[Drive] Trabalho a Domicílio [George; Julian; Dieter; Fleur]
#1
George

Havia acabado de deixar as crianças da escolinha em seu dia de folga do trabalho no corpo de bombeiros. Planejava sair com os meninos no final de semana, mas já que eles estavam ocupados na escolinha pelo resto do dia, pensou em cuidar da casa ou quem sabe procurar algum amigo que precisasse de algum trabalho extra seu para conseguir algum dinheiro extra a fim de gastar com os meninos no final de semana. Sabia que a mochila de Samuel estava ficando desgastada e já estava cansado de costurar os remendos do fundo dela - o menino parecia não ter o mesmo cuidado com os objetos que ele possuía, sempre esquecendo de guardar a bolsa quando ia brincar com os outros garotos.

Em busca de algum amigo que pudesse precisar de seus serviços, passou primeiro no trajeto pelo bairro residencial, interessado em seguir para o centro da cidade onde sempre havia algo que poderia arrumar como trabalho extra. Acabou parando na Antique em busca de falar com a dona do lugar. Como muitas pessoas frequentavam o lugar, talvez ela soubesse de alguém que estivesse precisando de seus serviços. Já havia trabalhado com muita coisa, mas principalmente trabalhos domésticos relacionados à hidráulica, construção e instalações elétricas, algumas vezes montagem de móveis e coisas parecidas.

Adentrou na padaria, sua atenção sendo roubada principalmente pela fileira de doces na vitrine que eram os favoritos de seus meninos. Quem sabe no final do expediente valesse a pena levar algo dali para as crianças? Estava usando uma calça jeans comum e uma camisa vermelha de mangas curtas, uma das que usava para trabalhar no corpo de bombeiros, por dentro de uma segunda camisa de botões, xadrez, cinza e preta.

Parou próximo do balcão, procurando pela dona do lugar com o olhar, notando que o número de pessoas parecia menor que logo cedo pela manhã quando passara próximo dali. Não era difícil de enxergar a figura da mulher loira a julgar pelo sujeito um pouco mais baixo que sua figura à sua frente.

Julian

Julian não tivera tanta chance de mostrar sequer metade do seu trabalho para Charles, que tinha lhe visitado apenas uns dias antes para ver o que tinha escrito, isso porque ele não tinha pensado na impossibilidade do garoto poder subir as escadas para ver tudo que tinha e seu escritório particular. E era muita coisa. Por isso não tinha conseguido sequer dar conta da metade das tralhas que queria levar para o térreo em sua casa. Geralmente seu editor reclamaria, mas como estava bem empolgado em falar sobre o livro de fantasia, ele até tinha aprovado a sua loucura de querer trabalhar em algumas pesquisas para ele e mostrar para o novo amigo adolescente que tinha.

Claro que depois de uma manhã toda subindo e descendo escadas, o melhor jeito de descansar era almoçar e ir roubar algumas sobremesas deliciosas da Antique. Por isso que não se importou de chegar falando alto na padaria, seguindo direto até o balcão para chamar atenção de Fleur.

- É tão bom falar com gente que gosta da mesma coisa! Eu sei que podia achar mais gente interessada na internet, mas eu não me dou muito bem por lá e o meu editor fica reclamando que eu posso atrair um monte de estranhos, além do fato de que eles podiam querer me pedir favor quando descobrirem quem eu sou. Mas o Charles é um menino legal! E ele entende um monte e gosta do que eu falo também, então eu quero mesmo levar tudo lá pra baixo, sabe?! - Julian descarregou as informações em Fleur que já tinha ouvido aquelas informações pelo menos umas três vezes naquela meia hora. Mas riu da empolgação do outro, e era bom que ele estivesse interessado em algo que não fosse tão dramático ou trágico.

- Eu acho é que você não tem capacidade de andar levando essas coisas pra baixo. Olha aí o galo que já está na sua testa, derrubou o que dessa vez? - Fleur não se importou de pressionar o indicador na área inchada vermelha na testa da Julian que reclamou e gemeu de dor na mesma hora.

- Au!!! Foi um livro que caiu! Mas eu não tive culpa! É muita coisa pra levar pra sala e tenho que terminar antes do Charles voltar lá. - ele bufou. - Me dá mais torta que eu preciso de açúcar e energia, Fleur.

- Você vai é se matar naquela casa sozinho, Julian. - Fleur o repreendeu, pegando uma fatia de torta menor do que o que costumava servir na padaria. - E você já comeu doce demais, então, se contente com essa aqui.

- Mas Fleurrrrr!!

- Mas nada. Coma essa ou eu lhe arrumo outro galo na testa. - a loira retrucou, virando-se para ir à cozinha e parando ao avistar outra figura conhecida de longa data. - Ah, olá, George. Veio tomar um café ou pegar algum doce para os meninos? Ou os dois?

