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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - Cerise Baixa]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:41:26 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[No Limite da Ilegalidade [Lui; Diodoro]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=358</link>
			<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 14:20:15 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=24">Karen</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=358</guid>
			<description><![CDATA[Mesmo depois de ter passado tanto tempo parado na pequena cidade do interior, Karen ainda recebia pedidos para serviços esporádicos no continente. Desde o início da sua estadia em Cerise, ele não tinha deixado a Europa, e a quantidade de trabalhos era cada vez menor, o que não era de todo mal. Até gostava da tranquilidade de ficar muito tempo em um lugar sem se preocupar com algum tipo de retaliação ou pensar em quando deveria desaparecer de novo. Claro, gostava ainda mais da sensação de ter mais do que só um mesmo lugar para onde voltar e com os acontecimentos mais recentes que aquela estranha cidadezinha tinha lhe trazido, podia até se dar ao luxo de ter uma vida além do alerta constante resultado do trabalho.<br />
<br />
Era de certa forma estranho estar encarando o novo aparelho celular descartável para enviar alguma mensagem que não fosse relacionada a algum alvo, ou receber alguma informação também relevante de um cliente importante. Mas a estranheza não superava a sensação que podia talvez definir como confortável em ter, pela primeira vez em uma vida, alguém que lhe responderia sem cobrar a execução de algum serviço específico. Era uma sensação banal, tão banal que chegava a ser uma mudança agradável para o seu cotidiano.<br />
<br />
<span style="color: 778899;" class="mycode_color">"Estou voltando para a cidade. Posso encontrar você pela manhã."</span><br />
<br />
Ainda parecia uma mensagem de trabalho, para todos os efeitos, e tendo em vista o horário avançado na noite, ele não receberia uma resposta tão cedo, mas com certeza era uma das poucas vezes em que tinha se sentido na expectativa de uma resposta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Mesmo depois de ter passado tanto tempo parado na pequena cidade do interior, Karen ainda recebia pedidos para serviços esporádicos no continente. Desde o início da sua estadia em Cerise, ele não tinha deixado a Europa, e a quantidade de trabalhos era cada vez menor, o que não era de todo mal. Até gostava da tranquilidade de ficar muito tempo em um lugar sem se preocupar com algum tipo de retaliação ou pensar em quando deveria desaparecer de novo. Claro, gostava ainda mais da sensação de ter mais do que só um mesmo lugar para onde voltar e com os acontecimentos mais recentes que aquela estranha cidadezinha tinha lhe trazido, podia até se dar ao luxo de ter uma vida além do alerta constante resultado do trabalho.<br />
<br />
Era de certa forma estranho estar encarando o novo aparelho celular descartável para enviar alguma mensagem que não fosse relacionada a algum alvo, ou receber alguma informação também relevante de um cliente importante. Mas a estranheza não superava a sensação que podia talvez definir como confortável em ter, pela primeira vez em uma vida, alguém que lhe responderia sem cobrar a execução de algum serviço específico. Era uma sensação banal, tão banal que chegava a ser uma mudança agradável para o seu cotidiano.<br />
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<span style="color: 778899;" class="mycode_color">"Estou voltando para a cidade. Posso encontrar você pela manhã."</span><br />
<br />
Ainda parecia uma mensagem de trabalho, para todos os efeitos, e tendo em vista o horário avançado na noite, ele não receberia uma resposta tão cedo, mas com certeza era uma das poucas vezes em que tinha se sentido na expectativa de uma resposta.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Chave Mágica [Gustav, Leona, Talulah]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=317</link>
			<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 18:21:29 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=23">Jack</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=317</guid>
			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A chegada na cidade para atormentar a vida de Leona era só uma diversão para o seu real propósito das férias, ainda estava no início da jornada, podia se dar ao luxo de visitar inúmeros lugares diferentes e fazer umas investigações mais superficiais coletando dados. Do mesmo modo, voltar para Cerise era bom e tranquilo, além da cidade ter inúmeras pousadas e albergues em que podia se hospedar por ser um ponto turístico.<br />
<br />
Naquele dia, escolheu um hostel um pouco mais reservado especialmente pelos boatos que ouvia. Era no centro, mas na parte antiga da cidade, e mesmo que não entendesse muita coisa de arquitetura, dava para ver que o lugar já tinha sido uma casa e agora estava reformado com uns quartos adicionais. O relógio não marcava mais de 18h30 quando parou à entrada do hostel, buscando o balcão de informações. Usava uma camisa básica marrom, a cor da sorte daquele dia, calça jeans e sapatos também marrons. Ainda tinha uma jaqueta um pouco surrada por cima da roupa e trazia sempre a bolsa grande com seus poucos pertences pessoais, além do case para o violino gasto. No cós da calça, a arma de estimação.<br />
<br />
Esperava apenas se acomodar no quarto, deixar os pertences em algum lugar trancado e sair para comer alguma coisa e quem sabe irritar Leona na delegacia. Mas a sua pretensão inicial foi alterada quando tentou achar alguém na recepção, sem sucesso, para ter a atenção atraída para um grupo de pessoas que pareciam muito curiosas com algo que estava acontecendo num dos quartos. Não se importou em ser bem invasivo, andando até a fonte do murmurinho, para descobrir o que estava acontecendo e quem sabe conseguir reservar o seu quarto. A única coisa que ouviu ao chegar perto foi um "não podemos fazer isso!", que foi uma deixa bem conveniente para se intrometer.<br />
<br />
- Não podem fazer o que? - a sua voz foi o suficiente para chamar atenção das pessoas curiosas que lhe encararam com uma expressão de culpa que ele estava bem acostumado. - Boa noite, eu queria um quarto, mas a conversa aqui parece mais interessante. O que aconteceu?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
A cabeça doía muito, uma dor terrível, parecia ter levado um coice na cara, a ponto que sequer conseguia mover o próprio corpo. Não se lembrava exatamente de porque estava dolorido, mas era trivial, estava sempre arrumando confusão e saindo machucado, não seria nem a primeira e nem a última vez, mas tinha certeza que daquela vez tinha sido uma confusão “daquelas”. Queria conseguir mover a própria mão para massagear o rosto, mas sem sucesso ela não se movia, ou melhor, até conseguia senti-la, só não conseguia trazê-la até o próprio rosto. <br />
<br />
Abriu os olhos devagar, a enxaqueca comendo seu juízo um pouco, moveu o maxilar sentindo-o limitar-se a abrir, agora sabia onde tinha levado o coice. Passou o língua pela gengiva sentindo o gosto ferroso na boca, nada de mais. Porém, não podia dizer a mesma coisa da sua situação, conseguia mover os dedos, mas o braço todo estava bem preso, acorrentado à cama. Olhou em volta esperando achar o dono ou dona da festa, pra ter mais detalhes, mas tudo que via, era um quarto de lugar nenhum, com nenhuma pessoa. <br />
<br />
Certamente o nível de confusão daquele dia estava bem alto, pendeu a cabeça a frente, em um suspiro, então se deu conta da almofada no próprio colo, tentou mover-se dentro do que podia e escutou o som abafado de tilintar: -- ora, ora, quanta criatividade, isso aqui tá mais pra castigo do que pra uma festa. Bela merda nós metemos não é? - crispou os lábios em um riso, que lhe despertou dores e queimação por todo o rosto parcialmente inchado do lado esquerdo.<br />
<br />
Em tempo, outro som de chave chegou aos seus ouvidos, a porta estava sendo aberta, e logo uma mulher, segurando o que parecia forros de cama estava entrando no quarto, muito distraída, falando no telefone:<br />
<br />
-- Olá!<br />
<br />
-- AAAH-!! Meu deus! - o telefone caiu no chão, e dava pra ouvir que havia uma voz do outro lado da linha, mas isso não abalou o moreno:<br />
<br />
-- Não é nada do que parece…! -- Começou a tentar se explicar, mas antes que pudesse terminar a frase, a mulher correu para fora do quarto. Não demorou muito, surgiu mais um homem, aparentemente um dos responsáveis pelo lugar, que viu a cena e nem tentou esconder a surpresa:<br />
<br />
-- Puta merda!<br />
<br />
-- Admito, também fiquei surpreso, mais criatividade do que estou acostumado, mas se puder me ouvir um instante, sendo bem sério, a chave para minha liberdade, está debaixo dessa almofada.<br />
<br />
-- Não mesmo! -- o sujeito apontou para o moreno, como se o estivesse condenando pela brincadeira fora de hora: -- E ainda me perguntam porque eu não trabalho em motéis, olha o tipo de esquisitice com a qual a gente têm de lidar.<br />
<br />
Não demorou para mais dois funcionários se aproximarem para falar ao dono:<br />
<br />
-- Então o que fazemos? Chamamos a polícia?<br />
<br />
-- Não! Não podemos fazer isso…! -- e antes que o dono pudesse explicar seus motivos ao funcionário, o que faltava acontecer, era justamente um cliente aparecer, a porta ainda aberta do quarto, dava margem para a cena estranha do homem acorrentado a cama, então o homem se pôs no caminho, entre o loiro alto, e o quarto: -- Bem, estamos com um problema de logística, se nós der alguns minutos logo vamos atendê-lo, senhor. -- O homem apontou para um dos funcionários indicando que algum deles arrastasse o homem novo para fora dali.<br />
<br />
-- Eu não sabia que um homem nu acorrentado à cama podia ser chamado de problema de logística, essa é nova. -- O moreno comentou de dentro do cômodo, em tom audível para quem estava fora do quarto.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
As expressões de desconserto eram bem notáveis nos funcionários do hostel e era tão fácil ler aquelas pessoas que parecia um livro de criança. Nem precisava de mais informações para saber que alguma coisa muito errada estava acontecendo no quarto e devia envolver um dos hóspedes. Ao menos não era o tipo de tensão no rosto de algum homicídio, o que facilitava a sua ida e vinda sem ter que passar pela burocracia de ser um policial atuante num outro país.<br />
<br />
- Logística, não é? Quem sabe eu possa ajudar? Sou ótimo com logis- Jack não completou a sentença não porque tinha ouvido a voz que vinha do quarto lhe interrompendo, mas porque aquela voz lhe soava estranhamente familiar.<br />
<br />
Ele arqueou as sobrancelhas, deixando a pose de lado para andar e espreitar através do portal que dava para o quarto, a despeito dos funcionários tentarem lhe impedir.<br />
<br />
