Skurai
O festival escolar de St. Clavier se aproximava cada vez mais. Todos os anos, as turmas do primeiro ao quarto ano uniam-se para fazer as mais diversas atividades culturais, movimentando a escola mais do que a usual correria das aulas e atividades dos clubes. Aqueles que pertenciam aos clubes esportivos uniam-se para competições e demonstrações no ginásio, demonstrando a proeza física dos bolsistas e esportistas dedicados; os com talento artístico faziam exposições, espalhadas por todos os ateliês e salas da escola, convidando os habitantes de Cerise, pais e amigos para contemplar a beleza (e a estranheza) de criações originais dos pretensos artistas da escola. Os acadêmicos uniam-se para fazer o que sabiam melhor: expor a cultura de seus países, elaborar atividades engraçadas e criativas que distraíssem visitantes cansados de verem o reluzir de jovens talentos quase inalcançáveis. E tinha o resto, claro. Em todo lugar, havia o resto.
E enquanto todos ansiosamente aguardavam o dia do festival, aqueles que não tinham interesse em se juntar a grupo nenhum, que não tinham amigos, não tinham boas notas ou eram simplesmente sem conserto pareciam que iriam ficar sem fazer nada. Porém não foi bem assim: o Conselho Estudantil, comandado pelo filho do diretor de St. Clavier, o igualmente pomposo Cesar St. Clavier, mandou através de seu secretário, René, um memorando para muitos alunos. Estava escrito:
À Monsieur ___________,
Em sua ausência nas inscrições iniciais às atividades do Festival Escolar de St. Clavier ou na não-aceitação de sua proposta para o festival, o Conselho Estudantil informa que, visando a manutenção do espírito coletivo, você foi designado para realizar uma atividade junto ao grupo de teatro de St. Clavier. Compareça ao auditório principal após as aulas para as reuniões do grupo. Caso decida não comparecer, alternativamente, deverá participar do curso integral de férias, que tomará os turnos matutino, vespertino e noturno em todos os dias do recesso e cujas notas serão pesadas junto com seu boletim.
Atenciosamente,
Cesar St. Clavier, presidente do Conselho Estudantil.
Entre participar de alguma atividade e ter as férias tomadas por cursos que iriam de cozinha básica e corte e costura até álgebra avançada, era apenas natural que o teatro parecesse interessante.
E foi assim, após as aulas, que as portas do teatro foram abertas para um grupo singular de alunos, na proposta de apresentarem uma versão alternativa de Branca de Neve e os sete anões.
[Convidando todos os professores na tenra idade de 16 aninhos. Podem postar sem ordem mesmo, como fizemos na thread de natal. E também não precisa fazer post longo. Ações curtas vão acelerar a thread já que tem muita gente x3 Divirtam-se]
Mathew
Chegou cedo no teatro para as atividades escolares. Tinha ótimas notas e uma péssima vida social. Impulsionado pelos pais a se localizar melhor com os outros garotos da instituição, o loiro asmático resolveu que seria uma boa oportunidade de tentar conhecer novas pessoas com a atividade proposta pela administração do lugar aos alunos. Se inscreveu também para poder ganhar alguns pontos extras em seu currículo.
- Olá! Bom tarde! - cumprimentou os presentes de maneira educada, carregando sua mochila nas costa, os óculos de armação grossa no rosto enquanto seus cabelos loiros não conseguiam se comportar, alinhados.
Procurou por alguém que já deveria ter chegado, pegando sua mochila para beber um pouco de água por ter andado rápido demais para chegar ali na hora certa. Não queria chegar atrasado e acabar sendo repreendido por ser incompetente com horário. Ainda não fazia ideia de quem estaria naquele trabalho escolar também. Havia visto alguns garotos falando sobre o assunto no corredor, mas ainda não tinha certeza de nada.
Vivien
Vivien não sabia porque tinha recebido aquele bilhete do Conselho Estudantil. Estava inserido no clube de Rugby e tinham demonstrações e partidas marcadas para o Festival Escolar. Mas se parasse bem para pensar, só havia mesmo um motivo pelo qual estava ali: Cesar, seu primo, não ia muito com a sua cara. Suspirou e se resignou a atender aquela ordem. Quem sabe, com tantas peças estranhas que apareceriam por ali, o lugar talvez precisasse de um pouco de ordem.