- Ah!! Oi, George!! Eu não te vi aí! Cadê os meninos?! Eu tenho uns livros novos de criança que meu editor me mandou, você quer pra eles?! - Julian se virou também para o bombeiro, comendo os pedaços de torta bem pequenos para que a fatia durasse mais.

George

Ouvir aquele tipo de conversa com o escritor falando alto não era nenhuma surpresa para George a julgar seu próprio ambiente de trabalho em que seus colegas tinham por hábito conversar mais alto que o recomendado. Apenas lançou um breve olhar mais intrigado quando Fleur pareceu pressionar a testa do escritor, fazendo questão de apontar como ele iria se matar na casa qualquer dia. Já era sabido que o homem não era nenhum rapazinho, ainda que a aparência dele dissesse o contrário e o senhor Holt parecesse mais jovem que a própria identidade dizia que ele era.

Ergueu a mão em um breve aceno para a dona da Antique assim que ela pareceu notar sua presença, prontamente lhe oferecendo o café e os doces para seus filhos. Sorriu em resposta a oferta, preparado para responder quando Julian lhe cumprimentou também, parecendo notar sua presença ali também.

- Eu aceito um cafezinho, Fleur. - respondeu amistoso, recusando os doces por saber que levar doces no meio da semana para os meninos deixaria com que ficassem mal acostumados. - Ah, estão na escola. - ouviu a oferta sobre os livros infantis e ficou surpreso com a boa oportunidade a julgar que já estava pensando em arrumar alguns novos para as crianças, principalmente Mikhael que parecia ficar mais calmo quando estava lendo os livros. - Os meninos vão adorar, Julian, muito obrigado. Eu aceito sim, claro.

Não era de negar aquele tipo de gentileza para suas crianças, principalmente quando vinha da vizinhança que começara a conhecer melhor fazia apenas alguns anos. Buscou no bolso a carteira para pagar pelo cafezinho que havia aceitado da dona do lugar antes de voltar a atenção de novo para o escritor, só então prestando melhor a atenção na marca na testa do outro.

- Desculpe te incomodar, Julian, mas acabei ouvindo sua conversa. Está com problemas com a casa? Algo em que eu possa trabalhar? Estou livre hoje e estava procurando algum serviço em que pudesse ser útil. - ofereceu para o moreno, considerando que ele quase sempre parecia necessitar da ajuda de alguém para os serviços na casa. Não sabia ao certo o que acontecia na vida dele além do que as pessoas comentavam, mas o sujeito não era nenhum homem perigoso ou desagradável. Na verdade, seus filhos pareciam simpatizar da imagem do escritor justamente por ele não se comportar como um adulto como a maioria das pessoas ao redor deles fazia.

Julian

Fleur fez um aceno em concordância com a cabeça e foi servir o expresso, enquanto Julian ajustava a cadeira alta ao balcão para se aproximar mais de George.

- Assim, eu tenho poucos livros de criança pequenininha, mas se os seus filhos gostarem de umas coisas de magia e de aventura infanto-juvenil, eu tenho também! - Julian se adiantou para falar, distraindo-se um pouco mais ao invés de só devorar a fatia de torta que estava comendo.

Fleur retornou logo com o café e o serviu ao lado do mais velho, deixando uns biscoitos pequenos também no prato, voltando para a cozinha depois de receber o pagamento de George para acompanhar os preparos de suas cozinheiras. Julian estava de boca cheia quando George comentou sobre ouvir sua conversa e sugeriu ajudá-lo no processo. Com o garfo ainda na boca, ele só fez acenos positivos várias vezes para concordar com o serviço que George estava oferecendo. Engoliu o último pedaço de torta com esforço, tossindo algumas vezes até se recompor.

- Não é que eu esteja com problemas, é que eu tenho um amigo novo que gosta de discutir as coisas do meu universo de fantasia e aí ele foi lá em casa pra ver as anotações e pesquisas que eu já acumulei há quinze anos e tal, mas ele é cadeirante, então ele não tem como subir as escadas e tudo isso que eu disse tá num dos quartos lá no primeiro andar, daí eu tenho que trazer tudo pra sala no térreo pra ele poder ver, sabe? E daí quando ele for lá em casa de novo, eu quero que ele possa ver tudooooo. - Julian desatou a explicar. - Mas eu já tropecei e derrubei livros e fiz tudo o que dava pra fazer e é muita coisa. Você pode ir comigo e me ajudar a levar tudo pra sala, né? Você é forte e bombeiro, então consegue subir e descer as escadas várias vezes!

Julian se colocou de pé, apoiando os cotovelos no balcão e ficando de ponta de pé para poder se curvar sobre o mesmo, olhando na direção da cozinha.

- Fleur!! Eu vou pra casa com o George! Mais tarde eu passo pra comer mais torta, tá?! - anunciou para a mulher, chamando atenção desnecessária dos clientes ao redor, tipo de barulho com o qual Fleur já estava bem acostumada.