- Gustav?! - a surpresa no rosto do loiro era genuína. Não pelo fato de que o amigo de longa data estava preso à cama, aparentemente nu e com apenas uma almofada cobrindo as partes íntimas... mas pelo fato de que ele estava em Cerise. - O que é que você está fazendo aqui...?<br />
<br />
Jack não se importou de passar direto pelos funcionários do hotel, ignorando os comentários. Ainda estava com toda a bagagem em mãos, mas logo a surpresa que estava estampada no rosto deu lugar à uma expressão maliciosa e antes de se aproximar da cama para observar melhor a situação, deixou a bagagem no chão no meio do caminho.<br />
<br />
- Mas ora, ora. Eu não sabia que você tinha adquirido um fetiche novo, Gustav. O que andou fazendo pra acabar nesse estado? Kitty e Sista vão adorar saber das fofocas. - ele disse, com um sorriso convencido para se aproximar da cama e conferir o óbvio: a chave para soltar o amigo estava debaixo da almofada posicionada estrategicamente. Com toda a ousadia costumeira, ainda se aproximou para passar a mão discretamente pela perna dele, na direção da almofada.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
Claro que o moreno gostaria de tomar mais partido na conversa, mas sendo o objeto de estranheza da cena, restava assistir a conversa, e intervir com algum comentário cretino quando havia oportunidade. Não que pudesse rir com parte do rosto inchado e doendo, mas ao menos lhe distraia da ideia de que ninguém ainda tinha ido solta-lo ou estava minimamente preocupado com seu bem estar. Até então, nenhuma novidade, isso claro, até a voz masculina que questionava os funcionários se mostrar um belo loiro de lindo olhos claros. Que lhe cumprimentou com a intimidade que lhe conhecia, certamente devia conhecer, a sensação de familiaridade era real, mas estava sentindo mais coisas também lhe alcançando com aquela bela visão:<br />
<br />
-- Ah certamente se eu soubesse não estaria assim. -- Abriu as mãos e deu de ombros no que podia dentro daquela situação em que estava: -- Ou talvez realmente estivesse assim, mas não com o rosto tão dolorido, acho que a pancada ainda não é fetiche, mas todo o resto pode ser. -- Os funcionários desistiram de tentar compreender o que estava acontecendo, e o dono apenas guiou os outros funcionários para que ligasse para polícia, o louco preso era uma coisa, um louco preso e um solto era outra.<br />
<br />
Devolveu o sorriso quando o mais alto sorriu para si, e ainda bem que os funcionários tinham saído, podia ficar trocando conversa com o mais alto, cujo o nome estava quase vindo a seus lábios, talvez precisasse sentir os lábios dele para refrescar a memória, talvez. Sentiu os dedos deslizarem por sua pele exposta da coxa, e o gesto lhe fez sorrir maliciosamente, a ideia de já terem se atracado certamente lhe veio a mente, e aquilo lhe deixou mais aberto a responder na mesma altura:<br />
<br />
-- Eu sinceramente não lembro, mas duvido que seja melhor do que você pode fazer comigo agora. -- Devolveu a cantada com todo sorriso cafajeste que conseguia por em sua fala e expressão, e certamente agora a chave iria ficar um pouco mais dificil de tirar, visto que a argola da mesma estava circundando o pênis, que começava a demonstrar vivacidade naquela troca de palavras.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
As primeiras respostas de Gustav completamente opostas ao tipo de personalidade retraída e quieta com a qual estava acostumado fizeram com que Jack percebesse facilmente que, com quem quer que ele tivesse passado a noite, tinha deixado uma impressão ali. Mas já estava acostumado também ao fato de que depois de alguns instantes de conversa, ele começasse a ficar num tom mais neutro e pegar a sua personalidade, provavelmente. Era sempre divertido estar no mesmo ambiente com Gustav e Leona, onde o moreno não sabia em quem se espelhar, embora com Talulah ele sempre conseguisse voltar ao ponto zero - afinal, três personalidades fortes eram um problema.<br />
<br />
- Eu gostaria de saber mais sobre os fetiches que você adquiriu nessa madrugada então. - Jack respondeu, com o mesmo sorriso convencido de antes.<br />
<br />
Já estava estendendo a mão até próximo da almofada quando ouviu o outro responder mais diretamente sobre o que poderia fazer com ele. No mesmo instante, ele parou a mão. Se Gustav tinha absorvido uma personalidade fraca durante a noite, já devia estar se esvaindo. Jack certamente era uma pessoa que gostava de umas brincadeiras mais diretas de dar em cima dos outros, mas o que Gustav estava refletindo ainda não era ele - ou certamente não teria ouvido um comentário como aquele direcionado a outro homem.<br />
<br />
- Bom, nós dois sabemos o que eu posso fazer para lhe ajudar, Teddy. - Jack ainda jogou outro comentário ousado, mas não prosseguiu com o caminho da mão. Naquela proximidade e com a sua presença, as próximas respostas deviam denunciar um Gustav querendo se livrar logo das amarras, porque certamente era o que o próprio Jack iria querer naquele estado... especialmente antes que Talulah descobrisse e tivesse mais munição contra ele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
A premissa do outro lhe dar alguma diversão certamente lhe deu ânimo para deixar de lado momentaneamente a dor no rosto. Mantendo um olhar estreito e cínico na direção do mais alto, e sorriria mais, se um lado do rosto não estivesse parcialmente inchado ainda. Não se lembrava exatamente se tinha aprendido algum fetiche novo, mas tinha certeza que tinha muitos ali guardado, principalmente porque com a proximidade, o aroma de limpeza somado ao cheiro característico da marca barata de cigarro, lhe jogava numa sensação de pura nostalgia. Tinha quase certeza que já tinha dividido a cama com aquele sujeito, ou chegado perto o suficiente pra ter a sensação do cheiro da pele do loiro ao alcance do seu focinho:<br />
<br />
-- Não sei dizer se aprendi algum novo fetiche, mas posso afirmar que masoquismo não está entre eles. - virou o rosto dando ênfase ao machucado, mas de um jeito sacana, sem perder o riso nos lábios e o charme nas palavras: -- Eu tenho plena confiança que é capaz de me ajudar…! -- o nome não veio até seus lábios, mas sabia que estava lá em algum lugar, mas não deixou que ausência do nome do outro acabasse com seu humor, se as correntes não tinham feito isso, um leve esquecimento não o afetaria: -- A questão é por qual problema você quer começar a me ajudar. <br />
<br />
A cantada foi bem direta, e nem precisou fazer qualquer gesto ou indicativo, que não um sorriso plenamente safado, afinal toda aquela dinâmica e troca de palavras com duplos sentidos, já estavam lhe deixando suficientemente animado. Não que precisasse de muita coisa, era um sujeito de sangue quente, só precisava de uma fagulha pra fazer rodar um incêndio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A expressão de Gustav não mudou, certo, ainda podia estar refletindo a sua expressão de cafajeste em geral. Mas ainda não havia o pedido para se soltar nem qualquer indicativo de que aquele pedido viria tão logo. Jack era especialista em ler personalidades de um jeito que não dava para aprender em técnicas de criminalística, e o que estava vendo ali definitivamente não era a si mesmo - já tiver Gustav como seu reflexo inúmeras vezes para conseguir distinguir aquilo. E quando ele lançou o último comentário ousado, sobre por qual problema ajudar o outro, a sua reação foi quase imediata ao afastar a mão das pernas dele e franzir o cenho.<br />
<br />
- Por que é que ainda não está me copiando? - a pergunta foi em voz alta, mas Jack fez o questionamento mais para si mesmo do que para Gustav, encarando-o com a testa franzida em confusão. - Com quem é que você passou a noite, Teddy? Há quanto tempo está preso aqui?<br />
<br />
As experiências com aquela habilidade do amigo de longa data tinham determinado que pouquíssimas pessoas conseguiam afetá-lo por tanto tempo. Menos pessoas ainda podiam fazer com que ele mantivesse a personalidade perto de um dos amigos antigos. A não ser que algo em si mesmo ou na sua personalidade fosse de algum modo um gatilho para reforçar ainda mais os trejeitos da pessoa que ele tinha assimilado. A realização momentânea fez com que Jack se levantasse da cama como se tivesse levado um choque.<br />
<br />
- O que você quer que eu faça agora, Gustav? - a postura de Jack era de quem estava bem na defensiva daquela vez. Não podia ser alguém que lhe conhecia, ou ele teria lhe tratado com mais intimidade. Mas já era tempo suficiente para Gustav querer se soltar e voltar ao controle de si mesmo, se estivesse lhe copiando.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
A reação do loiro as suas provocações foi de quem estava gostando a completa estranheza, e por algum motivo, isso lhe divertiu ainda mais. Se os dois se conheciam de tempo, que tinha esse forte pressentimento mas não lembrava de onde, podia especular várias coisas, mas a primeira ideia que lhe veio foi a do típico hétero enrustido que curtia uns flex nas horas vagas. A ideia lhe divertiu e passou a língua sobre o canino de um jeito bastante predatório para quem estava acorrentado numa cama como material de abate:<br />
<br />
--Você poderia começar soltando meus braços, talvez porque eles estão presos que eu não posso fazer igual a você e passar a mão nas suas pernas. -- brincou em tom zombeteiro, sabendo que aquilo dificilmente convenceria o outro a soltá-lo, principalmente depois da reação abrupta que o outro teve:<br />
<br />
-- E eu adoraria lembrar se eu dormir com alguém ontem, mas eu só acho, que se eu estivesse preso nessa posição desde ontem, eu não estaria nada bem, possivelmente resfriado. -- passou a língua no lado inchado do rosto, sentindo a área incomoda: -- E esse machucado não é de muito tempo também, acordei com gosto de sangue na boca. -- abriu as mãos e deu de ombros, quase acostumado a posição com os braços abertos e o corpo praticamente todo nu exposto, com a exceção da almofada: -- Mas não se preocupe, estou cheio de energia,  o que você mandar eu aceito.<br />
<br />
De verdade não lembrava de ontem, ou antes de ontem, mas tinha quase certeza que não estava naquele hostel, e nem naquela posição, então tanto fazia. Estava mais interessado em saber quando seu aparente velho amigo lhe faria o favor de soltá-lo e quem sabe massagear as áreas doloridas.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A resposta sobre começar aquela conversa soltando os braços era finalmente o que Jack estava esperando, até ouvir o complemento de que só daquele jeito Gustav poderia lhe devolver a carícia nas pernas. E foi exatamente aquele tom, junto com aquele trejeito muito específico da língua passando pelo canino que fez com que um calafrio forte passasse pelo seu corpo, dos pés à cabeça, ao ponto de que era fácil até ver o tremor que tomou conta dos ombros do oficial. Não era a sua personalidade em Gustav e era uma personalidade muito forte para ainda estar resistindo tanto.<br />
<br />
