Uma Dose de Anti-Bad [Corpo Docente St. Clavier]
#1
Skurai
O festival escolar de St. Clavier se aproximava cada vez mais. Todos os anos, as turmas do primeiro ao quarto ano uniam-se para fazer as mais diversas atividades culturais, movimentando a escola mais do que a usual correria das aulas e atividades dos clubes. Aqueles que pertenciam aos clubes esportivos uniam-se para competições e demonstrações no ginásio, demonstrando a proeza física dos bolsistas e esportistas dedicados; os com talento artístico faziam exposições, espalhadas por todos os ateliês e salas da escola, convidando os habitantes de Cerise, pais e amigos para contemplar a beleza (e a estranheza) de criações originais dos pretensos artistas da escola. Os acadêmicos uniam-se para fazer o que sabiam melhor: expor a cultura de seus países, elaborar atividades engraçadas e criativas que distraíssem visitantes cansados de verem o reluzir de jovens talentos quase inalcançáveis.

E tinha o resto, claro. Em todo lugar, havia o resto.

E enquanto todos ansiosamente aguardavam o dia do festival, aqueles que não tinham interesse em se juntar a grupo nenhum, que não tinham amigos, não tinham boas notas ou eram simplesmente sem conserto pareciam que iriam ficar sem fazer nada. Porém não foi bem assim: o Conselho Estudantil, comandado pelo filho do diretor de St. Clavier, o igualmente pomposo Cesar St. Clavier, mandou através de seu secretário, René, um memorando para muitos alunos. Estava escrito:


À Monsieur ___________,
Em sua ausência nas inscrições iniciais às atividades do Festival Escolar de St. Clavier ou na não-aceitação de sua proposta para o festival, o Conselho Estudantil informa que, visando a manutenção do espírito coletivo, você foi designado para realizar uma atividade junto ao grupo de teatro de St. Clavier. Compareça ao auditório principal após as aulas para as reuniões do grupo. Caso decida não comparecer, alternativamente, deverá participar do curso integral de férias, que tomará os turnos matutino, vespertino e noturno em todos os dias do recesso e cujas notas serão pesadas junto com seu boletim.
Atenciosamente,
Cesar St. Clavier, presidente do Conselho Estudantil.
Entre participar de alguma atividade e ter as férias tomadas por cursos que iriam de cozinha básica e corte e costura até álgebra avançada, era apenas natural que o teatro parecesse interessante.

E foi assim, após as aulas, que as portas do teatro foram abertas para um grupo singular de alunos, na proposta de apresentarem uma versão alternativa de Branca de Neve e os sete anões.

[Convidando todos os professores na tenra idade de 16 aninhos. Podem postar sem ordem mesmo, como fizemos na thread de natal. E também não precisa fazer post longo. Ações curtas vão acelerar a thread já que tem muita gente x3 Divirtam-se]

Mathew

Chegou cedo no teatro para as atividades escolares. Tinha ótimas notas e uma péssima vida social. Impulsionado pelos pais a se localizar melhor com os outros garotos da instituição, o loiro asmático resolveu que seria uma boa oportunidade de tentar conhecer novas pessoas com a atividade proposta pela administração do lugar aos alunos. Se inscreveu também para poder ganhar alguns pontos extras em seu currículo.

- Olá! Bom tarde! - cumprimentou os presentes de maneira educada, carregando sua mochila nas costa, os óculos de armação grossa no rosto enquanto seus cabelos loiros não conseguiam se comportar, alinhados.

Procurou por alguém que já deveria ter chegado, pegando sua mochila para beber um pouco de água por ter andado rápido demais para chegar ali na hora certa. Não queria chegar atrasado e acabar sendo repreendido por ser incompetente com horário. Ainda não fazia ideia de quem estaria naquele trabalho escolar também. Havia visto alguns garotos falando sobre o assunto no corredor, mas ainda não tinha certeza de nada.

Vivien

Vivien não sabia porque tinha recebido aquele bilhete do Conselho Estudantil. Estava inserido no clube de Rugby e tinham demonstrações e partidas marcadas para o Festival Escolar. Mas se parasse bem para pensar, só havia mesmo um motivo pelo qual estava ali: Cesar, seu primo, não ia muito com a sua cara. Suspirou e se resignou a atender aquela ordem. Quem sabe, com tantas peças estranhas que apareceriam por ali, o lugar talvez precisasse de um pouco de ordem.

Foi depois das aulas como dito no bilhete, e não fez muita cerimônia de entrar no auditório, dando de cara com um gordinho que parecia ser o tipo nerd e não fazia muito seu tipo. Não seria mal educado por causa disso.

- Boa tarde. - respondeu, prontificando seu sorriso comercial. - Monsieur Morrisson, não é? Certamente não esperaria ver você aqui. Parece o tipo estudioso. - aproximou-se, estendendo a mão para um cumprimento amigável. - Não sei se sabe meu nome mas por via das dúvidas, Hector St. Clavier. - riu, agradado. - Branca de neve e os sete anões, hmm? - suspirou longamente, então rindo da sorte do grupo.

Benjamin

"Alguém precisa ir lá e dar conta desse grupo". Foi aquela frase do presidente do Conselho Estudantil que fez com que os demais integrantes contorcessem as expressões em desgosto. Ninguém queria lidar com os estudantes delinquentes e deslocados só porque eles não tinham o que fazer durante o festival. Bom, exceto por Benjamin. Como secretário, nunca tinha muito o que fazer no Conselho, todos os outros integrantes estavam muito ocupados... e não negaria um pedido de César. Por isso, não demorou a comparecer no Teatro supostamente na hora marcada, mas obviamente mais atrasado do que alguns poucos alunos.

- Boa tarde, vocês estão aqui para a peça da Branca de Neve, não é? - perguntou, aproximando-se das únicas duas pessoas que sabia quem eram: o nerd gordinho excluído e o primo do presidente do Conselho. Não teve muito tempo de ouvir as respostas, quando outra voz conhecida foi bem audível na entrada do teatro.

Aleksei

- Quem é que eu tenho que fuder pra me livrar disso?

Aleksei estava de mau humor. Por isso não se importou em pegar um cigarro da sua cartela de reservas e acendê-lo sem receio na entrada do teatro. O uniforme estava desarrumado, como alguém que tinha vestido as roupas muito apressadamente. Apenas depois de guardar a cartela de cigarros e o isqueiro que se importou de terminar de abotoar a camisa até quase o colarinho. Tivera um cliente bem inconveniente naquela manhã - que tinha lhe deixado marcas exageradas -, e o maior problema era que não tinha recebido tudo. Bom, tinha que dar um jeito naquilo e usou de outros contatos para garantir que aquele cliente em particular receberia ainda mais dor do que tinha lhe causado. Mas queria estar lá para assistir... e aquela porcaria de teatro lhe atrasaria.

- Tenho um compromisso inadiável em dez minutos. - adicionou, soprando a fumaça do cigarro para cima.

Soren

A presença de Soren foi silenciosa o suficiente para conseguir ainda observar um pouco da interação do Secretário do Conselho Estudantil ao chegar no teatro e passar despercebido, até que aquele aluno bem difamado chegasse com a ousadia de acender um cigarro. Pronunciou um breve "tsc" em desgosto para as palavras e a postura dele e aproveitou que ele passou direto pelo corredor principal para acompanhá-lo, sorrateiro e discreto, até alcançar o cigarro na boca dele e tirá-lo com uma expressão de irritação em resposta.

- É proibido fumar nos limites da Academia, Sr. Vlahos. E garanto que não tem nada que possa fazer que o livre da atividade para o festival. - disse, um pouco perdido do que faria com o cigarro, até se renegar a apagá-lo no chão de uma vez. Voltou a atenção para os demais. - Acredito que exceto pelo Sr. Morrison, os demais me conhecem. Eu sou Soren Halstein, presidente do Conselho Disciplinar, e estarei supervisionando essa atração do festival em particular.

Vivien

As pessoas começaram a chegar aos montes quando menos esperava. Mal teve tempo de se apresentar para o gordinho, viu o secretário do Conselho Estudantil. Logo atrás dele, um tipo vulgar surgiu com a boca já cheia da revolta. O conhecia por rumores, mas nunca tinha tido a sorte de contatá-lo. Até onde sabia, se ele estava em St. Clavier, era porque seu tio quem sabe tivesse uma queda por adolescentes.

E não podia negar. Ele era excepcionalmente bonito. Ainda que muito, muito vulgar.

Logo que Soren, a víbora do Conselho Disciplinar entrou, já colocando moral em todos ali presentes, sentiu que não teria vontade alguma de conversar com o gordinho que já tinha esquecido o nome. Até folgou levemente a gravata do uniforme perfeitamente alinhado. Abençoada fosse aquela escola, com tantos rapazes aprazíveis.

