Imperdoável [Katrina]
#1
Yure

A vida de bom aluno modelo, deveria ser mais emocionante, era o que o ruivo cabeça de vento pensava, estava conseguindo tudo que tinha batalhado os primeiros meses do ano buscando, fosse fazendo exercícios de química ou reforço de história, andar com o uniforme todo certinho, pentear o cabelo pela manhã, ganhar as eleições de conselho, tudo isso, tinha parecido muito bom no momento que recebeu aquelas notícias, mas agora só estava sendo tomado por um sentimento de estranheza.

Tinha combinado de naquele fim de semana passar em casa, sua mãe queria comemorar as boas provas, as eleições e tudo resto, e queria um tempo com ele, longe dos amigos de sempre. Bem, depois do término catastrófico com Monique as coisas eram apenas um aborrecimento constante, talvez passar tempo com sua mãe dançando no just dance lhe animasse. O ruivo chegou ao apartamento da mulher, passando pela guarita e cumprimentando o pessoal no caminho, pegou o elevador sem problemas e foi pro apartamento conhecido.

Entrou em tempo de sentir o cheiro de casa, o lugar tinha em si o perfume comum que sua mãe usava, tinha um cheiro bom de lar, e aquilo lhe encheu com um sentimento mais agradável diferente do que andava morando em seu peito nos últimos dias:

-- Mãe! Cheguei! Tô com fome! -- o ruivo largou os tênis na entrada, tirou o casaco, e desligou a música do celular, deixando-o em cima da mesa logo ao entrar, largou a mochila pequena e foi buscar no espaço pequeno pela figura da mulher. Normalmente gostaria de um abraço mas estava muito aborrecido até pra isso.


Katrina

Cantarolava. Há tempos não agia como a mãe coruja que era, visto que seu filho estava sempre muito ocupado - e ela também -, mas aquilo felizmente iria mudar: com o sucesso de Yure na academia, agora podiam passar um tempo de qualidade juntos! Sabia que ele estava incomodado com muitas coisas e seu objetivo era deixá-lo bem em casa. Vestida com uma roupa casual e um avental - queria fazer o clichê de "mãe tradicional" apesar de que tradicional não tinha nada -, desligou o celular que usava para ligações de trabalho, decidida a dar toda a sua atenção pro garoto. Fez uma panela de Penne à francesa com uma jarra de suco de acerola, só faltava arrumar a mesa da sala para a chegada do rapaz. Mas o ruivo acabou chegando um pouco antes do esperado, escutando a voz dele e já enchendo-se de alegria.

- Chegou na hora! - pegou a travessa com a comida, levando-a para a mesa da sala. A cena chegava a ser engraçada pois de nada combinava com Katrina: usava luvas de cozinha, um avental cheio de babados que escondia o vestido de casa sem graça que usava. Talvez estivesse vestida daquele jeito justamente para atiçar o bom-humor do rapaz e render umas boas risadas - Mamãe preparou uma receita nova! Será que está bom? Ou nosso tempo juntos vai se resumir numa tarde no banheiro? - comentou séria, mas obviamente brincando. Antes de pegar os pratos, aproximou-se do filho. Havia crescido consideravelmente nos últimos meses. O abraçou - Saudades...

Yure

Ainda estava amuado do fim de seu relacionamento, mas queria esquecer essas coisas e aproveitar do tempo com sua mãe, tinha tanta coisa pra pensar mas só queria esvaziar a cabeça, abraçou a mulher, e riu do comentário dela sobre eles passarem a tarde no banheiro depois de comerem a comida dela:

-- Relaxa, a gente leva o celular e fica disputando no joguinho, ou sei lá, inova, faz uma disputa de peidos, é muito popular isso lá nos dormitórios, só nunca achei que faria isso em casa. -- devolveu as brincadeiras, parecendo meio xoxo, mas ainda se esforçando pra ser animado: -- também tava com saudades!

Se afastou para seguir até a pia da cozinha e lavar as mãos bem, e olhar em volta para ver no que podia ajudar, já que não iria cozinhar: -- quer que eu bote a mesa? -- perguntou já abrindo os armários da cozinha que agora pareciam mais baixos do que da ultima vez que estivera naquele lugar: -- oh mãe, ‘cê reformou a cozinha? os armários tão baixos! -- nem passou pela cabeça do ruivo que ele tinha crescido e por fazer tanto tempo desde a sua última visita ao apartamento da mãe, ele achasse tudo meio diferente. O ruivo organizou a mesa, suportes para panelas, talheres, pegadores, copos, e foi mexer na geladeira pra ver se tinha suco, ou qualquer bebida gelada, senão estaria pronto pra ele mesmo ir fazer.


Katrina

Fez um semblante de nojo com aquele comentário, mas não esperava menos do filho, então riu, embora só de imaginar uma academia só com rapazes a desse calafrios. Se com um se sentia perdida, imagina mais de cem. O beijou na bochecha e enfim se afastou, retirando as luvas e aquele avental ridículo.

