[Drive] Under Pressure [Aleksei; Emil; Dieter; Vivien; Leona]
#2
Dieter

Obviamente não tinha como Aleksei estar bem dado o quadro geral de situação, não estava se perguntando ainda como estava bem, provavelmente a adrenalina despertada ao encontrar o amigo desmaiado estava mantendo o australiano funcionando e sendo lógico e reativo diante dos fatos. Ajudou o grego a ficar de pé, notando como ele estava fraco apenas quando o mesmo, não conseguiu de fato equilibrar-se só, então, passou o braço de Aleksei pelo próprio ombro, mesmo sendo mais alto, imaginava que o apoio extra seria o suficiente, e ofereceu-lhe um melhor apoio com uma mão em torno da cintura:

– Assim, devagar, não tente caminhar e se equilibrar tudo de uma vez. Foque em respirar, puxe o ar, e solte o mesmo devagar. Estou lhe segurando, você não vai cair. – o australiano falou com toda seriedade e firmeza que dispunha no momento, sabia que falar devagar e assertivamente auxiliava naquelas situações. Apenas naquela distância que tinha notado o estado em que o outro tinha deixado o próprio pescoço, completamente arranhado e vermelho:

– Venha, vamos sair daqui o quanto antes. – Guiou o loiro para fora da sala, e se atentou em pegar a chave e trancar o local, foi inevitável encarar os orbes no chão, lhe encarando de volta enquanto saia da sala, e após trancar a porta, ainda se certificou de que ela estava de fato fechada. Guardou a chave no bolso e puxou o próprio celular, discando para o número do diretor:

– Aqui é Dieter Rupert. Temos uma situação de emergência em St. Clavier nesse exato momento, estou bem, e acompanhando o Dr. Vlahos que também está bem, apenas muito abalado. É necessário chamar a polícia especializada e um grupo de perícia, para averiguar a sala de aconselhamento estudantil. – O australiano fez uma breve pausa, esperando qualquer reação do outro lado da linha, enquanto fazia caminho para a sala do próprio Vivien, torcendo para que a conversa mais técnica tenha servido para não chamar a atenção do amigo ao fato de que estavam indo justamente para sala do diretor. Se manteve na linha telefônica ouvindo qualquer que fosse os comentários do diretor, e apenas quando estava praticamente de frente a porta da sala do mesmo, que o australiano tornou a falar:

– Poderia vir abrir a porta, por favor.

Vivien

O trabalho em St. Clavier estava ficando cada vez mais complicado. E não porque tinha aumentado, mas sua concentração certamente tinha caído. As desistências após o início do plano seu e da polícia de dar mais segurança a academia foram menores do que esperado, porém, graças a quantidade de delinquentes que gostavam de escapulir a noite, o número de questionamentos sobre todo aquele programa tinha aumentado.

A polícia em si não fazia rondas dentro da escola, o que evitava que professores e funcionários fizesse muitas perguntas sobre a necessidade daquilo, mas certamente notou desconforto com a instalação de mais câmeras de segurança. Isso impedia muitas coisas, inclusive, lhe impedia de se sentir livre para sair e fumar no meio do expediente, com receio de que alguém lhe pegasse numa postura bastante estressada dentro daquele ambiente. O importante, supunha, é que julgava que todos estivessem mais seguros agora.

Estava distraído com revisando algumas reclamações trazidas a si pelo Conselho Estudantil quando sentiu o celular vibrar sobre a mesa. Olhou o nome na tela, franzindo a testa ao ler “Rupert”. Primeiro ponderou se era alguma reclamação com as novas burocracias da escola, mas não demorou para que viesse a sua mente que o australiano fosse próximo a Aleksei, e embora quisesse imaginar que no horário de almoço, nada estaria acontecendo na escola, atendeu o telefone com urgência.

