Meu Dia de Cerise
#4
Isaac

[“Reencontro marcado” (+18) – Isaac, Ulysses]

Ulysses ainda acompanhou Yure sair da sala às pressas com as pastas em mãos e fechar a porta em seguida. Voltou-se para Isaac que tinha ido até a prateleira de arquivos de novo para arrumá-los com aquela aura de irritação que só lhe trazia boas lembranças. Claro que ainda era muito estranho que o garotinho de cinco anos atrás fosse um homem grande e de cara fechada como aquele... mas ainda tinha as mesmas reações e ainda era divertido.

Ele deu alguns passos na direção de Isaac, mas antes mesmo de cobrir toda a distância, o moreno se virou em sua direção com a expressão de raiva.

- Ainda estou esperando. O que quer aqui? - Isaac reforçou o questionamento anterior, carregando mais duas pastas que Ulysses tinha quase certeza que ele não precisava.

- Ah, Isa, não tem graça se você ficar irritado comigo logo agora que nos reunimos. - Ulysses parou diante da mesa na qual Isaac estava apoiado. - O que eu posso fazer para melhorar o seu humor?

- Dizer o que quer e ir embora. - Isaac retrucou, de novo, colocando a pasta sobre a mesa com uma força desnecessária.

- Eu queria vir falar com você, não é óbvio?

- Se quisesse falar comigo, teria vindo antes. - o moreno parecia irredutível e Ulysses só sorriu um tanto sem graça.

- Tá, você mudou um pouquinho. - Ulysses deu a volta na mesa e se aproximou até prender Isaac com os braços contra a mesa.

O mais alto parou imediatamente o que estava fazendo e se virou na direção de Ulysses, com os dois braços cruzados. Ele ainda era bons dez centímetros mais alto e encarou o outro com raiva.

- O que está fazendo? Está atrapalhando meu trabalho.

- Mas não mudou o suficiente. Se fosse o caso, não teria se irritado porque eu não vim logo falar com você ao chegar em Cerise. - Ulysses não pareceu se importar com a diferença de altura, ainda inclinou o corpo contra o de Isaac que não saiu da postura defensiva.

- Não estou irritado. Estou com raiva. - Isaac fez questão de corrigir. - Pela última vez: o que quer? Pare de atrapalhar meu trabalho.

- Melhor ainda. Gosto de você com raiva, Isa.

Ulysses se inclinou o suficiente para que os lábios quase unissem aos de Isaac, mas no mesmo instante, o movimento foi detido pelo mais alto, que levantou a mão e cobriu a boca dele, impedindo que completasse o beijo.

- Alunos e funcionários não podem ter relacionamentos íntimos. - o secretário respondeu, como se fosse uma resposta automática.

- Mas eu ainda não fui efetivado, isso conta? - Ulysses explicou contra a mão alheia.

Ele teve que sorrir largamente quando a expressão de Isaac se tornou numa confusa e, sem achar uma resposta para negar, ele tirou a mão do caminho.

- Tudo bem então.

O sorriso de Ulysses só não ficou mais notável porque ele terminou de cruzar o espaço até unir os lábios aos de Isaac, aprofundando o beijo de imediato enquanto pressionava o corpo contra o dele, apoiado à mesa. Nem a diferença de altura podia diminuir a vontade que estava de fazer uma bagunça no uniforme muito bem alinhado do ex-namorado e ter a chance de ver o rosto, agora adulto, igualmente vermelho.

Isaac não teve qualquer receio em ceder ao avanço do outro. Já não estava num relacionamento sério, fazia algum tempo que não fazia sexo e pelo que lembrava, Ulysses era muito bom naquilo. Os braços que antes estavam cruzados para atrapalhar a aproximação alheia se descruzaram e apoiou uma das mãos no peito alheio e a outra passou por cima do ombro dele. Não cessou o beijo e Ulysses aproveitou a oportunidade para pressionar mais o corpo contra o dele, invadindo a boca alheia com a língua, sentindo o calor se espalhar dos lábios até os fios de cabelo da nuca.

- Você pode ter crescido… mas continua gostoso, Isa… - Ulysses falou contra os lábios do mais novo, lambendo o próprio lábio inferior ao sentir as respirações se encontrando.

- E você continua falando demais.

Isaac baixou as mãos para se apoiar na mesa, usou o suporte para se sentar e então, fez questão de fechar as pernas em volta da cintura de Ulysses, mantendo-o junto ao corpo, a diferença de altura ficando um pouco menos notável agora que estava sobre a mesa. A expressão do outro foi de uma surpresa agradável.

- E pelo visto aprendeu umas coisas novas! Eu gosto…

O secretário procurou os lábios alheios para continuar o beijo e com os braços livres, tirou o próprio terno. Ulysses devolveu o beijo intenso e levantou as mãos passando os dedos pelo abdômen e peito de Isaac, ainda coberto pelas camadas de roupa da camisa e do colete, até alcançar a gravata e puxar o nó com um pouco mais de força que o necessário. O gesto fez com que Isaac se curvasse mais na direção dele, e logo a gravata tinha sido tirada do caminho e os primeiros botões da camisa abertos, para depois seguir para os do colete. Com o terno fora do caminho, foi Isaac que passou as mãos pelo corpo de Ulysses, tirando também o blazer do caminho e se ocupando em desabotoar a camisa dele, sem muita paciência enquanto o fôlego começava a se perder entre os lábios dos dois.

- Hahh… eu não lembrava de você tão ansioso assim, Isa… - Ulysses cessou o beijo, descendo os lábios pelo queixo alheio, o pescoço, o ombro sob a camisa que tinha conseguido abrir sem danificar os botões.

- Está achando ruim? - Isaac suspirou em meio aos beijos, as mãos desceram pelo tronco parcialmente exposto até alcançar o cós da calça e tocar o membro alheio por sobre o tecido da roupa.

- De jeito nenhum… - Ulysses riu contra a pele dele, sentindo o corpo estremecer notavelmente com a mão dele sobre a sua calça. - Contanto que você não queira me foder, estamos indo muito bem…
- Não estou interessado.

- Ótimo. - Ulysses lambeu o canto dos lábios de novo e daquela vez, espalmou as mãos com mais força sobre o peito de Isaac, empurrando-o contra a mesa para que ele se deitasse, sem ligar para as pastas de arquivos que estavam ali atrás e serviram de suporte parcial para as costas do moreno. - Você ainda é tão obediente…

- Você vai parar de falar?

- Como quiser… - ele riu, observando o corpo másculo abaixo de si.

Era bem diferente de anos atrás, claro, mas as reações ainda eram bem parecidas e se avançasse só um pouco mais, com certeza o rosto de Isaac estaria vermelho e não ia ser só do calor. Ulysses se curvou sobre o corpo agora deitado, ainda preso pela cintura pelas pernas do mais novo, e beijou o caminho pelo peito, até um dos mamilos, ouvindo alguns suspiros pesados de satisfação em resposta aos seus toques. Sentiu a mão de Isaac ir até o topo de sua cabeça, os dedos se fechando em volta dos fios castanhos com força.

Ulysses continuou o caminho com os lábios e com as mãos. Passou para o outro mamilo, chupando e mordiscando a área, enquanto as mãos desciam pelo abdômen definido até o cós da calça. Tirou o cinto do caminho e desabotoou a calça, sem perder muito tempo para puxar o tecido para fora do caminho, expondo a ereção alheia que só denunciava como Isaac já estava excitado.

