09-01-2021, 01:59 PM
Renaud
Renaud estava muito relaxado naquela noite, e estar com seu namorado entre os braços os dois prestes a deitar e descansar um com o outro, parecia até um sonho se concretizando, ou talvez tivesse sonhos muito pequenos, naquele ponto podia dizer até que era humilde. E depois dos seus comentários sobre os alunos mais novos, pensava que o assunto acabaria naquele ponto, não esperava que Didier começasse a gargalhar. Muito menos que ele usaria as próprias palavras de Renaud contra ele, e principalmente destacando uma narrativa que não tinha dito, ou será que tinha?
A reação imediata de Renaud foi fazer uma careta exagerada aquela explicação, seguido de um: - Como é que é? - logo em seguida recebeu diversos beijos e carícias, que não fez qualquer sinal de resistência, apreciava cada gesto, mas a expressão contrariada não fugiu de seu rosto, que normalmente não demonstrava muita coisa, mas naquele momento foi muito fácil de ler: - Eu não disse isso! Disse? - A surpresa do próprio Renaud diante da cena era tamanha, que mesmo que estivesse claro que Didier estava lhe zoando um pouco, o fato das coisas que ele tinha dito fazerem sentido, era que deixava o moreno mais novo contrariado de não ter percebido aquilo na própria fala. Retribuiu o abraço e o moreno mais novo franziu as sobrancelhas num nível próximo do que o secretário amigo dos dois costumava fazer.
Seguiu conforme o loiro mais velho lhe guiava para se deitar na cama, embora ainda estivesse naquele modo contemplativo das próprias palavras, como se a ficha não tivesse caído. Deitou com as costas contra o colchão e deixou que o namorado se acomodasse em cima de si, era até mais fácil mexer os braços e mantê-lo ali bem abraçado junto do seu corpo. E até passaria mais tempo com aquela expressão no rosto se o próprio Didier não tivesse sugerido que Renaud e os primeiranistas pudessem ser amigos. A surpresa foi tão clara, que Renaud encarou o loiro naquela pouca distância: - Você tá de brincadeira comigo? - O moreno começou falando de um jeito que era até cômico porque ele não parecia com raiva, apenas muito contrariado com a proposta: - Não é como se eu me importasse isso tudo com eles não- …! - Renaud parou no meio do caminho, e ficou pensativo novamente, porque de fato, não era como se odiasse os mais novos, apenas os achava “molengas”:
- Se considerar que eu tenho vontade sim de dar uns bons cascudos em cada um deles, talvez não seja “tanta preocupação” não, porém, se você me dissesse que alguém mexeu, machucou ou fez algum tipo de mal sério com qualquer um deles, eu sei que ficaria muito irritado, então talvez, só talvez eu me importe um pouco com eles. - Chegar naquela conclusão tinha gastado seu acervo de expressões de surpresa. Renaud firmou o abraço em torno do corpo de Didier, apenas evitando de encostar as palmas das mãos, e então encostou as pontas dos narizes: - Você fica brincando com a minha cara por causa disso, mas eu nunca disse que era bom lidando com pré-adolescentes, veja só, eles tem a idade do Robespierre meu irmão caçula, e você pode imaginar como eu sou um ótimo irmão mais velho. - Rodou os olhos sem se levar a sério, beijando Didier uma vez, depois uma segunda e terceira vez em selinhos amistosos.
- Eu até aturo crianças bem pequenas, eu tenho um acervo enorme de canções de ninar e contos de fada pra me ajudar, mas chegou na adolescência pra mim a pessoa deixa de existir e só volta depois de adulto. Você tem paciência demais. - Admitiu fechando os olhos brevemente fazendo uma falsa expressão de cansaço e derrota, pra logo em seguida dar um risinho da própria atuação de má qualidade.
Didier
Já tinha visto Renaud fazer muitas caras. Porém obviamente não tinha visto ele fazer a expressão do Isaac nenhuma vez na vida, ainda que já tivesse visto ele imitar a voz do secretário do conselho algumas vezes. Foi no mínimo engraçado como Renaud não tinha ideia de como as palavras dele poderiam ser interpretadas. Supunha que aquilo era um deslize; sua boca foi mais rápida que seu cérebro, e aí ficou claro para Didier que ele até gostava sim dos adolescentes dos primeiros anos. Nem que fosse algo de mera convivência.
Deitado por cima de Renaud, ficava ainda mais fácil observar o abuso e a reclamação. Ele não parecia muito bravo, mas certamente não engolia a ideia de ser amigo dos pollitos. Sem perceber, abriu um sorriso largo quando ele disse que ficaria puto se alguém fizesse algum mal sério contra eles.
- Renaud, não é porque você quer dar coscorróns neles que você gosta menos. Eu sou acolhedor, pero los regaño quando eles merecem ser regañados. Essa también é uma forma de cuidar, ainda mais porque eles são muito estúpidos quando querem. – Didier riu, cruzando os braços por cima do peito de Renaud e encostando o queixo sobre os mesmos, confortável em cima do moreno, mas tentando não esmaga-lo com seu peso.
