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		<title><![CDATA[Academia St. Clavier - Desenterrando o Passado]]></title>
		<link>http://academiastclavier.com.br/</link>
		<description><![CDATA[Academia St. Clavier - http://academiastclavier.com.br]]></description>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:42:09 +0000</pubDate>
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			<title><![CDATA[[06 anos] The Devil Wears a Suit and a Tie [Blair, Monique, Joshua]]]></title>
			<link>http://academiastclavier.com.br/showthread.php?tid=335</link>
			<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 18:16:45 +0000</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="http://academiastclavier.com.br/member.php?action=profile&uid=74">Marco</a>]]></dc:creator>
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			<description><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marco</span></div>
<br />
Já era tarde da noite e mais uma vez estava trabalhando além do horário comercial. Seu humor não estava dos melhores. Sem amigos próximos, sem esposa, longe de casa, com uma filha pequena para criar e muitos problemas para lidar. Como muitos dos aspectos de sua vida, tudo precisava ser mais intenso que o normal, até mesmo sua desgraça. A perda da visão mais uma vez lhe deixava em um ponto em que precisava se acostumar de novo a lidar com a própria percepção de espaço. Nesse período, todas as pequenas coisas lhe irritavam, fosse uma pilha de papéis que não podia ler, pois não estavam em braille, fosse um copo que acabava derrubando na mesa por sua falta de hábito ao tatear as superfícies, fosse as vozes que ainda eram estranhas no meio de tantos outros conhecidos. <br />
<br />
Dispensou a estagiária de seu pequeno escritório no centro da cidade. A jovem era prestativa, o nome dela era Jéssica, alguma coisa com “J”, mas não estava pensando exatamente na figura feminina. Na verdade, a lembrança de alguma mulher lhe acompanhando só lhe fazia retornar à memória odiosa do que sua logo em breve ex-mulher havia lhe causado. Já havia sido apunhalado pelas costas outras vezes, mas Charlotte Girard conseguiu superar suas expectativas. <br />
<br />
Estava parado no ponto de ônibus em frente a defensoria pública, certo de que sua memória não iria lhe trair naquele horário tão tardio. Só queria ficar algum tempo sozinho, longe de casa, longe do trabalho, só alguns minutos para colocar tudo no lugar. Já havia perdido a noção de tempo, a barba havia crescido, tornando-se rala em seu rosto cansado de noites mal dormidas. A pior parte era lidar com a filha pequena. Não conseguia explicar para a menininha como a mãe dela era uma vagabunda sem coração e como ele estava errado em acreditar que ela ao menos teria consciência de não jogar a própria filha no meio do próprio drama. <br />
<br />
- Ah, merda. - praguejou ao sentir as primeiras gotas que começavam a anunciar a chuva que estava por vir. Talvez se pegasse o ônibus errado e fosse parar longe não precisasse lidar com todos aqueles problemas. Ao menos foi o que pensou, mas a culpa por sequer pensar em abandonar Monique lhe trazia um gosto amargo à boca. Seus pais estavam lhe auxiliando com os custos de vida, mas enquanto seu pequeno escritório de advocacia não conseguia repercussão por grandes casos, ainda vivia no mesmo apartamento escolhido por Charlotte, mas que agora apenas mantinha sua filha. Ouviu o ruído do ônibus chegando misturado com a chuva que começava a cair e se agarrou na própria maleta para tentar se proteger da água, ao mesmo tempo que não podia deixar seus processos molharem. Esperava que ao menos o óculos escuros em sua face fosse o bastante para sinalizar que não enxergava como os demais. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Blair era uma mulher de muitos conhecidos. Quanto mais pessoas você conhecer, mais fácil fica de resolver qualquer tipo de problema, além de quê: as pessoas sempre tem novidades para contar, e adorava escutar novidades da vida alheia. E falando de vida alheia, aparentemente uma de suas amigas de faculdade comentava fervorosamente sobre Marco Biedermeier, um dos amigos e ex-colega das aulas de mestrado em Paris.<br />
<br />
Aparentemente, a mulher burguesinha havia jogado tudo pra cima e largado o homem com a filha pra se virar sozinho. Quando leu a mensagem na tela do celular, foi pega de surpresa, porém não o suficiente para ficar decepcionada. Já havia falado diversas vezes para Marco que não sentia coisa boa vindo daquela mulher, mas é o que dizem: “Opinião de gente apaixonada não conta”, não sabia quem havia dito isso, mas tomaria a autoria para si enquanto não lembrava.<br />
<br />
Estava em seu trabalho na defensoria pública, já fora de horário de atendimento organizando algumas papeladas de processos que teriam de ser repassados. Usava um blazer simples risca de giz cinza, com uma blusa branca por dentro, em conjunto com uma calça cintura alta do mesmo tom de cinza e um salto alto preto, que lhe conferiam pelo menos 10 centimetros extras, deixando a mulher quase com 190cm de altura.<br />
<br />
Mandou uma mensagem para a amiga enquanto terminava de arrumar os papéis e deixa-los separados, perguntando se ela tinha notícias do ex-colega de faculdade. Como não teve resposta, decidiu que olharia o celular novamente no ônibus. Trancou o lugar e guardou a chave dentro da bolsa já que, estava sendo a última a sair. Sentiu as primeiras gotas de chuva caírem e apressou o passo até o ponto de ônibus, onde chegando perto viu o transporte se aproximar, para sua sorte.<br />
<br />
Chegando no ponto deu de cara com próprio desaparecido, sumido, cegueta. Marco Biedermeier em carne, osso e, se as histórias fossem reais, falta de córneas. Sorriu, e sinalizou para que o ônibus parasse, aproveitando para finalmente cumprimentar o velho amigo:<br />
<br />
- Ora, ora Marquinhos, quanto tempo meu querido! - disse, sorrindo abertamente para o mais velho, só então dando um toque leve em seu ombro - O ônibus já parou, vamos subir? Aí dá pra colocar a conversa em dia!<br />
<br />
Não ofereceu o braço nem nada do tipo para o outro, a não ser que ele pedisse claro. Subiu no ônibus, cumprimentando o motorista que já era um conhecido de bar, junto do moreno e assim que se sentaram, fez questão de assobiar para o mesmo:<br />
<br />
- Rapaz, olha, você sabe que o povo é fofoqueiro. Já tinham dito que você tava mal, mas você parece mais do que mal heim.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marco</span></div>
<br />
Como se o seu dia não pudesse piorar, ouviu a voz de alguém familiar. Mas não de uma pessoa que queria encontrar naquele momento, naquela situação deplorável. E a mulher ainda tinha o disparate de lhe tratar por aquele apelido desagradável. Pelo menos, ao perceber o sentido da voz dela, conseguiu se guiar para a entrada do ônibus, subindo mais devagar pela altura dos degraus. Ainda deu duas pancadas na estrutura de metal ao esbarrar pela travessia até conseguir se sentar no banco do lado da mulher que ainda conseguia se lembrar como se parecia. <br />
<br />
- Não há nada ruim que não possa piorar, não é mesmo? - sugeriu com um tom leve de sarcasmo, considerando que agora estava na companhia da mulher. Ficou quieto por um momento, considerando o pouco tempo de paz que possuía antes de chegar na casa em que havia vivido com Charlotte. <br />
<br />
Não queria admitir, mas não queria ir para casa. Admitir aquilo era o mesmo que confirmar que não queria ter de encontrar sua única filha deixada sozinha em casa. A pobre criança não tinha culpa da burrice de nenhum dos pais dela. Passou a mão pelo rosto, fazendo uma pausa para poder tirar o par de óculos escuros do caminho, fechando os olhos pela sensibilidade à luz interna do ônibus, usando as costas da própria mão para secar as gotículas de chuva no próprio rosto. <br />
<br />
- Muito trabalho hoje? - mudou logo de assunto para não ter que falar sobre a própria vida ou sobre como tudo estava fugindo de seu controle. Ao menos a acusação de agressão à Charlotte já havia sido arquivada. Não sabia qual das decepções mais recente lhe doía mais ou qual fazia seu sangue ferver. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
A expressão de desagrado que ele fez no mesmo instante só fez com que Blair sorrir mais ainda, apesar de estar ali no meio daquela chuva que começava a cair. Era bom saber que apesar de tudo continuava a mesma bala azeda de sempre. Apesar que estava parecendo um pomar inteiro de concentrado de limão no momento. Mas não era como se nunca tivesse lidado com o moreno dessa maneira. Quando se faz faculdade com uma pessoa, você vê o pior lado delas.<br />
<br />
Seguiu na frente para que ele acompanhasse a sua voz, e quando finalmente se sentaram, ele fez o favor de fazer um comentário sarcástico, ao que a mulher de cabelos longos que estavam presos em uma trança, fez o favor de rir abertamente:<br />
<br />
- Como a chuva? Com certeza, terrível. Capaz de matar qualquer um de gripe. Ainda bem que você tem a minha calorosa e bem vinda companhia para melhorar o seu humor de limão - deu um toque leve no ombro do outro, rindo entre dentes da própria piada sem graça. Mas não invadiu mais do espaço dele depois que ele caiu em um silêncio breve, tirando os óculos.<br />
<br />
Sabia do problema de visão do amigo, desde a época da faculdade que a conversa corria sobre ele ser cegueta, ou ter sido cegueta, algo dentro desses termos. Também sabia que ele adorava se aproveitar desse “problema” para se safar de algumas situações com os professores, e achava tudo aquilo bastante cômico… E agora, a situação era bem real, e pior, havia passado por uma traição pela burguesinha, que ainda teve a ousadia de dizer que ele tinha a agredido. Não estava duvidando da mulher, mas achava bem difícil um homem cego que não conseguia nem subir num degrau sem topar conseguir acertar alguém, talvez sem querer, mas ainda assim.<br />
<br />
- Um pouco do mais do mesmo - conversou, virando o corpo para dar mais atenção à ele, se mantendo atenta aos pontos que passavam - Atender algumas senhorinhas, alguns pedidos de pensão alimentar, alguns mandados de segurança, repassar outros, revisar processos. Toda aquela maravilhosa burocracia que as pessoas do dia-a-dia precisam. Mas eu gosto - gesticulava enquanto falava, mesmo que o outro não pudesse ver. O tom de voz era animado, mesmo para aquele horário da noite onde normalmente estaria cansada depois de passar o dia revisando processos - Qual ponto tu desce, Marquinho? Bora que te faço companhia até a porta de casa como um bom cavalheiro que sou. Aproveito e dou um olá pra sua menina, a última vez que vi ela, ainda tava com cara de joelho - brincou, já se oferecendo para ir na casa do outro. Bem sabia que talvez recebesse uma resposta bem arredia, mas estava disposta à ser xingada se fosse pra fazer o outro espairecer um pouco da situação. Quem sabe pudessem xingar a burguesinha safada juntos? - E a chuva vai engrossar, sei que tá costumado com o caminho, mas a última coisa que quero é notícia que meu amigo morreu afogado em um meio fio, sabe.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marco</span></div>
