[Drive] Sigam-me os Bons! [Giles; Berthold; Angus]
#1
Giles

Agora que tinha quase se entendido com seu colega de quarto, Giles começou um pequeno experimento para testar se Angus estava mesmo falando a verdade sobre não estar remotamente acordado pela manhã, e por isso ele tinha uma amnésia diurna. Todos os dias, no horário em que Angus acordava, começou a levantar também, e sua meta, junto com um bloquinho de anotações, era criar uma agenda da rotina matinal do colega de quarto. Assim, podia ajustar sua própria rotina, porque não tinha nenhum problema de manhã que o impedisse de acordar cedo. As pessoas de seus antigos trabalhos bem sabiam que era relativamente pontual.

Angus de fato não estava mentindo. Não era possível que estivesse mentindo, porque uma pessoa não se acidentaria voluntariamente três manhãs seguidas, batendo em obstáculos. No primeiro dia, Giles achou engraçado. No segundo, testou brincar um pouco, tirando um objeto não-essencial do caminho de Angus para ver se ele notava. No terceiro, trancou a porta do banheiro para ver o que ele fazia, e notou que ele foi para a aula mesmo sem banho, depois de ficar vários minutos com a testa na porta, como se estivesse esperando o tempo de ir pra aula.

Naquela manhã, tinha decidido não aprontar, porque parecia que o ruivo era um imã natural de pequenos acidentes. Na verdade, optou por segui-lo mais uma vez. Aparentemente, a primeira tarefa da rotina dele era uma caminhada, e por isso, preparou um conjunto de roupas esportivas para acompanhá-lo. Com um bloco de anotações na mão, acompanhou o ruivo pelos corredores do dormitório, curioso para fazer como seria mais aquela manhã.

Berthold

O jovem alemão apesar de não ser um atleta a quase dois anos, seguia as práticas de exercício como se ainda fosse, sua antiga terapeuta disse que ajudava a manter a dopamina alta, mas fazia aquilo principalmente pra não se sentir um inválido maior do que já se sentia nos dias ruins. Tinha acordado cedo e posto uma roupa apropriada para prática de esportes e tênis confortável, naquele horário do dia Evelyn não tinha acordado ainda, então saia sempre o mais silencioso possível, estava com o celular em mãos e colocando o fone de ouvido pra rodar sua playlist de treino.

Estava na porta do dormitório passando a chave no quarto quando Angus passou por si, com uma cara amassada de quem ainda carregava a cama nas costas, acenou para o rapaz, que lhe ignorou completamente nem dando tempo para que dissesse um bom dia. O loiro piscou um par de vezes sem entender o que estava acontecendo, ou se tinha feito alguma coisa errada para que o ruivo maior lhe ignorasse plenamente.

Foi bem em tempo de avistar Giles, o outro rapaz que dividia o dormitório com o gigante irlandês, e encarou o outro com uma cara de estranheza real:

-- Eu fiz algo de errado pra ele?! -- perguntou genuinamente preocupado se tinha causado algum problema para o maior.

Giles

Quando estavam passando pela porta dos outros quartos do dormitório, Giles notou a presença de alguns alunos que acordavam cedo demais, e um deles, inclusive, um loiro familiar, parou para cumprimentar Angus, o que rendeu um belo total de zero respostas. Anotou isso em seu caderno, percebendo que nem o queridinho Konrad-que-sabe-de-basquete mudou a trajetória de um Angus adormecido.

- Ah, bonjour, Konrad! – Giles cumprimentou, notando que Angus, embora estivesse arrastando a cama nas costas, ainda conseguia ser bem rápido nas passadas com seus muitos metros de perna. – Vem comigo, lhe explico no caminho. – falou, pegando o rapaz pela roupa e puxando para que lhe acompanhasse um instante. – Não se preocupe, você não fez nada. É que o O’Neil está “dormindo”, acredite se quiser.

Fez uma cara feia enquanto chegavam perto o suficiente para ver Angus quase tropeçar em uma lixeira do corredor que tinha sido levemente movida de lugar do dia anterior.

