[Drive] Gerenciamento de Crise [Aleksei; Dieter; Vivien]
#1
Aleksei

A última semana de Aleksei tinha sido complicada e tranquila ao mesmo tempo, mas certamente superava todo o mês que tinha passado em constante alerta e quase paranoia com a circulação de Kyle em Cerise, até ele ser morto por um dos policiais depois de ter feito muito mal a muitas pessoas inocentes. Daquela vez, ele tinha até visto o corpo dele para ter certeza que estava morto e não seria mais atormentado.

A sua vida estava voltando ao normal porque não precisava se preocupar com o homem, nem com o trabalho em St. Clavier. No momento imediato após a morte de Kyle, ele tinha ido até Vivien e os dois também tinham finalmente se entendido, além de descobrir que Vivien já não estava mais casado. Estava agora morando no apartamento do moreno, considerando que não tinha a menor vontade de voltar para a sua casa onde tinha vivido todo o estresse completamente sozinho. No sábado e no domingo que seguiram à morte e Kyle com as notícias em todos os noticiários e a sua cara lá também, inclusive, por ter sido o alvo principal do psicopata, ele teve mais alguns estresses por ter que lidar com os depoimentos na delegacia, mas era tudo vantagem, comparado ao que tinha passado e estava bem em fazer aquilo.

No dia imediatamente após a morte de Kyle, também recebeu mais ligações do que esperava, de pessoas querendo saber como estava, onde ele foi obrigado a repetir muitas coisas da sua situação para deixar os outros menos preocupados. E ele dispensou qualquer visita naqueles primeiros momentos em que ainda estava voltando ao próprio ritmo de vida, principalmente porque estivera tomando medicamentos muito fortes no último mês e tinha que lidar com aquilo primeiro. Não lidou com a situação do modo mais inteligente, mas ao menos aquilo tinha lhe rendido uma longa conversa com Vivien para explicar que não estava bem, que precisava de tratamento, e até decidirem se mudar definitivamente para Paris. Até lá, estava de volta aos medicamentos muito pesados e que já tinham causado uma dependência leve naquele mês breve, mas ao menos a mente estava mais tranquila.

Já era quinta-feira e quase uma semana desde a morte de Kyle, Aleksei já podia perceber, em si mesmo, ao menos uma estabilização nos ânimos, comparado ao estresse que tivera no último mês. E ao menos as últimas noites tinham sido um pouco mais tranquilas, mesmo que à base de medicamentos. Naquele mesmo dia, ele trocou mensagens de novo com Dieter e esperou pela visita do amigo de trabalho ainda no apartamento de Vivien, este que tinha saído para resolver coisas em relação a St. Clavier antes de poderem se mudar para Paris definitivamente.

Dieter

Nenhum roteiro de filme ou seriado de ficção seria tão cheio de altos e baixos quanto a própria vida real, nada superaria a sequência de acontecimentos que envolveram as últimas semanas, o jornal, e toda academia masculina. Tinha mexido seus pauzinhos agindo aqui e ali, mas sem tentar atrapalhar demais o trabalho da polícia, mas apenas o suficiente para se sentir minimamente útil. Era fato que enquanto tinha a chance de se manter próximo ao amigo psicólogo, tinha feito, mas a medida que o cerco foi sendo fechado, foi percebendo que mesmo a sua presença ali tinha pouco efeito para tentar acalmar o grego. Depois de levar algumas boas broncas de Fleur por saber sobre tudo aquilo, mas ter escolhido não dividir aquilo especificamente com ela, lá estava o professor de biologia fazendo caminho para o distrito de condomínios ricos, onde já tinha sido convidado a ir em outra ocasião, mas que agora a única coisa que permeava sua mente era preocupação com Aleksei.

Fez o caminho conhecido que sua boa memória não lhe deixava esquecer, foi liberado pelo porteiro depois de se identificar e mostrar documentos, aparentemente a entrada tinha ficado mais rigorosa depois dos acontecidos, nada mais justo. Sua chegada já tinha sido anunciada, e quando finalmente estava a porta foi que percebeu que provavelmente estava sustentando uma expressão muito séria, e muito provavelmente a última coisa que o grego precisava era receber mais tensão. Respirou fundo antes de apertar a campainha da porta, mantendo um ar mais leve na medida do que era possível.

Levava consigo os medicamentos que tinha conseguido com sua amiga de hospital, imaginava que em algum momento o outro precisasse diminuir aqueles fármacos, mas aquele momento não era agora.

Aleksei

Considerando que estava sozinho no apartamento de Vivien, Aleksei ouviu o chamado do interfone e a informação do porteiro sobre a chegada de Dieter. Ele só concordou brevemente e esperou que o outro chegasse ao andar do apartamento, para ouvir a campainha e ir até a porta para atendê-lo. Aleksei estava com as roupas bem mais casuais, com uma calça de linho, uma camisa de gola alta e mangas, de tecido leve, e com os pés descalços, o que era uma sensação nostálgica do tempo que tinha vivido no Japão e que em muito era contribuída pelo piso de madeira do apartamento de Vivien.

Não estava na melhor das aparências ainda, mas ao menos o rosto tinha mais cor e as olheiras eram menos gritantes do que uma semana atrás. Ainda estava abaixo do peso, mas era só o esperado com a alimentação errática e os medicamentos que tomava. Ele ainda parou para conferir pelo olho mágico se era mesmo Dieter, e só o ato de ir abrir a porta lhe trouxe um nervosismo breve e apenas esperado, como se Kyle ainda pudesse aparecer para lhe atormentar. Ficou mais tranquilo só depois que abriu a porta e deu espaço para que o outro passasse.

