[Drive] Destruído [Renaud, Isaac, Didier, Aleksei, Tamotsu, Sasha]
#5
Duncan

O moreno observou com atenção o médico a sua frente, porque além dele ter parado o curativo para lhe dar atenção completa, o que queria dizer que estava sendo analisado de volta; ele também não lhe interrompia, provavelmente procurando sentidos mais profundos nas coisas que dizia. Isso era algo incômodo para Duncan, primeiro porque não queria ninguém estranho lhe analisando, segundo porque não sabia a extensão do quanto isso poderia ser usado contra o pequeno. Mas novamente, o que sentia do próprio corpo era o cansaço somado a sensação de conformidade, e aquilo lhe deixava numa situação de “cheque”.

Ouviu a pergunta que veio sobre saber tudo, aquilo era muito abrangente e ao mesmo tempo que vago. E respirou fundo novamente, num suspiro menos sofrido do que os anteriores, gradativamente se acostumando com as sensaçõe de dor física daquele dia caótico:

- “Tudo” é uma palavra muito ampla, e por consequência eu não sou abrangente o suficiente para contemplar o todo da vida do pequeno. Apenas algumas partes. - Não era uma resposta conclusiva, porque não explicava nem metade de como as coisas funcionavam: - Quando ele está acordado, eu cochilo, quando ele dorme, eu vigio, quando eu estou acordado, ele dorme. Então, não estou atento a tudo, apenas ao que o incomoda e o atinge mais profundamente. O resto eu ignoro e não tenho interesse em intervir.

O moreno falou muito pontualmente, sem deixar de encarar o homem a sua frente e sem fugir das perguntas, embora fosse possível aquela altura, medir que havia desconforto por parte de Duncan. Como tinha dito que podiam conversar, não estava fugindo do que tinha se proposto naquela barganha, mas não queria dizer que estava satisfeito de ter de compartilhar aquelas informações. Muito embora, não fosse sobre sua felicidade, e sim sobre a estabilidade do pequeno, e era somente por isso que estava sendo colaborativo.

Aleksei

As reações físicas de Duncan só reforçavam como o corpo de Renaud estava debilitado, claro, mas também deixaram Aleksei mais ligado no fato de que ele mesmo não parecia conseguir regular bem as sensações do corpo machucado para se manter presente. Embora Aleksei imaginasse que aquele fosse o estado físico com o qual o alter-ego estava mais acostumado, se fosse analisar a presença dele apenas em situações críticas com Renaud muito debilitado.

Mas mesmo com o desconforto físico e mental, ele procurou as palavras para lhe responder, e daquela vez, Aleksei manteve a atenção nas mãos para agilizar os curativos, afinal, ele estava sentindo dor e precisava descansar, de todo modo. Além do quê, conversar com Renaud era uma situação, conversar com Duncan, quem tinha acabado de conhecer, era uma completamente diferente. E delicada, para dizer o mínimo.

A resposta dele lhe deu uma melhor delimitação do quanto a consciência funcionava para se ligar dentro da mente de Renaud, e do quanto ela entendia da consciência principal. Era menos controle e conhecimento do que Aleksei esperava, mas um pouco mais do que ele gostaria de ter descoberto. Afinal, em meio à gama de sensações, ele podia ainda "escolher ignorar", e "não ter interesse de intervir". Eram escolhas conscientes, mesmo que mínimas. Também era importante que ele tinha aparecido para proteger Renaud em uma situação de estresse mental e físico extremo, mas não tinha se manifestado, até onde Aleksei podia avaliar, durante a crise emocional de Renaud para levá-lo a tomar remédios. Não era algo perigoso, ou do quê ele precisasse defender Renaud, era uma boa perspectiva, significava que podia continuar com o tratamento e levá-lo a outro nível.

Ele terminou de enfaixar a outra mão machucada e só então, voltou a atenção para encará-lo de volta.

- Pronto, vocês podem descansar agora. - Aleksei indicou, sem adicionar uma pergunta nova. - Posso ministrar medicação para a dor e para ajudar a dormir, se quiser.

