Get'cha head in the game [Angus]
#1
O pouco tempo de St. Clavier desde o começo do ano letivo e sua convivência nos dormitórios tinha sido o suficiente para aprender três verdades: a primeira, tinha energia demais para ficar apenas no clube de xadrez. Era um bolsista do clube, sim, e um excelente jogador de xadrez, mas só conseguia ter foco quando gastava o excesso de energia que tinha, e para isso precisava de mais do que estudos. A segunda: decidindo ficar no clube de basquete, tinha que se dedicar de verdade. Diferente do basquete que tinha jogado nas quadras de rua com os amigos de escola, os caras do time de St. Clavier pareciam levar aquilo muito a sério, e embora entendesse clubes de esporte escolar como lugares onde amadores e profissionais em formação poderiam conviver em paz, naquela escola tudo era de elite.

A terceira e mais importante das verdades, por fim, era que quando seu colega de quarto era do mesmo clube de basquete, um bom jogador e sério, era impossível não dormir todas as noites pensando em como era humilhante levar bronca por “atrapalhar” o treino. Na verdade, dos poucos treinos que tiveram, pode ver que Angus não estava acostumado a ter espírito de time, e suas broncas eram muito mais broncas do que os diretos de direita que Berthold falava sobre sua técnica pobre. Mas o que mais doía nisso tudo era que toda noite tinha que ir dormir engolindo o sapo de que não era tão bom quanto todos os outros. Isso não combinava muito com sua figura.

Por isso, na inquietude noturna, e aproveitando que Angus tinha bastante quietude noturna, saiu sorrateiro para um treino secreto de basquete. Tinha anotado tudo que Berthold tinha lhe dito sobre sua técnica pobre, e tinha aproveitado os intervalos entre aulas para ver possíveis treinos básicos que podiam ajudar com as bases. Passar pelos professores que vigiavam os corredores era mais fácil do que passar por qualquer defesa dos colegas de time, e o ginásio era afastado o suficiente para que acender uma luz da quadra não lhe colocasse em problemas.

Agasalhado e pronto para treinar mais uma vez por parte da noite, riscou o tênis na quadra e bateu uma bola que pegou do cesto no canto da quadra no ritmo, alternando o barulho do tênis e a batida da bola.

- Coach said to... fake right, break left. Watch it for the pick and keep an eye on defense~ – Giles cantarolou, enquanto aquecia o corpo. – Tá, tá, Giles Noel. Pare de brincar e vamos treinar. Hah, just keep ya head in the game! – riu, respirando fundo para começar a praticar umas tabelas.
#2
Angus já tinha se adaptado a sua rotina diária em Cerise. Ele tinha decorado o trajeto em volta de St. Clavier para suas manhãs de caminhadas, mas em nada a sua disposição matinal tinha melhorado, o que lhe fazia perder muito conteúdo das matérias que eram mais cedo e lhe fazer estudar mais para recuperar as informações perdidas depois. Sua rotina se resumia a caminhar e correr pela manhã, ir às aulas, almoçar na escola, treinar pelo menos uma hora no horário dos clubes depois das aulas e ir até a cidade no fim da tarde para procurar emprego de meio período. Por isso, chegava no dormitório pouco antes das dez e já estava muito cansado.

Aquele dia não foi diferente, quando ele voltou ao dormitório, foi bem em tempo da chamada nos quartos para atestar a sua presença, assim como Giles. Só tomou banho e deixou tudo arrumado para a caminhada no dia seguinte. Tomado pelo cansaço, ele só se jogou na cama com os pés para fora do colchão e se preparou para dormir. Foi mais difícil adormecer naquela noite, e mais ainda quando ouviu a movimentação incomum na penumbra do quarto. Ele pensou em ignorar o barulho de Giles andando pelo quarto, certamente para ir ao banheiro ou algo assim, mas ouviu o abrir e fechar de porta, com uma luz fraca do corredor, e quando se virou para olhar a cama do colega de quarto, estava vazia. A porta do banheiro também estava aberta e sem nenhuma luz vindo de lá. Ele olhou da cama de Giles pra a porta, se perguntando onde o colega de quarto teria se metido e se aquilo ia lhe trazer algum problema por tabela. Já não bastava que ele não jogava bem, se os inspetores viessem no quarto e não soubesse onde o outro estava, será que eles receberiam alguma suspensão?

Se a saída desavisada de Giles resultasse em algum problema, eles podiam ser suspensos dos jogos e, pior ainda, seria uma pessoa a menos no time para ocupar espaço. Não que Giles fosse um excelente jogador, mas pelo menos tinha que ter alguém para fechar um time e eles continuarem treinando.