- Espero que já tenha almoçado, eu não sou um cozinheiro muito bom. - Aleksei cumprimentou o outro, tentando manter o ânimo, dando espaço para que ele passasse. - Obrigado por vir, Dieter.

Dieter

Não demorou tanto para que a porta abrisse e se deparasse com um Aleksei bem casual, ainda notoriamente cansado, mas não tão desgraçado quanto imaginava que ele ainda pudesse estar, no fim das contas muito provavelmente a realização de que Kyle tinha morrido ainda estava sendo absorvida, e não tinha como culpar o amigo diante de todo o histórico conturbado daquela situação. Sorriu amistoso, não de forma exagerada como faria na academia masculina, mas ainda assim animado:

-- Você está até com uma cara boa, no fim das contas até que a companhia de Vivien está lhe fazendo bem, não é mesmo? -- fez caminho entrando no apartamento e deixando os sapatos na entrada para não sujar o interior do local, considerando que o loiro estava descalço:

-- Espero então que esteja sendo bem alimentado já que não dá pra elogiar seus dotes culinários, você está conseguindo se alimentar direito pelo menos? -- O australiano pontuou, ainda mantendo o timbre de voz mais suave, muito embora houvesse um ar de preocupação que em dias normais o outro perceberia mas dado ao estado fragilizado em que ele se encontrava aquela seria uma informação não captada. Esperou que ele lhe indicasse onde se acomodar antes de perguntar qualquer outra coisa da situação.

Deixou apenas a bolsa de lado, onde estavam os medicamentos, falaria deles depois, primeiro queria saber qual era o estado do outro, e como estava esse processo de adaptação com o fato de não haver mais perseguição.

Aleksei

Aleksei deu espaço para que Dieter entrasse e fechou a porta atrás dele. Indicou o caminho adiante para que seguissem até a sala de estar, onde podiam sentar e conversar mais tranquilamente, e tentou até forçar um sorriso para o comentário dele de que a vida com Vivien estava lhe fazendo bem.

- Muito melhor do que eu mereço. - Aleksei respondeu sobre o fato da companhia do francês estar lhe beneficiando. - E o Vivi é muito bom na cozinha, então, estou sendo bem alimentado, ao menos na medida do possível. - nem precisava adicionar para Dieter o detalhe de que muito do que ele comia nos últimos tempos, colocava para fora.

Eles chegaram à sala e Aleksei se sentou numa das poltronas, deixando o sofá grande para que Dieter se acomodasse também, evitando uma proximidade exagerada. Diferente de todos os encontros que estava acostumado com Dieter, não tinha capacidade de ler absolutamente nada do outro, e nem estava tentando, só queria recuperar a própria mente primeiro antes de qualquer conversa elaborada e o pensamento lhe fez rir um pouco.

- Vai ter que me desculpar pela conversa simples, não estou com cabeça para conversar em códigos ou decifrá-los hoje. - ele comentou, numa tentativa de deixar o ar um pouco mais descontraído. - Mas… considerando o que passei no último mês e como me adaptei na última semana, eu acho que estou me saindo bem. Fora uma falha drástica no fim de semana em que eu deixei de tomar os remédios e tive sintomas fortes de abstinência até quase matar o Vivi do coração. Eu voltei a tomar os remédios, por isso estou um pouco mais lento também.

Dieter

O fato de Aleksei rir sem um motivo aparente, só antecipava que ele acrescentaria algum comentário sobre o que estava pensando, e ela logo veio, não estava surpreso que o loiro fosse evitar conversas complicadas e desafios, afinal eles não faziam sentido se o outro não estivesse plenamente bem para que fosse um desafio real:

-- Não se preocupe com isso, eu certamente não fico ressentido com isso, vamos ter tempo posteriormente para conversas e desdobramentos malucos acerca desse nosso mundo. -- Riu sem se levar a sério, e só então puxou a bolsa que carregava consigo, repousando a mão sobre a mesma: -- Trouxe sua medicação, na mesma quantidade de antes, porque eu imaginei que você não iria conseguir reduzir os fármacos ainda essa semana, mas se me permite o comentário, depois de mais dez dias, você vai precisar começar a reduzir a dosagem progressivamente, posso fazer o acompanhamento se não quiser ir a algum médico específico. -- alertou aquele ponto, porque já que se considerava um amigo para o outro, nada mais justo que alertasse sobre aquela prática, embora não estivesse julgando o outro, e isso ficava claro no fato de que tinha oferecido ajuda logo em seguida: -- E eu imagino que não queria falar dos acidentes, além do que já comentou, e tudo bem sobre isso também, eu me contento em saber que foi tudo contornado, e espero que Vivien esteja aproveitando o fato de poder se preocupar e agir diretamente, já que ele foi impedido por tanto tempo de fazê-lo, agora ele tem de aproveitar e cuidar de você adequadamente.

Tirou de dentro da bolsa, uma caixa que dentro dela continha os vários frascos pequenos, com os medicamentos do outro, deixou sobre a mesa de centro. E a forma como falava de Vivien apenas reforçava as expectativas do australiano de que eles estivessem se cuidando mutuamente, afinal, embora estivesse muito longe de ser amigo do francês, não negava a preocupação dele com o bem estar de Aleksei em todo esse processo, e as situações em que o ex-diretor de St. Clavier teve de abrir mão da proximidade com o grego em prol do andamento dos acontecimentos.

