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Visitante Inesperado, Impulsivo e Indesejdo [Mathew]
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- [E o que te interessa o que eu vou comer de madrugada? Não é da sua conta] - respondeu o garoto, batendo uma das portas do armário depois de ver que não tinha nada diferente para comer e voltando para a mesa, com os pães e queijos sem graça. Ele pegou um dos pães para tirar uma mordida, até surpreso com o gosto, mas não precisava dizer aquilo para o outro, enquanto ele preparava um lanche, perguntando sobre seu pai. - [Claro que não, eu fugi de casa, como é que ele ia saber? Ele só vai perceber daqui uma semana, e olhe lá.]
- [Você fugiu de casa?] - a voz de Benjamin preencheu o ambiente quando ele chegou na cozinha, um pouco mais recomposto. Daniel só levantou o rosto para encarar o tio, fazendo um aceno positivo com a cabeça, a boca cheia do lanche. - [Como... por que...] - Benjamin nem sabia por onde começar a racionalizar sobre a situação toda, ele olhou do garoto para Mathew, completamente perdido. - [Como você sabia o meu endereço? E por que é que veio pra cá? Você veio sozinho de Londres?!]
- [Não é muito difícil saber do senhor do tanto que a tia Ann e o meu pai brigam. E tem o nome do senhor no site da academia. E o endereço a tia Ann mandou por mensagem uma vez pro meu pai.] - Daniel respondeu, comendo o lanche em mordidas grandes. Do tempo todo que tinha passado na viagem, ele realmente não tinha lembrado que estava com fome. - [Ei, tio, o senhor foi deserdado porque é gay e mora com esse aí?] - ele apontou para Mathew.
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Observou o menor, julgando a resposta malcriada dele diante de sua tentativa de orientá-lo. O menor poderia ser de fato parecido com seu namorado, mas estava longe de ter a educação dele. Terminou de servir um copo de suco para o adolescente e levou a mão livre até a própria cabeça, só imaginando a dor de cabeça que seria ter que lidar com a presença de Andrew perto de Benjamin. Nunca havia encontrado o irmão mais velho do inglês, mas tinha péssimas lembranças do que a memória dele conseguia produzir no namorado.
Acompanhou a troca de palavras entre tio e sobrinho, apreensivo com a ideia de Benjamin não conseguir mais dormir naquela noite. Contudo, franziu o cenho com a pergunta malcriada do adolescente para o tio. Será que ele era igual ao pai que detestava a ideia do irmão que deveria ser perfeitinho para a família gostar de outros homens? Possivelmente aquela ideia deveria ser mais condenada pelo fato de Benjamin ter se apaixonado pelo próprio irmão, e por ter tentado matar a irmã mais nova quando adolescente. Tinha certeza que seus irmãos já haviam tentado lhe matar quando eram crianças, mas duvidava que, no caso de Andrew, ele relevasse toda a condição de que ambos eram menores de idade e Benjamin precisava do apoio emocional que não tinha naquela família.
- (Primeiro, meu nome é Mathew.) - cruzou os braços, irritado com a inconsequência daquele adolescente. - (Deixa eu ver se eu entendi. Você... ) - começou a enumerar o que o garoto havia feito. - (... resolveu bancar o Sherlock e descobrir onde o seu tio mora, pegou informações do celular do seu pai escondido, fez as suas malas e veio para Cerise sozinho bater na porta de um estranho quase de madrugada?!) - olhou descrente para o adolescente antes de ajeitar os óculos, esperando alguma reação mais responsável dele. Porém, como sabia que aquele tipo de resposta não viria, achou melhor usar outros métodos. - (Eu acho melhor você explicar direito o que aconteceu ou eu vou ligar para a polícia vir te buscar e te levar de volta, considerando que não vou ligar pra sua tia a essa hora da noite e a gente também não quer ser acusado de sequestrar uma criança!) - adicionou, olhando para Benjamin, esperando que ao menos ele concordasse com sua oferta também.
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O jeito petulante do rapaz responder tirava Benjamin dos eixos. Primeiro, porque era péssimo com crianças e adolescentes, então não fazia ideia de como responder. Segundo, porque não fazia ideia de onde aquela personalidade tinha vindo e não sabia como lidar com o fato de que o filho do seu irmão mais velho que o odiava mais do que tudo no mundo, estava ali, casualmente, em sua cozinha, depois de ter fugido de outro país, agindo com muito descaso.