George

Agradeceu pelo café acompanhado dos biscoitinhos que recebeu de Fleur, apreciando o aroma da bebida pouco antes de dar o primeiro gole, não se incomodando pela temperatura do líquido. Concordou com o escritor que se aproximava ao se ajustar na cadeira alta, oferecendo os livros diferentes para seus meninos. Tinha certeza que Mikhael não entenderia nada, mas se houvessem gravuras, ele ficaria feliz. Encarou o comportamento de atropelar a fala enquanto comia do escritor, provocando um certo engasgo. Ele parecia ter um paladar infantil também, com dificuldades de mastigar direito ao se surpreender com sua oferta.

Concordou com a cabeça em silêncio enquanto tomava o restante do café com os biscoitinhos, apreciando a gostosa massa daqueles docinhos. Estava acostumado a ouvir histórias das pessoas que atendia em seu trabalho como bombeiro, e tinha dois meninos em casa, o mais fazia era ouvir as histórias alheias. Na verdade, tinha a impressão que o escritor se daria bem no meio de crianças em uma escolinha pelo jeito dele contar uma ocorrência comum diária como se fosse algum tipo de desafio ou missão. Felizmente teve o tempo necessário para terminar o café e comer os biscoitinhos quando o moreno se levantou, animado com a ideia de sair dali e ter ajuda no trabalho que estava causando tanto problema para ele.

Arqueou uma sobrancelha diante do comportamento de Julian em mostrar para todos que estava indo como ele para casa, mas não disse nada, apenas seguiu o homem. Ao seu ver, o escritor tinha uma personalidade diferente e até excêntrica, mas imaginava que todos artistas e escritores deveriam ter um pouco daquilo. Acompanhou-o em silêncio, despedindo-se de Fleur de longe com um breve aceno, rumando para a tal residência do moreno.

Ao chegarem no destino, observou de relance o jardim, esperando que Julian fizesse as honras de permiti-lo entrar na residência.

- Há quanto tempo é escritor, Julian? - perguntou quando teve oportunidade, desejando saber, assim teria ideia da possível quantidade de livros, anotações e afins que o homem mantinha na própria casa. Desde quando lembrava, o sujeito vivia ali desde sempre. Recordava que ele não vivia só antes, mas achou melhor não tocar no assunto por achar que o tópico era pessoal demais para ele.

Julian

Julian não se controlou exatamente em passar o caminho inteiro até sua casa falando sobre as coisas em Cerise, as pessoas, as novidades e tudo mais que pudesse lembrar no longo caminho até sua casa. Diferente de quando Charles o acompanhou, os dois poderiam apenas ir andando e aproveitando os encontros casuais no meio do caminho. Quando chegaram em sua casa, seguiu direto até a varanda para abrir a porta de entrada com as chaves, o jardim já estava um tanto descuidado e cheio de ervas daninhas, mas não se importou tanto em passar direto, mais interessado nas coisas dentro de casa do que no jardim. Parou na porta só pra tirar os calçados e jogar no canto do corredor de entrada, ouvindo a pergunta de George.

- Pode ir entrando, poder entrar, George. - fez um aceno para o mais velho para que ele lhe acompanhasse, sem nem se importar se a porta da entrada ficaria aberta. - Então, eu escrevo profissionalmente há oito anos, meu primeiro livro que fez muito sucesso, depois publiquei coisas pequenas e com outros pseudônimos. Mandei outro livro fechado pra editora há algum tempo, mas são histórias dramáticas e trágicas, não é muito o que eu gosto, mas é o que eu sei escrever bem. Mas eu escrevo e acumulo coisas há bem mais tempo, tipo, há uns quinze anos? Então tem muita coisa lá em cima, deve ter coisa até que tá quase se desmanchando de tanto tempo, hahaha! Vem, vem, você vai ver!

Passou direto pelo portal que dava na sala, onde já havia algumas pilhas de livros, cadernos e anotações na mesa de centro. Subiu as escadas pulando quase de dois em dois degraus para chegar até o tal quarto que tinha comentado. Abriu a porta, acendendo a luz já que a iluminação lá dentro era mais baixa por geralmente deixar a cortina fechada sobre a janela também fechada.

- Aqui tá tudo o que eu tenho de livro e anotação! - ele fez um movimento amplo para indicar o quarto todo, cheio de pilhas de livros e anotações espalhados por mesas, cadeira, sofás e tudo mais que fosse superfície plana, com apenas um espaço no chão por onde ele conseguia circular com bastante destreza. - Aqui tem as coisas de cartografia e relevo e geografia - indicou uma pilha que certamente não estava muito organizada - Aqui tem umas coisas de fantasia medieval - prosseguiu apontando outras fichas - Aqui de costumes e roupas de épocas; aqui de mitologias anglo-saxãs; aqui de mitologia oriental; aqui de economia e política; aqui de universos de RPG; aqui de criaturas fantásticas e…

Ele continuou narrando basicamente tudo o que tinha em cada pilha ao redor, até cruzar metade do quarto desviando-se dos obstáculos tão facilmente que parecia até ele mesmo fazer parte da bagunça. Parou finalmente no meio do quarto, apoiando as mãos na cintura e se virando para George que estava na entrada do quarto.