- Calma, monsieur Halstein. Ainda nem começamos as atividades, não nos desanime tão prontamente. Estamos apenas conversando casualmente - comentou, enfiando as mãos nos bolsos, olhando de leve para o prostituto com interesse. - Além do que, fomos todos colocados aqui pelo Conselho Estudantil. Não seria errado dizer que, mediante uma conversa informal com a administração, há a chance de se livrar dessa atividade. - sorriu, como se não tivesse acabado de implicar que o prostituto poderia bem dormir com Cesar. - Ah, mas se for esse o caso, monsieur, me leve. Eu ainda não sei porque estou aqui.

Dieter Rupert
Dieter estava numa semana daquelas, cheia de trabalhos e experimentos, queria ter terminando de escrever o trabalho que queria antes do festival começar, mas era perdido, sempre lhe arrastavam para alguma atividade que não queria. Mas aquele ano estava se saindo excepcional com um bilhete vindo do próprio conselho estudantil.

Seguiu para o auditório e pegou o meio de uma conversa, ou melhor de uma bronca direcionada a um dos alunos:

- Também é proibido ser chato, mas taí você todos os dias, e a gente te perdoa, então 'cê devia atender a parte de ser legal com os colegunhas Sosó! - Dieter interrompeu todo o discurso pomposo do aluno engomadinho número um da sala.

-Olá, Boa tarde a todos! Estamos todos cheio de animação para essa atividade excepcional! - o moreno de óculos ergueu os braços em um gesto amplo cheio de energia quase teatral: - só que não. - completou mudando de postura, e sentando em qualquer lugar, largado, com o uniforme todo desalinhado: - Mas aproveitando que tem gente dos dois conselhos aqui, 'cês bem que podiam dizer porque do bilhetinho de trote, nem sou calouro mais pra passar por isso.- sacudiu o pedaço de papel com toda a relevância que dava aquela atividade.

Mathew

Sorriu para o sujeito educado e sorridente que se aproximava, cumprimentando-o de volta. Não teve muito tempo em respondê-lo, sendo prontamente seguido de outras pessoas que logo adentraram o espaço. Podia não ser conhecido por elas, mas bem sabia como se chamavam. Tinha que saber o nome dos caras para que quando passassem no corredor e as pessoas falassem seus nomes, soubesse que era a hora de seguir seu caminho ou ficar atento ao que estava fazendo.

- Vou te chamar de Hector hoje, porque monsieur St. Clavier é muito esquisito. Pode me chamar de Mathew. - respondeu ao tal Hector, reconhecendo de quem ele deveria ser aparentado.

Não demorou muito o seu entusiasmo momentâneo quando aquele garoto entrou no teatro fumando. Mais que imediatamente, levou a gola da camisa até o nariz, segurando a respiração pouco antes de sentir, conforme ele se aproximava, o fedor do tabaco. Já ia reclamar que ele não deveria fumar ali quando o tal Soren apareceu.

- Atchum! - não segurou o primeiro espirro, fungando com força o nariz antes de virar a própria mochila de novo, buscando sua caixinha de lencinhos para poder segurar o início do que poderia ser uma sequência de espirros. - Trote? - perguntou sem entender o descaso da maioria ali com aquela oportunidade. Não pareciam muito inclinados a socializar. Simpatizava mais com Hector e o tal garoto inglês, mas não com o sujeito vulgar. E já conhecia Dieter, ao menos sabia do que ele era capaz. O sujeito era bem inteligente e desenrolado. Queria poder trocar metade de seus problemas respiratórios por um pouco de descaramento do outro.

Stephen

Estava chapado demais para entender o que aquela mulher - seria uma mulher? - alta havia dito. Era uma professora? Coordenadora? Sua tia? Um professor afeminado? Ah, só queria comer um sanduíche e dormir. A larica havia batido, mas decidiu pegar o tal papel que aquela pessoa havia lhe dado. Leu o chamado a muito contragosto. Então lembrou do formato das nádegas de alguns colegas que possivelmente apareceriam por lá, ainda que cobertas pela calça da academia.

- É.... não pode ser tão chato assim. - coçou os fios de cabelos que já estavam ficando grisalhos, e seguiu para o tal auditório.

Havia esquecido a mochila e só estava com uma caneta no bolso. No outro, um maço de cigarros. Foi entrando na sala devagar, inicialmente com um ar de poucos amigos, encarando um por um. Até que um largo sorriso despreocupado se formou, erguendo a mão.

- Boa tarde meus colegas! E então? O que temos pra hoje? - e não demorou para se sentar no chão, encostando-se na parede ignorando quaisquer cadeira que estivesse presente. Além de atrasado, estava visivelmente em outro mundo.

Benjamin

A quantidade de pessoas aumentava exponencialmente. Não tinha como fazer muita coisa, além de sorrir e cumprimentar o outros que estavam ao redor e guardar os nomes deles mentalmente para repassar para César depois. Tinha o rapaz de má fama, o presidente do Conselho disciplinar, o estudante de ciências com prêmios, o drogado de cabelos grisalhos... agora entendia porque César queria mesmo alguém de olho no grupo. Mas mal teve tempo de falar com Soren - com quem estava mais acostumado, quando o grego fez uma expressão irritadiça para ele.

- Pra tocar é mais caro, Sr. Presidente. - ele disse, lambendo os lábios com um sorriso convencido e olhando por cima do ombro para Hector. - Contanto que me pague, eu levo pra qualquer lugar.

Ele se sentou numa das cadeiras da platéia, jogando os cabelos para trás e parecendo bem relaxado. Só então Benjamin conseguiu retomar o fio da conversa.

- Stephen e Dieter, não é? Não é trote, é uma atividade do Conselho Estudantil para os alunos que não estão diretamente ligados com o festival da escola. - tentou explicar um pouco melhor o quadro. Ao menos superficialmente.

Dieter Rupert

Dieter mal tinha sentado se levantou novamente como um gato ao ter um pepino posto em suas costas ao ouvir o som do espirro, a ultima coisa que queria era ficar doente, com algum germe de sabe-se lá onde. Até sabia que o Mathew era alérgico, asmático, com todo um quadro de problemas respiratórios que só faria dele um tipo melhor para estudar se fosse um rato e não uma pessoa.

Sentou-se algumas boas cadeiras de distância do gordinho a tempo de ver um aluno certamente drogado chegar, podia jurar que alguns alunos estavam trocados experimentos botânicos por uma plantação ilegal de marihuana, mas não seria ele a dizer aquilo. Voltou atenção ao secretário quando ele tentou explicar a situação em que estavam:

- Certo Benjin, até agora você disse o mesmo que tinha no bilhetinho, mas é como um trote, ou no mínimo uma piada bem ruim, como "pavê ou pra comer". - o australiano completou com seu sotaque mais forte o que realmente fazia parecer que ele não estava levando a situação com muita seriedade: - porque nem de longe nos somos atores, talvez o senhor propaganda de pasta de dente ali talvez - Dieter apontou para Vivien descaradamente com as duas mãos: - mas assim, a maioria aqui não é o que podemos chamar de "ator", então independente do que a gente tiver de fazer nessa peça, vai parecer uma piada ou trote, ou no mínimo um filme de classe D.

Vivien

Quando a vida parecia que tinha lhe agraciado com muita gente bonita para observar, veio Dieter Rupert. Não que fosse chegado dele, mas ele era bem notório no campo das ciências. Nem queria mexer com aquilo, apenas aceitando que Dieter existia ali. E logo atrás dele, outro que poderia ignorar completamente. Nem sabia o nome do outro aluno, e provavelmente ele também não. Pelo menos ele era menos alergênico para Morrisson que o cigarro de nicotina.

Arqueou a sobrancelha quando o prostituto loiro lhe respondeu com uma provocação, até divertindo-se com aquilo.

- Pena que estou economizando. Mas estou disponível para falar de investimentos. – respondeu, entretido com a Benjamin então, que parecia disposto a explicar tudo com mais paciência que Soren. Acabou rindo mais ao ser chamado de propaganda de pasta de dente, especialmente porque estava sendo acusado de ser um ator. Definitivamente não ia com a cara de Dieter. – Não adianta se aborrecer com o “Benjin”, monsieur Rupert. Ele não pode revogar a decisão do Cesar. Pense que se atuarmos bem, ano que vem não teremos o mesmo castigo. Se atuarmos mal, então fizemos um protesto pacífico. O detestável é só a perda de tempo.