- Isso aqui não vai dar certo. - ele comentou, de novo, mais para si mesmo do que para o outro. Já tinha notado alguns movimentos discretos na entrada do quarto, como se os funcionários passassem ali para espreitar curiosos se a situação tinha sido resolvida ou não, afinal, ele nem se importou de fechar a porta. Ao menos sabia que ele não estava preso há tanto tempo, então não devia ser uma personalidade mais preocupante. Sua presença podia muito bem ter reforçado algo naquela pessoa estranha e por isso não estava conseguindo se livrar.<br />
<br />
Seria mais fácil perguntar a algum dos funcionários da pousada com quem Gustav tinha chegado na noite anterior ou ao menos o horário em que tinha chegado. Mas fosse seu amigo de longa data ou não, era melhor tirá-lo dali de todo jeito. Claro que o mero movimento de se aproximar para fazer aquilo, com o comentário dele de "o que você mandar eu aceito" fizeram com que mais um calafrio incômodo perpassasse o seu corpo inteiro. Não estava gostando nada daquilo.<br />
<br />
- Certo, nada de comentários engraçados. Eu acho que você estava mesmo com outro cara que está tão interessado em "passar a mão em mim", então vamos precisar de uma ajuda extra pra colocar você de volta nos eixos, Teddy. - Jack disse, aproximando-se muito hesitante da almofada para espreitar por baixo dela e ao menos ter certeza de que pegaria a chave diretamente e não pioraria o estado do outro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
As reações do maior eram divertidas de se assistir, principalmente porque foi visível os ombros tensos, a forma como aquilo se desenvolvia, só dava mais margem para provocações, e quem sabe tirar mais algumas reações interessantes do loiro mais alto. Quando o outro falou claramente que aquilo “não daria certo”, teve de sorrir leviano, quase como se admitisse a culpa, mas em verdade, acreditava justamente no contrário, de que as coisas iriam dar muito certo, assim que estivesse mais livre e com mais opções.<br />
<br />
Além do fato de seu suposto velho amigo ser um homem lindo em todos os aspectos, suas reações exageradas aos seus comentários descarados, deixavam toda cena ainda mais divertida e excitante. E quanto mais ele negava, mas tinha vontade de ir lá, e mostrar que valia o esforço do maior em lhe soltar, mas segurou a língua, não podia dizer o mesmo de seu baixo frente, que seguia animado a despeito de estar com o rosto machucado e o corpo dolorido:<br />
<br />
-- Prometo ficar quietinho até você me soltar. -- até cruzou os dedos das mãos para enfatizar, mas também aquela frase queria dizer, que depois que estivesse solto, não iria necessariamente ficar “quietinho”.<br />
<br />
Assistiu com expectativa o loiro mais alto, levar a mão para o refúgio embaixo da almofada, e na posição que ele levantava a mesma, era difícil visualizar suas ações. Então restava apenas sentir os toques diretos em busca da chave, a argola em volta de seu membro, já não estava mais com tanta folga, o que indicava que se o outro queria pegar as mesmas, teria dificuldade em puxa-las de uma vez. Isso claro, considerando que ele não tinha intenção de machucar o moreno mais novo, ou então ele simplesmente pegaria as chaves pelo corpo e puxaria. Na condição de não machucar a área, seria necessário fazer a argola deslizar da base onde estava muito bem encaixada até o topo.<br />
<br />
O moreno mais novo respirou fundo, mas conteve qualquer ruído externo, atento a concentração do loiro em buscar o objeto com o mínimo de contato físico possível. Talvez por isso, e por ele ter desviado o olhar para ver o que estava fazendo. Aquilo tivesse aberto uma bela brecha. <br />
<br />
O moreno reclinou o corpo para frente no limite que as correntes lhe seguravam, mas perto o suficiente do loiro, para alcançar na altura do pescoço perto do ombro, e farejar a região sem de fato encostar no corpo do outro, mas tragando todo o cheiro que lhe lembrava cigarro e um perfume masculino comum. Sorriu com o canto dos lábios, mesmo que isso lhe despertasse pra dor do rosto inchado: -- Isso não configura “comentário engraçadinho”, certo?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
Jack devia ter prestado mais atenção no horóscopo matinal. Especialmente porque ele começava com "Amizades podem trazer apoio e felicidade hoje", só não sabia onde a felicidade estava em encontrar Gustav naquele estado com a chave tão inconvenientemente presa no pênis. E presa porque foi bem óbvio, ao perscrutar debaixo da almofada para achar a chave que estava numa argola convenientemente encaixada no membro do outro, e descobrir que os toques só facilitaram para que as reações fisiológicas de Gustav dificultassem a retirada do objeto.<br />
<br />
Jack ainda contorceu a expressão em desagrado, sem tirar exatamente a almofada de cima do membro numa semi-ereção, e segurando apenas pela chave para tentar tirá-la, o que não foi muito bem sucedido.<br />
<br />
- Você bem podia colaborar comigo, não é? Vai querer ficar preso aí o dia todo? - ele reclamou, concentrado demais em tirar a chave sem ter que acabar estimulando mais o outro, que mal percebeu a proximidade alheia até sentir o “farejar” perto da curva do seu pescoço, e mesmo que a pele dele não tivesse de fato encostado na sua, era como se um fantasma tivesse alisado sua pele diretamente.<br />
<br />
Mais uma vez, a reação de Jack foi quase pular para longe da cama, sentindo um arrepio perpassar todo o corpo e arrepiar todos os pelos do corpo e da nuca, levando uma mão para cobrir o pescoço quase como se um vampiro tivesse lhe mordido ali. E, claro, sem conseguir tirar a chave do lugar.<br />
<br />
- Okay, Teddy, já que você não vai ajudar, vamos fazer do jeito mais prático. - Jack arregaçou as mangas e embora isso pudesse dar alguma ideia errada a Gustav, ele não andou até a cama, ao contrário, andou até a porta do quarto para sair e fechar a porta atrás de si. Voltou alguns minutos depois, com um balde em mãos e um sorriso descarado de sempre no rosto. - Vamos ver se assim resolve.<br />
<br />
Sem nem pensar duas vezes ou dar tempo para que Gustav terminasse de assimilar a situação, tirou a almofada do caminho para jogar a água fria do balde da cabeça aos pés do moreno, sem se importar com a cama encharcada no processo.<br />
<br />
- Melhor assim, Teddy?!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
Embora estivesse amarrado a cama e supostamente na pior situação possível, estava se divertindo, não dava nem pra tentar esconder, afinal o moreno mais baixo, sustentava um sorriso leviano nos lábios finos, mesmo que estivesse com metade do rosto vermelho e parcialmente inchado da pancada que tinha levado. Todas as reações exageradas de seu velho amigo lhe divertiam, e deixou um riso escapar seguido de um “ouch” baixo, porque rir doía, mas não o suficiente para não querer rir de novo daquela situação.<br />
<br />
Assistiu o loiro se afastar drasticamente, de si, com aquela expressão exageradamente assustada, mas arqueou a sobrancelha diante da sentença clara de que o mais velho faria as coisas de um jeito “mais prático”. Não imaginava que ele fosse ceder a lhe soltar de um jeito amigável, então apenas esperou pra ver, afinal, não era como se tivesse muitas outras opções  estando acorrentado a cama como estava. <br />
<br />
Acompanhou com o olhar a saída, e nem teve tempo de sentir o corpo sentir a ausência do outro perto de si, ele estava de volta, e teve pouco tempo para assimilar a frase, com a ação, e num instante estava encharcado de água fria:<br />
<br />
--HAHAHAHAH! -- Desatou a rir e cuspiu um pouco de água sacudindo a cabeça com os fios molhados: -- Solução refrescante, sim, tenho de admitir. Melhor em alguns aspectos, pior em outros. -- abriu as mãos como se tivesse sido vencido: -- Vou cobrar que você me enxugue depois. -- Falou com tom de zombaria.<br />
<br />
Do lado e fora os funcionários assistiam perplexos o desenrolar da cena, uma das funcionárias provavelmente a que trocaria aquele forro e cama e colchão, observava desolada, enquanto a colega levava a mão ao ombro dizendo em tom audível: -- Não se preocupe, logo chega a polícia pra resolver isso.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
O tempo de Gustav assimilar o que tinha feito e do corpo dele reagir de imediato à água gelada era tudo que Jack precisava para rapidamente tirar a chave do lugar. O gesto foi tão rápido que só não ultrapassava a velocidade dele fugir de Talulah. Ele se adiantou para abrir apenas uma da algemas que prendiam Gustav à cama e deixou a chave na mão livre dele, para se afastar na direção da porta onde os funcionários estavam acumulados ainda para ver a cena.<br />
<br />
- Olá, querida, se importa de me trazer uma toalha, por favor? Prometo que não faremos mais bagunça. E aproveite e me arrume uma chave para outro quarto, pretendo ficar hospedado aqui por hoje, se as senhoritas não se importarem em me dar alguma assistência... - ele se inclinou na direção da dupla de mulheres que estava ali, jogando o seu sorriso com todo o charme galanteador e insinuante usual. Aproveitou o comentário dela sobre a polícia e tirou do bolso um distintivo muito específico que servia para a Europa toda e que seus amigos sequer desconfiavam que tinha. Ainda usou o corpo para esconder o gesto de Gustav que estava soltando a outra algema. - Não se preocupem com a polícia.<br />
<br />
Jack apenas esperou que as funcionárias saíssem às pressas para pegar o que ele tinha pedido e voltou para dentro do quarto, catando as roupas de Gustav para que ele pudesse se vestir.<br />
<br />
- Vamos só esperar a toalha e eu vou deixar minha bagagem em outro quarto. Nós vamos sair para um passeio, Teddy. Até tirar essa pessoa daí de dentro.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona/Gustav</span></div>
<br />
O moreno mais baixo, agora podia se ver livre das correntes, estava molhado mas não se importava nem um pouco, se livrou do restante das correntes, e usou parte do próprio lençol que não estava encharcado para tirar o excesso de água do rosto, aquele quarto estava uma bagunça. Mas não era totalmente culpa sua afinal, pegou as roupas que o seu amigo de longa data já tinha gentilmente pego e as vestiu sem muitas cerimônias. Mesmo que ainda estivesse em parte molhado, não ligava muito para aquilo, não estava frio o suficiente para ficar incomodado. Quando as atendentes do hostel voltaram com toalha e uma chave de outro quarto, o moreno mais baixo se aproximou de uma delas, pegando uma das toalhas e jogando sobre os cabelos encharcados:<br />
<br />
-- Obrigado, e desculpe a bagunça, não foi totalmente culpa minha, mas ainda assim foi culpa minha. -- sorriu charmoso para as mesmas, que mantiveram distância, não por acharem que o outro tinha sido mal educado, mas porque todo o cenário era estranho demais pra ignorar.<br />
<br />
O moreno mais baixo se aproximou do loiro mais alto, e nem tentou tapear, levou a mão na altura da nádega do outro, dando-lhe um breve tapa: -- Você me chama de “Teddy”, quer dizer que você dormia comigo? -- Jogou um ar de brincadeira notório, mas não deixou de encarar o mais alto, como quem buscasse entender sentido nas ações íntimas e ao mesmo tempo distantes do mais velho: -- Agradeço a ajuda, e a ideia de passeio me diverte, pra onde você pretende me levar, hun?<br />