Duncan

Aparentemente sua resposta tinha sido o suficiente para fechar aquela negociação, porque justamente após sua explicação o psiquiatra a sua frente tornou a dar atenção as mãos machucadas terminando os curativos que eram necessários. Observou todo o processo com atenção, sem desviar o olhar nenhuma vez, até que de fato ele tivesse acabado. Ponderou sobre aquela situação, e sobre a importância que o homem a sua frente tinha para a trajetória do pequeno dali por diante, e mesmo que fosse de sua natureza ser evasivo, novamente tinha de pensar que não era sobre o que ele queria, e sim sobre o que o pequeno precisava.

Ao ser perguntado se queria remédios para dor e para dormir, o moreno piscou longamente e soltou um suspiro se arrumando na maca, chutando os sapatos que estava calçando para fora da maca: - A menos que o senhor administre morfina, não tem como nos apagar completamente, e isso não é uma suposição, no entanto, eu aceito sim medicação, vai ao menos aliviar parte do incômodo para quando o pequeno acordar. - o moreno puxou o nó da gravata de forma desajeitada, e afrouxou o colarinho com algum trabalho:

- Como deve ser do seu conhecimento, nós temos uma reação exagerada quando somos acordados pelos outros, o pequeno pode até ter se acostumado com algumas pessoas recentemente, mas eu não. - O moreno foi bastante pontual na forma de falar, porque estava avisando que era um perigo para outras pessoas quando ficava desacordado e a última coisa que queria era causar um problema para o pequeno sobre uma coisa que não tinha total controle: - Se precisar nos acordar antes da uma hora que lhe disse, quem vai acordar sou eu, então a única pessoa nessa academia que está segura pra fazer isso é o Frater, o restante de vocês vai se machucar. E eu não quero causar problemas para o pequeno por algo que pode ser evitado com um aviso direto.

Dito isto, retirou o terno largando-o sobre uma cadeira próxima, ficando apenas com a camisa social para ficar mais confortável, e esperou apenas que o médico lhe desse as medicações para tomar, para que pudesse se deitar na maca, usando os braços para cobrir os olhos, mantendo as palmas das mãos para cima, para evitar de magoar os ferimentos recentes, e antes de se entregar ao cansaço e sono, Duncan ainda comentou em tom baixo:

- Grato pela assistência Senhor Vlahos.

Aleksei

Com as mãos devidamente enfaixadas, Duncan afrouxou a gravata e desabotoou o colarinho, tirando o terno em seguida para poder finalmente se render ao descanso. Aleksei não pretendia prolongar a conversa com ele, menos ainda extenuar ainda mais a mente já cansada de Renaud, poderia lidar com os dois em outra situação, e ainda planejar como apontar aquilo para Renaud também, afinal, fazia parte do tratamento. Ele ainda apontou como não seria sensato acordá-lo antes do tempo determinado para o descanso e que era ele mesmo que ia acordar e não Renaud, Aleksei não tinha dúvidas de que seria um movimento arriscado, mas ainda ficou muito curioso com o fato de que havia alguém em que Duncan confiava, e não era surpresa aquele alguém ser o “frater”, era o relacionamento mais antigo de Renaud e mais do que a família convencional.

O psicólogo se levantou para pegar os remédios para dor, que precisariam ser ministrados na veia, àquela altura para um efeito mais imediato. Claro que ainda apontou aquele detalhe para o rapaz, para não correr o risco dele negar a medicação na veia e mostrou o frasco do remédio selecionado ali mesmo na enfermaria. Ele concordou com o analgésico, e com o remédio injetado, seria bem mais fácil para que ele relaxasse também. Aleksei parou ao lado da maca enquanto Duncan se acomodava para adormecer, dando os últimos avisos num tom de voz mais sóbrio e calmo.

- Não se preocupe, vou garantir que não seja incomodado. Estarei aqui em uma hora para quando acordar, seja você ou Renaud. Descanse um pouco. - ele apontou, deixando-o se render ao cansaço enquanto seguia finalmente para fora da enfermaria.

Ao abrir a porta, a primeira pessoa que Aleksei chamou foi Tamotsu, e já até sabia que os alunos esperando notícias do lado e fora ficariam alarmados com a sua volta, mas Aleksei manteve o foco no zelador naquele início.

- Sr. Saito, preciso que o senhor fique na enfermaria pela próxima hora e fique de olho no Sr. Blanco, tudo bem? - ele pediu a ajuda ao zelador, especialmente porque não fazia parte da descrição do trabalho do outro. - Não se aproxime muito da maca, nem tente acordá-lo. Caso o Sr. Morrison volte, dê as mesmas instruções, ele pode se tornar violento se for acordado antes, e mesmo que esteja debilitado, não subestime a força e as habilidades dele. Se precisar de mim, use o telefone da enfermaria e ligue para a sala de aconselhamento estudantil, certo?