Aleksei

Dieter só concordou com o seu comentário sobre não terem que falar em códigos e, no momento seguinte, ele tirou da bolsa algumas das medicações que Aleksei tinha conseguido no último mês para conseguir continuar a vida o mais normal possível. Não tinha acesso a um psiquiatra ou psicólogo no meio tempo, se tivesse, seria mais um alvo para Kyle, então o irônico contrabando com Dieter tinha sido bem útil. Ele nem se preocupou em se inclinar para pegar os remédios ou conferir os dados, mas sorriu para a sugestão dele de acompanhar seu caso e para diminuir as dosagens progressivamente.

- Bom, antes de tudo, obrigado por trazer os medicamentos, eu estava ficando sem. - Aleksei agradeceu. - Agora, por partes, porque, como eu disse, estou mais lento. - ele deu um sorriso breve, passando os dedos pelo queixo e apoiando o cotovelo no braço da poltrona para apoiar o queixo na mão. - Primeiro, eu não quero que faça meu acompanhamento com as medicações, porque preciso de você como um amigo e não como um médico, Dieter, então pode deixar a parte técnica de lado. Eu estou muito bem com o Vivi agora, nós conversamos no começo da semana e eu expliquei a ele a situação da qual ele não estava muito a par, do tanto de medicamentos que precisei tomar para passar pelo mês. Na verdade, eu cometi um erro bem estúpido para alguém da minha área, e quando cheguei aqui no sábado, estava tão tomado pela atmosfera de que o Kyle estava morto, que eu não tomei os remédios pelos próximos dois dias. Eu voltei a tomá-los regularmente na segunda, e conversei com o Vivi para irmos para Paris. Eu não quero continuar morando em Cerise e não há profissionais aqui que eu confie para iniciar um tratamento que eu sei que vai ser longo, então, estamos organizando as coisas e devemos nos mudar para lá esse fim de semana. Eu já tenho alguns contatos de conhecidos, e já marquei consultas para o início da semana que vem, então, obrigado pela preocupação.

Era muito mais fácil para Aleksei explicar as boas consequências que tinham se seguido ao mês de estresse com a perseguição de Kyle. Não queria ter que recordar todos os maus bocados que tinha passado sozinho, mas ainda assim, deixou um suspiro breve escapar para continuar conversando.

- E eu vou ter que falar sobre o que passei no último mês cedo ou tarde. Mas posso lhe adiantar que foi tão difícil quanto parece, e sinceramente, é bom só conseguir dormir um pouco mais e ter alguém do lado para aqueles momentos que eu acordo de um pesadelo. Não é nada como da primeira vez, em que acordei no hospital sozinho… é reconfortante. - Aleksei explicou. - E como meu amigo, eu gostaria que fosse me visitar lá também, sem o tráfico de drogas dessa vez. - ele adicionou com um tom mais jocoso.

Dieter

O lado bom de não estarem fazendo jogos, é que podia aproveitar para conversar com um Aleksei mais direto e por consequência, teria suas dúvidas sanadas sobre o estado do amigo de forma mais clara possível, o que era bem reconfortante. Concordou com um aceno de cabeça quando o outro disse que precisava de sua companhia como um amigo e não como um médico, e sabia que tinha de existir aquelas separações, mas estaria disposto a fazer um esforço extra pelo bem estar do outro, mas era bom saber que não era necessário e que ele já tinha começado a pensar no futuro próximo:

-- bom ouvir que você já um planejamento para os próximos dias e semanas, e eu fico mais tranquilo de não ter de manter meu contrabando de remédios, a cidade já é muito disputada nesta área em específico, não quero me candidatar a nada do gênero. -- Brincou, novamente sem se levar a sério, agora relaxando mais no sofá, cruzando as pernas de forma masculina, enquanto mantinha atenção na imagem do outro e na forma como ele falava:

-- E sim, eu vou ficar muito satisfeito em ir lhe visitar em Paris, mas você já avisou isso pro Vivien? Não sei o quanto ele vai querer ter contato com pessoas de Cerise depois de sair daqui. -- e bem, estava perguntando mantendo ainda o ar de brincadeira, não imaginava que houvesse algum rancor ou inimizade, mas podia supor, que depois de todos esses transtornos que ocorreram em Cerise, o homem certamente demoraria para se acostumar com a ideia de que ainda receberia visitas de um ex-funcionário que era amigo do seu namorado, ou em quantas estivesse o relacionamento dos dois.

Mas a parte mais interessante de toda aquela conversa era perceber que diferente do que podia imaginar, o loiro estava se sentindo realmente acolhido naquele apartamento e pelo atual companheiro, e para quem tinha visto o próprio grego admitir o quanto se sentia sozinho, era realmente “reconfortante” saber que esse sentimento de “solidão” tinha ficado para trás.

Aleksei

Era bom e até tranquilo conversar com Dieter sem ter que ficar se atendo ao que tinha acontecido no último mês, então ficou mais relaxado pelo fato de que a própria postura de Dieter também estava mais relaxada e ele entendia os seus próximos planejamentos para lidar com as crises de pânico nos próximos dias. Ele teve que rir quando Dieter perguntou se já tinha avisado a Vivien sobre a sua visita e possibilidade de ir até Paris.

- Ainda não, mas eu tenho certeza que ele não vai se importar. - Aleksei respondeu. - Além do quê, se ele ficar incomodado, vai ser uma diversão a mais para mim, e vou ser obrigado a lhe pedir para nos visitar com frequência. Eu pago pelas viagens se precisar. - ele comentou, tratando o assunto com mais diversão.

Aleksei ajustou a posição na poltrona e levou a mão até o pescoço, onde estava a cicatriz, mas só fez cobrir o local com a mão, sem coçá-la ou repetir algum dos tiques nervosos que tinha adquirido no período de perseguição.

