[Drive] Bad Day at Red Rock [Julian; Joshua]
#1
Julian

Aquela não tinha sido uma boa manhã para Julian. Tinha acordado com mais uma crise de alergia e o nariz sangrando por causa das limpezas que tinha feito recentemente em casa, além da mudança breve do clima mais frio de noite para um mais quente pela manhã. A proximidade do verão lhe deixava com a garganta mais incômoda e o nariz propenso a sangramentos. Com a crise de espirros que lhe acompanhou pela manhã, levou os lençóis sujos para a lavanderia e seguiu até a cozinha para preparar um chá que fosse para lhe ajudar na disposição matinal. Mas o dia ainda estava começando… e não havia nenhuma erva que pudesse usar nos armários. Abriu a geladeira e só achou alguns restos de comida que não deviam estar boas, nada que pudesse ser comido tão cedo, então se contentou com um par de biscoitos e o último copo de leite da geladeira para poder trocar de roupa e sair para fazer umas compras e reabastecer a cozinha.

Saiu de casa com uma sacola de tecido para colocar as compras, como estava acostumado. Usava apenas uma bermuda que ia até os joelhos, uma camisa básica branca com uma camisa de botões xadrez por cima e um cachecol que parecia desconfortável naquela manhã para proteger a garganta. Ainda espirrou algumas vezes no caminho, cumprimentou alguns conhecidos e depois de longos dez minutos tinha chegado no mercado do bairro.

Mas o dia ainda não estava melhorando. Começou a pegar os itens nas prateleiras, derrubou uma fileira toda de enlatados e queimou o cotovelo na vitrine de lanches. Talvez tivesse sido uma péssima ideia sair de casa. E aquilo se confirmou ainda mais quando chegou ao caixa e descobriu que a carteira tinha ficado em casa e todo o dinheiro que tinha era uma nota de cinco euros no fundo do bolso da bermuda. Choramingou, batendo a mão na testa e a única coisa que levou do mercado foi um pote de sorvete pequeno que colocou na sua sacola de tecido.

Quando seguiu de volta para casa, com a disposição zero e com fome, mal dobrou uma das ruas conhecidas para pegar um atalho, um malandro passou correndo pelo seu lado, puxando a bolsa para roubá-la com força suficiente para arrastar Julian alguns passos, e incapaz de segurar a bolsa ou pelo menos se segurar, ele sentiu a sandália ficar presa no meio fio e caiu de joelhos no chão, enquanto o ladrão corria até o fim da rua com a sua sacola e seu pote de sorvete.

- M-m-mas… m-meu… sorvete… wahhhhhhhhhh - ele nem se preocupou em se levantar daquela vez, já estava tão cansado e frustrado de todas as coisas ruins pela manhã que a imagem era no mínimo engraçada para quem estivesse vendo de fora, um homem em seus trinta anos sentado no meio da calçada chorando copiosamente como uma criança que tinha se perdido dos pais.

Joshua


Havia saído para comprar alguns itens no mercado após sair da academia em seu dia de folga. Naquele horário, a senhorita Biedermeier deveria estar no internato estudando e seu patrão no escritório. Pelos horários de trabalho, estava aproveitando aquele período curto de folga, ainda que ficasse atento ao celular sob a expectativa de surgir alguma emergência.

Estava saindo com algumas das sacolas de compra em uma das mãos e o celular na outra. Usava as roupas de academia, o casaco sobre a regata cinza com o calça menos justa e o par de tênis. Nas costas trazia uma mochila com o que geralmente levava para fazer exercícios em seu tempo livre. Seguiria o seu rumo tranquilamente, verificando no celular se alguém do trabalho havia lhe enviado alguma mensagem, mas logo sua atenção foi chamada ao escutar um choro copioso vindo da esquina que estava na direção em que seguia. Aproximou-se desconfiado acerca do choro incessante até reconhecer a figura que se encontrava no chão, inconsolado.

- Julian? - apressou-se até o homem sentado no meio da calçada e deixou as sacolas de compras de lado para poder observá-lo melhor. - O que houve? Por que está chorando aqui na rua? O que aconteceu? - estendeu as mãos, tocando o moreno nos ombros em uma tentativa de confortá-lo e fazê-lo parar de chorar tanto. - Precisa de ajuda? Venha, levante-se.

Chamou pelo outro, segurando-o pelos antebraços para poder dar apoio a ele para que ficasse de pé. Observou o outro de cima a baixo, os joelhos empoeirados do chão e as mãos pareciam avermelhadas como se ele tivesse feito algum tipo de pressão com elas. Encarou o escritor, esperando alguma sentença além do choro incessante.

Julian

Julian não estava com muita vontade de se levantar e não se importava em nada por estar naquela situação deplorável no meio da rua. Só faltava ser atropelado por uma bicicleta para piorar o dia. Mas ele foi arrancado bruscamente de seu momento de desespero ao ouvir uma voz conhecida, acompanhada das mãos firmes em volta de seus ombros. Olhou para o loiro com as vistas embaçadas, o nariz vermelho escorrendo e o rosto todo manchado de lágrimas do choro exagerado e copioso.

- Joshuaaaaa - ele choramingou mais, esfregando os olhos com as costas das mãos. - Deu tudo errado! E levaram o meu sorvete e eu só tinha ele, e não tinha comida e eu saí pra comprar e esqueci a carteira e agora não tem mais nada e eu acho que ralei o joelho! Eu to com fome... e cansado... eu queria ter ficado em casa...!

Ele se levantou a muito contragosto com a ajuda de Joshua. Não era como se pudesse negar, considerando a força do mais velho. Julian ainda esfregou o rosto sujo de lágrimas e levantou o cachecol para cobrir o nariz e a boca ao espirrar mais uma vez. Até aproveitou o tecido para assoar o nariz.

- Desculpe - pediu, com a voz nasalada, o rosto ainda parcialmente escondido pelo cachecol.

Joshua

Encarou a imagem do escritor com certa pena da situação em que ele se encontrava. Não entendia como um homem adulto poderia estar chorando pela rua, mas só podia considerar que havia muito mais se passando além da sequência de tragédias que aconteceram com o moreno. Deu uma olhada melhor no outro e suspirou em alívio ao notar que ele havia apenas machucado os joelhos ao cair, as mãos também vermelhas, provavelmente pelo reflexo ao aparar a própria queda.

- Não precisa pedir desculpas, está tudo bem. - sorriu mais compreensivo para o menor, parando para observar o movimento de pessoas ao redor, considerando que a cena do suposto roubo do sorvete não deveria ter passado despercebida. - Eu estava indo para o meu apartamento. Quer almoçar comigo?

Achou melhor sugerir ajudá-lo em sua residência, pois se decidisse acompanhá-lo até a casa dele, depois de voltar da academia, provavelmente terminaria se deparando com mais problemas, visto que ele havia explicado que não tinha comida em casa.

- Consegue andar sozinho? - perguntou, considerando que até chegar em seu apartamento ainda precisariam andar por mais algumas ruas. Não que fosse distante, como estava acostumado a andar rápido, chegava lá sem demora, mas não podia dizer que alguém cansado e com fome como o escritor, ainda de joelho ralado, chegaria na mesma velocidade.