Se ajeitou para encostar melhor o nariz no dele e receber mais beijinhos em seguida, depois de comentar sobre o relacionamento com o irmão mais novo. Realmente nunca via Renaud comentar sobre Robespierre, e isso lhe fez erguer as sobrancelhas para pensar.
- Bom, se seu hermano más chico for tão gomelo quanto parece nas fotos do jornal de Cerise, não me surpreende que você não tenha paciência para ele. E é difícil ser o hermano mayor de um hermano más chico chato. Eu acho, né, sou filho único. Mas vai que você seria um bom irmão se quisesse ser... – Didier comentou, e devolveu alguns selinhos em Renaud, disfarçando uma expressão desagradada porque lembrou de Sasha, que com Renaud, tinha esse relacionamento de irmandade desagradável. Só acabou se surpreendendo quando ele falou que sabia lidar com criancinhas, o que lhe fez arquear uma sobrancelha. E achou no mínimo engraçado que ele pensava que adolescentes não eram pessoas. – Está aí algo que eu queria ver. Tu y un bebe. Mas seria só você, porque é fácil conversar com os adolescentes. Crianças pequenas não fazem nada bien, nem conversam. – riu então da atuação ruim de Renaud. – Eu tenho tanta paciência quanto você é bom ator. As vezes dá muito certo, pero na maioria das vezes é ruim assim.
Beijou longamente Renaud, os dedos colocando os cabelos escuros para trás e fazendo um carinho suave.
- Ao menos ahora lo se que se abandonarem um bebe com a gente, posso lhe deixar criar até os 13 e depois só preciso ter a responsabilidade até os 18. – brincou, colocando uma cara convencida de que sua ideia era sensacional.
Renaud
Estar acompanhado de Didier em seu quarto, e não estarem envolvidos em uma cena de sexo era bem uma novidade para si, mas estava tão imerso nas novas sensações de conforto e intimidade que dividia com o namorado, que sequer pensava na parte sexual da coisa. Em verdade, se percebia muito mais carente de atenção, contato e carinho, do que antes, e tinha sim que admitir que desejava ter aquele tipo de proximidade a bem mais tempo com o outro. Esperava não se transformar num namorado grudento, mas pelo menos naquela noite estava se dando uma folga, e aproveitando que podia manter os braços bem juntos a corpo de Didier. E embora não quisesse dar tanto crédito a narrativa de Didier sobre “gostar dos pollitos” também não achava argumentos para negar, então por cansaço de pensar no assunto, resolveu só aceitar que gostava um pouco dos menores sim.
Em contrapartida quando começaram a falar de seu irmão mais novo, não foi surpresa que a única imagem mental que o loiro tivesse do mesmo fosse as fotos do jornal de Cerise. E não podia negar aquilo, afinal Robespierre não tinha só a cara de enjoado, ele ERA a personificação do garoto rico enjoado, era um clichê pronto, que o próprio garoto de catorze anos gostava de sustenta: - Tudo costuma ser pior ao vivo. - Renaud acrescentou brevemente apenas reforçando que seu irmão mais novo era chato, mas que isso não lhe isentava de ser um irmão mais velho ausente. Porém estava num internato e não tinha como estar em Paris e em Cerise ao mesmo tempo apenas para satisfazer os desejos de seu irmão caçula;
E devia passar uma imagem muito ruim mesmo com crianças porque o loiro sequer podia imaginar que por ser o filho mais velho do filho mais velho dos Blanco, isso queria dizer que todos os seus primos eram mais novos. Bem mais novos. Concordou que estava se saindo um péssimo ator ali, assim como Didier também não era necessariamente o sinônimo de paciência, mas deixou os pensamentos de lado quando foi beijado, retribuindo o gesto e deixando-se levar com muita facilidade. Deslizou a ponta dos dedos contra as costas de Didier de um jeito suave em uma carícia, tomando cuidado para não magoar as mãos no processo.
