[Drive] Ink me Out [Lucius; Marion]
#1
Lucius

Estava em seu quarto no dormitório dos alunos de St. Clavier, terminando de se arrumar para poder sair naquele final de semana. Boa parte dos alunos, até onde tinha percebido, costumam ir para as casas de suas famílias nos finais de semana se seus familiares moravam na cidade. Outros alunos, por conta dos pais morarem longe, em outro país ou na capital, como era seu caso, ficavam nos dormitórios.

Estava começando a usar mais suas redes sociais para postar algumas fotos que julgava serem bonitas do lugar novo em que estava. Dessa forma, também poderia manter contato com sua mãe diariamente, mostrando para ela tudo o que estava experimentando. E como um bom turista, começou a fazer uma lista de lugares que gostaria de visitar nos finais de semana. Havia encontrado um estúdio de tatuagem na cidade que havia recebido algumas boas revisões e indicações online.

Passou a noite do dia anterior se organizando financeiramente para os passeios que gostaria de dar pela cidade para conhecer melhor o lugar. Era bolsista, então até que arrumasse um emprego de meio período que ajudasse com suas finanças, precisava controlar bem os seus gastos. Contudo, já havia algum dinheiro guardado para que pudesse dar continuidade a sua tatuagem inacabada.

E foi na noite anterior que havia escorregado nas mídias sociais do rapaz que havia conhecido ao chegar ali em Cerise. O sujeito tinha uma boa quantidade de seguidores e vídeos bem interessantes de dança, muitos comentários e curtidas. Não entendia muito bem como alguém conseguia lidar com aquela exposição, mas a personalidade do sujeito parecia bem inclinada aquele tipo de atenção. Foi passando pelas fotos e vídeos que se deparou mais uma vez com uma imagem da tatuagem do outro, aquele floco de neve. E foi então que a ideia lhe ocorreu na manhã do dia seguinte.

[Lucius, 08:30, xx,xx,ano] Bom dia, Marion.
[Lucius, 08:30, xx,xx,ano] Você conhece este lugar?
[Lucius, 08:30, xx,xx,ano] [link do studio de tatuagem]
[Lucius, 08:30, xx,xx,ano] Estou pensando em ir lá hoje.
[Lucius, 08:30, xx,xx,ano] Sabe me dizer como faço para chegar lá?
[Lucius, 08:31, xx,xx,ano] Se quiser ir também, seria ótimo.
[Lucius, 08:31, xx,xx,ano] Se não tiver planos, é claro.
[Lucius, 08:31, xx,xx,ano] Queria te fazer algumas perguntas.

Marion

Finais de semana eram dias quase sempre ocupados para Marion. Sábados, ocasionalmente, descia até o porto para dar aula de dança e nos domingos, ensaiava coreografias para postar nas suas mídias sociais. Naquela semana em específico, entretanto, estava sem absolutamente nada para fazer. Poderia até dar um pulo na ONG e ajudar com outras atividades, mas como tinham planejado aulas de pintura para aquele sábado, se aparecesse, poderia até atrapalhar quando as crianças mais energéticas quisessem fazer algo de pular e se jogar ao invés de só sentar quietas e fazerem pinturas. O último professor de pintura que não tinha planejado nada lúdico tinha sido devorado vivo.

Arrumou uma mochila e pensou em talvez passar a noite na casa dos seus pais para sair para um clube pela noite com uns amigos, pois era muito mais fácil fugir e voltar para a casa dos pais. Mas uma mensagem logo de manhã chamou sua atenção. Era de Lucius, aparentemente lhe convidando para uma saída? Abriu o link deixado nas mensagens e viu um estúdio de tatuagem que conhecia, mas no qual nunca tinha ido de fato.

[Marion, 08:33, xx,xx,ano] Marcando encontro tão cedo no sábado? Gosto da iniciativa.
[Marion, 08:33, xx,xx,ano] Não tenho nada para fazer não. Não conheço o estúdio, mas sei onde é.
[Marion, 08:35, xx,xx,ano] Me encontra na entrada do dormitório e a gente vai juntos. Até já.

Como já estava praticamente pronto para sair, só pegou um café na cozinha do dormitório e desceu, sem se importar com praticamente o pijama fashion que estava vestindo. Esperou por Lucius, abrindo um sorriso largo quando o viu.

- Bonjour! Pronto para pegar um ônibus? Sai em 5 minutos, melhor a gente correr. – avisou, apontando na direção da saída de St. Clavier.

