- A madame não parece acreditar muito no seu cliente - disse a mulher de sardas e cabelo castanhos escuros. Blair apenas riu entre dentes da acusação.<br />
<br />
- Agnés, você conhece uma pessoa enrolona tanto quanto eu. Provavelmente mais nessa cidade do que eu. - respondeu em tom debochado, seguindo de volta para sua mesa.<br />
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Aproveitou o tempo que tinha sem cliente e puxou o celular, pesquisando sobre o tal bar que ele havia falado. Era um lugar bonito, bem falado, e parecia ter uns shows bem curiosos. Não tinha tanto tempo para sair durante a tarde, mas bem que o horário que sairia de noite iria lhe dar folga para dar uma olhada no lugar e de bônus talvez ver o show. Sorriu de canto de boca, estava bem arrumada, uma camisa social de mangas curtas branca porém levemente despojada, com uma calça preta social de cintura alta, finalizando com um cinto para demarcar a região da cintura, por fim, usava um salto alto preto, lhe deixando com pelo menos 1,85cm de altura, assim, não precisaria trocar de roupa antes de ir ao local.<br />
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Passou o dia e o horário de trabalho, e no período da noite estava de frente ao bar que havia sido descrito. O bar em si era bem arrumado, os móveis pareciam ser bem caros - o que Blair imaginava serem falsos, mas se parecia bonito, era tudo que o ambiente precisava. Notou também que o espaço parecia ter vários outros ambientes divididos, mas que não teria acesso agora. Estava bem movimentado, dado a hora e ao fato que em breve um dos espetáculos. Aproveitou e foi até o bar, pedindo um dos drinks do próprio bar e se sentiu em uma das mesas próximo ao palco. Curiosa com o show que viria a seguir.<br />
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Tudo em nome do trabalho, claro.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[A Real Manhunt [Leona, Lilú]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=305</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 16:35:40 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=102">Boyd</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=305</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
A vida estava corrida nos últimos dias. Após a chegada calorosa e as descobertas nada apropriadas da residência das companheiras de trabalho, meio que à contragosto Leona “convidou” Boyd para participar do grupo de investigação, pode-se chamar assim, para encontrar Kyle Baile, um ex SEAL, supostamente morto, que apareceu para turistar na cidade e matar algumas pessoas. Veja bem, é muito comum os EUA vacilarem com os veteranos de guerra, mas geralmente os vacilos não envolvem problemas de nível internacional. Toda essa investigação sofria de um sério problema, que era o objeto de investigação está morto. Fica difícil pedir reforços, aumento de investimento em segurança, ajuda do governo estrangeiro, tudo isso para pegar um defunto, e isso era o que Leona enfrentava agora.<br />
 <br />
Não fosse o bastante, o chefe da polícia local era um puta preguiçoso, ele preferia tapar os olhos do que enxergar uma ameaça do nível que aparecia naquele muquifo de cidade. Toda essa pressão e trabalho excessivo, fazia o texano imaginar se a oficial Blanche era loira mesmo ou se o cabelo perdeu a cor devido ao stress de trabalhar em meio a um monte de incompetentes. Como não tinha mais o que fazer, o cowboy constantemente fazia infinitas horas extras, revendo os pequenos delitos mal resolvidos, apreendendo drogas, dando tapa em delinquentes, coisas divertidas do gênero. A coisa mais comum era ficar na delegacia e dormir lá, fazendo com que conhecesse a rotina da delegacia. Leona era a primeira a chegar e a última a sair. Ela podia ser um saco, mal humorada, mas ela trabalhava duro, mais do que qualquer um, até ele mesmo.<br />
 <br />
A relação entre os americanos da delegacia era estranha, ela constantemente reclamava dele usar a delegacia como hotel, ele dizia que aquela noite na casa dela deixou ela muito preocupada com seu bem estar e isso era bonitinho. O acontecimento seguinte era variável, as vezes ela grunhia algo inumano e saia, as vezes ela parava para bater boca por mais tempo do que desejava, mas a convivência tornou-se algo até divertido. O único momento mais tenso foi o que ele considerava o trote do local, que foi quando Leona após a briga matinal corriqueira, perguntou se ele tinha tomado café, até oferecendo-se para fazer algum na cafeteira. Ora, é impossível alguém errar isso, certo?! Errado. Impressionante foi o momento da degustação, onde ele, que jamais havia provado formol do necrotério após utilizado num defunto, mas tinha certeza que o gosto era igual. Mas aquilo foi uma ótima lição, jamais confie que algo é à prova de falhas.<br />
 <br />
Toda essa rotina de ver que o texano estava sempre trabalhando, deve ter sido o indicativo que ele era confiável para auxiliá-la numa tarefa importante como aquela, que era achar um cara, altamente treinado, sem o aparato tecnológico nem pessoal, numa cidade labiríntica. E o pior era saber que ele parecia estar sempre um passo à frente da polícia. Mas também, com os representantes do departamento, isso não era lá uma grande surpresa.<br />
 <br />
As coisas realmente impressionantes relacionadas ao departamento, começaram a se mostrar com o aparecimento das necessidades no processo investigativo. Um dos cachorros da polícia foi subtraído do prédio e os restos mortais foram encontrados na cama do psicólogo de St. Clavier, Aleksei Dimitri Vlahos, alvo da obsessão desse psicopata procurado. Nesse caso, a polícia sabe exatamente o que fazer, com as medidas forenses para não danificar evidências, certo?! Assim como no caso da cafeteira, errado. Os imbecis do departamento esculhambaram a cena do crime, contaminaram toda, impressionante. Se os pivetes da academia fossem colocados para cuidar da cena, dificilmente fariam tanta porcaria como os oficiais. Dessa forma, Boyd percebeu que somente três pessoas nesse departamento eram aptas, além de preparadas para pegar esse cara, ele, Leona e Carissa.<br />
 <br />
Com os constantes avisos de Boyd que já estava passada a hora de chutar algumas portas, geralmente respondidos por Leona que os trâmites legais tinham que ser seguidos, a resposta dela mudou recentemente. Motivo? Informações sobre um psicopata solto na cidade, armado, treinado e perigoso vazaram para a mídia. Claramente, uma informação dessas não seria um vazamento do próprio departamento, certo?! Errado de novo. Os animais, tentando mostrar que tinham o pau maior que Leona, vazaram para pedir o apoio da população para um disque denúncia. Ora, quando você precisa de uma velha de 90 anos ligar para realizar o seu trabalho, você é realmente uma desgraça. Com isso, os ânimos ficaram exaltados e o inferno de filtro dos trotes e informações úteis começou. Pobre Carissa.<br />
 <br />
Das informações variadas e inúteis, somente o horário mais comum que supostamente Kyle era visto era mais comum. Muito comumente de noite, andando à esmo em Rouge, Pourpre, L’Encre, Gris provavelmente ninguém faria denúncia. Nada que já não fosse imaginado, faltava gente para patrulhar, só isso. Mas os animais imaginaram que isso faria o trabalho mais fácil, que perfilar é coisa de adivinho. Ignorantes. Pode ser estranho, mas passa longe de ser esoterismo. Funciona, não é o método do texano, mas funciona. Levando isso em conta, decidiu andar à paisana entre o distrito residencial, com uma garrafa de whisky exposta, claramente cometendo uma infração. Passava entre as ruas das residências, atento aos movimentos, quando algo que parecia um pé, deitado, próximo de alguns entulhos. Ao se aproximar, mão próxima à pistola, finalmente algo mais chamativo veio aos seus sentidos, um cheiro muito comum ao seu nariz, cheiro de morte.<br />
 <br />
Sua experiência no combate à cartéis fez com que, mais do que gostaria, encontrasse corpos em decomposição. Era comum corpos mutilados, faltando pedaços, inclusive faltando cabeças, mas isso era algo que mexia com seus sentimentos. Era o corpo de uma criança. Nitidamente mutilada e espancada, faltando os olhos, se decompondo, exposto para quem quisesse ver, provavelmente o corpo foi mantido em um local isolado, improvável passar esse tempo todo caído aí sem ser notado. Os sinais mostravam um exagero na morte, claramente algo passional. Os olhos mostravam um dos traços que ligavam a Kyle, mas o desleixo que mostrava uma ligação negativa com a vítima era algo fora do perfil do assassino. Tudo isso estava no perfil traçado por Leona, com os levantamentos e pesquisas, então era claro que perfilar não era adivinhação. A incoerência era o crime ser passional e o corpo ser deixado como se não fosse nada, sem sinais de remorso, era sentimento demais na execução e sentimento de menos no despejo, provavelmente Kyle estava envolvido, mas não era só ele. Boyd podia ser avesso à burocracia, mas tinha ótimos instintos e era um ótimo detetive, quando se dispunha a colocar a cabeça para funcionar, suas habilidades como pistoleiro eram mais afiadas, mas a cabeça não servia só para segurar o chapéu.<br />
 <br />
Como pai de uma garota pequena, aquela cena trouxe um ódio crescente em seu peito. Uma raiva quase que incontrolável. Não importa o que acontecesse agora, esse cara não seria mais preso, Boyd iria pessoalmente mandá-lo para o inferno e fazer esse favor para o Tio Sam. Após algumas longas respiradas para recuperar-se da cólera, pegou o telefone e solicitou uma equipe completa de legistas, reforços para isolar a área e esbravejou que os imbecis viessem preparados para fazer seu trabalho direito, pois incompetências não seriam mais toleradas. Só faltava uma pessoa para ser chamada, pegando o telefone do bolso, efetuou a chamada para ela. Não sendo atendido, ligou para Carissa, que dividia o apartamento com ela e dado o horário, estaria acordada.<br />
 <br />
- Alô, Carissa, pode chamar a Leona, por favor, ela não ta atendendo minhas ligações. Ok, eu espero, obrigado. - após algum tempo esperando, finalmente ela atendeu - Leona, encontrei um corpo aqui no meio do distrito residencial, vou te passar a localidade exata. Traga luvas e material de perícia extra pra mim, prepare o estômago também, é uma criança... – a pausa para não perder o controle novamente para a raiva – e está feio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Como se estivesse presa em um ciclo infinito de problemas e portas fechadas, o trabalho na delegacia seguia cada vez mais intenso. A loira estava acostumada ao trabalho incessante quando ainda estava no departamento do FBI, no entanto, estar cercada de oficiais competentes e de um sistema policial do qual tinha crescido dentro e conhecia muito bem, lhe dava segurança. A situação era completamente desfavorável para si, estava em uma delegacia pequena, pouco aparelhada, e com pouca autonomia para agir, estava cercada de pessoas desinteressadas e com pouca fé no próprio trabalho, exceto alguns poucos oficiais, que diga-se de passagem estavam tão sobrecarregados quanto ela. Todo dia, era um dia onde recebia muita informação, para encaixar no grande quebra cabeça que estava a investigação acerca do ex SEAL Kyle Baile. E por mais que fosse uma excelente profissional, tinha um limite de o quanto conseguia fazer e agir, sem ter acessos a determinadas áreas da cidade, ou a reforço no corpo policial para dar conta das áreas que precisavam ser investigadas.<br />
 <br />
E como se não fosse suficiente, o sujeito sabia como agir, e ia deliberadamente fechando o cerco, atormentando mais seu objeto de obsessão, provocando a polícia a ponto dela cometer erros primários, e parecia que tudo seguia conforme o psicótico queria. Por sorte, ou talvez por conveniência ele não tinha matado ninguém em Cerise ainda, e isso indicava que ele ainda tinha algum receio de agir de forma tão livre dentro da cidade. No entanto, sequestrar e matar um cão da polícia, já indicava que os níveis de ansiedade do psicótico estavam altos, e que logo, ele passaria daquele segundo estágio de perseguição, para o terceiro, onde ele passaria a matar outras pessoas para aliviar a vontade de matar seu próprio objeto de obsessão.<br />
 <br />
E foi sem surpresa com que Leona atendeu a ligação do oficial Garret naquela madrugada diante da notícia do mesmo ter encontrado um corpo: -- Estou a caminho. – foi o que a loira respondeu simplesmente, sabendo que havia uma série de procedimentos a seguir. A loira se vestiu rapidamente com roupas adequadas para missão em campo, e levou equipamento necessário para tal. Havia certa inquietação em Leona, já tinha visto corpos de crianças antes durante algumas investigações pontuais, mas não faziam parte de sua rotina, afinal, a loira não trabalhava na seção de casos especiais. Mas diferente de outras vezes, aquela sensação desgostosa se instaurava em si, talvez porque agora fosse mãe de uma criança e isso lhe deixasse apreensiva.<br />
 <br />
Não demorou para chegar ao local, pondo o par de luvas plásticas antes mesmo de entrar na cena do crime, e levando consigo o que o outro tinha lhe requisitado também. Se aproximou a área já fechada no perímetro de investigação marcado com as faixas amarelas, as áreas de contenção para afastar possíveis curiosos. Não demorou para avistar o oficial Garret, e se aproximou e estendeu o par de luvas na direção do outro: -- Está meio distante da sua casa, e fora do seu horário de ronda, mas está bem no meio da nossa área de investigação. —Se referiu ao ponto onde estavam, bem entre as áreas que precisavam cobrir onde o seu alvo já tinha sido visto diversas vezes. Não demorou para avistar o corpo que estava sendo devidamente fotografado, e ao observar o mesmo com maior atenção a expressão de Leona mudou, os olhos claros fixaram na imagem da garota de cabelos loiros longos, agora sujos de lama, o corpo todo espancando, mas as proporções batiam, e o rosto, apesar de deformado e parcialmente deteriorado, mesmo sem os olhos, ainda era reconhecível para a memória da oficial. A pausa na fala de Leona junto a expressão delatavam que ela já tinha reconhecido o corpo, e a confirmação veio na voz mais séria e pesada da loira ao dizer o nome da criança:<br />
 <br />
-- Adelaide Laurent…<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
Boyd deu de ombros ao ouvir o comentário sobre a localização dele, nada precisava ser dito sobre aquilo. O trabalho precisava ser feito, era algo importante demais para se deixar passar ou ser relapso. Enquanto a maior parte dos oficiais do distrito estava ocupado demais cheirando os rabos uns dos outros, essa ameaça passeava pela cidade como se fosse o dono dela, isso deixava o texano doente. Ele tinha chegado nessa cidade, então jamais deixaria um criminoso brincar e fazer o que quisesse debaixo de seu nariz, o criminoso mandado para o hospital era um ótimo cartão de visitas.<br />
 <br />
O que se seguiu, ao ver a reação de Leona mudar quase que imediatamente ao ver a criança, foi uma experiência nova. A loira geralmente demonstrava claramente suas emoções, geralmente raiva ou descontentamento com as ações dos outros. Essa expressão mostrada por ela era nova, algo que ele jamais tinha visto. Não tinha tempo de convivência o suficiente para passar por uma situação onde ela mostrasse algo mais humano, algo além da máquina que ela quer que as pessoas acreditem que ela é. Em seguida, ao citar o nome da garota, Boyd ficou surpreso, mas na verdade nem deveria. Claro que ela sabia de quem se tratava a criança, a memória dela era algo impecável. O pior tipo de pessoa para se ter um relacionamento, teria disponível para um relatório a quantidade de vezes que você deixou a caixa de leite na porta da geladeira, a quantidade de vezes que você franziu o cenho ao saber que a mãe dela viria jantar e coisas do gênero. A loira vivia de tromba o tempo todo, o que só mostrava que Agatha Cristie estava certa, os elefantes não esquecem. Esse último pensamento, caso fosse um criminoso qualquer, seria externado. Não com uma criança inocente morta, nem mesmo seu humor corriqueiro sairia agora.<br />
 <br />
- Certamente você viu o mesmo que eu, emoção demais, emoção de menos. Kyle certamente deve estar envolvido, mas não creio que fez isso diretamente. O vazamento para a imprensa não falava nada sobre os olhos, não tem como ser um copycat.<br />
 <br />
A contagem de corpos finalmente tinha começado, estava aberta a temporada de caça. Com aval ou sem, já não havia mais tempo a perder com burocracia. Infelizmente, ou não, as pessoas da delegacia finalmente iam saber o motivo dele ter sido mandado para um lugar mais pacato. Pela pouca convivência, bem como pela estima construída nos dias que se passaram, ele ao menos daria um aviso a Leona, agora era pedir perdão, não mais permissão.<br />
 <br />
- Esse cara conhece a cidade, conhece o departamento e conhece os métodos padrões. Trabalhar normalmente não vai funcionar para pegá-lo. Eu vou caçar esse bastardo como o animal que ele é, meu único arrependimento é que eu só vou poder matá-lo uma vez.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A oficial tinha um bom autocontrole e alguns bons anos de profissão nas costas o suficiente para manter a expressão mais focada e guardar todas as repercussões emocionais que ver aquela cena lhe causava. Talvez por fazer já alguns anos desde o último caso que envolvia crianças, ou por agora ser mãe de uma criança um pouco mais nova do que a vítima, aquilo atingia Leona como uma machadada no meio do peito. Obviamente o que não ficou evidente na expressão da oficial ficou na mão fechada firmemente ao lado do corpo como se aquilo fosse o máximo que podia externar dentro da situação de trabalho.<br />
<br />
Sua mente organizava todas as informações visuais relevantes, e sabia que por não ter os olhos aquilo ligava o caso ao Kyle, no entanto, o estado em que o corpo se encontrava, mostrava o nível de espancamento que demonstrava sentimentos demais para o psicótico descrito nas anotações e observações de Aleksei. Como se fosse capaz de ler seus pensamentos, o oficial Garrett começou a expor seus apontamentos sobre o caso, e com mais tempo para avaliar a cena, ele já tinha colocado os pontos nos “í” sobre as incoerências da morte daquela criança. A loira acenou positivamente concordando com as observações feitas: -- é impossível ser um copycat. E sim, a única coisa que é “assinatura” do nosso alvo são os olhos faltantes, todo o resto é de autoria de outra pessoa. Mas quem? -- Os legistas confirmariam muito provavelmente que os olhos tinham sido arrancados após a morte da criança, logo, o assassinato da mesma, não teria sido feito pelas mãos do próprio Kyle, no entanto, todo o resto da cena podia ter sido orquestrado pelo psicótico. Aquilo lhe dava margem para acreditar no nível de persuasão que o homem poderia ter, mas ele teria de ter encontrado alguém ou muito sugestionável, mas isso lhe deixaria com problemas para que a pessoa tivesse coragem para a execução. Ou talvez outro doente mental? mas para ter acesso a pessoa, ele teria de saber qual o tipo de doença mental, e ter conhecimento de caso, pelo menos a nível de um psiquiatra, para saber como acessar e como lidar com o tipo de doente e como sugestiona-lo. Ou quem sabe, alguém que tivesse rancor da pequena Adelaide, mas o quê uma criança de oito anos poderia ter feito de tão imperdoável para que alguém a quisesse morta? <br />
<br />
Obviamente sua linha de raciocínio foi interrompida diante dos comentários de Boyd, que estava lhe avisando com todas as letras que iria quebrar as indicações do que um bom oficial tinha de fazer no exercício de sua função. Bem, no momento, Leona estava precisando de outro tipo de “bom oficial” um que pudesse ajudá-la a solucionar aquele caso, e se era necessário ir pela tangente, então que assim fosse. Leona observou Boyd longamente enquanto ele falava, o encarando nos olhos, e depois estreitou os mesmos, fechando em seguida e respirando fundo, acenando positivamente ao que ele tinha dito: <br />
<br />
-- Adelaide Laurent, é filha única de Juliette Laurent, a criança estava sob a guarda de Anabelle Dupont, dona do restaurante Sauté. A criança foi dada como desaparecida há dois dias, após sair da escolinha, a cuidadora chegou além do horário de buscar a criança e a mesma já tinha saído na companhia de outra pessoa, estava desaparecida desde então. Existe um investigação corrente sobre a mãe da criança, no dia 23 de Fevereiro ela deu queixa de incêndio criminoso em sua fazenda de flores nos limites da cidade, e em seguida, sumiu da cidade, sem deixar qualquer registro. Após laudo dos bombeiros, observou-se que o incêndio realmente foi criminoso, mas não bate com nenhuma assinatura de gangues da cidade, não existe registro de qualquer envolvimento ilícito de Juliette com nenhum grupo criminoso também, que indicasse vingança, e o incêndio foi em proporções maiores do que seria ligado a simples “vandalismo”. Os únicos vínculos dela eram com a floricultura e o SPA que tem em sociedade com Madame Dupond. Ela é procurada apenas por uma queixa de abandono de menor, feita por mim. -- Leona respirou fundo, reorganizando as informações que eram mais relevantes acerca da criança, e do caso da mãe dela, além dos demais pontos que seriam importantes falar para o oficial: -- O caso de Julliette Laurent está no arquivo, na seção xxx, caso n° xxxx-x, vai precisar ser reavaliado agora que a criança foi encontrada, para saber se tem alguma indicação que leve a alguém que tivesse ódio dela, a ponto de poder descontar na filha da mulher.<br />
<br />
Leona fez uma pausa breve, novamente tomando um pouco de fôlego, e pegando o telefone e puxando o atalho da central, mas não sem antes voltar a falar com Boyd ao seu lado: -- Eu vou tomar conta da delegacia e vou falar com a cuidadora da criança. O senhor, oficial Garret, têm o restante do dia para tratar dos assuntos que forem relevantes a investigação em campo. -- Com isso a loira estava apenas afirmando que o outro tinha carta branca dela para ir investigar onde fosse, iria cobrir as costas dele da burocracia e dos inquéritos até onde conseguisse. Afinal, por mais que desgostasse de quebrar leis, queria ver o desgraçado do Kyle morto, tanto quanto o próprio Boyd, e se o oficial estava se propondo a fazer o serviço sujo de rua, o mínimo que a loira podia fazer, era assumir a culpa como responsável por todos os atos dos policiais envolvidos no caso que ela estava a frente.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
Era uma quantidade de informações realmente impressionante para se puxar da memória, a raiva que sentia dificultou um pouco, mas conseguiu se concentrar o suficiente para acompanhar as informações. O problema era outro, essas informações trouxeram mais perguntas à cabeça do texano. Ninguém tão limpo, com moral tão ilibada fugiria às pressas dessa forma, ainda por cima deixando uma criança para trás. Os indícios falados, afastavam a parte de uma eventual vingança com relações ao incêndio e a garota, quem quer que estivesse disposto a incendiar uma fazenda, não deixaria se passar uma quantidade grande de tempo antes de pegar a criança. O tempo entre a denúncia e a fuga também era suspeito, era provavelmente de algo que representava um perigo, mas não o suficiente para ameaçar sua filha. O melhor palpite, alguma ilegalidade estava para ser descoberta e ela fugiu antes de ser presa. O incêndio foi utilizado como queima de evidências, afora um possível seguro que ela tivesse para receber da fazenda, mas isso teria que ser analisado nos arquivos do caso.<br />
 <br />
- Ninguém tão exemplar foge assim, afora que alguém disposto a tocar fogo numa fazenda não esperaria tanto para pegar a menina. – Boyd fez uma pausa para organizar as ideias relacionadas aos casos que conhecia de incêndios em laboratórios, não era um especialista no assunto, mas já tinha visto vários imbecis morrerem queimados cozinhando. – Esse incêndio é bem providencial, certamente foi criminoso, mas o tamanho que ele tomou pode ser devido aos materiais usados para produção de alguma droga. Se a análise dos bombeiros foi só sobre ter sido usado um acelerador, foi superficial. Eu não vi os arquivos do caso, nem sou especialista em química, mas um incendiário criminoso não usaria a mesma coisa que um produtor de narcóticos para o crime. Se procurarem algum elemento estranho, tenho um palpite que vão encontrar.<br />
 <br />
Mas esse caso era secundário, no momento a preocupação do departamento era Kyle, que se mostrava confiante o suficiente para andar na área residencial, e caso fosse confirmado que ele esteve envolvido no rapto da criança, numa área escolar e ainda por cima durante o dia. Mas essa confiança que ele adquiriu, poderia ser justamente o que derrubaria o ex SEAL. Para raptar uma criança, ele precisaria de um veículo, bem como essa criança não foi escolhida aleatoriamente, então precisaria de uma vigília, mesmo que pequena para saber a rotina. Câmeras podem ter pego esse veículo que ele usou, mesmo que ele tenha usado uma placa fria, numa cidade desse tamanho, Boyd acharia facilmente quem fabricou a placa, afinal ele não traria uma placa dessas na mala. Com isso, Kyle precisava de contatos na cidade, ele certamente era um cara persuasivo e boa praça, mas o texano também sabia ser, um aperto do jeito certo fazia qualquer vagabundo cantar.<br />
 <br />
- Eu vou continuar meu passeio, tenho alguns lugares para visitar, volto para delegacia quando descobrir alguma coisa interessante. Quando precisar de alguns suprimentos também, tipo aquelas batatinhas da máquina, eu adoro o que uma automática pode oferecer.<br />
 <br />
Era chegada a hora de recolher informações. Um dos lugares mais propícios para iniciar era no estabelecimento de Lilú, o Corde Liers Club. Muitas pessoas passavam lá, muitas confissões eram feitas, lá era um lugar estratégico. Em seguida, dependendo do que conseguisse lá, voltaria para a delegacia e pegaria munição. Os criminosos dessa cidade estariam prestes a se tornarem cidadãos preocupados, cheios de boa vontade para oferecer Kyle para a polícia. Um bom empresário não deixaria seu negócio ser atrapalhado pela polícia, ainda mais por causa de um puto estrangeiro que veio só para bagunçar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>/Lilú<br />