- Agora essa parte com certeza mudou… - Ulysses comentou, arrancando pela primeira vez uma expressão levemente avermelhada de Isaac que se apoiou nos cotovelos para erguer parcialmente o tronco.

- Você não para mesmo de falar…

- Vou atender seu pedido agora mesmo…

Com as mãos na lateral dos quadris de Isaac, Ulysses enfiou os dedos pela calça dele, terminando de puxar a peça para baixo e fora do caminho, baixou a cabeça até alcançar a glande com a ponta da língua, deslizando-a pelo membro que pulsou em excitação. Ele sorriu satisfeito, apoiando as mãos nas coxas agora livres de Isaac e descendo a boca até a base da ereção, para beijar a área e deslizar a língua de novo até a glande, engolindo-a de uma vez para ouvir o gemido de aprovação de Isaac um pouco mais alto na sala ampla. Começou a mover a língua em volta do membro, massageando as áreas que sabia serem mais sensíveis, para notar que a respiração do outro ficou mais descompassada e o membro mais rijo dentro da sua boca. Sorrateiro, Ulysses ainda subiu as mãos pela lateral dos quadris, alcançando a cintura de Isaac e arranhando aquela área com gosto.

A reação de Isaac foi imediata. Ele escorregou nos próprios cotovelos e deixou um gemido tão mais alto escapar que precisou levar as duas mãos para cobrir os lábios, a ereção gotejando o sêmen da pré-ejaculação. Ulysses afastou a boca do membro alheio, deixando a saliva escorrer pela ereção e pelo escroto, para observar um Isaac suado, com o rosto muito mais vermelho, e muito mais excitado. Ele passou o polegar pelo canto do lábio.

- Eu ainda lembro… cada lugar, Isa… - ele comentou convencido, deslizando então uma das mãos pela coxa de Isaac até alcançar o joelho, arranhando-o ali também. Mais uma vez, a reação de Isaac foi notável, o corpo todo estremecendo dos pés à cabeça, o membro latejando por alívio.

- Pare… com isso…!

- Ahhh… você não quer que eu pare agora… - Ulysses se curvou sobre o corpo dele, pressionando o quadril contra a ereção, até alcançar os lábios alheios de novo. Mas não o beijou, colocou os dedos na boca de Isaac, massageando a língua dele com os dedos para serem umedecidos com a saliva. - É só o que temos aqui, Isa…

A mão livre, Ulysses ainda fechou com força em volta da cintura dele, no mesmo ponto de antes, e outro gemido sonoro escapou dos lábios de Isaac, mesmo com a boca impedida com os dedos ali.

- Agora… acho que vou precisar abafar seus gemidos, hm?

- Hahh… continue…!

- Como quiser…

Ulysses tirou os dedos da boca dele para cobri-la com a sua. Levou os dedos até entre as pernas de Isaac e inseriu um deles com certa resistência pela falta de lubrificação e, notadamente, de costume. Ele massageou a área, fazendo movimentos de vai-e-vem com o dedo até conseguir inserir o segundo, abafando os gemidos dele com os beijos constantes e a respiração entrecortada. O calor na sala só aumentou, a camada de suor no corpo de Isaac era notável, a camisa que Ulysses ainda vestia parecia deixar tudo ainda mais quente. Já começava a sentir o incômodo da roupa contendo a sua ereção naquele estado, e o gesto não passou despercebido por Isaac.

O secretário do Conselho Estudantil buscou apoio na mesa de novo com os cotovelos, as pernas que tinha folgado, fechou de novo com força em volta de Ulysses, interrompendo o beijo longo que fazia a saliva escorrer pelo canto dos lábios.

- Chega de dedos, Lyss…

- Mas você está tão apertado, Isa…

- E eu não tenho mais quinze anos. Continue…!

Ulysses não teve outra reação senão rir da assertividade do outro. Lambeu os lábios alheios e tirou os dedos de dentro do canal, desabotoando a calça para expor o membro rijo, posicionando-o contra a entrada apertada. Sentiu a resistência inicial e segurou a ereção, forçando-a no canal até que a glande tivesse penetrado o outro. A sensação do canal apertado em volta do membro causou um espasmo de prazer que lhe percorreu o corpo por inteiro. Ulysses desviou o rosto do de Isaac, encostando a testa na curva do pescoço dele ao suprimir um gemido de prazer. Isaac levantou uma das mãos do apoio no cotovelo e passou por cima das costas dele, segurando-se à camisa social.

- Hnnn…! Tão apertado…! – Ulysses comentou contra a pele alheia, forçando o membro para penetrar o canal pouco lubrificado, e embora ele ainda tentasse conter o impulso, foi Isaac que fechou as pernas com mais força em volta da cintura dele, ajudando na penetração. - Haah… Isa…!!

- Comece a se mover, Lyss…

- Ngnn… está tão quente…! – Ulysses desceu as mãos para se apoiar na mesa, inclinando o corpo mais contra o de Isaac, o rosto e o nariz roçando contra o pescoço dele, para começar a mover os quadris num ritmo lento de vai-e-vem.

- Hnn… – Isaac moveu os quadris contra os dele também, levando então os dois braços em volta dos ombros de Ulysses para se apoiar melhor. Deixou que os suspiros escapassem entre os lábios, os gemidos se tornando um pouco mais notáveis à medida que os movimentos intensificavam o ritmo.

- Hahhh! Você… ainda… me mata, Isa… - ele suspirou contra o pescoço de Isaac, mordendo a área e lambendo, cada vez mais aumentando a intensidade das estocadas a ponto do barulho na mesa se tornar bem audível. – Nhnn!

Isaac mordeu o lábio para conter os gemidos, passou as unhas pelas costas de Ulysses, puxando a camisa consigo, embora sem tirar a peça de vez do caminho. Tocou a pele dele diretamente e sentiu os dedos escorregarem com o suor. Ulysses continuou com as estocadas firmes, tirando uma das mãos do apoio da mesa para tocar a ereção de Isaac diretamente, masturbando-o no mesmo ritmo que o penetrava.

- Ahnnn! Espere… as- hahhhh!

Isaac sentiu a ereção latejar ainda mais por alívio debaixo do toque firme de Ulysses, o gozo escapava da glande, o estímulo direto da mão dele junto à penetração fez com que os tremores de prazer fossem bem mais acentuados no moreno. Ele fechou as pernas com mais força em volta de Ulysses, bem a tempo de sentir o corpo alcançando o clímax debaixo da mão dele.

- Hahhhh!! – Isaac sentiu o corpo estremecer, o ânus se contraiu no mesmo instante em que o sêmen escapava da ereção até o seu abdômen, sujando a mão de Ulysses no processo. O gemido foi incontido e ele deixou os braços escorregarem pelos ombros alheios, caindo deitado de novo sobre a mesa, as costas arqueando com as ondas de prazer que se estenderam com cada uma das estocadas agora mais fortes e pontuais de Ulysses.

O esgrimista também não conseguiu resistir por muito. As pernas fechando com força em volta de seus quadris, o corpo de Isaac completamente submisso ao seu, o canal se contraindo com força em volta de sua ereção foram mais do que estímulos suficientes para sentir o corpo chegar ao ápice e se render a sensação do orgasmo, ejaculando dentro dele sem nem se importar com as reclamações que viriam depois. Os gemidos foram abafados contra a pele de Isaac e os tremores de prazer percorreram o corpo todo de Ulysses, até ele sentir o alívio pesar em cada um de seus músculos. A mão ainda apoiada na mesa ao lado de Isaac escorregou e ele deixou que o corpo caísse sobre o outro, apoiando a testa no peito alheio, sentindo o peito dele subir e descer com a respiração cansada e o coração acelerado do esforço.