Lucius

Respondeu positivamente ao encontro marcado com o mais recente amigo, saindo do dormitório já pronto para ir com ele até o estúdio. Pegou a própria mochila e saiu depois de calçar o par de tênis, escolhendo passar no bebedouro mais próximo para encher sua garrafa com água fresca já que esperava passar o dia caminhando. Estava usando uma camisa jeans por cima de outra branca, calça jeans e tênis confortável.

Estava mexendo no celular, verificando novamente o endereço do lugar quando ouviu a aproximação de Marion. Estranhou as roupas do sujeito, mas não mencionou nada, concordando brevemente quando ele disse que era necessário que corressem para pegar o ônibus. Concordou com o sujeito, acreditando nele ao invés de tirar o celular e conferir no aplicativo de transporte o horário do ônibus passar.

Apressou-se com o sujeito para irem pegar o ônibus. Não tinha problema em correr, era bem rápido. Praticava basquete e corria todas as manhãs, estamina e pernas rápidas não eram o que faltava em sua pessoa. Estava usando um bom desodorante e um perfume suave amadeirado, então não estava com receio de suar a princípio e ficar com odor de corpo.

Assim que pegaram o ônibus, sentou-se ao lado de Marion, voltando-se para o sujeito finalmente a fim de se comunicar. Guardou o celular, movendo as mãos rapidamente, esperando que ele conseguisse lhe acompanhar.

[Obrigado por vir. Desculpe pela pressa. Você saiu correndo do seu dormitório? Eu podia esperar você trocar de roupa.] - explicou, achando que o sujeito deveria estar com tanta pressa a ponto de sair com o pijama que havia ido dormir na noite anterior. Encarou o rapaz com um semblante naturalmente sério, os cabelos escuros penteados e limpos, era comum que tivesse um bom odor de limpeza e sabonete.

Marion

Lucius era uma boa visão pela manhã, ainda mais todo preparado para uma saída longa, arrumado e perfumado, coisa que não deixou de notar enquanto seguia ele na direção do ponto de ônibus dando uma corrida breve. Ao menos também estava de tênis. Mas se surpreendeu que ele parecia bem rápido, e pelo visto tinha um bom condicionamento físico, porque chegaram no ponto de ônibus em tempo e ele nem suou.

Assim como bem sabia, de todas as vezes que já tinha saído de St. Clavier cedo pelo sábado, o ônibus logo passou, e tão logo se acomodou no banco, Lucius se acomodou do seu lado e veio puxar conversa. Afinal, mal tinham conversado até então, exceto pelo cumprimento matinal. Os gestos certamente eram mais difíceis de associar quando ainda estava tão cedo, mas fez seu melhor.

- Eu não saí correndo. Por que acha isso? - Marion perguntou, antes de olhar para as próprias roupas. Só então ele arqueou a sobrancelha. - Ei, isso aqui é uma escolha de moda consciente, viu? Sei que parece um pijama… e talvez seja um pijama… mas se não está sendo usado para dormir, é roupa como outra qualquer. - falou, com um falso tom ofendido, então levantando um dos pés. - E eu estou de tênis.

Só então riu, e notou que não estava fazendo os sinais de volta.

- Ah, aliás... porque o interesse no estúdio de tatuagem? Vai fazer um orçamento? - Marion perguntou, tornando a usar a linguagem de sinais e acabando por parar, franzindo a testa por não lembrar o sinal para orçamento, ou tatuagem, embora se virasse bem com “local”.

Lucius

Ficou surpreso com a reação do rapaz e desviou o olhar, ponderando sobre sua escolha de julgamento. Ele não estava indecente de forma alguma, apenas era curioso encontrar alguém vestido como ele andando por aí. Bem, era comum também encontrar jovens de gostos peculiares para moda em Paris. Baixou o olhar para observar o par de tênis do outro e concordou com um aceno positivo de sua cabeça.

Fez uma pequena pausa, observando os sinais que Marion fazia. Ergueu a mão para que ele parasse, indicando os sinais corretos para “tatuagem” e “orçamento”. Para “orçamento” era mais fácil, pois sempre poderia associar lista e dinheiro na sinalização. No caso de tatuagem era mais complexo pois poderia usar muitos sinais, mas escolheu usar o mais simples, sinalizando com as mãos como se estivesse desenhando no próprio ombro.

[Você também tem uma tatuagem. Onde foi que fez?] - perguntou com certa curiosidade, sinalizando mais devagar para que o outro pudesse acompanhar a conversa. Esperou um pouco antes de completar os sinais: [Desculpe por falar da sua roupa. Você está bem assim.]