- Eu já tinha lhe explicado sobre a minha cicatriz antes e sobre como Kyle quase me matou... mas não acredito que cheguei a lhe dizer que o mais assustador daquela época foi acordar sozinho no hospital depois da sensação excruciante de quase morte. - o grego admitiu, a voz falhando por um instante ao comentar e lembrar daquela situação. - Então quando tudo acabou na semana passada, e o Vivi estava aqui por mim... e eu recebi mensagens e ligações no dia seguinte, de você, do Mat, de pessoas que realmente se importam... faz muito tempo que eu não tinha pessoas para se preocuparem tanto comigo, Dieter. Ou que eu pelo menos permitia que se preocupassem... é uma sensação boa, saber que não estou sozinho. Acho que por essa sensação que fui negligente com meus remédios. E por isso também que quero que seja só meu amigo agora, do tipo que reclama porque não estou me cuidando, ou esquecendo de tomar os remédios, ou deixando de contar alguma coisa para o Vivi. Ah, e principalmente que vai concordar comigo que ele foi idiota de ter casado ao invés de ficar comigo desde sempre.

Dieter

A forma mais relaxada com a qual a conversa transcorria, ajudava a aliviar a sensação de urgência que o autraliano vinha carregando em sua mente decorrente de todo o estresse recente vivido pelo amigo. Aquela perspectiva mostrava claramente que com tempo o outro se recuperaria e seguiria com sua vida de forma normal. Riu notoriamente quando Aleksei sugeriu que fosse visita-lo com mais frequência se isso servisse para aborrecer Vivien, e perceber que o loiro já estava planejando suas provocações usuais também era um ponto positivo que indicava melhora.

E embora o outro tivesse lhe dito que estaria menos atento aos jogos e trejeitos, Dieter por sua vez, não estava fazendo o mesmo, estava atento aos tiques, e comportamentos repetitivos que já tinha notado no outro. Não exatamente porque quisesse invadir a privacidade alheia, mas sim por uma necessidade de pequenas confirmações de que o quadro do outro estava melhor, a despeito do pouco tempo que tivera pra se restabelecer depois do choque do fim de semana passado. Mas logo Aleksei tinha começado uma narrativa ampliando a visão que o australiano já tinha sobre todo o caso, e ainda ressaltando pontos que já tinha percebido antes dos traços de personalidade mais reclusos que o grego tinha, mas que a despeito da experiência traumática anterior, a atual tinha se mostrado completamente diferente:

-- Então eu já estou fazendo meu trabalho, afinal assim que cheguei já cobrei se estava se alimentando direito e se estava sendo bem cuidado pelo seu parceiro. -- Dieter riu mais abertamente, mantendo um ar mais suave agora a medida que conversavam: -- E é totalmente óbvio que você sempre foi a melhor escolha de relacionamento, Vivien nunca me enganou que era bissexual quem dirá hétero. -- o australiano gargalhou de forma mais exagerada: -- Mas já se resolveram no estado de relacionamento em que estão? Porque eu fiquei semanas me relacionando com Fleur, até me tocar que não tinha feito um pedido formal de namoro. A pessoa vive o momento e acaba se esquecendo desses detalhes formais que a sociedade contemporânea nos pede.

Aleksei

Aleksei só concordou com um aceno de cabeça breve quando Dieter apontou que já estava se preocupando como um amigo deveria, e era verdade, o que era quase incomum de ouvir com uma pessoa se preocupando com ele daquele jeito que não fosse a distância, como sua ex que morava na Holanda. Ele teve que rir ao concordar com Dieter sobre a má escolha de Vivien de um casamento de conveniência e que não conseguia enganar que era, de fato, gay. Mas foi quase pego de surpresa com a pergunta sobre como os dois tinham definido o relacionamento, principalmente porque não tinha sentido necessidade de colocar rótulos com Vivien numa coisa que parecia tão óbvia até então.

- Pode-se dizer que somos amantes. Parceiros, namorados, como você preferir rotular. - Aleksei respondeu, dando de ombros levemente para o assunto. - O que importa é que eu tenho certeza que estamos juntos. E que ele não vai me deixar de novo... e estou feliz com isso.

Aleksei mudou a postura de novo na cadeira e só então percebeu que os dois tinham ido direto até a sala e nem tinha parado para oferecer alguma coisa a Dieter, mas não era exatamente um bom anfitrião naquele sentido.

- Eu esqueci de oferecer alguma coisa, aceita uma água? Café? Chá? São as únicas coisas que eu garanto que posso fazer e servir. - Aleksei perguntou, levantando-se para já seguir até a cozinha a despeito da resposta. - Mas agora que comentou, como estão as coisas com o seu relacionamento? Estou curioso para conhecer a mulher que lhe fisgou o interesse, Dieter.

Dieter

Novamente para o australiano era bom ouvir as risadas vindas do grego, mesmo que ele aparentasse ainda estar frágil, conseguia ver todos os indicativos de melhorias vindo do amigo. Acenou positivamente concordando com o fato de que os dois não estavam rotulando o relacionamento que tinham, mas que já tinham estabelecido que era sério, e isso bastava para deixá-lo feliz, entendia exatamente a lógica, porque se não fosse uma intervenção externa, ainda estaria naquele relacionamento inominado com Fleur, mas que não queria dizer que não era sério.

Estava tão acostumado a chegar na sala do outro e não ter que exatamente comer ou beber nada, que sequer se atentou ao fato de que o normal francês era receber bebida quente e alguma guloseima de alta culinária. Dieter riu e arrumou o par de lentes de grau no rosto, acompanhando aleksei com o olhar enquanto o homem seguia para a cozinha: -- Chá verde.