<br />
Perguntou em tom debochado, notoriamente não levando tão a sério toda aquela situação, o moreno mesmo sendo mais baixo, primeiramente, nem se sentia intimidado pelo seu bom amigo, mesmo ele sendo alguns centímetros mais alto e com um porte físico bem definido em comparação com o mais baixo. E apesar da troca de brincadeiras, cantadas e invasões de espaço pessoal, havia uma autoconfiança ali, como se não houvesse nada que o loiro mais alto pudesse fazer que botasse medo no mais baixo.<br />
<br />
E antes que houvesse uma resposta, a sirene de polícia foi ouvida, seguida de comentários mais altos vindos da recepção do hostel, eles tinham realmente chamado a polícia e ela chegou em tempo hábil. Claro que para a loira, aquele horário não era dos melhores, e sempre que aparecia algum caso que se inclinava levemente a lidar com algum desequilibrado, seus colegas oficiais empurravam o serviço para ela, como era uma ocorrência pequena, saiu sem a companhia da oficial Riviere, mas a mesma estava avisada da saída para a possibilidade remota de precisar de algum reforço.<br />
<br />
E tal foi a surpresa de Leona ao dar de cara com Jack e Gustav, parcialmente molhado com uma linguagem corporal completamente estranha:<br />
<br />
-- Porque eu não estou surpresa de você está aqui ein? -- A loira comentou em direção a Jack, mas olhou para ele e em seguida para Gustav, como se perguntasse com o olhar se tinha algo errado com o amigo dos dois: -- E você? A quanto tempo nós não nos encontramos não é? Não esperava ver você na França.<br />
<br />
O moreno mais novo se virou na direção da nova voz, muito mais imponente e forte em relação a das atendentes do hostel, e tal foi sua surpresa ao se deparar com uma pessoa maravilhosa, o semblante arisco em contraste com a boa aparência lhe fez sorrir de imediato:<br />
<br />
-- Não sei se faz tanto tempo, mas eu certamente lembraria de já ter lhe visto. Acho curioso como todos vocês me conhecem, mas eu definitivamente não lembro de vocês, que tipo de festa e em qual nível de bêbado eu estava? -- Zombou, jogando uma cantada na direção da mulher, mesmo que ela fosse uma oficial, não tinha sequer senso de perigo aquela altura do campeonato.<br />
<br />
As reações de Gustav foram tão anormais, mas não tão anormais, que Leona teve de arquear a sobrancelha em uma expressão notória de confusão diante do comentário. É, certamente tinha algo muito errado acontecendo ali.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A proximidade de Gustav só foi mais incômoda porque além de Jack quase conseguir sentir que havia algo de muito errado no modo predador do amigo, sentiu o tapa nas nádegas e estremeceu em desconforto, dando um passo para o lado de Gustav.<br />
<br />
- Eu chamo todos os meus amigos por apelidos, mas você já devia saber disso, hm? - Jack respondeu, mantendo a distância. - Vamos logo com isso, pelo menos você não pode piorar. Não é para "onde", é para "quem" eu vou levá-lo.<br />
<br />
Jack fez todos os ajustes que precisava, se instalando em outro quarto para poderem sair do hostel e ir atrás de alguém que pudesse ajudar a tirar aquela personalidade de Gustav. Ainda manteve uma distância segura do outro e quando saíra do prédio, já ouviu a sirene da polícia. Jack suspirou, esperava evitar que alguém inconveniente da delegacia aparecesse para atrasar o seu trabalho, mas pelo visto, ainda era o seu dia de sorte. A pessoa que saiu da viatura era exatamente quem estava esperando e ele colocou um sorriso largo no rosto ao se aproximar da loira.<br />
<br />
- Kitty!! Que bom que foi logo você que atendeu ao chamado. Era você mesmo que eu precisava. - Jack cruzou o caminho direto até Leona e parecia mais desesperado para sair de perto de Gustav do que relutar em chegar perto da loira.<br />
<br />
Ele nem pediu licença para invadir o espaço pessoal dela, aproveitou a surpresa de Leona com a resposta de Gustav sobre não conhecê-los e abraçou a loira por trás, já preparado para algum tapa ou cotovelada em seguida. Mas o tempo da surpresa ainda lhe deu uns bons segundos para responder.<br />
<br />
- Viu? Não sei o que aconteceu com ele de noite, mas estou pensando que vai dar trabalho para consertar. - ele apontou na direção de Gustav, usando Leona como se fosse um bom escudo. Bom, se a pessoa com quem ele estava antes fosse gay, Leona deveria servir para amenizar a interação dos dois, e com a personalidade da loira, logo Gustav estaria absorvendo-a para minimizar o estrago.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona/Gustav</span></div>
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Todo aquele cenário era estranho, não somente porque Gustav parecia bastante alterado, a forma casual como ele inferiu que os três tinham se relacionado intimamente, e principalmente por Jack ter lhe usado de escudo contra o humor alterado do outro. Leona suspirou resignada, e deu uma cotovelada no loiro mais alto, ele era um adulto pra estar lhe usando como muro de proteção: -- Assim que eu pus os olhos nele, eu percebi que tinha algo errado, o que foi que você fez com ele?! -- Deu um passo a frente e se aproximou de Gustav mantendo as mãos na cintura o ar autoritário costumeiro enquanto encarava o amigo de longa data:<br />
<br />
-- Certo, sei que você deve ter tido uma noite ruim, mas já chega, se continuar com essa ousadia pro meu lado eu lhe prendo pra você acalmar os ânimos. -- a loira ameaçou, pondo seu tom de voz mais sério e direto. No entanto, diferente da reação que esperava do outro, a linguagem corporal dele não se alterou da forma que supunha, muito pelo contrário, se sua observação estivesse afinada, ele parecia animado com a aproximação e aquilo lhe fez arquear uma sobrancelha em resposta:<br />
<br />
-- Ah depende, você pode curtir esses fetiches de algemas, mas eu já tive minha dose de correntes por uma vida, mas se você quiser me pisar com esses saltos pontudos eu bem aceito. -- o moreno reduziu a distância, apenas para contemplar o fato de que a policial, carinhosamente chamada de Kitty ainda era mais alta que o próprio, e estava guiando a mão na altura da cintura da mulher, mas antes que encostasse nela, teve o pulso segurado com uma agilidade em que acompanhou com a visão mas o corpo não se moveu com velocidade o suficiente para se defender.<br />
<br />
Leona por puro reflexo segurou o pulso de Gustav e o girou, colocando a mão contra as costas do sujeito, e esperava que ele contorcesse a expressão em dor, mas o que conseguiu arrancar de Gustav foi apenas uma expressão de satisfação: -- Não faz isso senão eu apaixono! -- o moreno respondeu sem qualquer pudor diante dos fatos e sem nenhuma noção de perigo também.<br />
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Leona continuou segurando contra o chão e encarou Jack com uma expressão mais surpresa como se tivessem ali um problema maior do que os dois podiam resolver.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack sentiu a cotovelada forte e contorceu o rosto numa expressão de dor e desagrado, mas não era nada com que já não estivesse acostumado vindo da loira. Ao menos ela estava entre ele e Gustav, e se partisse do preceito que o outro estava muito assanhado porque podia ter assimilado uma personalidade de um homossexual, a personalidade forte de Leona deveria anulá-lo um pouco.<br />
<br />
E qual não foi a sua surpresa quando Leona se aproximou do outro e ele pareceu ficar ainda mais atiçado com a autoridade da loira, inclusive, dando umas respostas bem pontuais com flertes óbvios, a ponto até de ser jogado no chão e imobilizado, e ainda assim, gostar do que estava acontecendo. Jack até arqueou as sobrancelhas para a situação, notando também a expressão surpresa de Leona para a atitude de Gustav que não voltava ao normal. Ele não se aproximou mais, mas levou uma mão ao queixo, curioso com quem poderia ter deixado Gustav naquele estado tão impregnado e numa personalidade tão forte.<br />
<br />
- Ora, ora, agora as coisas estão ficando interessantes. - Jack comentou, começando a analisar o outro mais atentamente. - Eu achei que ele tinha sido impregnado por uma aura gay, por isso estava tão assanhado pra cima de mim, mas já vi que não é o caso. Você gosta tanto assim de ser pisado, Gustav? Quer que eu dê um jeito em você também?<br />
<br />
Já que não conseguia tirar a personalidade dele tão fácil, melhor descobrir mais sobre ele antes de escolher uma contra-medida. Abaixou-se perto dele, analisando-o mais de perto com um olhar bem focado.<br />
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- [Bom, ele com certeza não tem uma personalidade submissa, ou não teria tanta atitude e ousadia, mas se o que está reforçando a personalidade dele for a postura autoritária, vamos ter um problema pra tirar isso daí justo com nós dois] - Jack começou a falar, daquela vez, em alemão, porque sabia que seria o suficiente para que Leona entendesse. - [Mas pode ter algo a mais em comum entre nós dois que reforce isso. E o mais imediato com certeza é a aparência, ele reagiu quando me viu e reagiu quando lhe viu também. Se for isso, temos uma chance de tirar essa personalidade daí com a Talulah. Se for só autoridade que está o deixando incitado, aí só um quarto branco].<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona/Gustav</span></div>
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A loira manteve o braço do amigo bem preso contra as costas dele, e estava avaliando ali todos os trejeitos da fisionomia que Gustav estava assumindo, ele não estava se rendendo facilmente ao seu aperto, muito pelo contrário, ele estava forçando propositalmente, só para que tivesse aplicar mais força. E aquilo não era apenas um indício de quem queria sentir alguma dor, não dava pra simplificar em masoquismo, ele estava deliberando confrontando sua autoridade, para que tivesse de puni-lo. Leona estreitou o olhos e apenas esperou pra ver a reação do moreno mais baixo para as palavras de Jack.<br />
<br />
-- olhe, aura gay não é pra ser um insulto, e também quem é que não ia ficar assanhado pro seu lado meu amigo? Você se olha no espelho não é?-- o moreno mais novo riu, mesmo sentindo o lado do rosto arder e doer pelo inchaço recente, mas ainda deslizou a língua sobre o canino, e estreitou os olhos escuros: -- depende do jeito, já disse que eu não sou masoquista, mas se for por vocês dois, aí sim, aí eu aceito fácil uma seção de castigos. -- riu com o canto dos lábios, e embora estivesse no chão e imobilizado não estava fazendo nenhuma questão de esconder a ousadia em suas palavras.<br />
<br />
Leona absorveu cada palavra dita tanto por Jack quanto por Gustav, e prensou o outro com mais força contra o chão, arrancando um suspiro bem satisfeito do amigo de longa data alterado por sabe-se lá que. Puxou um par de algemas que tinha consigo, para de fato imobilizar o outro: -- Você está detido por atentado grave ao pudor e desacato a autoridade.<br />
<br />
