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Uma Lição sobre Amor [+18][Zazou]
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Jade nem teve tempo de pegar o copo de água ou agradecer, quando sugeriu ser namorado de Zazou, o outro prontamente engasgou na água que estava tomando e a reação colocou um sorriso divertido no rosto do prostituto, especialmente porque não só a reação exagerada, mas a expressão de surpresa deixou Jade bem satisfeito. Zazou estava sempre com uma cara de irritação, não de quem tinha sido pego desprevenido daquele jeito. Jade só se virou na cama, ficando deitado de bruços, balançando os pés onde seus saltos tinham resistido à sessão de sexo.
- E quem disse que eu vou largar a vida de prostituto? Não quero que você me banque, quero que seja meu namorado. - Jade respondeu, como se fosse uma racionalização lógica. - Namorar não significa necessariamente abandonar o emprego, não é? Até o padre largou a batina e começou a dar aulas em St. Clavier. Eu posso continuar com o meu trabalho e você com o seu e termos um relacionamento sério ainda assim, hm?
Jade continuou balançando os pés, as palavras saíam cantadas dos lábios dele, como se estivesse tratando de um assunto muito ordinário.
- Eu fiquei curioso com o caso do Otheo e do padre. Mas eu sempre estive nessa vida, nunca nem pensei no que é um relacionamento sério. Se for pra testar, quem melhor do que meu querido dono? Se um namorado não for uma pessoa por quem você geralmente não cobra o sexo, então não sei o que é. - disse Jade, apoiando o queixo numa das mãos para continuar observando Zazou. - Parece interessante... esse sentimento de devoção um pelo outro. Por que não testamos?
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A testa franziu lentamente para a usual expressão ranzinza a medida que Jade foi explicando com aquele modo faceiro e divertido dele que não tinha a intenção de largar a vida de prostituto, que só lhe queria como namorado mesmo. Não era o tipo de cara que mandaria ele largar tudo por um relacionamen- aliás, nem teria um relacionamento, nem sabia se Jade gostava dele mais do que como um brinquedo anti-estresse. O que ele queria dizer com um “relacionamento sério” considerando que não tinha uma grama de seriedade no rosto de Jade naquele momento?
Estava ficando mais confuso.
Isso até perceber o quão casualmente ele lidava com tudo aquilo. A medida que o prostituto explicou o que ele estava pensando, Zazou começou a fazer algum sentido do pedido. Não era que ele queria um relacionamento sério, era que ele queria a experiência de um relacionamento sério... um jogo? Talvez fosse um jogo. O traficante ergueu de leve o queixo, estreitando os olhos pare o moreno enquanto pensava.
- Ah... ahhh... acho que tô te entendendo. – Zazou comentou, balançando o indicador enquanto organizava as ideias. – Primeiro que dono é a merda. Segundo... não sei se sou a melhor escolha pra testar não. – adicionou, coçando a nuca. – Não quero meter ninguém nas minhas merdas por acidente... então não posso ser seu namorado de mentira ou de verdade passando da porta. Pode dar ruim pra você. – falou, e então puxou uma cadeira para pôr os sapatos de volta. – E se você tentar com alguma das meninas? – sugeriu, olhando de lado para Jade. Não teria nada contra a ideia, apesar de não ser nada experiente no quesito relacionamentos, se não fosse o fato de que era inquieto demais por ter sempre um alvo nas costas. Com certeza não queria Jade sendo visado por uma besteira.
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Jade só riu entretido quando Zazou reclamou, de praxe, de ser chamado de dono. Claro que era exatamente por isso que continuava com a brincadeira e o fazia há uns bons quinze anos que os dois se conheciam. Talvez ele tivesse razão em não ser a melhor pessoa para testar, considerando a fama dele e as amizades e inimizades que tinha no caminho, mas parecia até mais interessante que testasse com ele para ter uma experiência ainda mais excepcional de um relacionamento criminoso. Não era o que acontecia nos filmes de máfia?
