08-29-2021, 12:42 AM
Viola
Ficar em Limoges-Collet estava se tornando uma atividade estressante e sufocante. O completo oposto do que tinha sido nos últimos anos antes de sua vida social ser estragada. Depois de mais de um mês, aos poucos, estava se colocando de volta no lugar, ou melhor, procurando um lugar novo para se colocar.
E depois de um sábado inteiro no dormitório apenas ouvindo os comentários debochados das alunas que passavam por ela ou batidas de propósito em seu quarto, já que Annica não estava por perto, decidiu que seria uma boa mudança de ares sair de Limoges-Collet pela primeira vez em muitos meses para andar pela cidade.
Era provavelmente a primeira vez que Viola tinha saído sozinha desde que ingressara em Limoges, e não fazia ideia de para onde ir ou o que fazer. Passou por algumas ruas no centro com pessoas lhe olhando constantemente - o que era comum para alguém com sua aparência, embora agora houvesse a sensação de que todos podiam ver debaixo dos fios loiros falsos -, e finalmente resolveu parar de uma vez numa praça e pegar um táxi. O destino foi um tanto impensado, mas logo estava descendo do carro na frente dos enormes portões de St. Clavier que estava num domingo aberto para visitas. A Academia masculina devia ter pelo menos três vezes o tamanho de Limoges-Collet e ela só precisou dar uma volta nos jardins e se ver de volta ao portão de entrada para evitar os olhares dos alunos que circulavam entrando e saindo da Academia. Parou e pegou o celular dentro da bolsa para enviar uma mensagem muito mal-criada, para uma pessoa muito específica, como era costume.
“Que porcaria de escola desnecessariamente grande! Vocês andam de carro entre os prédios?! Isso é ridículo! Meus pés já estão doendo!”
Sasha
Os domingos abertos de St. Clavier não eram dias em que Sasha costumava sair. Os prédios da frente ficavam cheios de curiosos pela escola, então era apenas mais agradável sentar em sua cama e assistir um filme qualquer pelo computador, ou então tirar longos cochilos antes das sessões de estudo.
Estava já pronto para dar o play no mais novo filme de ação do Liam Neeson quando sentiu o celular vibrar, e abriu a tela, já esperando mensagens de ex-delinquentes de St. Clavier lhe mandando pegadinhas. Porém, diferente do que imaginava, a mensagem – naquele específico jeito mimado – só poderia ser de Viola.
“Como eu tenho um carrão para andar entre prédios, então, me espera aí 20 min que eu te busco nos jardins.”, respondeu a mensagem, então desacomodando da cama para ir encontrar com Viola.
Sasha demorou mesmo vinte minutos, mas chegou com estilo vestido com uma calça de moletom, tênis e camiseta, um boné vermelho fácil de identificar e empurrando a cadeira de rodas pelas muito conhecidas vias de St. Clavier.
- E aí, Viola! – chamou a moça ao longe, usando apenas uma mão para acenar, logo chegando até ela. Deu um longo assobio, olhando a garota por inteiro. – Ainda não tinha te visto sem uniforme. Mas que pernas enormes e lindas são essas! Tá de parabéns, ein! – bateu palmas, abrindo um sorriso largo. – Vou nem ficar preocupado com sua caminhada. Tem muito pra gastar aí. Prestando visita?
Viola
Já fazia algum tempo desde a última vez que Viola saíra de Limoges-Collet para se preocupar com as roupas que usaria fora das aulas e dos dormitórios, mas o guarda-roupa estava sempre bem atualizado e por isso não foi difícil escolher um short de cintura alta listrado, uma camisa básica branca, blazer rosa e ankle boots pretas, além de um par de óculos escuros que lhe permitia olhar torto para as pessoas ao redor que lhe encaravam constantemente.
Era estranho sair da academia sozinha, e foi mais estranho constatar que era a primeira vez que Sasha lhe via fora do uniforme escolar, o que não foi constrangedor apenas pelos comentários desnecessários dele e as roupas muito casuais, sem combinar e completamente diferentes do uniforme de St. Clavier. Claro, com um boné vermelho muito chamativo. Ela rodou os olhos, ajustando o óculos escuro e cruzando os braços diante do corpo.
- Eu não tenho nada pra gastar. Não é surpresa que seja uma academia masculina, nenhuma mulher andaria todos esses caminhos ainda com os saltos. - ela reclamou e agora que estava parada conversando com Sasha, tinha conseguido chamar ainda mais atenção. - Queria uma mudança dos dormitórios, mas obviamente não foi uma boa ideia. - a loira torceu o nariz, olhando para as pessoas ao redor que continuavam lançando olhares e murmúrios, dos quais já estava bem cansada dentro de Limoges.