- Merda. Só pra me dar trabalho! - Angus reclamou consigo mesmo, sem nem dar dez minutos inteiros desde a saída de Giles para resolver se levantar, calçar os tênis e um casaco, e ir atrás do colega de quarto antes que eles se metessem num problema grande.

Ele seguiu pelos corredores para alcançar Giles, mas nem tinha como chamá-lo a distância sem chamar atenção também dos possíveis inspetores do dormitório. Quando saiu finalmente do prédio dos dormitórios, Giles já tinha se afastado na direção de St. Clavier e enquanto tentava acompanhá-lo, Angus ficou mais curioso com o motivo pelo qual ele ia fugir no meio da noite para ir até o prédio principal da Academia. Não era normal os alunos fugirem dos dormitórios para irem para a cidade? O que é que ele ia querer ali? No meio da perseguição não-intencional, Angus já tinha até desistido de chamar a atenção de Giles, só pra saber até onde ele ia. E qual não foi a sua surpresa quando ele parou só ao chegar à quadra de basquete. Ele podia esperar mil e uma coisas da fuga de Giles, escapar dos dormitórios para ir treinar basquete era a última opção. Ainda mais curioso, Angus só ficou afastado perto das arquibancadas enquanto Giles começava a se aquecer e praticar algumas jogadas, volta e meia falando consigo mesmo para manter o foco ou lembrar do que tinha recebido de dica de Berthold. Para alguém de quem ele não esperava nada, tinha que dar uma nota de crédito ao outro pelo esforço... e bom, ele estava se esforçando.

Angus não soube quanto tempo tinha se passado observando as jogadas alheias, mas entre um movimento e outro, repetindo incontáveis vezes, ele sempre voltava a cantarolar uma música ridícula.

- Que porcaria de música é essa? Como jogador de basquete você tá um ótimo cantor. - Angus anunciou, no silêncio da noite, mesmo sem falar muito alto, parecia que a voz tinha ecoado na quadra toda.
#3
Após se aquecer, treinou todos os movimentos básicos que tinha que trabalhar na lista de Berthold, o que basicamente queria dizer tudo. Foi por controle de bola, dribles, rebotes, e só não treinou os passes porque não tinha ninguém para passar. O pior era o chiclete musical em seu ouvido ocupando seu espaço de raciocinar por causa de toda a iluminação baixa da quadra que tinha acendido, um ou dois spots para não chamar demais a atenção. Estava pensando em começar os arremessos enquanto cantarolava novamente a música, mas quase deixou a bola cair ao ouvir uma voz do nada vindo do fundo da quadra. Seu coração acelerou subitamente, o que não mostrou muito em seu rosto. Quando virou para ver quem era o recém-chegado, estendeu uma mão a frente, vendo Angus acordado naquela hora da noite:

- Why am I feeling so wrong?? My head’s in the game, but my heart’s in the song! She makes this feel so right~ - encenou com toda dignidade do sobrinho do professor do clube de teatro, embora o rosto seguisse não mostrando nada além da seriedade. – “Should I go for it?”

Então dizendo isso, da distância em que estava, virou com a bola e fez um arremesso, toda a pose um pouco estranha, fazendo o arremesso parecer mais um lançamento de peso do que de fato um movimento bom de basquete. Mas Giles não contava nem com a própria precisão treinada, e a bola quicou levemente no aro antes de entrar numa cesta de três pontos.

- OHHHHH!!!!!! – a expressão se desfez rapidamente em surpresa, e a celebração saiu mais alta do que deveria, até Giles levar uma mão até a boca. – Você viu?? Você viu??? – sussurrou, olhando da cesta para Angus e de Angus para a cesta, até dar um tapinha amigável no peito dele com as costas da mão. – Ótimo cantor E jogador de basquete, dá licença! – respondeu, abrindo os braços e voltando a expressão usual tão rápido quanto tinha mudado. – O que você tá fazendo aqui? Não devia estar dormindo?
#4
Angus contorceu a expressão numa de desgosto quando Giles lhe ouviu e ainda se virou em sua direção para continuar cantando. Talvez tivesse dado crédito demais à tentativa dele de se esforçar no treino, porque estava começando a duvidar se ele era um jogador de basquete se distraindo com música ou se um ator melhorando as habilidades para o papel no filme de esportes. E a expressão não melhorou em nada quando depois de toda a encenação, ele fez uma cesta de 3 com esforço mesmo sem estar marcado, se vangloriando por conta daquilo.

