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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - L'Encré]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 20:17:16 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[B.P.M. [Yure]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=348</link>
			<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 04:27:58 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=109">Qiang</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=348</guid>
			<description><![CDATA[Estava novamente tentando conhecer melhor a cidade de Cerise, dessa vez sozinho, já que a ideia estúpida de pedir ajuda a seu rival havia sido uma péssima experiência. Estava evitando o garoto, então achou melhor sair logo e confiar em seu senso de direção com a ajuda do aplicativo de localização com uma lista de lugares interessantes que talvez fossem interessantes conhecer. Havia verificado que uma tal de padaria Antique era um lugar bem recomendado da cidade, mas queria conhecer mais do centro da cidade primeiro. <br />
<br />
Saiu com uma calça de um tecido mais confortável de algodão, sandálias, regata e um casaco que estava amarrado em sua cintura devido ao calor pelo esforço no passeio, todas as peças de marca e originais. Havia parado próximo a uma banca de jornais para poder verificar sua playlist de músicas e beber um pouco de água quando se deu conta de que havia um grupo de outros rapazes não muito longe, ouvindo uma batida familiar em um amplificador de som portátil, enquanto alguns tentavam dançar ao ritmo da coreografia que já conhecia por conta do clipe do grupo coreano que também estava constantemente em sua lista musical atual. <br />
<br />
Piscou algumas vezes, aproximando-se devagar ainda com a garrafa de água em mãos, os fones de ouvido abaixados. Prestou atenção no que eles estavam falando, considerando que aqueles europeus costumavam ser bem mais barulhentos que os rapazes que conhecia em sua terra natal. Moveu o pé discretamente ao ritmo da música, julgando distante os passos daqueles que ousavam dançar a tal coreografia como se algum dia um deles tivesse alguma chance de conseguir recriar aquela coreografia de forma eficiente. Achou curioso o grupo, mas não tomou iniciativa de se apresentar. Ao invés disso, escolheu pegar o próprio celular de novo, era hora de procurar o mercado central. Queria ao menos voltar para o dormitório com alguns lanches para passar o fim de semana tedioso de estudar e treinar sozinho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Estava novamente tentando conhecer melhor a cidade de Cerise, dessa vez sozinho, já que a ideia estúpida de pedir ajuda a seu rival havia sido uma péssima experiência. Estava evitando o garoto, então achou melhor sair logo e confiar em seu senso de direção com a ajuda do aplicativo de localização com uma lista de lugares interessantes que talvez fossem interessantes conhecer. Havia verificado que uma tal de padaria Antique era um lugar bem recomendado da cidade, mas queria conhecer mais do centro da cidade primeiro. <br />
<br />
Saiu com uma calça de um tecido mais confortável de algodão, sandálias, regata e um casaco que estava amarrado em sua cintura devido ao calor pelo esforço no passeio, todas as peças de marca e originais. Havia parado próximo a uma banca de jornais para poder verificar sua playlist de músicas e beber um pouco de água quando se deu conta de que havia um grupo de outros rapazes não muito longe, ouvindo uma batida familiar em um amplificador de som portátil, enquanto alguns tentavam dançar ao ritmo da coreografia que já conhecia por conta do clipe do grupo coreano que também estava constantemente em sua lista musical atual. <br />
<br />
Piscou algumas vezes, aproximando-se devagar ainda com a garrafa de água em mãos, os fones de ouvido abaixados. Prestou atenção no que eles estavam falando, considerando que aqueles europeus costumavam ser bem mais barulhentos que os rapazes que conhecia em sua terra natal. Moveu o pé discretamente ao ritmo da música, julgando distante os passos daqueles que ousavam dançar a tal coreografia como se algum dia um deles tivesse alguma chance de conseguir recriar aquela coreografia de forma eficiente. Achou curioso o grupo, mas não tomou iniciativa de se apresentar. Ao invés disso, escolheu pegar o próprio celular de novo, era hora de procurar o mercado central. Queria ao menos voltar para o dormitório com alguns lanches para passar o fim de semana tedioso de estudar e treinar sozinho.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Rolezinho [Zoe]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=345</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:43:14 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=86">Yure</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=345</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo ferrugem estava no seu fim de semana, e a última coisa que precisava era ficar em St. Clavier, trabalhava de segunda até sábado de 12hs, a partir de 12:01, aí era hora de folgar, e depois de tirar o uniforme da academia masculina pra por uma roupa confortável, calça folgada, barra dobrada, tênis coloridos, camisa estampada, uma xadrez por cima, pulseiras, colares, um boné com bottons, tirou a poeira da bike e rumou para o centro, onde costumava encontrar os outros amigos dos esportes radicais. A última coisa que queria era ficar de bobeira nos lugares onde poderia encontrar com Monique ou as meninas de Limoges que eram amigas dela, ainda estava de cabeça cheia, e as férias de verão tinham sido uma encheção de saco. Queria ter descansado, mas parecia que estudar era pra descansar e férias era pra passar raiva.<br />
<br />
Quando chegou as praças da parte antiga do centro, já conseguia ouvir o som do contato das pranchas de skate com o chão, e era um som gostoso que estava com saudades de ouvir. Se aproximou em tempo de ver Fred terminando uma manobra que sabia que ele estava treinando a algum tempo e vê-lo conseguindo executar era uma maravilha:<br />
<br />
-- Wow, vejam quem conseguiu finalmente fazer aquela manobra.-- Riu de forma divertida, sentado na bike, um pé plantado no chão enquanto as pessoas conhecidas, lhe reconheciam depois de um meses sem ver sua cara.<br />
<br />
-- Wow digo eu! Você tá vivo? Yure!! Onde você se meteu? -- Jan perguntou seco, largando a bike dele para se aproximar do amigo, que trocou cumprimentos e sorrisos. <br />
<br />
-- Eu faço a manobra, e quem chama a atenção é você? Exibido…! - Fred comentou carrancudo.<br />
<br />
-- Eu também tava com saudades de você Fred. -- Yure jogou um gracejo rindo divertido, o que fez Fred corar e fazer uma cara de irritação imediata.<br />
<br />
O ruivo fingiu que não viu, e desviou o olhar, tirando o boné, e fazendo um aceno para Marcelo que estava longe de fone, e o amigo cumprimentou de volta em silêncio. <br />
<br />
-- E aí, voltou pra ficar? ou vai sumir de novo? Melhorou do pé? -- Jan disparou perguntas na direção do ruivo, no que ele apenas acenou positivo, negativo, e positivo de novo.<br />
<br />
-- Tô novo, fiz uma mini cirurgia no início de Junho, repousei até agora, mas tô indo no médico fazer fisioterapia, mas tô novo. -- Brincou, e fez Fred e Jan se entreolharam e depois sorrirem mais animados com a boa notícia.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
<br />
Cerise era um lugar muito interessante, a primeira semana de aulas passou muito rápido e logo era sábado novamente, depois de ter as aulas do dia, almoçar como um ser humano decente e tomar um ótimo banho, a garota platinada decidiu queimar toda a sua energia acumulada com seus patins e aproveitar para conhecer um pouco mais dos novos lugares. Colocou seu short de ginástica preto preferido e uma camisa clara com ampla abertura das mangas, mostrando um pouco do seu top esportivo, um colar simples com a letra Z em um pingente, deixou os cabelos soltos para que os fios pudessem respirar, porém sempre com um elástico de cabelo no pulso, sabia que seu cabelo ia parecer um pouco maluco mas não se importava. Colocou seus patins vermelhos, fones de ouvido e se aventurou nas ruas pouco conhecidas.<br />
<br />
Como esperado, as casas e ruas se tornaram estranhas, e o aspecto de história conservada do local estava mudando à medida que se aprofundava, não que fosse algo que preocupe a garota, ainda estava muito cedo e podia pedir informação para qualquer pessoa, embora seu francês ainda tivesse um pouco do seu sotaque britânico, Zoe tinha orgulho dele. Guiada pelo ritmo das músicas seus passos mudavam e a mesma cantarolava à batida, sentar a manhã inteira e escutar várias pessoas dando aula não era seu ponto forte.<br />
<br />
Considerando suas opções, a adolescente decidiu se aproximar do garoto mais chamativo do grupo, ele parecia ser o centro das atenções no momento, se não ele, quem seria melhor? A passos curtos, acenou para o garoto ruivo e iniciou a conversa em francês.<br />
<br />
-Ei ei, Ruivinho! Desculpa atrapalhar a sua conversa com seus amigos fofos, só preciso de informação, haha! Eu sou meio nova aqui e inventei de perambular pela cidade e agora sei nem onde eu tô hahah! 'Cê sabe me dizer o caminho de volta pra Limoges? - Parou perto do garoto, passando a mão nos cabelos bagunçados do vento enquanto ria, o sorriso amigável não saindo um segundo de seu semblante animado -  Se você não souber é tranquilo! mas me diz que sabe pelo menos onde eu acho o metrô, porque se for depender da minha internet eu vou ter que dormir por aqui. Por um problema com a reprodução aleatória das músicas, a adolescente parou e se viu forçada a se perguntar onde tinha se metido, parecia uma parte totalmente diferente da cidade, não tinha nem certeza se o metrô sequer passava por lá. <br />
<br />
Guardando o fone no bolso do short, patinou um pouco mais pelas ruas em busca de alguém para pedir informação, o sinal de vida foi encontrado pelo som de skatistas, o que trouxe um sorriso imediato no rosto de Zoe, se aproximou e olhou com atenção a praça em que os garotos tinham se reunido, era o lugar perfeito para aquecer as manobras que ainda lembrava, depois de perguntar sobre a localização do lugar, claro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava jogando conversa fora com Jan e Fred, que já tinha lhe perguntando duas vezes se iria mesmo manter o cabelo mais curto e como o cabelo mais comprido parecia legal, ele estava quase lhe paquerando e achava aquilo fofo, considerando que não sabia de nada do amigo ter saído do armário, mas estava solteiro, então, quem sabe, desse bola pras conversa, ou não? Estavam falando sobre a possibilidade de salsichas causarem mutação e se com uma perna a mais seria mais fácil fazer manobras ou mais difícil. Quando uma voz diferente chegou aos seus ouvidos lhe chamando de ruivinho, estava sentado ainda sobre a bike, e virou o rosto na direção da voz para encarar um rosto completamente novo, a voz carregada de sotaque britânico, bem fácil de reconhecer por estudar em St. Clavier e lá ser cheio de gente gringa.<br />
<br />
-- Quem é você garota? -- Fred se adiantou, porque ele tinha essa mania de ser adiantado pra falar as coisas. Yure sorriu na direção da jovem, que parecia mais nova que o próprio ruivo:<br />
<br />
-- Espera um pouco Fred, você é o amigo fofo, ela falou com o ruivinho aqui. -- brincou com o amigo de longa data, fazendo-o ficar vermelho de raiva, diante dos gracejos de Yure.<br />
<br />
-- Eu sou o Jan e sou com certeza o amigo fofo, o Frederic, é meio carrancudo, mas é fofo, e o ruivinho é o Lukashenko.<br />
<br />
-- Tu me apresenta com meu pior sobrenome, cara, que é isso! -- o ruivo reclamou, sem de fato estar com raiva.<br />
<br />
-- Podia te chamar de “Clarque” o que acha? -- Jan rebate.<br />
<br />
-- Você pode me chamar de Yure, e você tá em Pourpre, tipo, ‘cê acabou de sair de L’Encre, ou seja, acabou de sair do centro bonito, pro centro velho, aqui ainda é suave, eu e os meus “amigos fofos” costumamos andar por aqui sempre, mas se realmente precisar de uma carona pra voltar, eu posso te ajudar.<br />
<br />
-- Já se escalou de novo pra dar carona pras gurias, pelo amor de deus Yure. <br />
<br />
-- Hey Fred, ela pediu ajuda, tô de bike, coisa mais fácil do mundo é dar uma carona, custa nada.<br />
<br />
-- Pensei que ‘cê não ia mais querer chegar perto de Limoges. -- o amigo disparou a indireta, pra ver se o ruivo desistia da ideia, mas ele nem se abalou, manteve o sorriso no rosto, embora tivesse ficado internamente chateado.<br />
<br />
-- Que nada, relaxa, tô tranquilo. Qual teu nome figura? -- o ruivo perguntou diretamente para a garota nova na cena.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
<br />
Foi recebida com uma pergunta sobre quem era de um dos garotos, não estranhou, no fim tinha invadido uma área que nem conhecia, achou a voz cativante e não cortou contato visual com ele, embora sua expressão mostrasse irritação de certa forma.<br />
<br />
- Eu? então né, se for na Questão filosófica eu não sou ninguém! haha, brincadeira brincadeira eu não lembro de sequer um assunto de filosofia  para parecer inteligente agora, mas achei os seus olhos muito bonitos, combinam bastante com o seu rosto - sorriu contra a carranca do outro, o ruivinho que queria conversar logo tinha interrompido o amigo, reafirmando o apelido dado. Outro dos amigos se apresentou, trazendo uma risada da garota, o mesmo dando o ar da graça à situação - Lukashenko né? Queria só ver você tentando escrever isso quando era mais novo! Vocês podem me chamar de Zoe, é um prazer conhecer vocês Jan, Yure e Freddy, posso te chamar de Freddy?? Aliás, ALGUÉM já te chama de Freddy? Desculpa eu gosto de conversar - botou os dedos à frente da boca num formato de X, para que Yure pudesse dar as direções.<br />
<br />
As direções foram diretas e claras, mesmo que tivesse escutado tudo com cuidado, os nomes não estavam passando ideia alguma de lugar, sabia que eles representavam algo, aquela informação aguardando na ponta da língua que sempre insistia em fugir dela. Fez uma expressão pensativa enquanto tentava lembrar os nomes, entrou no seu pequeno mundo confuso apenas para escutar o mesmo oferecer uma carona, essa palavra ela já lembrava.<br />
<br />
- Eu não quero ser intrometida, mas me conhecendo e vendo que já atrapalhei a conversa de vocês, não vejo mal algum eu pegar uma carona com você, já que 'cê parece ser famoso por aqui Yure - pegou o elástico do pulso e prendeu os cabelos bagunçados, já se sentindo em casa.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo com certeza achou o sotaque da garota uma gracinha, principalmente porque ela parecia do tipo tagarela, mas não esperava que ela jogasse um gracejo diretamente para Fred que nem soube como reagir diretamente aquilo, e como se não bastasse ela ainda tinha lhe arrumado um apelido carinhoso. No mesmo momento o garoto de pele bronzeada e cabelos escuros ficou vermelho até as orelhas, e sabia pelo menos que ele devia ser no mínimo Bi, porque tanto garotas quanto garotos tiravam o fôlego do amigo:<br />
<br />
-- Erh… bem, eu… não, ninguém nunca me chamou de Freddy, e… obrigado? -- Fred tirou o boné que usava amassando a peça entre as mãos, o cabelo escuro desgrenhado, e desviou o olhar para não ter de encarar a nova garota.<br />
<br />
-- Olha só, Zoe tem o poder de fazer o Freddy perder as palavras, você têm de andar mais com a gente, assim ele reclama menos e fica mais amigável! -- Tanto Jan quanto Yure riram, e Fred se afogou ainda mais no rubor que agora tinha certeza que tinha chegado no pescoço do rapaz: -- Então suave Zoe, já foi carregada em bicicleta? Então, essa bike é feita pra manobras então o quadro dela é baixo, o jeito deu te dar carona é você ou sentando no guidão da bicicleta ou indo em pé usando esses suportes das rodas, que a gente usa pra fazer manobras paralelas, o que for mais confortável pra ti.<br />
<br />
Antes que seguisse com as explicações, Fred que tinha ficado calado por alguns instantes, tinha arrumado um papel e caneta sabe-se lá de onde, e anotou o número de telefone dele pra entregar para a menina nova: -- Me manda mensagem, e aí a gente pega pra andar de patins por aí. Bem vinda a Cerise.<br />
<br />
Depois de entregar o número o rapaz se afastou e Jan apenas riu do jeito tímido com que o amigo tentava fazer novas amizades: -- Falou Zoe, apareça mais vezes, juízo aí Lukashenko.  -- o rapaz mais novo se afastou para não deixar Freddy sozinho, e para tirar mais um pouco com a cara dele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
As reações do garoto eram muito divertidas, com apenas um pequeno elogio o garoto ficou todo vermelho e sem jeito, retirando até mesmo o boné, uma gracinha que deixou a garota com vontade de morder, mas como devia se comportar como uma pessoa com o mínimo de juízo deixou o pensamento para lá.<br />
Os amigos não perderam tempo para brincarem com a situação, soltando um leve convite para aparecer mais vezes. Com a promessa da carona, Zoe olhou para os próprios patins pensando numa melhor alternativa de ir na bicicleta no ruivinho. – Hm... Eu acho que com esses patins eu não me confio nos suportes, está na hora de testar suas habilidades de carteira de direção com um obstáculo na sua frente, Yure – brincou enquanto fazia um coque no cabelo, não queria mais um acidente por conta dela tão recentemente.<br />
 Antes de sequer pensar como sentaria na bicicleta, o novo ‘’tomatinho’’ voltou para entregar o número de telefone, deixando aberto um futuro convite de patinação antes de se afastar novamente. – Own, mal cheguei e já consegui um número? Tô com sorte então, pode deixar! Espero que goste de mensagens de bom dia e boa noite – terminou com um sorriso brincalhão, adicionando o contato com o nome ‘’Freddy’’ seguido de um emoticon acanhado, facilitando a identificação dentre os outros nomes na agenda. <br />
– Adeus Jan, Freddy! Encontro vocês por aí novamente, foi ótimo conhecê-los! Boa sorte tendo juízo comigo do lado – se despediu e virou a atenção para Yure, esperou ele subir para tomar seu lugar na frente da bicicleta e se apoiar, oferecendo um fone de ouvido para ele – Se quiser ouvir alguma coisa no caminho enquanto conversamos, minha playlist é toda sua como forma de agradecimento, e se quiser me passar teu contato quando a gente chegar pra quem sabe um rolezinho, não tenha vergonha – riu antes de colocar um dos fones e colocar novamente as músicas no aleatório com o volume mais baixo para poder escutar o que o outro tinha a dizer.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo observou toda aquela troca de gracejos, Freddy era definitivamente fofo, e a garota nova bem conseguia desestabilizar o ânimo do amigo, seria uma boa companhia pelo visto. Yure ficou surpreso pela escolha da garota de ir bem sentada justamente no guidão, o que fazia com que eles tivessem de ficar mais próximos: -- Tranquilo, pode por no aleatório, só vou te encher depois se eu gostar de alguma banda nova, e vou lhe culpar veemente se eu ficar fissurado. -- brincou, já começando a carregar a mais nova, apenas se atentou de posicionar as mãos no ponto mais distante de onde ela estava sentada para não ocorrer nenhum acidente desconfortável, e pedalou com força mantendo apenas a proximidade necessária para tornar o passeio confortável, sem se aproveitar daquilo para ficar encostando desnecessariamente na garota:<br />
-- Assim, se você não tiver com pressa o rolezinho pode ser agora, se não fosse seu aparecimento, eu ia seguir falando que salsichas causam mutação, tipo braços nas costas por mais uns 30 minutos com Freddy e Jan, depois ter de pedalar de volta pra St. Clavier,-- comentou em um tom bem carismático e agradável, falando mais devagar do que o costumeiro, por não saber o quanto de francês a guria conseguia absorver: -- temos tempo pra conversar, diga, já sei que pelo sotaque você é inglesa, mas veio fazer o quê em Cerise?<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Riu com o comentário do ruivo caso gostasse das músicas.- Se você acha que isso é ruim imagina eu te mandando mensagens de madrugada para te contar um fato aleatório ou informação inútil que eu lembrei sobre as bandas, espero que tenha sono pesado ou que esteja preparado para ser meu coleguinha noturno.<br />
O vento no rosto era confortante e a companhia agradável, depois de semanas de confusão, incerteza e perda, um momento de descontração veio como um gole de ar fresco. Não era como se quisesse esquecer de toda a situação, pelo contrário, lembrava claramente dos discursos dos médicos e das consequências não só em si, mas na vida de sua mãe, só queria mais momentos como esse em que podia relembrar de se preocupar em ser uma adolescente com preocupações bobas e grandes sonhos.<br />
Sorriu ao ouvir as teorias das salsichas mutantes e convite para estender o passeio, o garoto se preocupava até se ela o estava entendendo. Virou o rosto para ele e respondeu num tom animado- Já que você falou e eu não tenho motivo para negar não vejo porque não! Não que a gente também não possa teorizar sobre as salsichas, claro. Eu fiquei curiosa.<br />