Tamotsu

Tamotsu estava abusado. Mas também sempre estava abusado. Queria só arrumar briga com quem passasse para reclamar que estava fumando nos fundos da escola, mas o rapaz que lhe trouxe o bilhete parecia não ter medo de levar um sopapo. O que tinha escrito... bom, mais aulas. Isso não queria de jeito nenhum. Já se ferrava constantemente por ser um lixo no francês... e em todas as outras matérias. Podia atuar numa peça de teatro, não parecia tão mal.

Foi até lá depois das aulas, mas só depois de fumar mais um cigarro. Encontrou outro japonês de sua turma no corredor, e ele apenas lhe seguiu sem dizer uma palavra. Acabou resmungando gravemente enquanto entrava no auditório, o uniforme todo desleixado no corpo rechonchudo. Na verdade, resmungou ainda mais quando percebeu que ele baixinho e gordo e o outro, alto e magro, pareciam uma dupla de comediantes japoneses da década de oitenta.

- Sai daqui se não te dou um sopapo, seu puto! – rosnou pro outro japonês, então se jogando numa cadeira de modo preguiçoso.

Lei

Lei sabia porque tinha recebido o bilhete. Tinha conseguido não se entrosar com ninguém de sua turma. Era quieto, não tirava notas excelentes e não tinha projetos. Era o único também que praticava karatê tradicional, e era a única coisa de que entendia 100%. Foi até o auditório sem opções, e encontrou outro japonês no caminho. Não disse nada. Não parecia certo.

Já no auditório, foi expulso da companhia do mesmo e apenas cumprimentou-o com uma reverência antes de caminhar até o canto do auditório, observando todos ao redor com atenção, notando que tinham até mais alunos problema do que esperava. Queria que seu irmão estivesse ali também.



Abel

O pedido de César não lhe foi estranho. As pessoas do clube de teatro de St. Clavier eram no todo muito elitistas. A única pessoa de classe média naquela escola com bolsa para teatro era ele, então os pedidos mais absurdos vinham para ele. Abel correu após as aulas para alcançar o teatro, afinal, teria muitas pessoas que instruir naquela arte milenar, e isso lhe deixava feliz.

Levou um carrinho cheio de cópias do roteiro e abriu a porta do auditório, o rosto ficando prontamente vermelho após ver que haviam tantos garotos ali, e logo ele, logo ele que precisava ser responsável, estava atrasado.

- Benjamin, desculpe o atraso, fui tirar cópias do script. – Abel falou, exasperado, levando o carrinho na direção do grupo. – Olá a todos, sou Abel do Clube de Teatro. Estou aqui para supervisionar os ensaios e ajuda-los no que precisarem, oui? – estava até animado, mesmo que os outros não parecessem assim – Podem pegar o roteiro da peça comigo. Acho que adiantaram para vocês que faremos “Branca de Neve e os sete anões”. Discutiram algo sobre a peça?

Ulrik

Ulrik abriu sua agendinha onde guardava os compromissos do dia. Como uma pessoa com proeminência acadêmica, supôs que ter recebido o bilhete do Conselho Estudantil só poderia significar que não era muito sociável. Bom, apenas a realidade. Ainda que o problema fosse o nome de sua família, não ele em si.

Fechou a agenda quando chegou no lugar de compromisso, dando dois toquinhos na porta antes de entrar, sorrindo levemente quando viu que estavam quase todos ali.

- Ah. Desculpem o atraso. Já começamos? – perguntou, entrando e fechando a porta, um olhar rápido para ver quem estava presente naquele lugar. O sorriso se desfez momentaneamente ao ver Soren do Conselho Disciplinar. Lambeu rapidamente o lábio, os olhos castanhos relaxados mostrando o branco abaixo dos mesmos. Então voltou a sorrir rapidamente. – O Conselho Disciplinar também está aqui? Estamos encrencados? – riu, discreto.

Soren

Seria um inferno organizar todos aqueles alunos. Mas até valia a punição para cada um deles - mais de um já tinha passado pela sua sala e pelas detenções mais de uma vez. Ignorou prontamente os comentários do aluno de ciências e fora a presença espalhafatosa dele, apenas Vivien se destacava por motivos óbvios - o sobrenome. Os outros alunos foram chegando e finalmente o responsável pela atividade de teatro resolveu dar as caras. Mas ele mal separou os scripts com a ajuda de Benjamin, parecendo as únicas pessoas dispostas ali, para que outro aluno problemático de família perigosa aparecesse. Estreitou o olhar discretamente para ele também, tentando não dar tanta atenção para o aluno.

- Estou aqui apenas para anotar os nomes daqueles não colaborativos, afinal, a detenção será em horário integral durante as férias. - avisou, andando cuidadosamente até Aleksei, puxando da mão dele o cigarro que já tinha tirado da caixa, sem prestar atenção nos arredores. - Já disse, nada de cigarros, Aleksei.

De novo, a resposta do loiro foi um breve "tsc", jogando a cabeça para trás enquanto esperava algo mais acontecer ali.

Abel

Abel mal sabia por onde começar com aquele grupo tão extremamente variado. Distribuiu os scripts com Benjamin a todos dispostos a pegar. Até para o par de japoneses.
- ‘Tá olhando o que? – Tamotsu rosnou para o rapaz do clube de teatro, que apenas jogou o roteiro na cadeira ao lado dele e deu uma pirueta de meia volta.

Com todos os roteiros distribuídos, poderiam começar o trabalho.
- Acho que o mais lógico é começar distribuindo os papéis. Pelo espírito do teatro, que é a capacidade de interpretar diferentes personas, acho que o mais certo seria fazer isso com um sorteio. – comentou. – Então podemos nos reunir sentados em um círculo no palco e discutir o que sabemos sobre nossos personagens.

Ulrik se prontificou.
- Vou fazer papéis de sorteio com os nomes dos personagens. – gostava de organização, então não era estranho que se dispusesse a isso. Anotou o nome de cada um dos personagens escritos na peça em uma folha de papel de sua agenda e picotou os papeizinhos. Passou de um em um para que pegassem um filete de papel rasgado. - Aqui estão.

[Os papéis, o sorteador >D
Caçador
Rainha Má
Branca de Neve
Espelho
Príncipe Encantado
Mestre
Dengoso
Atchim
Feliz
Zangado
Dunga
Soneca
https://www.sorteiospt.com/list]

Vivien

Pegou o script e sorriu para o rapaz do clube de teatro com educação. Ele não era muito chamativo, mas era surpreendentemente bonito. Um tipo de beleza clássica francesa. E certamente era afeminado, o que queria dizer que daqui para o final daquela peça pelo menos não teria perdido tempo o suficiente sem nenhuma recompensa. E uma recompensa delicada.

- Bom, não existem papéis melhores ou piores nessa situação. - sorriu para Ulrik, pegando um papelzinho. Então seu rosto sorridente se desfez, pois o karma de sua sorte ficou óbvio. - Espero que os vestidos pretos do teatro sejam bonitos. Peguei a rainha má. - comentou, entretido.

- Ah! Eu deveria pegar um também. - Ulrik comentou, puxando um dos papéis. - Dengoso. - o rapaz acabou sorrindo mais amplamente. Não poderia ser mais diferente de si mesmo.

Vivien foi se retirar para sentar no palco como tinha sido instruído por Abel. Até era colaborativo.

Stephen

Por um instante cochilou encostado na parede. Abriu os olhos num susto, sentindo uma súbita vontade de gargalhar ao notar que a sala já havia enchido. Seu estômago estava vazio, só queria comer um sanduíche de mortadela. Levantou-se do chão ao ouvir a palavra "sorteio", e ignorando todos os outros, caminhou até Ulrik onde aceitou de bom grado o papelzinho. Deu uma encarada descarada na bunda do colega enquanto abria o papel sorteado, finalmente deparando-se com o resultado. Não aguentou e gargalhou, principalmente com a resposta de Vivien, que conformado - ou colaborativo - aceitou ser a rainha má de bom grado.

- HAHAHAHAHA! Rainha má?? Sou um anão. Sou o Feliz. - mostrou o papel - Sério que vamos interpretar Branca de Neve? Pffff! - escondeu a boca com a destra. Havia ignorado as instruções iniciais, logo aquilo tudo era novo - E quem será o felizardo que vai ser a princesa? - perguntou, enquanto caminhava na direção das cadeiras que Abel havia indicado.