Após se afastar da carícia, o jovem Blanco riu abertamente, muito mais descontraído e relaxado, diante do projeto de plano do namorado da criação dividida de um suposto bebê perdido deixado sob os cuidados dos dois:
- Se meu celular não estivesse longe, eu poderia provar minha experiência com crianças pequenas com fotos, mas vou lhe dar uma imagem mental pra lhe ajudar a imaginar as cenas da minha infância. - o moreno mais novo riu sem se levar muito a sério, levando uma das mãos aos fios claros de Didier e colocando-nos atrás da orelha do mesmo, expondo mais do rosto do namorado: - Minha avó teve quatro filhos, Deodatos meu pai, Denise, Dorian e Dia, essa última sendo a que falou com você no Hospital, ela é só uns três anos mais velha que eu, e só a Dia não tem filhos ainda. - A medida que ia explicando ia dando toquinhos com as pontas dos dedos nas costas do loiro, com a outra mão que repousava lá, para ajudar na contagem: - Eu tinha cinco anos quando o Robespierre nasceu e no mesmo ano a Denise, teve uma filha, dois anos depois vieram mais três primos pelo lado da família do esposo dela, dois anos depois, Denise teve outro filho, e vieram mais dois primos pela família da esposa do Dorian, que teve um filho no ano passado. Já perdeu as contas? Então eu resumo. - Renaud riu e continuou contando com a ponta dos dedos sobre as costas do Didier, porque aquilo também lhe parecia divertido em cutucar o namorado em pequenas cócegas: - Quando eu tinha nove anos, eu tomava conta do meu irmão com quatro anos, e mais seis primos menores, respectivamente com quatro anos, dois anos, e recém nascidos, só o Dorian me deu folga. Denise sempre dizia, “Renaud é tão comportado pra idade dele”, então eu era a miniatura de adulto pra qual eles empurravam as crianças pra tomar conta.
Nem se incomodava com aquilo, e em verdade era bem capaz que apenas fomentasse mais ranço de sua família no namorado, mas nem negava porque o próprio Renaud não aguentava as interações. Nem tinha nada contra cuidar dos primos pequenos, mas não era como se fosse obrigação dele fazer isso:
- Não que eu tivesse de estar sempre com todos, no geral eu só tinha de aturar o Robespierre me usando de escudo quando a Francine da mesma idade o incomodava, ele sempre foi um chorão, talvez daí que venha meu desgosto por pessoas molengas. - O jovem Blanco chegou aquela epifania sozinho no meio do seu longo discurso sobre sua família, e até que fazia sentido, não querer que os primeiranistas fossem um monte de versões coloridas do seu irmão caçula: - enfim, quando eu já estava com meus doze anos e tinha várias aulas particulares que ocupavam praticamente todo o meu dia, eu passei a ter cada vez menos contato com o Robespierre, até que minha mãe se mudou pra Paris na mesma época que eu entrei aqui em St. Clavier já com catorze, daí eu só o vejo muito raramente.
Didier
Inevitavelmente riu quando Renaud colocou que o irmão poderia ser bem pior ao vivo. Se ele já passava a péssima imagem de menino engomadinho pelas fotos, aceitava o que o namorado dizia que ele deveria ser terrivelmente mauricinho de verdade.
Estava apreciando aquela proximidade dos dois no momento. Fechou os olhos para apreciar a sensação dos dedos de Renaud tirando seus cabelos do rosto, estranhando um pouco toda a interação sem malícia dos dois, e as conversas que eram apenas conversas bobas sobre bebês abandonados na porta de St. Clavier, ou a família de Renaud, mas não era ruim. Só era algo a qual Didier certamente não estava habituado. Mas a cumplicidade do momento não era ruim, de modo algum.
Renaud começou a explicar sobre a família Blanco, o que para um garoto que tinha crescido basicamente com a mãe e uma série de padrastos e namorados da mãe como parentes, era um tanto fascinante, porque eles eram muitos. Só não segurou a careta quando ele mencionou a tal Dia, que tinha lhe impedido de ir ao hospital como uma atitude brusca. Era irritante pesar ainda mais que tinha atendido ao pedido de ficar em St. Clavier esperando. Mas não demorou na leve irritação pelo evento do hospital, quando Renaud começou a calcular seus primos, e dizer a ordem em que eles nasceram, como se fosse um problema de lógica matemática que Didier precisasse resolver. Não demorou, a expressão do loiro franziu em muitos cálculos que ele não conseguia acompanhar, e obviamente ainda tentando fazê-los até Renaud notar que tinha perdido as contas.
- Eu não lembraria de todos ellos nem que fosse mi familia! São muitas pessoas. – Didier falou com um ar irritadiço, como se fosse óbvio que não teria memória para lembrar tanta gente. Ele sentiu as carícias a medida que Renaud contava aquela narrativa dos Blanco, e devolveu em toques carinhosos sobre o peito e pescoço, e também nos cabelos escuros, deslizando as mãos suavemente em um cafuné. – Pero mesmo você sendo bem comportado, eles não deveriam deixar os treze mil hijos deles para uma criança cuidar. Vocês são ricos, deveriam ter una institutriz ou niñera para esses encontros de família. Eu sempre achei que gente com dinheiro tinha até mais niñeras do que madres y padres presentes. – Didier fez um leve bico. Também tinha crescido com dinheiro, mas diferentemente de Renaud, era a família mal falada onde estivesse, sua mãe era “a outra” e ela tinha um senso de proximidade muito maior que muitas mães, apesar de tudo.
Sorriu com o canto da boca quando Renaud pareceu compreender de onde vinha sua irritação com gente molenga, nesse caso, com o irmão mais novo que apanhava de alguma garotinha forte de quem ele cuidava.