- Hmmm… até gostei do seu tamanho família agora, Isa. – Ulysses sorriu cansado, apoiando o queixo no peito de Isaac para conseguir dar uma olhada na expressão de confusão que surgiu no rosto alheio.

- Não sei o que significa.

- Desculpe gozar dentro de você… mas estava tão bom…

- Hm. Não importa, meu uniforme não sujou. – Isaac se apoiou de novo nos cotovelos para conseguir se sentar, e Ulysses aproveitou para sair de dentro dele, dando espaço para que ele conseguisse se mover melhor. – Mas vou ter que voltar para os dormitórios para tomar banho.

- Você não estava dizendo que tinha muito trabalho para fazer? – Ulysses sorriu, aproveitando que Isaac estava sentado de novo para beijar o canto dos lábios dele.

- E tenho. Vou tomar um banho, trocar de roupa e volto. – ele pegou a camisa para vestir, só passou a mão no tronco sujo de sêmen, tirando o excesso e limpando no pedaço de papel mais próximo que achou, e inútil, claro.

- Bom, eu devia me desculpar por atrasar ainda mais o trabalho?

- Eu concordei. Estamos quites.

- Hahaha, como resistir a você desse jeito, Isa? – Ulysses também arrumou a calça e começou a abotoar a camisa, agora que tinha parado para pensar que ninguém tinha nem tentado abrir a porta do Conselho, mas nem uma hora tinha se passado, então ao menos o tal Lukashenko não teria interrompido os dois.

- E o que você queria me pedir, afinal? – Isaac desceu da mesa, colocando a cueca e a calça de novo, depois o colete.

- Ah é, quase esqueci! Eu queria usar o ginásio de St. Clavier para treinar um pouco, acha que pode conseguir uma autorização para mim? Em Cerise, é o melhor centro de treinamento para Esgrima.

- Hm. Algum dia específico? Agora que os jogos internos passaram, os horários de clubes estão mais livres, posso reservar o ginásio.

- O dia que achar melhor.

- Sábado pela manhã, então. Sem as competições, os clubes têm atividades facultativas no sábado. Vai estar livre. – Isaac explicou, colocando o terno e deixando apenas a gravata desatada. Só enrolou a peça na mão e até deixou o botão do colarinho aberto.

- Ótimo. Sabia que podia contar com você, Isa. – Ulysses sorriu largamente, satisfeito.

- Termine de abotoar a camisa, vou fechar a sala ao sair. – Isaac indicou, arrumando as pastas que ele mesmo tinha bagunçado com Ulysses sobre a mesa, mas não devolveu ao lugar.

- Eu até terminaria, mas você foi um pouco violento. – ele indicou dois botões da blusa que tinham sido arrancados, mas ao menos não deixava a camisa aberta.

- Ah… desculpe, posso comprar outra camisa para você depois.

- Nah, não precisa comprar outra camisa. Mas eu aceito um beijo como compensação. – Ulysses apontou para os próprios lábios, e não tão surpreendente, Isaac apenas lhe encarou por uns segundos antes de se curvar e selar um beijo rápido.

- Pronto.

- É por isso que eu gosto de você, Isa! – Ulysses passou a mão na cabeça do outro, bagunçando os cabelos e andando lado a lado para saírem da sala do Conselho. Isaac nem reclamou, só realinhou os cabelos e seguiu com o outro para fora da sala. No fim das contas, Ulysses ainda sabia muito bem como acalmar o pequeno Isaac.

* * *
Yure

[Desencontros marcados - Yure, Sasha]

Yure depois de correr como se sua vida dependesse disso já estava voltando para a sala do conselho estudantil, arfando da corrida e foi diminuindo o ritmo pra arrumar o uniforme. A reduzida de passada foi bem em tempo de ouvir um som peculiar de um gemido alto, masculino, que se não estivesse delirando parecia a voz do secretário. Caminhou mais para perto e conseguiu ouvir o ranger da mesa de madeira da sala, seguido de sons abafados que conseguia reconhecer, mas estava com receio de imaginar no que estava acontecendo. O ruivo deu meia volta sobre os sapatos sociais, e pensou que preferia levar uma bronca por tá atrasado do que por ser empata foda. Entrou na sala do conselho disciplinar pra dar de cara com apenas Sasha e largou as pastas em cima da mesa com uma cara de quem tinha tomado um susto:

-- Já que tá aqui vai trabalhar. -- Sasha lhe entregou um monte de papel, só depois de levantar a cabeça que reconheceu a figura em uma aparência atípica: -- E por que você está com o uniforme todo arrumado? Que boi te lambeu?

Muito embora não houvesse nada que pusesse o cabelo do ruivo no lugar ele ao menos estava com o uniforme arrumado:

-- O boi das eleições... Eu disse que ia tentar chapa? Pensei que eu tinha falado... Lemont tá me ajudando mas ele tem os pré-requisitos - aponta pra si mesmo.

-- Bom, não dá pra ter um presidente do conselho estudantil todo bagunçado... -- o moreno mais velho parou um tempo pra refletir sobre a questão.

-- Entrego o que você precisar, só não na sala do conselho... Aí vai ter de esperar... Sei lá... Uma hora eu acho?

-- Ué. A sala né tão grande não pra demorar assim a faxina. kkkkkk

Yure olhou para os lados esperando não ver Nataniel ou o professor do disciplinar entrando na sala, justo naquele momento, e se aproximou de Sasha com o rosto corado, falando baixinho: -- quem dera fosse uma faxina... Mas tipo... Eles estão em usos "extracurriculares"...-- se sentou só por um instante em uma das cadeiras vagas a frente do moreno mais velho: -- eu prefiro ser o garoto que atrasou os memorando que empata foda…

Sasha precisou tirar um tempo pra ponderar aquela situação: -- Eu não sabia que o conselho tinha outros membros além do Callas, do menino e do testa de ferro, mas faz sentido que eles sejam meio abusados pra estarem no conselho junto do menino e do Callas.

-- Não tem outros membros, o Lemont tá lá com o novo professor de esgrima, que já foi estudante daqui... Pensando agora, ele tava sendo tão íntimo com o Lemont chamando ele de Isa, dizendo que dava presentes com borboleta e essas coisas... Meu deus... Por isso o Lemont tava todo estranho parecendo enciumado... É informação demais pra uma tarde!

Sasha sem aviso pegou a cabeça do Yure, e o encarou diretamente nos olhos com atenção, agarrando o uniforme do mais novo, buscando algum cheiro aparentemente: -- Ô ruivinho, qué que tu fumou?

-- Eu não fumei nada... Se tu chegar a cinco metros da sala tu vai ouvir o som da mesa balançando... Ta achando que eu ia inventar isso porque? -- Yure aponta na direção da sala do conselho

-- Porque assim como a gente sexualiza os encanadores e operários que visitam nossas casas para fazer serviços, a ideia do Lemont transando na sala do conselho, que ele mantém impecavelmente arrumada, é muito sexy. -- o moreno mais velho para e pensa -- Seria muito voyeur da minha parte ir até lá para atestar isso? -- seguido de outra pausa: -- Não, a ideia deve ser mais sexy que a execução.