Sasha
Gostava que Viola ficava cada vez mais insensível graças a suas brincadeiras bobas recorrentes, fossem no reforço ou na vida, porque só alguém muito insensível diria que era mais difícil andar a academia de salto do que era gastar o couro da mão empurrando uma cadeira de rodas. Especialmente se tinha que fazer ronda. Acabou rindo sem perceber, apreciando esse lado da loira.
Só que ela parecia incomodada com algo. Olhou em volta, notando que alguns visitantes e muitos dos meninos de St. Clavier que passeavam com os pais estavam tão de olho nas pernas de Viola quanto ele tinha ficado assim que ela chegou. Porém, a loira ficava cada vez mais irritada com o fato, o que ele não entendia por inteiro.
- E por que não foi uma boa ideia? Você veio me ver, eu já lucrei aqui. – riu, cruzando os braços. – Se queria uma mudança do dormitório, imaginei que iria para o shopping ao invés de vir em St. Clavier. Mas se aqui não está legal para você, podemos sempre sair, sabe? Eu conheço muitos lugares legais na cidade que até tem acessibilidade. – comentou, pensando se ela ficaria mais confortável sem tantos meninos olhando ela. – Melhor até se eu te levar daqui, porque como presidente do Conselho Disciplinar, tenho medo de que essas pernas longas e bonitas causem um reboliço na minha escola.
Viola
- E quem disse que eu vim para vê-lo? - ela reclamou, ignorando os olhares ao redor que em outra situação, não teriam lhe incomodado. Mas agora parecia que todo mundo sabia que seus cabelos eram falsos e aquilo se tornava cada vez mais inquietante. - Eu só vim dar uma olhada nessa escola que todo mundo fala tanto na cidade. E não tem nada demais aqui, Limoges-Collet é muito melhor.
Até ela teria pensado em ir numas lojas mais refinadas e em galerias, mas o shopping estava fora de seus pensamentos porque era perto demais do centro para que encontrasse mais alunas de Limoges-Collet e acabasse numa situação constrangedora. O pensamento de ir até St. Clavier foi mais inconsciente e provável porque a única pessoa que conhecia fora da academia era Sasha, no fim das contas, por mais irritante que ele pudesse ser.
- Hah, você conhece lugares legais? Eu duvido que você conheça alguma coisa interessante para se visitar na cidade. E de “legal”, você não tem muita noção também. - ela fez um sinal breve com o indicador para as roupas que ele usava junto com o boné.
Sasha
Sasha arqueou a sobrancelha quando a garota disse que não tinha ido até lá vê-lo, com a cara óbvia de “você não está enganando ninguém”.
- Você nem passou do jardim e me ligou. É claro que você queria minha companhia. Embora eu tenha que concordar que Limoges-Collet tem coisas mais interessantes... para começar, um laboratório de química completo. – Sasha respondeu, então ouvindo o comentário sobre suas vestimentas e o desafio dela de que não poderia conhecer nenhum lugar divertido. – Ah, minha cara Vi, você está prestes a se arrepender das suas palavras. Porque antes de ser o presidente do Conselho Disciplinar nessa grande instituição eu era o rei da diversão casual de sexta a noite, como nomeado pelo dono do bar da esquina da minha casa. Então... vem comigo, vou buscar meu “equipamento” e a gente vai começar pegando um ônibus. – Sasha então deu a volta com a cadeira e olhou por cima do ombro. – Você pega ônibus, não pega?
Sasha de fato não demorou muito, exceto pelo tempo para cruzar até perto dos dormitórios pelo caminho mais bonito. Passou pelo jardins, que estavam em boa época pois as flores mais recentes ainda estavam desabrochando, e, apesar de ser dia de visita, não estava tão ocupado quanto a fonte e os jardins da frente. Pediu para Viola esperar ali um pouco, já que ela não poderia entrar no dormitório, e voltou pouco tempo depois com um par de luvas de couro nas mãos, um óculos escuros e uma pequena mochila presa na parte de trás da cadeira.
- Pela hora a gente vai ter que fazer umas paradas antes. Mas primeiro... temos que esperar o ônibus acessível. – riu, convidando Viola para uma longa parada no ponto de ônibus da escola.
Viola
- Eu não queria a sua companhia, mas já que estou aqui, não tem muito o que fazer, não é? - Viola deu de ombros ainda fingindo a falta de interesse. - E não em chame de "Vi", não lhe dei essa intimidade. - ela começou a acompanhá-lo com o chamado, mas assim que se virou e perguntou sobre o ônibus, a expressão de Viola podia facilmente ser descrita como uma de nojo, mesmo com o óculos escuro cobrindo os olhos. - Mas é claro que não! Por que é que eu iria pegar ônibus?! Vamos de táxi.