Foi depois das aulas como dito no bilhete, e não fez muita cerimônia de entrar no auditório, dando de cara com um gordinho que parecia ser o tipo nerd e não fazia muito seu tipo. Não seria mal educado por causa disso.
- Boa tarde. - respondeu, prontificando seu sorriso comercial. - Monsieur Morrisson, não é? Certamente não esperaria ver você aqui. Parece o tipo estudioso. - aproximou-se, estendendo a mão para um cumprimento amigável. - Não sei se sabe meu nome mas por via das dúvidas, Hector St. Clavier. - riu, agradado. - Branca de neve e os sete anões, hmm? - suspirou longamente, então rindo da sorte do grupo.
Benjamin
"Alguém precisa ir lá e dar conta desse grupo". Foi aquela frase do presidente do Conselho Estudantil que fez com que os demais integrantes contorcessem as expressões em desgosto. Ninguém queria lidar com os estudantes delinquentes e deslocados só porque eles não tinham o que fazer durante o festival. Bom, exceto por Benjamin. Como secretário, nunca tinha muito o que fazer no Conselho, todos os outros integrantes estavam muito ocupados... e não negaria um pedido de César. Por isso, não demorou a comparecer no Teatro supostamente na hora marcada, mas obviamente mais atrasado do que alguns poucos alunos.
- Boa tarde, vocês estão aqui para a peça da Branca de Neve, não é? - perguntou, aproximando-se das únicas duas pessoas que sabia quem eram: o nerd gordinho excluído e o primo do presidente do Conselho. Não teve muito tempo de ouvir as respostas, quando outra voz conhecida foi bem audível na entrada do teatro.
Aleksei
- Quem é que eu tenho que fuder pra me livrar disso?
Aleksei estava de mau humor. Por isso não se importou em pegar um cigarro da sua cartela de reservas e acendê-lo sem receio na entrada do teatro. O uniforme estava desarrumado, como alguém que tinha vestido as roupas muito apressadamente. Apenas depois de guardar a cartela de cigarros e o isqueiro que se importou de terminar de abotoar a camisa até quase o colarinho. Tivera um cliente bem inconveniente naquela manhã - que tinha lhe deixado marcas exageradas -, e o maior problema era que não tinha recebido tudo. Bom, tinha que dar um jeito naquilo e usou de outros contatos para garantir que aquele cliente em particular receberia ainda mais dor do que tinha lhe causado. Mas queria estar lá para assistir... e aquela porcaria de teatro lhe atrasaria.
- Tenho um compromisso inadiável em dez minutos. - adicionou, soprando a fumaça do cigarro para cima.
Soren
A presença de Soren foi silenciosa o suficiente para conseguir ainda observar um pouco da interação do Secretário do Conselho Estudantil ao chegar no teatro e passar despercebido, até que aquele aluno bem difamado chegasse com a ousadia de acender um cigarro. Pronunciou um breve "tsc" em desgosto para as palavras e a postura dele e aproveitou que ele passou direto pelo corredor principal para acompanhá-lo, sorrateiro e discreto, até alcançar o cigarro na boca dele e tirá-lo com uma expressão de irritação em resposta.
- É proibido fumar nos limites da Academia, Sr. Vlahos. E garanto que não tem nada que possa fazer que o livre da atividade para o festival. - disse, um pouco perdido do que faria com o cigarro, até se renegar a apagá-lo no chão de uma vez. Voltou a atenção para os demais. - Acredito que exceto pelo Sr. Morrison, os demais me conhecem. Eu sou Soren Halstein, presidente do Conselho Disciplinar, e estarei supervisionando essa atração do festival em particular.