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Certamente não estava enganada de imaginar que oficial Garret era mais habilidoso do que as piadas ruins dele mostravam. Ele tinha muita experiência em campo, mas também tinha raciocínio de investigador, o que era bom, considerando que já pensava por muitas pessoas, podia deixar que o oficial tomasse conta de si mesmo, e tomasse suas próprias conclusões, era um estresse a menos para administrar:<br />
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-- Eu também considerei tudo suspeito, como fui eu que pedi os laudos dos bombeiros, pedi que fossem recolhidas amostras duplicadas, a que foi pra análise superficial e a segunda para o arquivo caso fosse necessário, retomar o caso já que ele estava inconclusivo. -- em seguida Leona ligou para central, e indicou mais detalhes do que queria que fosse feito, enquanto o corpo estava sendo recolhido. Sabia que não podia despachar ele direto para o legista sem autorização dos responsáveis, mas sinceramente, tinha urgência de saber o que foi feito, para traçar o perfil do segundo assassino, e isso seria mais um processo pra sua conta. Desligou o aparelho para tornar a dar atenção ao oficial Garret que já estava anunciando a própria saída: -- Você vai precisar de boas informações pra requerer a reabertura desse caso, eu posso adiantar a justificativa de ligação da morte da criança com o nosso alvo, pela assinatura, mas não tenho como ligar a motivação do segundo assassino com o caso da mãe dele, a menos que seja achado alguma evidência importante. -- Leona observou longamente enquanto ele se afastava: -- vou estar lá na delegacia quando você voltar, e as suas batatinhas também. -- dito isto, a loira se encaminhou para os peritos que fotografavam a cena, indicando outras questões que precisavam ser fotografadas.<br />
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A medida que a madrugada avançava, a noite começava a ser deixada de lado, e aos poucos o céu começava a assumir um tom roxo azulado, o que normalmente queria dizer para todos os trabalhadores noturnos que seu turno estava prestes a acabar. Lilú estava  terminando de por a casa em ordem, as meninas estavam despachando os últimos clientes íntimos, enquanto a dona do Corde Liers Club, se livrava dos últimos clientes do bar, que já estavam todos  muito bêbados para voltar para casa de pé pelas ruas cerisienses e assistiu o taxi seguir caminho, parecendo um pequeno carro de palhaço. <br />
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Estava usando um vestido roxo brilhante, que mesmo naquela pouca luminosidade, marcava bem as curvas da mulher. E claro, aquela hora da madrugada, era estranho ver gente se encaminhando naquela rua em direção ao seu bar, e a loira estreitou os olhos para averiguar quem estava dando o ar da graça tão perto do horário de fechar:<br />
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-- Vejam só quem está de volta! Olá meu Cowboy favorito! -- a loira jogou os fios sobre o ombro de um jeito charmoso, enquanto lançava um sorriso travesso para o novo visitante: -- Estamos fechando, então eu sei que seu fuso-horário pode estar com problemas de adaptação ainda, mas aqui não é pousada pra dormir depois de uma noite de farra. Principalmente uma noite de farra que não foi no meu bar. -- Lilú pontuou, com seu jeito brincalhão, apenas esperando pra saber que tipo de novidades seu mais novo amigo estava lhe trazendo aquela hora da madrugada.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Em qualquer outro dia, Boyd acharia o ritual de convencimento para entrar após o horário de encerramento das atividades interessante, mas não era este o caso. Era certamente uma visão interessante, sua anfitriã, num vestido brilhoso e justo que enganava os sentidos, não demonstrando certeza das dimensões da moça até estar muito perto. Para alguém de vontade fraca, a proximidade suficiente para compreender todas as suas curvas era uma distância perigosa, um caminho tortuoso e sem volta. Poderia percorrer essa estrada quando tudo isso tivesse acabado e pudesse dormir em paz, paz de algumas horas, até mais algum imbecil cometer um crime e precisar ser devidamente educado.<br />
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Lilú como sempre estava sendo simpática, fazia parte do trabalho dela, e notoriamente ela fazia isso muito bem. O texano aproximou-se, ainda com a garrafa de whisky na mão, entendendo a questão levantada sobre farras em outros lugares. – A pessoa que vem até aqui para dormir, tendo tantas outras coisas interessantes para fazer, certamente deixou de viver a muito tempo. – Permitiu-se um pouco de humor, tentando manter seu ar de sempre, mas era mais do que claro o esforço para colocar a irreverência na fala, até algumas horas atrás, fluida. – Preciso entrar e conversar com você, Lilú, não viria te encher se não fosse importante.<br />
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Estava mostrando a importância do assunto, bem como a importância dela para iniciar o diálogo. Ele estava a muito tempo em campo, esteve em inúmeros interrogatórios, alguns deles não dava pra usar violência, o que era uma pena, tornava tudo mais devagar. Sabia muito bem algumas técnicas para não ser usado e sair de mãos abanando, ora, ela era uma fonte muito valiosa de informações, seria muita idiotice dele imaginar que só ele a buscaria para descobrir coisas de seu interesse. Teria que ser cauteloso com toda essa simpatia, se fornecesse mais coisas do que conseguisse, teria somente perdido tempo, afora o certificado de incompetência.<br />
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Kyle era cauteloso demais, dificilmente ela saberia onde ele está, e mesmo que soubesse, dificilmente Boyd teria algo bom o suficiente que pagasse uma informação tão valiosa. Já não era mais segredo para ninguém o quão problemático era seu alvo, e sua vida só não se tornou um inferno pior de informações desencontradas pela ajuda de Carissa e por não ter aparecido alguém rico, influente e desocupado o suficiente para oferecer uma recompensa a quem der informações que levassem ao paradeiro do sujeito.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilú</span></div>
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A loira certamente não tinha habilidades sobrenaturais de adivinhação, mas era fácil notar que tinha alguma coisa incomodando o cowboy sempre engraçadinho. E dado o que estava acontecendo na cidade nos últimos dias, até estranhava que o humor do americano só tinha sido afetado agora. Isso significava no mínimo que algo bem pior, acima das expectativas para o jovem policial que estava bem acostumado a essa vida de lidar com quem não prestava. A loira não mudou de expressão, oferecendo seu sorriso de sempre para o moreno mais novo:<br />
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-- Entre, você sabe que eu sou especialista em quebrar galhos, ou derrubar árvores inteiras a depender do que for necessário. -- brincou, dando espaço para o mais alto entrar, fechando a porta do bar em seguida. Dentro os funcionários arrumando cadeiras e limpando balcão, alguns até cumprimentaram o cowboy de outras vindas dele ao local: <br />
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-- Meninos e Meninas, fechamos por hoje, estamos que nem lotérica, atendemos só quem está dentro do prédio depois das portas trancadas.  -- a loira lançou um risinho, que foi seguido por alguns, e guiou o cowboy, até sua sala. Imaginava que ele não queria de fato um quarto pra dormir, então levou ao escritório que tinha, sala pequena, mesa e poltronas confortáveis, jogos de copos e bebidas variadas. O cheiro de cigarro era bem característico tendo em vista o cinzeiro cheio de bitucas. A loira se enfurnava ali pra dar conta de papelada chata ou quando a conversa era muito séria pra se ter no meio do bar:<br />
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-- Fique à vontade, se quiser gelo pra acompanhar a bebida, ou cigarro pra amaciar a garganta, parece que tem muitos espinhos pra por pra fora Cowboy. -- A loira não sentou do outro lado da mesa, puxou um copo com gelo para si mesma, e um copo sem gelo para Boyd, deixou que o próprio servisse as duas bebidas,  ficando em uma das poltronas na frente, pra poder ficar próxima do mais novo, cruzou as pernas de um jeito feminino e sedutor de sempre, apenas esperando a bomba que ia cair bem em seu colo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Pegando a garrafa de whisky que trouxe, aproveitou o convite e não fez cerimônia para servir-se, bem como sua companheira. Geralmente não degustava com gelo, a vida era ríspida e dura de engolir, a bebida não precisava ser tão diferente. Parou o tempo do primeiro gole para aproveitar a visão de Lilú em sua frente, algo bonito para retirar temporariamente o corpo daquela criança de sua mente. Sem perder muito mais o tempo dela, nem o próprio, começou o diálogo.<br />
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- Você sabe que estou atrás do baderneiro dos EUA que devia estar morto, mas não está, certo?! Ele já passou dos limites e minha paciência se esgotou. Eu achei uma criança na zona de conforto dele, uma criança. Filho da puta. – Boyd tomou um trago do copo, para não engolir a raiva em seco – Preciso que você me conte o que sabe sobre ele e seus passeios. Caso não saiba de muita coisa, preciso que passe um recado pra mim.<br />
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Após falar, sentou-se finalmente na poltrona próxima a Lilú, olhando fixamente para ela, analisando suas reações, assim como sabia estar sempre sendo analisado. A intenção não era falar como uma ameaça, mas era claro que ele não estava a fim de perder muito tempo. Ainda tinha diversas casas para visitar, caso não recebesse muito conteúdo. Existiam diferenças gritantes entre o tom que estava usando ali e o que usaria nos próximos felizardos. Gritante era, inclusive, uma referência apropriada para o que estava planejando para o restante de seu tour. Precisava extravasar, diferente do que geralmente é feito no estabelecimento da loira, não era nada bonito de se ver.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilú</span></div>
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Estava acostumada as notícias baterem em sua porta muito antes que em outros lugares, e não era surpresa ter policiais vindo lhe dar notícias em troca de outras, mas era certamente não usual receber aquele tipo de informação. O corpo de Lilú não demonstrou nenhuma surpresa óbvia ao saber da criança, sem tremores, sem gestos exagerados, mas seu olhar se estreitou, e os olhos castanhos ficaram nublados, como se tivessem momentaneamente perdido o brilho. Seu rosto gritava “filho da puta”, mas não precisou verbalizar. Levou a mão ao copo de bebida e balançou o mesmo levemente fazendo o gelo ceder um pouco.<br />
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Ouviu tudo que o cowboy tinha a dizer, e só após ele terminar de falar se resignou a tomar um gole da bebida sentindo o álcool descer em sua garganta até o estômago que parecia mais oco do que o costumeiro:<br />
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-- Eu sei algumas coisas sobre o que está acontecendo na cidade com nosso visitante indesejado. -- apontou a cadeira para que ele se sentasse, talvez a conversa demorasse um pouco mais de tempo. Tomou outro gole breve, e alternou as pernas cruzadas antes de começar a sua narrativa:<br />
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-- Das pessoas que eu conheço, nenhuma delas está envolvida diretamente com ele, o que eu sei, e o que todas as línguas da cidade estão comentando, é que ele de fato chegou, e se estabeleceu sem contatos diretos com as facções locais, quem deu o passe de entrada certamente deve ter mais influência em Paris do que aqui estabelecido na própria cidade. -- Aquilo não dizia tanto, afinal muitos podiam esta pondo o corpo fora, mas não estava mentindo sobre o abarcado geral da situação: -- dos bordéis que eu saiba ninguém deu abrigo, os chineses também não estão envolvidos até onde eu sei… Nem os russos, nem os italianos, muito menos os Turcos… O cabeça do tráfico de drogas nem em Cerise está, e não vi ninguém nos pontos dele falando qualquer coisa em prol do sujeito, a maioria é unânime na mesma pergunta: “quem mandou esse cara, e pra pegar quem”.<br />
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A loira se arrumou na própria cadeira e deixou o copo de bebida de lado pra acender um cigarro, oferecendo para o cowboy a cortesia. Deu um trago breve deixando a fumaça tomar o cômodo pequeno e desviou o olhar brevemente: -- Quem era a criança achada? Já identificaram quem era? -- Pausou a narrativa sobre o que o americano tinha lhe perguntado propositalmente, como se estivesse trocando uma pergunta por outra. Até porque, se era uma criança de Cerise, tinha grandes chances de ser de algum conhecido, e a mera ideia de ter o filho de algum amigo morto dessa forma lhe gelava a espinha e aumentava o oco que tinha no próprio estômago. Embora nada disso transparecesse em sua fisionomia além do olhar estreito de quem estava pensando muito mais do que estava falando.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Boyd ouviu todo o relato de Lilu sobre os criminosos da cidade e sua incapacidade de cuidar do seu próprio território. Caso qualquer pessoa usasse o termo crime organizado para relatar quaisquer que sejam as atividades ilegais dessa cidade, ofenderia até mesmo o oficial, pois essa definição estaria um abismo distante da realidade. Eram um grande bando de patetas incapazes, vivendo suas vidas patéticas em seus esquemas minúsculos. Que desgraça de lugar.<br />
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Negando o cigarro oferecido, organizou as informações que recebeu e as que daria, realmente não receberia muita ajuda na localização dele, tinha gente debruçada nisso o tempo todo, o próprio texano entre os oficiais, mas ainda não tinha colhido informações o suficiente para encurralá-lo por definitivo. – Já, é a filha de uma florista que sumiu da cidade, o caso foi arquivado mas em momento oportuno eu devo me envolver nesse outro lance – Finalizou, tomando mais um gole da bebida. – Preciso que você avise a esse bando de frouxos que eu vou continuar fazendo visitas aqui a todos eles, e que nenhum deles vai ter paz para trabalhar e vender/produzir/comprar suas coisinhas enquanto eu não pegar esse cara, então é melhor eles se mexerem e descobrirem onde ele vem se enfiando. Diferente desse cara, que eu vou finalizá-lo em momento oportuno, eu vou passar muito tempo aqui e, quanto mais tempo demorar para esse cara ser pego, mais irritado eu vou ficar.<br />
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Provavelmente Lilu já sabia de quem se tratava, essa informação não atrapalharia as investigações em nada. Muito pelo contrário, se ainda sobrasse um resquício de maternidade nesse animal que abandonou a criança aqui, poderia ser que ela voltasse, o que deixaria o desfecho da investigação mais fácil.<br />
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Além de todas as coisas na sua cabeça, ainda tinham algumas coisas desconexas em como foi apresentada a criança e a realidade do segundo assassino. Alguém com esse tipo de comportamento dificilmente explode num alvo específico assim do nada, era mais provável ter uma experimentação anterior, então pessoas com risco de vida elevado vinculado ao trabalho eram um alvo comum para esse tipo de animal. Precisavam extravasar seus demônios íntimos, mas não poderia ser em qualquer alvo, teria que ser alguém constantemente negligenciado pelas autoridades para manter o ato furtivo. Dependendo de como continuarem as negociações com sua amiga de copo, enveredaria por esse caminho para oferecer o pagamento em conjunto com mais informações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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A vida estava corrida nos últimos dias. Após a chegada calorosa e as descobertas nada apropriadas da residência das companheiras de trabalho, meio que à contragosto Leona “convidou” Boyd para participar do grupo de investigação, pode-se chamar assim, para encontrar Kyle Baile, um ex SEAL, supostamente morto, que apareceu para turistar na cidade e matar algumas pessoas. Veja bem, é muito comum os EUA vacilarem com os veteranos de guerra, mas geralmente os vacilos não envolvem problemas de nível internacional. Toda essa investigação sofria de um sério problema, que era o objeto de investigação está morto. Fica difícil pedir reforços, aumento de investimento em segurança, ajuda do governo estrangeiro, tudo isso para pegar um defunto, e isso era o que Leona enfrentava agora.<br />
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Não fosse o bastante, o chefe da polícia local era um puta preguiçoso, ele preferia tapar os olhos do que enxergar uma ameaça do nível que aparecia naquele muquifo de cidade. Toda essa pressão e trabalho excessivo, fazia o texano imaginar se a oficial Blanche era loira mesmo ou se o cabelo perdeu a cor devido ao stress de trabalhar em meio a um monte de incompetentes. Como não tinha mais o que fazer, o cowboy constantemente fazia infinitas horas extras, revendo os pequenos delitos mal resolvidos, apreendendo drogas, dando tapa em delinquentes, coisas divertidas do gênero. A coisa mais comum era ficar na delegacia e dormir lá, fazendo com que conhecesse a rotina da delegacia. Leona era a primeira a chegar e a última a sair. Ela podia ser um saco, mal humorada, mas ela trabalhava duro, mais do que qualquer um, até ele mesmo.<br />
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A relação entre os americanos da delegacia era estranha, ela constantemente reclamava dele usar a delegacia como hotel, ele dizia que aquela noite na casa dela deixou ela muito preocupada com seu bem estar e isso era bonitinho. O acontecimento seguinte era variável, as vezes ela grunhia algo inumano e saia, as vezes ela parava para bater boca por mais tempo do que desejava, mas a convivência tornou-se algo até divertido. O único momento mais tenso foi o que ele considerava o trote do local, que foi quando Leona após a briga matinal corriqueira, perguntou se ele tinha tomado café, até oferecendo-se para fazer algum na cafeteira. Ora, é impossível alguém errar isso, certo?! Errado. Impressionante foi o momento da degustação, onde ele, que jamais havia provado formol do necrotério após utilizado num defunto, mas tinha certeza que o gosto era igual. Mas aquilo foi uma ótima lição, jamais confie que algo é à prova de falhas.<br />
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Toda essa rotina de ver que o texano estava sempre trabalhando, deve ter sido o indicativo que ele era confiável para auxiliá-la numa tarefa importante como aquela, que era achar um cara, altamente treinado, sem o aparato tecnológico nem pessoal, numa cidade labiríntica. E o pior era saber que ele parecia estar sempre um passo à frente da polícia. Mas também, com os representantes do departamento, isso não era lá uma grande surpresa.<br />
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As coisas realmente impressionantes relacionadas ao departamento, começaram a se mostrar com o aparecimento das necessidades no processo investigativo. Um dos cachorros da polícia foi subtraído do prédio e os restos mortais foram encontrados na cama do psicólogo de St. Clavier, Aleksei Dimitri Vlahos, alvo da obsessão desse psicopata procurado. Nesse caso, a polícia sabe exatamente o que fazer, com as medidas forenses para não danificar evidências, certo?! Assim como no caso da cafeteira, errado. Os imbecis do departamento esculhambaram a cena do crime, contaminaram toda, impressionante. Se os pivetes da academia fossem colocados para cuidar da cena, dificilmente fariam tanta porcaria como os oficiais. Dessa forma, Boyd percebeu que somente três pessoas nesse departamento eram aptas, além de preparadas para pegar esse cara, ele, Leona e Carissa.<br />
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Com os constantes avisos de Boyd que já estava passada a hora de chutar algumas portas, geralmente respondidos por Leona que os trâmites legais tinham que ser seguidos, a resposta dela mudou recentemente. Motivo? Informações sobre um psicopata solto na cidade, armado, treinado e perigoso vazaram para a mídia. Claramente, uma informação dessas não seria um vazamento do próprio departamento, certo?! Errado de novo. Os animais, tentando mostrar que tinham o pau maior que Leona, vazaram para pedir o apoio da população para um disque denúncia. Ora, quando você precisa de uma velha de 90 anos ligar para realizar o seu trabalho, você é realmente uma desgraça. Com isso, os ânimos ficaram exaltados e o inferno de filtro dos trotes e informações úteis começou. Pobre Carissa.<br />
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Das informações variadas e inúteis, somente o horário mais comum que supostamente Kyle era visto era mais comum. Muito comumente de noite, andando à esmo em Rouge, Pourpre, L’Encre, Gris provavelmente ninguém faria denúncia. Nada que já não fosse imaginado, faltava gente para patrulhar, só isso. Mas os animais imaginaram que isso faria o trabalho mais fácil, que perfilar é coisa de adivinho. Ignorantes. Pode ser estranho, mas passa longe de ser esoterismo. Funciona, não é o método do texano, mas funciona. Levando isso em conta, decidiu andar à paisana entre o distrito residencial, com uma garrafa de whisky exposta, claramente cometendo uma infração. Passava entre as ruas das residências, atento aos movimentos, quando algo que parecia um pé, deitado, próximo de alguns entulhos. Ao se aproximar, mão próxima à pistola, finalmente algo mais chamativo veio aos seus sentidos, um cheiro muito comum ao seu nariz, cheiro de morte.<br />
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Sua experiência no combate à cartéis fez com que, mais do que gostaria, encontrasse corpos em decomposição. Era comum corpos mutilados, faltando pedaços, inclusive faltando cabeças, mas isso era algo que mexia com seus sentimentos. Era o corpo de uma criança. Nitidamente mutilada e espancada, faltando os olhos, se decompondo, exposto para quem quisesse ver, provavelmente o corpo foi mantido em um local isolado, improvável passar esse tempo todo caído aí sem ser notado. Os sinais mostravam um exagero na morte, claramente algo passional. Os olhos mostravam um dos traços que ligavam a Kyle, mas o desleixo que mostrava uma ligação negativa com a vítima era algo fora do perfil do assassino. Tudo isso estava no perfil traçado por Leona, com os levantamentos e pesquisas, então era claro que perfilar não era adivinhação. A incoerência era o crime ser passional e o corpo ser deixado como se não fosse nada, sem sinais de remorso, era sentimento demais na execução e sentimento de menos no despejo, provavelmente Kyle estava envolvido, mas não era só ele. Boyd podia ser avesso à burocracia, mas tinha ótimos instintos e era um ótimo detetive, quando se dispunha a colocar a cabeça para funcionar, suas habilidades como pistoleiro eram mais afiadas, mas a cabeça não servia só para segurar o chapéu.<br />
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Como pai de uma garota pequena, aquela cena trouxe um ódio crescente em seu peito. Uma raiva quase que incontrolável. Não importa o que acontecesse agora, esse cara não seria mais preso, Boyd iria pessoalmente mandá-lo para o inferno e fazer esse favor para o Tio Sam. Após algumas longas respiradas para recuperar-se da cólera, pegou o telefone e solicitou uma equipe completa de legistas, reforços para isolar a área e esbravejou que os imbecis viessem preparados para fazer seu trabalho direito, pois incompetências não seriam mais toleradas. Só faltava uma pessoa para ser chamada, pegando o telefone do bolso, efetuou a chamada para ela. Não sendo atendido, ligou para Carissa, que dividia o apartamento com ela e dado o horário, estaria acordada.<br />
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- Alô, Carissa, pode chamar a Leona, por favor, ela não ta atendendo minhas ligações. Ok, eu espero, obrigado. - após algum tempo esperando, finalmente ela atendeu - Leona, encontrei um corpo aqui no meio do distrito residencial, vou te passar a localidade exata. Traga luvas e material de perícia extra pra mim, prepare o estômago também, é uma criança... – a pausa para não perder o controle novamente para a raiva – e está feio.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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Como se estivesse presa em um ciclo infinito de problemas e portas fechadas, o trabalho na delegacia seguia cada vez mais intenso. A loira estava acostumada ao trabalho incessante quando ainda estava no departamento do FBI, no entanto, estar cercada de oficiais competentes e de um sistema policial do qual tinha crescido dentro e conhecia muito bem, lhe dava segurança. A situação era completamente desfavorável para si, estava em uma delegacia pequena, pouco aparelhada, e com pouca autonomia para agir, estava cercada de pessoas desinteressadas e com pouca fé no próprio trabalho, exceto alguns poucos oficiais, que diga-se de passagem estavam tão sobrecarregados quanto ela. Todo dia, era um dia onde recebia muita informação, para encaixar no grande quebra cabeça que estava a investigação acerca do ex SEAL Kyle Baile. E por mais que fosse uma excelente profissional, tinha um limite de o quanto conseguia fazer e agir, sem ter acessos a determinadas áreas da cidade, ou a reforço no corpo policial para dar conta das áreas que precisavam ser investigadas.<br />