 O garoto acertou de primeira de onde era e perguntou o que fazia em Cerise, sentindo um pequeno calafrio nas costas levou uma das mãos à uma das cicatrizes na nuca, nunca perdendo a energia alegre- Hm... Vamos fazer assim, que tal você adivinhar? Se você acertar eu te pago um refri já que você está pedalando, eu vou te dar uma dica, ta bom? hm... deixa eu ver...Ah, Sua dica é; Esses bracinhos não são assim para ficar de enfeite hahah! eles vem de anos de treino.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
Enquanto o ruivo pedalava, já pensava mentalmente onde poderia levar a garota, pelo gosto por refrigerante e salsichas ela seria muito do povão e gostaria daqueles dogões lixoso, conhecia vários, só tinha de escolher um onde pudesse comer também. O ruivo riu abertamente de ser chamado para conversar no meio da noite sem aviso, e realmente parecia que tinha achado uma companhia agradável para dividir tempo. Virou uma esquina enquanto pedalava, já entrando numa das ruas que tinha fachada de prédios mais antigos que tinham sido restaurados e dava a cidade de Cerise o ar bucólico que a tornava turística.<br />
-- Já que o assunto é salsichas radioativas e você provavelmente vai me dever um refrigerante, eu conheço um dogão com opção vegetariana que é um supra sumo de comida radioativa desse lado da cidade. Mas pelo menos tem versão de sanduba com uns cogumelos duvidosos. - O ruivo riu entretido, enquanto seguia pedalando sem pressa num ritmo confortável para que pudesse ouvir a música da playlist da mais nova amiga, e pudessem conversar amigavelmente. <br />
-- Jogo de adivinhações é um ponto que eu até manjo viu. - brincou, observando a forma como a mais nova levou a mão a nuca imediatamente como se estivesse protegendo aquela área: -- Eu já tinha notado pelo seu porte físico que você é atleta, pelo fato de você conversar tão bem mesmo com gente estranha, deve ser um esporte que requer exposição à público. -- O ruivo reduziu mais o ritmo da pedalada olhando para o caminho agora sem encarar Zoe: -- Você tá sorrindo, mas parece meio nervosa, talvez seja um esporte que você tenha que sorrir mesmo que seja algo dolorido... Hmmm… Chutaria balé, mas nenhuma academia tradicional teria uma bailarina com cabelo de duas cores, então vou chutar o mais próximo que é ginástica artística. Se você tivesse mais coxas que braço, meu chute seria patinação artística. <br />
O ruivo brincou parando em uma praça cheia de pequenos carros de lanches, com mesinhas pequenas para duas pessoas, local arborizado e bem ventilado devido ao ar marítimo vindo da praia: -- Ah, e eu prefiro suco à refrigerante, eu não consumo açúcar. E vamos  lá, sua vez de adivinhar alguma coisa sobre mim, você já sabe que eu pratico bike, mas eu faço outro esporte de rua.  E essa é a minha dica.  - O ruivo alargou ainda mais o sorriso, esperando que a garota descesse da bicicleta pra poder prender a mesma no local apropriado para bikes.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Ficou calada enquanto escutava o ruivo facilmente adivinhar o que fazia da vida, um bico se formou no instante que ele citou a comparação entre suas coxas e braços, que aparentemente deram na cara. <br />
- Ei você deve ter lido em algum lugar né? Injusto isso aí, nem errou! Se eu não tivesse montada numa bike eu ia cutucar você hein, mas trato é trato, te devo um sucão maroto.<br />
Riu abertamente enquanto encarava o garoto, imaginava que ele deveria ter um rosto bem bonito se a voz e a atitude dele fosse um belo referencial, a capacidade de reconhecer rostos fazia bastante falta nesses momentos.<br />
Ao chegar na praça, esperou que o seu novo ''guia turístico'' parasse e desceu com cuidado da bicicleta, patinando para a calçada, a sua vez de adivinhar o que ele fazia foi respondida com um sorriso malandro.<br />
- Hmmmm eu não sou tão observadora quanto você, mas vamos ver... Vindo do fato que você tem essa bela confortável bicicleta e preferiu um boné do que capacete e aqueles coisinhas que você pode colocar nos joelhos e cotovelos, já deve fazer esportes a um tempinho, você não tá usando nenhuma roupa esportiva então imagino que não precise, seus amigos parecem se vestir parecido e tem aquela vibe de skatistas também. Que eu lembre não deve ter muitos esportes de rua, então deve ser um bem conhecido, né? hm, eu vou chutar...hmmm... deixa eu ver, qual o nome daquele esporte dos pulinhos? que você corre e pula na parede e essas coisas, que são tipo obstáculos mas do lado de fora, me ajuda com o nome!! -Começou a rir por não lembrar o nome do esporte, olhando para o garoto pedindo ajuda.<br />
- Você já acertou, mereço pelo menos uma ajudinha! E quero ver se esses dogs são tão radioativos como você diz, quero sair daqui com mais dois braços e barriga cheia de cogumelos duvidosos.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo nem escondeu a risada alta quando a garota começou a descrever seus amigos daquele jeito, realmente todos tinham aquela vibe de “maloqueiros skatistas”, certeza que era o mais burguês dado a escola que estudava sem bolsa, com o suado salário de sua mãe. Mas ficou ainda mais animado quando ela acertou o esporte embora não lembrasse o nome, sorriu de mostrar os dentes, mantendo a animação, enquanto erguia a mão pra acenar negativamente:<br />
<br />
-- E eu já não dei dica? magina dizer o nome assim na lata, quero ver você tostar os neurônios. - brincou, se aproximando de uma barraquinha de cachorro quente, que tinha o cardápio inspirado em super heróis e o sanduíche vegetariano era de um verde digno do Hulk: -- Mas ‘cê tá certa, é o esporte de pulinhos mesmo, mas você vai se surpreender aqui em Cerise tem muitos grupos de atletas de rua, desde skate, BMX, patins para além de parkour, você também acha o povo jogando futebol, vôlei e basquete nas quadras da praça ou na praia -- o ruivo se aproximou pedindo o seu sanduíche verde radioativo, e puxou um dos cardápios pra mais nova amiga fazer seu pedido, deixou pago e indicou a mesa em que iria sentar:<br />
<br />
-- Mas me diz Zoe, você tem mo jeitão de ser super competitiva com esporte e essas coisas, mas tirando seu perfil atleta dominadora dos pódio e das medalhas, porque ‘cê veio parar em Cerise? Ou eu vou ter de marcar na sua agenda de entrevistas da semana pra saber esse tipo de informação? -- o ruivo brincou, mantendo o ar animado, puxou o celular brevemente do bolso conferindo se não tinha nenhuma mensagem urgente, pra logo devolver o mesmo ao bolso e dar atenção total a sua nova companhia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo ferrugem estava no seu fim de semana, e a última coisa que precisava era ficar em St. Clavier, trabalhava de segunda até sábado de 12hs, a partir de 12:01, aí era hora de folgar, e depois de tirar o uniforme da academia masculina pra por uma roupa confortável, calça folgada, barra dobrada, tênis coloridos, camisa estampada, uma xadrez por cima, pulseiras, colares, um boné com bottons, tirou a poeira da bike e rumou para o centro, onde costumava encontrar os outros amigos dos esportes radicais. A última coisa que queria era ficar de bobeira nos lugares onde poderia encontrar com Monique ou as meninas de Limoges que eram amigas dela, ainda estava de cabeça cheia, e as férias de verão tinham sido uma encheção de saco. Queria ter descansado, mas parecia que estudar era pra descansar e férias era pra passar raiva.<br />
<br />
Quando chegou as praças da parte antiga do centro, já conseguia ouvir o som do contato das pranchas de skate com o chão, e era um som gostoso que estava com saudades de ouvir. Se aproximou em tempo de ver Fred terminando uma manobra que sabia que ele estava treinando a algum tempo e vê-lo conseguindo executar era uma maravilha:<br />
<br />
-- Wow, vejam quem conseguiu finalmente fazer aquela manobra.-- Riu de forma divertida, sentado na bike, um pé plantado no chão enquanto as pessoas conhecidas, lhe reconheciam depois de um meses sem ver sua cara.<br />
<br />
-- Wow digo eu! Você tá vivo? Yure!! Onde você se meteu? -- Jan perguntou seco, largando a bike dele para se aproximar do amigo, que trocou cumprimentos e sorrisos. <br />
<br />
-- Eu faço a manobra, e quem chama a atenção é você? Exibido…! - Fred comentou carrancudo.<br />
<br />
-- Eu também tava com saudades de você Fred. -- Yure jogou um gracejo rindo divertido, o que fez Fred corar e fazer uma cara de irritação imediata.<br />
<br />
O ruivo fingiu que não viu, e desviou o olhar, tirando o boné, e fazendo um aceno para Marcelo que estava longe de fone, e o amigo cumprimentou de volta em silêncio. <br />
<br />
-- E aí, voltou pra ficar? ou vai sumir de novo? Melhorou do pé? -- Jan disparou perguntas na direção do ruivo, no que ele apenas acenou positivo, negativo, e positivo de novo.<br />
<br />
-- Tô novo, fiz uma mini cirurgia no início de Junho, repousei até agora, mas tô indo no médico fazer fisioterapia, mas tô novo. -- Brincou, e fez Fred e Jan se entreolharam e depois sorrirem mais animados com a boa notícia.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
<br />
Cerise era um lugar muito interessante, a primeira semana de aulas passou muito rápido e logo era sábado novamente, depois de ter as aulas do dia, almoçar como um ser humano decente e tomar um ótimo banho, a garota platinada decidiu queimar toda a sua energia acumulada com seus patins e aproveitar para conhecer um pouco mais dos novos lugares. Colocou seu short de ginástica preto preferido e uma camisa clara com ampla abertura das mangas, mostrando um pouco do seu top esportivo, um colar simples com a letra Z em um pingente, deixou os cabelos soltos para que os fios pudessem respirar, porém sempre com um elástico de cabelo no pulso, sabia que seu cabelo ia parecer um pouco maluco mas não se importava. Colocou seus patins vermelhos, fones de ouvido e se aventurou nas ruas pouco conhecidas.<br />
<br />
Como esperado, as casas e ruas se tornaram estranhas, e o aspecto de história conservada do local estava mudando à medida que se aprofundava, não que fosse algo que preocupe a garota, ainda estava muito cedo e podia pedir informação para qualquer pessoa, embora seu francês ainda tivesse um pouco do seu sotaque britânico, Zoe tinha orgulho dele. Guiada pelo ritmo das músicas seus passos mudavam e a mesma cantarolava à batida, sentar a manhã inteira e escutar várias pessoas dando aula não era seu ponto forte.<br />
<br />
Considerando suas opções, a adolescente decidiu se aproximar do garoto mais chamativo do grupo, ele parecia ser o centro das atenções no momento, se não ele, quem seria melhor? A passos curtos, acenou para o garoto ruivo e iniciou a conversa em francês.<br />
<br />
-Ei ei, Ruivinho! Desculpa atrapalhar a sua conversa com seus amigos fofos, só preciso de informação, haha! Eu sou meio nova aqui e inventei de perambular pela cidade e agora sei nem onde eu tô hahah! 'Cê sabe me dizer o caminho de volta pra Limoges? - Parou perto do garoto, passando a mão nos cabelos bagunçados do vento enquanto ria, o sorriso amigável não saindo um segundo de seu semblante animado -  Se você não souber é tranquilo! mas me diz que sabe pelo menos onde eu acho o metrô, porque se for depender da minha internet eu vou ter que dormir por aqui. Por um problema com a reprodução aleatória das músicas, a adolescente parou e se viu forçada a se perguntar onde tinha se metido, parecia uma parte totalmente diferente da cidade, não tinha nem certeza se o metrô sequer passava por lá. <br />
<br />
Guardando o fone no bolso do short, patinou um pouco mais pelas ruas em busca de alguém para pedir informação, o sinal de vida foi encontrado pelo som de skatistas, o que trouxe um sorriso imediato no rosto de Zoe, se aproximou e olhou com atenção a praça em que os garotos tinham se reunido, era o lugar perfeito para aquecer as manobras que ainda lembrava, depois de perguntar sobre a localização do lugar, claro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo estava jogando conversa fora com Jan e Fred, que já tinha lhe perguntando duas vezes se iria mesmo manter o cabelo mais curto e como o cabelo mais comprido parecia legal, ele estava quase lhe paquerando e achava aquilo fofo, considerando que não sabia de nada do amigo ter saído do armário, mas estava solteiro, então, quem sabe, desse bola pras conversa, ou não? Estavam falando sobre a possibilidade de salsichas causarem mutação e se com uma perna a mais seria mais fácil fazer manobras ou mais difícil. Quando uma voz diferente chegou aos seus ouvidos lhe chamando de ruivinho, estava sentado ainda sobre a bike, e virou o rosto na direção da voz para encarar um rosto completamente novo, a voz carregada de sotaque britânico, bem fácil de reconhecer por estudar em St. Clavier e lá ser cheio de gente gringa.<br />
<br />
-- Quem é você garota? -- Fred se adiantou, porque ele tinha essa mania de ser adiantado pra falar as coisas. Yure sorriu na direção da jovem, que parecia mais nova que o próprio ruivo:<br />
<br />
-- Espera um pouco Fred, você é o amigo fofo, ela falou com o ruivinho aqui. -- brincou com o amigo de longa data, fazendo-o ficar vermelho de raiva, diante dos gracejos de Yure.<br />
<br />
-- Eu sou o Jan e sou com certeza o amigo fofo, o Frederic, é meio carrancudo, mas é fofo, e o ruivinho é o Lukashenko.<br />
<br />
-- Tu me apresenta com meu pior sobrenome, cara, que é isso! -- o ruivo reclamou, sem de fato estar com raiva.<br />
<br />
-- Podia te chamar de “Clarque” o que acha? -- Jan rebate.<br />
<br />
-- Você pode me chamar de Yure, e você tá em Pourpre, tipo, ‘cê acabou de sair de L’Encre, ou seja, acabou de sair do centro bonito, pro centro velho, aqui ainda é suave, eu e os meus “amigos fofos” costumamos andar por aqui sempre, mas se realmente precisar de uma carona pra voltar, eu posso te ajudar.<br />
<br />
-- Já se escalou de novo pra dar carona pras gurias, pelo amor de deus Yure. <br />
<br />
-- Hey Fred, ela pediu ajuda, tô de bike, coisa mais fácil do mundo é dar uma carona, custa nada.<br />
<br />
-- Pensei que ‘cê não ia mais querer chegar perto de Limoges. -- o amigo disparou a indireta, pra ver se o ruivo desistia da ideia, mas ele nem se abalou, manteve o sorriso no rosto, embora tivesse ficado internamente chateado.<br />
<br />
-- Que nada, relaxa, tô tranquilo. Qual teu nome figura? -- o ruivo perguntou diretamente para a garota nova na cena.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
<br />
Foi recebida com uma pergunta sobre quem era de um dos garotos, não estranhou, no fim tinha invadido uma área que nem conhecia, achou a voz cativante e não cortou contato visual com ele, embora sua expressão mostrasse irritação de certa forma.<br />
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- Eu? então né, se for na Questão filosófica eu não sou ninguém! haha, brincadeira brincadeira eu não lembro de sequer um assunto de filosofia  para parecer inteligente agora, mas achei os seus olhos muito bonitos, combinam bastante com o seu rosto - sorriu contra a carranca do outro, o ruivinho que queria conversar logo tinha interrompido o amigo, reafirmando o apelido dado. Outro dos amigos se apresentou, trazendo uma risada da garota, o mesmo dando o ar da graça à situação - Lukashenko né? Queria só ver você tentando escrever isso quando era mais novo! Vocês podem me chamar de Zoe, é um prazer conhecer vocês Jan, Yure e Freddy, posso te chamar de Freddy?? Aliás, ALGUÉM já te chama de Freddy? Desculpa eu gosto de conversar - botou os dedos à frente da boca num formato de X, para que Yure pudesse dar as direções.<br />
<br />
As direções foram diretas e claras, mesmo que tivesse escutado tudo com cuidado, os nomes não estavam passando ideia alguma de lugar, sabia que eles representavam algo, aquela informação aguardando na ponta da língua que sempre insistia em fugir dela. Fez uma expressão pensativa enquanto tentava lembrar os nomes, entrou no seu pequeno mundo confuso apenas para escutar o mesmo oferecer uma carona, essa palavra ela já lembrava.<br />
<br />
- Eu não quero ser intrometida, mas me conhecendo e vendo que já atrapalhei a conversa de vocês, não vejo mal algum eu pegar uma carona com você, já que 'cê parece ser famoso por aqui Yure - pegou o elástico do pulso e prendeu os cabelos bagunçados, já se sentindo em casa.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
<br />
O ruivo com certeza achou o sotaque da garota uma gracinha, principalmente porque ela parecia do tipo tagarela, mas não esperava que ela jogasse um gracejo diretamente para Fred que nem soube como reagir diretamente aquilo, e como se não bastasse ela ainda tinha lhe arrumado um apelido carinhoso. No mesmo momento o garoto de pele bronzeada e cabelos escuros ficou vermelho até as orelhas, e sabia pelo menos que ele devia ser no mínimo Bi, porque tanto garotas quanto garotos tiravam o fôlego do amigo:<br />
<br />
-- Erh… bem, eu… não, ninguém nunca me chamou de Freddy, e… obrigado? -- Fred tirou o boné que usava amassando a peça entre as mãos, o cabelo escuro desgrenhado, e desviou o olhar para não ter de encarar a nova garota.<br />
<br />
-- Olha só, Zoe tem o poder de fazer o Freddy perder as palavras, você têm de andar mais com a gente, assim ele reclama menos e fica mais amigável! -- Tanto Jan quanto Yure riram, e Fred se afogou ainda mais no rubor que agora tinha certeza que tinha chegado no pescoço do rapaz: -- Então suave Zoe, já foi carregada em bicicleta? Então, essa bike é feita pra manobras então o quadro dela é baixo, o jeito deu te dar carona é você ou sentando no guidão da bicicleta ou indo em pé usando esses suportes das rodas, que a gente usa pra fazer manobras paralelas, o que for mais confortável pra ti.<br />
<br />
Antes que seguisse com as explicações, Fred que tinha ficado calado por alguns instantes, tinha arrumado um papel e caneta sabe-se lá de onde, e anotou o número de telefone dele pra entregar para a menina nova: -- Me manda mensagem, e aí a gente pega pra andar de patins por aí. Bem vinda a Cerise.<br />
<br />
Depois de entregar o número o rapaz se afastou e Jan apenas riu do jeito tímido com que o amigo tentava fazer novas amizades: -- Falou Zoe, apareça mais vezes, juízo aí Lukashenko.  -- o rapaz mais novo se afastou para não deixar Freddy sozinho, e para tirar mais um pouco com a cara dele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
As reações do garoto eram muito divertidas, com apenas um pequeno elogio o garoto ficou todo vermelho e sem jeito, retirando até mesmo o boné, uma gracinha que deixou a garota com vontade de morder, mas como devia se comportar como uma pessoa com o mínimo de juízo deixou o pensamento para lá.<br />
Os amigos não perderam tempo para brincarem com a situação, soltando um leve convite para aparecer mais vezes. Com a promessa da carona, Zoe olhou para os próprios patins pensando numa melhor alternativa de ir na bicicleta no ruivinho. – Hm... Eu acho que com esses patins eu não me confio nos suportes, está na hora de testar suas habilidades de carteira de direção com um obstáculo na sua frente, Yure – brincou enquanto fazia um coque no cabelo, não queria mais um acidente por conta dela tão recentemente.<br />
 Antes de sequer pensar como sentaria na bicicleta, o novo ‘’tomatinho’’ voltou para entregar o número de telefone, deixando aberto um futuro convite de patinação antes de se afastar novamente. – Own, mal cheguei e já consegui um número? Tô com sorte então, pode deixar! Espero que goste de mensagens de bom dia e boa noite – terminou com um sorriso brincalhão, adicionando o contato com o nome ‘’Freddy’’ seguido de um emoticon acanhado, facilitando a identificação dentre os outros nomes na agenda. <br />
– Adeus Jan, Freddy! Encontro vocês por aí novamente, foi ótimo conhecê-los! Boa sorte tendo juízo comigo do lado – se despediu e virou a atenção para Yure, esperou ele subir para tomar seu lugar na frente da bicicleta e se apoiar, oferecendo um fone de ouvido para ele – Se quiser ouvir alguma coisa no caminho enquanto conversamos, minha playlist é toda sua como forma de agradecimento, e se quiser me passar teu contato quando a gente chegar pra quem sabe um rolezinho, não tenha vergonha – riu antes de colocar um dos fones e colocar novamente as músicas no aleatório com o volume mais baixo para poder escutar o que o outro tinha a dizer.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo observou toda aquela troca de gracejos, Freddy era definitivamente fofo, e a garota nova bem conseguia desestabilizar o ânimo do amigo, seria uma boa companhia pelo visto. Yure ficou surpreso pela escolha da garota de ir bem sentada justamente no guidão, o que fazia com que eles tivessem de ficar mais próximos: -- Tranquilo, pode por no aleatório, só vou te encher depois se eu gostar de alguma banda nova, e vou lhe culpar veemente se eu ficar fissurado. -- brincou, já começando a carregar a mais nova, apenas se atentou de posicionar as mãos no ponto mais distante de onde ela estava sentada para não ocorrer nenhum acidente desconfortável, e pedalou com força mantendo apenas a proximidade necessária para tornar o passeio confortável, sem se aproveitar daquilo para ficar encostando desnecessariamente na garota:<br />
