Julgando a vida alheia [Diodoro]
Posted by: Natalia - 01-22-2023, 02:34 PM - Forum: Funerária Leoni - Replies (16)

Depois de dar a notícia ao amigo sobre sua situação na cidade, suas visitas se tornaram corriqueiras. Geralmente quando largava do plantão ou não estava tão cansada a ponto de ir direto para seu novo apartamento, resolvia passar pela funerária para encontrar o agente fúnebre que havia se tornado sua melhor companhia para lanchinhos noturnos na cidade. Sempre havia algo novo para comentar com o sujeito, fosse sobre o trabalho no hospital ou sobre sua vida pessoal com os encontros e desencontros com os funcionários do mesmo lugar. E Diodoro era um bom ouvinte. Para sua mais recente surpresa, ele até estava começando a falar mais sobre sua própria situação e dores de cabeça, como o problema com a própria família ao empregar o sujeito acidentado no cemitério.

Quando não convidava o sujeito para sair e jantar, levava algo para comerem, principalmente lanchinhos que bem sabia que a mãe dele faria cara feia se descobrisse que ele estava consumindo. Bem, a comida do hospital era bem sem graça e imaginava que trabalhando naquela funerária, o apetite do homem não buscava alimentos muito distantes daqueles que lhe trouxessem alguma satisfação emocional em contraste com a morbidez dos caixões e corpos para preparar.

Chegou na entrada no estabelecimento com sua bolsa de lado e duas sacolas de compras do mercadinho onde havia parado no caminho para chegar até ali. Estava com os trajes de tonalidades claras entre o branco, cinza e o beige, a saia de corte reto até os joelhos e a blusinha de tecido leve branca, acompanhada nos brincos dourados e finos que costumava usar. O jaleco estava na bolsa, pois precisava levar a peça para lavar depois do plantão.

Parou antes de apertar a campainha do lugar, mantendo o semblante mais neutro, pois nunca sabia quando o homem poderia estar atendendo algum cliente ou quando Brigida poderia estar na funerária. Ainda que ficasse animada de encontrar o amigo, mas era saudável para quem procurava o estabelecimento encontrar uma doutora como ela toda sorridente por ali. No mínimo seria tachada como, assim como imaginava que o pai de Diodoro diria, "rude". O agente fúnebre já tinha muito em seu próprio prato para se preocupar com aquele tipo de rumor.

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  Trouble in Paradise [Carbella]
Posted by: Natalia - 01-22-2023, 12:31 PM - Forum: Hospital Geral - Replies (6)

De acordo com o que havia conseguido averiguar da situação na pediatria, a ruivinha cereja havia se tornado um assunto delicado para se falar a respeito. Nem mesmo a supervisora da jovem enfermeira parecia inclinada a falar sobre a situação do desempenho do trabalho da mulher. Contudo, ao conversar com a supervisora de Carbella durante um café casual na copa do hospital, conseguiu descobrir como a mulher também parecia exausta da situação enquanto ela se queixava de estar passando muito tempo longe da própria família. Ouviu dizer no setor que a mulher mais velha havia conseguido uma transferência para algum dos setores administrativos do hospital, com fluxo mais tranquilo de trabalho e um pagamento maior. Porém, diante da sensibilidade da responsabilidade do cargo que ocupava, ela estava tendo crises de enxaqueca constantes pela obrigação de indicar alguém para substituí-la na supervisão. Naturalmente amigável, não hesitou em se oferecer para assumir o plantão da mulher durante sua "folga", considerando que não estava com nenhuma cirurgia marcada para o dia ou precisaria atender clinicamente algum caso mais urgente.

E foi assim que estava com a melhor expressão de desconforto ao se dar conta de que havia assumido, por aquele curto período de tempo, a supervisão de não qualquer setor, mas do setor do qual mais costumava se manter afastada: a pediatria.  Não foi difícil observar falhas na troca de plantões e horários dos funcionários ou ouvir comentários entre eles sobre combinados de horas para a troca de plantões. Não se importava com os "arrumadinhos" entre eles, até porque costumava fazer muito isso em seu próprio setor quando tinha alguma "emergência" para resolver. Contudo, não se importava desde que a negociação não afetasse o atendimento direto aos pacientes do setor, que deveriam ser a prioridade do hospital.

