[Drive] (Sem Assunto) [Carissa; Ciel]
#1
Ciel

Fazia alguns dias desde que havia encontrado Gustav, que de certo modo havia quebrado seu celular. Meio sem querer, meio querendo, meio que no fim das contas Ciel preferiu estar com um outro novo celular. Nem lembrava quantas vezes havia trocado de celular, mas isso já havia se tornado um hábito.
Além de deixar o celular quebrado, o encontro havia deixado Ciel um tanto apreensivo, num sentido não exatamente ruim.

Na verdade, estava tendo muitas dúvidas durante os dias que se passaram, mas não tinha horas o suficiente no dia para conseguir resolver tudo de uma vez, ou pelo menos colocar os pensamentos direito no lugar.

De toda forma, havia acordado um pouco mais cedo naquele dia. Não era um dia que teria de ir até a St. Clavier mas não pode evitar de acordar cedo, já estava fazendo isso há alguns bons dias. Havia até se arrumado e tomado café, e estava ponderando quais dos afazeres conseguiria cumprir enquanto terminava de configurar o novo celular.
Assim que o celular ligou novamente, só havia recebido uma mensagem de sua mãe avisando que - para a sua não surpresa - passaria algum tempo fora, e pelo visto ela também esqueceu que era a vez dela de fazer as compras.
Bom, havia acabado de arrumar uma prioridade para o dia.

Preferiu não procrastinar e ser consumido pelo espírito da preguiça e saiu logo de casa, usando uma calça azul claro junto a uma camisa de manga longa com uma estampa que havia achado engraçadinha, e tênis de cor berrante, e para completar estava usando seu bom par de presilhas coloridas - laranja marca-texto dessa vez. Realmente estava precisando cortar o cabelo, realmente estava incomodando a parte da frente do cabelo caindo em seus olhos.

Caminhou por algumas ruas despretensioso, mais focado em lembrar do que precisaria comprar, preferindo puxar o celular e usar do bloco de notas para fazer as anotações. Estava quase terminando a lista quando o aplicativo pediu, por medida de segurança, que vinculasse com seu e-mail. Estranhou, mas assim o fez, pelo menos estaria conectando o e-mail para o celular tambem.

Assim que terminou a configuração o aparelho fez um leve "Ding!", avisando que um e-mail havia chegado, coincidentemente assim que chegou a porta do supermercado. Esperando que fosse confirmação do aplicativo viu apenas um e-mail com o título de “sem assunto”. Apenas viu o início do corpo do e-mail onde dizia:

"As expectativas só aumentam"

Carissa

As coisas já estavam ficando muito mais comuns para a convivência de Carissa com Leona. Não que a morena tivesse menos medo de dormir todo dia ao lado de Leona -- aquilo não atrapalhava em nada o seu sono no fim das contas --, mas estava acostumada a conviver com ela e aprender todos os trejeitos e tiques que a loira tinha vivendo na sua casa. No fim das contas, nem lembrava há quanto tempo estavam morando no mesmo apartamento e só com o pretexto de que o apartamento de Leona precisava de uma reforma.

“Pensando bem, desde quando é que a Leona está morando comigo? Nem lembro mais do apartamento dela que tinha dado um problema… hm, mas não faz diferença, pelo menos se ela estiver perto de mim eu posso prever quando ela vai querer me matar, ou quem sabe eu posso evitar minha morte… e ao menos com a Leona lá em casa eu não tenho problemas com o síndico e com os vizinhos pra me irritarem com alguma coisa, já que todo mundo tem medo dela hm… bom, o que é que eu ia comprar mesmo…?” a morena coçou a lateral do rosto, tentando lembrar exatamente o que estava indo fazer no mercado e o que estava faltando em casa.

Saiu em suas roupas casuais, uma calça legging que usava para correr, sandálias confortáveis e uma camisa de moletom, com os cabelos amarrados num coque frouxo. “Tenho que comprar os produtos de limpeza e ovos e farinha e… hm, o que é que tinha mesmo pra comprar? Ah, lá eu lembro quando passar nas prateleiras.” deu de ombros, concluindo o caminho até o mercado, mas antes mesmo de alcançar a entrada do local, avistou um par de calças azuis muito chamativas que não combinavam com os tênis berrantes que pareciam ter sido cobertos por marca-textos. “Eh… mas que coisa… peculiar…” a morena riu um tanto sem graça, tentando não ser tão indiscreta ao passar pelo estranho que estava parado na entrada do mercado e observar mais da roupa estranha com as estampas engraçadas. Mas assim que ergueu a cabeça para encará-lo direto no rosto, piscou algumas vezes, reconhecendo o rosto delicado e os cabelos presos num par de presilhas também berrantes.

- Ahhh! Você, eu lembro de você! É… Ciel, não é mesmo? Eu te encontrei há alguns dias voltando do supermercado também, como você está? Por acaso perdeu alguma coisa aqui que está parado na porta do supermercado? Quer ajuda? - Carissa se aproximou sem se preocupar em invadir o espaço pessoal do rapaz, para só então perceber que ou ele estava muito distraído ou um tanto incomodado pela expressão séria no rosto.

Ciel

Estava tudo indo bem, de uma maneira meio torta e não exatamente “bem”... Mas estava bem. Acidentes e inconvenientes acontecem… Normal! É normal você simplesmente ter um desafeto com alguém e nunca mais querer olhar na cara dessa pessoa e vocês ocasionalmente encontrarem e isso ser um desagrado mas isso?

Não fazia muito tempo que havia mudado de celular, mas havia mudado tudo! Aparelho, número… Havia até mesmo feito um novo e-mail para evitar qualquer tipo de inconveniente… Para novamente receber mais mensagens, no caso, um novo e-mail na sua caixa de mensagens. Obviamente só ter escrito no corpo “as expectativas aumentam” poderia significar qualquer coisa, mas a imagem anexada dava um tom completamente novo. Reconhecia bem a loja de malas para viagem que aparecia na foto, inclusive era uma que ficava próxima ao aeroporto. Então ele estava realmente vindo…?!