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E como se não fosse suficiente, o sujeito sabia como agir, e ia deliberadamente fechando o cerco, atormentando mais seu objeto de obsessão, provocando a polícia a ponto dela cometer erros primários, e parecia que tudo seguia conforme o psicótico queria. Por sorte, ou talvez por conveniência ele não tinha matado ninguém em Cerise ainda, e isso indicava que ele ainda tinha algum receio de agir de forma tão livre dentro da cidade. No entanto, sequestrar e matar um cão da polícia, já indicava que os níveis de ansiedade do psicótico estavam altos, e que logo, ele passaria daquele segundo estágio de perseguição, para o terceiro, onde ele passaria a matar outras pessoas para aliviar a vontade de matar seu próprio objeto de obsessão.<br />
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E foi sem surpresa com que Leona atendeu a ligação do oficial Garret naquela madrugada diante da notícia do mesmo ter encontrado um corpo: -- Estou a caminho. – foi o que a loira respondeu simplesmente, sabendo que havia uma série de procedimentos a seguir. A loira se vestiu rapidamente com roupas adequadas para missão em campo, e levou equipamento necessário para tal. Havia certa inquietação em Leona, já tinha visto corpos de crianças antes durante algumas investigações pontuais, mas não faziam parte de sua rotina, afinal, a loira não trabalhava na seção de casos especiais. Mas diferente de outras vezes, aquela sensação desgostosa se instaurava em si, talvez porque agora fosse mãe de uma criança e isso lhe deixasse apreensiva.<br />
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Não demorou para chegar ao local, pondo o par de luvas plásticas antes mesmo de entrar na cena do crime, e levando consigo o que o outro tinha lhe requisitado também. Se aproximou a área já fechada no perímetro de investigação marcado com as faixas amarelas, as áreas de contenção para afastar possíveis curiosos. Não demorou para avistar o oficial Garret, e se aproximou e estendeu o par de luvas na direção do outro: -- Está meio distante da sua casa, e fora do seu horário de ronda, mas está bem no meio da nossa área de investigação. —Se referiu ao ponto onde estavam, bem entre as áreas que precisavam cobrir onde o seu alvo já tinha sido visto diversas vezes. Não demorou para avistar o corpo que estava sendo devidamente fotografado, e ao observar o mesmo com maior atenção a expressão de Leona mudou, os olhos claros fixaram na imagem da garota de cabelos loiros longos, agora sujos de lama, o corpo todo espancando, mas as proporções batiam, e o rosto, apesar de deformado e parcialmente deteriorado, mesmo sem os olhos, ainda era reconhecível para a memória da oficial. A pausa na fala de Leona junto a expressão delatavam que ela já tinha reconhecido o corpo, e a confirmação veio na voz mais séria e pesada da loira ao dizer o nome da criança:<br />
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-- Adelaide Laurent…<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Boyd deu de ombros ao ouvir o comentário sobre a localização dele, nada precisava ser dito sobre aquilo. O trabalho precisava ser feito, era algo importante demais para se deixar passar ou ser relapso. Enquanto a maior parte dos oficiais do distrito estava ocupado demais cheirando os rabos uns dos outros, essa ameaça passeava pela cidade como se fosse o dono dela, isso deixava o texano doente. Ele tinha chegado nessa cidade, então jamais deixaria um criminoso brincar e fazer o que quisesse debaixo de seu nariz, o criminoso mandado para o hospital era um ótimo cartão de visitas.<br />
 <br />
O que se seguiu, ao ver a reação de Leona mudar quase que imediatamente ao ver a criança, foi uma experiência nova. A loira geralmente demonstrava claramente suas emoções, geralmente raiva ou descontentamento com as ações dos outros. Essa expressão mostrada por ela era nova, algo que ele jamais tinha visto. Não tinha tempo de convivência o suficiente para passar por uma situação onde ela mostrasse algo mais humano, algo além da máquina que ela quer que as pessoas acreditem que ela é. Em seguida, ao citar o nome da garota, Boyd ficou surpreso, mas na verdade nem deveria. Claro que ela sabia de quem se tratava a criança, a memória dela era algo impecável. O pior tipo de pessoa para se ter um relacionamento, teria disponível para um relatório a quantidade de vezes que você deixou a caixa de leite na porta da geladeira, a quantidade de vezes que você franziu o cenho ao saber que a mãe dela viria jantar e coisas do gênero. A loira vivia de tromba o tempo todo, o que só mostrava que Agatha Cristie estava certa, os elefantes não esquecem. Esse último pensamento, caso fosse um criminoso qualquer, seria externado. Não com uma criança inocente morta, nem mesmo seu humor corriqueiro sairia agora.<br />
 <br />
- Certamente você viu o mesmo que eu, emoção demais, emoção de menos. Kyle certamente deve estar envolvido, mas não creio que fez isso diretamente. O vazamento para a imprensa não falava nada sobre os olhos, não tem como ser um copycat.<br />
 <br />
A contagem de corpos finalmente tinha começado, estava aberta a temporada de caça. Com aval ou sem, já não havia mais tempo a perder com burocracia. Infelizmente, ou não, as pessoas da delegacia finalmente iam saber o motivo dele ter sido mandado para um lugar mais pacato. Pela pouca convivência, bem como pela estima construída nos dias que se passaram, ele ao menos daria um aviso a Leona, agora era pedir perdão, não mais permissão.<br />
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- Esse cara conhece a cidade, conhece o departamento e conhece os métodos padrões. Trabalhar normalmente não vai funcionar para pegá-lo. Eu vou caçar esse bastardo como o animal que ele é, meu único arrependimento é que eu só vou poder matá-lo uma vez.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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A oficial tinha um bom autocontrole e alguns bons anos de profissão nas costas o suficiente para manter a expressão mais focada e guardar todas as repercussões emocionais que ver aquela cena lhe causava. Talvez por fazer já alguns anos desde o último caso que envolvia crianças, ou por agora ser mãe de uma criança um pouco mais nova do que a vítima, aquilo atingia Leona como uma machadada no meio do peito. Obviamente o que não ficou evidente na expressão da oficial ficou na mão fechada firmemente ao lado do corpo como se aquilo fosse o máximo que podia externar dentro da situação de trabalho.<br />
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Sua mente organizava todas as informações visuais relevantes, e sabia que por não ter os olhos aquilo ligava o caso ao Kyle, no entanto, o estado em que o corpo se encontrava, mostrava o nível de espancamento que demonstrava sentimentos demais para o psicótico descrito nas anotações e observações de Aleksei. Como se fosse capaz de ler seus pensamentos, o oficial Garrett começou a expor seus apontamentos sobre o caso, e com mais tempo para avaliar a cena, ele já tinha colocado os pontos nos “í” sobre as incoerências da morte daquela criança. A loira acenou positivamente concordando com as observações feitas: -- é impossível ser um copycat. E sim, a única coisa que é “assinatura” do nosso alvo são os olhos faltantes, todo o resto é de autoria de outra pessoa. Mas quem? -- Os legistas confirmariam muito provavelmente que os olhos tinham sido arrancados após a morte da criança, logo, o assassinato da mesma, não teria sido feito pelas mãos do próprio Kyle, no entanto, todo o resto da cena podia ter sido orquestrado pelo psicótico. Aquilo lhe dava margem para acreditar no nível de persuasão que o homem poderia ter, mas ele teria de ter encontrado alguém ou muito sugestionável, mas isso lhe deixaria com problemas para que a pessoa tivesse coragem para a execução. Ou talvez outro doente mental? mas para ter acesso a pessoa, ele teria de saber qual o tipo de doença mental, e ter conhecimento de caso, pelo menos a nível de um psiquiatra, para saber como acessar e como lidar com o tipo de doente e como sugestiona-lo. Ou quem sabe, alguém que tivesse rancor da pequena Adelaide, mas o quê uma criança de oito anos poderia ter feito de tão imperdoável para que alguém a quisesse morta? <br />
<br />
Obviamente sua linha de raciocínio foi interrompida diante dos comentários de Boyd, que estava lhe avisando com todas as letras que iria quebrar as indicações do que um bom oficial tinha de fazer no exercício de sua função. Bem, no momento, Leona estava precisando de outro tipo de “bom oficial” um que pudesse ajudá-la a solucionar aquele caso, e se era necessário ir pela tangente, então que assim fosse. Leona observou Boyd longamente enquanto ele falava, o encarando nos olhos, e depois estreitou os mesmos, fechando em seguida e respirando fundo, acenando positivamente ao que ele tinha dito: <br />
<br />
-- Adelaide Laurent, é filha única de Juliette Laurent, a criança estava sob a guarda de Anabelle Dupont, dona do restaurante Sauté. A criança foi dada como desaparecida há dois dias, após sair da escolinha, a cuidadora chegou além do horário de buscar a criança e a mesma já tinha saído na companhia de outra pessoa, estava desaparecida desde então. Existe um investigação corrente sobre a mãe da criança, no dia 23 de Fevereiro ela deu queixa de incêndio criminoso em sua fazenda de flores nos limites da cidade, e em seguida, sumiu da cidade, sem deixar qualquer registro. Após laudo dos bombeiros, observou-se que o incêndio realmente foi criminoso, mas não bate com nenhuma assinatura de gangues da cidade, não existe registro de qualquer envolvimento ilícito de Juliette com nenhum grupo criminoso também, que indicasse vingança, e o incêndio foi em proporções maiores do que seria ligado a simples “vandalismo”. Os únicos vínculos dela eram com a floricultura e o SPA que tem em sociedade com Madame Dupond. Ela é procurada apenas por uma queixa de abandono de menor, feita por mim. -- Leona respirou fundo, reorganizando as informações que eram mais relevantes acerca da criança, e do caso da mãe dela, além dos demais pontos que seriam importantes falar para o oficial: -- O caso de Julliette Laurent está no arquivo, na seção xxx, caso n° xxxx-x, vai precisar ser reavaliado agora que a criança foi encontrada, para saber se tem alguma indicação que leve a alguém que tivesse ódio dela, a ponto de poder descontar na filha da mulher.<br />
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Leona fez uma pausa breve, novamente tomando um pouco de fôlego, e pegando o telefone e puxando o atalho da central, mas não sem antes voltar a falar com Boyd ao seu lado: -- Eu vou tomar conta da delegacia e vou falar com a cuidadora da criança. O senhor, oficial Garret, têm o restante do dia para tratar dos assuntos que forem relevantes a investigação em campo. -- Com isso a loira estava apenas afirmando que o outro tinha carta branca dela para ir investigar onde fosse, iria cobrir as costas dele da burocracia e dos inquéritos até onde conseguisse. Afinal, por mais que desgostasse de quebrar leis, queria ver o desgraçado do Kyle morto, tanto quanto o próprio Boyd, e se o oficial estava se propondo a fazer o serviço sujo de rua, o mínimo que a loira podia fazer, era assumir a culpa como responsável por todos os atos dos policiais envolvidos no caso que ela estava a frente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Era uma quantidade de informações realmente impressionante para se puxar da memória, a raiva que sentia dificultou um pouco, mas conseguiu se concentrar o suficiente para acompanhar as informações. O problema era outro, essas informações trouxeram mais perguntas à cabeça do texano. Ninguém tão limpo, com moral tão ilibada fugiria às pressas dessa forma, ainda por cima deixando uma criança para trás. Os indícios falados, afastavam a parte de uma eventual vingança com relações ao incêndio e a garota, quem quer que estivesse disposto a incendiar uma fazenda, não deixaria se passar uma quantidade grande de tempo antes de pegar a criança. O tempo entre a denúncia e a fuga também era suspeito, era provavelmente de algo que representava um perigo, mas não o suficiente para ameaçar sua filha. O melhor palpite, alguma ilegalidade estava para ser descoberta e ela fugiu antes de ser presa. O incêndio foi utilizado como queima de evidências, afora um possível seguro que ela tivesse para receber da fazenda, mas isso teria que ser analisado nos arquivos do caso.<br />
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- Ninguém tão exemplar foge assim, afora que alguém disposto a tocar fogo numa fazenda não esperaria tanto para pegar a menina. – Boyd fez uma pausa para organizar as ideias relacionadas aos casos que conhecia de incêndios em laboratórios, não era um especialista no assunto, mas já tinha visto vários imbecis morrerem queimados cozinhando. – Esse incêndio é bem providencial, certamente foi criminoso, mas o tamanho que ele tomou pode ser devido aos materiais usados para produção de alguma droga. Se a análise dos bombeiros foi só sobre ter sido usado um acelerador, foi superficial. Eu não vi os arquivos do caso, nem sou especialista em química, mas um incendiário criminoso não usaria a mesma coisa que um produtor de narcóticos para o crime. Se procurarem algum elemento estranho, tenho um palpite que vão encontrar.<br />
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Mas esse caso era secundário, no momento a preocupação do departamento era Kyle, que se mostrava confiante o suficiente para andar na área residencial, e caso fosse confirmado que ele esteve envolvido no rapto da criança, numa área escolar e ainda por cima durante o dia. Mas essa confiança que ele adquiriu, poderia ser justamente o que derrubaria o ex SEAL. Para raptar uma criança, ele precisaria de um veículo, bem como essa criança não foi escolhida aleatoriamente, então precisaria de uma vigília, mesmo que pequena para saber a rotina. Câmeras podem ter pego esse veículo que ele usou, mesmo que ele tenha usado uma placa fria, numa cidade desse tamanho, Boyd acharia facilmente quem fabricou a placa, afinal ele não traria uma placa dessas na mala. Com isso, Kyle precisava de contatos na cidade, ele certamente era um cara persuasivo e boa praça, mas o texano também sabia ser, um aperto do jeito certo fazia qualquer vagabundo cantar.<br />
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- Eu vou continuar meu passeio, tenho alguns lugares para visitar, volto para delegacia quando descobrir alguma coisa interessante. Quando precisar de alguns suprimentos também, tipo aquelas batatinhas da máquina, eu adoro o que uma automática pode oferecer.<br />
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Era chegada a hora de recolher informações. Um dos lugares mais propícios para iniciar era no estabelecimento de Lilú, o Corde Liers Club. Muitas pessoas passavam lá, muitas confissões eram feitas, lá era um lugar estratégico. Em seguida, dependendo do que conseguisse lá, voltaria para a delegacia e pegaria munição. Os criminosos dessa cidade estariam prestes a se tornarem cidadãos preocupados, cheios de boa vontade para oferecer Kyle para a polícia. Um bom empresário não deixaria seu negócio ser atrapalhado pela polícia, ainda mais por causa de um puto estrangeiro que veio só para bagunçar.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>/Lilú<br />
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Certamente não estava enganada de imaginar que oficial Garret era mais habilidoso do que as piadas ruins dele mostravam. Ele tinha muita experiência em campo, mas também tinha raciocínio de investigador, o que era bom, considerando que já pensava por muitas pessoas, podia deixar que o oficial tomasse conta de si mesmo, e tomasse suas próprias conclusões, era um estresse a menos para administrar:<br />
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-- Eu também considerei tudo suspeito, como fui eu que pedi os laudos dos bombeiros, pedi que fossem recolhidas amostras duplicadas, a que foi pra análise superficial e a segunda para o arquivo caso fosse necessário, retomar o caso já que ele estava inconclusivo. -- em seguida Leona ligou para central, e indicou mais detalhes do que queria que fosse feito, enquanto o corpo estava sendo recolhido. Sabia que não podia despachar ele direto para o legista sem autorização dos responsáveis, mas sinceramente, tinha urgência de saber o que foi feito, para traçar o perfil do segundo assassino, e isso seria mais um processo pra sua conta. Desligou o aparelho para tornar a dar atenção ao oficial Garret que já estava anunciando a própria saída: -- Você vai precisar de boas informações pra requerer a reabertura desse caso, eu posso adiantar a justificativa de ligação da morte da criança com o nosso alvo, pela assinatura, mas não tenho como ligar a motivação do segundo assassino com o caso da mãe dele, a menos que seja achado alguma evidência importante. -- Leona observou longamente enquanto ele se afastava: -- vou estar lá na delegacia quando você voltar, e as suas batatinhas também. -- dito isto, a loira se encaminhou para os peritos que fotografavam a cena, indicando outras questões que precisavam ser fotografadas.<br />
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A medida que a madrugada avançava, a noite começava a ser deixada de lado, e aos poucos o céu começava a assumir um tom roxo azulado, o que normalmente queria dizer para todos os trabalhadores noturnos que seu turno estava prestes a acabar. Lilú estava  terminando de por a casa em ordem, as meninas estavam despachando os últimos clientes íntimos, enquanto a dona do Corde Liers Club, se livrava dos últimos clientes do bar, que já estavam todos  muito bêbados para voltar para casa de pé pelas ruas cerisienses e assistiu o taxi seguir caminho, parecendo um pequeno carro de palhaço. <br />
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Estava usando um vestido roxo brilhante, que mesmo naquela pouca luminosidade, marcava bem as curvas da mulher. E claro, aquela hora da madrugada, era estranho ver gente se encaminhando naquela rua em direção ao seu bar, e a loira estreitou os olhos para averiguar quem estava dando o ar da graça tão perto do horário de fechar:<br />
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-- Vejam só quem está de volta! Olá meu Cowboy favorito! -- a loira jogou os fios sobre o ombro de um jeito charmoso, enquanto lançava um sorriso travesso para o novo visitante: -- Estamos fechando, então eu sei que seu fuso-horário pode estar com problemas de adaptação ainda, mas aqui não é pousada pra dormir depois de uma noite de farra. Principalmente uma noite de farra que não foi no meu bar. -- Lilú pontuou, com seu jeito brincalhão, apenas esperando pra saber que tipo de novidades seu mais novo amigo estava lhe trazendo aquela hora da madrugada.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Em qualquer outro dia, Boyd acharia o ritual de convencimento para entrar após o horário de encerramento das atividades interessante, mas não era este o caso. Era certamente uma visão interessante, sua anfitriã, num vestido brilhoso e justo que enganava os sentidos, não demonstrando certeza das dimensões da moça até estar muito perto. Para alguém de vontade fraca, a proximidade suficiente para compreender todas as suas curvas era uma distância perigosa, um caminho tortuoso e sem volta. Poderia percorrer essa estrada quando tudo isso tivesse acabado e pudesse dormir em paz, paz de algumas horas, até mais algum imbecil cometer um crime e precisar ser devidamente educado.<br />
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Lilú como sempre estava sendo simpática, fazia parte do trabalho dela, e notoriamente ela fazia isso muito bem. O texano aproximou-se, ainda com a garrafa de whisky na mão, entendendo a questão levantada sobre farras em outros lugares. – A pessoa que vem até aqui para dormir, tendo tantas outras coisas interessantes para fazer, certamente deixou de viver a muito tempo. – Permitiu-se um pouco de humor, tentando manter seu ar de sempre, mas era mais do que claro o esforço para colocar a irreverência na fala, até algumas horas atrás, fluida. – Preciso entrar e conversar com você, Lilú, não viria te encher se não fosse importante.<br />
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Estava mostrando a importância do assunto, bem como a importância dela para iniciar o diálogo. Ele estava a muito tempo em campo, esteve em inúmeros interrogatórios, alguns deles não dava pra usar violência, o que era uma pena, tornava tudo mais devagar. Sabia muito bem algumas técnicas para não ser usado e sair de mãos abanando, ora, ela era uma fonte muito valiosa de informações, seria muita idiotice dele imaginar que só ele a buscaria para descobrir coisas de seu interesse. Teria que ser cauteloso com toda essa simpatia, se fornecesse mais coisas do que conseguisse, teria somente perdido tempo, afora o certificado de incompetência.<br />
 <br />
Kyle era cauteloso demais, dificilmente ela saberia onde ele está, e mesmo que soubesse, dificilmente Boyd teria algo bom o suficiente que pagasse uma informação tão valiosa. Já não era mais segredo para ninguém o quão problemático era seu alvo, e sua vida só não se tornou um inferno pior de informações desencontradas pela ajuda de Carissa e por não ter aparecido alguém rico, influente e desocupado o suficiente para oferecer uma recompensa a quem der informações que levassem ao paradeiro do sujeito.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilú</span></div>
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A loira certamente não tinha habilidades sobrenaturais de adivinhação, mas era fácil notar que tinha alguma coisa incomodando o cowboy sempre engraçadinho. E dado o que estava acontecendo na cidade nos últimos dias, até estranhava que o humor do americano só tinha sido afetado agora. Isso significava no mínimo que algo bem pior, acima das expectativas para o jovem policial que estava bem acostumado a essa vida de lidar com quem não prestava. A loira não mudou de expressão, oferecendo seu sorriso de sempre para o moreno mais novo:<br />
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-- Entre, você sabe que eu sou especialista em quebrar galhos, ou derrubar árvores inteiras a depender do que for necessário. -- brincou, dando espaço para o mais alto entrar, fechando a porta do bar em seguida. Dentro os funcionários arrumando cadeiras e limpando balcão, alguns até cumprimentaram o cowboy de outras vindas dele ao local: <br />
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-- Meninos e Meninas, fechamos por hoje, estamos que nem lotérica, atendemos só quem está dentro do prédio depois das portas trancadas.  -- a loira lançou um risinho, que foi seguido por alguns, e guiou o cowboy, até sua sala. Imaginava que ele não queria de fato um quarto pra dormir, então levou ao escritório que tinha, sala pequena, mesa e poltronas confortáveis, jogos de copos e bebidas variadas. O cheiro de cigarro era bem característico tendo em vista o cinzeiro cheio de bitucas. A loira se enfurnava ali pra dar conta de papelada chata ou quando a conversa era muito séria pra se ter no meio do bar:<br />
<br />
-- Fique à vontade, se quiser gelo pra acompanhar a bebida, ou cigarro pra amaciar a garganta, parece que tem muitos espinhos pra por pra fora Cowboy. -- A loira não sentou do outro lado da mesa, puxou um copo com gelo para si mesma, e um copo sem gelo para Boyd, deixou que o próprio servisse as duas bebidas,  ficando em uma das poltronas na frente, pra poder ficar próxima do mais novo, cruzou as pernas de um jeito feminino e sedutor de sempre, apenas esperando a bomba que ia cair bem em seu colo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Pegando a garrafa de whisky que trouxe, aproveitou o convite e não fez cerimônia para servir-se, bem como sua companheira. Geralmente não degustava com gelo, a vida era ríspida e dura de engolir, a bebida não precisava ser tão diferente. Parou o tempo do primeiro gole para aproveitar a visão de Lilú em sua frente, algo bonito para retirar temporariamente o corpo daquela criança de sua mente. Sem perder muito mais o tempo dela, nem o próprio, começou o diálogo.<br />
<br />
- Você sabe que estou atrás do baderneiro dos EUA que devia estar morto, mas não está, certo?! Ele já passou dos limites e minha paciência se esgotou. Eu achei uma criança na zona de conforto dele, uma criança. Filho da puta. – Boyd tomou um trago do copo, para não engolir a raiva em seco – Preciso que você me conte o que sabe sobre ele e seus passeios. Caso não saiba de muita coisa, preciso que passe um recado pra mim.<br />
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Após falar, sentou-se finalmente na poltrona próxima a Lilú, olhando fixamente para ela, analisando suas reações, assim como sabia estar sempre sendo analisado. A intenção não era falar como uma ameaça, mas era claro que ele não estava a fim de perder muito tempo. Ainda tinha diversas casas para visitar, caso não recebesse muito conteúdo. Existiam diferenças gritantes entre o tom que estava usando ali e o que usaria nos próximos felizardos. Gritante era, inclusive, uma referência apropriada para o que estava planejando para o restante de seu tour. Precisava extravasar, diferente do que geralmente é feito no estabelecimento da loira, não era nada bonito de se ver.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilú</span></div>
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Estava acostumada as notícias baterem em sua porta muito antes que em outros lugares, e não era surpresa ter policiais vindo lhe dar notícias em troca de outras, mas era certamente não usual receber aquele tipo de informação. O corpo de Lilú não demonstrou nenhuma surpresa óbvia ao saber da criança, sem tremores, sem gestos exagerados, mas seu olhar se estreitou, e os olhos castanhos ficaram nublados, como se tivessem momentaneamente perdido o brilho. Seu rosto gritava “filho da puta”, mas não precisou verbalizar. Levou a mão ao copo de bebida e balançou o mesmo levemente fazendo o gelo ceder um pouco.<br />
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Ouviu tudo que o cowboy tinha a dizer, e só após ele terminar de falar se resignou a tomar um gole da bebida sentindo o álcool descer em sua garganta até o estômago que parecia mais oco do que o costumeiro:<br />
<br />