- Pelo visto ele tem um sonambulismo esquisito. Ele está acordado, ele só não responde bem de manhã cedo, mas ele tem toda uma rotina de atividades. Eu sou o colega de quarto dele, estou investigando esses hábitos para ver a porcentagem de ronchas que ele adquire todo dia, dormindo na caminhada. – riu, notando que até então estava segurando a roupa do loiro. – Desculpe, só fiz lhe sequestrar. Estava indo caminhar? Por que não vem com a gente?


Berthold

A resposta do colega de quarto de Angus não lhe esclareceu o que estava acontecendo ali, e logo que teve a camisa puxada, apenas certificou-se de guardar a chave do dormitório no bolso para poder acompanhar os passos ágeis do outro. E estava prestes a avisar para o outro ter cuidado com a lixeira quando o ruivo tropeçou mesmo assim bem em tempo de Giles bem ao seu lado começar a explicar que aquilo era um tipo de sonambulismo.

A surpresa foi genuína no rosto do alemão, que encarou do moreno para o ruivo, assimilando aquela parte estranha da história:

-- Parece uma investigação científica isso, sendo que o Angus é um objeto de estudo bem grande se comparar com um ratinho num labirinto ou coisa assim. -- o loiro riu achando curiosa aquela constatação, e bem em tempo do outro pedir desculpas por lhe “sequestrar”, então acenou negativamente: -- não precisa se desculpar, eu ia fazer exercícios de qualquer jeito, sendo sequestrado ou não. -- O loiro voltou a olhar para o mais alto que tinha tropicado em algo mas seguiu como se nada tivesse acontecido: -- E pra falar a verdade, fazer exercício sozinho é meio chato, fazer acompanhado no meio de uma experiência assim parece mais legal. -- admitiu, rindo um pouco, embora não fosse legal estar rindo do problema de saúde do outro com o sonambulismo: -- Depois tenho de lembrar de me desculpar por rir do Angus nessa situação, coitado.

Giles

Giles abriu um sorriso largo com a resposta de Berthold. Ele parecia um sujeito receptivo e legal, em concordar em fazer uma caminhada com um sonâmbulo e seu colega de quarto, mesmo ficando consciente de que talvez não fosse bom usar as condições estranhas de Angus como entretenimento. Mas Giles não ligava tanto. Não estava querendo mal a ele, só entender como tudo acontecia, para tornar a convivência mais agradável.

E honestamente, havia algo de errado com uma diversão inocente? Como ver um ruivo gigantesco quase trombar com uma árvore.

- Se você precisa se desculpar, então eu também preciso. Melhor não falar nada, estamos aqui tentando proteger ele. É um pouco coisa de vilão ficar sendo stalker do colega de quarto, mas dos males o menor. Ele vai entender. – Giles pontuou enquanto corria a uma distância segura, puxando a caneta e o bloquinho para registrar um quase trombamento com a árvore e um tropeço em seguida. – E ele é ótimo como objeto de estudos para várias áreas de conhecimento. Não importa necessariamente a superfície ou o volume que ele ocupa, em comparação com um ratinho, mas quantas perguntas conseguimos fazer e criar hipóteses sobre enquanto estamos na fase de observação.

Giles se apressou um pouco pensando que ele iria atravessar a entrada de carros na frente de algum professor que chegava para as aulas matinais, mas ficou aliviado que ele até parou, antes de continuar.

- Fascinante. – Giles ergueu as sobrancelhas, olhando para Berthold. – Ah, eu sei que pareço meio nerd falando isso tudo, mas eu juro que sou atleta, tá? Apesar de estar pensando no curso de matemática... e você, Konrad? Aliás, você é bom de entender basquete, não é? Fiquei surpreso lá na quadra. Skills de um olheiro profissional.

Berthold

O loiro observou toda a movimentação de Angus e se toda a sequência de acontecimentos não lhe parecesse apenas engraçada e inofensiva estaria nesse momento mais preocupado com a integridade física do outro. Porém, talvez fosse a forma pouco preocupada com que Giles tratava a situação que colaborasse pra ficar mais tranquilo e apenas aceitar que estavam fazendo uma observação para o bem dele:

-- Bem, ele é grande, se precisar ser carregado, acho que nós dois conseguimos arrastar. -- se prontificou para ajudar, para o caso de Angus acabar caindo e dormindo ali mesmo no meio do ar livre, mas pelo visto ele já tinha adquirido alguns reflexos em relação ao campus e ao estacionamento: -- Dá próxima vez eu trago minha câmera pra registrar. -- Só após falar é que tinha percebido o quanto aquela fala dava a entender que estava se convidado a acompanhar o experimento social de Giles com o colega de quarto: -- Desculpe se parece que eu estou me convidando, não foi intencional.