Comentou de forma pontual, antes de receber a segunda pergunta sobre como andava eu relacionamento, suspirou e não sabia até onde o outro sabia dos fatos ligados a perda do olho de Arman, e toda a briga que se sucedeu na academia masculina: -- Bem, Fleur é uma mulher exuberante em todos os sentidos da palavra, ela tem um humor que geralmente tem como único objetivo me sacanear, é uma pessoa de personalidade forte, e eu não duvido que vocês dois se dariam muito bem. -- Comentou sem poupar os elogios que a mulher merecia, e apesar do primeiro encontro conturbado já tinham vivido alguns bons altos, e uns baixos muito mais complicados: -- Atualmente estamos namorando, no significado total da palavra, eu a ajudo no que eu posso, e a recíproca é verdadeira.

Não quis entrar diretamente na parte de que diferente de Aleksei, muito provavelmente a mulher nunca mais gostaria de sequer ver Vivien em sua frente, seria bem capaz da mulher espancar o francês, e não tiraria a razão dela de fazê-lo, embora não fosse adepto de violência física como solução de problemas.

Aleksei

Aleksei colocou a água para esquentar na máquina de café, considerando que ele também estava evitando cafeína com as medicações que precisava tomar. Indicou uma das cadeiras à mesa da cozinha para que Dieter se sentasse também enquanto separava duas xícaras para servir os chás em sachês. Ficou apoiado à bancada, para ouvir os elogios bem tecidos do outro para a namorada, o que lhe deixou mais curioso.

- Se o humor dela é focado em lhe sacanear, eu com certeza preciso conhecê-la. Acho que somos muito parecidos nisso. - Aleksei respondeu, com um ar mais casual. - Mas que bom saber que está num relacionamento sério, e que vocês dois se ajudam. Não acho que teremos como nos conhecer agora, mas leve-a para Paris quando for me visitar.

Ele pegou a água quente e colocou nas xícaras, levando-as até Dieter e colocando sobre a mesa, para se sentar ao lado dele também, mexendo o sachê distraído.

- Mas agora estou mais curioso. Ela é da base ou da organização? - ele perguntou, com um quê de seriedade para o assunto que era tão costumeiro na vida de Dieter, e era até interessante voltar a falar daquilo mesmo que não estivesse no melhor estado para ir muito fundo na esquizofrenia de Dieter.

Dieter

O australiano se levantou de onde estava e seguiu até a cozinha, sentando-se junto a uma das cadeiras, e observando como o loiro agia dentro do espaço como se fosse seu, e bem, de fato era agora a realidade dele, e por conseguinte espaço dele também. Manteve o sorriso no rosto principalmente quando Aleksei concordou que definitivamente eles tinham de se conhecer, e seria difícil ter de lidar com ser duplamente sacaneado pelos dois, mas definitivamente seria divertido. Acenou positivamente, sobre ser bom estar em um relacionamento sério, mas não confirmou em palavras que levaria Fleur para visitar o amigo, teria de conversar com ela em outro momento, nem tão cedo iria querer falar de Vivien com a mulher, e nem tão cedo provavelmente os dois iriam querer ser visitados em Paris, ia levar tempo, e ao menos tempo eles tinham.

Estava prestes a bebericar do chá, quando o grego lhe lançou aquela pergunta capciosa, e para quem não queria saber de joguinhos, aquilo apertava o botão de loucura do professor de biologia, retornou a xícara a mesa e arrumou o par de lentes de grau no rosto antes de responder: -- Ela é uma agente do caos! -- riu abertamente daquele comentário, para só então voltar a atenção a sua xícara e encarar o líquido semi transparente ganhando a cor vinda do sachê de chá: -- Das primeiras vezes que nos encontramos eu estava certo que ela era um funcionário da organização, afinal ela quase chamou a polícia pra vir me prender, mas depois, ela foi muito pontual em saber gostos meus do passado, era quase como se tivesse puxado a minha ficha de membro da base. -- Riu de seus próprios devaneios: -- no fim acredito que ela veio para trazer o caos a ordem que eu estava tentando instaurar, ou só está verdadeiramente me sacaneando, mas eu não ligo tanto para os resultados desse experimento social em particular, seguimos jogando.

Dieter tomou da bebida quente, sentindo um gosto melhor do que podia supor de um simples chá verde.

Aleksei

Foi fácil notar como o biólogo ficou mais animado com a conversa sobre a base e a organização, e Aleksei apenas ouviu a explicação enquanto tomava o chá, agora com uma nova identificação do universo que Dieter tinha criado com uma "agente do caos", que não devia se enquadrar nas duas organizações que ele já tinha.

- Hmm, então ela já sabe coisas do seu passado? Isso é interessante. Mais ainda que você esteja disposto a continuar com o experimento, mas que bom que é assim. - Aleksei comentou, levando o chá aos lábios e tomando em goles muito pequenos. - Eu acho que é bom ter alguém para causar um pouco de caos na sua ordem, vai lhe fazer bem. Eu, por outro lado, estou colocando um pouco de ordem no meu caos, está indo muito bem até então.

O caos que tinha sido a sua vida depois de Kyle certamente merecia uma organização. E não só pelo mês recente, mas pelos danos a longo prazo que tinha causado desde que decidira deixar o seu trabalho convencional nos EUA. Mas ele não queria voltar a falar daquele assunto específico, então, prosseguiu com coisas que Dieter poderia compartilhar com ele

- E as coisas em St. Clavier, como estão? Eu ainda não tive chance de encontrar com Mathew, mas vou ver se ele está disposto a me visitar antes de me mudar para Paris. Agora, o que vou fazer sem um alvo tão fácil como ele para atormentar? - ele adicionou, com uma risada descontraída. - Eu, obviamente, não vou voltar para St. Clavier, mas pretendo seguir com o tratamento de um dos meus pacientes, claro, só depois que eu me estabilizar em Paris.