Julian

Julian só encolheu os ombros e olhou para os joelhos arranhados como se fosse criança de novo - o que não era muito distante da sua realidade costumeira. Ainda se curvou para bater um pouco a areia do machucado e contorceu a expressão numa careta de dor por causa da ardência na pele. Voltou-se para Joshua de novo ao ouvir a sugestão para que fosse almoçar na casa dele e até ficou mais animado com a ideia, mas logo a expressão mudou para uma fechada e as sobrancelhas franzidas.

- Mas vai que eu vou com você e você pega o meu azar? É tipo passar uma semana com o Enzo. E aí vai aparecer gente pra te assaltar também e você vai cair e derrubar as coisas na rua e se machucar. Ahhhhhh - ele suspirou longamente, deixando os braços caírem pesados ao lado do corpo, os ombros para baixo. - Mas eu aceito almoço... eu to com fome. Você cozinha, Joshua?

Ele levou a mão mais uma vez até o rosto e esfregou o nariz avermelhado e escorrendo, usando o cachecol ainda como protetor para o nariz e a boca. Acenou com a cabeça positivamente quando ele ainda questionou se conseguia andar. Estava com os joelhos doloridos e cansado da jornada complicada até então, mas nada que lhe impedisse de acompanhar o mais velho contanto que não fosse um caminho muito longo.

- Eu consigo sim. De onde você está vindo, Joshua? - perguntou ele, seguindo a passos muito lentos e cansados o loiro, especialmente ao sentir o joelho doer toda vez que dava um passo. - Hnnn... meus joelhos tão doendo.

Joshua

Achou engraçado como ele podia ser tão supersticioso. Não era do tipo que acreditava muito em azar e sorte, mas considerando a profissão do moreno, era natural que ele tivesse a mente mais aberta sobre outras crenças e mitologias. Duvidava que alguém fosse capaz de assaltá-lo sem estar armado com uma arma de fogo, e ainda se estivesse, dependendo do assaltante, ainda seria fácil imobilizado.

- Eu faço um ótimo macarrão com queijo. - respondeu. Não era muito de cozinhar, em seu próprio apartamento não havia sequer tantos ingredientes, pois costumava cozinhar mais na casa de seu patrão. - Mas eu posso pedir comida. O que quer almoçar?

Deu início a caminhada, mas não conseguiu ignorar as caretas de dor do menor diante da própria reclamação dele sobre estar com os joelhos doendo.

- Eu estou vindo da academia. - fez uma pequena pausa, indicando que o moreno também parasse. Arrumou a mochila que trazia nas costas, pequena, movendo-a para frente e se abaixou, indicando as costas para o escritor. - Sobe aí. Meu apartamento não fica longe e a gente chega mais rápido se eu for correndo. - explicou, ajustando os óculos antes de apoiar o joelho no chão para dar suporte enquanto esperava para o moreno subir em suas costas.

Julian

Os olhos de Julian quase se iluminaram quando ele disse que fazia um bom macarrão com queijo. Ele sorriu largamente com a possibilidade, a sensação de uma comida caseira americana sendo bem mais aprazível do que de comida de restaurante.

- Nãooo! Não vamos pedir! Vamos comer macarrão com queijo! Eu sempre vejo isso nos filmes americanos, é bom mesmo? Eu quero provar! Faz tempo que eu não cozinho nada, e meu editor vive reclamando também por causa da minha saúde, mas eu quero provar a sua comida, Joshua! - ele respondeu, veemente.

Julian não percebeu o quanto estava atrasando a caminhada deles e nem sabia onde era exatamente a casa de Joshua, mas só percebeu quando ele parou para ajustar a bolsa e lhe oferecer uma carona nas costas para poder chegarem mais rápido ao apartamento dele.

- Ehhh?! É claro que eu não vou subir nas suas costas, Joshua! Eu já sou adulto! E eu sou grande e pesado e eu não vou dar trabalho! Eu consigo andar sim, mesmo doendo! É só dor de joelho ralado, que nem de criança! - respondeu logo, mesmo que o loiro tivesse se abaixado para esperar que ele subisse em suas costas. - Hm… mas você… consegue mesmo me carregar assim rápido? Eu to tão devagar assim, é??

Podia estar negando a oferta por pura educação, mas até achou que seria uma mão na roda pegar uma carona nas costas do outro. E Joshua parecia grande e forte o suficiente para nem sentir seu peso.

Joshua

A animação do escritor com sua suposta capacidade culinária lhe deixou um tanto constrangido. Não se recordava de ninguém além de uma jovem senhorita Biedermeier ficar tão empolgado com a sua sugestão de cozinhar um macarrão com queijo. Infelizmente, ela já havia crescido o bastante no paladar de outros preparos para ainda lhe pedir para que preparasse um macarrão com queijo. Sorriu discreto até notar novamente o ar mais exasperado do mais novo, aparentemente constrangido com a ideia de conseguir carregá-lo nas costas.

- Ah, não. Desculpe, eu sei que você é um adulto. Perdão. - pediu, levantando-se de onde estava, considerando que de fato deveria ser constrangedor para um homem adulto como Julian, ainda que ele tivesse um comportamento meio infantil em alguns aspectos, ser carregado nas costas de outro homem deveria ser uma cena bem peculiar para as ruas de Cerise. - Eu posso andar mais devagar, não tem problema.

Deu espaço para o moreno, ajustando a bolsa de volta ao lugar, tentando se lembrar de tinha os ingredientes em casa para um macarrão com queijo e se ainda não precisaria passar no mercado para comprar o restante.

- O meu apartamento não fica tão longe assim. Eu moro próximo da cobertura, então quando a gente andar um pouco mais, acho que dá pra ver ao longe o andar. - explicou, tentando saciar a curiosidade alheia.

Julian

Julian quase se arrependeu de ter negado a ajuda para ser carregado até a casa de Joshua, mas tinha que agir como adulto de vez em quando, e já bastava ter chorado ajoelhado no chão e com os joelhos arranhados e pelas doloridas. Ao menos eles podiam andar mais devagar e considerando o tamanho das pernas de Joshua, teria que correr para alcançá-lo se ele fosse andar no passo normal.

- Tudo bem, tudo bem. Não posso culpar ninguém por esquecerem que eu sou um adulto. Não ajuda estar com os joelhos arranhados e choramingando no meio da rua. - ele respondeu, acompanhando o passo mais lento do mais velho. - Ahhhh... eu nunca morei num apartamento, é legal? Eu fico pensando que vai ter um monte de gente fazendo barulho em cima e embaixo. Se você mora perto da cobertura, então você é muito rico, Joshua!

Andaram alguns passos a mais e já estavam avistando os prédios do condomínio em que Joshua morava, e o loiro indicou onde era o andar que ficava. O bairro era perto do centro e do distrito residencial, então era um bairro muito bom para se morar também. Em alguns minutos e depois de uma caminhada que só foi mais cansativa e fez com que os joelhos de Julian doesse um pouco mais, finalmente entraram no elevador do prédio para ir ao apartamento alheio.

- Ufa! Finalmente! Pareceu mais longe do que a minha casa... e meu joelho tá ardendo... eu posso lavar no seu banheiro, Joshua??

Joshua

Ergueu o olhar, procurando a varanda de seu apartamento, sorrindo discreto mais uma vez. Julian podia nunca ter morado em um apartamento, mas ele também nunca tinha morado em uma casa. Acabou rindo com a ideia dele de que era rico. Bem, sua conta bancária era bem generosa, mas tinha que concordar com a senhorita Biedermeier quando ela dizia que não pensava como um homem rico. Talvez ela pensasse daquela forma por não saber de seu gosto particular por armas e pilotagem. Às vezes sentia um pouco de falta do antigo emprego.

