[06 anos] The Devil Wears a Suit and a Tie [Blair, Monique, Joshua]
#2
Monique/Marco/Joshua

Marco, que nada conseguia ver, foi pego de surpresa pela presença de Blair. Sequer percebeu o quanto a pequena menina havia ficado assustada com sua bronca repentina. O homem franziu o cenho com as palavras de Blair fazendo graça com sua situação, mas logo o semblante dele aliviou ao ouvir o choro quieto da própria filha.

- D-Desculpa, papai… eu vou guardar tudo da próxima vez… eu juro… - a criança disse e ainda que a voz dela fosse baixa pela vergonha que sentia, Marco conseguiu ouvi-la muito bem.

Joshua, por sua vez, ao assistir a cena e ver a morena levar a criança para o quarto a fim de escolher uma roupinha para a criança, pensou em avisar que já havia separado um conjunto de pijama para Monique, mas pensou duas vezes. Talvez fosse bom para Monique passar mais tempo no quarto enquanto auxiliava o pai dela a chegar no quarto e terminar de se trocar.

O armário do guarda-roupa de Monique era repleto de roupinhas de criança, até mais do que a menina precisava. A menina tinha o próprio guarda-roupa de verão e inverno, além de diversas bolsinhas e sapatos. Um resultado de quando a mãe dela ainda era presente. Monique era tratada como uma bonequinha de estimação da mulher que se divertia em montar a própria filha para eventos sociais e passeios.

- Tia Blair. - a menininha chamou. - Você vai dormir aqui, tia Blair? Tá chovendo muito lá fora. Você pode dormir aqui na minha casa. Eu vou pedir pro papai e te empresto minha cama. - Monique correu para a própria cama cheia de brinquedos de pelúcia e travesseiros fofinhos. - Olha, tem muito espaço, não é? - a pequena ergueu o olhar, esperançosa para a mais velha.

Blair

Segurava a pequena criança contra o seu corpo com cuidado e bastante ternura. Passou a mão nos cabelos escuros quando ela pediu desculpas ao pai com a voz tão baixa. Fez o giro de calcanhares de volta para o quarto exatamente por que imaginava que se a garota ficasse lá mais um pouco, acabaria chorando. E um tempinho à sós para Marco e a vozinha da consciência ajudasse ele a como lidar com a situação a seguir.

Chegou no quarto da mais nova, e a deixou no chão com cuidado para que ela ficasse à vontade. O quarto era cheio de mimos e fofuras que se espera de uma criança, mas teve a atenção chamada pelo guarda-roupa que na cabeça de Blair iria caber pelo menos umas 10 à 15 Moniques empilhadas. Era roupa demais para uma criança, e isso lhe deixava até curiosa em certo ponto, já que Marco não parecia ter tato para esse tipo de coisa, só poderia ser obra da burguesinha. O tanto de roupas que Monique tinha ali, quase fazia a pequena parecer uma boneca de vestir.

- Uau!! Quanta roupa bonita, Moni! Vamos, vamos ver os pijamas. - passou a olhar mais atenta aos conjuntinhos, um mais cheio de frufrus que o outro, até ouvir a pequena chamar o seu nome - Hmm? O que foi?

Se virou para a pequena que faz uma pergunta bem capiciosa, mas que colocou um sorriso suave no rosto da mais velha. Se aproximou da menina e se abaixou para não ficar tão mais alta que ela:

- Isso eu posso conversar com o seu pai, mas por mim? Podemos ter a festa de pijama se você quiser - garantiu a menina, apertando de leve a bochecha dela - Mas pode ficar com a sua cama! Ela é grande o suficiente pra mim, mas posso dormir no sofá! Podemos até assistir algum filme que você gosta na TV, o que acha? Mas só um! - sugeriu, dando uma piscadela para a garota de brincadeira - Mas primeiro a senhorita precisa escolher um desses muitos pijamas fofinhos! Vamos, vamos! Pode até combinar peças!

Brincou, se a garota passasse um tempinho misturando os conjuntinhos, daria mais tempo para Marco poder se arrumar, e ainda conseguiria distrair a garota do problema anterior.