Aleksei

Estava irritado e nervoso, queria sair dali e descontar em algumas pessoas aquelas marcas que tinham ficado em seu corpo. Suspirou pesadamente com o presidente do Conselho Disciplinar lhe marcando mais do que fazia nos corredores. Sequer prestou atenção nos outros, apoiando a cabeça no banco da frente entediado enquanto aquele outro filhinho de papai se aproximava com uma caixa. Olhou para ele com uma sobrancelha levemente arqueada e estreitou o olhar para Soren que lhe vigiava mais do que os outros - era algum tipo de marcação cerrada. Puxou um dos papeis, olhando o nome sem interesse.

- Branca de Neve. - falou, jogando o papel de lado. - Já terminou?

- Não. - Soren interveio e Aleksei manteve a pouca paciência que ainda lhe restava.

Benjamin aproximou-se para pegar o seu papel também, sem tanto receio quanto o grego.

- Soneca. Temos três anões então. - comentou, com um sorriso discreto tentando amenizar um pouco o clima de carcereiro e prisioneiro entre Aleksei e Soren... que pelo histórico, não duraria tanto até que Aleksei conseguisse escapar.

Dieter Rupert

Dieter ainda prestou atenção no que Vivien comentou, e certamente apesar da aparência de plástico típica de garoto rico, ele falava bem e era convincente: - ok, ok, eu compro a pasta de dente. - brincou, apenas afirmando que ele de fato era convincente nas coisas que falava.

Não comentou nada dos asiáticos, realmente se perguntava que tipo de resultado iria sair dali, e só não podia ser bom. Se aproximou do aluno do teatro, para puxar uma cópia do roteiro e repousar a mão sobre o ombro do mesmo: - desculpe, sei que vou ser terrível, mas não nasci ator. - comentou despreocupado. E apesar da má vontade geral, todos pareciam colaborativos, uns picotando papeis, outro já sentando em rodinha, até parecia um bando de bichinhos treinados, como circo de pulgas.

Puxou seu papel no meio da pilha restante, e ajustando os óculos no rosto para concluir: - serei o príncipe encantado, de óculos, porque não tenho lentes pra bancar o galã de novela.

Lei

Lei ainda estava se sentindo decididamente por fora daquela confusão toda, e nem sabia como agir, estando perto de um grupo tão grande. Algumas pessoas ali eram muito escandalosas. Pegou um papel quando lhe foi passado, e sentou no centro do palco como foi pedido porque estava acostumado a acatar ordens.

- Espelho. - falou para ninguém, aceitando seu destino facilmente. Pelo menos não teria que aparecer muito, imaginava.

Enquanto isso, Abel riu com a colocação de Dieter, entretido.
- Com óculos ainda é muito bonito, monsieur. - respondeu ao moreno, simpático. - Além do que, mais do que ser bonito de fato, a platéia tem que acreditar que você é um príncipe. - deu um tapinha no ombro dele, de incentivo. Pegou também um papel para si. - Assim como as pessoas tem que acreditar que eu conseguiria machucar a bela Branca de Neve, como um caçador cruel. - riu.

Mathew

Ainda não entendia o que estava fazendo ali. A maioria dos alunos que adentravam o teatro eram alunos problemáticos, com alguns vícios ou má conduta. Alguém deveria ter confundido seu nome e lhe colocado ali no meio. Não fazia ideia do que havia feito de errado para estar ali. Contudo, seguiu com o protocolo, seguindo o sorteio de papeis.

- Zangado. - disse abafado ainda pela gola da camisa para não ter que respirar o fedor de tabaco. - Zangado?! - finalmente se deu conta do papel que havia recebido, abaixando a gola da camisa, descrente que de fato teria de fazer um dos anões e justamente o tal do anão irritadiço. - Como é que eu vou fazer isso? A Branca de Neve é o Vlahos! Como é que eu vou ser zangado com ela, ele, num sei! Vou ter uma crise alérgica só de chegar perto dele!

Reclamou, certo de que aquele papel era horrível para que o fizesse. Seria um Zangado com uma bombinha para asma constantemente acionada. Fez uma pausa ao se exaltar, usando de sua garrafa de água para tomar mais alguns goles, hidratando a própria garganta. Odiava ser afetado pelo tabaco e odiava ainda mais quando as pessoas não tinham consideração nenhuma com os outros da maneira com a qual o outro garoto havia entrado fumando no recinto.

Wilbert

Atrasado devido aos seus usuais problemas de temperamento, havia chegado apenas a tempo o bastante para pegar a conversa pela metade e assistir o sorteio de papeis. Aquilo só poderia ser algum tipo de piada bem de mal gosto da direção que deveria achar que não havia nada de mais útil que pudessem fazer com suas vidas. Talvez não fosse o melhor aluno devido ao seu temperamento inadequado, mas não havia necessidade para ter de receber aquele tipo de punição.

Não cumprimentou ninguém, não havia necessidade em ser educado com um bando de delinquentes com problemas tão parecidos ou piores que os seus. Desejava o mesmo que a maioria ali, que tudo acabasse e que pudesse voltar a suas ocupações. Aproximou-se para pegar seu papel, encarando o sorteio com uma forma mascara de tornar tudo aleatório e divertido aos que desejavam puni-los, porque aquilo não poderia ser chamada de reunião entre amigos.

- Mestre. - avisou antes de voltar ao seu lugar e cruzar os braços novamente, entediado com tudo o que estava acontecendo por ali.

Ciel

Havia recebido o recado por outro aluno num pedaço de papel enquanto falava ao telefone com o namorado, tentando dar uma explicação novamente pela sua ausência, sempre acabava gerando dor de cabeça. Acabou levando mais tempo do que imaginava e apenas se lembrou de ler o conteúdo do papel um bom par de minutos depois, e se já não possuía tempo livre normalmente, com certeza não teria nenhum se acabasse no meio de alguma atividade de férias. Se arrependia amargamente de não ter aceitado participar de nenhuma atividade do dito festival, se soubesse que lhe traria um problema assim! Não precisava que o seu boletim caísse mais do que o normal;

- Olá, olá! Desculpe o atraso! - abriu as portas do auditório dando de cara com o grupo diverso, alguns já conhecia como Matthew e a figura caricata de Dieter que era impossível não notar. Agora alguns dos outros tinha receio de não se lembrar nem mesmo do rosto. Depois de se inteirar com a situação, fazer cumprimentos rápidos e receber um script, foi puxar o seu papel do sorteio - Dunga! - avisou antes de dar espaço para que o próximo, e aparentemente último sorteado pudesse pegar o seu papel.
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#2
Soren

Soren observou enquanto os papeis passavam pelos alunos que prontamente escolhiam suas partes. Não parecia que daria qualquer problema e todos estavam dispostos a colaborar. O comentário de Mathew despertou uma risada breve de Aleksei e voltou a olhar para o aluno problemático.

- Que surpresa, o nerd gordo alérgico a sexo. - ele fez questão de comentar em alto e bom som, ao se colocar de pé e pegar mais um cigarro, parecia fazer aquilo para lhe irritar.

Tirou o cigarro das mãos do outro de novo.

- Eu já disse qu--

- Eu já ouvi. - Aleksei deu um passo ágil na direção do presidente até se aproximar o suficiente das costas dele e encostar o queixo no ombro alheio. - Então é com você que eu tenho que dormir?

Soren desvencilhou imediatamente do grego que continuou se divertindo da cena geral, disfarçando como conseguia o calafrio que percorreu o corpo com a proximidade alheia.

- Falta mais alguém para sortear? - a pergunta de Benjamin foi bem feliz para desviar a atenção da sua situação.

Tamotsu

Vivien e Abel riram discretamente no centro do palco, entretidos com o comentário de Aleksei. Enquanto isso, outra confusão se desenrolava na platéia.

- Eu não vou puxar porra de papel nenhum! - Tamotsu rosnou para o garoto que levava as coisas do sorteio. Era o último a ter que escolher um papel para si.

- Não precisa. Você vai ser o Atchim. É o único que falta.- Ulrik respondeu.

- Vou ser anão nenhum esse caralho! - inclinou-se para frente, rosnando.

- Aceite seu papel com dignidade.

- Ou então o que? - Tamotsu desafiou, mas também sentiu uma leve aura de intimidação, especialmente ao ver o outro lamber os lábios brevemente e lhe encarar com a expressão séria. Mas não era covarde.

- Se você for mais colaborativo na base das ameaças, garanto que não vai se arrepender por esperar uma minha. - respondeu simplesmente.

Abel entrou em pânico momentâneo. Provocações como as de Aleksei eram melhores que a tensão entre os outros alunos.

- Erm... n-não briguem... é só... uma peça boba... e...

Tamotsu olhou para o papel na mão do outro e rapidamente o pegou, então levantando dali em direção a saída, se lixando se iriam discutir os papéis. Abel até respirou aliviado com o fim da tensão, e Ulrik voltou ao seu lugar, quieto, calmo.