- Claro, por aqui. - chamou o moreno ao chegarem no apartamento amplo com um pequeno mezanino. O apartamento não era assim tão amplo como a arquitetura do lugar fazia parecer. Dormia no andar de cima no quarto escritório enquanto que no andar de baixo ficava o banheiro social, cozinha, sala de estar e jantar, além da varanda que passava boa parte do tempo fechada pela climatização controlada do ambiente.

Após fechar a porta de entrada, dando passagem para Julian, removeu a mochila para poder ir até o banheiro social, abrindo os armários para verificar se havia deixado toalhas limpas ali.

- Fique à vontade. Tem álcool e água oxigenada na farmácia do armário da pia, além de algodão. - apontou. O ambiente era bem sóbrio, não havia fotografias em seu apartamento, ou nada que fosse muito pessoal. Na verdade, para alguém que estivesse visitando-o pela primeira vez, poderia até ter a impressão de que havia acabado de se mudar devido aos espaços vazios do lugar. - Eu vou tomar um banho antes de preparar o almoço, então… fique à vontade. Eu não acho que tem sorvete na geladeira, mas deve ter algumas barrinhas de chocolate no armário, se estiver com muita fome.

Informou, esperando a confirmação do escritor de que ele estava bem para poder subir para o quarto e tomar uma ducha rápida em seu chuveiro, colocar roupas limpas e descer para fazer companhia ao seu convidado de alergia constante.

Julian

Julian acompanhou Joshua para entrar no apartamento e só depois de receber a confirmação de que poderia usar o banheiro foi que parou para prestar atenção no lugar amplo e ainda climatizado. O teto era bem alto mesmo para um apartamento e tinha escadas para um mezanino, com todos os ambientes quase juntos.

- Nossa!!! Como o seu apartamento é legal, Joshua!! - Julian deu alguns passos para a sala, olhando ao redor sem ter pedido licença de novo. - Você é muito rico mesmo!! Deve caber minha casa aqui dentro!!

Quase não prestou atenção quando ele apontou o banheiro, seguindo primeiro até a porta da varanda para dar uma olhada no lado de fora e como o local era mais alto do que estava acostumado. Aquilo só lhe fez lembrar, com muito desagrado, do apartamento de Wilbert e a memória lhe fez colocar uma expressão de desgosto no rosto. Mas quase voltou ao normal quando ele disse que ia tomar banho e que podia pegar algumas barras de chocolate no armário.

- Ah! Tá bom, eu vou só lavar os joelhos e as mãos mesmo, não se preocupe comigo! - ele disse, voltando o caminho até a entrada do banheiro para poder fazer o que tinha dito.

Até abriu o armário para ver o álcool e a água oxigenada, mas só a ideia de sentir a ardência dos líquidos no joelho lhe deixava angustiado. Preferiu andar até o box e ligar o chuveiro só pra lavar os joelhos e só a água no machucado lhe fez contorcer a expressão numa careta de dor.

- Urhh... - choramingou, pegando uma toalha limpa no armário para enxugar os joelhos e as mãos. Mas a sua onda de azar ainda não parecia querer lhe deixar e só de pisar fora do box com os pés molhados, sentiu o pé deslizar e caiu de bunda no chão, tentando apoiar o braço sobre o vaso sanitário. - Aaaauuuuu!!!

Joshua

Riu baixo com toda a empolgação de Julian sobre o lugar onde morava. Talvez por estar morando ali há algum tempo já, estivesse habituado ao espaço do apartamento. Pediu licença após deixá-lo à vontade, certificando-se de que a passagem para a varanda estava trancada. Queria dar crédito a Julian por ser um adulto, mas às vezes desconfiava do bom senso do escritor.

Tomou uma ducha rápida após deixar a mochila perto de seu armário. Trocou de roupa, vestindo a cueca e uma calça de algodão mais confortável por estar em casa, assim como uma camisa de mangas branca simples. Secou os cabelos, deixando eles ainda um pouco molhados devido ao calor, não se incomodando tanto com a umidade nos fios claros. Desceu após colocar os óculos, rumando para a cozinha descalço até se dar conta de que Julian ainda não havia saído do banheiro.

- Julian? - chamou pelo moreno, batendo na porta antes de entreabrir a mesma. - Tudo bem com você? - observou o mais novo no chão, intrigado por ele estar ali. - Julian, o que aconteceu? - aproximou-se, estendendo as mãos para poder ajudá-lo a se apoiar no vaso e sentar no móvel de porcelana. Encarou o joelho do homem, a pele parecendo molhada. - Você não usou álcool aqui? - questionou, afastando-se para verificar no armário se o álcool havia sido retirado do lugar. - Quer ajuda? - ofereceu, mostrando a garrafinha de álcool. Um homem adulto não deveria ter problemas com raladuras como aquelas.

Julian

Julian nem tentou se levantar do meio do banheiro. Só levantou o cachecol sobre o nariz para limpar o rosto e antes que pudesse pensar em algo para resolver a situação com a bunda dolorida, ouviu as batidas à porta com Joshua entrando no banheiro logo depois. Encarou o mais velho com a expressão desolada e frustrada, tudo estava mesmo dando muito errado naquele dia.

- Eu escorreguei e caí de bunda no chão. - ele respondeu, com as bochechas inchadas numa expressão bem infantil de abuso. Aceitou a ajuda para se levantar e logo estava sentado sobre a tampa do vaso, esfregando de novo o nariz com as costas da mão. - Nãooo!! Num precisa de álcool não! - ele fez um movimento frenético com as mãos para impedir que o outro colocasse álcool no arranhão. - Eu já to todo dolorido da queda, não preciso de mais dor! Pelo menos eu já parei de espirr-atchim! Atchim! Atchim!!

Mais uma vez, Julian sentiu os olhos encherem de lágrimas e nem era só por causa da crise de alergia que tinha acabado de retornar.

- Só porque eu fui f-atchim! Atchim! - cobriu o nariz com o cachecol, movendo os ombros à medida que espirrava. - Hoje foi um péssimo dia pra sair da cama. Eu q-atchim! Atchim! Atchim!!

Passou as costas da mão pelo nariz de novo, usando o cachecol para limpar o rosto e o nariz escorrendo. Àquela altura, nem a fome estava lhe incomodando mais.

Joshua

Estranhou o receio do moreno diante da ideia de usar o álcool para desinfetar o ferimento. Arqueou uma sobrancelha após a crise de espirros do escritor, afastando-se logo em seguida para dar espaço para ele espirrar em paz. Levou uma das mãos até os cabelos, afastando-os da testa para poder coçar a própria nuca.

- Não adianta ficar espirrando e usando o cachecol para limpar. É melhor você tomar um banho quente. - aproximou-se do box para poder abrir o registro de água e regular a temperatura do chuveiro para morna. - Tome um banho, vai melhorar dos espirros e limpar o ferimento direito. Eu vou buscar roupas limpas e colocar o macarrão no fogo.

Explicou, dando espaço para poder sair do banheiro e dar privacidade ao moreno. Fez uma pausa antes de sair, considerando que o sujeito em seu banheiro era um homem adulto, mas que conseguia se acidentar com uma facilidade surpreendente.