Aleksei esperou a confirmação de Tamotsu para as suas instruções e ficou estrategicamente parado na entrada para evitar que o trio de estudantes quisesse entrar. Só com a concordância do zelador, foi que ele saiu da enfermaria e fechou a porta atrás de si, encarando os três alunos muito ansiosos por notícias.

- Eu sei que estão todos preocupados e ansiosos sobre o estado do Sr. Blanco, então eu vou adiantar que ele está bem, está medicado e dormindo no momento, mas não podemos conversar na enfermaria para evitar acordá-lo, e não podemos ficar no corredor. Peço que me acompanhem até a minha sala para que eu possa explicar melhor a situação toda. - Aleksei explicou, de modo muito simples, e ajustou os óculos falsos no rosto. - E vou deixar bem claro que vocês não podem entrar no quarto agora.

Tamotsu/Sasha/Didier

Tamotsu realmente queria pular fora daquela tarefa. Aquela não era função sua dentro de St. Clavier. Mas havia algo naquela situação toda que lhe deixava incomodado de só retornar ranzinza para suas atividades: os sentimentos dos garotos. Esperaram por um tempo do lado de fora, e ele tentou não prestar atenção na cara cansada de todos, mas viu todos se iluminarem de esperança de alguma notícia quando o médico abriu a porta da sala. Porém, diferente do que os garotos esperavam, ele lhe chamou, e mais ninguém. Olhou para trás, mas apenas acatou o chamado do doutor.

Sério, a testa franzida de leve, ouviu as ordens do médico para que ficasse de vigia no garoto. Queria mesmo recusar, esperar alguém mais, mas os modos cansados do médico, apesar de não transparecerem no físico, lhe diziam que talvez fosse uma boa ideia. E também porque o moreno parecia mesmo forte, não negaria, nem precisava do aviso do doutor. Imaginar que talvez houvesse a possibilidade dele surtar de novo e machucar alguém, não seria bom para a situação geral da escola.

- Aaa. Osu, sensei... doutor. – se corrigiu, então franzindo a testa de leve. Ele não sabia o número da sala para ligar, mas lembrou que nos telefones da escola tinham pequenos números que assumia serem das outras salas importantes da escola que tinham telefones. Contava que o da enfermaria também fosse assim, porque nunca tinha ligado para outra sala da escola... mas não deveria ter muita dificuldade nisso, tinha?

Entrou na sala quando dado passagem, e deixou o médico com os jovens, que pareciam muito alertas para a chegada do doutor. Didier até levantou, mas nem ele e nem Sasha tiveram tempo de dizer qualquer coisa até o médico ser bem direto em falar que ele estava bem, “medicado e dormindo”, o que parecia bem contraditório. Não apenas isso, o trio não poderia ficar ali, para não acordar Renaud. Dada a necessidade de silêncio, até ficaram quietos, mas realmente pareciam estar engolindo as palavras que queriam dizer. Tanto Sasha quanto Didier queriam protestar sobre o que havia passado, mas os dois apenas se resignaram a acatar a ordem de ficarem quietos, pelo menos até chegarem no meio do caminho até a sala do doutor.

- Mas por que não podemos entrar, para não incomodá-lo? Conseguiu trocar as bandagens? Ele se machucou muito? – Didier perguntou baixinho, ansioso por mais informações, e sem paciência para esperar chegarem até a sala.

Sasha até queria ficar bravo e reclamar que o médico ainda ia explicar, mas estava tão ansioso por respostas quanto o loiro, e nesse caso, não sentia que deveria repreendê-lo por isso. Mas foi um alívio para todos chegar na sala: pelo menos assim teriam como descobrir o que tinha acabado de acontecer. Assim esperavam.