O moreno mais velho pausou pra digitar algo no celular enquanto ria achando tudo aquilo divertido. Em contrapartida Yure achava aquela tarde toda muito estranha.

"O Lemont é baderneiro que nem vocês e fica transando na sala do conselho LOL Esse conselho precisa mudar pra criar vergonha HAHAHA Mandar multa pra todo mundo! Att. Presidente do conselho disciplinar"

Não demorou para o celular de Sasha apitar com a resposta em retorno.

"Sim, ele é baderneiro, principalmente quando tá solteiro. Mas não sabia que ele já estava interessado em alguém já que ele acabou de terminar um namoro.
R.B."

* * *
Kyle

[Little boy in the grass - Ciel]

A quietude daquela cidade de interior francês já estava começando a lhe cansar física e mentalmente. Não conseguia entender como é que Dimitri conseguira passar tanto tempo ali, afinal, os dois eram muito parecidos e ele devia estar se sentindo incomodado de ter que cumprir o trabalho que tinha se proposto. Mas já que estava de volta, podia levá-lo para os EUA mais uma vez e voltarem à rotina normal.

Mas o fato de que estava se tornando cada vez mais difícil chegar em Dimitri lhe deixava impaciente e incomodado. Tinha que achar outros meios de encontrá-lo, de contatá-lo, além das mensagens que ele estava ocupado demais para retornar no período de trabalho atarefado. Até tinha saído de seu caminho para falar, mais uma vez, com o diretor de St. Clavier para que ele amenizasse o trabalho de Dimitri. Mas ele conseguia ser teimoso quando queria também. E foi por isso que não pensou duas vezes em entregar um presente indiretamente para o outro, e a distração com aquele paciente de Dimitri era o que estava deixando seus dias menos irritantemente calmos.

Já tinha mudado de visual duas vezes, já tinha conhecido gente suficiente na cidade para cansar de brincar com pessoas inúteis e a cada dia que passava, só queria se aproximar do seu objetivo principal. Foi por isso que depois de estudar incansavelmente a escola, os arredores da cidade, os bairros menos movimentados e estabelecer uma série de locais diferentes em que podia encontrar com o seu novo pupilo, decidiu que estava na hora de olhar de perto mais uma vez para St. Clavier, e mais do que a escola, olhar de perto alguns dos funcionários pelos quais tinha se interessado bastante desde a chegada a Cerise e antes mesmo de seu primeiro encontro com Dimitri.

O rapaz de traços delicados e aparência muito bonita podia até se passar por um dos parceiros que tivera nos EUA enquanto buscava alguém tão ideal quanto o psiquiatra. Ele era muito bonito e exceto pelo fato de que não sabia se vestir, tinha potencial. Talvez, ele tivesse mais potencial também para aguentar mais do que os parceiros que tivera nos EUA. E estava precisando de uma distração bem mais pontual antes de conseguir ter Dimitri de volta. Já o tinha encontrado até uma vez num passeio proposital por um dos distritos residenciais da cidade, e vê-lo de perto tinha só reforçado como o rapaz era visivelmente interessante.

A maior vantagem daquela academia para garotos era a distância da cidade, a facilidade de locomoção discreta, a dificuldade de acesso que já era reforçada por conta dos policiais que cercavam o instituto por Dimitri. Bom, não era como se fosse um corpo policial enorme ou muito competente. E com os horários regulares de trabalho, entrada e saída da academia, ficava ainda mais fácil só entrar no caminho do seu alvo. E para um alvo tão acessível como Ciel Elsworth... poderia até despender boas duas horas do seu tempo para entrar na rotina dele, se tornar um amigo, conhecido, confidente... mas a inquietude e a impaciência de estar há quase dois meses naquela cidade longe de Dimitri, a sua atitude foi mais assertiva: só um caminho em que ele fazia o trajeto sozinho entre St. Clavier e a própria casa, uma aproximação discreta de quem tinha alto treinamento militar, um golpe certeiro que ele nem imaginaria de onde veio, só sentiria a dor ao acordar. Em menos de uma hora, estava de volta ao armazém que ainda tinha o cheiro de podre e as manchas de sangue de um cachorro dilacerado e uma criança pequena.

Por uma longa hora, Kyle apenas se sentou numa cadeira simples encarando o rapaz desacordado deitado no chão a dois passos de distância de si. Já tinha se livrado das roupas dele, substituído todas as peças por uma mordaça de couro, algemas nos pés e nas mãos, também de couro, que o prendiam a estrutura de treliça de um dos pilares desgastados de uma das salas do armazém abandonado. Finalmente, notou quando ele começou a recuperar a consciência e o sorriso ficou mais largo em seu rosto. Com as pernas bem cruzadas, as roupas brancas, as mãos de dedos entrelaçados apoiadas sobre as pernas, esperou até que ele recuperasse completamente a consciência e lhe encarasse de volta.

- Você dormiu bem, Ciel?

* * *
Yure

[“Algo de errado não está certo” - Yure, Charles]