- Tudo bem em te deixar sozinho? Desculpa perguntar, eu sei que você é adulto, mas só… tome cuidado com o chão, tá bom? - acenou para o escritor, rindo um pouco sem jeito daquele cenário. - Se precisar de mim, é só chamar, eu vou ouvir. - deixou a porta entreaberta para poder ouvir direito quando ele chamasse e subiu para checar alguma peça sua que pudesse caber no moreno para ele se livrar das roupas sujas da poeira da queda e dos espirros constantes dele.

Julian

- Ahh, eu não-- urgh.

Ele nem terminou de protestar contra o fato de que não precisava de um banho, mas só suspirou, com os ombros baixos, depois de espirrar mais algumas vezes enquanto Joshua ajustava a temperatura da água. Acabou concordando em tomar um banho. Talvez a água lavasse o seu azar pelo ralo também.

- Obrigado, Joshua, você é muito legal. - Julian respondeu, tirando o cachecol e a camisa sem se preocupar que o outro ainda estava dentro do banheiro. Até riu quando ele perguntou se estava tudo bem deixá-lo sozinho. E depois de toda aquela confusão que tinha causado em pouco tempo, nem podia julgar o mais velho por duvidar de sua capacidade. - Tá bem, não tem problema. Eu vou deixar a porta aberta por via das dúvidas, hahaha... espero não quebrar o vidro do box.

Ele coçou a nuca um tanto sem graça. O rosto estava vermelho e principalmente a ponta do nariz. Assim que Joshua saiu, entrou no banheiro com a fumaça da água quente, tomando cuidado para não escorregar dentro do box e causar outro acidente desastroso. Conseguiu terminar o banho e pegou uma toalha no armário debaixo da pia para poder se enxugar e enrolar na cintura. Enxugou muito pouco os cabelos para poder sair, procurando Joshua no caminho. Pelo menos os espirros tinham cessado com o banho e o machucado no joelho tinha ficado mais limpo. Olhou ao redor, procurando por Joshua.

- Joshua? Eu terminei aqui. - ele nem andou muito para fora, para não acabar esbarrando em algum lugar ou escorregando de novo.

Joshua

Escolheu uma bermuda com elástico que pudesse ser apertada para ficar mais justa ao escritor e uma camisa cinza que talvez ficasse folgada do outro, mas estava limpa e livre do que estivesse causando alergias em Julian. Desceu para poder entregar as roupas para o outro e acabou encontrando-o de toalha. Sorriu discreto, pelo menos ele não parecia estar tendo uma nova crise de espirros.

- Eu encontrei essas roupas, mas acho que podem ficar um pouco grandes para você. Desculpe por isso. - entregou as peças com o cheiro do alvejante que usava em sua máquina de lavar. - Eu vou cuidar do macarrão. Pode se trocar no banheiro ou no meu quarto, fica subindo a escada. - apontou, despedindo-se breve para ir até a cozinha para começar a separar os itens do macarrão com queijo que havia se proposto a fazer.

Estava em seu apartamento, em sua folga, com um amigo como visita. Enquanto preparava a refeição, portanto, não achou que seria nada demais beber uma de suas cervejas. Não precisaria trabalhar tão cedo. Abriu uma das garrafas que tinha na geladeira para aqueles momentos de folga enquanto relaxava na cozinha, esperando o macarrão cozinhar para misturar com o queijo e os temperos.

Julian

Julian até se sentia bem mais relaxado depois de um banho quente. Ainda estava com o rosto e o nariz vermelho, mas não era nada fora do comum depois de uma crise de alergia. Pegou as roupas que Joshua tinha lhe estendido e ele nem precisava comentar para que soubesse como elas ficariam grandes em seu corpo.

- Não se preocupe, já é bom o suficiente que eu tenha tomado um banho e que eu possa comer. - ele respondeu, voltando para o banheiro enquanto Joshua ia preparar o almoço. A barriga já estava roncando àquela altura.

No banheiro, teve sorte de conseguir trocar de roupa sem levar uma queda no processo, com toda a sorte que estava tendo naquele dia. Mas se tinha ao menos pensado que a roupa do outro ia ficar grande, nada se comparava ao vestido que era a camisa e a bermuda que mesmo de cordão, ficava muito folgada em sua cintura fina. Não teve muito o que fazer senão ficar com as roupas emprestadas para não ter que usar aquelas empoeiradas da sua trajetória e da queda, ao menos não ia espirrar de novo no processo.

Deixou a toalha no cabide no banheiro e foi até a cozinha, procurando Joshua que já estava bem concentrado em preparar o macarrão. Ainda estava no começo, então nem dava para sentir o cheiro da comida sendo preparada.

- Bom, não é surpresa que as roupas ficaram muito grandes. - ele comentou, com uma risada sem graça. As mangas da camisa de mangas curtas de Joshua chegavam quase aos seus cotovelos e a barra na metade das pernas. - Você precisa de ajuda, Joshua? Eu posso ajudar!

Joshua

Fez uma pausa no cozimento assim que o escritor se fez presente na cozinha. Observou como a roupa havia de fato ficado grande para ele e segurou o riso, negando a ajuda do outro com o mover da cabeça.

- É macarrão com queijo. Não tem como eu errar essa receita. - riu enfim, aproximando-se com o garfo que usava para mexer o macarrão cozido, usando a mão livre para puxar uma cadeira a fim de que o escritor se acomodasse melhor. - Pelo menos você parou de espirrar.

Voltou para o fogão a fim de separar o macarrão e fazer o molho com queijo derretido. Separou os ingredientes enquanto estava de costas para o moreno e continuou o processo do preparo do almoço, abrindo a geladeira casualmente na procura do queijo.

- E como anda o seu editor? Ele me pareceu um sujeito legal, preocupado com você, inclusive. Eu ainda não parei para ler nenhum dos livros daqueles que a senhorita Biedermeier se interessou na sua casa. - fez uma pequena pausa. - O seu editor é de Paris, não é? O senhor deve ser muito famoso para não viver na capital. Quem gerencia seus lançamentos é ele? - perguntou sobre o trabalho, pois afinal de contas foi como acabou conhecendo o moreno. Não sabia muito sobre a vida pessoal dele, não se considerava na liberdade de falar sobre o assunto.

Julian

Julian seguiu até perto do fogão para ver o que ele estava preparando. Dentro das roupas largas de Joshua e ao lado do homem, parecia até uma criança. Seguiu até a mesa e se sentou numa das cadeiras que ele puxou, já que não precisava de ajuda. E no estado de azar em que estava, era capaz de explodir a panela, então só cruzou as pernas sobre o assento da cadeira e esfregou o nariz que tinha parado de coçar, assim como os espirros também tinham cessado.