O tempo do moreno escrever em seu caderninho sobre o comportamento do ruivo maior, foi também uma oportunidade de saber que o outro curvava matemática, o que fez com que Berthold fizesse uma expressão surpresa: -- Nossa, matemática tem cara de cientista mesmo, mas dá pra saber que você é um atleta só de olhar, porte físico, bons reflexos, distribuição de massa principalmente nos braços bem definidos, além de boa percepção de espaço, você gosta de falar, logo deve tá acostumado a dar ordens, e mesmo os lances mal executados não era falta de disposição física, e sim falta de base de basquete. Não é coisa que você nasce sabendo, têm de treinar pra adquirir, mas se fosse chutar sua base deve vir de algum esporte de contato provavelmente. -- Berthold nem percebeu que tinha falado um monte em relação ao outro, que provavelmente nem era o foco da pergunta em si:

-- Eu gosto de esportes, embora a minha bolsa seja na área de artes, e eu não tenho nenhuma cara de quem pinta quadros ou participa de galerias. Haha! -- Riu um pouco sem graça, se distraindo momentaneamente da figura de Angus. Em verdade os dois eram pessoas bem agradáveis ao seu modo, e estava surpreso de ter encontrado pessoas receptivas na França, talvez estivesse com as expectativas baixas demais, mas era bom se surpreender positivamente pra variar.

Giles

Giles ponderou sobre o tamanho de Angus e o tamanho de Berthold. Eram os dois um tanto mais baixos que o ruivo, mas provavelmente conseguiriam carregá-lo caso algo acontecesse sim. A ideia de Berthold lhe acompanhar com a câmera para tornar o experimento ainda mais formal lhe entreteve bastante. Só não esperava que ele se colocasse em uma posição tão formal, o que lhe obrigou a dar dois tapinhas nas costas do loiro.

- Oh, pode se convidar sem problemas! Não é todo dia que um cara bonito quer colar nos meus rolês, eu tô só aproveitando a vista leve nos olhos. – Giles falou de um modo completamente sério, o que não dava para entender inteiramente como uma cantada, ou se de fato ele estava sendo sincero. – Além do que, eu te sequestrei primeiro. É bom ter companhia para uma caminhada matinal. – sorriu.

Quando o loiro apontou sobre suas qualidades de atleta, Giles não resistiu colocar um sorriso convencido no rosto, e mover os braços como se fosse um halterofilista se exibindo em um concurso, tanto que por um instante, quase perdeu Angus quase trombando em uma árvore no caminho. Só parou de ficar satisfeito quando ele mencionou sua falta de base para basquete, o que pôs uma nuvem sobre sua testa.

- Veja bem o senhor Konrad... eu posso não ser o melhor jogador de basquete do mundo, mas eu jogo basquete sim. Como um jovem americano, acho ofensivo você criticar o meu streetball desse jeito. – falou com um ar de indignação que quase pareceu verdadeiro. – Só que bem verdade, eu joguei futebol americano como Quarterback com muito mais frequência. Basquete era o jogo divertido dos domingos com a galera da vizinhança. Eu preciso de bases para jogar no nível dos bolsistas daqui.

Então deu uma longa olhada para Berthold quando ele mencionou ser estudante de artes.

- Bom, não sei se existe “cara” pra artista sensível e tal, mas se lhe alivia, eu gosto da sua cara. Olha pra mim, tenho cara de quem tem bolsa por xadrez? – brincou, então abrindo um sorriso largo. – Mas você tem quadros e exposições? Isso é incrível! Eu queria ver um dia, se você deixar. Eu não pareço mas sou um grande apreciador das artes.