[22:52, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey Charles
[22:53, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey charles
[22:54, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ei
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Oque é
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: amém! então
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu to em apuros aqui
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Eu ia responder -_-
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu sei mas to em desespero
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: aconteceu alguma coisa com o testa de ferro
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Oque você fez com ele dessa vez?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e não foi o namorado < que pasme ele não tem mais, terminou e foi feio
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e nem foi o vice presidente que tá afastado e tals que é amigo dele
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu não fiz nada, não dessa vez, eu juro com os dois pés junto ;-;
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Espera
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Oh
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: fala, melhor, digita @_@
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Ele tá assim desde quando?...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: desde o inicio da semana, foi algo que rolou provavelmente no fim de semana
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu pensei que ele tipo, sei lá, bateu o dedo na quina da mesa e que ia passar na terça
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: mas chegou, quarta, quinta, e hoje é sexta e ele ainda está plenamente puto, deus, eu ainda vou no conselho no sábado ;-;
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Entao, Eu sei porque
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Lembra do treino do inferno que eu fui no sábado? Que você me abandonou e nem pra me acompanhar?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então, eu lembro que você tinha treino, mas eu não faço parte do time de esgrima e nem fui convidado, então mesmo que eu quisesse eu não podia ir, e minha mãe me chamou pra almoçar com ela ;-; desculpa
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: aconteceu alguma coisa? ele bateu a quina no dedinho?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: quer dizer, cê me entendeu, que foi que houve?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Então
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Eu fui, o Ulysses me irritou, mas ele sabe oque tá fazendo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Digo ele sabe de esgrima
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas aí na metade do treino o Isaac apareceu
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E o Ulysses parecia nervoso e tal
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E o Isaac tava com a cara que você diz que ele faz quando alguém apronta
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas acho que umas 10x pior
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: No final o Ulysses tava treinando com o pé machucado e o Isaac foi tirar satisfação
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas eles começaram a discutir pesado até ele pedir pro Isaac sair
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E, hm, aparentemente ele e o Isaac são ex
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Então da pra dizer que é problema com ex
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas isso morre aqui, acho
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: nossa, tem toda uma teoria da conspiração. MEu senhor amado, por isso ele tá tão puto, caramba, se alguém que eu gosto diz na minha cara que isso não é pra eu me meter, eu ia ficar puto mesmo... mas ele tá puto a uma semana já, ou é um negócio muito sério, ou o testa de ferro tem problemas pra lidar com raiva...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:to pasmo.
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Ta pasmo?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Eu vi tudo ao vivo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Foi assustador
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ai vou eu amanhã trabalhar com ele no conselho, espero que o Ulysses nem dê as caras por lá, magina o climão, eu vou fazer o quÊ?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:minhas piadas sem graça não fazem efeito nesse nível de treta
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Nao respire
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Nem tente ser minimamente legal
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Arrependimento
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: vish, você foi legal com ele?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ele, o Ulysses?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Olha eu primeiro fui reclamar
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Porque ele praticamente me usou de escudo contra o Isaac
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Depois eu dei um voto de confiança
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E disse que se ele garantisse que tava ok poderíamos treinar de novo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E ele faz oque? Diz que to preocupado com ele
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E invade meu espaço pessoal. E se convida pra almoçar na minha casa.
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: oh Charles
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: NA. MINHA. CASA
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: você ser legal com alguém é tão raro
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: que ele deve tá se sentindo especial agora
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: meus pêsames
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Pior que a Tia gosta dele também, é o enterro completo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: eu me odeio
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Chama ele pra jogar uns boardgame pra você humilhar ele, ao menos ele te faz vergonha nos treinos, ao menos nos joguinhos você arrasta a cara dele nas pecinhas
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Por isso eu não faço boas ações
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: nao. Ele insiste que somos amigos
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: então...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Se eu der essa liberdade pra ele
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Acabou
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Assim...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: o caixão já tá feito, e as flores compradas, segue o baile e enterra ele nos joguinhos que é onde você é bom
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ao menos dá pra lavar a raiva
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: eu me arrependo
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: sei lá, chama ele pra jogar board game, e aposta que quem perder tem de pagar prendas, tu vai rapar ele de prendas '-', não tem nem como tu perder em nada :v
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: joga a Luma em cima dele então
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: sei lá
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu sei fazer amigos, não sei como não fazer amigos
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: apesar de odiar a ideia é uma ideia interessante
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: vou considerar
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: mas espero ter companhia
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: nossa, tu quer mesmo me colocar nisso, vou me sentir segurando vela pros esgrimistas ;-; mas posso ir sim, marca pra depois das provas finais de St. Clavier e tudo certo /õ/
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Segurar vela
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: modo de dizer
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: haha
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: vou estudar matéria
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: valeu ajuda Charles õ/

* * *
Marco (Charlotte)

[“Childcare” - Yure]

A princípio não era mais que outro dia no escritório de sua família resolvendo problemas de seus clientes. Tudo estava indo muito bem conforme sua agenda estava planejada para a semana até um rapaz ruivo de semblante simpático adentrar em sua sala. Ao que parecia, ele precisava de auxílio sobre questões de guarda referente à própria família. Não era exatamente sua especialidade lidar com casos de guarda de crianças ou conciliações, mas o rapaz havia pago por aquela primeira reunião e o que devia a ele ao menos naquele primeiro momento era ouvir toda a problemática do caso.

Recebeu o mais novo como recebia todos seus clientes, pedindo a sua secretária que trouxesse água ou alguma bebida que ajudasse o outro a se sentir mais confortável e preparado para a conversa. Cumprimentou o outro que se identificou como Lukashenko, Yure Lukashenko. Deu espaço para que ele pudesse falar e explicar a própria situação enquanto ouvia atentamente. No início, ele começou fazendo algumas perguntas generalistas sobre o protocolo de um divórcio e sobre a guarda de crianças, o que não era difícil de se explicar. Estranhou a pergunta, considerando que o rapaz poderia facilmente encontrar aquelas informações fazendo uma busca rápida online. Julgou que ele queria ter a confirmação das informações pelo seu próprio discurso, então esclareceu tudo sem rodeios.

No instante seguinte, ele estava explicando sobre casos de guarda em que um dos pais não cumpria com sua parte do acordo na divisão da guarda da criança. A pergunta lhe fez considerar o quadro do rapaz, imaginando que ele talvez estivesse buscando processar a quebra de acordo de um dos pais dele. Em momento algum, vacilou ao responder sobre a situação, indicando que o pai em questão poderia responder na justiça por tal negligência. O que a loira não esperava era a pergunta que viria a seguir.

- Quando foi a última vez que a senhora viu a Monique?

Definitivamente, não esperava por aquela pergunta. Olhou diretamente para o rapaz em surpresa, mas ele não parecia contrariado ou relutante. Charlotte tensinou sobre sua cadeira e prontamente buscou o telefone de sua mesa, pronta para anunciar para sua secretária que o rapaz estava de saída. Nesse momento, ao perceber sua estratégia de se livrar dele, o garoto lhe recordou do horário da sessão que havia pago para sua assessoria jurídica. Tal atitude só aumentou o descontentamento que sentia com todo aquele cenário. Prontamente, concluiu que Marco finalmente estava resolvendo ter a própria vingança e havia enviado o rapaz para lhe atormentar.

- Que Monique? - resolveu perguntar, o timbre de voz menos agradável e mais defensivo, considerando que falar sobre a garota não era o que tinha em mente, sequer havia se preparado para aquilo. E mesmo se soubesse que aquele encontro iria acontecer, não teria concordado com ele.

- É. A Monique Biedermeier. Porque se por lei, pais divorciados tem responsabilidade por uma criança, a senhora deveria no mínimo fazer as visitas, e procurar saber sobre a vida dela.

Charlotte ficou quieta, sentindo que estava sendo interrogada pelo rapaz mais novo. Não entendia qual o motivo dele estar lhe perguntando tudo aquilo, mas ele não parou por ali.

- Qual a cor preferida da Monique? Qual a comida preferida dela? Qual o sonho que a Monique tem? Do que ela tem mais medo? A senhora que é mãe dela não sabe nenhuma dessas respostas. - apesar do ar jovial e simpático que o mais novo havia apresentado no início daquele encontro, conseguia perceber o quão determinado e indignado o outro estava por suas escolhas como mãe. - É muito triste que a senhora sendo mãe, e advogada, saiba o quão errado é o que está fazendo, tanto moralmente quanto juridicamente e mesmo assim a senhora faça.

Encarou o ruivo, franzindo o cenho e engolindo o que pensava em responder para ele. Ele não tinha nenhum direito de lhe dizer como lidar com seus problemas. A garota era um problema. Não sabia como ser mãe dela quando seu ex-marido conseguiu estragar a visão da garota e não saberia como cuidar dela naquela idade de qualquer forma. Marco, por outro lado, parecia estar conseguindo se virar muito bem, arrumando uma nova mulher e tendo tempo para lhe enviar um garoto estranho para lhe fazer perguntas desagradáveis. Imaginava até quando a mulher dele continuaria vivendo feliz ao lado dele até que os filhos dela desenvolvessem problemas de visão.

- Ainda bem que a Monique não puxou nada da senhora.

Foi a sentença que ouviu por fim antes do estranho rapaz se retirar de seu escritório. Levou as mãos até o próprio rosto e os cotovelos à mesa, suspirando pesado como se toda a situação pressionasse seus ombros. Observou a fotografia de sua verdadeira família sobre sua mesa, seu marido e seu filho juntos. Não precisava ser lembrada da garota ou de todos os problemas que havia tido com o ex-marido. Não havia como ser mãe dela. Só a ideia de voltar a encontrá-la lhe trazia um enjôo no estômago, como se não tivesse nenhum controle sobre a situação e tivesse que lidar com uma adolescente que já deveria lhe odiar. Não culpava a criança, só não queria ter mais nada a ver com ela.