- Vivien St. Clavier. – respondeu prontamente, identificando-se prontamente no interesse de ouvir o que o outro tinha a dizer. A mensagem que seguiu, entretanto, não era uma reclamação, e aos poucos, sentiu o sangue se esvair da ponta dos dedos, ficando completamente gelado. Levantou-se da cadeira depois de apoiar-se sobre o birô de sua sala, respirando fundo para tentar controlar qualquer impulso de sair da sala e chamar atenção de mais alguém que supostamente não teria nada haver com aquele caso. Talvez – em uma opção muito remota – fosse um problema do doutor com algum aluno. – Monsieur Rupert, tem alguém machucado? Chamarei a polícia, porém, primeiro, tire o Dr. Vlahos da sala e deixe-a trancada, para a perícia. – ordenou prontamente num tom firme, levando a mão até a testa e se perguntando se Aleksei deveria ter recebido outra ameaça de Kyle naquela sala. Como, se perguntava, sem ser visto pela segurança? – Se ambos estão bem, por favor, venham até minha sala. Conversaremos aqui enquanto a polícia não chega.

Engoliu em seco, sabendo que se Aleksei estava abalado por conta de alguma situação em St. Clavier, a última pessoa que gostaria de estar perto era Vivien. Lembrava da conversa dos dois na cobertura. Porém Dieter já tinha sido ágil o suficiente para trazê-lo até ali. E era melhor. Sua sala era conectada a sala de reuniões, que era mais espaçosa e segura, caso Aleksei não se sentisse confortável estando na sua sala. Mas não deixou de descer a persiana de sua sala, evitando a exposição do interior da sala.

Andou rapidamente até a porta da sala e abriu para os dois, notando a palidez no rosto tanto de Dieter quanto de Aleksei, e desligando prontamente a ligação. Saiu do caminho enquanto buscava o número da oficial Blanche.

- Sentem aqui ou na outra sala. – apontou para a outra porta, enquanto fechava a porta depois da passagem dos dois. Levou o telefone ao ouvido, esperando que a mulher atendesse logo. – Qual a situação, monsieur Rupert?

Aleksei

Com o suporte de Dieter, foi mais fácil se sustentar, e a despeito de não querer chamar atenção, não tinha condições de dispensar o apoio alheio. Ao menos era horário de almoço, estavam no anexo administrativo e a única probabilidade de chamarem atenção era de algum professor ou funcionário. Concentrou-se nas instruções do australiano para manter a respiração e lentamente, com os segundos que passavam desde ter recebido o novo presente, inúmeras possibilidades cruzavam sua mente. Coisas que poderiam ter lhe acontecido, coisas que poderiam acontecer com seus pacientes, com as pessoas que conhecia, com seus amigos próximos, distantes, qualquer um a quem Kyle tivesse o mínimo acesso.

Da primeira vez, todo o contato dos dois tinha se resumido a uma sala de aconselhamento psicológico dentro de uma instituição segura. Ele tinha quase morrido mesmo daquele jeito e depois do incidente, só tinha recebido aquele presente a distância. O cenário era bem diferente agora, Kyle estava solto, sabia da sua rotina, dos seus contatos, seus pacientes, suas relações. Emil poderia ter se machucado, a sala poderia não ter estado vazia, Dieter poderia ter se machucado. As várias possibilidades lhe faziam começar a reconsiderar tudo o que tinha concordado até então.

A mente cheia lhe causou uma dor de cabeça incômoda e impediu inclusive de prestar atenção no que Dieter falava ao celular ou com quem falava. Antes de perceber a situação, já haviam parado diante de uma sala e a voz masculina fez com que Aleksei congelasse no lugar a ponto de tensionar os músculos e dificultar a entrada, mesmo ainda sustentado por Dieter. Não devolveu o olhar de Vivien, entraram na sala e seguiu direto até a sala de reuniões. Ouviu o questionamento que foi direcionado a Dieter, mas mesmo sem encarar o francês de volta, foi ele que respondeu.

- Os olhos da menina… estão na minha sala. - respondeu, afastando-se finalmente do apoio de Dieter com um breve agradecimento, para se sentar numa das cadeiras à mesa grande. - Foi um aluno que trouxe. Ele não sabia o que era… e eu não devia ter aberto.

Mais uma vez, Aleksei respirou fundo, passando ambas as mãos pelo rosto pálido. As respostas lhe trouxeram de volta a breve sensação de pânico e voltou aos intervalos longos de respiração profunda. Ainda naquele estado, não ergueu o olhar para Vivien uma vez sequer.