-- Eu sei algumas coisas sobre o que está acontecendo na cidade com nosso visitante indesejado. -- apontou a cadeira para que ele se sentasse, talvez a conversa demorasse um pouco mais de tempo. Tomou outro gole breve, e alternou as pernas cruzadas antes de começar a sua narrativa:<br />
<br />
-- Das pessoas que eu conheço, nenhuma delas está envolvida diretamente com ele, o que eu sei, e o que todas as línguas da cidade estão comentando, é que ele de fato chegou, e se estabeleceu sem contatos diretos com as facções locais, quem deu o passe de entrada certamente deve ter mais influência em Paris do que aqui estabelecido na própria cidade. -- Aquilo não dizia tanto, afinal muitos podiam esta pondo o corpo fora, mas não estava mentindo sobre o abarcado geral da situação: -- dos bordéis que eu saiba ninguém deu abrigo, os chineses também não estão envolvidos até onde eu sei… Nem os russos, nem os italianos, muito menos os Turcos… O cabeça do tráfico de drogas nem em Cerise está, e não vi ninguém nos pontos dele falando qualquer coisa em prol do sujeito, a maioria é unânime na mesma pergunta: “quem mandou esse cara, e pra pegar quem”.<br />
<br />
A loira se arrumou na própria cadeira e deixou o copo de bebida de lado pra acender um cigarro, oferecendo para o cowboy a cortesia. Deu um trago breve deixando a fumaça tomar o cômodo pequeno e desviou o olhar brevemente: -- Quem era a criança achada? Já identificaram quem era? -- Pausou a narrativa sobre o que o americano tinha lhe perguntado propositalmente, como se estivesse trocando uma pergunta por outra. Até porque, se era uma criança de Cerise, tinha grandes chances de ser de algum conhecido, e a mera ideia de ter o filho de algum amigo morto dessa forma lhe gelava a espinha e aumentava o oco que tinha no próprio estômago. Embora nada disso transparecesse em sua fisionomia além do olhar estreito de quem estava pensando muito mais do que estava falando.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Boyd ouviu todo o relato de Lilu sobre os criminosos da cidade e sua incapacidade de cuidar do seu próprio território. Caso qualquer pessoa usasse o termo crime organizado para relatar quaisquer que sejam as atividades ilegais dessa cidade, ofenderia até mesmo o oficial, pois essa definição estaria um abismo distante da realidade. Eram um grande bando de patetas incapazes, vivendo suas vidas patéticas em seus esquemas minúsculos. Que desgraça de lugar.<br />
<br />
Negando o cigarro oferecido, organizou as informações que recebeu e as que daria, realmente não receberia muita ajuda na localização dele, tinha gente debruçada nisso o tempo todo, o próprio texano entre os oficiais, mas ainda não tinha colhido informações o suficiente para encurralá-lo por definitivo. – Já, é a filha de uma florista que sumiu da cidade, o caso foi arquivado mas em momento oportuno eu devo me envolver nesse outro lance – Finalizou, tomando mais um gole da bebida. – Preciso que você avise a esse bando de frouxos que eu vou continuar fazendo visitas aqui a todos eles, e que nenhum deles vai ter paz para trabalhar e vender/produzir/comprar suas coisinhas enquanto eu não pegar esse cara, então é melhor eles se mexerem e descobrirem onde ele vem se enfiando. Diferente desse cara, que eu vou finalizá-lo em momento oportuno, eu vou passar muito tempo aqui e, quanto mais tempo demorar para esse cara ser pego, mais irritado eu vou ficar.<br />
<br />
Provavelmente Lilu já sabia de quem se tratava, essa informação não atrapalharia as investigações em nada. Muito pelo contrário, se ainda sobrasse um resquício de maternidade nesse animal que abandonou a criança aqui, poderia ser que ela voltasse, o que deixaria o desfecho da investigação mais fácil.<br />
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Além de todas as coisas na sua cabeça, ainda tinham algumas coisas desconexas em como foi apresentada a criança e a realidade do segundo assassino. Alguém com esse tipo de comportamento dificilmente explode num alvo específico assim do nada, era mais provável ter uma experimentação anterior, então pessoas com risco de vida elevado vinculado ao trabalho eram um alvo comum para esse tipo de animal. Precisavam extravasar seus demônios íntimos, mas não poderia ser em qualquer alvo, teria que ser alguém constantemente negligenciado pelas autoridades para manter o ato furtivo. Dependendo de como continuarem as negociações com sua amiga de copo, enveredaria por esse caminho para oferecer o pagamento em conjunto com mais informações.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Penetrando no Terreno Inimigo [Jack; Boyd; Lilu; Carissa]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=289</link>
			<pubDate>Sun, 26 Sep 2021 02:10:51 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=84">Leona</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=289</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Nada de novo no RH, algumas perguntas básicas, afinal a loucura e stress em oficiais da lei é como pelo de rato em extrato de tomate, todos têm, só não pode ter demais. Alguns testes de tiro e pronto, o restante foram instruções sobre o trabalho. A indicação é que os trabalhos se iniciam em três dias, mas como não faz parte de seu perfil andar às cegas em serviço, o ideal é fazer um turismo antes. Lógico que não nesses lugares pop, baladinhas, shopping ou coisas do tipo, esses lugares têm sua grande visibilidade, mas a ação não acontece lá.<br />
<br />
Uma rápida olhada no mapa para identificar onde ficariam as periferias, rotas de fuga e nos arquivos de índice de criminalidade já era o suficiente para o tour. Uma conversa inicial com os comedores de rosquinha versão francesa já deu o tom da delegacia, indicações de lugares bastante frequentados, mais do que o horário de serviço permitiria, isso ou os horários das escalas eram bem estranhos. Quando disse para onde ia, a surpresa dos colegas era notória, bem como previsível, eles se entreolhavam como se tivesse chegado outra Leona na delegacia.<br />
<br />
Assim que saiu da delegacia encaminhou-se pelo centro, em direção a parte dos prédios mais históricos, onde ficava o caminho para a periferia. A quantidade de transeuntes diminuía conforme a proximidade com a parte menos abastada se aproximava, até que para em frente a um prédio histórico, boa aparência, música baixa saindo do lugar, bastante discreto para destreinados, ao aproximar-se sorri ao identificar o conteúdo do ambiente, uma fonte ideal de informações – o bordel.<br />
<br />
Ao entrar, o ambiente era bem agradável, algumas garotas, bem como garotos, andando entre os poucos clientes devido ao horário, provavelmente. Uma rápida e discreta olhada por todo o ambiente enquanto dirigia-se ao balcão do bar onde pediria uma cerveja, contando seguranças, pessoas bem vestidas, membros do DEA... espera, membro do DEA?! Enquanto a cerveja chegava, não parava de pensar no que pensava ter visto, procurando algo que refletisse na direção do homem loiro parecendo um armário, de fato era o agente do DEA que estava envolvido numa operação da narcóticos do passado. Ele estava bastante “engajado” num diálogo com uma mulher deslumbrante, chamava realmente a atenção, era um desperdício estar com ele; falando da operação, foi realmente uma boa operação, tirando algumas informações desencontradas aqui e ali que fizeram as coisas não darem muito certo para Boyd, mas no fim foi mais do mesmo, traficantes mexicanos mortos e a corregedoria em seu pé, ou seja, mais um dia de trabalho cumprido. Resistiu o quanto pôde, mas no fim levantou-se e foi na direção dele, teria que fazer aquela pergunta.<br />
<br />
- Hey, paper boy foi mandado para a casinha do cachorro também?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
 <br />
O que mais conseguia das suas saídas na França eram conexões. Algumas delas bem erradas, outras que lhe levavam a caminhos errados e alguns certos, mas nunca que tinham a resposta que queria. Para o bem ou para o mal, conseguindo as informações que precisava ou não, ao menos conhecia mais gente e às vezes, acabava em algumas pessoas lhe devendo favores. Naquele ramo em que trabalhava, ter pessoas importantes lhe devendo favores era sempre útil - fossem pessoas da lei ou fora dela, claro.<br />
<br />
Não achava que Cerise seria um lugar útil além de ser uma cidade pequena em que podia se esconder depois de fazer as investigações nos lugares mais movimentados e nas grandes metrópoles. Mas entre informações aqui e ali, descobriu uma pessoa que podia lhe ajudar no ramo de tráfico de pessoas especificamente. Por isso que deixou de fazer uma de suas viagens naquela semana para ir até um bordel muito comentado na parte baixa da cidade e encontrar a famosa Lilú. O nome era doce entre as garotas com quem já tinha esbarrado... e bem ácido entre os clientes com quem ela lidava, pelo visto.<br />
<br />
Mas da sua análise, a mulher até lhe trazia uma boa lembrança daquela firmeza de uma certa leoa que tinha em casa. E o melhor de tudo era que, de novo, sempre havia novas informações que compartilhar. Trocou contatos com a loira e antes mesmo de se despedirem, ouviu uma voz conhecida e com uma aproximação pela qual não esperava, especialmente ali naquele fim de mundo. Virou-se imediatamente para encarar aquele rosto conhecido e que lhe trazia algumas lembranças de assuntos mal-resolvidos.<br />
<br />
- Só cães mal-treinados voltam pra casinha, Django. - sorriu bem descarado, como já estava bem acostumado, levantou-se da cadeira à mesa que estava compartilhando com Lilú para poder se aproximar do policial conhecido. - Mas que bom que está aqui, porque hoje é o meu dia de sorte. - o sorriso alargou, mas não a tempo de deixar que o outro antecipasse o soco que veio em seguida, acertando em cheio a face esquerda do outro. - Essa foi pelo primeiro informante que você matou. Faltam quantos mais?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilu</span></div>
 <br />
Lilú estava bem-humorada naquele dia, embora não desse pra saber com exatidão quanto era bom humor e quanto era o sorriso esperto de sempre. De toda forma, quem trabalhava com ela, bem sabia que era muito melhor vê-la sorrindo independente de qual motivo fosse do que assisti-la chegar sem ele no rosto. Diferente do que muita gente imagina, os trabalhos em um bordel não começam a noite, principalmente pra quem administrava o lugar, sempre tinha algo pra resolver, pessoas pra conversar e pessoas a convencer. <br />
<br />
Vendia muito mais que entretenimento noturno e boas bebidas, e tinha um novo cliente, não tão novo assim, pelo que podia julgar nas conversas breves que tinham tido, ele chegava até sua pessoa, atrás de outros entretenimentos. Naquela noite em específico, tinha escolhido um vestido mais sóbrio o que não queria dizer fosse menos curto que os outros, era de um azul escuro, com brilho como tudo que gostava de usar a noite, mangas compridas, costas nuas e com um decote razoável. Estava apenas avisando as meninas do jeito dela, que passaria a noite bem ocupada com negócios, tinham seus códigos visuais, evitava se repetir, odiava ter de se repetir. <br />
<br />
Gostava de conversar com Jack, não somente por ele ser bonito, reconhecia aquele sorrisinho a km de distância, porque sabia sorrir do mesmo jeito, mas ele lhe fazia rir entre um assunto e outro, e isso fazia os assuntos transcorrerem, mesmo que fossem temas bem específicos. Mantinha-se próxima dele, com uma das pernas cruzadas sobre as dele, acariciando com a ponta do sapato, enquanto alardeava os assuntos conforme era conveniente, as vezes sendo direta, as vezes evasiva, até chegarem na moeda daquela conversa, uma troca de contatos. Mas o rumo da conversa mudou conforme uma voz masculina interrompeu, falando num francês bem mais ou menos, aparentemente direcionado ao loiro. E aquilo lhe deu um pressentimento ruim sobre o restante da noite.<br />
<br />
Lançou um olhar para a figura do sujeito novo, não o reconhecia, ele tinha todos os trejeitos de um mero turista, mas não se surpreendeu com a rapidez com a qual Jack lhe devolveu a gracinha, ele se afastou de si, e Lilú apenas alargou mais o sorriso, comentando em bom tom para que os dois ouvisse:<br />
<br />
– Se os dois rapazes precisam de um quarto pra se resolver, eu arrumo um em dois instantes! - comentou em tom cínico: – Só não façam bagunça no m-… – e não precisou de mais do que dois instantes, para que Jack acertasse o rosto do outro sujeito. <br />
<br />
A loira sequer se moveu de onde estava, apenas assistindo a cena se desenrolar, tinha um pressentimento breve de aquilo podia acontecer, e era engraçado como estava novamente certa, talvez caras engraçados fossem naturalmente impulsivos? Defeito de fábrica. E lançou um risinho baixo para a cena, mas não estava mais tão bem-humorada, esperava não ter de se repetir sobre eles não fazerem bagunça em sua casa. Detestava se repetir.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Django o cara que carrega o caixão da esposa e tal dos filmes, dado sua atual situação era uma comparação até bem desagradável, bem típico dele. Mas não tanto quanto o soco que viria em seguida, rápido demais até para seus reflexos o ajudarem a desviar, movimentou só o suficiente para não ser atingido num lugar que seria um nocaute inevitável, o impacto fez com que as palavras da moça que acompanhava Jack ficassem incompreensíveis. Cambaleou para o lado enquanto tentava se manter em pé, tudo isso ouvindo o choramingo sobre algum informante de Jack morto o que só tornava a coisa pior, mas o que era realmente revoltante era que sua cerveja que tinha acabado de pegar caiu, e isso tira qualquer pessoa do sério.<br />
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Levou a mão ao rosto para ver o estado do maxilar, parecia bom, manteve os olhos fixos no seu agora oponente, não seria pego de surpresa mais uma vez. Retirou o chapéu, mesmo de cabeça quente precisava pensar e responder com cautela, tinha acabado de chegar e foi até este lugar para recolher alguma informação por menor que seja, não pode terminar seu passeio cedendo um monte de informações sobre si mesmo. Gritar aos quatro ventos que era um policial só iria dificultar seu trabalho, e o engraçado é que Jack reclamava de ter seu informante morto e depois viria a coisa de ter estragado o trabalho dele, mas era justamente o contrário que estava prestes a acontecer. Para quem acredita em Carma, parece que essa era a hora do chavão.<br />
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- Devia ter cuidado melhor desse seu namorado, ou mandado ele vender os bagulhos dele fora da minha área. -arrumava discretamente a parte de cima do chapéu na palma da mão, preparando a pegada com apoio o suficiente para arremessa-lo com as abas na direção de Jack, para que dessa forma a visão dele fosse comprometida antes de revidar. - Além do que, era um x9, se eu o achei, qualquer um acharia também. – As últimas palavras foram ditas enquanto fez o movimento arremessando o chapéu, enquanto rapidamente se direcionava na direção de seu adversário para golpeá-lo com um potente gancho na linha de cintura, certamente não o derrubaria com um golpe só, mas tirar o gás do oponente para encurtar a luta era sempre uma boa ideia. - Se quiser continuar essa dança comigo, tenho bastante tempo livre.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack sequer prestou atenção nas palavras de Lilú. Em outras situações, estaria mais focado, mas queria mesmo dar umas surras no homem a sua frente que tinha cruzado o oceano atlântico só pr'aquilo. Queria retrucar mais coisas, mas qualquer comentário adicional seria bem inconveniente no meio de um bordel, especialmente se tratando de operações do DEA.<br />
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- Eu até gosto do jeito que você trabalha, pena que já passei dos quinze anos pra agir assim. - respondeu, bem a tempo de notar o movimento com o chapéu e desviar o rosto, já esperando a retaliação quando mal se desviou do soco que veio na direção do estômago.<br />
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Não lhe acertou com toda a força, mas foi a oportunidade para segurar o braço dele e rir em deboche sobre a "dança dos dois".<br />
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- Eu tenho alguns minutos pra você. - respondeu antes de erguer o braço livre para acertá-lo de novo no rosto.<br />
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De certo que o caubói já estava esperando pelo seu golpe, então foi fácil para desviar e mesmo com o braço preso, ele avançou para lhe acertar uma cabeçada segura no lado do rosto. Foi o suficiente para soltá-lo, mas não para se afastar demais e com a mão direita, segurou-o pelas roupas, puxando com vontade para dar uma joelhada no estômago. Ele ainda conseguiu colocar uma mão no caminho para minimizar o impacto, mas o acertou com segurança, o que foi suficiente para afastá-lo e fazê-lo bater numa das mesas.<br />
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Avançou o espaço que tinha aberto entre os dois, mas já foi o suficiente para que ele se recompusesse e a resposta de Boyd foi rápida também, desferindo um jab que lhe manteve distante e logo em seguida um soco de direita do qual desviou a ponto do punho dele passar de raspão no seu queixo. Ergueu a mão para empurrar o braço que ele tinha acabado de usar para lhe socar e avançou com uma cotovelada no peito do outro, de novo, ficando mais perto do alcance alheio.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilu</span></div>
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Sempre quando dois caras brigavam, a única coisa que Lilú gostava de fazer era assistir, não tinha mais o ímpeto juvenil de ir apartar brigas, principalmente de dois homens que passavam de um metro e oitenta de altura, aquilo certamente não lhe cabia. A troca de comentários toscos era um show a parte e todas aquelas ofensas era tão definitivamente gay, que só podia julgar que eles iriam se pegar depois que terminassem de brigar. A loira ainda mantinha o sorriso no rosto, e um ar definitivamente tranquilo para alguém que estava vendo socos, joelhadas e cabeçadas sendo trocadas.<br />
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As meninas que trabalhavam pra Lilú estavam acostumadas a confusão e na dúvida, com dois malucos brigando no meio do salão principal, era um bom momento para se adiantar para as áreas mais reservadas, com seus clientes. É claro que tinham aqueles que apreciavam uma boa briga de bar e começavam a somar comentários engraçadinhos no meio daquela farra toda. <br />
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A loira fez um gesto para uma das meninas que estava servindo bebidas, que lhe trouxe um drink colorido de um lilás suave. Lilú tomou um gole breve, para molhar a garganta e ainda com um ar de deboche comentou em tom audível:<br />
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– quem você acha que é o passivo dos dois? Eu apostaria minhas fichas no caubói, ele tem cara de quem cavalga muito bem, não acha?! – a loira não tirou os olhos da confusão e embora conversasse, parecia atenta ao desenrolar, principalmente quando aquilo começou a envolver mesas de seu estabelecimento.<br />
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- Eu apostaria minhas fichas no loiro, as aparências enganam sabe, Lilú, do caubói eu não sei, nunca vi e nem ouvi. – a mais nova reclinou-se ficando em uma altura mais próxima da loira mais velha: - mas posso ouvir falar… - comentou em tom reservado.<br />
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– Acho que seu eu entrasse no ramo de conselhos amorosos, talvez eu ganhasse dinheiro em cima de situações como essa… – apontou o copo na direção dos dois que ainda trocavam socos, chutes e impropérios: – muito dinheiro, por sinal. - e lançou outro sorriso de canto de boca, antes de levar o copo aos lábios e terminar a dose de bebida, para pôr de volta na bandeja.<br />
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A jovem sorriu retirando o copo e voltando para seu serviço, e agora lançava conversas fiadas para os clientes, principalmente aqueles que estavam mais empolgados em assistir a briga. Oferecendo-lhes bebida já que estavam animados assistindo o show de genuíno UFC, nada mais justo que isso ser acompanhado de boa dose alcoólica.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Como tudo que aconteceria naquele momento, aquela cotovelada ia deixar marcas. Boyd aproveitou a proximidade, bem como o posicionamento lateral do oponente para deferir-lhe um gancho nas costelas, o impacto foi parcialmente absorvido com um movimento de corpo de Jack, mas não o suficiente para impedir um inicio de desequilibrio. Utilizando-se de um movimento rapido e preciso, girando no eixo do proprio corpo, não so recuperou o equilibrio como desferiu um chute giratorio na altura da caixa toracica, atento apos levar a cotovelada, Boyd fechou a guarda de forma a bloquear o chute, o impacto o arremessou em uma das mesas.<br />
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Enquanto quebrava um pedaço da base da mesa devido ao impacto e tentava se recompor o mais rapido possivel, ancorando-se numa cadeira de aparencia solida, falou tanto para provocar como para pegar um pouco de folego - Quinze anos e?! Vai me culpar tambem pelos seus traumas do baile de debutante? - Segurou firme na cadeira para usa-la como arma, afinal era uma briga de bar, cadeiras são otimas aliadas - O que foi, você era uma menina gordinha e mamãe comprou um vestido muito apertado? - enquanto falava as ultimas palavras, com um movimento utilizando bastante força, devido a cadeira robusta, dando uma cadeirada em Jack.<br />
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O misto de surpresa e decepção foi automatico pela parte de Boyd, em contraste com a surpresa e alivio de Jack. A famigerada cadeira robusta na verdade não passava de uma cadeira leve de aluminio, fazendo com que o impacto recebido por Jack fosse quase nulo. Alguns segundos de silencio para digerir o que acabou de acontecer por parte de ambos os lados, bem como uma encarada dos dois para a gerente do estabelecimento ocorreu em sincronia. O momento comico foi quebrado por um chute direto na linha de cintura de Boyd, que utilizou a cadeira de brinquedo como escudo fazendo com que o pe de Jack arrancasse o fundo. A força aplicada fez com que Boyd desse alguns passos para tras para manter o equilibrio, e, antes de recuperar a proximidade arremessou a cadeira, ou o que restou dela com uma das mãos em seu oponente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Sabia que ficar muito perto não era uma boa ideia, mas tinha sido treinado para aquele tipo de proximidade. Já até previa o que ia acontecer e mesmo depois de tentar se desviar, ele lhe acertou um gancho bem posicionado que lhe despertou um "tch" ao dar para o lado. Afastou-se o suficiente só para acertar um chute giratório que foi defendido pelo outro, mas ainda lhe lançou contra uma mesa. Não estava mais prestando atenção nos danos, mas entre a irritação de encontrar com Boyd e a adrenalina da briga, não teve como dar muito valor aos arredores enquanto não fosse importante.<br />
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- Ah sim, meus traumas foram péssimos porque o espinhento com quem eu ia pro baile ficou preso na privada por silvertape. - manteve a postura de guarda ao observar especialmente quando ele estendeu a mão na mesa para se ajustar e se apoiar numa cadeira. Ao menos achou que era só o apoio. - Não se preocupe, eu não conto pra ninguém o seu gosto especial por água de privada. Nem que fui eu que lhe prendi lá.<br />
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A troca de farpas só foi acompanhada pelo movimento rápido do cowboy em pegar a cadeira pelo encosto e girá-la com força em sua direção. Protegeu a cabeça, virou as costas para levarem parte do impacto numa área que saberia que não ia machucar demais. Mas a expectativa de quase apagar com o peso do móvel foi pelo esgoto ao sentir a cadeira super leve. Olhou para o seu oponente, piscou algumas vezes, ambos igualmente incrédulos com a inutilidade do móvel. Mas sorriu convencido pela falta de eficácia no golpe dele e se preparou para mais um chute que só arrancou o assento da cadeira. Não havia mais serventia para aquele pedaço de móvel, então a única coisa que restou a Boyd foi arremessá-lo em sua direção. O instinto foi mais rápido e bateu na armação de metal com o braço, empurrando-a para fora do caminho... e bem para cima da dona do bordel.<br />
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A intenção de revidar foi pelo ralo, olhou para a loira com uma expressão de medo e culpa, particularmente porque podia tê-la machucado de verdade naquela brincadeira. Ao menos ela tinha se desviado um pouco, mas não totalmente.<br />
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- Holy shit... - resmungou baixinho, esquecendo-se por um instante do seu oponente que agora teria chance bem mais fácil de lhe acertar, desatento.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilu</span></div>
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Para a Cafetina aquela apresentação de masculinidade gratuita representada em socos e chutes era algo do qual já estava bem acostumada, claro, era mais engraçadinho quando eram moleques se estapeando, homens adultos costumam fazer um estrago maior. E bem, estava percebendo e principalmente contabilizando os estragos ali, nada que não fosse passível de substituição, e claro, não seria Lilú a pagar, algum dos dois pagaria, ou os dois, ia depender de quem estivesse consciente. E apesar de parecer uma DR digna de novela, a loira captava aqui e ali pedaços de conversa, e obviamente não tinha como adivinhar, mas já tinha por onde começar a perguntar, e além de dinheiro pelas mesas quebradas, ia acrescentar na conta algumas perguntinhas básicas, apenas pra manter a ordem e hierarquia do lugar.<br />