Dieter

Era fácil ficar animado em conversar sobre seu relacionamento recente, dentro das coisas boas que ele tinha em si, desconsiderando os acontecimentos da última semana, as idas ao hospital e todo resto, agora que a poeira tinha baixado, todos estavam em processo de regeneração cada qual no seu próprio tempo. Fosse os machucados psicológicos ou físicos:
-- Ah sim, Mathew está num estado de alerta tal qual um hamster estressado usa de sua rodinha incansavelmente para gastar energia, ele está se afogando em trabalho pra ocupar a cabeça, mas ele é fácil de ler como um livro infantil, está preocupado só esperando você dá permissão dele vir lhe ver, mas diferente de mim, ele não vai filtrar nenhuma informação, então esteja mais recomposto pra aguentar a quantidade de fatos, boatos e teorias da conspiração. -- O australiano riu de forma bem natural como se não houvesse nada demais acontecendo, mas também como se estivesse apenas conversando o necessário e cumprindo sua cota de bom amigo:

-- A escola está uma bagunça, cada turma de cada ano, tem uma teoria diferente sobre o ocorrido, e o caso vai ser fofoca até as férias, depois vai virar lenda urbana, e depois provavelmente um pega calouro, mas não sei se fico o processo todo como professor pra ver essa transformação social ocorrendo com meus próprios olhos. -- Sorriu amarelo diante dos fatos, não que ser professor fosse ruim, e sim, gostava de pesquisar e de se manter ativo lecionando, mas já tinha posto na cabeça que tinha adquirido algumas outras prioridades, e que a despeito de tudo, queria passar mais tempo dedicado as pessoas do que as pesquisas em si.

Aleksei

A analogia de Mathew a um hamster estressado até fez com que Aleksei risse um pouco mais com a imagem mental, e até queria ter falado mais com o enfermeiro, mas sabia que talvez fosse um pouco de informação e reação demais dele no início da semana se preocupando com o seu bem estar quando já tinha coisa demais com que lidar. Agora que estava mais tranquilo, devia enviar uma mensagem ou fazer uma ligação para encontrá-lo antes de ir para Paris, no fim das contas, a despeito de todas as piadas que costumava tirar com ele, era um bom amigo.

- Por que acha que esperei tanto para falar com ele? Eu já imagino todas as análises e comentários preocupados sobre o meu estado de saúde e o fato de que estou muito magro e anêmico. - Aleksei respondeu, e depois de beber só metade do chá, já era óbvio que ele estava inclinado a deixar a bebida de lado ao invés de terminar. - Bom, então acho melhor me manter bem longe de lá para não aumentar o tamanho dos boatos.

Mas Aleksei até ficou levemente surpreso com a notícia de que Dieter estava pensando em deixar de trabalhar como professor para a academia. Ele parecia gostar do trabalho, e lidava bem com os alunos. Apoiou o cotovelo na mesa, sentando um pouco de lado para apoiar o queixo na mão de novo.

- Eu não esperava por isso, vai deixar de ensinar em St. Clavier?

Dieter

Bem imaginava o tipo de sobrecarga mental que Mathew devia causar numa pessoa com a mente cansada como outro estava, e não tirava a razão dele de evitar o enfermeiro ao menos nesse primeiro momento. Terminou de tomar a bebida quente deixando a xícara de lada, para se voltar ligeiramente na direção de Aleksei e seguir com a conversa. E certamente se o loiro voltasse para St. Clavier capaz de despertar reações adversas no aluno de temor a admiração, seria curioso de ver se não fosse tão absurdamente traumático para o outro.

Arqueou a sobrancelha quando o outro demonstrou interesse nas suas novidades não acadêmicas, afinal em meio a tantas voltas e planos, tinha deixado de comentar sobre a floricultura e seu interesse por jardinagem:

-- Então, eu não vou deixar de dar aula imediatamente, o salário é bom, e eu tenho alguns projetos em andamento, a diferença é que lecionar e pesquisar não vai ser mais minha prioridade. -- Riu daquela constatação, e de ter chegado a ela justamente numa cidade do interior da França: -- Em verdade, desde a época da Irís, eu tinha interesse em outras coisas como jardinagem e paisagismo, mas nunca coloquei isso pra frente, na época nem lembro porque, mas recentemente fui posto em cheque por Fleur em porque eu não estava fazendo coisas que gostava mesmo tendo o tempo, a disposição e o dinheiro para tal. -- comentou aquele ponto, listando cada um dos tópicos enquanto apontava para os próprios dedos:

-- Está olhando para o mais novo responsável pela floricultura no centro da cidade, e vou dividir o negócio com Saito San, por mais curioso que essa combinação seja. -- Riu mais amplamente daquele ponto, considerando todas as conversas de corredor e de café que tinha tido com o sujeito, já eram praticamente cúmplices naquela instituição.

Aleksei

Aleksei não voltou a tomar o chá que ainda estava pela metade em sua xícara, mas ficou passando o dedo pela borda ou movendo o sachê ali dentro, apenas como distração. Ainda era surpresa que Dieter fosse deixar de ensinar, mas a explicação breve lhe esclareceu melhor a situação, e ele nem escondeu um sorriso ao ouvir que ele tinha sido colocado em cheque pela nova namorada.

- Eu estou começando a confirmar que essa sua nova namorada é mesmo uma agente do caos. Mas não discordo dela, se tem tempo e disposição, por que não fazer o que gosta?