Conhecendo o aspecto de viciada em trabalho da ruiva cereja, não achou que ela demoraria tanto a assumir seu lugar na pediatria naquele dia, apesar do estado de nervos em que ela parecia estar no dia anterior. Na pequena sala da supervisão, havia começado a verificar os relatórios mais recentes do plantão da enfermeira. Como era de esperar, nada fora do comum, e a jovem até havia feito correções no prontuário de alguns pacientes a fim de melhorar o quadro de recuperação de muitos. Entretanto, no que constava no relatório do último plantão, havia uma breve observação sobre a troca de prontuários de dois pacientes de nomes parecidos. Ao que pareciam, eram irmãos, logo tinham o mesmo sobrenome, e por isso, deveriam ter confudido a cabeça já cansada da ruiva cereja.

Estava na sala de supervisão da pediatria, sentada à mesa com os papeis em mãos, aproveitando para verificar a dosagem das medicações mais recentes. Imaginou que não demoraria muito para Carbella retornar ao trabalho, então achou melhor continuar na sala, principalmente para evitar ter de lidar diretamente com qualquer criança no período em que estava ali aguardando a mulher. Ainda estava preocupada com o estado de Clementine, principalmente após a garota falar sobre conseguir dinheiro e começar a trabalhar logo. Talvez devesse alertar também Carbella para buscar o acompanhamento terapêutico psicológico do hospital para si e para a própria irmã.

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  Indigno [Renaud, Didier, Robespierre]
Posted by: Renaud - 01-09-2023, 12:55 PM - Forum: Distrito residencial - Replies (3)

Borrado. As coisas estavam todas borradas, parecia que não tinha de fato ocorrido, e eram coisas ditas sobre os outros, não que estava vivenciando aquelas experiências. O dia já caia e a noite era úmida e salgada em Cerise, não sabia se pela proximidade com o mar, ou pelo fato das lágrimas terem secado no rosto do moreno.

Um carro luxuoso tinha ido buscar o jovem Renaud Blanco no internato de St. Clavier, não tinha respondido as mensagens de celular, pois não tinha mais um, tinha estourado o aparelho no chão durante seu surto de raiva, e desde então todas as suas memórias eram um borrão.

Podia dizer que a única coisa que sustentava sua sanidade era a conversa que tinha tido com o psicólogo e o apoio incondicional de seu frater e de seu namorado. Mas até disso tinha sido privado ao ser levado da Academia para “casa”.

Queria ter sido acompanhado por Didier até a residência dos Blancos, mas houve resistência do assessor de seu pai, que disse em claro e bom tom que era “assunto de família”, ou seja, não tinha espaço para amigos. Quem em sã consciência e que se importa com o emocional dos outros, afastaria amigos em um momento de luto? Ele mesmo não conhecia tão bem a família Blanco a ponto de saber que a última coisa que se esperaria daquele lugar era “apoio emocional”.

Mas Renaud talvez estivesse apenas desacostumado à realidade, que a maior preocupação agora não era velar a morte recente de sua mãe, mas sim manter a integridade dos Blanco diante do ocorrido. Evitar fofocas de porque Beatrice estava indo e vindo entre Paris e Cerise fora de sua agenda, omitir os machucados e acidentes recém ocorridos com o filho mais velho de Deodatos. Porque a “saúde da família” era mais importante do que o estado emocional de qualquer indivíduo isoladamente.

Renaud apenas seguiu, sendo empurrado para o carro, depois para dentro da mansão, pessoas indo e vindo, sequer se deu o trabalho de falar com qualquer um deles. A casa da família Blanco em Cerise, era um símbolo de austeridade, um casarão antigo reformado para ser sede e palco de eventos sociais de grande porte, claro que todos os membros seriam chamados pra se reunir ali.

Apenas foi guiado pelo fluxo, para se trancar no quarto, no primeiro andar, com pequena varanda, e trepadeiras que careciam de corte. Era um dos cômodos que tinha usado poucas vezes no passado, não era diferente de um quarto de hotel bem arrumado. Limpo, genérico, totalmente superficial, não lhe representava nada, assim como sua própria "família".

O moreno se jogou sobre a cama, sem tomar banho, sem conversar, sem saber em quantas andava o velório.

Não queria pensar sobre existir.

Não queria nada.