Pela mensagem que havia recebido quando tinha saido com Gustav havia imaginado que ele já estava em Cerise, tanto que estava tentando prestar mais atenção quando saia de qualquer maneira, mas pelo novo e-mail ele estava planejando vir? Toda essa situação causava uma dor de cabeça mais que certa para Ciel, soltando um suspiro de frustração ao terminar de ler a mensagem. Tentou checar o remetente para bloquear, mas era algum e-mail cheio de números, muito provavelmente falso. Poderia até bloquear mas sabia que receberia mais mensagens, e ter essa ideia na cabeça de que independentemente do que fizesse continuaria sendo importunado por essa pessoa… Era sufocante, no mínimo. Era exatamente o que havia conversado com o policial dias antes, o quanto havia ficado acomodado com toda essa situação por mais problemática que fosse.

Estava quebrando a cabeça, realmente tentando pensar em o que fazer com essa mensagem, deveria responder? Ignorar? Mas e se ele estivesse realmente vindo?!... Tentava não parecer tão tenso, mas segurava o celular com certa pressão nas pontas dos dedos. Teria de falar com a polícia? Mas nem tinha certeza do que iriam fazer! E se acabasse piorando a situação?! E se…!!

Entre tantos “e se”s e possibilidades, Ciel mal escutou a voz feminina que chamou por seu nome, apenas quando percebeu a aproximação, o que o fez olhar um pouco assustado para a figura, bem como se estivesse esperando que fosse a outra pessoa. Demorou alguns segundos olhando a figura de baixo para cima para associar com a outra policial que havia conhecido dias antes, abrindo um sorriso muito pequeno:

- A-Ah. Senhorita, uhm… - desviou o olhar para o chão enquanto tentava procurar o nome da moça na cabeça, mas estava tão embaralhada que mal conseguia associar direito o rosto dela com o nome ao certo - Magali?... Ah, não, Carissa, certo? - riu de nervoso, apenas percebendo agora que ainda tinha o celular em mãos, se apressando para guarda-lo de volta no bolso da calça - Desculpe eu, hmn… Er, confundi os nomes, só isso?... - ainda sorriu um pouco nervoso, a postura era claramente tensa, mas o próprio Ciel não conseguia lidar com isso, muito menos disfarçar bem - Eu só vim comprar algumas, na verdade, muitas coisas que estão faltando lá em casa, haha… E a senhorita já me ajudou da outra vez, não posso ficar pedindo ajuda o tempo todo ahaha… - mexeu nos fios castanhos claros, aproveitando para colocá-los de volta no lugar, não estavam necessariamente bagunçados, mas assim podia manter as mãos ocupadas e longe do impulso de querer checar o celular.

Carissa

Ciel pareceu demorar alguns instantes até lhe encarar de volta e lhe reconhecer, principalmente. Mas Carissa deixou um sorriso amigável escapar no rosto assim que o rapaz lhe respondeu, até lembrar do seu nome. "Hmm... ele estava bastante distraído, será que foi alguma coisa com o celular? Ou será que foi algo mais sério? Bom, acho que não foi nada demais", a morena balançou a cabeça para esquecer os próprios pensamentos e também para mostrar que não se importava que ele tivesse confundido os nomes.

- Não se preocupe, a gente não se encontra há algum tempo. E foi só um encontro no meio da rua também, não é? Não tivemos chance de conversar mais. Além do Jack que assusta qualquer pessoa - Carissa lembrou rapidamente de como eles tinham sido inconvenientemente interrompidos pelo americano. - Ah! Eu também vim fazer umas compras, podemos nos ajudar, o que acha? Eu não trouxe uma lista e eu sempre esqueço alguma coisa, quem sabe quando eu estiver andando com você, lembre no processo?

A sugestão para companhia foi parcialmente por preocupação e parte por interesse. Afinal, o rapaz não parecia estar com um semblante muito bem, talvez um pouco de interação fizesse com que ele se sentisse melhor. E lembrava dele ter lhe contado que era novo na cidade e não conhecia muita gente.

- Então, como está a sua vida em Cerise? Você já conseguiu se organizar? Conseguiu muitos amigos no trabalho? Já conhece muita coisa da cidade?? - ela desatou a perguntar, seguindo pelos corredores do supermercado depois de pegar um carrinho pequeno na entrada.

Ciel

Era realmente Carissa? Tinha acertado pelo menos o nome, não é? Esperava muito que não tivesse confundido o nome das moças. Se sentia um pouco ansioso, normalmente seria em ouvir a confirmação da morena mas nesse caso era mais em evitar checar o celular em seu bolso. Se sentiu bastante aliviado quando Carissa - havia ao menos acertado o nome - pareceu não se importar muito.

- Ah! Isso é verdade, ahaha… E ele também entendeu a situação toda errada - se recordou melhor do encontro quando a policial mencionou o colega, não pode evitar de lembrar bem quando ele achou que era o namorado de Carissa - Coincidência nos encontrarmos do mesmo jeito de novo! - tentou manter o fluxo da conversa, apesar de ainda se sentir um pouco nervoso com a situação, certamente não conseguia evitar de pensar no e-mail e no que mais poderia receber. Quase passou por cima o convite de Carissa sobre se ajudarem nas compras. - A-Ah, claro! Eu trouxe uma lista-- Digo, eu esqueci de trazer a lista também, provavelmente deve ter coisas parecida nas duas então vamos acabar comprando maior parte das coisas. - bem havia trazido uma lista, que estava no seu celular. Mas não queria nem tão cedo olhar a tela do aparelho, não havia concluído a lista então não estava exatamente mentindo.