Apesar de não estar acostumado com a forma de vida da maioria dos jovens da sua idade e até mais novos, não gostava de ser grosseiro com as pessoas. Muito menos com aquelas que se prontificaram em lhe ajudar. Sendo bem famoso nas mídias sociais, de certo que o recente amigo teria outras coisas bem mais interessantes para fazer naquele final de semana que lhe acompanhar como um guia turístico mais uma vez.

[Tem algum lugar que gostaria de ir depois?] - perguntou, tentando retribuir o favor de poder acompanhá-lo também em algum plano de visita que talvez ele tivesse pronto. De qualquer forma, sempre poderia voltar para o dormitório e estudar ou sair pelo jardim fotografando a instituição para mandar para sua psicóloga e sua mãe.

Marion

Marion concordou com a cabeça para os sinais de tatuagem e orçamento, repetindo para memorizar rapidamente, aproveitando para aprender mais sobre a linguagem de sinais. Logo Lucius lhe perguntou sobre sua tatuagem, e Marion sorriu.

- Fiz com um conhecido que frequenta o Capitol ocasionalmente. – falou, sinalizando as letras do nome Capitol para ele. – É um clube muito legal aqui de Cerise, as vezes eu vou lá para dançar. E aí conheço muita gente, alguns parceiros. Esse cara era tatuador, mas não nesse estúdio onde você vai. – explicou, lembrando que antes que Lucius chegasse, estava considerando ir dançar também aquela noite. Até poderia convidá-lo se ele quisesse. – E não se preocupe, as roupas parecem mesmo pijamas. – riu, deixando bem claro na expressão que estava ciente de suas escolhas de moda.

Então coçou o queixo com a proposta dele de irem a algum lugar depois, e abriu um sorriso.

- Bom, não exatamente. Mas se quiser ir dançar comigo hoje a noite, sinta-se convidado. – comentou, esperando que Lucius tivesse a mente bem aberta. – E você, o que vai fazer depois de ir no estúdio? Ah, a gente desce no próximo ponto.

Lucius

Prestou atenção da descrição dada pelo amigo, atento ao deletreamento do outro diante do nome do lugar chamado “Capitol”. Estranhou o riso solto do outro, admitindo em sua presença que de fato o que estava usando parecia um pijama. Ficou surpreso com a oferta para sair e dançar com o amigo. Ponderou sobre o convite, achando melhor responder depois. Estava pronto para responder sobre o que queria fazer quando ele anunciou que desceriam no próprio ponto. Arrumou a própria bolsa antes de se preparar para descer do ônibus, fazendo um rápido sinal de que “falaria” depois.

Observou a paisagem ao seu redor e só então voltou a atenção para Marion, escolhendo explicar seus planos para passeios pela cidade.

“Eu sou bolsista. Não tenho muito dinheiro. Queria começar a trabalhar.” - fez uma breve pausa, apontando o indicador para Marion. “Você conhece algum lugar onde eu posso tentar?”

Lembrava que o sujeito fazia parte de vários grupos sociais e parecia se dar muito bem com os rapazes em St. Clavier. Talvez ele soubesse de algum lugar onde poderia deixar seu currículo e contato caso surgisse uma oportunidade boa de trabalho.

Marion

Desceram no ponto de ônibus certo, e Marion assentiu com a cabeça para que Lucius falasse seus planos depois. Aproveitou para abrir o Maps no celular e procurar a localização do estúdio de tatuagem, lembrando mais ou menos quais as ruas nas quais precisava entrar para chegarem ao destino.

Tentou andar e prestar atenção aos sinais de Lucius ao mesmo tempo, mas nem era tão hábil assim com linguagem de sinais para conseguir entender tudo. Pegou parte pelo contexto, e parte porque os sinais eram até fáceis se conhecesse o contexto geral de St. Clavier.