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  No Limite da Ilegalidade [Lui; Diodoro]
Posted by: Karen - 04-11-2022, 11:20 AM - Forum: Cerise Baixa - Replies (5)

Mesmo depois de ter passado tanto tempo parado na pequena cidade do interior, Karen ainda recebia pedidos para serviços esporádicos no continente. Desde o início da sua estadia em Cerise, ele não tinha deixado a Europa, e a quantidade de trabalhos era cada vez menor, o que não era de todo mal. Até gostava da tranquilidade de ficar muito tempo em um lugar sem se preocupar com algum tipo de retaliação ou pensar em quando deveria desaparecer de novo. Claro, gostava ainda mais da sensação de ter mais do que só um mesmo lugar para onde voltar e com os acontecimentos mais recentes que aquela estranha cidadezinha tinha lhe trazido, podia até se dar ao luxo de ter uma vida além do alerta constante resultado do trabalho.

Era de certa forma estranho estar encarando o novo aparelho celular descartável para enviar alguma mensagem que não fosse relacionada a algum alvo, ou receber alguma informação também relevante de um cliente importante. Mas a estranheza não superava a sensação que podia talvez definir como confortável em ter, pela primeira vez em uma vida, alguém que lhe responderia sem cobrar a execução de algum serviço específico. Era uma sensação banal, tão banal que chegava a ser uma mudança agradável para o seu cotidiano.

"Estou voltando para a cidade. Posso encontrar você pela manhã."

Ainda parecia uma mensagem de trabalho, para todos os efeitos, e tendo em vista o horário avançado na noite, ele não receberia uma resposta tão cedo, mas com certeza era uma das poucas vezes em que tinha se sentido na expectativa de uma resposta.

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  Run Boy Run [Daniel]
Posted by: Qiang - 02-17-2022, 05:19 PM - Forum: Área externa - Replies (6)

Os dias na Academia St. Clavier estavam sendo bem diferentes, considerado o que estava acostumado a fazer na China. A maioria dos rapazes eram franceses ou de países próximos, o que só ajudava a lhe destoar do meio das cabeças masculinas, além do cabelo obviamente descolorido. Ainda conversava com alguns velhos conhecidos de sua terra natal pelo celular, mas não era a mesma coisa que ter com quem conversar que fosse mais próximo que uma tela de aparelho. Entretanto, não se sentia necessariamente inclinado a buscar conversar com os outros garotos. Havia se esforçado bastante para dominar alguns dos trejeitos da língua francesa para poder aplicar para aquela instituição, mas tinha certo receio de que, pelo seu modo de falar mais seco, fosse algo de piada pelos outros, então preferia ficar quieto ou ouvir músicas em seu celular para se distrair enquanto estava nos intervalos entre as aulas. 

Naquela manhã, havia sido levado, com sua turma, para o exterior do prédio de aulas. Trocaram de roupa, vestiram o uniforme para a aula de Educação Física, e se reuniram com a turma de alunos primeiranistas. Outro problema de ter entrado em uma turma do segundo ano era que boa parte dos alunos ali já se conheciam, enquanto que ele só fazia ideia de quem era Leung. Por falar no garoto, já havia percebido que ele tinha feito amigos ali, até mais de um, na verdade. Não sabia ao certo como lidar com aquela informação, pois observar como ele conseguia agora conversar com outros rapazes lhe deixava irritado e aliviado ao mesmo tempo. No fim, apenas escolhia se focar no treinamento e no objetivo de continuar vencendo as disputas contra o rival. 

- Nós vamos dividir as duas turmas e vocês vão fazer um circuito hoje com uma corrida de passada de bastão, pessoal!

Ouviu o professor falar à frente da turma enquanto cruzava os braços, imaginando que o professor queria misturar as turmas para fazer com os alunos do primeiro ano se sentissem bem vindos à escola. Começou a prestar atenção em como os alunos secundaristas que já se conheciam começavam a tentar combinar como seria a divisão entre eles para poderem "vencer" naquela brincadeira, como se fosse algum tipo de "competição". Revirou os olhos diante do falatório e se afastou para começar a se alongar, o professor já havia começado a organizar o circuito com os alunos mais dedicados da turma, de todo modo. Por conta de sua altura e cara nova, também era comum que fosse confundido com um primeiranista. 

- Nada de combinar times! Vamos de sorteio, garotos! 