<br />
Fez uma pausa, prestando atenção no ruído da chuva batendo no vidro da janela do ônibus, piorando. Sorriu com o canto dos lábios com o comentário dela sobre a própria presença calorosa. De fato, sentia falta dos comentários egocêntricos da advogada, mas não que ela precisasse saber disso por uma afirmação verbal sua. Não se incomodou com o toque em seu ombro, apesar de estar mais acostumado em ser empurrado pela mulher que de fato apenas receber um toque amistoso. <br />
<br />
Riu baixo com a descrição dela sobre o próprio trabalho e suspirou com a sentença sobre a burocracia. Pelo menos estar ao lado de alguém que não parecia triste e pesarosa por sua nova condição era melhor que lidar com o tom de piedade da nova estagiária que parecia querer lhe tratar como uma criança de cinco anos de idade, incapaz de fazer qualquer coisa sozinho agora que estava cego. <br />
<br />
Foi notória a mudança de sua postura com a pergunta sobre o ponto em que desceria. Já estava antecipando aquilo, mas não queria ter de lidar com a mulher em sua própria residência. A mesma residência que havia começado a evitar estar presente pelo simples fato de odiar tudo o que ainda conseguia lhe fazer lembrar da figura de Charlotte. <br />
<br />
- Se minha filha tem cara de joelho, você deve ter nascido com a cara de um cotovelo bem na boca do estômago, Blair. - devolveu, arisco com qualquer comentário sobre sua única filha. Se havia algo que o impedia de largar tudo ao seu redor e voltar para a Áustria para trabalhar na empresa do seu pai como ele sempre quis, era a existência da pequena Monique. Precisava se recordar todo dia que estava ali por conta dela, ainda que lidar com as perguntas da filha fosse um trabalho mais difícil que lidar com a coleção de réus que não queriam ter um advogado cego. <br />
<br />
Explicou para a morena sobre onde desceria e aguardou ouvir o ruído sincronizado da parada para poder se levantar, treinando a memória sobre onde se apoiar para poder descer do ônibus. Tudo isso sem antes esbarrar em algumas senhorinhas, recebendo um olhar de reprovação que ele sequer acabou percebendo por sua óbvia situação. <br />
<br />
O bairro em que vivia ainda permanecia o mesmo. A residência ainda era a mesma que havia comprado com Charlotte. Até mesmo algumas coisas da mulher ainda estavam por lá. Seguiu calado até o jardim, abrindo o portão para deixá-lo aberto no processo, entrando primeiro para que a morena que lhe acompanhava lhe seguisse. Não disse nada, tentando se acostumar em prestar mais atenção nos ruídos ao seu redor que de fato falar pelos cotovelos como geralmente fazia quando podia enxergar completamente. Pelo menos podia acompanhar o ruído das próprias meias encharcadas no sapato social a cada passo que dava na direção da entrada da residência. <br />
<br />
Tateou a porta para achar a maçaneta e a entrada da chave, destrancando a passagem para o hall principal, deixando a chave na porta pelo lado de dentro para trancá-la assim que Blair se fizesse confortável. Retirou a parte superior do próprio terno, ficando com a camisa branca que agora estava colada ao seu corpo, destacando a terceira camada de tecido de uma regata também branca que usava por baixo. Afrouxou a gravata e livrou-se dos sapatos e meias encharcados ainda no hall de entrada. <br />
<br />
- Eu espero que não se incomode com a bagunça, apesar de eu não fazer ideia se está ou não bagunçado. - declarou, ainda no clássico tom de sarcasmo sobre a própria situação. <br />
<br />
A residência estava longe de estar bagunçada. Na verdade, tudo parecia estar em seu devido lugar. A correspondência estava separada em uma caixa no aparador do hall de entrada, o casaco infantil e cor de rosa estava pendurado na altura do apoiador de uma criança, assim como as botinhas com lacinhos cor de rosa e um cesto metálico que guardava dois guarda-chuvas, um grande e preto e outro pequeno com desenhos de joaninhas na estampa. As luzes já estavam acesas e havia um aroma agradável de cozido vindo do que deveria ser a cozinha. <br />
<br />
Não demorou muito e passinhos foram ouvidos correndo na direção do hall principal, uma garotinha pequena, de cabelo escuro e assanhada, ainda vestida no uniforme que deveria ser de sua escolinha, corria apenas de meias na direção de Marco, sequer prestando atenção à princípio na presença da visita na residência. <br />
<br />
- Papa! Você chegou! Você chegou! Papa! - a menininha vibrou, saltando para abraçar o homem pela cintura que até chegou a vacilar com o impulso tomado pela criança. A menina pouco parecia se importar com o fato da calça de Marco estar molhada também. <br />
<br />
- Oi, filha. Nossa, parece animada hoje. Brincou muito na escola hoje? - Marco perguntou, pegando a menininha nos braços. <br />
<br />
Agora, na altura dos adultos, a menininha pareceu notar a presença da mulher que acompanhava seu pai. Monique encarou a figura feminina, piscando algumas vezes antes de reconhecer a advogada amiga de seu pai. <br />
<br />
- Tia Blair! - ela apontou para a mulher como se tivesse descoberto qual a forma do triângulo perfeito em suas aulas na escolinha. - Você trouxe a tia Blair! - ela sorriu, animada, balançando-se nos braços do pai que logo deixou cair a maleta em que carregava os processos de seus clientes. - Tia Blair vai jantar com a gente? - perguntou a criança, empolgada, no que Marco apenas conseguiu suspirar, cego, mas enxergando onde que aquilo iria acabar. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Se desse pra ver a onda de melancolia do homem ao seu lado, provavelmente seriam duas pessoas cegas sentadas ali mesmo. Mesmo percebendo que o outro via graça nos comentários irônicos e egocêntricos que fazia, era bastante clara que eram mais coisas momentâneas, e ele continuava com a cabeça pensando na burguesinha. Ou na filha, ou no fato da vida toda dele estar uma bagunça completa.<br />
<br />
Por isso, se ofereceu à ir até a casa dele, mesmo percebendo a mudança de postura do outro assim que fez a oferta, mesmo que escondida em uma piada péssima. Talvez conseguissem sentar pra conversar, talvez fizesse ele colocar os ressentimentos pra fora , ou mesmo só fizesse companhia para ele e a filha. Era o mínimo que imaginava que poderia fazer diretamente e indiretamente pelo outro advogado.<br />
<br />
- Nossa, não sabia que você tinha gosto logo por cotovelos, para chegar a me elogiar assim, sei nem o que dizer Marquinho. - riu do comentário mais irritadiço do outro, levando uma mão ao rosto, "lisonjeada" pelas palavras do outro.<br />
<br />
Prestou atenção na explicação e apertou o botão de aviso quando estavam chegando perto da parada. Esperou que o outro andasse na frente, apesar de ainda estivesse bastante desastrado enquanto tentava evitar não trombar em nada, ou ninguém. Apesar revirou os olhos para as senhorinhas que encararam o maior com reprovação, apenas fazendo um sinal com a mão para deixarem pra lá, o que escutou os resmungos das velhas como reclamação.<br />
<br />
Ficou, com muito esforço, calada durante o caminho até a casa do outro, mais observando o bairro e se lembrando das poucas vezes que tinha passado por lá. Sinceramente, se fosse vir sozinha não se lembraria muito. Os pingos da chuva continuavam a cair, deixando o blazer da morena cada vez mais molhado e andar de salto ficava mais incômodo.<br />
<br />
Chegando na residência, que não estava muito diferente da memória de Blair, esperou pacientemente que ele abrisse a porta, e quando o fez, entrou assim que o outro lhe deu oportunidade:<br />
<br />
- Ufa, esses salto tava me matando nessa chuva - Replicou o que o outro fez, tirando também seu blazer molhado e o salto alto que estava encharcado. Certamente se continuasse andando acabaria torcendo o tornozelo de alguma maneira tão estúpida, e ai seria a pessoa morrendo afogada em um meio fio. Com o tornozelo torcido.<br />
<br />
- Nossa Marquinhos, está tão bagunçado. Tão bagunçado que acho que eu não estou vendo o chão de tão brilhante que ele está - brincou, observando como toda a sala que podia ver estava perfeitamente arrumada. Se lembrou então da história que Marcos estava com um segurança, seria esse o trabalho dele? Até cogitou uma empregada, mas bem imaginava que a última coisa que ele iria querer é um rabo de saia dentro de casa.<br />
<br />
Então, ouviu os pequenos passos apressados, e logo estava a pequena garota em vista. Os cabelos escuros - que Blair ficava agradecida por não serem loiros -, com um uniforme de escola, balançando até grudar nas pernas do pai. Apesar de ser bastante piadista, fanfarrona como alguns diriam, tinha um fraco por crianças, e não pode evitar em sorrir discretamente a toda a situação.<br />
<br />
Quando cruzou olhar com a menina, que agora estava nos braços do pai, fez questão de dar uma piscadela para a outra, mantendo bem a compostura até ser chamada de Tia Blair.<br />
<br />
- Tia? - repetiu, se sentindo afetada pela tamanha fofura da menina - Viu só Marquinho? Tia Blair! Opa, peguei! - sorriu, ainda ajudando a recuperar maleta que havia caído no chão - Claro que a Tia Blair vai ficar pro jantar, Monique - aproveitou para bagunçar ainda mais os cabelos assanhados da outra - Você não estava sozinha esse tempo todo né, Moni? Como se divertiu a tarde toda? - perguntou, ironicamente sem dar um apelido no diminutivo, assim como dava para o pai da criança<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Marco/Joshua</span></div>
<br />
A menina riu ao ter o cabelo assanhado pela mulher que visitava à residência da família Biedermeier, animada em ser chamada pelo apelido carinhoso que apenas a mulher adulta podia usar. Abriu ainda mais o sorriso com a resposta positiva da mulher sobre ficar para o jantar. <br />
<br />
- Não, tia Blair! O Joshua foi me buscar na escola e tava me ajudando a fazer o dever de casa! E daí a gente foi brincar de casinha de boneca e eu fiquei com fome, então ele foi fazer o jantar! - a menina explicou ainda acomodada nos braços do pai, descrevendo o que havia ocorrido até então com o sentimento de que havia se comportado muito bem até o momento. <br />
<br />
- Qual o seu problema em me chamar por Marquinhos e chamar minha filha de Moni? Você sabe que a criança aqui é ela, não é? - perguntou Marco no familiar tom de ironia antes de colocar a menininha no chão com cuidado, incerto sobre ela ter ficado bem em pé ou não. <br />
<br />
- Tô bem, pai. - ela respondeu, apesar de notoriamente estar tão assanhada como um dos garotinhos de sua turma após uma partida de esconde-esconde, fugindo de outras crianças e dos professores inclusive. <br />
