Meu Dia de Cerise
#1
Rainbow 
Meu Dia de Cerise

Então, voltamos com tudo para o fórum e, claro, temos o nosso querido espacinho para os nossos divertidos Dias de Cerise. Só que dessa vez, vamos ter uma pequena mudança de estrutura, então, se liguem nas novas regrinhas de postagem:

  1. Dias de Cerise serão situações postadas pelos próprios personagens ou perfil de players, e com até 1.000 palavras. Situações dos personagens com mais de mil palavras se tornam fanfics (já explico as fics);

  2. Caso personagens de outros players apareçam no seu Dia de Cerise, lembre de pedir o Ok do coleguinha dono do personagem, pra não rolar godmodding involuntário;

  3. Dias de Cerise são canônicos, ou seja, situações que de fato aconteceram com seus personagens (sozinhos ou com outros personagens seus ou com coleguinhas) que não foram threadeadas, então não vale postar aqui "E Se's" e delusions que vocês querem que aconteçam :v

  4. Os Dias de Cerise podem ter título e referir personagens que fazem parte dele (não é obrigatório), segue o modelinho básico para copiarem:


Título do Meu dia de Cerise aqui

Personagem extra 1; personagem extra 2

Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui.



Code:
[align=center][b][size=large]Título do Meu dia de Cerise aqui[/size][/b]

[size=small]Personagem extra 1; personagem extra 2[/size][/align]

Texto aqui. Texto aqui. Texto aqui.



Sobre fanfics:

Como colocamos um limite de 1.000 palavras para os dias de Cerise, tudo que passar de mil palavras, for escrito por apenas um player, com situações de interações dos seus próprios personagens entre si, ou com NPCs (ou com personagens de outros players e autorização prévia), pode ser postado no lugar em que a situação se passou, com a tag [Fanfic] no título. Pode ser postada pelo próprio personagem ou pelo perfil do player.

Exemplo:
  • Escrevi uma situação canônica entre o Jack e o Karen, que se passou em Gris. Logo, eu vou postar essa fanfic no board "Cidade de Cerise", em "Cerise Baixa", com o título [Fanfic] O Contador [Jack; Karen].

Nota: caso a sua fic tenha personagem de outro abiguinho que deu o aval para a sua interpretação dele, ou que escreveu falas e te passou, adicione essa informação no início da fanfic:
  • Disclaimer: Sam e Dean não me pertencem, mas o Eric Kripke autorizou o uso deles nessa fanfic.

Dúvidas? Passa lá nas regras de postagem do fórum e vejam mais detalhes :B
Ainda com dúvidas? Amanda zap :w

Divirtam-se com os dias de Cerise!
Reply
#2
Renaud

[“Responder ou não responder, eis a questão.” -- Renaud, Sasha]

Aquela semana tinha começado como o caos em sua vida, mas a sexta seguia morna, em verdade tudo estava meio “morno”. Não que desgostasse da sensação, era melhor que sentir nada, ou que estivesse tudo muito bagunçado para conseguir lidar, ao menos naquele “meio termo”, ia tentando voltar a sua rotina. Precisava de uma rotina, lhe ajudava a lidar com a ansiedade gerada por pequenas coisas que estavam fora do lugar e aos poucos ia lhe dando controle, mesmo que fossem coisas idiotas como: ir a aula como um aluno normal. Tinha praticamente faltado toda a semana, e mesmo que fosse um aluno muito bom, com notas altas, não podia se dar ao luxo de no final do ano letivo deixar tudo ir ralo abaixo. Mesmo que tivesse disposição nenhuma, ainda nem tinha terminado de arrumar o quarto, mas não estava com pressa, estava arrumando devagar como em um ritual de retomar o controle do lugar que agora lhe parecia estranho. Dormia lá, apenas para não abusar da boa vontade de seu irmão mais do que já estava fazendo. Por causa da aparência abatida, tinha sido liberado do treino de natação, e ainda estava sem cabeça para as atividades do conselho estudantil – estava evitando o lugar, e tinha plena consciência disso - mas tomaria seu tempo para digerir as situações e quem sabe, segunda tentasse ir lá? Não podia deixar Isaac com o pior período do ano, sozinho, ainda era sua responsabilidade também, e já era um amigo imprestável em outras instâncias, não queria ser naquele ponto também.

Diferente da programação noturna de estudar sozinho e trabalhar até tarde nos artigos e nos dados dos experimentos, o Blanco tinha sido chamado para repassar matéria com Sasha, afinal, ele tinha ido a todas as aulas que tinha faltado. Bem, não era algo tão estranho assim no fim das contas. Mas aos poucos a cabeça ia sendo ocupada com equações e números e ao menos se distraía das preocupações emocionais. Já tinham passado dos assuntos das aulas e agora Renaud falava do projeto de extensão que trabalhava na Paris-Sud, os experimentos contaminados e porque as duas últimas semanas foram estressantes por ter de apresentar uma explicação aos investidores de seu pai.

E quebrando o ritmo da conversa, o telefone do Blanco alertou a chegada de mensagem, sabia que o aparelho estava no silencioso, mas se tinha tocado, devia ser algo de seu pai lhe cobrando trabalho, e puxou o aparelho para si:

-- Falando nele, deve está me cobrando a revisão dos relat-…! – Renaud travou na fala ao passar o olho no visor do aparelho, vendo o outro número de prioridade que tinha lhe enviado a mensagem. Sentiu todo o sangue fugir de seu rosto e ficou pálido, o estômago revirou e sentiu um nó lhe enforcar na altura da garganta lhe impedindo de falar momentaneamente. Ficou tão atônito que o aparelho escorreu dos seus dedos de volta a mesa. Claro que a reação exagerada do Blanco chamou a atenção de seu irmão, ele puxou a cadeira mais próximo fazendo aquele som característico no assoalho de madeira:

-- Ei Renaud, o que houve? – Ele olhou para o Blanco com ares de preocupação, mas claro, a expressão mudou de pronto, quando o mais velho passou o olho no visor do Celular, vendo a mensagem piscando, mesmo sem o telefone ser desbloqueado. Renaud ainda estava travado como se todo o ar fosse concreto e duro demais de por pra dentro, e antes que conseguisse tomar coragem pra esboçar qualquer reação, viu o aparelho ser arrastado em sua direção.

O Blanco ergueu o olhar para encarar o moreno mais velho, que não estava nem um pouco contente, mas notou o irmão suspirar resignado, sem adicionar nenhum comentário. Voltou a atenção ao aparelho e só ouviu o som característico das rodas no chão de madeira, o que indicava que seu irmão tinha lhe dado espaço para responder. Segurou o celular com cuidado, como se fosse algo delicado, que iria quebrar se pressionasse demais e passou muito tempo ponderando, muitas coisas passaram por sua cabeça, e tinha tantos receios do resultado daquela conversa, poderia ter a confirmação de seus maiores medos, ou encarar uma situação completamente diferente. Estava suando frio e tinha noção daquilo, mas detestava a ideia de incerteza gerada daquela bagunça toda, engoliu em seco destravando o celular com a digital para só então começar a digitar uma resposta.

“Sábado, Telhado do prédio administrativo, 16hs. Estarei lá.
Att: Renaud Blanco.”

Depois de apertar em enviar, não sabia descrever como se sentia, não tinha qualquer palavra em seu vocabulário que servisse para descrever seu estado mental. Sabia apenas, que fisicamente estava cansado. Largou o aparelho sobre a mesa, levando a mão ao rosto, não sabia exatamente se tinha feito a escolha certa, sabia que ainda não estava “estável” emocionalmente para falar com o loiro, talvez nunca estivesse de fato, mas tinham de conversar, dar um fim naquilo, para o bem ou para o mal, e isso era uma verdade indiscutível.

* * *
Leona

[“Murmúrios particulares” – Leona, Carissa]

Tinha se tornado um hábito novo para Leona ficar na delegacia até tarde, não que fosse diferente em NY, mas tinha outras opções do que fazer quando não queria estar somente no trabalho, acompanhar algum jogo em estádio, e torcia para um número considerável de times para ter sempre alguma temporada ativa para assistir, ou ir nos bares de sempre se distrair. No entanto, em Cerise, não tinha adquiro nenhum hábito do tipo, não sabia nem qual era o time local da cidade pitoresca. Talvez porque para a loira, ainda fosse necessário se convencer de que se estava ali por tempo indeterminado - e já estava a alguns meses - tinha de fazer valer seu tempo. Apesar do desgosto de seus colegas de trabalho, ao menos oficial Riviere, ou melhor, Carissa, se sentia mais instigada com as investigações que estava propondo, baseando-se nas estatísticas criminais e em todo um histórico policial conturbado da cidade de interior. Muito embora, sabia e podia traçar que parte daquela energia se devia a tudo aquilo parecer um grande “seriado americano de investigação”, não desgostava da animação no todo, mas no fim das contas não forçava a parceira a seguir a mesma rotina de trabalho que impunha a si mesma e principalmente a fazer hora extra. Às 16 horas quando terminava o expediente, a mais nova retornava para o kitnet, enquanto Leona estendia o horário as vezes até quase de madrugada caso fosse necessário relendo arquivos antigos e adicionando aquelas novas informações em sua memória.

No entanto, até mesmo o trabalho saturava a leoa as vezes, precisava de intervalos para relaxar a mente e por tudo e ordem. Naquele fim de tarde foi diferente, tinha separado um punhado de arquivos em ordem decrescente do histórico criminal de Cerise, mas não estava com cabeça para lê-los e absorver seu conteúdo como era devido. A falta de horas de alívio mental, estavam começando a cobrar de sua produtividade, tinha plena consciência disso. E para a surpresa dos outros oficiais, apenas duas horas depois do expediente normal ter acabado, a loira saiu da delegacia. Lá no fundo de sua mente, achava que precisava de um cigarro, mas também tinha plena consciência que isso era o peso de velhos hábitos, mas deixou a ideia de lado, também porque não queria chegar deixando o kitnet de Carissa impregnado com o odor de tabaco.

Não pegou trânsito na volta, cortando o espaço da delegacia até o apartamento muito mais rápido do que se tivesse saído no horário de pico de fim de expediente, não eram nem 19 horas. Como não tinha o hábito de estar cedo no apartamento, nem sabia se a janta já estaria feita, se Carissa tinha saído até o apartamento de Eveline ver seriados ou qualquer coisa que ela fizesse longe de sua vista. Abriu a porta devagar para espiar Kitty que estava entretido com algum inseto pequeno que correu para atrás da cortina, mas não deu tanta atenção ao gato irritante. Tirou os sapatos e caminhou de meia no apartamento que parecia tão silencioso? A televisão da sala estava desligada, mas as janelas estavam abertas o que indicava que a morena mais nova estava em casa. Dormindo? Talvez.

Caminhou em passos discretos para checar se a morena mais nova estava de fato dormindo, e no silêncio quase total do apartamento seus ouvidos captaram um som estranho vindo do cômodo. Por costume, a loira parou, e prestou atenção no que seus ouvidos captavam. A porta do quarto estava entreaberta, mas não o suficiente para que pudesse ver interior, ou mesmo a cama, mas a fresta da porta deixava escapar os murmúrios vindos do cômodo menor com mais facilidade. Caminhou mais devagar se aproximando da porta, e a voz ficava cada vez mais reconhecível, embora o tom, fosse completamente novo para loira. Caminhou tão devagar, quase como se houvesse toda uma tensão do que poderia estar acontecendo ali, e de novo outro murmúrio? Parecia diferente. Em seguida, um suspiro longo, como se fosse alívio? Não. Era diferente, mas de que era?

Tudo aquilo parecia estranho, mas impelida pela curiosidade, a loira permaneceu próxima da porta, quieta, e chegou a controlar a própria respiração por um instante e no silêncio completo, pôde ouvir murmúrios ora mais altos, ora mais baixos, que iam lhe remetendo a outro tipo de som, seguidos de suspiros discretos e respirações profundas. Leona franziu o cenho em estranheza, por um instante confusa, sabendo o que era, e não sabendo reconhecer aquilo na voz de Carissa.

Até seus ouvidos captaram um outro som, ainda mais discreto, hora mais baixo, hora mais audível, ritmado, como uma sequência de pequenos e curtos toques em algo molhado.

De súbito, sentiu todo o sangue subir para o rosto ao tomar ciência “do quê” estava ouvindo, a reação foi tão exagerada no próprio corpo, que o coração acelerou de forma que as batidas pareciam mais altas do que os gemidos contidos da morena mais nova, vindos do quarto.

Nem sabia por onde começar a tratar do assunto - se é que era pra tratar dele - nem imaginava que reação Carissa teria se soubesse, então Leona não teve outra reação, que não sair do apartamento. Caminhou alguns bons quarteirões sem saber que expressão tinha no rosto, comprou algo pra jantar e apenas uns bons 45 minutos depois, que retornou para o apartamento. Não comentou nada. E tratou o restante da noite como sempre fazia.

Muito embora, tivesse de admitir que aqueles “sons” não sairiam de sua memória, seja por ser boa, seja porque inconscientemente não queria “esquecer”. E se pegou imaginando se a morena mais nova, sempre fazia aquilo quando chegava do trabalho. Ponderou consigo mesma, se não deveria voltar mais cedo, algumas vezes, até perceber o quão estranho todo aquele cenário estava se desenvolvendo. Era melhor só pensar em trabalho mesmo.

* * *
Isaac

[“Não mexa com meu prato” – Isaac, Renaud]

Aquele fim de semana não poderia estar melhor, comparado ao que tinha experimentado nas últimas semanas. Ainda estava com o punho machucado por conta do movimento errado no treino de esgrima, as pastas na sala do Conselho Estudantil estavam fora de lugar devido à sua falta de atenção e ao trabalho novo de Yure naquela sala, o trabalho na Delegacia tinha sido suspendido por causa do machucado no punho, mas a despeito de todos os pormenores negativos… Ethan tinha voltado para ele e estava tudo bem, de novo. A sensação de satisfação era tão grande que até se pegou sorrindo algumas vezes, o que só percebeu porque Yure tinha se assustado ao continuar a arrumação na sala do Conselho Estudantil nos horários vagos da manhã de sexta.

A aula de reforço para os segundanistas foi literalmente reforçada. O que supostamente tinha dado de assunto nos últimos dias, repassou com mais ímpeto, exigindo respostas corretas dos três por uma longa hora sem dar um intervalo sequer para que eles descansassem os pulsos com a série de anotações que estava exigindo. Mas conseguiu facilmente cobrir o assunto de três semanas, mesmo que os três talvez não tivessem assimilado. Bom, eles pareciam realmente abatidos ao serem liberados faltando dez minutos para o fim do horário do almoço.

E foi naqueles dez minutos também que fechou a sala do Conselho Estudantil para ir almoçar. Mesmo que faltasse pouco tempo para o fim do horário de almoço oficial, não era como se tivesse aulas no primeiro período da tarde, então poderia almoçar com um pouco mais de calma e esperar que a aula de Ethan terminasse, para encontrá-lo no segundo horário da tarde, que sabia ser livre para o loirinho. De novo, um sorriso involuntário tinha surgido no seu rosto e só percebeu aquilo por conta da expressão confusa do auxiliar do refeitório ao lhe servir a porção de carne do dia.

Seu prato de comida estava cuidadosamente arrumado e separado, até mesmo as pequenas porções de ervilha e milho não se misturavam no prato com refeição estritamente balanceada. Já tinha até esquecido o que tinha comido nos últimos dias. Procurou uma das mesas livres no refeitório, especialmente porque naquele horário só via alguns poucos quartanistas – os outros que planejavam estender o período de folga tinham saído do local depois de lhe avistar se sentando. Tirou o terno branco para deixar sobre o encosto da cadeira para não amassar e nem sujar no almoço, tomando o tempo até para dobrar as mangas para cima, três voltas cada, antes de começar a se servir. Mas antes mesmo de levar a primeira porção de arroz à boca, avistou o lugar bem diante de si ser tomado por um Renaud de aparência um pouco… distraída? Ele não estava com uma bandeja com o prato de almoço, então apenas o encarou por um tempo, como se esperasse algum comentário, mas deu a primeira garfada antes.

– Você não vai comer? – perguntou finalmente, voltando a pegar mais uma porção do prato, agora de salada, sem misturar os outros tipos de comida que tinha colocado ali.

– Só sentei porque avistei você sozinho aqui Isaac.

Renaud pareceu se esquivar da pergunta, mas não deu tanta atenção àquilo. Ele estava relativamente normal, com o uniforme alinhado e apenas umas marcas mais fortes debaixo dos olhos. Mas estivera daquele jeito nas últimas semanas, devia ter muito trabalho. Talvez ele só estivesse mais sério. E ainda tinha lhe chamado pelo nome inteiro, o que era um pouco… estranho?

– Você quase perdeu o horário de almoço. – o vice-presidente continuou, sem empolgação na voz, apoiando o queixo na palma da mão.

– Estava dando aula de reforço para o trio de segundanistas. Sempre almoço tarde. – respondeu, daquela vez pegando apenas uma porção da carne, com cuidado para que as outras porções no prato não se misturassem. – E eu sempre como sozinho.

– Hunm... – o murmúrio foi a única resposta que ouviu de Renaud enquanto continuava comendo, sempre colocando porções diferentes no garfo, sempre na mesma ordem. Mal percebeu o olhar dele indo do prato para sua expressão e sua atenção só foi atraída por um suspiro pesado do Blanco. – Mesmo?! Pensei que você almoçava mesmo que de vez em quando com o Eth-...?! – parou a sentença, passando a mão no rosto: – desculpe, não queria falar dele.

A resposta automática de Isaac, daquela vez, foi até sorrir mais evidentemente com a preocupação inédita de Renaud. Não porque o outro tinha se mostrado preocupado, mas porque aquele sentimento já não tinha mais fundamento.

– Não tem problema. Já resolvemos a situação. – respondeu, com um ar bem satisfeito, indo então, para o arroz, começar a ordem de porções de comida do zero de novo. – Eu quase não almoço com ele porque nossos horários não batem. Encontro com ele depois das aulas da tarde ou no meio da manhã.

– Que bom. – a resposta de Renaud foi um pouco pausada e Isaac levantou a atenção do prato para o outro, deixando a faca de lado, de novo com uma expressão talvez mais feliz do que o costumeiro. Não conseguia ver nada demais na expressão alheia, mas ele estava tentando sorrir? Ignorou o pensamento, mas Renaud foi mais rápido em completar. – Não queria ter de me acostumar em conviver com você daquele jeito Isaac.

O complemento de Renaud veio num tom mais sóbrio e até ergueu o rosto um pouco, arqueando as sobrancelhas e ficando com uma expressão que os outros facilmente julgariam como irritada. Na verdade, estava só confuso.

– Que jeito? Eu não tenho “outro jeito”. – respondeu, convencendo-se de que mesmo com Ethan afastado, ele estava agindo naturalmente com as pessoas ao redor… mesmo que se sentisse em péssimo estado emocional e mental.

– Certamente tem, meu caro Isaac. As pastas do conselho fora de ordem não são totalmente na conta do Lukashenko.

Ainda havia aquele sorriso estranho no rosto de Renaud, como se houvesse algo errado. Estava com a boca ocupada com ervilhas e foi tempo suficiente para que Renaud pegasse a sua faca e roubasse uma rodela de tomate do seu prato. Encarou-o com uma expressão ainda mais indignada, mas não reclamou do roubo, apenas usando o garfo para colocar as outras últimas rodelas de tomate de volta no lugar, bem a tempo de ouvir a continuação da resposta dele.

– E nem na minha conta, apesar de ter faltado alguns dias, meu trabalho está em ordem.

– Eu sei que seu trabalho está em ordem. – respondeu, voltando a comer e evitando responder o comentário anterior. Afinal, era bem verdade que tinha bagunçado algumas de suas funções, mas isso não queria dizer que tinha ficado explícito em suas ações como estava se sentindo incomodado, certo? – E não bagunce meu prato, pegue um pra você.

– Eu não baguncei, eu furtei. – Renaud corrigiu porque não tinha tirado todo resto do lugar, mas o suficiente para que Isaac percebesse a diferença no prato a ponto de consertar.

Não notou a expressão surpresa no rosto alheio, mas não notaria muita coisa agora que estava feliz com a ideia de que tinha se acertado com o namorado. Estava até distraído com o pensamento renovado, quando mais uma vez, ele pegou um pedaço de beterraba do outro lado, bagunçando minimamente as ervilhas no processo.

– Não estou com vontade de comer, seria um desperdício pegar um prato inteiro pra mim.

– Então pegue pouca comida. – Isaac juntou as ervilhas que tinham se afastado, continuando a comer de onde tinha parado. – Seu furto bagunçou minhas ervilhas.