Vivien
As pessoas começaram a chegar aos montes quando menos esperava. Mal teve tempo de se apresentar para o gordinho, viu o secretário do Conselho Estudantil. Logo atrás dele, um tipo vulgar surgiu com a boca já cheia da revolta. O conhecia por rumores, mas nunca tinha tido a sorte de contatá-lo. Até onde sabia, se ele estava em St. Clavier, era porque seu tio quem sabe tivesse uma queda por adolescentes.
E não podia negar. Ele era excepcionalmente bonito. Ainda que muito, muito vulgar.
Logo que Soren, a víbora do Conselho Disciplinar entrou, já colocando moral em todos ali presentes, sentiu que não teria vontade alguma de conversar com o gordinho que já tinha esquecido o nome. Até folgou levemente a gravata do uniforme perfeitamente alinhado. Abençoada fosse aquela escola, com tantos rapazes aprazíveis.
- Calma, monsieur Halstein. Ainda nem começamos as atividades, não nos desanime tão prontamente. Estamos apenas conversando casualmente - comentou, enfiando as mãos nos bolsos, olhando de leve para o prostituto com interesse. - Além do que, fomos todos colocados aqui pelo Conselho Estudantil. Não seria errado dizer que, mediante uma conversa informal com a administração, há a chance de se livrar dessa atividade. - sorriu, como se não tivesse acabado de implicar que o prostituto poderia bem dormir com Cesar. - Ah, mas se for esse o caso, monsieur, me leve. Eu ainda não sei porque estou aqui.
Dieter Rupert
Dieter estava numa semana daquelas, cheia de trabalhos e experimentos, queria ter terminando de escrever o trabalho que queria antes do festival começar, mas era perdido, sempre lhe arrastavam para alguma atividade que não queria. Mas aquele ano estava se saindo excepcional com um bilhete vindo do próprio conselho estudantil. Seguiu para o auditório e pegou o meio de uma conversa, ou melhor de uma bronca direcionada a um dos alunos:
- Também é proibido ser chato, mas taí você todos os dias, e a gente te perdoa, então 'cê devia atender a parte de ser legal com os colegunhas Sosó! - Dieter interrompeu todo o discurso pomposo do aluno engomadinho número um da sala.
-Olá, Boa tarde a todos! Estamos todos cheio de animação para essa atividade excepcional! - o moreno de óculos ergueu os braços em um gesto amplo cheio de energia quase teatral: - só que não. - completou mudando de postura, e sentando em qualquer lugar, largado, com o uniforme todo desalinhado: - Mas aproveitando que tem gente dos dois conselhos aqui, 'cês bem que podiam dizer porque do bilhetinho de trote, nem sou calouro mais pra passar por isso.- sacudiu o pedaço de papel com toda a relevância que dava aquela atividade.
Mathew
Sorriu para o sujeito educado e sorridente que se aproximava, cumprimentando-o de volta. Não teve muito tempo em respondê-lo, sendo prontamente seguido de outras pessoas que logo adentraram o espaço. Podia não ser conhecido por elas, mas bem sabia como se chamavam. Tinha que saber o nome dos caras para que quando passassem no corredor e as pessoas falassem seus nomes, soubesse que era a hora de seguir seu caminho ou ficar atento ao que estava fazendo.
- Vou te chamar de Hector hoje, porque monsieur St. Clavier é muito esquisito. Pode me chamar de Mathew. - respondeu ao tal Hector, reconhecendo de quem ele deveria ser aparentado.
Não demorou muito o seu entusiasmo momentâneo quando aquele garoto entrou no teatro fumando. Mais que imediatamente, levou a gola da camisa até o nariz, segurando a respiração pouco antes de sentir, conforme ele se aproximava, o fedor do tabaco. Já ia reclamar que ele não deveria fumar ali quando o tal Soren apareceu.
- Atchum! - não segurou o primeiro espirro, fungando com força o nariz antes de virar a própria mochila de novo, buscando sua caixinha de lencinhos para poder segurar o início do que poderia ser uma sequência de espirros. - Trote? - perguntou sem entender o descaso da maioria ali com aquela oportunidade. Não pareciam muito inclinados a socializar. Simpatizava mais com Hector e o tal garoto inglês, mas não com o sujeito vulgar. E já conhecia Dieter, ao menos sabia do que ele era capaz. O sujeito era bem inteligente e desenrolado. Queria poder trocar metade de seus problemas respiratórios por um pouco de descaramento do outro.