-- Assim, se você não tiver com pressa o rolezinho pode ser agora, se não fosse seu aparecimento, eu ia seguir falando que salsichas causam mutação, tipo braços nas costas por mais uns 30 minutos com Freddy e Jan, depois ter de pedalar de volta pra St. Clavier,-- comentou em um tom bem carismático e agradável, falando mais devagar do que o costumeiro, por não saber o quanto de francês a guria conseguia absorver: -- temos tempo pra conversar, diga, já sei que pelo sotaque você é inglesa, mas veio fazer o quê em Cerise?<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Riu com o comentário do ruivo caso gostasse das músicas.- Se você acha que isso é ruim imagina eu te mandando mensagens de madrugada para te contar um fato aleatório ou informação inútil que eu lembrei sobre as bandas, espero que tenha sono pesado ou que esteja preparado para ser meu coleguinha noturno.<br />
O vento no rosto era confortante e a companhia agradável, depois de semanas de confusão, incerteza e perda, um momento de descontração veio como um gole de ar fresco. Não era como se quisesse esquecer de toda a situação, pelo contrário, lembrava claramente dos discursos dos médicos e das consequências não só em si, mas na vida de sua mãe, só queria mais momentos como esse em que podia relembrar de se preocupar em ser uma adolescente com preocupações bobas e grandes sonhos.<br />
Sorriu ao ouvir as teorias das salsichas mutantes e convite para estender o passeio, o garoto se preocupava até se ela o estava entendendo. Virou o rosto para ele e respondeu num tom animado- Já que você falou e eu não tenho motivo para negar não vejo porque não! Não que a gente também não possa teorizar sobre as salsichas, claro. Eu fiquei curiosa.<br />
 O garoto acertou de primeira de onde era e perguntou o que fazia em Cerise, sentindo um pequeno calafrio nas costas levou uma das mãos à uma das cicatrizes na nuca, nunca perdendo a energia alegre- Hm... Vamos fazer assim, que tal você adivinhar? Se você acertar eu te pago um refri já que você está pedalando, eu vou te dar uma dica, ta bom? hm... deixa eu ver...Ah, Sua dica é; Esses bracinhos não são assim para ficar de enfeite hahah! eles vem de anos de treino.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
Enquanto o ruivo pedalava, já pensava mentalmente onde poderia levar a garota, pelo gosto por refrigerante e salsichas ela seria muito do povão e gostaria daqueles dogões lixoso, conhecia vários, só tinha de escolher um onde pudesse comer também. O ruivo riu abertamente de ser chamado para conversar no meio da noite sem aviso, e realmente parecia que tinha achado uma companhia agradável para dividir tempo. Virou uma esquina enquanto pedalava, já entrando numa das ruas que tinha fachada de prédios mais antigos que tinham sido restaurados e dava a cidade de Cerise o ar bucólico que a tornava turística.<br />
-- Já que o assunto é salsichas radioativas e você provavelmente vai me dever um refrigerante, eu conheço um dogão com opção vegetariana que é um supra sumo de comida radioativa desse lado da cidade. Mas pelo menos tem versão de sanduba com uns cogumelos duvidosos. - O ruivo riu entretido, enquanto seguia pedalando sem pressa num ritmo confortável para que pudesse ouvir a música da playlist da mais nova amiga, e pudessem conversar amigavelmente. <br />
-- Jogo de adivinhações é um ponto que eu até manjo viu. - brincou, observando a forma como a mais nova levou a mão a nuca imediatamente como se estivesse protegendo aquela área: -- Eu já tinha notado pelo seu porte físico que você é atleta, pelo fato de você conversar tão bem mesmo com gente estranha, deve ser um esporte que requer exposição à público. -- O ruivo reduziu mais o ritmo da pedalada olhando para o caminho agora sem encarar Zoe: -- Você tá sorrindo, mas parece meio nervosa, talvez seja um esporte que você tenha que sorrir mesmo que seja algo dolorido... Hmmm… Chutaria balé, mas nenhuma academia tradicional teria uma bailarina com cabelo de duas cores, então vou chutar o mais próximo que é ginástica artística. Se você tivesse mais coxas que braço, meu chute seria patinação artística. <br />
O ruivo brincou parando em uma praça cheia de pequenos carros de lanches, com mesinhas pequenas para duas pessoas, local arborizado e bem ventilado devido ao ar marítimo vindo da praia: -- Ah, e eu prefiro suco à refrigerante, eu não consumo açúcar. E vamos  lá, sua vez de adivinhar alguma coisa sobre mim, você já sabe que eu pratico bike, mas eu faço outro esporte de rua.  E essa é a minha dica.  - O ruivo alargou ainda mais o sorriso, esperando que a garota descesse da bicicleta pra poder prender a mesma no local apropriado para bikes.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Zoe</span></div>
Ficou calada enquanto escutava o ruivo facilmente adivinhar o que fazia da vida, um bico se formou no instante que ele citou a comparação entre suas coxas e braços, que aparentemente deram na cara. <br />
- Ei você deve ter lido em algum lugar né? Injusto isso aí, nem errou! Se eu não tivesse montada numa bike eu ia cutucar você hein, mas trato é trato, te devo um sucão maroto.<br />
Riu abertamente enquanto encarava o garoto, imaginava que ele deveria ter um rosto bem bonito se a voz e a atitude dele fosse um belo referencial, a capacidade de reconhecer rostos fazia bastante falta nesses momentos.<br />
Ao chegar na praça, esperou que o seu novo ''guia turístico'' parasse e desceu com cuidado da bicicleta, patinando para a calçada, a sua vez de adivinhar o que ele fazia foi respondida com um sorriso malandro.<br />
- Hmmmm eu não sou tão observadora quanto você, mas vamos ver... Vindo do fato que você tem essa bela confortável bicicleta e preferiu um boné do que capacete e aqueles coisinhas que você pode colocar nos joelhos e cotovelos, já deve fazer esportes a um tempinho, você não tá usando nenhuma roupa esportiva então imagino que não precise, seus amigos parecem se vestir parecido e tem aquela vibe de skatistas também. Que eu lembre não deve ter muitos esportes de rua, então deve ser um bem conhecido, né? hm, eu vou chutar...hmmm... deixa eu ver, qual o nome daquele esporte dos pulinhos? que você corre e pula na parede e essas coisas, que são tipo obstáculos mas do lado de fora, me ajuda com o nome!! -Começou a rir por não lembrar o nome do esporte, olhando para o garoto pedindo ajuda.<br />
- Você já acertou, mereço pelo menos uma ajudinha! E quero ver se esses dogs são tão radioativos como você diz, quero sair daqui com mais dois braços e barriga cheia de cogumelos duvidosos.<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Yure</span></div>
O ruivo nem escondeu a risada alta quando a garota começou a descrever seus amigos daquele jeito, realmente todos tinham aquela vibe de “maloqueiros skatistas”, certeza que era o mais burguês dado a escola que estudava sem bolsa, com o suado salário de sua mãe. Mas ficou ainda mais animado quando ela acertou o esporte embora não lembrasse o nome, sorriu de mostrar os dentes, mantendo a animação, enquanto erguia a mão pra acenar negativamente:<br />
<br />
-- E eu já não dei dica? magina dizer o nome assim na lata, quero ver você tostar os neurônios. - brincou, se aproximando de uma barraquinha de cachorro quente, que tinha o cardápio inspirado em super heróis e o sanduíche vegetariano era de um verde digno do Hulk: -- Mas ‘cê tá certa, é o esporte de pulinhos mesmo, mas você vai se surpreender aqui em Cerise tem muitos grupos de atletas de rua, desde skate, BMX, patins para além de parkour, você também acha o povo jogando futebol, vôlei e basquete nas quadras da praça ou na praia -- o ruivo se aproximou pedindo o seu sanduíche verde radioativo, e puxou um dos cardápios pra mais nova amiga fazer seu pedido, deixou pago e indicou a mesa em que iria sentar:<br />
<br />
-- Mas me diz Zoe, você tem mo jeitão de ser super competitiva com esporte e essas coisas, mas tirando seu perfil atleta dominadora dos pódio e das medalhas, porque ‘cê veio parar em Cerise? Ou eu vou ter de marcar na sua agenda de entrevistas da semana pra saber esse tipo de informação? -- o ruivo brincou, mantendo o ar animado, puxou o celular brevemente do bolso conferindo se não tinha nenhuma mensagem urgente, pra logo devolver o mesmo ao bolso e dar atenção total a sua nova companhia.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Streetball [Raylan]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=334</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:05:51 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=89">Berthold</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=334</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Depois dessa primeira semana de aula, tinha visto coisas boas e coisas ruins em estar em St. Clavier, a boa era que apesar de ser assustador, seu colega de quarto não odiava artes, muito pelo contrário, ele até era um “fã” (?) do seu trabalho, o que era estranho. Em contrapartida, tinha visto que apesar dos rumores sobre a academia ser muito voltada para os esportes, eles não tinham um time de basquete ativo, o que lhe deixava menos suscetível a cair em velhos hábitos e acabar fazendo alguma besteira. Era triste, por outro lado, já que a O’Neil tinha bastante habilidade com a bola, e o colega de quarto dele o Berlioz tinha bastante disposição pra aprender, ainda se pegava rindo sozinho das interações dos dois.<br />
<br />
O clima de final de verão e início de outono ainda era muito mais quente do que o jovem alemão estava acostumado a lidar, tinha saído com uma calça preta de tecido confortável e folgada, que permitiria se mexer, tênis porque estava disposto a caminhar bastante, e uma camisa branca, que tinha a barra irregular e longa, em contrapartida, as mangas eram curtas, um boné branco, uma mochila pequena, onde levava água, barra de cereal, case da câmera e outras tranqueiras que precisasse. <br />
<br />
Estava naquele sábado, andando pelas praças da cidade histórica usando a câmera para registrar as pessoas, em algum momento, teve sua atenção chamada para um grupo de pessoas em uma quadra pública, o grupo estava conversando animado, mas o que chamou atenção de Berthold, foi além de todos serem muito bonitos - parecia que todo mundo naquela cidade era bonito - mas todos eram altos, chutava que o mais baixo devia ter 1,90m? Pausou próximo da grade, e usou do zoom da câmera pra espiar o rosto de cada um, o moreno mais alto, de moletom vermelho, parecia provocar o outro sujeito alto de dreads,  os outros rapazes não interferiam porque pareciam está rindo, ou seja, eles não deveriam estar brigando. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Com o tempo passando, apesar dos estudos (muito mal resolvidos) e trabalho (esse sim, só sucesso) tomando bastante do seu tempo, a saudade do basquete sempre gritava. Raylan gostava dos passatempos que tinha arrumado, como o de jardinagem alternativa, por exemplo, mas aquele desejo de praticar o que seu corpanzil musculoso foi feito para fazer sempre vinha. Com as proibições vindas do superintendente do mundo Blanco, infelizmente, ou não, o que lhe restava era somente o basquete de rua. Bom, não que odiasse, na verdade era sua vida basicamente inteira que estava nas quadras abertas, com as mais variadas pessoas, das mais variadas idades e de toda classe social. Era ideologicamente bonito ver como esse esporte unia as pessoas, ou seja, um terror para sua família milionária. Ao chegar em Cerise, sua vida, apesar do que desejava sua mãe, não ficou diferente. Procurou um local para jogar, conheceu pessoas variadas, essa interação toda até o ajudou a refinar seu francês, que era uma coisa meio trágica, mas até que era aceitável atualmente.<br />
<br />
Já estava meio que enturmado com os frequentadores do parque, geralmente os que o acompanhavam estavam fazendo parkour, mas quando o negão chamava e tinham pessoas o suficiente, rolava um joguinho honesto. Hoje, os que estavam lá eram Arth, Micha, David e o cabuloso do Rick. Eram todos gente boa, o Rick vivia trocando farpas com o americano, mas era um traço da personalidade dele, não era má pessoa. Como geralmente acontecia, não seria diferente agora, estavam conversando e tirando onda uns dos outros numa das tentativas de Raylan iniciar uma partida pra deixar o dia mais feliz.<br />
<br />
- Pode tirar esse seu coque de Dreads daqui da quadra, tem nada a ver com a moda de Paris, viu?! – Dizia no tom de deboche costumeiro Rick, que apesar de não ser muito comum de achar, era da mesma altura do americano.<br />
<br />
- Ah, tá. Pelo jeito usar esse guaxinim na cabeça enquanto se exercita é a moda né? Tire o bichinho antes que ele caia e se machuque. – Respondeu o negão, que tava habituado com esse tipo de trashtalking.<br />
<br />
Sob respostas de vem tirar, mas você não tem time, Raylan propôs começar o draft dos times, ignorando o problema de matemática básica, que um dos times estaria incompleto. Propôs uma aposta, o capitão do time vencedor obrigaria o do time perdedor a fazer algo, isso despertou o interesse no jogo. Apesar dos xingamentos que recebeu por não saber contar, propôs que jogassem a moeda e o time que ficasse com um a menos chamasse um aleatório na rua, confiou no destino, mas a maldita moeda de Rick, como sempre, colocou o negão em desvantagem. Rick escolhe David que já jogou basquete antes, Raylan escolhe Arth pela estatura, que sempre ajuda, Rick escolhe Micha e sobrou pra Raylan escolher o aleatório na rua. Entre senhorinhas e gordinhos, alguém saltou aos olhos, parecia ter ido fazer exercício, era alto e estava inclusive olhando na direção de Raylan. Correu na direção do seu alvo, que manteve a câmera apontando para o negão, até chegar numa distância que não seria necessário chamar a polícia, mas era audível o que falasse.<br />
<br />
- Ei, quer me ajudar ali numa partida de basquete rapidinha? Você é alto e mesmo se não jogar, basta confiar em mim lá, é só pra botar aquele exibido no lugar dele. Que tal? Fico te devendo uma. – Disse ao possível companheiro de quadra, desesperado para não ser obrigado a fazer algo muito ridículo, proposta que infelizmente foi feita por ele mesmo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
O loiro se distraiu tirando fotos do grupo, e com o zoom da câmera notou como todos eram bonitos, parecia uma reunião de representantes da Nike prontos para um photoshot, mirou a câmera para o rapaz de esclera escura, que tinha várias tatuagens, ele tinha uma aparência exótica sem sombra de dúvidas, mas não mudava o fato de que ele era naturalmente bonito. Mirou a câmera de volta na direção do rapaz com dreads que agora se movimentando parecia ainda mais bonito, tirou várias fotos em sequência distraído sem notar o fato de que eles tava se aproximando em sua direção. Até que o sujeito lhe dirigiu a palavra, ele falava um francês meia boca, e entendeu a maioria do que ele falou, mas ficou um pouco sem reação porque aparentemente ele estava lhe chamando pra jogar. Abaixou a câmera cara, mostrando o rosto bonito, e então, encarou o maior percebendo que tinha de dar alguma resposta:<br />
<br />
-- erh… Eu entendi dois terços do que você falou. -- Pelo sotaque forte, dava pra perceber que o loiro não falava bem francês, mas pela lógica dava pra entender que como eles estavam em cinco, deviam estar precisando de mais uma pessoa pra completar: -- Hm… eu posso jogar sim, mas não faço ideia de quem é “affiché”. -- Será que era o nome da pessoa? Paciência, não devia fazer mal, jogar um pouco, se exercitava todos os dias, alongava, corria, mas jogar efetivamente, fazia algum tempo. Porém, não conseguia dizer não para uma pessoa que tão espontaneamente vinha lhe pedir, principalmente quando a pessoa era tão naturalmente bonita.<br />
<br />
Desligou a câmera, cobriu a lente, guardou no case da mochila, entrou na quadra para cumprimentar os outros rapazes, que eram surpreendentemente mais altos que o próprio, Berthold estava com 1,85 atualmente, e a pessoa mais baixa ali, era o de olhos escuros que era mais alto pouca coisa que o alemão:<br />
<br />
-- Olá gente, eu sou Berthold Konrad, eu não falo muito francês, mas espero me divertir jogando com vocês. Obrigado pela oportunidade. -- Tentou soar educado, porque a última coisa que queria era causar alguma impressão ruim pela cara enjoada que naturalmente tinha.<br />
<br />
-- Nossa, que reforço bonito em Ray, assim fico com vontade de mudar de time. -- Micha comentou, já notoriamente jogando charme para Berthold, no que o loiro tentou sorrir de volta, ficando um pouco desconcertado. Buscou algum lugar para deixar a câmera cara e as outras coisas, virou o boné apenas para deixar os fios loiros presos para não caírem sobre os olhos.<br />
<br />
-- Não vou pegar leve só porque você conseguiu um extra de rosto bonito viu best boy. -- Rick comentou na direção de Reylan.<br />
<br />
-- Não precisa pegar leve comigo “exibido”. Vamos jogar. -- Berthold comentou, acreditando que o “Affiché”, ou “exibido” era o nome do sujeito, o que arrancou algumas risadas dos outros rapazes e Rick estreitou os olhos na direção do loiro, abrindo um sorriso malvado em resposta.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Ao chamar Rick de exibido, Raylan caiu na risada, o rapaz escolhido aleatoriamente tinha fibra, falava estranho, mas quem era o americano para julgar o linguajar do coleguinha?! Acertaram os detalhes da pontuação máxima, 40 pontos, o time que conseguisse primeiro venceria. Fez os alongamentos necessários, após isso, trocou a ideia sobre a possível tática.<br />
 - Ok, vamos ver como fazemos isso, eu fico marcando o Rick e fechando o garrafão, Arth tu fica com o David e o mr. B aqui fica com o Micha, tentem forçar as laterais pra que eles precisem ir pro garrafão e eu cuido do resto. Fechou? Vamo lá. – Deu umas instruções básicas, não tinha prancheta nem tempo pra desenhar nenhuma jogada, além do que, a única pessoa que certamente sabia jogar do seu time era ele mesmo.<br />
A partida se iniciou como era esperada, o fato de todos praticarem esportes que envolvem velocidade e impulsos dificultava a movimentação do negão. A vantagem é que ele tinha a base muito melhor que todos eles, isso fazia com que a parte técnica lhe desse um pouco de vantagem. Ainda assim, a partida estava bastante apertada, precisaria de mais um jogador de qualidade pelo menos no time, não ganharia sem suar bastante estando sozinho basicamente.<br />
A parte mais estranha, no que dava para prestar atenção nos momentos entre as jogadas, seu novo colega de time parecia meio perdido no tempo e espaço, ficava tentando acompanhar a partida, mas parecia meio aéreo, será que já estaria exausto? Num determinado momento, numa sobra de bola Raylan viu Berthold se posicionar fora da linha de três pontos e, surpreendentemente acertar o arremesso, o posicionamento era bom, a movimentação de braços para o arremesso também, devia ser sorte.<br />
Numa outra jogada, praticamente no que seria a metade da partida, em mais uma sobra de bola, Berthold pega a bola, novamente fora da linha de três, pegando a bola completamente desequilibrado arremessa sem nem olhar direito pra cesta, causando uma resposta automática. – Filho da... – caindo a bola dentro, antes que completasse o xingamento – BOA!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
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Aparentemente tinha dito algo engraçado, porque logo o “best boy” Raylan começou a rir sem pudor algum, não entendeu o que tinha causado a graça, mas prestou atenção no que o maior comentou, aparentemente iriam usar uma estratégia simples de marcação por biótipo e porte, e fazendo uma comparação básica, o mais próximo do seu porte físico era o jovem de esclera escura. Acertaram os critérios do jogo com 40 pontos de limite e lá foram jogar. Não podia negar que a ideia de poder jogar novamente depois de tanto tempo deixava o alemão muito animado, a ponto de até parecer avoado, mas em verdade, estava aquecendo.<br />
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Ficou surpreso com o condicionamento físico dos rapazes, todos eram rápidos, flexíveis, pés ágeis, giros nos eixos e uma movimentação corpórea bem diferente do que se esperaria de jogadores de basquete. No entanto, era bem fácil de perceber que não havia visão de jogo, nem coordenação para montar jogadas, era apenas muito pique, aliado a muita confiança de pessoas que eram boas amigas. Não podia dizer o mesmo de Raylan, que tinha o porte físico, mas tinha uma boa base de basquete, sabia marcar, se movia bem, via as brechas, avançava, recuava, marcava, era um time de um homem só. Estava tão interessado em memorizar a forma como cada um jogava que por um instante, se esqueceu que tinha de manter o jogo competitivo, as quadras tinham sempre as mesmas medidas, então precisava apenas usar o que já tinha treinado um par de vezes, arremessos de três pontos. Mesmo desequilibrado, ou sem olhar diretamente, desde que se posicionasse no lugar de sempre, a distância para cesta era a mesma, então a bola certamente cairia no lugar desejado. Tinha convicção demais daquilo para duvidar de si mesmo, mas ouvir o quase xingamento de Raylan sobre seu lançamento de bola de três, fez o loiro desenhar um sorriso leviano no rosto de traços bonitos:<br />