Aleksei

Aleksei agradeceu rapidamente a Tamotsu antes de deixá-lo na enfermaria e se dirigir aos alunos. Ao menos eles foram sensatos em não tentar entrar na sala ou fazerem barulho ali no corredor. As expressões de preocupação já falavam por si só, e eles acompanharam Aleksei no caminho dos corredores silenciosos - agora que toda a confusão tinha se passado e os alunos já tinham se dissipado para começar a espalhar os rumores -, até a sala de aconselhamento estudantil. Antes mesmo de chegarem lá, ouviu a pergunta quase sussurrada de Didier para saber mais sobre Renaud, e só esperou chegar à porta da sala, abrindo-a e dando espaço para que os três entrassem, enquanto adiantava a resposta a Didier.

- Eu troquei as bandagens, e ministrei analgésico para a dor, eu queria dizer que ele não se machucou tanto, mas para quem já estava se recuperando de queimaduras nas mãos, infelizmente ele exigiu um pouco demais das feridas recentes. - Aleksei explicou, e deixou que os três entrassem e se acomodassem nas poltronas livres diante da sua própria que usava nas consultas. Os três já tinham estado ali antes, não era novidade.

Mas ele mesmo passou direto pela própria poltrona e serviu água em três copos, colocando-os numa bandeja para deixar na pequena mesa diante dos três alunos antes de se sentar, dando-se ao luxo de relaxar um pouco também.

- Eu vou começar explicando a parte simples, de vocês não poderem visitar ou incomodar o Sr. Blanco agora simplesmente porque ele está muito vulnerável. Eu não acho que seja segredo para qualquer um de vocês que uma aproximação inesperada, um susto, ou algo nessa linha, possa fazê-lo reagir de uma forma exagerada e até perigosa, para vocês e para ele também. - Aleksei começou, e daquela vez ele tirou os óculos do rosto, limpando as lentes com um dos lenços que pegou na mesa e encarando os alunos sem as lentes por um instante. - O que vocês acabaram de ver do Sr. Blanco foi uma crise, um surto, para ser muito objetivo. Não é uma reação estranha para alguém que recebe uma notícia como a que ele recebeu hoje, da morte de um ente querido. E eu creio que todos vocês já sabem que nos últimos dias ele iniciou um tratamento com medicação controlada, para adicionar ao tratamento que já fazia comigo desde o início do ano letivo. Basicamente, o Sr. Blanco não tem experiência em como lidar com os próprios sentimentos, portanto, emoções intensas causam reações intensas.

- Mas... o que foi aquilo? Com o conto, e as vozes diferentes? - a pergunta muito pontual veio de Isaac e Aleksei já sabia que tinha que explicar aquilo antes mesmo de explicar a Renaud o próprio diagnóstico.

- Como eu disse, muito objetivamente, o Sr. Blanco teve uma crise. Para ser mais específico, ele teve uma crise dissociativa de personalidade. Significa que nesse momento de estresse, não era o Renaud que vocês conhecem, mas outros personagens tomando conta da mente dele, como uma necessidade de fuga da realidade.

Sasha/Didier

O presidente do conselho estudantil suspirou um pouco aliviado quando Aleksei parecia disposto a responder sua pergunta tão prontamente. Concordou em um movimento com a cabeça, porque pelo menos havia sido uma resposta direta e sem enrolação. Isso lhe deu qualquer pouco de confiança que o doutor não deixaria o trio que o acompanhava no escuro. E foi por isso que todos se acomodaram no consultório, Didier sentando-se na cadeira dos pacientes e Sasha só parando perto das poltronas.

Sasha não quis a água, mas Didier estendeu a mão para pegar a mesma, sentindo que precisava bastante beber alguma coisa, a garganta seca. Ele até poderia parecer estar mais quieto, mas a medida que Aleksei explicava que eles não poderiam se aproximar de Renaud por ora, a expressão do loiro fechava mais, e o pé no chão começou a bater insistente, inquieto. Bem queria levantar e andar por ali, mas decidiu prestar atenção como podia. Sasha por outro lado, tinha chegado já no meio do processo e precisava ser tão inteirado quanto pudesse.

A explicação do médico foi convincente, mas foi a pergunta de Isaac que foi direto ao ponto. O surto na sala do conselho, Didier esperava, e Sasha não tinha visto. Mas tinham ouvido aquela bagunça da enfermaria, e aquilo tinha sido bastante assustador. Ouvir Aleksei tratar aquelas vozes por “personagens” foi ainda mais intrigante.