Por outro lado ficou feliz com a sugestão de Carissa, talvez realmente o que precisasse para tentar se distrair do problema - por mais que não fosse a solução - fosse jogar conversa fora com alguém, e bem se lembrava que antes da chegada de Jack havia conseguido conversar muito bem com a policial. Entrou junto à morena no supermercado, também pegando um carrinho pequeno e fazendo caminho pelos corredores, não demorou até que a conversa surgisse novamente.

- Bom eu ainda não conheço taantos lugares assim, acho que ainda vou precisar de um guia, mas conheci algumas pessoas no trabalho que são… Acho que curiosas é a melhor palavra. - certamente, “touro verde” e curioso eram duas palavras que iam bem juntas. Era uma figurinha carimbada de certo. Pensou em como responder a pergunta sobre como ia a vida em Cerise, mas resolveu apenas pular a pergunta, havia perguntado tantas coisas que talvez ela não percebesse - Tenho conseguido fazer alguns bicos aqui e ali, nada muito chamativo… Ah! Inclusive conheci um outro policial, mas ele não é da cidade, Gustav é o nome dele, disse que estava de férias ou a viagem por aqui, algo assim. - não pode evitar de comentar sobre o outro policial, quem sabe se conhecessem? Claro que havia se assustado com tudo o que aconteceu no encontro dos dois mas também tinha seu lado positivo. Mais positivo que negativo, na verdade.

Carissa

Carissa começou a pegar as coisas nas prateleiras e colocá-las no carrinho com uma certa atenção inicial. “Acho que pensei errado, parece tudo bem com ele, quem sabe só estava lamentando que estava sem a lista de compras também”, pensou sobre a primeira impressão da reação do rapaz enquanto seguiam e ouvia o relato dele sobre o trabalho e serem pessoas curiosas.

- Eu imagino que tem muita gente diferente em St. Clavier, né? Soube que a maior parte dos estudantes e até dos funcionários são de fora, por isso que a Academia é tão famosa. Na delegacia a gente vê mais gente da cidade mesmo, e quando é turista, é por causa de alguma ocorrência tipo furto e essas coisas mais simples, ainda bem. - a morena respondeu, distraindo-se um pouco a ponto de pegar o mesmo objeto três vezes para conferir se era o que precisava na feira.

Só parou para escolher afinal o material de limpeza depois de ter pegado três marcas diferentes e mesmo assim, ao confirmar o que estava levando, ouviu o comentário dele de que tinha conhecido outro policial de nome Gustav na cidade. “Gustav? Não é estranho... mas não é do corpo de policiais daqui... não é da cidade? Então…”

- AHHHHH! Você encontrou o Gustav?! - a surpresa de Carissa foi tamanha que falou alto o suficiente para algumas pessoas ao redor olharem para ela diante do grito. Levou as mãos à boca, numa reação automática seguida de uma risada sem graça. - Er... desculpe, é que foi bem surpreendente... hahaha. Eu não conheço o Gustav pessoalmente, e não sei se é a mesma pessoa que você está falando, afinal, é um nome bem peculiar e acabou me lembrando de uns relatos que a Leona falou sobre os amigos dela. Ela disse que tinha um amigo que se chamava Gustav lá nos EUA, igual o Jack e a Talulah, eles todos se conhecem, e ela disse que ele é muito, muito inteligente e é perfilador também. Seria muito interessante se ele também estivesse de férias por aqui, sabe? Porque o Jack e a Talulah também acabaram vindo pra cidade a passeio. E eles nem combinaram nada, não é estranho? Deve ser destino, hahaha. Mas você faz bicos com o que, Ciel? Achei que o trabalho em St. Clavier já era suficiente. Eu não tenho como trabalhar em outra coisa além da delegacia e bom, não é como se eu realmente quisesse trabalhar em outra coisa, além de ser promovida, hahah.

Continuou pegando as coisas ao longo do caminho, de novo, colocando essenciais e supérfluos apenas porque não estava prestando muita atenção.

Ciel

Ciel certamente não tinha uma boa memória para nomes, mas conseguia bem se lembrar dos preços que subiam e baixavam nas prateleiras do supermercado. Afinal a pior coisa que podia se ter depois de uma feira era perceber que pagou mais caro do que da vez anterior quando poderia ter economizado. Continuava a conversar com Carissa enquanto olhava os produtos e colocava no carrinho depois de checar se o preço estava em conta.

- Sim! Acho que uma das vantagens de ficar trabalhando pelo jardins é ver o fluxo de pessoas, acabo escutando também algumas histórias que… Enfim! -  cortou a própria frase no meio de uma maneira mais descontraída, realmente era melhor não entrar em detalhes sobre o que acabava chegando aos seus ouvidos em St. Clavier, principalmente por que não saberia por onde começar. Acenou positivamente quando ela falou sobre apenas aparecerem mais do mesmo na delegacia, claro nem tudo poderia ser como seriados policiais onde apareciam casos incríveis todo dia, aliás, nem os policiais do seriados ficam felizes com isso. Ao menos ela não parecia incomodada com isso.

“Talvez eu devesse perguntar à ela o que fazer sobre…? Não! Não é uma boa ideia, você nem sabe se podem fazer alguma coisa, quer dizer, supostamente podem mas… Dá pra provar algo? É a minha palavra contra a dele, não é como se valesse muita coisa…” ponderou enquanto andavam pela sessão de limpeza, felizmente ficar pensando sobre os vários ‘e ses’ não impediam de continuar conversando com Carissa. Havia terminado de falar sobre o encontro com Gustav quando a morena pareceu ter um estalo com o nome, tão de repente que Ciel por muito pouco não derrubou a água sanitária que tinha em mãos - por pouco. Acabou rindo de nervoso por reflexo.