- [Não é nada dis-] - Benjamin nem teve como negar a pergunta dele, enquanto ele enfiava a boca de comida e suco, mesmo depois de reclamar que só tinha aquilo para comer. Mathew que se adiantou e foi bem mais firme para lidar com o adolescente mal-educado.
Mathew enumerou tudo o que ele fez de forma clara e o garoto só engoliu o que tinha na boca de uma vez, quase se engasgando, quando ele terminou de listar sua trajetória.
- [Meu tio não é estranho, é da família. O estranho é você que fica aí se metendo na conversa de família. Isso é falta de educação, sabia?] - ele pegou mais lanche e suco e diante da ameaça de Mathew, ele só deu de ombros sem se importar muito. - [Pode chamar. Aí eu faço uma cara de choro e digo que vocês me trouxeram pra cá contra vontade e eu fiquei com muitoooo medo.] - ele fingiu uma expressão de choro que parecia ligar só com um botão, voltando ao normal logo depois e continuando a comer.
- [Ninguém vai ligar pra polícia nem falar nada de sequestro.] - Benjamin que interveio, massageando as têmporas e sentindo a cabeça doer muito. - [Daniel, eu não sei o que aconteceu com seu pai que decidiu fazer isso, mas foi muito perigoso, viajar no meio da noite sozinho. E também não sei de onde tirou essa ideia de vir atrás de mim, o que espera que eu faça? Eu nunca nem...] - Benjamin interrompeu o próprio discurso, respirando fundo enquanto tentava assimilar toda aquela situação. - [Termine de comer, você vai dormir no quarto de hóspedes, está tarde, amanhã de manhã eu falo com Mary Ann para ela te levar de volta pra casa.]
Benjamin olhou para Mathew, na esperança de que ele concordasse com a sua sugestão e eles pudessem encerrar aquela conversa estranha ali mesmo. Mas antes de Mathew concordar, quem respondeu foi Daniel.
- [Eu não vou voltar pra casa! Eu decidi que vou ficar aqui com você, tio!]
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Não podia acreditar no que estava ouvindo. Aquele garoto só podia ter minhocas no lugar do cérebro para acreditar que a polícia acreditaria em um adolescente que, com toda certeza, havia sido pego por câmeras de segurança viajando sozinho até ali ao invés dos adultos que chamariam a polícia. Encarou Benjamin enquanto era a vez dele de lidar com a rebeldia do adolescente. Imaginava como deveria estar sendo difícil para o namorado lidar com aquela situação, julgando por tudo o que havia ocorrido em sua família.
- (Ouviu seu tio, garoto.) - repreendeu o mais novo novamente, aproximando-se de Benjamin e colocando a mão sobre o ombro do loiro em um afago mais gentil. - Melhor voltar para cama, amanhã você fala com ela. Eu cuido do garoto.
Olhou para o namorado com um sorriso mais confiante, tentando passar o apoio que ele deveria estar precisando naquele momento. Afastou-se de volta para mais perto do então sobrinho de Benjamin, pegando a mochila dele do pé da cadeira e colocando a alça da mesma para carregá-la.
- (Todo mundo está cansado. E já está tarde. Você deve ter tido uma viagem longa. Faça o que o seu tio está pedindo e amanhã conversamos.) - disse para o mais novo, esperando que ele usasse o mínimo de bom senso, considerando que, por conta da viagem, ele deveria estar também precisando de uma boa noite de sono, principalmente depois de forrar o estômago. Aproximou-se do menor com a sobrancelha arqueada, parando para farejar o odor dele. - (E melhor tomar um banho. Trouxe escova de dentes?) - perguntou, mantendo a calma apesar da falta de educação do adolescente irritante.
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Benjamin quase sentiu como se o coração parasse de bater quando o garoto insistiu que não ia voltar e ia continuar ali com ele. De onde inferno ele tinha tirado aquela ideia ridícula? Se Andrew já não gostava dele antes e até lhe fazia ameaças regularmente, o que ele faria quando descobrisse que o próprio filho estava ali, na companhia de Benjamin? O inglês só sentiu a cabeça doer ainda mais com as perspectivas e antes de arrumar forças ou razão para responder de algum jeito coerente, foi Mathew que interveio.