- Eu to só com uma crise alérgica. E minha casa tá cheia de poeira e a rua é cheia de poeira, então eu to espirrando desde que acordei quase. - Julian reclamou, coçando o nariz com as costas da mão de novo. - Ahhh, ele tá bem, ele levou o july pra cuidar em Paris porque eu sou péssimo cuidando de mim mesmo, imagine de um cachorro que já tem problemas. Acho que o coitado ia morrer aqui comigo, ia sim. Não precisa ler o que eu escrevi, não tem graça, nada daquilo tem graça… eu nem sei porque faz tanto sucesso, mas faz muito com um monte de senhorinhas que gostam de ler, e pelo menos paga as minhas contas, né, já que minha irmã não volta muito pra casa e eu não tenho mais ninguém em quem depender. O Adrian é muito legal comigo, e a esposa dele também, e ele é paciente, eu até fico na casa dele de vez em quando, quando tô na capital. Mas eu num sou tão famoso assim não, eu nem precisava de um editor, mas o Adrian me ajudou desde que minha avó e minha mãe faleceram, então eu acho que ele deve ficar comigo mais porque eu sou um desastrado sozinho. Eu já disse que nem precisa, mas ele me ajuda de todo jeito. E agora eu arrumei um amigo que gosta de coisas de fantasia! Eu vou mostrar minhas ideias novas pra ele! E você, Joshua, fica o tempo todo com aquela menina? Onde ela tá? Você trabalha pra família dela, né?

Ele começou a balançar a cadeira equilibrada nos pés de trás, distraído o suficiente no meio da conversa para sequer perceber que tinha começado a fazer aquilo. E, claro, se o dia já não estava ruim o suficiente, piorou ao balançar a cadeira para trás e sentir o móvel pendendo o suficiente para escorregar.

- Ahhhh! - a queda foi rápida e o baque foi bem alto, com a cadeira batendo no chão e Julian indo junto para sentir a bunda e as costas doerem com a queda. - Auauauauau! - ele choramingou ainda mais, os olhos enchendo de lágrimas ao levar as duas mãos atrás da cabeça. - Aieeeee, de novo! Parece que eu virei o Enzo hoje, que tá acontecendo comigo?! Wahhhh!!!

Joshua

Arqueou uma sobrancelha, descrente que algo que havia tornado o homem assim tão popular fosse desinteressante. Pegou o próprio celular por um instante, jogando na busca o nome do autor na procura por algum livro que ele deveria ter escrito. Talvez pudesse existir algum tipo de audio book do livro. Estava acostumado a baixar livros em audio para seu chefe ou quando precisava ajudar July no trabalho.

Separou o molho com queijo do macarrão que já estava cozido, observando o moreno sobre o próprio ombro quando ele falou sobre viver sozinho e sobre outras pessoas cuidarem dele pelo simples motivo dele ser desastrado. Já ia abrir a boca para responder sobre o tempo que estava trabalhando para a família Biedermeier quando ouviu o ruído sonoro. Largou a comida no fogo baixo, apressando-se até o escritor para ajudá-lo a se erguer do chão, levantando também a cadeira que ele havia derrubado.

- O senhor precisa ter mais cuidado! Machucou a cabeça? Está doendo muito? - perguntou, estendendo a mão para a cabeça do menor. - Ah, com licença. - afastou os fios escuros, tateando no couro cabeludo se a pancada da queda havia deixado algum inchaço ou causado algum corte na cabeça do outro homem. - Desculpe, deve ter um tédio ficar aqui sem fazer nada, mas, por favor, tome mais cuidado.

Pediu antes de se afastar até a geladeira, abrindo o freezer ao lado para retirar alguns cubos de gelo, preparando uma compressa gelada para o escritor.

- Aqui. Segure firme, vai diminuir a dor. - avisou, sorrindo discreto. - Eu que estou bebendo e você que está caindo pelos cantos, Julian? Já caí assim de cabeça… algumas vezes… na academia… - segurou a mão do outro, guiando-a para a compressa para que ele próprio segurasse. - Mais tarde a dor passa. Eu tenho sempre análgesico se não passar.

Afastou-se para poder conseguir terminar de preparar o almoço enquanto o escritor deveria manter a compressa para aliviar a dor.

- Eu trabalho para a família Biedermeier desde quando a senhorita era uma menininha. E eu moro sozinho, minha mãe vive muito longe, outro continente, e é isso. Nada demais. - terminou de preparar o almoço, o macarrão com queijo em molho branco derretido. Separou os pratos e os talheres para a refeição na mesa, mas logo tratou de perguntar: - Quer comer aqui ou na sala? Eu não me incomodo. Às vezes eu como no quarto. - admitiu, sorrindo amistoso para a visita, segurando o prato dele com a comida que ainda estava bem quente.

Julian

Julian apenas choramingou, aceitando ajuda de Joshua para se levantar. Negou com a cabeça sobre ter se machucado, mas podia sentir até o galo na parte de trás da cabeça quando Joshua tateou sobre os fios negros.

- Auuuuu, eu acho que bati sim. Mas num cortou. - ele respondeu, tateando ele mesmo a área atingida. - Que porcaria de dia. Não tem nada de tédio, Joshua, eu que tô num péssimo dia, isso sim. Achei que não dava pra pegar o azar do Enzo sem encontrar com ele. Nunca mais vou levantar da cama com o pé esquerdo, acho que isso dá má sorte mesmo.

Aceitou o gelo, levantando-o até a cabeça para pressionar na área atingida. Nem teve forças para rir do comentário dele de que ele que estava bebendo.

- Obrigado. Eu imagino que suas quedas na academia devem ser bem piores que a minha, mas menos ridículas. Eu pareço mesmo uma criança ralando os joelhos e caindo da cadeira na sala de jantar, é idiota. - Julian reclamou, bufando e segurando a compressa de gelo contra a nuca depois de se sentar de novo à mesa. - Hmm, você não tem uma família grande também, eu só tenho uma irmã mais velha que vive viajando, ela trabalha pra umas empresas famosas e modelos e tal. Ela quase nunca volta pra Cerise. Hm, é melhor ficar na mesa pra comer, vai que eu levo o prato pra sala e derrubo tudo no sofá? A gente não precisa de mais tragédia no dia.

Joshua

Concordou com o escritor sobre comerem na mesa mesmo, deixando o prato servido sobre a mesa e uma porção bem maior para si próprio. Apontou para o vapor que ainda escapava da comida, alertando para a temperatura da mesma.

- Estou acostumado a pancadas, depois de um tempo, parece que dói menos. - explicou, considerando a existência de uma irmã do escritor. - Sou filho único, mas seria interessante ter uma irmã. Ou talvez não, eu não vejo a minha família faz algum tempo já, mas ela sempre me manda mensagens, então eu sei que está tudo bem.

Sentou-se à mesa após colocar o azeite, queijo ralado, a própria bebida e uma caixinha de suco de fruta para o convidado tomar.

- Espero que goste do macarrão. Eu não costumo cozinhar em casa. Geralmente eu almoço perto do trabalho ou peço algo pelo delivery. - se justificou, rindo com a ideia de ter preparado algo tão comum que lhe recordava mais de sua adolescência que de fato a vida como adulto. - Você cozinha, Julian? - perguntou, passando o queijo ralado no próprio macarrão, enrolando os fios no garfo antes de provar a própria comida.

Julian

Julian deu uma boa olhada no prato de macarrão com queijo como se fosse o melhor presente que tinha recebido naquele dia, com os olhos quase brilhantes. Não pensou duas vezes em enfiar o garfo e levar uma porção generosa à boca, só para sentir o queijo quente e os olhos lacrimejarem de imediato quando se forçou a engolir a porção mesmo depois de Joshua ter tentado avisar que estava quente.