A loira pôs um tom sério em sua fala e nem fez questão de encobrir a cara fechada diante dos fatos e depois encarou o loiro mais alto: [-- Não é só a questão de autoridade, ele está deliberadamente nos confrontando porque temo um tipo de aparência que apetece a ele, o comportamento dele demonstra traços de uma pessoa que tem algum tipo de relacionamento com uma pessoa loira, alta, bonita, andrógina e autoritária, e ele gosta de ser punido por essa pessoa, por isso a provoca como se fosse um jogo.] -- Leona comentou num alemão, levemente enferrujado de quem não organizava frases nesse idioma para falar a algum tempo: [ -- Nós só vamos piorar o quadro dele, porque devemos lembrar a pessoa com que ele se relaciona, e outra coisa, ele está pondo força que Gustav não têm, logo, muito provavelmente a pessoa com quem ele se encontrou que agrediu ele, é uma pessoa forte. O que é perigoso uma pessoa franzina como ele, achando que é um galo de briga e que pode provocar qualquer um sem ter qualquer consequência, ele precisa ser domesticado, e sim, se der errado, quarto branco].<br />
<br />
Concluiu a fala ainda segurando o outro, que a despeito de estar preso, não parecia tenso ou preocupado, e agora jogava piscadela para as funcionárias do hostel que olhavam a cena assustadas: -- vamos dar uma volta viatura, e você vem junto. -- Encarou Jack como se esperasse que ele a seguisse.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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A chegada na cidade para atormentar a vida de Leona era só uma diversão para o seu real propósito das férias, ainda estava no início da jornada, podia se dar ao luxo de visitar inúmeros lugares diferentes e fazer umas investigações mais superficiais coletando dados. Do mesmo modo, voltar para Cerise era bom e tranquilo, além da cidade ter inúmeras pousadas e albergues em que podia se hospedar por ser um ponto turístico.<br />
<br />
Naquele dia, escolheu um hostel um pouco mais reservado especialmente pelos boatos que ouvia. Era no centro, mas na parte antiga da cidade, e mesmo que não entendesse muita coisa de arquitetura, dava para ver que o lugar já tinha sido uma casa e agora estava reformado com uns quartos adicionais. O relógio não marcava mais de 18h30 quando parou à entrada do hostel, buscando o balcão de informações. Usava uma camisa básica marrom, a cor da sorte daquele dia, calça jeans e sapatos também marrons. Ainda tinha uma jaqueta um pouco surrada por cima da roupa e trazia sempre a bolsa grande com seus poucos pertences pessoais, além do case para o violino gasto. No cós da calça, a arma de estimação.<br />
<br />
Esperava apenas se acomodar no quarto, deixar os pertences em algum lugar trancado e sair para comer alguma coisa e quem sabe irritar Leona na delegacia. Mas a sua pretensão inicial foi alterada quando tentou achar alguém na recepção, sem sucesso, para ter a atenção atraída para um grupo de pessoas que pareciam muito curiosas com algo que estava acontecendo num dos quartos. Não se importou em ser bem invasivo, andando até a fonte do murmurinho, para descobrir o que estava acontecendo e quem sabe conseguir reservar o seu quarto. A única coisa que ouviu ao chegar perto foi um "não podemos fazer isso!", que foi uma deixa bem conveniente para se intrometer.<br />
<br />
- Não podem fazer o que? - a sua voz foi o suficiente para chamar atenção das pessoas curiosas que lhe encararam com uma expressão de culpa que ele estava bem acostumado. - Boa noite, eu queria um quarto, mas a conversa aqui parece mais interessante. O que aconteceu?<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
A cabeça doía muito, uma dor terrível, parecia ter levado um coice na cara, a ponto que sequer conseguia mover o próprio corpo. Não se lembrava exatamente de porque estava dolorido, mas era trivial, estava sempre arrumando confusão e saindo machucado, não seria nem a primeira e nem a última vez, mas tinha certeza que daquela vez tinha sido uma confusão “daquelas”. Queria conseguir mover a própria mão para massagear o rosto, mas sem sucesso ela não se movia, ou melhor, até conseguia senti-la, só não conseguia trazê-la até o próprio rosto. <br />
<br />
Abriu os olhos devagar, a enxaqueca comendo seu juízo um pouco, moveu o maxilar sentindo-o limitar-se a abrir, agora sabia onde tinha levado o coice. Passou o língua pela gengiva sentindo o gosto ferroso na boca, nada de mais. Porém, não podia dizer a mesma coisa da sua situação, conseguia mover os dedos, mas o braço todo estava bem preso, acorrentado à cama. Olhou em volta esperando achar o dono ou dona da festa, pra ter mais detalhes, mas tudo que via, era um quarto de lugar nenhum, com nenhuma pessoa. <br />
<br />
Certamente o nível de confusão daquele dia estava bem alto, pendeu a cabeça a frente, em um suspiro, então se deu conta da almofada no próprio colo, tentou mover-se dentro do que podia e escutou o som abafado de tilintar: -- ora, ora, quanta criatividade, isso aqui tá mais pra castigo do que pra uma festa. Bela merda nós metemos não é? - crispou os lábios em um riso, que lhe despertou dores e queimação por todo o rosto parcialmente inchado do lado esquerdo.<br />
<br />
Em tempo, outro som de chave chegou aos seus ouvidos, a porta estava sendo aberta, e logo uma mulher, segurando o que parecia forros de cama estava entrando no quarto, muito distraída, falando no telefone:<br />
<br />
-- Olá!<br />
<br />
-- AAAH-!! Meu deus! - o telefone caiu no chão, e dava pra ouvir que havia uma voz do outro lado da linha, mas isso não abalou o moreno:<br />
<br />
-- Não é nada do que parece…! -- Começou a tentar se explicar, mas antes que pudesse terminar a frase, a mulher correu para fora do quarto. Não demorou muito, surgiu mais um homem, aparentemente um dos responsáveis pelo lugar, que viu a cena e nem tentou esconder a surpresa:<br />
<br />
-- Puta merda!<br />
<br />
-- Admito, também fiquei surpreso, mais criatividade do que estou acostumado, mas se puder me ouvir um instante, sendo bem sério, a chave para minha liberdade, está debaixo dessa almofada.<br />
<br />
-- Não mesmo! -- o sujeito apontou para o moreno, como se o estivesse condenando pela brincadeira fora de hora: -- E ainda me perguntam porque eu não trabalho em motéis, olha o tipo de esquisitice com a qual a gente têm de lidar.<br />
<br />
Não demorou para mais dois funcionários se aproximarem para falar ao dono:<br />
<br />
-- Então o que fazemos? Chamamos a polícia?<br />
<br />
-- Não! Não podemos fazer isso…! -- e antes que o dono pudesse explicar seus motivos ao funcionário, o que faltava acontecer, era justamente um cliente aparecer, a porta ainda aberta do quarto, dava margem para a cena estranha do homem acorrentado a cama, então o homem se pôs no caminho, entre o loiro alto, e o quarto: -- Bem, estamos com um problema de logística, se nós der alguns minutos logo vamos atendê-lo, senhor. -- O homem apontou para um dos funcionários indicando que algum deles arrastasse o homem novo para fora dali.<br />
<br />
-- Eu não sabia que um homem nu acorrentado à cama podia ser chamado de problema de logística, essa é nova. -- O moreno comentou de dentro do cômodo, em tom audível para quem estava fora do quarto.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
As expressões de desconserto eram bem notáveis nos funcionários do hostel e era tão fácil ler aquelas pessoas que parecia um livro de criança. Nem precisava de mais informações para saber que alguma coisa muito errada estava acontecendo no quarto e devia envolver um dos hóspedes. Ao menos não era o tipo de tensão no rosto de algum homicídio, o que facilitava a sua ida e vinda sem ter que passar pela burocracia de ser um policial atuante num outro país.<br />
<br />
- Logística, não é? Quem sabe eu possa ajudar? Sou ótimo com logis- Jack não completou a sentença não porque tinha ouvido a voz que vinha do quarto lhe interrompendo, mas porque aquela voz lhe soava estranhamente familiar.<br />
<br />
Ele arqueou as sobrancelhas, deixando a pose de lado para andar e espreitar através do portal que dava para o quarto, a despeito dos funcionários tentarem lhe impedir.<br />
<br />
- Gustav?! - a surpresa no rosto do loiro era genuína. Não pelo fato de que o amigo de longa data estava preso à cama, aparentemente nu e com apenas uma almofada cobrindo as partes íntimas... mas pelo fato de que ele estava em Cerise. - O que é que você está fazendo aqui...?<br />
<br />
Jack não se importou de passar direto pelos funcionários do hotel, ignorando os comentários. Ainda estava com toda a bagagem em mãos, mas logo a surpresa que estava estampada no rosto deu lugar à uma expressão maliciosa e antes de se aproximar da cama para observar melhor a situação, deixou a bagagem no chão no meio do caminho.<br />
<br />
- Mas ora, ora. Eu não sabia que você tinha adquirido um fetiche novo, Gustav. O que andou fazendo pra acabar nesse estado? Kitty e Sista vão adorar saber das fofocas. - ele disse, com um sorriso convencido para se aproximar da cama e conferir o óbvio: a chave para soltar o amigo estava debaixo da almofada posicionada estrategicamente. Com toda a ousadia costumeira, ainda se aproximou para passar a mão discretamente pela perna dele, na direção da almofada.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
Claro que o moreno gostaria de tomar mais partido na conversa, mas sendo o objeto de estranheza da cena, restava assistir a conversa, e intervir com algum comentário cretino quando havia oportunidade. Não que pudesse rir com parte do rosto inchado e doendo, mas ao menos lhe distraia da ideia de que ninguém ainda tinha ido solta-lo ou estava minimamente preocupado com seu bem estar. Até então, nenhuma novidade, isso claro, até a voz masculina que questionava os funcionários se mostrar um belo loiro de lindo olhos claros. Que lhe cumprimentou com a intimidade que lhe conhecia, certamente devia conhecer, a sensação de familiaridade era real, mas estava sentindo mais coisas também lhe alcançando com aquela bela visão:<br />
<br />
-- Ah certamente se eu soubesse não estaria assim. -- Abriu as mãos e deu de ombros no que podia dentro daquela situação em que estava: -- Ou talvez realmente estivesse assim, mas não com o rosto tão dolorido, acho que a pancada ainda não é fetiche, mas todo o resto pode ser. -- Os funcionários desistiram de tentar compreender o que estava acontecendo, e o dono apenas guiou os outros funcionários para que ligasse para polícia, o louco preso era uma coisa, um louco preso e um solto era outra.<br />
<br />
Devolveu o sorriso quando o mais alto sorriu para si, e ainda bem que os funcionários tinham saído, podia ficar trocando conversa com o mais alto, cujo o nome estava quase vindo a seus lábios, talvez precisasse sentir os lábios dele para refrescar a memória, talvez. Sentiu os dedos deslizarem por sua pele exposta da coxa, e o gesto lhe fez sorrir maliciosamente, a ideia de já terem se atracado certamente lhe veio a mente, e aquilo lhe deixou mais aberto a responder na mesma altura:<br />
<br />
