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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - Praia]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:41:27 +0000</pubDate>
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			<title><![CDATA[Childhood Blues [Lettice]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=342</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:36:05 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=99">Evelyn</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=342</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Chegar em St. Clavier e ter que passar a primeira semana de aula se acostumando com o horário foi bastante enfadonho. Não que estivesse desacostumado com esse tipo de rotina, na verdade era bastante parecida com a rotina diária que tinha no antigo internato, mas o que havia marcado para o domingo da segunda semana foi o que deixava Evelyn Newell bastante empolgado.<br />
<br />
E isso era, a oportunidade de reencontrar sua amiga de infância, Lettice.<br />
<br />
Desde que havia chegado em Cerise, fazia questão de mandar mensagens para a amiga, falando sobre o dia, coisas que havia achado interessante… Se havia uma brecha para falar de algo ou sem nada para fazer, estava conversando com Letty. Já havia deixado a morena à par de tudo que havia feito durante a semana e sobre seu companheiro de quarto. Alguns dias antes de se encontrarem, mandou a mensagem para a melhor amiga:<br />
<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Vamos nos encontrar na praia, já que você nunca teve como ver. Podemos andar lá um pouco e depois no centro, o que acha?<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Passe protetor solar, compramos água quando estivermos lá!<br />
<br />
Chegando no dia, estava claramente empolgado apesar de não demonstrar expressivamente isso para o companheiro de quarto. Apenas avisou a Berthold que sairia e provavelmente voltaria um pouco mais tarde. Pensou que talvez fosse uma boa ideia procurar algum presente para o colega, já que ele havia se oferecido para fazer um rascunho enquanto explicava as técnicas que usava. Na cabeça do ruivinho, era o melhor que poderia fazer. Vestiu um macacão jeans sobre uma blusa listrada, um cinto preto marcando a cintura, e usou um tênis simples branco. No visual andrógino da vez, preferiu deixar os cabelo ruivos soltos. Fez questão de usar hidratantes e protetor solar para evitar que o sol fizesse mal à pele clara.<br />
<br />
Foi até a praia de ônibus, bem poderia pegar um táxi, mas não queria gastar dinheiro extra assim, precisava gerenciar sempre suas economias. Chegou área de praia e sentou em um dos banquinhos ainda fora da areia. Avisou à Letty por celular onde estava e mandou uma foto do mar, estava ansioso para reencontrar a amiga de infância.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Depois de tanto estudar, havia conseguido resolver seus planos para poder estudar na academia irmã à instituição que Evelyn havia ido parar. Havia ficado tão empolgada com a ideia de poder reencontrar o amigo de longa data depois de tanto tempo afastada dele, que passou o dia anterior ao encontro testando receitas saudáveis de opções que sabia que ele poderia experimentar. Biscoitinhos com gergelim, tortinha de abóbora com lentilha assada, testou até mesmo preparar alguns sanduíches decorados com temas florais tal como o jardim que gostava tanto de cuidar na fazenda. <br />
<br />
Ficou surpresa de verdade com a ideia de poder encontrar Evelyn na praia. Nunca havia tido a oportunidade de ir à praia, conhecer o mar. Separou todos os lanches que havia preparado, salvando alguns para sua colega de quarto e outras porções para suas mais recentes colegas de turma. Não se incomodava de oferecer o que preparava para outras garotas, na verdade, era bem orgulhosa em relação ao que conseguia preparar na cozinha como opções saudáveis. Mandou fotos do que preparava para Evelyn e no dia do então encontro, estava tão animada que não conseguiu decidir o que usar para sair com o amigo. Acabou pedindo ajuda para a colega de dormitório e saiu para encontrar com Evelyn usando um de seus vestidos mais leves, um short justinho por baixo para não assar a parte interna das coxas. Colocou as sandálias com girassóis desenhados e não esqueceu do chapéu de palha trançada para lhe proteger do sol. Além do vestidinho, usava uma bolsa lateral, carregando uma segunda bolsa com água fresca em uma garrafa térmica, suco e lanches. <br />
<br />
Contudo, acabou se atrapalhando para chegar à praia depois de se perder em uma linha de ônibus. Avisou ao amigo do atraso, pedindo desculpas e terminando por correr na orla, sequer parando para prestar atenção na foto que lhe era enviada, incerta de que o outro ainda poderia estar lhe esperando. Quando estava prestes a desistir de tentar encontrar Evelyn por conta própria e telefonar para o amigo, deparou-se com a figura conhecida, tal como se ele nunca tivesse ido embora e deixado sua companhia. <br />
<br />
- E-Evelyn…? - apertou as alças das bolsas que trazia consigo, incerta de que o outro ainda lhe reconhecia pessoalmente. Ele ainda continua muito bonito como se recordava da época em que haviam crescido juntos na fazenda, mas ainda havia aquela breve incerta sobre o que ele pensava sobre sua pessoa depois daquele tempo afastados.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Enquanto estava sentado, recebeu a mensagem da amiga avisando sobre o atraso que teria. Enviou uma mensagem para a Letty, apenas para reassegurar que estava tudo bem, e que já a estaria esperando na praia, aproveitando para tirar fotos da vista que estava tendo seguidas por "você finalmente vai poder dizer que viu o mar!". Os dedos se moviam rapidamente pelo teclado, com um sorriso pequeno porém bastante sincero no rosto. Finalmente teria um tempo com a garota de cabelos claros.<br />
