[Drive] On the Edge [Vivien; Aleksei]
#3
Vivien

Aquela era uma mulher elegante. Do salto ao chapéu, ela lhe lembrava as amigas de sua mãe, só que um pouco menos espalhafatosas... e velhas. Podia ver que ela tinha uma presença do momento em que saiu do elevador, no modo de andar e na delicadeza de lhe tratar. Ao menos sabia que Aleksei estava morando consigo. Supôs, entretanto, que ela não tinha avisado a ele que viria, pois se havia pedido desculpas por aparecer desavisada e o grego de fato não tinha dito nada, era o mais lógico a se pensar. Estendeu a mão de volta, cumprimentando-a por um instante ainda à porta. Mas como o conhecido dela era Aleksei, logo foi ao ponto.

- Não tem problema. – respondeu sobre o pedido de desculpas breve. Se tivesse problema, teria deixado ela na porta. Na verdade sua curiosidade sobre a mulher era até bem grande, dado o que Aleksei tinha dito; e e ele precisava de visitas para distraí-lo dos infortúnios diários. – Entre. Sente-se por um instante. O Alek está no banho, mas vou avisar que veio. Ele não deve demorar. – respondeu, estendendo a mão em direção a sala e indicando o sofá enquanto saía do caminho para que ela entrasse. – Com licença um minuto.

Andou até o quarto calmamente, parando à porta e colocando a cabeça pela mesma de modo indelicado, procurando por Aleksei.
- Alek, você tem visita. Maud Jenssen. – anunciou, tentando manter a compostura, embora não tivesse conseguido conter inteiramente o sorriso nos lábios ao falar o nome dela, entretido com a ideia toda de uma visita surpresa. Andou até o quarto e deu uma olhada breve no espelho, só imaginando que ela poderia ter vindo em um dia em que estivesse menos vestido com a aparência de “casa”. Se sentia praticamente de pijamas com as calças folgadas e a camiseta casual. Tirou os cabelos da posição de quem andava fazendo trabalhos domésticos e andou de volta até a sala, dirigindo-se então a Maud. – Ele está avisado. Deve sair em breve. Quer algo para beber enquanto espera? Café? Chá? Suponho que tenha vindo de longe. Só Cerise para a capital é uma boa distância. – ofereceu um pouco de conversa casual enquanto ela esperava. Não sabia se ela era o tipo quieto ou se apreciava uma conversa vazia, e sequer imaginava se Aleksei havia falado sobre os eventos passados. Mas supunha que se ela estava ali, alguma coisa sabia.

Maud/Aleksei

Ele lhe devolveu o cumprimento rapidamente e abriu espaço para que ela entrasse no apartamento. Com um aceno de cabeça, ainda pediu licença e seguiu a passos curtos apenas o suficiente para que ele pudesse fechar a porta e guiar o caminho.

– Obrigada. – só respondeu à disposição dele de ir chamar Aleksei e parou a alguns passos de distância dos sofás da sala.

Não chegou a se acomodar, parou de pé observando a sala, segurando a bolsa numa das mãos diante do corpo. Quando Vivien desapareceu por um breve instante no corredor, tirou o chapéu e ajustou os fios de cabelo loiros, segurando o chapéu junto à bolsa pequena. Teve tempo apenas de dar uma olhada na decoração geral ao redor antes do dono do apartamento voltar.

– Não, obrigada. Não pretendo tomar muito de seu tempo. – ela não fez questão de se acomodar, e não se importou também se o fato de estar ali, de pé, de frente para o único corredor do apartamento que levava aos quartos, incomodaria o dono da casa. Não estendeu a conversa e não demorou tanto tempo para que a atenção se voltasse para Aleksei, que surgiu no fim do corredor apenas poucos instantes depois do aviso de Vivien.

O grego não estava no seu melhor estado físico e depois de ouvir o aviso de Vivien na porta do quarto sobre a visita que tinha, a surpresa era impossível de se disfarçar em sua expressão. Aleksei surgiu na sala a passos um tanto apressados, num conjunto de linho cinza casual com uma gola alta o suficiente para esconder o estrago que ainda estava em seu pescoço. Os cabelos jogados para trás ainda pingavam um pouco e assim que ele colocou os olhos sobre a mulher parada na entrada da sala, deteve os passos automático.

Maud apenas o encarou de volta, avaliando a aparência abatida e arrumada às pressas e deixou um sorriso discreto surgir nos lábios ao erguer o rosto para Aleksei.

– Maud...? Eu não estava... esperando. – Aleksei apenas a encarou daquela distância, parecendo ineditamente deslocado.