<br />
A criança sorriu para a mulher adulta e só então pareceu perceber que os dois estavam molhados da chuva que caía lá fora. <br />
<br />
- Ah, papa! Vocês estão molhados! Toalha! Vou pegar uma toalha! Eu vo-! - a menina anunciou, empolgada em poder ajudar e cuidar de dois adultos. Contudo, ela parou ao se dar conta do homem que se aproximava pelo corredor de acesso à cozinha. O loiro mantinha um semblante tranquilo, apesar de sério, e não pareceu de incomodar até notar o penteado todo assanhado da criança. - Joshua! Toalha! Precisamos de toalhas! <br />
<br />
A menininha colocou as mãos na cintura como se estivesse em uma missão de arrumar toalhas para os adultos que haviam acabado de chegar. O segurança se aproximou para poder se abaixar na altura da criança, as mangas arregaçadas e a gravata mais frouxa. <br />
<br />
- A senhorita ainda está com a farda da escola, por que não vai para o banheiro enquanto eu pego as toalhas para o seu pai e para a convidada? - o segurança disse para a criança que prontamente concordou com um aceno positivo da cabeça, obediente. <br />
<br />
- Desculpe pelo trabalho com o jantar, Joshua. Deveria ter chegado mais cedo, mas o trabalho hoje acabou se arrastando. - Marco pediu, ciente de que o segurança não tinha obrigação alguma de cuidar de sua filha pequena. Até se sentia um tanto culpado por se ausentar de seu papel como pai e deixar que o loiro assumisse suas responsabilidades. <br />
<br />
- Não há problema, senhor Biedermeier. - respondeu Joshua, assistindo a criança seguir em rumo ao banheiro onde estava ocupado anteriormente preparando o banho dela na temperatura adequada para uma criança. O segurança não se incomodou em olhar diretamente para Marco, considerando que sabia das condições do patrão, mas logo ele retornou seu olhar para a morena presente no recinto. - Boa noite, senhorita Al-Amir. <br />
<br />
- Eu vou tomar um banho e me livrar desse terno encharcado. - anunciou o advogado, incomodado com o fato de ainda estar molhado. Joshua se adiantou para poder pegar a maleta do homem com a mulher que acompanhava Marco, concordando silenciosamente com o patrão. <br />
<br />
- Vou buscar uma toalha para a senhorita. - anunciou o segurança, mantendo o semblante sério. - Ou prefere que lhe traga roupas secas? - ofereceu, sendo mais educado, apesar de não julgar que a mulher merecia de toda aquela sua educação. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
- Nossa, mas você precisava mesmo de ajuda com o dever? É bem esperta pra uma menina da sua idade, certeza que maior parte dos problemas resolveu sozinha! - deu uma piscadela para a mais nova, sorrindo diante da interação. Ver crianças sendo... Crianças sempre deixava o coração da morena bem aquecido.<br />
<br />
Afastou a mão do caos que havia causado nos cabelos da criança, satisfeita com o próprio trabalho de arte que havia feito nos fios escuros, mais do que a criança narrando sobre toda a aventura diária que havia feito. Certamente era difícil conceber que era a criança de Marco e da burguesinha.<br />
<br />
- Oras, Marquinho - respondeu, devolvendo a ironia do outro com um tom despretensioso - Te chamando assim você perde uns 20cm no máximo, e eu chamar a Moni no diminutivo, capaz dela sumir! - deu espaço para o outro colocar a menina no chão, sem falar nada - E convenhamos, mesmo perdendo 20cm o senhor continua alto como um poste de energia.<br />
<br />
A criança apesar de nova já parecia ter bastante noção sobre a situação do próprio pai. Claro, já fazia algum tempo que ele estava daquele jeito, mas normalmente os pequenos levavam um pouco mais de tempo pra se acostumar com a situação. Era fácil de colocar um sorriso no rosto da síria ao ver a situação.<br />
<br />
- Olha, ela ainda é um feijãozinho, mas já tá toda sabida hein? -  comentou baixo com o amigo enquanto a garota disparava para ir a cozinha, parando no meio do caminho para chamar o nome do segurança de cabelos amarelos.<br />
<br />
Ele ainda tinha a cara fechada e de poucas expressões que tinha visto em todas as visitas anteriores. De toda maneira, sorriu abertamente quando o viu, inclusive fazendo um breve aceno, que foi ignorado pelo loiro que passava os afazeres para a criança. Tão diligente com a Moni! Tudo fazia juz aos rumores de Marco e Joshua serem amantes secretos e por isso a burguesinha saiu fugida.<br />
<br />
Ah, quem dera tivesse realmente sido assim.<br />
<br />
Deixou que o mais velho conversasse com o empregado, tinha bastante vontade de dizer que pelo menos o trabalho arrastado havia dado a chance de trazer sua ilustre presença para o jantar. Mas se o homem já não via, não queria - pelo menos agora - atropelar a fala dele também. Esperou ele anunciar que sairia para o banho para comentar:<br />
<br />
- É melhor, a idade não te permite mais ficar doente por qualquer coisinha, Marquinho. - comentou com um tom bastante despojado, dando um tapinha nas costas de Marco, leve para respeitar a sua suposta idade avançada, e entregando a mala para o segurança loiro, que logo ofereceu toalhas para a mulher. Não pode evitar de abrir um sorriso largo por finalmente ter a atenção do homem de pouca expressão. <br />
<br />
- Ah, Golden! Nossa, quanto tempo não é? - se desvencilhou da pergunta sobre a toalha. Felizmente só a parte de cima de seu paletó havia ficado bem encharcada e a bainha de sua calça. Os sapatos iriam secar antes de sair. - Continua uma gracinha simpática como sempre, né?! A Moni ficou tão feliz de falar que brincaram de casinha! - continuou com as trivialidades até ver, nas poucas expressões que o homem tinha, que ele estava ficando irritado com a ladainha, e então riu abertamente - Um fofo! Aceito as toalhas, sei que vocês são tudo umas caixas e provavelmente qualquer roupa de vocês daria em mim, mas agradeço a oferta. Mas como tem passado?<br />
<br />
Sorriu para o mais alto, sabia de maneira bem superficial por que ele era tão fechado, mas esperava que com o tempo ele relaxasse um pouco mais, o que parecia estar demorando um pouco para acontecer. Ao menos, o raiozinho de sol de cabelos pretos parecia estar amolecendo aquela cara fechada antes que criasse marcas de expressão muito aparentes.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Marco/Joshua</span></div>
<br />
Marco acabou rindo com a desculpa infame da velha amiga de faculdade, dando de ombros sobre a escolha dela a respeito de como lhe tratar. Devolveu, porém, o comentário dela sobre sua idade com um sorriso de canto de boca, debochado. Deveria mesmo estar parecendo ser mais velho do que sua idade real devido a todo o cansaço e estresse com o divórcio e a recente volta de sua condição como homem cego. Estranhou os tapinhas em suas costas, mas não demorou a seguir seu rumo pelo corredor conhecido, seguindo para o banheiro de sua antiga suíte de casal. <br />
<br />
Joshua manteve a expressão imparcial no rosto, encarando a morena com certo julgamento, ainda mais quando ela lhe tratou pelo apelido que não havia dado liberdade a ela de lhe tratar. Aliviou a expressão com a menção dela sobre a criança, revelando aquele seu ponto fraco bastante óbvio até. <br />
<br />
- Pode me acompanhar, por favor? - convidou a mulher, seguindo para deixar a maleta do patrão no trajeto, deixando o objeto no apoiador de forma angulada, certo de que seu chefe poderia acessar a mala se precisasse, sabendo que ela poderia estar no móvel ao lado da entrada do escritório dele. <br />
<br />
O loiro guiou a colega de profissão de seu patrão até o banheiro social, abrindo a porta superior do armário do recinto, utilizando da boa altura para retirar uma toalha limpa, branca e macia. Estendeu a peça para a mulher e ajustou os óculos na própria face, esperando que ela se fizesse confortável com a peça para poder passar por ela, seguindo para a cozinha. <br />
<br />
- Fique à vontade, senhorita Al-Amir. Vou colocar mais um prato para a senhorita à mesa. - avisou, educado como de costume até ouvir a voz da menininha abafada pelas paredes do apartamento. <br />
<br />
- Joshua! Joshua!!! Sabão! Sabão! - a garotinha chamava, exasperada. <br />
<br />
Tal como o homem alto que era, em longas passadas, o loiro rumou para o quarto da criança, deixando a porta aberta no trajeto ao conseguir acesso ao banheiro onde a pequena Monique estava na banheira, só que cheia de espuma de sabão na cabeça e lhe cobrindo os olhos. <br />
<br />
- Joshua! Ajuda! - a menininha choramingava até o loiro ligar a ducha, lavando o sabão do rosto da criança, removendo todo o produto do cabelo dela em seguida, atencioso em manter a criança calma. Em poucos minutos, o homem deixou o banheiro com a menina nos braços vestindo um roupão cor de rosa e uma toalha branca nos cabelos escuros, os olhos fechados. <br />
<br />
- A senhorita Biedermeier irritou os olhos com o sabão do shampoo. - decidiu explicar para a mulher visitante, pouco se importando com a camisa agora úmida, grudando na camiseta que usava por baixo do uniforme. - Eu vou buscar o colírio para ela. Se importa? - ele perguntou, fazendo menção de entregar Monique nos braços de Blair.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Realmente, ver as reações do Golden sempre eram um dos momentos mais divertidos de visitar a casa de Marco. Na verdade, toda a casa era muito mais agradável sem traço algum da burguesinha. Sorriu amarela ao olhar de julgamento do segurança, como uma criança que sabia que havia aprontado, mas apenas gostava de importunar o loiro. Segurou bem a risada quando o loiro sorriu ao mencionar Moni. Era um livro aberto, mesmo com a cara de pastel.<br />
<br />
- Sim senhor Golden, como quiser. - brincou, acompanhando o segurança à uma certa distância. - Uma verdadeira governanta da casa, você sabe mesmo onde está tudo? As vezes eu esqueço até onde deixei meus sapatos! - comentou, observando como o outro era meticuloso em deixar as coisas em lugares bem posicionados. Mas fazia sentido se facilitava a vida do velho amigo.<br />
<br />
Acompanhou o resto do caminho, prestando atenção na organização das coisas, até chegarem ao banheiro, onde foi estendida a toalha limpa, o cheiro de produto de limpeza ainda levemente impregnado na peça:<br />
<br />
- Salvando vidas como sempre, Joshua. - agradeceu sendo dramática, usando a toalha para tirar o excesso de água que havia ficado tanto no rosto quando um pouco nos cabelos amarrados - Mas já que fugir de mim? Eu nem te faço tanta raiva assim! - riu da própria piada mas ainda dando passagem, até escutar Moni chamando do outro cômodo - Falando da sua filha, acho que ela precisa de salvamento agora!<br />
<br />