<br />
Enquanto ela não chegava, aproveitou para observar o espaço. Tinha um bom movimento, bem como o presidente do conselho estudantil havia explicado à Evelyn no dia que saíram para jantar juntos. Graças aquela saída, tinha bem mais certeza de que poderia divertir Lettice durante aquela manhã. Quem sabe pudessem até conseguir tempo para ir ao aquário antes de fazer caminho até o centro? Ou talvez até a tal padaria Antique, da qual havia ouvido falar?<br />
<br />
Aproveitou e se levantou do banquinho que estava. Havia esquecido de trazer um chapéu, e o sol em sol rosto estava começando a lhe incomodar, apesar de estar usando o protetor solar. Foi até um dos vendedores ambulantes, e olhou alguns bonés que poderia usar, afinal combinaria mais um boné com o tipo de roupa que estava usando. Mesmo sendo chamado de "mademoiselle", fez a compra de um boné branco com algumas listras pretas na lateral, e quando guardou o troco em seus bolsos, ouviu uma voz fraca chamar pelo seu nome. Fraca, mas que conhecia muito bem.<br />
<br />
Prontamente se virou e cruzou os olhos castanhos com os verdes da amiga de infância, que apesar do tempo, poderia dizer com toda certeza que a única coisa que havia mudado era a altura. Mas ela continuava tão bonita como Evelyn se lembrava:<br />
<br />
- Letty! - chamou, em resposta à pergunta fraca, sorrindo abertamente, bastante diferente de como era em St. Clavier, e apressou o passo até a amiga de infância. A envolvendo em um abraço quando finalmente se aproximou dela. O cheiro de jasmim era inclusive o mesmo. Sentia o rosto ficar vermelho. Naquele momento nem parecia que haviam ficado tanto tempo separados - Eu senti tanto a sua falta...! - comentou baixo, ainda no abraço - Jasmins ainda são suas flores favoritas!<br />
<br />
Separou o abraço quando a outra deu a brecha, mas prontamente segurou uma de suas mãos, toda a situação de estarem juntos na praia deixava Evelyn empolgado:<br />
<br />
- Você viu a praia? Não é tão lindo quanto nas fotos?! Precisamos tirar fotos para mostrar para o senhor Charles!!<br />
<br />
Não só Letty era uma figura importante para Evelyn como também os pais da amiga. Não diria em voz alta, mas os tinha como sua segunda família.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Não sabia dizer se era por causa do calor daquele dia ou se pela sensação que transbordava seu peito diante do abraço imediato do amigo de longa data. Prendeu a respiração por alguns segundos, apertando as alças das bolsas que trazia consigo até sentir a pressão do abraço aliviar e o ruivo começar a se afastar. Diminuiu a pressão com as bolsas até se adiantar para poder abraçá-lo de volta, retribuindo o gesto com um sorriso de alívio e felicidade por enfim poder reencontrar Evelyn. Sequer se deu conta de quando o chapéu de palha ficou folgado em sua cabeça, bagunçando os seus cabelos castanhos. <br />
<br />
- Ah… são sim… - respondeu ainda tentando processar a imagem do outro em sua cabeça. Evelyn não parecia ter mudado tanto, mas podia bem observar a alteração da altura e da estrutura óssea nas mãos e ombros. Manteve o sorriso no rosto, ainda mais ao acompanhar a empolgação do outro sobre a praia. Piscou algumas vezes, corada com a ideia de que ele ainda lembrava até do nome de seu pai de uma forma tão espontânea. <br />
<br />
Aproximou-se, segurando as duas sacolas em uma única mão para poder usar a sua mão livre para levar até o rosto do ruivo, afastando as mechas do cabelo dele do rosto, os fios empurrados pelo vento. Riu pela situação, apreciando o contato há muito tempo distante. <br />
<br />
- Você que continua muito bonito, Evelyn. É muito bom ver que está saudável. - respondeu, finalmente dando um pouco de atenção para o cenário da praia ao seu redor. - Ah, a brisa aqui é muito boa. E o cheiro salgado… é muito esquisito, mas eu gosto. Ah. - fez uma pausa, voltando a atenção mais uma vez para Evelyn. - Eu trouxe algumas receitas novas. Achei que você gostaria de experimentar. Você ainda gosta de biscoitos de gergelim? São bem refrescantes para esse clima. Eu não sei o que você ainda gosta… então eu preparei algumas coisas… você pode levar pra você e depois me contar o que achou. - fez uma nova pausa, sorrindo discreta. - Ou dividir com seus amigos. Os garotos estão sendo legais com você em St. Clavier, não é? - perguntou, interessada em saber se Evelyn já havia conseguido fazer amigos na nova instituição. Conversar com ele por carta era muito empolgante, mas pessoalmente era outra experiência, pois podia observar as feições do rosto alheio de perto e saber quando ele estava verdadeiramente animado com algo ou apenas tentando garantir que não ficaria preocupada. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Olhar para Letty era como ver o passado, ao menos, a parte boa. Ela continuava a mesma pessoa, um pouco alta, o rosto um pouco diferente, mas exatamente a mesma pessoa. O Evelyn mais novo conseguiria ver completamente uma Lettice mais velha com essa exata aparência.<br />
<br />