Dieter
/Leona

Agradecia estar em horário de almoço e a maioria dos professores preferir ou ficar trancado na sala dos professores ou estar no refeitório. Ao chegar na sala do diretor, ele mesmo abriu a porta sem demora, parecendo notoriamente alarmado, quem dirá quando escutasse o que tinha visto na sala de aconselhamento estudantil, aquilo fez com que uma gota de suor escorresse de sua testa. Percebeu como o próprio Aleksei ficou tenso ao se dar conta de onde estava, guiou o amigo até a sala de reuniões onde tinha mais espaço para que ele se sentisse menos “confinado” se é que isso era possível.

Ouviu os questionamentos de Vivien e antes mesmo que pudesse explicar o próprio Aleksei resumiu a situação, tinham olhos humanos de uma criança, que ele especificamente destacou que eram de uma menina. E que foram levados até a sala dele por um aluno, isso queria dizer que o maníaco sabia quais eram os pacientes do psicólogo? Aquilo fez com que Dieter franzisse a testa em leve estranheza: -- É como o próprio Aleksei disse, há olhos humanos no chão, não encostei neles, assim que cheguei na sala de aconselhamento, estranhei a falta de resposta e entrei, pra dar de cara com Aleksei desmaiado no chão. – Não precisava destacar que tinha ajudado o grego a recobrar a consciência e o tinha levado até ali: -- Tentei ser o mais discreto que dava, não acho que algum outro professor ou funcionário tenha nos visto chegar aqui. – o Australiano puxou a chave da sala do outro do bolso deixando sobre a mesa da sala de reuniões.

Enquanto as horas corriam, mais e mais informações chegavam a delegacia, inclusive novos dados que encorpavam o caso da fuga de Julliette, como aquilo podia ter influenciado de alguma forma a morte de sua única filha. Tinham por onde começar a fazer ligações de possíveis pessoas que odiassem a criança. E pelos dados obtidos pelo legista, já tinham um perfil de pessoa que tinha espancado a criança, mas os dados não batiam com nada que estivesse no banco de dados da polícia, o que indicava uma pessoa não fichada. Oficial Garret estava pressionando os marginais na rua e estava conseguindo algumas informações relevantes, e Carissa estava exaustivamente trabalhando montando aquele quebra-cabeças gigante de informações. Mas de uma coisa a leoa estava certa, podia ser quase impossível rastrear um ex-seal, mas certamente o novo companheiro com o qual Kyle estava se divertindo não era experiente o suficiente para ser tão cuidadoso. E não ia deixar isso por menos, se ele achava que a polícia não tinha como achar ou triangular quem é a pessoa, ele estava enganado de novo.

Mas não era um dia para ficar somente na delegacia, tinha recebido uma ligação de St. Clavier, e já conseguia até imaginar o que estava acontecendo, se estavam faltando os olhos da criança, eles não estavam lá por um motivo. O requerimento de um perito, apenas condizia com a suspeita de Leona. A questão era, que se a Academia masculina estava fortemente sob vigilância da polícia, então ele tinha de ter dado um bom pulo do gato pra fazer essa entrega, qual seria o pequeno deslize do dia? Precisava saber, talvez isso a levasse ao segundo assassino também. Leona avisou a toda equipe que estava de saída com o perito, foram em um carro convencional, para não causar alarde na instituição e também, porque imaginava dois cenários: ou Kyle estaria vigiando para saber a repercussão de seu presente, o que podia ser estendido ao seu pequeno marionete, ou estaria ocupando-se com um próximo presente. Leona apenas fez questão de deixar avisado para Carissa considerar a lista de desaparecidos dos dois últimos dias, se alguém dentro do perfil do segundo assassino sumir, é possível que precise ser investigado também simultaneamente.
Não demoraram para chegar a academia masculina, alguns poucos minutos de trânsito, e com a entrada já liberada e avisada, seguiu pelo caminho conhecido até a sala do diretor da instituição, sabendo que a portaria devia ter anunciado sua chegada assim que passaram o portão. Leona usava roupa de ação em campo, com calça, coturnos, jaqueta e boné, carregava consigo luvas e outros equipamentos caso precisasse ajudar o perito, que vinham igualmente vestido. Bateu a porta e esperou que ela fosse aberta para só então adentrar na sala e cumprimentar o diretor da instituição:

-- Diretor St. Clavier. Este é o oficial e perito, Jean Marlon, está me acompanhando na ação de hoje. Onde está o Dr. Vlahos? – comentou no mesmo tom sério costumeiro, embora estivesse aparentando estar calma, a despeito de ser uma chamada de urgênc
Ia.