- Olha, eu não sei o que você quer dizer com essa crise dissociativa de personalidade, e nem que ele não era o Renaud, mas ele não estava imitando personagens em uma história... eram vozes de gente que o Renaud conhece. Minha, do Callas, do Lemont, de amigos nossos... – Sasha tentou falar alguma coisa, qualquer coisa que ajudasse, caso não fosse óbvio o suficiente para o médico.

- E o que acontece depois da crise? – Didier perguntou muito pontualmente, porque sabia que depois da crise Renaud teria que enfrentar o sentimento de perda, inevitavelmente. O quanto durava aquela fuga da realidade?

Aleksei

Aleksei até tinha percebido que Renaud estava se apropriando de vozes conhecidas para os personagens do conto, embora não conhecesse todos eles. As vozes conhecidas davam mais credibilidade aos personagens, e ele sabia que seria difícil explicar melhor aos três como aquele processo funcionava. Mas talvez conseguisse evitar entrar diretamente no assunto da personalidade muito consciente que assumiu a mente de Renaud depois deles saírem da sala.

- Sim, eu reconheci parte das vozes, e sei que as outras vozes pertencem a pessoas que o Sr. Blanco provavelmente conheceu e que fizeram alguma diferença na vida dele. - Aleksei concordou com um aceno de cabeça, levando os óculos ao rosto de novo. - Mas como o Sr. Lemont apontou, ele recitou as falas de um conto favorito. Eu poderia entrar numa série de explicações e suposições a vocês do motivo pelo qual ele fez isso, mas não vai ajudá-los a entender melhor, e só vai colocar mais confusão na mente de vocês. - ele juntou as pontas dos dedos sobre as pernas, os cotovelos apoiados nos braços da cadeira, notando as reações de ansiedade dos três. - Usar vozes de pessoas que ele conhece dá mais "vida" aos personagens. Eles se tornam importantes e relevantes, mais do que personagens fictícios. Cada um tem um papel na narrativa, e a mente do Sr. Blanco faz a ligação de uma pessoa que conhece a um personagem do conto. Parece mais assustador com o Sr. Blanco porque ele tem uma habilidade excepcional em imitar vozes, mas não é algo incomum para uma pessoa como ele, que tem experiências traumáticas que vieram desde muito jovem.

Talvez eles ficassem mais satisfeitos com a explicação breve sobre as vozes distintas que Renaud tinha assumido naquele momento de crise, e a pergunta de Didier foi melhor para lhe fazer mudar o assunto para um ponto mais imediato, já que Renaud precisaria do suporte dos amigos para enfrentar a perda da mãe.

- Ele está em luto, e ele está aprendendo a lidar com as emoções, então os estágios de luto que ele vai passar vão ser mais intensos. - Aleksei ergueu uma das mãos, levantando os dedos à medida que falava os estágios. - Choque e negação; raiva; barganha; depressão; teste e aceitação. Vocês acabaram de ver o choque, a negação e a raiva. Eu não quero que fiquem no quarto com o Sr. Blanco porque ele ainda pode reagir no estágio de raiva. Não dá pra saber quanto tempo ele vai passar pelos estágios ou como vai encará-los, então temos que esperar que ele se recupere fisicamente primeiro.

Sasha/Didier

Didier estava satisfeito com a explicação do médico do porquê não explicaria a fundo o que a cena toda da história e as vozes escolhidas tinham a ver com o transtorno do moreno. Na verdade, não conseguiria entrar no trabalho dele nem que quisesse, e não tinha energia para tentar tecer conjecturas, assim como o psiquiatra estava falando que eram: apenas suposições. Importava para o loiro cuidar do que viria depois, e o que fazer se acontecesse outro surto. Porém Sasha ainda estava de testa franzida, porque não estava entendendo muito daquela conversa.

- Mas saber por que ele usa nossas vozes na história também não ajudaria a saber como lidar caso ele tenha outra crise dessas? – Sasha questionou, arqueando uma sobrancelha com um ar preocupado. – Ou pelo menos saber como ele está se sentindo e de quem ele precisa? Eu não sei, doutor, não quero me meter no seu trabalho... só tô tentando entender o que tá rolando com o menino...