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-- Eu demorei demais no aquecimento… mas vamos trabalhar aqui! -- O jovem comentou quando se aproximou dos maiores, enxugou o suor na própria camisa, e aproveitou para esconder a boca e falar baixo na direção de Raylan e Arth: -- Eu vou começar a fazer passes, fiquem atentos por favor. <br />
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Numa disputa de bola enquanto marcava Micha, leu nos olhos dele que ele iria passar para o David, mudou de trajetória e deu um toque na bola, roubando a mesma, e acelerou o passo, cortando o caminho da quadra e avançando pra dentro do garrafão em direção a Rick, que foi certeiramente muito ágil em se mover exatamente contra seu corpo, mas antes que o maior pudesse chegar na bola, Berthold passou a bola por entre o vão das pernas do moreno mais alto, em direção a Raylan que estava livre bem no centro do garrafão. Era pontuação garantida bem em cima da cabeça de Rick<br />
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E era fato, que a partir daquele momento, o jovem alemão estava sustentando um sorriso no rosto, bem diferente do tipo de personalidade que ele tinha demonstrado no começo daquela partida de rua.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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Parecia que o jogo finalmente tinha começado. O aleatório que chamou do meio da rua sabia mesmo jogar, a sorte foi tão incomum e hilária que nem acreditou como a vantagem se alargou rápido. Era claro que a pouca organização que o time de Rick possuía ia se esvaindo com o aumento da diferença. Como não era um jogo oficial e não tinha um técnico para saber o momento de quebrar o ritmo, a empolgação só ajudava o time de Raylan.<br />
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Sabia que não iria cansar seus oponentes, então a vantagem seria a pressa deles em igualar o placar, somado a falta de técnica mais refinada. E, falando em técnica refinada, numa das movimentações de bola, decidiu que era interessante fazer uns testes pra ver o quanto o novo colega era treinado. Testaria fazer alguns pick and roll para ver os fundamentos do companheiro de time, caso fosse satisfatório, teria alguém para tirar a ferrugem e eventualmente beliscar um torneio 3x3, parecia que finalmente começaria a gostar da França.<br />
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- Pick and Roll, baby – Disse Raylan na posse da bola, efetuando um passe e se posicionando para poder fazer o corta luz. Um destreinado faria mal feito ou pior, passaria por cima do negão como se fosse um trator, numa eventual falha miserável na execução. A movimentação foi ótima, Rick tropeçou seguindo a marcação e caiu feito uma fruta madura, fosse menos condicionado fisicamente, o tombo seria mais prazeroso. – Cuidado aí rapaz, quer começar a jogar de Tutu?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
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O clima do jogo ficou bom, começou a se mover cada vez mais rápido, e cada vez mais ágil, porque como os movimentos de seus adversários eram fáceis de ler, eram fáceis de antecipar, então não obstante, as roubadas de bola ocorriam, e o que parecia ser uma surra num aleatório de rua, estava se voltando contra o grupo de amigo. Por alguns momentos o loiro se esqueceu de porque não jogava mais, e apenas aproveitou a sensação de estar em quadra, a adrenalina no corpo, e a sensação de ser ágil e de ter algum controle, mesmo que fosse apenas do domínio de bola. <br />
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E seguindo o ritmo de jogo, quando Raylan anunciou a jogada, o loiro girou nos calcanhares e se movimentou de forma ágil para aproveitar o corta-luz oferecido pelo seu colega de time de rua, sem marcação visto que Rick tinha caído no chão, depois de bater no paredão de 2m de músculos que o colega de time sustentava, o caminho ficou livre para que Berthold se posicionasse para marcar sem problemas nenhum: -- Virou passeio!<br />
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O loiro riu de forma descontraída, provocando os adversários, aquela altura já estavam quase na marca de pontos que determinava o fim daquela partida amistosa, nada mais justo que fechar uma partida tão divertida de um jeito bastante animado. A reação dos outros rapazes veio, de forma rápida, porém não muito organizada, o vigor físico deles todos era formidável, eles com certeza tinham a resistência de atletas, mas não tinham o estado mental, mas não dava pra culpar, quem ficava deboas perdendo? mesmo que fosse só um amistoso. Deu um toquinho na bola que Micha estava para passar, e Arth aproveitou a deixa, o passe não foi bom em sua direção, e por ter marcado algumas bolas de 3 pontos, Rick e Micha fizeram marcação dupla em cima de sua pessoa. <br />
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O que não era necessariamente um problema, se dois deles estavam aqui, apenas David podia estar marcando os outros dois companheiros, sua decisão parecia bem óbvia ali, o alemão se posicionou como se fosse mesmo assim tentar uma cesta de três pontos daquela distância e moveu os calcanhares fazendo menção de saltar. E tão certo como o dia é dia, e noite é noite, os dois se adiantaram em saltar, fake executado com sucesso, em seguida o loiro saltou de verdade mas ao invés de fazer um arremesso, lançou a bola mais alta na direção de Raylan, sabia que pelo altura e porte físico dos dois, mesmo que pulassem juntos David tinha pouca probabilidade de alcançar aquela altura, o que queria dizer: -- Alley Up!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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Numa partida, não é só ficar correndo aleatoriamente igual a um monte de galinha esperando a bola respingar em sua direção. Tinha movimentação de rotação, troca de marcação, tudo isso determinava a qualidade de um jogador. Saber se posicionar para marcar pontos era bom, mas saber se posicionar defensivamente tinha tanta importância quanto pontuar. Interceptar linha de passe era algo que precisava de treino e instinto, era visão periférica e agilidade, para sua sorte, sua escolha de última rodada do draft tinha essas qualidades, um verdadeiro achado. Teria Raylan bons olhos para jogadores e seria um grande GM no futuro? Ainda não sabia disso, precisava passar nas matérias do maldito colégio e entrar em alguma Universidade primeiro, afora a parte da maconha que nem sempre é vista com bons olhos. Nem sempre não, ninguém quer um jogador importante sendo punido por uso de substâncias ilegais.<br />
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Fora desses devaneios de um futuro incerto, causado após a jogada defensiva de seu novo parceiro, a mudança de marcação do time adversário começou a aparecer. Verificando o desespero para tentar parar a jogada, o negão se posicionou na linha de passe picado ou lateral. Os colegas fazem parkour, saltam com facilidade e agilidade, uma marcação dupla parecia o mais apropriado para um arremessador de 3 pontos, mas com 2/3 do time sabendo o que faz, fica difícil usar estratégias simplórias. Sabia que Berthold não iria arremessar, dado o condicionamento físico dos oponentes, era arriscado e ele parecia saber quais riscos correr.<br />
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A confirmação veio em seguida, só a forma que veio um pouco diferente do que tinha imaginado. Apesar de jogar de Ala mas ter força para Ala-pivô, um armador de ofício como seu novo parceiro parecia ser, pensa um pouco diferente e torna as coisas menos simples num jogo de improviso. Recebeu a deixa da ponte aérea e agradeceu todos os treinamentos para manter o condicionamento físico, correu em direção à trajetória da bola com toda a explosão física que dispunha, saltou e enterrou, finalizando tudo com muita força. Não costumava fazer isso em quadras de rua primeiro por uma questão de segurança, dado que o piso nunca era adequado para uma aterrissagem improvisada, além dos aros nem sempre aguentarem a pressão de enterradas violentas. Nessa ocasião, devido a todo o tempo que passou sem jogar em nível decente, além do bom aquecimento que foi essa partida, o corpo se moveu sozinho. A finalização da jogada fez um barulho estrondoso pela força aplicada, mas não tanto quanto o grito após aterrissar.<br />
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- WOOHOO! YEAH BABY! – gritou enquanto flexionava os músculos – Jogada safadinha, ein! – Finalizou apontando para Berthold para, em seguida, fazer uma dancinha provocativa enquanto puxava o braço de volta ao corpo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
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Era curioso estar jogando basquete depois de tanto tempo, fazia tempo de verdade, tempo suficiente para não se atentar ao fato que nem todo mundo podia dar conta de jogar naquele ritmo que estava jogando, as vezes nem ele mesmo. Era melhor parar antes que começasse a ter alguma enxaqueca por causa da atividade física, mas toda a sua preocupação foi deixada de lado, diante do comentário de Raylan e da dancinha ordinária. Riu em plenos pulmões diante daquilo, enxugando o suor na camisa, conseguiu até tirar uma expressão de riso e deboche do companheiro de time o tal de Arth que olhava para o outro trio de cima, com um sorriso de canto de boca que só dizia “vitória”:<br />
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-- Acho que depois dessa a gente fechou os 40 pontos, ainda bem que minha irmã têm uns tutus que não usa mais, vai ficar um charme em você Rick. – Arth respondeu o moreno mais alto, que se aproximou fazendo uma cara de mal humor, todos plenamente suados da atividade física. Mas o que chamou a atenção de Berhthold foi o fato do sujeito ter chamado o outro de Rick e não de “Exibido”, aquilo era o sobrenome dele?<br />
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-- Rick Exibido é um nome bem peculiar.  – O loiro respondeu se aproximando do grupo de jogadores, que o encararam por um momento, se tocando talvez naquele instante, que o alemão realmente sabia muito pouco de francês e achou que exibido era o nome do moreno mais alto. Aquilo arrancou uma risada sonora de Micha:<br />
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-- Serião Rick, vou te chamar de Monsieur Exibido pelo resto da vida!!!! – o clima de zoação em cima do mais alto nem parou por ali e nem estava com cara de acabar. Berthold se aproximou de Raylan, dando um toquinho no ombro dele de leve:<br />
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-- Você é bom nisso, desculpe se eu joguei meia boca hoje, faz um tempo que eu não jogo nada. Desculpe por isso. – O loiro tinha aquele jeito de se desculpar excessivamente, pra logo em seguida: -- O que foi que eu disse que é tão engraçado, eu não entendo os franceses.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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Todo o lance de exibido era hilário por si só, mas perceber que o companheiro achava que o nome de Rick era realmente esse só fez a coisa ficar melhor. Era como se ver no espelho chegando na França sem saber falar quase nada, com as cores invertidas, mas a lógica é parecida. No mais, foi ótimo ter uma partida decente depois de um tempo, seria ótimo ele ser aluno da academia também. Parecia ter uma idade semelhante, mas dado a altura e porte, isso não queria dizer muita coisa. Podia só ter comido frango frito o suficiente para os hormônios terem deixado ele dessa forma.<br />
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- Ei, Rick Pavlova! Tou ansioso pelos vídeos novos viu cara, vou divulgar seu canal na academia e tal, tu vai ficar rico, bicho! Lembre dos pobres aqui que deram a ideia de alavancar seu negócio, mas cuidado pra não mostrar o negócio demais nos ângulos de salto. – Brincou enquanto se aproximava do grupo, para manter a zoação rolando. Ficou surpreso com a formalidade e os pedidos múltiplos de desculpa, além da modéstia, ou falsa modéstia, não saberia diferenciar.<br />
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- Meia boca, bicho? Tá de onda? Foi show. E sobre o que você falou, exibido foi uma forma de dizer que ele gosta de aparecer, não era o nome dele hahaha. – Sorriu simpaticamente – No mais, cara, ia ser muito pau você estudar na academia St. Clavier, eu tou tentando levantar o clube de basquete de volta. Uns caras fizeram umas imbecilidades lá, bando de mané, aí o clube foi suspenso. Tou te devendo uma pela ajuda aqui, se você continuar vindo vai ficar disputado entre os caras agora, mas não vou esquecer da mão que você me deu.<br />
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Raylan gostava de fazer amizades novas, já imaginava que iam ter uns problemas de comunicação, mas o que poderia dar errado, não é mesmo?!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
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Então o sobrenome dele era Pavlova? lembraria da informação para outros dias, não sabia que exibido era um tipo insulto, teria de pedir desculpas ao rapaz por tê-lo maltratado sem saber, muito embora todos ali parecessem bem entrosados, talvez ele não estivesse com raiva? mas ainda assim pediria desculpas, mas antes de se dirigir diretamente ao maior, que era o centro das atenções de zoações, Raylan lhe chamou a atenção sobre quem sabe estudar em St. Clavier, e que isso seria bom porque ele estava tentando alavancar o time de basquete. Sentiu o estômago gelar com a possibilidade de fazer parte de um time sério novamente, a ideia lhe apavorava e ao mesmo tempo lhe deixava animado não sabia dizer se isso era bom ou ruim. <br />
<br />
Não sabia que expressão estava fazendo, mas sorriu um pouco sem graça e coçou os fios loiros curtos, organizando as palavras em francês pra tentar explicar que não poderia jogar, mas logo lhe veio a mente a figura da dupla de amigos que tinha visto na quadra no outro dia: -- Ah, eu estudo sim em St. Clavier, sou bolsista de artes na verdade, embora seja difícil de acreditar. Estava tirando fotos da cidade pra poder compor material novo. E bem, eu já joguei basquete, quando estava no ensino médio, mas faz um ano que eu não participo de nenhum jogo de verdade, por isso digo que estou fora de forma. -- Admitiu parecendo um pouco sem graça, mas se recompondo em seguida: -- Mas essa semana eu vi um rapaz que entrou com bolsa pra esporte na quadra, Angus O’neal, ele é bom, pelo que deu pra ver, e tem um amigo da minha altura, Giles Berlioz, que ele com certeza não jogava basquete antes, mas tem porte de atleta. <br />
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Comentou de forma mais tranquila agora tentando desviar a atenção do mais velho, e foi até suas coisas, buscando a câmera profissional, pra olhar na memória fotos que tinha tirado do treino do outro dia, onde dava pra mostrar a disputa entre Angus e Giles, e dava pra ver que o ruivo de quase 2m tinha uma boa postura, enquanto o rapaz moreno menor, embora fosse bem atlético não tinha muita noção do que fazer na quadra. Estava até animado mostrando as fotos até passar em uma foto bem tirada de Raylan correndo em sua direção tirada mais cedo. E no mesmo momento os rapazes do Parkour se amontoando ao redor de Berthold:<br />
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-- Olha só o Best Boy parece até um modelo de revista. -- Micha comentou entretido.<br />
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-- É a câmera cara que têm esse efeito - David retrucou sem dar muito crédito. <br />
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-- A câmera não faz tudo sozinha, né meu bem! -- Micha brincou e o moreno de óculos bufou em retorno:<br />
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-- Ok, méritos do Konrad, parabéns por ser um fotógrafo massa e conseguir deixar esse sujeito bonito.<br />
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-- Tu acabou de admitir que o Best Boy tá bonito na foto, tá ligado que tu tá elogiando um homem né? -- Micha descascou David.<br />
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-- DESGRAÇA! CALA BOCA! -- David bateu o pé no modo full pistola.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Foi complicado conter a animação ao ouvir que Berthold estudava na academia, isso era ótimo, tinha pouco tempo para montar o time, precisava juntar o máximo de possíveis candidatos, tinha muita coisa pra fazer, bolar jogadas, treinar os menos habilidosos, etc. Só ficou melhor ao ouvir que ele conhecia dois possíveis candidatos, isso já deixava as coisas mais interessantes, precisaria procurar por eles na academia assim que possível. Para sua sorte, além de dizer os nomes, seu novo companheiro tinha umas fotos dos caras, até aí tudo bem, ele é branco então a polícia pegar é de boa.<br />
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- Realmente, belo negão você tem aí nessa câmera. - Comentou junto com o frisson dos outros, ao ver sua foto. – E vocês dois, não precisam brigar, tem pedaço de ébano pra todo mundo. – comentando sobre a implicância de Micha e David.<br />
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Precisaria planejar a abordagem com os futuros membros, papelada deles, enfim, uma série de coisas que ele sabia não ser inteligente o suficiente pra fazer com maestria. A única coisa que podia fazer bem era a parte de divulgação com os cartazes, isso podia chamar alguns membros. Aliás, parando pra pensar nisso, Berthold ainda não tinha aceitado, só falou que estudava na academia também, seria algo totalmente frustrante fazer esse monte de conta e planos como se ele já fizesse parte e, no final, levar um não.<br />
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- Bom, bem legal você ter as fotos dos caras, ajudou muito, mas antes de eu sair caçando macho por aí, você disse que faz parte da academia também, certo?! Que tal entrar pro time? Um membro habilidoso como você vai fazer toda a diferença.<br />
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Independente da resposta, teria de ir atrás dos outros, já estava devendo uma, entederia se precisasse pagar antes de pedir mais algo.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
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Era até curioso que tivesse encontrado um grupo de rapazes tão animados, bem conhecia aquele tipo de amistosidade com a possibilidade de um amigo “curtir caras”, e era mais que notório que havia intimidade o suficiente entre eles para que aquilo soasse como uma brincadeira. Aquele tipo de clima lhe fazia sentir saudades do tempo que jogava em time e do tipo de balbúrdia que vestiários pós jogos ou treinos geralmente tinham. Sorriu diante das respostas exageradas dos outros rapazes, principalmente de David que apesar de xingar o rapaz de esclera escura, foi bem claro que ele ficou envergonhado. Seu “Gaydar” não estava errado naqueles momentos. <br />
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Mas teve de rir ainda mais abertamente diante do comentário de Raylan sobre ter um um pedaço dele para todos ali, isso queria dizer que estava incluso? O rapaz de 2 metros de altura era sem dúvida um típico hétero engraçadinho, do tipo carismático que conseguia a atenção das pessoas facilmente pela altura, porte físico maravilhoso, além do senso de humor afiado, embora não entendesse metade do francês que ele dizia. <br />
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Ficou surpreso com a pergunta direta sobre fazer parte de um time de basquete, mas devia ser meio natural afinal tinha acabado de mostrar que tinha as habilidades necessárias para jogar, além de estudarem na mesma instituição. Mas a possibilidade de jogar novamente lhe fez ficar pálido, e sentir o estômago revirar em ansiedade diante de se vê em um time novamente jogando. Até abriu a boca pra responder, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, o grandão de moicano preto e moletom vermelho se aproximou do bando, passando o braço pelo ombro do loiro:<br />
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- Ah me faz esse favor de arrumar um time pra esse sujeito? eu não aguento mais as chorumelas dele “eu não tenho time pra jogar nesse fim de mundo” dito num francês de doer na minha alma. - o moreno sorriu na direção de Berthold e a proximidade com um outro rapaz assim do nada deixou o loiro nervoso imediatamente.<br />
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Ainda bem que arth puxou Rick pela camisa para que ele se afastasse de Berthold ele sequer precisou falar alguma coisa, as sobrancelhas franzidas atrás do par de lentes de grau já era o suficiente para convencer o maior a reduzir o grau de gracinhas.<br />