- [Certo, desculpe por isso.] - Benjamin concordou com Mathew e Daniel não ficou muito feliz com a resolução dos dois, ficando de pé num movimento rápido e apoiando as mãos na mesa.
- [Ei! Eu não concordei com nada disso! E eu não preciso do gordinho cuidando de mim coisa nenhuma!]
- [Foi você que escolheu vir aqui, não foi? Então se quer ficar aqui, vai ter que ouvir o dono da casa.] - respondeu Benjamin, o tom um pouco mais firme na direção do garoto que respondeu com uma careta. - [E o nome dele é Mathew, Sr. Morrison pra você. Se quiser dormir numa cama hoje, seja educado. Senão, a porta está aberta. Você chegou aqui sozinho, pode voltar sozinho também.]
A careta de irritação de Daniel não melhorou, mas ele bufou, cruzando os braços e se jogando sentado na cadeira de novo, surpreendentemente sem retrucar. Benjamin até sentiu as pontas dos dedos geladas por ter coragem de brigar com o filho de Andrew, mas talvez fosse o misto da dor de cabeça com o excesso de informações daquela noite.
- Vou subir primeiro. - Benjamin avisou a Mathew, saindo da cozinha com a mão ainda massageando as têmporas e sob o olhar irritado, mas curioso do sobrinho.
Daniel só voltou a atenção para Mathew quando ele ainda lhe cheirou e disse que precisava de um banho.
- [Ei! Sai pra lá! Eu tenho escova sim, humf.] - Daniel retrucou, quase saltando da cadeira para longe de Mathew para sair da cozinha. Depois da longa viagem, da conversa e da comida, até ele estava sentindo o cansaço físico e mental. - [Onde é o tal quarto de hóspedes?]
Ele esperou que Mathew lhe apontasse pelo menos o banheiro e o quarto onde podia dormir. Pelo menos o tio Benjamin era mais fácil de lidar, e parecia uma pessoa calma também, pelo que tinha visto e já tinha ouvido das conversas do pai e da tia. Depois de ver o homem, ele ficou ainda mais curioso porque é que o tal Benjamin Vaughn causava tanta discórdia em casa quando mencionado. Ainda espreitou o corredor superior da casa, olhando para o quarto dele, mas no fim das contas, tomou um banho rápido, escovou os dentes e mal se jogou na cama, adormeceu como se não tivesse a menor das preocupações.
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Franziu o cenho de novo pensando em responder o garoto, quando foi Benjamin que tomou a iniciativa e até repreendeu o garoto para que o chamasse de Sr. Morrison. Duvidava que Benjamin seria irresponsável de deixar o garoto voltar para Londres sozinho, mas no fundo, sabia que ele tinha razão em ser mais ríspido com o garoto. Ele parecia ter um problema de mau comportamento grave, mas era difícil para si próprio imaginar que alguém com a aparência tão parecida com a do namorado poderia ser tão ruim assim.
- (Vai tomar um banho primeiro.) - repetiu para o garoto, guiando-o até o banheiro onde ele poderia tomar um banho para depois descansar. Explicou onde estavam as toalhas e aproveitou do tempo que o garoto estava no banho para levar as coisas dele para o quarto e trocar os lençóis de cama para que ele pudesse dormir mais confortável. Talvez, depois de um bom descanso, ele acordasse melhor humorado.
Após guardar as coisas novamente na cozinha e se certificar que a casa estava trancada, subiu para o quarto onde dormia com o namorado. Sequer ficou surpreso ao encontrá-lo acordado. Aproximou-se da cama, acomodando-se ao lado do inglês depois de retirar o próprio par de óculos.
- Tá tudo bem com você? Vai mesmo mandar o menino embora? - perguntou em um tom mais calmo, ciente da dificuldade do outro em lidar com qualquer lembrança que tivesse do irmão mais velho. Já sabia que ele havia superado a própria obsessão com a ideia de sair com outros homens que lembrassem o tal Andrew, mas a ideia de ter de lidar diretamente com o original era outra coisa. Não queria admitir, mas a ideia de encontrar o irmão mais velho de Benjamin também lhe deixava apreensivo, até nervoso.