Ela parecia bem determinada em irem de táxi e só chegaram próximo dos dormitórios para que Sasha fosse até o próprio quarto. Ficou sentada próximo da fonte de entrada e ainda foi alvo do olhar longo de alguns alunos que circulavam mais pelo lugar, inclusive de olhares pelas janelas do dormitório. Depois de alguns poucos minutos - considerando que ela estava acostumada com o atraso de mulheres para se arrumarem, era até um tempo curto -, o moreno estava de volta nas mesmas roupas básicas, adicionados de um par de luvas e óculos escuros.
- Paradas onde? Que lugares está pensando em ir, pra começo de história? E eu já disse que não ando de ônibus, vamos de táxi. - ela reforçou. - E por que é que está usando luvas? Não basta o boné e o óculos bregas?
Sasha
Sasha riu do leve desespero de Viola em lhe impedir de ir ao ponto de ônibus, mais ainda quando ela revelou que simplesmente não entendia o uso das luvas. Era surpreendente como ela conseguia ser tão centrada em si mesma que não podia parar um instante para pensar que estavam saindo e que ele teria que empurrar aquelas rodas por todo o caminho. Mas talvez essa fosse um pouco da graça de Viola.
- Você usa sapatos, eu uso luvas. O boné e o óculos são para aumentar meu charme. – Sasha comentou, mostrando as mãos antes de sair passeando por St. Clavier, até parar no portão do lado de fora, abaixo de uma sombra. – E eu pensei em deixar nosso passeio ao acaso. Bom, não tão ao acaso. Acontece que eu não tenho muito dinheiro, afinal, se tivesse, não usaria um celular desses. Então... infelizmente, não dá pra fazer um passeio que envolva muitas compras, Viiii... ola. E já que você não conhece Cerise, melhor pegar um transporte que pare em muitos lugares, para vermos lugares interessantes para visitar.
Fez um sinal com o indicador na testa, atestando sua própria inteligência. E sem que Viola percebesse, ela já estava no ponto de ônibus mesmo, e o ônibus já subia a ladeira. Sasha fez o sinal para que ele parasse.
- Passa pela frente. Eu tenho uma entrada especial. Senta na cadeira do lado do espaço grande com um cinto de seguranças. – falou, indicando a loira que fosse entrar e pagar pela entrada enquanto esperava o motorista abrir a porta acessível, ouvindo todo o usual escândalo de sons da mesma. – E aí, Jerome? Muito difícil o trânsito hoje? – perguntou, dando um oi amigável para o motorista de sempre.
Viola
Viola não teve como responder depois que ele lhe explicou o motivo das luvas. Só sentiu o rosto corar leve com o constrangimento de perguntar algo que devia ser tão óbvio. Mas também não era como se precisasse saber daquilo já que nunca o tinha visto de luvas em Limoges-Collet - obviamente em Limoges ele dispensava as luvas para trabalhar no laboratório de química.
- Você não tem charme. - ela ainda se resignou a responder, ouvindo a explicação que parecia ainda mais absurda para pegarem o ônibus. - Se você conhece os tais lugares legais, porque é que vai deixar ao acaso? E podemos deixar ao acaso de táxi!
Não teve como protestar muito, depois de longas passadas, eles estavam na parada de ônibus e logo Sasha fez um sinal para que o veículo parasse. Viola ainda olhou para as portas dianteiras abertas, pensando que já tinha visto muitos ônibus, certamente não tinha andado num. Ainda fungou em protesto e subiu no ônibus, sem ao menos tirar os óculos escuros, para ter a passagem impedida por uma catraca. Ela observou a catraca e o local que Sasha tinha dito para ela ficar, mas provavelmente ficou quieta por tempo suficiente para que o cobrador lhe chamasse a atenção.
- Não vai passar, moça? Cadê o cartão?
- Ah... - ela remexeu na bolsa pequena e tirou um cartão de crédito para estender para o cobrador, que não fez mais do que olhar do cartão para a loira, como se esperasse ela perceber que tinha puxado o cartão errado da bolsa, o que não aconteceu. Ao contrário, ela só insistiu no cartão de crédito. - O que está esperando?
- Tá tirando com a minha cara, menina?
Sasha
Viola ainda não tinha entendido que deixar ao acaso significava não ter um destino certo, o que geralmente era uma exigência quando se pensava em um táxi. Porém não teve que se explicar muito quando o ônibus chegou e Sasha deixou ela ir na frente, já que tinha que subir pela entrada lateral. Encaixou a cadeira na plataforma e esperou ser erguido, então dando uma ré para presenciar a cena de Viola com o cartão de crédito e rapidamente fingiu um espirro para não rir na cara dela.
- AHAH—ATCHUM!!! – cobriu a mão com a cara fingindo limpar a boca e o nariz para ter tempo de voltar a ficar sério. Então se aproximou da catraca, tirando do bolso uma nota. – Aqui. Minha amiga é do exterior. Lá no país dela passa cartão de crédito no ônibus. Esqueci de avisar que aqui é só dinheiro.