- Quero sim! Nada melhor que colocar o filhote pra trabalhar. - mais um comentário divertido, enquanto deixava o celular sobre a mesa e ia para o quarto, pegar no armário uma caixa pequena embrulhada. Não perdia o costume de mimar o filho, mas aquela ocasião era especial. - Se eu reformei a cozinha? Claro que não! Você que deu uma esticada atroz. Amanhã quando eu sair de casa, o que eu mais vou ouvir são as fofocas das vizinhas, comentando o quanto você cresceu. - voltou para a sala com o presente em mãos, escondendo-o nas costas - Fiz suco, está na geladeira! Quando voltar, quero que sente a mesa e feche os olhos.

Há tempos que a professora não se animava assim. Estava tão imersa no trabalho e nos problemas que teimaram a aparecer, que uma simples tarde com o filho já lhe dava uma animação a mais. Só queria aproveitá-lo e animá-lo.
Yure

O ruivo riu do fato de que ele tinha dado uma esticada atroz, se sentia agora um bicho de rpg no modo atroz, e pensar que só estava começando aquela caminhada em esticar de tamanho. Acenou positivamente quando a mãe lhe confirmou que tinha suco na geladeira, foi lá e pegou a bebida e organizou, talheres, pratos, aparadores, copos, lenços e tudo mais, sabia daquela ordem de coisas tudo de cabeça por insistência de sua madrinha.

Se sentou conforme sua mãe tinha indicado, e fechou os olhos e esperou, já imaginava que era algum presentinho já que tinha conseguido fazer coisas grandiosas pra um estudante mediano como se considerava. Talvez tivesse de repensar a forma como se tratava, tinha ralado o suficiente para não se considerar mais um aluno meramente medíocre, agora não se sentia bem com tudo isso, mas esperava que esse sentimento ruim fosse embora, e finalmente lhe deixasse aproveitar as coisas boas que tinha conseguido conquistar em St. Clavier:

-- Você sabe que eu não sou o rei da paciência. -- Brincou usando um tom de voz divertido diante da situação e fazendo os gostos da mãe daquela vez, entrando na brincadeira, estava com saudades do jeito peculiar da mulher.

Katrina

Esperou ele sentar e fechar os olhos, para entregar o presente. Depositou a caixinha na mesa em frente dele, afastando os pratos. Era uma caixinha minúscula, mas o que tinha dentro, era grandioso.

- Pode abrir os olhos. - dizia, sentando-se ao lado dele, ansiosa. Quando o ruivo abrisse o presente, veria o que tinha ali: uma chave. A chave de um carro, o qual o modelo ainda era segredo. Quando o filho abriu, antes de qualquer reação do mesmo, falou: - Pode ficar feliz, mas tirando o cavalinho da chuva. Vai ficar guardado até você tirar sua habilitação! E eu ter certeza que não vai quebrar não só o seu braço, como o braço de outras pessoas! - brincou, aguardando uma reação do filho, sorridente.

Servia o prato dele com a macarronada e logo em seguida o seu, fazendo o mesmo com o suco. Geralmente deixava o celular no silencioso, no sofá. Mas dessa vez estava esperando um telefonema importante, então preferiu deixá-lo consigo, na mesa. Acabou recebendo uma mensagem, ignorando-a prontamente.

Yure

O ruivo estava imaginando que ganharia um bolo, mas sua mãe devia saber que era açucar demais até pra ele comer um bolo inteiro, a menos que fosse um bolo vegano, quem sabe? Aceitaria um quindim ou alguma baguete recheada, talvez sua cabeça só pensasse em presentes que fossem comida porque estava com fome, ou talvez porque tivesse expectativas baixas.

Tal qual a sua surpresa quando deparou-se com uma caixa pequena, espiou da mãe para o objeto e o abriu para depara-se com uma chave, e seu cérebro pensou em vários motivos pra ganhar uma chave, estava um pouco velho pra fazer aquelas caça ao tesouro com enigmas e aquilo só tinha graça na casa de sua madrinha que era enorme com vários lugares para esconder coisas. E nem conseguiu esconder a surpresa depois de longos segundos de delay, quando percebeu que aquilo era a chave de um carro, e sua mãe lhe confirmar que iria tirar uma carteira de habilitação:

-- Mas mãe, eu, tipo, sei nem o que fazer com um carro, e eu fico no internato o tempo quase todo, a senhora vai se mudar? Pra eu precisar ir te ver em outra cidade? Erh… eu sei lá o que eu devia dizer agora… -- o ruivo coçou a cabeleira ruiva e olhou da chave pra mãe, para se aproximar e dar-lhe um abraço: -- obrigado, mas nem preciso por o cavalinho na chuva, pode guardar, talvez nas férias eu vá tirar uma habilitação, mas sei lá… sou tão acostumado a ser o menino do skate hahaha.