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Benjamin subiu direto para o quarto sem nem considerar por muito tempo que estava jogando a responsabilidade do sobrinho em cima de Mathew. Mas a ideia de Daniel em sua casa no meio da noite só lhe fez pensar em mais ameaças que receberia de Andrew e mais de uma vez, ele chegou o celular só para ter certeza de que não havia nenhuma mensagem do mais velho. Não havia nada ali, nem sinal de que receberia alguma ligação.
Benjamin ainda foi direto até o banheiro, lavou o rosto e procurou algum remédio para dor de cabeça antes de voltar para a cama. Não soube quanto tempo se passou, mas finalmente Mathew apareceu para se sentar na cama ao seu lado, o garoto não voltou a entrar correndo no quarto para lhe agarrar ou fazer outra cena, o que era um bom sinal.
- Estou com dor de cabeça. Sinceramente, não sei o que fazer com ele, eu nunca nem o vi pessoalmente, se ele não tivesse dito o nome, eu nem ia saber que é o filho do Andrew. - Benjamin respondeu, escorregando na cama para se deitar um pouco mais confortável e massagear as têmporas de novo, com os olhos fechados. - Desculpe deixar tudo pra você resolver, Mat. Ele foi dormir?
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Deitou-se de lado, o cotovelo apoiado no travesseiro e o rosto na palma da mão enquanto ouvia as palavras do namorado. Estranhou tantos pedidos de desculpa, mas imaginou que Benjamin tivesse algum sentimento de culpa internalizado por conta dos problemas com a própria família. Não queria entrar em muitos detalhes sobre o assunto, pois não sabia ao certo como ajudá-lo com esse aspecto, talvez Aleksei soubesse de algo mais sábio ou eficaz que pudesse sugerir ao inglês.
- Depois de uma viagem tão longa, comer e tomar um banho ajuda muito a dormir que nem uma pedra. - respondeu com um sorriso mais compreensível no rosto. - Talvez amanhã ele acorde com um humor melhor. Ele não parecia bem, e eu não falo só do comportamento. Você viu como ele estava machucado? - gesticulou com a mão para, indicando também os lugares onde havia observado os curativos no rosto do mais novo.
Aproximou-se do inglês, inclinando-se para poder beijá-lo onde ele estava massageando. Passou a mão livre sobre o peito do homem em uma tentativa de diminuir qualquer tensão que ele tivesse no peito por conta daquela situação complicada.
- A gente tá junto, Benjamin. Vamos esperar até amanhã e telefonar para sua irmã. Ela deve conseguir explicar melhor a situação. - concluiu, deitando-se finalmente ao lado do namorado. - Tudo bem? - perguntou, esperando que pelo menos ele tentasse adormecer. Nunca havia conhecido de fato o tal de Andrew, mas já havia presenciado o tipo de estrago que a memória do irmão mais velho tinha em Benjamin. Não queria admitir, mas sentia um pouco de raiva do homem, mesmo sem conhecê-lo, por todo o estrago que a memória dele conseguia ainda causar no namorado. Bem se recordava de como havia sido difícil para Benjamin ingressar naquele relacionamento consigo, considerando que só havia tido relacionamentos superficiais, alimentando aquela atração problemática pelo irmão.
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- Eu não faço ideia do que pensar, não sei nem como é a personalidade dele. - Benjamin respondeu, sentindo a aproximação de Mathew e o beijo breve na têmpora, a mão dele sobre o seu peito.
Ele só concordou com um aceno de cabeça e deixou que Mathew se acomodasse ao seu lado para que os dois voltassem a dormir também, como Mathew tinha dito, era melhor esperar até a manhã seguinte e descobrir o que fazer depois de ligar para Mary Ann.
Benjamin ainda demorou um pouco para conseguir voltar a dormir, mas finalmente se rendeu ao cansaço que o estresse da visita inesperada tinha trazido. Na manhã seguinte, ele acordou muito cedo, mas ainda assim, depois de Mathew, e depois de lavar o rosto e escovar os dentes para ir encontrar o namorado na cozinha, imaginou por um instante que a noite anterior tinha sido só um sonho muito maluco. Mas quando passou na frente do quarto de hóspedes, com a porta aberta e Daniel dormindo como uma pedra, largado na cama com um braço e uma perna para fora do colchão e a baba escorrendo da boca aberta, só confirmou que não tinha sido só um sonho.