Esperou pelo sorteio que o professor estava fazendo para organizar os times e acompanhou, quieto, como alguns de seus colegas vibraram de alegria ao serem colocados em um time com amigos conhecidos. Esperou ter seu nome sorteado para poder pegar sua fita de cor vermelha com o professor para identificá-lo como fazendo parte de um conjunto. Tentou amarrar a fita sozinho no próprio braço, ignorando como os outros garotos sempre pareciam ter alguém para ajudá-los. No fim, sempre poderia pedir ajuda para seu professor. Ou não... 

- Oi, você. - virou-se para um dos garotos que tinha sido sorteado para sua equipe. Ele era pequeno e tinha olhos verdes, tinha cara de ser novato, então resolveu tentar a sorte. - Amarra aqui a fita. - mostrou a fita vermelha e o próprio braço. Visivelmente, era mais forte que muitos garotos de sua turma. De fato, duvidava que alguém ali conseguisse ser mais forte que sua pessoa, ainda mais depois de ter derrotado seu rival.

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  Dilemas de Amizade [Lui; Yure]
Posted by: Oliver - 12-05-2021, 10:53 PM - Forum: Lixeira - Replies (7)

Os últimos dias tinham sido bem confusos para Oliver. Primeiro ele descobriu que o rival chinês tinha se mudado para Cerise e ia estudar na mesma academia que ele. Depois, tiveram uma disputa e ele ainda percebeu que tinha sido displicente com os treinos a ponto de Qiang lhe derrotar numa pequena disputa. Ainda tinha se resolvido com ele, a ponto dos dois concordarem em treinarem juntos, já que eram os únicos praticantes daquele estilo de Kung Fu naquela cidade pequena. E depois de ter se resolvido naquele quesito com o chinês que tinha lhe feito tanto bullying no passado, até tinha concordado em levá-lo para a cidade para mostrar algumas coisas. Oliver tinha falado com o pai e sabia o pensamento dele sobre Qiang. Ele também tinha pensado mais de uma vez naquela semana que por mais que tivesse péssimas lembranças da China, não ia querer que o rapaz passasse pelo mesmo que ele tinha passado e com toda a coragem que tinha, resolveu deixar o passado na China e oferecer sua amizade sincera ao novo colega de escola... só para ser obviamente negado.

Havia uma profusão de sentimentos dentro de Oliver quando ele pegou o ônibus de volta para St. Clavier depois de ter sido abandonado por Qiang. Ele pensou mil e um motivos pelo qual o rapaz o odiava, não lembrava de ter feito nada tão grave contra ele, mas ainda assim, ele estava determinado em negar a sua tentativa de amizade. Entre a raiva e a vontade de chorar de frustração, Oliver não conseguiu chegar a nenhuma conclusão do que podia ter acontecido a Qiang, exceto o fato de que provavelmente voltaria a treinar sozinho depois daquela dispensa óbvia do chinês.

Quando ele chegou ao quarto no dormitório depois do longo trajeto de volta a St. Clavier, nem tinha percebido como o rosto estava vermelho por causa das várias tentativas de conter o choro e a frustração ao esfregar o rosto com as costas da mão. Era uma visão bem deplorável e ele esperava que Lui não estivesse no dormitório para vê-lo naquele estado. Mas a esperança foi por água abaixo quando abriu a porta e deu de cara com Lui mexendo na câmera.

- Ah... oi, Lui! Eu n-não achei que você tava aqui no dormitório... te atrapalhei? - perguntou Oliver, um tanto sem graça pelo próprio estado.

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  Grey's Anatomy [Dominique, Richard]
Posted by: Natalia - 11-08-2021, 08:00 PM - Forum: Lixeira - Replies (19)

Era mais uma daquelas semanas em que nada acontecia além de diversas consultas de rotina, exames de tomografia e eco cardiogramas para senhorinhas e senhores acompanhados de senhorinhas que costumam obrigá-los a cuidar da própria saúde. A última novidade que havia ocorrido na cidade, além do trágico e passado caso do psicopata que preferia não recordar (mas que sua memória guardava, pois era perfeita), era a visita do famoso médico James Dean, o bastardo que até nome de estrela tinha. Em sua saída com o sujeito, teve uma leve confirmação de como os homens naquela cidade pareciam sofrer com um problema constante: a necessidade de serem cuidados por terceiros. Salvo algumas exceções, como seu suposto amigo alto de corpo forte, cara fechada e uma boa mão para cozinha. E o agente fúnebre que conseguia dar conta de si próprio, cuidar dos mortos e ainda de alguns vivos.