- Eu acho que já passei merda suficiente na vida, uma a mais ou uma a menos por conta do meu namorado, não seria romântico morrer por amor? Eu posso ser aquelas esposas da máfia italiana que são respeitadas pelo grupo todo, o que acha? Parece interessante. - ele comentou, com a casualidade de quem falava de um programa de TV e não da própria vida, mas para quem tinha passado por tantas merdas reais quanto ele e Zazou, parecia até lógico que eles se entendessem naquele quesito. Mas ele torceu o nariz numa careta quando Zazou ainda sugeriu namorar alguma das meninas do bordel. - Tch, claro que não vou tentar com as meninas, primeiro que elas não me interessam, segundo que nenhuma delas me conhece tão bem quanto meu dono. Hm... talvez a Lilú? O que será que ela anda fazendo da vida pessoal dela? Será que ela tem relacionamentos sérios? Mas eu acho que a gente ia se comer mais do que namorar. E não falo de comer no bom sentido. Ela podia ser a nossa conselheira amorosa, o que acha?
Se Jade já tinha pensado em diversos desfechos para o que estava fazendo com Zazou, agora parecia estar só adicionando informações a um roteiro muito elaborado de romance de novela.
- Ainda prefiro meu dono nessa posição, se quer saber.
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Zazou não achava que Jade tinha agora uma vida tão de merda que quisesse adicionar uma maior, ou até ter a ideia idiota de morrer por amor. Levantou de leve o canto do lábio em desgosto, e então sacudiu a cabeça negativamente sobre ele ser respeitado pelo grupo todo como uma “esposa da máfia”.
- Caiu de cabeça do pole dance? – perguntou com um ar leve de descrença. Antes até achava que precisava se preocupar muito com Jade e tirar aquela ideia da cabeça dele, mas pelo visto ele tinha tanto apreço pela própria vida quanto Zazou. Ou talvez os dois já tivessem vivido o suficiente para saber que aquela sensação de segurança poderia acabar em qualquer instante, então não valia se impedir de experimentar nada por isso. – Prefiro ninguém morrendo por mim, pior por amor.
Fez uma cara feia automática quando Jade mais uma vez enfatizou o chamado de dono. Bufou, soprando os lábios com barulho e depois ouviu a possibilidade de ainda mais difícil dele tentar com a Lilú. Não sabia lá porque eles não se gostavam, mas não era seu lugar meter o dedo no relacionamento entre a cafetina e Jade. Já estava todo pronto ali para ir embora, a única coisa que lhe impedia era aquela conversa absurda do prostituto. Mas afinal, se ele consentia mesmo sabendo dos riscos e não tinha desvantagens demais para si, tinha um motivo real para negar?
- Namorado meu não me chama de “dono”, tá sabendo? – Zazou falou com um tom sério. Bom, não tinha porque negar Jade aquilo, considerando que era só um reforço de que o sexo era grátis mesmo, e supunha que não era como se o prostituto lhe achasse horrível e vice-versa. – E eu tenho só um punhado de gente de confiança que mereceriam saber quem é você. Nenhum deles me respeita, então não conta com o papo de “esposa da máfia”. – adicionou, sacudindo a cabeça de forma negativa para todas aquelas ilusões do moreno.
Zazou se aproximou mais uma vez de Jade, e então deu um toquezinho na testa do moreno com os nós dos dedos sem força.
- Ei. Odeio me repetir, mas... não se meta nas minhas encrencas por besteira, Jade. – o traficante então deu de ombros, e sorriu de leve com o canto dos lábios. – Se quiser mesmo... tenho nada contra sexo de graça.