Acabou se adiantando na fala, mal deixando espaço para que a morena desse uma resposta, que veio apenas alguns segundos depois, um pouco deslocada. Sorriu, querendo reassegurar a amiga. Percebeu o rosto dela levemente corado, talvez não tivesse se acostumado com o clima mais quente do verão dessa parte da França.<br />
<br />
Pensou em ajustar o chapéu de Letty, que havia acabado bagunçando os fios  castanhos. Antes que pudesse, percebeu a aproximação e o toque leve no rosto, bastante carinhoso, ajustando os fios vermelhos que haviam caído no rosto. Não pode evitar se não sorrir à fala da amiga. Era difícil perceber que era a pessoa mais bonita ali?<br />
<br />
- Eu não sou o único, Letty. - sorriu, finalmente terminando o gesto de ajustar o chapéu da morena, passando a mão rapidamente entre os fios para evitar que parecessem mais bagunçados - graças a você, tive que mexer muito na minha dieta, mas continuo fazendo muitas das suas receitas em casa! - garantiu, seguindo então o olhar da amiga para o mar.<br />
<br />
Riu de maneira contida ao comentário dela sobre o cheiro do mar ser esquisito. Não podia discordar, Levaria algum tempo para se acostumar.<br />
<br />
- Claro que ainda gosto! - respondeu prontamente quando ela voltou a atenção, oferecendo os biscoitos de gergelim. Era a sobremesa favorita no período que esteve na fazenda - eu até tentei fazer, mas nunca ficam como os seus - reclamou, um pouco derrotado. -  eu nunca me canso das suas receitas, Letty! Tenho certeza que está tudo ótimo, mas não precisava ter feito tanto!<br />
<br />
Estranhou um pouco a pausa da amiga, mas logo veio a pergunta fatídica sobre como estava indo em St. Clavier. Ah. Não era a melhor pessoa para amizades, ou relacionar com outras pessoas. Nunca pensou que precisasse de amigos além de Lettice, mas ela havia perguntado tão esperançosa, que ponderou um pouco antes de responder, levando a mão até o boné sobre a própria cabeça:<br />
<br />
- ah, bem, as aulas começaram a pouco tempo, ainda não deu para conhecer muito... As pessoas. Eu tenho um companheiro de quarto, aliás! Ele inclusive é um artista que gosto muito, posso até te mostrar algumas fotos das exposições dele! - comentou um pouco mais animado, indiretamente mudando de assunto, já puxando o celular com uma mão, a outra segurando o braço da amiga, pronto para andarem pela feirinha - mas e você? As meninas estão te tratando bem?<br />
<br />
Sentia um pouco de ciúme, não iria negar. A ideia de Lettice com outros amigos lhe deixava irritado. Mas bastava ela sorrir e lhe dizer que tudo ficaria bem que, realmente, tudo ficaria bem.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Conseguia respirar mais aliviada com o fato do velho amigo de infância estar conseguindo se dar bem com novas pessoas. Ao menos ele parecia verdadeiramente animado com seu amigo de quarto ser um artista do qual gostava. Ainda carregava muita preocupação desde a despedida dos dois anos atrás. Observou as imagens e a tela do celular alheio, atenta às informações que Evelyn queria lhe mostrar. A ideia dele ter tentado seguir suas receitas também lhe deixava animada. Gostava que o outro apreciasse sua comida, mas a ideia de um Evelyn mais independente e capaz de cuidar de si mesmo sem a ajuda de terceiros lhe deixava mais aliviada. Não que não gostasse da companhia alheia, mas preocupava-se com o bem estar do rapaz caso não pudesse estar perto dele todos os dias. <br />
<br />
- Bem… eu ainda não conheci muito bem as meninas em Limoges. - explicou, sorrindo um tanto sem graça. - Na verdade, eu nunca estivesse no meio de tantas moças, e todo mundo é muito bonito por lá. O Conselho Estudantil tem umas moças muito elegantes, sabe? E elas falam tão bem… <br />
<br />
A morena ergueu o olhar como se pudesse recordar da altura de algumas das mulheres que estavam no corpo docente da instituição também. Caminhou ligada ao braço do amigo, apreciando o contato uma vez perdido. Era difícil de explicar o sentimento que tinha naquele momento, era algo nostálgico, mas não triste. Era como se nunca tivesse deixado de conviver com o rapaz e como se sempre estivessem juntos. <br />
<br />
- Eu estava pensando em procurar por algum laboratório de ciências em Limoges. Comecei a tentar melhorar os produtos para cuidados com o cabelo, com a pele, com os alimentos produzidos lá na fazenda. Tem algumas fórmulas que eu ainda não testei, mas alguns produtos mamãe até já usou. Antes de vir para cá, eu descobri que um dos pesquisadores que eu admiro já estudou aqui. Blanco o nome. Renaud Blanco. Eu mandei um e-mail para ele e ele me pareceu bastante amistoso com as informações. - contou sobre sua última descoberta para o amigo recém encontrado. Talvez ele pudesse descobrir sobre outras pessoas que já se formaram em St. Clavier ou Limoges que pudessem auxiliar o outro a alcançar seus sonhos. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Abriu o site de notícias com as fotos da exposição e mostrou para a melhor amiga. Inclusive passou algumas informações básicas sobre o artista. O nome que usava para assinar os desenhos - não falou diretamente o nome de Berthold, imaginou que seria melhor -, a técnica, as cores, as exposições que havia conseguido ir. Falava com bastante empolgação e evitou se prolongar, afinal não queria tomar todo o momento de fala para si.<br />
<br />