- Você queria vê-lo mas veces ou ele continua sendo irritante e molenga demais pra isso? – Didier perguntou, relaxando completamente naquela situação. – No lo sé como é ter um irmão mais novo distante, já que sou filho único... deve ser um laço diferente. - então lembrou que Peyrac também era um “irmão” para Renaud e fez uma careta breve.
Renaud
Aquele ponto da noite sentia o corpo todo bem relaxado na posição em que estava com o namorado bem deitado sobre seu corpo, as mãos sequer incomodavam além da sensação de calor latente de saber que elas estavam queimadas. Imaginava que devia ser a mistura de medicação com um momento de paz e conversa casual em muito tempo. Concordou com um aceno de cabeça quando Didier destacou que famílias ricas deveriam ter várias governantas ou babás para cuidar de tantas crianças, e elas até estavam lá só não eram levadas a sério nem pelo próprio Renaud e muito menos por qualquer um de seus primos.
Apreciou o carinho nas madeixas curtas, se aproximando para depositar beijos no rosto do namorado, tragando o aroma da pele e envolvendo o loiro em um abraço carinhoso por alguns longos segundos. Em verdade não tinha parado pra pensar se sentia falta do irmão, sabia que em algum momento do passado o mais novo dependia dele como um “escudo”, já que era o mais velho, era mais respeitado pelos outros menores, mas sabia que hoje em dia não havia qualquer resquício desse tipo de relação. Sequer sabia o que Robespierre gostava ou não gostava, o que queria ou sonhava, então como podia dizer que sentia falta de uma pessoa que era praticamente um desconhecido?
Se afastou um pouco do abraço quando percebeu que tinha ficado tempo demais calado, observando o loiro naquela curta distância, nem sabia direito que expressão estava fazendo, mas devia ser algo entre pensativo e desconcertado:
-- pra falar a verdade nunca pensei se sinto falto do Robespierre, eu já pensei muito sobre “ser um Blanco” mas se eu sinto falta de convivência pessoal com meus familiares de sangue, não é algo que eu cheguei a refletir... -- admitiu com uma voz confidente: -- meu conceito de família é dividido de duas formas: a família que você “nasce nela”, por isso você não tem decisão sobre, afinal, eu não escolhi ser um Blanco, mas eu carrego o nome e as muitas coisas que vem junto com ele. - comentou sobre aquilo, com um aspecto até conformado na fala: -- e a segunda forma, a família que você “escolhe pra passar a vida ao seu lado”, talvez você não vá gostar e ouvir, mas foi Sasha quem me ensinou, afinal eu posso escolher que pessoas quero que me acompanhem e que me conheçam de forma íntima.
Fez uma breve pausa, porque sabia que falar de Sasha iria deixar o loiro irritado, e talvez por isso tivesse desenhado um sorrisinho nos lábios, tornando a abraçar Didier, demoradamente, acariciando toda a extensão das costas dele:
-- Daí o que eu consigo pensar agora é que eu não posso dizer que sinto falta do meu irmão de sangue, porque nós somos muito “estranhos” um pro outro, eu sei que ele me tem como um rival, por causa das comparações vindas da família, mas sendo bem sincero, eu não sei o que ele quer alcançar, o que gosta, não saberia dizer nem a comida preferida, nada disso… -- pausou a fala deixando implícito que conseguiria falar aquelas coisas sobre Sasha, já que era o outro conceito de irmão que tinha: -- desculpe se entrou num assunto que lhe chateia. Sei que você não gosta quando eu falo do Frater.
Renaud depositou um beijo breve sobre os lábios de Didier como um pedido de desculpas, embora bem soubesse que invariavelmente o loiro teria de se acostumar com a presença frequente de Sasha na vida dos dois. Afinal, dentro do que tinha acabado de falar, era claro pro namorado que a presença do “irmão” tinha sido uma escolha consciente de trazê-lo como um familiar pra vida do jovem Blanco.
Didier
Os beijos carinhosos no rosto eram todos bem vindos. Até fechou os olhos para apreciar o carinho e sentir o envolvimento do abraço. Mas sua pergunta colocou alguma pulga atrás da orelha de Renaud, pois ele pareceu colocar uma expressão pensativa, e apesar do momento confortável em que estavam, ele demorou a lhe responder, como se estivesse averiguando se sentia saudades ou não do irmão. E na conclusão ou não de seus pensamentos, viu seu corpo ser solto por um instante, talvez porque estava desconcentrando Renaud. Acabou arqueando uma sobrancelha, esperando-o concluir o que pensava.