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E falando em ordem, as coisas ali começavam a tomar rumos que indicavam mais destruição de móveis, assistiu o cowboy pegar a cadeira com todo o ímpeto, e toda a “repercussão” que teve na hora do “impacto”. Acabou rindo mais amplamente da cena, as cadeiras eram justamente daquele jeito para evitar que os clientes se matassem usando elas, em qualquer desentendimento trivial de bêbados em um bordel. No entanto, embora o lugar estivesse agitado, a música tocasse, e alguns dos outros clientes gritassem xingamentos para o casal americano que estava em terapia ali lavando as mágoas do passado, a loira percebeu ainda em tempo, quando a cadeira bloqueada por Jack tinha vindo em sua direção.<br />
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Dentro de um vestido justo, não tinha muito espaço para se mover, mas tinha bons reflexos com os braços, e usou um deles para evitar um impacto direto do móvel contra o corpo e o rosto, bloqueando o objeto para passar por cima da cabeça, o som do metal foi passível de ser ouvido quando a cadeira caiu atrás do sofá onde a cafetina estava sentada. O Salão ficou momentaneamente em silêncio, a música parou, as conversas e gritos pararam, e a briga parou também. <br />
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Lilú sentia o braço quente e ardendo, o que queria dizer que tinha sido uma pancada forte, além da sensação molhada e morna no próprio braço, que queria dizer apenas que tinha feito um corte e ele estava sangrando. A dor foi até significativa, mas o que esquentou o sangue da loira foi a raiva, e quando ela abaixou o braço para espiar o estrago, não tinha um sorriso nos lábios da cafetina. Ela olhou de relance para os dois, um olhar acusador, e acenou positivamente, sem falar nada, ergueu a mão boa, e fez um gesto na direção dos dois. <br />
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Logo um grupo de seguranças surgiu, quatro homens, altos e largos, que podiam com certeza não serem os mais rápidos, principalmente em comparação com os dois baderneiros americanos, mas certamente tinham a mão pesada o suficiente para deixar carimbado na cara bonita de cada um, que tudo tinha limite, inclusive a paciência da Cafetina. E os seguranças não seguraram a mão, e deram uns bons socos e chutes nos dois, enquanto a música voltava a tocar as conversas seguiam agora mais tímidas, uma das meninas já se aproximava de Lilú no intuito de cuidar do braço machucado, mas a loira apenas acenou em negativa se levantando de onde estava para se aproximar dos dois, em passos lentos no salto alto, agora com os dois mais "amaciados" e quietinhos: <span style="color: eeb4b4;" class="mycode_color"> – aos rapazes, espero que tenham se divertido, vou mandar a conta, e não se preocupem, a conta vai chegar em vocês. Até mais. </span> – a loira destilou um sorriso venenoso para os dois, enquanto os observava de cima, e em seguida fez sinal para que os seguranças largassem os dois do lado de fora.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Tudo estava se desenrolando numa velocidade normal, não era exatamente para isso que foi aí, mas estava até com saudades de brigas de bar sem sentido. O arremesso da cadeira foi o estopim para que a coisa toda ficasse realmente intensa. Sabe quando você vê algo que certamente dará merda mas não pode fazer nada para impedir? Pronto, essa era uma situação do tipo. A trajetória da cadeira direto na que provavelmente era a dona do estabelecimento, afinal, ela estava sentada de bobeira enquanto o restante trabalhava.<br />
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A certeza só veio devido a reação de todos após o impacto da cadeira. Nada que deixasse a dama realmente machucada, mas o suficiente para mudar completamente o clima do lugar. Seu oponente estava distraído devido o problema causado, uma oportunidade para revidar o primeiro soco que iniciou tudo isso, e Boyd estava até disposto a fazê-lo, mas o sinal dado pela gerente fez com que alguns gorilas brotassem para intervir na diversão. A princípio o ímpeto da investida parecia que era para acertar Jack em cheio, mas na verdade era para acertar um dos seguranças que iria covardemente atacá-lo no ponto cego; naturalmente era fácil defender algo do gênero, mas Jack parecia ainda surpreso com as proporções que tudo isso tomou. Era engraçado ver alguém com uma língua tão afiada sem palavras por alguns segundos.<br />
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O que viria a seguir era uma disputa desleal. Os seguranças eram maiores, mais fortes e estavam descansados. O problema de se brigar com caras muito grandes não é tanto o que eles batem, se você for rápido o suficiente você consegue se virar, é o fato deles geralmente aguentarem muita pancada. A ajuda fornecida para Jack fez com que Boyd ficasse flanqueado, dificultando as esquivas e deixando a tarefa de avançar batendo inviável, de forma que foi pego pelos seguranças, assim como Jack, que após o impacto do soco que o segurança levou voltou a si, a partir daí se defendendo dos seguranças, apenas gerenciando a derrota inevitável, talvez por saber que vacilamos com a dona do lugar, se defendendo para não parar na UTI ao invés da área azul do hospital.<br />
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A maior guerra para Boyd era pegar o seu chapéu de volta, dane-se o resto. Não deixaria seu chapéu lá para servir de porta vômito de bêbados, ou porta porra, o que seria muito pior. Brigou o que dava, bateu o que dava também enquanto avançou pouco na direção do chapéu. - Seus bastardos filhos da puta! Saiam da frente! Se foderem em cima desse chapéu eu volto e mato todos vocês seus merdas!- xingou enquanto tentava avançar, batia e apanhava no processo. No fim, foi em vão, foram arrastados para fora, enquanto ainda levava piada da dona do cabaré, dizendo que ele ou eles iriam pagar pelos estragos.<br />
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Ao serem arremessados do lado de fora, com um pouco de dificuldade se levantou, pegou o celular do bolso e o usou como espelho quebrado para colocar o nariz em situação semelhante no lugar. – Pago a minha parte quando voltar, – dá uma cusparada de sangue de lado[color= red] – mas é melhor o meu maldito chapéu estar impecável.[/color] – falou alto o suficiente para ser ouvido dentro do estabelecimento.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack sabia que estava numa bela enrascada ao quase acertar a mulher que estava apenas se divertindo com a sua briga de galo com o texano, mas não esperava que os seguranças viessem para cima logo com a mesma agressividade que estava tentando descontar em Boyd. A reação automática foi apenas se defender das investidas, evitando devolver os golpes que seriam mais graves e certeiros especialmente porque a culpa era toda dele e do seu companheiro de briga - que por sinal, parecia muito interessado apenas em recuperar o chapéu.<br />
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- Ei, calma lá! Eu já parei! Não precisa dessa agressividade toda! - tentou retrucar com os brutamontes que continuavam investindo, mas pelo visto eles eram incapazes de entender seu francês... ou ao menos um francês muito meia-boca com um forte sotaque americano que parecia receita de bolo para irritar ainda mais os franceses. - Eu já entendi!!<br />
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Desviar-se dos golpes era relativamente fácil. Também conseguia lê-los o suficiente para se defender, mas não podia tirar muito crédito dos braços pesados que lhe deixariam com aquela dorzinha incômoda no dia seguinte nos braços e tronco.<br />
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Depois de todo o desespero de Boyd de ir contra os armários para pegar o chapéu que foi perdido e da sua tentativa de apenas se esquivar, os dois foram efetivamente lançados para fora do bordel com direito a serem enxotados pelas golas das roupas. Não era como se fosse fazer questão de voltar - não naquele momento -, mas os quatro ainda ficaram bem parados diante da entrada principal do bordel para impedir que eles voltassem. Suspirou longamente, levando a mão ao queixo que era apenas uma das partes do corpo que ficaria dolorida se não tivesse algum cuidado. Olhou de novo para o caubói, pensando se deveria aproveitar a oportunidade do lado de fora para continuar a discussão. Só a ideia lhe deixou cansado, suspirou pesadamente.<br />
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- Onde paramos? - ajustou a roupa amarrotada da briga e cuspiu um pouco do sangue da boca cortada pelo golpe de mais cedo, coçando o nariz em seguida. - Certo, você preso na privada. - encarou o outro a uma distância segura, ainda pensando se ele iria lhe atacar de volta. Já estava suficientemente cansado das viagens, agora com a adrenalina baixa, só queria se sentar com uma bolsa de gelo. - Podemos continuar outro dia? Eu bem que podia aproveitar uma cerveja agora.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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- Eu tinha uma até começarmos a brigar Jackass, ainda nem sei direito pelo o quê. Como você oficialmente me deve uma, aceito o pagamento agora. – Ainda não tinha nem colocado nas contas o visor do telefone, nem os possíveis danos no chapéu. Isso poderia vir depois, ou não, nem sabia se ainda veria Jack por aí por muito mais tempo, o que fazia a descoberta dessa informação minimamente importante – Não sei quando vou encontrar você por aí de novo, melhor agora do que num futuro distante em outro país.<br />
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Certamente voltaria no dia seguinte para o bordel, então tentar colher algumas informações com ele que parecia tão próximo da Cafetina seria bem interessante. É sempre bom saber se ele precisa ir para algum lugar com muita ou pouca munição, mas pretendia vir desarmado buscar seu chapéu. Fazendo algumas contas, comparando o tamanho do estabelecimento ao tamanho desse muquifo que chamam de cidade, provavelmente muitos membros da polícia local frequentam esse lugar. Provavelmente no dia seguinte a gerente já saberia seu nome, de onde e porque veio parar aqui.<br />
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Não que isso o deixasse preocupado, caso ela mostrasse saber disso tudo isso falaria mais sobre ela do que o contrário, afinal mostraria a princípio até onde a rede de contatos dela iria. Afora que saber de sua fama já era um cartão de visitas suficiente para saber que falava sério sobre a importância do chapéu. Caso ela não soubesse disso tudo, seria ótimo, mas Boyd sabia que para alguns despreparados uma sedução bem aplicada fazia milagres na extração de informações. Cansou de fazer isso pagando garotas de programa para servirem de informantes, afinal todo traficante pouco inteligente que se preze gosta de festejar.<br />
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- Espero que conheça algum lugar decente que tenha cerveja e uns petiscos, preciso tirar esse gosto de sangue da boca e ver se todos os dentes ainda estão firmes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack bem sabia pelo que tinham começado a discutir, mas estava sem saco até mesmo para retomar o assunto que só lhe deixaria mais estressado e com mais dor de cabeça. Só deixou o assunto de lado com um aceno de mão e olhou ao redor, considerando todos os lugares em que já tinha passado em Cerise e que poderiam sentar e beber alguma coisa em paz. <br />
<br />
- Tem uns lugares interessantes que dá pra passar ainda... - comentou, passando a mão no nariz que ainda estava inteiro, movendo a cabeça para um lado e para o outro, o pescoço um pouco dolorido do resultado da briga e da tensão anterior. Ao menos já tinha resolvido o que precisava no bordel, podia voltar outro dia para resolver o assunto da briga e do machucado em Lilú.<br />
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Só quando ele reforçou que queria um lugar decente com cerveja e petiscos foi que uma ideia nova surgiu em sua mente. Sorriu tão satisfeito que até ignorou a dor no rosto ao se virar para ele com o indicador levantado.<br />
<br />
- Já sei exatamente onde vamos. Cerveja, petiscos e enfermeiras. - riu descarado, andando a passos largos até o fim da rua, onde alguns táxis estavam estacionados esperando pelo movimento de clientes. Deu um par de batidas no capô do carro para chamar a atenção do motorista. - Vamos para o distrito residencial. - anunciou para o taxista, entrando no banco do carona enquanto Boyd entrava no banco de trás. - Vamos pra um lugar com um pouco de clima americano de novo.<br />
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Riu convencido, sem dar mais detalhes a Boyd até que alcançassem o distrito residencial que tinha indicado, do outro lado da cidade, diante de um complexo de pequenos apartamentos cuja maior parte das luzes já estava até apagada. Mas não foi aquilo que lhe deteve, subiu os lances de escada até parar diante de um apartamento bem conhecido, batendo várias vezes na porta por baixo de onde conseguia ver ainda uma fresta de luz. Só voltou a atenção para Boyd naquele instante, fazendo um sinal de "Shhh" com os dedos para que a loira não desistisse de abrir a porta ao ouvir as vozes conhecidas e certamente inconvenientes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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Era março, já era março, a quantas semanas e meses já estava naquela cidade do interior francês? Não queria realmente contar, mas sabia que estava trabalhando o suficiente pra se sentir minimamente “em casa”. Afinal, com todo um caso reaberto de tráfico de drogas, gente recém contratada, até casos adversos e pouco prováveis como: “uma tentativa de assassinato em uma funerária”, começavam a aparecer nos gráficos de crimes da cidade, e isso lhe lembrava muito NY. O dia anterior tinha sido corrido e tinha trabalhado até tarde, por isso mesmo não tinha aproveitado uma das boas coisas de março, poder acompanhar os jogos de basquete da NBA, pelo fuso horário normalmente conseguia assistir depois de chegar do trabalho, apenas esticando um pouco o horário da madrugada. De toda forma podia assistir a reprise, e sem ter colegas de trabalho com quem conversar sobre o esporte ao menos se livrava de saber os resultados do jogo antes de assisti-lo, mesmo quando perdia as transmissões ao vivo.<br />
<br />
Naquela madrugada, Carissa já tinha se recolhido a algumas horas ainda cansada do trabalho, e a loira ficou na companhia detestável do gato, do qual já estava acostumando a tolerar, e como tinha crescido o desgraçadinho nessas semanas. Estava com uma roupa confortável, uma camisa do Knicks, n° 10, um short de babydoll, e tinha separado alguns petiscos do tipo que se vende pronto, para que Leona não tivesse o mínimo contato com a possibilidade de preparo dos mesmos, ou aquilo tudo daria muito errado, tinha cerveja no congelador, e seria uma noite ordinária para relaxar, como não se permitia a algumas semanas.<br />
<br />
A reprise daquela madrugada era New York Knicks x Minnesota Timberwolves, e a loira estava bem acomodada no sofá, com Kitty deitado ao lado, ignorando completamente toda a agitação da mulher, mais entretido apenas em roubar calor e um afago aqui e ali. Isso até ouvir batidas na porta, eram que horas mesmo? Kitty se espreguiçou no sofá com as orelhas erguidas, enquanto a loira xingava baixinho: <br />
<br />
-- Eu não acredito que os vizinhos vem incomodar essa hora! -- a loira já estava com algumas cervejas na conta, e não estava dotada da maior paciência para lidar com o surgimento de vizinhos para pedir ajuda a Carissa no horário da madrugada. Embora a prática tivesse diminuído ao longo das semanas em que dividia o apartamento com a colega de trabalho. Não impedia de aparecer um inconveniente justamente quando o jogo estava pegado e aquilo já lhe deixava de mal humor: <br />
<br />
-- Meio tarde pra bater na porta dos outros não acha? -- a loira falou em tom audível para seja quem for do lado de fora, já estar ciente que ela estava de péssimo humor. Leona espiou pelo olho mágico não vendo ninguém de cara, e isso fez com ela soltasse um “tsc” baixinho, e isso só somava mais irritação. Kitty emparelhou bem debaixo de seus pés e começou a fuçar junto a fresta, como se tivesse alguém conhecido do outro lado da porta. Finalmente a loira destrancou a porta, mas não tirou a corrente da mesma, e abriu apenas um pouco para espiar o lado de fora:<br />
<br />
-- Então, pode parar de brincadeira… -- a loira deixou a frase incompleta quando avistou a figura de Jack e ele parecia, sujo e machucado?  a segunda parte fez com que ignorasse o acompanhante que não reconheceu de cara. Foi notório o suspiro de desgosto da loira ao encostar a testa no batente da porta: -- Eu não acredito nisso… você só me dá trabalho!-- logo em seguida, a loira fechou a porta, e foi possível ouvir o tilintar da corrente sendo tirada, junto com alguns resmungos de reclamação:<br />
<br />
-- Vamos, entra logo, antes que eu desista de você-...!  -- Leona parou no meio da sentença só naquela hora parando pra observar quem era, e abriu a boca pra falar mas parou no meio sem conseguir associar porque os dois estavam sujos e machucados na sua porta no meio da madrugada, Kitty logo surgiu miando na direção de Jack, amistoso se esfregando nas pernas do loiro. Ia ser uma longa noite, e com certeza não era de relaxamento.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
“Pode entrar? Então tá.” Boyd já tinha ouvido essa voz enjoada antes, mas não deu muita atenção, precisava depois de tudo da cerveja prometida. A surpresa foi imediata ao ver a Oficial Blanche da delegacia na porta, se ela era a enfermeira prometida, ia preferir ficar sem cuidados. – Torcedora dos Knicks?! Isso explica o mal humor. – Foi adentrando na residência, achando que o convite era para ele - Walt Frazier hein, vocês devem tudo a esse cara, se o Carmelo fosse metade do que ele é, talvez vocês tivessem alguma chance de Playoffs. – Vendo os lances do jogo na televisão, reconheceu a partida que já tinha assistido no processo de chegada e adaptação. Sorriu ao perceber que ela assistia a reprise do jogo, tão raro de uma vitória do seu time.<br />
<br />
Dirigindo-se ao sofá, foi avaliando todo o local enquanto caminhava – Vejo que gostou dessa partida, muito raro o seu time jogar bem assim né?! Até o Carmelo que costuma só vir pra bater o ponto jogou muito bem, eu vi esse jogo, foi 118-106. – Pensou em já se sentar, mas ainda estava sem sua cerveja, bem como sem seus petiscos. Logo em seguida a lembrança veio, tinha jogo dos Spurs contra o Heat, que provavelmente estaria passando naquela hora. – Inclusive tem um jogo ao vivo passando agora dos Spurs, então se quiser ver um time de verdade jogar, a hora é essa. Me prometeram cerveja e petiscos, se rolar um jogo, melhor ainda.<br />
<br />
Uma série de perguntas passavam pela cabeça de Boyd agora, não lembrava de em nenhum dos seus encontros “prazerosos” com os federais a presença de Leona. No final, talvez nem lembrasse, eles pareciam que vinham todos formatados, pacote padrão, cenho franzido, agindo como se fossem os gostosões e eu fosse o copeiro deles. Mas talvez aquela seria uma boa hora para socializar com uma possível companheira de trabalho, já tinha falado mal do time dela, mas infelizmente a culpa não era dele, o mal gosto e o desejo masoquista esportivo da moça eram gritantes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack ouviu a voz do outro lado da porta e já esperava que Leona fosse lhe dispensar de pronto. O horário era bem avançado, então era melhor se posicionar um pouco mais de frente para a porta e impedir a visão da loira de Boyd. Não respondeu ao primeiro comentário, mas aproveitou para sorrir descarado com os lábios machucados, o que até lhe causou um incômodo no rosto onde tinha sido atingido.<br />
<br />
- Surpresa! - falou descarado para a loira, até ela suspirar resignada para fechar a porta e tirar a corrente de trava. Manteve-se encostado à batente de madeira, para ouvir o chamado que pudesse entrar, delicada como só a loira conseguiria ser.<br />
<br />
- Eu sei que você nunca ia desistir de mim, Kitty. - comentou descarado, mas não tão em tempo de entrar no apartamento antes de Boyd.<br />
<br />
Aproveitou a deixa para passar também, o gato miando com a presença nova no apartamento, embora não tivesse tido chance de dar atenção ao bicho, considerando como Boyd já tinha começado a tagarelar. E tinha sido uma ótima decisão levá-lo até a casa de Leona, porque o espetá-lo foi imediato. Parou apenas quando estava longe suficiente dos dois depois de ouvir os comentários do oficial texano para o jogo que estava passando na TV. E quando ouviu o resultado dos lábios do outro, até contorceu a expressão numa de dor, como se tivesse levado outro murro, dando um passo longo para trás para ter certeza que sairia do caminho da leoa, os braços cruzados diante do corpo.<br />
<br />
- Opa... - foi a única coisa que saiu dos seus lábios ao ouvir o resto dos comentários que Boyd ainda conseguiu fazer sobre o jogo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Tinha tantas coisas erradas naquele cenário que nem queria começar a pensar, não bastasse ter de abrir a porta para lidar com Jack todo estrupiado sabe-se lá deus porque, tinha de lidar com aquela pessoa, o oficial novo que lembrava bem o nome, Boyd Garret.  Queria estar mais preocupada com o amigo de longa data, mas a forma com a qual o sujeitinho texano adentrou no espaço do apartamento - que mesmo não sendo seu espaço - ainda assim, era uma atitude que a loira só conseguia pensar como completamente petulante da parte dele. <br />
<br />
Como se não bastasse, o infeliz disparou a falar, e a lista de absurdos ia crescendo na mesma medida que a raiva dentro da loira, se fosse possível, sentia como se todo o sangue tivesse subido a cabeça junto com o pouco álcool que tinha ingerido. O que lhe deixaria com a face toda vermelha, além claro, do cenho franzido e as veias do pescoço saltadas. Cerrou o punho a ponto das juntas estalarem, principalmente ao ouvir o resultado do jogo que ainda estava assistindo. Claro que ele tinha tido tempo de assistir o jogo, quem estava trabalhando até tarde era ela, e não ele. E antes mesmo que pudesse tecer uma reclamação inteligível sobre aquela sequência de comportamentos descabidos, veio a cereja do bolo, ele teve o disparate de mudar de canal para assistir outra coisa.<br />
<br />
A reação imediata da loira, foi cortar a distância entre ela e o moreno mais alto em dois passos rápidos, e antes que ele terminasse o movimento de se virar em sua direção, Leona marretou-lhe a lateral do rosto com o punho direito fechado, fazendo com que o corpo maior caísse sobre o sofá, a tigela de petiscos antes apoiada no braço do móvel, indo ao chão se espatifando de pronto com um ruído sonoro:<br />
<br />
-- VOCÊ!! -- Apontou o dedo indicador na cara do oficial novo: --NÃO VÁ FAZENDO AS COISAS COMO SE ESTIVESSE NA SUA CASA!!! -- Vociferou contra o texano, sem sequer lembrar que tinha vizinhos dormindo, que tinha Carissa dormindo no outro quarto, estava tão completamente furiosa, que poderia continuar acertando o outro sujeito até que ele reencarnasse e aprendesse boas maneiras.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
- Jesus Cristo, qual o seu problema?? Com um braço desses, você e o Jeter os Yankees podem até lembrar o que é uma World Series, Jesus. – Esbravejou, após cair sentado no sofá.<br />
 <br />
Já estava de sangue frio, o que fez com que o impacto doesse mais do que esperava, não tirando o mérito do braço da moça. Colocou a mão no maxilar vendo se ainda servia para alguma coisa, não que tivesse mais algum petisco que se aproveitasse naquela situação. Levantaria para mostrar não estar intimidado, o que de fato não estava, porém a falta de equilíbrio após o impacto provavelmente o faria sentar de novo. Para evitar esse papel ridículo, apenas arrumou o corpo no sofá, fixando o olhar em Jack.<br />
 <br />
- Era essa a enfermeira que você me prometeu? Se for eu dispenso. Além disso, lá se foram os petiscos. – Falou, ironizando a situação atual. – Desculpe Oficial Blanche, parece que toquei em algumas feridas, não era a minha intenção magoar seus sentimentos com relação as vitórias dos Knicks, mas achei que depois de tantos anos sem uma final de NBA você nem ligasse mais para isso.<br />
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Talvez, agora analisando, tivesse passado alguns limites, mas jamais se mostraria realmente arrependido de algo. A ironia era carro chefe dos seus diálogos. Para ele, o pedido de desculpas, mesmo que não arrependido verdadeiramente, ainda assim era um pedido de desculpas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A sequência que veio a seguir foi apenas esperada. Por isso Jack deu um passo para trás e parou exatamente no limite para a cozinha enquanto o cowboy recebia a surra da leoa com toda a fúria de uma mãe protegendo os filhotes... embora daquela vez fosse só um animal muito selvagem que mais lembrava um volverine enfurecido. Ignorou a briga dos dois e foi até a cozinha, pegando água e alguns biscoitos que estavam num dos potes em cima da mesa para voltar até a entrada e observar o resto da discussão, rindo completamente descarado para a descrença de Boyd sobre a enfermeira que tinha prometido.<br />
<br />
- Não, essa é só o cãozinho de guarda... a enfermeira vai chegar em três... d-<br />
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- O que foi isso?! O que aconteceu?! Invadiram a casa?! Onde você está, Leona?!  <br />
<br />
As palavras alarmadas vieram de uma Carissa completamente desgrenhada, num pijama muito curto com uma camisa grande cobrindo o short pequeno e os cabelos bagunçados, além de um abajur nas mãos para usar como arma. Ela parecia completamente desnorteada, olhando com a expressão de susto primeiro da entrada e depois para Jack, Leona e por fim Boyd, a respiração arfante se acalmando gradativamente para deixar mais óbvio os braços e pernas tremendo. Jack apenas sorriu largamente, satisfeito com a entrada antecipada da morena, e andou na direção dela, convenientemente abraçando-a por trás para usá-la como escudo contra Leona, esfregando o rosto contra o de Carissa - o lado menos machucado, ao menos.<br />
<br />