- T-talvez seja melhor... continuarmos amanhã? Todos dispensados! E leiam os textos!

[Fim do primeiro ato]

Skurai

E em algum lugar da Academia, um grupo peculiar se junta.

[Início da Cena 1]
Estrelando: Soren, Dieter, Abel e Benjamin.

*Claquete*



Benjamin

Como sempre, não tinha muito trabalho no Conselho Estudantil, exceto seguir as indicações e fazer o que César precisava. E Benjamin estava sempre disposto a atender os mandados do presidente do Conselho. Por isso tinha acabado por entrar na peça para ser os olhos e ouvidos do mais velho, e no meio tempo, podia passar as informações com o presidente do Conselho Disciplinar também. Assim que aproveitou para pegar algumas pastas de alunos de clubes que tinham saído da detenção para levar até Soren.

- Boa tarde, Soren. César me pediu para trazer essas fichas de clubes. São de alunos liberados para participar do festival. - disse, estendendo as pastas para o rapaz.

- Hm. Vou dar entrada. - conferiu as pastas por cima, segurando-as debaixo de um dos braços. - Alguma coisa sobre aquela peça idiota?

- O primeiro ensaio é amanhã... - Benjamin apenas sorriu sem graça diante do comentário de Soren.

- Pelo menos é mais fácil dar conta de todos esses delinquentes num lugar só. - ele suspirou resignado diante de mais uma risada do secretário. - Mais alguma coisa?

Dieter Rupert

Dieter estava em polvorosa, se não podia fugir, então iria se juntar a eles, ou a quem quisesse sua companhia, e como o Teatro teria sua companhia forçada por algumas semanas, nada mais justo que mergulhar no trabalho e tentar tornar aquilo menos pedante para todos.

Tinha pensando em como dar algum efeito especial a peça sem graça, algo além do simples gelo seco, talvez algo que causasse uma fumaça colorida ou tivesse um cheiro estranho. Discutiu as ideias com o aluno de teatro - em bem verdade o contagiou - sobre como seus experimentos poderiam tornar aquela peça mequetrefe em quase um show da broadway. Mas ai tinham os impedimentos, tinham de falar com os carcereiros, e isso significava tentar convencer os conselhos.


- Oh sim Sosô, uma não, mas umas duas ou três coisas. Tem tempo? Sempre, não é? Tão atencioso e prestativo com todos os alunos! - sorriu amarelo, já passando o braço pelo ombro de Benjamin de forma extremamente casual - Benjin, lindo como sempre, me ajude aqui com seu quase chefe. - virou-se para Soren com aquela cara de quem chupava um pomar de limões todos os dias, sabia que ia ser um trabalho árduo convence-lo, precisava de toda ajuda possível ali.

Abel

Abel tinha ouvido todas as maravilhas científicas de Dieter nos últimos minutos, e estava decididamente convencido que aquelas coisas só poderiam vir dos devaneios e sonhos de um cientista maluco. Mas isso que tornava tudo tão interessante. Se tudo que ele havia proposto desse certo, poderiam dar a volta por cima naquela peça, assim como em outras por vir.

- Sosó- digo! Monsieur Halstein, monsieur Rupert trouxe maravilhosas ideias para a peça! - falou com uma animação digna de uma criança, os olhos escuros brilhando. - Podemos ter fumaça com cores vivas, efeitos de iluminação que só poderiam sair de um sonho... cheiros...! Ahhh, monsieurs Eu faria fantasias lindas para combinar com os cenários criados por monsieur Rupert! - completou, segurando-se para não dar um gritinho. - Isso pode animar todo mundo para a peça. Ontem ninguém pareceu muito colaborativo, você bem sabe. - isso foi um tanto decepcionante para si, pois amava o teatro. - Quem sabe fazemos fumaça o suficiente para que monsieur Vlahos esqueça que precisa fumar!

Soren

Benjamin mal teve tempo de responder mais detalhes sobre o Conselho Estudantil, quando ouviram a voz estridente de Dieter acompanhada da de Abel numa enxurrada de informações sobre as possibilidades de efeitos especiais na peça. Soren apenas sorriu diante da empolgação dos dois novos alunos - um sorriso bem falso para quem já estava acostumado -, mostrando-se atencioso e prestativo como o rapaz tinha dito. Dieter não explicou muita coisa, Benjamin ainda fez uma expressão surpresa com todas as possibilidades que Abel tinha explicado, mas Soren apenas continuou com o mesmo sorriso de presidente.

- Você não estaria tão empolgado se soubesse a quantidade de explosões e de danos a materiais pelos quais o Sr. Rupert aqui já foi responsável, Abel. - comentou ao membro do clube de teatro, mantendo o sorriso amistoso. - Mas o Conselho de Diretores gosta da quantidade de prêmios, então não podemos reclamar de todos os materiais repostos constantemente, não é? Então, por que não continuamos a peça na mesma segurança de antes? Nada de fumaça colorida e Aleksei não vai fumar durante a peça, não se preocupe.

Dieter Rupert
Dieter manteve o braço ainda sobre o ombro de Benjamin enquanto escutava todo o falatório de como era um aluno destruidor do patrimônio da poderosa Academia. Mas o que era a ciência sem riscos? As vezes imaginava com o que o Soren divertia o seu tempo ele precisava de atenção ou de algum brinquedo novo, algo colorido que sacudisse pra afastar o mal humor.

Encarou Benjamin, apontando acusadoramente para Soren: - ta vendo porque eu disse que precisava de ajuda. - largou o secretário para se aproximar do presidente do conselho disciplinar, mas não tirou o mesmo nível de ousadia, simplesmente porque estava ali pra tentar convence-lo - além de lá no fundo saber que não se abraça cobras -

- Sosô, não seja assim tão negativista! Nem ouviu minha ideia ainda, e juro que consigo fazer fumaça sem precisar de fogo, logo sem causar incêndios ou explosões. - o moreno fechou a mão parecendo empolgado, com o tipo de expressão que era típica de quando ia realmente explodir alguma coisa: - precisamos de emoção Sosô! Emoção!!

Abel

Certamente que Dieter não tinha falado nada da parte de explodir coisas da escola constantemente. Isso fez com que o membro do clube de teatro erguesse a coluna e arregalasse os olhos um pouco, olhando de Benjamin para Soren como se tivesse acabado de ouvir alguma novidade.

Porém ainda gostava da ideia da fumaça colorida. E de luzes. E de coisinhas que o clube de teatro nunca tinha feito. Colocou as mãos a frente e moveu-as como se estivesse pesando algo em uma balança invisível, ignorando momentaneamente o sorriso completamente cheio de educação (porque imaginava que ele apenas queria mandar ambos à merda).

- Monsieur Halstein, o monsieur Rupert tem razão. Ele pode ser maluquinho, mas a peça vai ser um completo desastre sem EMOÇÃO! - exagerou a expressão, então agarrando Dieter por trás para se proteger da ira de Soren, enfiando a cabeça por baixo do braço dele como se estivesse com uma armadura. - E está faltando muita emoção aí no seu coraçãozinho. - comentou, fazendo um leve bico. - Além do que, se explodirem alguns alunos, você vai poder ter uma folguinha dos encrenqueiros! - sorriu amarelo, apenas fazendo piada. - Ahhh, vai... deixa pelo menos a gente testar. Até entrego um ofício e um relatório de 30 páginas para você reportar. - se escondeu mais uma vez por trás de Dieter, antes de encostar o queixo no ombro do outro. - Preciso vir de terno para você aceitar? Preciso, Mr.Vaughn?

Soren

Soren suspirou discreto, sabendo que mais justificativas e insistências viriam. Até Benjamin deu de ombros, olhando com um sorriso amarelo da dupla para o presidente do Conselho Disciplinar.

- Bom... não custa nada deixá-lo testar, não é? É a área de especialidade dele. - Benjamin tentou defender a ideia. Embora estivesse ali para ajudar o Conselho Estudantil, sabia que Soren podia ser bem inflexível.

E ele apenas observou as explicações dos outros dois, deixando uma risada breve escapar aos lábios quando eles tentaram enfatizar as emoções da peça.

- E não é decepcionante que justo o aluno do clube de teatro não acredita que os atores da peça possam expressar emoção suficiente com suas atuações? Eu sei que não tem os atores mais excepcionais, mas se nem você acredita neles, acho que a peça está fadada a falhar. - deu de ombros como se fosse uma grande decepção. - E você conseguiu danificar materiais mesmo sem coisas inflamáveis, Sr. Rupert, não esqueça.