Monique/Marco/Joshua


A garotinha pareceu mais animada com a ideia de Blair ficar para dormir na casa também. Monique abriu os bracinhos e correu para a própria cama, subindo e pulando empolgada com a sugestão de assistirem um filme, mesmo que fosse apenas um com a tia Blair.
- Tia Blair vai ficar! Tia Blair vai ficar! - ela declarou, gastando energia enquanto pulava na cama, brincando em seguida de provar as roupinhas separadas pela amiga de seu pai. Provou de vestidinhos até os pijamas de fato, terminando por escolher um conjuntinho de duas peças com estampa de coelhinhos brancos e tecido cor de rosa. - Tia Blair, tia Blair! Sabe como fazer pompom no cabelo? O Joshua que arruma o meu cabelo, mas eu ainda não aprendi a fazer os pompom. A Tia Blair me ajuda?

A garotinha esperou que a mulher arrumasse seu cabelo enquanto que Marco terminava de se arrumar para o jantar, colocando uma roupa mais confortável para pode ir até o quarto da filha para poder se desculpar com a criança. Ao chegar na porta do mesmo, tateando pelas paredes pela falta de costume com a ausência da visão, o homem ouviu a voz de Blair e respirou fundo antes de abrir a porta.

- Filha, posso falar com você? Papai quer conversar. - pediu sem sequer saber o que estava acontecendo no quarto. Imaginando que a mulher deveria estar brincando com a pequena Monique, sequer ele percebeu que a criança parou de rir e pular quando ele chegou no quarto, parecendo mais preocupada em ficar quieta e comportada na presença do pai.

Joshua que estava na sala de jantar, arrumando a mesa para a refeição, estava prestes a ir chamar a todos para servir a comida que havia preparado quando ouviu a campainha tocar. No mesmo instante, ficou de alerta, seguindo para a entrada da casa de forma defensiva como de costume para atender seja lá quem estivesse procurando seu patrão naquele horário da noite no meio de uma chuva pesada. Ao abrir a porta, contudo, o segurança particular ficou surpreso com a presença da recentemente ex-esposa de Marco. A mulher estava bem apresentável, seca da chuva e ao que parecia um carro a esperava do outro lado da rua.

- Boa noite, Abrams. O Marco já se encontra em casa? - ela perguntou e fez menção de entrar, ao que o segurança deu passagem pela indelicadeza de deixá-la na porta com a chuva que caía do lado de fora.

- Eu vou chamá-lo, senhora. Por favor, aguarde aqui. - pediu o segurança antes de fechar a porta quando ela entrou na residência. Estava sério, mas não deixou transparecer seu desgosto pela mulher, principalmente porque sabia o poder de influência da mesma e da capacidade dela de inverter a situação ao próprio favor. Preferiu manter a própria educação e resolver logo o problema.

Blair

Não se conteve a rir da reação empolgada da garota mais nova correndo de um lado para o outro no quarto.

- Vou sim, pequena, vou sim! Agora vamos ver essas roupinhas! - respondeu igualmente empolgada e em seguida ajudando a garota a provar as diversas roupinhas que tinha lá, elogiando cada vez que ela trocava de roupa, até finalmente chegarem na desejada, com coelhinhos que combinava bastante com ela - Pompoms? Claro! Vamos deixar seu cabelo bem bonito, e vou te explicar como eu vou fazendo, tá? Aí você pode surpreender o Joshua da próxima!

Pegou o pequeno prendedor e comecou a arrumar o cabelo da garotinha. Não demorou para arruma-lo, fazendo como o prometido e explicando como estava colocando o cabelo dela daquele jeito:

- Tadah! Uma verdadeira fofa! Agor-- - Antes que pudesse terminar, escutou a porta se abrir e o homem agora de roupas trocadas entrar bem devagar no quarto. Percebeu também que no mesmo instante a pequena a sua frente ficou calada, ao que Blair conferiu um beijo no topo da cabeça da pequena e a colocou sobre a cama - Tá tudo bem, Moni! Conversar não é ruim, né Marco? - disse, não chamando o mais velho pelo apelido bobo que gostava - Vai ficar tudo bem!