- Pronto! Agora é levar tudo lá pra baixo nas mesmas pilhas pra eu não perder nada no meio do caminho nem misturar as coisas! - adicionou, como se fosse algo simples de se fazer.

George

Não deixou de notar como o jardim dele também parecia precisar de alguma ajuda com as ervas daninhas e a podagem de algumas plantas. Fez uma pequena pausa ao entrar para imitar o dono da residência, retirando seus sapatos para deixá-los próximos da entrada. Notou o descuido dele em deixar a porta destrancada e ainda mais quando ele foi subir as escadas em pulos. Ele parecia tão empolgado em falar sobre o próprio trabalho que se sentiu culpado com a ideia de interrompê-lo para que evitasse pular na escada e correr o risco de se machucar.

Parou na entrada do quarto que ele usava como escritório e encarou as informações de todos aqueles amontoados de livros e papéis uns sobre os outros. Levou a mão até o próprio rosto, coçando o bigode com a ideia que o escritor tinha de levar tudo do jeito que estava até o andar de baixo. Observou melhor o teto do lugar e a única janela do ambiente, procurando pela ventilação que deveria existir ali.

- Certo. Vamos fazer isso. Mas é melhor que eu leve as suas coisas. Parecem ser pesados. E o senhor espera lá embaixo para me mostrar onde quer que eu deixe os livros, pode ser? - ofereceu, pensando em uma forma mais prática de fazer o trabalho. Julian não era um homem forte e tinha uma grande predisposição a se acidentar naquela residência. Era muito mais prático que ele apenas lhe dissesse onde queria que deixasse os itens enquanto carregava tudo escada abaixo. - O lugar onde vai deixar tudo isso já está limpo e arrumado? - perguntou, considerando que não valeria a pena ter todo aquele trabalho para largar os livros dele na poeira e sujeira.

Retirou a própria camisa que usava por cima de uma segunda, vermelha, do corpo de bombeiros que havia ganhado na última comemoração da corporação. Usou o tecido sobre o rosto para evitar respirar qualquer poeira naquele quarto fechado. Não era surpresa alguma que o moreno vivesse gripado trabalhando em um ambiente como aquele, cheio de papéis de diferentes épocas, para diferentes fins e sem uma boa ventilação.

Julian

- Ah, não precisa levar tudo sozinho não, eu posso ajudar! Afinal, eu já até levei tudo aquilo lá pra baixo! - Julian respondeu, animado, mas claro que aquilo já tinha lhe rendido quedas, cortes em papel, livros na testa e tudo mais de acidente que pudesse ter no caminho. E claro, umas crises de espirros quando esquecia de tomar remédio pra alergia antes de mexer nos papeis empoeirados. - Bom, não é como se estivesse limpo e arrumado, eu to só colocando na sala porque é o maior espaço lá embaixo, eu não assisto muita TV e é o lugar mais perto da entrada pra facilitar quando o Charles vier ver as coisas. Mas eu acho que a gente podia organizar as coisas lá primeiro, o que acha? Dava pra levar uma mesa pra lá e umas prateleiras também e tal… mas pra isso a gente tem que tirar as coisas daqui de cima de qualquer jeito, hmmm.

O escritório tinha algumas estantes e prateleiras, além de uma mesa que estava com o uso bem inviável por conta do excesso de coisas em cima. Julian deu uma boa olhada ao redor no pouco espaço que tinha para circular sem pisar nos papeis e livros, avaliando o que tinha nas mesas.

- Tá bom, já sei! Vamos tirar essas coisas aqui que estão na mesa primeiro e daí dá pra levar a mesa lá pra baixo. Ou será que dá pra gente levar a mesa da cozinha pra lá? Eu nem uso tanto também… e é uma mesa grande. Mas a gente pode tirar só essas coisas pro corredor primeiro. Ah, eu vou pegar um piloto e uma folha e aí eu posso anotar o que é cada pilha e deixar em cima pra depois não confundir e misturar tudo, tá?! - Julian se virou para sair do quarto, escorregando no processo, mas conseguiu ficar equilibrado ao se segurar no canto da mesa. - Opa…! Essa foi por pouco, hehehe! Então, eu volto já, tá?!

Saiu do quarto em disparada até o próprio quarto, que era bem mais simples, sem tantas coisas, com uma mesa apenas, notebook e alguns cadernos de anotação que nem faziam volume. Pegou o piloto e as folhas para voltar até o escritório.

- Pronto! Peguei! Agora deixa eu ver… qual a gente leva primeiro?!

George

Ergueu a mão até a própria cabeça, coçando os cabelos com as ideias mirabolantes do escritor. Como iria explicar para ele que carregar peso era muito comum para ele e que preferia resolver a situação sozinho para evitar que o outro se machucasse? Queria poder organizar todo aquele material, na verdade, antes de descer tudo. Seria muito mais limpo e prático, contudo, não parecia estar nos planos do dono da residência. Esperou o moreno sair após quase tropeçar e cair para suspirar conformado com o problema no qual havia se metido.