Dieter Rupert

Dieter apenas se deixou ser usado como uma muralha por Abel, embora nem fosse assim tão grande, não era como se Soren e Benjamin fosse do tipo ofensivos que precisasse de proteção física. No máximo precisariam de soro antiofídico para as próximas palavras do presidente do conselho disciplinar.

Dieter riu de forma exagerada quase caricata como se estivesse imitando um vilão maligno de algum seriado infantil, e ainda moveu as mãos imitando o gesto característico de vilão: - so faltou isso pra completar a cena. - o moreno comentou em relação as palavras de Soren seguido do sorrisinho de canto de boca: - falta muita emoção nessa Academia toda, não só na gente, ou no teatro, ou mesmo no festival. Mas vamos lá Sosô, acompanhe meu pensamento se puder: - o moreno brincou, embora devesse levar toda a situação a sério se queria realmente convencer o outro sujeito de alguma coisa:

- Primeiramente, esse tipo de efeito de fumaças coloridas pode ser descrito de forma técnica, é um experimento que uma criança pode fazer em casa, quem dirá vários jovens adultos. Segundo, se pensar de forma mais profunda que a superficial, o máximo de ruim que poderia acontecer seria que nós, pessoas carinhosamente escaladas para essa fantástica atividade nos divertiríamos fazendo ela, e sei que isso não é do seu interesse imediato, no entanto, se a peça for tão incrivelmente péssima como todos imaginam que vá ser, como ficaria os conselhos? Afinal, não é culpa do clube de teatro se um bano de não atores executa uma peça ruim, no entanto, se algo organizado e vistoriado tão de perto pelos dois conselhos a ponto do próprio presidente do conselho disciplinar tomar do seu precioso tempo para vistoriar, for tão incrivelmente medíocre, como as pessoas vão olhar para o tipo de acompanhamento dos conselhos? Será que vale mesmo a pena colocar toda uma bela carreira de conselho bem visto a perder por um bando de péssimos atores? - Dieter respirou em seguida, depois de falar tanto, e arrumou os óculos no rosto, cruzando os braços em seguida esperando uma resposta do saudoso Sosô.

Abel

Abel franziu a testa quanto ao comentário de Soren.
- Monsieur, você que está no Conselho Disciplinar sabe muito bem que tem muita gente sem conserto no mundo. Eu estou tentando atuar como professor, não encenando Jesus Cristo. – falou, fazendo um sinal claro de que só um milagre iria fazer com que todos aqueles alunos aprendessem a atuar, suas falas e ainda fossem colaborativos até o final daquela semana.

Dieter então completou a linha de raciocínio como se fosse um vendedor de porta em porta insistente. Ele não dava razões pouco convincentes como se fossem as mais importantes, porém, pode logo ouvir as mais importantes depois. Como se não fosse nada, o outro aluno ameaçou o conselho de fracassar miseravelmente também com aquela peça, de modo muito convincente. Olhou para Dieter até surpreso, pois não imaginava que o aluno cientista modelo da academia teria tanta maldade no coração, mas isso... honestamente, era até interessante.

- Difícil lavar as mãos assim. – pontuou com um ar entretido, ainda olhando atento para Soren e Benjamin, esperando um parecer. É, talvez Dieter conseguisse um milagre.

Benjamin

Benjamin até se surpreendeu com a vivacidade da dupla e a tentativa desesperada de convencer Soren a ajudá-los naquilo. Não conhecia o presidente do Conselho Disciplinar tão bem, mas até estava começando a se convencer de que eles podiam fazer algo de interessante para a peça. Olhava cuidadosamente de Dieter e Abel escondido para Soren, como se estivesse analisando a expressão do presidente, sem deixar de notar como o sorriso agradável dele lentamente começava a sumir. Talvez não fosse um bom sinal, especialmente depois de toda a explicação de Dieter e de como aquilo ia cair na imagem dos Conselhos.

- Se é uma coisa que crianças podem fazer, eu acho que não é um problema... - Benjamin tentou intervir mais uma vez, afinal, ele ainda era a única pessoa do Conselho Estudantil... embora tivesse a impressão de que César talvez não aceitasse.

Finalmente, depois de toda a insistência e do longo discurso de Dieter, agora sem estar com aquele sorriso ensaiado, Soren suspirou longamente, olhando do aluno de ciências para o de teatro.

- Certo, vocês podem tentar. - respondeu finalmente, mais condescendente. - Mas se algo der errado, Dieter não vai poder acessar nenhum laboratório dentro da Academia por três meses, o mesmo para Abel e o teatro. Agora, se me dão licença... o ensaio é depois das aulas, senhores.

Fez apenas um aceno e lançou aquele sorriso mais amigável para se retirar do local, desfazendo a expressão para uma de desagrado de novo quando estava longe o suficiente. Benjamin apenas sorriu da atitude, voltando-se para Dieter e Abel.

- Ele não é tão ruim quanto parece... - deu uma risada um tanto sem graça. - Eu também tenho que voltar para a sala do Conselho. Boa sorte para os dois.

Dieter Rupert

Sabia que tinha jogado muita coisa de uma vez nas mãos de Soren pra ele pesar, mas não desgostava completamente do presidente do conselho disciplinar, só tinha plena certeza que ele precisava de um relaxamento - seja lá qual for - pra colocar um pouco de emoção de verdade nos sorrisos de plástico. E ficou surpreso quando ele concordou, claro deixando os dois alunos bem avisados que teriam de arcar com os riscos:

- Não se preocupe Sosô, quem sabe você acaba gostando do resultado final. Obrigado. - Agradeceu em tom mais ameno, quase parecendo civilizado em seu agradecimento. Mas apenas esperou que o outro se afastasse para comemorar devidamente, erguendo os braços acima da cabeça com uma expressão de plena vitória.

E então virou-se para Benjamin, passando o braço pelo ombro do sujeito, e dando tapinhas amigáveis na altura do peito do loiro: - Muito Obrigado Benjim, sem sua ilustre participação não teríamos conseguido convence-lo. - Então se afastou de súbito apontando pra ele com uma expressão decididea - que podia ser compreendida facilmente com loucura. - Espere e verá! Espere e verá Benjim! - em seguida riu descontraído: - Vai lá, não vamos mais te atrapalhar, vai lá, antes que o "Ave Cesar" te encha os ouvidos.

E então virou-se para Abel, mantendo a empolgação em toda a sua linguagem corporal exagerada: - E enquanto a nós! Temos muito trabalho pra fazer, se antes eu queria fazer isso só porque estava entediado, agora quero que fique ótimo, só pra ver a cara de surpresa de todo mundo com os resultados. - Sorriu travesso, no fim das contas estava se lixando pro castigo ou pra o que quer fosse, queria mesmo era fazer algo pra deixar todos completamente surpresos.

Abel

Benjamin era um alento naquele momento de tensão com Soren. Ele também parecia ser compreensivo quanto a situação de todos naquela peça, enquanto o presidente do conselho disciplinar parecia mais concentrado passar o julgamento na maneira leviana de todos de tratar o castigo.

Quando ele cedeu, abriu um sorriso largo, que foi logo desfeito ao ouvir que se fracassassem, teria que ficar longe do teatro por 3 meses. Era um tremendo castigo para algo que estava fazendo de favor para os conselhos, já que tinha seu papel no festival escolar. Quase prendeu a respiração enquanto assistia o moreno ir embora. Era um bolsista, não podia ficar longe do teatro por tanto tempo. Porém, também tinha que entender que estava fazendo uma aposta ali. E se não acreditasse em Dieter? E se fosse dar tudo certo e acabasse atrapalhando os outros? E o pior, se desacreditasse neles? Mas e se desse tudo errado?

Tentou falar algo, mas viu a pose de vitória de Dieter e se sentiu um tanto envergonhado pelos próprios pensamentos. Precisava decidir se confiaria no outro ou não, e ele até lhe passava certa confiança.

- O-obrigado, Benjim. Oops! Benjamin... monsieur Vaughn. – adicionou antes que Benjamin fosse embora, então respirando fundo para recuperar sua confiança. Abriu os olhos escuros e então ergueu os braços. – Isso aí! Vamos mostrar para eles uma peça espetacular, monsieur Rupert! – animou-se, então agarrando Dieter por ambos os ombros, a expressão animada indo a uma desesperada em instantes. – Mas que isso dê certo mesmo, que eu também sou bolsista e eu juro, que se você estiver mentindo para mim eu vou chorar na porta do seu dormitório.

Skurai
*Claquete*
[Fim da cena um.]

Outro dia em St. Clavier, o mesmo grupo coagido selecionado pelo Conselho Estudantil se junta para o segundo ensaio.