- A-Aahh.. N-Não foi nada! - colocou a água sanitária dentro do carrinho, tendo certeza que estava bem apoiada depois do susto de quase derruba-la. Tentou bem associar o Gustav que ela havia descrito e algumas coisas até batiam, mas realmente seria muita coincidência - Bom ele bem que falou umas coisas e fez umas coisas bem estranhas, não sei se isso é coisa de perfilador, bem parecia ser mais uma coisa de personagem de seriado. Eu costumo fazer bicos relacionados à jardinagem também, tem muitas senhorinhas que pedem ajuda, então não faltam trabalhos! E o trabalho em St. Clavier é até suficiente mas eu não gosto muito de ficar com tempo ocioso, então ajuda a ocupar a cabeça.

Não estava mentindo, o pagamento de St. Clavier era bom, não precisaria fazer tantos bicos quando estava fazendo. Mas pelo menos enquanto trabalhava conseguia não ficar pensando nos problemas, bem sabia que estava apenas lidando com a situação da pior maneira mas…

- Uhm, Carissa. - continuou fazendo o caminho, acompanhando o ritmo da morena - Pode parecer idiota, mas qual o tipo de trabalho que você faz na polícia, tem algum específico? - perguntou, um tanto curioso mas ao mesmo tempo um tanto apreensivo com a resposta. Afinal e se ela não soubesse o que dizer sobre e apenas tivesse jogado para ela um problema?! Mas e se acabasse deixando a situação pior?! Ciel certamente sabia que estava fazendo da situação uma bola de neve e criando problemas onde não tinha, mas nem sabia como conseguir chegar na pergunta que queria, então poderia perguntar mais sobre o trabalho dela, devagar.

Carissa

Carissa coçou o rosto um tanto sem graça com o jeito exagerado como tinha reagido com Ciel. Deu de ombros, olhando daquela vez alguns produtos enquanto o nome do policial ainda perpassava sua cabeça "Se tudo que a Leona comentou for verdade sobre esse povo, eu to surpresa que Cerise ainda não explodiu. Será que é alguma missão super secreta de filme de ação com todos esses especialistas em alguma área diferente da polícia passando na cidade? Eu devia comentar com ela que esse tal Gustav tá por aí? Hm... ah, esse sabão está barato!", colocou os itens no carrinho enquanto Ciel detalhava como tinha sido o encontro com o tal de Gustav.

- Ah, mas eles todos parecem personagem de seriado, você devia conhecer a Leona e o Jack e a Talulah de uma vez só. Eu não falei muito com a Talulah, eu só a vi uma vez, mas é aquele tipo de pessoa que você só dá uma olhada e percebe que é melhor não se aproximar, tipo vilão de filme de herói, sabe? E ela é uma mulher muito bonita. E o Jack, nossa, ele tem tipo, dois metros de altura e é todo charmoso como personagem de seriado também, como aquele do mentalista! E a Leona é tipo a policial badass dos filmes que corre de salto, você devia ver aquela mulher perseguindo um delinquente de salto agulha, é absurdo. - desatou a comentar sobre os outros "personagens de seriado" que pareciam os amigos de Leona. - Ahhhh, desculpe falar tudo assim de uma vez, às vezes eu me empolgo, hahha. Mas então, você gosta de se ocupar, não é? Devia fazer mais amigos e sair mais pra passear, é um bom jeito de se ocupar também, moço. Trabalhar demais nunca é bom.

Continuou pegando os itens ao longo das prateleiras quando ouviu a pergunta de Ciel e voltou a atenção para ele, rindo um tanto sem graça "Depois de descrever todos os personagens de seriado, ele quer saber do trabalho ordinário que eu faço, que triste..."

- Eu trabalho na parte administrativa, sabe? Recebendo as denúncias e arquivando os boletins, coisas do gênero. Cerise é uma cidade bem tranquila, felizmente não tem tanta criminalidade aqui, então não é como se eu conseguisse usar muita coisa que aprendi na faculdade. - ela respondeu com um dar de ombros. - Eu sou especialista em criminologia forense, ao menos é o que minhas notas e meu diploma dizem. Sabe? É tipo a parte de inteligência dos filmes, mas mais real do que aquele monte de máquina de holograma interativo. Eu consigo traçar perfis de atividades, filtrar denúncias, juntar aquelas peças de informações pra tentar desmontar redes de tráfico e essas coisas legais que eu faria melhor se estivesse na inteligência antiterrorista da UCLAT. Mas não é bem assim, e até que eu to meio enferrujada por causa de como as coisas são desocupadas aqui em Cerise. Bom, até a Leona chegar, claro, porque ela me traz mais casos e informações do que eu já recebi em dois anos de atuação aqui na cidade.

Ciel

Fazer compras no supermercado realmente lhe deixava feliz. Havia algo mais comum do que ir as compras? Não, quer dizer, ao menos não quando se está acompanhado de uma pessoa tão empolgada quanto Carissa, e isso fazia bem ao britânico. Ela parecia um pouco sem graça depois de tudo, mas não podia evitar de achar divertido. Continuava pensando se o Gustav que havia encontrado era esse mesmo Gustav tão especial. Fazia sentido como ele tinha conseguido descobrir tanta coisa sobre o próprio Ciel. Fazendo mais associação dele com um personagem, Carissa tinha a mesma ideia sobre, o que era mais do que engraçado, pelo menos não estava “viajando” tanto.

Aliás, a tal Leona era a outra policial que a morena tinha tanto medo que a matasse, não era? Lembrava bem de Jack, a pessoa que havia confundido tudo entre os dois, sim. Ciel não fazia ideia de quem seria Talulah, mas só pela descrição breve teria certeza que seria uma pessoa de quem iria querer ficar bem longe, ou pelo menos não saber que era ela durante todo o tempo que precisasse conversar, talvez assim ficasse mais à vontade? Mas se for uma pessoa intimidadora só com o olhar teria é vontade de fugir, com certeza. Tentou visualizar a imagem da tal Leona correndo de salto, certamente era alguém para temer.