Stephen
Estava chapado demais para entender o que aquela mulher - seria uma mulher? - alta havia dito. Era uma professora? Coordenadora? Sua tia? Um professor afeminado? Ah, só queria comer um sanduíche e dormir. A larica havia batido, mas decidiu pegar o tal papel que aquela pessoa havia lhe dado. Leu o chamado a muito contragosto. Então lembrou do formato das nádegas de alguns colegas que possivelmente apareceriam por lá, ainda que cobertas pela calça da academia.
- É.... não pode ser tão chato assim. - coçou os fios de cabelos que já estavam ficando grisalhos, e seguiu para o tal auditório.
Havia esquecido a mochila e só estava com uma caneta no bolso. No outro, um maço de cigarros. Foi entrando na sala devagar, inicialmente com um ar de poucos amigos, encarando um por um. Até que um largo sorriso despreocupado se formou, erguendo a mão.
- Boa tarde meus colegas! E então? O que temos pra hoje? - e não demorou para se sentar no chão, encostando-se na parede ignorando quaisquer cadeira que estivesse presente. Além de atrasado, estava visivelmente em outro mundo.
Benjamin
A quantidade de pessoas aumentava exponencialmente. Não tinha como fazer muita coisa, além de sorrir e cumprimentar o outros que estavam ao redor e guardar os nomes deles mentalmente para repassar para César depois. Tinha o rapaz de má fama, o presidente do Conselho disciplinar, o estudante de ciências com prêmios, o drogado de cabelos grisalhos... agora entendia porque César queria mesmo alguém de olho no grupo. Mas mal teve tempo de falar com Soren - com quem estava mais acostumado, quando o grego fez uma expressão irritadiça para ele.
- Pra tocar é mais caro, Sr. Presidente. - ele disse, lambendo os lábios com um sorriso convencido e olhando por cima do ombro para Hector. - Contanto que me pague, eu levo pra qualquer lugar.
Ele se sentou numa das cadeiras da platéia, jogando os cabelos para trás e parecendo bem relaxado. Só então Benjamin conseguiu retomar o fio da conversa.
- Stephen e Dieter, não é? Não é trote, é uma atividade do Conselho Estudantil para os alunos que não estão diretamente ligados com o festival da escola. - tentou explicar um pouco melhor o quadro. Ao menos superficialmente.
Dieter Rupert
Dieter mal tinha sentado se levantou novamente como um gato ao ter um pepino posto em suas costas ao ouvir o som do espirro, a ultima coisa que queria era ficar doente, com algum germe de sabe-se lá onde. Até sabia que o Mathew era alérgico, asmático, com todo um quadro de problemas respiratórios que só faria dele um tipo melhor para estudar se fosse um rato e não uma pessoa.
Sentou-se algumas boas cadeiras de distância do gordinho a tempo de ver um aluno certamente drogado chegar, podia jurar que alguns alunos estavam trocados experimentos botânicos por uma plantação ilegal de marihuana, mas não seria ele a dizer aquilo. Voltou atenção ao secretário quando ele tentou explicar a situação em que estavam:
- Certo Benjin, até agora você disse o mesmo que tinha no bilhetinho, mas é como um trote, ou no mínimo uma piada bem ruim, como "pavê ou pra comer". - o australiano completou com seu sotaque mais forte o que realmente fazia parecer que ele não estava levando a situação com muita seriedade: - porque nem de longe nos somos atores, talvez o senhor propaganda de pasta de dente ali talvez - Dieter apontou para Vivien descaradamente com as duas mãos: - mas assim, a maioria aqui não é o que podemos chamar de "ator", então independente do que a gente tiver de fazer nessa peça, vai parecer uma piada ou trote, ou no mínimo um filme de classe D.