- Claro! Quer dizer... sei onde e como arrumar trabalhos. Só não sei se são trabalhos que te interessam. – Marion comentou, embora honestamente não achasse que havia nenhum trabalho ruim. Apenas sabia que muitos alunos de St. Clavier valorizavam o status da instituição, então nem todos estavam dispostos a pegar trabalhos de meio período que não valorizassem suas habilidades. - Posso deixar seu currículo com um amigo meu. Aí vai depender do que você sabe fazer, mas ele pode priorizar trabalhos que não lidem diretamente com pessoas, se não for confortável para você. E se quiser atuar socialmente, pode deixar currículo em uma ONG para surdos que fica em Rouge, ensinar linguagem de sinais para ouvintes. Eles estavam precisando. Mas o dinheiro é pouco mesmo. – Marion racionalizou, guiando Lucius pelas ruas próximas. – Ah! Você pode também tentar tocar violão e fazer música ambiente nos bares da cidade. Sei que o dono do Mary Stigmata adora um músico talentoso. Se quiser pode tentar convidar um membro do coral de St. Clavier e dividirem o dinheiro da noite... só é um trabalho mais irregular, não é toda noite. – comentou.

Então finalmente chegaram no estúdio de tatuagem, e Marion apontou a placa com as duas mãos, fazendo um “tah-dah” quando finalmente chegaram.

Lucius

Não fez questão sequer de esconder o quão surpreso e contente ficou ao ouvir as opções do amigo. Estava certo em fazer a pergunta para Marion, ele era um rapaz com muitos contatos, afinal. Seria instigante ensinar linguagem de sinais para outros e não necessariamente se incomodava de trabalhar de noite. Só queria ter uma situação financeira mais estável para que sua mãe não ficasse preocupada de estar morando longe de casa em um internato de rapazes como St. Clavier.

Levou a mão até a própria boca em uma reação natural como se fosse rir do gesto bobo do outro ao apresentar o lugar como se fosse algum tipo de entrada super secreta que ele próprio não pudesse avistar sozinho. Meneou a cabeça negativamente, mantendo o sorriso discreto no rosto antes de fazer menção de entrar no estabelecimento, segurando a porta para que o outro lhe seguisse.

O interior do estúdio de tatuagem não era tão diferente assim da imagem nas mídias sociais do lugar. Era um salão pequeno com algumas cadeiras para espera, muitas fotografias pelas paredes com imagens de pessoas tatuadas, algumas camisetas de bandas com ilustrações semelhantes às tatuagens de alguns clientes nas fotos. Havia um balcão com um portfólio de tatuagens e um quadro de horários ao fundo com os nomes do que imaginava serem alguns dos clientes da casa, sendo que todos estavam abreviados em iniciais.

- Sejam bem vindos ao estúdio. O que posso fazer por vocês? - perguntou uma moça ao sair de trás de uma das cortinas que levavam para uma área mais a fundo do salão. A mulher tinha um cabelo colorido com tons de magenta, um par de óculos de lente flutuante e um uniforme bem casual composto por uma calça jeans e uma blusa tipo babylook com uma das estampas das outras blusas que aparentemente estavam a venda. No crachá dela estava o nome Chloe.

“Você sabe língua de sinais?” - perguntou Lucius a priori e, como era previsto, a mulher fez uma cara de desentendida, demorando alguns breves instantes antes de responder:

- Ah, não. Perdão. Eu não falo… assim. - ela parou antes de fazer uma mímica como se fosse demonstrar que não conseguia entender o que ele dizia. Então a mesma olhou para Marion, questionando-se mentalmente se o sujeito também se comunicava por sinais. Porém, antes que ela pudesse perguntar, Lucius foi mais rápido e lhe mostrou o próprio celular com a mídia social aberta na conversa que tivera previamente com alguém responsável pelo estúdio, avisando que visitaria o lugar naquela tarde. - Ah! Você é o cara da tatuagem!

Lucius fez uma breve pausa e observou enquanto a mulher fazia o que deveria ser alguma mímica na tentativa de mostrar o que ela queria dizer, movendo os lábios devagar também, um tanto perdida. Estava muito acostumado com pessoas como Chloe, então apenas aguardou que ela terminasse antes de sinalizar devagar: “Eu escuto você.”

Marion

Marion entrou no estúdio de tatuagem junto do moreno, e olhou em volta, não dando muita atenção aos detalhes, considerando que por dentro, o estúdio era bem padrão. Era organizado, e a atendente parecia simpática na medida do possível. Só que quando ela foi falar com Lucius, notou como ela ficou facilmente perdida, sem saber como tratá-lo, e até olhou para si, com alguma expectativa que ajudasse.

- Com todo respeito, mademoiselle, acho que muitos caras que vem aqui são “o cara da tatuagem”. – sorriu, chamando a atenção dela para si por um instante. – Ele está dizendo que te ouve, então não precisa se tentar tanto. – Marion franziu de leve a testa, porque a mímica que ela fazia não tinha muito sentido, e então voltou-se para Lucius, pensativo. – Quer que eu te ajude ou prefere ir se comunicando com ela digitando? – questionou, apesar que já tinha feito isso sem permissão dele. Mas imaginava que pelo menos avisar a moça que ela não precisava ficar tão cheia de dedos. Muito embora ele tivesse, e continuasse tendo, uns cuidados inconscientes desnecessários.