- Mas vai ter tempo suficiente! Tenho certeza que vai conseguir se adaptar sem muitos problemas - assegurou a morena, encostando a bochecha na altura do ombro da amiga, guardando o celular de volta na bolsa. Ficou um pouco pensativo quando ela comentou sobre as moças de St. Clavier serem elegante, ao que apenas deu de ombros - Não estou dizendo que é o caso delas, mas falar bonito não é difícil. Muita gente enche a boca de firulas e no fim não fala nada. Você não precisa disso.<br />
<br />
Sorriu para a morena, apesar dela estar perdida nos próprios pensamentos. Ela não precisava enganar as pessoas com palavras bonitas, ela era inteligente o suficiente para não se garantir apenas nisso. Apreciou o tempo que passavam, observando bem a feirinha e as pessoas que passavam por lá. Era uma vista que não tinha acesso em Berlim.<br />
<br />
Escutou então os planos de Letty sobre o laboratório de ciências, e não pode evitar de sorrir e acenar positivamente à ideia. Ponderou sobre o nome que ela mencionou, não era desconhecido.<br />
<br />
- Eu acho que já ouvi esse nome em algum lugar, não sei dizer exatamente quem era, mas tinha fama na escola - comentou, afinal alguém que ainda era falado mesmo se formando não era alguém que não foi marcante. E pelas palavras da amiga, não era por pouca coisa - Mas acho fantástico! Sabe, eu estava tentando reabrir o clube de ciências de St. Clavier. Tem algumas burocracias para assinar, mas acho que vai dar certo. Você pode tentar entrar, ou montar, o seu clube de ciências!<br />
<br />
Sugeriu, dando total apoio à amiga. Sabia que ela conseguia fazer coisas incríveis já dentro da fazenda. Com os materiais e espaço correto? Não foi por pouco que insistiu que aplicasse para o Limoges. Seria o melhor espaço se ela quisesse se desenvolver na parte acadêmica.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Sentiu as bochechas aquecerem quando Evelyn deitou a cabeça em seu ombro, falando sobre como ela não precisava de palavras bonitas para conseguir o que queria. Sentia-se muito mais confiante com as palavras do melhor amigo, principalmente por estar na instituição por conta de uma bolsa de estudos e precisava dedicar muito de seu tempo a estudar e pesquisar. <br />
<br />
Admirou as imagens no celular da exposição do tal autor que era colega de quarto de seu melhor amigo. O sujeito ainda por cima era bem bonito. Sorriu com a ideia de que Evelyn deveria estar feliz convivendo com pessoas tão talentosas e de boa aparência. Voltou-se rapidamente para Evelyn, segurando as mãos deles, empolgada com a ideia de abrir um clube de ciências em Limoges também. <br />
<br />
- Nossa, Evelyn! Isso é uma ótima ideia! Nós poderíamos trabalhar juntos pesquisando experimentos, fazendo apresentações juntos! Isso seria muito divertido! - sorriu, baixando o olhar para as mãos do amigo de infância. - Será que nós conseguimos o apoio de algum professor? Eu ainda não conheço as professoras direito, mas as moças do conselho estudantil parecem bem amigáveis a ideia de mulheres pesquisando. Elas são mulheres bastante inspiradoras. Os rapazes de St. Clavier te impressionaram? - perguntou, curiosa com convívio estudantil do outro na instituição masculina. Enquanto conversavam, retirou alguns dos seus lanches para poder oferecer ao amigo de longa data para que ele experimentasse dos novos sabores de suas receitas caseiras. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
<br />
Conseguia ler os pensamentos da amiga como um livro aberto, e não pode deixar de ter um sorriso nos lábios quando percebeu o rosto dela aquecer quando começaram a conversa. Ela era uma pessoa incrível. Claro, as coisas poderiam demorar a acontecer, mas ela era tão esforçada que obviamente o que ela queria naturalmente viria até a morena.<br />
<br />
Ficou feliz ao vê-la interessada na arte de Berthold, mas a felicidade maior veio com a resposta sobre a ideia do clube de ciências. Sorriu, e então segurou as mãos da amiga, com o intuito de passar mais cofiança:<br />
<br />
— Isso! Daria para desenvolvermos bastante coisas juntos. St. Clavier tem bastante espaço, talvez uma parceria fosse possível?! - devolveu o sorriso, empolgado com a ideia de trabalharem juntos, mas logo começou a pensar nos professores que haviam dentro de St. Clavier — Hmn, talvez. Me vem alguns professores em mente com que eu possa conversar. Eu vou conversar com o presidente do conselho estudantil, provavelmente ele tem boas sugestões sobre. Deveria fazer o mesmo no Limoges!<br />
<br />
Se pegou um pouco pensativo com a ultima pergunta da amiga. Haviam outros alunos que o impressionassem? Certamente, havia conhecido algumas figuras interessantes, que definitivamente marcavam presença.<br />
<br />
— Alguns, sim. Não necessariamente por estarem na mesma área que a minha, mas por seus próprios méritos. Mas e você com Limoges? Sei que não deve ter tido muito tempo para conversar com as garotas mas, alguma lhe chamou a atenção?<br />
<br />
Perguntou de maneira inocente. Sabia que haviam pessoas igualmente notáveis em Limoges, e certamente queria que a amiga tivesse as melhores companhias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Chegar em St. Clavier e ter que passar a primeira semana de aula se acostumando com o horário foi bastante enfadonho. Não que estivesse desacostumado com esse tipo de rotina, na verdade era bastante parecida com a rotina diária que tinha no antigo internato, mas o que havia marcado para o domingo da segunda semana foi o que deixava Evelyn Newell bastante empolgado.<br />
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E isso era, a oportunidade de reencontrar sua amiga de infância, Lettice.<br />