Estava na sala da farmácia com as enfermeiras do setor e alguns funcionários da limpeza, aproveitando que as medicações haviam acabado de ser trocadas para assistirem na televisão de informativos do setor um pouco da série que também ficava disponível nos canais para os pacientes internados na enfermaria. Estavam assistindo um programa com algumas estrelas populares, um tal de Grey´s Anatomy. Estava encostada no arco da porta de entrada da sala enquanto os funcionários comentavam sobre como uma tal de Meredith estava sofrendo por causa do interesse amoroso dela, um tal de um médico bem bonito e galã da novela hospitalar. Estava de braços cruzados, o cabelo preso em um caprichado coque, a pouca maquiagem sendo necessária para o lugar de trabalho onde estava. Estava com o uniforme da enfermaria, sem luvas, enquanto aguardava o próprio ciclo de troca de medicamentos, esperando que algo interessante acontecesse.

Riu quando uma das enfermeiras comentou sobre como sonhava em ter um namorado como o médico do seriado e a colega de trabalho da mulher comentou sobre o namorado da outra só precisar se formar em medicina, pois já era um verdadeiro "delícia". Aquela ambiente de convívio de cidade de interior era bem mais tranquilo e agradável. Buscou o próprio celular, pensando em enviar uma mensagem para Richard e perguntar se o enfermeiro não queria fumar um cigarro na saída do necrotério quando terminassem o plantão. Aproveitou para perguntar se o sujeito tinha interesse em participar de uma festinha dos funcionários no final do expediente para falarem mal de algumas pessoas do trabalho e comentarem sobre o novo médico da cidade. O enfermeiro e o irmão dele eram pessoas bem legais em um nível diferente da enfermeira ruiva cereja com quem só parecia discutir em toda oportunidade possível. Não admitiria para a mulher, mas até começava a achar divertido as constantes divergentes que tinha com a mesma. Estava de costas para o corredor de acesso, então sequer prestou atenção em quem estava passando no corredor, mais interessada em continuar assistindo a novela com os outros.

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  Sinta-se Multado [Isaac]
Posted by: Sasha - 10-20-2021, 04:01 PM - Forum: Sala do Conselho Estudantil - Replies (28)

Sinceramente, Sasha não era o tipo que interferia na vida sexual de ninguém, afinal, era um mundo livre, e mesmo dentro da escola, desde que houvesse consentimento (e que ninguém fosse óbvio demais a ponto de ser pego), qualquer lugar era lugar. Aliás, a escola podia até apimentar o cenário um pouco? Era o que imaginava, se não precisasse de todo um protocolo e preparação mental primeiro. Porém, e colocava um grande porém aí, tudo isso mudava com a remota ideia de que o culpado de uma fornicação casual na escola era Isaac: o secretário do conselho estudantil, o paragono da organização, o cérebro por trás do carisma dos delinquentes, o bibliotecário das assinaturas de travesti, o arquivador de verbas e projetos inarquiváveis, o pai-filho-espírito-santo-amém que colocava o conselho para andar, o homem que colocou Isaac na lista de funções do conselho. Ouviria Renaud ecoar na sua cabeça que Isaac era um delinquente quando estava solteiro se não tivesse apenas lido a informação de um SMS.

Tinha que tentar tirar provas disso. Não que Renaud fosse mentiroso – nem Yure era, até onde sabia -, mas tipo São Tomé, “não viu, não voga”.

Foi até a sala do conselho onde certamente o secretário estaria e até deu uma olhada de longe para o caso de conseguir pegar uma cena pouco usual, mas era só Isaac lá dentro mesmo, fazendo seu trabalho. E que trabalho chato, amigo, pensou enquanto entrava devagar na sala, batendo na porta mais por cerimônia por não ser exatamente a pessoa mais silenciosa da face da terra.

- Lemont? – chamou, olhando ao redor para ver se tinha sinal do ruivinho ou se o outro estava à sós. – Preciso falar com você. Lhe chamaria para minha sala, mas notei que está trabalhando. Acho que vai ser rápido, então posso só fechar a porta para conversar. Tudo bem por você?