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Micha deu um toquinho com o cotovelo no braço de Berthold, e então se aproximou para falar de forma bastante malandra: - Aproveita Bartôzinho, porque se o BestBoy precisa da sua ajuda, você pedir algum favorzinho em troca, ui?<br />
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- Pelo amor de Deus Micha, tu já tá levando o menino pro mau caminho. - David retrucou, buscando uma das garrafas de água do grupo para se hidratar;<br />
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- Não xingue o caminho que você já pisou, David. - Micha retrucou a língua sibilando como uma víbora, o que fez prontamente com que o moreno cuspisse a água que estava bebendo em uma reação exagerada.<br />
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Berthold sequer teve tempo de responder ou mesmo de associar o que estava acontecendo ali, apenas se atentou ao fato de que não havia um time em St. Clavier:<br />
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- Eu não entendi, não tem um time de basquete formado em St. Clavier? É isso. -  a pergunta foi genuína, porque não fazia sentido na sua cabeça aceitarem bolsistas como o ruivo que tinha visto, se não houvesse um time formal para jogar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
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Depois dessa primeira semana de aula, tinha visto coisas boas e coisas ruins em estar em St. Clavier, a boa era que apesar de ser assustador, seu colega de quarto não odiava artes, muito pelo contrário, ele até era um “fã” (?) do seu trabalho, o que era estranho. Em contrapartida, tinha visto que apesar dos rumores sobre a academia ser muito voltada para os esportes, eles não tinham um time de basquete ativo, o que lhe deixava menos suscetível a cair em velhos hábitos e acabar fazendo alguma besteira. Era triste, por outro lado, já que a O’Neil tinha bastante habilidade com a bola, e o colega de quarto dele o Berlioz tinha bastante disposição pra aprender, ainda se pegava rindo sozinho das interações dos dois.<br />
<br />
O clima de final de verão e início de outono ainda era muito mais quente do que o jovem alemão estava acostumado a lidar, tinha saído com uma calça preta de tecido confortável e folgada, que permitiria se mexer, tênis porque estava disposto a caminhar bastante, e uma camisa branca, que tinha a barra irregular e longa, em contrapartida, as mangas eram curtas, um boné branco, uma mochila pequena, onde levava água, barra de cereal, case da câmera e outras tranqueiras que precisasse. <br />
<br />
Estava naquele sábado, andando pelas praças da cidade histórica usando a câmera para registrar as pessoas, em algum momento, teve sua atenção chamada para um grupo de pessoas em uma quadra pública, o grupo estava conversando animado, mas o que chamou atenção de Berthold, foi além de todos serem muito bonitos - parecia que todo mundo naquela cidade era bonito - mas todos eram altos, chutava que o mais baixo devia ter 1,90m? Pausou próximo da grade, e usou do zoom da câmera pra espiar o rosto de cada um, o moreno mais alto, de moletom vermelho, parecia provocar o outro sujeito alto de dreads,  os outros rapazes não interferiam porque pareciam está rindo, ou seja, eles não deveriam estar brigando. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
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Com o tempo passando, apesar dos estudos (muito mal resolvidos) e trabalho (esse sim, só sucesso) tomando bastante do seu tempo, a saudade do basquete sempre gritava. Raylan gostava dos passatempos que tinha arrumado, como o de jardinagem alternativa, por exemplo, mas aquele desejo de praticar o que seu corpanzil musculoso foi feito para fazer sempre vinha. Com as proibições vindas do superintendente do mundo Blanco, infelizmente, ou não, o que lhe restava era somente o basquete de rua. Bom, não que odiasse, na verdade era sua vida basicamente inteira que estava nas quadras abertas, com as mais variadas pessoas, das mais variadas idades e de toda classe social. Era ideologicamente bonito ver como esse esporte unia as pessoas, ou seja, um terror para sua família milionária. Ao chegar em Cerise, sua vida, apesar do que desejava sua mãe, não ficou diferente. Procurou um local para jogar, conheceu pessoas variadas, essa interação toda até o ajudou a refinar seu francês, que era uma coisa meio trágica, mas até que era aceitável atualmente.<br />
<br />
Já estava meio que enturmado com os frequentadores do parque, geralmente os que o acompanhavam estavam fazendo parkour, mas quando o negão chamava e tinham pessoas o suficiente, rolava um joguinho honesto. Hoje, os que estavam lá eram Arth, Micha, David e o cabuloso do Rick. Eram todos gente boa, o Rick vivia trocando farpas com o americano, mas era um traço da personalidade dele, não era má pessoa. Como geralmente acontecia, não seria diferente agora, estavam conversando e tirando onda uns dos outros numa das tentativas de Raylan iniciar uma partida pra deixar o dia mais feliz.<br />
<br />
- Pode tirar esse seu coque de Dreads daqui da quadra, tem nada a ver com a moda de Paris, viu?! – Dizia no tom de deboche costumeiro Rick, que apesar de não ser muito comum de achar, era da mesma altura do americano.<br />
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- Ah, tá. Pelo jeito usar esse guaxinim na cabeça enquanto se exercita é a moda né? Tire o bichinho antes que ele caia e se machuque. – Respondeu o negão, que tava habituado com esse tipo de trashtalking.<br />
<br />
Sob respostas de vem tirar, mas você não tem time, Raylan propôs começar o draft dos times, ignorando o problema de matemática básica, que um dos times estaria incompleto. Propôs uma aposta, o capitão do time vencedor obrigaria o do time perdedor a fazer algo, isso despertou o interesse no jogo. Apesar dos xingamentos que recebeu por não saber contar, propôs que jogassem a moeda e o time que ficasse com um a menos chamasse um aleatório na rua, confiou no destino, mas a maldita moeda de Rick, como sempre, colocou o negão em desvantagem. Rick escolhe David que já jogou basquete antes, Raylan escolhe Arth pela estatura, que sempre ajuda, Rick escolhe Micha e sobrou pra Raylan escolher o aleatório na rua. Entre senhorinhas e gordinhos, alguém saltou aos olhos, parecia ter ido fazer exercício, era alto e estava inclusive olhando na direção de Raylan. Correu na direção do seu alvo, que manteve a câmera apontando para o negão, até chegar numa distância que não seria necessário chamar a polícia, mas era audível o que falasse.<br />
<br />
- Ei, quer me ajudar ali numa partida de basquete rapidinha? Você é alto e mesmo se não jogar, basta confiar em mim lá, é só pra botar aquele exibido no lugar dele. Que tal? Fico te devendo uma. – Disse ao possível companheiro de quadra, desesperado para não ser obrigado a fazer algo muito ridículo, proposta que infelizmente foi feita por ele mesmo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
O loiro se distraiu tirando fotos do grupo, e com o zoom da câmera notou como todos eram bonitos, parecia uma reunião de representantes da Nike prontos para um photoshot, mirou a câmera para o rapaz de esclera escura, que tinha várias tatuagens, ele tinha uma aparência exótica sem sombra de dúvidas, mas não mudava o fato de que ele era naturalmente bonito. Mirou a câmera de volta na direção do rapaz com dreads que agora se movimentando parecia ainda mais bonito, tirou várias fotos em sequência distraído sem notar o fato de que eles tava se aproximando em sua direção. Até que o sujeito lhe dirigiu a palavra, ele falava um francês meia boca, e entendeu a maioria do que ele falou, mas ficou um pouco sem reação porque aparentemente ele estava lhe chamando pra jogar. Abaixou a câmera cara, mostrando o rosto bonito, e então, encarou o maior percebendo que tinha de dar alguma resposta:<br />
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-- erh… Eu entendi dois terços do que você falou. -- Pelo sotaque forte, dava pra perceber que o loiro não falava bem francês, mas pela lógica dava pra entender que como eles estavam em cinco, deviam estar precisando de mais uma pessoa pra completar: -- Hm… eu posso jogar sim, mas não faço ideia de quem é “affiché”. -- Será que era o nome da pessoa? Paciência, não devia fazer mal, jogar um pouco, se exercitava todos os dias, alongava, corria, mas jogar efetivamente, fazia algum tempo. Porém, não conseguia dizer não para uma pessoa que tão espontaneamente vinha lhe pedir, principalmente quando a pessoa era tão naturalmente bonita.<br />
<br />
Desligou a câmera, cobriu a lente, guardou no case da mochila, entrou na quadra para cumprimentar os outros rapazes, que eram surpreendentemente mais altos que o próprio, Berthold estava com 1,85 atualmente, e a pessoa mais baixa ali, era o de olhos escuros que era mais alto pouca coisa que o alemão:<br />
<br />
-- Olá gente, eu sou Berthold Konrad, eu não falo muito francês, mas espero me divertir jogando com vocês. Obrigado pela oportunidade. -- Tentou soar educado, porque a última coisa que queria era causar alguma impressão ruim pela cara enjoada que naturalmente tinha.<br />
<br />
-- Nossa, que reforço bonito em Ray, assim fico com vontade de mudar de time. -- Micha comentou, já notoriamente jogando charme para Berthold, no que o loiro tentou sorrir de volta, ficando um pouco desconcertado. Buscou algum lugar para deixar a câmera cara e as outras coisas, virou o boné apenas para deixar os fios loiros presos para não caírem sobre os olhos.<br />
<br />
-- Não vou pegar leve só porque você conseguiu um extra de rosto bonito viu best boy. -- Rick comentou na direção de Reylan.<br />
<br />
-- Não precisa pegar leve comigo “exibido”. Vamos jogar. -- Berthold comentou, acreditando que o “Affiché”, ou “exibido” era o nome do sujeito, o que arrancou algumas risadas dos outros rapazes e Rick estreitou os olhos na direção do loiro, abrindo um sorriso malvado em resposta.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Ao chamar Rick de exibido, Raylan caiu na risada, o rapaz escolhido aleatoriamente tinha fibra, falava estranho, mas quem era o americano para julgar o linguajar do coleguinha?! Acertaram os detalhes da pontuação máxima, 40 pontos, o time que conseguisse primeiro venceria. Fez os alongamentos necessários, após isso, trocou a ideia sobre a possível tática.<br />
 - Ok, vamos ver como fazemos isso, eu fico marcando o Rick e fechando o garrafão, Arth tu fica com o David e o mr. B aqui fica com o Micha, tentem forçar as laterais pra que eles precisem ir pro garrafão e eu cuido do resto. Fechou? Vamo lá. – Deu umas instruções básicas, não tinha prancheta nem tempo pra desenhar nenhuma jogada, além do que, a única pessoa que certamente sabia jogar do seu time era ele mesmo.<br />
A partida se iniciou como era esperada, o fato de todos praticarem esportes que envolvem velocidade e impulsos dificultava a movimentação do negão. A vantagem é que ele tinha a base muito melhor que todos eles, isso fazia com que a parte técnica lhe desse um pouco de vantagem. Ainda assim, a partida estava bastante apertada, precisaria de mais um jogador de qualidade pelo menos no time, não ganharia sem suar bastante estando sozinho basicamente.<br />
A parte mais estranha, no que dava para prestar atenção nos momentos entre as jogadas, seu novo colega de time parecia meio perdido no tempo e espaço, ficava tentando acompanhar a partida, mas parecia meio aéreo, será que já estaria exausto? Num determinado momento, numa sobra de bola Raylan viu Berthold se posicionar fora da linha de três pontos e, surpreendentemente acertar o arremesso, o posicionamento era bom, a movimentação de braços para o arremesso também, devia ser sorte.<br />
Numa outra jogada, praticamente no que seria a metade da partida, em mais uma sobra de bola, Berthold pega a bola, novamente fora da linha de três, pegando a bola completamente desequilibrado arremessa sem nem olhar direito pra cesta, causando uma resposta automática. – Filho da... – caindo a bola dentro, antes que completasse o xingamento – BOA!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Aparentemente tinha dito algo engraçado, porque logo o “best boy” Raylan começou a rir sem pudor algum, não entendeu o que tinha causado a graça, mas prestou atenção no que o maior comentou, aparentemente iriam usar uma estratégia simples de marcação por biótipo e porte, e fazendo uma comparação básica, o mais próximo do seu porte físico era o jovem de esclera escura. Acertaram os critérios do jogo com 40 pontos de limite e lá foram jogar. Não podia negar que a ideia de poder jogar novamente depois de tanto tempo deixava o alemão muito animado, a ponto de até parecer avoado, mas em verdade, estava aquecendo.<br />
<br />
Ficou surpreso com o condicionamento físico dos rapazes, todos eram rápidos, flexíveis, pés ágeis, giros nos eixos e uma movimentação corpórea bem diferente do que se esperaria de jogadores de basquete. No entanto, era bem fácil de perceber que não havia visão de jogo, nem coordenação para montar jogadas, era apenas muito pique, aliado a muita confiança de pessoas que eram boas amigas. Não podia dizer o mesmo de Raylan, que tinha o porte físico, mas tinha uma boa base de basquete, sabia marcar, se movia bem, via as brechas, avançava, recuava, marcava, era um time de um homem só. Estava tão interessado em memorizar a forma como cada um jogava que por um instante, se esqueceu que tinha de manter o jogo competitivo, as quadras tinham sempre as mesmas medidas, então precisava apenas usar o que já tinha treinado um par de vezes, arremessos de três pontos. Mesmo desequilibrado, ou sem olhar diretamente, desde que se posicionasse no lugar de sempre, a distância para cesta era a mesma, então a bola certamente cairia no lugar desejado. Tinha convicção demais daquilo para duvidar de si mesmo, mas ouvir o quase xingamento de Raylan sobre seu lançamento de bola de três, fez o loiro desenhar um sorriso leviano no rosto de traços bonitos:<br />
<br />
-- Eu demorei demais no aquecimento… mas vamos trabalhar aqui! -- O jovem comentou quando se aproximou dos maiores, enxugou o suor na própria camisa, e aproveitou para esconder a boca e falar baixo na direção de Raylan e Arth: -- Eu vou começar a fazer passes, fiquem atentos por favor. <br />
<br />
Numa disputa de bola enquanto marcava Micha, leu nos olhos dele que ele iria passar para o David, mudou de trajetória e deu um toque na bola, roubando a mesma, e acelerou o passo, cortando o caminho da quadra e avançando pra dentro do garrafão em direção a Rick, que foi certeiramente muito ágil em se mover exatamente contra seu corpo, mas antes que o maior pudesse chegar na bola, Berthold passou a bola por entre o vão das pernas do moreno mais alto, em direção a Raylan que estava livre bem no centro do garrafão. Era pontuação garantida bem em cima da cabeça de Rick<br />
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E era fato, que a partir daquele momento, o jovem alemão estava sustentando um sorriso no rosto, bem diferente do tipo de personalidade que ele tinha demonstrado no começo daquela partida de rua.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Parecia que o jogo finalmente tinha começado. O aleatório que chamou do meio da rua sabia mesmo jogar, a sorte foi tão incomum e hilária que nem acreditou como a vantagem se alargou rápido. Era claro que a pouca organização que o time de Rick possuía ia se esvaindo com o aumento da diferença. Como não era um jogo oficial e não tinha um técnico para saber o momento de quebrar o ritmo, a empolgação só ajudava o time de Raylan.<br />
<br />
Sabia que não iria cansar seus oponentes, então a vantagem seria a pressa deles em igualar o placar, somado a falta de técnica mais refinada. E, falando em técnica refinada, numa das movimentações de bola, decidiu que era interessante fazer uns testes pra ver o quanto o novo colega era treinado. Testaria fazer alguns pick and roll para ver os fundamentos do companheiro de time, caso fosse satisfatório, teria alguém para tirar a ferrugem e eventualmente beliscar um torneio 3x3, parecia que finalmente começaria a gostar da França.<br />
<br />
- Pick and Roll, baby – Disse Raylan na posse da bola, efetuando um passe e se posicionando para poder fazer o corta luz. Um destreinado faria mal feito ou pior, passaria por cima do negão como se fosse um trator, numa eventual falha miserável na execução. A movimentação foi ótima, Rick tropeçou seguindo a marcação e caiu feito uma fruta madura, fosse menos condicionado fisicamente, o tombo seria mais prazeroso. – Cuidado aí rapaz, quer começar a jogar de Tutu?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
O clima do jogo ficou bom, começou a se mover cada vez mais rápido, e cada vez mais ágil, porque como os movimentos de seus adversários eram fáceis de ler, eram fáceis de antecipar, então não obstante, as roubadas de bola ocorriam, e o que parecia ser uma surra num aleatório de rua, estava se voltando contra o grupo de amigo. Por alguns momentos o loiro se esqueceu de porque não jogava mais, e apenas aproveitou a sensação de estar em quadra, a adrenalina no corpo, e a sensação de ser ágil e de ter algum controle, mesmo que fosse apenas do domínio de bola. <br />
<br />
E seguindo o ritmo de jogo, quando Raylan anunciou a jogada, o loiro girou nos calcanhares e se movimentou de forma ágil para aproveitar o corta-luz oferecido pelo seu colega de time de rua, sem marcação visto que Rick tinha caído no chão, depois de bater no paredão de 2m de músculos que o colega de time sustentava, o caminho ficou livre para que Berthold se posicionasse para marcar sem problemas nenhum: -- Virou passeio!<br />
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O loiro riu de forma descontraída, provocando os adversários, aquela altura já estavam quase na marca de pontos que determinava o fim daquela partida amistosa, nada mais justo que fechar uma partida tão divertida de um jeito bastante animado. A reação dos outros rapazes veio, de forma rápida, porém não muito organizada, o vigor físico deles todos era formidável, eles com certeza tinham a resistência de atletas, mas não tinham o estado mental, mas não dava pra culpar, quem ficava deboas perdendo? mesmo que fosse só um amistoso. Deu um toquinho na bola que Micha estava para passar, e Arth aproveitou a deixa, o passe não foi bom em sua direção, e por ter marcado algumas bolas de 3 pontos, Rick e Micha fizeram marcação dupla em cima de sua pessoa. <br />
<br />
O que não era necessariamente um problema, se dois deles estavam aqui, apenas David podia estar marcando os outros dois companheiros, sua decisão parecia bem óbvia ali, o alemão se posicionou como se fosse mesmo assim tentar uma cesta de três pontos daquela distância e moveu os calcanhares fazendo menção de saltar. E tão certo como o dia é dia, e noite é noite, os dois se adiantaram em saltar, fake executado com sucesso, em seguida o loiro saltou de verdade mas ao invés de fazer um arremesso, lançou a bola mais alta na direção de Raylan, sabia que pelo altura e porte físico dos dois, mesmo que pulassem juntos David tinha pouca probabilidade de alcançar aquela altura, o que queria dizer: -- Alley Up!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Numa partida, não é só ficar correndo aleatoriamente igual a um monte de galinha esperando a bola respingar em sua direção. Tinha movimentação de rotação, troca de marcação, tudo isso determinava a qualidade de um jogador. Saber se posicionar para marcar pontos era bom, mas saber se posicionar defensivamente tinha tanta importância quanto pontuar. Interceptar linha de passe era algo que precisava de treino e instinto, era visão periférica e agilidade, para sua sorte, sua escolha de última rodada do draft tinha essas qualidades, um verdadeiro achado. Teria Raylan bons olhos para jogadores e seria um grande GM no futuro? Ainda não sabia disso, precisava passar nas matérias do maldito colégio e entrar em alguma Universidade primeiro, afora a parte da maconha que nem sempre é vista com bons olhos. Nem sempre não, ninguém quer um jogador importante sendo punido por uso de substâncias ilegais.<br />
<br />
Fora desses devaneios de um futuro incerto, causado após a jogada defensiva de seu novo parceiro, a mudança de marcação do time adversário começou a aparecer. Verificando o desespero para tentar parar a jogada, o negão se posicionou na linha de passe picado ou lateral. Os colegas fazem parkour, saltam com facilidade e agilidade, uma marcação dupla parecia o mais apropriado para um arremessador de 3 pontos, mas com 2/3 do time sabendo o que faz, fica difícil usar estratégias simplórias. Sabia que Berthold não iria arremessar, dado o condicionamento físico dos oponentes, era arriscado e ele parecia saber quais riscos correr.<br />
<br />