– [Está melhor do que eu esperava, Aleksei.] – a resposta da mulher foi em holandês, ao estender a mão livre na direção do loiro como se esperasse para cumprimentá-lo. Só então que o grego pareceu sair do estado de surpresa para cruzar o resto do caminho, e precisou apenas se aproximar o suficiente para que a mão dela seguisse até o seu rosto, e ela mesma se curvou para beijá-lo na testa. – Depois do que me contou, não esperava que eu ficasse longe, não era? – ela completou de volta ao francês, baixando a mão que estava no rosto alheio para se virar para Vivien. – O Sr. St. Clavier foi muito gentil em me receber a despeito da intrusão.

– Eu agradeço a visita, mesmo inesperada. – Aleksei se recompôs finalmente, mantendo a curta distância da mulher.

Vivien

O fato de que ela não tinha se sentado lhe incomodou um pouco. Pelo visto ela não estava muito interessada em uma conversa casual. Estava incomodada por ter vindo sem avisar? Sorriu suavemente quando ela afirmou que não pretendia tomar o tempo de Vivien.
- Então tome um pouco o tempo do Alek. Creio que ele vai ficar feliz com sua presença. – respondeu numa voz mais suave, supondo que a visita dela ser para Aleksei era mais que lógica e mais necessária também. Ainda que estivesse entretido e curioso, sua própria diversão não era exatamente prioridade. E a expressão de surpresa de Aleksei lhe deixou bem interessado.

Afastou-se um pouco dos dois quando Aleksei entrou na sala, dando algum espaço já que ela já havia dispensado sua companhia. Porém, sentiu que mudou de expressão no momento em que Maud falou em outro idioma. Ergueu o queixo um pouco mais e voltou o olhar para os dois, que trocaram cumprimentos próximos. Silenciosamente, respirou fundo notando que Aleksei, apesar de surpreso com a presença dela ali, não estranhava a aproximação. Na verdade, como ele estranharia, eles sendo íntimos? Sorriu com o canto dos lábios quando Maud falou que Vivien tinha sido gentil em permitir a visita, fazendo um sinal breve com a cabeça de que estava tudo bem.

- E você, Alek? Precisa de alguma coisa? Vou terminar de organizar umas coisas e deixar vocês livres para conversar.

Aleksei

Aleksei voltou a atenção para Vivien tão logo Maud o mencionou. Se estivesse um pouco mais disposto, teria lembrado de uma situação em que tinha suposto que Vivien e Maud se dariam bem, ou não tão bem porque era ele que estava entre eles. Mas a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi o fato de que tinha conversado sobre a situação com Maud e inclusive tinha passado o endereço do apartamento sem prévio aviso.

– Desculpe, eu passei o endereço a ela e não lhe avisei. – Aleksei passou uma mão pelos cabelos, parado ao lado de Maud ainda sem raciocinar direito se devia chamá-la para se sentar, ou para ir para algum lugar, ou se deveria oferecer alguma coisa. Mas antes de pensar na resposta, Vivien que perguntou do que precisava e sugeriu lhes dar espaço. – Não, não preciso, está tudo bem. Obrigado, Vivi.

Acenou com a cabeça para o francês, acompanhando-o ainda com o olhar por um longo tempo até que ele deixasse o cômodo. Foi o suficiente para que Maud observasse a interação breve e estendesse a mão de volta até segurar a do grego, só então conseguindo a atenção dele de volta.

– [Gostaria de ter sido apresentada ao seu "ele" numa situação melhor. Mas estou feliz que a despeito dos transtornos, você parece bem.] – ela avisou, levantando a mão para ajustar a roupa dele, passar os dedos pelos fios molhados e colocá-los para trás. – [Você é muito bonito para se negligenciar desse jeito, Aleksei.]

Aleksei a encarou de volta por uns instantes, assimilando as palavras, como se prendesse o ar até soltá-lo num longo suspiro. Segurou a mão dela que estava em sua nuca e cobriu o resto da distância entre os dois, apoiando a testa no ombro alheio e passando a mão pela cintura feminina num abraço fraco.

– [Foi péssimo... o mês inteiro. Eu estava completamente sozinho… eu estou tão cansado, Maud.] – ele deixou as palavras saírem num sussurro breve.

– [Ao menos você não está mais sozinho, não é? Eu vejo que vocês finalmente se entenderam? Digo, mais do que você me disse no sábado.] – Maud respondeu.

– [Eu que deveria ler os outros com essa facilidade, Maud.] – Aleksei riu, afastando o rosto do ombro dela.

– [Eu aprendi com o melhor.] – ela respondeu. – [Eu fiquei muito preocupada com você quando me ligou, Aleksei. E eu sabia que se sugerisse vir até aqui, você não aceitaria. Você demorou bem mais do que um par de dias para me dizer o que tinha acontecido três anos atrás, bom saber que você está mudado. E bom saber que seu entendimento com o Sr. St. Clavier é mais extenso agora.]