O ruivo ficou tão perdido em toda a encenação que demorou alguns longos segundos até processar a pergunta de Giles sobre o que estava fazendo ali. Até sacudiu a cabeça para os dois lados como se precisasse voltar ao ginásio.

- Eu devia mesmo. Achei que você ia arrumar problema pro time se os monitores não vissem você no quarto. Não é que você joga bem, mas tem que ter cinco pessoas pra ter um time. - respondeu Angus, enfiando as mãos nos bolsos da bermuda. - Até pensei em oferecer ajuda, que você parecia tá treinando sério... mas eu acho que me enganei.

Ele olhou de Giles pra o resto da quadra, ainda com a cena perturbadora de toda a cantoria na cabeça. Tirou uma das mãos do bolso para fazer um aceno pra o outro.

- Bom... sei lá que porcaria é essa aí. - acenou para ele, na intenção de voltar pra o dormitório. - E não leve uma suspensão.
#5
Giles começou a se questionar, enquanto interagia com Angus, se ele tinha outra expressão senão a de reprovação. Porém, lembrou em poucos segundos como ele ficava muito mais manso lidando com Berthold, que aparentemente sabia de basquete. O fato dele lhe lembrar que tinha ido até ali pelo time, porque no fim das contas, precisavam de cinco pessoas para jogar, independente do seu nível de habilidade, lhe deixava irritado.

O pior é que, só porque se distraía com música enquanto treinava, ele de repente tinha pensado que não estava treinando sério.

- Para alguém que levantou do quarto para garantir que “o time” não ia ser prejudicado com a minha fuga, você parece fazer questão de me deixar de fora dele. Não é mais fácil só arrumar outro otário obediente para ocupar a quadra? – respondeu com irritação, pegando a bola que tinha rolado para perto o suficiente e jogando nas costas de Angus com força antes mesmo de perceber a grosseria. Mas rude por rude, o ruivo parecia fazer questão de lhe irritar. – Eu estou treinando sério. Porque eu tenho noção de espírito de time, Angus. Eu sei que não sou tão bom quanto vocês, mas ao invés de ficar pensando que eu sou só um número na quadra, prefiro treinar para ser útil pro time. Me desculpe por ser bem-humorado.

Havia um peso claro de cinismo no tom de voz de Giles, para evitar o tom mais agressivo, já que já tinha feito o favor de jogar a bola em Angus.

- Se você acordou pra me tirar a vontade de treinar, sinta-se livre para voltar ao dormitório. Eu vou ficar aqui mais uma horinha, e tal. – falou, arqueando uma das sobrancelhas. – E desculpe a bolada, escorregou. Você sabe. Dedos de manteiga.
#6
Angus já tinha dado as costas, mas rodou os olhos quando ele reclamou que era mais fácil só arrumar algum idiota obediente na quadra. Se bem que com uma barata tonta correndo entre os jogadores, era mais fácil um idiota atrapalhar do que ajudar na contagem de gente no time.

- Só se for pr- EII! - mal conseguiu se virar, sentiu o peso da bola de basquete sobre o seu ombro, que embora ele já conhecesse bem, não diminuía o peso da bola.

Nem teve tempo de xingar Giles de volta pela bolada, com todo o discurso dele de que sabia que não era tão bom, mas que estava tentando ser útil no time. Se abaixou para pegar a bola, fazendo outra careta quando ele se desculpou por ser bem humorado.

- "Escorregou", hm? - de frente para Giles, ele não tinha a mesma vantagem, então mesmo sabendo que o outro ia desviar, arremessou a bola na direção dele com mais força e precisão. - A minha não.

Tirou o casaco que estava usando e pulou por cima da divisória da arquibancada para entrar na quadra também, parando a um par de passos de distância de Giles com os braços cruzados.

- Você quer mesmo treinar sério? Não tá só zoando com a minha cara e brincando de musical no time? - Angus perguntou, ainda com um tom muito desconfiado. - É por isso que você fica aí se distraindo e errando as cestas, ao invés de se concentrar. E que porcaria de arremesso foi aquele? É uma bola de basquete, não um saco de batata. Vamos começar com os arremessos, não dá pra depender da sua sorte nem da sua postura.
#7
Podia não ser bom em queimado, mas era bem treinado em saídas rápidas pela esquerda. Não que uma bola de basquete fosse doer mais do que um jogador de linha furioso doido para lhe derrubar, como acontecia nos seus tempos de colégio, quando jogava futebol americano. Ouviu a bola quicar do lado depois de fugir e estreitou os olhos para o deboche de Angus em admitir que tinha jogado de propósito. Ainda ousava lhe perguntar se queria mesmo treinar sério.