Ele até pegou a xícara para tomar mais um gole do chá que já devia estar morno, mas parou no meio do caminho quando Dieter disse que estava olhando para o novo dono da floricultura. E não seria tão surpreendente, mas saber que ele dividiria o lugar com o zelador de St. Clavier lhe fez pausar os gestos quase por completo, e ele foi obrigado a colocar a xícara na mesa de novo, tomado pela vontade de rir mais uma vez.

- Desculpe, não quero fazer pouco do seu negócio e do seu hobby, mas não consegui deixar de pensar numa loja de fachada para negócios da yakuza com esses sócios muito particulares. Só lhe falta uma tatuagem, Dieter. - ele comentou, mais descontraído e, de novo, ignorando o chá.

Dieter

Não negava que aquele cenário de ser dono de uma floricultura e tendo como sócio um japonês mal encarado, tatuado e fumante, tornava aquele cenário digno de uma novelização sobre yakuzas. Mas era certo que não iria querer se meter com coisas ilícitas para além do que era sua área de conhecimento e interesse e que estava razoavelmente sob controle. Tinha um apartamento laboratório em um ambiente residencial onde não deveria comportar esse tipo de equipamentos, tinha colaboradoras no hospital do qual já tinha feito seus tráficos de remédios, era o máximo que queria de ilegalidade para sua vida, já lhe dava emoção o suficiente:

-- Não lhe culpo, eu rir bastante quando fiz o plano de negócios, mas tem tudo pra dar certo, eu e o Saito-san temos em comum o desgosto por adolescentes, e já trocamos algumas histórias sobre ilegalidades passadas. Mas atualmente pra todos os efeitos estamos limpos, e sim, eu pesquisei pra ter certeza. -- Falou com um tom mais exagerado, que podia ser facilmente entendido como brincadeira, embora fosse bem verdade: -- e eu não faria uma tatuagem, minha hipocondria jamais permitiria tal ato. Só de imaginar dá vontade de tomar banho em álcool. -- Dieter riu mais amplamente, tratando tudo com casualidade:

-- Dada as instabilidades em St. Clavier, e saída de Vivien de Cerise, imagino fortemente que Saito-san teria dificuldade de se arranjar por aqui, é um negócio bom pra nós dois. Ele que precisa do trabalho e vai cuidar direito do local, e por consequência me deixa mais tranquilo pra tocar o negócio enquanto dou aulas e cuido das minhas pesquisa. -- O australiano até pensou em comentar que tinha estendido o convite de trabalho ao jardineiro de St. Clavier, mas dada a hospitalização do mais novo pelo envolvimento no caso todo de Kyle, era melhor omitir aquele ponto por hora. Tratou de tudo, desenhando uma perspectiva positiva para o futuro próximo, afinal era disso que Aleksei precisava, de pessoas que estivesse fazendo planos positivos para o futuro a despeito do caos recente, e usando o que tinham para se recuperarem e viverem de acordo com o que gostam e querem.

Vivien

Quanto mais visitas fazia a St. Clavier, mais problemas parecia que Vivien encontrava. Na verdade, muito por sua negligência com documentos pendentes para assinar que não podiam ficar nas mãos de Soren quando assumisse, mas estava quase concluindo todo o trabalho, e logo poderia ir para Paris sem peso na consciência de deixar St. Clavier para trás. Os problemas reais, claro, de alunos e pais de alunos desesperados depois de todas as notícias tensas sobre o internato no jornal, deixaria para o novo diretor lidar quando começasse.
Voltou para casa ainda cedo, cumprimentando o porteiro novo e subindo calmamente o elevador, mentalizando que tinha a visita de Dieter Rupert avisada previamente por Aleksei. E até queria ter o direito de não ficar encontrando com ele – ainda mais agora que não seriam mais chefe e subordinado – mas Aleksei precisava dessas visitas. Já tinha entendido que ele tinha amigos bem preocupados.

Ao chegar no apartamento bateu na porta suavemente e girou a chave, anunciando sua entrada logo da porta.
- Alek, estou de volta. – falou calmamente, sabendo que inevitavelmente, o ruído de alguém na porta iria sobressaltar o loiro, mas isso era algo que ele teria que se acostumar devagar. Notou a presença dos dois na cozinha, e observou Dieter de um ângulo de cima por um instante antes de se aproximar, do loiro primeiro, estendendo a mão até o ombro dele para apertar com carinho antes de beijar-lhe o topo da cabeça. – Não queria interromper sua conversa. – adicionou calmamente, voltando-se para Dieter por um instante para cumprimentá-lo sem se preocupar com um sorriso no rosto. – Prof. Rupert. Obrigado por vir até aqui. – agradeceu calmamente, sorrindo brevemente com os lábios cerrados. – Vou por umas roupas de casa, fiquem a vontade.

Aleksei

Ainda era bem estranho pensar que Dieter ia abrir uma floricultura e gerenciar o negócio junto com o zelador ex-yakuza de St. Clavier, mas era divertido também e Aleksei estava se sentindo até relaxado por poder rir daqueles cenários inusitados.

- É bom saber que o Sr. Saito tem uma boa perspectiva de sustento fora de St. Clavier. E eu sei que ele é bem ligado ao Vivi também, além de ter uma filha que precisa sustentar. - Aleksei comentou, lembrando-se vagamente do dia que tinha passeado com a menina em St. Clavier e que já estava no início do seu estresse.

Ele só segurou a xícara de novo e foi bem em tempo de ouvir as batidas leves na porta, que embora ele soubesse com plena certeza que eram de Vivien - afinal, o porteiro não deixaria outra pessoa subir -, ainda fizeram com que seu corpo reagisse de modo automático, todos os músculos tensionando e o ar ficando preso no topo da garganta por uns breves segundos. Foi preciso ouvir a voz de Vivien vinda da entrada do apartamento para soltar o ar de novo e deixar os músculos relaxarem do momento de tensão.