Sorriu, mesmo que o outro não tivesse escutado o comentário sem graça que havia feito. Aproveitou o curto momento sozinha para dar uma olhada no banheiro que estava. Marco poderia estar passando por uns maus bocados, mas não deixava isso transparecer pelo menos na parte financeira. Suspirou, com a toalha sobre os ombros, tinha receio de até onde Marco iria conseguir carregar todo esse estresse sozinho. Afinal, nem sabia se ele tinha alguém ou algum jeito de descansar.<br />
<br />
Não demorou para que Joshua voltasse com a pequena Moni nos braços, empacotada como um pequeno burrito rosa aos olhos da morena.<br />
<br />
- Me importar de segurar esse amor? Por favor, Golden! - estendeu os braços para segurar  menor, a apoiando de maneira corfortável sobre os braços bem definidos - Moni! Mas o que você aprontou dessa vez?! - brincou, encostando a testa na da menor - Eu sei que é divertido fazer penteados com shampoo, mas não precisava usar tantos, pequena! Como vai ficar se o Joshua não estiver aqui pra te ajudar?!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Joshua</span></div>
<br />
Monique aconchegou-se melhor nos braços forte da tia Blair, os olhinhos da criança avermelhados por conta do shampoo. Logo a menina perdeu a face de choro e riu baixo com a pergunta sobre ter aprontado. <br />
<br />
- Eu queria tomar banho sozinha, tia! Porque daí o papai e o Joshua não precisam cuidar de mim… - a criança tentou explicar e logo esconder o rostinho nos braços da morena. <br />
<br />
Joshua não demorou quase nada para retornar com o frasco de colírio. O loiro se aproximou, ajustando o par de óculos na própria face antes de pedir para a criança virar o rostinho e abrir os olhos para que aplicasse o colírio. <br />
<br />
- Obrigado, senhorita Al-Amir, por cuidar da senhorita Biedermeier. - ele agradeceu educadamente, estendendo os braços para que a mulher lhe devolvesse a menina. Monique se encolheu mais nos braços de Blair, indicando que queria continuar ali. - Vou buscar suas roupas então, senhorita. Pode secar o cabelo dela, por favor senhorita Al-Amir? Não é bom que ela fique com o cabelo molhado tão tarde. <br />
<br />
Joshua explicou e chamou pela mulher ao seguir para o banheiro, indicando uma das gavetas onde havia um secador de cabelos para a criança. O loiro logo depois foi se afastar para poder buscar as roupinhas da menininha. Monique, por sua vez, ficou curiosa com o secador de cabelo e em como a mulher usaria o acessório. <br />
<br />
- Sua mãe seca o seu cabelo, tia Blair? - a menina perguntou, erguendo o olhar para morena ao estender as mãozinhas para sentir os fios escuros do cabelo dela. - Cadê seus brincos, tia Blair? Você não furou as orelhas, não? - os olhinhos da criança brilharam com curiosidade.  <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Não se conteve de rir quando a criança explicou a razão de todo o acidente com shampoo. Afagou os cabelos da menor com a mão em que não estava dando total apoio ao corpinho, em seguida dando um beijo no topo da cabeça:<br />
<br />
- Tudo bem Moni, mas não tem nada de errado em pedir ajuda para os seu pai ou o Joshua, eles cuidam de você por que te amam, tá certo? - sorriu, falando baixo para a menina aninhada em seus braços.<br />
<br />
Fazia movimentos vai e vem com a criança no colo, como uma pequena dança enquanto apoiava a criança em seu colo. Em pouco tempo, Joshua voltou e ficou mais parada, a fim de evitar mais desastres como o do shampoo. Deu uma breve piscadela quando Joshua agradeceu a ajuda, sorrindo de orelha a orelha:<br />
<br />
- Não tem nada demais, Joshua! Eu e a Moni fofocamos de muito sobre você e o Marquinhos, né, Moni? - brincou com a menor, colocando a ponta da língua para fora numa careta engraçada, até a menina se recusar a sair de seus braços,e Joshua pedir ajuda para secar os cabelos - Claro! Vamos bagunçar um pouco mais esse seu cabelo, mas juro que depois a gente arruma!<br />
<br />
Girou os calcanhares e acompanhou Joshua de volta para o banheiro, logo recebendo instruções de onde ficava cada coisa, e assim que o outro saiu, apoiou a menor sentada sobre o balcão. Assim, não teria que se curvar muito, balcão de rico sempre aguenta mais peso do que dizem.<br />
<br />
- Vamos ver, uau, esse secador parece que poderia andar sozinho! - brincou, ligando o aparelho na energia e se virando para Monique, apenas para sentir as pequenas mãos em seus cabelos e receber uma pergunta bastante inusitada da menina. Sorriu mais suave, ligando o secador que felizmente não fazia tanto barulho.<br />
<br />
- Minha mãe não pode secar meu cabelo, Moni! Eu já sou uma moça grandinha. Estou até mais alta que ela! - não precisava nem deveria falar com uma criança sobre o que passou, então levou a conversa num tom mais leve. Passava as mãos com cuidado entre os fios escuros e curtos da outra, balançando de leve para ajudar o secador a fazer seu trabalho - Eu nunca tive chance de usar brincos, nunca nem pensei nisso, sabe? - ponderou um pouco, em seguida rindo dos próprios pensamentos - Mas as suas orelhinhas são furadas, né? Que tipo de brincos você gosta de usar? Se eu furar, quero que você me ajude a escolher o meu primeiro par, que tal?<br />
<br />
Ofereceu para a pequena, parando um pouco de usar o secador para olhar de frente para os orbes castanhos de Monique, sorrindo radiante:<br />
<br />
- Ou melhor! Você me dá o meu primeiro par, e eu escolho um par de presente pra você, que tal? Troca de presentes! Natal fora de época!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Marco/Joshua</span></div>
<br />
A menina parecia intrigada pelas histórias contadas pela mais velha. Joshua havia se afastado para buscar as roupas da criança, escolhendo ignorar as provocações da morena, visto que não havia razão em tentar repreendê-la quando ela continuaria, de toda forma, a lhe provocar. Monique, por sua vez, ao falar sobre os brincos, sorriu mais animada, orgulhosa em apresentar os furos de suas orelhas.<br />
<br />
- Eu fui muito corajosa, tia! Eu nem chorei quando furaram! Foi o que papai me disse! Eu sou uma menina adulta já! Não sou um bebê, não é tia? - a menina riu, concordando com um aceno da cabeça ao bater os cabelos, ficando assanhada. - Eu ajudo sim, tia! Vamos achar brincos bem bonitos para você! Minha mamãe tem um monte de brincos bonitos, sabia? Ela--<br />
<br />
E foi então que um ruído alto ecoou do quarto vizinho e o som de algo caindo no chão se fez presente, seguido da voz furiosa de Marco: <br />
<br />
- Monique! Eu já que disse para não deixar essas porcarias no chão! Por que não guarda os seus brinquedos como mandei?! Quer matar o seu pai?! - o advogado havia acabado de tropeçar em alguns dos brinquedos da menina e, enquanto tentava se erguer, sem estar acostumado novamente com a falta da visão, havia se machucado e caído mais uma vez. <br />
<br />
A menina, ainda aos cuidados de Blair, encolheu-se entre os próprios ombros, os olhos enchendo de lágrimas. <br />
<br />
Joshua passou pelo corredor para ir ao encontro do próprio patrão a fim de ajudá-lo a se levantar. O loiro acabou pedindo desculpas pelo próprio descuido em não guardar os brinquedos da criança. Ele ainda explicou que estavam brincando ali antes do próprio patrão chegar. Marco ainda parecia irritado com a situação, mas logo tratou de dispensar o segurança, alertando que nada daquilo era trabalho dele e que só precisava terminar de trocar de roupa para ir jantar com a família. Joshua ficou quieto e continuou a guardar os brinquedos o mais rápido possível, ciente de que Blair ainda precisava das roupinhas de Monique no banheiro. <br />
<br />
A pequena Monique lutava contra as próprias lágrimas, assustada por ouvir a bronca dura vindo de seu pai por sua negligência em organizar os próprios brinquedos. Era muito difícil ser uma adulta afinal de contas. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Era divertido para Blair como Joshua sempre fugia de toda interação social que tinha com a mulher de cabelos escuros. Mas o importante no momento era secar os cabelos de Monique. Sorriu, quando ela falou que não chorou quando furou as orelhas, apenas concordando com cabeça quando ela perguntou não ser uma adulta. Terminou logo de secar os cabelos curtos, e estava muito feliz com a troca de brincos que fariam, quando ouviu o barulho seco vindo da sala e um Marco furioso. <br />
<br />
A mulher de pele negra havia olhado em direção ao barulho, mas logo tornou a atenção de volta para a menina, que parecia se encolher como uma pequena tartaruguinha. Suspirou, ouvindo passos rápidos e certos, que podia confirmar que eram de Joshua. Entendia a frustração de Marco, e também entendia a reação de Monique. Levou um dedo a frente dos labios num sinal de silêncio:<br />
<br />
- Shh... Tá tudo bem Moni. Todo mundo comete erros, tá bom? Nada de lágrimas hoje! - colocou um sorriso no rosto. Sabia que na hora, o que não poderia era ficar abalada como a menina. - Vem cá comigo.<br />
<br />
Pegou a menina nos braços, deixando ela muito confortável, quase num pequeno abraço, e saiu do banheiro, indo em direção de Marco com um sorriso debochado que o mais velho conhecia muito bem.<br />
<br />
- Poxa Marquinho! Eu disse que você precisava fazer esportes durante a época de faculdade, teria amortecido a queda! - riu entre dentes, segurando a menina mais para perto do próprio corpo - Sabe, a Moni aqui tomou um baita susto - foi bem enfática, porém sutil nas palavras, esperava que talvez, mesmo irritado, Marco percebesse que a menina havia ficado abalada com a situação - tudo isso se resolveria se o papai dela tivesse criado mais massa pra amortecer a queda. Isso que dá só estudar!<br />
<br />
Encostou a bochecha no topo da cabeça menor, a protegendo em um pequeno abraço, para que ela não se sentisse exposta ao pai. De qualquer maneira, girou os calcanhares, indo em direção ao quarto da menor, que não era difícil de identificar.<br />
<br />
- Mas bem, vocês dois precisam trocar de roupa! Vamos Moni! Você tem que pôr uma roupa muito fofa pra jantar. Dizem que quanto mais bonita a roupa, mais gostosa fica a comida! Vamos ver uma juntas, tá bom? Joshua, pode deixar que eu separo uma roupinha pra Monique!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marco</span></div>
<br />
Já era tarde da noite e mais uma vez estava trabalhando além do horário comercial. Seu humor não estava dos melhores. Sem amigos próximos, sem esposa, longe de casa, com uma filha pequena para criar e muitos problemas para lidar. Como muitos dos aspectos de sua vida, tudo precisava ser mais intenso que o normal, até mesmo sua desgraça. A perda da visão mais uma vez lhe deixava em um ponto em que precisava se acostumar de novo a lidar com a própria percepção de espaço. Nesse período, todas as pequenas coisas lhe irritavam, fosse uma pilha de papéis que não podia ler, pois não estavam em braille, fosse um copo que acabava derrubando na mesa por sua falta de hábito ao tatear as superfícies, fosse as vozes que ainda eram estranhas no meio de tantos outros conhecidos. <br />