Ele voltou para o quarto só para pegar o celular e levar para a cozinha, onde Mathew tinha feito café e preparava algumas torradas. Benjamin foi direto pegar uma xícara de café antes de passar por Mathew e unir os lábios aos dele num beijo rápido de bom dia.
- Você acordou cedo. - ele disse, sentando-se à mesa e pegando o celular. - Eu quase achei que a noite passada tinha sido um pesadelo. Vou ligar para Mary Ann para saber o que fazer.
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Acordou cedo, esforçando-se para não acordar o namorado e permitir que ele pudesse descansar um pouco mais. Havia adormecido sem muita dificuldade, mas estava preocupado em como Benjamin estava lidando com toda aquela situação. Certificou-se em não fazer muito barulho ao verificar se Daniel ainda estava adormecido. Passou no banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes e foi fazer o café da manhã e cuidar de algumas tarefas domésticas.
Estava fazendo algumas torradas enquanto separada os ovos para serem mexidos quando sentiu a aproximação de Benjamin. Respondeu mentalmente aquele beijo de bom dia e continuou preparando o café da manhã para si, o namorado e o sobrinho dele, visto que o garoto também deveria acordar com fome.
- Ele deveria estar muito cansado. Ainda está na cama, dormindo. - comentou, esperando que pelo menos o garoto acordasse com melhor humor. Aproximou-se de Benjamin, colocando as torradas na mesa para ir preparar os ovos. - Posso ouvir a ligação também? - resolveu perguntar, imaginando se não seria um problema ouvir aquela ligação dele com a irmã mais nova. Queria entender também melhor o que estava acontecendo enquanto preparava o café da manhã.
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Benjamin tomou um gole do café quente, concordando com um aceno de cabeça ao colocar o celular no viva-voz depois de discar o número da irmã, de Paris. Depois de alguns longos toques foi que ele ouviu a resposta animada do outro lado.
- Bom dia, Ben, que estranho você me ligar tão cedo. Aconteceu alguma coisa? Como você e o Ken estão? - a voz de Mary Ann veio acompanhada de uma série de sons indistintos de fundo, que só fizeram Benjamin imaginar que ela estava fora de casa e do trabalho.
- Bom dia, Ann. O Mat está te ouvindo também, não aconteceu nada com a gente, não se preocupe. - ele respondeu, com um sorriso discreto no canto dos lábios só por ouvir a voz da irmã. - Você pode falar agora? Estava precisando da sua ajuda com outra coisa, na verdade.
- Oi, Ken, espero que esteja se cuidando e cuidando do meu irmão. - Mary Ann respondeu do outro lado. - Minha ajuda com o quê? Ah, eu estou no aeroporto, eu não tinha dito que ia viajar pra avaliar uma coleção de arte em Shangai? Estou indo hoje e volto em duas semanas. O que é que você precisa?
- Ah, eu quase esqueci, você tinha dito sim... - Benjamin suspirou discreto, não queria ter que importunar a irmã, mas não via outra saída viável também. - Na verdade, você pode ligar para falar com o Andrew? Eu não sei se você soube de alguma coisa, mas ontem de noite o filho dele veio bater na minha porta dizendo que fugiu de casa.
- O quê?! - a surpresa de Mary Ann foi tão óbvia no tom de voz que Benjamin quase imaginou a mais nova pulando onde estava. - O Daniel? Na sua casa?! Como assim?! Como é que ele sabia onde você morava? E como ele chegou aí? Ele não estava em Londres?! De onde é que ele tirou essa ideia?!
- Eu queria muito entender também, mas sinceramente, estou perdido. Ele disse que pegou o meu endereço de uma mensagem sua pro Andrew. E parece que se meteu no trem sozinho para Paris, eu não sei o que se passa na cabeça do garoto. - ele respondeu, com outro suspiro resignado. - Eu não acho que Andrew tem ideia de que o filho dele veio pra cá. O Daniel estuda em colégio interno? Talvez ele esteja preocupado, você pode ligar para ele para avisar?