- Não, Angus, eu estou há uma semana fugindo do quarto pra vir pra quadra porque eu gosto de sentir o cheiro de meia suada no meio da noite. – respondeu com uma irritação muito óbvia, estendendo a palma para fora para pontuar ainda mais claramente o que estava falando. – Se fosse só o cheiro de meia velha eu ia cheirar seu tênis na entrada do quarto. – resmungou, porque estava crente que Angus permanecia ali para lhe irritar.

Porém, se surpreendeu que ele ficou na quadra, ao invés de ir embora. O tom rude não mudava de forma alguma, fazendo questão de insultar sua tentativa de cesta e a forma como arremessava. Levou a mão até a testa e esfregou o rosto, respirando fundo para controlar a raiva, afinal, só poderia treinar passes com outra pessoa também.

- Tenho certeza que se tentar arremessar um saco de batatas vai dar menos certo ainda. – enxugou o suor no pescoço com a camisa. - ... Será que dá pra tentar? – pensou enquanto pegava a bola de volta, e então jogou ela em direção a Angus. – Tá bom, Stephen Curry, me mostra como você arremessa sacos de batata.
#8
Angus até fez uma expressão de quem estava considerando se ele queria mesmo ir pra quadra só sentir o fedor de suor, ignorou os insultos e as gracinhas e só rodou os olhos para o questionamento dele se dava pra tentar jogar o saco de batatas. Finalmente Giles pegou uma das bolas e jogou em sua direção, ele segurou com uma das mãos para quicar a bola no chão e dar alguns passos na direção do outro, ficando a apenas dois passos de distância.

- Eu não sei ser tão específico como o Konrad, mas... parece que você está tentando arremessar um tijolo e não uma bola de basquete. - ele levantou a bola entre as duas mãos, acima da cabeça, e fez um movimento breve começando pelos calcanhares, joelhos, terminando nas mãos com os punhos levemente curvados para arremessar a bola com mais naturalidade que Giles, conseguindo encestar sem muita dificuldade, mesmo com a distância de três pontos, com as dicas que Berthold tinha lhe passado. - Das vezes que eu vi, você joga a bola assim que pensa em pular, por isso precisa de mais força nos braços pra compensar a falta de movimento no resto do corpo.

Ele andou até a tabela para pegar a bola que tinha encestado e voltar na direção de Giles, jogando a bola na direção dele.

- Flexione mais os joelhos, coloque mais movimento no pulso e deixe que os seus dedos sejam a última coisa a sentir a bola antes do arremesso. - ele nem esperou que Giles arrumasse a postura, voltou até o canto da quadra para pegar o carrinho com as bolas reservas de basquete para voltar para perto de onde Giles estava treinando, já deixando outra bola em mãos. - Vai lá.
#9
Ouviu as instruções de Angus sobre o arremesso. Na verdade, até que tinham sido boas instruções. E a forma como ele tinha arremessado, com todos os movimentos mostrados de forma mais devagar lhe fizeram engasgar um “delicado como uma bailarina russa” no fundo da boca, afinal, ele tinha mesmo tentado lhe ensinar. Arqueou a sobrancelha sobre tentar compensar com força o arremesso feito no momento errado. Será que era porque estava mais acostumado a estar plantado no chão quando jogava a bola?

- Não é que foi mesmo uma boa explicação... e arremesso. – falou, erguendo as sobrancelhas. Então esperou Angus andar até a tabela e lhe retornar a bola que tinha jogado. Segurou como ele, e então tentou lembrar de cada um dos pequenos movimentos, dos pés aos joelhos, e dos joelhos aos braços. Só então ajeitou a postura, tentando lançar a bola durante o salto, e não antes dele, embora estranhasse até o movimento para guiar a bola até a ponta dos dedos. Foi um arremesso mais bonito, mas obviamente teve menos alcance, quase atingindo Angus que carregava mais bolas no caminho. – Argh. Desculpa aí, juro que estava mirando a cesta!

Coçou a cabeça logo Angus estava com uma bola estendida em sua direção para continuar. Não demorou a tentar de novo, ajustando o movimento dos dedos, dessa vez, fazendo um lançamento de maior alcance e limpo, com sua pontaria impecável que fez a bola descer direto.