Esperou qualquer resposta de Lucius para ajudar ou não, afinal, ele lhe chamou só para guia-lo pela cidade, não sabia se necessariamente para ser intérprete.

Lucius

A mulher sorriu um tanto sem graça para o outro rapaz que explicava o que queria dizer ali. Lucius, por sua vez, não pareceu ofendido com as palavras dela, acostumado com aquele tipo de comportamento vindo de pessoas que não falavam língua de sinais, nem estavam acostumadas a lidar com pessoas surdas ou mudas.

“Não. Tudo bem. Obrigado.” Foi o que respondeu ao amigo, voltando a atenção para a moça que parecia também esperar sua resposta. Sorriu para ela, mais gentil, tentando transmitir a ideia de que não havia ficado ofendido pelo comportamento dela.

- Ah, eu lembro que o senhor falou algo sobre terminar uma tatuagem. Quer fazer um orçamento e conhecer melhor o lugar? - ela ofereceu, fazendo um sinal para que a acompanhassem mais para dentro do estabelecimento onde haviam as estantes com os refis de tintas, uma mesa e uma cadeira acolchoadas para tatuagem e uma outra mesa onde as máquinas eram mantidas. - O senhor pode entrar também… - ela chamou Marion, dando espaço para que eles se acomodassem melhor no lugar.

“Eu vi o portfólio de vocês online. Queria fazer um orçamento para algumas sessões. Quero terminar uma tatuagem que comecei faz alguns anos, mas ainda não consegui concluir.” - o moreno digitava rapidamente em compensação a falta de voz, e enquanto entravam no novo espaço, terminou de escrever o texto para mostrar a tal de Chloe.

- Ah, sim. Claro. Posso ver a tatuagem? Ou o senhor prefere que… o seu amigo saia…? - a mulher sugeriu enquanto se voltava para uma segunda mesa mais ao canto, fechando a tela do seu próprio computador e pegando um par de óculos de armação grossa.

Lucius olhou para Marion e negou com a cabeça, afirmando não se importar do amigo estar ali. Tirou a mochila e colocou o acessório do canto daquela sala antes de começar a remover a camisa que usava, ficando apenas com segunda peça que usava por baixo antes de removê-la também, revelando o tronco mais esguio de músculos bem definidos, mas não muito forte. Nas costas, próximo ao ombro esquerdo, havia uma grande tatuagem de um dragão, mas que ainda estava incompleta e que, pelo desenho, deveria começar a tomar o restante do braço esquerdo.

- Ah, eu acho que conheço o tatuador que fez isso! Ele não mora em Paris agora? - a moça se aproximou para observar a tatuagem mais de perto, finalmente notando as marcas da pele em relevo que eram encobertas pela tinta da tatuagem. - É um belo trabalho, deve ter sido caro, heim? - ela riu, tentando amenizar a própria situação enquanto pedia para o rapaz erguer o próprio braço a fim de visualizar melhor como aquele desenho poderia ser completado.

Marion

Se Lucius não parecia incomodado, então tudo bem para Marion também. A mulher pareceu mais calma depois que o colega demonstrou paciência com a falta de jeito dela, e embora tivesse sido um pouco grosso, ela ainda lhe convidou a entrar também junto com Lucius. O aval de Lucius para que entrasse também foi ótimo para Marion. Era paciente para esperar do lado de fora enquanto mexia no celular, mas estar lá era uma boa oportunidade para observar todo o processo de orçamento de tatuagem do rapaz, e se sentia querido ali, o que era bom.

Encostou na parede para esperar por um instante e no meio tempo, Lucius teve que tirar a camisa para que a mulher pudesse observar a tatuagem que ela iria completar, o que foi uma excelente oportunidade para observar o corpo do moreno. Discretamente isso colocou um sorriso em seus lábios. E não bastasse ele ser muito bonito, o corpo dele também era. Juntou os lábios e já ia fazer “fiu” quando percebeu que isso poderia constranger o moreno na frente da tatuadora, então preferiu ficar quieto.

A tatuagem, que foi a terceira coisa que observou, era um dragão, o que foi um tema inesperado para um rapaz tão tranquilo como Lucius.