– [Desculpe] – ele levou uma mão ao rosto, esfregando os olhos, ainda parecendo pouco ciente do fato de que não tinham sequer se movido de onde estava. – [Foi pior dessa vez… mas quando acabou, Vivien estava aqui por mim. E eu não tinha percebido o que significava, até ontem.]

– [Bom, eu não sei a história toda, mas depois de sua última visita, acho que era o mínimo que ele deveria fazer, não? Estar aí por você.] – Maud respondeu. – [Você precisa se cuidar, Aleksei. E eu sei que você tem sérias tendências a não fazê-lo.]

– [Eu sei. E eu estou me cuidando.] – Aleksei respondeu. – [Nós vamos para Paris. Eu procurei alguns profissionais, para fazer tratamento. Eu sei de verdade que não consigo resolver as coisas sozinho agora, e Vivien também não vai me deixar fazer isso sozinho.]

Maud apenas o encarou com um quê de surpresa daquela vez.

– [Bom, então minha presença não era tão necessária quanto pensei.] – ela sorriu mais largamente daquela vez, levantando a mão livre para pousar no peito dele.

– [Isso é mentira, eu sempre preciso de você, Maud.]

– [Não precisa, não, Aleksei. Mas estou feliz que pense assim, porque eu penso o mesmo.] – a mulher respondeu, recebendo apenas um sorriso breve de Aleksei que lhe segurou a mão e levou-a até os lábios, beijando-lhe as costas.

– [Desculpe, eu não ofereci nada, nem mesmo um lugar pra sentar. Onde estão meus modos?] – riu do próprio comentário, considerando que ela mesma tinha lhe ensinado etiqueta. – [Posso fazer um chá?]

– [Eu não sei onde o Sr. St. Clavier está, mas imagino que depois de ter negado a oferta dele, se aceitar a sua, o descontentamento dele não ficará só na expressão.] – ela comentou, dando uma olhada breve ao redor como se esperasse encontrar o dono da casa avaliando a conversa dos dois. – [E eu compartilharia do descontentamento. Você não está em condições de fazer essas coisas, Aleksei.]

– [Isso não é verdade. Mas por que não sentamos, então?]

– [Eu fiz uma longa viagem e vim direto até aqui, meu motorista está esperando e eu gostaria de descansar um pouco. Mas eu pretendo ficar em Cerise por uns dias, precise você ou não. Então, por que não marcamos um jantar? Eu gostaria de conhecer melhor o Sr. St. Clavier, e acredito que seria muito deselegante continuarmos uma longa conversa sem a presença do dono da casa, sim?] – ela sugeriu.

– [Parece bom.] – Aleksei concordou com um aceno de cabeça. – [Eu preciso de uma mudança de ares.]

– [Estarei aguardando sua resposta então.] – ela respondeu. – [Ofereça meus agradecimentos a ele pela hospitalidade. Eu estou voltando para o hotel agora, estou hospedada no Sur de la Mer.]

– [Certo. Obrigado pela surpresa…] – ele sorriu, acompanhando-a até a entrada do apartamento. Despediu-se com um beijo no rosto e Maud apenas recolocou o chapéu, para seguir até o elevador. Aleksei ainda observou até as portas se fecharem e só então voltou para dentro do apartamento.

Vivien

Aleksei deveria saber que também não se importava dele ter dado seu endereço para uma amiga próxima, tanto quanto não se incomodava com a visita surpresa, especialmente porque ele precisava daquela companhia. Até o dia anterior, ainda não tinha conseguido sequer se abrir para Vivien, e não fosse a situação de estresse, talvez nem tivesse. Vê-lo mostrar outra expressão além do cansaço lhe deixava mais satisfeito.

Foi até a cozinha, talvez inconscientemente pensando em ouvir trechos da conversa dos dois, porém, mal lavou o primeiro prato ainda restante do almoço, notou que iria conversar no idioma estrangeiro. Se pegou coçando a nuca, um tanto frustrado com aquela situação e depois de rapidamente lavar o outro prato e talheres ainda do almoço, deixou os dois conversarem em paz enquanto se escondia um pouco na área de serviço. Esticou a mão para uma prateleira onde costumava colocar produtos de limpeza e agarrou uma cartela de cigarros que havia escondido de si mesmo no meio do conturbado mês anterior, tirando um cigarro e levando a boca enquanto abria a pequena janela daquele espaço.