O cobrador franziu a testa, achando aquela mentira muito mal contada, mas a garota era uma supermodelo ou algo do tipo, então, até podia ser verdade.
- Empurra pra passar. – Sasha indicou a garota, então dando espaço para ela girar a catraca e então retornando a cadeira para onde deveria estar antes que o ônibus saísse e ele saísse rolando de um lado pro outro. Se Viola não sabia passar em uma catraca, certamente não saberia lhe ajudar a voltar para a cadeira. – Senta aqui, Viola. – travou a cadeira e prendeu o cinto, indicando o local ao seu lado. – Pode ir, Jerome! Tô preso!
O motorista então saiu com o carro, e Sasha apontou a paisagem das montanhas na descida de St. Clavier. Viola podia falar o que quisesse do ônibus, mas o lugar era bem bonito.
Viola
Viola sentiu o rosto inchar de constrangimento com o comentário do cobrador muito mal-educado. O vermelho ficou tão notável ainda mais em contraste com os cabelos claros e a roupa clara. E antes que pudesse pensar em alguma resposta, ouviu o espirro exagerado de Sasha e a aproximação dele para pagar a passagem com dinheiro.
Ela fechou a cara numa careta de desagrado e procurou ainda onde segurar naquela catraca para empurrar e passar. Mas fez como Sasha tinha dito e se sentou onde ele tinha indicado, ainda parecendo muito desconfortável no assent pequeno e duro, além das pernas longas no short curto ficarem ainda mais chamativas para o resto dos passageiros no ônibus. Ela precisou inclinar as pernas para o lado para que os joelhos não ficassem altos a ponto do short subir.
- Eu disse para irmos de táxi! E por que ele me pediu cartão se aceitava dinheiro?! E eu não venho de país nenhum pegando ônibus. - ela reclamou, o rosto ainda vermelho pela vergonha de não saber exatamente como lidar com aquelas situações tão ordinárias. Mas ainda olhou pelo canto do olho para Sasha, especialmente quando o ônibus seguiu o trajeto longo até a cidade. - Tem certeza que isso é seguro? - ela apontou para a cadeira de rodas que ele tinha prendido de algum jeito.
Sasha
Sasha ouviu a reclamação assim que Viola chegou, notando que as roupas dela não eram exatamente apropriadas para uma volta de ônibus. As pernas dela bem chamavam a atenção.
- Eu tava tentando disfarçar essa bola fora, mas de nada adianta se você ficar me desmentindo no ônibus na frente de todo mundo que viu, né? – comentou mais baixo do que a loira estava reclamando, aproveitando para provocá-la mais ainda. Só em seguida notou que ela tinha alguma preocupação com a cadeira, olhando ao redor para ver se estava presa. – Ah, não se preocupa. Estou seguro sim. As rodas estão travadas, e tem esse cinto aqui.
Olhou então ao redor no ônibus, pensando que teria que ter algum plano para onde irem em Cerise. O ônibus cobria todas as partes seguras da cidade por onde levar Viola, mas que ao mesmo tempo eram seguras para seu bolso. Só teria que lidar com lugares sem muita acessibilidade, mas nada que um estranho não pudesse ajudar.
- Então, estou planejando onde vamos. Mas já que você é muito melhor julgando gente bonita que eu... dá uma olhada no ônibus e me diz qual pessoa você acha mais interessante. – Sasha comentou, dando uma olhada ao redor. – Ah, mas não vale olhar pra mim. Sei que sou lindo, mas nesse jogo sou café com leite.
Viola
Viola só rodou os olhos por trás do óculos escuro. Ao menos as lentes escuras impediam que os outros confirmassem que estava olhando constantemente de um para outro dentro do ônibus, sob aqueles olhares curiosos que estava aprendendo a confiar que não eram só porque as pessoas saberiam, magicamente, que seus cabelos eram falsos. Ela só voltou a olhar Sasha de cima abaixo com a cadeira “presa”, como ele tinha reforçado.
- Isso não parece travado, nem seguro. E se você se soltar no meio do caminho, eu que não vou tentar segurar. - a loira reforçou, mas pelo visto ela que precisava se segurar nos ferros ao lado com o balanço do ônibus que só fazia com que movesse as pernas de um lado para outro.
Ela parecia precisar fazer muito mais esforço para se manter segura à cadeira no ônibus do que Sasha, e em meio a todas as reclamações mentais sobre precisar estar naquele ônibus desconfortável ao invés de conseguir um táxi, Sasha ainda sugeriu que procurasse alguém interessante no ônibus.
- Hunf, só pode estar brincando. - ela deu uma risada scarcástica. - Eu não vou achar ninguém interessante aqui dentro. Fora eu, claro.
Ainda assim, embora não fosse achar alguém “bonito” lá dentro, foi fácil para que a loira percebesse que só uma pessoa não tinha lhe lançado um longo olhar curioso depois da vergonha no ônibus.