- Ei, é uma tatuagem muito legal, Ambrosi. Eu não esperava um dragão. Gosta deles? – perguntou, interessado, ouvindo falar que era uma tatuagem de um sujeito mais renomado. – Bem quero ver como você vai completar.

Lucius

Lucius concordou com Chloe, só então percebendo que também era observado por Marion. Prestou atenção no comentário sobre o outro não esperar que tivesse um dragão nas costas, mas já havia conversado sobre isso com sua psicóloga. Tatuagens podiam carregar motivos pessoais e não apenas estéticos, já era agradável o bastante que ele tivesse gostado da ideia.

“Gosto. São criaturas fortes.” - respondeu através de sinais para o amigo antes de buscar o próprio celular, digitando a mensagem rapidamente e tocando o áudio para que suas palavras fossem lidas pelo aplicativo de voz e ouvidas pela moça e por Marion. - “Vou continuar a tatuagem ao redor do braço. Tem muitos detalhes como as escamas que precisam ser concluídos. Por isso quero ter uma ideia de orçamento e sessões.”

Observou a reação da moça antes de fazer um breve sinal em um pedido de licença para voltar a vestir sua camisa, voltando a esconder a tatuagem pelo tecido de algodão.

- Tudo bem, monsieur Ambrosi. Vou te enviar um orçamento e as datas das sessões disponíveis. Pretende colorir também? - questionou a mulher, recebendo uma resposta negativa do rapaz. - Ah, tudo bem. E o senhor? - Chloe se voltou para o acompanhante do moreno, sorrindo amistosa e comercial. - Não gostaria de fazer uma tatuagem também? Podemos dar um desconto bem amigável se também quiser fazer um orçamento com seu amigo. - sugeriu a moça, interessada em conseguir mais um bom cliente.

Lucius apenas encarou Marion, fazendo uma pausa para coçar a própria nuca, pensativo, antes de sinalizar para o outro: “Não precisa fazer isso. Você já tem uma tatuagem legal também.”

Marion

Marion abriu um sorriso com a resposta de Lucius. De fato, dragões deveriam ser criaturas bem fortes. Sinalizou de volta para ele “e muito bonitos!” antes que ele pegasse o celular para se fazer entendido pela mulher, a voz automática do celular se fazendo presente explicando o resto da tatuagem. Parecia um projeto bem interessante, e tinha muita curiosidade para saber como a mulher ia trabalhar em cima da base já construída.

Sorriu de volta para a mulher quando ela questionou se estava interessado também, erguendo as sobrancelhas para o modo comercial como ela tinha lhe abordado. Lucius por outro lado fez questão de indicar que não tinha obrigatoriedade de atender aquele pedido da mulher. E nem se sentia assim, para falar a verdade.

- Não, ma cher, obrigado. Por ora não tenho nenhum interesse em tatuagens. Mas se vocês tiverem algum piercer e postarem fotos nas mídias sociais, talvez eu volte para fazer um orçamento. Ainda quero outros buracos na minha orelha. – respondeu educadamente, então indo em direção a porta. – Podemos ir, Ambrosi? – perguntou, esperando o sinal dele para sair. – Ah, e se quiser alguém pra tagarelar enquanto você faz a tatuagem, eu me ofereço, viu?

Lucius

Chloe sorriu com a resposta de Marion e concordou sobre o conteúdo de piercings, entregando o cartão de visita do estúdio para o rapaz. Lucius, por sua vez, pareceu curioso com a ideia do outro de conseguir piercings. Concordou com o amigo sobre ir embora, terminando de ajustar a própria roupa e pegar a bolsa novamente para sair com Marion. A ideia de conhecer outros amigos dele e talvez conhecer melhor a cidade parecia interessante. Em uma situação mais tensa, poderia sempre chamar um uber e voltar para St. Clavier. Sorriu discreto para Marion em resposta a oferta de ter um amigo para tagarelar. Despediu-se da atendente do estúdio e acompanhou Marion.

Aproximou-se do rapaz para sinalizar a pergunta “Para onde você quer ir agora?” - questionou, escolhendo deixar que ele guiasse o caminho para algum lugar que o agradava. Ele havia lhe ajudado indo até o estúdio de tatuagem, o mínimo que poderia fazer era acompanhá-lo para algum lugar que ele também gostasse. Marion até então estava sendo um bom amigo, então não via motivo para desconfiar das intenções dele.

[Thread encerrada]


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[Drive] Ink me Out [Lucius; Marion] - by Lil - 09-22-2021, 04:20 PM

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