Enquanto o outro não voltava na própria correria, usou a própria camisa de botões para enrolar o tecido e fazer um lenço para o rosto a fim de não respirar tanta poeira durante a mudança. Adentrou mais no quarto fechado, observando melhor o lugar, notando como era repleto de livros e pastas com pequenas anotações, papéis soltos e tantas outras pequenas coisas. Encarou algumas anotações sobre a descrição de algum lugar presa entre os livros e se deparou com uma caligrafia em particular. Contudo, não houve muito tempo para sua indagação quando o escritor já estava de volta com a mesma empolgação com a qual havia saído.

- Primeiro eu acho melhor o senhor cobrir o rosto para não respirar tanta poeira. Não é por nada, Julian, mas seus espirros são famosos na Antique. - comentou, apesar do comentário ter o intuito de ser engraçado, não dava para dizer como estava com metade do rosto coberto. - Depois pode me dizer o que vamos levar lá para baixo. Eu vou na frente para o caso do senhor escorregar no meio da escada.

Esperou que ele fizesse o que havia pedido enquanto ainda observava os itens naquele cômodo. Coçou a cabeça de novo, tendo dúvidas de que o moreno aguentaria lhe ajudar a descer uma estante ou até mesmo a própria mesa daquele cômodo para a sala. Para suportar o peso de todos aqueles livros e pastas, eles não deveria ser móveis frágeis. Enquanto Julian não retornava, saiu do cômodo para observar o trajeto que fariam até a escada e após ela, afastando qualquer móvel, tapete ou item que pudesse atrapalhar o caminho ou fazer o moreno tropeçar. Como ele parecia ter dificuldades em se organizar, tinha certeza que aquilo seria mais do que previsível com a mudança de tantos livros.

Julian

- Ahhh! Você ficou parecendo aqueles traficantes de milícia dos filmes de ação da década de 90 com essa camisa no rosto, hahaha! Você não quer que eu pegue uma toalha ou lenço pra colocar no rosto? Eu não tenho máscaras aqui, mas meu editor vive dizendo que eu bem precisava de umas já que eu vivo ficando com crise de alergia. Ah! Mas eu tenho cachecol, deve servir do mesmo jeito, não é?! - Julian sugeriu, seguindo até uma das pilhas de documentos para conferir do que se tratavam, anotar o nome e colocar em cima dela.

Começou a marcar todas as pilhas que estavam próximas, sem se preocupar muito em tropeçar em várias coisas no caminho, enquanto George parecia mais preocupado com sua saúde ao sugerir que cobrisse o rosto. Riu sem graça, colocando outro papel com o nome do assunto em cima de outros documentos.

- Ah, eu não gosto de nada cobrindo meu rosto, me dá agonia, parece que eu não consigo respirar direito. Mas não se preocupe, eu vou ficar bem, eu sempre entro nesse quarto e saio vivo, eu sou mais forte do que pareço! - Julian respondeu, empolgado, parando perto da entrada e apontando para os documentos e livros que já tinha anotado do que se tratavam. - Aqui, podemos começar levando esses que são poucos. Eu te ajudo, aqui, vou levando essas na frente, e a gente deixa tudo lá na sala, tá? Eu não assisto muita TV mesmo, então não vai fazer a menor diferença.

Ele pegou os livros e nem esperou a resposta de George, atropelando todas as instruções sensatas que o bombeiro estava lhe passando. Seguiu descendo as escadas às pressas de novo para deixar a pilha de livros lá e voltar a subir de dois em dois degraus de volta para o quarto.

George

Negou a oferta do escritor sobre conseguir outro pano para cobrir seu rosto sob a justificativa que não queria sujar os panos da casa dele, sua camisa serviria muito bem. Apenas encarou o sujeito ao ser comparado com um traficante de milícia, não sabia que tinha um rosto tão suspeito assim. Analisou os riscos das pilhas de coisas mais instáveis enquanto o menor mencionava sobre o tal cachecol que poderia usar. Tinha que concordar com o editor dele, uma boa máscara contra poeira ajudaria bastante naquele cenário.

- Mas, Julian, eu acho melhor o senho-- fez uma pausa, notando que ele não estava dando a mínima para suas recomendações. Respirou fundo através do tecido da camisa, coçando a cabeça antes de se dedicar a arrumar uma pilha de livros mais pesada que carregaria para o andar de baixo.

Diferente do moreno, não possuía pressa alguma, ainda mais por estar ciente que havia uma escada no caminho para o andar de baixo. Portanto, tratou de descer os degraus com cuidado, trazendo pilhas maiores de livros nos braços e organizando-as na sala para que não ficassem difíceis de serem repostas depois.