<br />
Dispensou a estagiária de seu pequeno escritório no centro da cidade. A jovem era prestativa, o nome dela era Jéssica, alguma coisa com “J”, mas não estava pensando exatamente na figura feminina. Na verdade, a lembrança de alguma mulher lhe acompanhando só lhe fazia retornar à memória odiosa do que sua logo em breve ex-mulher havia lhe causado. Já havia sido apunhalado pelas costas outras vezes, mas Charlotte Girard conseguiu superar suas expectativas. <br />
<br />
Estava parado no ponto de ônibus em frente a defensoria pública, certo de que sua memória não iria lhe trair naquele horário tão tardio. Só queria ficar algum tempo sozinho, longe de casa, longe do trabalho, só alguns minutos para colocar tudo no lugar. Já havia perdido a noção de tempo, a barba havia crescido, tornando-se rala em seu rosto cansado de noites mal dormidas. A pior parte era lidar com a filha pequena. Não conseguia explicar para a menininha como a mãe dela era uma vagabunda sem coração e como ele estava errado em acreditar que ela ao menos teria consciência de não jogar a própria filha no meio do próprio drama. <br />
<br />
- Ah, merda. - praguejou ao sentir as primeiras gotas que começavam a anunciar a chuva que estava por vir. Talvez se pegasse o ônibus errado e fosse parar longe não precisasse lidar com todos aqueles problemas. Ao menos foi o que pensou, mas a culpa por sequer pensar em abandonar Monique lhe trazia um gosto amargo à boca. Seus pais estavam lhe auxiliando com os custos de vida, mas enquanto seu pequeno escritório de advocacia não conseguia repercussão por grandes casos, ainda vivia no mesmo apartamento escolhido por Charlotte, mas que agora apenas mantinha sua filha. Ouviu o ruído do ônibus chegando misturado com a chuva que começava a cair e se agarrou na própria maleta para tentar se proteger da água, ao mesmo tempo que não podia deixar seus processos molharem. Esperava que ao menos o óculos escuros em sua face fosse o bastante para sinalizar que não enxergava como os demais. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Blair era uma mulher de muitos conhecidos. Quanto mais pessoas você conhecer, mais fácil fica de resolver qualquer tipo de problema, além de quê: as pessoas sempre tem novidades para contar, e adorava escutar novidades da vida alheia. E falando de vida alheia, aparentemente uma de suas amigas de faculdade comentava fervorosamente sobre Marco Biedermeier, um dos amigos e ex-colega das aulas de mestrado em Paris.<br />
<br />
Aparentemente, a mulher burguesinha havia jogado tudo pra cima e largado o homem com a filha pra se virar sozinho. Quando leu a mensagem na tela do celular, foi pega de surpresa, porém não o suficiente para ficar decepcionada. Já havia falado diversas vezes para Marco que não sentia coisa boa vindo daquela mulher, mas é o que dizem: “Opinião de gente apaixonada não conta”, não sabia quem havia dito isso, mas tomaria a autoria para si enquanto não lembrava.<br />
<br />
Estava em seu trabalho na defensoria pública, já fora de horário de atendimento organizando algumas papeladas de processos que teriam de ser repassados. Usava um blazer simples risca de giz cinza, com uma blusa branca por dentro, em conjunto com uma calça cintura alta do mesmo tom de cinza e um salto alto preto, que lhe conferiam pelo menos 10 centimetros extras, deixando a mulher quase com 190cm de altura.<br />
<br />
Mandou uma mensagem para a amiga enquanto terminava de arrumar os papéis e deixa-los separados, perguntando se ela tinha notícias do ex-colega de faculdade. Como não teve resposta, decidiu que olharia o celular novamente no ônibus. Trancou o lugar e guardou a chave dentro da bolsa já que, estava sendo a última a sair. Sentiu as primeiras gotas de chuva caírem e apressou o passo até o ponto de ônibus, onde chegando perto viu o transporte se aproximar, para sua sorte.<br />
<br />
Chegando no ponto deu de cara com próprio desaparecido, sumido, cegueta. Marco Biedermeier em carne, osso e, se as histórias fossem reais, falta de córneas. Sorriu, e sinalizou para que o ônibus parasse, aproveitando para finalmente cumprimentar o velho amigo:<br />
<br />
- Ora, ora Marquinhos, quanto tempo meu querido! - disse, sorrindo abertamente para o mais velho, só então dando um toque leve em seu ombro - O ônibus já parou, vamos subir? Aí dá pra colocar a conversa em dia!<br />
<br />
Não ofereceu o braço nem nada do tipo para o outro, a não ser que ele pedisse claro. Subiu no ônibus, cumprimentando o motorista que já era um conhecido de bar, junto do moreno e assim que se sentaram, fez questão de assobiar para o mesmo:<br />
<br />
- Rapaz, olha, você sabe que o povo é fofoqueiro. Já tinham dito que você tava mal, mas você parece mais do que mal heim.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marco</span></div>
<br />
Como se o seu dia não pudesse piorar, ouviu a voz de alguém familiar. Mas não de uma pessoa que queria encontrar naquele momento, naquela situação deplorável. E a mulher ainda tinha o disparate de lhe tratar por aquele apelido desagradável. Pelo menos, ao perceber o sentido da voz dela, conseguiu se guiar para a entrada do ônibus, subindo mais devagar pela altura dos degraus. Ainda deu duas pancadas na estrutura de metal ao esbarrar pela travessia até conseguir se sentar no banco do lado da mulher que ainda conseguia se lembrar como se parecia. <br />
<br />
- Não há nada ruim que não possa piorar, não é mesmo? - sugeriu com um tom leve de sarcasmo, considerando que agora estava na companhia da mulher. Ficou quieto por um momento, considerando o pouco tempo de paz que possuía antes de chegar na casa em que havia vivido com Charlotte. <br />
<br />
Não queria admitir, mas não queria ir para casa. Admitir aquilo era o mesmo que confirmar que não queria ter de encontrar sua única filha deixada sozinha em casa. A pobre criança não tinha culpa da burrice de nenhum dos pais dela. Passou a mão pelo rosto, fazendo uma pausa para poder tirar o par de óculos escuros do caminho, fechando os olhos pela sensibilidade à luz interna do ônibus, usando as costas da própria mão para secar as gotículas de chuva no próprio rosto. <br />
<br />
- Muito trabalho hoje? - mudou logo de assunto para não ter que falar sobre a própria vida ou sobre como tudo estava fugindo de seu controle. Ao menos a acusação de agressão à Charlotte já havia sido arquivada. Não sabia qual das decepções mais recente lhe doía mais ou qual fazia seu sangue ferver. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
A expressão de desagrado que ele fez no mesmo instante só fez com que Blair sorrir mais ainda, apesar de estar ali no meio daquela chuva que começava a cair. Era bom saber que apesar de tudo continuava a mesma bala azeda de sempre. Apesar que estava parecendo um pomar inteiro de concentrado de limão no momento. Mas não era como se nunca tivesse lidado com o moreno dessa maneira. Quando se faz faculdade com uma pessoa, você vê o pior lado delas.<br />
<br />
Seguiu na frente para que ele acompanhasse a sua voz, e quando finalmente se sentaram, ele fez o favor de fazer um comentário sarcástico, ao que a mulher de cabelos longos que estavam presos em uma trança, fez o favor de rir abertamente:<br />
<br />
- Como a chuva? Com certeza, terrível. Capaz de matar qualquer um de gripe. Ainda bem que você tem a minha calorosa e bem vinda companhia para melhorar o seu humor de limão - deu um toque leve no ombro do outro, rindo entre dentes da própria piada sem graça. Mas não invadiu mais do espaço dele depois que ele caiu em um silêncio breve, tirando os óculos.<br />
<br />
Sabia do problema de visão do amigo, desde a época da faculdade que a conversa corria sobre ele ser cegueta, ou ter sido cegueta, algo dentro desses termos. Também sabia que ele adorava se aproveitar desse “problema” para se safar de algumas situações com os professores, e achava tudo aquilo bastante cômico… E agora, a situação era bem real, e pior, havia passado por uma traição pela burguesinha, que ainda teve a ousadia de dizer que ele tinha a agredido. Não estava duvidando da mulher, mas achava bem difícil um homem cego que não conseguia nem subir num degrau sem topar conseguir acertar alguém, talvez sem querer, mas ainda assim.<br />
<br />
- Um pouco do mais do mesmo - conversou, virando o corpo para dar mais atenção à ele, se mantendo atenta aos pontos que passavam - Atender algumas senhorinhas, alguns pedidos de pensão alimentar, alguns mandados de segurança, repassar outros, revisar processos. Toda aquela maravilhosa burocracia que as pessoas do dia-a-dia precisam. Mas eu gosto - gesticulava enquanto falava, mesmo que o outro não pudesse ver. O tom de voz era animado, mesmo para aquele horário da noite onde normalmente estaria cansada depois de passar o dia revisando processos - Qual ponto tu desce, Marquinho? Bora que te faço companhia até a porta de casa como um bom cavalheiro que sou. Aproveito e dou um olá pra sua menina, a última vez que vi ela, ainda tava com cara de joelho - brincou, já se oferecendo para ir na casa do outro. Bem sabia que talvez recebesse uma resposta bem arredia, mas estava disposta à ser xingada se fosse pra fazer o outro espairecer um pouco da situação. Quem sabe pudessem xingar a burguesinha safada juntos? - E a chuva vai engrossar, sei que tá costumado com o caminho, mas a última coisa que quero é notícia que meu amigo morreu afogado em um meio fio, sabe.<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Marco</span></div>
<br />
Fez uma pausa, prestando atenção no ruído da chuva batendo no vidro da janela do ônibus, piorando. Sorriu com o canto dos lábios com o comentário dela sobre a própria presença calorosa. De fato, sentia falta dos comentários egocêntricos da advogada, mas não que ela precisasse saber disso por uma afirmação verbal sua. Não se incomodou com o toque em seu ombro, apesar de estar mais acostumado em ser empurrado pela mulher que de fato apenas receber um toque amistoso. <br />
<br />
Riu baixo com a descrição dela sobre o próprio trabalho e suspirou com a sentença sobre a burocracia. Pelo menos estar ao lado de alguém que não parecia triste e pesarosa por sua nova condição era melhor que lidar com o tom de piedade da nova estagiária que parecia querer lhe tratar como uma criança de cinco anos de idade, incapaz de fazer qualquer coisa sozinho agora que estava cego. <br />
<br />
Foi notória a mudança de sua postura com a pergunta sobre o ponto em que desceria. Já estava antecipando aquilo, mas não queria ter de lidar com a mulher em sua própria residência. A mesma residência que havia começado a evitar estar presente pelo simples fato de odiar tudo o que ainda conseguia lhe fazer lembrar da figura de Charlotte. <br />
<br />
