11-15-2021, 11:27 PM
Após um dos seus últimos atendimentos marcados do dia e de verificar toda a papelada relacionada ao setor de fisioterapia, Dominique tinha uma dor de cabeça. Apertou os olhos por trás dos óculos e depois de deixar anotado um lembrete para si mesmo que deveria supervisionar a equipe de fisioterapia de surpresa no dia seguinte, levantou-se para pegar um café, notando que a cafeteira mais próxima era a da enfermaria. Bom, já que estaria de plantão ainda um tempo, por mais irresponsável que fosse, talvez um café e um analgésico lhe fariam bem.
Andou silenciosamente pelos corredores sem uma alma, o que, mesmo para um hospital do interior era algo levemente inédito. Olhou o relógio confirmando que os enfermeiros deveriam ter terminado de passar nos leitos com as medicações, mas o fato de não ter ninguém ocupando sequer a cadeira de frente ao posto deles já fez uma pontada desagradável a mais apertar do lado esquerdo da careca.
Ao entrar no posto, notou o áudio da televisão alto o suficiente para que não lhe ouvissem chegar (não que seus sapatos refinadíssimos fizessem esse ruído todo), e além dos enfermeiros assistindo o que parecia... ou melhor, era... Grey’s Anatomy, a doutora Arlovskaya, a neurocirurgiã estava encostada e sendo conivente com aquele comportamento. Naquele momento, Dominique até queria ter cabelo para arrancar, mas apenas controladamente verificou os prontuários primeiro para ver se estavam todos devidamente preenchidos e todo o trabalho feito, porque se ia reclamar – e claro que ia – era bom ser eficiente e reclamar tudo de uma vez.
- Boa noite. – Dominique cumprimentou todos parando a um passo atrás da doutora Arlovskaya, com a suavidade da educação a cara de uma frieza que podia congelar o inferno. O par de enfermeiras que assistia o seriado desligou tudo tão rápido que sequer parecia que estavam falando de médicos bonitões. Elas olharam por cima do ombro para confirmar a presença do doutor Dominique Robert, e embora uma até tenha tentado abrir a boca para se defender, a amiga dela fez um silencioso sinal de “Não” com a cabeça. – Eu suponho que estejamos com uma noite calma e tudo sobre controle, mas eu gostaria de saber o que fez vocês acharem que estavam fora do horário de trabalho para pararem e assistirem seriado. Deixaram o posto de enfermagem sem ninguém para atender um acompanhante de paciente que precise, ou um colega que precise de assistência e reação rápida. Além disso, não lhe pareceria uma visão confiável e responsável se um dos pacientes visse mademoiselles de relance muito ocupadas debatendo sobre a beleza do doutor bonitão.
As moças se levantaram prontamente sem saber nem por onde começar o pedido de desculpas.
- Lauren, espero que lembre de preencher as fichas dos últimos pacientes que fez a medicação antes de sair do seu turno. Não preencha com meios dados para completar depois, se esquecer pode comprometer o atendimento da pessoa que lhe substituir. – a tal enfermeira fez um “sim, doutor” quase inaudível antes de pedir licença junto com a colega para voltarem ao posto. Dominique respirou profundamente e então observou a colega de profissão também. – Preciso passar um feedback para você também, doutora Arloviskaya, ou consegue tirar suas conclusões a partir do que eu disse para as enfermeiras?
Andou silenciosamente pelos corredores sem uma alma, o que, mesmo para um hospital do interior era algo levemente inédito. Olhou o relógio confirmando que os enfermeiros deveriam ter terminado de passar nos leitos com as medicações, mas o fato de não ter ninguém ocupando sequer a cadeira de frente ao posto deles já fez uma pontada desagradável a mais apertar do lado esquerdo da careca.
Ao entrar no posto, notou o áudio da televisão alto o suficiente para que não lhe ouvissem chegar (não que seus sapatos refinadíssimos fizessem esse ruído todo), e além dos enfermeiros assistindo o que parecia... ou melhor, era... Grey’s Anatomy, a doutora Arlovskaya, a neurocirurgiã estava encostada e sendo conivente com aquele comportamento. Naquele momento, Dominique até queria ter cabelo para arrancar, mas apenas controladamente verificou os prontuários primeiro para ver se estavam todos devidamente preenchidos e todo o trabalho feito, porque se ia reclamar – e claro que ia – era bom ser eficiente e reclamar tudo de uma vez.
- Boa noite. – Dominique cumprimentou todos parando a um passo atrás da doutora Arlovskaya, com a suavidade da educação a cara de uma frieza que podia congelar o inferno. O par de enfermeiras que assistia o seriado desligou tudo tão rápido que sequer parecia que estavam falando de médicos bonitões. Elas olharam por cima do ombro para confirmar a presença do doutor Dominique Robert, e embora uma até tenha tentado abrir a boca para se defender, a amiga dela fez um silencioso sinal de “Não” com a cabeça. – Eu suponho que estejamos com uma noite calma e tudo sobre controle, mas eu gostaria de saber o que fez vocês acharem que estavam fora do horário de trabalho para pararem e assistirem seriado. Deixaram o posto de enfermagem sem ninguém para atender um acompanhante de paciente que precise, ou um colega que precise de assistência e reação rápida. Além disso, não lhe pareceria uma visão confiável e responsável se um dos pacientes visse mademoiselles de relance muito ocupadas debatendo sobre a beleza do doutor bonitão.
As moças se levantaram prontamente sem saber nem por onde começar o pedido de desculpas.
- Lauren, espero que lembre de preencher as fichas dos últimos pacientes que fez a medicação antes de sair do seu turno. Não preencha com meios dados para completar depois, se esquecer pode comprometer o atendimento da pessoa que lhe substituir. – a tal enfermeira fez um “sim, doutor” quase inaudível antes de pedir licença junto com a colega para voltarem ao posto. Dominique respirou profundamente e então observou a colega de profissão também. – Preciso passar um feedback para você também, doutora Arloviskaya, ou consegue tirar suas conclusões a partir do que eu disse para as enfermeiras?