– Mesmo que eu quisesse, eu não iria conseguir comer tudo mesmo. – ele deu de ombros, parecendo um pouco mais entretido e vívido do que no início da conversa dos dois.

Isaac partiu um pedaço de carne, mas antes de conseguir pegá-lo para comer, Renaud foi mais rápido, se servindo dele. Encarou-o com uma expressão ainda mais indignada, olhando dele para o prato como se houvesse um erro absurdo ali. Primeiro, porque era a sua próxima porção de comida… segundo, porque Renaud tinha comido. Se ele tinha comido, então devia continuar as porções? Rendeu-se a pular a carne e pegar o arroz, continuando a comer agora com pouquíssima comida restando proporcionalmente no prato inteiro. Não podia fazer mais uma rodada sem um dos itens para comer até o final.

– Culpe a forma arredondada delas, que as colocam mais facilmente sobre ação da gravidade pra se moverem em superfícies planas.

Mesmo roubando algumas coisas de seu prato, até mesmo Isaac conseguia notar como ele contorcia a expressão sem vontade de comer.

– Se você não quer comer, não bagunce meu prato. – retrucou, mesmo que ele tivesse explicado “logicamente” que não tinha feito bagunça alguma. De fato, só não conseguia chegar a explicação normal de que ele estava bagunçando o seu “jeito de comer” metódico. – E por que não conseguiria comer?

– Podia te dar uma longa explicação técnica... – Renaud girou o pulso que segurava a sua faca, num gesto lento e pensativo, o que deu tempo de Isaac comer quase tudo no prato, restando apenas as últimas porções da salada e o último pedaço de carne. – Não estou sentindo gosto, então fico enjoado, logo não tenho apetite.

A explicação dele foi direta, apenas o encarou de volta com as sobrancelhas arqueadas.

– Mas se você não comer, vai ficar doente. – respondeu o óbvio, como se ele precisasse daquilo mesmo que lhe fizesse ficar nauseado.

Pegou o último pedaço de carne e já ia levar a boca, mas não tão rápido até ouvir o último comentário de Renaud

– E... você está quase terminando, vai bagunçar a comida de todo jeito.

O comentário não foi tão inesperado, mas ele parou o gesto de levar a carne até a boca quando o Blanco bagunçou o resto dos grãos de milho com os de ervilha, a salada e a última porção de arroz. Parou com a boca aberta, mas ficou naquela posição por alguns segundos até devolver o garfo com a carne para o prato, agora completamente desordenado, erguendo o olhar realmente irritado para o vice-presidente daquela vez.

– Eu queria poder bater em você. – reclamou, desistindo do resto de comida, ainda com a expressão completamente emburrada. “Queria” apenas bater nele, primeiro, porque não conseguiria, segundo, porque ainda havia algo de estranhamente diferente no outro para não lhe despertar a costumeira aura perigosa. E ele ainda deu de ombros, como se confirmasse que mesmo que tentasse, não conseguiria. Bom, era um fato.

Desdobrou as mangas, abotoando os punhos de novo e vestindo o terno alinhado para pegar a bandeja e levar até o balcão, mas antes mesmo de começar a andar, voltou a atenção para Renaud.

– Vamos comigo. Antes que você bagunce o prato de mais alguém. – falou aquilo mais como um tom de imposição do que de convite, não que esperasse que Renaud lhe seguisse, mas pelo jeito que ele parecia, um tanto diferente, talvez fosse melhor estar acompanhado.

– Com toda essa delicadeza, tem como negar? – a resposta de Renaud foi surprendentemente condescendente. Até o encarou de volta para conferir que ele estava lhe acompanhando, mas retomou o caminho normal, um pouco satisfeito.

Deixou a bandeja no balcão para pegar um copo de suco. Ainda olhou um tanto ameaçador para o vice-presidente, virando-se de modo que o copo de suco não ficasse no alcance dele. Pegou outro copo com a mão direita estendendo pra ele.

– Pode beber desse, se quiser.

A resposta de Renaud demorou um pouco a vir, daquela vez com uma risada um tanto… cansada? Ele parecia cansado, de fato. Talvez devesse diminuir o trabalho no Conselho Estudantil.

– Certo, certo, eu entendi, não vou bagunçar o seu suco, seja lá como se faz isso.

– Pelo menos beba o seu. Parece que está precisando comer qualquer coisa. – adicionou, finalmente seguindo para fora do refeitório, de volta à sala do Conselho. Ou quem sabe passar em algum lugar mais calmo para descansarem um pouco mais? Renaud parecia precisar daquilo.

* * *
Isaac

[“[Flashback] O quadro assombrado” - Isaac, Renaud]

Já fazia uns bons cinco meses desde que tinha se tornado secretário do Conselho Estudantil para ficar de olho em Renaud e Didier, como alguns professores preocupados tinham lhe pedido. Não foi surpresa que a maior parte do trabalho caísse em suas costas, sua necessidade de organização lhe impedia de deixar as coisas tão na mão do Presidente e do Vice-presidente desinteressados. Organizou as coisas, separou em pastas e categorias, entrou em contato com os alunos e grupos e até começou a instruir o tesoureiro e o diretor de rp. O problema é que em um mês, o tesoureiro tinha desistido do cargo, sabe-se lá por que. Mais um mês e o diretor de RP também tinha desistido do cargo e daquela vez deixou bem óbvio ao sair da sala do conselho que "esse cara é doido!". Logo entendeu que o problema sempre vinha de Renaud, embora não entendesse todo o desespero dos alunos que pareciam com medo de serem mortos ali mesmo.

Renaud parecia até uma pessoa bem normal, e embora ele fosse tão desleixado quanto Didier, quando o trabalho do Conselho Estudantil aumentava, ele aparecia. Se era para ajudar ou matar o tédio, não fazia muita diferença, contanto que facilitasse seu trabalho.

Estavam às vésperas de um dos festivais interescolares, com Limoges-Collet, e os grupos de esportes estavam em furor. Uma série de pedidos e submissão de orçamento e coisas que Isaac fazia questão de negar porque não estava de acordo com as regras. Naquela semana em particular, Renaud tinha aparecido mais vezes na sala do Conselho para ajudar com a papelada e as assinaturas que podia colocar em lugar de Didier.

- Falta pegar as assinaturas dos coordenadores do festival e dos gerentes dos clubes para não ter problemas com Limoges-Collet. - Isaac tinha uma série de documentos nas mãos, enquanto caminhava até a sala do Conselho na companhia de Renaud. - Está faltando o do clube de Natação e de Rugby.

- Eu pego o de natação, estou indo pra lá depois da aula. - Renaud estendeu a mão na direção de Isaac para receber a pasta, mas percebeu naquele mesmo instante que o esgrimista tinha parado no meio do caminho. - Isaac?

Renaud olhou para trás para perceber que Isaac tinha parado para andar até a parede no fim do corredor e ajustar um dos quadros antigos da escola que estava - aparentemente - milimetricamente desalinhado.

Renaud não podia acreditar que o outro tinha parado por causa de um quadro pseudo torto, mas se ele era tão paranoico com organização como estava se mostrando ao longo daqueles dias… é, até que ele podia estar muito incomodado com um quadro. Pensando bem, o que ele faria se todos os quadros estivessem só um pouco tortos? A ideia fez o vice-presidente sorrir mais amplamente, tendo de conter o ímpeto de mostrar os dentes, pois se sorrisse de forma tão descarada deixaria margens para perguntas.

- Renaud? - daquela vez Isaac estava estendendo os papéis para o time de natação, e só então o Blanco pegou os documentos, com uma expressão ligeiramente satisfeita, à qual Isaac não deu muito valor.

- O que mais? - ele aceitou a pasta e continuaram andando, mas Renaud encarou os quadros ao longo do caminho, com um pensamento novo na cabeça.

É talvez fosse um bom jeito de matar o tédio e se divertir não? Ficou de tão bom humor que podia ele mesmo ir atrás do time de Rugby além do time de natação.


* * *
Adam

[“Se eu fosse você” – Renaud, Didier]

Adam sabia muito bem por experiências passadas, que tomar café antes de dormir não seria uma boa escolha, mas não conseguiu evitar. Algumas horas depois de suas duas xícaras de café, o ruivo ainda estava acordado, o que seria um problema, dado ao seu horário de aulas no dia seguinte.

Às duas da manhã, Adam ainda não conseguia dormir, então estava apenas assistindo alguns reviews de maquiagens recém lançadas. Seu colega de quarto Emil já no décimo terceiro sono e o ruivo só conseguia pensar na inveja que estava sentindo de Emil, que estaria completamente descansado amanhã, enquanto Adam provavelmente estaria com duas bolsas da Chanel debaixo dos olhos.

Foi aí que a noite começou a ficar estranha, o jovem ouviu barulhos vindos do corredor, como se fossem pessoas andando rápido, e um deles sendo distinto som de salto alto. Só poderia estar delirando, alguém andando de salto alto essa hora da madrugada, então sua curiosidade falou mais alto e decidiu espiar, pra saber se estava ficando maluco ou não. Andou na ponta dos pés até a porta, abriu a mesma e colocou a cabeça pra fora pra espiar e não acreditou no que seus olhos estavam vendo. O vice-presidente do Conselho Estudantil Renaud Blanco trajando roupas femininas, salto salto, corset, peruca e maquiagem borrada junto de Didier, sua Mama, que usava roupas masculinas, terno, cabelo preso e sem maquiagem.

Como uma coisa dessas poderia estar acontecendo Adam não sabe, mas o fato é que está acontecendo e não conseguiu parar as perguntas que se formavam em sua cabeça, como é possível o Vice Presidente Blanco saber andar tão bem de saltos, de quem eram aqueles saltos, o que eles foram fazer tão tarde, será que era tudo um delírio pela falta de sono? Emil não ia acreditar quando lhe contasse na manhã seguinte.

* * *
Yure

[“Muita Informação” - Yure, Charles]

[22:52, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey, Charles, taí? Cara, aconteceu algo muito louco hoje, tô aqui pensando, e só sei que é verdade porque minhas costas doem (ง ื▿ ื)ว
[22:55, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ?
Oque dessa vez? Causou mais alguma coisa em St. Clavier ou caiu do skate?
[22:57, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Cara! Não cara! E sim! foi coisa em St. Clavier e tinha haver com as minhas detenções ou quase mas não tem a ver com skate ( ̄▽ ̄*)ゞ
[23:00, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Não tem como uma coisa ser meio a meio assim.
[23:02, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então! 'cê quer saber da história toda ou vai ficar me corrigindo? O Ichigo é meio Hollow, meio shinigami, meio quincer, meio fullbringer e ninguém reclama! Eu posso está meio ferrado de detenções, não ter a ver com skate e mesmo assim ter sido louco!!
[23:02, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ( `ε´ )
[23:03, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ಠ~ಠ
[23:04, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Desembucha então
[23:04, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Não sabia que andava lendo esses mangás. Boa comparação.
[23:07, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Eu fiquei com um cara de St. Clavier hoje! (ノ°▽°)
tipo
ficar ficaaaaaaar
(//ω//)
[23:09, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ... oh.
O mesmo tipo de ficar que você fica com as garotas?
[23:09, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ᇂ_ᇂ
[23:10, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então eu pensei que depois de ter saído com a Hanna eu não ia querer ficar com mais ninguém que fosse daquele "jeito"! 'cê sabe que só se pega mas não liga pra todo resto mas...
[23:11, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: foi tipo como a Hanna sendo que sem a parte do choro e desilusão amorosa depois (ง ื▿ ื)ว
[23:20, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Hm... ᇂ_ᇂ
Então, ele é como a 'Hanna', mas sem a parte ruim basicamente? Não vá se apegar de novo.
[23:21, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Não! não! de jeito nenhum! dessa vez eu fui sabendo que era só sexo sem a parte de se apegar mesmo (ง ื▿ ื)ว
[23:26, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Huh...
E quem foi? Pra você ficar falando sem parar.
Apesar que isso não é uma novidade.
[23:30, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ficou curioso não foi? (ง ื▿ ื)ว (ง ื▿ ื)ว (ง ื▿ ื)ว
[23:32, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (¬_¬)
[23:32, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Você que não sabe falar de uma vez!
[23:34, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sasha Peyrac lembra do nome? Presidente do Conselho disciplinar! Ando tanto naquela sala que tá até rolando uns climas! ahuahauhauhauhauha
(っಠ‿ಠ)っ
[23:35, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: O que vive te dando trabalho extra?
[23:36, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E que é cadeirante?
[23:36, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ಠ_ಠ
[23:36, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Isso aê! pra você ver Charles! Você ainda tem chance!
(ง ื▿ ื)ว
[23:36, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahauhauhauhuaahuahuha
[23:37, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Se quiser saber falo mais senão paro por aqui ( ̄▽ ̄)/
[23:37, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: 'xá só mudar de posição aqui e deitar de lado
[23:40, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (≖︿≖)(≖︿≖)(≖︿≖)!!!
[23:41, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Faça oque quiser (¬_¬) 'To sem fazer nada mesmo.
[23:43, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então pra começar eu sempre disse que ele era mais legal que o Mucha luta porque ele fazia umas piadas e tals mas nada sério ou pelo menos eu não tava achando que fosse cantada me dê um desconto que eu ainda to aprendendo a diferenciar uma coisa da outra
[23:44, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Hm.
[23:46, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ai num dia desses eu cheguei lá como sempre e tals e eu não sei se foi impressão minha mas ele jogou charme pro meu lado namoral eu pensei que ele ia me beijar na sala do conselho disciplinar
[23:46, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: sabe como ia ser louco? quebrar regras com o presidente do conselho das regras na sala do conselho das regras??
[23:46, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: hauhauahuahauh
[23:48, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
Isso ia acabar é te causando alguma outra detenção, isso sim.
[23:56, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Provavelmente! mas foi divertido! Ele foi bem direto sabe? Do tipo não ficou jogando umas cantadas nadavê tipo
[23:56, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: "bom dia, os passaros cantam, o céu tá lindo, vamos transar?"
[23:56, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahuahauhauhauh
[23:57, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ele disse pra tomar cuidado com algumas coisas que eu falava! porque eu sou animado o tempo todo e concordo com as pessoas as vezes sem nem saber o que elas querem direito
[23:58, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Daí ele usou das minhas próprias palavras pra me dá uma cantada! foi bem criativo!
[23:58, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahuahauhauhauha
[23:58, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ( ̄▽ ̄)/
[00:00, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Se alguma pessoa te disser isso algum dia, acho que é melhor você correr viu
[00:01, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E o que é que você acabou dizendo pra ele entortar tanto assim pra ser uma cantada?...
[00:02, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Olha eu não vou lembrar exatamente o que eu disse porque eu não lembro o que eu comi ontem, quem dirá o que eu falei na sala do conselho!
[00:02, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: foi algo como eu sabia que ia ter castigo por aprontar, e que ele podia mandar qualquer coisa pra mim que eu fazia, era só pedir
[00:02, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ou coisa assim
[00:03, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: mas daí eu tava falando dos serviços e das detenções e tals, nadavê com segundas intenções
[00:04, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Daí ele desdobrou, algo como: Quando você disse que é só "pedir" que você "faz" se eu tava falando só do serviço do conselho ou se ele era livre pra "pedir outras coisas no futuro"
[00:04, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: foi genial, ele transformou a minha frase de concordância bosta numa cantada legal
[00:09, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ... o assunto mudou bem rápido, hein?
[00:09, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Ele realmente é bom nisso. (ಠ_ರ)
[00:10, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Neh? Uma hora tá lá a gente zoando os apelidos dos outros membros do conselho, ele rindo, eu rindo, falo besteira, dai pow, logo antes de sair com o papel que libera a gente dos castigos, ele me passa essa cantada ~ヾ(・ω・)
[00:11, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: E claro! eu devolvi rindo, porque né? Olha a minha cara de quem recebe cantadas todos os dias?
[00:11, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Mas nem tava nervoso nem nada. tava mais surpreso mesmo, do tipo: "hey nossa! isso foi legal! mas é sério? Tu quer sair comigo?"
[00:11, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahuahauhauha
[00:11, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas você não recebe? ( ̄へ ̄)
[00:12, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Você já tinha comentado outras vezes, inclusive
[00:12, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Devo receber, mas se eu não noto, é como se não recebesse né?
[00:13, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: tipo, quando eu comento com você é quando eu NOTO! agora faças as contas mentais de quantas vezes foram '-'
[00:13, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: bem poucas ╮( ̄ω ̄Wink
[00:21, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Verdade. Yure Lukashenko é um cabeça-de vento.
[00:22, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ( ̄へ ̄)Faz sentido
[00:23, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Do tanto que você já me falou desse Peyrac, ele parece fazer é mais raiva. Principalmente com todo esse trabalho
[00:23, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Não que você não mereça ( ̄へ ̄)
[00:25, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sei lá, ele faz raiva, mas é engraçado
[00:25, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sabe quando uma pessoa te faz muita raiva, mas ao mesmo tempo 'cê não consegue ter raiva da pessoa porque quando ela não te faz raiva ele é legal pra caramba/
[00:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ?
[00:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: pronto é algo assim
[00:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: (ง ื▿ ื)ว
[00:30, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ... Tá. Eu sei bem.
[00:30, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Pode continuar -A-
[00:31, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E você saiu com ele por isso?
[00:31, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sim
[00:31, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Na real eu tava curioso já faz um tempo
[00:32, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: tipo tem o Rick e o Arth eles namoram faz tempo e tals mas como o Arth é na dele eu não vou lá perguntar pra ele como é sair com um cara
[00:32, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e o Rick tu sabe com o sujeito é? Ele ia me zoar até o fim dos tempos se eu fosse perguntar umas coisas assim pra ele
[00:32, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ai um outro amigo meu começou a namorar também e se o namorado dele num fosse o testa de ferro eu até me aventurava em conversar mais sobre essas coisas
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ai tu soma minha curiosidade
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: + o fato do Sasha ser bonito
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: + o fato dele ser ousado e falar as coisas na cara
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e eu tinha a tarde livre também já tinha acabado a detenção \õ/
[00:38, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Acho que a sua curiosidade já é mais forte que todos os outros pontos
[00:38, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Sendo bem sincero
[00:39, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Aliás, não acho que isso seja algo que se pergunte aos outros \ᇂ_ᇂ\
[00:39, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas sanou a curiosidade então?
[00:42, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sim
[00:42, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: quer saber dos detalhes ou isso seria demais? (ง ื▿ ื)ว
[00:47, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (≖︿≖?)...
[00:47, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: entendo isso como um não?
[00:48, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Com certeza. Detalhes demais até de voce. ᇂ_ᇂ
[00:49, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Se quiser falar mais, versão resumida e com cortes.
[00:52, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ok, entendi, versão resumida.
[00:57, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Foi bom! muito bom! Não sei se é melhor com garotas ou garotos. Sei que é bom de todo jeito. Eu não sabia que 'cês podiam se excitar normal, só leva mais tempo. Que depois das coisas todas as pernas ficam fracas e é dificil até de caminhar.
[00:59, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: O mais legal é que ele ficou bem deboas por eu não ter experiência com caras e foi tranquilo, por incrivel que pareça. Doi menos do que a galera faz de propaganda negativa ahuahauhaua
[01:11, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Meus olhos agradecem o resumo.
[01:11, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (¬¬) _Vocês? ... cada caso é caso.
[01:12, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Agora eu entendi a parte das pernas (≖︿≖)...
[01:12, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e é?? sabia não! Mas e no seu caso é normal e ligeiro? ou você não sabe dizer? ou não vai querer me dizer? (ง ื▿ ื)ว
[01:14, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Informação demais!!
[01:14, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ►◄ ►◄!
[01:15, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: AHUAHAUHAUHUAHUAHUHAUAH
[01:15, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: deboas! deboas! relaxa cara!
[01:15, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: 'cê sabe que eu tava de zoa? neh?! ヽ( ̄ω ̄(。。 )ゝ
[01:20, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Sei, sei.
[01:20, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (-_- )ノ
[01:20, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Tá, já incomodei você demais, mas posso deixar recado que dá pra sair com caras de boas sem ter treta?
[01:21, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: recado dado!
[01:21, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Vou descansar as costas e as pernas (ง ื▿ ื)ว
[01:25, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Tá. Recado recebido ( ̄へ ̄
[01:25, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Vê se não estraga essas pernas, ou vão ter que te arrumar lugar no time de basquete.
[01:25, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E MENOS INFORMAÇÃO!
[01:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ok ok ok! Entendi o seu recado também.
[01:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Valeu por ler, e ficar até essa hora.
[01:27, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Você é um bom amigo cara! (ノ´ з `)ノ

* * *
Renaud

[“Aperitivo” – Renaud, Wilbert]

Depois da tarde e noite de perversão na companhia do digníssimo professor da eletiva de gastronomia, o jovem Blanco tinha mais motivos para comparecer a matéria eletiva. Não porque tivesse desenvolvido algum tipo de atração no professor, mas sim, porque mesmo depois de toda a diversão que proporcionou ao homem, o mesmo manteve a postura hetero de sempre. E acabou se tornando uma diversão a parte, atentar contra a moral e bons costumes do professor Funske quando ele menos esperava, mesmo nas coisas mais simples do cotidiano daquela cozinha.