[Início do primeiro ensaio oficial]

Papéis:

Caçador - Abel
Rainha Má - Vivien
Branca de Neve - Aleksei
Espelho - Lei
Príncipe Encantado - Dieter
Mestre - Wilbert
Dengoso - Ulrik
Atchim - Tamotsu
Feliz - Feliz
Zangado - Mathew
Dunga - Ciel
Soneca - Benjamin

Benjamin

Como sempre, não havia muito trabalho a fazer no Conselho Estudantil para ele. Mesmo na época do festival, os outros membros do Conselho estavam ocupados correndo de um lado a outro, cuidando das burocracias administrativas, entrando em contato com fornecedores, fechando orçamentos e preparando as reuniões. Como secretário, não precisava se preocupar com muita coisa além de deixar o cronograma organizado e fazer as atas das reuniões assim como os avisos. Por isso tudo estava terminado com antecedência e podia ir direto até o ensaio da peça de Branca de Neve. Não se surpreendeu por ser o primeiro a chegar ao teatro, um pouco adiantado, mas estava começando a se perguntar se o conjunto estranho de alunos apareceria ou não ali.

De qualquer jeito, precisava ficar a par de tudo e o presidente do Conselho Estudantil tinha reforçado mais uma vez a necessidade de ficar de olho naqueles alunos - alguns mais especificamente do que outros -, e lhe reportar qualquer coisa errada que decorresse da peça. Ao menos podia se divertir, talvez?



Mathew

Respirou fundo várias vezes para recobrar o próprio fôlego ao se apressar para chegar na horário certo para o ensaio. Estava cansado, como se costume, pela quantidade de afazeres que sempre arrumava para si próprio, mas não era como se isso afetasse seu humor completamente, apenas sua saúde. Chegando no local de ensaio, pensou ser o primeiro a chegar, justamente por ser tão pontual com seus compromissos, mas logo avistou o rapaz que era responsável pelo conselho estudantil, o tal inglês.

- Boa tarde, senhor Vaughn! - cumprimentou-o, esboçando um sorriso educado como sempre. O sujeito não era desagradável, era até bastante educado. Às vezes achava que ele era algum tipo de vampiro, por ser inglês, pontual e bem educado. Ele também tinha uma boa aparência, o pacote correto para o conselho estudantil. - Desculpe se me atrasei. Pensei estar no horário correto.

Adiantou-se a pedir desculpas, pois se ele já estava ali, deveria estar fora do horário. Na dúvida, conferiu com seu relógio de pulso o horário correto e, para sua surpresa, estava dentro do horário.

- Estou na hora certa! Por que chegou tão cedo, Vaughn? - questionou o inglês antes de se livrar de sua mochila de sempre nas costas para poder observar melhor o sujeito.


Vivien

Vivien havia pedido dispensa aquele dia das duas últimas aulas para poder treinar sozinho. Com o festival se aproximando, teria os jogos de exibição com o time de Rugby, mas graças a seu primo, seu tempo de treino após as aulas havia sido cortado para dar lugar a uma peça ridícula. Se não fosse muito bem quisto na academia, certamente teria um desempenho péssimo nos próximos jogos. Pior que ainda precisava treinar mais os passes, e só podia fazê-lo cedo pela manhã com os outros jogadores.

Chegou no teatro na hora, os cabelos ainda úmidos do banho rápido após o treino, pois não podia se deixar atrasar com gente do Conselho Estudantil apenas esperando captar suas falhas. Não fosse serem os olhos de César, deixaria aquele secretário lhe olhar o quanto quisesse.

Chegou logo atrás do gordinho, então tocando a cabeça dele e afagando os cabelos claros como se lidasse com um bichinho.
- Deve ser porque é o trabalho dele. – respondeu pelo outro, então sorrindo para Benjamin com um ar leve. – Mas está fazendo um trabalho maravilhoso. Não se preocupe. – brincou.

Dieter Rupert

Dieter tinha passado alguns dias bem ocupado, claro que dava atenção aos seus experimentos, mas toda a sua energia mental estava investida em pensar em como deixar aquela peça morta já do concebimento da ideia, para algo tão espetacular que faria todos se questionarem porque eles não eram o clube principal de Teatro. Claro que tinha tomado alguns cuidados de fazer os experimentos que fossem mais perigosos fora da Academia, mas no fim tinha boa ideia de como criar efeitos de fumaças controlados e coloridos, nada que um pouco de química, aliado a criatividade não desse jeito. Mas claro isso ainda dependia de acionamento de terceiros já que estaria atuando e ainda tinha de conversar com Abel, mas no fim das contas tinha de ir pro ensaio.

Chegou ao Local alguns poucos minutos antes do horário, só porque seu relógio biológico lhe impedia de deixar os horários passarem no esquecimento. Mas não estava tão arrumado, estava sem a gravata do uniforme, o terno estava sobre a bolsa cheia de tralhas, a camisa de botões estava fora da calça e dobrada até a altura do cotovelo. Os cabelos estavam totalmente desalinhados:

- Boa hora senhores, como estão? Cheios de disposição e energia para mais um ensaio Glorioso?! - acenou negativamente, rindo das próprias palavras - Benjin com a mesma expressão de bom menino, Kenny, querido Kenny, tomou seus antialérgicos? Não tenha uma crise no meio do ensaio. - Dieter largou a bolsa num canto se jogando em uma das cadeiras preguiçoso, tirando os óculos pra massagear o encontro dos olhos e bocejar: - Vivi, quase não lhe vi, foi porque tirei os óculos, perdoe a falta de finesse!

Abel

Abel correu para alcançar o teatro. Tinha lido o script e esperava que todos tivessem feito o mesmo, pois naquele primeiro ensaio, queria ter uma ideia de como eles interpretavam seus personagens. O texto em si era muito cru, tal qual o conto de fadas, mas quem sabe, como Dieter com seus efeitos especiais, com um pouco de improviso e personalidade, pudessem dar aos personagens uma cara que encaixasse mais com o grupo também. Queria que eles se divertissem. Seu pescoço dependia disso.

Entrou logo atrás de Dieter, notando que haviam poucas pessoas ali. Mas era o suficiente para começarem alguma cena, quem sabe. Carregava consigo uma sacola de props.
- Boa tarde! Fico feliz que tenham chegado cedo. Temos muito o que fazer hoje! – cumprimentou-os, colocando a sacola sobre o palco, notando brevemente que o St. Clavier de nome naquela sala tinha olhado Dieter torto por um instante. – Um, dois, três, quatro... cinco comigo... bom, dá para fazer algo. Leram o script?

Ulrik

- Seis. – a voz soou de detrás da cortina, nos bastidores do teatro. Abel deu um sobressalto. – Eu estava aqui há um tempo já.

Ulrik saiu de detrás da mesma vestindo um chapéu de cone com o uniforme perfeitamente alinhado, o que dava uma impressão até engraçada para o que inicialmente pareceu ser um caso de Fantasma da Ópera. Ele era furtivo, e isso ficava claro de agora. Mas não parecia ter muito senso comum.

- O-O que você estava f-fazendo escondido ali esse tempo todo? – Abel perguntou automaticamente, mas tinha medo da resposta.

- Observando. – Ulrik respondeu de modo tranquilo, sentando-se então em uma cadeira e cruzando as pernas de modo tranquilo. – E estudando meu papel. Não sou bom atuando.

Bom, mas nenhum deles era de fato.

Benjamin

- Eu tenho que chegar cedo por conta das tarefas do Conselho Estudantil, você não está atrasado. - Benjamin respondeu, mas não teve muito tempo de prolongar a conversa com o nerd, concordando com um aceno de cabeça e um sorriso discreto diante do comentário de Vivien.

E mal Vivien entrou no teatro, foi seguido pelo animado Dieter, Abel e até mesmo Ulrik, que lhe surpreendeu ao sair detrás da cortina. Não tinha percebido a presença do rapaz ali, mas ao menos a maioria dos interessados estavam lá. Era estranho que o presidente do Conselho Disciplinar ainda não tivesse chegado.

- Já li o script. Não vamos esperar os outros chegarem? - Benjamin perguntou, adiantando-se até o único que entendia de teatro ali. Na verdade, tinha que manter um bom registro de todos os que estavam presentes na peça para que houvesse a punição necessária depois, palavras de César.

- Sinto muito pelo atraso. - o anúncio veio da entrada do teatro, com Soren ajustando o terno bem alinhado do uniforme e acompanhado de Aleksei. - O Sr. Vlahos aqui não lembrava o caminho para o teatro.

- Eu não sinto nada. - Aleksei estava com o uniforme mais ajustado do que da última vez, apenas o colarinho da camisa aberto, mas os cabelos estavam molhados e ele passou a mão nos fios lisos para colocá-los para trás, antes de se sentar numa das fileiras mais afastadas como se fosse apenas um expectador.