Após a quarta descida, fez uma pequena pausa após subir, removendo a camisa do rosto, baixando-a para o pescoço para secar o suor do rosto com o antebraço. O ambiente sem circulação de ar parecia tornar todo aquele trabalho mais exaustivo, então resolveu chamar pelo dono da residência.

- Julian! Posso abrir a janela?! Tá meio abafado aqui em cima! - avisou, esperando uma resposta do moreno a fim de poder abrir a janela do quarto que ainda possuía diversas caixas, livros e papelada que precisava descer para a sala.

Julian

Julian teria continuado a subida e descida de escadas constantemente, mas sempre que ia correr degraus acima, George estava descendo trazendo alguma pilha de livros e anotações que ele indicava onde colocar para conferir do que se tratava, comumente se distraindo com papeis antigos que julgava já ter perdido também, mesmo que vivesse revirando aqueles papeis no escritório.

Mal percebeu quando o bombeiro subiu e desceu quatro vezes, sempre arrumando as coisas que ele trazia e fazendo comentários soltos sobre o que estava achando, às vezes até tirando algumas fotos com o celular que não saíam tão boas quanto queria para poder compartilhar com seu novo amigo posteriormente.

- Ah, George, traz agora aquela pilha que está lá em cima da mesa do lado esquerdo? Ela tem uns livros maiores de história medieval, é que os livros que estão lá são parte desses aqui também, daí eu queria juntar e ver o que eu devo ter enfiado neles de anotações e acabei perdendo no meio do caminho! - pediu ao mais velho quando ele ia subindo as escadas pela quarta vez, tão distraído com as coisas que estava lendo e fazendo que mal percebeu que devia era ter oferecido uma pausa ao outro, ou uma água ou qualquer coisa que uma pessoa sensata como Fleur faria, por exemplo.

Voltou a andar de um lado a outro da sala, mudando os papeis e livros, até ouvir o chamado de George do primeiro andar e estar distraído o suficiente para sequer dar muita atenção ao que ele tinha dito.

- Tá!!! - respondeu num grito de volta, olhando um dos mapas antigos que tinha desdobrado, até demorar alguns segundos e associar o que tinha acabado de dizer. - Espera... a janela? - piscou algumas vezes, com a sensação de que estava esquecendo alguma coisa muito importante. Mas não foi rápido o suficiente para lembrar daquilo, largando o mapa para correr para as escadas alarmado. - AHHHHHH, NÃOOOO, NÃO É PRA ABRIR! - subiu os degraus aos tropeços, mas provavelmente não foi rápido o suficiente para impedir George de abrir a janela como tinha pedido.

George

Estranhou a resposta aos gritos do escritor, mas não reclamou sobre o assunto, focando-se no próprio trabalho, ansiando por uma brisa mais fresca em meio aquele ar abafado e cheio de poeira. Não hesitou em seguir até o fecho na janela para destrancá-la e abrir a mesma. Chegou até a baixar o tecido da camisa em seu rosto para respirar mais aliviado ao sentir a brisa alcançar seu rosto. Não entendia o motivo pelo qual o escritor não deixava aquela janela aberta. Afinal de contas, ela fornecia ventilação e iluminação natural que seria ótima para aquele espaço da casa, inclusive para ele se livrar do acúmulo da poeira.

Contudo, logo as respostas para suas dúvidas chegaram, trazidas por uma lufada de vento que passou por sua figura, acompanhada dos gritos do senhor Julian que parecia desesperado para que não abrisse a janela. Abriu a boca para respondê-lo, mas só teve tempo de olhar para trás, assistindo o vento levantar a poeira e a papelada que o escritor havia organizado da própria forma caótica.

- …! - não teve tempo de responder, logo adiantando-se para impedir que o moreno tropeçasse de novo naquela bagunça enquanto tentava alcançar a janela para fechá-la. Segurou-o pelos braços, ajudando-o a ficar de pé enquanto outra lufada de vento adentrava no quarto, levando, inclusive, alguns papéis para fora. - Ah, d-desculpe, senhor Julian! Espere!

Pediu inquieto enquanto tentava manter a calma para se apressar até a janela para fechá-la de novo, o suor descendo até o queixo. Assistiu uma das folhas ficar presa entre as brechas da janela e praguejou baixo, nervoso por ter conseguido se meter naquele caos. Arrancou a folha da brecha, perdendo um pedaço do papel no processo. Encarou a folha em descrença, culpado por ter destruído o trabalho do escritor. Por outro lado, também se sentia frustrado por ter de fazer aquele serviço em meio a tamanho abafado e bagunça.

- Eu vou… - começou, entregando a folha danificada que havia retirado da janela para o escritor. Aparentemente era uma das folhas de anotações do moreno que havia perdido um pedaço da base inferior. - Vou buscar os papéis.