- Bem-vindo de volta, Vivi. - Aleksei retribuiu o cumprimento, levando a mão até a de Vivien em seu ombro e segurando-a com os dedos frios. - Não interrompeu, estávamos falando sobre a nova perspectiva de negócios do Sr. Saito com o Dieter aqui em Cerise.

Dieter

Sabia que o zelador de St. Clavier era bem mais do que só ligado ao ex-diretor da instituição masculina, principalmente depois do evento específico da queima de arquivo, naquele dia tinha percebido como Saito-san tinha uma relação de respeito com Vivien quase como se o francês fosse líder de uma máfia, mas imaginava que isso se devia as facilidades de ter conseguido entrar na França e arrumado um emprego na cidade. O australiano acenou positivamente sobre a pequena Kanon, que tinha visto poucas vezes na instituição mas que parecia ao menos de longe uma criança adorável: -- ainda não tive a oportunidade de trocar conversa com a filha dele, mas vamos ter tempo pra isso, tenho muito truques de tiozão para mostrar. -- o australiano riu de forma exagerada, achando graça.

Isso até perceber a batida na porta e a sequência de reações muito específicas que isso despertou no amigo. Dos tremores, a mudança de expressão, não podia ouvir, mas tinha quase certeza que tanto a respiração quanto o batimento cardíaco ficaram fora de ordem. Apenas assistiu a sequência da entrada de Vivien no próprio apartamento, mantendo um sorriso simples: -- ah pode me chamar apenas por Dieter, deixe o trabalho e as formalidades em St.Clavier. -- o prof. de biologia comentou de forma descontraída, para tentar quebrar a sensação de tensão no ambiente: -- Aleksei é meu amigo, mais cedo ou mais tarde eu ia dar as caras pra poder dar apoio e ver como ele está.

Respondeu de forma simples e direta, imaginava que Vivien não estava deixando Aleksei ciente de todos os ocorridos na instituição, então não queria reforçar a sensação de ambiente de trabalho na própria casa do homem. Muito embora, não estivesse no círculo de amizades de Vivien o que queria dizer que mesmo que o australiano quisesse só o fato de estar ali, reforçava aquela ideia de trabalho. Estava chegando ao fim de sua visita e muito provavelmente seria Vivien a convencer Aleksei a se alimentar melhor além de meia xícara de chá, embora antes de sair ainda fosse reforçar aquele ponto.

Vivien

Era estranho pensar que Aleksei e Dieter estavam falando sobre o trabalho de Tamotsu Saito casualmente sentados na cozinha. Não deu muito pensamento a isso inicialmente, mas bem lembrou que Dieter gostava de plantas, e Tamotsu estava indo abrir uma floricultura. Acabou franzindo a testa por um instante inconsciente, mas supunha que ouviria sobre essa conversa mais a fundo quando o zelador fosse até seu apartamento para conversar mais sobre seu plano de negócios.

- Monsieur Rupert, então. – respondeu, abrindo um sorriso breve, não por estar cansado, mas porque embora estivesse satisfeito que Dieter estivesse ali por Aleksei, também não queria tanto contato, por lembrar dele tanto no natal, quanto no meio dos problemas todos em St. Clavier. Não era a figura que queria ver quando estava cansado de lidar com o futuro novo diretor. – Espero que estejam ambos tão bem entretidos com a imagem de monsieur Saito cuidado de flores quanto eu. Ele é um bom homem, mas lhe falta muita delicadeza.

Estava pensando em ficar mais à vontade, em tirar o terno para parar e conversar confortavelmente com os dois, mas a mão fria de Aleksei sobre a sua lhe tirou a vontade momentânea de sair da cozinha, apenas trocando o toque gelado de Aleksei por sua presença próxima, pelo menos até ele ficar mais calmo do susto de sua chegada.

Aleksei

A despeito de avisar que ia trocar de roupa, quando Aleksei tocou a mão de Vivien e manteve o toque ali, ele não se afastou. Aproveitou a proximidade para segurar os dedos dele, como se também precisasse reforçar para que ele ficasse, ao invés de ir simplesmente para o quarto. Mas aos poucos, o calor voltou à ponta dos dedos e ele deixou a mão deslizar do toque sobre o seu ombro, retomando a risada breve com a lembrança de Dieter e Tamotsu cuidando de uma floricultura.

- Certamente estou entretido, inclusive, imaginando que é uma loja de fachada para negócios da yakuza. - Aleksei respondeu, erguendo a cabeça um pouco para encarar Vivien ao seu lado, e depois voltando a atenção para Dieter, que tinha comentado também sobre a filha de Tamotsu. - Você certamente lida melhor com crianças do que eu, vai se dar muito bem com a filha do Sr. Saito.

Aos poucos, Aleksei voltou ao estado mais calmo depois de sentir o alarme breve da chegada de Vivien. Aquele tipo de reação estava sendo bem comum desde o início da semana, principalmente porque o loiro comumente se via sozinho no apartamento quando Vivien tinha que ir a St. Clavier, e ele não ia acompanhar Vivien até a academia, nem tinha disposição para ir para outros lugares por enquanto.

A estadia de Dieter não se estendeu por muito mais tempo, logo ele estava se despedindo com uma promessa ainda de lhe apresentar à nova namorada, além de um reforço para que se alimentasse melhor do que apenas a xícara de chá pela metade que tinha tomado naquela tarde.

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[Drive] Gerenciamento de Crise [Aleksei; Dieter; Vivien] - by Lil - 08-29-2021, 12:45 AM

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