Vivien

Foi fácil notar o desconforto de Aleksei que ia além do fato dele ter se envolvido em provavelmente outra situação perigosa. Sua sala, sua presença incomodava o loiro. Mas era o melhor lugar que tinha no momento, e não podiam estar chamando atenção em salas menos discretas na escola. Se ele conseguisse pelo menos ficar ali, tinha cumprido parte do seu papel. Não lhe surpreendeu muito quando Aleksei optou pela sala de reuniões, e permaneceu sem lhe lançar um único olhar, a despeito de decidir responder sua pergunta dirigida ao professor Rupert.

Franziu a testa aos poucos ao ouvir o relato do que tinha acontecido. Não tinha informação alguma sobre os olhos de que menina, mas o caso tinha sido tão comentado que era difícil não adivinhar que eram os do corpo da pequena que tinha sido encontrada na semana anterior. Tinha lido sobre no jornal de sexta, e surpreendentemente, tinha conhecidos que tinham proximidade com ela, como Tamotsu. Era apenas sobre o que se falava em Cerise. Sentiu um arrepio na nuca de pensar que naquele ponto, mesmo que não soubesse da relação dela com Aleksei, Kyle tinha machucado até mesmo uma criança pequena. Não era surpreendente, mas ao mesmo tempo, era algo que não tinha como esperar. Levou a mão até a boca e tomou um fôlego grande, sem saber exatamente o que sentir.

O pior era que um aluno de fato tinha entrado em contato com Kyle. Sorte a sua, ou a de todos, que, se foram entregues em algum recipiente, o aluno não tinha tido a curiosidade de abrir. O que não podia dizer de Aleksei. Mas não o culpava. Sabia que não era uma reação de curiosidade, e sim de pânico. E Dieter completou o resto da narrativa com a reação dos dois aquela situação. Era difícil lidar com a sensação de impotência diante de toda aquela situação dentro da escola, há poucos metros da sua sala, envolvendo cada vez mais pessoas, e com o fato de que não podia fazer nada sequer por Aleksei. Estava com a cabeça cheia. Queria desesperadamente um cigarro.

- Estou chamando a polícia. Vai ficar tudo bem. – assentiu com uma voz firme para os dois, embora soubesse que seria mais difícil acalmar o loiro depois daquele segundo choque. Ergueu a mão até o ombro de Dieter e pressionou de leve. – Tem água na sala de reuniões. Sirva um copo para o dr. Vlahos e para você também, e sente-se. Obrigado pela ajuda. – Vivien adicionou, num tom menos comandante, e respirou fundo, pedindo licença baixo por um instante para falar diretamente com a oficial Blanche e solicitar que ela fosse até St. Clavier.
Agora que sabia o que estava na sala de aconselhamento estudantil, a espera foi um pouco fatigante. Dieter não podia sair dali, e por mais que fosse irritante tê-lo envolvido nisso tudo, assim Aleksei não precisava ficar completamente desconfortável consigo. E nem sozinho também. Evitou andar de um lado para o outro da sala e deixar os dois ainda mais impacientes, e apenas aguardou a chegada dos oficiais de pé em sua própria sala, pois não conseguiria sentar nem que quisesse. As batidas na porta foram um alívio para tirar o ruído de seus pensamentos enquanto esperavam.

Deixou Leona Blanche e o outro homem entrarem, e fechou logo a sala atrás dos dois. O fato de que Leona pelo menos tinha que manter uma fronte calma lhe deixou um pouco mais assegurado.
- Ele está na sala de reuniões. Junto dele está o professor Dieter Rupert. Ele que ajudou o Dr. Vlahos na sala de aconselhamento estudantil. Está trancada, nada foi mexido desde então. Vou entregar a chave aos dois. – falou, fazendo um sinal com a mão para que Leona e o perito fossem até a outra sala anexa.