Para Didier, que só tinha a mãe como família de verdade e não tinha esse vínculo de família rica, entender as pressões de Renaud era um pouco complicado, mas estava fazendo seu melhor para ouvir. Até entendia no que ele dizia que nunca tinha pensado se sentia falta da família de sangue, porque eram pessoas das quais ele não podia se livrar, enquanto a família “adotiva” dele – e obviamente o nome de Sasha lhe pôs de testa franzida – eram pessoas em quem ele tinha aprendido a confiar. Mas uma coisa era clara para Didier naquela conversa: os amigos que Renaud tinha escolhido como “família” tinham um laço forte, talvez forte como o dele e de sua mãe, e assim como o relacionamento conturbado dos dois, eram pessoas de quem ele ficaria ao lado mesmo que em algum momento eles o machucassem. Afinal, a despeito de tudo, ali estavam os dois, muito bem, iniciando um relacionamento depois de tanto tempo em um relacionamento atribulado diferente.
– Lo só diria que tem também a família que não é sua e você não quer... como o mi padrasto e los novios de mamá. - adicionou, lembrando dos sujeitos péssimos da sua juventude.
Não deixou de notar aquele sorrisinho no rosto de Renaud, e até estreitou os olhos e cerrou os lábios de modo delicado, sentindo o abraço em seguida, que quase lhe lembrava o Renaud charmoso tentando lhe comprar para não ficar com raiva. O fato dele falar que não sabia nada sobre o irmão de verdade, mas provavelmente sabia tudo sobre Sasha não lhe ajudou muito com o mau humor que lhe tomou o rosto, e podia até sentir o próprio bico ficando maior. Nem apreciou também Renaud lhe pedir desculpas por simplesmente ter falado de Sasha. Isso lhe fazia se sentir mais irritado, porque era um livro aberto, e isso só lhe lembrava mais Sasha, inclusive.
- Não gosto. – respondeu depois do beijo, abraçando o corpo de Renaud um pouco mais, soltando um suspiro frustrado. – Pero... não é culpa sua. Não se desculpe. – Didier franziu ainda mais a testa e se agarrou ainda mais ao corpo do moreno. – Eu não sei como é ser rival de su hermano... já que só tenho mamá como família de verdade... mas não acho que está errado em querer um irmão... como um irmão deveria ser. Incluso si es Peyrac. – o loiro até colocou a língua para fora em uma careta, e então continuou como os lábios tortos.
Se parasse para pensar, seu relacionamento muito pobre com o Sasha tinha começado por parte de um grande desentendimento entre os dois. Sasha por não querer lhe entender, e Didier por não querer ouvir algumas verdades. Se questionou se deveria ser honesto com Renaud sobre como se sentia quanto ao presidente do Conselho Disciplinar, mas enquanto estava pronto para admitir seus erros para Renaud, não sabia inteiramente se estava pronto para admitir suas falhas para Sasha, até porque imaginava que ele se achava um santo imaculado.
- Sabes, Renaud... talvez no quieras escuchar isso, pero... eu acho o Peyrac... incrivelmente insensível. Ele fala tudo na cara... e não se importa como isso afecta a los demás. Ele assume que sabe o que está acontecendo, que é tudo simples, que é só mudar... no és solo así. Eu... - Abriu a boca e tomou ar, e depois fechou a boca de novo, hesitando em falar o que queria falar. Mas o próprio Renaud tinha lhe dito que tinha que deixar de abaixar a cabeça e se esconder para deixar de ser covarde. E queria aprender a se abrir, de verdade. Mesmo que fosse um pouco inconveniente para Renaud ouvir aquilo. – Eu não gosto dele porque ele foi o primeiro a dizer na minha cara que eu estava errado em lhe tratar... como lo traté... e ele lhe conhecer há tanto tempo, e melhor do que eu... me deixou com miedo de cambiar... e ficar sozinho por isso, de perder você para ele. E ele... estoy seguro que ele me ressente porque eu tive a chance de ser melhor pra você... e eu demorei tanto assim para deixar de ser cobarde. – a expressão irritada do loiro deu espaço a um olhar mais pensativo, os lábios crispados movendo-se de leve enquanto Didier pensava no que estava dizendo. – Pero agora que sei o quanto estava errado... no puedo odiar a Peyrac. Porque... tudo que ele me disse foi porque queria seu bem. E eu não posso odiar alguém por gostar e cuidar tanto assim de você. – Didier concluiu aquela frase quase entre dentes, achando difícil admitir que parte da raiva que tinha de Sasha poderia se dissipar, embora ainda achasse o cadeirante sem noção. – Desculpa falar dele... só não quero que se desculpe mais por falar dele... me cabrea, pero... se eu puder ser do grupo que “passa a vida ao seu lado”... então acho que posso fazer tanta raiva de volta para o Peyrac quanto ele me faz quando você fala nele. É uma forma de equilibrarnos. – Didier sorriu com o canto da boca, numa expressão injuriada. Claramente era uma brincadeira, mas podia ser verdade também.