- Fuuhhhh, quenteeee!! - ele soprou com a boca ainda com comida, abanando a própria boca e depois colocando a língua para fora. - Arhhh, acho que queimei a língua… - ele pegou na ponta da própria língua, ainda assim prestando atenção nas palavras de Joshua. - A minha irmã era muito chata, hoje ela é mais legal. Eu não sei o que faria se não tivesse minha irmã, então é bom ter alguém sim.

Ele pegou o suco que Joshua colocou à mesa para tomar em grandes goladas de uma só vez. Soltou o ar feliz depois de refrescar a boca para voltar a se servir, agora fazendo questão de soprar a comida como uma criança antes de levar o garfo à boca.

- Nhmmm, tá goshtoso… - Julian respondeu, com a boca cheia, fazendo um sinal positivo com a mão para reforçar a aprovação. Só acenou positivamente com a cabeça quando ele perguntou se cozinhava, mas ainda se serviu de mais do macarrão antes de engolir tudo para poder responder. - Eu cozinho, aprendi umas coisas com meu pai antes dele morrer e depois com a minha avó. A minha mãe era uma ótima cozinheira, mas depois que meu pai morreu ela não cozinhava tanto mais. Aí eu aprendi com minha avó. Mas eu não sei fazer nada complicado, só coisas pra não morrer de fome, sabe? Mas eu tenho preguiça de preparar comida, demora muito e dá trabalho, então eu prefiro comer coisas prontas ou comer fora. Meu editor cozinha pra mim de vez em quando. Às vezes eu vou na casa da Fleur pra roubar almoço também, a comida dela é uma delícia! Ela é dona da Antique, você sabia?! Você já foi?! É um ótimo lugar pra comer doces, todo mundo em Cerise conhece! Você devia ir lá, Joshua! Podia trazer tortas pra comer de sobremesa.

E voltou a se servir, alternando entre o macarrão e o suco.

Joshua

Observou o moreno comendo, curioso com a companhia que precisava provar que a comida estava quente provando a mesma ao invés de acreditar em seus conselhos para tomar mais cuidado. Baixou o olhar para o próprio prato, considerando se a irmã dele deveria ser uma mulher bonita ou simpática, ou os dois, ou nenhum dos dois. Certamente ela poderia não se preocupar tanto assim com o irmão, considerando o estado em que o encontrava. Julian sempre estava doente, nariz vermelho, acidentando-se. Era uma verdadeira receita para o desastre.

- Conheço a Antique, mas não costumo comer muitos doces. - explicou, atento mais a história alheia. - A minha infância foi bem complicada, assim como a adolescência. Eu costumo tentar manter uma dieta balanceada por conta do trabalho, mas às vezes eu arrisco cozinhar algumas coisas mais… caras. Por conta da senhorita Biedermeier, sabe?

Continuou mastigando, apreciando a comida que havia preparado antes de se servir de mais um pouco, o estômago que demorava a ficar saciado.

- Gosta de algum filme ou programa de televisão? Podemos assistir depois do almoço. Hoje é meu dia de folga, então eu não tenho nada marcado como compromisso hoje. Se quiser, posso te deixar em casa depois. - ofereceu, levantando-se até o freezer logo depois para retirar um dos potes redondos de sorvete. - É alérgico a lactose? Eu tenho isso aqui para sobremesa. - ofereceu, buscando algumas canecas e colheres no armário para poder separar a sobremesa do atrasado almoço. - Deve compensar o seu sorvete derramado. - lembrou do acidente alheio, rindo baixo com a coincidência.

Julian

Julian se concentrou mais em encher a boca para comer, satisfeito com a refeição já que não tinha comido nada desde acordar. Só foi concordando ou negando com acenos à medida que ele falava sobre cozinhar e sobre sua infância complicada.

- Ahhh sim, a menina que queria os livros pra crianças, né? Ela não ia ter irmãozinhos? Como ela está se saindo? Você parece uma babá pra ela mesmo, hahahah. Onde você trabalhava antes de ser babá da Monique?

Não demorou muito para terminar a sua porção de macarrão com queijo, já que comia bem menos do que Joshua, mas estava bem mais satisfeito e sem crise de espirros para atrapalhar o resto do seu dia.

- Eu num assisto muita televisão, mas eu gosto de filmes de fantasia. Você tá de folga? A Monique não vem pra cá ou você num vai ficar com ela? - Julian perguntou, acompanhando Joshua com o olhar até ele se afastar para pegar um pote de sorvete na geladeira. - Ahhh, não sou não! Sorvete!! - Julian se levantou rápido o suficiente da cadeira para sentir o móvel pender e cair de bunda no chão pela milésima vez naquela manhã, com um barulho estrondoso da cadeira tombando. - Auuuuuuuuu!!!

Joshua

Considerou as perguntas sobre a família Biedermeier e apenas sorriu, rindo um tanto sem graça ao ser chamado de babá pelo escritor.

- É uma longa história. - respondeu sobre seu trabalho anterior ao de babá da garotinha herdeira da família Biedermeier. - Deve ter alguma coisa que te interesse então. Eu não costumo ver muita coisa na televisão além dos programas do Discovery Home and Healthy. - explicou, procurando os recipientes para poder servir o sorvete quando ouviu o barulho do móvel encontrando o chão.

Prontamente se aproximou mais uma vez. Tirou a cadeira do chão, afastando-a para poder oferecer ajuda para o moreno se levantar do chão.

- Deveria ir na academia, ter umas aulas de judô talvez. Pelo menos assim aprenderia a cair direito e não se machucar tanto. Está com fraqueza nas pernas? - perguntou, observando melhor seu convidado. - Para alguém com alergias e caindo bastante, você é bem resistente, Julian. - apontou, sorrindo amigável, procurando com o olhar se ele havia se machucado mais sério na queda. Aparentemente, não havia deslocado nem quebrado nada.

Julian

Julian apenas se remexeu no chão, choramingando pela nova queda inesperada. Era melhor não ter mesmo saído naquele dia de casa. Nem tentou se levantar e só deixou que Joshua afastasse a cadeira que tinha derrubado, mas negou a ajuda dele para se levantar.

- Eu acho que vou ficar por aqui mesmo, talvez assim me impeça de levar outra queda. O chão tá bom. - ele respondeu, fazendo um aceno rápido com a mão para continuar deitado depois de um longo suspiro resignado. - Ou é capaz de eu ficar aqui no chão e a mesa cair na minha cabeça, ou o armário da cozinha, quem sabe passa um tornado pela janela e derruba a geladeira em mim também, do jeito que as coisas estão ruins hoje, arhhhh…

Fechou os olhos como se fosse mesmo ficar no chão, mas os abriu para a sugestão de Joshua de que deveria aprender judô ou alguma coisa do gênero para aprender a cair.

- Você quer me matar mesmo, Joshua? Se eu já to nesse estado sem ninguém pra me derrubar, imagina se eu me atraco com alguém? Vai ser um desastre, vou me quebrar todo! - ele retrucou. - Ah, mas eu devo ter herdado a resistência do meu pai, ele era bem forte, sabe? Mas herdei também as alergias da minha mãe, hahaha, então não tem como equilibrar muita coisa, eu vivo ficando doente e passando mal, mas sempre tô inteiro depois de um bom descanso. Isso deve ter seu lado bom, né? Mas você parece muito forte e saudável, não deve nem saber do que eu to falando com minhas alergias e meu mal estar. - ergueu o olhar para Joshua dali do chão mesmo. - Será que eu consigo tomar sorvete deitado??