- Se minha filha tem cara de joelho, você deve ter nascido com a cara de um cotovelo bem na boca do estômago, Blair. - devolveu, arisco com qualquer comentário sobre sua única filha. Se havia algo que o impedia de largar tudo ao seu redor e voltar para a Áustria para trabalhar na empresa do seu pai como ele sempre quis, era a existência da pequena Monique. Precisava se recordar todo dia que estava ali por conta dela, ainda que lidar com as perguntas da filha fosse um trabalho mais difícil que lidar com a coleção de réus que não queriam ter um advogado cego. <br />
<br />
Explicou para a morena sobre onde desceria e aguardou ouvir o ruído sincronizado da parada para poder se levantar, treinando a memória sobre onde se apoiar para poder descer do ônibus. Tudo isso sem antes esbarrar em algumas senhorinhas, recebendo um olhar de reprovação que ele sequer acabou percebendo por sua óbvia situação. <br />
<br />
O bairro em que vivia ainda permanecia o mesmo. A residência ainda era a mesma que havia comprado com Charlotte. Até mesmo algumas coisas da mulher ainda estavam por lá. Seguiu calado até o jardim, abrindo o portão para deixá-lo aberto no processo, entrando primeiro para que a morena que lhe acompanhava lhe seguisse. Não disse nada, tentando se acostumar em prestar mais atenção nos ruídos ao seu redor que de fato falar pelos cotovelos como geralmente fazia quando podia enxergar completamente. Pelo menos podia acompanhar o ruído das próprias meias encharcadas no sapato social a cada passo que dava na direção da entrada da residência. <br />
<br />
Tateou a porta para achar a maçaneta e a entrada da chave, destrancando a passagem para o hall principal, deixando a chave na porta pelo lado de dentro para trancá-la assim que Blair se fizesse confortável. Retirou a parte superior do próprio terno, ficando com a camisa branca que agora estava colada ao seu corpo, destacando a terceira camada de tecido de uma regata também branca que usava por baixo. Afrouxou a gravata e livrou-se dos sapatos e meias encharcados ainda no hall de entrada. <br />
<br />
- Eu espero que não se incomode com a bagunça, apesar de eu não fazer ideia se está ou não bagunçado. - declarou, ainda no clássico tom de sarcasmo sobre a própria situação. <br />
<br />
A residência estava longe de estar bagunçada. Na verdade, tudo parecia estar em seu devido lugar. A correspondência estava separada em uma caixa no aparador do hall de entrada, o casaco infantil e cor de rosa estava pendurado na altura do apoiador de uma criança, assim como as botinhas com lacinhos cor de rosa e um cesto metálico que guardava dois guarda-chuvas, um grande e preto e outro pequeno com desenhos de joaninhas na estampa. As luzes já estavam acesas e havia um aroma agradável de cozido vindo do que deveria ser a cozinha. <br />
<br />
Não demorou muito e passinhos foram ouvidos correndo na direção do hall principal, uma garotinha pequena, de cabelo escuro e assanhada, ainda vestida no uniforme que deveria ser de sua escolinha, corria apenas de meias na direção de Marco, sequer prestando atenção à princípio na presença da visita na residência. <br />
<br />
- Papa! Você chegou! Você chegou! Papa! - a menininha vibrou, saltando para abraçar o homem pela cintura que até chegou a vacilar com o impulso tomado pela criança. A menina pouco parecia se importar com o fato da calça de Marco estar molhada também. <br />
<br />
- Oi, filha. Nossa, parece animada hoje. Brincou muito na escola hoje? - Marco perguntou, pegando a menininha nos braços. <br />
<br />
Agora, na altura dos adultos, a menininha pareceu notar a presença da mulher que acompanhava seu pai. Monique encarou a figura feminina, piscando algumas vezes antes de reconhecer a advogada amiga de seu pai. <br />
<br />
- Tia Blair! - ela apontou para a mulher como se tivesse descoberto qual a forma do triângulo perfeito em suas aulas na escolinha. - Você trouxe a tia Blair! - ela sorriu, animada, balançando-se nos braços do pai que logo deixou cair a maleta em que carregava os processos de seus clientes. - Tia Blair vai jantar com a gente? - perguntou a criança, empolgada, no que Marco apenas conseguiu suspirar, cego, mas enxergando onde que aquilo iria acabar. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Se desse pra ver a onda de melancolia do homem ao seu lado, provavelmente seriam duas pessoas cegas sentadas ali mesmo. Mesmo percebendo que o outro via graça nos comentários irônicos e egocêntricos que fazia, era bastante clara que eram mais coisas momentâneas, e ele continuava com a cabeça pensando na burguesinha. Ou na filha, ou no fato da vida toda dele estar uma bagunça completa.<br />
<br />
Por isso, se ofereceu à ir até a casa dele, mesmo percebendo a mudança de postura do outro assim que fez a oferta, mesmo que escondida em uma piada péssima. Talvez conseguissem sentar pra conversar, talvez fizesse ele colocar os ressentimentos pra fora , ou mesmo só fizesse companhia para ele e a filha. Era o mínimo que imaginava que poderia fazer diretamente e indiretamente pelo outro advogado.<br />
<br />
- Nossa, não sabia que você tinha gosto logo por cotovelos, para chegar a me elogiar assim, sei nem o que dizer Marquinho. - riu do comentário mais irritadiço do outro, levando uma mão ao rosto, "lisonjeada" pelas palavras do outro.<br />
<br />
Prestou atenção na explicação e apertou o botão de aviso quando estavam chegando perto da parada. Esperou que o outro andasse na frente, apesar de ainda estivesse bastante desastrado enquanto tentava evitar não trombar em nada, ou ninguém. Apesar revirou os olhos para as senhorinhas que encararam o maior com reprovação, apenas fazendo um sinal com a mão para deixarem pra lá, o que escutou os resmungos das velhas como reclamação.<br />
<br />
Ficou, com muito esforço, calada durante o caminho até a casa do outro, mais observando o bairro e se lembrando das poucas vezes que tinha passado por lá. Sinceramente, se fosse vir sozinha não se lembraria muito. Os pingos da chuva continuavam a cair, deixando o blazer da morena cada vez mais molhado e andar de salto ficava mais incômodo.<br />
<br />
Chegando na residência, que não estava muito diferente da memória de Blair, esperou pacientemente que ele abrisse a porta, e quando o fez, entrou assim que o outro lhe deu oportunidade:<br />
<br />
- Ufa, esses salto tava me matando nessa chuva - Replicou o que o outro fez, tirando também seu blazer molhado e o salto alto que estava encharcado. Certamente se continuasse andando acabaria torcendo o tornozelo de alguma maneira tão estúpida, e ai seria a pessoa morrendo afogada em um meio fio. Com o tornozelo torcido.<br />
<br />
- Nossa Marquinhos, está tão bagunçado. Tão bagunçado que acho que eu não estou vendo o chão de tão brilhante que ele está - brincou, observando como toda a sala que podia ver estava perfeitamente arrumada. Se lembrou então da história que Marcos estava com um segurança, seria esse o trabalho dele? Até cogitou uma empregada, mas bem imaginava que a última coisa que ele iria querer é um rabo de saia dentro de casa.<br />
<br />
Então, ouviu os pequenos passos apressados, e logo estava a pequena garota em vista. Os cabelos escuros - que Blair ficava agradecida por não serem loiros -, com um uniforme de escola, balançando até grudar nas pernas do pai. Apesar de ser bastante piadista, fanfarrona como alguns diriam, tinha um fraco por crianças, e não pode evitar em sorrir discretamente a toda a situação.<br />
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Quando cruzou olhar com a menina, que agora estava nos braços do pai, fez questão de dar uma piscadela para a outra, mantendo bem a compostura até ser chamada de Tia Blair.<br />
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- Tia? - repetiu, se sentindo afetada pela tamanha fofura da menina - Viu só Marquinho? Tia Blair! Opa, peguei! - sorriu, ainda ajudando a recuperar maleta que havia caído no chão - Claro que a Tia Blair vai ficar pro jantar, Monique - aproveitou para bagunçar ainda mais os cabelos assanhados da outra - Você não estava sozinha esse tempo todo né, Moni? Como se divertiu a tarde toda? - perguntou, ironicamente sem dar um apelido no diminutivo, assim como dava para o pai da criança<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Marco/Joshua</span></div>
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A menina riu ao ter o cabelo assanhado pela mulher que visitava à residência da família Biedermeier, animada em ser chamada pelo apelido carinhoso que apenas a mulher adulta podia usar. Abriu ainda mais o sorriso com a resposta positiva da mulher sobre ficar para o jantar. <br />
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- Não, tia Blair! O Joshua foi me buscar na escola e tava me ajudando a fazer o dever de casa! E daí a gente foi brincar de casinha de boneca e eu fiquei com fome, então ele foi fazer o jantar! - a menina explicou ainda acomodada nos braços do pai, descrevendo o que havia ocorrido até então com o sentimento de que havia se comportado muito bem até o momento. <br />
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- Qual o seu problema em me chamar por Marquinhos e chamar minha filha de Moni? Você sabe que a criança aqui é ela, não é? - perguntou Marco no familiar tom de ironia antes de colocar a menininha no chão com cuidado, incerto sobre ela ter ficado bem em pé ou não. <br />
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- Tô bem, pai. - ela respondeu, apesar de notoriamente estar tão assanhada como um dos garotinhos de sua turma após uma partida de esconde-esconde, fugindo de outras crianças e dos professores inclusive. <br />
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A criança sorriu para a mulher adulta e só então pareceu perceber que os dois estavam molhados da chuva que caía lá fora. <br />
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- Ah, papa! Vocês estão molhados! Toalha! Vou pegar uma toalha! Eu vo-! - a menina anunciou, empolgada em poder ajudar e cuidar de dois adultos. Contudo, ela parou ao se dar conta do homem que se aproximava pelo corredor de acesso à cozinha. O loiro mantinha um semblante tranquilo, apesar de sério, e não pareceu de incomodar até notar o penteado todo assanhado da criança. - Joshua! Toalha! Precisamos de toalhas! <br />
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A menininha colocou as mãos na cintura como se estivesse em uma missão de arrumar toalhas para os adultos que haviam acabado de chegar. O segurança se aproximou para poder se abaixar na altura da criança, as mangas arregaçadas e a gravata mais frouxa. <br />
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- A senhorita ainda está com a farda da escola, por que não vai para o banheiro enquanto eu pego as toalhas para o seu pai e para a convidada? - o segurança disse para a criança que prontamente concordou com um aceno positivo da cabeça, obediente. <br />