Se levantou, e fez caminho até Marco, dando um tapinha no ombro, antes de deixar os dois à sós: - Melhor se sentar, vou deixar vocês conversarem. Moni vou te esperar pra comermos juntas! Vou ir pensando em um filme! - acenou, e então deixou que os dois conversassem, fechando a porta atrás de si.

Suspirou encostada contra a porta, a vida não estava sendo boa para o velho amigo, mas pelo menos conseguia ver que ele se importava com a filha e que de algum jeito estava tentando pôr as coisas no lugar. Isso já era motivo o suficiente para Blair ficar satisfeita e disposta a ajudar. Deixou de se apoiar contra a madeira e fez caminho até a sala, agora poderia ir encher o saco do Golden, talvez?

- Ei, Golden, o que você fez pro jan-- - deixou que as palavras morressem na boca quando, viu a figura bem conhecida da burguesinha ali dentro da casa e Joshua fazendo menção de ir chamar o chefe. Fez ao máximo para não colocar a cara de desgosto, algo que havia aprendido com os anos no ramo do direito - Joshua, o Marco tá ocupado, vai levar uns minutinhos sabe. - gesticulou em direção ao quarto de Monique para explicar o que havia acontecido - Charlotte, como vai? - voltou então a atenção finalmente para o desgosto do cômodo, com toda a falsa simpatia que tinha.

Joshua/Marco/Charlotte

Marco pareceu ficar surpreso de início com o toque de Blair, mas logo franziu o cenho como se deixasse claro que estava ciente que a mulher estava se aproveitando de sua situação. Monique pareceu menos assustada com a presença do próprio pai quando ele pareceu ainda se acostumar com todo o espaço ali do quarto da própria filha em meio a tantas roupas que foram espalhadas pelo lugar enquanto ela provava suas roupas.

Enquanto isso, Joshua voltou-se para Blair justamente no momento em que Charlotte também parecia ter notado a morena. A recente ex esposa de Marco pareceu surpresa com a presença de Blair ali, mas devido ao cumprimento dela, pareceu despertar de seus próprios devaneios para sorrir, parecendo sem jeito, antes de dirigir a palavra a mulher:

- Olá, Blair. Não… não imaginei te encontrar por aqui. - fez uma pequena pausa, olhando para Joshua e depois continuando: - Bem, pelo menos não tão cedo. - e segurou o sorriso, a loira bonita e simpática como sempre costumava aparecer nas matérias de revistas sobre famílias ricas e influentes da sociedade francesa. - Eu vim falar com o Marco. Preciso de alguns documentos.

A mulher desviou da pergunta sobre como estava, escolhendo ignorá-la, mas cumprimentando a morena de volta. Joshua observou a cena com a certeza de que algo não estava certo ali. Tinha certeza de que a mulher não deveria estar ali, pelo menos não após o modo como ela e seu patrão se separaram. Contudo, o segurança já havia assistido mais de uma vez aquele sorriso comercial ser colocado na face dela enquanto ela tentava conseguir o que precisava. O loiro olhou para Blair como se esperasse alguma confirmação da mulher de que ela havia percebido o mesmo. Sabia que dizer qualquer coisa grosseira para a ex mulher de seu patrão poderia colocar em risco sua reputação e como empregado, queria manter sua discrição. Pelo menos enquanto não precisava arriscar a mesma para defender a pequena senhorita Biedermeier.

Blair

Estava sorrindo muito feliz de encontrar a velha companheira de aulas... Pelo menos, era o'que a expressão dizia. Conhecia bem Charlotte e sabia como ela funcionava e era boa em se favorecer em qualquer situação, então tinha que ir com calma por mais que quisesse apertar aquele pescoço embaixo daquele sorriso mais falso que milagre de igreja.

— Ora Charlotte! - disse, com um tom verdadeiramente surpreso colocando as mãos na cintura — Cedo não é sabe, crianças já devem estar dormindo em um horário desses! Mas certamente não é tarde pra ajudar um amigo que está precisando, acho que você entende!