Naquela tarde o Blanco estava responsável pelo estoque, e pelos materiais que seriam utilizados naquela aula. Estava entre as prateleiras da despensa com uma prancheta em mãos, sem o terno, apenas com a camisa de botões, com a manga dobrada até a altura do cotovelo, e um avental, marcando sua cintura. Quando o professor adentrou o espaço estreito para conferir, já reclamando da falta de alguns materiais:

-- Será que eu vou ter de prestar outra reclamação pra essa instituição, onde está a droga do fermento!

-- Atrás do senhor, prof. Fusnke…! -- o moreno mais novo se virou na direção do professor, apontando a prateleira atrás do homem, mas sem deixá-lo de fato se virar para olhar a direção que estava indicando. Pressionou o corpo contra o do loiro, fazendo questão de colar os quadris e aproveitou para ficar de ponta de pé e estender o braço em direção a prateleira, para aproximar os rostos, e fez questão de lançar um sorriso safado para o mais velho, encarando-o de perto:

-- Qu-!! – Logo o rosto de pele alva tomou uma cor mais acentuada, mesmo a pouca luz da dispensa, era notório que o homem mais velho estava desconcertado e a expressão irritadiça se acentuou ainda mais a ponto das palavras se perderem:

-- Aqui…! Precisa de mais alguma coisa Prof. Funske? – Mostrou a lata de fermento em mãos, se afastando apenas um pouco do corpo do mais velho, encarando-o de perto, mas fez questão de descer o olhar escuro entre os corpos, notando como os ânimos estavam exaltados por parte do professor: -- alguns minutos para tomar um ar…?

Sorriu descarado, se afastando do homem mais velho, para que ele pudesse tomar um fôlego e acalmar a cabeça para que pudesse se concentrar na aula. Será que se sorrisse para ele no meio da aula, ele perderia as palavras de novo? Poderia testar quem sabe.

* * *
Charles

[Olimpíadas do Tédio - Charles, Ulysses]

Charles havia chegado à Cerise já fazia algum tempo, e nesse pouquíssimo tempo teve várias idas e vindas do hospital, e alguns encontros surpresa com figuras irritantes - porém curiosas. Nisso incluía o garoto ruivo com quem havia dividido o quarto por alguns dias na sua última internação. E isso havia sido um inferno, porém não pode dizer que não tornou o tempo preso no hospital menos saturado.

Já fazia algumas semanas desde a última internação e estava finalmente se re-acostumando a estar em casa. Sentia falta dos joguinhos, em especial dos que não eram portáteis, por isso estava aproveitando o tempo que tinha livre em casa entre os compromissos para matar um pouco da saudade dos seus jogos favoritos.

Estava sentado em sua cama com alguns edredons sobre as pernas - Charles acreditava que ajudava a evitar um pouco de dormência depois de muitas horas de jogatina - e prontamente ligou a TV. Assim que a imagem apareceu, estava no canal de esportes, havia tido um campeonato de e-sports na noite passada junto com a reprise de jogos passados e tinha finalmente tido a chance de acompanhar as finais.

Mas ao invés de ter as competições de jogos online, estava passando uma das partidas das olimpíadas, mais especificamente a competição de esgrima. Como não acompanhava o esporte, estava pronto para mudar o canal até ouvir um dos locutores mencionar que um dos jovens competidores era um estudante de St. Clavier.

“St. Clavier?”, o cadeirante repetiu mentalmente, deixando o controle de lado enquanto ponderava, essa não era a tal academia famosa que por um acaso ficava em Cerise? Inclusive era o lugar que Yure - o ruivo irritante - havia falado tanto e que haviam tantas pessoas incríveis e tudo mais? Bem o típico lugar que não aguentaria passar nem 10min. Achou curioso a coincidência, não entendia muito de esgrima se não o básico do básico, mas decidiu assistir para ver no que daria. Ficou muito bem largado entre travesseiros e almofadas na sua cama enquanto assistia toda a competição.

Provavelmente havia pegado a programação pela metade, por que não demorou até que o vencedor olímpico fosse anunciado, e era o tal aluno de St. Clavier, Ulysses. Aparentemente ele havia participado de mais sei lá quantas competições e feito mais sei lá quantas coisas, enfim, parecia ser um daqueles “alunos modelos”, que coincidentemente eram alunos “imbecis” que tinham uma personalidade completamente oposta. Pelo menos, essa era a ideia inicial que Charles havia tido. Após o término da partida tiraram um momento para entrevistar o ganhador da medalha e - surpreendentemente para Charles - ele não parecia bem encaixar na ideia de aluno boçal. Soava mais como alguém que verdadeiramente se esforçou, curioso. O garoto de cabelos pretos não quis admitir mas ele não parecia ser tão ruim assim, e a TV era ótima em mostrar as pessoas sendo estúpidas.

“Talvez St. Clavier não seja tão insuportável assim” foi o primeiro pensamento que teve ao final da entrevista. Mudou de canal quando o foco do esporte passou a ser outro e decidiu voltar aos seus joguinhos. Quem sabe pudesse dar uma olhada no site da instituição depois, não que fosse dar em algo mas...

Quem sabe.

* * *
Isaac

[“[Flashback] Lembranças de um término” - Isaac, Carbella]

O encontro e a conversa com Carbella tinham sido estranhamente metódico como estavam acostumados. Estava namorando com a ruiva há um ano, mas podia contar facilmente quantos encontros tiveram naquele longo ano, já que as rotinas dos dois eram bem conturbadas entre estudos, afazeres e trabalhos e às vezes se viam uma vez por semana ou duas vezes por mês. Não foi completamente inesperado encontrar com Carbella naquele fim de semana e ouvir da namorada que o relacionamento dos dois estava sendo injusto com ambos e que o curto tempo que tinham para se encontrar não era o suficiente. Ela tinha que cuidar da irmã, trabalhar, estudar, sempre estava cansada e ele tinha exatamente a mesma rotina.

Não houve uma sessão de desespero e de choros como naqueles filmes românticos. Na verdade, Isaac ficou calado alguma parte do tempo, associando tudo o que a ruiva falava que simplesmente não podia contestar. Era verdade, os dois tinham muito pouco tempo para o outro e aquilo era, em certo ponto, frustrante. Tudo o que foi colocado naquele último encontro foi bem lógico e não podia discordar da decisão sensata que Carbella estava tomando pelos dois. Sabia que ela estava pensando nele também, ela sempre fazia aquilo.

Quando voltou para St. Clavier naquele dia, estava um pouco mais distraído que o costume. Não ligou para os alunos correndo nos dormitórios da escola ou para os chamados e apelidos que raramente entendia. Também não se preocupou com as organizações de trabalhos e coisas referentes ao Conselho Estudantil. Apenas seguiu até o próprio quarto, para tomar um banho, trocar de roupa e tentar estudar alguma coisa. Afinal, era só mais um dia comum para sua rotina em St. Clavier, não era? Não havia muito em que pensar naquele caso.

Mas foi mais difícil se concentrar do que esperava e alguma coisa ainda lhe incomodava na situação inteira. Podia pensar e repensar um milhão de vezes todas as explicações lógicas que ele e a própria Carbella tinham estabelecido para o término dos dois, mas ainda sentia algo estranho, incômodo, lá no fundo que tornava difícil respirar. Desistiu de tentar entender o que estava se passando e só ficou deitado na cama, olhando para o teto do quarto que não dividia com ninguém, sem ao menos tentar ler algo para se distrair. E só depois de alguns longos minutos encarando o nada foi que lembrou, com detalhes, de uma situação que tinha acontecido alguns anos atrás, naquele mesmo dormitório e com os mesmos motivos.

Seu primeiro namorado em St. Clavier também tinha ido embora, e daquela vez, ele mesmo tinha dado os motivos óbvios pelos quais não poderiam ficar juntos, já que o mais velho tinha uma carreira a seguir e não fazia sentido ficarem apegados a mensagens ou ligações quando os dois tinham outros objetivos de vida. Provavelmente, tinha se sentido do mesmo jeito, ao se despedir do ex-namorado antes dele viajar para outra cidade, outro país, e os dois perderem parcialmente o contato.

Isaac fechou os olhos e respirou fundo, ainda sentindo um forte incômodo que não lhe deixava em paz. Não tinha mais nada que ser feito, então, era melhor só se resignar ao trabalho e aos estudos e, quem sabe, buscar outros tipos de distração que não fossem um relacionamento sério. Aquela foi uma das poucas noites que podia lembrar não ter dormido tão pesado como estava acostumado. E no dia seguinte, talvez... apenas talvez... tivesse pegado mais pesado com os alunos causando problemas nos corredores da escola e nos clubes. Mas certamente não tinha nada a ver com o seu término.

* * *
Adam

[“Maldita aposta” - Adam, Renaud]

Foi com uma aposta besta que Adam soube que talvez aquele fosse seu último dia na Terra. O ruivo sabia que perdendo a aposta viria alguma gracinha que Celeste e Noah jogariam na mesa pra Adam ser obrigado a cumprir.


Só não achava que iriam tão longe ao ponto de mandá-lo direto à morte. A “gracinha” que os meninos haviam escolhido, seria de ir ao Vice-Presidente do Conselho Estudantil, Renaud Blanco, o assustador “cão” da Mama, e pedir um beijo. Claro que ele é bonito, sempre bem vestido, bem alinhado, tinha um bom porte físico e tudo mais, mas o Vice-Presidente Blanco não é das pessoas mais amigáveis de St. Clavier, pra dizer no mínimo intimidador.


O ruivo estava queimando seus neurônios, pensando numa maneira de chegar no vice-presidente de uma maneira que o mesmo no mínimo não risse da sua cara, ou que lhe dê um esporro ou algo do tipo. Seus amigos haviam dito que nesse horário o Vice-Presidente estaria na cozinha dos quartanistas, no caminho, sentia que estava andando no corredor da morte. Mas Adam encontrou uma cena diferente do que esperava, viu o Vice-Presidente com roupas normais, calça social, camisa branca, um avental e uma tiara que mantia sua franja segura, era uma visão que nunca esperava ver, ele estava assobiando e até cantarolando. Pelo lado bom, aparentemente, esse era um bom dia para o vice-presidente? Esperava que sim.
Foi se aproximando da bancada onde ele estava, mantendo a calma.

- Vice-presidente Blanco, boa tarde. Não queria atrapalhar o senhor, mas já atrapalhando... houve uma situação que me trouxe aqui, é um tanto complicada, porque o meu ta na reta. Então, aconteceu que eu entrei numa aposta besta e perdi, e eu to aqui agora porque quem perdesse, teria de pedir um beijo ao senhor.

Renaud estava ocupado, aparentemente testando alguma nova receita, porque tinha um temporizador que logo apitou assim que o ruivo abriu a boca. Renaud ergueu uma das mãos, pedindo um minuto, e foi até o forno elétrico tirando uma leva de biscoitos que tinham um aroma maravilhoso, do tipo que te esquentam por dentro só de sentir o cheiro. Renaud sorriu entretido, e só depois se deu conta que o ruivo menor estava do lado dele:

- Então, o seu "está na reta", você ganha o quê se cumprir a aposta? Já que te pediram pra descer no inferno e pedir favores ao diabo. -- perguntou sem parecer muito interessado, mudando os biscoitos para um prato, haviam bisnagas coloridas que indicavam que ele ainda iria decorar os biscoitos.

Os biscoitos que o vice-presidente havia tirado do forno realmente cheiravam muito bem e estavam com uma cara maravilhosa, mas esse não era o foco. Ele tinha um ponto, o que o ruivo ganharia com isso? Se sobrevivesse, teria uma história boa pra contar, mas só se desse certo.
- Bom, eu acho que eles não tinham muitas esperanças de que eu voltasse vivo daqui, então eles não especificaram nada. Mas como eu perdi, tive que vir.


Sorte de Adam que parecia que o vice-presidente parecia estar mais amigável que o normal, isso poderia ser preocupante? Talvez, mas esse era o momento perfeito.

Renaud não pareceu muito interessado de toda forma no que o ruivo dizia, entretido em pegar as bisnagas e fazer padrões geométricos milimétricos nos biscoitos. Terminando um dos modelos de decoração o Blanco encarou satisfeito o resultado. E então repousou a bisnaga, limpou as mãos no avental, e então segurou o queixo do ruivo mais novo por baixo, fazendo-o olhar para cima, e com a outra mão afastou a franja longa expondo a testa do menor e depositou um beijo ali. Depois ainda de perto encarou o menor com um sorriso que podia até ser maldoso:

- Pronto vá lá e se vingue, peça qualquer coisa pra eles de volta, se eles não especificaram pode ser qualquer coisa que quiser. Aproveite o poder.

Deu dois tapinhas sobre os cabelos ruivos do garoto e depois se voltou para o balcão novamente puxando o celular para tirar foto do modelo de biscoito, mais entretido em seu próprio trabalho.


Chocado é o mínimo que o ruivo podia estar. Antes da situação, talvez estivesse pálido de medo, mas depois, de certeza está vermelho de vergonha e com os olhos arregalados. No momento que o vice-presidente, se aproximou, não sabia se era uma coisa boa, ou se seria seu fim. Mas o mais velho depositara um beijo em sua testa.


Talvez em um universo paralelo o ruivo considerasse que isso poderia acontecer, mas havia acontecido. Depois do conselho do mais velho, de procurar sua vingança,


- M-muito obrigado, vice-presidente Blanco. – Disse o mais novo tentando segurar no último fio de sanidade que lhe restava e indo em direção à sala de convivência encontrar com Celeste e Noah com a bela e assustadora pra lhes esfregar na cara.
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#3
Emil

[‘’Ange Blond’’- Emil]

Meses barulhentos com pouca probabilidade de calmaria, não precisava ser âncora do tempo para notar que essa era previsão atual da vida de adolescente, entre aulas chatas e estudos para as provas até reuniões em grupo tudo parecia um caos, e o peso das aulas extras na biblioteca e principalmente de química com o vice-presidente certamente viraram um grande tornado na sua rotina. Não só na sua vida de primeiranista mas também sua parte amante de filmes, todo o sentimento de estar perdendo nessa sexta a estreia de tantos filmes novos e interessantes, os itens colecionáveis estendendo as mãos imaginárias para ele, pensando quando que ele irá voltar para buscá-los, mexia com seu coração, porém, o fato de precisar aumentar as próprias notas chutava a coragem de assistí-los para o escanteio, não queria decepcionar a mama, seus amigos e sua família não conseguindo segurar a barra desse jeito. Então, nada mais justo do que tirar o fim de semana livre para si, um dia para descansar e talvez adiantar uma ou duas coisas que já estava pensando em fazer durante esse tempo, nada radical já que não era uma pessoa muito ativa, quem sabe ficar deitado escutando música enquanto ajudava o colega de quarto a escolher algum acessório, cuidar das queridas plantas, ou até mesmo... Ficar loiro.

A ideia não tinha surgido de um surto emocional recente de um adolescente rebelde, e sim, de observar as longas madeixas loiras e bonitas de Didier, sua principal inspiração de pessoa, ele parecia sempre tão confiante e feliz consigo mesmo, nunca ouviu sequer um comentário ruim sair da própria boca, se um dia conseguisse se parecer com ele, de certeza seria muito feliz. Todo o motivo por trás da tardia em descolorir os cabelos é em razão do medo, do medo de virar chacota dos outros estudantes e piorar a sua aparência, não fazia ideia sequer se o seu rosto combinaria com um cabelo loiro, talvez estivesse ficando biruta de vez, mas sabia que se realmente decidisse o fazer, teria que pedir a ajuda do colega de quarto, ou certamente terminaria careca.

Aproveitou a primeira oportunidade que teve de ver o amigo, e depois de muitos chiados da parte do ruivo por conta da autodepreciação, conselhos usados pela mama e nervosismo a conversa chegou em um fim, onde a resposta seria óbvia; Seu cabelo não seria mais castanho a partir dessa tarde de sábado.

Com a chegada do fim de semana, a lista de compras que recebeu era simples, apenas precisaria comprar uma hidratação, um descolorante e uma água oxigenada. Seguiria com seu afazeres de sempre até dar a hora de sair e pegar um transporte. Será que essa é uma boa ideia? Se esconderia em um buraco se alguém o zoasse, talvez os seus amigos do clube de jardinagem não gostem, e se por algum motivo seu cabelo terminasse verde e eles o chamassem de chia pet? Não ia conseguir se recuperar de uma vergonha dessa, mas agora era tarde demais, Adam já tinha concordado em se livrar mais cedo das atividades que tinha para ajudá-lo, e também pediria para sair um pouco mais cedo do clube para comprar o necessário. Era agora ou nunca.

Livre de compromissos, a ida para a loja foi rápida e tranquila, a loja era específica para produtos de cabelo e parecia ser moderadamente movimentada, tantos produtos o deixaram confuso, por sorte uma atendente veio ajudar e o guiou até os itens necessários, onde os comprou e voltou para o dormitório. Ao abrir a porta para o quarto, se sentiu num filme de suspense, Adam estava sentado na própria cama aparentemente com tudo pronto, mais um lembrete de nunca brigar com ele ou terminaria com um penteado peculiar, entregou a água oxigenada e o descolorante para o ruivo e se sentou na cadeira segurando a hidratação, esperando seu destino. Adam parecia confiante no que fazia, misturava os componentes enquanto assegurava que iria ficar muito adorável com a mudança, no começo não entendeu muito bem apenas uma mecha de cabelo foi usada, mas confiando no amigo, apenas se deixou levar enquanto pegou o celular para jogar alguma coisa, alguma recomendação de Yure provavelmente. As primeiras pinceladas do produto nos fios deixaram o nervosismo borbulhando em seu estômago, mesmo se quisesse desistir, sentia que era tarde demais, as palavras reconfortantes de Adam eram o motivo de não ter levantado e corrido para o banheiro ainda, confiava no amigo e sabia que se fosse para fazer um serviço como esse, da parte dele ficaria perfeito.

Ouvir que estava quase pronto foi como levar um soco no estômago, ainda teria que lavar o cabelo do produto, hidratar e secar, foram os 15 minutos mais longos da sua vida, se levantou e foi para o banheiro esperar o ruivo lavar o seu cabelo, mesmo nervoso ainda se recusou a ver até estar tudo terminado. A sensação da água na nuca trouxe arrepios e levou com ela uma parcela do medo, estava feito, com o cabelo lavado e depois hidratado, abriu os olhos depois de sentir que os movimentos das mãos de Adam com a toalha pararam em sua cabeça, se olhando no espelho, o resultado foi tão... Diferente, não conseguia acreditar que aquela era a cor do seu cabelo agora, estava todo bagunçado pelo atrito com a toalha mas parecia uma nuvem loira, pela primeira vez não conseguiu parar de encarar o próprio reflexo, que foi respondido pela risada do ruivo com uma expressão orgulhosa de si mesmo.

Não tinha palavras para descrever a mudança, não tinha mais nada em sua mente. Os outros estudantes, os comentários da família, o desgosto próprio, nada disso pareceu importar naquele momento e sim, o sentimento de aproximação com mama e gratidão pelo ruivo, talvez essa mudança tivesse plantado uma pequena semente dentro do seu coração, ainda não sabe no que ela iria germinar, mas estava disposto a descobrir.

Irina
[Vista a Limoges Collet]

Alguns dias se passaram desde a chegada de Irina na cidade. Antes do início das aulas em Limoges Collet, Irina aproveitou bem seu “tempo livre”, visitando vários lugares da cidade, e fazendo novas amizades. Devido a promessa feita para seus parentes em manter boas notas, o foco nos estudos deixaria ser uma opção, para se tornar sua obrigação. Mas é claro que os Esportes não seriam deixados de lado devido a sua obrigação de estudar.

Irina se prepara para visitar Limoges Collet, primeiramente vendo no mapa, a distância entre seu apartamento e o colégio no mapa em seu Smartphone, para calcular o tempo de ida até o colégio, sendo a pé ou até mesmo de Táxi, e procurando outras possíveis rotas que a levasse mais rápido ao local. Mesmo a contra gosta, Irina resolve usa uma roupa mais formal para causar uma boa primeira impressão.