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- Desculpe pelo trabalho com o jantar, Joshua. Deveria ter chegado mais cedo, mas o trabalho hoje acabou se arrastando. - Marco pediu, ciente de que o segurança não tinha obrigação alguma de cuidar de sua filha pequena. Até se sentia um tanto culpado por se ausentar de seu papel como pai e deixar que o loiro assumisse suas responsabilidades. <br />
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- Não há problema, senhor Biedermeier. - respondeu Joshua, assistindo a criança seguir em rumo ao banheiro onde estava ocupado anteriormente preparando o banho dela na temperatura adequada para uma criança. O segurança não se incomodou em olhar diretamente para Marco, considerando que sabia das condições do patrão, mas logo ele retornou seu olhar para a morena presente no recinto. - Boa noite, senhorita Al-Amir. <br />
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- Eu vou tomar um banho e me livrar desse terno encharcado. - anunciou o advogado, incomodado com o fato de ainda estar molhado. Joshua se adiantou para poder pegar a maleta do homem com a mulher que acompanhava Marco, concordando silenciosamente com o patrão. <br />
<br />
- Vou buscar uma toalha para a senhorita. - anunciou o segurança, mantendo o semblante sério. - Ou prefere que lhe traga roupas secas? - ofereceu, sendo mais educado, apesar de não julgar que a mulher merecia de toda aquela sua educação. <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
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- Nossa, mas você precisava mesmo de ajuda com o dever? É bem esperta pra uma menina da sua idade, certeza que maior parte dos problemas resolveu sozinha! - deu uma piscadela para a mais nova, sorrindo diante da interação. Ver crianças sendo... Crianças sempre deixava o coração da morena bem aquecido.<br />
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Afastou a mão do caos que havia causado nos cabelos da criança, satisfeita com o próprio trabalho de arte que havia feito nos fios escuros, mais do que a criança narrando sobre toda a aventura diária que havia feito. Certamente era difícil conceber que era a criança de Marco e da burguesinha.<br />
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- Oras, Marquinho - respondeu, devolvendo a ironia do outro com um tom despretensioso - Te chamando assim você perde uns 20cm no máximo, e eu chamar a Moni no diminutivo, capaz dela sumir! - deu espaço para o outro colocar a menina no chão, sem falar nada - E convenhamos, mesmo perdendo 20cm o senhor continua alto como um poste de energia.<br />
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A criança apesar de nova já parecia ter bastante noção sobre a situação do próprio pai. Claro, já fazia algum tempo que ele estava daquele jeito, mas normalmente os pequenos levavam um pouco mais de tempo pra se acostumar com a situação. Era fácil de colocar um sorriso no rosto da síria ao ver a situação.<br />
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- Olha, ela ainda é um feijãozinho, mas já tá toda sabida hein? -  comentou baixo com o amigo enquanto a garota disparava para ir a cozinha, parando no meio do caminho para chamar o nome do segurança de cabelos amarelos.<br />
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Ele ainda tinha a cara fechada e de poucas expressões que tinha visto em todas as visitas anteriores. De toda maneira, sorriu abertamente quando o viu, inclusive fazendo um breve aceno, que foi ignorado pelo loiro que passava os afazeres para a criança. Tão diligente com a Moni! Tudo fazia juz aos rumores de Marco e Joshua serem amantes secretos e por isso a burguesinha saiu fugida.<br />
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Ah, quem dera tivesse realmente sido assim.<br />
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Deixou que o mais velho conversasse com o empregado, tinha bastante vontade de dizer que pelo menos o trabalho arrastado havia dado a chance de trazer sua ilustre presença para o jantar. Mas se o homem já não via, não queria - pelo menos agora - atropelar a fala dele também. Esperou ele anunciar que sairia para o banho para comentar:<br />
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- É melhor, a idade não te permite mais ficar doente por qualquer coisinha, Marquinho. - comentou com um tom bastante despojado, dando um tapinha nas costas de Marco, leve para respeitar a sua suposta idade avançada, e entregando a mala para o segurança loiro, que logo ofereceu toalhas para a mulher. Não pode evitar de abrir um sorriso largo por finalmente ter a atenção do homem de pouca expressão. <br />
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- Ah, Golden! Nossa, quanto tempo não é? - se desvencilhou da pergunta sobre a toalha. Felizmente só a parte de cima de seu paletó havia ficado bem encharcada e a bainha de sua calça. Os sapatos iriam secar antes de sair. - Continua uma gracinha simpática como sempre, né?! A Moni ficou tão feliz de falar que brincaram de casinha! - continuou com as trivialidades até ver, nas poucas expressões que o homem tinha, que ele estava ficando irritado com a ladainha, e então riu abertamente - Um fofo! Aceito as toalhas, sei que vocês são tudo umas caixas e provavelmente qualquer roupa de vocês daria em mim, mas agradeço a oferta. Mas como tem passado?<br />
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Sorriu para o mais alto, sabia de maneira bem superficial por que ele era tão fechado, mas esperava que com o tempo ele relaxasse um pouco mais, o que parecia estar demorando um pouco para acontecer. Ao menos, o raiozinho de sol de cabelos pretos parecia estar amolecendo aquela cara fechada antes que criasse marcas de expressão muito aparentes.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Marco/Joshua</span></div>
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Marco acabou rindo com a desculpa infame da velha amiga de faculdade, dando de ombros sobre a escolha dela a respeito de como lhe tratar. Devolveu, porém, o comentário dela sobre sua idade com um sorriso de canto de boca, debochado. Deveria mesmo estar parecendo ser mais velho do que sua idade real devido a todo o cansaço e estresse com o divórcio e a recente volta de sua condição como homem cego. Estranhou os tapinhas em suas costas, mas não demorou a seguir seu rumo pelo corredor conhecido, seguindo para o banheiro de sua antiga suíte de casal. <br />
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Joshua manteve a expressão imparcial no rosto, encarando a morena com certo julgamento, ainda mais quando ela lhe tratou pelo apelido que não havia dado liberdade a ela de lhe tratar. Aliviou a expressão com a menção dela sobre a criança, revelando aquele seu ponto fraco bastante óbvio até. <br />
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- Pode me acompanhar, por favor? - convidou a mulher, seguindo para deixar a maleta do patrão no trajeto, deixando o objeto no apoiador de forma angulada, certo de que seu chefe poderia acessar a mala se precisasse, sabendo que ela poderia estar no móvel ao lado da entrada do escritório dele. <br />
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O loiro guiou a colega de profissão de seu patrão até o banheiro social, abrindo a porta superior do armário do recinto, utilizando da boa altura para retirar uma toalha limpa, branca e macia. Estendeu a peça para a mulher e ajustou os óculos na própria face, esperando que ela se fizesse confortável com a peça para poder passar por ela, seguindo para a cozinha. <br />
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- Fique à vontade, senhorita Al-Amir. Vou colocar mais um prato para a senhorita à mesa. - avisou, educado como de costume até ouvir a voz da menininha abafada pelas paredes do apartamento. <br />
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- Joshua! Joshua!!! Sabão! Sabão! - a garotinha chamava, exasperada. <br />
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Tal como o homem alto que era, em longas passadas, o loiro rumou para o quarto da criança, deixando a porta aberta no trajeto ao conseguir acesso ao banheiro onde a pequena Monique estava na banheira, só que cheia de espuma de sabão na cabeça e lhe cobrindo os olhos. <br />
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- Joshua! Ajuda! - a menininha choramingava até o loiro ligar a ducha, lavando o sabão do rosto da criança, removendo todo o produto do cabelo dela em seguida, atencioso em manter a criança calma. Em poucos minutos, o homem deixou o banheiro com a menina nos braços vestindo um roupão cor de rosa e uma toalha branca nos cabelos escuros, os olhos fechados. <br />
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- A senhorita Biedermeier irritou os olhos com o sabão do shampoo. - decidiu explicar para a mulher visitante, pouco se importando com a camisa agora úmida, grudando na camiseta que usava por baixo do uniforme. - Eu vou buscar o colírio para ela. Se importa? - ele perguntou, fazendo menção de entregar Monique nos braços de Blair.<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
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Realmente, ver as reações do Golden sempre eram um dos momentos mais divertidos de visitar a casa de Marco. Na verdade, toda a casa era muito mais agradável sem traço algum da burguesinha. Sorriu amarela ao olhar de julgamento do segurança, como uma criança que sabia que havia aprontado, mas apenas gostava de importunar o loiro. Segurou bem a risada quando o loiro sorriu ao mencionar Moni. Era um livro aberto, mesmo com a cara de pastel.<br />
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- Sim senhor Golden, como quiser. - brincou, acompanhando o segurança à uma certa distância. - Uma verdadeira governanta da casa, você sabe mesmo onde está tudo? As vezes eu esqueço até onde deixei meus sapatos! - comentou, observando como o outro era meticuloso em deixar as coisas em lugares bem posicionados. Mas fazia sentido se facilitava a vida do velho amigo.<br />
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Acompanhou o resto do caminho, prestando atenção na organização das coisas, até chegarem ao banheiro, onde foi estendida a toalha limpa, o cheiro de produto de limpeza ainda levemente impregnado na peça:<br />
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- Salvando vidas como sempre, Joshua. - agradeceu sendo dramática, usando a toalha para tirar o excesso de água que havia ficado tanto no rosto quando um pouco nos cabelos amarrados - Mas já que fugir de mim? Eu nem te faço tanta raiva assim! - riu da própria piada mas ainda dando passagem, até escutar Moni chamando do outro cômodo - Falando da sua filha, acho que ela precisa de salvamento agora!<br />