Vivien
Quando a vida parecia que tinha lhe agraciado com muita gente bonita para observar, veio Dieter Rupert. Não que fosse chegado dele, mas ele era bem notório no campo das ciências. Nem queria mexer com aquilo, apenas aceitando que Dieter existia ali. E logo atrás dele, outro que poderia ignorar completamente. Nem sabia o nome do outro aluno, e provavelmente ele também não. Pelo menos ele era menos alergênico para Morrisson que o cigarro de nicotina.
Arqueou a sobrancelha quando o prostituto loiro lhe respondeu com uma provocação, até divertindo-se com aquilo.
- Pena que estou economizando. Mas estou disponível para falar de investimentos. – respondeu, entretido com a Benjamin então, que parecia disposto a explicar tudo com mais paciência que Soren. Acabou rindo mais ao ser chamado de propaganda de pasta de dente, especialmente porque estava sendo acusado de ser um ator. Definitivamente não ia com a cara de Dieter. – Não adianta se aborrecer com o “Benjin”, monsieur Rupert. Ele não pode revogar a decisão do Cesar. Pense que se atuarmos bem, ano que vem não teremos o mesmo castigo. Se atuarmos mal, então fizemos um protesto pacífico. O detestável é só a perda de tempo.
Tamotsu
Tamotsu estava abusado. Mas também sempre estava abusado. Queria só arrumar briga com quem passasse para reclamar que estava fumando nos fundos da escola, mas o rapaz que lhe trouxe o bilhete parecia não ter medo de levar um sopapo. O que tinha escrito... bom, mais aulas. Isso não queria de jeito nenhum. Já se ferrava constantemente por ser um lixo no francês... e em todas as outras matérias. Podia atuar numa peça de teatro, não parecia tão mal.
Foi até lá depois das aulas, mas só depois de fumar mais um cigarro. Encontrou outro japonês de sua turma no corredor, e ele apenas lhe seguiu sem dizer uma palavra. Acabou resmungando gravemente enquanto entrava no auditório, o uniforme todo desleixado no corpo rechonchudo. Na verdade, resmungou ainda mais quando percebeu que ele baixinho e gordo e o outro, alto e magro, pareciam uma dupla de comediantes japoneses da década de oitenta.
- Sai daqui se não te dou um sopapo, seu puto! – rosnou pro outro japonês, então se jogando numa cadeira de modo preguiçoso.
Lei
Lei sabia porque tinha recebido o bilhete. Tinha conseguido não se entrosar com ninguém de sua turma. Era quieto, não tirava notas excelentes e não tinha projetos. Era o único também que praticava karatê tradicional, e era a única coisa de que entendia 100%. Foi até o auditório sem opções, e encontrou outro japonês no caminho. Não disse nada. Não parecia certo.
Já no auditório, foi expulso da companhia do mesmo e apenas cumprimentou-o com uma reverência antes de caminhar até o canto do auditório, observando todos ao redor com atenção, notando que tinham até mais alunos problema do que esperava. Queria que seu irmão estivesse ali também.
Abel
O pedido de César não lhe foi estranho. As pessoas do clube de teatro de St. Clavier eram no todo muito elitistas. A única pessoa de classe média naquela escola com bolsa para teatro era ele, então os pedidos mais absurdos vinham para ele. Abel correu após as aulas para alcançar o teatro, afinal, teria muitas pessoas que instruir naquela arte milenar, e isso lhe deixava feliz.
Levou um carrinho cheio de cópias do roteiro e abriu a porta do auditório, o rosto ficando prontamente vermelho após ver que haviam tantos garotos ali, e logo ele, logo ele que precisava ser responsável, estava atrasado.
- Benjamin, desculpe o atraso, fui tirar cópias do script. – Abel falou, exasperado, levando o carrinho na direção do grupo. – Olá a todos, sou Abel do Clube de Teatro. Estou aqui para supervisionar os ensaios e ajuda-los no que precisarem, oui? – estava até animado, mesmo que os outros não parecessem assim – Podem pegar o roteiro da peça comigo. Acho que adiantaram para vocês que faremos “Branca de Neve e os sete anões”. Discutiram algo sobre a peça?