- Mas esse menino é uma peste mesmo! Que ideia estúpida de viajar sozinho! E como é que ele conseguiu autorização dos pais? Ah, nem precisa dizer, do jeito que ele é, capaz de ter falsificado na escola. É bem a cara dele. Aquele menino não tem jeito! Nem a mãe dele nem o Andrew colocam limites e ele acha que pode fazer o que quiser! Não o deixe mandar em você também, Ben, ele é muito mimado! - Mary Ann desatou a reclamar, tão acelerada que Benjamin quase perdeu a linha do pensamento dela. - Aliás, você também é frouxo pra cuidar de criança. O Mat tá ouvindo, né? Pode brigar com ele e colocar de castigo. É bom dar uns cascudos também pra ver se enfia juízo na cabeça daquela criatura. Fugir de casa e ir pra França! Vê se pode! E se alguma coisa tivesse acontecido com ele no caminho?! Humpf, se eu não estivesse com o voo marcado, eu mesma ia aí e dava uma surra nele!
- Mary Ann, tenha calma, ele está bem, dos males o menor. - Benjamin respondeu depois do surto de irritação da irmã. - De todo modo, pode avisar aos pais dele? Eu posso colocá-lo no trem de volta se eles o receberem lá em Londres.
- Tá bom, eu vou ligar pra avisar que ele está vivo. Eu vou embarcar em dez minutos, então eu vou desligar pra falar com o Andrew. Eu te mando mensagem pra avisar depois. Beijos! Beijos, Mat!
Benjamin nem teve tempo de devolver a despedida, a jovem desligou a ligação do outro lado. Bom, era a confirmação de que Daniel tinha um gênio bem difícil de lidar. Era a última coisa que Benjamin precisava também para atormentar suas férias da Academia.
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Sorriu enquanto servia os ovos ao ouvir a voz da irmã mais nova de Benjamin. Ouviu a mulher com atenção, agradecendo mentalmente a Benjamin por responder e a si mesmo por não ter cedido a ideia de ligar para a mulher na noite anterior. Ficou surpreso quando soube que ela estava viajando para Shangai. A família de Benjamin parecia ter carreiras bem importantes. Benjamin tinha um bom nome como professor e Mary Ann tinha a própria carreira e era uma mulher independente, o que lhe dava muito orgulho por conhecê-la. Imaginava se algum dia, ela e suas irmãs poderiam se encontrar, talvez ela gostasse de conhecer seus sobrinhos.
Quase deixou a tigela de frutas e cereais cair com a reação exasperada da mulher pelo telefone. Com certeza, ela parecia estar mais acostumada com o mau comportamento de Daniel que eles. Riu baixo quando a mulher disse que, se pudesse, iria para Cerise dar uma surra no menino, e que ele, Mathew, deveria dar uns cascudos no garoto pelo comportamento mimado e malcriado dele. Bem, de fato, ele havia agido de uma forma muito arriscada. Poderiam ter ocorrido coisas terríveis com ele, que era ainda um menor de idade, mas estava grato pelo rapaz ter ao menos encontrado a residência do próprio tio. Ele deveria ter pelo menos bons neurônios para chegar até ali.
Esperou que Mary Ann se despedisse, desejando mentalmente a ela uma boa viagem antes de se sentar a mesa para poder começar a comer suas frutas. Estava tentando organizar melhor sua própria alimentação, considerando que havia gastado boa parte de sua vida se alimentando de forma irregular pelo estresse do próprio trabalho.
- Eu te falei que tinha alguma coisa de errada com esse garoto. - comentou, olhando para o namorado pelas lentes de seus óculos. - É melhor conversar com ele primeiro. O garoto tem um comportamento ruim, mas não é bom também ficar sendo jogado de um lado para o outro como um problema. - explicou seu ponto de vista, considerando que já estava há vários meses naquele relacionamento como inglês. - Só não entendi porque ele fugiu para cá. Pelo menos, ele é esperto para que nada de ruim tivesse acontecido com ele. Isso já é ótimo. - fez uma breve pausa. - Acha que o seu irmão vai fazer o que? - perguntou um pouco receoso por envolver o irmão de Benjamin, mas achou melhor perguntar que apenas ficar em suas próprias suposições mentais.
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