Rolou o cigarro entre os lábios por um instante, considerando acender ou não. Supôs que se tivesse que ver Maud novamente na sala, depois de toda a conversa entre Aleksei e ela, seria melhor não retornar com o cheiro de cigarros. Já não bastava que fumava constantemente? Talvez acabasse ficando bem mais óbvio que o que disse não incomodar – ou o que achava que não incomodava – na verdade acabou incomodando, sim. Não porque desgostava da presença dela ali, ou porque ela estava de pé ao invés de sentar como havia pedido. Tinha recepcionado Maud com um entusiasmo quase infantil, num orgulho de estar com Aleksei, certamente... mas tão rápido quanto sentiu tudo isso, ver o grego desarmar com a presença dela quase que imediatamente também desfez seu entusiasmo.

Colocou o cigarro de volta na carteira e a mesma foi para o bolso da calça que usava. Aleksei precisava daquele conforto, claro. Mas foi estranhamente desgostoso lembrar que aquela reação e aquela proximidade tinha sido conquistada pelos dois em um relacionamento, que eles eram próximos e que diferente da fronte forte de Aleksei para si; para ela, ele não precisava aparecer tanto. Estava tão confortável em ter sempre a atenção do grego só para si... suspirou longamente. Levou a mão até a nuca mais uma vez. Para que super complicar aquele sentimento? Não esperava sentir ciúmes. Era só isso.

- Você ainda sabe ser patético, Vivien Hector St. Clavier... - riu baixo para si mesmo, preferindo o silêncio em seguida, especialmente por ter ouvido o ruído da porta abrindo ou fechando. Caminhou de volta para a cozinha devagar, encontrando com Aleksei no caminho. – Ela já foi? Achei que ficaria mais tempo. Espero que não tenha sido minha culpa. – ergueu as sobrancelhas, levemente surpreso que ela realmente não tinha demorado para ir embora.

Aleksei

Aleksei fechou a porta do apartamento e seguiu de volta para procurar por Vivien. Teria passado direto para o quarto, sem saber exatamente onde ele tinha ficado naquele meio tempo, mas o avistou voltando para a cozinha da área de serviço e o acompanhou. Entrou na cozinha parando a alguns passos de distância do francês, literalmente observando-o com os braços cruzados diante do corpo e demorando alguns longos instantes para responder aos comentários sobre Maud ter ido embora.

– Hm. – negou com um aceno discreto, mantendo a distância de alguns passos ainda o observando de um modo um pouco diferente. – Ela fez a viagem direto de Amsterdã para cá, disse que precisava descansar. Pediu para lhe agradecer pela hospitalidade.

O olhar intenso sobre Vivien não diminuiu. Estava pensando ainda como tinha sido fácil para Maud distinguir o seu estado mental apenas da conversa que tinham tido no sábado por telefone para o encontro pessoal. Era bem verdade que a conversa que tivera com Vivien no dia anterior tinha esclarecido mais coisas, tinha aproximado os dois de um jeito que não se permitira até então. Aleksei não tinha parado para se analisar a fundo, mas tinha consciência de que era muito difícil mostrar para Vivien o seu lado mais abalado apenas porque não queria que ele lhe visse como algo "menos" do que parceiro "perfeito" que tinha reencontrado em Paris depois de tantos anos. Mas o fato de que aquela confiança entre os dois poderia ser tão óbvia em seu próprio estado era uma novidade e Maud tinha sido bem feliz em apontar aquilo.

Aleksei saiu do estado de observação silenciosa para se aproximar de Vivien, mais assertivo daquela vez, passando os braços em volta do corpo dele e o abraçando próximo para se dar à liberdade também de unir os lábios aos dele num beijo mais intenso do que os breves selinhos que tinha compartilhado com ele nos últimos dias. Afastou os lábios, os dedos fracos pressionados contra as costas de Vivien e mantendo a proximidade a despeito de ter cessado o beijo.

– Agora está certo. – Aleksei sorriu, apoiando o rosto no peito dele e respirando fundo, mantendo-se naquela proximidade confortável. – Maud vai ficar alguns dias na cidade. Ela sugeriu um jantar, gostaria de conhecê-lo melhor. O que você acha?

Vivien

Franziu a testa ao ver a pose de Aleksei, os braços cruzados e a resposta curta e de pouca informação. Tentou entender por um instante o que aquilo significava, mas sorriu por um breve instante, sem entender porque estava sendo encarado daquela forma. Porém logo ele decidiu falar mais de Maud e supôs que era apenas cansaço da parte de Aleksei.
- Bom saber. – respondeu, sabendo que de Amsterdã até Cerise podia ser uma viagem bem cansativa. Só de Cerise para Paris já conseguia cansar, mesmo não sendo o motorista.