Sasha
Sasha esperava que Viola fosse mais como uma criança e que acabasse se divertindo no passeio de ônibus com todos os sacodes e saltos, feito um parque de diversões. Porém não foi o caso. Devia ter mais noção de que ela era bem cheia de dedos. Só esperava que descessem em um lugar com acessibilidade, ou teria complicações caso pedisse para ela lhe empurrar.
Encostou o cotovelo na cadeira e o rosto na mão, e então, encarou Viola enquanto ela dava um discurso sobre como era fabulosa e todos os outros mortais não eram. Sorriu com o canto dos lábios, achando que era melhor do que a atitude derrotista na qual a pegou em Limoges-Collet, mas não deixou de notar que ela parou o olhar sobre uma pessoa em particular que não estava dando bola para a dupla estranha na parte acessível do ônibus.
- Oh, essa? Eu julguei que você tinha um gosto melhor. Teria escolhido o gatinho ouvindo música no fone três bancos atrás, mas... – Sasha comentou, notando que estavam mudando de bairro em breve. – Presta atenção. Estamos de tocaia nesse cara... a hora que ele puxar a cordinha é sinal de que ele vai descer. Nós vamos descer no mesmo lugar. A gente pode começar o tour dali.
Viola
Viola rodou os olhos, ainda precisando se segurar nos suportes para que não acabasse deslizando pelo banco sem cinto de segurança. Além do que, precisava manter as pernas inclinadas para os lados para evitar que a roupa subisse demais com as pernas longas.
- Eu não escolhi ninguém. - ela franziu o cenho por trás dos óculos escuros, olhando para a pessoa que Sasha tinha indicado e depois voltando o olhar para o cadeirante, com uma expressão um tanto descrente por ele ter especificado a pessoa como o "gatinho" ouvindo música. Até pensou em abrir a boca e perguntar dos gostos peculiares do outro, mas só sentiu o rosto corar com a ideia da conversa e deixou estar.
Mas logo Sasha terminou de explicar o que fariam para escolher a primeira parada. Aquela não parecia a ideia de quem sabia exatamente o que fazer na cidade.
- Estamos de “tocaia”? Essa é a sua ideia brilhante de passeio em Cerise? Depois que descermos, vamos pegar um táxi para um lugar decente, isso sim. - ela rodou os olhos de novo, tentando manter o tom mais baixo que era abafado pelo barulho do ônibus para que todos os outros não ouvissem aquelas ideias estúpidas trocadas entre os dois.
Antes que pudesse perceber, o ônibus já tinha descido a ladeira para seguir direto até o centro da cidade, que era o pouco que Viola conhecia de vista por ser nos arredores de Limoges-Collet. Mas o ônibus passou algumas paradas conhecidas e só quando estava seguindo um pouco mais além do centro foi que o tal homem resolveu se levantar para descer na próxima parada.
Sasha
Observou o homem que se preparava para descer. Já estavam um pouco mais distantes do centro, entrando em Pourpre. Era o lugar perfeito mesmo, já que tinham muitos monumentos bonitos e não era exatamente o passeio mais caro da cidade. Até Viola deveria achar o que fazer ali. Esticou a mão até o botão acessível e pediu para o ônibus parar.
- Mas esse é o lugar perfeito! – Sasha comentou com um sorriso largo no rosto. O ônibus parou, e ele calmamente explicou a Viola o procedimento para descer pela parte de trás do veículo enquanto ela deveria lhe esperar ter a cadeira removida do ônibus. – Agora você vai andar até lá trás, puxar a cordinha, esperar a porta abrir e descer devagar, viu? Se não funcionar, dê duas batidas delicadas na porta e peça “abra aqui, doutor!”.
Não demorou muito para que ambos estivessem na calçada novamente, e Sasha averiguou nos arredores o que poderiam visitar primeiro. Já tinha se divertido muito em Pourpre, especialmente atrapalhando as pessoas em seus empregos de vigia. Quase todos o conheciam pelo nome uns anos atrás.
- Viola, bem vindo a Pourpre. É um bairro histórico de Cerise. Tem muitas estátuas, museu e é relativamente bem preservado. É um bom lugar para começar a conhecer a história da cidade. – comentou, abrindo os braços para mostrar a grandeza do lugar – Ah, e fique de olho na sua bolsa. Antigamente a brincadeira dos moleques locais eram no máximo dar um susto nas pessoas desavisadas, agora as brincadeiras são mais sérias. Se pegarem, eu mesmo não posso correr atrás de ninguém. – comentou, pensando que locais de Cerise seriam bons para visitar com alguém enjoado como Viola. – Mas sabe... se pegarem sua bolsa, ao menos vai ter do que guardar lembrança.
Apontou para que continuassem adiante, passando por alguns pontos interessantes no caminho.
