10-02-2021, 02:08 AM
Havia algo no olhar de Renaud, algo que flutuava, algum pensamento que Didier não apreciava. Supunha que não gostaria de estar na mente dele, fervilhante, naquele momento, e não podia culpar o moreno por pensar em absolutamente tudo dado quem tinha morrido e como, e tão de repente, e de modo tão devastador. Ainda sim, atentou para aquelas faces de Renaud que não conhecia, porque até o toque de Sasha, quem ele confiava, pareceu tirar ele de um estado quase de transe.
O silêncio da enfermaria era incômodo, mas o que podiam fazer? Didier ajudou Renaud a beber aqueles poucos goles de água, e então colocou o copo no lugar mais próximo, em seguida, se acomodando do lado de Renaud na cama, as pernas para fora, e o braço em torno do moreno. Deixou a outra mão próxima a ele, já que ele parecia apreciar aquele toque singelo com os nós dos dedos, que não magoavam os ferimentos das mãos.
Sasha e Didier ouviram os murmúrios cheios de arrependimento seguintes, das brigas que ambos sabiam que tinham mesmo esse efeito, e Sasha mordeu a língua para não responder “e daí?”, afinal, Renaud parecia falar como se fosse unicamente culpa dele que as brigas tivessem deixado a mãe decepcionada, quando pelo visto ela não era exatamente a pessoa mais presente.
Didier, por outro lado, sentia no tremor dolorido do corpo de Renaud aquela estranha sensação de culpa e isso lhe causou um arrepio desagradável por todo o corpo, ainda mais ao ouvir Renaud colocar tudo em palavras, falando “daquele dia” de novo, o dia que não tinha ideia de como a mãe dele tinha lhe falhado, mas certamente pesava que nem um monolito na mente e no coração de Renaud, pois era a primeira coisa que ele fazia questão de pontuar e relacionar com a morte da mãe. E que culpa ele tinha?
- Ei...! Ei, menino! Se sua mãe não ficasse mal naquele dia, ela não merecia uma lágrima sua. Você não é culpado disso, você é vítima disso, tá entendendo?? – Sasha falou com muita pressa, antes mesmo que Didier pudesse processar tudo, porque não entendia tudo que estavam falando, exceto a agonia que sentia ao ouvir Renaud tentar se culpar pelos estados do relacionamento com a mãe, inclusive a morte dela - E dessa vez também, você o que? Você não tem culpa de nada.
O loiro estremeceu ao lado de Renaud. Deveria estar mais preocupado com o estado de Renaud do que em juntar os pequenos pedaços de informação que Sasha lhe dava, tudo que sabia era que Renaud brigava, que tinha decepcionado a mãe, que tinha ido parar no hospital por isso, e que tinha sido uma vítima. Abriu a boca para falar algo, mas fechou em seguida, não porque não tinha nada a dizer, mas porque se dissesse, temia ser sincero demais e afetar negativamente Renaud. Sincero demais, porque assim como o moreno, tinha passado a vida toda brigando e tentando chamar a atenção da mãe, e nesse ponto, até entendia vagamente o sentimento de conhecer um pouco do carinho maternal só para perder em seguida. A ideia de que Renaud estaria se culpando por toda a negligência da mãe lhe dava vontade de gritar.
- Hoy usted está mal... llorando por ela, Renaud... porque é um bom hijo. No mereces sufrir así. – Didier falou, apertando Renaud próximo a si, encostando brevemente a cabeça no ombro dele.
O silêncio da enfermaria era incômodo, mas o que podiam fazer? Didier ajudou Renaud a beber aqueles poucos goles de água, e então colocou o copo no lugar mais próximo, em seguida, se acomodando do lado de Renaud na cama, as pernas para fora, e o braço em torno do moreno. Deixou a outra mão próxima a ele, já que ele parecia apreciar aquele toque singelo com os nós dos dedos, que não magoavam os ferimentos das mãos.
Sasha e Didier ouviram os murmúrios cheios de arrependimento seguintes, das brigas que ambos sabiam que tinham mesmo esse efeito, e Sasha mordeu a língua para não responder “e daí?”, afinal, Renaud parecia falar como se fosse unicamente culpa dele que as brigas tivessem deixado a mãe decepcionada, quando pelo visto ela não era exatamente a pessoa mais presente.
Didier, por outro lado, sentia no tremor dolorido do corpo de Renaud aquela estranha sensação de culpa e isso lhe causou um arrepio desagradável por todo o corpo, ainda mais ao ouvir Renaud colocar tudo em palavras, falando “daquele dia” de novo, o dia que não tinha ideia de como a mãe dele tinha lhe falhado, mas certamente pesava que nem um monolito na mente e no coração de Renaud, pois era a primeira coisa que ele fazia questão de pontuar e relacionar com a morte da mãe. E que culpa ele tinha?
- Ei...! Ei, menino! Se sua mãe não ficasse mal naquele dia, ela não merecia uma lágrima sua. Você não é culpado disso, você é vítima disso, tá entendendo?? – Sasha falou com muita pressa, antes mesmo que Didier pudesse processar tudo, porque não entendia tudo que estavam falando, exceto a agonia que sentia ao ouvir Renaud tentar se culpar pelos estados do relacionamento com a mãe, inclusive a morte dela - E dessa vez também, você o que? Você não tem culpa de nada.
O loiro estremeceu ao lado de Renaud. Deveria estar mais preocupado com o estado de Renaud do que em juntar os pequenos pedaços de informação que Sasha lhe dava, tudo que sabia era que Renaud brigava, que tinha decepcionado a mãe, que tinha ido parar no hospital por isso, e que tinha sido uma vítima. Abriu a boca para falar algo, mas fechou em seguida, não porque não tinha nada a dizer, mas porque se dissesse, temia ser sincero demais e afetar negativamente Renaud. Sincero demais, porque assim como o moreno, tinha passado a vida toda brigando e tentando chamar a atenção da mãe, e nesse ponto, até entendia vagamente o sentimento de conhecer um pouco do carinho maternal só para perder em seguida. A ideia de que Renaud estaria se culpando por toda a negligência da mãe lhe dava vontade de gritar.
- Hoy usted está mal... llorando por ela, Renaud... porque é um bom hijo. No mereces sufrir así. – Didier falou, apertando Renaud próximo a si, encostando brevemente a cabeça no ombro dele.