Avisou apenas, inquieto com toda aquela situação. Respirou fundo antes de se afastar, retirando a camisa do próprio pescoço para poder usar o tecido e secar o próprio suor, deixando a peça na sala de estar junto com os livros para sair da residência e procurar as folhas que haviam sido levadas pelo vento. Pelo menos do lado de fora se sentia menos sufocado por toda aquela bagunça e a própria falta de cuidado do escritor com a própria segurança. Franziu o cenho enquanto procurava pelos papéis, tentando adivinhar em qual dos arbustos e áreas do jardim aquelas folhas poderiam ter caído.

Julian

A bagunça no quarto foi completa e só parou de correr entre os papeis porque George o segurou com firmeza pelos braços. Tudo estava bagunçado, alguns papeis tinham descido as escadas, outros tinham saído pela janela antes de George conseguir fechá-la.

- Ahhhhhhhhh, eu tinha esquecido disso!!! Aqui em cima venta muito, mesmo quando não tem vento, arhhhhhhh!!! - Julian levou as mãos à cabeça, bagunçando os cabelos já desalinhados pensando no que fazer com todo aquele caos que tinha se instaurado ali dentro.

Nem prestou atenção direito ao papel rasgado que George tinha lhe entregado. Começou a circular no quarto, pegando o que tinha saído do lugar e colocando sobre as mãos, sem conseguir distinguir a qual pilha cada um pertencia.

- Isso... hmmm... das hierarquias, e esse de cartografia e esse... não, é de astronomia, e esse que é de livro e... - começou a catar os papeis, sem saber exatamente como separá-los e sem prestar muito atenção ao caminho.

Foi seguindo a trilha de papeis que tinha voado para fora do quarto também e não se surpreendeu de espirrar pela primeira vez. Juntou os papeis bagunçados nas mãos e seguiu para a escada, pegando os que estavam ao longo do caminho. Desceu como já estava acostumado, o segundo e o terceiro espirro vindo em seguida. E foi no terceiro espirro que não viu um dos papeis nos últimos degraus da escada e pisou com vontade nele, escorregando no mesmo instante para cair de bunda nos últimos degraus e quicar até o chão.

- Auuuuu-atchim! Atchim! Atchim!!! - espirrou uma série de vezes, os papeis em suas mãos tinham caído de novo, o nariz estava vermelho e a bunda doendo de ter caído sentado e quicado em três degraus antes de alcançar o chão. - Aiaiaiaiaiai!!!! Atchim!

George

Havia descido para tentar recuperar os papéis que haviam sido levados pelo vento para fora da residência do escritor. Passou a mão pela cabeça, tentando manter a calma diante daquela situação. Já havia feito muitos trabalhos de carregamento sob a supervisão e ajuda de pessoas que não tinham muita noção sobre a própria segurança, mas nunca havia realizado aquele tipo de trabalho na companhia de alguém tão inconsequente quanto Julian Holt. O que lhe fazia pensar: conseguiria fazer um bom trabalho naquela casa ou estava apenas seguindo as diretrizes malucas do homem que gostava de colocar em risco a própria saúde?

Suas respostas vieram com o ruído de um estrondo. Deixou o trabalho de procurar pelos papéis para depois, mais preocupado com o que havia causado aquele barulho todo. Correu de volta para procurar por Julian, acabando por encontrá-lo aos pés da escada, caído.

- Julian! - adiantou-se para se abaixar, ajoelhando-se próximo do moreno para notar o nariz vermelho do outro e ouvir os gemidos de dor pela aparente queda que ele havia sofrido da escada. - Eu avisei para tomar cuidado com a escada! Por que não me dá ouvidos?! Olha aí! - estendeu as mãos, segurando o rosto do rapaz entre elas, obrigando-o a virar a face, verificando se o nariz não havia sido machucado na queda. Não se importou com a coriza que continuava a escapar com os espirros. - Não se mexa! Coloque a cabeça para trás!

Não costumava brigar ou discutir com as pessoas, mas Julian parecia precisar de um pouco mais de ordem e menos compreensão. Era pai de dois meninos e apenas Samuel parecia ter apresentado aquele tipo de teimosia e inconsequência na sua presença. O problema era que Julian Holt era um homem adulto já e, ao seu ver, ele já deveria ser mais responsável que aquilo ao lidar com a própria bagunça.

Primeiro, tentou apoiá-lo para que ficasse de pé, mas diante das pancadas que ele deveria ter levado ao cair da escada e a expressão de dor, tomou fôlego, fazendo o favor de carregar o escritor nos braços até a cozinha. Colocou-o sentado em uma das cadeiras, afastando-se brevemente para poder pegar gelo na geladeira e um pano de prato, improvisando uma compressa para onde ele deveria estar sentindo mais dor.