Ulrik
Ulrik abriu sua agendinha onde guardava os compromissos do dia. Como uma pessoa com proeminência acadêmica, supôs que ter recebido o bilhete do Conselho Estudantil só poderia significar que não era muito sociável. Bom, apenas a realidade. Ainda que o problema fosse o nome de sua família, não ele em si.
Fechou a agenda quando chegou no lugar de compromisso, dando dois toquinhos na porta antes de entrar, sorrindo levemente quando viu que estavam quase todos ali.
- Ah. Desculpem o atraso. Já começamos? – perguntou, entrando e fechando a porta, um olhar rápido para ver quem estava presente naquele lugar. O sorriso se desfez momentaneamente ao ver Soren do Conselho Disciplinar. Lambeu rapidamente o lábio, os olhos castanhos relaxados mostrando o branco abaixo dos mesmos. Então voltou a sorrir rapidamente. – O Conselho Disciplinar também está aqui? Estamos encrencados? – riu, discreto.
Soren
Seria um inferno organizar todos aqueles alunos. Mas até valia a punição para cada um deles - mais de um já tinha passado pela sua sala e pelas detenções mais de uma vez. Ignorou prontamente os comentários do aluno de ciências e fora a presença espalhafatosa dele, apenas Vivien se destacava por motivos óbvios - o sobrenome. Os outros alunos foram chegando e finalmente o responsável pela atividade de teatro resolveu dar as caras. Mas ele mal separou os scripts com a ajuda de Benjamin, parecendo as únicas pessoas dispostas ali, para que outro aluno problemático de família perigosa aparecesse. Estreitou o olhar discretamente para ele também, tentando não dar tanta atenção para o aluno.
- Estou aqui apenas para anotar os nomes daqueles não colaborativos, afinal, a detenção será em horário integral durante as férias. - avisou, andando cuidadosamente até Aleksei, puxando da mão dele o cigarro que já tinha tirado da caixa, sem prestar atenção nos arredores. - Já disse, nada de cigarros, Aleksei.
De novo, a resposta do loiro foi um breve "tsc", jogando a cabeça para trás enquanto esperava algo mais acontecer ali.
Abel
Abel mal sabia por onde começar com aquele grupo tão extremamente variado. Distribuiu os scripts com Benjamin a todos dispostos a pegar. Até para o par de japoneses.
- ‘Tá olhando o que? – Tamotsu rosnou para o rapaz do clube de teatro, que apenas jogou o roteiro na cadeira ao lado dele e deu uma pirueta de meia volta.
Com todos os roteiros distribuídos, poderiam começar o trabalho.
- Acho que o mais lógico é começar distribuindo os papéis. Pelo espírito do teatro, que é a capacidade de interpretar diferentes personas, acho que o mais certo seria fazer isso com um sorteio. – comentou. – Então podemos nos reunir sentados em um círculo no palco e discutir o que sabemos sobre nossos personagens.
Ulrik se prontificou.
- Vou fazer papéis de sorteio com os nomes dos personagens. – gostava de organização, então não era estranho que se dispusesse a isso. Anotou o nome de cada um dos personagens escritos na peça em uma folha de papel de sua agenda e picotou os papeizinhos. Passou de um em um para que pegassem um filete de papel rasgado. - Aqui estão.
[Os papéis, o sorteador >D
Caçador
Rainha Má
Branca de Neve
Espelho
Príncipe Encantado
Mestre
Dengoso
Atchim
Feliz
Zangado
Dunga
Soneca
https://www.sorteiospt.com/list]
Vivien
Pegou o script e sorriu para o rapaz do clube de teatro com educação. Ele não era muito chamativo, mas era surpreendentemente bonito. Um tipo de beleza clássica francesa. E certamente era afeminado, o que queria dizer que daqui para o final daquela peça pelo menos não teria perdido tempo o suficiente sem nenhuma recompensa. E uma recompensa delicada.
- Bom, não existem papéis melhores ou piores nessa situação. - sorriu para Ulrik, pegando um papelzinho. Então seu rosto sorridente se desfez, pois o karma de sua sorte ficou óbvio. - Espero que os vestidos pretos do teatro sejam bonitos. Peguei a rainha má. - comentou, entretido.