A confirmação veio em seguida, só a forma que veio um pouco diferente do que tinha imaginado. Apesar de jogar de Ala mas ter força para Ala-pivô, um armador de ofício como seu novo parceiro parecia ser, pensa um pouco diferente e torna as coisas menos simples num jogo de improviso. Recebeu a deixa da ponte aérea e agradeceu todos os treinamentos para manter o condicionamento físico, correu em direção à trajetória da bola com toda a explosão física que dispunha, saltou e enterrou, finalizando tudo com muita força. Não costumava fazer isso em quadras de rua primeiro por uma questão de segurança, dado que o piso nunca era adequado para uma aterrissagem improvisada, além dos aros nem sempre aguentarem a pressão de enterradas violentas. Nessa ocasião, devido a todo o tempo que passou sem jogar em nível decente, além do bom aquecimento que foi essa partida, o corpo se moveu sozinho. A finalização da jogada fez um barulho estrondoso pela força aplicada, mas não tanto quanto o grito após aterrissar.<br />
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- WOOHOO! YEAH BABY! – gritou enquanto flexionava os músculos – Jogada safadinha, ein! – Finalizou apontando para Berthold para, em seguida, fazer uma dancinha provocativa enquanto puxava o braço de volta ao corpo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Era curioso estar jogando basquete depois de tanto tempo, fazia tempo de verdade, tempo suficiente para não se atentar ao fato que nem todo mundo podia dar conta de jogar naquele ritmo que estava jogando, as vezes nem ele mesmo. Era melhor parar antes que começasse a ter alguma enxaqueca por causa da atividade física, mas toda a sua preocupação foi deixada de lado, diante do comentário de Raylan e da dancinha ordinária. Riu em plenos pulmões diante daquilo, enxugando o suor na camisa, conseguiu até tirar uma expressão de riso e deboche do companheiro de time o tal de Arth que olhava para o outro trio de cima, com um sorriso de canto de boca que só dizia “vitória”:<br />
<br />
-- Acho que depois dessa a gente fechou os 40 pontos, ainda bem que minha irmã têm uns tutus que não usa mais, vai ficar um charme em você Rick. – Arth respondeu o moreno mais alto, que se aproximou fazendo uma cara de mal humor, todos plenamente suados da atividade física. Mas o que chamou a atenção de Berhthold foi o fato do sujeito ter chamado o outro de Rick e não de “Exibido”, aquilo era o sobrenome dele?<br />
<br />
-- Rick Exibido é um nome bem peculiar.  – O loiro respondeu se aproximando do grupo de jogadores, que o encararam por um momento, se tocando talvez naquele instante, que o alemão realmente sabia muito pouco de francês e achou que exibido era o nome do moreno mais alto. Aquilo arrancou uma risada sonora de Micha:<br />
<br />
-- Serião Rick, vou te chamar de Monsieur Exibido pelo resto da vida!!!! – o clima de zoação em cima do mais alto nem parou por ali e nem estava com cara de acabar. Berthold se aproximou de Raylan, dando um toquinho no ombro dele de leve:<br />
<br />
-- Você é bom nisso, desculpe se eu joguei meia boca hoje, faz um tempo que eu não jogo nada. Desculpe por isso. – O loiro tinha aquele jeito de se desculpar excessivamente, pra logo em seguida: -- O que foi que eu disse que é tão engraçado, eu não entendo os franceses.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Todo o lance de exibido era hilário por si só, mas perceber que o companheiro achava que o nome de Rick era realmente esse só fez a coisa ficar melhor. Era como se ver no espelho chegando na França sem saber falar quase nada, com as cores invertidas, mas a lógica é parecida. No mais, foi ótimo ter uma partida decente depois de um tempo, seria ótimo ele ser aluno da academia também. Parecia ter uma idade semelhante, mas dado a altura e porte, isso não queria dizer muita coisa. Podia só ter comido frango frito o suficiente para os hormônios terem deixado ele dessa forma.<br />
<br />
- Ei, Rick Pavlova! Tou ansioso pelos vídeos novos viu cara, vou divulgar seu canal na academia e tal, tu vai ficar rico, bicho! Lembre dos pobres aqui que deram a ideia de alavancar seu negócio, mas cuidado pra não mostrar o negócio demais nos ângulos de salto. – Brincou enquanto se aproximava do grupo, para manter a zoação rolando. Ficou surpreso com a formalidade e os pedidos múltiplos de desculpa, além da modéstia, ou falsa modéstia, não saberia diferenciar.<br />
<br />
- Meia boca, bicho? Tá de onda? Foi show. E sobre o que você falou, exibido foi uma forma de dizer que ele gosta de aparecer, não era o nome dele hahaha. – Sorriu simpaticamente – No mais, cara, ia ser muito pau você estudar na academia St. Clavier, eu tou tentando levantar o clube de basquete de volta. Uns caras fizeram umas imbecilidades lá, bando de mané, aí o clube foi suspenso. Tou te devendo uma pela ajuda aqui, se você continuar vindo vai ficar disputado entre os caras agora, mas não vou esquecer da mão que você me deu.<br />
<br />
Raylan gostava de fazer amizades novas, já imaginava que iam ter uns problemas de comunicação, mas o que poderia dar errado, não é mesmo?!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Então o sobrenome dele era Pavlova? lembraria da informação para outros dias, não sabia que exibido era um tipo insulto, teria de pedir desculpas ao rapaz por tê-lo maltratado sem saber, muito embora todos ali parecessem bem entrosados, talvez ele não estivesse com raiva? mas ainda assim pediria desculpas, mas antes de se dirigir diretamente ao maior, que era o centro das atenções de zoações, Raylan lhe chamou a atenção sobre quem sabe estudar em St. Clavier, e que isso seria bom porque ele estava tentando alavancar o time de basquete. Sentiu o estômago gelar com a possibilidade de fazer parte de um time sério novamente, a ideia lhe apavorava e ao mesmo tempo lhe deixava animado não sabia dizer se isso era bom ou ruim. <br />
<br />
Não sabia que expressão estava fazendo, mas sorriu um pouco sem graça e coçou os fios loiros curtos, organizando as palavras em francês pra tentar explicar que não poderia jogar, mas logo lhe veio a mente a figura da dupla de amigos que tinha visto na quadra no outro dia: -- Ah, eu estudo sim em St. Clavier, sou bolsista de artes na verdade, embora seja difícil de acreditar. Estava tirando fotos da cidade pra poder compor material novo. E bem, eu já joguei basquete, quando estava no ensino médio, mas faz um ano que eu não participo de nenhum jogo de verdade, por isso digo que estou fora de forma. -- Admitiu parecendo um pouco sem graça, mas se recompondo em seguida: -- Mas essa semana eu vi um rapaz que entrou com bolsa pra esporte na quadra, Angus O’neal, ele é bom, pelo que deu pra ver, e tem um amigo da minha altura, Giles Berlioz, que ele com certeza não jogava basquete antes, mas tem porte de atleta. <br />
<br />
Comentou de forma mais tranquila agora tentando desviar a atenção do mais velho, e foi até suas coisas, buscando a câmera profissional, pra olhar na memória fotos que tinha tirado do treino do outro dia, onde dava pra mostrar a disputa entre Angus e Giles, e dava pra ver que o ruivo de quase 2m tinha uma boa postura, enquanto o rapaz moreno menor, embora fosse bem atlético não tinha muita noção do que fazer na quadra. Estava até animado mostrando as fotos até passar em uma foto bem tirada de Raylan correndo em sua direção tirada mais cedo. E no mesmo momento os rapazes do Parkour se amontoando ao redor de Berthold:<br />
<br />
-- Olha só o Best Boy parece até um modelo de revista. -- Micha comentou entretido.<br />
<br />
-- É a câmera cara que têm esse efeito - David retrucou sem dar muito crédito. <br />
<br />
-- A câmera não faz tudo sozinha, né meu bem! -- Micha brincou e o moreno de óculos bufou em retorno:<br />
<br />
-- Ok, méritos do Konrad, parabéns por ser um fotógrafo massa e conseguir deixar esse sujeito bonito.<br />
<br />
-- Tu acabou de admitir que o Best Boy tá bonito na foto, tá ligado que tu tá elogiando um homem né? -- Micha descascou David.<br />
<br />
-- DESGRAÇA! CALA BOCA! -- David bateu o pé no modo full pistola.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Raylan</span></div>
<br />
Foi complicado conter a animação ao ouvir que Berthold estudava na academia, isso era ótimo, tinha pouco tempo para montar o time, precisava juntar o máximo de possíveis candidatos, tinha muita coisa pra fazer, bolar jogadas, treinar os menos habilidosos, etc. Só ficou melhor ao ouvir que ele conhecia dois possíveis candidatos, isso já deixava as coisas mais interessantes, precisaria procurar por eles na academia assim que possível. Para sua sorte, além de dizer os nomes, seu novo companheiro tinha umas fotos dos caras, até aí tudo bem, ele é branco então a polícia pegar é de boa.<br />
<br />
- Realmente, belo negão você tem aí nessa câmera. - Comentou junto com o frisson dos outros, ao ver sua foto. – E vocês dois, não precisam brigar, tem pedaço de ébano pra todo mundo. – comentando sobre a implicância de Micha e David.<br />
<br />
Precisaria planejar a abordagem com os futuros membros, papelada deles, enfim, uma série de coisas que ele sabia não ser inteligente o suficiente pra fazer com maestria. A única coisa que podia fazer bem era a parte de divulgação com os cartazes, isso podia chamar alguns membros. Aliás, parando pra pensar nisso, Berthold ainda não tinha aceitado, só falou que estudava na academia também, seria algo totalmente frustrante fazer esse monte de conta e planos como se ele já fizesse parte e, no final, levar um não.<br />
<br />
- Bom, bem legal você ter as fotos dos caras, ajudou muito, mas antes de eu sair caçando macho por aí, você disse que faz parte da academia também, certo?! Que tal entrar pro time? Um membro habilidoso como você vai fazer toda a diferença.<br />
<br />
Independente da resposta, teria de ir atrás dos outros, já estava devendo uma, entederia se precisasse pagar antes de pedir mais algo.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Berthold</span></div>
<br />
Era até curioso que tivesse encontrado um grupo de rapazes tão animados, bem conhecia aquele tipo de amistosidade com a possibilidade de um amigo “curtir caras”, e era mais que notório que havia intimidade o suficiente entre eles para que aquilo soasse como uma brincadeira. Aquele tipo de clima lhe fazia sentir saudades do tempo que jogava em time e do tipo de balbúrdia que vestiários pós jogos ou treinos geralmente tinham. Sorriu diante das respostas exageradas dos outros rapazes, principalmente de David que apesar de xingar o rapaz de esclera escura, foi bem claro que ele ficou envergonhado. Seu “Gaydar” não estava errado naqueles momentos. <br />
<br />
Mas teve de rir ainda mais abertamente diante do comentário de Raylan sobre ter um um pedaço dele para todos ali, isso queria dizer que estava incluso? O rapaz de 2 metros de altura era sem dúvida um típico hétero engraçadinho, do tipo carismático que conseguia a atenção das pessoas facilmente pela altura, porte físico maravilhoso, além do senso de humor afiado, embora não entendesse metade do francês que ele dizia. <br />
<br />
Ficou surpreso com a pergunta direta sobre fazer parte de um time de basquete, mas devia ser meio natural afinal tinha acabado de mostrar que tinha as habilidades necessárias para jogar, além de estudarem na mesma instituição. Mas a possibilidade de jogar novamente lhe fez ficar pálido, e sentir o estômago revirar em ansiedade diante de se vê em um time novamente jogando. Até abriu a boca pra responder, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, o grandão de moicano preto e moletom vermelho se aproximou do bando, passando o braço pelo ombro do loiro:<br />
<br />
- Ah me faz esse favor de arrumar um time pra esse sujeito? eu não aguento mais as chorumelas dele “eu não tenho time pra jogar nesse fim de mundo” dito num francês de doer na minha alma. - o moreno sorriu na direção de Berthold e a proximidade com um outro rapaz assim do nada deixou o loiro nervoso imediatamente.<br />
<br />
Ainda bem que arth puxou Rick pela camisa para que ele se afastasse de Berthold ele sequer precisou falar alguma coisa, as sobrancelhas franzidas atrás do par de lentes de grau já era o suficiente para convencer o maior a reduzir o grau de gracinhas.<br />
<br />
Micha deu um toquinho com o cotovelo no braço de Berthold, e então se aproximou para falar de forma bastante malandra: - Aproveita Bartôzinho, porque se o BestBoy precisa da sua ajuda, você pedir algum favorzinho em troca, ui?<br />
<br />
- Pelo amor de Deus Micha, tu já tá levando o menino pro mau caminho. - David retrucou, buscando uma das garrafas de água do grupo para se hidratar;<br />
<br />
- Não xingue o caminho que você já pisou, David. - Micha retrucou a língua sibilando como uma víbora, o que fez prontamente com que o moreno cuspisse a água que estava bebendo em uma reação exagerada.<br />
<br />
Berthold sequer teve tempo de responder ou mesmo de associar o que estava acontecendo ali, apenas se atentou ao fato de que não havia um time em St. Clavier:<br />
<br />
- Eu não entendi, não tem um time de basquete formado em St. Clavier? É isso. -  a pergunta foi genuína, porque não fazia sentido na sua cabeça aceitarem bolsistas como o ruivo que tinha visto, se não houvesse um time formal para jogar.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Erro 404 [Irina]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=310</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 17:58:15 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=17">Arman</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=310</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
O novo ano não estava sendo exatamente animador ou inspirador para Arman. Tinha mais trabalho para fazer, alguns problemas tinham surgido para Albert e queria poder ajudar, mas o rapaz não parecia disposto a se abrir tanto, especialmente depois do acidente recente. Não gostava de pensar na ideia de que o professor que mais lhe dava raiva estava começando a frequentar a sua casa esporadicamente com sua mãe. Mas diante de todos os pequenos acontecimentos que lhe deixavam um tanto irritado, queria só sentar debaixo de uma sombra, observar alguma coisa bonita, deixar de pensar nos problemas e ter alguma ideia interessante em que trabalhar.<br />
<br />
Foi com aquele pensamento que Arman seguiu para o centro da cidade, onde havia mais movimento, no lado antigo de Cerise com a câmera em mãos para tirar algumas fotos e ter algumas ideias interessantes em que trabalhar e até pintar alguma coisa. Só encontraria com Albert no fim do dia, então podia desperdiçar seu tempo até lá.<br />
<br />
Seguiu andando por uma das pontes que cruzavam o rio, usava calça de moletom preta, um par de sandálias surradas, uma camisa básica com manchas de tinta e um par de óculos de armação redonda - como sempre - com uma lente azul e outra vermelha. Observou as pessoas e as paisagens através das lentes, tirando algumas fotos de cidadãos bem distraídos em seus afazeres e só percebeu que estava tirando mais de uma foto da mesma pessoa porque a empolgação da mulher era quase contagiante. Acompanhou através da lente todos os passos de uma jovem de curtos cabelos castanhos, empolgada e tagarela, tirando várias fotos ao longo do caminho dela, sem ao menos perceber como poderia estar sendo um pouco indiscreto com uma câmera profissional apontada para a menina.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Estava Irina se arrumando para mais um dia de “turismo” pela cidade, antes de suas aulas começarem. Seu celular estava carregando, em cima da sua cama, e então começa a vibrar, como se estive recebendo uma ligação. Para Irina isso é incomum, e ao checar seu celular, era uma chamada de seu avô paterno. O avô paterno de Irina, mesmo não sendo tão presente, sempre que possível entra em contato com sua neta, para falar sobre coisas aleatórias, alguns assuntos sobre filmes, e para saber de novidades sobre sua querida “do meio” neta.<br />
<br />
Para não ficar parada por muito tempo, Irina pega um fone de ouvido com microfone que tinha em seu quarto, para falar com seu avô enquanto anda. A conversa se prolongou por várias horas, enquanto Irina anda pela cidade. Ao falar sobre os últimos filmes de ação que tinha assistido, Irina se empolga. Começa a fazer poses de luta, e dá golpes no vento. Chegando próximo a ponte, ainda em ligação Irina se despede de seu avô: - Vou mandar as fotos dessa cidade maravilhosa cidade, e quando o senhor entrar de férias dessa chatice de empresa, você vir passar alguns dias comigo aqui. Hahahah!! - Ela encerra a ligação logo em seguida, retira o fones de ouvido e os guardo em seu bolso. De seu outro bolso, ela tira o celular, para verificar a bateria que já beirava os 50%. Sem pensar duas vezes, Irina começa a tirar várias fotos da paisagem da ponte. <br />
<br />
Pensando já ter tirado fotos o suficiente daquele local, Irina guarda seu celular e segue caminho, mas, ao olhar para frente, ver que tem uma outra pessoa, um tanto estranha por estar usando uma camisa manchada de tinta, que também tirando fotos do local. Ela então se dirige a pessoa. Ao chegar próximo ela fala empolgação: - Minha nossa!! Você é fotógrafo? Esse lugar é muito legal pra tirar fotos não é mesmo? Na verdade, praticamente toda essa cidade é ótima pra tirar fotos. Essa câmera é profissional ou semi-profissional? <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Se Arman já estava sendo indiscreto antes ao fotografar a garota que estava focada na ligação, não se preocupou em abaixar a câmera quando ela mesma começou a tirar fotos até lhe avistar. A morena de cabelos curtos andou na sua direção, e esperava captar algumas expressões diferentes. Mas não abaixou a câmera, encarando-a ainda pelo visor na altura do olhar até que ela se aproximou o suficiente para falar com ele.<br />
<br />
Baixou a câmera mais por instinto, mas não o suficiente para parar de tirar fotos se precisasse. Ela não pareceu incomodada por ter sido fotografada antes e a animação que ele tinha captado nas lentes ainda estava lá ao lhe lançar um monte de perguntas às quais ele não prestou muita atenção. Encarou-a de cima, piscando algumas vezes, a imagem dela um pouco colorida por causa das lentes coloridas de seus óculos.<br />
<br />
Demorou alguns longos minutos parado onde estava e encarando a jovem depois das perguntas em sequência para poder responder muito simples logo depois.<br />
<br />
- Hm. - foi a única coisa que saiu dos lábios dele, num tom de concordância, até levantar a câmera, olhando pelo visor de novo para tirar mais fotos, não só da garota diante de si, mas do cenário além dela também, mudando focos.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Irina começa a jogar várias perguntas pro rapaz, quase não dando espaço para que ele conseguisse responder. - Você deve ser um Pintor não é? Por isso está tirando fotos daqui? Essa cidade é realmente muito linda! Imagino que os pintores daqui gostam de uma ótima referência da cidade não é mesmo? - Irina gesticula muito, e fica dando voltas ao redor do Rapaz enquanto faz as perguntas. Enfim, ela para em frente ao rapaz, segura-o pelos ombros e pergunta: - Mas afinal de contas, qual o seu nome? Você tem algum ateliê? Você com certeza deve fazer umas paisagens muito lindas não é?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Mais uma vez, ela continuou lhe bombardeando com comentários e perguntas que ele não se importou em responder. Continuou testando a câmera com os ângulos diferentes para tentar tirar uma foto que lhe deixasse mais satisfeito, mas era difícil manter o foco na jovem que ficava dando voltas e voltas ao seu redor. Só parou de fotografar quando sentiu as mãos dela sobre seus ombros e baixou a câmera, de novo, olhando-a de cima.<br />
<br />
- Arman. - ele respondeu sobre o nome, em seguida negando com a cabeça sobre ter um ateliê. Não dava para considerar o quarto em sua casa um ateliê a despeito de toda a bagunça que tinha lá. - Não sei. - adicionou sobre as paisagens. - E você? É turista?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Irina simplesmente não percebe que o rapaz está sendo um tanto monossilábico com ela, e sendo assim a empolgação da garota continua a mesma, e continua a falar incansavelmente. Ao ter a resposta do nome do rapaz, Irina pega em uma das mãos de Arman e a balança freneticamente. - Prazer em lhe conhecer, meu nome é Irina! - Então Irina solta a mão de Arman e continua a falar. - Nossa fico surpresa por você não ter um Ateliê! Imagino que você seja tipo aquele pintores rips que curtem fazer as coisas ao ar livres às vezes, e depois gosta de fazer as coisas em casa e etc!! AHAHAHAHAHAH!!! Você parece um cara interessante Arman! - Irina dá um tapinha no ombro de Arman. E responde a pergunta feita por ela. - Pareço não é mesmo!? É por quê estou a alguns dias nessa cidade, então é meio que tudo muito novo e muito incrível para mim!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
Arman quase sentiu a câmera escorregar pelos dedos quando ela puxou uma de suas mãos para cumprimentar. Acabou levantando a câmera acima da cabeça da mulher como se precisasse proteger o objeto de uma criança que estivesse tentando alcançar a câmera no alto. Mas logo ela devolveu a apresentação e continuou tagarelando, soltando a sua mão, e pode segurar a câmera de novo para continuar tirando fotos. Ajustou a abertura da câmera para poder tirar fotos em movimento.<br />