-- Eu sinceramente não lembro, mas duvido que seja melhor do que você pode fazer comigo agora. -- Devolveu a cantada com todo sorriso cafajeste que conseguia por em sua fala e expressão, e certamente agora a chave iria ficar um pouco mais dificil de tirar, visto que a argola da mesma estava circundando o pênis, que começava a demonstrar vivacidade naquela troca de palavras.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
As primeiras respostas de Gustav completamente opostas ao tipo de personalidade retraída e quieta com a qual estava acostumado fizeram com que Jack percebesse facilmente que, com quem quer que ele tivesse passado a noite, tinha deixado uma impressão ali. Mas já estava acostumado também ao fato de que depois de alguns instantes de conversa, ele começasse a ficar num tom mais neutro e pegar a sua personalidade, provavelmente. Era sempre divertido estar no mesmo ambiente com Gustav e Leona, onde o moreno não sabia em quem se espelhar, embora com Talulah ele sempre conseguisse voltar ao ponto zero - afinal, três personalidades fortes eram um problema.<br />
<br />
- Eu gostaria de saber mais sobre os fetiches que você adquiriu nessa madrugada então. - Jack respondeu, com o mesmo sorriso convencido de antes.<br />
<br />
Já estava estendendo a mão até próximo da almofada quando ouviu o outro responder mais diretamente sobre o que poderia fazer com ele. No mesmo instante, ele parou a mão. Se Gustav tinha absorvido uma personalidade fraca durante a noite, já devia estar se esvaindo. Jack certamente era uma pessoa que gostava de umas brincadeiras mais diretas de dar em cima dos outros, mas o que Gustav estava refletindo ainda não era ele - ou certamente não teria ouvido um comentário como aquele direcionado a outro homem.<br />
<br />
- Bom, nós dois sabemos o que eu posso fazer para lhe ajudar, Teddy. - Jack ainda jogou outro comentário ousado, mas não prosseguiu com o caminho da mão. Naquela proximidade e com a sua presença, as próximas respostas deviam denunciar um Gustav querendo se livrar logo das amarras, porque certamente era o que o próprio Jack iria querer naquele estado... especialmente antes que Talulah descobrisse e tivesse mais munição contra ele.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
A premissa do outro lhe dar alguma diversão certamente lhe deu ânimo para deixar de lado momentaneamente a dor no rosto. Mantendo um olhar estreito e cínico na direção do mais alto, e sorriria mais, se um lado do rosto não estivesse parcialmente inchado ainda. Não se lembrava exatamente se tinha aprendido algum fetiche novo, mas tinha certeza que tinha muitos ali guardado, principalmente porque com a proximidade, o aroma de limpeza somado ao cheiro característico da marca barata de cigarro, lhe jogava numa sensação de pura nostalgia. Tinha quase certeza que já tinha dividido a cama com aquele sujeito, ou chegado perto o suficiente pra ter a sensação do cheiro da pele do loiro ao alcance do seu focinho:<br />
<br />
-- Não sei dizer se aprendi algum novo fetiche, mas posso afirmar que masoquismo não está entre eles. - virou o rosto dando ênfase ao machucado, mas de um jeito sacana, sem perder o riso nos lábios e o charme nas palavras: -- Eu tenho plena confiança que é capaz de me ajudar…! -- o nome não veio até seus lábios, mas sabia que estava lá em algum lugar, mas não deixou que ausência do nome do outro acabasse com seu humor, se as correntes não tinham feito isso, um leve esquecimento não o afetaria: -- A questão é por qual problema você quer começar a me ajudar. <br />
<br />
A cantada foi bem direta, e nem precisou fazer qualquer gesto ou indicativo, que não um sorriso plenamente safado, afinal toda aquela dinâmica e troca de palavras com duplos sentidos, já estavam lhe deixando suficientemente animado. Não que precisasse de muita coisa, era um sujeito de sangue quente, só precisava de uma fagulha pra fazer rodar um incêndio.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
A expressão de Gustav não mudou, certo, ainda podia estar refletindo a sua expressão de cafajeste em geral. Mas ainda não havia o pedido para se soltar nem qualquer indicativo de que aquele pedido viria tão logo. Jack era especialista em ler personalidades de um jeito que não dava para aprender em técnicas de criminalística, e o que estava vendo ali definitivamente não era a si mesmo - já tiver Gustav como seu reflexo inúmeras vezes para conseguir distinguir aquilo. E quando ele lançou o último comentário ousado, sobre por qual problema ajudar o outro, a sua reação foi quase imediata ao afastar a mão das pernas dele e franzir o cenho.<br />
<br />
- Por que é que ainda não está me copiando? - a pergunta foi em voz alta, mas Jack fez o questionamento mais para si mesmo do que para Gustav, encarando-o com a testa franzida em confusão. - Com quem é que você passou a noite, Teddy? Há quanto tempo está preso aqui?<br />
<br />
As experiências com aquela habilidade do amigo de longa data tinham determinado que pouquíssimas pessoas conseguiam afetá-lo por tanto tempo. Menos pessoas ainda podiam fazer com que ele mantivesse a personalidade perto de um dos amigos antigos. A não ser que algo em si mesmo ou na sua personalidade fosse de algum modo um gatilho para reforçar ainda mais os trejeitos da pessoa que ele tinha assimilado. A realização momentânea fez com que Jack se levantasse da cama como se tivesse levado um choque.<br />
<br />
- O que você quer que eu faça agora, Gustav? - a postura de Jack era de quem estava bem na defensiva daquela vez. Não podia ser alguém que lhe conhecia, ou ele teria lhe tratado com mais intimidade. Mas já era tempo suficiente para Gustav querer se soltar e voltar ao controle de si mesmo, se estivesse lhe copiando.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
<br />
A reação do loiro as suas provocações foi de quem estava gostando a completa estranheza, e por algum motivo, isso lhe divertiu ainda mais. Se os dois se conheciam de tempo, que tinha esse forte pressentimento mas não lembrava de onde, podia especular várias coisas, mas a primeira ideia que lhe veio foi a do típico hétero enrustido que curtia uns flex nas horas vagas. A ideia lhe divertiu e passou a língua sobre o canino de um jeito bastante predatório para quem estava acorrentado numa cama como material de abate:<br />
<br />
--Você poderia começar soltando meus braços, talvez porque eles estão presos que eu não posso fazer igual a você e passar a mão nas suas pernas. -- brincou em tom zombeteiro, sabendo que aquilo dificilmente convenceria o outro a soltá-lo, principalmente depois da reação abrupta que o outro teve:<br />
<br />
-- E eu adoraria lembrar se eu dormir com alguém ontem, mas eu só acho, que se eu estivesse preso nessa posição desde ontem, eu não estaria nada bem, possivelmente resfriado. -- passou a língua no lado inchado do rosto, sentindo a área incomoda: -- E esse machucado não é de muito tempo também, acordei com gosto de sangue na boca. -- abriu as mãos e deu de ombros, quase acostumado a posição com os braços abertos e o corpo praticamente todo nu exposto, com a exceção da almofada: -- Mas não se preocupe, estou cheio de energia,  o que você mandar eu aceito.<br />
<br />
De verdade não lembrava de ontem, ou antes de ontem, mas tinha quase certeza que não estava naquele hostel, e nem naquela posição, então tanto fazia. Estava mais interessado em saber quando seu aparente velho amigo lhe faria o favor de soltá-lo e quem sabe massagear as áreas doloridas.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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A resposta sobre começar aquela conversa soltando os braços era finalmente o que Jack estava esperando, até ouvir o complemento de que só daquele jeito Gustav poderia lhe devolver a carícia nas pernas. E foi exatamente aquele tom, junto com aquele trejeito muito específico da língua passando pelo canino que fez com que um calafrio forte passasse pelo seu corpo, dos pés à cabeça, ao ponto de que era fácil até ver o tremor que tomou conta dos ombros do oficial. Não era a sua personalidade em Gustav e era uma personalidade muito forte para ainda estar resistindo tanto.<br />
<br />
- Isso aqui não vai dar certo. - ele comentou, de novo, mais para si mesmo do que para o outro. Já tinha notado alguns movimentos discretos na entrada do quarto, como se os funcionários passassem ali para espreitar curiosos se a situação tinha sido resolvida ou não, afinal, ele nem se importou de fechar a porta. Ao menos sabia que ele não estava preso há tanto tempo, então não devia ser uma personalidade mais preocupante. Sua presença podia muito bem ter reforçado algo naquela pessoa estranha e por isso não estava conseguindo se livrar.<br />
<br />
Seria mais fácil perguntar a algum dos funcionários da pousada com quem Gustav tinha chegado na noite anterior ou ao menos o horário em que tinha chegado. Mas fosse seu amigo de longa data ou não, era melhor tirá-lo dali de todo jeito. Claro que o mero movimento de se aproximar para fazer aquilo, com o comentário dele de "o que você mandar eu aceito" fizeram com que mais um calafrio incômodo perpassasse o seu corpo inteiro. Não estava gostando nada daquilo.<br />
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- Certo, nada de comentários engraçados. Eu acho que você estava mesmo com outro cara que está tão interessado em "passar a mão em mim", então vamos precisar de uma ajuda extra pra colocar você de volta nos eixos, Teddy. - Jack disse, aproximando-se muito hesitante da almofada para espreitar por baixo dela e ao menos ter certeza de que pegaria a chave diretamente e não pioraria o estado do outro.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
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As reações do maior eram divertidas de se assistir, principalmente porque foi visível os ombros tensos, a forma como aquilo se desenvolvia, só dava mais margem para provocações, e quem sabe tirar mais algumas reações interessantes do loiro mais alto. Quando o outro falou claramente que aquilo “não daria certo”, teve de sorrir leviano, quase como se admitisse a culpa, mas em verdade, acreditava justamente no contrário, de que as coisas iriam dar muito certo, assim que estivesse mais livre e com mais opções.<br />
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Além do fato de seu suposto velho amigo ser um homem lindo em todos os aspectos, suas reações exageradas aos seus comentários descarados, deixavam toda cena ainda mais divertida e excitante. E quanto mais ele negava, mas tinha vontade de ir lá, e mostrar que valia o esforço do maior em lhe soltar, mas segurou a língua, não podia dizer o mesmo de seu baixo frente, que seguia animado a despeito de estar com o rosto machucado e o corpo dolorido:<br />
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-- Prometo ficar quietinho até você me soltar. -- até cruzou os dedos das mãos para enfatizar, mas também aquela frase queria dizer, que depois que estivesse solto, não iria necessariamente ficar “quietinho”.<br />