- Não tem problema! - riu um pouco nervoso, tanto por ter a visão da policial assassina correndo em um salto agulha, quanto pela bronca que levou - Eu deveria, não é? Talvez tente procurar algumas pessoas, você disse que poderia me apresentar, não é? Se o convite ainda estiver de pé - concordou um pouco relutante, não que não gostasse de sair, mas tinha um pouco de receio nos tempos atuais.

Continuou comparando os preços e pegando os produtos mais econômicos enquanto seguia com a conversa. Ciel não era a pessoa mais perceptiva do mundo, mas Carissa pareceu não muito feliz com a pergunta. Quando ela começou a falar sobre o trabalho, Ciel não entendeu bem por que ela parecia dar de ombros para a situação. “Se ela trata da parte de denúncias será que tem algum problema perguntar? Mas ela pode achar que estou sendo muito invasivo, ela não está nem trabalhando! Quer dizer, acho que ela não está? Qual horário de trabalho de policiais? Delegacia fecha no fim de semana? Se eu perguntar à ela vou estar fazendo uma denúncia? Mas eu só tenho um e-mail agora já que o outro celular quebrou, não era como se fosse dar em alguma coisa… Que dor de cabeça! Pergunto? Ou não? Uhm...”

Estava tão entretido pensando que mal percebeu se havia deixado Carissa falando sozinha, bem esperava que ela não tivesse percebido. Havia escutado por cima a questão da parte antiterrorista e sobre a outra policial trazer mais serviços: - Ah. Mas… Isso não é bom? Digo, ela trazer mais casos. E ela não necessariamente trouxe com ela, né? Deve ter sido mais coincidência. Tenho certeza que nesses dois anos você deu o seu melhor! Acho que disse isso antes, mas tenho certeza que você ainda vai conseguir fazer parte da inteligência antiterrorista. - forçou um pouco o sorriso simpático, estava sentindo uma leve dor de cabeça por pensar tanto. Ponderou um pouco enquanto mudavam de corredor, até finalmente soltar um suspiro e finalmente perguntar - Uhm… Carissa. Sabe, eu tenho uma pergunta, er… Digo, outra. Sobre essa parte de denúncia - começou um pouco nervoso, preferindo olhar para as compras no carrinho - Se, uh… Por um acaso. Teria como denunciar alguém por, uh… Stalker? - riu de nervoso, mal sabendo explicar direito a situação pela quantidade de pensamentos que apareciam de uma vez - Não que seja nada sério! Ou comigo, ahaha… Mas se tivesse alguém incessantemente mandando mensagens e algumas outras coisas e você já tivesse uma experiência ruim com ela e essa pessoa não desistisse… Ahaha…  - mentir ou fingir que não era com ele certamente não era o forte de Ciel, longe disso, era quase transparente perceber quando ele estava mentindo ou tentando evitar algum assunto.

Carissa

- Ah! Vamos sair sim, eu prometo que chamo pessoas que não vão querer matar a gente, tá! - Carissa riu sobre a possibilidade de apresentar algumas pessoas e saírem para passear um pouco.

Continuou escolhendo os materiais da feira, passada a sessão de limpeza, foi até a área de alimentação, começando a escolher as marcas já conhecidas e comparando alguns dos preços para pegar umas coisas novas e jogar no carrinho. "Ah, eu devia levar mais dessa marca, a Leona gosta... essa aqui não serve... ah! Eu preciso lembrar de pegar sorvete, daqui a pouco chega aquela época do mês, hm", ela seguiu prestando mais atenção na sessão de alimentos daquela vez, dando de ombros quando Ciel falou sobre ser bom ter mais trabalho com Leona.

- Não posso dizer que não é bom, mas eu queria trabalhar mais na minha área, sabe? No fim das contas eu acabo ficando na administração e no arquivo e só... porque Cerise precisa de mais policiais de ação do que "pensantes". E a Leona não tem graça, ela é super inteligente, com QI tipo de gênio e ainda é boa em campo, ela faz tudo parecer fácil. - bufou, ainda assim escolhendo tudo para o carrinho que estivesse de acordo também com o gosto e os usos da loira.

Carissa estava tão distraída da conversa casual e das coisas que escolhia nas prateleiras, olhando para Ciel uma vez ou outra, que não deu muita atenção à pausa ou ao suspiro, só ouviu a pergunta mais direta sobre poder ou não denunciar um stalker e jogou os pacotes de macarrão e arroz no carrinho.

- Claro que dá, pode denunciar até se a pessoa só te seguir até em casa, pelo mesmo caminho. Hoje as pessoas denunciam tudo. Mas tem níveis e níveis, principalmente coisa de ex-namorado ciumento, sabe? É um inferno. Já até tivemos alguns casos em Cerise, mas nada muito sério. E claro que mensagens sem parar são indicadores de perseguição, principalmente se a pessoa fica fazendo terrorismo psicológico e tal... - Carissa parou com dois pacotes de biscoitos em mãos, para se voltar na direção de Ciel. - Por que, tem alguma coisa c- - ela nem precisou completar a pergunta, mesmo que estivessem casualmente conversando, a postura retraída de Ciel, o sorriso forçado e o desviar de olhar eram bem óbvios até para ela, indicando que o assunto hipotético não tinha nada de hipotético. A morena deixou as coisas no carrinho sem prestar muita atenção e se virou completamente na direção dele, assumindo uma expressão mais séria. - Quem está te mandando mensagens, Ciel? E que outras coisas estão fazendo? Que experiência ruim foi essa? É alguém com quem já teve relações? Você está bem??