Optando a ir de Táxi até ao colégio, para evitar um atraso, Irina chega rapidamente a Limoges Collet, onde está bem movimentado, visto que o ano letivo havia começado a bastante tempo. Ao chegar, Irina é recepcionada por uma das Representantes de Turma, onde a direciona a Coordenação, para receber algumas informações por parte da Diretoria de Limoges Collet.

Depois de receber um palestra sobre o código de conduta, entre outras informações sobre o Colégio, Irina então é liberada para conhecer melhor as instalações de Limoges Collet, sendo guiada pela mesma Representante de Turma que a recepcionou no início do dia. Toda a instalação é apresentada, a começar pelas sala de aula, e por último, a área de esportes. Antes de entrar na área de esportes, Irina é apresentada a Área dos Troféus, um móvel gigantes onde estão os Troféus mais importantes de Limoges Collet. Irina vislumbra os troféus por alguns segundos, mas logo segue direção a área de esportes.

Chegando a quadra, os olhos de Irina brilham de empolgação com a quantidade pessoas jogando, e o tamanho de uma das quadras, mas a compostura é mantida. Terminando a apresentação de toda a instalação de Limoges Collet, a Representante entrega a Irina a lista dos atuais clubes ativos, e a avisa para escolher sabiamente, para os esportes não impactarem nas outras atividades. Irina agradece apertando a mão da Representante, e a balança freneticamente, não conseguindo de vez, esconder a sua empolgação.

Ethan

[Tempo de recomeço]

Não esperava que aquilo acontecesse. Sabia que era sua culpa, mas ainda esperava que fossem se resolver. Mas não, o limite havia chegado - e com razão. Uma semana, duas... e a realidade ainda pesava. Não ter o esgrimista ao lado, não sentir o cheiro dele na cama fazia o mais baixo passar noites em claro. Voltou com as olheiras, o cabelo bagunçado; voltou a ser a sombra que se esgueirava pela academia despercebida. Ainda tinha amigos que não fossem os virtuais, mas evitava todos. Sua rotina era a mesma: do trabalho para o dormitório, do dormitório pro videogame, do videogame para os livros de física. E quando havia tempo, por que não observar o ex namorado de longe? Patético.

Após uma tarde desviando das investidas de Yure, encontrou um bom lugar solitário para jogar com seu PSP em paz. Por quase um mês, conseguiu fugir de tudo e de todos. Sentia-se um covarde - e de fato o era - pois sequer conseguiu ir atrás de quem dizia amar nesse meio tempo. Só desejava se formar e se livrar daquela tortura, morar longe e deixar tudo para trás! Resignado em meio a revolta, sentiu o celular vibrar no bolso. Hesitou mas o atendeu, notando que era uma videochamada de sua mãe, grávida de alguns meses. Atendê-la o fez ver o próprio reflexo.

- A-alô, mãe...?
- Jeez, Ethan! Você está péssimo!
- S-sim... estou. Heh...

Encarando o próprio reflexo, contou sobre o acontecido para a mãe. Incomodava-se com o que via e o que ouvia de si mesmo. Naquela tarde nos corredores de Saint Clavier, pela primeira vez, havia narrado tudo para alguém. Sentia-se um fracassado, um idiota. E dessa vez não tinha como voltar atrás. Os olhos marejados fizeram-se presente. Após alguns minutos, a ligação havia chegado ao fim.

- Eu vou ficar com você sim, mãe... eu iria de qualquer jeito, lembra? Sim, eu sei.. obrigado. De verdade. Eu... precisava disso. Tchau. - desligando o celular, continuando a encarar o mesmo. Engoliu em seco. Precisava fazer alguma coisa com a própria vida que não fosse se lamentar. Buscou na lista de amigos, e finalmente tomou coragem para discar aquele número. Como era de se esperar, não demorou para que o outro atendesse: - Alô, Yure..? É, estou vivo. Heh. Quer jogar videogame hoje lá no meu quarto? Chama o Oliver e o Lui! - apesar da voz marejada, sabia que aquele seria um bom começo.

Raylan

[Uma verdade sob mil mentiras]

Era comum para Raylan, com seus contatos nos EUA comprar maconha sem grandes problemas. Tinha uma visão diferente da propagada pelos conservadores, que isso financiava o tráfico internacional, compra de armas de destruição em massa e coisas do gênero. Sabia com quem comprar, tinha uma ideia de onde vinha e, caso metade das conversas que escutava fosse verdade, a própria força policial fornecia as drogas em alguns casos. Esse tipo de assunto escandalizaria os moralistas, uma ótima forma de evitar perguntas sobre formação e namoradinhas, muito comuns em jantares de natal.

Sua nova morada havia se tornado um reality show de sobrevivência, não tinha mais seus contatos, nem seu dinheiro em abundância, nada era como antes. A necessidade realmente transformava o ser humano, se sentia o náufrago, sem o Wilson para dividir seus problemas mais íntimos. Como um sobrevivente, precisava se adaptar, isso o levou a ideia de cultivar seu próprio estoque de maconha, mas onde? Já tinha ouvido que o lugar mais óbvio, geralmente era o que seria procurado por último, afinal nenhum idiota colocaria algo onde qualquer um poderia ver, ora, se tinha uma coisa que o negão sabia ser com maestria, era ser idiota.

Um pouco de conhecimento de como cobrir seus rastros tecnológicos, obtido de seu amigo Nam-li, um pouco de pesquisa e testes, estava pronta sua horta. Dentro da academia, pesquisa nos computadores da escola, ferramentas e material das oficinas de arte, tinha se enturmado com uma quantidade grande de novas pessoas. Contatos iniciados devido aos conhecidos no grupo de poesias e literatura, no final, o vice governador presidente de St. Clavier tinha o auxiliado numa quantidade enorme de coisas no que viria por vir, mas jamais admitiria isso, nem sob tortura. Tinha após todo esse esforço e dedicação, feito um sistema de irrigação complexo e ramificado em meio aos laboratórios de botânica e estufa. Necessitava de contato mínimo após implantado, maximizando o crescimento, minimizando o esforço do cultivador... cultivador não, pai. Suas filhas estavam crescendo lindas e fortes, Bridget, sua primogênita estava crescida e formosa, Nicole era a mais nova, ainda estava ganhando suas curvas, mas notavelmente seria uma mulher forte e daria muito orgulho a seu pai. As outras irmãs, Sky, Jenny, Lucy, Nancy, Lindsay, todas filhas do meio, todas lindas, etiquetadas e radiantes. Nada poderia deixar um pai mais feliz. Sua mãe, tirando um detalhe moral ou outro, estaria orgulhosa de seu esforço.

Mas como sempre, a vida tem suas decepções, ao andar pela academia, o cheiro tomava conta do ar. Ao imaginar que tinham outros muitos com seus gostos, uma pequena felicidade preencheu seu coração. Mas tal sensação logo deu espaço ao desespero, uma dor no peito causada por um pressentimento ruim. Ao correr em direção as suas filhas, viu à distância o desespero se tornar realidade, foram levadas e brutalmente assassinadas! Covardes sem coração, monstros, essas criaturas não mereceriam perdão jamais.

Sabendo que nada mais poderia ser feito, por costume se dirigiu aos computadores da biblioteca, onde costumava fazer suas pesquisas. Pensando em suas filhas, uma tristeza tomou conta de seu coração, enquanto abria a aba anônima do navegador, tudo em modo automático. Dessa vez não teve o cuidado de prestar atenção nos arredores, antes que começasse a digitar qualquer coisa, o famoso aluno mais velho reclamão que cuida da biblioteca, apareceu do nada.

- Posso saber o que o Sr. pretende olhar na aba anônima, sr. Thompson? – Disparou ele, com disposição apenas pra reclamar, como de costume.

O susto de ter sido pego não deixou espaço para uma elaboração de desculpa, teve que dizer a primeira coisa que veio na cabeça.

- Pornô, meu tio, foi mal aí. – Se levantou e vazou rápido, aproveitando da perplexidade causada pela resposta direta.

* * *
Renaud

[“Efeitos e Danos colaterais” – Renaud, Deodatos]

Depois do acidente na cozinha do professor de gastronomia Renaud se sentiu jogado de um lado a outro sem ter muita escolha do que poderia fazer ou escolher para si. Machucado, sem entender como as coisas tinham se desenvolvido daquela forma, tinha passado tantas horas no Hospital que tinha perdido um pouco da noção de tempo, mas tinha chegado num ponto onde não conseguia mais evitar a própria família, e estava falando da família biológica. Por mais que Sasha fosse sua família por escolha, e estivesse por perto e bem ciente do que acontecia, não podia negar que Renaud ainda era um Blanco, e que estava ligado a ela não somente por questões financeiras e devia algumas muitas explicações. Depois da espera interminável para poder sair do Hospital no dia seguinte, Renaud só queria voltar para os dormitórios e se esconder no próprio quarto e dormir, se esconder do mundo e ter algum tempo para si, mas depois de recusar ir para a casa dos Blancos ou ir pra qualquer outro lugar que não fosse os dormitórios.

Já no seu quarto, e depois de tirar a roupa suja do hospital e tomar banho com dificuldade, o Blanco estava sozinho no próprio quarto, então o telefone tocou, reconheceu o número no visor, e não sabia o que era pior, receber ligações dela ou dele aquela altura. Mas sabia que não podia simplesmente ignorar, usou o dedo midinho que não tinha pomada e nem estava machucado, e atendeu a ligação no viva-voz:

-- Renaud, eu quero uma explicação lógica para você ter deliberadamente voltado para os dormitórios sozinho, estando do jeito que está. – Deodatos não parecia muito feliz pelo que podia ouvir do outro lado da linha, e o silêncio prolongado do moreno mais novo não contribuiu: -- Renaud! Você está aí ainda?

-- Estou.

-- Ouviu o que eu perguntei?

-- Sim… escutei sim…!

-- Então porque você simplesmente não foi pra casa do seus avós?

-- Eles não têm essa obrigação, Deodatos… isso é um problema meu…!

-- Como assim “problema seu”? – O som da voz saiu chiado como se o mais velho estivesse em lugar aberto e caminhando: -- Olhe, escute bem Renaud, geralmente eu lhe considero sensato o suficiente pra tomar suas decisões sozinho, mas dessa vez, eu não vejo sentido algum no que você está fazendo consigo mesmo. Você está machucado, e você é um Blanco, isso não é problema só “seu”, é uma questão da família.

-- É mesmo...? – O moreno mais passou as costas da mão no rosto, ainda sentido a região da palma da mão formigar e incomodar. E toda aquela conversa sobre ser “Blanco” e ser “família” só lhe deixava mais injuriado e estava começando a lhe aborrecer.

-- Não me tome por idiota Renaud. Eu já fui estudante desse mesmo internato no passado, eu sei como é o volume de trabalho, exatamente no mesmo Conselho. Primeiro, você passa dias sem atender o telefone, sem dar qualquer notícia, e falta os compromissos agendados da semana, coisa que não faz costumeiramente. Dias depois, me vem com respostas curtas e evasivas, nem preciso ser um gênio pra saber que deve ter faltado às aulas também. Você está um pouco velho pra ter acessos de rebeldia adolescente de novo, não acha? -- Deodatos parecia irritado, mas não estava esbravejando como sua mãe faria, em verdade, era a primeira vez que recebia qualquer tipo de comentário que se assemelhava a uma bronca, e não apenas uma cobrança por serviço. Mas o jeito como ele falava, como se fosse um ser onipresente em sua vida, ou mesmo como se tudo que fizesse na academia fosse exatamente igual ao que ele fazia, estava contribuindo para que ficasse mais irritado que só enjoado daquela conversa:

-- E você quer que eu diga o quê, Deodatos!?

-- Renaud. É você que tem que me dizer, eu não tenho como adivinhar sozinho…! -- o fato de Deodatos falar aquilo de forma tão lenta sem parecer muito irritado, deixou Renaud confuso e irritado. Porque diabos ele estava lhe fazendo perguntas agora? Justo agora? Será que alguém no hospital falou sobre os ansiolíticos? Se ele sabe porque não pergunta de uma vez? Estaria fazendo joguinhos de Blanco consigo? Com seu próprio filho?

-- Eu não sei Pai! Eu não sei o que você quer ouvir de mim! E sendo bem sincero não sei porque você está me ligando pra fazer esse monte de perguntas!! O que aconteceu ontem foi uma porcaria de acidente! Entende!? A-ci-den-te! Ou você acha mesmo que eu ia queimar minhas mãos de propósito pra passar mais dias sem conseguir fazer o que tem pra fazer? Enfim... Se for só pra cumprir a cota, pra ser um “Bom Blanco Pai”, não precisava me ligar…!

Houve silêncio do outro lado da linha, apenas o chiado do vento, nada de passos, como se o mais velho tivesse parado no meio do caminho. Renaud sentiu o estômago revirar e o amargor lhe subir pela garganta até o estômago, o coração acelerado. Não iria estranhar se ele só desligasse o celular, ou use ele esbravejasse de volta, mas aquele silêncio enquanto esperava na linha era uma tremenda porcaria.

-- Você mesmo respondeu sua pergunta, eu sou seu Pai! – houve uma curta pausa apenas no que dava pra ouvir um suspiro profundo do outro lado da linha: -- Se quer mesmo resolver tudo sozinho, isso é uma escolha sua, mas isso não anula o meu lado de querer saber o que está acontecendo mesmo assim.

-- ...! – Renaud não respondeu porque não sabia o que queria responder, estava irritado e cansado, e não sabia como lidar com essa preocupação repentina.

-- Tente se cuidar, e pense numa resposta menos malcriada para dar a sua mãe quando ela lhe ligar para fazer as mesmas perguntas que eu fiz. – Dito isto Deodatos finalmente encerrou a ligação do seu lado.

Sabia que não era uma coisa, que era uma pessoa, mas estava acostumado demais a ver as ações dos outros para si, como se fosse apenas um objeto. Mas ainda estava em processo em perceber outras forma de tratamento das pessoas para si, certamente que a forma como seu pai tinha agido era muito diferente do que estava acostumado. E não tinha qualquer noção de como interpretar aquilo, ou mesmo de como reagir aquilo.

Tinha de dormir, descansar, falar com Dr. Vlahos sobre os medicamentos, provavelmente mudar o que estava tomando e pensar em algo menos “malcriado” para explicar a sua mãe. Em verdade não sabia se queria dizer tudo o que estava acontecendo ou se não queria dizer nada. Ela poderia simplesmente não ligar e dizer que ele mesmo se virasse com os problemas que tinha arrumado, mas se ela tentasse cuidar e se preocupar consigo? Não tinha ideia do que fazer ou como reagir. Estava tudo confuso, e sentia dor de cabeça e sono, muito sono, dormiria e pensaria na bagunça de sua vida quando acordasse.

* * *
Katrina

[“Devaneios” - Katrina e Yure (uma pequena reflexão)]

Descobri que não sou quem eu de fato gostaria. Tenho me frustrado por pouco, muito pouco. Mas sinto que a arte não me apetece tanto quanto antigamente. As mesmas dúvidas, a mesma rotina. Minha vida tem sido uma mesmice atrás da outra. Sinto falta de me cansar, de fazer coisas novas. Já vejo alguns fios brancos, então... seria essa sensação fruto da velhice chegando?

Sigh. Cheguei cedo demais na escola. Botei meu melhor sorriso, e conversei com minhas colegas. Sempre é bom fazer a Magali corar, ou perguntar sobre o homem da vida da Desireé. Ainda assim, "small talk" faz parte do meu cotidiano. Sou a professora legal que ajuda as alunas e as observa. Dou dicas sobre tudo. Que conversa sem desfazer o sorriso despreocupado. Essa máscara é cansativa demais!

Cheguei em casa. Preparei o jantar, tomei um banho relaxante. Decidi lidar com minha vida tedio--

- MANHÊ! Não esqueça que seu filho 'tá em casa!

Nossa! Ele tem razão... minha vida não tem nada de tediosa. Graças a um certo ruivo que traz agitação aos meus dias.

- Você tirou o gesso da perna? É isso?
- Hehe! só um pouquin--
- Vou pegar a chave do carro. Vamos engessar essa perna agora, menino! Tá pensando que eu aguento outra daquelas?

Eu sempre aguento. Eu sei, porque não é a primeira vez e nem vai ser a última que eu repito isso. A repetição com esse moleque é constante, mas... dele, eu não me canso.

Maldita TPM.

* * *
Raylan

[“O não já tem, só vai buscar.” - Raylan, Leona]

Bons frutos vêm para bons profissionais, eles disseram. Boas coisas vêm para os que trabalham duro, eles falaram. Então, Raylan se perguntava como raios ele que fugia sempre da polícia tinha agora, entre suas orientadas da academia justamente uma policial. A parte boa era que isso tinha, estranhamente, dado a ele uma boa moral dentro da academia. Aparentemente ninguém jamais recebeu nem um regular na avaliação, ao contrário do negão, que passou com louvor na prova de fogo.

Isso logo lhe rendeu muitas piadas, repreendidas veemente por ele. Não que fossem sem graça, mas caso Leona sequer sonhasse com alguma gracinha envolvendo o rapaz, bom, sua família teria todo um problema de transporte no caixão, ou não né, podia caber num potinho após cremado.

Foi feito um bolão, apostando o quão rápido o jovem estaria desfalecido caso convidasse sua algoz para sair. Raylan negou, era um homem que conhecia seus limites, sabia bem que era esse tipo de imbecilidade que fazia com que ela não gostasse de nenhum dos instrutores. Só mudou de ideia quando disseram que ele ficaria com o dinheiro, no caso de não apanhar, ser preso, ou simplesmente levar um não. Bom, nesse caso as possibilidades eram boas, uma aposta com possibilidades infinitas e poucas regras de como ser feita. Parecia dinheiro fácil, ou uma morte rápida.

Num jogo de basquete de rua, enquanto dava uma surra nos companheiros de academia, coincidentemente numa das rondas de domingo, Leona passou. Dirigiu-se até ela, após dar uma enterrada, chamou ela para jogar, sussurrando que era uma boa oportunidade de dar uma surra nos instrutores meia boca, que fizeram raiva para ela. Claro que ela negou. Em seguida, chamou ela para ver Lakers vs Knicks, seria no mesmo dia de noite, tinha um bar para ver os jogos, mas ele prometeu tomar só suco.

- Vai ser como ver o jogo e True Detective ao mesmo tempo, já que você vai tar lá, olha só. – Disparou o rapaz, sabendo que ia levar um não, além de provavelmente ela não fazer ideia do que ele estava falando.

A loira estava prestes a recusar, mas ao perceber que Carissa estaria acampada na frente da tv justamente por conta desse bendito seriado que, diga-se de passagem, não fazia o menor sentido em termos de investigação de verdade, respondeu, bem a contragosto, quase com postura de derrota. – Pode ser.

- Sabia, pera, pode?!

* * *
Renaud

[“Ombro Amigo” - Renaud, Isaac]

Parecia que depois do incidente na cozinha do professor Funske, tinha acendido a luz amarela de atenção da família Blanco sobre sua pessoa, tinha recebido aquela ligação do próprio pai, e tinha recebido mensagens das tias e tios. Era mais atenção do que tinha tido por todos os outros anos na academia e justamente em um momento que menos queria ter esse tipo de atenção sobre si. Realmente não queria? Pensou consigo mesmo porque sua mãe ainda não tinha lhe ligado, e aquilo gerava uma sensação dúbia, ao mesmo tempo que estava feliz por não ter que dar explicações a ela, em contrapartida, se sentia ansioso pra saber se ela teria uma reação adversa, que aparentasse preocupação.

Naquele dia conversou um pouco com Sasha antes das aulas e depois das mesmas, não podia assistir estava liberado porque as queimaduras ainda eram sérias o suficientes para lhe deixar sem possibilidade de escrever. Almoçou cedo, e trocou mensagens mais devagar do que o costumeiro por só ter os dedos mindinhos úteis para digitar, enviou uma mensagem para o secretário e amigo, perguntando se podia tomar um pouco do tempo dele. E tão logo teve aprovação, escapuliu do próprio quarto para o do moreno mais velho. Estava usando calças folgadas de elástico, e regata, porque não podia cobrir as mãos, já estava usando algumas bandagens mas apenas para não deixar a área completamente exposta.