Renaud
Da mesma forma que as perguntas de Didier despertavam em Renaud um lado contemplativo e pensador, era bem fácil de notar que os comentários vindos do jovem Blanco, trouxeram não somente pensamentos, mas algumas boas caretas ao rosto do loiro. Permaneceu abraçado ao corpo do namorado, a dor nas mãos distante por causa da medicação, então podia acariciar de leve as costas do outro enquanto ele seguia narrando toda a opinião dele sobre Sasha. O moreno mais novo sabia que Didier não era do tipo de se abrir e falar abertamente as coisas que pensava - mesmo que fosse pra reclamar como era o caso - então imaginava que ele deveria estar fazendo um esforço adicional para colocar todas aquelas palavras para fora.
Renaud não o interrompeu nenhuma vez apenas fazendo meneios de cabeça em concordância durante a fala, e quando o outro finalmente encerrou seu ponto com aquela brincadeira sobre poder “devolver toda a chateação” que seu Frater já o tinha feito passar, o jovem Blanco sorriu, um pouco mais descontraído diante dos fatos:
-- Muita coisa do que você disse está certa, Sasha é “sem noção” pra muita coisa, ele geralmente fala como se soubesse de tudo, e quando não sabe ele “finge” muito bem saber. Não vou defender ele nesse ponto, porque ele sabe ser chato e desagradável quando quer. - E talvez Didier não esperasse que Renaud concordasse com ele naqueles pontos, mas até o próprio Blanco já tinha sido alvo do lado provocador de seu Frater quando mais novo, hoje em dia, ambos sabem que esse jeito fanfarrão para além de um estilo de vida, é a forma que outro escolheu pra lidar com os próprios problemas: -- Você talvez esteja enganado em achar que ele sabe mais sobre mim do que você. -- E sabia que aquilo também causaria alguma estranheza para Didier, mas era bom deixar claro em números pelo menos:
-- Vadiei ao lado do Sasha por dois anos, e em compensação eu estou com você a quase cinco. O que acontece é que, você não sabe o que eu vivi ao lado dele, da mesma forma que ele sabe pouco do que eu passei ao seu lado. -- Renaud falou aquelas palavras com um tom suave, baixo e pausado encarando o namorado diretamente nos olhos, esperando que ele compreendesse que aquilo não era uma competição por atenção, eram apenas partes da sua vida. E enquanto observava o namorado demoradamente levou uma das mãos ao rosto do loiro acariciando a extensão do mesmo até a base do queixo, e respirou fundo, pondo uma expressão mais sóbria e menos sorridente, que antecipava que falaria vinte centavos mais sério:
-- Sobre o meu relacionamento com o Frater, ele é cheio de altos e baixos, mas a parte mais delicada, é que ele salvou minha vida. Sem ele, não teria “Renaud” pra estar aqui agora, e se pensar que ele acabou ficando aleijado e não tem nada que eu possa fazer pra “salvar ele de volta”, é um sentimento amargo não poder devolver o que ele já fez por mim antes. Esse é o motivo principal da gente ter passado tantos anos sem se falar, agora parece bobagem, mas ele se culpa por tudo que aconteceu comigo e com ele mesmo, da mesma forma que eu me culpei por muito tempo também, por não ter estado “lá pra fazer nada”.
Nem sabia quando tinha se tornado tão “conversador”, não se lembrava de falarem tanto sobre pessoalidades e assuntos que machucavam, mas não estava achando ruim aquela inovação dentro o relacionamento dos dois. Era em verdade como tirar um peso das costas finalmente poder se abrir de forma mais ampla sobre sua vida: o que pensava, o que já tinha passado e todas essas coisas que permeavam quem era. Queria que Didier lhe amasse por completo sabendo tudo que poderia saber sobre si, das coisas boas, as coisas ruins, porque sabia, que o amava intensamente, independente das facetas ruins que o loiro pudesse mostrar. Imaginava que depois de tantos desentendimentos e estresses finalmente tinham chegado num ponto onde podiam se resolver sem precisar dos punhos, afinal, seus punhos atualmente não serviam pra muita coisa.
Didier
Sabia que Renaud era honesto o suficiente para entender sua opinião, mas esperava que ele fosse defender Sasha mais ativamente. Ouvir ele concordar facilmente com suas opiniões sobre o sujeito que considerava um “irmão” foi no mínimo curioso. Isso lhe deu alguma validação pros próprios sentimentos, afinal, não era só que estivesse com vontade de ser propositalmente babaca com Sasha por ciúmes. Realmente sabia que ele despertava em si uma gama de sentimentos complicados, que iam desde simpatia até desgosto. Possivelmente não foi surpresa para Renaud que a medida que ele concordasse com a opinião de Didier, o cenho do loiro fosse franzindo ainda mais, pior quando ele apontou que não era necessariamente verdade que entre ele e Sasha, quem conhecia melhor Renaud era o tal frater.