Prontamente pediu um copo com água e açúcar para sua secretária e, após se acalmar, telefonou para o escritório de seu ex-marido. Ele havia sido proibido pela nova mulher de lhe falar diretamente pelo telefone. Desirée L´mark deveria saber muito bem como controlar o infeliz na rédea curta. Esperou que a secretária pessoal dele transferisse sua ligação, lidando com ela de forma ríspida ao deixar bem claro que era a ex-mulher dele e que o assunto era de extrema urgência. Fazia muito tempo que havia jogado uma pá de terra e enterrado aquele assunto, mas se o patético do seu ex-marido fazia questão de lhe atormentar daquela forma, ele teria de lidar com seu descontentamento. Talvez ele realmente quisesse que tomasse a guarda da menina para si. Talvez ele estivesse tão saturado dos próprios problemas, com dois filhos novos a caminho, que a menina já não era mais sua prioridade. A garota tinha tudo o que precisava, dinheiro, avós ricos, uma boa educação, um bom círculo social. Contribuía financeiramente para que tudo aquilo fosse possível, mas se aquilo não era o bastante, talvez devesse reconsiderar os termos da guarda.

Annica

[“Mesma história, lugar diferente” - Hanna]

Não era novidade que durante a noite o dormitório de Limoges fosse silencioso, apesar de algumas garotas terem idade pra sair, a maioria respeitava o toque de recolher, e as que não respeitavam ou não tinham noção - que bem iria disciplinar pra ter - ou eram suas amigas e tinham recebido permissão pra isso, mesmo que ela não estivesse escrita em regulamento nenhum.

A albino tinha um hobby dia de sexta a noite que era sentar na sala de convivência do primeiro ano e esperar as calouras tentarem escapar na calada da noite, admitia que algumas tinham bastante criatividade na hora de arrumar motivos pra estar fora da cama. Ou mesmo artimanhas pra tentar sair pela janela. Annica também aproveitava o horário pra trocar mensagens com seus pais que chegavam tarde do trabalho e da faculdade ou com amigos que estivessem acordados aquela altura da noite, perguntava para Sasha como ele lidava com os fujões noturnos. Já ia depois das 2hs da manhã enquanto estava engajada numa disputa de pontos pra cada "causo" mais estranho sobre estudantes de suas academias estava acirrado num placar de 31x32 pra o seu lado.

Logo escutou passadas pesadas, e era curioso quando as calouras nem tentavam enganar que estavam tentando fugir, deixou Sasha esperando do outro lado da conversa com uma reclamação do lado do moreno, então se levantou de onde estava para dar de cara com a aluna fujona:

-- Pra onde vai mocinha?

-- De onde eu vim seria a pergunta mais apropriada…heh.. urhg…!

O grunhido de dor a voz conhecida lhe despertou a memória, e logo estava dando de cara com Hanna, uma de suas amigas e ela não parecia nada bem. Se aproximou da morena em tempo de sentir o corpo dela vacilar sobre os pés descalços, o cheiro de álcool e sangue misturados. Torceu a expressão em uma de preocupação:

-- Venha cá, vou te dar um banho -- Annica bem conseguia erguer a maior parte do peso da morena mais nova.

-- hmmm... vai se aproveitar de mim…? Não estou exatamente no clima agora…

-- Ah vou sim, e você vai dormir comigo hoje, vou ficar de olho em você -- a albina falou com um tom de ordem, como se Hanna não tivesse opção senão seguir o que estava dizendo.

-- Sempre tão mandona… heh…!

Annica levou Hanna até seu dormitório e seu banheiro, se livrou das vestes e ali com a luz do banheiro pode ver os machucados do que tinha sido uma noite furada. Não apoiava aquele lado bandoleiro da morena mais nova, mas nao adiantava impedir, então se resignava a tomar conta dela, no outro dia quando ela estivesse melhor ralharia como de costume. Foi um banho rápido com água morna pra se livrar do sangue e álcool, entregou um de seus pijamas, e entregou analgésicos pra dor.

-- Não vai me dar bronca presidente? -- a morena perguntou num tom de gracinha já bem acomodada em sua cama:

-- Vou esperar você está de ressaca amanhã de manhã.

-- hmmmm… malvada…!

Não demorou pra que ela dormisse, imaginava que se deixasse ela dormiria nas escadas ou no chão do próprio quarto. O tempo de ajudar Hanna a se acomodar Sasha tinha arrumado mais umas doze histórias de estudantes fujões, ele sempre tinha sido tão competitivo? Restava admitir a derrota naquela noite.

Arman

[“Um ponto de vista” - Fleur]

Arman pareceu demorar muito para entender o que tinha acontecido, e do momento em que sentiu a dor do lápis enfiado no olho e entendeu a situação em que estava, tudo pareceu se mover devagar demais e de um modo tão distante que ele mesmo não parecia ser a vítima. Era como se estivesse observando as coisas em câmera lenta e de um lugar muito estranho. Ele entendia o que tinha acontecido e ao mesmo tempo parecia não ser capaz de acreditar que havia um lápis fincado em seu olho, e assim permaneceu, enquanto era assistido para sair da sala de artes, para chegar à enfermaria e esperar pela ambulância que lhe levou à emergência no hospital geral de Cerise sob o som da sirene que ecoava distante em seus ouvidos.

Ele quase não respondeu às perguntas que soavam indistintas. Houve as vozes preocupadas dos alunos que lhe ajudaram na sala, a voz mais intensa do enfermeiro de St. Clavier e dos enfermeiros que vieram na ambulância para lhe dar assistência. O máximo que respondia era com um "hm" positivo ou negativo, e aquilo ainda dependia muito da interpretação das pessoas que lhe atendiam. Embora tivesse passado todo aquele tempo consciente, como num estado de choque, o corpo parecia estar completamente dormente.

Não soube quanto tempo passou na ambulância e quando chegou ao hospital, Teve a impressão de ouvir a voz distante de sua mãe e depois de uns longos minutos, tudo finalmente ficou escuro.

O sono foi bem desagradável do pouco que podia sentir, quando abriu os olhos, não lembrou de nada além de uma escuridão enorme e desagradável que foi cortada só por uma sensação de dor aguda na cabeça, que lhe obrigou a abrir os olhos, ou ele imaginou que tinha aberto ambos os olhos, porque o cenário muito claro ao seu redor estava embaçado e indistinto. Ele piscou algumas vezes, até fazer sentido do teto branco e da luz que parecia muito forte no meio da sala, com o corpo todo mole. Tentou se mover, mas os braços pareciam muito pesados para se levantar. Só depois do que pareceram longos minutos, foi que ouviu uma voz muito familiar.

- Arman?! Arman, meu filho, está me ouvindo?!

Arman virou o rosto para o lado, ou ao menos achou que tinha virado, mas Fleur entrou em seu campo de visão ainda embaçado. Ao menos tinha bloqueado parte da luz. Só conseguiu piscar algumas vezes, a respiração funda saindo pelos lábios entreabertos.

- Arman, querido, como está se sentindo? Algum desconforto? Eu vou chamar o médico....

- Hm... mãe?

- Sim? Estou aqui, Arman. Está sentindo alguma coisa? - de novo, Fleur entrou no campo de visão dele.