Esperava então que seguissem seu caminho, mas o olhar de Aleksei não saiu de sua direção. Observou-o de volta, inconscientemente realinhando o queixo como se manter a pose fosse sua segunda natureza. Não lhe incomodava ser observado, claro. Mas que o olhar do outro atiçava a sua curiosidade, se atiçava. Talvez não se incomodaria com o olhar e o silêncio não fosse a presença de Maud ali anteriormente, o que fazia sua cabeça dar voltas no que a conversa dos dois tinha sido. Já ia rir naquela troca meio que um concurso de encarar quando Aleksei decidiu cortar o espaço entre os dois e lhe abraçar firmemente pela cintura.

Sentiu um alívio imediato ao vê-lo lhe procurar por carinho. Talvez não aparentasse estar tão relaxado que quando com Maud, mas o fato de que ele tinha se aproximado e queria sua companhia fez com que Vivien parasse de pensar por um instante no encontro dele com a mulher. Abraçou o corpo mais magro de volta, porém, foi pego de surpresa pelo beijo, que até então, tinha sido iniciado por Vivien as outras vezes. Incentivou a proximidade, apreciando o toque mais longo dos lábios do loiro, uma das mãos subindo até a nuca e apertando-o ali carinhosamente.

Sorriu em retorno quando ele lhe disse que agora estava certo, o que fez com que Vivien não conseguisse conter o impulso de beijar Aleksei sobre a testa também, desapegando por um instante do orgulho. Apertou o corpo do grego contra o seu, satisfeito que aquele era o certo. Não existia outra possibilidade. Afundou parcialmente a cabeça nos cabelos loiros em direção ao pescoço de Aleksei, entretido com o abraço.
- Podemos jantar então. Ela parece uma mulher fascinante. – respondeu, então rindo baixo. – E eu gostaria de sentar e conversar com ela, claro. Mas um pouco mais apresentável da próxima vez.

Aleksei

Aleksei só concordou com a colocação de Vivien e seguiram o resto do dia com uma rotina muito mais tranquila, a despeito de todas as pequenas reações de uma pessoa que estava voltando à rotina casual. Mas a visita de Maud, mesmo que inesperada, acabou lhe colocando um ânimo diferente. Não que “ânimo” pudesse ser uma palavra que definisse o seu estado atual, considerando as coisas que estava passando, mas além de ter conversado com a mulher que lhe era importante, tinha se entendido bem mais com Vivien desde a conversa dos dois e a proximidade reafirmada. Tinham marcado um jantar para encontrar com Maud no dia seguinte e para que ela e Vivien se conhecessem também, mas só quando trocou de roupa, numa de suas camisas de gola alta de tecido leve, blazer e calça social, foi que percebeu que era o primeiro dia que saía do apartamento desde a morte de Kyle.

O pensamento lhe trouxe uma sensação de inquietação que ele tentou controlar com a respiração compassada e com o remédio que tomava regularmente durante o dia nas refeições. Arrumou os cabelos jogando-os para trás, mas alguns fios insistiram em cair sobre o rosto. As olheiras estavam um pouco mais discretas desde que conseguira dormir algumas horas a mais com o efeito da medicação. Estava esperando na sala enquanto Vivien terminava de se arrumar também, notando os próprios gestos de inquietude e ansiedade à medida que o horário marcado se aproximava. Não pelo jantar, mas pelo nervosismo recém-descoberto de ter que sair do apartamento.

Respirou fundo, fechando os olhos por um instante, mantendo a racionalidade a despeito de entender muito bem o que seu corpo e sua mente estava passando. Abriu os olhos só quando ouviu os passos no corredor com a proximidade de Vivien.

Vivien

A visita de Maud no dia anterior tinha lhe tirado momentaneamente do eixo. Estava desacostumado a encontrar pessoas que eram mais próximas de Aleksei e havia se mimado de ter toda a atenção dele. Porém, a despeito de suas falhas de caráter, compreendia a importância dela estar ali: ele precisava de pessoas que se preocupavam ao lado dele agora que tinha terminado a ameaça de Kyle, ainda mais pelo fato de que tudo era muito recente e os eventos perturbavam ele no sono ainda, mesmo com remédios. Já que foram convidados para conversar com a boa amiga de Aleksei, tomou essa oportunidade para que também saíssem da prisão do apartamento, ainda que não tivesse certeza se o grego estaria bem para isso. Se ele estava tão ansioso pra sair de Cerise, supunha que não queria mais reviver as memórias de perseguição na cidade.

Apesar de não perceber por estar focado em Aleksei, não negligenciou a própria aparência. Vivien se pegou vestindo uma calça social cinza claro e uma camisa de botões azul, o cabelo impecável como sempre. Embora não fosse trabalhar, estava sentindo-se em dívida por ter atendido a porta ainda de pijama no dia anterior. Quando terminou de colocar sapatos, cinto e um relógio no pulso, caminhou em direção a sala, onde Aleksei estava.