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Zazou ainda parecia bem contrário a ideia de serem namorados de fato, o que se mostrou com a aversão dele a sua sugestão de morrer num fogo cruzado, quem sabe, o que era no mínimo engraçado, porque àquela altura da vida, Jade estava certo de que não daria a vida por ninguém além dele mesmo. Ele continuou na sua posição confortável na cama, até ouvir uma resposta mais positiva do lado de Zazou, quando ele disse que namorado dele não o chamava por "dono", o que colocou um sorriso satisfeito nos lábios do prostituto.
- Hmmm, significa que eu vou te chamar de Tristan agora? - se Jade sabia que Zazou odiava ser chamado de "dono", quem dirá pelo nome de verdade, que só as meninas do bordel usavam quando estavam falando mal dele pelas costas. Mas nem ele nem Zazou estavam acostumados com os nomes de verdade, embora os dois por motivos bem distintos. - Então já vou ser apresentado pra sua família criminosa como o seu namorado? Já é um grande passo pra nosso relacionamento, eu gosto. Pena que não tenho uma família pra quem te apresentar.
Zazou se aproximou de novo da cama, agora completamente vestido para poder ir embora, tocando na sua testa para reforçar que não era para se meter nas confusões dele. Jade só devolveu com um sorriso astuto.
- Eu sou especialista em sobrevivência, Zazou. Não vou me meter em confusão por besteira, mas eu agradeço a preocupação do meu namorado. Olha só, nunca teve isso, mas parece que está começando bem. - Jade riu e apontou para os próprios lábios. - Cadê meu beijo de despedida, namorado?
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Ouvir “Tristan” da boca do prostituto lhe deixou com um arrepio dos pés a cabeça. Não que odiasse muito o seu próprio nome. Eram mais as circunstâncias em que ele geralmente era usado que lhe deixavam desagradado: 1) quando as meninas do Cordeliers queriam falar mal dele sem levantar muita suspeita de que frequentava o lugar, afinal, Tristan não era um nome lá muito incomum; 2) quando a polícia ou um tabloide local decidia se meter no seu caminho, e aí tinha que ouvir o usual “Tristan Martin, criminoso conhecido como Zazou”. Só a ideia lhe deixava com coceira.
- Se quiser ficar sem língua, claro. – Zazou respondeu num rosnado pontual, ouvindo depois a conversa sobre Jade ser apresentado a “família criminosa”. Ah, certamente seus companheiros estariam no auge do entretenimento se de repente apresentasse Jade como namorado. Quase nenhum deles frequentava o bordel da madrinha, embora soubessem de suas visitas regulares. Mas para descobrir que Zazou conseguia ceder ao capricho do prostituto, as visitas regulares fariam ainda mais sentido. Até estalou a língua pensando no quanto tirariam uma com sua cara.
Pelo menos Jade sabia que não era para se meter em suas encrencas. Enquanto tinha noção que ele era bom em evitar problemas, sabia que se esse tipo de coisas se espalhasse por aí, os problemas viriam a ele. Franziu a testa para Jade acreditando que tinha começado a se preocupar dali. Ora, cuidava de Gris e cuidava dele desde sempre, mesmo sem se meter demais. Estava fazendo algo de novo?
- É coisa de namorado deixar o outro fazer a “caminhada da vergonha” de volta pra casa às 4 da manhã invés de abrir um espaço na cama? – Zazou perguntou num tom falsamente mal-humorado, e então segurou o queixo de Jade sem delicadeza alguma para deixar o beijo de despedida que ele pediu. – Próximo domingo. Traga cerveja. Churrasco na minha casa. – ergueu as sobrancelhas com o convite. Bom, se seria um namorado, supunha que era isso que precisava fazer? Era o que Titi faria pelo menos.
Coçou de leve a cabeça sem saber bem o que mais deveria fazer e então só saiu na direção da porta. Tinha ido atrás de Jade para se cansar com o sexo e poder dormir, mas se fosse bem honesto, toda a bagunça dele sobre um relacionamento tinha lhe cansado muito mais. Só esperava que esse não se tornasse seu pesadelo.
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