Os olhos âmbares encararam bem a mulher bem vestida a sua frente, deixando um sonoro “hmmm” escapar pelos lábios fechados, levando uma mão até o queixo. Que raios de documentos seriam esses? Certamente, do jeito que tinha ouvido que as coisas tinham rolado, a última coisa que imaginava era que ela apareceria querendo documentos. Deu uma olhada rápida para Joshua, e no momento que cruzou os os olhos claros do outro, soube que ele também estava achando tudo ali muito estranho. Sorriu mais verdadeira para ele, e depositou a mão sobre o ombro do amigo:

— Ahh! Entendi, Charlotte! — se virou completamente para Joshua para então continuar — Joshua, pode ir avisar ao Marco sobre isso? Eu faço companhia para a nossa visita no meio tempo. — deu um leve aperto no ombro do mesmo, apenas para chamar atenção que estava consciente da estranheza toda.

Queria ficar a sós com a mulher? Não. Queria que ela usasse aquele veneno todo no amigo? Não, também não. Poderia dar alguns minutos do seu tempo pra evitar que isso acontecesse. Se Joshua fosse, Marco poderia muito bem entregar os papéis a ele se não tivesse disposto a ver a cara da praga. Quando Joshua decidiu o'que fazer, se virou para Charlotte, sorridente como sempre.

— Vai demorar um pouco, por que não se senta, querida?

Joshua/Marco/Charlotte

A ex mulher de Marco pareceu tensionar ao ouvir sobre o horário de crianças dormirem. Mas a ela não passou despercebido a troca de olhares entre o segunda particular de Marco e a tão dita amiga de longa data do homem que agora estava novamente cego. Joshua, por outro lado, parecia bem treinado tal qual um cachorro de caça da mulher para ir atrás do verdadeiro patrão dele. Assistiu o loiro de afastar para avisar Marco sobre sua presença.

- Claro, não se preocupe em me guiar, eu conheço bem onde as visitas costumam aguardar na casa. - a loira respondeu com um sorriso falsamente amistoso no rosto, ciente de toda a estrutura da casa. Acomodou-se na sala próxima a entrada, sentando na poltrona onde costumava sentar quando precisava dar alguma entrevista sobre seu papel como uma das mais brilhantes advogadas de Paris. A mulher parecia muito confortável na casa em que não mais era sua.

Enquanto isso, Joshua bateu na porta do quarto da senhorita Biedermeier para ouvir a pergunta sobre quem era antes de se anunciar e terminar encontrando seu patrão enquanto a filha dele tentava improvisar um laço no lugar da gravata que o sujeito costumava usar no trabalho.

- Joshua! Vem brincar com a gente! Olha, eu já sei dar laço de gravata! Não ficou ótimo? - a pequena parecia se divertir com o pai que apenas suspirou conformado antes de esboçar um sorriso mais tranquilo de quem havia se acertado com a pequena criança.

- Posso falar com seu pai por um momento, senhorita Biedermeier? - ele perguntou de forma educada, mas séria como de costume até que a garotinha observou os dois, parecendo curiosa com a situação, mas logo cedendo devido a conversa recente com o próprio pai sobre o convívio entre todos dentro daquela casa.

- Só não demora muito, por favor, Joshua, eu vou fazer uma gravata borboleta para você também! - ela avisou, apontando o dedo para o loiro que apenas sorriu discreto, aproveitando que o chefe dele não estava vendo enquanto afagava a cabeça da criança que havia se aproximado para lhe pedir o favor.

Assim que saíram do quarto da criança, Joshua falou mais baixo para o próprio chefe da presença da ex mulher dele na casa. Marco, por sua vez, chegou a tensionar os ombros e franziu o cenho quase que imediatamente. O moreno precisou respirar fundo e levar a mão até a própria boca para não vocalizar seu recente desgosto pela presença daquela criatura.

Charlotte, por sua vez, cruzou as pernas de forma feminina e elegante na sala enquanto assistia o rosto de Blair lhe observar, parecendo bastante paciente com a própria espera.
- É muito bom ver que o Marco pode ter o apoio de amigas como você, Blair. Na situação que ele está, eu sinto que toda ajuda é necessária. Quero dizer, você deve estar acostumada a pensar nele como um deficiente, não é mesmo? - a loira pareceu brincar com a forma que a morena mal tratava a capacidade do intelecto de seu ex marido.