Apesar de saber que ele não estava perfeitamente bem, vê-lo arrumado para sair e tentando manter a compostura lhe deixava um tanto satisfeito. Se bem que imaginava que o processo todo de saírem para comer envolvia questões mais profundas. Aproximou-se, colocando uma mão sobre o ombro do loiro.

– Estou pronto, Alek. – anunciou, afinal, era quem mais tinha demorado naquele processo todo. – E você, como está? – brincou, num tom compreensivo.

Aleksei

Aleksei se voltou na direção de Vivien respirando um pouco mais relaxado quando ele se aproximou e lhe tocou o ombro. Colocou-se de pé, abotoando o blazer e concordando primeiro com um aceno de cabeça.

– Bem, espero. – respondeu mais direto daquela vez. Levou as mãos até a gola da camisa, mas apenas para ajustá-la, puxando como se quisesse se certificar de que estava alta o suficiente para cobrir o pescoço inteiro. – Vamos? Estamos na hora.

Seguiu com Vivien para saírem do apartamento até o estacionamento do prédio. As coisas ainda pareciam bem normais até lá, e só quando entrou no carro foi que teve uma sensação de frio na barriga, fazendo questão de conferir pelo retrovisor central se não havia nada nem ninguém no banco de trás. Sentiu até o sangue sumir da ponta dos dedos por um instante e fechou a mão sobre a perna depois de colocar o cinto de segurança. Suspirou longamente e passou uma mão no cabelo, ajustando-o de novo antes de voltar a atenção para Vivien.

– Estarei melhor quando chegarmos no restaurante. – fez questão de comentar com o francês, que não sabia se tinha ou não notado a sua hesitação bem óbvia dentro do carro.

E exatamente como tinha previsto, a curta viagem no carro foi talvez mais estressante do que a estadia no apartamento ou o fato de ter que sair de lá. As idas para St. Clavier não tinham lhe deixado tão incomodado no período em que estava sendo perseguido, talvez por uma consciência diferente do estado, sempre acompanhado pela polícia ou por estar sozinho nas idas e vindas. Com Vivien ao seu lado no banco do motorista, se pegou olhando mais de uma vez para conferir que ninguém apareceria ali para estragar a sua vida de novo. Quando chegaram ao estacionamento do restaurante, Aleksei só não saltou mais rápido do carro porque ainda queria se certificar de que Vivien sairia primeiro.

Vivien

Esperava que ao longo da noite, caso Aleksei ficasse mais agitado, pudesse fazer algo por ele. Embora ele também já tivesse lhe visto em um estado deplorável na ocasião em que terminaram indo até a casa do loiro, sabia que sua fobia nada se comparava com a sensação dele naquele momento. Sabia disso porque já tinha se passado um longo tempo desde que aprendera a lidar com suas crises de pânico, mas para ele ainda era bem recente. Curiosamente não deixou de notar a gola alta sendo puxada, lembrando do mês inteiro que ele passou com a cicatriz a mostra. Aquilo parecia um tipo de segurança.

Saíram para o carro e o pânico de Aleksei pareceu intensificar um pouco. Lembrava que ele tinha sido pego por Kyle no estacionamento, então provavelmente era uma das memórias que as saídas iriam ocasionar. Levou uma mão até a dele, apertando-a por um breve momento antes de seguir para o restaurante.

– Diga se precisar de alguma coisa. – avisou enquanto saíam, mantendo a firmeza. Não levaria Aleksei de volta aquela noite até o fim da noite. Sabia que seria um pouco duro para ele, mas supunha que ele tinha que enfrentar a realidade sem Kyle do lado de fora também. Podia não ser um psiquiatra, ou mesmo um psicólogo, mas queria ajudá-lo, e trancando-o dentro de seu apartamento não conseguiria fazer isso. Além do que, eventualmente iriam para Paris.

Dirigiu para o Sautée como tinham combinado, um tanto satisfeito que não terminariam a noite no restaurante em que Kyle havia lhe encurralado com Louise, que era outro bistrô famoso o qual estava evitando desde então. Quando estacionou, ainda demorou um pouco a sair do carro, mas notou a pressa de Aleksei de sair do mesmo assim que deixou o veículo. Trancou o carro e aproximou-se do loiro.

– Vamos? – convidou-o, esperando-o um pouco para irem lado a lado, caminhando a direção a mesa no restaurante quando atendidos pelo maître. – Eu quase esqueci de dizer que está muito elegante, Alek. Eu iria me sentir estranho se não lhe fizesse os devidos elogios em uma de nossas saídas. É quase um código de conduta, mas um muito prazeroso. – falou em um tom divertido, cumprimentando a distância um conhecido em outra mesa, supondo que Aleksei estivesse com a cabeça muito cheia para suas particularidades. Mas podia lidar com aquilo por ora como se fosse um dia normal.