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Assistiu com expectativa o loiro mais alto, levar a mão para o refúgio embaixo da almofada, e na posição que ele levantava a mesma, era difícil visualizar suas ações. Então restava apenas sentir os toques diretos em busca da chave, a argola em volta de seu membro, já não estava mais com tanta folga, o que indicava que se o outro queria pegar as mesmas, teria dificuldade em puxa-las de uma vez. Isso claro, considerando que ele não tinha intenção de machucar o moreno mais novo, ou então ele simplesmente pegaria as chaves pelo corpo e puxaria. Na condição de não machucar a área, seria necessário fazer a argola deslizar da base onde estava muito bem encaixada até o topo.<br />
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O moreno mais novo respirou fundo, mas conteve qualquer ruído externo, atento a concentração do loiro em buscar o objeto com o mínimo de contato físico possível. Talvez por isso, e por ele ter desviado o olhar para ver o que estava fazendo. Aquilo tivesse aberto uma bela brecha. <br />
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O moreno reclinou o corpo para frente no limite que as correntes lhe seguravam, mas perto o suficiente do loiro, para alcançar na altura do pescoço perto do ombro, e farejar a região sem de fato encostar no corpo do outro, mas tragando todo o cheiro que lhe lembrava cigarro e um perfume masculino comum. Sorriu com o canto dos lábios, mesmo que isso lhe despertasse pra dor do rosto inchado: -- Isso não configura “comentário engraçadinho”, certo?<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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Jack devia ter prestado mais atenção no horóscopo matinal. Especialmente porque ele começava com "Amizades podem trazer apoio e felicidade hoje", só não sabia onde a felicidade estava em encontrar Gustav naquele estado com a chave tão inconvenientemente presa no pênis. E presa porque foi bem óbvio, ao perscrutar debaixo da almofada para achar a chave que estava numa argola convenientemente encaixada no membro do outro, e descobrir que os toques só facilitaram para que as reações fisiológicas de Gustav dificultassem a retirada do objeto.<br />
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Jack ainda contorceu a expressão em desagrado, sem tirar exatamente a almofada de cima do membro numa semi-ereção, e segurando apenas pela chave para tentar tirá-la, o que não foi muito bem sucedido.<br />
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- Você bem podia colaborar comigo, não é? Vai querer ficar preso aí o dia todo? - ele reclamou, concentrado demais em tirar a chave sem ter que acabar estimulando mais o outro, que mal percebeu a proximidade alheia até sentir o “farejar” perto da curva do seu pescoço, e mesmo que a pele dele não tivesse de fato encostado na sua, era como se um fantasma tivesse alisado sua pele diretamente.<br />
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Mais uma vez, a reação de Jack foi quase pular para longe da cama, sentindo um arrepio perpassar todo o corpo e arrepiar todos os pelos do corpo e da nuca, levando uma mão para cobrir o pescoço quase como se um vampiro tivesse lhe mordido ali. E, claro, sem conseguir tirar a chave do lugar.<br />
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- Okay, Teddy, já que você não vai ajudar, vamos fazer do jeito mais prático. - Jack arregaçou as mangas e embora isso pudesse dar alguma ideia errada a Gustav, ele não andou até a cama, ao contrário, andou até a porta do quarto para sair e fechar a porta atrás de si. Voltou alguns minutos depois, com um balde em mãos e um sorriso descarado de sempre no rosto. - Vamos ver se assim resolve.<br />
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Sem nem pensar duas vezes ou dar tempo para que Gustav terminasse de assimilar a situação, tirou a almofada do caminho para jogar a água fria do balde da cabeça aos pés do moreno, sem se importar com a cama encharcada no processo.<br />
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- Melhor assim, Teddy?!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Gustav</span></div>
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Embora estivesse amarrado a cama e supostamente na pior situação possível, estava se divertindo, não dava nem pra tentar esconder, afinal o moreno mais baixo, sustentava um sorriso leviano nos lábios finos, mesmo que estivesse com metade do rosto vermelho e parcialmente inchado da pancada que tinha levado. Todas as reações exageradas de seu velho amigo lhe divertiam, e deixou um riso escapar seguido de um “ouch” baixo, porque rir doía, mas não o suficiente para não querer rir de novo daquela situação.<br />
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Assistiu o loiro se afastar drasticamente, de si, com aquela expressão exageradamente assustada, mas arqueou a sobrancelha diante da sentença clara de que o mais velho faria as coisas de um jeito “mais prático”. Não imaginava que ele fosse ceder a lhe soltar de um jeito amigável, então apenas esperou pra ver, afinal, não era como se tivesse muitas outras opções  estando acorrentado a cama como estava. <br />
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Acompanhou com o olhar a saída, e nem teve tempo de sentir o corpo sentir a ausência do outro perto de si, ele estava de volta, e teve pouco tempo para assimilar a frase, com a ação, e num instante estava encharcado de água fria:<br />
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--HAHAHAHAH! -- Desatou a rir e cuspiu um pouco de água sacudindo a cabeça com os fios molhados: -- Solução refrescante, sim, tenho de admitir. Melhor em alguns aspectos, pior em outros. -- abriu as mãos como se tivesse sido vencido: -- Vou cobrar que você me enxugue depois. -- Falou com tom de zombaria.<br />
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Do lado e fora os funcionários assistiam perplexos o desenrolar da cena, uma das funcionárias provavelmente a que trocaria aquele forro e cama e colchão, observava desolada, enquanto a colega levava a mão ao ombro dizendo em tom audível: -- Não se preocupe, logo chega a polícia pra resolver isso.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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O tempo de Gustav assimilar o que tinha feito e do corpo dele reagir de imediato à água gelada era tudo que Jack precisava para rapidamente tirar a chave do lugar. O gesto foi tão rápido que só não ultrapassava a velocidade dele fugir de Talulah. Ele se adiantou para abrir apenas uma da algemas que prendiam Gustav à cama e deixou a chave na mão livre dele, para se afastar na direção da porta onde os funcionários estavam acumulados ainda para ver a cena.<br />
<br />
- Olá, querida, se importa de me trazer uma toalha, por favor? Prometo que não faremos mais bagunça. E aproveite e me arrume uma chave para outro quarto, pretendo ficar hospedado aqui por hoje, se as senhoritas não se importarem em me dar alguma assistência... - ele se inclinou na direção da dupla de mulheres que estava ali, jogando o seu sorriso com todo o charme galanteador e insinuante usual. Aproveitou o comentário dela sobre a polícia e tirou do bolso um distintivo muito específico que servia para a Europa toda e que seus amigos sequer desconfiavam que tinha. Ainda usou o corpo para esconder o gesto de Gustav que estava soltando a outra algema. - Não se preocupem com a polícia.<br />
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Jack apenas esperou que as funcionárias saíssem às pressas para pegar o que ele tinha pedido e voltou para dentro do quarto, catando as roupas de Gustav para que ele pudesse se vestir.<br />
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- Vamos só esperar a toalha e eu vou deixar minha bagagem em outro quarto. Nós vamos sair para um passeio, Teddy. Até tirar essa pessoa daí de dentro.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona/Gustav</span></div>
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O moreno mais baixo, agora podia se ver livre das correntes, estava molhado mas não se importava nem um pouco, se livrou do restante das correntes, e usou parte do próprio lençol que não estava encharcado para tirar o excesso de água do rosto, aquele quarto estava uma bagunça. Mas não era totalmente culpa sua afinal, pegou as roupas que o seu amigo de longa data já tinha gentilmente pego e as vestiu sem muitas cerimônias. Mesmo que ainda estivesse em parte molhado, não ligava muito para aquilo, não estava frio o suficiente para ficar incomodado. Quando as atendentes do hostel voltaram com toalha e uma chave de outro quarto, o moreno mais baixo se aproximou de uma delas, pegando uma das toalhas e jogando sobre os cabelos encharcados:<br />
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-- Obrigado, e desculpe a bagunça, não foi totalmente culpa minha, mas ainda assim foi culpa minha. -- sorriu charmoso para as mesmas, que mantiveram distância, não por acharem que o outro tinha sido mal educado, mas porque todo o cenário era estranho demais pra ignorar.<br />
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O moreno mais baixo se aproximou do loiro mais alto, e nem tentou tapear, levou a mão na altura da nádega do outro, dando-lhe um breve tapa: -- Você me chama de “Teddy”, quer dizer que você dormia comigo? -- Jogou um ar de brincadeira notório, mas não deixou de encarar o mais alto, como quem buscasse entender sentido nas ações íntimas e ao mesmo tempo distantes do mais velho: -- Agradeço a ajuda, e a ideia de passeio me diverte, pra onde você pretende me levar, hun?<br />
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Perguntou em tom debochado, notoriamente não levando tão a sério toda aquela situação, o moreno mesmo sendo mais baixo, primeiramente, nem se sentia intimidado pelo seu bom amigo, mesmo ele sendo alguns centímetros mais alto e com um porte físico bem definido em comparação com o mais baixo. E apesar da troca de brincadeiras, cantadas e invasões de espaço pessoal, havia uma autoconfiança ali, como se não houvesse nada que o loiro mais alto pudesse fazer que botasse medo no mais baixo.<br />
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E antes que houvesse uma resposta, a sirene de polícia foi ouvida, seguida de comentários mais altos vindos da recepção do hostel, eles tinham realmente chamado a polícia e ela chegou em tempo hábil. Claro que para a loira, aquele horário não era dos melhores, e sempre que aparecia algum caso que se inclinava levemente a lidar com algum desequilibrado, seus colegas oficiais empurravam o serviço para ela, como era uma ocorrência pequena, saiu sem a companhia da oficial Riviere, mas a mesma estava avisada da saída para a possibilidade remota de precisar de algum reforço.<br />
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E tal foi a surpresa de Leona ao dar de cara com Jack e Gustav, parcialmente molhado com uma linguagem corporal completamente estranha:<br />
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-- Porque eu não estou surpresa de você está aqui ein? -- A loira comentou em direção a Jack, mas olhou para ele e em seguida para Gustav, como se perguntasse com o olhar se tinha algo errado com o amigo dos dois: -- E você? A quanto tempo nós não nos encontramos não é? Não esperava ver você na França.<br />