- Ah! Eu deveria pegar um também. - Ulrik comentou, puxando um dos papéis. - Dengoso. - o rapaz acabou sorrindo mais amplamente. Não poderia ser mais diferente de si mesmo.
Vivien foi se retirar para sentar no palco como tinha sido instruído por Abel. Até era colaborativo.
Stephen
Por um instante cochilou encostado na parede. Abriu os olhos num susto, sentindo uma súbita vontade de gargalhar ao notar que a sala já havia enchido. Seu estômago estava vazio, só queria comer um sanduíche de mortadela. Levantou-se do chão ao ouvir a palavra "sorteio", e ignorando todos os outros, caminhou até Ulrik onde aceitou de bom grado o papelzinho. Deu uma encarada descarada na bunda do colega enquanto abria o papel sorteado, finalmente deparando-se com o resultado. Não aguentou e gargalhou, principalmente com a resposta de Vivien, que conformado - ou colaborativo - aceitou ser a rainha má de bom grado.
- HAHAHAHAHA! Rainha má?? Sou um anão. Sou o Feliz. - mostrou o papel - Sério que vamos interpretar Branca de Neve? Pffff! - escondeu a boca com a destra. Havia ignorado as instruções iniciais, logo aquilo tudo era novo - E quem será o felizardo que vai ser a princesa? - perguntou, enquanto caminhava na direção das cadeiras que Abel havia indicado.
Aleksei
Estava irritado e nervoso, queria sair dali e descontar em algumas pessoas aquelas marcas que tinham ficado em seu corpo. Suspirou pesadamente com o presidente do Conselho Disciplinar lhe marcando mais do que fazia nos corredores. Sequer prestou atenção nos outros, apoiando a cabeça no banco da frente entediado enquanto aquele outro filhinho de papai se aproximava com uma caixa. Olhou para ele com uma sobrancelha levemente arqueada e estreitou o olhar para Soren que lhe vigiava mais do que os outros - era algum tipo de marcação cerrada. Puxou um dos papeis, olhando o nome sem interesse.
- Branca de Neve. - falou, jogando o papel de lado. - Já terminou?
- Não. - Soren interveio e Aleksei manteve a pouca paciência que ainda lhe restava.
Benjamin aproximou-se para pegar o seu papel também, sem tanto receio quanto o grego.
- Soneca. Temos três anões então. - comentou, com um sorriso discreto tentando amenizar um pouco o clima de carcereiro e prisioneiro entre Aleksei e Soren... que pelo histórico, não duraria tanto até que Aleksei conseguisse escapar.
Dieter Rupert
Dieter ainda prestou atenção no que Vivien comentou, e certamente apesar da aparência de plástico típica de garoto rico, ele falava bem e era convincente: - ok, ok, eu compro a pasta de dente. - brincou, apenas afirmando que ele de fato era convincente nas coisas que falava.
Não comentou nada dos asiáticos, realmente se perguntava que tipo de resultado iria sair dali, e só não podia ser bom. Se aproximou do aluno do teatro, para puxar uma cópia do roteiro e repousar a mão sobre o ombro do mesmo: - desculpe, sei que vou ser terrível, mas não nasci ator. - comentou despreocupado. E apesar da má vontade geral, todos pareciam colaborativos, uns picotando papeis, outro já sentando em rodinha, até parecia um bando de bichinhos treinados, como circo de pulgas.
Puxou seu papel no meio da pilha restante, e ajustando os óculos no rosto para concluir: - serei o príncipe encantado, de óculos, porque não tenho lentes pra bancar o galã de novela.
Lei
Lei ainda estava se sentindo decididamente por fora daquela confusão toda, e nem sabia como agir, estando perto de um grupo tão grande. Algumas pessoas ali eram muito escandalosas. Pegou um papel quando lhe foi passado, e sentou no centro do palco como foi pedido porque estava acostumado a acatar ordens.
- Espelho. - falou para ninguém, aceitando seu destino facilmente. Pelo menos não teria que aparecer muito, imaginava.