Aleksei

Estar na sala de reuniões ao lado da sala da diretoria não ajudava em muita coisa, mas era melhor do que ficar na sua sala com os olhos acusadores no chão. Apenas ouvir a voz de Vivien lhe incomodava, como ele mesmo tinha dito alguns dias atrás, especificamente pelo fato de que sentia uma necessidade crescente de depender de alguém e aquele alguém, não tão surpreendente, era o francês. A enxaqueca só aumentou e ficou perdido entre continuar sua linha de pensamento e ouvir as vozes conhecidas. Quase levantou a mão de novo até o pescoço, no transtorno compulsivo mais recente de arranhar o pescoço, mas a reação automática foi segurar o braço da cadeira com uma força que deixou as juntas dos dedos brancas, numa lembrança bem vívida para “ir com calma”.

Manteve uma mão segurando o braço da cadeira, enquanto a outra usava para apoiar o rosto. Só se moveu de onde estava quando Dieter apareceu em seu campo de visão para lhe oferecer água. Bebeu apenas um gole, certo de que mais do que aquilo lhe faria vomitar. Os segundos de espera se tornaram minutos, os minutos pareceram horas, e todo aquele tempo só lhe colocou mais ideias na cabeça, e nenhuma delas era boa. Do mesmo modo que ao chegar, não procurou o olhar de Vivien uma vez sequer, mesmo ouvindo a voz dele esporadicamente.

Depois de um tempo que lhe pareceu muito longo para chegar a algumas conclusões não muito boas, ouviu a voz da oficial responsável pelo caso, que estava lhe deixando a par de toda a investigação até então. Seria mais um interrogatório, mais suposições, poucas conclusões. Aleksei estava cansado, verdadeiramente cansado como não se sentia há muito tempo. Logo a oficial surgiu na sala acompanhada de um perito e finalmente Aleksei arriscou levantar o olhar, focado apenas na mulher.

- Official. - foi aquele apenas o breve cumprimento para a chegada dela. Já não era difícil notar como Aleksei estava desgastado naquele ponto. - Eu já devia ter esperado… - referiu-se ao fato de ter recebido os olhos, e sabia que não precisava adicionar mais para que Leona entendesse.

Leona

O professor de Biologia se sentia muito deslocado naquela situação, porque nada podia fazer além de esperar. Conversar com Aleksei apenas o deixaria ainda mais indisposto, e não iria deixa-lo sozinho para conversar com o diretor, que apesar de ser mais cordial do que de costume, estava notoriamente transtornado. Pegou água e trouxe, tomando um pouco para si, sabia que deveria ficar ali, pelo amigo, e também porque invariavelmente seria interrogado, sobre o que tinha encontrado na sala.

A oficial observou o diretor apenas o suficiente para ter noção de que ele estava muito transtornado, e dada a ligação, já sabia o que iria encontrar ali, arqueou a sobrancelha apenas para a indicação de que tinha outro professor envolvido. Seguiu para a sala de reuniões acompanhada de Marlon que não acrescentou nenhuma palavra, se ocupando em carregar a mala com material de perícia:

-- Senhor Vlahos. -- devolveu o cumprimento breve, depois olhou para a figura nova na sala: -- Prof. Rupert, eu sou Oficial Leona Blanche, responsável por esse caso, este é o perito Jean Marlon. -- Seguido de apresentação para a nova figura que estava na sala. E observando os trejeitos do psicólogo notando que mesmo mediante ao aviso prévio, nada supera o choque do momento, principalmente dado a constante sensação de perseguição que o outro vinha experimentando ao longo dos dias: -- Mesmo esperando, uma coisa é: saber que pode acontecer, outra é: vivenciar de fato. Mas vamos prosseguir a investigação, até pegá-lo. -- reafirmou que daria continuidade a investigação, tudo num tom calmo e seguro, embora a fala parecesse condescendente com o sentimento do psicólogo diante do choque recente, a expressão e linguagem corporal da loira ia contramão, não parecendo nem um pouco surpresa diante da progressão dos fatos. Leona em seguida, se voltou na direção do outro homem na sala: -- Prof. Rupert, como foi o senhor que encontrou o Senhor Vlahos vou pedir que acompanhe o perito Marlon de volta a sala de aconselhamento estudantil, ele vai lhe interrogar sobre o ocorrido. Pode fazer isso?