Isaac ainda tomou tempo checando os curativos, antes de lhe liberar espaço no próprio quarto, estava começando a achar o ambiente sóbrio do quarto do amigo extremamente aconchegante, talvez porque já tivesse edificado com certeza em sua mente, que o tinha como um amigo em quem confiar:

-- Ainda tenho um livro para fichar. E essa semana eu volto para o trabalho na delegacia. Então tenho de sair as 17:30h para estar lá às 18h em ponto. -- o mais velho lhe avisou com o tom sério e sóbrio de sempre:

-- Eu não vou atrapalhar, você sabe Zac… -- confirmou aproveitando que isaac estava deitado na própria cama, e se deitou do lado, buscando apoio para cabeça no corpo de Isaac: -- Quando você for sair, eu volto pro meu quarto…-- talvez o secretário não soubesse, mas ele tinha um bom toque para afagos, talvez algum dia dissesse isso a ele, ou talvez ele já soubesse, acabou divagando enquanto sentia o toque sobre os fios escuros.

Enquanto divagava perdeu completamente a noção de tempo, ultimamente estava mais dificil se atentar a nuances de passagem de tempo, mas certamente naquela tarde tinha se deixado perder completamente. Tanto que, o que pareceu ser poucos instantes o moreno estava lhe alertando que precisava sair:

-- hmm…!?

-- você dormiu?

-- talvez…! -- era algo novo, não costumava dormir perto de outras pessoas, mas se tinha feito, isso era algo bom? Deu espaço para que o mais velho se levantasse, enquanto bocejava preguiçoso, usando as costas da mão para cobrir a boca. Não prestou tanta atenção no que o moreno mais velho lhe avisou, mas acenou positivamente concordando com tudo.

Aquilo era uma novidade para dividir com o Dr. Vlahos certamente, era algum avanço não era? Queria acreditar que sim.

* * *
Annica

[“Noites Mal dormidas” - Pietro e Annica]

Depois do susto com Pietro e uma noite mal dormida no hospital, ainda não tinha entendido porque tinham atacado seu namorado, e parecia que quanto mais conversava com ele, mais incomodado ele ficava com a situação. Naturalmente, ele devia estar tão confuso quanto a si mesma, mas era algo que lhe revoltava por dentro, porque pessoas estranhas causavam esse tipo de mal aos outros? Será que não percebiam o mal que faziam a vida das outras pessoas, não importava o quanto pensasse apenas conseguia ficar com dor de cabeça, talvez fosse efeito da noite mal dormida no hospital somada a preocupação.

A verdade é que tinha dito a Pietro que lhe acompanharia em casa por alguns dias, já que o mesmo tinha dificuldades para se movimentar com o colar cervical, além da dificuldade notória de falar e engolir. Tinha seus benefícios em ser uma quartanista organizada, e podia tirar uns dias de folga, já que era uma situação de saúde. Mas a verdade é que aquele ambiente de “casa”, lhe deixava um pouco “triste”, porque tinha aquela sensação de que muita gente já morou ali, e agora era só o Pietro em uma casa grande.

Não era necessariamente difícil tomar conta de Pietro, até porque ele era bem acostumado a cuidar de si mesmo e de outras pessoas, em verdade era difícil deixá-lo quieto sem tentar fazer algo em casa. E para sua surpresa, embora toda essa situação de ataque, lhe remetesse a memórias bem ruins de seu passado, não conseguia ter medo de Pietro, por estar apenas com ele dentro daquela casa, em verdade sentia, que ele era mais vulnerável que ela.

Principalmente durante a noite, quando ele estava inquieto, falando sozinho, e acordando assustado e choroso, não tinha ideia de quão fundo eram os machucados nele, mas toda noite mal dormida por cuidar do moreno mais velho, sabia que queria cuidar dele mais, que ele precisava de si. E isso lhe deixava num misto de sentimentos, queria poder arrancar aqueles medos dele, mas tudo que podia oferecer era o alento de seu abraço. Queria poder fazer mais, mas era apenas uma, porém, a albina bem sabia o que era ter suas noites tomadas por terrores de memórias ruins, no entanto, também sabia que isso mais cedo ou mais tarde passava.

E estaria ali por Pietro para passar as noites ruins e esperar as noites boas.

* * *
Max

[“What's up danger? - diary edition” - Max]

"Nem sempre seguimos os nossos sonhos. Nem sempre seguimos eles com nossas próprias pernas - talvez com nossos braços! Parece loucura o que estou dizendo, eu sei, até entrar no ditado "trocar os pés pelas mãos". Pensamos que nada de ruim vai nos acontecer, que sacrifícios serão fáceis de encarar... por isso nem sempre conseguimos entender o que a vida nos reserva.

Em Cerise as coisas tem sidos complicadas. Nessa cidadezinha pacata, o crime parece ter aumentado. Continuo me preocupando com os meus, em especial com a mulher que me deu uma segunda chance e a garota que roubou minha atenção. Ela não sabe ainda disso, sou uma merda com romance. Mas recentemente mostrei meu afeto de uma forma bastante peculiar. Quase parei atrás das grades novamente, mas... serviu para que nos conhecêssemos um pouco mais. Yey!

O que estou querendo dizer é simples: decidi ficar mais forte. Treinar mais. Nunca se sabe quando vou precisar esmurrar um gordinho novamente, certo? Heh. Brincadeiras a parte... muita merda tem acontecido. E preciso ficar forte para não permitir que nada de mal aconteça com a dona Fleur, Arman, Carbella, Clementine…”

- Não acha que está velha demais para escrever em um diário nos fundos da padaria, Max? - perguntou em um tom surpreendentemente divertido, embora mantivesse a rigidez no semblante.

- Ah, foi mal! Vou voltar aos meus afazeres, Fleur.

E a ruiva fechou o caderno, deixando-o ao lado das luvas de boxe. Treinaria depois do expediente e quem sabe, passaria na casa da outra ruiva, a cereja, para ver como ela e sua irmãzinha estariam. Seria bom aproveitar um pouco da paz que ainda viviam.

* * *
Annabelle

[“Memories”]

Ele foi o rei do meu mundo, e senti meu mundo ruir quando ele partiu. Me vi sozinha, mesmo estando cercada de pessoas que eu sei que me amam verdadeiramente. Mas sorria, era gentil. Precisava fazer jus ao sobrenome que me foi dado e a memória do homem honesto que todos lembravam. Acredito que fiz meu melhor. Mas o buraco permanecia.

Um negócio a mais para aumentar meu patrimônio e uma responsabilidade que eu jamais imaginei que teria. Fui incubida de cuidar de uma criança... aceitei. Passei então a amá-la como se fosse minha. Uma criança difícil, mas que com o tempo, se permitiu ter outra família. Com a ajuda inusitada de um mágico, de um professor e de vários outros adultos, a criança fechada que sentia-se abandonada foi se abrindo mais e mais. E meu mundo, ficando mais colorido.

Até aquele fatídico dia...

(continua. Preciso ler e conversar sobre a morte da Adelaide)

* * *
Jack
ie

[“Uma vida pós-Cerise” - Jackie]

Solidão. Talvez a palavra mais marcante na vida de Jackelinn fosse essa, após sair de Cerise. Desde sempre enquanto vivia com a família, ao menos até onde conseguia se lembrar, se sentia solitária e tinha consigo apenas a própria companhia. Sempre se perguntou sobre como era ter muitos amigos, sair, ir para festas e ser uma garota normal como qualquer outra. Hah, normal. O que era a normalidade? Num mundo recheado de tantas diferenças... Ainda assim, quem tentava sair, mesmo que um pouco, da tão desejada normalidade acabava excluído no mundo. Jackelinn, infelizmente, era uma dessas pessoas, mas não por escolha e sim por circunstância. Sentiu uma vez o gostinho de fazer o que amava, de ter novos amigos. Ter uma mulher adulta como exemplo do que almejava ser. Tudo isso lhe foi tomado.

Agora aos 17 anos tornou-se uma garota com poucos ou nenhum amigo, para ela não havia expectativas naquele sentido também, mas durante aqueles anos solitários de vida antes da Limoges-Collet aprendeu a se virar como podia. Talvez seus melhores amigos, naquele momento, fossem os livros. Era neles que encontrava paz quando explorava mundos diferentes, vidas que não eram suas e mal percebia as horas passando. Devorava cada página, cada vida, história como quem se agarrava à única linha que lhe prendia ainda a estar viva e nem mesmo as dificuldades que tinha em interpretação foram capazes de se opor ao desejo que tinha de ler e se sentir parte daquelas narrativas. Na verdade, talvez fizesse parte delas. Sim, cada herói ou heroína daquelas histórias se sentia solitário assim como ela, cada um deles via o mundo girar e o tempo passar diante de seus olhos sem que pudessem fazer nada de início. A vida de Jackie agora era assim, mas diferente daquelas narrativas, seu momento de heroísmo ainda não havia começado, então o que podia fazer? Às vezes se perguntava se era possível sentir um pouco daquele gostinho de vivenciar uma experiência épica, chocante ou até mesmo lendária. Bom, claro que aquele era um ponto de vista seu a respeito daquelas histórias, não havia nada de épico nelas de fato ou fantasioso, mas era nelas que se inspirava, de onde tirava um pouco de esperança para seguir em frente e criar, quem sabe um dia, um final feliz para ela mesma.

- Senhorita Brodskaya, seu professor de violino chegou.
- Já estou indo... - respondia à criada, com uma voz morta que suas antigas amigas desconheciam.

Lembrou-se enfim das amigas. Uma luz de esperança se acendeu em seu peito, e um discreto sorriso se mostrou. Encarou o violão que estava guardado na case, e encarou o computador. Naquela noite, não teria nenhum compromisso chato. Talvez fosse o momento certo para voltar a sorrir e a planejar o próprio futuro. Uma vídeo-chamada não faria mal a ninguém, certo?

* * *
Isaac

[“Lavando os pratos” - Isaac, Renaud]

Nos últimos dias, desde a sua saída com Renaud e Sasha, tinha e tornado um pouco mais usual conviver com Renaud dada a condição atual do vice presidente do Conselho estudantil, mais ainda diante do fato de que tinha mesmo terminado o relacionamento com Ethan. Não se sentia tão mal quanto antes, mas era bom ter uma companhia a mais e, principalmente, se sentir útil para alguém… mesmo que aquele alguém fosse Renaud, que usualmente não precisava de suporte.

Por isso não tinha problema em fazer companhia para o moreno no tempo livre, fora da sala do conselho e fora da sala de aula. Naquela noite de sábado, tinha o acompanhado na cozinha dos dormitórios para fazer algo diferente para o jantar. Nada complicado, só algo que os tirasse do quarto e da mesmice de sempre.

Renaud ficou responsável pelo preparo da comida e o auxiliou no que era possível. Antes mesmo de se servirem, enquanto o prato ficava pronto, o Blanco começou a arrumar a bagunça da pia e à medida que lavava os pratos, Isaac começou a enxugar e devolvê-los ao armário. Mas parou o que estava fazendo ao notar o modo como Renaud colocava os pratos no escorredor e o modo como colocava os talheres para secar. Antes que pudesse guardar os pratos, começou a ajustar os pratos alinhados no espaço certo e principalmente inverter a posição dos talheres, deixando os garfos e facas com pontas para baixo e colheres para cima. Aquilo não pareceu ajudar e Renaud continuou colocando tudo de qualquer jeito.

- Chega, eu cuido disso. - ele disse, empurrando o Blanco para o lado para tomar o lugar dele terminando de lavar os pratos. - Você termina a comida.

* * *
Karen

[“Promessas de família” - Karen, Pietro]

Com a dor do ferimento mais recente amenizada, as inquietações na cabeça de Karen continuavam lhe perturbando. Tinha dormido na noite anterior meramente por exaustão, afinal, já não era tão novo para aguentar um ferimento em que a bala tinha continuado alojada em seu ombro por mais de horas. A dor e a perda de sangue lhe deixaram indisposto, mas acordou no apartamento do agente funerário antes do dono, saindo de lá como se nunca tivesse estado no local, exceto pela porta de entrada destrancada.

O ferimento tinha sido tratado parcialmente, com alguns analgésicos pelos próximos dias, logo aquilo se tornaria apenas uma cicatriz a mais. Mais incômodo do que a dor do ferimento que poderia facilmente inflamar por seu descuido, ainda estava inquieto por saber que seu irmão estava vivo, que estava em Cerise e que quase o tinha matado. Era um assunto não resolvido e não gostava de deixar seus problemas pela metade. Mais do que aquilo, sentia-se na responsabilidade pelo mais novo, agora que o tinha encontrado depois de tantos anos, como conseguiria consertar aquilo?

Do apartamento do agente funerário, voltou para um albergue em que já tinha se hospedado mais de uma vez, buscando em seus poucos pertences as informações que já tinha recolhido sobre o irmão na vida nova dele. Encarou os dados do endereço dele por alguns instantes, a informação decorada, para decidir ainda o que fazer.

O incômodo no ombro lhe impediu de sair logo do quarto alugado. Comeu qualquer coisa da loja mais próxima e se rendeu ao descanso forçado apenas porque tinha passado muito tempo sem descansar direito. E precisava organizar os pensamentos antes de fazer qualquer coisa… e não sabia o que fazer ainda. Apenas em meio àquela confusão, de desarmou de todos os acessórios que costumeiramente andava, um tanto receoso dos próprios movimentos se encontrasse de fato com o irmão de novo.

Mas antes mesmo de decidir se queria ou não reencontrá-lo, o que exatamente queria fazer, se pegou parado próximo à residência em que ele morava com o avô adotivo antes dele falecer, situação que tinha lhe colocado com ele no mesmo lugar tão convenientemente. Se fosse uma pessoa que acreditava em mais do que os próprios punhos, podia começar a admitir aquilo tudo como carma. Não o tinha encontrado em vinte anos, por que agora?

Ficou encarando a residência sabe-se lá por quanto tempo. Já tinha passado tempo suficiente para perceber as pessoas começando a lhe encarar estranho, até porque era uma área residencial em que todos deviam se conhecer. Mas não saiu do local e não reagiu aos olhares estranhos com os quais estava tão acostumado, ao menos não até avistar uma jovem de pele muito pálida e cabelos esbranquiçados saindo da casa.

Não fazia ideia de quem era a garota, mas o seu instinto de atuação foi mais rápido ao se mover na direção da casa como se agora tivesse certeza de que não haveria mais ninguém em seu caminho. E por que razão estava se movendo tão furtivo na esperança de que pudesse encontrar Pietro sozinho? Os dedos formigaram como se quisesse buscar a faca que estava na cintura, mas encontrou o cós da calça desarmado, o que lhe trouxe então uma vaga sensação de alívio.

Mesmo para alguém do seu tamanho, os anos tinham lhe ensinado a ser bastante discreto e silencioso. Entrou na casa sem fazer um barulho sequer, circulando os cômodos principais com o olhar atento e uma sensação nova do coração acelerado. Era estranho sentir aquela mudança nos batimentos, porque em geral, não dava conta deles ali, e em geral, eles não eram tão barulhentos. Mas parou de andar exatamente quando encontrou a porta para um dos quartos da casa, entreaberta, avistando o rapaz de cabelos pretos bagunçados de costas, arrumando alguma coisa sobre a cama.

Ele parecia bem. Parecia… vivo. A sensação de estranhamento foi tamanha que não prestou atenção ao empurrar a porta de leve e ouvir o barulho da mesma. A reação dele foi imediata, virando-se um tanto despreocupado.

- Esqueceu alguma coisa, Ann--?

Pietro congelou no mesmo momento em que se virou para conferir se o barulho tinha sido causado por uma Annica que tinha esquecido algo antes de sair de casa. As reações do rapaz foram rápidas, mas aos olhos de Karen, pareceram demorar longos minutos, desde o movimento de se virar até associar a presença estranha - e perigosa -, para arregalar os olhos de leve e tropeçar para trás, derrubando um abajur de um criado-mudo no processo.

Karen não se moveu além de onde já estava, também não abriu a boca para falar qualquer coisa, incapaz de raciocinar o que exatamente tinha ido fazer ali. Foi tempo suficiente para analisar a expressão de puro pavor no mais novo, ao tentar se afastar, os olhos vidrados lhe encarando enquanto prendia o ar e fechava a mordida com força. Era possível até vê-lo estremecer ao pressionar a mão com tanta força contra o móvel em que se apoiava. E não deixou passar despercebido as marcas vermelhas que estavam começando a suavizar no pescoço, imagem que lhe causou um desconforto ainda maior do que imaginava ser capaz de sentir.

- O q- v-- n--

Todas as tentativas de falas de Pietro foram cortadas em meio ao desespero. Mas só quando ele pareceu associar a presença que estava ali e a pessoa que tinha acabado de sair foi que conseguiu reunir forças para se mover. E o movimento dele foi igualmente rápido. As mãos impulsionaram o corpo para frente e ele não hesitou em alcançar Karen ao cruzar o espaço pequeno em apenas dois passos, agarrando a camisa dele com tanta força que seria capaz de rasgá-la.

- A Annica… o-o que fez-- c-com ela?!

Karen encarou a expressão de desespero de Pietro, segurando-lhe a roupa com força suficiente para os dedos ficarem com as juntas brancas. Não sabia como falar com ele, mesmo que a resposta fosse simples. Antes de pensar em algo para responder ao rapaz de estado alarmado, ele mesmo puxou mais sua camisa, fazendo com que Karen atentasse para os olhos lacrimejando.

- Onde ela está?! O que você fez?!

Já tinha visto aquele tipo de reação de seus alvos mais de uma vez. Pietro realmente se importava com a garota, o que era um tipo de sensação que ele mesmo devia ser capaz de entender também, se ainda se importava tanto com a família… o que restava da família e que tinha acabado de descobrir vivo.

- Ela está bem. - Karen respondeu finalmente, notando o suspiro longo de alívio que não anulava completamente a expressão de medo nos olhos dele.

- Não a machuque… - Pietro afastou as mãos da roupa dele finalmente, dando um passo para trás tentando se manter o equilíbrio, ainda consternado com a ideia de que Annica tinha saído dali e poderia não voltar por culpa sua. - faça o que quiser comigo, mas…

- Não cheguei perto dela.

A reafirmação de que a garota estava bem pareceu atingir Pietro finalmente. Ele pareceu que ia cair sobre as pernas por um instante, mas conseguiu se manter de pé, recuperando o ritmo da respiração.

- O que quer comigo?! Veio continuar o que começou? - ele tentou colocar alguma firmeza nas palavras, mas até aquele tipo de reação já era infelizmente comum aos ouvidos e olhos de Karen, que notou as mãos do mais novo se fechando com força. - Por favor, eu não quero morrer…

A observação contínua dos trejeitos de Pietro só confirmavam como o que tinha acontecido deixara o outro completamente em guarda. Se pretendia consertar algo, era impossível. E observando o rapaz, as marcas vermelhas no pescoço dele, a cicatriz que estava no rosto do agente funerário… tinha mesmo esperado que alguma coisa pudesse ser diferente? Afinal de contas, tinha vivido sozinho aquele tempo todo, e a sua vida era ideal para ser vivida sozinho. Pietro estava morto anos atrás, devia continuar morto em sua cabeça.

Mas o assunto ainda era inacabado.

- Desculpe. Por não encontrar você todos esses anos. Eu devia ter cuidado de você.

Aquelas palavras não poderiam consertar o que tinha feito, é claro, mas foram o suficiente para que Pietro ficasse momentaneamente sem palavras.

- Você se saiu bem sem mim. Estou… - procurou alguma palavra para definir o que achava que estava sentido, o que demorou mais do que esperava. - feliz que esteja vivo.

De novo, encarou a expressão de confusão em misto com pavor. Ele respirou fundo, enquanto Karen assimilava as próprias palavras e reações alheias.

- O que… você quer de mim?

A pergunta num fio de voz fez com que Karen pensasse em um milhão de respostas que não se enquadrariam no que queria de fato do rapaz. Queria que ele fosse sua família de novo? Queria fazer o que tinha prometido ao seu pai e proteger a sua família? E quem disse que ele precisava de seu apoio ou proteção? Estava bem melhor sem sua presença.

- Nada. - respondeu, inclinando o rosto levemente para o lado para se certificar que não tinha ouvido nada demais. - Não vou mais entrar no seu caminho. - deu um passo para trás, parando no portal de entrada do quarto. - Sinto muito… por tudo.

O gesto para sair do quarto foi tão rápido quanto os passos que lhe levaram até a casa desavisado. Mas pela primeira vez, estava se sentindo mais leve. Foi necessário apenas sair do campo de visão de Pietro para que o rapaz caísse sentado no chão frio, sem a menor força nas pernas. Enquanto saía da casa a passos rápidos, ainda avistou mais uma vez a jovem albina que estava retornando para a casa, daquela vez, ela parecia ter notado a sua presença que não era nada discreta.

Não se importou de ser visto. O assunto estava resolvido, por fim. Mesmo que a sensação ainda fosse incômoda ao deixar a casa com um rapaz que sequer tinha o nome do qual lembrava.
* * *
Enzo

[“Louva-a-deus” – Enzo, Talulah]

- O que deu para ele, Enzo? – ela perguntou assim que fechou a porta do quarto onde tinham deixado Nathan, encarando longamente o dono da pousada.