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Desde que havia chegado em Cerise, fazia questão de mandar mensagens para a amiga, falando sobre o dia, coisas que havia achado interessante… Se havia uma brecha para falar de algo ou sem nada para fazer, estava conversando com Letty. Já havia deixado a morena à par de tudo que havia feito durante a semana e sobre seu companheiro de quarto. Alguns dias antes de se encontrarem, mandou a mensagem para a melhor amiga:<br />
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[xx/x/2014] Evelyn: Letty!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Letty!!<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Vamos nos encontrar na praia, já que você nunca teve como ver. Podemos andar lá um pouco e depois no centro, o que acha?<br />
[xx/x/2014] Evelyn: Passe protetor solar, compramos água quando estivermos lá!<br />
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Chegando no dia, estava claramente empolgado apesar de não demonstrar expressivamente isso para o companheiro de quarto. Apenas avisou a Berthold que sairia e provavelmente voltaria um pouco mais tarde. Pensou que talvez fosse uma boa ideia procurar algum presente para o colega, já que ele havia se oferecido para fazer um rascunho enquanto explicava as técnicas que usava. Na cabeça do ruivinho, era o melhor que poderia fazer. Vestiu um macacão jeans sobre uma blusa listrada, um cinto preto marcando a cintura, e usou um tênis simples branco. No visual andrógino da vez, preferiu deixar os cabelo ruivos soltos. Fez questão de usar hidratantes e protetor solar para evitar que o sol fizesse mal à pele clara.<br />
<br />
Foi até a praia de ônibus, bem poderia pegar um táxi, mas não queria gastar dinheiro extra assim, precisava gerenciar sempre suas economias. Chegou área de praia e sentou em um dos banquinhos ainda fora da areia. Avisou à Letty por celular onde estava e mandou uma foto do mar, estava ansioso para reencontrar a amiga de infância.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
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Depois de tanto estudar, havia conseguido resolver seus planos para poder estudar na academia irmã à instituição que Evelyn havia ido parar. Havia ficado tão empolgada com a ideia de poder reencontrar o amigo de longa data depois de tanto tempo afastada dele, que passou o dia anterior ao encontro testando receitas saudáveis de opções que sabia que ele poderia experimentar. Biscoitinhos com gergelim, tortinha de abóbora com lentilha assada, testou até mesmo preparar alguns sanduíches decorados com temas florais tal como o jardim que gostava tanto de cuidar na fazenda. <br />
<br />
Ficou surpresa de verdade com a ideia de poder encontrar Evelyn na praia. Nunca havia tido a oportunidade de ir à praia, conhecer o mar. Separou todos os lanches que havia preparado, salvando alguns para sua colega de quarto e outras porções para suas mais recentes colegas de turma. Não se incomodava de oferecer o que preparava para outras garotas, na verdade, era bem orgulhosa em relação ao que conseguia preparar na cozinha como opções saudáveis. Mandou fotos do que preparava para Evelyn e no dia do então encontro, estava tão animada que não conseguiu decidir o que usar para sair com o amigo. Acabou pedindo ajuda para a colega de dormitório e saiu para encontrar com Evelyn usando um de seus vestidos mais leves, um short justinho por baixo para não assar a parte interna das coxas. Colocou as sandálias com girassóis desenhados e não esqueceu do chapéu de palha trançada para lhe proteger do sol. Além do vestidinho, usava uma bolsa lateral, carregando uma segunda bolsa com água fresca em uma garrafa térmica, suco e lanches. <br />
<br />
Contudo, acabou se atrapalhando para chegar à praia depois de se perder em uma linha de ônibus. Avisou ao amigo do atraso, pedindo desculpas e terminando por correr na orla, sequer parando para prestar atenção na foto que lhe era enviada, incerta de que o outro ainda poderia estar lhe esperando. Quando estava prestes a desistir de tentar encontrar Evelyn por conta própria e telefonar para o amigo, deparou-se com a figura conhecida, tal como se ele nunca tivesse ido embora e deixado sua companhia. <br />
<br />
- E-Evelyn…? - apertou as alças das bolsas que trazia consigo, incerta de que o outro ainda lhe reconhecia pessoalmente. Ele ainda continua muito bonito como se recordava da época em que haviam crescido juntos na fazenda, mas ainda havia aquela breve incerta sobre o que ele pensava sobre sua pessoa depois daquele tempo afastados.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Enquanto estava sentado, recebeu a mensagem da amiga avisando sobre o atraso que teria. Enviou uma mensagem para a Letty, apenas para reassegurar que estava tudo bem, e que já a estaria esperando na praia, aproveitando para tirar fotos da vista que estava tendo seguidas por "você finalmente vai poder dizer que viu o mar!". Os dedos se moviam rapidamente pelo teclado, com um sorriso pequeno porém bastante sincero no rosto. Finalmente teria um tempo com a garota de cabelos claros.<br />
<br />
Enquanto ela não chegava, aproveitou para observar o espaço. Tinha um bom movimento, bem como o presidente do conselho estudantil havia explicado à Evelyn no dia que saíram para jantar juntos. Graças aquela saída, tinha bem mais certeza de que poderia divertir Lettice durante aquela manhã. Quem sabe pudessem até conseguir tempo para ir ao aquário antes de fazer caminho até o centro? Ou talvez até a tal padaria Antique, da qual havia ouvido falar?<br />