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O moreno mais novo se virou na direção da nova voz, muito mais imponente e forte em relação a das atendentes do hostel, e tal foi sua surpresa ao se deparar com uma pessoa maravilhosa, o semblante arisco em contraste com a boa aparência lhe fez sorrir de imediato:<br />
<br />
-- Não sei se faz tanto tempo, mas eu certamente lembraria de já ter lhe visto. Acho curioso como todos vocês me conhecem, mas eu definitivamente não lembro de vocês, que tipo de festa e em qual nível de bêbado eu estava? -- Zombou, jogando uma cantada na direção da mulher, mesmo que ela fosse uma oficial, não tinha sequer senso de perigo aquela altura do campeonato.<br />
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As reações de Gustav foram tão anormais, mas não tão anormais, que Leona teve de arquear a sobrancelha em uma expressão notória de confusão diante do comentário. É, certamente tinha algo muito errado acontecendo ali.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
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A proximidade de Gustav só foi mais incômoda porque além de Jack quase conseguir sentir que havia algo de muito errado no modo predador do amigo, sentiu o tapa nas nádegas e estremeceu em desconforto, dando um passo para o lado de Gustav.<br />
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- Eu chamo todos os meus amigos por apelidos, mas você já devia saber disso, hm? - Jack respondeu, mantendo a distância. - Vamos logo com isso, pelo menos você não pode piorar. Não é para "onde", é para "quem" eu vou levá-lo.<br />
<br />
Jack fez todos os ajustes que precisava, se instalando em outro quarto para poderem sair do hostel e ir atrás de alguém que pudesse ajudar a tirar aquela personalidade de Gustav. Ainda manteve uma distância segura do outro e quando saíra do prédio, já ouviu a sirene da polícia. Jack suspirou, esperava evitar que alguém inconveniente da delegacia aparecesse para atrasar o seu trabalho, mas pelo visto, ainda era o seu dia de sorte. A pessoa que saiu da viatura era exatamente quem estava esperando e ele colocou um sorriso largo no rosto ao se aproximar da loira.<br />
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- Kitty!! Que bom que foi logo você que atendeu ao chamado. Era você mesmo que eu precisava. - Jack cruzou o caminho direto até Leona e parecia mais desesperado para sair de perto de Gustav do que relutar em chegar perto da loira.<br />
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Ele nem pediu licença para invadir o espaço pessoal dela, aproveitou a surpresa de Leona com a resposta de Gustav sobre não conhecê-los e abraçou a loira por trás, já preparado para algum tapa ou cotovelada em seguida. Mas o tempo da surpresa ainda lhe deu uns bons segundos para responder.<br />
<br />
- Viu? Não sei o que aconteceu com ele de noite, mas estou pensando que vai dar trabalho para consertar. - ele apontou na direção de Gustav, usando Leona como se fosse um bom escudo. Bom, se a pessoa com quem ele estava antes fosse gay, Leona deveria servir para amenizar a interação dos dois, e com a personalidade da loira, logo Gustav estaria absorvendo-a para minimizar o estrago.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona/Gustav</span></div>
<br />
Todo aquele cenário era estranho, não somente porque Gustav parecia bastante alterado, a forma casual como ele inferiu que os três tinham se relacionado intimamente, e principalmente por Jack ter lhe usado de escudo contra o humor alterado do outro. Leona suspirou resignada, e deu uma cotovelada no loiro mais alto, ele era um adulto pra estar lhe usando como muro de proteção: -- Assim que eu pus os olhos nele, eu percebi que tinha algo errado, o que foi que você fez com ele?! -- Deu um passo a frente e se aproximou de Gustav mantendo as mãos na cintura o ar autoritário costumeiro enquanto encarava o amigo de longa data:<br />
<br />
-- Certo, sei que você deve ter tido uma noite ruim, mas já chega, se continuar com essa ousadia pro meu lado eu lhe prendo pra você acalmar os ânimos. -- a loira ameaçou, pondo seu tom de voz mais sério e direto. No entanto, diferente da reação que esperava do outro, a linguagem corporal dele não se alterou da forma que supunha, muito pelo contrário, se sua observação estivesse afinada, ele parecia animado com a aproximação e aquilo lhe fez arquear uma sobrancelha em resposta:<br />
<br />
-- Ah depende, você pode curtir esses fetiches de algemas, mas eu já tive minha dose de correntes por uma vida, mas se você quiser me pisar com esses saltos pontudos eu bem aceito. -- o moreno reduziu a distância, apenas para contemplar o fato de que a policial, carinhosamente chamada de Kitty ainda era mais alta que o próprio, e estava guiando a mão na altura da cintura da mulher, mas antes que encostasse nela, teve o pulso segurado com uma agilidade em que acompanhou com a visão mas o corpo não se moveu com velocidade o suficiente para se defender.<br />
<br />
Leona por puro reflexo segurou o pulso de Gustav e o girou, colocando a mão contra as costas do sujeito, e esperava que ele contorcesse a expressão em dor, mas o que conseguiu arrancar de Gustav foi apenas uma expressão de satisfação: -- Não faz isso senão eu apaixono! -- o moreno respondeu sem qualquer pudor diante dos fatos e sem nenhuma noção de perigo também.<br />
<br />
Leona continuou segurando contra o chão e encarou Jack com uma expressão mais surpresa como se tivessem ali um problema maior do que os dois podiam resolver.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Jack</span></div>
<br />
Jack sentiu a cotovelada forte e contorceu o rosto numa expressão de dor e desagrado, mas não era nada com que já não estivesse acostumado vindo da loira. Ao menos ela estava entre ele e Gustav, e se partisse do preceito que o outro estava muito assanhado porque podia ter assimilado uma personalidade de um homossexual, a personalidade forte de Leona deveria anulá-lo um pouco.<br />
<br />
E qual não foi a sua surpresa quando Leona se aproximou do outro e ele pareceu ficar ainda mais atiçado com a autoridade da loira, inclusive, dando umas respostas bem pontuais com flertes óbvios, a ponto até de ser jogado no chão e imobilizado, e ainda assim, gostar do que estava acontecendo. Jack até arqueou as sobrancelhas para a situação, notando também a expressão surpresa de Leona para a atitude de Gustav que não voltava ao normal. Ele não se aproximou mais, mas levou uma mão ao queixo, curioso com quem poderia ter deixado Gustav naquele estado tão impregnado e numa personalidade tão forte.<br />
<br />
- Ora, ora, agora as coisas estão ficando interessantes. - Jack comentou, começando a analisar o outro mais atentamente. - Eu achei que ele tinha sido impregnado por uma aura gay, por isso estava tão assanhado pra cima de mim, mas já vi que não é o caso. Você gosta tanto assim de ser pisado, Gustav? Quer que eu dê um jeito em você também?<br />
<br />
Já que não conseguia tirar a personalidade dele tão fácil, melhor descobrir mais sobre ele antes de escolher uma contra-medida. Abaixou-se perto dele, analisando-o mais de perto com um olhar bem focado.<br />
<br />
- [Bom, ele com certeza não tem uma personalidade submissa, ou não teria tanta atitude e ousadia, mas se o que está reforçando a personalidade dele for a postura autoritária, vamos ter um problema pra tirar isso daí justo com nós dois] - Jack começou a falar, daquela vez, em alemão, porque sabia que seria o suficiente para que Leona entendesse. - [Mas pode ter algo a mais em comum entre nós dois que reforce isso. E o mais imediato com certeza é a aparência, ele reagiu quando me viu e reagiu quando lhe viu também. Se for isso, temos uma chance de tirar essa personalidade daí com a Talulah. Se for só autoridade que está o deixando incitado, aí só um quarto branco].<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Leona/Gustav</span></div>
<br />
A loira manteve o braço do amigo bem preso contra as costas dele, e estava avaliando ali todos os trejeitos da fisionomia que Gustav estava assumindo, ele não estava se rendendo facilmente ao seu aperto, muito pelo contrário, ele estava forçando propositalmente, só para que tivesse aplicar mais força. E aquilo não era apenas um indício de quem queria sentir alguma dor, não dava pra simplificar em masoquismo, ele estava deliberando confrontando sua autoridade, para que tivesse de puni-lo. Leona estreitou o olhos e apenas esperou pra ver a reação do moreno mais baixo para as palavras de Jack.<br />
<br />
-- olhe, aura gay não é pra ser um insulto, e também quem é que não ia ficar assanhado pro seu lado meu amigo? Você se olha no espelho não é?-- o moreno mais novo riu, mesmo sentindo o lado do rosto arder e doer pelo inchaço recente, mas ainda deslizou a língua sobre o canino, e estreitou os olhos escuros: -- depende do jeito, já disse que eu não sou masoquista, mas se for por vocês dois, aí sim, aí eu aceito fácil uma seção de castigos. -- riu com o canto dos lábios, e embora estivesse no chão e imobilizado não estava fazendo nenhuma questão de esconder a ousadia em suas palavras.<br />
<br />
Leona absorveu cada palavra dita tanto por Jack quanto por Gustav, e prensou o outro com mais força contra o chão, arrancando um suspiro bem satisfeito do amigo de longa data alterado por sabe-se lá que. Puxou um par de algemas que tinha consigo, para de fato imobilizar o outro: -- Você está detido por atentado grave ao pudor e desacato a autoridade.<br />
<br />
A loira pôs um tom sério em sua fala e nem fez questão de encobrir a cara fechada diante dos fatos e depois encarou o loiro mais alto: [-- Não é só a questão de autoridade, ele está deliberadamente nos confrontando porque temo um tipo de aparência que apetece a ele, o comportamento dele demonstra traços de uma pessoa que tem algum tipo de relacionamento com uma pessoa loira, alta, bonita, andrógina e autoritária, e ele gosta de ser punido por essa pessoa, por isso a provoca como se fosse um jogo.] -- Leona comentou num alemão, levemente enferrujado de quem não organizava frases nesse idioma para falar a algum tempo: [ -- Nós só vamos piorar o quadro dele, porque devemos lembrar a pessoa com que ele se relaciona, e outra coisa, ele está pondo força que Gustav não têm, logo, muito provavelmente a pessoa com quem ele se encontrou que agrediu ele, é uma pessoa forte. O que é perigoso uma pessoa franzina como ele, achando que é um galo de briga e que pode provocar qualquer um sem ter qualquer consequência, ele precisa ser domesticado, e sim, se der errado, quarto branco].<br />
<br />
Concluiu a fala ainda segurando o outro, que a despeito de estar preso, não parecia tenso ou preocupado, e agora jogava piscadela para as funcionárias do hostel que olhavam a cena assustadas: -- vamos dar uma volta viatura, e você vem junto. -- Encarou Jack como se esperasse que ele a seguisse.]]></content:encoded>
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