O ruivo riu meio besta da situação pra depois guardar a chave de volta na caixinha e ir por na estante junto com seu celular e naquele momento percebeu que tinha uma mensagem de número desconhecido:

“Parabéns Yure por esse momento importante em sua vida.
Concluir o ensino médio e começar a trilhar uma carreira é um passo importante, sabemos que estar em St. Clavier é gozar do melhor que a França tem a oferecer em ensino, esperamos ansiosamente por notícias de seus feitos e suas conquistas. Desejamos de coração e sucesso que Deus abençoe esse novo ano letivo e ilumine suas escolhas.
Grande abraço, sua família.”

A mensagem soou tão estranha com aquele papo de deus e o escambau que julgou que fosse alguma tiração de sarro de seus amigos que sabiam que ele tinha concluído parte do ensino médio, mas ainda iria para o terceiro ano, então ainda tinha chão pela frente até poder dizer que sabia o que queria da vida. Ignoraria aquela mensagem estranha mas notou que o celular de sua mãe também apitava a chegada de uma mensagem, e não era de fuxicar no aparelho da mulher, mas achou estranho o número ser o mesmo que tinha lhe enviado aquela mensagem “família”: -- Mãe… eu acho que estão passando trote na gente.

Apontou os dois aparelhos com mensagens vindas do mesmo número, não chegou a ler a mensagem que tinha chegado no telefone da mãe, mas aquilo tudo era estranho, o que alguém ganharia mandado trote para os dois?

Katrina

- Claro que você não vai fazer nada com o carro agora! - respondia, como se fosse o óbvio apesar do presente dado - Apenas guarde a chave. Quando a hora chegar, você vai saber. Por enquanto, pode continuar sendo o "o menino do skate". - levou a mão até o topo da cabeça do ruivo, acariciando ali - Você merece o mundo.

Sentou-se à mesa, pronta para comer. Não havia prestado atenção no celular vibrando, então, só se ateve a situação quando o filho comentou sobre o trote. Arqueou uma sobrancelha, sem entender ao certo o motivo daquilo e antes mesmo de olhar para a tela do aparelho, decidiu perguntar:

- Por que diz isso? Que tipo de tro--

As palavras da mulher se perderam no topo da garganta assim que reconheceu o número da mensagem, engolindo em seco. Resignada, respirou fundo, abrindo a mensagem que recebera e lendo silenciosamente.

"Cansamos de esperar. Entramos em contato com o nosso neto."

Saiu da tela de leitura prontamente, ativando a de descanso. Mas continuou encarando o aparelho por longos segundos.

- Yure... o que tem escrito na mensagem? Posso ver? - e depositou o celular sobre a mesa.

Yure

a reação imediata da mãe foi de estranheza igual a sua própria, no entanto, assim que ela viu o próprio celular notou que a expressão dela ficou “diferente”, não tinha certeza, mas tinha a impressão que ela realmente sabia de onde eram aquelas mensagens. O ruivo não era um rapaz curioso naturalmente, mas naquele momento, franziu de leve as sobrancelhas e estranheza e estendeu o celular na direção da mãe, com a mensagem aberta o texto “bla bla bla deus te abençoe”.

-- eu não li a mensagem, mas pelo que vi é do mesmo número. - fez uma pausa breve, olhando pra mulher com a expressão vidrada no celular e na mensagem de texto: -- Você conhece as pessoas que mandaram? Porque a senhora tá com uma cara… meio sei lá.

O ruivo coçou a nuca parecendo meio desnorteado sem saber como lidar com aquela situação, tinha algo naquela situação que lhe incomodava, mas não sabia exatamente o que era.

-- Talvez enviar mensagem de volta?
Reply


Messages In This Thread
Imperdoável [Katrina] - by Yure - 09-27-2021, 03:32 PM

Forum Jump:


Users browsing this thread:
[-]
Cerise News
Dia xx/xx/xxxx
População de Cerise come mais Patchdonald's que a média nacional de comedores de McDonald's, diz jornal Le Monde.

[-]
Birthdays
Today's Birthdays
No birthdays today.
Upcoming Birthdays
avatar (37)Skurai

[-]
Latest Threads
Trouble in Paradise [Carbella]
Last Post: Natalia
09-27-2023 04:34 PM
» Replies: 6
» Views: 28
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Last Post: Natalia
09-08-2023 11:08 PM
» Replies: 16
» Views: 42
Run Boy Run [Daniel]
Last Post: Qiang
09-07-2023 06:32 PM
» Replies: 6
» Views: 32

[-]
Recent Posts
Trouble in Paradise [Carbella]
Ao terminar de consu...Natalia — 04:34 PM
Trouble in Paradise [Carbella]
Carbella queria dize...Carbella — 10:02 PM
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Voltou o olhar quase...Natalia — 11:08 PM