Joshua

Ficou surpreso com a resposta do escritor sobre continuar deitado ali e acabou suspirando conformado com a decisão dele. Abaixou-se ao lado do moreno e ouviu ele começar a falar sobre os pais dele, o pai que era forte e mãe com a saúde não tão boa assim.

- O tatame do judô é tranquilo para quedas. Bem mais confortável que cair no chão de concreto. - respondeu, apoiando o cotovelo do joelho e o queixo na palma da mão, considerando que o chão da cozinha talvez fosse um tanto frio para o escritor ficar deitado.

Acabou rindo um tanto sem graça quando ele começou a supor que não entendia sobre mal estar ou problemas de saúde. Sua infância não foi das mais saudáveis, disso tinha certeza. Respirou fundo, estendendo a mão de novo para o moreno.

- Claro que não pode tomar sorvete deitado. - respondeu, segurando o menor pelos braços. - Com licença. - pediu e segurou o moreno com um pouco mais de força, levantando-o do chão da cozinha sem dificuldade alguma. - Se está assim, deveria aproveitar um bom descanso. Agora que já tomou um banho, comeu e pode aproveitar a sobremesa, pode descansar aqui se quiser. O quarto fica no primeiro andar, pode descansar, eu acho bem confortável, pessoalmente.

Explicou, afastando-se enfim para poder servir as porções de sorvete, paciente. Em sua mente, começava a comparar o comportamento do escritor com de fato o de um adolescente. Contudo, duvidava que a senhorita Biedermeier aceitaria de tão bom grado permanecer no chão frio como o escritor demonstrava aceitar.

Julian

Julian só deu de ombros para o fato de que o tatame do judô seria mais confortável de se levar uma queda, mas a resposta óbvia que não podia estar deitado para a sobremesa lhe colocou uma careta de desagrado no rosto e foi obrigado a aceitar a ajuda de Joshua para se levantar, e não foi nada difícil para o guarda-costa lhe colocar de pé.

- Nahhh, claro que eu não vou dormir na sua cama, Joshua. - Julian se aproximou ao lado do loiro enquanto ele servia o sorvete, para pegar uma das poções e começar a se servir. - Mas eu posso ir pra sala e sentar no sofá? Pelo menos lá é bem mais fofo. Vou tentar não cair do sofá dessa vez.

Ele mal esperou a autorização de Joshua e andou até a sala para se sentar no sofá largo e confortável, colocando os pés em cima do assento e se servindo do sorvete como uma criança feliz.

- O que você faz quando tá de folga, Joshua? Assiste TV? Lê alguma coisa? Pratica tiro ao alvo em esquilos? Além de cuidar de um adulto azarado como eu, claro. - ele perguntou, deixando a colher na boca depois de outra porção do sorvete.

Joshua

- Tudo bem. - respondeu sobre a opção dele ficar em seu sofá. O sofá era bem mais amplo na sala e certamente já havia dormido ali algumas vezes. Na verdade, sua cama era o lugar em que menos passava suas noites, pois costumava dormir no carro quando não conseguia dormir direito de noite por conta do trabalho, ou até mesmo acabava dormindo no sofá pela conveniência de pegar no sono ouvindo as últimas notícias do jornal nacional.

Experimentou do sorvete e deixou a porta da varanda entreaberta, permitindo que a brisa refrescasse melhor o ambiente ao invés de ligar o ar condicionado central que provavelmente iria apenas piorar a situação da alergia do moreno. Riu quando ele mencionou praticar tiro ao alvo em esquilos.

- Eu costumo ir para academia, correr, lavar meu carro, assistir jogos na TV. - deu de ombros, como se fossem práticas bem comuns para um homem de sua idade. Não tocou no assunto sobre armas, pois não costumava falar sobre suas práticas de tiro fora do trabalho ou quando estava acompanhado de pessoas que não estavam habituadas com armas de fogo. - Eu… não leio muita coisa. Nunca tive o hábito, na verdade.

Admitiu e observou a paisagem distante que era possível avistar pela varanda. Não havia muita coisa em comum sobre o que conversar com o escritor, afinal. Ou ele apenas era péssimo em criar conversas.

- Se quiser aprender a se defender algum dia, eu posso te mostrar como. Eu te mostro como cair sem se machucar. - ofereceu, tranquilo, como se estivesse oferecendo um copo de suco ao escritor. - Sério. Não vai se machucar, é mais fácil do que parece. - defendeu, ciente de que o outro era um especialista em conseguir se acidentar.

Julian

Pelo visto os tipos de diversão e distração de Joshua eram bem simples para uma pessoa que era guarda-costas e lidava com situações muito perigosas. Até lhe dava ideia para quem sabe escrever algumas coisas novas e personagens novos nas suas histórias.

- Você é uma pessoa bem simples, Joshua, e bem calmo também, diferente de mim, eu gosto de você, gosto de pessoas pacientes, hahaha. Minha irmã não tem muita paciência, a Fleur é paciente comigo, mas ela é assustadora às vezes, igual uma mãe. Não que minha mãe tenha sido desse jeito, porque ela era bem quietinha também, mas eu acho que seria assim. E o meu editor sempre briga comigo por causa das coisas que eu faço erradas e por não me cuidar direito e nada do gênero. Mas eu acabo tendo muito tempo livre, então eu sempre to passeando na cidade ou lendo alguma coisa ou comendo doce, eu gosto de doce e das tortas da antique. - ele desatou a falar, entre algumas colheradas de sorvete.

Só parou de falar quando Joshua ainda sugeriu que podia lhe ensinar a se defender algum dia, e principalmente como cair sem se machucar. Julian acabou rindo da sugestão, porque embora parecesse engraçada, Joshua tinha uma expressão séria de que podia mesmo lhe ensinar aquilo.

- Hahah! Eu bem poderia me beneficiar de aprender a cair, né? Mas não se preocupe, você já tem muito trabalho pra fazer, Joshua, eu estou bem. E hoje foi um dia de azar, eu geralmente não sou tããããão desastrado. Só sou fraco pra doenças, mas isso eu já me acostumei. - Julian terminou de comer o sorvete e lambeu a colher. - Obrigado pela comida e pelo sorvete, me deixaram de bom humor depois dos desastres!

Joshua

Observou o outro enquanto ele desatava a falar, sorrindo discreto por reflexo, pensando que deveria considerar a visão do escritor sobre sua figura como um elogio. Queria dizer que gostava do editor dele. O homem parecia levar a sério o próprio trabalho ao mesmo tempo que tentava cuidar do escritor. Deixou o outro falar, imaginando que ele deveria estar satisfeito por não precisar parar o tempo todo para espirrar.

- Disponha. Imagino como deve ser ter um dia ruim. - respondeu assim que ele terminou de lhe agradecer. Ocupou-se em terminar seu próprio sorvete, considerando que talvez o escritor tivesse mais problemas relacionados à própria saúde e o fato de ser um homem adulto, solteiro, que não parecia ter muita responsabilidade para tomar conta de si próprio. Ainda assim, não puxou o assunto, certo de que para alguém que havia tido um dia ruim, aquele tipo de conversa era desconfortável e desnecessária.

Levantou-se antes de terminar seu próprio sorvete, indo na cozinha para poder pegar um copo com água. Retornou para entregar a bebida ao moreno, imaginando que para alguém que sofria de alergias, beber água era sempre um bom negócio, ainda mais após tomar sorvete.