Aleksei

Aleksei desceu do carro tão logo Vivien o fez e pareceu até mais fácil respirar do lado de fora. Ainda houve algumas olhadas de soslaio para os arredores e principalmente para o banco de trás do carro que eles tinham deixado, mas os passos até o restaurante foram mais assertivos daquela vez. Ao alcançarem a mesa reservada, foram ainda atendidos pelo maître e pegou o cardápio e a carta de vinhos. Foi preciso apenas que o funcionário se retirasse para que Vivien se curvasse em sua direção, ressaltando como estava elegante num dos comentários com os quais estava bem acostumado.

– Eu estou sempre muito elegante, Vivi. – respondeu com a descontração que a situação lhe permitia. O local reservado lhe deixava mais calmo em contraste com os espaços públicos ou especialmente carros. – E eu lhe desafio a atestar o contrário, mesmo quando estou apenas nas suas roupas folgadas.

A troca de cumprimentos não foi mais que um par de palavras e um sorriso discreto, e antes que Aleksei pudesse conferir o horário no relógio, avistou Maud se aproximando guiada por um dos atendentes do lugar. A resposta quase automática de Aleksei foi se levantar enquanto ela alcançava a mesa. Os cabelos loiros estavam bem assentados, amarrados num coque baixo, sem acessórios dessa vez. A maquiagem era leve e discreta e usava um conjunto rosa salmão, com um par de scarpins pretos discretos à primeira vista, mas com um salto detalhado em flores douradas. A primeira reação dela foi sorrir para Aleksei assim que ele se colocou de pé, e se aproximou o suficiente para cumprimentá-lo primeiro com um beijo no rosto.

– Boa noite, Maud.

– Boa noite, Aleksei. – ela devolveu o cumprimento, voltando-se para Vivien daquela vez e observando-o com um olhar analítico ao estender a mão para cumprimentá-lo também. – Boa noite, Sr. St. Clavier. Espero não estar atrasada.

Vivien

Trocou aquele sorriso com Aleksei, mais satisfeito que o lugar mais reservado no restaurante tinha acalmado um pouco o loiro em comparação com o passeio de carro.

– Difícil. Acho ainda mais charmoso quando está nas minhas roupas. – respondeu Aleksei com um ar divertido enquanto tirava das mãos dele a carta de vinhos. Nenhum dos dois iria beber, supunha, exceto talvez por Maud.

Ela, por sinal, chegou pouco depois dessa troca de comentários, se fazendo presente com a graciosidade de todos as damas da sociedade que conhecia de sua vida em Cerise. A diferença era que ela tinha presença, e o olhar em sua direção certamente atestava que estava sendo medido. Como se fosse automático, ergueu mais o queixo e como pedia a boa educação, levantou-se para cumprimentar a mulher também com um aperto de mão cordial.

– Boa noite, madame Jansen. Não está atrasada. Na verdade, não poderia ser mais pontual. – respondeu, indicando brevemente com a mão para que ela se sentasse, o maître esperando apenas para ajudá-la com a cadeira. – Aceita a carta de vinhos?

Aleksei

A necessidade de erguer o queixo ao encarar a mulher era um trejeito que Maud notou com facilidade, enquanto Aleksei deixava aquilo passar com muita naturalidade, dada a pouca atenção que estava no momento e que se focava mais nos arredores do que nas companhias bem conhecidas. Ela acenou em agradecimento ao maître para se sentar e deixou a pequena carteira de lado, cruzando as pernas e mantendo as mãos sobre o colo numa postura impecável. Levantou uma das mãos apenas para negar a carta de vinho quando Vivien lhe estendeu.

– Não, obrigada. Não seria muito elegante beber sozinha. Podemos deixar para outra ocasião, quem sabe quando visitarem Amsterdã. – ela respondeu, escolhendo apenas uma água para beber antes de serem deixados sozinhos pelo maître.

– Não sei se o seu marido ficaria muito feliz com essa visita. A não ser que ele não esteja presente. – Aleksei que respondeu, as mãos apoiadas sobre o colo com os dedos entrelaçados e os polegares se movendo repetidamente.

– De modo algum. Hendrik adoraria conhecê-lo melhor, Aleksei. E agora que estão juntos, o convite certamente se estende ao senhor também, Sr. St. Clavier. – ela se dirigiu a Vivien e foi a oportunidade de Aleksei sorrir discretamente e negar aquela afirmação para Vivien com um aceno de cabeça discreto. Só tinha visto o marido de Maud uma vez e tinha sido suficiente para saber que o homem não ficava nada feliz de conversar com ele. – Espero que não tenha se incomodado com o meu convite. Eu disse ao Aleksei que gostaria de conhecê-lo melhor, por isso a sugestão do jantar. – ela aproveitou o comentário sobre Aleksei para estender a mão até a dele, pousando os dedos levemente sobre a inquietação dos polegares, gesto que fez com que o próprio grego percebesse o que estava fazendo.