- Não aconteceu nada, Cara, amor, a sua mulher que é muito exagerada e está acordando todos os vizinhos. Eu vim aqui só pra falar com você, queria te acordar com um beijo, mas essa maluca aí fica gritando e batendo nos outros por nada... - Jack falou, afastando o rosto do de Carissa, mas mantendo o braço em volta do ombro dela. Com a outra mão, apontou para o rosto da morena, completamente desnorteada do susto. - Essa é a enfermeira que prometi.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A loira estava furiosa, o sujeito era uma metralhadora de absurdos, quanto mais ele falava mais raiva tinha, seja quem for que bateu nele, não tinha batido o suficiente, porque ele merecia uns bons socos até aprender a ter bons modos. A loira ainda mantinha os pulsos cerrados como quem estava tentando conter toda a raiva que tinha, estava certamente com o rosto completamente vermelho<br />
 <br />
Mas não tinha como a loira antecipar o que o amigo de longa data estava tramando quando foi até ali, só podia julgar que era algo pra lhe fazer raiva. Então quando conseguiu captar a conversa sobre “enfermeira”, já tinha uma Carissa com uma roupa folgada mais exposta do que gostaria que ela estivesse para os dois sujeitos, e o pior foi Jack ir abraçá-la! Isso fez com que direcionasse toda a raiva que sentia para o outro, nem conseguiu pensar numa resposta para ela, a única coisa que fez foi caminhar em passos irritados até perto dos dois:<br />
 <br />
-- Você sabia disso o tempo todo! Porque é que você faz isso? É só pra me irritar é? ARGH!!!! Eu não sei porque eu ainda pergunto!!! – Praticamente rosnou para Jack, enquanto apontava o indicador pra cara dele, enquanto ele estava se escondendo atrás de Carissa, sabendo que não o acertaria, enquanto estivesse bem grudado perto dela. Perto demais por sinal.<br />
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-- você! – Apontou para Jack, depois apontou pro sofá onde o Boyd já estava sentado: -- senta ali e fica quietinho, se quiser algum cuidado, não é pra isso que vocês vieram aqui tarde da noite? – comentou em tom mais baixo, mas não menos irritado, estava furiosa. Porque toda a noite de descanso que tinha planejado tinha sido sumariamente estragada, e não tinha nada que Jack fizesse que pudesse concertar aquela porcaria de situação. Só cuidaria dos dois infelizes e mandaria eles embora, não eram dois adultos? totalmente capazes de arrumar confusão tarde da noite? um tão entendido de estatísticas de jogo e números e outro cheio de gracejos, que podiam muito bem sumir e parar de lhe incomodar, depois que estivessem minimamente remendados.<br />
 <br />
Então respirou fundo e virou-se para Carissa finalmente, mudando completamente o tom de fala, porque afinal estava fazendo bagunça no apartamento da morena mais nova, e causando constrangimento para ela, falou em tom mais baixo, e sério: <br />
<br />
-- Carissa, eu botei os dois pra dentro, sem ter lhe consultado porque “ele” apareceu assim todo arrebentado parecendo ter sido atropelado por um caminhão de mudança, e trouxe o outro “sujeito” também, todo arrebentado, eu não podia simplesmente ignorar. Eu vou tentar arrumar isso, desculpe ter lhe acordado no meio de uma gritaria. – explicou tudo de uma vez só, e depois saiu de perto deles, pra ir buscar uma caixa de primeiros socorros, com esparadrapo e remédio pra limpar os machucados dos dois. Estava tão completamente irritada de tantas formas, que se não cometesse um homicídio naquela noite, não faria nunca mais.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
Após ver que em pouquíssimo tempo nessa maldita cidade, aparentemente todo mundo se conhece e para piorar, apesar dos EUA ser um país enorme, um cidadão que faz raiva e uma outra propensa a fazer raiva são bff’s. E a noite ficou ainda mais estranha ao ver que a oficial Dubois, a que sempre teve a impressão que sentia o maior pavor de Leona, morava justamente com ela. Isso sim, apesar de todas as pancadas que recebeu na cabeça, não fazia o menor sentido. Para completar, Leona depois de se dirigir a ele como “sujeito”, sem o menor acolhimento, começou a falar mansinho e isso foi bem esquisito.<br />
<br />
- Apesar do sujeito aqui parecer ruim, vocês deviam ver como ficaram os outros do estabelecimento. Agora, oficial Dubois, vejo que você está com essa cidadã nada simpática na mesma residência. Caso ela tenha raptado você, pisque duas vezes para nós chamarmos a corregedoria. Não fale pra ela não ficar mais violenta que isso. – Falou em tom de deboche, justamente para aproveitar o resto do momento de irritabilidade de Leona. – Caso seja uma questão de necessitar de companhia melhor, você pode dividir a residência comigo se quiser, certamente eu devo preparar um churrasco melhor do que ela.<br />
<br />
A noite já deu o que tinha de dar, receberia seus cuidados, ou não, após as cutucadas e iria embora. No fim, nada saiu como o planejado. Não pôde beber sua cerveja em paz, não pôde aproveitar do clube, não recebeu os petiscos e bebidas prometidas e a enfermeira disponível era digna de um filme de terror. Não queria nem pensar no que mais poderia dar errado, tinha um medo genuíno de descobrir.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carissa/Jack</span></div>
<br />
Carissa ficou completamente confusa com a situação e piscou várias vezes, quase deixando o abajur cair quando Jack lhe abraçou por trás e ainda esfregou o rosto contra o seu. "Mas o que é que tá acontecendo aqui? Nossa vida era mais fácil sem o Jack aqui em Cerise e porque é que ele tá me agarrando?!" só depois de processar a informação de que estava sendo agarrada por Jack - sem se tocar que estava apenas sendo usada de escudo -, foi que sentiu o rosto queimar fortemente a tempo de ouvir a explicação de Leona seguida dos comentários de Boyd sobre piscar duas vezes para chamar a corregedoria - o que ela fez de um modo automático.<br />
<br />
- Ah n-n-não... não tem nada com a Leona de raptar e... e eu tava dormindo e- o que- atropelado? - Carissa ainda estava tentando assimilar as informações quando Jack só reforçou o abraço em volta dela, passando o outro braço pela cintura da morena.<br />
<br />
- Você é um colírio pros olhos, Cara, por que não manda a Kitty ir dormir enquanto cuida da gente? Olha só o estrago que a sua colega de quarto está fazendo com os hóspedes. - Jack insistiu, mantendo a proximidade dos rostos.<br />
<br />
- Jack e Boyd, o que aconteceu com vocês? - ela finalmente pareceu acordar um pouco mais, diante da comoção no apartamento. - Alguma coisa do departamento? Vocês não deviam ter ido pra delegacia pra fazer o relatório? Foi algum caso da polícia? Um criminoso? Nós devíamos registrar os ocorridos logo! Isso foi da briga? Vocês têm que colocar gelo nisso. Sentem no sofá e não façam mais barulho pra não incomodar os vizinhos.<br />
<br />
Carissa se desvencilhou de Jack para seguir até a cozinha e pegar alguns panos e gelo para os machucados que ela pelo menos conseguia ver.<br />
<br />
- Viu? Eu disse que essa enfermeira era boa. - Jack sorriu largamente, apontando para Carissa pro cima do ombro só para ver a aura de fúria de Leona e dar uns dois passos para o lado para se afastar e procurar um lugar na sala para sentar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A loira estava furiosa de tantas formas diferentes que sentia que todo o seu sangue podia evaporar e virar uma neblina vermelha em torno de si, principalmente quando os dois marmanjos safados, arrumavam briga, chegavam totalmente desgraçados, e ainda ficavam se insinuando na direção de Carissa, era um disparate sem tamanho. Voltou com a caixa de primeiros socorros e com olhar de morte pros dois e sentou-se perto do cowboy porque certamente se sentasse perto de Jack arrancaria as tripas dele com a tesourinha de cortar as ataduras:<br />
<br />
-- Vocês dois são muito exigentes pra quem aparece no meio da madrugada na casa dos outros pra pedir ajuda, pra seja lá o que vocês estavam fazendo. --  apontou a garrafa de álcool na direção de Jack: -- E você pare de gracinhas também, já deu a conta por hoje. -- sentou-se do lado de Boyd, e finalmente abriu a caixinha de primeiros socorros e foi avaliar o nível de machucados dele, em meio a bagunça de petiscos jogados no chão, encarou o mais velho com a mesma cara de poucos amigos de sempre, e nem pediu licença, ele estava cheio de cortes e marcas roxas espalhadas pelo corpo, nem precisava dar mais atenção a uma ou outra, pôs álcool em gase e começou a limpar todos os machucados: --  E nem pense em reclamar que arde, não tem direito de reclamar de nada. Muito menos de um churrasco que eu nunca nem fiz pra você provar. -- mas nem chegava a ser uma competição, afinal, nada que Leona cozinhasse podia ser entendido como comida: -- e que você provavelmente morreria se comesse.  -- comentou mais pra si mesma, do que para o Texano. <br />
<br />
Podia não ser hábil com cozinha, mas do mesmo jeito que sabia infligir ferimentos, sabia tratar deles, não iria demorar muito pra estar tudo limpo: -- Vocês não quebraram nada no meio dessa confusão, não?  -- adicionou, agora encarando o outro com um olhar mais desconfiado do que irritado de fato, enquanto separava o combo de comprimidos pra dor que provavelmente ele precisaria tomar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
Não precisava ser nenhum expert em análise comportamental para perceber que alguma coisa na dinâmica de Leona com os outros dois estava um pouco, por falta de palavra melhor para definir, complexa. Era comum pessoas que trabalham juntos dividirem apartamento, mas a partir do momento que a interação do seu companheiro de quarto com outras pessoas incomoda, aí tem coisa. Não sabia na direção de qual dos dois seria o sentimento de obsessão, mas essa impressão podia ser fruto do excesso de pancadas na cabeça.<br />
 <br />
A mínima intenção de não se mostrar intimidada pelo duelo culinário divertiu Boyd, sabia bem que pessoas de Nova York só sabiam comer em foodtruck e pedir delivery, ele ficaria realmente surpreso caso Leona soubesse onde ficam as panelas do apartamento. Era algo para botar em prática em outra oportunidade, onde o pedaço de carne sangrando não fosse dele.<br />
 <br />
Ao falar sobre não reclamar do ardor vindo da assepsia, o texano não segurou o riso e enquanto começava a mexer na camisa, completou – Já comi Burritos maiores que Jack e os seguranças do lugar que saímos, mas como você parece preocupada, vou facilitar – puxou a camisa, retirando e mostrando assim a parte de cima do corpo com várias cicatrizes de tiros, facadas e afins dos divertimentos prévios com os cartéis.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack/Carissa</span></div>
<br />
Carissa coçou a nuca com a situação inusitada que estava acontecendo em seu apartamento e só foi até a cozinha para buscar o que tinha dito, ouvindo claramente as reclamações de Leona para os dois visitantes noturnos “Mas que situação... eu sabia que ia ter alguma coisa de filme de policial um dia desses, só falta agora os dois dizerem que tavam desmantelando uma operação de tráfico de drogas pra completar o episódio da série. Hahhh, isso é cansativo”, os pensamentos pareciam mais se confundir com um sonho muito vívido enquanto ela pegava o gelo para colocar numa bacia e procurava alguns panos de prato limpos para levar até a sala.<br />
<br />
Jack manteve a distância de Leona e sentou na única poltrona vazia que tinha na sala pequena, o que ainda era ao alcance da loira. Moveu a mandíbula como se quisesse ter certeza que estava no lugar e conteve a vontade de rir para não piorar a situação quando ela falou sobre "um churrasco que nunca nem fez".<br />
<br />
- Deus ajude que nunca faça... - comentou em tom baixo mais para si mesmo do que para a loira. Mas ao menos o comentário de Boyd veio em bom tempo para tirar a atenção do que tinha dito e chamar a atenção para outro detalhe quando o texano tirou a camisa no meio da sala de Carissa.<br />
<br />
A situação já teria sido engraçada com a reação de Leona, mas pareceu quase cronometrada para casar com a volta de Carissa à sala, que, com o balde de gelo na mão, foi pega de surpresa com o policial despido diante de Leona e teve o rosto tomado por um vermelho mais intenso do que a mecha no cabelo da loira.<br />
<br />
- M-m-m-mas o q-q-q-que v-v-vocês est-t-t-ão f-f-faz-z-z-endo?! - ela perguntou, sentindo o rosto queimar intensamente e a expressão de confusão estava indo entre uma de embaraço e de irritação, especialmente enquanto ela continuava trocando olhares rápidos de Boyd para Leona.<br />
<br />
- Bom, se é pra ficar confortável, por que não? - Jack não perdeu a oportunidade dele mesmo tirar a camisa, diferente do texano, havia bem menos cicatrizes e uma tatuagem chamativa nas costelas direitas. A reação de Carissa foi imediata.<br />
<br />
- Ahhhh! - a morena deixou a bacia com gelo cair no chão, o rosto intensamente corado. - P-p-p-parem de t-t-t-tirar a r-roupa no m-m-eu ap-p-partamento!!!<br />
<br />
- Você pode cuidar de mim enquanto a Kitty cuida do cowboy, não é, Cara? - Jack sorriu descarado. Um hematoma a mais, um a menos, qual a diferença?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A loira estava furiosa, e queria apenas se certificar que cada um dos dois estava bem, pra poder despachar eles e ir dormir, sua noite de cerveja e jogos estava arruinada, tinha amendoim no chão para limpar, sorte não ter derrubado todos os salgadinhos que estavam na mesa de centro ou seria um estrago ainda maior. Não ficou impressionada pela beleza do Texano, mas teve de arquear a sobrancelha por ele parecer um boneco de ação do comando cobra, cheio de cicatrizes, marcas de facas, de tiros, o bicho tava todo desgraçado, não ficava surpresa dele ter dito já ter “enfrentado burritos maiores”. Estava prestes a tatear as costelas do sujeito para averiguar se tinha alguma costela quebrada quando ouviu o som seco de algo caindo no chão e a expressão de surpresa de Carissa.<br />
<br />
-- Ele pode estar com as cos-...! -- antes que pudesse terminar a frase, Jack seguiu a deixa dada pelo cowboy, e aproveitou que Carissa já estava constrangida e tirou a camisa também, exibindo o corpo conhecido, com algumas novidades como a tal tatuagem que lhe era estranha; Mas qualquer pensamento lógico passou longe de sua cabeça, estava furiosa com a seção de nudismo do amigo de longa data justamente na frente de Carissa. A loira pegou a primeira coisa em seu caminho que para a sorte de Jack foi uma das almofadas do próprio sofá, pra usar de porrete contra o loiro:<br />
<br />
-- NÃO É POSSÍVEL JACK REINHARDT!! -- bateu com a almofada contra o ombro de Jack -- QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE PASSAR 5 MINUTOS EM UM AMBIENTE SEM COMEÇAR A FAZER ALGUMA DAS SUAS GRACINHAS!!!-- bateu mais umas duas vezes, ou três, não estava contando, estava com o rosto vermelho de raiva, e furiosa. <br />
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O que mais poderia dar errado naquela noite?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Nada de novo no RH, algumas perguntas básicas, afinal a loucura e stress em oficiais da lei é como pelo de rato em extrato de tomate, todos têm, só não pode ter demais. Alguns testes de tiro e pronto, o restante foram instruções sobre o trabalho. A indicação é que os trabalhos se iniciam em três dias, mas como não faz parte de seu perfil andar às cegas em serviço, o ideal é fazer um turismo antes. Lógico que não nesses lugares pop, baladinhas, shopping ou coisas do tipo, esses lugares têm sua grande visibilidade, mas a ação não acontece lá.<br />
<br />
Uma rápida olhada no mapa para identificar onde ficariam as periferias, rotas de fuga e nos arquivos de índice de criminalidade já era o suficiente para o tour. Uma conversa inicial com os comedores de rosquinha versão francesa já deu o tom da delegacia, indicações de lugares bastante frequentados, mais do que o horário de serviço permitiria, isso ou os horários das escalas eram bem estranhos. Quando disse para onde ia, a surpresa dos colegas era notória, bem como previsível, eles se entreolhavam como se tivesse chegado outra Leona na delegacia.<br />
<br />
Assim que saiu da delegacia encaminhou-se pelo centro, em direção a parte dos prédios mais históricos, onde ficava o caminho para a periferia. A quantidade de transeuntes diminuía conforme a proximidade com a parte menos abastada se aproximava, até que para em frente a um prédio histórico, boa aparência, música baixa saindo do lugar, bastante discreto para destreinados, ao aproximar-se sorri ao identificar o conteúdo do ambiente, uma fonte ideal de informações – o bordel.<br />
<br />
Ao entrar, o ambiente era bem agradável, algumas garotas, bem como garotos, andando entre os poucos clientes devido ao horário, provavelmente. Uma rápida e discreta olhada por todo o ambiente enquanto dirigia-se ao balcão do bar onde pediria uma cerveja, contando seguranças, pessoas bem vestidas, membros do DEA... espera, membro do DEA?! Enquanto a cerveja chegava, não parava de pensar no que pensava ter visto, procurando algo que refletisse na direção do homem loiro parecendo um armário, de fato era o agente do DEA que estava envolvido numa operação da narcóticos do passado. Ele estava bastante “engajado” num diálogo com uma mulher deslumbrante, chamava realmente a atenção, era um desperdício estar com ele; falando da operação, foi realmente uma boa operação, tirando algumas informações desencontradas aqui e ali que fizeram as coisas não darem muito certo para Boyd, mas no fim foi mais do mesmo, traficantes mexicanos mortos e a corregedoria em seu pé, ou seja, mais um dia de trabalho cumprido. Resistiu o quanto pôde, mas no fim levantou-se e foi na direção dele, teria que fazer aquela pergunta.<br />
<br />
- Hey, paper boy foi mandado para a casinha do cachorro também?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
 <br />
O que mais conseguia das suas saídas na França eram conexões. Algumas delas bem erradas, outras que lhe levavam a caminhos errados e alguns certos, mas nunca que tinham a resposta que queria. Para o bem ou para o mal, conseguindo as informações que precisava ou não, ao menos conhecia mais gente e às vezes, acabava em algumas pessoas lhe devendo favores. Naquele ramo em que trabalhava, ter pessoas importantes lhe devendo favores era sempre útil - fossem pessoas da lei ou fora dela, claro.<br />
<br />
Não achava que Cerise seria um lugar útil além de ser uma cidade pequena em que podia se esconder depois de fazer as investigações nos lugares mais movimentados e nas grandes metrópoles. Mas entre informações aqui e ali, descobriu uma pessoa que podia lhe ajudar no ramo de tráfico de pessoas especificamente. Por isso que deixou de fazer uma de suas viagens naquela semana para ir até um bordel muito comentado na parte baixa da cidade e encontrar a famosa Lilú. O nome era doce entre as garotas com quem já tinha esbarrado... e bem ácido entre os clientes com quem ela lidava, pelo visto.<br />
<br />
Mas da sua análise, a mulher até lhe trazia uma boa lembrança daquela firmeza de uma certa leoa que tinha em casa. E o melhor de tudo era que, de novo, sempre havia novas informações que compartilhar. Trocou contatos com a loira e antes mesmo de se despedirem, ouviu uma voz conhecida e com uma aproximação pela qual não esperava, especialmente ali naquele fim de mundo. Virou-se imediatamente para encarar aquele rosto conhecido e que lhe trazia algumas lembranças de assuntos mal-resolvidos.<br />
<br />
- Só cães mal-treinados voltam pra casinha, Django. - sorriu bem descarado, como já estava bem acostumado, levantou-se da cadeira à mesa que estava compartilhando com Lilú para poder se aproximar do policial conhecido. - Mas que bom que está aqui, porque hoje é o meu dia de sorte. - o sorriso alargou, mas não a tempo de deixar que o outro antecipasse o soco que veio em seguida, acertando em cheio a face esquerda do outro. - Essa foi pelo primeiro informante que você matou. Faltam quantos mais?<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilu</span></div>
 <br />
Lilú estava bem-humorada naquele dia, embora não desse pra saber com exatidão quanto era bom humor e quanto era o sorriso esperto de sempre. De toda forma, quem trabalhava com ela, bem sabia que era muito melhor vê-la sorrindo independente de qual motivo fosse do que assisti-la chegar sem ele no rosto. Diferente do que muita gente imagina, os trabalhos em um bordel não começam a noite, principalmente pra quem administrava o lugar, sempre tinha algo pra resolver, pessoas pra conversar e pessoas a convencer. <br />
<br />
Vendia muito mais que entretenimento noturno e boas bebidas, e tinha um novo cliente, não tão novo assim, pelo que podia julgar nas conversas breves que tinham tido, ele chegava até sua pessoa, atrás de outros entretenimentos. Naquela noite em específico, tinha escolhido um vestido mais sóbrio o que não queria dizer fosse menos curto que os outros, era de um azul escuro, com brilho como tudo que gostava de usar a noite, mangas compridas, costas nuas e com um decote razoável. Estava apenas avisando as meninas do jeito dela, que passaria a noite bem ocupada com negócios, tinham seus códigos visuais, evitava se repetir, odiava ter de se repetir. <br />
<br />
Gostava de conversar com Jack, não somente por ele ser bonito, reconhecia aquele sorrisinho a km de distância, porque sabia sorrir do mesmo jeito, mas ele lhe fazia rir entre um assunto e outro, e isso fazia os assuntos transcorrerem, mesmo que fossem temas bem específicos. Mantinha-se próxima dele, com uma das pernas cruzadas sobre as dele, acariciando com a ponta do sapato, enquanto alardeava os assuntos conforme era conveniente, as vezes sendo direta, as vezes evasiva, até chegarem na moeda daquela conversa, uma troca de contatos. Mas o rumo da conversa mudou conforme uma voz masculina interrompeu, falando num francês bem mais ou menos, aparentemente direcionado ao loiro. E aquilo lhe deu um pressentimento ruim sobre o restante da noite.<br />
<br />
Lançou um olhar para a figura do sujeito novo, não o reconhecia, ele tinha todos os trejeitos de um mero turista, mas não se surpreendeu com a rapidez com a qual Jack lhe devolveu a gracinha, ele se afastou de si, e Lilú apenas alargou mais o sorriso, comentando em bom tom para que os dois ouvisse:<br />
<br />
– Se os dois rapazes precisam de um quarto pra se resolver, eu arrumo um em dois instantes! - comentou em tom cínico: – Só não façam bagunça no m-… – e não precisou de mais do que dois instantes, para que Jack acertasse o rosto do outro sujeito. <br />
<br />
A loira sequer se moveu de onde estava, apenas assistindo a cena se desenrolar, tinha um pressentimento breve de aquilo podia acontecer, e era engraçado como estava novamente certa, talvez caras engraçados fossem naturalmente impulsivos? Defeito de fábrica. E lançou um risinho baixo para a cena, mas não estava mais tão bem-humorada, esperava não ter de se repetir sobre eles não fazerem bagunça em sua casa. Detestava se repetir.<br />
 <br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Django o cara que carrega o caixão da esposa e tal dos filmes, dado sua atual situação era uma comparação até bem desagradável, bem típico dele. Mas não tanto quanto o soco que viria em seguida, rápido demais até para seus reflexos o ajudarem a desviar, movimentou só o suficiente para não ser atingido num lugar que seria um nocaute inevitável, o impacto fez com que as palavras da moça que acompanhava Jack ficassem incompreensíveis. Cambaleou para o lado enquanto tentava se manter em pé, tudo isso ouvindo o choramingo sobre algum informante de Jack morto o que só tornava a coisa pior, mas o que era realmente revoltante era que sua cerveja que tinha acabado de pegar caiu, e isso tira qualquer pessoa do sério.<br />
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Levou a mão ao rosto para ver o estado do maxilar, parecia bom, manteve os olhos fixos no seu agora oponente, não seria pego de surpresa mais uma vez. Retirou o chapéu, mesmo de cabeça quente precisava pensar e responder com cautela, tinha acabado de chegar e foi até este lugar para recolher alguma informação por menor que seja, não pode terminar seu passeio cedendo um monte de informações sobre si mesmo. Gritar aos quatro ventos que era um policial só iria dificultar seu trabalho, e o engraçado é que Jack reclamava de ter seu informante morto e depois viria a coisa de ter estragado o trabalho dele, mas era justamente o contrário que estava prestes a acontecer. Para quem acredita em Carma, parece que essa era a hora do chavão.<br />
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- Devia ter cuidado melhor desse seu namorado, ou mandado ele vender os bagulhos dele fora da minha área. -arrumava discretamente a parte de cima do chapéu na palma da mão, preparando a pegada com apoio o suficiente para arremessa-lo com as abas na direção de Jack, para que dessa forma a visão dele fosse comprometida antes de revidar. - Além do que, era um x9, se eu o achei, qualquer um acharia também. – As últimas palavras foram ditas enquanto fez o movimento arremessando o chapéu, enquanto rapidamente se direcionava na direção de seu adversário para golpeá-lo com um potente gancho na linha de cintura, certamente não o derrubaria com um golpe só, mas tirar o gás do oponente para encurtar a luta era sempre uma boa ideia. - Se quiser continuar essa dança comigo, tenho bastante tempo livre.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack sequer prestou atenção nas palavras de Lilú. Em outras situações, estaria mais focado, mas queria mesmo dar umas surras no homem a sua frente que tinha cruzado o oceano atlântico só pr'aquilo. Queria retrucar mais coisas, mas qualquer comentário adicional seria bem inconveniente no meio de um bordel, especialmente se tratando de operações do DEA.<br />
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- Eu até gosto do jeito que você trabalha, pena que já passei dos quinze anos pra agir assim. - respondeu, bem a tempo de notar o movimento com o chapéu e desviar o rosto, já esperando a retaliação quando mal se desviou do soco que veio na direção do estômago.<br />
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Não lhe acertou com toda a força, mas foi a oportunidade para segurar o braço dele e rir em deboche sobre a "dança dos dois".<br />