Berthold

Estava tão distraído com a saída matinal não usual e a companhia agradável de Giles que Berthold tinha se esquecido do fato que era um rapaz "bonito" e as pessoas sempre lhe chamavam a atenção para este fato, mas era diferente quando a pessoa que lhe elogiava era bonita também. O comentário lhe pegou de leve surpresa e fez o rosto alvo corar com facilidade e por isso o alemão desviou os olhos do moreno ao seu lado de volta a figura do ruivo que tinha recém tombado em algo no caminho. A forma alternada entre “séria x engraçada” com que o moreno ao seu lado usava pra falar dava margem pra várias interpretações, talvez fosse uma piada? Na dúvida, era melhor não alimentar expectativas e estragar uma possível amizade legal com um crush não correspondido. Embora não soubesse exatamente o que era “rolê” imaginava que tinha haver com aquela saída “pra fazer exercício”.

Não tinha como evitar de rir diante das poses exageradas do outro, ele era realmente extrovertido, até ele lhe explicar que ele jogava apenas por diversão, e mais, soube que ele vinha dos Estados Unidos : -- Não precisa me chamar de “senhor Konrad” parece que você está falando com meu pai, pode me chamar só por Berthold, e você fala francês tão bem, que pensei que fosse daqui. -- Pontuou brevemente enquanto ele comentava que também não tinha “cara” de quem jogava xadrez, seguido da pergunta se o próprio Berthold estava com material em exposição, e ainda com aquele ar entusiasmado:

-- Não sei dizer se toda pessoa do xadrez é legal ou bonito como você. Então, fico devendo minha conclusão sobre se você tem ou não cara de jogador. -- Comentou sem se dar conta que tinha chamado o outro de “bonito” e aquilo podia deixar a conversa estranha, em verdade não sabia qual era o limite entre um elogio e uma cantada naquele país:
-- No momento tem uma galeria com material meu em Paris, podemos fazer uma brincadeira, eu não digo qual material pintei e você tenta descobrir qual é baseado na minha “cara de artista sensível”, como eu uso pseudônimo nem adianta ler as legendas dos quadros.

Aquilo parecia quase uma intenção de encontro, mas se ele gostava de artes podia ser só passei entre amigos? A verdade é que fazia tanto tempo desde a última vez que Berthold tinha flertado com alguém, que agora estava sem parâmetros se estava sendo uma gay atirada, ou apenas tentando fazer um amigo.

Giles

O rubor notável nas bochechas de Berthold fez com que até Giles ficasse um pouco consciente do comentário que tinha feito. Não que se envergonhasse de passar cantadas descaradas, mas geralmente era respondido com uma risada ou com pessoas dizendo que ele era muito bom em brincar de um jeito sério. Isso quando não era o caso de alguém lhe empurrando no vestiário e tendo que brigar. Ou quando dava certo, com outros adolescentes com tanta vontade de fazer umas explorações quanto ele. Acabou abrindo um sorriso satisfeito, notando que Angus, naquele ponto, pelo menos estava completamente alheio que estavam caminhando enquanto investigavam a vida dele e trocando cantadas.

- Berthold, então. E pode me chamar de Giles também. Mas o hábito é das jerseys da gente no time de futebol. Todo mundo colocava o sobrenome, então eu me acostumei assim. – comentou, feliz que seu francês tinha sido elogiado. – Eu tô morando aqui há uns meses já, mas meu tio é de Cerise. Fui praticamente criado com ele, e fiz um curso de francês na escola, facilitou muito. Você deve eventualmente cruzar com o tio Abel, ele é o professor de teatro daqui.

Ser elogiado por sua cara extremamente comum era um evento raro. Não que se achasse feio, pelo contrário, mas era só um adolescente de traços normais. Sua família era composta de pessoas de gente branca com caras neutras com pintinhas, assim como seu pai e seu tio, e sua mãe era muito bonita, mas tinha saído quase uma réplica da família do pai. Acabou sorrindo satisfeito com as palavras amáveis do loiro.