- Estão todos aqui? - Soren perguntou, dando uma olhada ao redor.

- Se mais ninguém tiver se escondido, creio que falta chegar Stephen, Lei, Tamotsu, Ciel e Wilbert.

Lei

Talvez Lei apenas fosse muito discreto, mas era bem pontual. O que estava lhe atrasando era o fato de estar seguindo Aleksei e Soren, que andavam muito mais devagar que ele, honestamente. Mas se chegariam todos juntos, não tinha porque passar.

- Presente. – Lei levantou a mão, diminuindo a conta de Benjamin de faltosos.

Vivien pareceu feliz com a chegada de Soren. Não pela chegada de Soren, claro, mas porque Aleksei aumentava a conta de pessoas bonitas naquela sala, mesmo que fosse descaradamente delinquente. Não conseguiu resistir a soltar um assobio discreto com aquela jogada de cabelo, mas seu favorito ainda era Benjamin, até por conta de todo o contexto divertido que seria vê-lo encarar César depois.

Abel juntou as mãos, satisfeito.
- Bom, não podemos esperar por todos! Assim atrasaremos muito o ensaio. Desde que a maioria dos papéis principais estejam aqui, podemos começar! – falou, animado, então pegando o papel. – Temos a Branca de Neve, a rainha má, o príncipe, o espelho e alguns anões. Podemos passar as primeiras cenas. Que tal um exercício de aquecimento?

Abel explicou animado os movimentos para aquecer a voz e o corpo, e como todos deveriam fazer gestos que lembrassem seus papéis. Não esperava nenhum milagre, mas já foi bastante progresso ver Ulrik beliscando as próprias bochechas para tentar ganhar alguma cor.

Wilbert

Wilbert chegou a tempo de ver o tal gordinho, Mathew, dar um passo para trás ao aparentemente notar a presença de Vlahos no ambiente. Ele não seria o anão Zangado? Queria aquele papel, seria tão mais fácil detestar aquela "Branca de Neve". Bem que podiam arrumar uma das meninas de Limoges para ao menos ser a protagonista ao invés do sujeito de cabelos molhados.

Caminhou até uma das primeiras fileiras de cadeiras do espaço, a julgar que mais cedo ou mais tarde teria de interpretar um daqueles caricatos anões. Deu de ombros, só queria se livrar daquele trabalho e ir embora. Não tinha nada o que fazer ali com aquele bando de alunos desocupados. Havia coisas mais urgentes com o que ocupar sua cabeça. Não fazia ideia do que Hinomura estava fazendo ali, deveria estar com ele treinando nos tatames, mas ao invés disso estavam ali, tendo de lidar com uma peça de teatro bem fora do comum.

Cruzou os braços e esperou que as primeiras cenas fossem ensaiadas, afinal de contas, o anão Mestre só aparecia depois que a "Branca de Neve" já estava na casa dos anões mineradores. Observou novamente o anão que deveria ser o "Zangado" tentar fazer uma cara de bravo no ensaio de aspirantes a atores daquele grupo distinto. Sua cara atualmente, mal humorado como de costume, era bem mais "Zangado" que o sujeito que parecia estar congelando o próprio cérebro depois de tomar uma colher maior do que a boca poderia segurar de um sorvete bem gelado.

- A-Abel! - ouviu o loirinho canadense chamando o sujeito de ar afetado. - Não é melhor trocar os papeis? Acha mesmo que eu deveria fazer o Zangado? Eu meio que fico irritado, mas não sei se minha cara fica boa o bastante para o papel. Eu tentei no meu quarto no espelho, mas não sei... o que acha? - o sujeito parecia deslocado, não muito diferente que a maioria ali.

- Ao menos é verdade que não gosta da Branca de Neve. - comentou casualmente, sequer se importando se alguém ouviria ou prestaria atenção em seu comentário, sua voz não costumava ser ouvida além dos momentos quando o professor lhe solicitava para que o fizesse. E qual não foi sua satisfação quando o gordinho pareceu constrangido com a verdade de que não gostava de Vlahos. O sujeito não se importava, de qualquer forma, não deveria deixá-lo constrangido por uma bobagem daquelas.

Aleksei

Aleksei apenas arqueou as sobrancelhas ao observar a tentativa de Abel de fazer com que os outros começassem a se "aquecer". Soren tinha sentado num lugar bem oposto ao seu e longe dos outros, com uma prancheta e anotações que começou a riscar.

Benjamin se juntou ao aluno de teatro para tentar aquecer também, embora não fosse lá essas coisas. O grego só olhou ao redor parando nas figuras interessantes até ouvir a voz do gordinho desesperado e do aluno emburrado. Aproximou-se por trás do nerd, as mãos nos bolsos, discreto o suficiente a ponto de encostar o nariz na nuca dele.

- Quer que eu te deixe zangado, gordinho? - soprou a nuca do outro, afastando-se só pra ver a reação e se divertir.

Mathew

Estava de fato sem saber como lidar com toda aquela situação de ter de interpretar um personagem. Tirando as vezes que havia sido convidado pelos outros nerds do internato para jogar RPG e sempre negava por estar muito preocupado com o próprio trabalho como babá ou com os estudos que tinha de terminar para as disciplinas que cursava, não fazia ideia de como fingir ser alguém. Na verdade, não gostava de ter de fingir ser alguma coisa. E não era lá um cara muito irritado, só se chateava com algumas injustiças às vezes.

- Ahhhhhhh!!!

Sobressaltou-se, pulando para frente para proteger o nariz e a boca. Sequer se deu conta da aproximação alheia enquanto esperava por uma posição de Abel que parecia ser o mais empolgado ali em guiar o ensaio. O problema não era só ouvir a voz do sujeito desagradável, mas o ar soprado em sua nuca, fazendo-lhe imaginar que ele estaria novamente com um cigarro na boca.

- I-Isso não tem graça! - levou as mãos até a própria nuca, procurando algo com a suspeita de que ele teria feito algo além de soprar sua pele. - Fique longe de mim! Não quero nenhuma ajuda de você!

Avisou ao sujeito, preocupado que ele fosse continuar a lhe provocar. Não queria brigar com ninguém ali, mas queria distância daquele garoto. Ele não parecia se importar com nenhuma responsabilidade e, diante do comportamento alheio, não estava interessado em nada além da própria diversão. Não gostava daquele tipo de aluno e nem queria se aproximar dele além do que a atividade julgasse necessário. Já havia tido um ataque de tosse desagradável o bastante no primeiro ensaio para divisão dos papeis.
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#3
Benjamin não tinha muito o que fazer de aquecimento ou interpretação, já que seria o Soneca, então estaria fazendo o mínimo possível nas cenas. Ele acompanhou as instruções de Abel e ainda olhou curioso para a dedicação de Ulrik e para o primo de César que costumava lhe encarar regularmente. Mas foi tirado bruscamente da pouca concentração quando ouviu o grito do nerd e notou o aluno problema parado atrás dele, com um sorriso divertido nos lábios e as mãos nos bolsos. A reação de Mathew foi tão exagerada que até ele precisou engolir em seco para não rir. Na verdade, provavelmente só Soren tinha ficado impassível para a brincadeira, porque as sobrancelhas dele se franziram na expressão de desagrado costumeira com as desavenças que Aleksei causava.

- Acho que foi engraçado sim, você que não tem senso de humor. - Aleksei disse, levando os dedos à boca como se quisesse fumar. Até tateou pelo uniforme, mas só soltou um "tch" sonoro ao lembrar que Soren já tinha lhe revistado para se livrar de todas as cartelas de cigarro. A sua alternativa foi pegar o isqueiro e brincar de acender e apagar no meio tempo. - Então, quando vamos ensaiar a cena de sexo? Branca de Neve tem que pagar a estadia com os anões de algum jeito, não é?

Ele procurou outro lugar para se sentar, ainda acendendo e apagando o isqueiro. Benjamin só arqueou as sobrancelhas, enquanto Soren passou a mão no rosto, tentando conter a pouca paciência.

- Vlahos, guarde esse isqueiro antes que eu confisque também.

- Ah, vá à merda, Soren. - Aleksei retrucou, virando-se para o enfermeiro de novo. - Então, nerd, começo treinando com você?

- Sr. Vlahos, não temos esse tipo de cena na peça. Por que não nos acompanha nos exercícios de aquecimento? - Benjamin tentou amenizar os ânimos, com o mesmo sorriso ensaiado de sempre que só fez Aleksei rodar os olhos e suspirar resignado.
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