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Sorriu, mesmo que o outro não tivesse escutado o comentário sem graça que havia feito. Aproveitou o curto momento sozinha para dar uma olhada no banheiro que estava. Marco poderia estar passando por uns maus bocados, mas não deixava isso transparecer pelo menos na parte financeira. Suspirou, com a toalha sobre os ombros, tinha receio de até onde Marco iria conseguir carregar todo esse estresse sozinho. Afinal, nem sabia se ele tinha alguém ou algum jeito de descansar.<br />
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Não demorou para que Joshua voltasse com a pequena Moni nos braços, empacotada como um pequeno burrito rosa aos olhos da morena.<br />
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- Me importar de segurar esse amor? Por favor, Golden! - estendeu os braços para segurar  menor, a apoiando de maneira corfortável sobre os braços bem definidos - Moni! Mas o que você aprontou dessa vez?! - brincou, encostando a testa na da menor - Eu sei que é divertido fazer penteados com shampoo, mas não precisava usar tantos, pequena! Como vai ficar se o Joshua não estiver aqui pra te ajudar?!<br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Joshua</span></div>
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Monique aconchegou-se melhor nos braços forte da tia Blair, os olhinhos da criança avermelhados por conta do shampoo. Logo a menina perdeu a face de choro e riu baixo com a pergunta sobre ter aprontado. <br />
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- Eu queria tomar banho sozinha, tia! Porque daí o papai e o Joshua não precisam cuidar de mim… - a criança tentou explicar e logo esconder o rostinho nos braços da morena. <br />
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Joshua não demorou quase nada para retornar com o frasco de colírio. O loiro se aproximou, ajustando o par de óculos na própria face antes de pedir para a criança virar o rostinho e abrir os olhos para que aplicasse o colírio. <br />
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- Obrigado, senhorita Al-Amir, por cuidar da senhorita Biedermeier. - ele agradeceu educadamente, estendendo os braços para que a mulher lhe devolvesse a menina. Monique se encolheu mais nos braços de Blair, indicando que queria continuar ali. - Vou buscar suas roupas então, senhorita. Pode secar o cabelo dela, por favor senhorita Al-Amir? Não é bom que ela fique com o cabelo molhado tão tarde. <br />
<br />
Joshua explicou e chamou pela mulher ao seguir para o banheiro, indicando uma das gavetas onde havia um secador de cabelos para a criança. O loiro logo depois foi se afastar para poder buscar as roupinhas da menininha. Monique, por sua vez, ficou curiosa com o secador de cabelo e em como a mulher usaria o acessório. <br />
<br />
- Sua mãe seca o seu cabelo, tia Blair? - a menina perguntou, erguendo o olhar para morena ao estender as mãozinhas para sentir os fios escuros do cabelo dela. - Cadê seus brincos, tia Blair? Você não furou as orelhas, não? - os olhinhos da criança brilharam com curiosidade.  <br />
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<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
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Não se conteve de rir quando a criança explicou a razão de todo o acidente com shampoo. Afagou os cabelos da menor com a mão em que não estava dando total apoio ao corpinho, em seguida dando um beijo no topo da cabeça:<br />
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- Tudo bem Moni, mas não tem nada de errado em pedir ajuda para os seu pai ou o Joshua, eles cuidam de você por que te amam, tá certo? - sorriu, falando baixo para a menina aninhada em seus braços.<br />
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Fazia movimentos vai e vem com a criança no colo, como uma pequena dança enquanto apoiava a criança em seu colo. Em pouco tempo, Joshua voltou e ficou mais parada, a fim de evitar mais desastres como o do shampoo. Deu uma breve piscadela quando Joshua agradeceu a ajuda, sorrindo de orelha a orelha:<br />
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- Não tem nada demais, Joshua! Eu e a Moni fofocamos de muito sobre você e o Marquinhos, né, Moni? - brincou com a menor, colocando a ponta da língua para fora numa careta engraçada, até a menina se recusar a sair de seus braços,e Joshua pedir ajuda para secar os cabelos - Claro! Vamos bagunçar um pouco mais esse seu cabelo, mas juro que depois a gente arruma!<br />
<br />
Girou os calcanhares e acompanhou Joshua de volta para o banheiro, logo recebendo instruções de onde ficava cada coisa, e assim que o outro saiu, apoiou a menor sentada sobre o balcão. Assim, não teria que se curvar muito, balcão de rico sempre aguenta mais peso do que dizem.<br />
<br />
- Vamos ver, uau, esse secador parece que poderia andar sozinho! - brincou, ligando o aparelho na energia e se virando para Monique, apenas para sentir as pequenas mãos em seus cabelos e receber uma pergunta bastante inusitada da menina. Sorriu mais suave, ligando o secador que felizmente não fazia tanto barulho.<br />
<br />
- Minha mãe não pode secar meu cabelo, Moni! Eu já sou uma moça grandinha. Estou até mais alta que ela! - não precisava nem deveria falar com uma criança sobre o que passou, então levou a conversa num tom mais leve. Passava as mãos com cuidado entre os fios escuros e curtos da outra, balançando de leve para ajudar o secador a fazer seu trabalho - Eu nunca tive chance de usar brincos, nunca nem pensei nisso, sabe? - ponderou um pouco, em seguida rindo dos próprios pensamentos - Mas as suas orelhinhas são furadas, né? Que tipo de brincos você gosta de usar? Se eu furar, quero que você me ajude a escolher o meu primeiro par, que tal?<br />
<br />
Ofereceu para a pequena, parando um pouco de usar o secador para olhar de frente para os orbes castanhos de Monique, sorrindo radiante:<br />
<br />
- Ou melhor! Você me dá o meu primeiro par, e eu escolho um par de presente pra você, que tal? Troca de presentes! Natal fora de época!<br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Monique/Marco/Joshua</span></div>
<br />
A menina parecia intrigada pelas histórias contadas pela mais velha. Joshua havia se afastado para buscar as roupas da criança, escolhendo ignorar as provocações da morena, visto que não havia razão em tentar repreendê-la quando ela continuaria, de toda forma, a lhe provocar. Monique, por sua vez, ao falar sobre os brincos, sorriu mais animada, orgulhosa em apresentar os furos de suas orelhas.<br />
<br />
- Eu fui muito corajosa, tia! Eu nem chorei quando furaram! Foi o que papai me disse! Eu sou uma menina adulta já! Não sou um bebê, não é tia? - a menina riu, concordando com um aceno da cabeça ao bater os cabelos, ficando assanhada. - Eu ajudo sim, tia! Vamos achar brincos bem bonitos para você! Minha mamãe tem um monte de brincos bonitos, sabia? Ela--<br />
<br />
E foi então que um ruído alto ecoou do quarto vizinho e o som de algo caindo no chão se fez presente, seguido da voz furiosa de Marco: <br />
<br />
- Monique! Eu já que disse para não deixar essas porcarias no chão! Por que não guarda os seus brinquedos como mandei?! Quer matar o seu pai?! - o advogado havia acabado de tropeçar em alguns dos brinquedos da menina e, enquanto tentava se erguer, sem estar acostumado novamente com a falta da visão, havia se machucado e caído mais uma vez. <br />
<br />
A menina, ainda aos cuidados de Blair, encolheu-se entre os próprios ombros, os olhos enchendo de lágrimas. <br />
<br />
Joshua passou pelo corredor para ir ao encontro do próprio patrão a fim de ajudá-lo a se levantar. O loiro acabou pedindo desculpas pelo próprio descuido em não guardar os brinquedos da criança. Ele ainda explicou que estavam brincando ali antes do próprio patrão chegar. Marco ainda parecia irritado com a situação, mas logo tratou de dispensar o segurança, alertando que nada daquilo era trabalho dele e que só precisava terminar de trocar de roupa para ir jantar com a família. Joshua ficou quieto e continuou a guardar os brinquedos o mais rápido possível, ciente de que Blair ainda precisava das roupinhas de Monique no banheiro. <br />
<br />
A pequena Monique lutava contra as próprias lágrimas, assustada por ouvir a bronca dura vindo de seu pai por sua negligência em organizar os próprios brinquedos. Era muito difícil ser uma adulta afinal de contas. <br />
<br />
<div style="text-align: center;" class="mycode_align"><span style="font-weight: bold;" class="mycode_b">Blair</span></div>
<br />
Era divertido para Blair como Joshua sempre fugia de toda interação social que tinha com a mulher de cabelos escuros. Mas o importante no momento era secar os cabelos de Monique. Sorriu, quando ela falou que não chorou quando furou as orelhas, apenas concordando com cabeça quando ela perguntou não ser uma adulta. Terminou logo de secar os cabelos curtos, e estava muito feliz com a troca de brincos que fariam, quando ouviu o barulho seco vindo da sala e um Marco furioso. <br />
<br />
A mulher de pele negra havia olhado em direção ao barulho, mas logo tornou a atenção de volta para a menina, que parecia se encolher como uma pequena tartaruguinha. Suspirou, ouvindo passos rápidos e certos, que podia confirmar que eram de Joshua. Entendia a frustração de Marco, e também entendia a reação de Monique. Levou um dedo a frente dos labios num sinal de silêncio:<br />
<br />
- Shh... Tá tudo bem Moni. Todo mundo comete erros, tá bom? Nada de lágrimas hoje! - colocou um sorriso no rosto. Sabia que na hora, o que não poderia era ficar abalada como a menina. - Vem cá comigo.<br />
<br />
Pegou a menina nos braços, deixando ela muito confortável, quase num pequeno abraço, e saiu do banheiro, indo em direção de Marco com um sorriso debochado que o mais velho conhecia muito bem.<br />
<br />
- Poxa Marquinho! Eu disse que você precisava fazer esportes durante a época de faculdade, teria amortecido a queda! - riu entre dentes, segurando a menina mais para perto do próprio corpo - Sabe, a Moni aqui tomou um baita susto - foi bem enfática, porém sutil nas palavras, esperava que talvez, mesmo irritado, Marco percebesse que a menina havia ficado abalada com a situação - tudo isso se resolveria se o papai dela tivesse criado mais massa pra amortecer a queda. Isso que dá só estudar!<br />
<br />
Encostou a bochecha no topo da cabeça menor, a protegendo em um pequeno abraço, para que ela não se sentisse exposta ao pai. De qualquer maneira, girou os calcanhares, indo em direção ao quarto da menor, que não era difícil de identificar.<br />
<br />
- Mas bem, vocês dois precisam trocar de roupa! Vamos Moni! Você tem que pôr uma roupa muito fofa pra jantar. Dizem que quanto mais bonita a roupa, mais gostosa fica a comida! Vamos ver uma juntas, tá bom? Joshua, pode deixar que eu separo uma roupinha pra Monique!]]></content:encoded>
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