- Pode ficar o quanto quiser, posso te levar em casa quando quiser voltar. Eu não passo muito tempo aqui no apartamento, não é comum ter visitas. - explicou, ligando a televisão no noticiário, acostumado a acompanhar as notícias da cidade quando estava de folga.

Julian

Julian deixou que Joshua levasse os potes sujos para a cozinha e esperou até ele lhe trazer um copo de água, sorrindo com o excesso de cuidados do mais velho, afinal, era como se ele fosse mesmo uma babá como era para a adolescente que ia logo ser irmã mais velha.

- Obrigado, Joshua, você é bem legal. Me ajudou e até cuidou de mim, hahaha! Não se preocupe, não precisa me levar em casa, eu gosto de caminhar e falar com o pessoal na cidade e perto de casa. Mas se quiser me acompanhar pra passar o tempo, posso te mostrar algumas coisas no caminho. Tem uns mercados e lojas de conveniência e cafés, claro que nada se compara com a Antique, mas tem coisas legais na cidade. Você já conhece muito de Cerise? Devia parar para dar uma passada nos locais turísticos da cidade, afinal, somos uma cidade turística também. - Julian disse, olhando para o noticiário só por alguns minutos. - Não é legal ficar em casa o dia todo só assistindo TV e notícias ruins.

Julian se levantou e deixou o copo de água na cozinha, agradecendo mentalmente que não tinha derrubado nada nem tropeçado em mais nenhum lugar no caminho.

- Bom, eu já atrapalhei demais o seu dia de folga. Eu acho que vou andando para casa e pensar em fazer compras mais tarde, dessa vez com minha carteira. - Julian avisou, voltando até a sala só para se apoiar no encosto do sofá e falar com o loiro.

Joshua

Ouviu o comentário elogiando seu tratamento ao cuidar dele. Na verdade, Julian Holt não parecia ser um homem adulto. Muitas vezes ele se comportava como uma pessoa mais jovem e até certo ponto, inconsequente e irresponsável. Contudo, achou melhor não entrar nesse tipo de conversa. Ele estava tendo um dia ruim e estava de fato desocupado, não lhe custaria nada ajudar o escritor.

- Eu conheço as áreas de Cerise, mas realmente nunca fiz “turismo” por aqui. - explicou, voltando a encarar o noticiário que começava a tratar de alguns casos de pequenos furtos e o fechamento de alguns pequenos estabelecimentos devido ao vencimento de alvará. Pegou o controle e mudou de canal, indo parar na sessão de filmes do serviço de streaming, estava passando algum filme de comédia barata. - Desculpe por isso, é costume do trabalho de ficar assistindo o noticiário.

Levantou o olhar para observar o homem que havia acabado de se erguer, anunciando que iria para casa. Concordou brevemente com ele, levantando do sofá para então buscar por seus calçados.

- Vamos, eu vou te acompanhar até a sua casa, assim como me falar dos estabelecimentos e ser meu guia turístico. - destacou, sorrindo amistoso para o menor ao se certificar de que estava com as chaves de seu apartamento. Caminhar nunca era um problema, só não queria arriscar que o responsável pelo furto ao moreno retornasse na oportunidade de arrancar mais pertences do outro.

Pediu que Julian esperasse um instante, pelo menos alguns minutos até que colocasse uma camisa mais adequada, com uma segunda de botões, aberta, mais confortável.

Julian

Julian não esperava que Joshua fosse lhe acompanhar ainda até em casa, mas nem teve tempo de negar a oferta e sabia que acabaria com o loiro na sua cola de qualquer jeito, então só concordou com um aceno de cabeça quando ele foi calçar os pés e colocar uma camisa confortável.

- Eu ia dizer que não precisa, mas já que você vai de todo jeito, eu posso te mostrar as coisas. Você devia aproveitar pra conhecer a cidade e fazer turismo, não é muito grande, então aposto que em um dia você descobre quase tudo aqui. Mas eu te mostro os lugares baratos pra lanchar e as pessoas legais da cidade. E tem umas pessoas estranhas também, tipo uma vizinha minha que fala com o marido morto todo dia, ou a moça vegana no fim da rua que vende vegetais e verduras que ela cultiva no quintal. Eles são gostosos, mas eu nunca mais fui lá comprar, ela aprendeu a cultivar com a avó dela que já morreu também, igual a minha. Só não dá pra chegar muito perto do cara que mora lá na rua atrás da minha, ele é meio paranoico e as pessoas dizem que ele tem um daqueles bunkers debaixo da casa dele, esperando o apocalipse... ahhh, mas o vizinho dele é carpinteiro, ele faz uns móveis tão bonitos, ele e a mulher dele e até o filho mais velho dele aprendeu a fazer e foi até pra Paris pra aperfeiçoar as técnicas, ele tá bem famoso hoje em dia por lá... - Julian desatou a falar um por um dos conhecidos que tinha na cidade e a conversa se seguiu enquanto eles desciam os andares do apartamento de Joshua e seguiam pelas ruas já conhecidas do rapaz.

À medida que se aproximavam do bairro com sua casa, ele começou a apontar as pequenas lojinhas de comida, cafés e lojas de conveniência por onde costumava passar e que achava boas. Depois de longos minutos de caminhada e, felizmente, sem topadas, assaltos, furtos ou espirros, eles estavam chegando na entrada da casa de Julian.

- Ahhhhh! A gente chegou... eu nem percebi que a gente já tava aqui, olha só, falei tanto que você vai voltar pra casa ainda mais cansado da conversa, Joshua, hahahaha! Mas obrigado pela companhia! Se algum dia quiser conhecer os pontos turísticos da cidade, só me avisar! - Julian ofereceu, batendo de leve no ombro dele, que era bem alto.

Joshua

Observou o trajeto na companhia do escritor e ficou quieto a maior parte do tempo, ouvindo as narrativas dele sobre os vizinhos das redondezas e os estabelecimentos onde poderia fazer suas compras. Estava mais acostumado a pedir tudo por delivery, pois era mais cômodo sempre que estava de folga e não queria ter de comer muita comida em público.

Arqueou uma sobrancelha sobre a história do sujeito que deveria ter um bunker em casa. Era uma conversa bem estranha e não sabia dizer se aquilo era só um boato ou se deveria mesmo ter algum fundo de verdade naquela conversa. Concordou com um aceno positivo e um sorriso ao jovem escritor após ele lhe oferecer ser seu guia na necessidade de um passeio turístico.

- Não se preocupe, Julian. Foi bom ouvir mais sobre a vizinhança. - respondeu ao comentário depreciativo dele a respeito de lhe cansar com toda aquela conversa. Na verdade, estava bem mais habituado a ouvir as pessoas e os problemas alheios que de fato falar sobre os seus ou sobre sua própria vida.

Despediu-se do escritor ao esperar que ele entrasse em casa, levando as mãos aos bolsos ao fazer o trajeto de volta para o seu apartamento. Talvez caminhasse um pouco mais até o fim da rua para conferir os produtos da vizinha vegana, afinal de contas, sua folga duraria até segunda ordem ou até alguma ligação urgente da senhorita Biedermeier.

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[Drive] Bad Day at Red Rock [Julian; Joshua] - by Lil - 08-28-2021, 11:48 PM

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