- Ahh! É verdade. Você já foi em algum museu, Viola? Mesmo fora de Cerise? Uma biblioteca pública? Viu alguma estátua de perto? É bom perguntar, já que cê nunca tinha andado de ônibus.
Viola
Viola suspirou longamente enquanto o ônibus seguia pela cidade por áreas que ela só tinha visto de dentro de um carro. E o máximo que conhecia de caminho era de Limoges até o Shopping e de volta para os dormitórios. Ela já tinha até esquecido o homem que estavam de "tocaia", mas quando ele se levantou para descer, Sasha pareceu mais alarmado, gostando do lugar, além de lhe dar instruções de como descer do ônibus.
- Eu não sou uma criança. - ela retrucou, fungando, seguindo para o fundo do ônibus quando o mesmo parou para poder descer. Certo que ela não ia falar nada para que o motorista abrisse a porta, mas ainda bem que ele o fez ou ficaria no ônibus até a próxima parada.
Desceu antes de Sasha, claro, e quando ele estava na calçada ao seu lado, foi que começou a andar, de novo, com os olhares curiosos em suas pernas de uns estranhos aqui e ali. Foi quando Sasha começou a narrar o lugar e ainda lhe dar o conselho de que era melhor ficar de olho na bolsa ou seria roubada, o que colocou uma expressão mais alarmada no rosto da loira por trás do óculos.
- Está falando sério? Por que é que estamos aqui então?! Vamos procurar uma parada de táxi e ir para outro lugar! - ela insistiu, segurando a bolsa mais próximo do corpo. Não era como se ela fosse uma pessoa muito discreta nem tentando. - Não, não e não. Mas claro que já vi estátuas de perto, tem no meu jardim. - ela respondeu às perguntas de Sasha, mais atenta aos arredores enquanto segurava a bolsa com força. - Desde que eu me entendo por gente minha mãe me treinou para concursos de beleza. Eu não tive tempo para sair por aí passeando e visitando museus. Pra que eu ia ver coisas velhas?
Sasha
Sasha abriu um sorriso largo com o alarme de Viola quando falou sobre os assaltos. Não era como se fossem super comuns em Cerise, especialmente naquela área. Viola teria mesmo ter que ter muito azar para ter uma experiência tão ruim assim andando de dia naquele bairro. E como não era de se surpreender, ela também nem experiência de ter visto museus e estátuas tinha. Era uma figura engraçada.
- As estátuas daqui são bem maiores que as do seu jardim, pode crer. Aliás, imagino que você devia ter uns flamingos pra combinar com os metros de perna lindos que você tem. – riu, assobiando para as pernas longas de Viola que caminhava ao seu lado enquanto passavam pelo bairro. – Olha, tesouros são coisas velhas. Mas valem muito. – explicou, pensando em um lugar ideal para levar a loira. – Aliás...
Então Sasha olhou para a esquerda, no lugar onde ficava a entrada de uma pequena praça.
- Ah, um ladrão!! – exclamou, apontando para o parque. – Ali, um exemplo fino de ladrão... ou dizem que é lorota, mas depende do livro de história que quiser acreditar. – falou, então apontando para uma estátua de um homem bem vestido muito maior que uma pessoa de verdade, de pé no parque. – Aquele monsieur ali é Calvino Tomaselle, o segundo prefeito de Cerise e o verdadeiro divulgador do nosso famoso festival das luzes. Em tempos ancestrais, ele fez uma campanha para que as pessoas pendurassem espelhos e coisas brilhantes no bosque para representar os vagalumes, que sumiram da cidade. Mas dizem as más línguas que ele era cleptomaníaco, inclusive morreu no hospício ainda bem jovem. Dentro de sua casa, encontraram incontáveis anéis e espelhos de mão furtados do dia do festival. – comentou, orgulhoso de si mesmo. – Ah, eu disse que era bom em história, não disse?
Sasha fez um desvio pela pracinha, entrando em um beco esquisito e escuro sem perguntar a Viola. Então saiu do outro lado, de frente a uma lojinha que parecia cheia de cacarecos na entrada, mas que era enorme por dentro.
- Aqui! O lugar perfeito pra começarmos. Porque é museu, tem estátua e história. Viola, bem vinda ao melhor brechó da cidade. – falou, empurrando a cadeira para dentro da loja e tentando se espremer nos corredores de roupas. – Você não está feliz que guardou dinheiro? Pode comprar todas as roupas que quiser aqui. – falou, pegando um chapéu de sol roxo e colocando na cabeça por cima do boné.
Viola
- Não tinha nada de flamingo. E pare de ficar olhando para minhas pernas. - Viola retrucou, ajustando o óculos no rosto enquanto acompanhava o ritmo de Sasha, o que era bem equiparado com suas passadas de salto alto.