- Então somos um par bonito de gente que não tem cara pros hobbies que adotam! – riu, notando um leve engasgo de Angus na caminhada, por ele quase bater a virilha em um postinho alto na rua que separava a calçada da grama. Fez uma careta de dor, mas logo deu atenção a proposta do outro rapaz do seu lado, sentindo o corpo todo quente com a ideia. – Ohhh!! Isso é um desafio? Vou usar toda minha capacidade de observação! Prometo até levar um óculos! Se prepara que eu vou ter que te conhecer melhor pra poder entender e observar seus quadros, então o meu próximo diário de observação pode ser você, ein! – falou animado, pensando que poderia se provar de uma forma bem divertida com a ideia de Berthold. Mas em seguida abriu um sorriso, virando de costas para fazer uma corrida breve encarando o loiro. – E se não funcionar te conhecer antes, é pra isso que são os encontros mesmo, não é? – Giles completou com um ar divertido, sem ver que Angus tinha parado atrás de si e trombando diretamente com ele. – Ouch! My bad!

Berthold

Talvez fosse um cara de “crush rápido”, ou talvez as pessoas na França sendo várias vezes legais com Berthold, tivesse deixado o loiro mais inclinado a achar os outros “legais” de volta. O pior que sem parâmetros se aquilo era apenas outro aluno de fora tentando interagir e fazer amigos, ou alguma outra coisa, o alemão se sentia pisando num terreno sensível. Era raro não o acharem enjoado ou blassé de primeira vista, no fim das contas, era sempre mais fácil ficar a vontade quando se tratava de outros atletas. Deixou de espiar Angus por um momento para encarar Giles quando ele sorriu e seguiu narrando sobre o hábito do uso do sobrenome pelo time de futebol, e acenou positivamente: - Apenas Giles então. - sorriu em retorno, mantendo a amigabilidade que tinha conseguido construir naquela conversa.

Não sabia se alunos do terceiro ano tinham de fazer aulas de teatro, mas ficava tenso de ter de falar em público, e era por isso que usava pseudônimo, pra não ter de mostrar a cara em exposições chamativas e lugares cheios de pessoas. Riu quando Giles comentou que “os dois eram um par bonito de pessoas que não tinham cara dos hobbys que seguiam”, porque do pouco francês que sabia, usar o termo “par” lhe pareceu bem conveniente, mas se fez de desentendido, afinal não sabia se estava entendendo o francês dele certo, ou querendo entender de outra forma.

Olhou na direção de Angus quando ele emitiu um ruído baixo, demorando pra entender que a altura da mureta atingia justo um ponto sensível, fazendo uma careta em seguida. E claro que depois de propor saírem juntos, não esperava que o outro rapaz ficasse tão animado, a ponto de julgar fazer um caderno de observações sobre sua pessoa:

- Bem se considerar que eu passo horas no ateliê pintando, e outras horas em aula, você tem uma janela bem pequena dos meus horários, vai ter de se esforçar pra aproveitar as brechas na minha agenda. - brincou, mas a verdade é que tinha uma rotina bem chata pra se observar, mas não custava vender a ideia de que seria divertido. Em verdade sentia falta de trocar brincadeiras idiotas com colegas de time nos vestiário de quadra. Ergueu o olhar para encarar Giles, quando ele lhe respondeu indicando que pra isso que serviam os “encontros”, e até queria fingir que tinha levado aquilo na brincadeira, mas sentiu seu sangue subir, e o rosto de pele alva ficar corado até as orelhas, com certeza não era o calor francês lhe afetando, tanto que as palavras embolaram: - erh... !

E antes que pudesse achar um jeito de responder apropriadamente, o moreno tinha trombado em Angus que tinha parado, será que ele tinha acordado?

Giles

Até que enfim viu a cara vermelha de Berthold de novo. Pelo visto ele era um clássico exemplo de pessoa caucasiana que ficava altamente vermelho quando podia, e achou uma graça. Ainda mais fofo porque, diferente das pessoas quem tinha tentado passar cantadas em Cerise, o loiro parecia lhe levar a sério. Era bem melhor tentar interagir assim com gente da sua idade. Nathan que lhe perdoasse, porque era um homem muito bonito mesmo, mas sem dúvidas o pintor ao seu lado era mais gracioso. Se pelo menos não tivesse batido contra Angus, talvez tivesse emendado outra cantada.

Berthold pareceu nervoso, mas Giles bem sabia que não daria em nada. Ele olhou para Angus e então para o loiro, abrindo um sorriso largo.