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- Eu tenho alguns minutos pra você. - respondeu antes de erguer o braço livre para acertá-lo de novo no rosto.<br />
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De certo que o caubói já estava esperando pelo seu golpe, então foi fácil para desviar e mesmo com o braço preso, ele avançou para lhe acertar uma cabeçada segura no lado do rosto. Foi o suficiente para soltá-lo, mas não para se afastar demais e com a mão direita, segurou-o pelas roupas, puxando com vontade para dar uma joelhada no estômago. Ele ainda conseguiu colocar uma mão no caminho para minimizar o impacto, mas o acertou com segurança, o que foi suficiente para afastá-lo e fazê-lo bater numa das mesas.<br />
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Avançou o espaço que tinha aberto entre os dois, mas já foi o suficiente para que ele se recompusesse e a resposta de Boyd foi rápida também, desferindo um jab que lhe manteve distante e logo em seguida um soco de direita do qual desviou a ponto do punho dele passar de raspão no seu queixo. Ergueu a mão para empurrar o braço que ele tinha acabado de usar para lhe socar e avançou com uma cotovelada no peito do outro, de novo, ficando mais perto do alcance alheio.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilu</span></div>
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Sempre quando dois caras brigavam, a única coisa que Lilú gostava de fazer era assistir, não tinha mais o ímpeto juvenil de ir apartar brigas, principalmente de dois homens que passavam de um metro e oitenta de altura, aquilo certamente não lhe cabia. A troca de comentários toscos era um show a parte e todas aquelas ofensas era tão definitivamente gay, que só podia julgar que eles iriam se pegar depois que terminassem de brigar. A loira ainda mantinha o sorriso no rosto, e um ar definitivamente tranquilo para alguém que estava vendo socos, joelhadas e cabeçadas sendo trocadas.<br />
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As meninas que trabalhavam pra Lilú estavam acostumadas a confusão e na dúvida, com dois malucos brigando no meio do salão principal, era um bom momento para se adiantar para as áreas mais reservadas, com seus clientes. É claro que tinham aqueles que apreciavam uma boa briga de bar e começavam a somar comentários engraçadinhos no meio daquela farra toda. <br />
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A loira fez um gesto para uma das meninas que estava servindo bebidas, que lhe trouxe um drink colorido de um lilás suave. Lilú tomou um gole breve, para molhar a garganta e ainda com um ar de deboche comentou em tom audível:<br />
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– quem você acha que é o passivo dos dois? Eu apostaria minhas fichas no caubói, ele tem cara de quem cavalga muito bem, não acha?! – a loira não tirou os olhos da confusão e embora conversasse, parecia atenta ao desenrolar, principalmente quando aquilo começou a envolver mesas de seu estabelecimento.<br />
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- Eu apostaria minhas fichas no loiro, as aparências enganam sabe, Lilú, do caubói eu não sei, nunca vi e nem ouvi. – a mais nova reclinou-se ficando em uma altura mais próxima da loira mais velha: - mas posso ouvir falar… - comentou em tom reservado.<br />
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– Acho que seu eu entrasse no ramo de conselhos amorosos, talvez eu ganhasse dinheiro em cima de situações como essa… – apontou o copo na direção dos dois que ainda trocavam socos, chutes e impropérios: – muito dinheiro, por sinal. - e lançou outro sorriso de canto de boca, antes de levar o copo aos lábios e terminar a dose de bebida, para pôr de volta na bandeja.<br />
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A jovem sorriu retirando o copo e voltando para seu serviço, e agora lançava conversas fiadas para os clientes, principalmente aqueles que estavam mais empolgados em assistir a briga. Oferecendo-lhes bebida já que estavam animados assistindo o show de genuíno UFC, nada mais justo que isso ser acompanhado de boa dose alcoólica.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Como tudo que aconteceria naquele momento, aquela cotovelada ia deixar marcas. Boyd aproveitou a proximidade, bem como o posicionamento lateral do oponente para deferir-lhe um gancho nas costelas, o impacto foi parcialmente absorvido com um movimento de corpo de Jack, mas não o suficiente para impedir um inicio de desequilibrio. Utilizando-se de um movimento rapido e preciso, girando no eixo do proprio corpo, não so recuperou o equilibrio como desferiu um chute giratorio na altura da caixa toracica, atento apos levar a cotovelada, Boyd fechou a guarda de forma a bloquear o chute, o impacto o arremessou em uma das mesas.<br />
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Enquanto quebrava um pedaço da base da mesa devido ao impacto e tentava se recompor o mais rapido possivel, ancorando-se numa cadeira de aparencia solida, falou tanto para provocar como para pegar um pouco de folego - Quinze anos e?! Vai me culpar tambem pelos seus traumas do baile de debutante? - Segurou firme na cadeira para usa-la como arma, afinal era uma briga de bar, cadeiras são otimas aliadas - O que foi, você era uma menina gordinha e mamãe comprou um vestido muito apertado? - enquanto falava as ultimas palavras, com um movimento utilizando bastante força, devido a cadeira robusta, dando uma cadeirada em Jack.<br />
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O misto de surpresa e decepção foi automatico pela parte de Boyd, em contraste com a surpresa e alivio de Jack. A famigerada cadeira robusta na verdade não passava de uma cadeira leve de aluminio, fazendo com que o impacto recebido por Jack fosse quase nulo. Alguns segundos de silencio para digerir o que acabou de acontecer por parte de ambos os lados, bem como uma encarada dos dois para a gerente do estabelecimento ocorreu em sincronia. O momento comico foi quebrado por um chute direto na linha de cintura de Boyd, que utilizou a cadeira de brinquedo como escudo fazendo com que o pe de Jack arrancasse o fundo. A força aplicada fez com que Boyd desse alguns passos para tras para manter o equilibrio, e, antes de recuperar a proximidade arremessou a cadeira, ou o que restou dela com uma das mãos em seu oponente.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Sabia que ficar muito perto não era uma boa ideia, mas tinha sido treinado para aquele tipo de proximidade. Já até previa o que ia acontecer e mesmo depois de tentar se desviar, ele lhe acertou um gancho bem posicionado que lhe despertou um "tch" ao dar para o lado. Afastou-se o suficiente só para acertar um chute giratório que foi defendido pelo outro, mas ainda lhe lançou contra uma mesa. Não estava mais prestando atenção nos danos, mas entre a irritação de encontrar com Boyd e a adrenalina da briga, não teve como dar muito valor aos arredores enquanto não fosse importante.<br />
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- Ah sim, meus traumas foram péssimos porque o espinhento com quem eu ia pro baile ficou preso na privada por silvertape. - manteve a postura de guarda ao observar especialmente quando ele estendeu a mão na mesa para se ajustar e se apoiar numa cadeira. Ao menos achou que era só o apoio. - Não se preocupe, eu não conto pra ninguém o seu gosto especial por água de privada. Nem que fui eu que lhe prendi lá.<br />
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A troca de farpas só foi acompanhada pelo movimento rápido do cowboy em pegar a cadeira pelo encosto e girá-la com força em sua direção. Protegeu a cabeça, virou as costas para levarem parte do impacto numa área que saberia que não ia machucar demais. Mas a expectativa de quase apagar com o peso do móvel foi pelo esgoto ao sentir a cadeira super leve. Olhou para o seu oponente, piscou algumas vezes, ambos igualmente incrédulos com a inutilidade do móvel. Mas sorriu convencido pela falta de eficácia no golpe dele e se preparou para mais um chute que só arrancou o assento da cadeira. Não havia mais serventia para aquele pedaço de móvel, então a única coisa que restou a Boyd foi arremessá-lo em sua direção. O instinto foi mais rápido e bateu na armação de metal com o braço, empurrando-a para fora do caminho... e bem para cima da dona do bordel.<br />
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A intenção de revidar foi pelo ralo, olhou para a loira com uma expressão de medo e culpa, particularmente porque podia tê-la machucado de verdade naquela brincadeira. Ao menos ela tinha se desviado um pouco, mas não totalmente.<br />
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- Holy shit... - resmungou baixinho, esquecendo-se por um instante do seu oponente que agora teria chance bem mais fácil de lhe acertar, desatento.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lilu</span></div>
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Para a Cafetina aquela apresentação de masculinidade gratuita representada em socos e chutes era algo do qual já estava bem acostumada, claro, era mais engraçadinho quando eram moleques se estapeando, homens adultos costumam fazer um estrago maior. E bem, estava percebendo e principalmente contabilizando os estragos ali, nada que não fosse passível de substituição, e claro, não seria Lilú a pagar, algum dos dois pagaria, ou os dois, ia depender de quem estivesse consciente. E apesar de parecer uma DR digna de novela, a loira captava aqui e ali pedaços de conversa, e obviamente não tinha como adivinhar, mas já tinha por onde começar a perguntar, e além de dinheiro pelas mesas quebradas, ia acrescentar na conta algumas perguntinhas básicas, apenas pra manter a ordem e hierarquia do lugar.<br />
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E falando em ordem, as coisas ali começavam a tomar rumos que indicavam mais destruição de móveis, assistiu o cowboy pegar a cadeira com todo o ímpeto, e toda a “repercussão” que teve na hora do “impacto”. Acabou rindo mais amplamente da cena, as cadeiras eram justamente daquele jeito para evitar que os clientes se matassem usando elas, em qualquer desentendimento trivial de bêbados em um bordel. No entanto, embora o lugar estivesse agitado, a música tocasse, e alguns dos outros clientes gritassem xingamentos para o casal americano que estava em terapia ali lavando as mágoas do passado, a loira percebeu ainda em tempo, quando a cadeira bloqueada por Jack tinha vindo em sua direção.<br />
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Dentro de um vestido justo, não tinha muito espaço para se mover, mas tinha bons reflexos com os braços, e usou um deles para evitar um impacto direto do móvel contra o corpo e o rosto, bloqueando o objeto para passar por cima da cabeça, o som do metal foi passível de ser ouvido quando a cadeira caiu atrás do sofá onde a cafetina estava sentada. O Salão ficou momentaneamente em silêncio, a música parou, as conversas e gritos pararam, e a briga parou também. <br />
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Lilú sentia o braço quente e ardendo, o que queria dizer que tinha sido uma pancada forte, além da sensação molhada e morna no próprio braço, que queria dizer apenas que tinha feito um corte e ele estava sangrando. A dor foi até significativa, mas o que esquentou o sangue da loira foi a raiva, e quando ela abaixou o braço para espiar o estrago, não tinha um sorriso nos lábios da cafetina. Ela olhou de relance para os dois, um olhar acusador, e acenou positivamente, sem falar nada, ergueu a mão boa, e fez um gesto na direção dos dois. <br />
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Logo um grupo de seguranças surgiu, quatro homens, altos e largos, que podiam com certeza não serem os mais rápidos, principalmente em comparação com os dois baderneiros americanos, mas certamente tinham a mão pesada o suficiente para deixar carimbado na cara bonita de cada um, que tudo tinha limite, inclusive a paciência da Cafetina. E os seguranças não seguraram a mão, e deram uns bons socos e chutes nos dois, enquanto a música voltava a tocar as conversas seguiam agora mais tímidas, uma das meninas já se aproximava de Lilú no intuito de cuidar do braço machucado, mas a loira apenas acenou em negativa se levantando de onde estava para se aproximar dos dois, em passos lentos no salto alto, agora com os dois mais "amaciados" e quietinhos: <span style="color: eeb4b4;" class="mycode_color"> – aos rapazes, espero que tenham se divertido, vou mandar a conta, e não se preocupem, a conta vai chegar em vocês. Até mais. </span> – a loira destilou um sorriso venenoso para os dois, enquanto os observava de cima, e em seguida fez sinal para que os seguranças largassem os dois do lado de fora.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Tudo estava se desenrolando numa velocidade normal, não era exatamente para isso que foi aí, mas estava até com saudades de brigas de bar sem sentido. O arremesso da cadeira foi o estopim para que a coisa toda ficasse realmente intensa. Sabe quando você vê algo que certamente dará merda mas não pode fazer nada para impedir? Pronto, essa era uma situação do tipo. A trajetória da cadeira direto na que provavelmente era a dona do estabelecimento, afinal, ela estava sentada de bobeira enquanto o restante trabalhava.<br />
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A certeza só veio devido a reação de todos após o impacto da cadeira. Nada que deixasse a dama realmente machucada, mas o suficiente para mudar completamente o clima do lugar. Seu oponente estava distraído devido o problema causado, uma oportunidade para revidar o primeiro soco que iniciou tudo isso, e Boyd estava até disposto a fazê-lo, mas o sinal dado pela gerente fez com que alguns gorilas brotassem para intervir na diversão. A princípio o ímpeto da investida parecia que era para acertar Jack em cheio, mas na verdade era para acertar um dos seguranças que iria covardemente atacá-lo no ponto cego; naturalmente era fácil defender algo do gênero, mas Jack parecia ainda surpreso com as proporções que tudo isso tomou. Era engraçado ver alguém com uma língua tão afiada sem palavras por alguns segundos.<br />
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O que viria a seguir era uma disputa desleal. Os seguranças eram maiores, mais fortes e estavam descansados. O problema de se brigar com caras muito grandes não é tanto o que eles batem, se você for rápido o suficiente você consegue se virar, é o fato deles geralmente aguentarem muita pancada. A ajuda fornecida para Jack fez com que Boyd ficasse flanqueado, dificultando as esquivas e deixando a tarefa de avançar batendo inviável, de forma que foi pego pelos seguranças, assim como Jack, que após o impacto do soco que o segurança levou voltou a si, a partir daí se defendendo dos seguranças, apenas gerenciando a derrota inevitável, talvez por saber que vacilamos com a dona do lugar, se defendendo para não parar na UTI ao invés da área azul do hospital.<br />
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A maior guerra para Boyd era pegar o seu chapéu de volta, dane-se o resto. Não deixaria seu chapéu lá para servir de porta vômito de bêbados, ou porta porra, o que seria muito pior. Brigou o que dava, bateu o que dava também enquanto avançou pouco na direção do chapéu. - Seus bastardos filhos da puta! Saiam da frente! Se foderem em cima desse chapéu eu volto e mato todos vocês seus merdas!- xingou enquanto tentava avançar, batia e apanhava no processo. No fim, foi em vão, foram arrastados para fora, enquanto ainda levava piada da dona do cabaré, dizendo que ele ou eles iriam pagar pelos estragos.<br />
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Ao serem arremessados do lado de fora, com um pouco de dificuldade se levantou, pegou o celular do bolso e o usou como espelho quebrado para colocar o nariz em situação semelhante no lugar. – Pago a minha parte quando voltar, – dá uma cusparada de sangue de lado[color= red] – mas é melhor o meu maldito chapéu estar impecável.[/color] – falou alto o suficiente para ser ouvido dentro do estabelecimento.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack sabia que estava numa bela enrascada ao quase acertar a mulher que estava apenas se divertindo com a sua briga de galo com o texano, mas não esperava que os seguranças viessem para cima logo com a mesma agressividade que estava tentando descontar em Boyd. A reação automática foi apenas se defender das investidas, evitando devolver os golpes que seriam mais graves e certeiros especialmente porque a culpa era toda dele e do seu companheiro de briga - que por sinal, parecia muito interessado apenas em recuperar o chapéu.<br />
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- Ei, calma lá! Eu já parei! Não precisa dessa agressividade toda! - tentou retrucar com os brutamontes que continuavam investindo, mas pelo visto eles eram incapazes de entender seu francês... ou ao menos um francês muito meia-boca com um forte sotaque americano que parecia receita de bolo para irritar ainda mais os franceses. - Eu já entendi!!<br />
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Desviar-se dos golpes era relativamente fácil. Também conseguia lê-los o suficiente para se defender, mas não podia tirar muito crédito dos braços pesados que lhe deixariam com aquela dorzinha incômoda no dia seguinte nos braços e tronco.<br />
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Depois de todo o desespero de Boyd de ir contra os armários para pegar o chapéu que foi perdido e da sua tentativa de apenas se esquivar, os dois foram efetivamente lançados para fora do bordel com direito a serem enxotados pelas golas das roupas. Não era como se fosse fazer questão de voltar - não naquele momento -, mas os quatro ainda ficaram bem parados diante da entrada principal do bordel para impedir que eles voltassem. Suspirou longamente, levando a mão ao queixo que era apenas uma das partes do corpo que ficaria dolorida se não tivesse algum cuidado. Olhou de novo para o caubói, pensando se deveria aproveitar a oportunidade do lado de fora para continuar a discussão. Só a ideia lhe deixou cansado, suspirou pesadamente.<br />
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- Onde paramos? - ajustou a roupa amarrotada da briga e cuspiu um pouco do sangue da boca cortada pelo golpe de mais cedo, coçando o nariz em seguida. - Certo, você preso na privada. - encarou o outro a uma distância segura, ainda pensando se ele iria lhe atacar de volta. Já estava suficientemente cansado das viagens, agora com a adrenalina baixa, só queria se sentar com uma bolsa de gelo. - Podemos continuar outro dia? Eu bem que podia aproveitar uma cerveja agora.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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- Eu tinha uma até começarmos a brigar Jackass, ainda nem sei direito pelo o quê. Como você oficialmente me deve uma, aceito o pagamento agora. – Ainda não tinha nem colocado nas contas o visor do telefone, nem os possíveis danos no chapéu. Isso poderia vir depois, ou não, nem sabia se ainda veria Jack por aí por muito mais tempo, o que fazia a descoberta dessa informação minimamente importante – Não sei quando vou encontrar você por aí de novo, melhor agora do que num futuro distante em outro país.<br />
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Certamente voltaria no dia seguinte para o bordel, então tentar colher algumas informações com ele que parecia tão próximo da Cafetina seria bem interessante. É sempre bom saber se ele precisa ir para algum lugar com muita ou pouca munição, mas pretendia vir desarmado buscar seu chapéu. Fazendo algumas contas, comparando o tamanho do estabelecimento ao tamanho desse muquifo que chamam de cidade, provavelmente muitos membros da polícia local frequentam esse lugar. Provavelmente no dia seguinte a gerente já saberia seu nome, de onde e porque veio parar aqui.<br />
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Não que isso o deixasse preocupado, caso ela mostrasse saber disso tudo isso falaria mais sobre ela do que o contrário, afinal mostraria a princípio até onde a rede de contatos dela iria. Afora que saber de sua fama já era um cartão de visitas suficiente para saber que falava sério sobre a importância do chapéu. Caso ela não soubesse disso tudo, seria ótimo, mas Boyd sabia que para alguns despreparados uma sedução bem aplicada fazia milagres na extração de informações. Cansou de fazer isso pagando garotas de programa para servirem de informantes, afinal todo traficante pouco inteligente que se preze gosta de festejar.<br />
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- Espero que conheça algum lugar decente que tenha cerveja e uns petiscos, preciso tirar esse gosto de sangue da boca e ver se todos os dentes ainda estão firmes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack bem sabia pelo que tinham começado a discutir, mas estava sem saco até mesmo para retomar o assunto que só lhe deixaria mais estressado e com mais dor de cabeça. Só deixou o assunto de lado com um aceno de mão e olhou ao redor, considerando todos os lugares em que já tinha passado em Cerise e que poderiam sentar e beber alguma coisa em paz. <br />
<br />
- Tem uns lugares interessantes que dá pra passar ainda... - comentou, passando a mão no nariz que ainda estava inteiro, movendo a cabeça para um lado e para o outro, o pescoço um pouco dolorido do resultado da briga e da tensão anterior. Ao menos já tinha resolvido o que precisava no bordel, podia voltar outro dia para resolver o assunto da briga e do machucado em Lilú.<br />
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Só quando ele reforçou que queria um lugar decente com cerveja e petiscos foi que uma ideia nova surgiu em sua mente. Sorriu tão satisfeito que até ignorou a dor no rosto ao se virar para ele com o indicador levantado.<br />
<br />
- Já sei exatamente onde vamos. Cerveja, petiscos e enfermeiras. - riu descarado, andando a passos largos até o fim da rua, onde alguns táxis estavam estacionados esperando pelo movimento de clientes. Deu um par de batidas no capô do carro para chamar a atenção do motorista. - Vamos para o distrito residencial. - anunciou para o taxista, entrando no banco do carona enquanto Boyd entrava no banco de trás. - Vamos pra um lugar com um pouco de clima americano de novo.<br />
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Riu convencido, sem dar mais detalhes a Boyd até que alcançassem o distrito residencial que tinha indicado, do outro lado da cidade, diante de um complexo de pequenos apartamentos cuja maior parte das luzes já estava até apagada. Mas não foi aquilo que lhe deteve, subiu os lances de escada até parar diante de um apartamento bem conhecido, batendo várias vezes na porta por baixo de onde conseguia ver ainda uma fresta de luz. Só voltou a atenção para Boyd naquele instante, fazendo um sinal de "Shhh" com os dedos para que a loira não desistisse de abrir a porta ao ouvir as vozes conhecidas e certamente inconvenientes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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Era março, já era março, a quantas semanas e meses já estava naquela cidade do interior francês? Não queria realmente contar, mas sabia que estava trabalhando o suficiente pra se sentir minimamente “em casa”. Afinal, com todo um caso reaberto de tráfico de drogas, gente recém contratada, até casos adversos e pouco prováveis como: “uma tentativa de assassinato em uma funerária”, começavam a aparecer nos gráficos de crimes da cidade, e isso lhe lembrava muito NY. O dia anterior tinha sido corrido e tinha trabalhado até tarde, por isso mesmo não tinha aproveitado uma das boas coisas de março, poder acompanhar os jogos de basquete da NBA, pelo fuso horário normalmente conseguia assistir depois de chegar do trabalho, apenas esticando um pouco o horário da madrugada. De toda forma podia assistir a reprise, e sem ter colegas de trabalho com quem conversar sobre o esporte ao menos se livrava de saber os resultados do jogo antes de assisti-lo, mesmo quando perdia as transmissões ao vivo.<br />
<br />
Naquela madrugada, Carissa já tinha se recolhido a algumas horas ainda cansada do trabalho, e a loira ficou na companhia detestável do gato, do qual já estava acostumando a tolerar, e como tinha crescido o desgraçadinho nessas semanas. Estava com uma roupa confortável, uma camisa do Knicks, n° 10, um short de babydoll, e tinha separado alguns petiscos do tipo que se vende pronto, para que Leona não tivesse o mínimo contato com a possibilidade de preparo dos mesmos, ou aquilo tudo daria muito errado, tinha cerveja no congelador, e seria uma noite ordinária para relaxar, como não se permitia a algumas semanas.<br />
<br />
A reprise daquela madrugada era New York Knicks x Minnesota Timberwolves, e a loira estava bem acomodada no sofá, com Kitty deitado ao lado, ignorando completamente toda a agitação da mulher, mais entretido apenas em roubar calor e um afago aqui e ali. Isso até ouvir batidas na porta, eram que horas mesmo? Kitty se espreguiçou no sofá com as orelhas erguidas, enquanto a loira xingava baixinho: <br />
<br />
-- Eu não acredito que os vizinhos vem incomodar essa hora! -- a loira já estava com algumas cervejas na conta, e não estava dotada da maior paciência para lidar com o surgimento de vizinhos para pedir ajuda a Carissa no horário da madrugada. Embora a prática tivesse diminuído ao longo das semanas em que dividia o apartamento com a colega de trabalho. Não impedia de aparecer um inconveniente justamente quando o jogo estava pegado e aquilo já lhe deixava de mal humor: <br />
<br />
-- Meio tarde pra bater na porta dos outros não acha? -- a loira falou em tom audível para seja quem for do lado de fora, já estar ciente que ela estava de péssimo humor. Leona espiou pelo olho mágico não vendo ninguém de cara, e isso fez com ela soltasse um “tsc” baixinho, e isso só somava mais irritação. Kitty emparelhou bem debaixo de seus pés e começou a fuçar junto a fresta, como se tivesse alguém conhecido do outro lado da porta. Finalmente a loira destrancou a porta, mas não tirou a corrente da mesma, e abriu apenas um pouco para espiar o lado de fora:<br />