- Mãe... - ele a encarou de perto de novo, ainda assim sentindo a visão um pouco embaçada e piscando longamente. - Olho... direito... não enxergo.

Arman queria poder enxergar melhor naquele instante, porque teve certeza de que a expressão de Fleur tinha mudado, mas estava com a cabeça pesada e a visão turva para confirmar aquilo. Só percebeu quando ela levou a mão até cobrir os lábios e então entendeu que provavelmente tinha usado as palavras erradas.

- Desculpa, mãe... - ele fez um esforço para levantar a mão e conseguir tocar o rosto de Fleur que finalmente baixou a mão e, de tão perto, ele notou que o rosto e os olhos dela estavam vermelhos como ele não via há muito tempo, inclusive, a ponto de sentir as lágrimas caírem em seu rosto. - Eu estou bem… não se preocupe.

Renaud

[“desculpas e obrigado” - Dia, Wilbert]

Depois de saber por Sasha que provavelmente o professor Funske seria afastado da função dele de professor, o jovem Blanco se sentia dividido na questão, porque tinha sido escolha do próprio francês em participar da avaliação mesmo não estando no seu estado de saúde perfeito. E mesmo que o professor pudesse impedi-lo de fazê-lo, não tinha dado qualquer sinal de que estava tão mal a ponto de estar incapaz de cozinhar. A verdade era que tinha tido muito azar, e Wilbert era péssimo pra lidar com situações de crise. Cada um tinha sua parcela de culpa naquela situação, mas o maior peso era das próprias circunstâncias.

Guiado por esse sentimento de que devia ao menos informar como estava após o retorno aos dormitórios e depois de estar mais recuperado do choque dos machucados, Renaud Blanco digitou mensagem de texto para o professor:

“Estou vivo, mas isso você já imaginava. Estou enviando mensagem de texto porque não consigo segurar o celular ainda, mas não se preocupe comigo, eu tenho todo o apoio de que preciso na Academia, tanto do meu namorado, quanto dos meus amigos mais próximos. E apoio da minha família também, por mais estranho que isso possa parecer. Sei que você ainda vai ter muita dor de cabeça sobre todo o ocorrido, e eu sinto muito por isso. Não estou nos meus melhores dias, mas também não estou no pior. Vou sobreviver, pode ter certeza. Espero ter outra oportunidade pra dividir cozinha em um momento onde ambos estejamos bem. Se cuide.

Att, Renaud Blanco.”

Da mesma forma que aquela situação tinha lhe mostrado o quão “frágil” estava seu corpo diante do processo de recuperação com auxílio da medicação, para um lado positivo, tinha percebido que tinha suporte na própria família. Do qual jamais tinha imaginado que viria, era estranho, mas não era um estranhamento negativo, muito pelo contrário, era bom perceber que podia receber palavras de conforto de alguém que não esperava que sentisse qualquer coisa por sua pessoa. Talvez fosse como o próprio psicólogo já tinha destacado antes, muito provavelmente estava construindo aqueles laços e vínculos a muito tempo, só que sem perceber que os estava fazendo.

“Bom Dia! E eu pensei em várias formas de começar essa mensagem, mas não cheguei a nenhuma boa ou melhor que um “bom dia”, sei que lhe causei bastante dor de cabeça e preocupação com o acidente, e eu sinto muito por isso. Agradeço pela preocupação, pela disposição, pelo tempo… bem, por tudo que você dispôs durante a situação e que eu sinceramente não esperava. Mas posso dizer que me deixou feliz (?). Ainda estou pensando sobre como me sentir sobre isso. Estou em processo de melhora com o auxílio do meu namorado e dos meus amigos mais próximos aqui em St. Clavier. Se não for lhe incomodar posso mandar outras mensagens para conversamos mais e lhe deixar a par do meu estado. Novamente, obrigado por se preocupar.

Att, Renaud Blanco.”

Leona

[“Tostadas” - Leona, Carissa e Boyd]

O fato da leoa agora ser uma mãe, era uma das conversas do momento dentro da delegacia, mesmo que nenhuma palavra tivesse saído da boca da própria Leona. E mesmo que estivesse livre do caso mais complicado que tinha lidado na cidade do interior da França ainda tinha uma par de papéis e burocracia para lidar, audiências pra ir, afora a corregedoria querendo saber mais do processo todo de resolução. Antes de se afogar em mais papéis ouviu a voz conhecida do mais recente colega de trabalho:

- Você sabe que não precisa cuidar dessa papelada sozinha?

- Isso quer dizer que o vai fazer pra mim oficial Garret?

- Chutei a porta, o criminoso estava armado, atirei em legítima defesa. Pode copiar e colar em todos, eu assino amanhã. Viu? Objetividade é tudo, sabichona.

- Quem dera toda sua objetividade fosse o que eu preciso, como eu fui uma das responsáveis por muitas abordagens no caso, os relatórios têm de ser feitos por mim. Agradeço a boa vontade, mas dispenso.

- Então eu posso ficar de olho no guri, sei que a Carissa não ia reclamar.

- Quem lhe disse que eu estou precisando de ajuda com meu filho?

- Essas resmas de papel na sua mesa, além da sua cara de ser independente inatingível. Conhecendo você, ia morrer calada comendo salgadinho da máquina por 3 dias. Mas e aí? Tou preocupado dele virar vegetariano morando com vocês.

- Não.

- O que foi? Tá com medo que eu coloque um rifle na mão do garoto? Claro que não. Uma pistola calibre pequeno seria mais apropriado. Viu? Sou um bom pai. Mas sério, eu posso cuidar dele, sou bom com crianças.

- Tá bom. Eu sou mãe dele, sei o que é melhor.

- Você? Leona, você não sabe fazer uma torrada sem causar um incêndio. Como vai cuidar do menino? Vai alimentar ele de salgadinhos?

Leona pausou o que estava vendo e encarou o maior com uma expressão contrariada e surpresa, mal humorada, mas foi impossível não perceber que ela não teve uma resposta praquele comentário. Logo em seguida o outro oficial abriu um largo sorriso, seguido de um tapinha amistoso no ombro da colega de trabalho:

- Vou pedir minha folga pra amanhã, depois combino com a Carissa de passar no apartamento de vocês.

Naquele dia na mesma noite, depois de chegar do trabalho na delegacia e dar atenção ao seu filho Adrian que ficava dia a dia menos acuado pelos cantos de casa a procura da figura de Jack. Leona se aproximou de Carissa uma expressão indescritível, que fez a morena mais nova estranhar e perguntar:

- Aconteceu alguma coisa na delegacia hoje? Que cara é essa? Outro caso complicado? Outro maníaco? Um traficante?

- Carissa você acha que eu sou uma mãe ruim porque não sei fazer torradas? - a expressão de quem estava triste ao fazer aquela pergunta era tão real, que mesmo que parecesse uma brincadeira Carissa podia perceber que era uma pergunta séria:

- De onde você tirou isso?

- Você acha que eu preciso aprender a fazer torradas? As minhas ficam tão ruins… nossa!

A reação de Carissa foi rir e abraçar a parceira de forma carinhosa, porque era até adorável que ela ficasse tão preocupada por causa de um comentário bobo solto. Aquele era um lado de Leona que com certeza Carissa passaria a ver mais vezes conforme seguissem como um casal.