Ciel

Esperava lá no fundo que se a Leona fosse aparecer, que ela pelo menos não o matasse. Com toda a informação que Carissa deu sobre a policial, certamente a mulher de salto agulha entrou na lista de coisas assustadoras.

Continuou acompanhando a morena ao próximo corredor, felizmente os preços não tinham aumentado tanto na parte de alimentação, poderia comprar o mesmo de sempre e talvez pudesse guardar um pouco de dinheiro para a próxima feira. Talvez pudesse juntar dinheiro suficiente para um celular novo? Com a frequência que trocava de aparelhos, já era bom pensar que precisaria comprar um novo futuramente. Comparava os preços com cuidado, além de checar a validade de alguns enquanto Carissa se queixava sobre Leona conseguir fazer tudo. Até queria ter comentado mais sobre, mas estava mais focado em organizar em como poderia perguntar sobre a denúncia que acabou deixando a conversa passar por cima.

Ficou feliz que enquanto perguntava, tentando fingir da melhor maneira possível que a situação não o envolvia, ficou feliz que Carissa parecia tão focada na feira que não estava olhando diretamente para Ciel. Quase pode ficar aliviado, até ela se virar para saber o porquê da pergunta, e teve certeza que ela provavelmente tinha percebido alguma coisa, o que teve mais certeza quando ela se virou completamente para o jardineiro. - Ah. Eu… ahah… - acabou rindo de nervoso por reflexo, tentando procurar as palavras para explicar a situação a policial, o que acabou saindo com mais desculpas - É-É por que. Uhm… Não tem ninguém me mandando mensagens, é sério. Eu só, uhm… Tive uma dúvida e… Er… Eu. Desculpe por isso…

Não sabia se era porque Carissa estava aparentemente em um modo de trabalho, mas até mesmo ela parecia intimidadora. Não queria incomodar a policial desse jeito, ela deveria até estar de folga! Riu um pouco nervoso, mas acabou respirando fundo e olhando mais para o chão, tinha falado com Gustav antes que faria algo a respeito, e a melhor aposta seria agora - Uhn… É uma pessoa que eu já tive relações antes sim. - admitiu, pegando o celular no bolso por reflexo e abrindo a parte de e-mails, o único que teria para mostrar - São mais mensagens mesmo, isso desde antes de sair da Inglaterra. Eu já até mudei de número muitas vezes, mas a pessoa continua… - mal sabia por onde começar, aliás, o quanto deveria falar? - O último que recebi foi um e-mail falando sobre as “expectativas aumentarem” e uma foto de mala de viagem… - sentia as mãos levemente frias, falar e admitir sobre a situação deixavam Ciel mais do que desconfortável, especialmente por não saber qual seria a sugestão de Carissa.

Carissa

Ciel podia estar tentando fugir da explicação, mas depois de se virar diretamente para ele, foi bem fácil ver todos os indicativos de nervosismo e pânico do outro. A hipótese não tinha como ser de um amigo e mesmo com as tentativas dele de ainda escapar, finalmente ele deixou um suspiro longo escapar aos lábios, após um sorriso nervoso, para confessar que era alguém mesmo do passado dele.

E pela postura de Ciel, a coisa tinha sido bem séria com umas proporções preocupantes. “Hm, eu devia ter prestado mais atenção quando ele começou a falar, mas já está bem óbvio que ele está muito incomodado. É bem o perfil de alguém que tem medo de denunciar abuso, que pena pro Ciel. Mas nisso eu posso ajudar”, ela pensou, mais decidida, ignorando o carrinho de compras para se focar nele. Ela prestou atenção na explicação dele, um caso bem óbvio de obsessão que ia só piorando. Observou o último e-mail que ele tinha recebido, imaginando que as outras mensagens deveriam ter se perdido por causa da troca de números constante.

- Você já devia ter levado o caso pra polícia, Ciel, por mais que pareça besteira, sempre pode se tornar algo sério e sair do controle. Eu sei que você deve estar acostumado com essa pessoa por conta do tempo que conviveram, mas não é assim que se resolve um problema. - Carissa explicou, imaginando que podia prestar muito mais assistência se ele tivesse levado o caso diretamente até a delegacia para fazerem um BO e traçarem um perfil. - Essa pessoa já te machucou de algum jeito? Quando vocês estavam juntos? Ou foram só as mensagens depois que vocês terminaram? Se ele for perigoso, nós temos que ir até a delegacia pra registrar o ocorrido e impedir que ele faça alguma coisa com você. Você tem que tomar o primeiro passo. Eu posso te ajudar com isso, de verdade.

Se comparado há dez minutos antes, a expressão de Carissa era completamente diferente, mais concentrada do que a pessoa aparentemente descontraída e estabanada que costumava ser dentro e fora do trabalho.

Ciel

A última vez que Ciel tinha falado sobre o assunto, meio que indiretamente, havia sido realmente com o próprio Gustav. E ainda assim não estava sendo tão específico como estava sendo com Carissa para explicar o real ocorrido. Era quase como ter que lembrar exatamente do que estava evitando, mas bem como a policial morena a sua frente falou: esse era um caso que ele já deveria ter levado até a delegacia.

— Eu sei... Já me falaram outra vez sobre isso - respondeu Carissa ainda um tanto nervoso. Talvez se não tivesse sido tão desconsiderado com os próprios problemas economizaria bastante tempo - Já haviam situações desagradáveis antes de terminar... Meio que as coisas terminaram bem ruins e eu achei que seria melhor me mudar. Mas aí um pouco antes começaram essas mensagens. Já chegou a ser várias por dia.