- Ah! Isso! Me dá outra! – pediu, esperando as bolas reservas do lado, dadas por Angus.

E assim seguiram treinando os arremessos, até esgotarem as bolas reservas e terem que buscar todas de novo, passando a bola de forma rápida de um para outro, depois voltando ao treino dos arremessos, fosse na direção da cesta ou na direção do cesto onde guardavam as bolas. Considerando sua energia e a vontade de Angus de treinar basquete, perderam a noção da hora facilmente, só parando de fato quando Giles pediu um tempo com as mãos para beber água no bebedouro do canto da quadra e depois voltou para se sentar, suado e acabado, próximo do ruivo.

- Acho que deu por hoje... se não vou voltar pisando que nem um elefante pro dormitório... minhas pernas não respondem mais. Nem meio pulo. – falou, respirando fundo, o som claro da respiração no silêncio da quadra. Pegou o celular para olhar se tinha completado uma hora de treino e então arregalou os olhos. – Ô Angus. Acha que a gente vai levar uma chamada por faltar a primeira aula? Porque... são duas da manhã. Se você não acorda dormindo às dez, agora vai ficar sonâmbulo até o fim das aulas.
#10
Angus ainda olhou torto para Giles quando ele errou a cesta e por muito, depois de tentar fazer o arremesso do jeito que tinha instruído. Mas não dava pra culpar o outro inteiramente, porque ele também podia ter deixado alguma informação importante passar, então era melhor relevar. Quando entregou a outra bola, ele foi bem mais eficaz em entender como fazia a cesta, e a expressão de Angus até amenizou.

- Olha, nada mal. - jogou a outra bola para ele com mais velocidade, e Giles começou a acompanhar o seu ritmo também, acertando uma boa porcentagem dos arremessos antes de poderem passar para outra parte do treino.

Bom, pela observação muito superficial de Angus, a maior preocupação para o outro era marcar os pontos, então eles poderiam treinar passes em outra oportunidade, já que aparentemente, os pés de Giles eram bem rápidos. Enquanto passava as bolas para ele e instruía algumas coisas para que ele melhoasse, Angus acabou também se empolgando na situação e eventualmente, até comemorava com o outro quando ele acertava vários arremessos seguidos. Depois dos arremessos parados, ainda testaram alguma movimentação e talvez Angus tivesse se empolgado demais, atento aos movimentos rápidos do oponente, para esquecer completamente que estavam treinando fora do horário.

Quando Giles parou para ir beber água e avisou que talvez não desse nem para pular, Angus pegou a bola que ainda tinha em mãos e fez um arremesso de 3 pontos que passou suave na cesta.

- Hm, temos que treinar mais o condicionamento então. Da próxima vez fazemos aquecimento nas arquibancadas. E cruzando a quadra. E temos que treinar os passes, não adianta saber arremessar sem pressão e... - distraído como estava, indo buscar as bolas que ainda estavam jogadas na quadra, ele só parou de falar quando Giles apontou que já era duas da manhã. - O quê?! Duas da manhã?! Merda, temos que voltar pro dormitório antes que suspendam a gente!
#11
Giles poderia só ter rido da empolgação de Angus, pois naquele tempo breve que tinham se tornado colegas de quarto, era a primeira vez que se tratavam que nem gente. Isso tornava a convivência bem mais fácil: não é que Angus lhe detestasse, era que ele era um nerd do basquete, e como não era um jogador no nível dos outros, pelo visto ele devia lhe ver como um atraso. Pelo visto precisava trabalhar as habilidades sociais dele aos poucos também. Não era bom de treino como Berthold, mas tinha sido criado por gente de humanas. Era o mínimo que podia fazer.

- Eu tenho um bom condicionamento físico, senhor cabeça-de-basquete, mas nesse horário, considerando que as aulas começam cedo, só com muito café e energético. – falou, franzindo a testa e levantando a pulso para guardar as bolas espalhadas na quadra, encestando duas no cesto grande. Só tinha dó do zelador achando que limpou tudo no dia anterior mas agora teria a marca da sua bunda suada no piso bonito. – Pois é, uma coisa de cada vez. Temos que sobreviver à suspensão hoje para aprender passes e arremesso sobre pressão outro dia. – sorriu, zero preocupado com voltar ao dormitório. Até começar a andar e as pernas parecerem ter 200kg cada. – Errr... Angus? Já que você está tão legal hoje... daria uma mãozinha para um amigo com patas de elefante? – sorriu amarelo.

[Thread encerrada]


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