Jack

[“Uma despedida breve”, Jack, Adrian, Leona]

Os acontecimentos mais recentes na vida pessoal e profissional de Jack pareciam ter se alinhado cosmicamente para lhe deixar abalado a um ponto que nem seu horóscopo, um item de sorte e a cor do dia lhe ajudariam. A viagem para a Europa tinha sido para assuntos pessoais e profissionais que se tornaram uma bola de neve, a ponto de lhe deixar mentalmente exausto. E talvez o universo também estivesse direcionando todas as forças cósmicas para lhe ajudar a aguentar o estresse mental, porque em que cenário improvável encontraria não só Leona (que já sabia estar em Cerise), mas também Talulah e Gustav no mesmo lugar? Até Talulah tinha lhe ajudado a liberar um pouco de todo o estresse mental, mas toda a energia tinha sido drenada depois da investigação com a Interpol e de ter resgatado Adrian por baixo dos panos.

Daquela vez, Leona tinha sido o seu porto seguro, era a segunda vez, em trinta anos de vida (exceto pelo tempo em zona de guerra), em que tinha se deixado depender tanto de outra pessoa. De um "amigo", aquela era a palavra certa. E Leona tinha lhe ajudado mais do que ele esperava de qualquer outra pessoa, porque tinha concordado em cuidar da criança que ele tinha levado sem qualquer explicação detalhada. Adrian estava obviamente debilitado, abaixo do peso, anêmico e não falava muito. O garoto dificilmente tomava alguma atitude, que não fosse para acompanhar Jack pelo pequeno apartamento ou segurar-lhe a barra da roupa, o que só confirmava que a situação da qual tinha sido resgatado por Jack o deixava muito dependente do mais velho.

Carissa era quem mais tentava interagir com Adrian, e sempre oferecia todo tipo de interação, desde brincar com canetinhas coloridas, até um biscoito com leite e um desenho animado na TV. Adrian até acompanhava a morena sem muito protesto, mas era inevitável voltar para perto de Jack quando tinha a oportunidade. Leona estava obviamente preocupada com o estado físico e mental do garoto, e Jack sabia que ela iria se aproximar, mas naquele período muito curto de tempo que ele podia compartilhar com Adrian, era claro que ela estava dando espaço aos dois.

Mas o tempo de descanso passou mais rápido do que ele gostaria, e no fim da tarde do domingo, Jack já estava vestido de volta nas roupas sociais alinhadas, a camisa azul escura contradizia a cor da sorte do horóscopo, mas Leona nem precisou questionar para saber que ele estava usando a cor de sorte, só não era na camisa. Jack tinha chegado ao apartamento só com as roupas do corpo, identificação oficial, armas e Adrian. O dia do fim de semana tinha tirado um par de horas só para conseguir mais roupas para ele e para o garoto, mas agora estava prestes a voltar para Paris de novo só com a roupa do corpo, as armas no coldre, a identificação oficial e a carteira. E quando ele calçou os sapatos na entrada do apartamento pequeno, não foi surpresa que Adrian já tivesse deixado a companhia de Carissa e Leona de lado para se sentar um passo atrás de Jack na soleira.

O loiro apenas lançou um olhar breve na direção de Adrian e depois de Leona que estava observando de longe enquanto Carissa preparava algo para o jantar. Ele terminou de calçar os sapatos para ajustar a posição, sentando-se daquela vez ao lado de Adrian, que acabou se encolhendo no pequeno espaço, mas segurou uma pequena porção da camisa de Jack.

- Você pode chegar mais perto, Adrian. - Jack sorriu para o menino, passando a mão no topo da cabeça dele, bagunçando um pouco os cabelos loiros desalinhados. Os fios longos cobriam parte dos olhos dele, especialmente porque ele vivia com a cabeça baixa. - Venha aqui.

Jack estendeu as duas mãos na direção do garoto, ainda sentado no chão ao lado dele, e Adrian finalmente reagiu para se aproximar. Jack ajustou a postura e o colocou sentado no meio das pernas, era fácil cobrir o garoto completamente com o seu corpo. Ele ainda olhava para baixo, na direção das mãos de Jack logo abaixo das suas muito pequenas.

- Você gostou daqui? - Jack perguntou, mantendo as mãos do garoto sobre as suas. - A Leona e a Carissa são legais, não são?

Ele não respondeu com palavras, continuou olhando as mãos sobre as de Jack e o mais velho fechou as mãos em volta das dele.

- Adrian, eu quero que preste atenção agora. - Jack baixou um pouco mais a cabeça como se fosse confidenciar um segredo, falando pausado para se certificar que ele entenderia o seu francês. Só então foi que o garoto ergueu a cabeça para encarar Jack de volta por trás dos fios desalinhados da franja. - A partir de agora, você vai ficar com a Leona e a Carissa, certo? Elas vão cuidar bem de você, todos os dias. Não vai ter que voltar para aquele lugar, nem ficar sozinho.

O garoto ainda não respondeu, mas baixou o olhar de novo com uma expressão mais abatida. Ao menos era a confirmação de que ele tinha entendido muito bem as palavras de Jack.

- Eu não posso ficar aqui todos os dias, também não posso lhe levar comigo, mas eu prometo que volto, certo? - Jack finalmente soltou as duas mãos pequenas e passou uma mão pelas costas do garoto, envolvendo-o num abraço breve para beijar o topo da cabeça dele. - Seja um bom garoto enquanto eu estiver fora. E não deixe a Leona fazer comida.

Jack soltou os braços em volta do menino, que tinha ocupado as mãos com a barra da própria camisa folgada. O mais velho se levantou e colocou Adrian de volta em pé ao seu lado na entrada, virando-se para Leona que ainda os observava de longe. Ele colocou a mão de novo no topo da cabeça de Adrian.

- Eu sei que não vai precisar de ajuda, mas prometo que se trocar o número, você vai ser a primeira a saber. - Jack avisou a Leona, e ajustou o blazer para finalmente deixar o apartamento, com um último "se cuide" para a loira e para Adrian, que permaneceu exatamente onde estava, na soleira do apartamento mesmo depois que Jack fechou a porta e partiu.
Reply


Messages In This Thread
Meu Dia de Cerise - by Lil - 08-23-2021, 11:35 PM
RE: Meu Dia de Cerise - by Lil - 09-27-2021, 04:16 PM
RE: Meu Dia de Cerise - by Lil - 09-27-2021, 04:17 PM
RE: Meu Dia de Cerise - by Lil - 09-27-2021, 04:17 PM

Forum Jump:


Users browsing this thread:
[-]
Cerise News
Dia xx/xx/xxxx
População de Cerise come mais Patchdonald's que a média nacional de comedores de McDonald's, diz jornal Le Monde.

[-]
Birthdays
Today's Birthdays
No birthdays today.
Upcoming Birthdays
avatar (37)Skurai

[-]
Latest Threads
Trouble in Paradise [Carbella]
Last Post: Natalia
09-27-2023 04:34 PM
» Replies: 6
» Views: 28
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Last Post: Natalia
09-08-2023 11:08 PM
» Replies: 16
» Views: 42
Run Boy Run [Daniel]
Last Post: Qiang
09-07-2023 06:32 PM
» Replies: 6
» Views: 32

[-]
Recent Posts
Trouble in Paradise [Carbella]
Ao terminar de consu...Natalia — 04:34 PM
Trouble in Paradise [Carbella]
Carbella queria dize...Carbella — 10:02 PM
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Voltou o olhar quase...Natalia — 11:08 PM