Didier não se considerava tolo o suficiente para não saber que tinha mais tempo convivendo com Renaud do que Sasha, mas era inevitável que pensasse que nos dois anos que o cadeirante conviveu com ele, tinha buscado conhecer o garoto mais a fundo do que Didier nos cinco que tinha estado com Renaud. Não tinha noção, por exemplo, que ele conseguia ser tão emocional, mesmo que soubesse dos problemas que ele tinha com a família. Estava descobrindo muitos lados de um Renaud que não era seu ¬perro ou capacho aos poucos. Mas como o moreno estava convicto de que eram duas situações diferentes, duas convivências diferentes, ele mesmo deveria saber melhor quem tinha visto mais de fato no tempo de convivência.
Apesar de não deixar de franzir a testa, Didier fechou os olhos por um instante para apreciar o carinho no rosto, quase como um gato sendo mimado. Mas até ele teve que mudar as sobrancelhas quando o namorado usou o tom mais sério, encarando-o seriamente de volta quando ele mencionou como era complicado seu relacionamento com Sasha.
- Ah... – Didier não sabia dessa questão de Renaud “dever” a vida a Sasha e se sentir culpado por não estar lá para ajuda-lo quando ele ficou aleijado. Apertou os lábios para evitar interromper ou fazer qualquer comentário insensível, porque não seria difícil para Didier dizer que não era responsabilidade de Renaud, mas seria hipócrita de sua parte dizer aquilo sem pensar o quanto também já tinha se metido na vida de outras pessoas também. Didier acabou apertando a boca e as sobrancelhas para aquele resumo da culpa de um e outro e negou discretamente com a cabeça. – No lo sé o que houve... pero... no fim, aposto que se culpam por coisas que nem tem controle... se não são hermanos de sangre, são hermanos de estupidez.
Levou a mão até os cabelos escuros, acariciando-os próximos a orelha de Renaud, puxando a mesma de leve de provocação, abrindo um sorriso breve antes de dar um selinho no moreno.
- Eu me sinto menos mal que você não tem problema de ofender Peyrac conmigo... e de dizer que vivemos momentos diferentes... porque assim pienso que teremos tempo para aprender sobre esse lado que no conocemos um do outro. – arqueou a sobrancelha, buscando se aproximar mais de Renaud, até estar completamente aninhado nele.
Renaud
As expressões que o loiro demonstrava a medida que falava, revelavam que ao menos ele estava tentando absorver o que tinha falando. E levando em consideração que Didier realmente desgostava de seu Frater vê-lo fazer esse esforço era algo bom, queria dizer que com o tempo eles podiam chegar num estado de “trégua” mas talvez isso fosse ser muito otimista. Ouviu o loiro dizer que eram “irmãos de estupidez” e não conseguiu esconder o riso diante do comentário direto, porque era bem verdade, fechou os olhos por um momento apreciando o carinho recebido nas madeixas escuras, até ter a orelha puxada, sorrindo a provocação suave feita pelo namorado. Retribuiu o selinho, gostando da sensação do calor deixado pela boca do loiro na sua, envolvendo o corpo do namorado em um abraço enquanto se deixava levar fácil pela troca de carinhos e afeto.
Tornou a encarar Didier quando ele lhe falou que estava satisfeito em poder reclamar de Sasha sem restrições, e aquilo lhe arrancou um risinho, afinal se fosse puxar o histórico de provocações de sua infância o moreno mais novo com certeza tinha uma longa lista de reclamações. Mas deixou o pensamento fugir quando sentiu o corpo do loiro aninhado ao seu e o abraçou em retorno, sequer lembrando das mãos machucadas aquela altura da conversa. Beijou o topo da cabeça do namorado, e seguiu distribuindo beijos pelos fios dourados, buscando o rosto e o pescoço do namorado, num amontoado de beijos e risinhos divertidos, como se quisesse provocar cócegas no outro. Ao ponto de se virar sobre o corpo de Didier e inverter as posições na cama, ficando sobre o namorado, apoiando o corpo com os cotovelos sobre o colchão já que não podia usar as palmas das mãos propriamente ditas:
-- psiu… -- o moreno falou baixinho, observando o loiro de cima, os olhos escuros estreitos, o sorriso num misto de felicidade e vinte centavos de charme: -- eu já disse que te amo hoje? -- Renaud se aproximou do rosto do namorado farejando: -- te amo Didier…! -- dito isto o moreno mordiscou o lábio superior do loiro: -- te amo um monte…! -- deu atenção ao lábio inferior em outra mordiscada mais longa: --¡te quiero tanto…! -- e uniu os lábios em uma carícia mais longa, e se perdeu naquele beijo, deixando-se ser o rapaz apaixonado que era, queria muito beijar Didier como se não houvesse um amanhã.