Enquanto isso, Abel riu com a colocação de Dieter, entretido.
- Com óculos ainda é muito bonito, monsieur. - respondeu ao moreno, simpático. - Além do que, mais do que ser bonito de fato, a platéia tem que acreditar que você é um príncipe. - deu um tapinha no ombro dele, de incentivo. Pegou também um papel para si. - Assim como as pessoas tem que acreditar que eu conseguiria machucar a bela Branca de Neve, como um caçador cruel. - riu.
Mathew
Ainda não entendia o que estava fazendo ali. A maioria dos alunos que adentravam o teatro eram alunos problemáticos, com alguns vícios ou má conduta. Alguém deveria ter confundido seu nome e lhe colocado ali no meio. Não fazia ideia do que havia feito de errado para estar ali. Contudo, seguiu com o protocolo, seguindo o sorteio de papeis.
- Zangado. - disse abafado ainda pela gola da camisa para não ter que respirar o fedor de tabaco. - Zangado?! - finalmente se deu conta do papel que havia recebido, abaixando a gola da camisa, descrente que de fato teria de fazer um dos anões e justamente o tal do anão irritadiço. - Como é que eu vou fazer isso? A Branca de Neve é o Vlahos! Como é que eu vou ser zangado com ela, ele, num sei! Vou ter uma crise alérgica só de chegar perto dele!
Reclamou, certo de que aquele papel era horrível para que o fizesse. Seria um Zangado com uma bombinha para asma constantemente acionada. Fez uma pausa ao se exaltar, usando de sua garrafa de água para tomar mais alguns goles, hidratando a própria garganta. Odiava ser afetado pelo tabaco e odiava ainda mais quando as pessoas não tinham consideração nenhuma com os outros da maneira com a qual o outro garoto havia entrado fumando no recinto.
Wilbert
Atrasado devido aos seus usuais problemas de temperamento, havia chegado apenas a tempo o bastante para pegar a conversa pela metade e assistir o sorteio de papeis. Aquilo só poderia ser algum tipo de piada bem de mal gosto da direção que deveria achar que não havia nada de mais útil que pudessem fazer com suas vidas. Talvez não fosse o melhor aluno devido ao seu temperamento inadequado, mas não havia necessidade para ter de receber aquele tipo de punição.
Não cumprimentou ninguém, não havia necessidade em ser educado com um bando de delinquentes com problemas tão parecidos ou piores que os seus. Desejava o mesmo que a maioria ali, que tudo acabasse e que pudesse voltar a suas ocupações. Aproximou-se para pegar seu papel, encarando o sorteio com uma forma mascara de tornar tudo aleatório e divertido aos que desejavam puni-los, porque aquilo não poderia ser chamada de reunião entre amigos.
- Mestre. - avisou antes de voltar ao seu lugar e cruzar os braços novamente, entediado com tudo o que estava acontecendo por ali.
Ciel
Havia recebido o recado por outro aluno num pedaço de papel enquanto falava ao telefone com o namorado, tentando dar uma explicação novamente pela sua ausência, sempre acabava gerando dor de cabeça. Acabou levando mais tempo do que imaginava e apenas se lembrou de ler o conteúdo do papel um bom par de minutos depois, e se já não possuía tempo livre normalmente, com certeza não teria nenhum se acabasse no meio de alguma atividade de férias. Se arrependia amargamente de não ter aceitado participar de nenhuma atividade do dito festival, se soubesse que lhe traria um problema assim! Não precisava que o seu boletim caísse mais do que o normal;
- Olá, olá! Desculpe o atraso! - abriu as portas do auditório dando de cara com o grupo diverso, alguns já conhecia como Matthew e a figura caricata de Dieter que era impossível não notar. Agora alguns dos outros tinha receio de não se lembrar nem mesmo do rosto. Depois de se inteirar com a situação, fazer cumprimentos rápidos e receber um script, foi puxar o seu papel do sorteio - Dunga! - avisou antes de dar espaço para que o próximo, e aparentemente último sorteado pudesse pegar o seu papel.