Vivien

Maud finalmente sentou-se a mesa em uma pose digna de uma mulher da sociedade, exceto talvez por não ser francesa, e por isso, permitir as mãos ficarem no colo e não na mesa, desacostumada com a etiqueta que o país pedia. Aleksei fez o mesmo, mas imaginava que isso devia-se ao fato dele estar tentando esconder os tiques causados pelo nervosismo de sair de casa. Uma vez que não estava ali no papel de vigilante de etiqueta, apenas ignorou ambos os casos, exceto por visivelmente dar mais atenção as mãos de Aleksei, analisando-o por um breve momento.

O marido dela então foi mencionado, e pela forma que os dois falavam, especialmente Aleksei, ele não parecia o tipo mais simpático. Acabou sorrindo quando Aleksei insistiu, discretamente, que conhecer o sujeito era uma má ideia. Ele deveria saber melhor que Maud. Ela tinha no rosto a expressão de quem se entretinha deixando o marido chateado. Acenou negativamente com a cabeça quando finalmente se dirigiu a Vivien mais diretamente.
– De forma alguma. Admito que também estava curioso para lhe conhecer. O Alek falou sobre você em algumas ocasiões, e devo dizer, é ainda mais interessante que imaginei, madame Janssen. – respondeu calmamente, o sorriso comercial no rosto e a tranquilidade de quem estava acostumado a trocar elogios. – Seria um desperdício não jantarmos juntos enquanto está em Cerise.

Não deixou de notar as mãos dela indo até as de Aleksei e embora entendesse que era um modo amigo dela acalmá-lo, foi inevitável lançar um olhar longo sobre o movimento sutil dela e então, sobre Maud, encarando-a por um instante com um ar menos suave que anteriormente. Mas logo se recompôs.
– Soube que foi você que sugeriu que Alek tentasse vir para St. Clavier... suponho que devo lhe agradecer por isso. – comentou brevemente enquanto o garçom servia água para os três.

Aleksei

Aleksei pareceu soltar o ar mais compassado quando sentiu o toque direto de Maud e não conseguiu perceber tão atentamente o olhar longo de Vivien para o gesto. Maud, por outro lado, observou curiosa a atenção que o francês deu ao gesto e o olhar em sua direção que não foi nada suave. Não foi motivo para tirar a expressão composta e analítica que devolvia ao homem que tinha sido capaz de fazer Aleksei chorar em sua frente, menos ainda motivo para tirar a mão sobre a do grego que naturalmente desenlaçou os dedos para dar espaço para segurar a mão dela com a sua, as pontas dos dedos um tanto frias.

– Ah sim, Aleksei me falou sobre o senhor em algumas ocasiões também. – ela respondeu, olhando do grego para Vivien, concordando com um aceno de cabeça sobre a sugestão de emprego em St. Clavier. – Eu descobri sobre a vaga de emprego por alguns contatos. Além do que, St. Clavier é uma academia bem conhecida na Europa, não foi difícil achar as informações. E depois da situação de estresse que ele passou nos EUA, eu percebi que mudar o ambiente de trabalho talvez fosse uma boa opção, não foi, Aleksei? – ela pressionou um pouco a mão na dele e aproveitou a oportunidade para afastar o toque.

– Eu não teria pensado sozinho em ir trabalhar como conselheiro numa academia com adolescentes. – Aleksei adicionou, reajustando a posição das mãos com as palmas para baixo sobre as pernas. – Acho que a última vez que trabalhei com pacientes não-militares foi... no doutorado em Amsterdã?

– Precisamente. – Maud concordou, tomando um gole de água e voltando a atenção para Vivien. – Mas a minha surpresa foi maior ao descobrir que vocês se conheciam há muito mais tempo do que o emprego em Cerise. Sei que se conheceram no Japão, deve ter sido fascinante conhecer o Aleksei naquela idade.

– Você não vai falar sobre mim como se eu não estivesse aqui, não é, Maud? – Aleksei fez questão de apontar.

– Claro que não, Aleksei. Mas não posso perder a oportunidade de ter mais detalhes de alguém que, como eu, deve fazer questão de exaltá-lo. – ela respondeu. – Além do que, é parcialmente sua culpa por não falar mais sobre si mesmo.


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[Drive] On the Edge [Vivien; Aleksei] - by Lil - 09-01-2021, 02:03 PM
RE: [Drive] On the Edge [Vivien; Aleksei] - by Lil - 09-01-2021, 02:04 PM

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