Estava sendo sincero em relação ao término, apesar de não falar diretamente no que o outro lhe fez. Precisavam dizer exatamente que tinha acontecido agressão física? Mas aí não seria pior? Poderia dizer isso no B.O apenas, não precisava repetir isso duas vezes, não é? Mas isso enquadrava o sujeito diretamente como uma pessoa perigosa, não? Havia pensado em Carissa para tirar as dúvidas sobre a situação, mas ela realmente tinha uma postura bem diferente quando estava no “modo de trabalho”, o que não era ruim, já que forçava o jardineiro a falar sobre a situação. E ela havia garantido que poderia ajudá-lo. Então, precisaria ser 20 centavos mais sincero.

— E-Eu não sei dizer exatamente se ele é perigoso. Digo — tomou uma leve pausa antes de continuar, olhando para o chão enquanto procurava as palavras certas, ou as que achava que funcionavam — A pessoa- Uh, Ele. Ele era bastante controlador, e nós tínhamos o mesmo círculo de amizade, então por muitas vezes ele fez com que eu me passasse como “exagerando demais” ou “inventado coisas”, e a maioria das pessoas acreditava nele. E isso se estendeu por anos, inclusive perdi amizades por isso. E aí quando brigamos, ele foi bem, uh, físico...

Havia garantido a Gustav, ou melhor, para si mesmo, que faria algo a respeito da situação. Mas não esperava que fosse tão desgastante.

— ... Desculpe, se eu tivesse resolvido isso antes talvez não tivesse chegado a esse ponto, ou parado pra falar assim… Eu sempre achei que estaria como o errado nisso tudo, eu ainda acho… - admitir sobre isso tudo com Carissa dava ao moreno um sentimento misto de alívio e ansiedade, estava fazendo a coisa certa?

Carissa

O nervosismo de Ciel com o assunto era notável, e à medida que ele tentava continuar explicando as coisas, ficava bem óbvio o desconforto do rapaz. Aquela certamente não era a postura de uma pessoa que estava mentindo ou enganando os outros. E nem foi tão surpreendente quando ele especificou que a outra pessoa era um "ele".

“Não é de se surpreender, mas eu imagino que com esse tipo de comportamento, a outra pessoa seja muito controladora e manipulativa... pode ser só um sociopata e não chegar a fazer nada, mas pode chegar em algum ponto perigoso. Ele já devia mesmo ter resolvido esse assunto, coitado do Ciel... mas se ele não quiser fazer isso por vontade própria, não vai adiantar de nada essa conversa... ele tem que querer ajuda oficial”, Carissa manteve o foco no rapaz, ignorando as compras. Esperou o relato dele terminar e só negou com um aceno de cabeça quando ele pediu desculpas, e principalmente quando achou que estava errado naquela situação.

- Ciel, não peça desculpas. - ela estendeu as mãos para colocar sobre as dele, num gesto acolhedor. - E você não está errado, você é a vítima, entendeu? Por que não vem comigo e senta um pouco? Eu sei que essa conversa toda só te deixou desconfortável, hm? Vamos pegar um suco, o que acha? Você gosta de suco? Qual o sabor que você gosta?

Carissa se virou só para conferir o que havia no próprio carrinho, pegando uns sucos de caixa grandes demais para abrir ali mesmo.

- Hm, vamos pegar um daqueles de caixinha, vem comigo. - Carissa segurou o rapaz pela mão e o guiou até a área dos frios, deixando os carrinhos de compras para trás. Pegou um suco de morango para ela mesma e estendeu um de maracujá para Ciel. - Aqui, vai te deixar mais calmo. - a morena sorriu, aproveitando o frio vindo dos freezers e principalmente o pouco movimento ao redor. - Ciel, você tem que entender que tem gente que pode te ajudar com isso de verdade... mas pra isso, você tem que querer ajuda. Você precisa se cuidar, então, por favor, evite que alguma coisa séria aconteça com você e com as pessoas que você gosta.

Ciel

Se sentia desgastado depois de explicar toda a situação para a outra assim tão abertamente, especialmente com o silêncio vindo da morena. Quando falou com Gustav sobre, foram apenas meias palavras - apesar do outro parecer entender tudo antes mesmo que Ciel falasse de fato. Suspirou num misto de alívio e ansiedade quando terminou de falar, pelo menos entre todo o nervosismo que sentia, ficava mais confortável em falar com Carissa do que ir diretamente numa delegacia para tirar dúvidas.
Quando o silêncio finalmente foi quebrado, ouviu o reforço sobre “não pedir desculpas”, e sentiu as mãos dela sobre as suas, que estavam tão frias pelo nervoso que estava sentindo que as de Carissa pareciam bastante reconfortantes. Fez um aceno positivo com a cabeça, apesar de internamente ainda ter suas dúvidas, mas acreditaria em Carissa:

- Certo-- Ah! N-Não preciso sentar, de verdade está tudo-- Eu gosto de suco mas-- Er, eu não tenho muita preferência, pode ser qualquer um de caixinha... - aceitou a derrota em meio às tantas perguntas da policial. Só esperava que realmente não estivesse deixando ela preocupada ou atrapalhando um momento de folga dela.

Esperou que ela verificasse o carrinho, e assim que viu que os sucos que tinham não serviriam para ser abertos no momento, segurou o jardineiro pela mão e passou a guia-lo pelos corredores. Até tentou argumentar, mas iria parecer mais uma criança sendo levada pela mãe, e bem sinceramente a situação já parecia desse jeito. Chegaram até a área dos freezers, e aceitou o suco de maracujá que lhe foi oferecido. Tentou forçar um sorriso, apesar de em seguida Carissa reforçar que quem era necessário para resolver o problema, era o próprio Ciel, que precisaria deixar de ser displicente consigo mesmo também:

- … Eu entendo. - se conteve a não dizer um “desculpe”, já que a própria morena disse que não havia necessidade - Eu só nunca pensei que chegasse até o ponto de ser algo perigoso pra mim, ou pessoas próximas…! Digo, eu não achava que ele faria mesmo algo ruim diretamente depois do que aconteceu, mas desde todas essas mensagens… - ficou um pouco em silêncio e tomou um pouco do suco antes de continuar - Mas eu entendo, eu quero fazer algo a respeito… Uhm, se ainda não for perguntar demais, Carissa, o quê exatamente eu devo fazer? Eu não tenho mais as mensagens, só esse e-mail… Dá para provar algo?