<br />
Aproveitou e se levantou do banquinho que estava. Havia esquecido de trazer um chapéu, e o sol em sol rosto estava começando a lhe incomodar, apesar de estar usando o protetor solar. Foi até um dos vendedores ambulantes, e olhou alguns bonés que poderia usar, afinal combinaria mais um boné com o tipo de roupa que estava usando. Mesmo sendo chamado de "mademoiselle", fez a compra de um boné branco com algumas listras pretas na lateral, e quando guardou o troco em seus bolsos, ouviu uma voz fraca chamar pelo seu nome. Fraca, mas que conhecia muito bem.<br />
<br />
Prontamente se virou e cruzou os olhos castanhos com os verdes da amiga de infância, que apesar do tempo, poderia dizer com toda certeza que a única coisa que havia mudado era a altura. Mas ela continuava tão bonita como Evelyn se lembrava:<br />
<br />
- Letty! - chamou, em resposta à pergunta fraca, sorrindo abertamente, bastante diferente de como era em St. Clavier, e apressou o passo até a amiga de infância. A envolvendo em um abraço quando finalmente se aproximou dela. O cheiro de jasmim era inclusive o mesmo. Sentia o rosto ficar vermelho. Naquele momento nem parecia que haviam ficado tanto tempo separados - Eu senti tanto a sua falta...! - comentou baixo, ainda no abraço - Jasmins ainda são suas flores favoritas!<br />
<br />
Separou o abraço quando a outra deu a brecha, mas prontamente segurou uma de suas mãos, toda a situação de estarem juntos na praia deixava Evelyn empolgado:<br />
<br />
- Você viu a praia? Não é tão lindo quanto nas fotos?! Precisamos tirar fotos para mostrar para o senhor Charles!!<br />
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Não só Letty era uma figura importante para Evelyn como também os pais da amiga. Não diria em voz alta, mas os tinha como sua segunda família.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
<br />
Não sabia dizer se era por causa do calor daquele dia ou se pela sensação que transbordava seu peito diante do abraço imediato do amigo de longa data. Prendeu a respiração por alguns segundos, apertando as alças das bolsas que trazia consigo até sentir a pressão do abraço aliviar e o ruivo começar a se afastar. Diminuiu a pressão com as bolsas até se adiantar para poder abraçá-lo de volta, retribuindo o gesto com um sorriso de alívio e felicidade por enfim poder reencontrar Evelyn. Sequer se deu conta de quando o chapéu de palha ficou folgado em sua cabeça, bagunçando os seus cabelos castanhos. <br />
<br />
- Ah… são sim… - respondeu ainda tentando processar a imagem do outro em sua cabeça. Evelyn não parecia ter mudado tanto, mas podia bem observar a alteração da altura e da estrutura óssea nas mãos e ombros. Manteve o sorriso no rosto, ainda mais ao acompanhar a empolgação do outro sobre a praia. Piscou algumas vezes, corada com a ideia de que ele ainda lembrava até do nome de seu pai de uma forma tão espontânea. <br />
<br />
Aproximou-se, segurando as duas sacolas em uma única mão para poder usar a sua mão livre para levar até o rosto do ruivo, afastando as mechas do cabelo dele do rosto, os fios empurrados pelo vento. Riu pela situação, apreciando o contato há muito tempo distante. <br />
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- Você que continua muito bonito, Evelyn. É muito bom ver que está saudável. - respondeu, finalmente dando um pouco de atenção para o cenário da praia ao seu redor. - Ah, a brisa aqui é muito boa. E o cheiro salgado… é muito esquisito, mas eu gosto. Ah. - fez uma pausa, voltando a atenção mais uma vez para Evelyn. - Eu trouxe algumas receitas novas. Achei que você gostaria de experimentar. Você ainda gosta de biscoitos de gergelim? São bem refrescantes para esse clima. Eu não sei o que você ainda gosta… então eu preparei algumas coisas… você pode levar pra você e depois me contar o que achou. - fez uma nova pausa, sorrindo discreta. - Ou dividir com seus amigos. Os garotos estão sendo legais com você em St. Clavier, não é? - perguntou, interessada em saber se Evelyn já havia conseguido fazer amigos na nova instituição. Conversar com ele por carta era muito empolgante, mas pessoalmente era outra experiência, pois podia observar as feições do rosto alheio de perto e saber quando ele estava verdadeiramente animado com algo ou apenas tentando garantir que não ficaria preocupada. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Olhar para Letty era como ver o passado, ao menos, a parte boa. Ela continuava a mesma pessoa, um pouco alta, o rosto um pouco diferente, mas exatamente a mesma pessoa. O Evelyn mais novo conseguiria ver completamente uma Lettice mais velha com essa exata aparência.<br />
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Acabou se adiantando na fala, mal deixando espaço para que a morena desse uma resposta, que veio apenas alguns segundos depois, um pouco deslocada. Sorriu, querendo reassegurar a amiga. Percebeu o rosto dela levemente corado, talvez não tivesse se acostumado com o clima mais quente do verão dessa parte da França.<br />
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Pensou em ajustar o chapéu de Letty, que havia acabado bagunçando os fios  castanhos. Antes que pudesse, percebeu a aproximação e o toque leve no rosto, bastante carinhoso, ajustando os fios vermelhos que haviam caído no rosto. Não pode evitar se não sorrir à fala da amiga. Era difícil perceber que era a pessoa mais bonita ali?<br />