- E-Eu dei um calmante para ele, mas era só para deixá-lo mais tranquilo, não dopado. São os calmantes que eu tomo. Eu esqueci de avisar a ele pra não misturar com álcool, pois dá um efeito rebote. – respondeu com uma tensão óbvia nos ombros.

- “Esqueceu”?

O som suave da voz dela lhe fez gelar por dentro, pois de todos os detalhes que tinha dado, ela destacou esse. Podia sentir que estava prestes a ser mordido na jugular, e sua predadora estava em uma posição bem propícia. Talvez pela primeira vez em sua vida estivesse tremendo só de encarar uma mulher.

- Que memória a sua, não é mesmo? Esquecer de avisar ao rapaz, nervoso com o encontro, que deveria evitar misturar álcool e calmantes? Que deslize, Enzo. Espero que não tenha sido proposital. – Talulah adicionou, vendo Enzo franzir a testa. Ele até sabia que era baixo, mas não tanto assim para se aproveitar do rapaz drogado. Entretanto, não tinha coragem de abrir a boca para se defender, e apenas sacudiu a cabeça em negação. – Que o efeito do álcool e do calmante não causem nenhum mal a Nathan. Pretendo dar uma terceira chance a ele de um encontro, e de preferência, o quero completamente sóbrio. Se algo acontecer a ele hoje, me deixe saber depois de amanhã na paróquia de Cerise. Estarei lá o dia inteiro. Se nada acontecer, mande ele me encontrar lá depois de amanhã. Estamos de acordo?

- É... é-é só isso? Pelo jeito que você me olha... achei que estaria mais p-preocupada... – Enzo franziu a testa, porque o comportamento defensivo dela quando lhe viu e cuidadoso com Nathan não combinava com o rumo da conversa dos dois.

Porém Talulah apenas deixou o canto dos lábios se curvarem de leve.

- Não. Não preciso. – ela respondeu com calma. – Pois você está perfeitamente ciente de que vou atrás de você se qualquer coisa acontecer com Nathan. Se algo acontecer e você não me avisar, sei seu nome e onde mora. Se Nathan não for me ver depois de amanhã na paróquia, sei seu nome e onde mora. Então um dos dois vai aparecer. E se não aparecerem, dois dias não são suficientes para que eu não possa te alcançar se decidir sair da cidade, ou algo semelhante. Mas certamente você não vai. Afinal, eu estou preocupada.

Enzo engoliu em seco, pois o tom dela não parecia uma ameaça, e algumas palavras delas não pareciam ameaças, mas tudo na postura dela e na escolha cuidadosa e não de palavras certamente berrava que aquilo era uma ameaça. O dono da pousada levou a mão até a camisa, segurando firmemente na região do peito.

- Mademoiselle... ele é um bom rapaz... por que ele? – questionou antes até mesmo de pensar, vendo nos traços delicados e na cor púrpura dos olhos dela perfeitamente a espécie a que ela pertencia. – Todo o respeito a você, mas por que predar um garoto tão estúpido?

- Por que não? – ela respondeu sem esclarecer necessariamente qual pergunta, enfim indo até a saída. - Conto com você, Enzo.

Fazia algum tempo que Enzo não jogava a presa direto nas garras do predador. Estava decepcionado consigo mesmo, mas ao mesmo tempo, se sentindo sortudo por ainda estar vivo.

Charles
[Silenciando por um ano]

Nos últimos meses, a vida social de Charles estava tão ativa que ainda causava certa estranheza no loirinho. Havia conhecido mais pessoas novas graças a Yure, o que não era algo ruim, mas também não era 100% bom o tempo inteiro.

Um dos momentos que Charles sabia que havia conhecido mais pessoas nos últimos meses do que nos últimos 5 anos, foi quando sua caixa de mensagens do What's App estava com pelo menos umas 300 mensagens não lidas, e elas não vinham de apenas uma pessoa, mas dos diversos grupos que estava inserido. O cadeirante estava largado na cama, entediado, porém sem a mínima paciência de ler todas aquelas mensagens que haviam chegado.

Estava passando o olho rápido, tinha mensagens do Yure, falando mais sobre os ocorridos na academia. O grupo de basquete, mandando videos engraçados, alguns memes e marcando a próxima partida entre eles. Monique enviava links de alguns celulares que ela pensava em comprar e pedia a opinião pessoal do loirinho sobre qual modelo deveria comprar. E surpreendentemente, Lyss era um dos poucos contatos que não estava em um grupo e estava com muitas mensagens, que variavam de vídeos de competição, lugares onde ele estava comendo, selfies... ONDE ELE HAVIA DADO ESSA INTIMIDADE?! Apenas passou o olho rapidamente nas mensagens, ignorando completamente as fotos, e percebeu que no fim, o número de mensagens não havia diminuído.

Era irritante ter tantos contatos.

O loirinho mal-humorado se sentou na cama, e passou a silenciar todos os contatos pelo restante do ano, e colocou todas as mensagens como "lidas". Bufou depois de ter terminado o seu trabalho árduo e deixou o celular de lado, puxando o controle do videogame e ligando a TV para jogar alguma coisa.

Conhecer muitas pessoas era chato, e não sabia como Yure tinha paciência para isso.

* * *
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#4
Isaac

[“Reencontro marcado” (+18) – Isaac, Ulysses]

Ulysses ainda acompanhou Yure sair da sala às pressas com as pastas em mãos e fechar a porta em seguida. Voltou-se para Isaac que tinha ido até a prateleira de arquivos de novo para arrumá-los com aquela aura de irritação que só lhe trazia boas lembranças. Claro que ainda era muito estranho que o garotinho de cinco anos atrás fosse um homem grande e de cara fechada como aquele... mas ainda tinha as mesmas reações e ainda era divertido.

Ele deu alguns passos na direção de Isaac, mas antes mesmo de cobrir toda a distância, o moreno se virou em sua direção com a expressão de raiva.

- Ainda estou esperando. O que quer aqui? - Isaac reforçou o questionamento anterior, carregando mais duas pastas que Ulysses tinha quase certeza que ele não precisava.

- Ah, Isa, não tem graça se você ficar irritado comigo logo agora que nos reunimos. - Ulysses parou diante da mesa na qual Isaac estava apoiado. - O que eu posso fazer para melhorar o seu humor?

- Dizer o que quer e ir embora. - Isaac retrucou, de novo, colocando a pasta sobre a mesa com uma força desnecessária.

- Eu queria vir falar com você, não é óbvio?

- Se quisesse falar comigo, teria vindo antes. - o moreno parecia irredutível e Ulysses só sorriu um tanto sem graça.

- Tá, você mudou um pouquinho. - Ulysses deu a volta na mesa e se aproximou até prender Isaac com os braços contra a mesa.

O mais alto parou imediatamente o que estava fazendo e se virou na direção de Ulysses, com os dois braços cruzados. Ele ainda era bons dez centímetros mais alto e encarou o outro com raiva.

- O que está fazendo? Está atrapalhando meu trabalho.

- Mas não mudou o suficiente. Se fosse o caso, não teria se irritado porque eu não vim logo falar com você ao chegar em Cerise. - Ulysses não pareceu se importar com a diferença de altura, ainda inclinou o corpo contra o de Isaac que não saiu da postura defensiva.

- Não estou irritado. Estou com raiva. - Isaac fez questão de corrigir. - Pela última vez: o que quer? Pare de atrapalhar meu trabalho.

- Melhor ainda. Gosto de você com raiva, Isa.

Ulysses se inclinou o suficiente para que os lábios quase unissem aos de Isaac, mas no mesmo instante, o movimento foi detido pelo mais alto, que levantou a mão e cobriu a boca dele, impedindo que completasse o beijo.

- Alunos e funcionários não podem ter relacionamentos íntimos. - o secretário respondeu, como se fosse uma resposta automática.

- Mas eu ainda não fui efetivado, isso conta? - Ulysses explicou contra a mão alheia.

Ele teve que sorrir largamente quando a expressão de Isaac se tornou numa confusa e, sem achar uma resposta para negar, ele tirou a mão do caminho.

- Tudo bem então.

O sorriso de Ulysses só não ficou mais notável porque ele terminou de cruzar o espaço até unir os lábios aos de Isaac, aprofundando o beijo de imediato enquanto pressionava o corpo contra o dele, apoiado à mesa. Nem a diferença de altura podia diminuir a vontade que estava de fazer uma bagunça no uniforme muito bem alinhado do ex-namorado e ter a chance de ver o rosto, agora adulto, igualmente vermelho.

Isaac não teve qualquer receio em ceder ao avanço do outro. Já não estava num relacionamento sério, fazia algum tempo que não fazia sexo e pelo que lembrava, Ulysses era muito bom naquilo. Os braços que antes estavam cruzados para atrapalhar a aproximação alheia se descruzaram e apoiou uma das mãos no peito alheio e a outra passou por cima do ombro dele. Não cessou o beijo e Ulysses aproveitou a oportunidade para pressionar mais o corpo contra o dele, invadindo a boca alheia com a língua, sentindo o calor se espalhar dos lábios até os fios de cabelo da nuca.

- Você pode ter crescido… mas continua gostoso, Isa… - Ulysses falou contra os lábios do mais novo, lambendo o próprio lábio inferior ao sentir as respirações se encontrando.

- E você continua falando demais.

Isaac baixou as mãos para se apoiar na mesa, usou o suporte para se sentar e então, fez questão de fechar as pernas em volta da cintura de Ulysses, mantendo-o junto ao corpo, a diferença de altura ficando um pouco menos notável agora que estava sobre a mesa. A expressão do outro foi de uma surpresa agradável.

- E pelo visto aprendeu umas coisas novas! Eu gosto…

O secretário procurou os lábios alheios para continuar o beijo e com os braços livres, tirou o próprio terno. Ulysses devolveu o beijo intenso e levantou as mãos passando os dedos pelo abdômen e peito de Isaac, ainda coberto pelas camadas de roupa da camisa e do colete, até alcançar a gravata e puxar o nó com um pouco mais de força que o necessário. O gesto fez com que Isaac se curvasse mais na direção dele, e logo a gravata tinha sido tirada do caminho e os primeiros botões da camisa abertos, para depois seguir para os do colete. Com o terno fora do caminho, foi Isaac que passou as mãos pelo corpo de Ulysses, tirando também o blazer do caminho e se ocupando em desabotoar a camisa dele, sem muita paciência enquanto o fôlego começava a se perder entre os lábios dos dois.

- Hahh… eu não lembrava de você tão ansioso assim, Isa… - Ulysses cessou o beijo, descendo os lábios pelo queixo alheio, o pescoço, o ombro sob a camisa que tinha conseguido abrir sem danificar os botões.

- Está achando ruim? - Isaac suspirou em meio aos beijos, as mãos desceram pelo tronco parcialmente exposto até alcançar o cós da calça e tocar o membro alheio por sobre o tecido da roupa.

- De jeito nenhum… - Ulysses riu contra a pele dele, sentindo o corpo estremecer notavelmente com a mão dele sobre a sua calça. - Contanto que você não queira me foder, estamos indo muito bem…
- Não estou interessado.

- Ótimo. - Ulysses lambeu o canto dos lábios de novo e daquela vez, espalmou as mãos com mais força sobre o peito de Isaac, empurrando-o contra a mesa para que ele se deitasse, sem ligar para as pastas de arquivos que estavam ali atrás e serviram de suporte parcial para as costas do moreno. - Você ainda é tão obediente…

- Você vai parar de falar?

- Como quiser… - ele riu, observando o corpo másculo abaixo de si.

Era bem diferente de anos atrás, claro, mas as reações ainda eram bem parecidas e se avançasse só um pouco mais, com certeza o rosto de Isaac estaria vermelho e não ia ser só do calor. Ulysses se curvou sobre o corpo agora deitado, ainda preso pela cintura pelas pernas do mais novo, e beijou o caminho pelo peito, até um dos mamilos, ouvindo alguns suspiros pesados de satisfação em resposta aos seus toques. Sentiu a mão de Isaac ir até o topo de sua cabeça, os dedos se fechando em volta dos fios castanhos com força.

Ulysses continuou o caminho com os lábios e com as mãos. Passou para o outro mamilo, chupando e mordiscando a área, enquanto as mãos desciam pelo abdômen definido até o cós da calça. Tirou o cinto do caminho e desabotoou a calça, sem perder muito tempo para puxar o tecido para fora do caminho, expondo a ereção alheia que só denunciava como Isaac já estava excitado.

- Agora essa parte com certeza mudou… - Ulysses comentou, arrancando pela primeira vez uma expressão levemente avermelhada de Isaac que se apoiou nos cotovelos para erguer parcialmente o tronco.

- Você não para mesmo de falar…

- Vou atender seu pedido agora mesmo…

Com as mãos na lateral dos quadris de Isaac, Ulysses enfiou os dedos pela calça dele, terminando de puxar a peça para baixo e fora do caminho, baixou a cabeça até alcançar a glande com a ponta da língua, deslizando-a pelo membro que pulsou em excitação. Ele sorriu satisfeito, apoiando as mãos nas coxas agora livres de Isaac e descendo a boca até a base da ereção, para beijar a área e deslizar a língua de novo até a glande, engolindo-a de uma vez para ouvir o gemido de aprovação de Isaac um pouco mais alto na sala ampla. Começou a mover a língua em volta do membro, massageando as áreas que sabia serem mais sensíveis, para notar que a respiração do outro ficou mais descompassada e o membro mais rijo dentro da sua boca. Sorrateiro, Ulysses ainda subiu as mãos pela lateral dos quadris, alcançando a cintura de Isaac e arranhando aquela área com gosto.

A reação de Isaac foi imediata. Ele escorregou nos próprios cotovelos e deixou um gemido tão mais alto escapar que precisou levar as duas mãos para cobrir os lábios, a ereção gotejando o sêmen da pré-ejaculação. Ulysses afastou a boca do membro alheio, deixando a saliva escorrer pela ereção e pelo escroto, para observar um Isaac suado, com o rosto muito mais vermelho, e muito mais excitado. Ele passou o polegar pelo canto do lábio.

- Eu ainda lembro… cada lugar, Isa… - ele comentou convencido, deslizando então uma das mãos pela coxa de Isaac até alcançar o joelho, arranhando-o ali também. Mais uma vez, a reação de Isaac foi notável, o corpo todo estremecendo dos pés à cabeça, o membro latejando por alívio.

- Pare… com isso…!

- Ahhh… você não quer que eu pare agora… - Ulysses se curvou sobre o corpo dele, pressionando o quadril contra a ereção, até alcançar os lábios alheios de novo. Mas não o beijou, colocou os dedos na boca de Isaac, massageando a língua dele com os dedos para serem umedecidos com a saliva. - É só o que temos aqui, Isa…

A mão livre, Ulysses ainda fechou com força em volta da cintura dele, no mesmo ponto de antes, e outro gemido sonoro escapou dos lábios de Isaac, mesmo com a boca impedida com os dedos ali.

- Agora… acho que vou precisar abafar seus gemidos, hm?

- Hahh… continue…!

- Como quiser…

Ulysses tirou os dedos da boca dele para cobri-la com a sua. Levou os dedos até entre as pernas de Isaac e inseriu um deles com certa resistência pela falta de lubrificação e, notadamente, de costume. Ele massageou a área, fazendo movimentos de vai-e-vem com o dedo até conseguir inserir o segundo, abafando os gemidos dele com os beijos constantes e a respiração entrecortada. O calor na sala só aumentou, a camada de suor no corpo de Isaac era notável, a camisa que Ulysses ainda vestia parecia deixar tudo ainda mais quente. Já começava a sentir o incômodo da roupa contendo a sua ereção naquele estado, e o gesto não passou despercebido por Isaac.

O secretário do Conselho Estudantil buscou apoio na mesa de novo com os cotovelos, as pernas que tinha folgado, fechou de novo com força em volta de Ulysses, interrompendo o beijo longo que fazia a saliva escorrer pelo canto dos lábios.

- Chega de dedos, Lyss…

- Mas você está tão apertado, Isa…

- E eu não tenho mais quinze anos. Continue…!

Ulysses não teve outra reação senão rir da assertividade do outro. Lambeu os lábios alheios e tirou os dedos de dentro do canal, desabotoando a calça para expor o membro rijo, posicionando-o contra a entrada apertada. Sentiu a resistência inicial e segurou a ereção, forçando-a no canal até que a glande tivesse penetrado o outro. A sensação do canal apertado em volta do membro causou um espasmo de prazer que lhe percorreu o corpo por inteiro. Ulysses desviou o rosto do de Isaac, encostando a testa na curva do pescoço dele ao suprimir um gemido de prazer. Isaac levantou uma das mãos do apoio no cotovelo e passou por cima das costas dele, segurando-se à camisa social.

- Hnnn…! Tão apertado…! – Ulysses comentou contra a pele alheia, forçando o membro para penetrar o canal pouco lubrificado, e embora ele ainda tentasse conter o impulso, foi Isaac que fechou as pernas com mais força em volta da cintura dele, ajudando na penetração. - Haah… Isa…!!

- Comece a se mover, Lyss…

- Ngnn… está tão quente…! – Ulysses desceu as mãos para se apoiar na mesa, inclinando o corpo mais contra o de Isaac, o rosto e o nariz roçando contra o pescoço dele, para começar a mover os quadris num ritmo lento de vai-e-vem.

- Hnn… – Isaac moveu os quadris contra os dele também, levando então os dois braços em volta dos ombros de Ulysses para se apoiar melhor. Deixou que os suspiros escapassem entre os lábios, os gemidos se tornando um pouco mais notáveis à medida que os movimentos intensificavam o ritmo.

- Hahhh! Você… ainda… me mata, Isa… - ele suspirou contra o pescoço de Isaac, mordendo a área e lambendo, cada vez mais aumentando a intensidade das estocadas a ponto do barulho na mesa se tornar bem audível. – Nhnn!

Isaac mordeu o lábio para conter os gemidos, passou as unhas pelas costas de Ulysses, puxando a camisa consigo, embora sem tirar a peça de vez do caminho. Tocou a pele dele diretamente e sentiu os dedos escorregarem com o suor. Ulysses continuou com as estocadas firmes, tirando uma das mãos do apoio da mesa para tocar a ereção de Isaac diretamente, masturbando-o no mesmo ritmo que o penetrava.

- Ahnnn! Espere… as- hahhhh!

Isaac sentiu a ereção latejar ainda mais por alívio debaixo do toque firme de Ulysses, o gozo escapava da glande, o estímulo direto da mão dele junto à penetração fez com que os tremores de prazer fossem bem mais acentuados no moreno. Ele fechou as pernas com mais força em volta de Ulysses, bem a tempo de sentir o corpo alcançando o clímax debaixo da mão dele.

- Hahhhh!! – Isaac sentiu o corpo estremecer, o ânus se contraiu no mesmo instante em que o sêmen escapava da ereção até o seu abdômen, sujando a mão de Ulysses no processo. O gemido foi incontido e ele deixou os braços escorregarem pelos ombros alheios, caindo deitado de novo sobre a mesa, as costas arqueando com as ondas de prazer que se estenderam com cada uma das estocadas agora mais fortes e pontuais de Ulysses.

O esgrimista também não conseguiu resistir por muito. As pernas fechando com força em volta de seus quadris, o corpo de Isaac completamente submisso ao seu, o canal se contraindo com força em volta de sua ereção foram mais do que estímulos suficientes para sentir o corpo chegar ao ápice e se render a sensação do orgasmo, ejaculando dentro dele sem nem se importar com as reclamações que viriam depois. Os gemidos foram abafados contra a pele de Isaac e os tremores de prazer percorreram o corpo todo de Ulysses, até ele sentir o alívio pesar em cada um de seus músculos. A mão ainda apoiada na mesa ao lado de Isaac escorregou e ele deixou que o corpo caísse sobre o outro, apoiando a testa no peito alheio, sentindo o peito dele subir e descer com a respiração cansada e o coração acelerado do esforço.

- Hmmm… até gostei do seu tamanho família agora, Isa. – Ulysses sorriu cansado, apoiando o queixo no peito de Isaac para conseguir dar uma olhada na expressão de confusão que surgiu no rosto alheio.

- Não sei o que significa.

- Desculpe gozar dentro de você… mas estava tão bom…

- Hm. Não importa, meu uniforme não sujou. – Isaac se apoiou de novo nos cotovelos para conseguir se sentar, e Ulysses aproveitou para sair de dentro dele, dando espaço para que ele conseguisse se mover melhor. – Mas vou ter que voltar para os dormitórios para tomar banho.