Mas mal deu cinco passos, ouviu o alarde de Sasha sobre um ladrão e segurou a bolsa com mais energia, olhando para o lugar que ele tinha indicado, assustada com a possibilidade de serem mesmo assaltados até assimilar que ele estava falando da estátua no parque e sobre a pessoa que tinha sido representada ali. Sentiu o rosto queimar de irritação com o alarme dele e bufou, ignorando quase toda a explicação de história ao levantar a bolsa e bater no topo da cabeça de boné dele.
- Seu idiota! Não me assuste desse jeito! Como é que você grita uma coisa dessas logo depois de me dizer pra tomar cuidado com a minha bolsa! - ela reclamou, retomando a postura e seguindo pela viela esquisita sem nem ligar, bufando irritada pela atitude surpresa do outro.
Mas nem teve tempo de assimilar o atalho estranho, andando até o outro lado e chegando no que parecia uma galeria com lojinhas bem pobres para o que estava acostumada. E nem foi surpresa quando Sasha anunciou o local como um brechó, que só sabia o que era em teoria.
- Eu não vou comprar roupas aqui. Minhas roupas são todas de marca, lançamentos de coleções importantes, ninguém vai me ver usando roupas usadas. - ela disse, olhando para os itens pendurados como se fosse se contaminar com eles, voltando a atenção para Sasha que tinha colocado um chapéu de sol roxo. - Você, por outro lado, podia é se beneficiar de umas roupas decentes.
Sasha
A pancada da bolsa de Viola até doeria – quer dizer, tinha doído – mas Sasha estava acostumado a lidar com mulheres que não tinham delicadeza ou dedos para lhe dar tapas de provocações merecidas. No máximo, a pancada tinha lhe feito é rir. Claro que sua chamada de atenção tinha sido proposital, e esperava mesmo que ela ficasse super brava. Só não esperava que ela estivesse distraída o suficiente para não ver o caminho ainda mais esquisito pelo qual estavam indo.
Quando chegaram no brechó, esperava que Viola continuasse reclamando. Ela não era o tipo de garota que compraria ali, mas bem sabia que brechós grandes como aquele recebiam uma ou outra roupas de marcas famosas largadas por donos que desvalorizavam os itens de luxo. Mas se ela preferia olhar com desgosto para tudo aquilo, não podia culpá-la.
Levantou a aba do chapéu roxo que estava utilizando e olhou para a loira quando ela falou que ele poderia se beneficiar daquelas roupas.
- Ah, olha só! Você reclamou do meu moletom e camiseta, então porque não procura alguma coisa para mim? Não tenho problemas em confiar no seu senso de moda. Aproveite pra vestir seu date nas suas roupas ideais! – Sasha comentou, então levantando do colo um par de bonés de cores duvidosas – Mas duvido que você acharia duas belezinhas dessas com tanta facilidade.
Viola
Todo o olhar da loira para as roupas que estavam estendidas e penduradas na loja era de desgosto. Ela até manteve os braços bem cruzados enquanto olhava de um para outro, suspirando longamente com a escolha de Sasha sobre onde iriam passear. E só voltou a atenção para o moreno quando ele ainda deu a ideia idiota de que se não ia comprar nada para si mesma, podia arrumar roupas para ele.
- Humpf, até parece que você teria salvação. E você não é meu "date"... - ela retrucou, lançando um olhar para algumas peças agora masculinas, já que ele tinha dado aquela sugestão impensável. Até voltou a encará-lo de cima abaixo, levantando o óculos para apoiá-lo na cabeça e pensando que, já que estava ali, poderia apenas aproveitar a distração. - Bom, até que não é uma péssima ideia... você está mesmo precisando de umas roupas decentes para andar perto de mim.
Viola deu alguns passos adiante de Sasha pelos corredores da loja até onde havia algumas roupas masculinas. Pegou camisas sociais, algumas que pareciam ser de marca, mas de segunda mão, e até pegou um par de calça antes de perceber que não seria inteligente para que ele tentasse provar calças - e já tinha cometido uma bela gafe comentando sobre as luvas bregas. Inclusive, depois de passar pelas calças e bermudas rejeitadas, ficando apenas com as camisas, ainda avistou alguns pares de luvas usadas que olhou duas vezes, pensando se seria inteligente oferecê-las também ao outro ou não.
- Aqui, pode provar esses juntos, e essa daqui separado. Não misture as estampas, nem listras e xadrez, e se livre desse boné e nem pense em pegar mais chapéus no caminho. - ela tinha jogado pelo menos oito peças entre camisas de mangas longas, curtas, de botões, jaquetas e casacos no colo do outro. - Pode levar todas essas. - ela falou como se estivesse bem certa de que todas ficariam bem, sem ao menos precisar provar.
Sasha
A medida que Viola negava sua sugestão, notou os olhinhos dela divagando pelas roupas masculinas como se já estivesse escolhendo. Até notou aquele olhar de cima a baixo, e cobriu o corpo com as mãos, se sentindo medido e pesado por aquela olhada longa.