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- Eu não sou o único, Letty. - sorriu, finalmente terminando o gesto de ajustar o chapéu da morena, passando a mão rapidamente entre os fios para evitar que parecessem mais bagunçados - graças a você, tive que mexer muito na minha dieta, mas continuo fazendo muitas das suas receitas em casa! - garantiu, seguindo então o olhar da amiga para o mar.<br />
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Riu de maneira contida ao comentário dela sobre o cheiro do mar ser esquisito. Não podia discordar, Levaria algum tempo para se acostumar.<br />
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- Claro que ainda gosto! - respondeu prontamente quando ela voltou a atenção, oferecendo os biscoitos de gergelim. Era a sobremesa favorita no período que esteve na fazenda - eu até tentei fazer, mas nunca ficam como os seus - reclamou, um pouco derrotado. -  eu nunca me canso das suas receitas, Letty! Tenho certeza que está tudo ótimo, mas não precisava ter feito tanto!<br />
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Estranhou um pouco a pausa da amiga, mas logo veio a pergunta fatídica sobre como estava indo em St. Clavier. Ah. Não era a melhor pessoa para amizades, ou relacionar com outras pessoas. Nunca pensou que precisasse de amigos além de Lettice, mas ela havia perguntado tão esperançosa, que ponderou um pouco antes de responder, levando a mão até o boné sobre a própria cabeça:<br />
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- ah, bem, as aulas começaram a pouco tempo, ainda não deu para conhecer muito... As pessoas. Eu tenho um companheiro de quarto, aliás! Ele inclusive é um artista que gosto muito, posso até te mostrar algumas fotos das exposições dele! - comentou um pouco mais animado, indiretamente mudando de assunto, já puxando o celular com uma mão, a outra segurando o braço da amiga, pronto para andarem pela feirinha - mas e você? As meninas estão te tratando bem?<br />
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Sentia um pouco de ciúme, não iria negar. A ideia de Lettice com outros amigos lhe deixava irritado. Mas bastava ela sorrir e lhe dizer que tudo ficaria bem que, realmente, tudo ficaria bem.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
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Conseguia respirar mais aliviada com o fato do velho amigo de infância estar conseguindo se dar bem com novas pessoas. Ao menos ele parecia verdadeiramente animado com seu amigo de quarto ser um artista do qual gostava. Ainda carregava muita preocupação desde a despedida dos dois anos atrás. Observou as imagens e a tela do celular alheio, atenta às informações que Evelyn queria lhe mostrar. A ideia dele ter tentado seguir suas receitas também lhe deixava animada. Gostava que o outro apreciasse sua comida, mas a ideia de um Evelyn mais independente e capaz de cuidar de si mesmo sem a ajuda de terceiros lhe deixava mais aliviada. Não que não gostasse da companhia alheia, mas preocupava-se com o bem estar do rapaz caso não pudesse estar perto dele todos os dias. <br />
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- Bem… eu ainda não conheci muito bem as meninas em Limoges. - explicou, sorrindo um tanto sem graça. - Na verdade, eu nunca estivesse no meio de tantas moças, e todo mundo é muito bonito por lá. O Conselho Estudantil tem umas moças muito elegantes, sabe? E elas falam tão bem… <br />
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A morena ergueu o olhar como se pudesse recordar da altura de algumas das mulheres que estavam no corpo docente da instituição também. Caminhou ligada ao braço do amigo, apreciando o contato uma vez perdido. Era difícil de explicar o sentimento que tinha naquele momento, era algo nostálgico, mas não triste. Era como se nunca tivesse deixado de conviver com o rapaz e como se sempre estivessem juntos. <br />
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- Eu estava pensando em procurar por algum laboratório de ciências em Limoges. Comecei a tentar melhorar os produtos para cuidados com o cabelo, com a pele, com os alimentos produzidos lá na fazenda. Tem algumas fórmulas que eu ainda não testei, mas alguns produtos mamãe até já usou. Antes de vir para cá, eu descobri que um dos pesquisadores que eu admiro já estudou aqui. Blanco o nome. Renaud Blanco. Eu mandei um e-mail para ele e ele me pareceu bastante amistoso com as informações. - contou sobre sua última descoberta para o amigo recém encontrado. Talvez ele pudesse descobrir sobre outras pessoas que já se formaram em St. Clavier ou Limoges que pudessem auxiliar o outro a alcançar seus sonhos. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Abriu o site de notícias com as fotos da exposição e mostrou para a melhor amiga. Inclusive passou algumas informações básicas sobre o artista. O nome que usava para assinar os desenhos - não falou diretamente o nome de Berthold, imaginou que seria melhor -, a técnica, as cores, as exposições que havia conseguido ir. Falava com bastante empolgação e evitou se prolongar, afinal não queria tomar todo o momento de fala para si.<br />
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- Mas vai ter tempo suficiente! Tenho certeza que vai conseguir se adaptar sem muitos problemas - assegurou a morena, encostando a bochecha na altura do ombro da amiga, guardando o celular de volta na bolsa. Ficou um pouco pensativo quando ela comentou sobre as moças de St. Clavier serem elegante, ao que apenas deu de ombros - Não estou dizendo que é o caso delas, mas falar bonito não é difícil. Muita gente enche a boca de firulas e no fim não fala nada. Você não precisa disso.<br />