Carissa

Carissa colocou o canudo no suco de caixinha e começou a tomar, enquanto Ciel parecia finalmente entender a situação em que estava e o fato de que precisava tomar algumas atitudes para resolvê-la. “Bom, a conversa parece ter ido bem, espero ter sido bem objetiva e que ele vá mesmo na delegacia pra fazer isso. Será que se ele não for tem como a gente ajudar? Hm, claro que a Leona não ia fazer nada fora da lei, mas quem sabe o Jack...? Não! Melhor nem pensar nisso!” ela automaticamente sacudiu a cabeça como se fosse para tirar a ideia absurda da cabeça, de pedir ajuda a Jack e ainda por cima sabendo de todo o relacionamento dele com Leona, o que lhe deixou com o rosto levemente vermelho entre constrangimento e irritação.

- É melhor sempre prevenir do que remediar, Ciel, lembre disso o tempo todo. Nesses casos imprevisíveis, é melhor você se proteger e proteger as pessoas de quem gosta de uma vez. - Carissa disse, levantando o dedo indicador como se estivesse explicando algo a uma criança. Voltou a tomar o suco quando ele perguntou como poderiam fazer o procedimento já que não tinha mais as mensagens, além daquele e-mail. - Ah, dá sim. Podemos entrar com um mandato para a companhia de telefone e até do e-mail para conseguir resgatar as mensagens apagadas, se isso for um perigo para você e para as pessoas ao seu redor, é um caso grave, com as mensagens, teremos provas e podemos entrar com um mandado de segurança para você e sua família, assim ele não vai se aproximar de novo. E se ele tentar algo, vai ser preso de verdade. Bom, eu não estou trabalhando hoje, mas você pode ir na delegacia amanhã e eu vou estar na parte administrativa, posso te ajudar com todos os procedimentos e requisições e darmos entrada no B.O. Prometo que sou uma pessoa bem discreta no trabalho.

Esperava que ele aceitasse a sugestão, assim poderia resolver o assunto mais rápido e se certificar que Ciel teria o caso em boas mãos.

- Mas eu não quero que você fique pensando nessas coisas ruins agora. Vamos terminar as compras? Você tem que me prometer que vai amanhã na delegacia, eu vou estar esperando. - mais uma vez, ela apontou para Ciel com o dedo indicador como se estivesse dando instruções a uma criança.

Ciel

No meio de tudo aquilo era difícil não se sentir como a criança da situação. Estava ali com a policial, depois dela ter o levado para tomar um suco por ter ficado um pouco nervoso enquanto tentava tirar dúvidas sobre que postura tomar diante de tudo. Não conhecia Carissa há muito tempo ou possuíam algum tipo de intimidade, mas ficava aliviado por tê-la conhecido.

Fez um aceno positivo com a cabeça quando ela reforçou que Ciel deveria tomar cuidado, dessa vez tinha certeza pela maneira que ela agiu que estava o tratando como se estivesse explicando para uma criança. Não poderia nem culpá-la por isso, provavelmente faria o mesmo se estivesse no lugar da morena. Ainda assim, escutou com atenção as palavras dela, e felizmente, havia como recuperar todas as mensagens que haviam sido perdidas do telefone. Ter a perspectiva que talvez a situação tivesse como melhorar e evitar que ele se aproximasse novamente, dava uma sensação de alívio para o jardineiro.

- Eu acredito nisso, de verdade - comentou, contendo um riso fraco sobre a outra ser "discreta". Já tinha visto que ela era bastante focada no trabalho, inclusive se sentiu mais confortável com a preocupação da outra - Amanhã? Uhm, eu...

Ficou um tanto incerto sobre já ir exatamente no dia seguinte resolver a situação. Seria a melhor decisão? Não seria melhor tomar mais um tempo antes de dizer com certeza? Suspirou, sabia que no fim tinha que resolver isso o quanto antes, e quanto mais "pensasse", mais estaria fugindo da própria situação. Sorriu, um pouco mais decidido, quando foi tratado como criança novamente. Agora tinha uma promessa com a outra que não poderia quebrar:

- Certo, certo. Eu vou amanhã, prometo. - concordou por fim, ainda segurando o suco de caixinha já quase no final em uma das mãos - ... Prometo também tentar não pensar mais nisso por hoje, vou gastar o tempo pensando em como o preço das coisas subiu.

Brincou, tentando aliviar o restinho de tensão que ainda sentia, aos poucos se sentindo mais confortável. Inclusive para olhar a lista que havia feito no celular, faltavam algumas coisas que já havia esquecido, por ter sido interrompido pela mensagem, mas poderia comprar numa próxima vinda ao mercado. Por hora, faria as compras com Carissa e aproveitaria da sua companhia.

Conseguiram felizmente terminar as compras, e antes de se despedir de Carissa na entrada do supermercado, avisou o provável horário que apareceria pela delegacia, que seria logo após sair de St. Clavier. Seria melhor do que ir logo cedo na delegacia e acabar se atrasando para o horário em St. Clavier por demorar com todos os procedimentos. Fez questão de agradecer a outra pelo tempo e assim, fez seu caminho de volta para casa. Olhou a tela do celular, reparando novamente no e-mail que havia recebido, com um misto de ansiedade e ao mesmo tempo de alívio. Talvez amanhã conseguisse por fim em um problema que o incomodava há anos.

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[Drive] (Sem Assunto) [Carissa; Ciel] - by Lil - 08-28-2021, 11:42 PM

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