Didier
Não sabia quando tinha sido a última vez – ou se era a primeira – em que tinha se permitido ficar tanto tempo só aproveitando o calor do corpo de Renaud contra o seu, e observar o semblante cansado dele, mas que tinha um charme frustrante no riso suave de quem concordava com cumplicidade que Sasha Peyrac era estúpido. E até queria permanecer com o cenho franzido de quem deixava o assunto remoer na mente, mas não conseguia, percebendo talvez pela primeira vez nuances do rosto de Renaud enquanto ele se aproximava para lhe dar um beijo na testa, e depois mais beijos pelos cabelos, indo até o pescoço e rindo como uma criança aprontando.
- Tonto...!!
Foi inevitável rir junto depois de cada beijo, ao mesmo tempo que franziu as sobrancelhas. Queria os beijos, mas também queria apertar aquelas bochechas e boca como se ele fosse um peixinho, porque pondo sua situação em sinceridade, Renaud sendo aquela coisa romântica que ele estava demonstrando ser estava lhe deixando ao mesmo tempo preenchido de um frio novo na barriga que não sabia se era falta de sexo, vergonha ou se aquela era a sensação do seu coração roubando todo sangue do seu corpo pra gerar energia pra conter aquele... amor? Como se sentia piegas!
Eventualmente, Renaud também tinha perdido todo o juízo e cuidado com as mãos, e acabou ficando por cima do seu corpo, apoiado nos cotovelos de um jeito que supunha ser preocupante, mas naquela situação, o total de preocupação sua e de Renaud somadas era zero. Mas quase puxa a ponta do nariz dele por ser chamado por “psiu”.
Renaud foi salvo pelas palavras a seguir, que não só fizeram Didier abrir mais os olhos claros como sentir o rosto cada vez mais quente, de um jeito que nem podia esconder pela posição que estava. Mas sinceramente, precisava esconder? Esconder que apreciava o sorriso feliz de Renaud, ou que gostava de ser farejado? Fechou os olhos um instante para apreciar o beijo breve em seu lábio superior, e a sensação longa dos dentes roçando pelo inferior, e as palavras que fluíam tão fáceis de Renaud.
- Si, lo dijiste... – respondeu no meio do beijo longo, levando as mãos até o rosto de Renaud, acariciando-o, pescoço e nuca, e os cabelos. – Pero no te lo dije. – respondeu, segurando o rosto do moreno a pouco de distância de si, o suficiente apenas para que os lábios roçassem nos dele suavemente enquanto falava. – Te quiero, Renaud... – murmurou com um sorriso breve no rosto mais corado do que deveria para um homem da sua idade e com sua experiência. – Te amo, tanto... – desceu as mãos até os ombros dele, e encaixou o corpo completamente no dele, erguendo de leve uma das pernas e de súbito, empurrando Renaud para virar o corpo dele na cama, se colocando por cima do moreno. - ... Mas você tem que cuidar de sus manos. – Didier sorriu com orgulho, e então curvou-se para beijar o moreno longamente mais uma vez, aproveitando cada instante daquele sentimento quente e puro que certamente apreciaria conhecer cada vez mais ao lado do moreno.
Renaud
Para Renaud todas aquelas trocas de carinhos, olhares e toques por mais que não fossem completamente inéditos tinham um valor especial. Afinal eles já tinham se beijado, se abraçado e se desejado muito, em outras ocasiões, porém sentia que tudo que faziam agora de alguma forma era completamente diferente. E mesmo estando cansado de todos os acontecimentos recentes de sua vida, ainda achava energia em si para trocar beijos, ensaiar um sorriso e esquecer momentaneamente que todo o resto de sua vida estava uma completa desordem.
Era curioso como no passado tinha engolindo tantas palavras, tantos sentimentos, tinha mantido os dentes cerrados com força senão já teria se deixado derramar sobre o outro como o rapaz apaixonado que era. Chegava ser ridículo que fosse tão ambivalente, mas quem estava em posição de julga-lo? Sentia aquela pequena bolha de felicidade como uma pequena e frágil centelha que era, como uma bolinha brilhante de calor luminescente no escuro, como um vagalume perdido. Que se fechasse a mãos com força talvez esmagasse e destruísse aquele delicado momento de felicidade.
Que bom então que estava com as mãos machucadas, porque daquele jeito mesmo que quisesse não poderia pegar em nada com força, podia simplesmente se deixar ser levado de volta com as costas contra o colchão enquanto seu namorado ficava sobre seu corpo lhe sussurrando palavras apaixonadas com a timidez de quem as dizia pela primeira vez. Didier era apaixonante e quanto mais percebia aquilo, mais tempo queria ficar ali, ouvindo aquelas bobageiras que lhe deixavam tão preenchido e feliz. Feliz de verdade e não apenas satisfeito.
-- ainda bem que tenho você pra me vigiar não é? --o moreno respondeu com um gracejo na medida do seu possível a meia bronca sobre cuidar das próprias mãos que tinha recebido do loiro. Então ao ser beijado, retribuiu com igual carinho, se deixando tomar completamente pela sensação nova que dividiam ali.
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