<br />
- Hm. - só foi o que respondeu diante do excesso de informações que a menina tinha dito, e depois de algumas fotos a mais, com uma nova configuração da câmera, ficou mais satisfeito com os resultados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
<br />
O novo ano não estava sendo exatamente animador ou inspirador para Arman. Tinha mais trabalho para fazer, alguns problemas tinham surgido para Albert e queria poder ajudar, mas o rapaz não parecia disposto a se abrir tanto, especialmente depois do acidente recente. Não gostava de pensar na ideia de que o professor que mais lhe dava raiva estava começando a frequentar a sua casa esporadicamente com sua mãe. Mas diante de todos os pequenos acontecimentos que lhe deixavam um tanto irritado, queria só sentar debaixo de uma sombra, observar alguma coisa bonita, deixar de pensar nos problemas e ter alguma ideia interessante em que trabalhar.<br />
<br />
Foi com aquele pensamento que Arman seguiu para o centro da cidade, onde havia mais movimento, no lado antigo de Cerise com a câmera em mãos para tirar algumas fotos e ter algumas ideias interessantes em que trabalhar e até pintar alguma coisa. Só encontraria com Albert no fim do dia, então podia desperdiçar seu tempo até lá.<br />
<br />
Seguiu andando por uma das pontes que cruzavam o rio, usava calça de moletom preta, um par de sandálias surradas, uma camisa básica com manchas de tinta e um par de óculos de armação redonda - como sempre - com uma lente azul e outra vermelha. Observou as pessoas e as paisagens através das lentes, tirando algumas fotos de cidadãos bem distraídos em seus afazeres e só percebeu que estava tirando mais de uma foto da mesma pessoa porque a empolgação da mulher era quase contagiante. Acompanhou através da lente todos os passos de uma jovem de curtos cabelos castanhos, empolgada e tagarela, tirando várias fotos ao longo do caminho dela, sem ao menos perceber como poderia estar sendo um pouco indiscreto com uma câmera profissional apontada para a menina.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
<br />
Estava Irina se arrumando para mais um dia de “turismo” pela cidade, antes de suas aulas começarem. Seu celular estava carregando, em cima da sua cama, e então começa a vibrar, como se estive recebendo uma ligação. Para Irina isso é incomum, e ao checar seu celular, era uma chamada de seu avô paterno. O avô paterno de Irina, mesmo não sendo tão presente, sempre que possível entra em contato com sua neta, para falar sobre coisas aleatórias, alguns assuntos sobre filmes, e para saber de novidades sobre sua querida “do meio” neta.<br />
<br />
Para não ficar parada por muito tempo, Irina pega um fone de ouvido com microfone que tinha em seu quarto, para falar com seu avô enquanto anda. A conversa se prolongou por várias horas, enquanto Irina anda pela cidade. Ao falar sobre os últimos filmes de ação que tinha assistido, Irina se empolga. Começa a fazer poses de luta, e dá golpes no vento. Chegando próximo a ponte, ainda em ligação Irina se despede de seu avô: - Vou mandar as fotos dessa cidade maravilhosa cidade, e quando o senhor entrar de férias dessa chatice de empresa, você vir passar alguns dias comigo aqui. Hahahah!! - Ela encerra a ligação logo em seguida, retira o fones de ouvido e os guardo em seu bolso. De seu outro bolso, ela tira o celular, para verificar a bateria que já beirava os 50%. Sem pensar duas vezes, Irina começa a tirar várias fotos da paisagem da ponte. <br />
<br />
Pensando já ter tirado fotos o suficiente daquele local, Irina guarda seu celular e segue caminho, mas, ao olhar para frente, ver que tem uma outra pessoa, um tanto estranha por estar usando uma camisa manchada de tinta, que também tirando fotos do local. Ela então se dirige a pessoa. Ao chegar próximo ela fala empolgação: - Minha nossa!! Você é fotógrafo? Esse lugar é muito legal pra tirar fotos não é mesmo? Na verdade, praticamente toda essa cidade é ótima pra tirar fotos. Essa câmera é profissional ou semi-profissional? <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
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Se Arman já estava sendo indiscreto antes ao fotografar a garota que estava focada na ligação, não se preocupou em abaixar a câmera quando ela mesma começou a tirar fotos até lhe avistar. A morena de cabelos curtos andou na sua direção, e esperava captar algumas expressões diferentes. Mas não abaixou a câmera, encarando-a ainda pelo visor na altura do olhar até que ela se aproximou o suficiente para falar com ele.<br />
<br />
Baixou a câmera mais por instinto, mas não o suficiente para parar de tirar fotos se precisasse. Ela não pareceu incomodada por ter sido fotografada antes e a animação que ele tinha captado nas lentes ainda estava lá ao lhe lançar um monte de perguntas às quais ele não prestou muita atenção. Encarou-a de cima, piscando algumas vezes, a imagem dela um pouco colorida por causa das lentes coloridas de seus óculos.<br />
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Demorou alguns longos minutos parado onde estava e encarando a jovem depois das perguntas em sequência para poder responder muito simples logo depois.<br />
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- Hm. - foi a única coisa que saiu dos lábios dele, num tom de concordância, até levantar a câmera, olhando pelo visor de novo para tirar mais fotos, não só da garota diante de si, mas do cenário além dela também, mudando focos.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
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Irina começa a jogar várias perguntas pro rapaz, quase não dando espaço para que ele conseguisse responder. - Você deve ser um Pintor não é? Por isso está tirando fotos daqui? Essa cidade é realmente muito linda! Imagino que os pintores daqui gostam de uma ótima referência da cidade não é mesmo? - Irina gesticula muito, e fica dando voltas ao redor do Rapaz enquanto faz as perguntas. Enfim, ela para em frente ao rapaz, segura-o pelos ombros e pergunta: - Mas afinal de contas, qual o seu nome? Você tem algum ateliê? Você com certeza deve fazer umas paisagens muito lindas não é?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
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Mais uma vez, ela continuou lhe bombardeando com comentários e perguntas que ele não se importou em responder. Continuou testando a câmera com os ângulos diferentes para tentar tirar uma foto que lhe deixasse mais satisfeito, mas era difícil manter o foco na jovem que ficava dando voltas e voltas ao seu redor. Só parou de fotografar quando sentiu as mãos dela sobre seus ombros e baixou a câmera, de novo, olhando-a de cima.<br />
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- Arman. - ele respondeu sobre o nome, em seguida negando com a cabeça sobre ter um ateliê. Não dava para considerar o quarto em sua casa um ateliê a despeito de toda a bagunça que tinha lá. - Não sei. - adicionou sobre as paisagens. - E você? É turista?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Irina</span></div>
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Irina simplesmente não percebe que o rapaz está sendo um tanto monossilábico com ela, e sendo assim a empolgação da garota continua a mesma, e continua a falar incansavelmente. Ao ter a resposta do nome do rapaz, Irina pega em uma das mãos de Arman e a balança freneticamente. - Prazer em lhe conhecer, meu nome é Irina! - Então Irina solta a mão de Arman e continua a falar. - Nossa fico surpresa por você não ter um Ateliê! Imagino que você seja tipo aquele pintores rips que curtem fazer as coisas ao ar livres às vezes, e depois gosta de fazer as coisas em casa e etc!! AHAHAHAHAHAH!!! Você parece um cara interessante Arman! - Irina dá um tapinha no ombro de Arman. E responde a pergunta feita por ela. - Pareço não é mesmo!? É por quê estou a alguns dias nessa cidade, então é meio que tudo muito novo e muito incrível para mim!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Arman</span></div>
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Arman quase sentiu a câmera escorregar pelos dedos quando ela puxou uma de suas mãos para cumprimentar. Acabou levantando a câmera acima da cabeça da mulher como se precisasse proteger o objeto de uma criança que estivesse tentando alcançar a câmera no alto. Mas logo ela devolveu a apresentação e continuou tagarelando, soltando a sua mão, e pode segurar a câmera de novo para continuar tirando fotos. Ajustou a abertura da câmera para poder tirar fotos em movimento.<br />
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- Hm. - só foi o que respondeu diante do excesso de informações que a menina tinha dito, e depois de algumas fotos a mais, com uma nova configuração da câmera, ficou mais satisfeito com os resultados.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Babysitting [Emil]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=308</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 16:45:36 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=96">Aimée</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=308</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
<br />
A noite tinha sido lucrativa. Aimée tinha conseguido um bom cliente e aquilo significava que não tinha saído surrada, nem experimentado coisas esquisitas e extremas, e também tinha sido paga como deveria - já era comum encontrar clientes que não queriam lhe pagar o que tinha cobrado ou que eram violentos desnecessariamente -, por isso, desceu do carro alheio feliz, no centro de Cerise, sem se importar muito com o horário que já ia avançado na noite e com o tipo de pessoa que circulava naquela área.<br />
<br />
Ela usava as roupas extravagantes e minúsculas de sempre, com uma mini saia ajustada ao corpo de paetês, que só não brilhava mais do que seus brincos grandes e colar com um medalhão. O batom vermelho estava forte, por ter retocado antes de sair do carro, mas vendo de perto, dava para notar os borrões que ela mal tinha conseguido apagar depois do sexo. Usava apenas um top cropped que deixava parte da barriga à mostra e destacava o busto, também com um par de sandálias de salto, gladiadora, com as cordas amarrando em volta das canelas até o joelho.<br />
<br />
Depois de guardar o dinheiro na bolsinha pequena, seguiu pelo caminho já conhecido para voltar ao apartamento, mas foi obrigada a parar ao ver um trio um tanto barulhento e indiscreto no fim de uma das vielas que estava acostumada a atravessar. Já estava acostumada com aquele tipo de gente. Conhecia muita gente malandra e criminosa naquela parte de Cerise e se dava bem com a maioria deles, até porque ela e eles precisavam de favores às vezes, e uma mão sempre lava a outra... mas daqueles três em particular, ela não gostava. Eram do tipo covarde que só anda em grupo e gostam de bulinar os mais fracos e distraídos. Torceu o nariz, sem muita vontade de se aproximar, mas tinha que seguir para casa por aquele caminho mais rápido. Foi então que notou o tom de voz mais alta e percebeu que eles não estavam sozinhos exatamente... pensou duas vezes antes de se aproximar para conferir quem era a pobre vítima daquela vez.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
O dia tinha sido terrível. Emil tinha certeza que tudo que podia dar errado tinha dado nesse dia, estava esperando há alguns dias a estreia do filme O Espetacular Homem-Aranha 2 e um pouco mais para ter certeza que não iria encontrar o cinema cheio de gente, tinha se arrumado como sempre, uma camisa estampada e uma calça jeans escura, levaria um moletom dessa vez caso sentisse frio, e tudo começou ao sair de casa. Começando pelo táxi, esperou mais do que o necessário para que ele chegasse, não tinha coragem de perguntar o porque da demora já que estava quase atrasado para a sessão das 17 às 18 então apenas cumprimentou o motorista e foi, chegando no cinema já estava visualmente atrasado, por algum motivo ele parecia muito mais cheio que o de costume, olhou em volta e viu que outro filme tinha acabado de entrar em cartaz e provavelmente seria a resposta para a bagunça. Embora longa, a fila para pipoca não se comparava à fila de compra dos ingressos, deu um suspiro de alívio por ter comprado o ingresso adiantado, agora era só tirar do bolso e... Não o sentiu, o desespero tomou conta do garoto enquanto mexia em todos os bolsos que tinha na busca do ingresso, não podia acreditar que tinha esquecido de levar consigo algo tão importante, olhar para as filas de ingresso dava um desespero no pobre garoto, a vontade de desistir e ir outro dia era grande mas realmente estava querendo ver o filme de hoje, afinal, não sabia quando ia sair de cartaz, então com muito desgosto decidiu enfrentar a fila.<br />
<br />
Depois de muito tempo, barulho e sufoco, finalmente conseguiu comprar outro ingresso, com sorte a sessão era das 19 às 21, se ele se apressasse conseguiria chegar no dormitório antes do toque de recolher, respirando fundo e guardando o ingresso no bolso da calça, checando por precaução por algum buraco ou rasgo, foi enfrentar a fila para comprar pipoca e levar mais um balde promocional para si, não demorou tanto quanto para o ingresso, mas ainda assim foi uma boa espera.<br />
<br />
-Um... Com licença, poderia me dizer se ainda tem balde promocional do Homem-Aranha? - A resposta foi negativa, tinham acabado mais cedo, Emil ficou um pouco triste, mas pediu uma pipoca grande e refrigerante mesmo assim, pegou suas coisas e foi esperar a sua sessão começar, Pelo que via no celular iria demorar ainda uma meia hora, então procurou um canto para se sentar e esperar enquanto isso.<br />
<br />
Às 19:00 se dirigiu para sua sala, onde foi para sua respectiva cadeira, achava que sua má sorte de mais cedo tinha finalmente ido embora e poderia apenas aproveitar o filme em paz, não demorou muito e viu que a sessão também seria cheia, o que era algo inesperado já que a estreia tinha sido a um tempo considerável atrás, mas nada que poderia fazer contra, ainda acreditava que a sessão seria ótima e divertida, nada para se preocupar. Nada além de toda a bagunça que fizeram durante o filme, o gordinho não conseguiu escutar nada com todo o barulho e bagunça que estava acontecendo, as pessoas não se calavam durante o filme, o que fez a raiva borbulhar dentro de Emil, que vestiu o moletom com o capuz para tentar não prestar tanta atenção nelas, tentou apenas ignorar e ler os lábios dos atores enquanto isso, não ia deixar umas pessoas mal educadas arruinarem o resto do seu filme, depois de passar um tempo se concentrando as conversas alheias nem irritavam tanto, estava aprendendo a lidar com elas, finalmente o resto do seu dia seria bom.<br />
<br />
Ou foi o que achou, durante a metade do filme parecia ter algo de errado acontecendo com a tela, algumas partes do vídeo começaram a travar e escurecer e não foi muito até a tela ficar completamente escura, houveram todos os tipos de comentários, a maioria reclamações por parte das mesmas pessoas que estavam atrapalhando, apenas não dava para acreditar que tudo isso estava acontecendo em um dia, ''Quais as chances de tudo isso acontecer? Esse é um dos piores dias da minha vida, não tem como piorar''. As pessoas tiveram que sair da sala, onde tiveram uma ''conversa'', mais uma gritaria com o gerente, que disse que daria um jeito na situação, negociações a parte foi combinado uma sessão das 19 às 21 totalmente de graça, em que claramente o garoto não poderia participar, não iria arriscar perder o toque de recolher por nada, então apenas respirou bem fundo e saiu do cinema, já ligando para um novo táxi ir buscá-lo na porta.<br />
<br />
-Não é possível... Esqueço o ingresso, cinema lotado, barulho durante o filme, o filme é interrompido na metade, INTERROMPIDO! e ainda não vou poder ver a outra metade?! Que dia terrível! Não tem como isso piorar! - resmungou para si mesmo, colocando as mãos nos bolsos do moletom enquanto esperava o táxi do lado de fora, pela hora não tinha tanta gente assim do lado de fora mas estava bem iluminado e perto da entrada então nem se preocupou. O táxi não demorou muito a chegar, estacionou um pouco longe mas era só ir andando, o que Emil fez, mas por algum motivo estranho, a cada passo que dava o carro se afastava, o motorista estava com medo dele?, apressou os passos para ir conversar com o dono do carro mas foi recebido com uma ré e corrida pela vida do taxista, nessas horas Emil já tinha tirado o capuz e estava praticamente correndo atrás do táxi sem sequer se importar pelo caminho que estava indo, foi em vão, foi deixado parado olhando o carro se distanciar cada vez mais, não sabia em que rua tinha entrado e a esse ponto não tinha mais tanta iluminação ou sinal de vida, pensou na melhor opção do que fazer nessa rua deserta e apenas foi andando no caminho de volta na esperança de achar onde estava, com a escuridão e conhecimento nulo das ruas acabou dentro de uma viela muito assustadora, respirou fundo e continuou caminhando até ser chamado a atenção por vozes não conhecidas.<br />
<br />
- Ô Bolinha! - o mais alto e mais velho do trio falou, já se aproximando de Emil com um ar de intimidade, passando o braço sobre o ombro do mais novo - Me fala, ‘que que um pivete que nem tu tá fazendo por aqui essa hora hein? Perdeu caminho de casa? - riu entre dentes, fazendo um gesto com a mão para que os outros dois chegassem mais perto - O parça aqui perdeu o Táxi, pobrezinho - o tom de deboche na voz do sujeito era tão claro quanto à luz que vinha do poste.<br />
- Ow mano acho que ele não gosta muito de tu não viu? - disse o outro, de cabelos escuros e bagunçados, pela maneira que ele andava parecia já ter bebido algumas - E aqui estamos sendo tão legais com nosso novo amigo!<br />
<br />
Virou-se para a fonte da voz, não conhecia nenhum desses caras, de certeza seria assaltado, se antes pensava que não podia piorar, estava muito errado. O homem mais alto passou os braços sobre os ombros do mais novo, que sentiu um frio na espinha - Uh... Eu... Perdi meu t...taxi e... estava voltando para pegar outro... - Emil sentiu o rosto ferver de medo e vergonha pela situação em que ele se colocou, já estava irritado por mais cedo então não pode conter em franzir as sobrancelhas, recebendo um comentário sarcástico de outro do trio.<br />
<br />
-M... Me desculpem! Mas eu preciso ir... E...Está ficando tarde -  tentou se soltar do agarre alheio, definitivamente um dos piores dias que já teve.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
<br />
Aimée sabia que não era uma boa ideia confrontar os três, mas não podia deixar eles fazerem o que querem com qualquer um, ratos não sabem reagir a confronto, se aproximou dos quatro já procurando qualquer coisa que pudesse se defender fazendo questão de fazer barulho com o salto. - não sabia que os três patetas podiam fazer isso perto de casa, seu donos não disseram que não pode cagar na porta de casa!? - encarou os três estendendo a mão para o garoto mais novo.<br />
<br />
O mais alto se virou tentando ser imponente. - Ora! Ora! Ora! Uma puta caridosa, quem diria, gosta de dar para os moribundos e perdidos - tentando tirar piada da situação, mas não tirou a mão do garoto, o apertando um pouco e sacudindo o menor - Ele é só nosso amigo, não é Bolinha?! - olhando para o garoto ainda vemelho.<br />
<br />
- Ô tia, não se mete ta? Vai arrumar um cara para chupar - falou o de cabelo curto apontando para a própria virilha. - a não ser que a putinha aí queira isso aqui? - colocando a mão na suas partes.<br />
<br />
- humm! Isso parece interessante - aproxima-se do de cabelo escuro passando uma das mãos no cabelo dele enquanto com a outra passava na sua virilha do rapaz - gosta disso não é? - sussurrou no ouvido, logo após apertou o saco do mesmo com o máximo de força que tinha.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
<br />
Como um pedido divino, escutou o som de alguém se aproximando, mas não qualquer pessoa, pelo barulho uma pessoa de passos firmes e salto alto. Levantando o olhar para a entrada da viela, ficou surpreso em ver que uma moça linda de roupas curtas estava discutindo com os estranhos, que ainda não tinham largado o aperto no garoto. Escutando o próprio coração nos ouvidos, o garoto gordinho estava mais que tentado a segurar a mão feminina estendida à ele, mas o medo de qualquer reação por parte do que faria o deixou apenas encarando, com olhos arregalados e pupilas contraídas.<br />
<br />
O  trio pareceu conhecer a mulher diante deles, começando uma conversa sobre território, que foi estendida para insultos direcionados a mesma, o teor dos comentários fazia o sangue do garoto arder, degradar uma pessoa dessa maneira. Abriu a boca para responder algo mas sentiu todo o ar deixar o seu corpo, incapaz de fechar os lábios ao ver um dos caras se aproximar e com toda confiança tocar como queria na mulher. Sentiu a boca seca, mas ainda assim um gosto amargo no fundo na língua, nojo, sentia nojo pelo que estavam fazendo.<br />