- Agora se liga que negócio sinistro é o sono dele...! – Giles comentou como se fosse um repórter de vida selvagem depois de encontrar um predador no meio da floresta. Mas ao invés de atacar, Angus só deu meia volta porque estava na hora de fazer o retorno do caminho para St. Clavier, afinal, tinha chegado na metade da caminhada. – Fascinante! Nenhuma reação! Nenhuma mudança de curso! E ele continua dormindo! Imagina só, dormir assim... capaz de sofrer um acidente sem saber... se enfaixassem ele antes de acordar, ele só notaria quando já estivesse liberado.

Giles bateu palmas pro sono do outro e em seguida anotou o evento em seu caderninho.

- Será que ele consegue jogar basquete mesmo dormindo? – se questionou antes de andar até o loiro. – Vamos voltar também?

Berthold

No geral o alemão não era uma pessoa difícil de ler depois que se conhecia, passando o primeiro contato e as reações Blassé porque era um sujeito tímido, o loiro era um sujeito que dificilmente conseguia mentir ou esconder bem seus sentimentos. Principalmente se fossem cantadas que não tinha certeza se eram de fato flertes, ou se o outro só estava sendo amigável e brincalhão, mas o que Berthold já sabia, é que queria ter mais oportunidades de interagir com a nova dupla que tinha recém conhecido. Principalmente quando Angus também estivesse acordado, o que não era o fato ainda.

Berthold ficou mais aliviado quando Giles lhe explicou que o outro só tinha parado porque estava na hora de voltar, e que deveriam continuar acompanhando-o, acenou positivamente em concordância e seguiu de perto:

- Se fosse uma aposta, eu acho que diria “sim”, afinal parece que o Angus já repetiu essa rotina de treino tantas e tantas vezes que sequer precisar pensar, ou mesmo estar acordado para executá-la, o tanto que parece fantástico é igualmente estranho. - Riu do próprio comentário, porque era exatamente aquilo, era uma habilidade de sonâmbulo muito interessante, mas não podia negar que era esquisito.

- Imagino o seu susto Giles de dividir quarto com o Angus, e ver esse tipo de situação peculiar pela primeira vez, deve ter sido engraçado. - O loiro sorriu imaginando o tipo de cena digna de um episódio de desenho animado, onde se sacode a pessoa pelos ombros dormindo, mas ela não acorda de jeito nenhum.

Giles

Berthold tinha um bom humor para lidar com aquela situação engraçada de Angus sendo seguido pelos dois como se fosse um espécime em observação. Acabou rindo de quando ele disse que se fosse uma aposta, apostaria no “sim” e então abriu um sorriso largo, tomado por uma ideia maldosa.

- Não é uma aposta, mas... podemos testar outro dia, que acha? A gente carrega ele pro ginásio ao invés de dar a volta em St. Clavier. Nunca tentei mudar a rota dele. – ponderou, animado com a possibilidade de colocar Angus com uma bola de basquete enquanto caminha ou em um jogo de basquete antes mesmo de acordar. Será que conseguiriam impedir o caminho natural dele de fazer exercícios tão cedo?

Então Berthold mencionou a primeira vez em que se deparou com aquela situação e Giles sorriu amarelo, um tanto pensativo, como demonstravam todas as direções em que suas sobrancelhas se curvaram.

- Bom, na primeira vez... eu me apresentei e achei que ele era só grosso, porque ele nem me respondeu e ainda me esqueceu. Foi por isso que brigamos no dia em que te conhecemos lá na quadra. Eu não sabia que ele estava dormindo... mas isso se comprovou no dia seguinte. Eu não acreditei que ele tinha esse sonambulismo estranho... mas ele me deu um susto entrando no banheiro sem me ver. Eu vi tudo, rapaz, do Angus ao Angus Junior. Que de Junior não tem nada! E o pudor? E a família? – Giles reclamou, falsamente irritado, sacudindo as mãos de modo veemente. Já estavam quase no fim da volta de Angus, e infelizmente em breve seriam os horários das aulas.

Berthold

Claro que para Berthold toda aquela situação era engraçada, mesmo que fosse às custas do sonambulismo de Angus, podia até se sentir mal, porém como o que estavam fazendo era plenamente inofensivo, então se permitia achar engraçado. Talvez fosse também por estar na companhia de Giles que parecia tratar tudo com muita tranquilidade e então conseguia se distrair da sensação de culpa de estar zoando Angus enquanto ele dormia.