<br />
-- Então, pode parar de brincadeira… -- a loira deixou a frase incompleta quando avistou a figura de Jack e ele parecia, sujo e machucado?  a segunda parte fez com que ignorasse o acompanhante que não reconheceu de cara. Foi notório o suspiro de desgosto da loira ao encostar a testa no batente da porta: -- Eu não acredito nisso… você só me dá trabalho!-- logo em seguida, a loira fechou a porta, e foi possível ouvir o tilintar da corrente sendo tirada, junto com alguns resmungos de reclamação:<br />
<br />
-- Vamos, entra logo, antes que eu desista de você-...!  -- Leona parou no meio da sentença só naquela hora parando pra observar quem era, e abriu a boca pra falar mas parou no meio sem conseguir associar porque os dois estavam sujos e machucados na sua porta no meio da madrugada, Kitty logo surgiu miando na direção de Jack, amistoso se esfregando nas pernas do loiro. Ia ser uma longa noite, e com certeza não era de relaxamento.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
“Pode entrar? Então tá.” Boyd já tinha ouvido essa voz enjoada antes, mas não deu muita atenção, precisava depois de tudo da cerveja prometida. A surpresa foi imediata ao ver a Oficial Blanche da delegacia na porta, se ela era a enfermeira prometida, ia preferir ficar sem cuidados. – Torcedora dos Knicks?! Isso explica o mal humor. – Foi adentrando na residência, achando que o convite era para ele - Walt Frazier hein, vocês devem tudo a esse cara, se o Carmelo fosse metade do que ele é, talvez vocês tivessem alguma chance de Playoffs. – Vendo os lances do jogo na televisão, reconheceu a partida que já tinha assistido no processo de chegada e adaptação. Sorriu ao perceber que ela assistia a reprise do jogo, tão raro de uma vitória do seu time.<br />
<br />
Dirigindo-se ao sofá, foi avaliando todo o local enquanto caminhava – Vejo que gostou dessa partida, muito raro o seu time jogar bem assim né?! Até o Carmelo que costuma só vir pra bater o ponto jogou muito bem, eu vi esse jogo, foi 118-106. – Pensou em já se sentar, mas ainda estava sem sua cerveja, bem como sem seus petiscos. Logo em seguida a lembrança veio, tinha jogo dos Spurs contra o Heat, que provavelmente estaria passando naquela hora. – Inclusive tem um jogo ao vivo passando agora dos Spurs, então se quiser ver um time de verdade jogar, a hora é essa. Me prometeram cerveja e petiscos, se rolar um jogo, melhor ainda.<br />
<br />
Uma série de perguntas passavam pela cabeça de Boyd agora, não lembrava de em nenhum dos seus encontros “prazerosos” com os federais a presença de Leona. No final, talvez nem lembrasse, eles pareciam que vinham todos formatados, pacote padrão, cenho franzido, agindo como se fossem os gostosões e eu fosse o copeiro deles. Mas talvez aquela seria uma boa hora para socializar com uma possível companheira de trabalho, já tinha falado mal do time dela, mas infelizmente a culpa não era dele, o mal gosto e o desejo masoquista esportivo da moça eram gritantes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack ouviu a voz do outro lado da porta e já esperava que Leona fosse lhe dispensar de pronto. O horário era bem avançado, então era melhor se posicionar um pouco mais de frente para a porta e impedir a visão da loira de Boyd. Não respondeu ao primeiro comentário, mas aproveitou para sorrir descarado com os lábios machucados, o que até lhe causou um incômodo no rosto onde tinha sido atingido.<br />
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- Surpresa! - falou descarado para a loira, até ela suspirar resignada para fechar a porta e tirar a corrente de trava. Manteve-se encostado à batente de madeira, para ouvir o chamado que pudesse entrar, delicada como só a loira conseguiria ser.<br />
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- Eu sei que você nunca ia desistir de mim, Kitty. - comentou descarado, mas não tão em tempo de entrar no apartamento antes de Boyd.<br />
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Aproveitou a deixa para passar também, o gato miando com a presença nova no apartamento, embora não tivesse tido chance de dar atenção ao bicho, considerando como Boyd já tinha começado a tagarelar. E tinha sido uma ótima decisão levá-lo até a casa de Leona, porque o espetá-lo foi imediato. Parou apenas quando estava longe suficiente dos dois depois de ouvir os comentários do oficial texano para o jogo que estava passando na TV. E quando ouviu o resultado dos lábios do outro, até contorceu a expressão numa de dor, como se tivesse levado outro murro, dando um passo longo para trás para ter certeza que sairia do caminho da leoa, os braços cruzados diante do corpo.<br />
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- Opa... - foi a única coisa que saiu dos seus lábios ao ouvir o resto dos comentários que Boyd ainda conseguiu fazer sobre o jogo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
Tinha tantas coisas erradas naquele cenário que nem queria começar a pensar, não bastasse ter de abrir a porta para lidar com Jack todo estrupiado sabe-se lá deus porque, tinha de lidar com aquela pessoa, o oficial novo que lembrava bem o nome, Boyd Garret.  Queria estar mais preocupada com o amigo de longa data, mas a forma com a qual o sujeitinho texano adentrou no espaço do apartamento - que mesmo não sendo seu espaço - ainda assim, era uma atitude que a loira só conseguia pensar como completamente petulante da parte dele. <br />
<br />
Como se não bastasse, o infeliz disparou a falar, e a lista de absurdos ia crescendo na mesma medida que a raiva dentro da loira, se fosse possível, sentia como se todo o sangue tivesse subido a cabeça junto com o pouco álcool que tinha ingerido. O que lhe deixaria com a face toda vermelha, além claro, do cenho franzido e as veias do pescoço saltadas. Cerrou o punho a ponto das juntas estalarem, principalmente ao ouvir o resultado do jogo que ainda estava assistindo. Claro que ele tinha tido tempo de assistir o jogo, quem estava trabalhando até tarde era ela, e não ele. E antes mesmo que pudesse tecer uma reclamação inteligível sobre aquela sequência de comportamentos descabidos, veio a cereja do bolo, ele teve o disparate de mudar de canal para assistir outra coisa.<br />
<br />
A reação imediata da loira, foi cortar a distância entre ela e o moreno mais alto em dois passos rápidos, e antes que ele terminasse o movimento de se virar em sua direção, Leona marretou-lhe a lateral do rosto com o punho direito fechado, fazendo com que o corpo maior caísse sobre o sofá, a tigela de petiscos antes apoiada no braço do móvel, indo ao chão se espatifando de pronto com um ruído sonoro:<br />
<br />
-- VOCÊ!! -- Apontou o dedo indicador na cara do oficial novo: --NÃO VÁ FAZENDO AS COISAS COMO SE ESTIVESSE NA SUA CASA!!! -- Vociferou contra o texano, sem sequer lembrar que tinha vizinhos dormindo, que tinha Carissa dormindo no outro quarto, estava tão completamente furiosa, que poderia continuar acertando o outro sujeito até que ele reencarnasse e aprendesse boas maneiras.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
- Jesus Cristo, qual o seu problema?? Com um braço desses, você e o Jeter os Yankees podem até lembrar o que é uma World Series, Jesus. – Esbravejou, após cair sentado no sofá.<br />
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Já estava de sangue frio, o que fez com que o impacto doesse mais do que esperava, não tirando o mérito do braço da moça. Colocou a mão no maxilar vendo se ainda servia para alguma coisa, não que tivesse mais algum petisco que se aproveitasse naquela situação. Levantaria para mostrar não estar intimidado, o que de fato não estava, porém a falta de equilíbrio após o impacto provavelmente o faria sentar de novo. Para evitar esse papel ridículo, apenas arrumou o corpo no sofá, fixando o olhar em Jack.<br />
 <br />
- Era essa a enfermeira que você me prometeu? Se for eu dispenso. Além disso, lá se foram os petiscos. – Falou, ironizando a situação atual. – Desculpe Oficial Blanche, parece que toquei em algumas feridas, não era a minha intenção magoar seus sentimentos com relação as vitórias dos Knicks, mas achei que depois de tantos anos sem uma final de NBA você nem ligasse mais para isso.<br />
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Talvez, agora analisando, tivesse passado alguns limites, mas jamais se mostraria realmente arrependido de algo. A ironia era carro chefe dos seus diálogos. Para ele, o pedido de desculpas, mesmo que não arrependido verdadeiramente, ainda assim era um pedido de desculpas.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A sequência que veio a seguir foi apenas esperada. Por isso Jack deu um passo para trás e parou exatamente no limite para a cozinha enquanto o cowboy recebia a surra da leoa com toda a fúria de uma mãe protegendo os filhotes... embora daquela vez fosse só um animal muito selvagem que mais lembrava um volverine enfurecido. Ignorou a briga dos dois e foi até a cozinha, pegando água e alguns biscoitos que estavam num dos potes em cima da mesa para voltar até a entrada e observar o resto da discussão, rindo completamente descarado para a descrença de Boyd sobre a enfermeira que tinha prometido.<br />
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- Não, essa é só o cãozinho de guarda... a enfermeira vai chegar em três... d-<br />
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- O que foi isso?! O que aconteceu?! Invadiram a casa?! Onde você está, Leona?!  <br />
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As palavras alarmadas vieram de uma Carissa completamente desgrenhada, num pijama muito curto com uma camisa grande cobrindo o short pequeno e os cabelos bagunçados, além de um abajur nas mãos para usar como arma. Ela parecia completamente desnorteada, olhando com a expressão de susto primeiro da entrada e depois para Jack, Leona e por fim Boyd, a respiração arfante se acalmando gradativamente para deixar mais óbvio os braços e pernas tremendo. Jack apenas sorriu largamente, satisfeito com a entrada antecipada da morena, e andou na direção dela, convenientemente abraçando-a por trás para usá-la como escudo contra Leona, esfregando o rosto contra o de Carissa - o lado menos machucado, ao menos.<br />
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- Não aconteceu nada, Cara, amor, a sua mulher que é muito exagerada e está acordando todos os vizinhos. Eu vim aqui só pra falar com você, queria te acordar com um beijo, mas essa maluca aí fica gritando e batendo nos outros por nada... - Jack falou, afastando o rosto do de Carissa, mas mantendo o braço em volta do ombro dela. Com a outra mão, apontou para o rosto da morena, completamente desnorteada do susto. - Essa é a enfermeira que prometi.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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A loira estava furiosa, o sujeito era uma metralhadora de absurdos, quanto mais ele falava mais raiva tinha, seja quem for que bateu nele, não tinha batido o suficiente, porque ele merecia uns bons socos até aprender a ter bons modos. A loira ainda mantinha os pulsos cerrados como quem estava tentando conter toda a raiva que tinha, estava certamente com o rosto completamente vermelho<br />
 <br />
Mas não tinha como a loira antecipar o que o amigo de longa data estava tramando quando foi até ali, só podia julgar que era algo pra lhe fazer raiva. Então quando conseguiu captar a conversa sobre “enfermeira”, já tinha uma Carissa com uma roupa folgada mais exposta do que gostaria que ela estivesse para os dois sujeitos, e o pior foi Jack ir abraçá-la! Isso fez com que direcionasse toda a raiva que sentia para o outro, nem conseguiu pensar numa resposta para ela, a única coisa que fez foi caminhar em passos irritados até perto dos dois:<br />
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-- Você sabia disso o tempo todo! Porque é que você faz isso? É só pra me irritar é? ARGH!!!! Eu não sei porque eu ainda pergunto!!! – Praticamente rosnou para Jack, enquanto apontava o indicador pra cara dele, enquanto ele estava se escondendo atrás de Carissa, sabendo que não o acertaria, enquanto estivesse bem grudado perto dela. Perto demais por sinal.<br />
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-- você! – Apontou para Jack, depois apontou pro sofá onde o Boyd já estava sentado: -- senta ali e fica quietinho, se quiser algum cuidado, não é pra isso que vocês vieram aqui tarde da noite? – comentou em tom mais baixo, mas não menos irritado, estava furiosa. Porque toda a noite de descanso que tinha planejado tinha sido sumariamente estragada, e não tinha nada que Jack fizesse que pudesse concertar aquela porcaria de situação. Só cuidaria dos dois infelizes e mandaria eles embora, não eram dois adultos? totalmente capazes de arrumar confusão tarde da noite? um tão entendido de estatísticas de jogo e números e outro cheio de gracejos, que podiam muito bem sumir e parar de lhe incomodar, depois que estivessem minimamente remendados.<br />
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Então respirou fundo e virou-se para Carissa finalmente, mudando completamente o tom de fala, porque afinal estava fazendo bagunça no apartamento da morena mais nova, e causando constrangimento para ela, falou em tom mais baixo, e sério: <br />
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-- Carissa, eu botei os dois pra dentro, sem ter lhe consultado porque “ele” apareceu assim todo arrebentado parecendo ter sido atropelado por um caminhão de mudança, e trouxe o outro “sujeito” também, todo arrebentado, eu não podia simplesmente ignorar. Eu vou tentar arrumar isso, desculpe ter lhe acordado no meio de uma gritaria. – explicou tudo de uma vez só, e depois saiu de perto deles, pra ir buscar uma caixa de primeiros socorros, com esparadrapo e remédio pra limpar os machucados dos dois. Estava tão completamente irritada de tantas formas, que se não cometesse um homicídio naquela noite, não faria nunca mais.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
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Após ver que em pouquíssimo tempo nessa maldita cidade, aparentemente todo mundo se conhece e para piorar, apesar dos EUA ser um país enorme, um cidadão que faz raiva e uma outra propensa a fazer raiva são bff’s. E a noite ficou ainda mais estranha ao ver que a oficial Dubois, a que sempre teve a impressão que sentia o maior pavor de Leona, morava justamente com ela. Isso sim, apesar de todas as pancadas que recebeu na cabeça, não fazia o menor sentido. Para completar, Leona depois de se dirigir a ele como “sujeito”, sem o menor acolhimento, começou a falar mansinho e isso foi bem esquisito.<br />
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- Apesar do sujeito aqui parecer ruim, vocês deviam ver como ficaram os outros do estabelecimento. Agora, oficial Dubois, vejo que você está com essa cidadã nada simpática na mesma residência. Caso ela tenha raptado você, pisque duas vezes para nós chamarmos a corregedoria. Não fale pra ela não ficar mais violenta que isso. – Falou em tom de deboche, justamente para aproveitar o resto do momento de irritabilidade de Leona. – Caso seja uma questão de necessitar de companhia melhor, você pode dividir a residência comigo se quiser, certamente eu devo preparar um churrasco melhor do que ela.<br />
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A noite já deu o que tinha de dar, receberia seus cuidados, ou não, após as cutucadas e iria embora. No fim, nada saiu como o planejado. Não pôde beber sua cerveja em paz, não pôde aproveitar do clube, não recebeu os petiscos e bebidas prometidas e a enfermeira disponível era digna de um filme de terror. Não queria nem pensar no que mais poderia dar errado, tinha um medo genuíno de descobrir.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Carissa/Jack</span></div>
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Carissa ficou completamente confusa com a situação e piscou várias vezes, quase deixando o abajur cair quando Jack lhe abraçou por trás e ainda esfregou o rosto contra o seu. "Mas o que é que tá acontecendo aqui? Nossa vida era mais fácil sem o Jack aqui em Cerise e porque é que ele tá me agarrando?!" só depois de processar a informação de que estava sendo agarrada por Jack - sem se tocar que estava apenas sendo usada de escudo -, foi que sentiu o rosto queimar fortemente a tempo de ouvir a explicação de Leona seguida dos comentários de Boyd sobre piscar duas vezes para chamar a corregedoria - o que ela fez de um modo automático.<br />
<br />
- Ah n-n-não... não tem nada com a Leona de raptar e... e eu tava dormindo e- o que- atropelado? - Carissa ainda estava tentando assimilar as informações quando Jack só reforçou o abraço em volta dela, passando o outro braço pela cintura da morena.<br />
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- Você é um colírio pros olhos, Cara, por que não manda a Kitty ir dormir enquanto cuida da gente? Olha só o estrago que a sua colega de quarto está fazendo com os hóspedes. - Jack insistiu, mantendo a proximidade dos rostos.<br />
<br />
- Jack e Boyd, o que aconteceu com vocês? - ela finalmente pareceu acordar um pouco mais, diante da comoção no apartamento. - Alguma coisa do departamento? Vocês não deviam ter ido pra delegacia pra fazer o relatório? Foi algum caso da polícia? Um criminoso? Nós devíamos registrar os ocorridos logo! Isso foi da briga? Vocês têm que colocar gelo nisso. Sentem no sofá e não façam mais barulho pra não incomodar os vizinhos.<br />
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Carissa se desvencilhou de Jack para seguir até a cozinha e pegar alguns panos e gelo para os machucados que ela pelo menos conseguia ver.<br />
<br />
- Viu? Eu disse que essa enfermeira era boa. - Jack sorriu largamente, apontando para Carissa pro cima do ombro só para ver a aura de fúria de Leona e dar uns dois passos para o lado para se afastar e procurar um lugar na sala para sentar.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
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A loira estava furiosa de tantas formas diferentes que sentia que todo o seu sangue podia evaporar e virar uma neblina vermelha em torno de si, principalmente quando os dois marmanjos safados, arrumavam briga, chegavam totalmente desgraçados, e ainda ficavam se insinuando na direção de Carissa, era um disparate sem tamanho. Voltou com a caixa de primeiros socorros e com olhar de morte pros dois e sentou-se perto do cowboy porque certamente se sentasse perto de Jack arrancaria as tripas dele com a tesourinha de cortar as ataduras:<br />
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-- Vocês dois são muito exigentes pra quem aparece no meio da madrugada na casa dos outros pra pedir ajuda, pra seja lá o que vocês estavam fazendo. --  apontou a garrafa de álcool na direção de Jack: -- E você pare de gracinhas também, já deu a conta por hoje. -- sentou-se do lado de Boyd, e finalmente abriu a caixinha de primeiros socorros e foi avaliar o nível de machucados dele, em meio a bagunça de petiscos jogados no chão, encarou o mais velho com a mesma cara de poucos amigos de sempre, e nem pediu licença, ele estava cheio de cortes e marcas roxas espalhadas pelo corpo, nem precisava dar mais atenção a uma ou outra, pôs álcool em gase e começou a limpar todos os machucados: --  E nem pense em reclamar que arde, não tem direito de reclamar de nada. Muito menos de um churrasco que eu nunca nem fiz pra você provar. -- mas nem chegava a ser uma competição, afinal, nada que Leona cozinhasse podia ser entendido como comida: -- e que você provavelmente morreria se comesse.  -- comentou mais pra si mesma, do que para o Texano. <br />
<br />
Podia não ser hábil com cozinha, mas do mesmo jeito que sabia infligir ferimentos, sabia tratar deles, não iria demorar muito pra estar tudo limpo: -- Vocês não quebraram nada no meio dessa confusão, não?  -- adicionou, agora encarando o outro com um olhar mais desconfiado do que irritado de fato, enquanto separava o combo de comprimidos pra dor que provavelmente ele precisaria tomar.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Boyd</span></div>
<br />
Não precisava ser nenhum expert em análise comportamental para perceber que alguma coisa na dinâmica de Leona com os outros dois estava um pouco, por falta de palavra melhor para definir, complexa. Era comum pessoas que trabalham juntos dividirem apartamento, mas a partir do momento que a interação do seu companheiro de quarto com outras pessoas incomoda, aí tem coisa. Não sabia na direção de qual dos dois seria o sentimento de obsessão, mas essa impressão podia ser fruto do excesso de pancadas na cabeça.<br />
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A mínima intenção de não se mostrar intimidada pelo duelo culinário divertiu Boyd, sabia bem que pessoas de Nova York só sabiam comer em foodtruck e pedir delivery, ele ficaria realmente surpreso caso Leona soubesse onde ficam as panelas do apartamento. Era algo para botar em prática em outra oportunidade, onde o pedaço de carne sangrando não fosse dele.<br />
 <br />
Ao falar sobre não reclamar do ardor vindo da assepsia, o texano não segurou o riso e enquanto começava a mexer na camisa, completou – Já comi Burritos maiores que Jack e os seguranças do lugar que saímos, mas como você parece preocupada, vou facilitar – puxou a camisa, retirando e mostrando assim a parte de cima do corpo com várias cicatrizes de tiros, facadas e afins dos divertimentos prévios com os cartéis.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack/Carissa</span></div>
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Carissa coçou a nuca com a situação inusitada que estava acontecendo em seu apartamento e só foi até a cozinha para buscar o que tinha dito, ouvindo claramente as reclamações de Leona para os dois visitantes noturnos “Mas que situação... eu sabia que ia ter alguma coisa de filme de policial um dia desses, só falta agora os dois dizerem que tavam desmantelando uma operação de tráfico de drogas pra completar o episódio da série. Hahhh, isso é cansativo”, os pensamentos pareciam mais se confundir com um sonho muito vívido enquanto ela pegava o gelo para colocar numa bacia e procurava alguns panos de prato limpos para levar até a sala.<br />
<br />
Jack manteve a distância de Leona e sentou na única poltrona vazia que tinha na sala pequena, o que ainda era ao alcance da loira. Moveu a mandíbula como se quisesse ter certeza que estava no lugar e conteve a vontade de rir para não piorar a situação quando ela falou sobre "um churrasco que nunca nem fez".<br />
<br />
- Deus ajude que nunca faça... - comentou em tom baixo mais para si mesmo do que para a loira. Mas ao menos o comentário de Boyd veio em bom tempo para tirar a atenção do que tinha dito e chamar a atenção para outro detalhe quando o texano tirou a camisa no meio da sala de Carissa.<br />
<br />
A situação já teria sido engraçada com a reação de Leona, mas pareceu quase cronometrada para casar com a volta de Carissa à sala, que, com o balde de gelo na mão, foi pega de surpresa com o policial despido diante de Leona e teve o rosto tomado por um vermelho mais intenso do que a mecha no cabelo da loira.<br />
<br />
- M-m-m-mas o q-q-q-que v-v-vocês est-t-t-ão f-f-faz-z-z-endo?! - ela perguntou, sentindo o rosto queimar intensamente e a expressão de confusão estava indo entre uma de embaraço e de irritação, especialmente enquanto ela continuava trocando olhares rápidos de Boyd para Leona.<br />
<br />
- Bom, se é pra ficar confortável, por que não? - Jack não perdeu a oportunidade dele mesmo tirar a camisa, diferente do texano, havia bem menos cicatrizes e uma tatuagem chamativa nas costelas direitas. A reação de Carissa foi imediata.<br />
<br />
- Ahhhh! - a morena deixou a bacia com gelo cair no chão, o rosto intensamente corado. - P-p-p-parem de t-t-t-tirar a r-roupa no m-m-eu ap-p-partamento!!!<br />
<br />
- Você pode cuidar de mim enquanto a Kitty cuida do cowboy, não é, Cara? - Jack sorriu descarado. Um hematoma a mais, um a menos, qual a diferença?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona</span></div>
<br />
A loira estava furiosa, e queria apenas se certificar que cada um dos dois estava bem, pra poder despachar eles e ir dormir, sua noite de cerveja e jogos estava arruinada, tinha amendoim no chão para limpar, sorte não ter derrubado todos os salgadinhos que estavam na mesa de centro ou seria um estrago ainda maior. Não ficou impressionada pela beleza do Texano, mas teve de arquear a sobrancelha por ele parecer um boneco de ação do comando cobra, cheio de cicatrizes, marcas de facas, de tiros, o bicho tava todo desgraçado, não ficava surpresa dele ter dito já ter “enfrentado burritos maiores”. Estava prestes a tatear as costelas do sujeito para averiguar se tinha alguma costela quebrada quando ouviu o som seco de algo caindo no chão e a expressão de surpresa de Carissa.<br />
<br />
-- Ele pode estar com as cos-...! -- antes que pudesse terminar a frase, Jack seguiu a deixa dada pelo cowboy, e aproveitou que Carissa já estava constrangida e tirou a camisa também, exibindo o corpo conhecido, com algumas novidades como a tal tatuagem que lhe era estranha; Mas qualquer pensamento lógico passou longe de sua cabeça, estava furiosa com a seção de nudismo do amigo de longa data justamente na frente de Carissa. A loira pegou a primeira coisa em seu caminho que para a sorte de Jack foi uma das almofadas do próprio sofá, pra usar de porrete contra o loiro:<br />
<br />
-- NÃO É POSSÍVEL JACK REINHARDT!! -- bateu com a almofada contra o ombro de Jack -- QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE PASSAR 5 MINUTOS EM UM AMBIENTE SEM COMEÇAR A FAZER ALGUMA DAS SUAS GRACINHAS!!!-- bateu mais umas duas vezes, ou três, não estava contando, estava com o rosto vermelho de raiva, e furiosa. <br />
<br />
O que mais poderia dar errado naquela noite?]]></content:encoded>
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