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Sorriu para a morena, apesar dela estar perdida nos próprios pensamentos. Ela não precisava enganar as pessoas com palavras bonitas, ela era inteligente o suficiente para não se garantir apenas nisso. Apreciou o tempo que passavam, observando bem a feirinha e as pessoas que passavam por lá. Era uma vista que não tinha acesso em Berlim.<br />
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Escutou então os planos de Letty sobre o laboratório de ciências, e não pode evitar de sorrir e acenar positivamente à ideia. Ponderou sobre o nome que ela mencionou, não era desconhecido.<br />
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- Eu acho que já ouvi esse nome em algum lugar, não sei dizer exatamente quem era, mas tinha fama na escola - comentou, afinal alguém que ainda era falado mesmo se formando não era alguém que não foi marcante. E pelas palavras da amiga, não era por pouca coisa - Mas acho fantástico! Sabe, eu estava tentando reabrir o clube de ciências de St. Clavier. Tem algumas burocracias para assinar, mas acho que vai dar certo. Você pode tentar entrar, ou montar, o seu clube de ciências!<br />
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Sugeriu, dando total apoio à amiga. Sabia que ela conseguia fazer coisas incríveis já dentro da fazenda. Com os materiais e espaço correto? Não foi por pouco que insistiu que aplicasse para o Limoges. Seria o melhor espaço se ela quisesse se desenvolver na parte acadêmica.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Lettice</span></div>
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Sentiu as bochechas aquecerem quando Evelyn deitou a cabeça em seu ombro, falando sobre como ela não precisava de palavras bonitas para conseguir o que queria. Sentia-se muito mais confiante com as palavras do melhor amigo, principalmente por estar na instituição por conta de uma bolsa de estudos e precisava dedicar muito de seu tempo a estudar e pesquisar. <br />
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Admirou as imagens no celular da exposição do tal autor que era colega de quarto de seu melhor amigo. O sujeito ainda por cima era bem bonito. Sorriu com a ideia de que Evelyn deveria estar feliz convivendo com pessoas tão talentosas e de boa aparência. Voltou-se rapidamente para Evelyn, segurando as mãos deles, empolgada com a ideia de abrir um clube de ciências em Limoges também. <br />
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- Nossa, Evelyn! Isso é uma ótima ideia! Nós poderíamos trabalhar juntos pesquisando experimentos, fazendo apresentações juntos! Isso seria muito divertido! - sorriu, baixando o olhar para as mãos do amigo de infância. - Será que nós conseguimos o apoio de algum professor? Eu ainda não conheço as professoras direito, mas as moças do conselho estudantil parecem bem amigáveis a ideia de mulheres pesquisando. Elas são mulheres bastante inspiradoras. Os rapazes de St. Clavier te impressionaram? - perguntou, curiosa com convívio estudantil do outro na instituição masculina. Enquanto conversavam, retirou alguns dos seus lanches para poder oferecer ao amigo de longa data para que ele experimentasse dos novos sabores de suas receitas caseiras. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Evelyn</span></div>
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Conseguia ler os pensamentos da amiga como um livro aberto, e não pode deixar de ter um sorriso nos lábios quando percebeu o rosto dela aquecer quando começaram a conversa. Ela era uma pessoa incrível. Claro, as coisas poderiam demorar a acontecer, mas ela era tão esforçada que obviamente o que ela queria naturalmente viria até a morena.<br />
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Ficou feliz ao vê-la interessada na arte de Berthold, mas a felicidade maior veio com a resposta sobre a ideia do clube de ciências. Sorriu, e então segurou as mãos da amiga, com o intuito de passar mais cofiança:<br />
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— Isso! Daria para desenvolvermos bastante coisas juntos. St. Clavier tem bastante espaço, talvez uma parceria fosse possível?! - devolveu o sorriso, empolgado com a ideia de trabalharem juntos, mas logo começou a pensar nos professores que haviam dentro de St. Clavier — Hmn, talvez. Me vem alguns professores em mente com que eu possa conversar. Eu vou conversar com o presidente do conselho estudantil, provavelmente ele tem boas sugestões sobre. Deveria fazer o mesmo no Limoges!<br />
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Se pegou um pouco pensativo com a ultima pergunta da amiga. Haviam outros alunos que o impressionassem? Certamente, havia conhecido algumas figuras interessantes, que definitivamente marcavam presença.<br />
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— Alguns, sim. Não necessariamente por estarem na mesma área que a minha, mas por seus próprios méritos. Mas e você com Limoges? Sei que não deve ter tido muito tempo para conversar com as garotas mas, alguma lhe chamou a atenção?<br />
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Perguntou de maneira inocente. Sabia que haviam pessoas igualmente notáveis em Limoges, e certamente queria que a amiga tivesse as melhores companhias.]]></content:encoded>
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