- Você não estava dizendo que tinha muito trabalho para fazer? – Ulysses sorriu, aproveitando que Isaac estava sentado de novo para beijar o canto dos lábios dele.

- E tenho. Vou tomar um banho, trocar de roupa e volto. – ele pegou a camisa para vestir, só passou a mão no tronco sujo de sêmen, tirando o excesso e limpando no pedaço de papel mais próximo que achou, e inútil, claro.

- Bom, eu devia me desculpar por atrasar ainda mais o trabalho?

- Eu concordei. Estamos quites.

- Hahaha, como resistir a você desse jeito, Isa? – Ulysses também arrumou a calça e começou a abotoar a camisa, agora que tinha parado para pensar que ninguém tinha nem tentado abrir a porta do Conselho, mas nem uma hora tinha se passado, então ao menos o tal Lukashenko não teria interrompido os dois.

- E o que você queria me pedir, afinal? – Isaac desceu da mesa, colocando a cueca e a calça de novo, depois o colete.

- Ah é, quase esqueci! Eu queria usar o ginásio de St. Clavier para treinar um pouco, acha que pode conseguir uma autorização para mim? Em Cerise, é o melhor centro de treinamento para Esgrima.

- Hm. Algum dia específico? Agora que os jogos internos passaram, os horários de clubes estão mais livres, posso reservar o ginásio.

- O dia que achar melhor.

- Sábado pela manhã, então. Sem as competições, os clubes têm atividades facultativas no sábado. Vai estar livre. – Isaac explicou, colocando o terno e deixando apenas a gravata desatada. Só enrolou a peça na mão e até deixou o botão do colarinho aberto.

- Ótimo. Sabia que podia contar com você, Isa. – Ulysses sorriu largamente, satisfeito.

- Termine de abotoar a camisa, vou fechar a sala ao sair. – Isaac indicou, arrumando as pastas que ele mesmo tinha bagunçado com Ulysses sobre a mesa, mas não devolveu ao lugar.

- Eu até terminaria, mas você foi um pouco violento. – ele indicou dois botões da blusa que tinham sido arrancados, mas ao menos não deixava a camisa aberta.

- Ah… desculpe, posso comprar outra camisa para você depois.

- Nah, não precisa comprar outra camisa. Mas eu aceito um beijo como compensação. – Ulysses apontou para os próprios lábios, e não tão surpreendente, Isaac apenas lhe encarou por uns segundos antes de se curvar e selar um beijo rápido.

- Pronto.

- É por isso que eu gosto de você, Isa! – Ulysses passou a mão na cabeça do outro, bagunçando os cabelos e andando lado a lado para saírem da sala do Conselho. Isaac nem reclamou, só realinhou os cabelos e seguiu com o outro para fora da sala. No fim das contas, Ulysses ainda sabia muito bem como acalmar o pequeno Isaac.

* * *
Yure

[Desencontros marcados - Yure, Sasha]

Yure depois de correr como se sua vida dependesse disso já estava voltando para a sala do conselho estudantil, arfando da corrida e foi diminuindo o ritmo pra arrumar o uniforme. A reduzida de passada foi bem em tempo de ouvir um som peculiar de um gemido alto, masculino, que se não estivesse delirando parecia a voz do secretário. Caminhou mais para perto e conseguiu ouvir o ranger da mesa de madeira da sala, seguido de sons abafados que conseguia reconhecer, mas estava com receio de imaginar no que estava acontecendo. O ruivo deu meia volta sobre os sapatos sociais, e pensou que preferia levar uma bronca por tá atrasado do que por ser empata foda. Entrou na sala do conselho disciplinar pra dar de cara com apenas Sasha e largou as pastas em cima da mesa com uma cara de quem tinha tomado um susto:

-- Já que tá aqui vai trabalhar. -- Sasha lhe entregou um monte de papel, só depois de levantar a cabeça que reconheceu a figura em uma aparência atípica: -- E por que você está com o uniforme todo arrumado? Que boi te lambeu?

Muito embora não houvesse nada que pusesse o cabelo do ruivo no lugar ele ao menos estava com o uniforme arrumado:

-- O boi das eleições... Eu disse que ia tentar chapa? Pensei que eu tinha falado... Lemont tá me ajudando mas ele tem os pré-requisitos - aponta pra si mesmo.

-- Bom, não dá pra ter um presidente do conselho estudantil todo bagunçado... -- o moreno mais velho parou um tempo pra refletir sobre a questão.

-- Entrego o que você precisar, só não na sala do conselho... Aí vai ter de esperar... Sei lá... Uma hora eu acho?

-- Ué. A sala né tão grande não pra demorar assim a faxina. kkkkkk

Yure olhou para os lados esperando não ver Nataniel ou o professor do disciplinar entrando na sala, justo naquele momento, e se aproximou de Sasha com o rosto corado, falando baixinho: -- quem dera fosse uma faxina... Mas tipo... Eles estão em usos "extracurriculares"...-- se sentou só por um instante em uma das cadeiras vagas a frente do moreno mais velho: -- eu prefiro ser o garoto que atrasou os memorando que empata foda…

Sasha precisou tirar um tempo pra ponderar aquela situação: -- Eu não sabia que o conselho tinha outros membros além do Callas, do menino e do testa de ferro, mas faz sentido que eles sejam meio abusados pra estarem no conselho junto do menino e do Callas.

-- Não tem outros membros, o Lemont tá lá com o novo professor de esgrima, que já foi estudante daqui... Pensando agora, ele tava sendo tão íntimo com o Lemont chamando ele de Isa, dizendo que dava presentes com borboleta e essas coisas... Meu deus... Por isso o Lemont tava todo estranho parecendo enciumado... É informação demais pra uma tarde!

Sasha sem aviso pegou a cabeça do Yure, e o encarou diretamente nos olhos com atenção, agarrando o uniforme do mais novo, buscando algum cheiro aparentemente: -- Ô ruivinho, qué que tu fumou?

-- Eu não fumei nada... Se tu chegar a cinco metros da sala tu vai ouvir o som da mesa balançando... Ta achando que eu ia inventar isso porque? -- Yure aponta na direção da sala do conselho

-- Porque assim como a gente sexualiza os encanadores e operários que visitam nossas casas para fazer serviços, a ideia do Lemont transando na sala do conselho, que ele mantém impecavelmente arrumada, é muito sexy. -- o moreno mais velho para e pensa -- Seria muito voyeur da minha parte ir até lá para atestar isso? -- seguido de outra pausa: -- Não, a ideia deve ser mais sexy que a execução.

O moreno mais velho pausou pra digitar algo no celular enquanto ria achando tudo aquilo divertido. Em contrapartida Yure achava aquela tarde toda muito estranha.

"O Lemont é baderneiro que nem vocês e fica transando na sala do conselho LOL Esse conselho precisa mudar pra criar vergonha HAHAHA Mandar multa pra todo mundo! Att. Presidente do conselho disciplinar"

Não demorou para o celular de Sasha apitar com a resposta em retorno.

"Sim, ele é baderneiro, principalmente quando tá solteiro. Mas não sabia que ele já estava interessado em alguém já que ele acabou de terminar um namoro.
R.B."

* * *
Kyle

[Little boy in the grass - Ciel]

A quietude daquela cidade de interior francês já estava começando a lhe cansar física e mentalmente. Não conseguia entender como é que Dimitri conseguira passar tanto tempo ali, afinal, os dois eram muito parecidos e ele devia estar se sentindo incomodado de ter que cumprir o trabalho que tinha se proposto. Mas já que estava de volta, podia levá-lo para os EUA mais uma vez e voltarem à rotina normal.

Mas o fato de que estava se tornando cada vez mais difícil chegar em Dimitri lhe deixava impaciente e incomodado. Tinha que achar outros meios de encontrá-lo, de contatá-lo, além das mensagens que ele estava ocupado demais para retornar no período de trabalho atarefado. Até tinha saído de seu caminho para falar, mais uma vez, com o diretor de St. Clavier para que ele amenizasse o trabalho de Dimitri. Mas ele conseguia ser teimoso quando queria também. E foi por isso que não pensou duas vezes em entregar um presente indiretamente para o outro, e a distração com aquele paciente de Dimitri era o que estava deixando seus dias menos irritantemente calmos.

Já tinha mudado de visual duas vezes, já tinha conhecido gente suficiente na cidade para cansar de brincar com pessoas inúteis e a cada dia que passava, só queria se aproximar do seu objetivo principal. Foi por isso que depois de estudar incansavelmente a escola, os arredores da cidade, os bairros menos movimentados e estabelecer uma série de locais diferentes em que podia encontrar com o seu novo pupilo, decidiu que estava na hora de olhar de perto mais uma vez para St. Clavier, e mais do que a escola, olhar de perto alguns dos funcionários pelos quais tinha se interessado bastante desde a chegada a Cerise e antes mesmo de seu primeiro encontro com Dimitri.

O rapaz de traços delicados e aparência muito bonita podia até se passar por um dos parceiros que tivera nos EUA enquanto buscava alguém tão ideal quanto o psiquiatra. Ele era muito bonito e exceto pelo fato de que não sabia se vestir, tinha potencial. Talvez, ele tivesse mais potencial também para aguentar mais do que os parceiros que tivera nos EUA. E estava precisando de uma distração bem mais pontual antes de conseguir ter Dimitri de volta. Já o tinha encontrado até uma vez num passeio proposital por um dos distritos residenciais da cidade, e vê-lo de perto tinha só reforçado como o rapaz era visivelmente interessante.

A maior vantagem daquela academia para garotos era a distância da cidade, a facilidade de locomoção discreta, a dificuldade de acesso que já era reforçada por conta dos policiais que cercavam o instituto por Dimitri. Bom, não era como se fosse um corpo policial enorme ou muito competente. E com os horários regulares de trabalho, entrada e saída da academia, ficava ainda mais fácil só entrar no caminho do seu alvo. E para um alvo tão acessível como Ciel Elsworth... poderia até despender boas duas horas do seu tempo para entrar na rotina dele, se tornar um amigo, conhecido, confidente... mas a inquietude e a impaciência de estar há quase dois meses naquela cidade longe de Dimitri, a sua atitude foi mais assertiva: só um caminho em que ele fazia o trajeto sozinho entre St. Clavier e a própria casa, uma aproximação discreta de quem tinha alto treinamento militar, um golpe certeiro que ele nem imaginaria de onde veio, só sentiria a dor ao acordar. Em menos de uma hora, estava de volta ao armazém que ainda tinha o cheiro de podre e as manchas de sangue de um cachorro dilacerado e uma criança pequena.

Por uma longa hora, Kyle apenas se sentou numa cadeira simples encarando o rapaz desacordado deitado no chão a dois passos de distância de si. Já tinha se livrado das roupas dele, substituído todas as peças por uma mordaça de couro, algemas nos pés e nas mãos, também de couro, que o prendiam a estrutura de treliça de um dos pilares desgastados de uma das salas do armazém abandonado. Finalmente, notou quando ele começou a recuperar a consciência e o sorriso ficou mais largo em seu rosto. Com as pernas bem cruzadas, as roupas brancas, as mãos de dedos entrelaçados apoiadas sobre as pernas, esperou até que ele recuperasse completamente a consciência e lhe encarasse de volta.

- Você dormiu bem, Ciel?

* * *
Yure

[“Algo de errado não está certo” - Yure, Charles]

[22:52, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey Charles
[22:53, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey charles
[22:54, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ei
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Oque é
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: amém! então
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu to em apuros aqui
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Eu ia responder -_-
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu sei mas to em desespero
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: aconteceu alguma coisa com o testa de ferro
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Oque você fez com ele dessa vez?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e não foi o namorado < que pasme ele não tem mais, terminou e foi feio
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e nem foi o vice presidente que tá afastado e tals que é amigo dele
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu não fiz nada, não dessa vez, eu juro com os dois pés junto ;-;
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Espera
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Oh
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: fala, melhor, digita @_@
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Ele tá assim desde quando?...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: desde o inicio da semana, foi algo que rolou provavelmente no fim de semana
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu pensei que ele tipo, sei lá, bateu o dedo na quina da mesa e que ia passar na terça
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: mas chegou, quarta, quinta, e hoje é sexta e ele ainda está plenamente puto, deus, eu ainda vou no conselho no sábado ;-;
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Entao, Eu sei porque
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Lembra do treino do inferno que eu fui no sábado? Que você me abandonou e nem pra me acompanhar?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então, eu lembro que você tinha treino, mas eu não faço parte do time de esgrima e nem fui convidado, então mesmo que eu quisesse eu não podia ir, e minha mãe me chamou pra almoçar com ela ;-; desculpa
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: aconteceu alguma coisa? ele bateu a quina no dedinho?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: quer dizer, cê me entendeu, que foi que houve?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Então
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Eu fui, o Ulysses me irritou, mas ele sabe oque tá fazendo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Digo ele sabe de esgrima
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas aí na metade do treino o Isaac apareceu
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E o Ulysses parecia nervoso e tal
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E o Isaac tava com a cara que você diz que ele faz quando alguém apronta
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas acho que umas 10x pior
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: No final o Ulysses tava treinando com o pé machucado e o Isaac foi tirar satisfação
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas eles começaram a discutir pesado até ele pedir pro Isaac sair
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E, hm, aparentemente ele e o Isaac são ex
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Então da pra dizer que é problema com ex
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas isso morre aqui, acho
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: nossa, tem toda uma teoria da conspiração. MEu senhor amado, por isso ele tá tão puto, caramba, se alguém que eu gosto diz na minha cara que isso não é pra eu me meter, eu ia ficar puto mesmo... mas ele tá puto a uma semana já, ou é um negócio muito sério, ou o testa de ferro tem problemas pra lidar com raiva...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:to pasmo.
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Ta pasmo?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Eu vi tudo ao vivo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Foi assustador
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ai vou eu amanhã trabalhar com ele no conselho, espero que o Ulysses nem dê as caras por lá, magina o climão, eu vou fazer o quÊ?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:minhas piadas sem graça não fazem efeito nesse nível de treta
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Nao respire
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Nem tente ser minimamente legal
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Arrependimento
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: vish, você foi legal com ele?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ele, o Ulysses?
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Olha eu primeiro fui reclamar
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Porque ele praticamente me usou de escudo contra o Isaac
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Depois eu dei um voto de confiança
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E disse que se ele garantisse que tava ok poderíamos treinar de novo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E ele faz oque? Diz que to preocupado com ele
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E invade meu espaço pessoal. E se convida pra almoçar na minha casa.
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: oh Charles
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: NA. MINHA. CASA
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: você ser legal com alguém é tão raro
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: que ele deve tá se sentindo especial agora
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: meus pêsames
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Pior que a Tia gosta dele também, é o enterro completo
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: eu me odeio
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Chama ele pra jogar uns boardgame pra você humilhar ele, ao menos ele te faz vergonha nos treinos, ao menos nos joguinhos você arrasta a cara dele nas pecinhas
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Por isso eu não faço boas ações
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: nao. Ele insiste que somos amigos
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: então...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Se eu der essa liberdade pra ele
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Acabou
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Assim...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: o caixão já tá feito, e as flores compradas, segue o baile e enterra ele nos joguinhos que é onde você é bom
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ao menos dá pra lavar a raiva
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: eu me arrependo
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: sei lá, chama ele pra jogar board game, e aposta que quem perder tem de pagar prendas, tu vai rapar ele de prendas '-', não tem nem como tu perder em nada :v
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: joga a Luma em cima dele então
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: sei lá
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: eu sei fazer amigos, não sei como não fazer amigos
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: apesar de odiar a ideia é uma ideia interessante
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: vou considerar
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: mas espero ter companhia
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: nossa, tu quer mesmo me colocar nisso, vou me sentir segurando vela pros esgrimistas ;-; mas posso ir sim, marca pra depois das provas finais de St. Clavier e tudo certo /õ/
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Segurar vela
[22:55, xx/xx/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ?
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: modo de dizer
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: haha
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: vou estudar matéria
[22:55, xx/xx/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: valeu ajuda Charles õ/

* * *
Marco (Charlotte)

[“Childcare” - Yure]

A princípio não era mais que outro dia no escritório de sua família resolvendo problemas de seus clientes. Tudo estava indo muito bem conforme sua agenda estava planejada para a semana até um rapaz ruivo de semblante simpático adentrar em sua sala. Ao que parecia, ele precisava de auxílio sobre questões de guarda referente à própria família. Não era exatamente sua especialidade lidar com casos de guarda de crianças ou conciliações, mas o rapaz havia pago por aquela primeira reunião e o que devia a ele ao menos naquele primeiro momento era ouvir toda a problemática do caso.

Recebeu o mais novo como recebia todos seus clientes, pedindo a sua secretária que trouxesse água ou alguma bebida que ajudasse o outro a se sentir mais confortável e preparado para a conversa. Cumprimentou o outro que se identificou como Lukashenko, Yure Lukashenko. Deu espaço para que ele pudesse falar e explicar a própria situação enquanto ouvia atentamente. No início, ele começou fazendo algumas perguntas generalistas sobre o protocolo de um divórcio e sobre a guarda de crianças, o que não era difícil de se explicar. Estranhou a pergunta, considerando que o rapaz poderia facilmente encontrar aquelas informações fazendo uma busca rápida online. Julgou que ele queria ter a confirmação das informações pelo seu próprio discurso, então esclareceu tudo sem rodeios.

No instante seguinte, ele estava explicando sobre casos de guarda em que um dos pais não cumpria com sua parte do acordo na divisão da guarda da criança. A pergunta lhe fez considerar o quadro do rapaz, imaginando que ele talvez estivesse buscando processar a quebra de acordo de um dos pais dele. Em momento algum, vacilou ao responder sobre a situação, indicando que o pai em questão poderia responder na justiça por tal negligência. O que a loira não esperava era a pergunta que viria a seguir.

- Quando foi a última vez que a senhora viu a Monique?

Definitivamente, não esperava por aquela pergunta. Olhou diretamente para o rapaz em surpresa, mas ele não parecia contrariado ou relutante. Charlotte tensinou sobre sua cadeira e prontamente buscou o telefone de sua mesa, pronta para anunciar para sua secretária que o rapaz estava de saída. Nesse momento, ao perceber sua estratégia de se livrar dele, o garoto lhe recordou do horário da sessão que havia pago para sua assessoria jurídica. Tal atitude só aumentou o descontentamento que sentia com todo aquele cenário. Prontamente, concluiu que Marco finalmente estava resolvendo ter a própria vingança e havia enviado o rapaz para lhe atormentar.

- Que Monique? - resolveu perguntar, o timbre de voz menos agradável e mais defensivo, considerando que falar sobre a garota não era o que tinha em mente, sequer havia se preparado para aquilo. E mesmo se soubesse que aquele encontro iria acontecer, não teria concordado com ele.

- É. A Monique Biedermeier. Porque se por lei, pais divorciados tem responsabilidade por uma criança, a senhora deveria no mínimo fazer as visitas, e procurar saber sobre a vida dela.

Charlotte ficou quieta, sentindo que estava sendo interrogada pelo rapaz mais novo. Não entendia qual o motivo dele estar lhe perguntando tudo aquilo, mas ele não parou por ali.

- Qual a cor preferida da Monique? Qual a comida preferida dela? Qual o sonho que a Monique tem? Do que ela tem mais medo? A senhora que é mãe dela não sabe nenhuma dessas respostas. - apesar do ar jovial e simpático que o mais novo havia apresentado no início daquele encontro, conseguia perceber o quão determinado e indignado o outro estava por suas escolhas como mãe. - É muito triste que a senhora sendo mãe, e advogada, saiba o quão errado é o que está fazendo, tanto moralmente quanto juridicamente e mesmo assim a senhora faça.

Encarou o ruivo, franzindo o cenho e engolindo o que pensava em responder para ele. Ele não tinha nenhum direito de lhe dizer como lidar com seus problemas. A garota era um problema. Não sabia como ser mãe dela quando seu ex-marido conseguiu estragar a visão da garota e não saberia como cuidar dela naquela idade de qualquer forma. Marco, por outro lado, parecia estar conseguindo se virar muito bem, arrumando uma nova mulher e tendo tempo para lhe enviar um garoto estranho para lhe fazer perguntas desagradáveis. Imaginava até quando a mulher dele continuaria vivendo feliz ao lado dele até que os filhos dela desenvolvessem problemas de visão.

- Ainda bem que a Monique não puxou nada da senhora.