-- Posso sim, oficial Blanche. -- dito isto o australiano se levantou, lançou um olhar para Aleksei antes de fato de acompanhar o perito. Não queria ter de voltar aquela sala, porém se sentia impelido a ir, se isso ajudasse em algo dentro da investigação, ajudava a diminuir a sensação de inutilidade diante dos fatos que ocorriam.

-- Obrigada pela cooperação prof. Rupert. -- Leona fez um meneio de cabeça, e em seguida se virou na direção do perito, o mesmo já sabia o tipo de fotografia que Leona precisava para além do registro criminal de evidências para o caso. Após a saída dos dois, estavam apenas o diretor, o psicólogo e a oficial na sala de reuniões. A loira se sentou a frente de Aleksei, para que ele não tivesse de tornar a olhar para cima, manteve toda a linguagem corporal mais firme e sóbria, embora o semblante fosse calmo, afinal, já esperava aquela progressão de caso, mas tinha suas próprias dúvidas e era justamente o que iria perguntar:

-- Pode me falar como o objeto chegou em suas mãos Senhor Vlahos? -- o pode, indicava justamente, que Leona já estava considerando o cansaço aparente do psicólogo diante de mais um choque.

Aleksei

A chegada de Leona à sala não lhe fez manter a atenção completamente focada nela enquanto ela estava de pé, apresentando o perito no qual não tinha muito interesse e avaliando a situação, como já era comum da oficial. Aleksei sabia, em algum lugar agora um pouco distante em sua própria cabeça que esperar algo e vivenciar era diferente, mas a confusão de sentimentos não foi capaz de se sobressair ao comentário da oficial de que “prosseguiriam com a investigação, até pegá-lo”. Fechou a mão com um pouco mais de força em volta do braço da cadeira, respirando fundo de novo e fechando os olhos por um instante para manter a sobriedade, se é que era possível naquele estado. Sabia que a investigação estava prosseguindo, a parte de pegar Kyle é que parecia torturantemente distante.

A oficial Blanche voltou a atenção então para Dieter que era a pessoa nova no caso inteiro e deu instruções para que ele ajudasse na investigação. Aleksei apenas pegou o copo de água para beber mais um gole pequeno e organizar as memórias recentes para poder descrever, eventualmente, o que tinha acontecido de fato para estarem reunidos ali, de novo. Dieter deixou a sala com o perito e logo estavam só ele, a oficial e Vivien, levando-lhe de volta ao primeiro olho em sua sala. A diferença era só que Vivien não estava ao seu lado para lhe atentar para seu próprio estado e isso lhe fez, de novo, segurar o braço da cadeira com mais firmeza para se impedir de machucar o pescoço.

Foi mais fácil encarar a policial quando ela se sentou a sua frente e mais fácil evitar olhar para o diretor também. O cansaço e a exaustão podiam ser até confundidos com calma naquele ponto em que sua respiração já tinha voltado ao normal, mas todos sabiam que a situação era bem diferente daquilo. Não esperava diferente da pergunta dela e não se moveu muito, apenas abaixando a outra mão que apoiava o queixo para descansar sobre o braço da cadeira também e encarar a oficial de volta.

- Foi um dos meus pacientes, aluno da Academia, Emil Allard. - Aleksei começou a relatar a situação. - Ele veio para uma sessão de rotina, é um rapaz quieto, introvertido, ingênuo. Ele estava particularmente animado quando chegou para a sessão hoje e eu sabia que algo interessante tinha acontecido com ele. Mas ao longo da sessão, não houve relatos que se destacaram. Quando terminamos a sessão, ele finalmente revelou que estava animado por poder ajudar um amigo meu a me fazer uma surpresa... e me entregou o presente. Eu só agradeci e o dispensei... abri a caixinha quando fechei a porta. Eu sabia que era dele, eu sabia que não devia ter aberto.