Blair

Como esperava, Joshua era bem perceptivo e não perdeu tempo em ir atrás de Marco. Charlotte, por mais que parecesse estar muito bem relaxada ali, quem a conhecia sabia que ela estava com todas as guardas levantadas, esperando o momento certo para dar o bote. Riu abertamente quando ela explicou que não precisava de guia para o local:

- Claro, tenho certeza que sabe! Afinal, tudo aqui parece fazer bem o seu gosto - apontou, seguindo a mulher e sentando no sofá, ficando muito bem confortável. Ainda bem que já havia dado algum tempo para as roupas secarem e não deixaria o móvel molhado - Foi você que escolheu tudo, né? Está quase estampado nas paredes.

Apoiou as costas no encosto do sofá, ainda sendo bastante simpática com a mulher. Enquanto estava ali, trocando trivialidades com a loira, não conseguia evitar em pensar em Monique, e também em Marco. Sabia que a burguesa não prestava, mas precisar vir a essa hora de noite apenas para pegar "documentos" era basicamente querer torturar o ex-marido e a própria filha a quem abandonou. Poderia simplesmente ter pedido para alguém buscar - como ela costumava muito bem fazer em outras situações da faculdade - e não dar as caras no lugar. No fundo esperava que Marco se poupasse de parte do estresse, a outra sendo a raiva que provavelmente teria ao saber da presença dela dentro da casa.

Teve de arquear a sobrancelha quando a ouviu falar sobre a própria Blair julgar ele como deficiente. Mas diferente de uma expressão irritada, a síria apenas alargou o sorriso, levando a mão a boca para contar o riso com "classe".

- Pff... Ah, isso! - disse, em meio aos risos - Não, não, você entendeu errado, Charlotte! - respirou fundo e ajustou a postura, olhando bem para a mulher esnobe - Eu sempre julguei a capacidade de percepção dele, sabe? De notar os detalhes das coisas, como as cláusulas do processos, clientes, parcerias... Você entende, não é? - exemplificou, apesar que poderia muito bem trocar processos por mulheres loiras da faculdade de direito que de bom só tem a cara, mas essa parte poderia deixar ocultada - Agora deficiente é denegrir a imagem, prefiro torrar a paciência dele e ver oque ele me devolve.

Charlotte/Marco

Charlotte arqueou a sobrancelha, interessada na resposta de Blair sobre seu ex-marido. Sabia que a mulher não gostava de sua presença, muito menos de sua companhia. Na verdade, só estava ali por um objetivo e infelizmente a mulher estava ali além do cão de guarda de Marco para atrapalhar seus planos.

- Ele não pode fazer muita coisa no estado em que ele está. Quero dizer, é compreensível que ele precise de todos os cuidados que os amigos podem oferecer agora. - disse em um falso tom de preocupação, observando o ambiente com certo orgulho pela decoração que havia conseguido arrumar para a residência em que vivia. - Mas parece que não vou ter que esperar muito mais… - disse a mulher, levantando da poltrona onde havia se acomodado para ajustar a saia ao avistar a figura do ex-marido que se aproximava devagar, ainda guiando-se pelas paredes da casa o que, para ela, era uma cena bastante patética. - Olá, Marco. Desculpe aparecer nesse h-

- Não me interessa suas desculpas. Eu quero que você pegue suas coisas e vá embora dessa casa agora. - Marco parecia furioso com a presença da mulher ali enquanto Charlotte não parecia se abalar pelo tom de voz irritado do homem, apesar dele não erguer o tom de voz.

- Justamente, eu vim buscar minhas coisas, querido. Preciso da documentação sobre os meus pertences. Você pode ficar com a casa que eu mesma mobiliei e decorei, eu não entendo a sua irritação, Marco. - disse a loira, ignorando por um instante a presença de Blair.

- Charlotte. - Marco respirou fundo, tentando manter a calma. - Se a Monique te vir aqui, eu juro que não respondo por mim. - o homem adiantou-se para poder tentar alcançar a loira, mas acabou batendo a canela na mesinha de centro da sala, fazendo uma careta de dor em um misto de ódio e frustração pela mulher que apenas observava a cena como se fosse intocável.

Blair

Se fosse explicar de uma maneira muito lúdica, toda vez que a mulher à sua frente abria a boca, sentia que tinha que se proteger do veneno que ela botava pra fora. E especialmente dessa vez, com aquele tonzinho de quem estava muito preocupada com o homem à quem deu um belo par de chifres, fazia o estômago da morena revirar fortemente.