Foi a sentença que ouviu por fim antes do estranho rapaz se retirar de seu escritório. Levou as mãos até o próprio rosto e os cotovelos à mesa, suspirando pesado como se toda a situação pressionasse seus ombros. Observou a fotografia de sua verdadeira família sobre sua mesa, seu marido e seu filho juntos. Não precisava ser lembrada da garota ou de todos os problemas que havia tido com o ex-marido. Não havia como ser mãe dela. Só a ideia de voltar a encontrá-la lhe trazia um enjôo no estômago, como se não tivesse nenhum controle sobre a situação e tivesse que lidar com uma adolescente que já deveria lhe odiar. Não culpava a criança, só não queria ter mais nada a ver com ela.

Prontamente pediu um copo com água e açúcar para sua secretária e, após se acalmar, telefonou para o escritório de seu ex-marido. Ele havia sido proibido pela nova mulher de lhe falar diretamente pelo telefone. Desirée L´mark deveria saber muito bem como controlar o infeliz na rédea curta. Esperou que a secretária pessoal dele transferisse sua ligação, lidando com ela de forma ríspida ao deixar bem claro que era a ex-mulher dele e que o assunto era de extrema urgência. Fazia muito tempo que havia jogado uma pá de terra e enterrado aquele assunto, mas se o patético do seu ex-marido fazia questão de lhe atormentar daquela forma, ele teria de lidar com seu descontentamento. Talvez ele realmente quisesse que tomasse a guarda da menina para si. Talvez ele estivesse tão saturado dos próprios problemas, com dois filhos novos a caminho, que a menina já não era mais sua prioridade. A garota tinha tudo o que precisava, dinheiro, avós ricos, uma boa educação, um bom círculo social. Contribuía financeiramente para que tudo aquilo fosse possível, mas se aquilo não era o bastante, talvez devesse reconsiderar os termos da guarda.

Annica

[“Mesma história, lugar diferente” - Hanna]

Não era novidade que durante a noite o dormitório de Limoges fosse silencioso, apesar de algumas garotas terem idade pra sair, a maioria respeitava o toque de recolher, e as que não respeitavam ou não tinham noção - que bem iria disciplinar pra ter - ou eram suas amigas e tinham recebido permissão pra isso, mesmo que ela não estivesse escrita em regulamento nenhum.

A albino tinha um hobby dia de sexta a noite que era sentar na sala de convivência do primeiro ano e esperar as calouras tentarem escapar na calada da noite, admitia que algumas tinham bastante criatividade na hora de arrumar motivos pra estar fora da cama. Ou mesmo artimanhas pra tentar sair pela janela. Annica também aproveitava o horário pra trocar mensagens com seus pais que chegavam tarde do trabalho e da faculdade ou com amigos que estivessem acordados aquela altura da noite, perguntava para Sasha como ele lidava com os fujões noturnos. Já ia depois das 2hs da manhã enquanto estava engajada numa disputa de pontos pra cada "causo" mais estranho sobre estudantes de suas academias estava acirrado num placar de 31x32 pra o seu lado.

Logo escutou passadas pesadas, e era curioso quando as calouras nem tentavam enganar que estavam tentando fugir, deixou Sasha esperando do outro lado da conversa com uma reclamação do lado do moreno, então se levantou de onde estava para dar de cara com a aluna fujona:

-- Pra onde vai mocinha?

-- De onde eu vim seria a pergunta mais apropriada…heh.. urhg…!

O grunhido de dor a voz conhecida lhe despertou a memória, e logo estava dando de cara com Hanna, uma de suas amigas e ela não parecia nada bem. Se aproximou da morena em tempo de sentir o corpo dela vacilar sobre os pés descalços, o cheiro de álcool e sangue misturados. Torceu a expressão em uma de preocupação:

-- Venha cá, vou te dar um banho -- Annica bem conseguia erguer a maior parte do peso da morena mais nova.

-- hmmm... vai se aproveitar de mim…? Não estou exatamente no clima agora…

-- Ah vou sim, e você vai dormir comigo hoje, vou ficar de olho em você -- a albina falou com um tom de ordem, como se Hanna não tivesse opção senão seguir o que estava dizendo.

-- Sempre tão mandona… heh…!

Annica levou Hanna até seu dormitório e seu banheiro, se livrou das vestes e ali com a luz do banheiro pode ver os machucados do que tinha sido uma noite furada. Não apoiava aquele lado bandoleiro da morena mais nova, mas nao adiantava impedir, então se resignava a tomar conta dela, no outro dia quando ela estivesse melhor ralharia como de costume. Foi um banho rápido com água morna pra se livrar do sangue e álcool, entregou um de seus pijamas, e entregou analgésicos pra dor.

-- Não vai me dar bronca presidente? -- a morena perguntou num tom de gracinha já bem acomodada em sua cama:

-- Vou esperar você está de ressaca amanhã de manhã.

-- hmmmm… malvada…!

Não demorou pra que ela dormisse, imaginava que se deixasse ela dormiria nas escadas ou no chão do próprio quarto. O tempo de ajudar Hanna a se acomodar Sasha tinha arrumado mais umas doze histórias de estudantes fujões, ele sempre tinha sido tão competitivo? Restava admitir a derrota naquela noite.

Arman

[“Um ponto de vista” - Fleur]

Arman pareceu demorar muito para entender o que tinha acontecido, e do momento em que sentiu a dor do lápis enfiado no olho e entendeu a situação em que estava, tudo pareceu se mover devagar demais e de um modo tão distante que ele mesmo não parecia ser a vítima. Era como se estivesse observando as coisas em câmera lenta e de um lugar muito estranho. Ele entendia o que tinha acontecido e ao mesmo tempo parecia não ser capaz de acreditar que havia um lápis fincado em seu olho, e assim permaneceu, enquanto era assistido para sair da sala de artes, para chegar à enfermaria e esperar pela ambulância que lhe levou à emergência no hospital geral de Cerise sob o som da sirene que ecoava distante em seus ouvidos.

Ele quase não respondeu às perguntas que soavam indistintas. Houve as vozes preocupadas dos alunos que lhe ajudaram na sala, a voz mais intensa do enfermeiro de St. Clavier e dos enfermeiros que vieram na ambulância para lhe dar assistência. O máximo que respondia era com um "hm" positivo ou negativo, e aquilo ainda dependia muito da interpretação das pessoas que lhe atendiam. Embora tivesse passado todo aquele tempo consciente, como num estado de choque, o corpo parecia estar completamente dormente.

Não soube quanto tempo passou na ambulância e quando chegou ao hospital, Teve a impressão de ouvir a voz distante de sua mãe e depois de uns longos minutos, tudo finalmente ficou escuro.

O sono foi bem desagradável do pouco que podia sentir, quando abriu os olhos, não lembrou de nada além de uma escuridão enorme e desagradável que foi cortada só por uma sensação de dor aguda na cabeça, que lhe obrigou a abrir os olhos, ou ele imaginou que tinha aberto ambos os olhos, porque o cenário muito claro ao seu redor estava embaçado e indistinto. Ele piscou algumas vezes, até fazer sentido do teto branco e da luz que parecia muito forte no meio da sala, com o corpo todo mole. Tentou se mover, mas os braços pareciam muito pesados para se levantar. Só depois do que pareceram longos minutos, foi que ouviu uma voz muito familiar.

- Arman?! Arman, meu filho, está me ouvindo?!

Arman virou o rosto para o lado, ou ao menos achou que tinha virado, mas Fleur entrou em seu campo de visão ainda embaçado. Ao menos tinha bloqueado parte da luz. Só conseguiu piscar algumas vezes, a respiração funda saindo pelos lábios entreabertos.

- Arman, querido, como está se sentindo? Algum desconforto? Eu vou chamar o médico....

- Hm... mãe?

- Sim? Estou aqui, Arman. Está sentindo alguma coisa? - de novo, Fleur entrou no campo de visão dele.

- Mãe... - ele a encarou de perto de novo, ainda assim sentindo a visão um pouco embaçada e piscando longamente. - Olho... direito... não enxergo.

Arman queria poder enxergar melhor naquele instante, porque teve certeza de que a expressão de Fleur tinha mudado, mas estava com a cabeça pesada e a visão turva para confirmar aquilo. Só percebeu quando ela levou a mão até cobrir os lábios e então entendeu que provavelmente tinha usado as palavras erradas.

- Desculpa, mãe... - ele fez um esforço para levantar a mão e conseguir tocar o rosto de Fleur que finalmente baixou a mão e, de tão perto, ele notou que o rosto e os olhos dela estavam vermelhos como ele não via há muito tempo, inclusive, a ponto de sentir as lágrimas caírem em seu rosto. - Eu estou bem… não se preocupe.

Renaud

[“desculpas e obrigado” - Dia, Wilbert]

Depois de saber por Sasha que provavelmente o professor Funske seria afastado da função dele de professor, o jovem Blanco se sentia dividido na questão, porque tinha sido escolha do próprio francês em participar da avaliação mesmo não estando no seu estado de saúde perfeito. E mesmo que o professor pudesse impedi-lo de fazê-lo, não tinha dado qualquer sinal de que estava tão mal a ponto de estar incapaz de cozinhar. A verdade era que tinha tido muito azar, e Wilbert era péssimo pra lidar com situações de crise. Cada um tinha sua parcela de culpa naquela situação, mas o maior peso era das próprias circunstâncias.

Guiado por esse sentimento de que devia ao menos informar como estava após o retorno aos dormitórios e depois de estar mais recuperado do choque dos machucados, Renaud Blanco digitou mensagem de texto para o professor:

“Estou vivo, mas isso você já imaginava. Estou enviando mensagem de texto porque não consigo segurar o celular ainda, mas não se preocupe comigo, eu tenho todo o apoio de que preciso na Academia, tanto do meu namorado, quanto dos meus amigos mais próximos. E apoio da minha família também, por mais estranho que isso possa parecer. Sei que você ainda vai ter muita dor de cabeça sobre todo o ocorrido, e eu sinto muito por isso. Não estou nos meus melhores dias, mas também não estou no pior. Vou sobreviver, pode ter certeza. Espero ter outra oportunidade pra dividir cozinha em um momento onde ambos estejamos bem. Se cuide.

Att, Renaud Blanco.”

Da mesma forma que aquela situação tinha lhe mostrado o quão “frágil” estava seu corpo diante do processo de recuperação com auxílio da medicação, para um lado positivo, tinha percebido que tinha suporte na própria família. Do qual jamais tinha imaginado que viria, era estranho, mas não era um estranhamento negativo, muito pelo contrário, era bom perceber que podia receber palavras de conforto de alguém que não esperava que sentisse qualquer coisa por sua pessoa. Talvez fosse como o próprio psicólogo já tinha destacado antes, muito provavelmente estava construindo aqueles laços e vínculos a muito tempo, só que sem perceber que os estava fazendo.

“Bom Dia! E eu pensei em várias formas de começar essa mensagem, mas não cheguei a nenhuma boa ou melhor que um “bom dia”, sei que lhe causei bastante dor de cabeça e preocupação com o acidente, e eu sinto muito por isso. Agradeço pela preocupação, pela disposição, pelo tempo… bem, por tudo que você dispôs durante a situação e que eu sinceramente não esperava. Mas posso dizer que me deixou feliz (?). Ainda estou pensando sobre como me sentir sobre isso. Estou em processo de melhora com o auxílio do meu namorado e dos meus amigos mais próximos aqui em St. Clavier. Se não for lhe incomodar posso mandar outras mensagens para conversamos mais e lhe deixar a par do meu estado. Novamente, obrigado por se preocupar.

Att, Renaud Blanco.”

Leona

[“Tostadas” - Leona, Carissa e Boyd]

O fato da leoa agora ser uma mãe, era uma das conversas do momento dentro da delegacia, mesmo que nenhuma palavra tivesse saído da boca da própria Leona. E mesmo que estivesse livre do caso mais complicado que tinha lidado na cidade do interior da França ainda tinha uma par de papéis e burocracia para lidar, audiências pra ir, afora a corregedoria querendo saber mais do processo todo de resolução. Antes de se afogar em mais papéis ouviu a voz conhecida do mais recente colega de trabalho:

- Você sabe que não precisa cuidar dessa papelada sozinha?

- Isso quer dizer que o vai fazer pra mim oficial Garret?

- Chutei a porta, o criminoso estava armado, atirei em legítima defesa. Pode copiar e colar em todos, eu assino amanhã. Viu? Objetividade é tudo, sabichona.

- Quem dera toda sua objetividade fosse o que eu preciso, como eu fui uma das responsáveis por muitas abordagens no caso, os relatórios têm de ser feitos por mim. Agradeço a boa vontade, mas dispenso.

- Então eu posso ficar de olho no guri, sei que a Carissa não ia reclamar.

- Quem lhe disse que eu estou precisando de ajuda com meu filho?

- Essas resmas de papel na sua mesa, além da sua cara de ser independente inatingível. Conhecendo você, ia morrer calada comendo salgadinho da máquina por 3 dias. Mas e aí? Tou preocupado dele virar vegetariano morando com vocês.

- Não.

- O que foi? Tá com medo que eu coloque um rifle na mão do garoto? Claro que não. Uma pistola calibre pequeno seria mais apropriado. Viu? Sou um bom pai. Mas sério, eu posso cuidar dele, sou bom com crianças.

- Tá bom. Eu sou mãe dele, sei o que é melhor.

- Você? Leona, você não sabe fazer uma torrada sem causar um incêndio. Como vai cuidar do menino? Vai alimentar ele de salgadinhos?

Leona pausou o que estava vendo e encarou o maior com uma expressão contrariada e surpresa, mal humorada, mas foi impossível não perceber que ela não teve uma resposta praquele comentário. Logo em seguida o outro oficial abriu um largo sorriso, seguido de um tapinha amistoso no ombro da colega de trabalho:

- Vou pedir minha folga pra amanhã, depois combino com a Carissa de passar no apartamento de vocês.

Naquele dia na mesma noite, depois de chegar do trabalho na delegacia e dar atenção ao seu filho Adrian que ficava dia a dia menos acuado pelos cantos de casa a procura da figura de Jack. Leona se aproximou de Carissa uma expressão indescritível, que fez a morena mais nova estranhar e perguntar:

- Aconteceu alguma coisa na delegacia hoje? Que cara é essa? Outro caso complicado? Outro maníaco? Um traficante?

- Carissa você acha que eu sou uma mãe ruim porque não sei fazer torradas? - a expressão de quem estava triste ao fazer aquela pergunta era tão real, que mesmo que parecesse uma brincadeira Carissa podia perceber que era uma pergunta séria:

- De onde você tirou isso?

- Você acha que eu preciso aprender a fazer torradas? As minhas ficam tão ruins… nossa!

A reação de Carissa foi rir e abraçar a parceira de forma carinhosa, porque era até adorável que ela ficasse tão preocupada por causa de um comentário bobo solto. Aquele era um lado de Leona que com certeza Carissa passaria a ver mais vezes conforme seguissem como um casal.

Jack

[“Uma despedida breve”, Jack, Adrian, Leona]

Os acontecimentos mais recentes na vida pessoal e profissional de Jack pareciam ter se alinhado cosmicamente para lhe deixar abalado a um ponto que nem seu horóscopo, um item de sorte e a cor do dia lhe ajudariam. A viagem para a Europa tinha sido para assuntos pessoais e profissionais que se tornaram uma bola de neve, a ponto de lhe deixar mentalmente exausto. E talvez o universo também estivesse direcionando todas as forças cósmicas para lhe ajudar a aguentar o estresse mental, porque em que cenário improvável encontraria não só Leona (que já sabia estar em Cerise), mas também Talulah e Gustav no mesmo lugar? Até Talulah tinha lhe ajudado a liberar um pouco de todo o estresse mental, mas toda a energia tinha sido drenada depois da investigação com a Interpol e de ter resgatado Adrian por baixo dos panos.

Daquela vez, Leona tinha sido o seu porto seguro, era a segunda vez, em trinta anos de vida (exceto pelo tempo em zona de guerra), em que tinha se deixado depender tanto de outra pessoa. De um "amigo", aquela era a palavra certa. E Leona tinha lhe ajudado mais do que ele esperava de qualquer outra pessoa, porque tinha concordado em cuidar da criança que ele tinha levado sem qualquer explicação detalhada. Adrian estava obviamente debilitado, abaixo do peso, anêmico e não falava muito. O garoto dificilmente tomava alguma atitude, que não fosse para acompanhar Jack pelo pequeno apartamento ou segurar-lhe a barra da roupa, o que só confirmava que a situação da qual tinha sido resgatado por Jack o deixava muito dependente do mais velho.

Carissa era quem mais tentava interagir com Adrian, e sempre oferecia todo tipo de interação, desde brincar com canetinhas coloridas, até um biscoito com leite e um desenho animado na TV. Adrian até acompanhava a morena sem muito protesto, mas era inevitável voltar para perto de Jack quando tinha a oportunidade. Leona estava obviamente preocupada com o estado físico e mental do garoto, e Jack sabia que ela iria se aproximar, mas naquele período muito curto de tempo que ele podia compartilhar com Adrian, era claro que ela estava dando espaço aos dois.

Mas o tempo de descanso passou mais rápido do que ele gostaria, e no fim da tarde do domingo, Jack já estava vestido de volta nas roupas sociais alinhadas, a camisa azul escura contradizia a cor da sorte do horóscopo, mas Leona nem precisou questionar para saber que ele estava usando a cor de sorte, só não era na camisa. Jack tinha chegado ao apartamento só com as roupas do corpo, identificação oficial, armas e Adrian. O dia do fim de semana tinha tirado um par de horas só para conseguir mais roupas para ele e para o garoto, mas agora estava prestes a voltar para Paris de novo só com a roupa do corpo, as armas no coldre, a identificação oficial e a carteira. E quando ele calçou os sapatos na entrada do apartamento pequeno, não foi surpresa que Adrian já tivesse deixado a companhia de Carissa e Leona de lado para se sentar um passo atrás de Jack na soleira.

O loiro apenas lançou um olhar breve na direção de Adrian e depois de Leona que estava observando de longe enquanto Carissa preparava algo para o jantar. Ele terminou de calçar os sapatos para ajustar a posição, sentando-se daquela vez ao lado de Adrian, que acabou se encolhendo no pequeno espaço, mas segurou uma pequena porção da camisa de Jack.

- Você pode chegar mais perto, Adrian. - Jack sorriu para o menino, passando a mão no topo da cabeça dele, bagunçando um pouco os cabelos loiros desalinhados. Os fios longos cobriam parte dos olhos dele, especialmente porque ele vivia com a cabeça baixa. - Venha aqui.

Jack estendeu as duas mãos na direção do garoto, ainda sentado no chão ao lado dele, e Adrian finalmente reagiu para se aproximar. Jack ajustou a postura e o colocou sentado no meio das pernas, era fácil cobrir o garoto completamente com o seu corpo. Ele ainda olhava para baixo, na direção das mãos de Jack logo abaixo das suas muito pequenas.

- Você gostou daqui? - Jack perguntou, mantendo as mãos do garoto sobre as suas. - A Leona e a Carissa são legais, não são?

Ele não respondeu com palavras, continuou olhando as mãos sobre as de Jack e o mais velho fechou as mãos em volta das dele.

- Adrian, eu quero que preste atenção agora. - Jack baixou um pouco mais a cabeça como se fosse confidenciar um segredo, falando pausado para se certificar que ele entenderia o seu francês. Só então foi que o garoto ergueu a cabeça para encarar Jack de volta por trás dos fios desalinhados da franja. - A partir de agora, você vai ficar com a Leona e a Carissa, certo? Elas vão cuidar bem de você, todos os dias. Não vai ter que voltar para aquele lugar, nem ficar sozinho.

O garoto ainda não respondeu, mas baixou o olhar de novo com uma expressão mais abatida. Ao menos era a confirmação de que ele tinha entendido muito bem as palavras de Jack.

- Eu não posso ficar aqui todos os dias, também não posso lhe levar comigo, mas eu prometo que volto, certo? - Jack finalmente soltou as duas mãos pequenas e passou uma mão pelas costas do garoto, envolvendo-o num abraço breve para beijar o topo da cabeça dele. - Seja um bom garoto enquanto eu estiver fora. E não deixe a Leona fazer comida.

Jack soltou os braços em volta do menino, que tinha ocupado as mãos com a barra da própria camisa folgada. O mais velho se levantou e colocou Adrian de volta em pé ao seu lado na entrada, virando-se para Leona que ainda os observava de longe. Ele colocou a mão de novo no topo da cabeça de Adrian.

- Eu sei que não vai precisar de ajuda, mas prometo que se trocar o número, você vai ser a primeira a saber. - Jack avisou a Leona, e ajustou o blazer para finalmente deixar o apartamento, com um último "se cuide" para a loira e para Adrian, que permaneceu exatamente onde estava, na soleira do apartamento mesmo depois que Jack fechou a porta e partiu.
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