- Fique parado e tente prender a respiração para diminuir os espirros! - repreendeu-o, irritado já com a situação de irresponsabilidade e falta de juízo do moreno. - Aqui, segure isso! Vou limpar seu rosto para diminuir a poeira que deve ter respirado! - apressou-se para molhar um segundo pano de prato na cozinha, usando o tecido molhado para limpar o rosto de Julian. Afastou-se um pouco para observar se ele não havia se machucado de forma visível com a queda. Para alguém magrinho, ele parecia estar com tudo no lugar. - Eu sabia que isso ia acontecer! Que coisa de ficar subindo as escadas correndo! Quem é que sobe as escadas correndo?! - respirou fundo, exasperado. Talvez fosse o calor ou o esforço que estava fazendo para lidar com a teimosia de alguém que supostamente lhe pagaria por um trabalho que não podia fazer sozinho. Pelo que parecia, muita coisa o tal escritor não conseguia fazer sozinho. - Agora me diga, onde é que está mais sentindo dor? Bateu a cabeça? Como foi que você caiu? - perguntou, tentando descartar a ideia de sua cabeça que ele poderia ter hematomas no dia seguinte por conta daquela queda.

Julian

Julian apoiou uma das mãos no último degrau atrás de si, sentindo a bunda latejar com o incômodo da queda. Os papeis que tinha juntado estavam espalhados no corredor e a série de espirros continuou, deixando seu nariz ainda mais vermelho e fazendo os olhos lacrimejarem. Logo George entrou alarmado na casa de novo, por causa do barulho, e ainda reclamou exatamente como Fleur fazia sempre que causava alguma bagunça. Queria até ter rido da resposta imediata do bombeiro, mas a única coisa que conseguia fazer era espirrar e coçar o nariz por conta da alergia que estava atacando.

George ainda tentou lhe ajudar a ficar de pé, mas acabou sendo levado para a cozinha nos braços do outro, tentando seguir as indicações dele.

- Tá bom... atchim! Atchim! Atchim!! - espirrou mais algumas vezes, o que dificultava bastante a sua tentativa de prender o ar. Pegou o pano com gelo que ele tinha trazido, mas não soube exatamente o que fazer, esfregando os olhos e o nariz até ele voltar com um tecido molhado para limpar seu rosto como se fosse uma criança.

Não reclamou, estava até acostumado àquele tipo de tratamento. Os espirros não cessaram, mas diminuíram um pouco de frequência, o suficiente para ouvir o sermão do homem sobre não subir as escadas correndo.

- Mas não foi subindo-atchim! Foi desc-atchi! Descendo. - corrigiu, como se aquilo melhorasse em alguma coisa a sua situação, e com certeza o outro não ia ficar nada feliz com sua resposta. - Ahn... não bati a-atchim! Cabeç-atchim! Foi só a-atchim! A bunda... atchim! - esfregou de novo o nariz ainda mais avermelhado. - Au... tá doend-atchim! - fungou, movendo-se um pouco na cadeira de madeira dura que só deixava sua bunda mais dolorida. - Você achou os outr-atchim! Os outros papeis?

George

Deveria mesmo haver algo de errado com a cabeça do escritor para ele se preocupar com os malditos papéis enquanto estava sentindo dor. Não fazia ideia do conteúdo daqueles papéis para que fossem tão significativos para o homem, mas certamente deveria envolver o trabalho dele. E trabalho era algo que levava muito a sério, ainda que a irresponsabilidade do outro não lhe deixasse realizar o suposto trabalho que deveria fazer ali de forma adequada e segura.

- Estava indo procurar eles quando o senhor caiu da escada! - respondeu, puxando uma segunda cadeira para improvisar um lugar onde o moreno poderia colocar os pés para cima. - Vire de lado! - disse ao sujeito enquanto arrumava a compressa com gelo improvisada na cadeira para que o outro pudesse sentar em cima. Segurou as pernas dele e as colocou sobre a outra cadeira que trouxe mais para perto, impedindo que o sangue circulasse diretamente na direção das pernas. - Fique aí!

Apontou para o escritor antes de se afastar para abrir a geladeira e os armários até conseguir encontrar um copo grande. Encheu o mesmo com água mineral e estendeu para Julian, segurando-lhe as mãos para que ele não largasse aquele copo e tomasse cuidado.

- Beba água para diminuir a sua alergia e não se mexa daí se não quiser sentir mais dor no corpo! - avisou, sério. Respirou fundo, coçando a nuca antes de olhar o cenário caótico ao seu redor. - Vou procurar seus papéis, mas não saia daí! Não suba as escadas de novo! - apontou na direção do moreno, afastando-se sem dar as costas para ele como se duvidasse que de fato ele fosse lhe obedecer.

Saiu pelo corredor para a sala e então para o jardim, já encontrando alguns papéis virados e alguns poucos presos entre os arbustos. Aquele supostamente deveria ser um trabalho fácil, mas estava sendo tão desafiador quanto tentar fazer Samuel arrumar o próprio quarto quando ele estava chateado consigo. Apenas buscou fôlego e julgou que quanto mais cedo começasse a juntar os papéis, mais cedo conseguiria voltar para o trabalho de mover as pilhas de livros e ir buscar seus filhos na escolinha.


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[Drive] Trabalho a Domicílio [George; Julian; Dieter; Fleur] - by Lil - 08-29-2021, 01:09 AM

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