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  B.P.M. [Yure]
Posted by: Qiang - 10-17-2021, 01:27 AM - Forum: L'Encré - Replies (12)

Estava novamente tentando conhecer melhor a cidade de Cerise, dessa vez sozinho, já que a ideia estúpida de pedir ajuda a seu rival havia sido uma péssima experiência. Estava evitando o garoto, então achou melhor sair logo e confiar em seu senso de direção com a ajuda do aplicativo de localização com uma lista de lugares interessantes que talvez fossem interessantes conhecer. Havia verificado que uma tal de padaria Antique era um lugar bem recomendado da cidade, mas queria conhecer mais do centro da cidade primeiro. 

Saiu com uma calça de um tecido mais confortável de algodão, sandálias, regata e um casaco que estava amarrado em sua cintura devido ao calor pelo esforço no passeio, todas as peças de marca e originais. Havia parado próximo a uma banca de jornais para poder verificar sua playlist de músicas e beber um pouco de água quando se deu conta de que havia um grupo de outros rapazes não muito longe, ouvindo uma batida familiar em um amplificador de som portátil, enquanto alguns tentavam dançar ao ritmo da coreografia que já conhecia por conta do clipe do grupo coreano que também estava constantemente em sua lista musical atual. 

Piscou algumas vezes, aproximando-se devagar ainda com a garrafa de água em mãos, os fones de ouvido abaixados. Prestou atenção no que eles estavam falando, considerando que aqueles europeus costumavam ser bem mais barulhentos que os rapazes que conhecia em sua terra natal. Moveu o pé discretamente ao ritmo da música, julgando distante os passos daqueles que ousavam dançar a tal coreografia como se algum dia um deles tivesse alguma chance de conseguir recriar aquela coreografia de forma eficiente. Achou curioso o grupo, mas não tomou iniciativa de se apresentar. Ao invés disso, escolheu pegar o próprio celular de novo, era hora de procurar o mercado central. Queria ao menos voltar para o dormitório com alguns lanches para passar o fim de semana tedioso de estudar e treinar sozinho.

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  Juntando os Pedaços [Renaud, Didier, Sasha, Isaac]
Posted by: Aleksei - 09-30-2021, 12:22 PM - Forum: Lixeira - Replies (12)

Fazia muitos anos que Aleksei não se sentia verdadeiramente exausto por uma sessão ou um caso com um paciente. Aquela manhã tinha prometido uma sessão mais tranquila com um Renaud aparentemente de muito bom humor, se comparado com as sessões mais recentes deles e com o fato de que ele ainda estava se ajustando às medicações, mas tudo tinha ido por água abaixo com uma notícia que ninguém tinha previsto. Como consequência da morte da mãe de Renaud, o rapaz tinha se rendido a uma crise dissociativa intensa e talvez devesse agradecer mentalmente que a medicação que ele tomava, somada às mãos machucadas, tinha reduzido e muito o ímpeto dele em tentar retaliar aquela perda de alguma forma. A crise que Aleksei tinha presenciado na enfermaria era algo de maior complexidade do que esperava presenciar numa academia com alunos adolescentes e jovens adultos, mas embora tivesse lhe exaurido mentalmente, tinha também lhe dado as pistas para dar prosseguimento ao tratamento de Renaud com mais eficácia. A conversa com Duncan era algo que precisava estudar com cuidado antes de pensar nas próximas abordagens.

De todo modo, depois que Renaud tinha retornado aos sentidos e estava tentando assimilar o sentimento de perda que iria acompanhá-lo por um longo tempo dali em diante, ele precisava do suporte dos amigos e de pessoas próximas que poderiam lhe consolar mais do que com um par de afagos na cabeça, que era além até do que Aleksei teria se dado a liberdade com seus pacientes anteriores a St. Clavier. Depois de receber a confirmação dele de que queria ver os amigos e que poderia ir buscá-los, Aleksei saiu da enfermaria, sabendo que Isaac estava de volta a sala do Conselho Estudantil, mas certamente Didier e Sasha não teriam se afastado mais do que no final do corredor. Não foi surpresa abrir a porta e encontrá-los esperando por notícias no corredor amplo e pouco movimentado do Anexo Administrativo.

- Imaginei que estariam esperando por aqui. - Aleksei deu um passo para o lado, saindo do caminho da porta aberta, finalmente dando espaço para que os dois entrassem na sala. - Ele está acordado, gostaria de falar com vocês. Eu vou deixá-los a sós, mas estarei na sala de aconselhamento, caso precisem, é só ligar do telefone da enfermaria e eu volto o quanto antes. Eu avisarei ao Sr. Lemont também que o Renaud já pode receber visitas.

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