10-03-2021, 01:24 AM
Todas as coisas ditas por seu irmão tinham um fundo de verdade, afinal, ele não mentiria para lhe agradar, sabia, conhecia Sasha a tempo suficiente, e ele preferia verdades dolorosas a mentiras doces. No entanto, seu irmão não tinha dimensão total do relacionamento que tivera com sua mãe ao longo dos anos. Na conversa com o Dr. Vlahos tinham chegado a um ponto onde talvez lidar com uma criança com a personalidade de Renaud fosse difícil, e a hipótese se confirmou quando conversara com a mulher. Beatrice lhe confidenciou que não sabia lidar com Renaud, no fim das contas, ja tinha nascido com seus defeitos, mesmo que se esforçasse ao limite não tinha como cobrir suas falhas de nascença.
Encarou o mais velho, engolindo a vontade de voltar a chorar, o jovem Blanco sentia seu corpo todo tenso, como se suas memórias se misturassem em vários momentos de conversas, que acabavam reforçando a narrativa negativa. O rosto de Renaud normalmente comum e inexpressivo, naquele momento era translúcido, fácil de perceber o arrependimento nas sobrancelhas vincadas, na amargura em seus olhos quase prontos a se derramar em lágrimas. O moreno mais novo estava sendo consumido pela culpa.
Ouviu e sentiu Didier perto de si, e suspirou, demonstrava estar exausto, não se sentia um filho bom, se fosse não teria causado tantos problemas, não teria imposto tanto trabalho e sofrimento a mulher de forma que ela tivesse um fim tão terrível:
-- Queria ter essa… certeza. -- tentou organizar as palavras melhor, pigarreando, como se as palavras fossem azedas em sua fala: --, se fosse um filho bom… não teria causado tanto… mal a ela. -- sentiu o estômago revirar profundamente, o fel lhe subindo ao palato: -- Eu sou todo defeituoso… desde que vim… sou todo desgraçado por dentro… e no fim, será que ao menos uma vez ela foi feliz por me ter? -- Perguntou sabendo que nenhum de seus amigos tinham aquela resposta -- Como posso ser um filho bom… se eu não fiz nada que a deixasse feliz?
Fechou os olhos momentaneamente, sentindo o peito apertar, e a respiração queimar-lhe por dentro, estava asfixiando em culpa e tristeza. Mas riu, um riso inconformado, de quem não sabia mais que expressão estava fazendo, e nem como nomear o que estava sentindo. Estava uma bagunça.
Encarou o mais velho, engolindo a vontade de voltar a chorar, o jovem Blanco sentia seu corpo todo tenso, como se suas memórias se misturassem em vários momentos de conversas, que acabavam reforçando a narrativa negativa. O rosto de Renaud normalmente comum e inexpressivo, naquele momento era translúcido, fácil de perceber o arrependimento nas sobrancelhas vincadas, na amargura em seus olhos quase prontos a se derramar em lágrimas. O moreno mais novo estava sendo consumido pela culpa.
Ouviu e sentiu Didier perto de si, e suspirou, demonstrava estar exausto, não se sentia um filho bom, se fosse não teria causado tantos problemas, não teria imposto tanto trabalho e sofrimento a mulher de forma que ela tivesse um fim tão terrível:
-- Queria ter essa… certeza. -- tentou organizar as palavras melhor, pigarreando, como se as palavras fossem azedas em sua fala: --, se fosse um filho bom… não teria causado tanto… mal a ela. -- sentiu o estômago revirar profundamente, o fel lhe subindo ao palato: -- Eu sou todo defeituoso… desde que vim… sou todo desgraçado por dentro… e no fim, será que ao menos uma vez ela foi feliz por me ter? -- Perguntou sabendo que nenhum de seus amigos tinham aquela resposta -- Como posso ser um filho bom… se eu não fiz nada que a deixasse feliz?
Fechou os olhos momentaneamente, sentindo o peito apertar, e a respiração queimar-lhe por dentro, estava asfixiando em culpa e tristeza. Mas riu, um riso inconformado, de quem não sabia mais que expressão estava fazendo, e nem como nomear o que estava sentindo. Estava uma bagunça.