A respiração ficou um tanto descompassada naquele ponto, ao lembrar de encarar o que tinha dentro da caixa e desmaiar. A reação tinha sido automática, como Leona mesmo disse. Num caso de menos estresse, talvez tivesse pensado duas vezes em ligar logo para a polícia antes de abrir o pequeno presente.

Leona

Para a oficial era fácil enxergar os sinais de exaustão no homem a sua frente, por mais que ele parecesse muito tranquilo em um primeiro olhar. A forma como ele se segurava firmemente a cadeira lhe dava a dica de que ele precisava se “segurar” em algo, ou talvez se “sustentar” seria a palavra mais apropriada para ser utilizada ali. E o outro sinal claro de estresse era notar a área do pescoço vermelha e arranhada, já tinha identificado aquilo como sinal de estresse do psicólogo, se ele tinha chegado ao ponto de desmaiar, e em seguida começou a repetir o tique ao ponto de se machucar, agora podia julgar que ele estava atordoado e absorvendo o que ocorreu.

-- Emil Allard... -- A loira repetiu apenas a critério de guardar o nome na memória, em seguida virou-se na direção do diretor da instituição, que parecia notoriamente transtornado de estar ali, mais uma vez, apenas ouvindo um interrogatório sem ter muito mais que pudesse fazer: -- Senhor St. Clavier, poderia chamar o jovem Allard e outros alunos de anos variados, vou conversar diretamente com eles e coletar informações, acerca dos arredores da instituição. Pense em qualquer desculpa para chamá-los, assim que terminar de recolher as informações com o senhor Vlahos, eu passo para conversar com os alunos. -- dito isto, esperou apenas uma confirmação do diretor para que pudesse voltar sua atenção para o psicólogo novamente:

-- Certamente se Kyle está se utilizando de alunos para se aproximar do senhor, Dr. Vlahos, é justamente porque ele está ciente, que na situação atual, não é tão simples fazer um contato direto. E bem, isso apenas comprova que a segurança extra, está surtindo algum efeito sobre as decisões que ele está tomando. -- Para Leona era um pensamento até certo ponto simples, para o psicótico seria um desgaste muito grande de energia, tempo e recursos para que ele fizesse essa entrega diretamente, dada a segurança extra, isso força ele a sair do plano original e buscar outras saídas. A questão a ser observada e pontuada é que a escolha de aluno foi deveras conveniente, isso quer dizer no mínimo que Kyle não somente foi deixar presentes na sala do seu alvo, como também foi estudar tudo que ele está fazendo no trabalho:

-- O que eu posso supor dessa situação, é que as duas primeiras invasões feitas a sua sala, não foram somente para entregar-lhe os objetos. -- Não usou o termo “presentes”, porque sabia que a palavra já era usada exaustivamente pelo psicótico nas mensagens enviadas ao celular do Dr. Vlahos: -- Ele já tinha planejado que precisaria ter acesso aos seus pacientes, porém, eu não creio que a única motivação tenha sido, apenas para entregar novos objetos, sei que ele poderia antecipar que faríamos uma vigilância reforçada, mas são muitos pacientes, com perfis completamente distintos, não seria um motivo forte o suficiente. Nesse tipo de situação, acredito que isso vá além até, da sensação de ter controle sobre sua vida, Senhor Vlahos.

E Leona não estava desconsiderando que estava lidando com uma pessoa treinada, sabia sim, que ele estava confiante, mas ele tinha antecipado muitas ações da polícia até agora não a toa obviamente. Porém, não acreditava que duas invasões para avaliar arquivos, seria apenas para mapear pacientes ingênuos para transformá-los em garotos de entrega. Havia uma motivação maior ali, que era fruto, muito provavelmente do pensamento obsessivo psicótico de Kyle, somado ao treinamento e capacidade de planejamento que um ex-SEAL pode ter, provavelmente, está mais relacionado ao objetivo central de Kyle com todo esse jogo de tormento constante.


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RE: Under Pressure [Aleksei; Emil; Dieter; Vivien; Leona] - by Lil - 09-17-2021, 03:19 PM

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