- É uma história que ele gosta... com pessoas que ele gosta, não é? Eu não quero saber o porquê minucioso de tudo, se é algo que ele considera confortante, por mais assustador que soe ouvindo. Quero saber o que podemos fazer para ajudar. – Didier tentou conversar com Sasha, explicando tudo de um modo que parecia um tanto frustrado e cansado, e talvez fosse ainda mais cansado porque estava se esforçando para não deixar escapulir as palavras em espanhol e ser perfeitamente entendido pelo médico. Para o loiro, assumia que aquilo era um tipo de porto seguro, pois sabia que Renaud gostava de história há muito mais tempo que o conhecia, e supunha que, tal como disse o doutor Vlahos, ele tinha ligado de alguma forma a história com o trauma.

A explicação sobre os estágios do luto de Renaud trouxe todos de volta a realidade muito rápido, e embora Sasha tivesse questionado antes, ele entendia os estágios muito claramente, pois embora não tivesse experimentado a morte de ninguém próximo o suficiente para lhe causar tanto impacto, sabia bem como era lidar com perdas extremas. Didier aceitava aquela explicação em certo ponto. Sabia que nem ele e nem Isaac (e Sasha menos ainda) conseguiam segurar Renaud enfurecido, mas também não queria ficar separado do moreno.

- Não quero que Renaud se machuque mais daquela forma, mas não me sinto bem tendo que esperar ele ficar melhor para ficar perto dele. Como vamos saber, doutor? Esperar sua permissão para ficarmos com ele? Ou esperar ele dizer que podemos? – Didier perguntou, suspirando longamente, sem ter mais o que perguntar, afinal, o doutor estava deixando tudo claro como podia para o trio.

Aleksei

Aleksei já esperava alguns questionamentos mais pontuais dos alunos ali, embora Isaac ainda continuasse bem quieto em comparação a Sasha e Didier. Então, não se importou em se dirigir aos outros dois primeiro.

- Como eu disse, ele usa essas vozes para dar vida aos personagens e se sentir num ambiente "seguro". O Sr. Blanco foge da realidade que ele não quer encarar e entra numa realidade sobre a qual ele tem controle. - Aleksei explicou um pouco mais detalhadamente a Sasha, ao menos a dúvida dele podia deixar claro para os outros como reagir diante daquela situação. - Sobre a sua preocupação, Sr. Peyrac, posso dizer que o Sr. Blanco nesse estado é como uma pessoa sonâmbula, você não ia querer acordá-lo de um modo abrupto para que ele entre em estado de choque. Se isso acontecer novamente, e por ventura vocês estiverem perto dele, a minha melhor recomendação é que observem, se possível, manipulem o ambiente ao redor, mas não tentem interferir com ele diretamente, e claro, se mantenham seguros, mais ainda se não sabem o desfecho da história. Infelizmente, eu não posso lhes dar instruções precisas de como agir nesse tipo de situação, depende de entender muito da parte de como funciona a mente, além de apenas conhecer a pessoa em si. Eu pedi para que deixassem a sala porque vocês eram personagens ativos da história, se o Sr. Blanco se deparasse com as vozes reais que ele projetou, não tenho como prever qual o desfecho e a interação que ele teria com cada um de vocês.

- Ele poderia ter tentado fazer algo igual ao conto? - a voz de Isaac finalmente soou no ambiente, e ele estava certo de ser a única pessoa que sabia exatamente o que acontecia no conto, além de ter conseguido relacionar apenas as vozes conhecidas a algumas das falas dos personagens. Aquela consciência era um tanto perturbadora.

- Não posso dar certeza, mas é possível. - Aleksei adicionou, e notou muito fácil que Isaac tinha associado algo do conto às personagens, porque ele ficou muito quieto de novo, com uma expressão consternada. Mas Aleksei se voltou para Didier e Sasha de novo. - Eu sei que vocês estão preocupados e querem fazer algo para ajudá-lo, e isso é ótimo. O Sr. Blanco precisa da sua companhia e do seu apoio, principalmente num momento crucial desses, vai ser muito difícil para superar a perda. - ele adicionou. - Sobre quando vocês vão poder ficar com ele, bom, eu ainda vou acompanhá-lo até que ele acorde na enfermaria, até o Sr. Blanco estar consciente de novo e até que eu converse com ele mais uma vez, vocês não podem ficar por perto. Vão ter que ser um pouco pacientes, e confiar nas minhas decisões profissionais, por mais difícil que possa parecer agora.


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RE: [Drive] Destruído [Renaud, Isaac, Didier, Aleksei, Tamotsu, Sasha] - by Lil - 09-27-2021, 01:09 PM

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