Arqueou a sobrancelha quando ela falou que precisava mesmo de roupas melhores para andar perto dela, e acompanhou a loira com o olhar enquanto ela colhia as roupas das araras com a precisão de uma personal stylist profissional. Notou que ela deixou o par de calças para trás, o que lhe arrancou um sorriso. Pelo menos Viola podia prestar atenção em alguns detalhes. E ainda bem que ela não tinha escolhido as bermudas, porque suas pernas finas iriam ficar bem sem graça nelas.
Pegou as roupas, empilhou no colo e foi em direção ao provador, que nada passava de uma cortina.
- Eu não vou me livrar do boné! Tem um monte de roupas que combinam aqui! - Sasha falou, apontando algumas das camisas. Então, quando foi entrar no provador, tentou puxar a cortina algumas vezes, tendo dificuldades para fechar, já que os ilhóses da cortina enganchavam no caminho. Sasha franziu a testa. - Fique de costas, a não ser que queira admirar meu corpinho lindo. - Sasha falou, fingindo falsa modéstia. Tirou o boné e pendurou na própria cadeira antes de tirar as luvas e a camiseta, tentando por o primeiro par de vestimentas que Viola tinha falado. - Hmmmmm... hm. - Sasha olhou para a própria imagem no espelho com aquelas peças de roupa bem arrumadas, e colocou a jaqueta por cima. - Hmm. Hmm... hm! - coçou o queixo e então, pegou de volta o boné e colocou na cabeça. - Pronto! Perfeito! Tem muito bom gosto, Viola!
Viola
Viola ainda deu uma olhada nas peças ao redor enquanto Sasha ia até o provador e andou até perto do lugar, rodando os olhos para o comentário dele de que tinha muitas roupas que combinavam com os bonés. Demorou ainda alguns instantes para perceber que ele não conseguia puxar a cortina para fechar o provador, e só com a sugestão de que ela queria aproveitar o "corpinho lindo", sentiu o rosto ruborizar e bufou em resposta.
- Hnf, a única coisa aí pra admirar são as roupas decentes que eu escolhi. - ela fez questão de apontar, dando a volta para olhar de novo as luvas, cachecóis, peças e acessórios de inverno e os bonés usados também. Ainda se surpreendeu por achar alguns bonés de marcas conhecidas e acabou pegando um preto Alexander McQueen. Colocou dois pares de luvas diferentes lá dentro também, embora uma delas fosse de inverno, então com todos os dedos.
Foi bem a tempo de ouvir a resposta de Sasha e se virar para achá-lo no provador com as roupas que tinha escolhido. Sorriu satisfeita com o próprio trabalho e se aproximou o suficiente para parar atrás dele e avaliar o visual.
- É claro que eu tenho bom gosto. - ela retrucou, aproveitando a proximidade para tirar o boné que ele tinha colocado de volta e colocar o outro boné com as luvas dentro no colo dele. - Se vai usar um boné, pelo menos use esse. Agora que você está arrumado, vamos para um lugar decente.
Sasha
Viola certamente apreciava aquele negócio de procurar roupas para si, porque tinha colocado tantas que passaria a manhã inteira para provar não fosse tão ágil se trocando. Mas ela certamente não parecia querer abrir mão do boné. Porém, ao invés dela lhe tirar o achado maravilhoso do boné da cabeça de vez, ela veio, e colocou outro no seu colo, que Sasha olhou no espelho e reconheceu imediatamente como um boné de marca, o que lhe fez soltar um “puxa” longo bem baixo.
Não demorou segundos para tirar o que estava em sua cabeça e trocar pelo novo que ela tinha trazido. As luvas pareciam quentes, mas ainda estavam novas e pareciam que resistiriam bem a lhe puxar pelas ruas, além de lhe darem muito mais charme. Até ajeitou a camisa no espelho.
- Nooossa. O papai aqui nunca mais se vestiu tão bem! – se admirou no espelho, mas a verdade é que tinha certeza que nunca tinha estado tão estiloso, nem mesmo quando tentava se arrumar pros encontros com suas antigas namoradas. – Beleza, vou pagar primeiro, que sou pobre, mas não roubo... mais. – brincou, pegando os bonés que tinha escolhido e levando apenas a roupa que estava no couro, indo até o dono da loja para pagar. Aproveitou para pegar outras coisas no caminho, e distribuiu tudo no bolso ou na mochila que tinha na cadeira.
– Então, Vi, agora que estamos os dois lindos graças a você, quer fazer a fina no museu? Tem um perto daqui, é de graça, e tem umas pinturas bonitinhas. Bonitinhas porque lindos somos só nós dois. – deu uma piscada irreverente.
Seguiu no caminho para o museu de todo modo, chamando a loira para lhe acompanhar.