- Acho que vai ser uma boa experiência, e em todo caso, de basquete ele gosta, não tem nem motivos pra reclamar. - Não via o problema de aceitar sair pra acompanhar o outro em mais algumas manhãs de “experimentos com o gigante ruivo”, e quem sabe com mais manhãs aprendesse a distinguir as brincadeiras de possíveis cantadas? quem sabe? Não era pra alimentar experiências, afinal, não seria a primeira vez que julgaria alguém como gay sem ser.

E mesmo sendo uma pessoa usando lentes, com algum nível de perda de visão, conseguiu acompanhar todas as mudanças de sobrancelha do outro, e logo veio a explicação do porquê daquelas reações diferentes. E infelizmente Berthold era um rapaz alemão de pele alva, que com qualquer leve alteração de humor ficava visivelmente vermelho. Talvez fosse informação pessoal demais para se dividir com outras pessoas, os “delicados” do parceiro de quarto, parecia “so much information” para Berthold:

- Bem… dá pra entender porque você estava tão bravo naquele dia, mas assim, eu nem sei o que eu faria se eu estivesse no seu lugar, um gigante invadindo o meu banheiro assim, acho que minhas reações se resumiriam a gritos finos. - Riu desconcertado, tentando achar graça da situação e não parecer tão afetado, embora o termo “gritos finos” já lhe entregasse bastante da personalidade: - Hey Giles, eu sei que temos aula em seguida, mas se quiser planejar melhor como vai ser o plano de guiar Angus até a quadra, podemos almoçar juntos? Se for possível é claro.

Não queria parecer um viado atirado, mas admitia que queria conversar mais, era bom ter perspectiva de fazer amigos, e ter uma convivência mais normal, dentro do seu possível.

Giles

O loiro parecia concordar com suas ideias mais ridículas, então bem sabia que tinha achado uma ótima pessoa com quem se divertir, especialmente as custas de Angus. Não era que quisesse fazer nada contra o colega de quarto. Era só uma forma de se aproximar dele. Se ele detestasse – ou ao menos sentisse que algo diferente estava acontecendo ao seu redor – certamente parariam com as brincadeiras. Mas enquanto ele não reclamava, podiam se divertir um pouco com os hábitos matinais estranhos do ruivo.

Giles notou como Berthold ficou chocado por todo o partilhamento de informações sobre o colega de quarto, porque pelo visto, ser muito branco como ele, era uma tremenda desvantagem. E olhe que Giles também era quase papel de arroz, quando não tomava sol. Mas a ideia ele soltar gritinhos finos se estivesse na sua mesma situação no banheiro lhe arrancou uma risada boa, e riu bastante, até ficar um pouco vermelho, porque só conseguia imaginar gritinhos padrão de mulher que usavam em desenhos animados.

- Perdi a chance de dar um gritinho fino e sair correndo cobrindo o peito com uma toalha, poxa! – riu, guardando para si mesmo um pensamento breve que lhe veio a mente de que se Gus não tivesse entrado apenas para tomar banho, do tamanho que ele era, Giles teria com certeza soltado um gritinho fino. Porém afastou esse pensamento da cabeça assim que Berthold lhe estendeu um convite interessante para que almoçassem juntos. – Claro! E aproveito e já posso começar meu diário de observação seu. Eu soube que a comida de cafeteria tem as melhores opções da semana.

Angus já estava quase de volta para os dormitórios para ir para a aula e Giles olhou o relógio para cronometrar o tempo da caminhada de rotina. Ali seria provavelmente onde ele e Berthold se separavam.

- Então nos vemos no almoço, Konra... Berthold! – o moreno se despediu, feliz que havia arrumado um parceiro de confusão com Angus, um encontro e um almoço descontraído para aquele dia. St. Clavier estava se mostrando promissora. – AH! Angus, a árvor- Ai! Deve ter doído.

[Thread encerrada]


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[Drive] Sigam-me os Bons! [Giles; Berthold; Angus] - by Lil - 09-22-2021, 04:09 PM

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