<br />
Por outro lado, os avanços não pareceram incomodar a mais velha, pelo contrário, ela brevemente pareceu entrar na brincadeira, aproveitando uma abertura e colocando um dos caras de joelhos com a força de um aperto em áreas baixas. Com a comoção, o gordinho conseguiu se contorcer fora do agarro alheio - P- por favor... Não to-to-toquem na moça assim... - começando em um tom firme, o garoto foi abaixando até um suspiro quase inaudível, trocando olhares para todos os envolvidos, as mãos, antes travadas em punhos agora apertando a barra do moletom, sem nenhum uso. Se sentindo incrivelmente inútil de ter se metido nessa bagunça e não ter coragem para sair dela.<br />
<br />
<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
<br />
A Aimée, olhava para o garoto alheio ao horário e bairro, ele ficava parado ali não sabia o que tinha o garoto, mas mesmo assim o ajudou o grito de dor do marginal comessava a chamar atenção isso podia ser bom.<br />
<br />
- Tarado, Tarado! - a mulher gritava para não perecer que o trombadinha era a vítima.<br />
<br />
- Sua vadia do caralho! Você está pensando o que, porra?! - o mais alto gritou para a ruiva vindo na direção dela dando um muro na direção do rosto dela.<br />
<br />
O que estava sem fazer nada até o momento, com medo da situação ficar pior fugiu<br />
<br />
A ruiva sabia que assim que um deles caísse, os outros viriam em cima, pegou o spray de pimenta para jogar nos agressores, mas isso não impediu de levar o murro no rosto, porém diminuiu o impacto com o atordoamento do spray  - vem vamos sair daqui! - Pegou a mão do gordinho, puxando para sua direção, enquanto os outros agonizavam de dor.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
A situação estava piorando rápido, os gritos de agonia de um dos homens estava chamando atenção mas a mulher pareceu ter um plano, alertando a sua localização e tirando um spray de pimenta, ela não hesitou em usá-lo antes de levar um soco no rosto. Agarrando o garoto pela mão e o puxando.<br />
- D-Desculpa, senhorita! Seu rosto! –o garoto disse enquanto corria, com medo de olhar para trás – Eu acabei me perdendo...<br />
Quando estavam longe o suficiente, o moreno respirou fundo várias vezes para retomar o fôlego, seu hábito de vida sedentário não acostumado com essas situações. Com sua saúde respiratória recuperada, olhou para a mais velha, novamente se desculpando pela bagunça que causou, explicou toda a situação do táxi e como já deveria estar voltando para o internato.<br />
- A senhora devia ir num hospital e na delegacia denunciar esses caras... Mas primeiro um hospital ver se está tudo bem – preocupação estava praticamente tatuado na testa do garoto a esse ponto.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
<br />
A ruiva estava com muita adrenalina, com toda a situação. Isso seria ótimo para animar as coisas passou a mão no rosto onde não tinha tido nada já que a pancada foi amenizada pelo seu braço e da dor nos olhos do sujeito, talvez não possa trabalhar hoje pelo inchaço, mas tava tudo bem, tinha validou a aventura.<br />
<br />
- Ha, isso! Não foi nada tudo esta bem - continuou correndo de salto, segurando a mão do garoto. - Tudo bem, só vamos!!!!<br />
<br />
Quando estava longe, enquanto tomava o fôlego, escutava o mais novo falando tudo o que o tinha sofrido no dia, caminhava para um posto de combustível, ontem tinha uma loja de conveniência, que a ruiva já tinha passado antes, que podia confiar. <br />
<br />
A ruiva parou um pouco, para falar olhando o garoto que e quase da mesma altura da garota, a diferença tá no salto - Ha! Que fofinho. Não precisa se preocupar, isso não foi nada. Mais venha comigo, quando vc estiver bem eu vou esta bem! - sorriu para o garoto. estava começando a inchar o rosto da mais velha, mesmo assim voltou a nadar, pois estava bem próximo - Vamos para aquela conveniência?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
<br />
A noite tinha sido lucrativa. Aimée tinha conseguido um bom cliente e aquilo significava que não tinha saído surrada, nem experimentado coisas esquisitas e extremas, e também tinha sido paga como deveria - já era comum encontrar clientes que não queriam lhe pagar o que tinha cobrado ou que eram violentos desnecessariamente -, por isso, desceu do carro alheio feliz, no centro de Cerise, sem se importar muito com o horário que já ia avançado na noite e com o tipo de pessoa que circulava naquela área.<br />
<br />
Ela usava as roupas extravagantes e minúsculas de sempre, com uma mini saia ajustada ao corpo de paetês, que só não brilhava mais do que seus brincos grandes e colar com um medalhão. O batom vermelho estava forte, por ter retocado antes de sair do carro, mas vendo de perto, dava para notar os borrões que ela mal tinha conseguido apagar depois do sexo. Usava apenas um top cropped que deixava parte da barriga à mostra e destacava o busto, também com um par de sandálias de salto, gladiadora, com as cordas amarrando em volta das canelas até o joelho.<br />
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Depois de guardar o dinheiro na bolsinha pequena, seguiu pelo caminho já conhecido para voltar ao apartamento, mas foi obrigada a parar ao ver um trio um tanto barulhento e indiscreto no fim de uma das vielas que estava acostumada a atravessar. Já estava acostumada com aquele tipo de gente. Conhecia muita gente malandra e criminosa naquela parte de Cerise e se dava bem com a maioria deles, até porque ela e eles precisavam de favores às vezes, e uma mão sempre lava a outra... mas daqueles três em particular, ela não gostava. Eram do tipo covarde que só anda em grupo e gostam de bulinar os mais fracos e distraídos. Torceu o nariz, sem muita vontade de se aproximar, mas tinha que seguir para casa por aquele caminho mais rápido. Foi então que notou o tom de voz mais alta e percebeu que eles não estavam sozinhos exatamente... pensou duas vezes antes de se aproximar para conferir quem era a pobre vítima daquela vez.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
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O dia tinha sido terrível. Emil tinha certeza que tudo que podia dar errado tinha dado nesse dia, estava esperando há alguns dias a estreia do filme O Espetacular Homem-Aranha 2 e um pouco mais para ter certeza que não iria encontrar o cinema cheio de gente, tinha se arrumado como sempre, uma camisa estampada e uma calça jeans escura, levaria um moletom dessa vez caso sentisse frio, e tudo começou ao sair de casa. Começando pelo táxi, esperou mais do que o necessário para que ele chegasse, não tinha coragem de perguntar o porque da demora já que estava quase atrasado para a sessão das 17 às 18 então apenas cumprimentou o motorista e foi, chegando no cinema já estava visualmente atrasado, por algum motivo ele parecia muito mais cheio que o de costume, olhou em volta e viu que outro filme tinha acabado de entrar em cartaz e provavelmente seria a resposta para a bagunça. Embora longa, a fila para pipoca não se comparava à fila de compra dos ingressos, deu um suspiro de alívio por ter comprado o ingresso adiantado, agora era só tirar do bolso e... Não o sentiu, o desespero tomou conta do garoto enquanto mexia em todos os bolsos que tinha na busca do ingresso, não podia acreditar que tinha esquecido de levar consigo algo tão importante, olhar para as filas de ingresso dava um desespero no pobre garoto, a vontade de desistir e ir outro dia era grande mas realmente estava querendo ver o filme de hoje, afinal, não sabia quando ia sair de cartaz, então com muito desgosto decidiu enfrentar a fila.<br />
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Depois de muito tempo, barulho e sufoco, finalmente conseguiu comprar outro ingresso, com sorte a sessão era das 19 às 21, se ele se apressasse conseguiria chegar no dormitório antes do toque de recolher, respirando fundo e guardando o ingresso no bolso da calça, checando por precaução por algum buraco ou rasgo, foi enfrentar a fila para comprar pipoca e levar mais um balde promocional para si, não demorou tanto quanto para o ingresso, mas ainda assim foi uma boa espera.<br />
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-Um... Com licença, poderia me dizer se ainda tem balde promocional do Homem-Aranha? - A resposta foi negativa, tinham acabado mais cedo, Emil ficou um pouco triste, mas pediu uma pipoca grande e refrigerante mesmo assim, pegou suas coisas e foi esperar a sua sessão começar, Pelo que via no celular iria demorar ainda uma meia hora, então procurou um canto para se sentar e esperar enquanto isso.<br />
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Às 19:00 se dirigiu para sua sala, onde foi para sua respectiva cadeira, achava que sua má sorte de mais cedo tinha finalmente ido embora e poderia apenas aproveitar o filme em paz, não demorou muito e viu que a sessão também seria cheia, o que era algo inesperado já que a estreia tinha sido a um tempo considerável atrás, mas nada que poderia fazer contra, ainda acreditava que a sessão seria ótima e divertida, nada para se preocupar. Nada além de toda a bagunça que fizeram durante o filme, o gordinho não conseguiu escutar nada com todo o barulho e bagunça que estava acontecendo, as pessoas não se calavam durante o filme, o que fez a raiva borbulhar dentro de Emil, que vestiu o moletom com o capuz para tentar não prestar tanta atenção nelas, tentou apenas ignorar e ler os lábios dos atores enquanto isso, não ia deixar umas pessoas mal educadas arruinarem o resto do seu filme, depois de passar um tempo se concentrando as conversas alheias nem irritavam tanto, estava aprendendo a lidar com elas, finalmente o resto do seu dia seria bom.<br />
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Ou foi o que achou, durante a metade do filme parecia ter algo de errado acontecendo com a tela, algumas partes do vídeo começaram a travar e escurecer e não foi muito até a tela ficar completamente escura, houveram todos os tipos de comentários, a maioria reclamações por parte das mesmas pessoas que estavam atrapalhando, apenas não dava para acreditar que tudo isso estava acontecendo em um dia, ''Quais as chances de tudo isso acontecer? Esse é um dos piores dias da minha vida, não tem como piorar''. As pessoas tiveram que sair da sala, onde tiveram uma ''conversa'', mais uma gritaria com o gerente, que disse que daria um jeito na situação, negociações a parte foi combinado uma sessão das 19 às 21 totalmente de graça, em que claramente o garoto não poderia participar, não iria arriscar perder o toque de recolher por nada, então apenas respirou bem fundo e saiu do cinema, já ligando para um novo táxi ir buscá-lo na porta.<br />
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-Não é possível... Esqueço o ingresso, cinema lotado, barulho durante o filme, o filme é interrompido na metade, INTERROMPIDO! e ainda não vou poder ver a outra metade?! Que dia terrível! Não tem como isso piorar! - resmungou para si mesmo, colocando as mãos nos bolsos do moletom enquanto esperava o táxi do lado de fora, pela hora não tinha tanta gente assim do lado de fora mas estava bem iluminado e perto da entrada então nem se preocupou. O táxi não demorou muito a chegar, estacionou um pouco longe mas era só ir andando, o que Emil fez, mas por algum motivo estranho, a cada passo que dava o carro se afastava, o motorista estava com medo dele?, apressou os passos para ir conversar com o dono do carro mas foi recebido com uma ré e corrida pela vida do taxista, nessas horas Emil já tinha tirado o capuz e estava praticamente correndo atrás do táxi sem sequer se importar pelo caminho que estava indo, foi em vão, foi deixado parado olhando o carro se distanciar cada vez mais, não sabia em que rua tinha entrado e a esse ponto não tinha mais tanta iluminação ou sinal de vida, pensou na melhor opção do que fazer nessa rua deserta e apenas foi andando no caminho de volta na esperança de achar onde estava, com a escuridão e conhecimento nulo das ruas acabou dentro de uma viela muito assustadora, respirou fundo e continuou caminhando até ser chamado a atenção por vozes não conhecidas.<br />
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- Ô Bolinha! - o mais alto e mais velho do trio falou, já se aproximando de Emil com um ar de intimidade, passando o braço sobre o ombro do mais novo - Me fala, ‘que que um pivete que nem tu tá fazendo por aqui essa hora hein? Perdeu caminho de casa? - riu entre dentes, fazendo um gesto com a mão para que os outros dois chegassem mais perto - O parça aqui perdeu o Táxi, pobrezinho - o tom de deboche na voz do sujeito era tão claro quanto à luz que vinha do poste.<br />
- Ow mano acho que ele não gosta muito de tu não viu? - disse o outro, de cabelos escuros e bagunçados, pela maneira que ele andava parecia já ter bebido algumas - E aqui estamos sendo tão legais com nosso novo amigo!<br />
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Virou-se para a fonte da voz, não conhecia nenhum desses caras, de certeza seria assaltado, se antes pensava que não podia piorar, estava muito errado. O homem mais alto passou os braços sobre os ombros do mais novo, que sentiu um frio na espinha - Uh... Eu... Perdi meu t...taxi e... estava voltando para pegar outro... - Emil sentiu o rosto ferver de medo e vergonha pela situação em que ele se colocou, já estava irritado por mais cedo então não pode conter em franzir as sobrancelhas, recebendo um comentário sarcástico de outro do trio.<br />
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-M... Me desculpem! Mas eu preciso ir... E...Está ficando tarde -  tentou se soltar do agarre alheio, definitivamente um dos piores dias que já teve.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
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Aimée sabia que não era uma boa ideia confrontar os três, mas não podia deixar eles fazerem o que querem com qualquer um, ratos não sabem reagir a confronto, se aproximou dos quatro já procurando qualquer coisa que pudesse se defender fazendo questão de fazer barulho com o salto. - não sabia que os três patetas podiam fazer isso perto de casa, seu donos não disseram que não pode cagar na porta de casa!? - encarou os três estendendo a mão para o garoto mais novo.<br />
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O mais alto se virou tentando ser imponente. - Ora! Ora! Ora! Uma puta caridosa, quem diria, gosta de dar para os moribundos e perdidos - tentando tirar piada da situação, mas não tirou a mão do garoto, o apertando um pouco e sacudindo o menor - Ele é só nosso amigo, não é Bolinha?! - olhando para o garoto ainda vemelho.<br />
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- Ô tia, não se mete ta? Vai arrumar um cara para chupar - falou o de cabelo curto apontando para a própria virilha. - a não ser que a putinha aí queira isso aqui? - colocando a mão na suas partes.<br />
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- humm! Isso parece interessante - aproxima-se do de cabelo escuro passando uma das mãos no cabelo dele enquanto com a outra passava na sua virilha do rapaz - gosta disso não é? - sussurrou no ouvido, logo após apertou o saco do mesmo com o máximo de força que tinha.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
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Como um pedido divino, escutou o som de alguém se aproximando, mas não qualquer pessoa, pelo barulho uma pessoa de passos firmes e salto alto. Levantando o olhar para a entrada da viela, ficou surpreso em ver que uma moça linda de roupas curtas estava discutindo com os estranhos, que ainda não tinham largado o aperto no garoto. Escutando o próprio coração nos ouvidos, o garoto gordinho estava mais que tentado a segurar a mão feminina estendida à ele, mas o medo de qualquer reação por parte do que faria o deixou apenas encarando, com olhos arregalados e pupilas contraídas.<br />
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O  trio pareceu conhecer a mulher diante deles, começando uma conversa sobre território, que foi estendida para insultos direcionados a mesma, o teor dos comentários fazia o sangue do garoto arder, degradar uma pessoa dessa maneira. Abriu a boca para responder algo mas sentiu todo o ar deixar o seu corpo, incapaz de fechar os lábios ao ver um dos caras se aproximar e com toda confiança tocar como queria na mulher. Sentiu a boca seca, mas ainda assim um gosto amargo no fundo na língua, nojo, sentia nojo pelo que estavam fazendo.<br />
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Por outro lado, os avanços não pareceram incomodar a mais velha, pelo contrário, ela brevemente pareceu entrar na brincadeira, aproveitando uma abertura e colocando um dos caras de joelhos com a força de um aperto em áreas baixas. Com a comoção, o gordinho conseguiu se contorcer fora do agarro alheio - P- por favor... Não to-to-toquem na moça assim... - começando em um tom firme, o garoto foi abaixando até um suspiro quase inaudível, trocando olhares para todos os envolvidos, as mãos, antes travadas em punhos agora apertando a barra do moletom, sem nenhum uso. Se sentindo incrivelmente inútil de ter se metido nessa bagunça e não ter coragem para sair dela.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
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A Aimée, olhava para o garoto alheio ao horário e bairro, ele ficava parado ali não sabia o que tinha o garoto, mas mesmo assim o ajudou o grito de dor do marginal comessava a chamar atenção isso podia ser bom.<br />
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- Tarado, Tarado! - a mulher gritava para não perecer que o trombadinha era a vítima.<br />
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- Sua vadia do caralho! Você está pensando o que, porra?! - o mais alto gritou para a ruiva vindo na direção dela dando um muro na direção do rosto dela.<br />
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O que estava sem fazer nada até o momento, com medo da situação ficar pior fugiu<br />
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A ruiva sabia que assim que um deles caísse, os outros viriam em cima, pegou o spray de pimenta para jogar nos agressores, mas isso não impediu de levar o murro no rosto, porém diminuiu o impacto com o atordoamento do spray  - vem vamos sair daqui! - Pegou a mão do gordinho, puxando para sua direção, enquanto os outros agonizavam de dor.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Emil</span></div>
A situação estava piorando rápido, os gritos de agonia de um dos homens estava chamando atenção mas a mulher pareceu ter um plano, alertando a sua localização e tirando um spray de pimenta, ela não hesitou em usá-lo antes de levar um soco no rosto. Agarrando o garoto pela mão e o puxando.<br />
- D-Desculpa, senhorita! Seu rosto! –o garoto disse enquanto corria, com medo de olhar para trás – Eu acabei me perdendo...<br />
Quando estavam longe o suficiente, o moreno respirou fundo várias vezes para retomar o fôlego, seu hábito de vida sedentário não acostumado com essas situações. Com sua saúde respiratória recuperada, olhou para a mais velha, novamente se desculpando pela bagunça que causou, explicou toda a situação do táxi e como já deveria estar voltando para o internato.<br />
- A senhora devia ir num hospital e na delegacia denunciar esses caras... Mas primeiro um hospital ver se está tudo bem – preocupação estava praticamente tatuado na testa do garoto a esse ponto.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Aimée</span></div>
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A ruiva estava com muita adrenalina, com toda a situação. Isso seria ótimo para animar as coisas passou a mão no rosto onde não tinha tido nada já que a pancada foi amenizada pelo seu braço e da dor nos olhos do sujeito, talvez não possa trabalhar hoje pelo inchaço, mas tava tudo bem, tinha validou a aventura.<br />
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- Ha, isso! Não foi nada tudo esta bem - continuou correndo de salto, segurando a mão do garoto. - Tudo bem, só vamos!!!!<br />
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Quando estava longe, enquanto tomava o fôlego, escutava o mais novo falando tudo o que o tinha sofrido no dia, caminhava para um posto de combustível, ontem tinha uma loja de conveniência, que a ruiva já tinha passado antes, que podia confiar. <br />
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A ruiva parou um pouco, para falar olhando o garoto que e quase da mesma altura da garota, a diferença tá no salto - Ha! Que fofinho. Não precisa se preocupar, isso não foi nada. Mais venha comigo, quando vc estiver bem eu vou esta bem! - sorriu para o garoto. estava começando a inchar o rosto da mais velha, mesmo assim voltou a nadar, pois estava bem próximo - Vamos para aquela conveniência?]]></content:encoded>
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