— Pode acreditar, ele está recebendo cuidados, mesmo que te — Antes que pudesse terminar a fala, ouviu os passos irritadiços vindos do quarto, que também chamou a atenção da Charlotte. Blair já podia sentir a dor de cabeça que estava por vir.

Se levantou assim que Charlotte fez menção de se levantar e ir diretamente cumprimentar Marco, e assim como a advogada morena esperava a resposta curta e grossa do homem deixou bem claro que a presença da burguesa não era muito bem vinda ali, e a resposta e voz de sonsa dela em fingir não saber a irritação do mais velho só pioraram a situação.

Blair suspirou, e ainda com um sorriso -- tão falso como o bom coração de Charlotte -- se aproximou dos dois, se recolocando no meio da discussão:

— Wow, calma lá, grandão! Eu sei que deve estar muuuuito apressado pro jantar, mas é só entregar o que a Charlotte precisa, e ela pode ir embora! Rápido, sem nem olhar para os lados, não é querida? — reforçou o sorriso e a falsa simpatia para a outra mulher então levando as mãos ao ar — Por que no fim das contas, Charlotte, você não tem motivos para ficar aqui. Você deveria avisar antes de vir na casa dos outros.

Ajeito um fio rebelde atrás da orelha, e então encostou a mão no ombro de Charlotte, sabendo que ela talvez não fosse gostar muito dos toques exagerados:

— Eu posso acompanha-la, assim o Joshua pode ficar com a Moniquinha nesse meio tempo e você relaxa um pouco, o que acha, Marcos?

Não chamou o outro pelo apelido ridículo, por mais que quisesse, sabia que talvez não fosse o momento mais oportuno. Afinal, mesmo sem ver, dava pra sentir que ele era tudo menos uma coisinha pequena agora de tanta raiva que ele sentia.

Charlotte/Marco

Marco ergueu o olhar ainda que sem enxergar na direção que ouviu da voz de Blair, franzindo o cenho como quem não estava disposto a brincar sob qualquer que fosse a situação na qual se encontrava diante da recente ex-mulher. Cerrou os dentes e os punhos enquanto ouvia Blair tentando resolver a situação como se fosse algum tipo de incapaz. Na verdade, queria mostrar para a ex-esposa como ela poderia de fato processá-lo de verdade por agressão, diferente das insinuações dela para conseguir sensibilizar o juiz em seu caso de divórcio.

Charlotte, por sua vez, estava até bastante tranquila no próprio semblante, esboçando um sorriso “natural” de quem estava entretida com toda aquela situação. Contudo, foi notória a tensão muscular que tomou a mulher quando a morena se aproximou e tocou-lhe o ombro.

- Enquanto não houver a divisão igualitária dos bens, essa ainda é minha casa, Al-Amir. - arqueou a sobrancelha, mantendo a cabeça erguida e o olhar de superioridade para com a morena. - Eu só desejo ter em mãos os documentos que me são de direito-

- Você não tem direito de porcaria nenhuma, Charlotte! - acusou Marco, furioso. - Você abandonou a nossa filha, me traiu e ainda me acusou de ter te agredido para sensibilizar seu próprio pai! Você deveria ter um pingo de vergonha nessa sua cara e nunca mais pisar aqui! - o moreno estava tão nervoso que não estava nem mais se preocupando com o próprio tom de voz. Charlotte, por sua vez, apenas cruzou os braços, séria.

- Você queria que eu fosse a esposa perfeita enquanto você estava cego, Marco? Sério isso? Não foi essa a vida que eu esperava viver quando me casei com você. Fico satisfeita em ter me separado antes que de fato pudesse me agredir. Perto do que o senhor está fazendo agora. - ela disse ainda com ar de julgamento e um timbre de arrogância antes de voltar a encarar Blair. - Eu não vou sair daqui, Al-Amir. Eu conheço meus direitos. - avisou, sorrindo com o canto dos lábios com certo deboche.
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RE: [06 anos] The Devil Wears a Suit and a Tie [Blair, Monique, Joshua] - by Marco - 09-28-2021, 03:18 PM

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